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UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP

BEATRIZ NASCIMENTO COSTA


DAVI GOMES DA SILVA
MARIAH ALMEIDA FERREIRA
REBECA LAÍSE VIEIRA SOARES
THADEU LEANDRO DA SILVA

REFORÇO DO SOLO PORTUÁRIO DE SANTOS:


Reforço dos solos moles para amenização dos recalques

SÃO PAULO
2017
BEATRIZ NASCIMENTO COSTA
DAVI GOMES DA SILVA
MARIAH ALMEIDA FERREIRA
REBECA LAÍSE VIEIRA SOARES
THADEU LEANDRO DA SILVA

REFORÇO DO SOLO PORTUÁRIO DE SANTOS:


Reforço dos solos moles para amenização dos recalques

Monografia de conclusão apresentada ao curso


de Engenharia Civil da Universidade Paulista
a ser utilizado como requisito para a
obtenção do título de Graduação em Engenharia
Civil.

Orientador: Prof.ºEng.ºCivil Gerson Zorio de


Mattos

SANTOS – SP
2017
BEATRIZ NASCIMENTO COSTA
DAVI GOMES DA SILVA
MARIAH ALMEIDA FERREIRA
REBECA LAÍSE VIEIRA SOARES
THADEU LEANDRO DA SILVA

REFORÇO DO SOLO PORTUÁRIO DE SANTOS:


Reforço dos solos moles para amenização dos recalques

Monografia de conclusão apresentada ao curso


de Engenharia Civil da Universidade Paulista
a ser utilizado como requisito para a
obtenção do título de Graduação em Engenharia
Civil.

Orientador: Prof.ºEng.ºCivil Gerson Zorio de


Mattos

Aprovado em:

______________________/__/__
Prof. Dr.ª Márcia Aps

______________________/__/__
Prof. Eng.º Márcio Lara
Universidade Paulista – UNIP
RESUMO

Esta monografia apresenta um estudo referente aos solos moles, abordando


os problemas de recalque na área portuária da cidade de Santos, estado de São
Paulo, trazendo comparações entre formas de reforço e manutenção, visando
esclarecer qual prática é mais viável e econômica. Os estudos foram baseados em
revisões bibliográficas de especialistas na área de fundações e geotécnica,
envolvendo aspectos históricos, geológicos e geotécnicos do subsolo do município de
Santos. A pesquisa vem para elucidar os processos e técnicas mais utilizadas
atualmente para estabilização dos recalques que ocorrem na região portuária de
Santos. Essas técnicas visam minimizar a desestabilização do solo. Devido ao grande
tráfego de veículos e cargas que excedem facilmente o peso de 40 toneladas, essas
técnicas e processos são de suma importância para que o solo que serve de
plataforma para toda essa movimentação venha se manter estável diante de toda essa
compressibilidade que o solo sofre. Perante o exposto, este trabalho apresenta
métodos usados atualmente para reforço do solo.

Palavras-chave: Reforço; Recalques; Solos moles.


ABSTRACT

This monograph presents a study on soft soils, addressing the problems of


repression in the port area of the city of Santos, state of São Paulo, bringing
comparisons between reinforcement and maintenance, in order to clarify which
practice is more feasible and economical. The studies were based on bibliographical
reviews of specialists in the area of foundations and geotechnics, involving historical,
geological and geotechnical aspects of the subsoil of the municipality of Santos. The
research comes to elucidate the processes and techniques currently used to stabilize
the settlements that occur in the Santos port region. These techniques aim to minimize
soil destabilization. Due to the great traffic of vehicles and loads that exceed easily the
weight of 40 tons, these techniques and processes are of paramount importance so
that the soil that serves as platform for all this movement will remain stable before all
this compressibility that the soil suffers. Given the above, this work presents methods
currently used for soil reinforcement.

Keywords: Reinforcement; Repression; Soft soil.


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 7
1.1. Contexto Histórico .......................................................................................... 7
1.2. Justificativa ................................................................................................... 12
1.3. Objetivo ........................................................................................................ 12
1.4. Hipótese ....................................................................................................... 13
1.5. Metodologia .................................................................................................. 13
1.6. Estrutura do trabalho .................................................................................... 13
2. REVISÃO BIBLIOGRAFICA ............................................................................... 14
2.1. Estudos geológicos ...................................................................................... 14
2.1.1. História Geológica do Litoral ..................................................................... 15
2.1.2. Influência das elevações do nível do mar na Baixada Santista ................ 16
2.1.3. Planícies sedimentares quaternárias de São Paulo .................................. 17
2.1.4. Avanços geológicos .................................................................................. 18
2.2. Características Geotécnicas ........................................................................ 18
2.2.1. Parâmetros geotécnicos dos sedimentos da Baixada Santista................. 19
2.3. Aterro sobre solo mole ................................................................................. 23
2.3.1. Características dos solos moles................................................................... 24
2.3.2. Recalque ...................................................................................................... 24
2.3.3. Métodos para estimativa do recalque .......................................................... 25
2.4. Tratamento dos solos moles ........................................................................... 27
2.4.1. Construção por etapas ................................................................................. 27
2.4.2. Aplicação de sobrecargas temporárias ........................................................ 27
2.4.3. Drenos verticais ........................................................................................... 28
2.4.4. Colunas de pedra ......................................................................................... 29
2.4.5. Estacas de distribuição ................................................................................ 29
7

1. INTRODUÇÃO

1.1. Contexto Histórico

A cidade de Santos foi elevada à vila em 1546, mas sua ocupação se deu antes
disso. Segundo Giraud (2000, pág. 11), o porto e a cidade de Santos surgiram na
mesma época do descobrimento do Brasil e seu início está ligado com os relatos sobre
a Ilha de São Vicente. Os colonizadores portugueses estavam em busca de novos
locais para se instalar e que estivessem livres de piratas e tempestades.
Santos subiu para a categoria de cidade em 26 de janeiro de 1839 através de
uma Assembleia Provincial que corresponde hoje a Assembleia Legislativa Estadual.
A data coincide com a mesma data em que ela foi elevada à vila em 26 de janeiro de
1546, razão pela qual é nessa data em que se comemora o aniversário da cidade
desde a fundação da vila por Brás Cubas até hoje.
No princípio, as naus1 ancoravam no antigo porto em São Vicente. De lá as
cargas iam por terra até a Ilha de São Vicente. Brás Cubas foi quem teve a decisão
de alterar o local de ancoradouro para um lugar mais seguro. Sua escolha foi pelo
Lagamar do Enguaguaçu, hoje centro da cidade de Santos, mais especificamente
entre as ruas Visconde de Rio Branco e Brás Cubas.
A primeira fase da realização do trecho de 2.200 metros do cais linear do porto
de Santos, que iam do cais do Armazém 1 até o 10, ocorreu de 1892 a 1898. Seus
primeiros 260 metros iam da área do Arsenal (atual Armazém 4) à Alfândega, onde o
famoso vapor Nasmyth atracou, inaugurando-o em 2 de fevereiro de 1892.
Basicamente no século 18, o porto movimentava o sal que era importado de
Portugal e que não precisava de navios com grandes calados. Mais à frente, São
Paulo iniciou sua produção de açúcar e a exportação do produto exigia navios
maiores. Nesse momento se fez necessário a construção de trapiches2.
Foi através das antigas pontes de madeira e pelos trapiches onde
descarregavam-se as cargas que iam e vinham dos portos da Europa, que Santos se
desenvolveu no início da parceria entre vila e porto.

1 Denominação genérica dada a navios de grande porte com capacidade de 200 pessoas, até o
século XV usados em viagens de grande percurso.
2 Armazém onde são estocadas mercadorias destinadas à importação ou à exportação; armazém-

geral.
8

A continuação das obras decorreu em direção à ponte trapiche da São Paulo


Railway, correspondendo aos cais dos Armazéns 4 a 1.
A construção da estrada de ferro São Paulo Railway, com destino ao planalto
contribuiu com o desenvolvimento da cidade, que continuou crescendo, sentido
interior, com a implantação das autoestradas.
O que não agradava eram as deficiências nas condições de atracação e
operação no Porto de Santos, que eram precárias comparadas com a evolução que o
planalto paulista havia sofrido devido ao cultivo do café e a imigração estrangeira para
a Província de São Paulo, combinados com as ferrovias e navios a vapor.
O novo porto era reivindicado pelo comércio paulista, surgindo como o polo de
riqueza do novo país, independente em 1822 e tornado República em 1889. De acordo
com Hélio Lobo (1936, p.9) nessa fase, as diversas epidemias que afetaram Santos
como a febre amarela, por exemplo, afastavam a mão de obra contratada.
Santos estava marcado como lugar maldito nos portos a fora, acumulando
queixas de transportadores marítimos. A cidade era então um lugarejo de 20 mil
habitantes, e a capital paulista não contava com mais de 150 mil habitantes, com vida
tumultuada em função do embarque e desembarque de mercadorias em trapiches.
Era necessária e urgente a modernização do Porto de Santos, e após tentativas
frustradas em 1892 foi criada juridicamente a sociedade que tinha como nome
Companhia Docas de Santos (CDS), de Eduardo Guinle e Cândido Gaffrée.
Entre 1892 e 1982, houve a expansão da Cia das Docas de Santos, ampliação
do cais de atracação e zonas de armazéns, saneamento adequado da área portuária
e também da cidade, já que em Santos ainda não havia estrutura para receber o
desenvolvimento que o Porto trouxe à cidade.
A história da Companhia Docas de Santos, responsável pela construção,
organização e administração do porto de Santos, está ligada à história do
desenvolvimento nacional com a entrega do primeiro trecho de cais linear em pedra e
cimento, do novo Porto.
A fim de permitir a atracação de navios de grande calado3, os sócios Gaffrée e
Guinle proporcionaram a Santos o início do seu saneamento e alguns quilômetros
quadrados úteis a mais à sua expansão urbana.

3 Espaço ocupado pelo navio dentro da água. Distância entre a quilha do navio e a linha de flutuação.
9

Na segunda fase, de 1898 à 1913, iniciou-se a demolição dos antigos


trapiches. Em 1900 já existiam os 11 primeiros Armazéns e o cais era iluminado em
toda a sua extensão por luz elétrica. Na área de Outeirinhos, a Cia Docas de Santos
havia criado um enorme depósito de carvão, com 5 mil toneladas e com uma ponte
de desembarque, em dois pavimentos, com trilhos e guindastes a vapor.

Figura 01 – Local da ampliação do cais.

Fonte: Novo Milênio, 2013.

Neste mesmo ano começou a construção da muralha do cais entre Paquetá e


Outeirinhos, seguida do aterro da lagoa formada pelo aparecimento do cais linear
entre os atuais Armazéns 12 e 23, conforme ilustrado na Fig. 01.
10

Figura 02 – Avanço da muralha do cais.

Fonte: Livro Santos e a Cia Docas, 2000.

Seja para o aterro, seja para a muralha foi utilizado um material proveniente
do desmonte dos Outeirinhos e da pedreira do Jabaquara.
Para a construção do cais e dos armazéns do Porto de Santos, foi necessário
aterrar a região, e as rochas que eram retiradas do bairro do Jabaquara eram
transportadas por uma pequena linha férrea até a área do porto.
11

Figura 03 – Pedreira do Jabaquara – Santos (SP).

Fonte: Livro Santos e a Cia das Docas, 2000.

Em dezembro de 1909, foi assentado o último bloco da muralha. Hoje, há uma


muralha de cais que se estende desde a estação da São Paulo Railway, até os
Outeirinhos, numa extensão de 4.800 metros, com espaço amplo para os grandes
transatlânticos. O belo cais de granito foi preparado com os últimos e melhores
guindastes hidráulicos da época. Um navio trazendo ou levando 12.000 toneladas de
carga, podia ser despachado em dez dias. A cidade de Santos, que em 1892 não
passava de vestígios insalubres dos tempos coloniais, transformou-se com as obras
do cais em conhecido porto de saúde, com belas ruas e avenidas, bonitos edifícios e
trens elétricos.
A data 30 de agosto de 1981 marca de certa forma o início de uma nova época
na história do porto, pois a movimentação de contêineres, sensivelmente em
crescimento na década de 70, passou a se elevar cada vez mais nos anos 80, a partir
da inauguração naquela data do terminal de contêineres do porto. Os efeitos da
conteinerização progressiva das cargas transformaram a paisagem da região, com o
12

surgimento de terminais retro portuários especializados e o uso de todos os terrenos


vazios disponíveis como depósitos de contêineres.
Também o trânsito se modificou com o surgimento dos veículos especializados
em transporte de contêineres, e até de um viaduto especial para a ligação das
estradas às vias portuárias.

1.2. Justificativa

A Baixada Santista no estado de São Paulo sempre foi um desafio para a


engenharia civil, principalmente a cidade de Santos, que tem uma grande importância
no cenário nacional, pelo fato de abrigar o maior porto da américa latina,
em movimentação de cargas.
O desenvolvimento alcançado na região portuária de Santos nos últimos anos
tem provocado uma crescente demanda por realização de obras civis. Por outro lado,
o que se verifica é a escassez de subsolos de boa qualidade nas proximidades do
porto, não restando alternativa senão ocupar áreas antes julgadas inapropriadas.
Sendo assim, essa pesquisa visa fazer um estudo sobre o solo mole da Baixada
Santista e o histórico da ampliação do cais através de aterramento, para melhor
entendimento da motivação que gera os problemas de recalque da área, analisando
também, quais métodos são usados para minimizar o problema citado.

1.3. Objetivo

O objetivo geral deste estudo é analisar os métodos de reforço de solo para


assim avaliar a melhor solução para os recalques ocorridos na pavimentação de pátios
com armazéns e contêineres do Porto de Santos, e demonstrar custos e benefícios
entre fazer apenas manutenções frequentes no pavimento ou reforçar o solo com
tecnologias apresentadas pelo mercado.
Como objetivo específico será aprofundado o conhecimento sobre as
propriedades geotécnicas de depósitos de solos moles através da obtenção dos
parâmetros geotécnicos do solo da área de estudo e sobre as novas tecnologias que
o mercado oferece.
13

1.4. Hipótese

O nosso estudo visa demonstrar a partir de análises, o custo que se tem para
aplicar métodos de reforço em solo mole, a fim de manter nivelado o pavimento da
área de um terminal de contêineres do porto, e o custo e tempo que se leva fazendo
manutenções em solos não reforçados.

1.5. Metodologia

A metodologia dessa pesquisa consiste no embasamento teórico dos livros


Obras de Terra (2003) e Solos Marinhos da Baixada Santista (2009), ambos de Faiçal
Massad e também do livro Santos e a Cia das Docas (2000).

1.6. Estrutura do trabalho

Este trabalho está dividido em três capítulos: introdução, que consta a história
de Santos e do Porto, e a apresentação da importância desse estudo para a região
portuária, analisar os tipos de métodos de reforço que existe e o custo benefício de
executá-lo; revisão bibliográfica, com a explicação da origem e das características do
solo do litoral santista e especificamente de Santos; e o estudo de caso, para analisar
os recalques ocorridos na pavimentação em terminais de contêineres no Porto e
simular um reforço no solo e verificar o custo e benefício da sua execução.
14

2. REVISÃO BIBLIOGRAFICA

2.1. Estudos geológicos

De acordo com M. Vargas para Revista USP (maio/1999), há muito tempo atrás
a região da baixada santista estava coberta por uma camada de aproximadamente 50
m de água, era possível ver apenas os morros mais altos. Embora a região tivesse
grande importância histórico-geológica, até recentemente suas características
geológicas e geográficas não haviam sido analisadas suficientemente.
A partir de 1940, através das novas instalações da Cia. Docas de Santos, que
mediante a necessidade do conhecimento do solo, solicitou um estudo do mesmo ao
IPT; nos estudos iniciais para a construção do trecho da Baixada da Via Anchieta; com
as análises geotécnicas para os primeiros edifícios residenciais na Praia do Gonzaga
e a partir de 1950 com os estudos de fundação da Cosipa em Piaçaguera, que a
geologia da Baixada Santista passou a ser conhecida.
Os estudos possibilitaram que fosse traçado um esboço de perfil geológico
desde o pé da serra até a praia de Santos. O solo de Cubatão era formado por 15m
de argila orgânica mole preta sobre uma camada de pedregulho sobre uma base
gnáissica decomposta, conforme a Figura 04. Considerou que a camada de argila
orgânica mole, intervalados com as camadas de areia, estavam sobre a base
gnáissica que descia suavemente até chegar no Rio Casqueiro. Desse ponto em
diante a superfície era coberta por areia, onde na praia atingia mais ou menos 15 m
de profundidade e a base gnáissica ficaria a mais de 80 m de profundidade.
O embasamento gnáissico consiste em rochas de origem metamórfica,
resultante da deformação de granitos ou de sedimentos arcóseos, ou seja, sedimentos
de rocha sedimentar arenítica.
15

Figura 04 - Esquema de corte geológico (como visualizado nos anos 50).

Fonte: Revista USP, maio/1999

O esquema de corte geológico usado na década de 50 traz um erro. No perfil


não aparecem os morros que surgem ao longo da baixada como ilhas rodeadas de
vasas, que são os afloramentos gnáissicos. Os morros gnáissicos são recobertos
pelos solos de alteração das rochas in situ ou por coluviões 4 formados por
deslizamentos de solo e blocos de rocha.
Segundo A. de Oliveira e O. Leonardos (1943) citado por M. Vargas para
Revista USP (maio/1999), no pé da serra há 10 camadas superficiais de argila
orgânica com textura de lama fina, cobertas de mangues e inundadas pela maré alta,
enquanto as areias perto do mar são acumuladas pela água e pelo vento.

2.1.1. História Geológica do Litoral

Conforme M. Vargas para Revista USP (maio/1999), foi em agosto de 1962 que
se iniciaram estudos amplos guiados por professores do Departamento de Geografia
da USP sobre aspectos geográficos da Baixada Santista. Os resultados da pesquisa
foram publicados em quatro volumes, pela Editora da USP. No primeiro volume da
obra, As Bases, encontram-se informações satisfatórias sobre aspectos Físicos, traz
um sumário sobre a geologia da serra e da região redigido por José Carlos Rodrigues
e uma exposição da evolução geomorfológica escrita por Aziz Ab’Saber, que afirma

4Solo das encostas dos morros, constituído por uma camada pouco espessa de detritos provindos do
alto.
16

que na verdade, há indícios de que na época do Cretáceo5 e no decorrer do período


Paleogêneo aconteceram importantes falhas, como o levantamento epirogênico do
núcleo do sul-oriental do Escudo Brasileiro.
A partir desse movimento epirogênico, ou seja, movimentos lentos em grandes
áreas da crosta terrestre, surgiram, na região de Santos, diversos vales na serra. Os
vales foram submersos através da elevação do nível do mar, já no período
quaternário, resultando em uma baía profunda e diversas ilhas. A essa transgressão
é incumbido toda a irregularidade da costa sudeste brasileira.
Conforme Massad (2009), durante o quaternário, pode-se afirmar que a costa
brasileira se comportou de forma homogênea. É importante ressaltar destacando duas
transgressões, a mais elevada (8±2m acima do atual) chamada de Transgressão
Cananéia ocorrida a cerca de 120 mil anos e a mais baixa denominada Transgressão
de Santos que ocorreu a 7 mil anos.
Segundo Massad (2009), as primeiras pesquisas sobre argila no litoral, se
iniciaram nas cidades de Santos, Rio de Janeiro e Recife. Desde a década de 40
achava-se que este solo era um solo simples, com apenas um único ciclo de
sedimentação, porém a história geológica dos sedimentos não é simples, ao longo
das últimas duas décadas do século passado os conhecimentos veem sendo
compilados e continuam evoluindo.

2.1.2. Influência das elevações do nível do mar na Baixada Santista

De acordo com Suguio (1996), até a década de 60, pesquisas sobre flutuações
do nível do mar durante o Quaternário eram muito escassas no Brasil. Após 1974
foram intensificados os estudos sobre as mudanças de nível relativo do mar,
principalmente nos últimos 7500 anos.
De acordo com os estudos de Suguio e Martin (1978, 1981), verificou-se que
na região de Santos – Bertioga, o nível máximo relativo do mar foi atingido por volta
de 5100 anos, situando-se 4,5m acima do nível atual, por volta de 3500 anos o nível
do mar passou por um segundo máximo atingindo + 4,0m e há cerca de 2000 anos o
nível do mar estava 1,5 e 2,0m.

5 Diz-se de um período geológico do final da era secundária, durante o qual se formou a greda.
17

Os depósitos sedimentares da Baixada Santista se formaram nos últimos


120.000 anos por processos transgressivos e foram fortemente influenciados pelas
variações relativas do nível do mar. Essas formações estão diretamente relacionadas
com dois ciclos de elevações do nível do mar:
O primeiro é conhecido como Transgressão Cananéia, depositado há 100.000
– 120.000 anos. Processo que deu origem às Argilas Transicionais e Areias
Transgressivas. O nome “Transicional” é devido ao ambiente misto, continental –
marinho de sua formação. Como consequência a regressão ocorrida, onde o nível do
mar baixou 110m em relação ao atual, os sedimentos passaram por um intenso
processo erosivo, apresentam-se fortemente sobreadensados por peso total. (Massad
1985 e 1999).
O segundo, chamado de Transgressão Santos, deu origem a Sedimentos
Flúvio – Lagunares e de Baias (SFL). Essa Formação, mais recente se deu cerca de
7000 – 5000 anos. O nome “SFL” é devido ao fato de às vezes se formarem pelo
retrabalhamento dos sedimentos da Formação Cananéia e outras por sedimentação
em Lagunas e Baias. (Massad, 1985 e 1999).

2.1.3. Planícies sedimentares quaternárias de São Paulo

Suguio e Martin (1981, apud MASSAD, 2009, p. 32), com o trabalho sobre as
flutuações do nível do mar e a evolução costeira do Brasil, conseguiram propor um
modelo geológico para explicar a formação das planícies quaternárias do Estado de
São Paulo, apontando as elevações do nível do mar como causa principal da origem
dos depósitos sedimentares.
A evolução destas planícies foi, resumidamente, dividida em cinco etapas:
1º no auge da transgressão Cananéia o mar atingiu o pé da Serra do Mar e se
formaram os sedimentos argilo-arenosos chamados transicionais e as areias
marinhas transgressivas.
2º iniciou-se o processo de regressão e com isso cordões de areias regressivas
foram depositados sobre os sedimentos transgressão que posteriormente foram
retrabalhados pela ação do vento.
3º por volta de 17.000 anos atrás, o nível do mar abaixou até a cota -110m,
com isso os sedimentos superficiais da formação Cananéia foram erodidos, formando
18

vales profundos. Com cordões de praias, a superfície original da formação Cananéia


foi preservada ficando entre os vales.
4º Com a Transgressão Santos o mar subiu rapidamente e invadiu as zonas
rebaixadas pela erosão, originando um longo sistema de lagunas, onde sedimentos
argilo-arenosos foram depositados. Em conjunto com isso, as partes mais altas da
Formação Cananéia foram erodidas pelo mar e as areias redepositadas, dando
origem aos depósitos marinhos holocênicos arenosos.
5º O mar retornou para a sua posição atual e assim se formaram cordões
litorâneos de regressão. Diferentes gerações desses cordões podem ser notadas
como consequência das flutuações do nível do mar durante o final da Transgressão
de Santos.

2.1.4. Avanços geológicos

De acordo com Suguio e Martin (1981, apud MASSAD, 2009, p. 26), o


significado da palavra eustasia vinha das variações do nível do mar em escala
mundial, com grandes mudanças de volume, provocadas, por exemplo, por degelos
ou movimentos tectônicos.
Atualmente essa definição está renovada. Ela se refere a variações de qualquer
grau do nível do mar, independentemente de sua causa, de escala local e regional e
não mundial. A gravidade, a rotação da Terra, a movimentação da crosta terrestre, o
clima, todos esses pontos influenciam e afetam o nível do mar. Baseando-se nesse
conceito na década de 70 foram feitos vários levantamentos de curvas de variação,
dando posições de antigos níveis marinhos em vários pontos do litoral da Suécia,
Noroeste da Europa, Leste dos EUA e do Brasil, resultando em uma curva eustática
(Massad, 2009).

2.2. Características Geotécnicas

De Acordo com Almeida (2005), os solos são originários da decomposição das


rochas ou sedimentação não consolidada de seus grãos, sem ou com matéria
orgânica. São reconhecidos pela textura, granulometria, plasticidade, consistência,
compacidade, estrutura, forma dos grãos, cor, cheiro, friabilidade, presença de outros
materiais (conchas, matéria vegetal, mica, etc.)
19

Serão analisadas nos subitens a seguir, algumas das características dos solos
e sedimentos da baixada santista, principalmente da cidade de Santos, onde é o foco
da pesquisa, para que nos capítulos posteriores, possa-se dar, através dos estudos
uma análise das possíveis soluções técnicas de reforço no solo.

2.2.1. Parâmetros geotécnicos dos sedimentos da Baixada Santista

Tornou-se de suma importância o estudo e a caracterização geotécnica dos


solos da Baixada Santista, em função de sua formação. São realizados vários ensaios,
para a criação de critérios e diferenciação dos vários tipos de sedimentos, sua
distribuição em subsuperfície e os mecanismos que controlam o seu sobre
adensamento.
Para a execução construtiva de alguns edifícios na cidade de Santos, diversos
ensaios foram executados in loco. A tabela I, elaborada por Massad, 2003, apresenta
parâmetros geotécnicos dos solos, os valores encontrados são de quatro edifícios em
pontos distintos na cidade, onde há comparação com os parâmetros geotécnicos da
Baixada Santista.
A tabela I abaixo, expõem valores semelhantes de acordo com a sua
classificação. Exceção é feita para algumas propriedades de estado, como índice de
vazios e resistência não drenada, de acordo com Massad (2003). Isso é devido as
argilas de SFL na cidade de Santos terem sido adensadas sob pressões de terra
maiores. Nesse contexto, verifica-se também que a pressão de pré-adensamento
desempenha papel decisivo quanto à classificação de acordo com Dias (2010).
20

Tabela I – Parâmetros geotécnicos de Santos e da Baixada Santista

Fonte: Solos Marinhos da Baixada Santistas

Legenda:
(1) Machado (1961); (2) Teixeira (1960-b e 1994);
(3) Gonçalves e Oliveira (2002); (4) Teixeira (1960-a)

2.2.2. Perfil geotécnico da cidade de Santos

Segundo Massad (2009) foram analisados mais de 30 perfis geotécnicos de


vários pontos da baixada santista onde, desde 1942, o IPT extraiu centenas de
amostras shelby. Após uma análise dos dados, percebe-se que para cada unidade
genética, há uma distribuição dos parâmetros de acordo com a profundidade. Abaixo
mostra-se a figura 05 com os perfis de sondagens analisados.
21

Figura 05 - Perfis de sondagens (A) Ponta da Praia, Santos; (B) Guarujá – próximo à
Ponta da Praia, em Santos.

Fonte: Solos Marinhos da Baixada Santistas

Na figura acima, observa-se nos perfis de sondagem SII e SIII a presença, na


base, de camada de areia grossa subjacente à camada de areia, com nódulos de
argila dura, e a camada de argila média com restos de vegetais, em profundidades
superiores a 25 m.
Na figura 06, mostra-se o perfil de subsolo em local próximo ao cais
Conceiçãozinha onde se nota, abaixo dos 18m, uma camada de argila marinha SFL
com SPT variando de 1 a 4 e, a maiores profundidades (abaixo de 25 metros), uma
terceira camada de argila (AT), com SPT de 7 a 10.
As sondagens feitas no Guarujá SI e SII, no local de atracação do ferryboat
(Guarujá), em que uma delas atingiu a alteração de uma rocha. Observa-se
novamente a existência de uma discordância entre os sedimentos argilosos acima e
abaixo de 28 metros. Para os mais profundos, nota-se a ocorrência de duas camadas
de argilas, com consistência média rija, com SPT atingindo até 10.
22

Figura 06 - Perfis de sondagens em Santos e imediações.

Fonte: Solos Marinhos da Baixada Santistas

De acordo com Dias (2010) essas sondagens permitiram o conhecimento do


perfil geotécnico do município de Santos bem como o reconhecimento das camadas
subsequentes, que se passa a descrever:
Em seguida ocorrem camadas de argila muito mole, que foram qualificadas por
Massad, (1985) como sendo argilas de SFL, com profundidades entre 10 e 30m e
valores de SPT entre 0 e 4, de acordo com Dias (2010).
Logo mais abaixo, encontra-se camada de areia de capacidade variável abaixo
dos 20 – 25 m de profundidade, são encontradas as argilas transicionais (A.T),
também definidas por Massad (1985).
Conforme Dias (2010), abaixo das argilas transicionais é possível encontrar
camadas de areia compacta e/ou sedimentos continentais. Em profundidade
encontra-se o solo residual. Nas margens e fundos de canais da rede de drenagem,
se encontram ainda os mangues, que são diferentes dos SFl; tratam-se de sedimentos
mais recentes, caracterizados como sedimentos tipo vasa (lama), e apresentam
valores de SPT = 0.
Essa informação sintetiza um prévio conhecimento do que ocorre nas
subcamadas do solo na cidade de Santos, sendo que, para cada novo
empreendimento é necessário realizar novos estudos do perfil geotécnico onde se
23

efetuará a construção, pois como se observa, a cada ponto distinto do município há


variação das camadas geotécnicas.
Os estudos cautelosos do solo são verdadeiramente necessários para fornecer
dados suficientes para tomada de decisão, pois a segurança e a durabilidade da
infraestrutura dependem exclusivamente do tipo de fundação a ser realizada de
acordo com a resistência que o solo proporciona.

2.3. Aterro sobre solo mole

Para tomar conhecimento da importância desse assunto, deve-se mencionar


brevemente as ligações terrestres históricas entre Santos e São Paulo. No fim do
século XIX, ia-se de São Paulo a Cubatão por meio de carruagens, e o restante da
viagem de Cubatão a Santos era feito de barca. Da mesma maneira, a primeira
estrada de ferro brasileira fazia a conexão Petrópolis-Mauá.
A primeira rodovia da Baixada Santista foi feita por lançamento de aterro em
ponta, processo que ainda é muito utilizado nos dias de hoje, apesar de seus riscos,
que são as rupturas localizadas do solo mole, provocando grandes volumes de aterro
e recalques diferenciais, que acarretam ondulações nas pistas.
Problemas relacionados ao aterro sobre solo mole vem sendo demonstrado ao
longo da história do Brasil, como na queda da ponte sobre o rio Guandu, localizado
no Rio de Janeiro, a qual entrou em colapso devido à instabilidade causada pelo aterro
de encontro realizado. Porém, esses acontecimentos resultaram no aprendizado de
que obras de arte devem começar a ser executadas somente após o solo aterrado se
consolidar o qual demanda um certo tempo. (Massad, 2003)
Ainda de acordo com Massad (2003) com essa informação histórica, pode-se
compreender os problemas sob ponto de vista técnico como, a estabilidade do aterro
logo após a construção e os recalques dos aterros ao longo do tempo.
Na etapa de construção dos aterros, alguns problemas podem acontecer, tais
como:
a) Tráfego dos equipamentos de construção;
b) Amolgamento6 da superfície do terreno, diante ao lançamento do aterro;

6 É o fenômeno da perda de resistência de um solo por efeito da destruição de sua estrutura.


24

c) Riscos de ruptura, que pode afetar a integridade dos trabalhadores das


obras e provocar danos aos equipamentos.

2.3.1. Características dos solos moles

Pode-se classificar os solos moles por solos sedimentares de baixa resistência


a penetração, isto é, valores de SPT inferiores a 4, em que a parte da argila imprime
as características de solo coesivo e compressível. Geralmente são argilas moles ou
areias argilosas formadas durante o Quaternário.
Os ambientes de deposição variam, desde o fluvial até o costeiro, abrangendo
as lagunas e as baias. Eles se diferenciam pelo meio de deposição, pelo processo de
deposição ou pelo local de deposição. A deposição depende do estudo das camadas
de rochas da área de erosão, do seu clima e da forma de transporte dos sedimentos.
A diferença dos depósitos sedimentares é dada pela condição ambiental, que variam
no espaço e no tempo, onde necessita uma condição ambiental estável para que a
formação de um depósito uniforme ocorra.
Esse é um fenômeno muito complexo, pois existem vários fatores que
prejudicam a sedimentação, por exemplo, a velocidade das águas, a quantidade e a
composição da matéria em suspensão na água, a salinidade e a floculação das
partículas e a presença de húmus, detritos vegetais e etc. (Massad, 2003).

2.3.2. Recalque

De acordo com a NBR 6122 (1996, p. 3),

“O recalque é definido como um movimento vertical descendente de um


elemento estrutural. Quando o movimento for ascendente, denomina-se
levantamento. Define também o recalque conhecido como recalque
diferencial específico como uma relação entre as diferenças dos recalques
de dois apoios e a distância entre eles. ”

Segundo Massad (2003) com o passar do tempo, na parte operacional de um


aterro de estrada, a camada de argila mole adensa-se, se tornando cada vez mais
rija. Em consequência, o coeficiente de segurança aumenta, e o mesmo acontece com
os recalques. É por esse motivo que a estabilidade é um problema na hora da
construção (já que a estabilidade se dá em relação ao tempo) enquanto os recalques
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interessam na fase operacional. No caso de aterros de estrada, isto significa trabalho


de manutenção para eliminar ondulações na pista e ressaltos nos encontros dos
aterros com pontes e viadutos.
De acordo com Souza Pinto (2011) para a Engenharia Geotécnica um dos
aspectos mais interessantes é a determinação das deformações das superfícies dos
terrenos ou em níveis próximos a ele, isto é, os recalques de edifícios ou de aterros
feitos sobre os terrenos. As deformações podem ser de dois tipos: as que ocorrem
logo após a construção e as que aumentam de acordo com a aplicação de cargas.
Deformações rápidas são vistas em solos arenosos ou solos argilosos não saturados,
já em solos argilosos saturados os recalques são muito lentos, pois há a necessidade
de saída de água dos vazios do solo.
O comportamento dos solos diante dos carregamentos depende da sua
estrutura e do estado em que ele se encontra, e pode ser conhecido pelos parâmetros
obtidos nos ensaios de compressão axial e compressão edométrica, ou através de
correlações definidas entre esses parâmetros e as diversas classificações.
Os recalques que acontecem por causa de carregamentos na superfície do
terreno podem ser estimados pela teoria da elasticidade ou pela analogia edométrica.

2.3.3. Métodos para estimativa do recalque

Segundo Souza Pinto (2011) a determinação dos recalques é encontrada pela


Teoria da Elasticidade, onde ela mostra que os recalques na parte externa de uma
área carregada podem ser encontrados pela equação:
𝜎0 .𝐵
𝜌 = 𝐼. . (1 − 𝜗 2 ) (1)
𝐸

onde: 𝜎0 é a pressão uniformemente distribuída na superfície;

E e 𝜗 são os parâmetros do solo já definidos;


B é a largura da área carregada;
I é um coeficiente que considera a forma da superfície carregada.
26

Figura 07 – Recalques de sapatas e de carregamentos flexíveis

Fonte: Curso básico de mecânica dos solos, 2011.

Como mostra a figura 07, na primeira situação, o recalque é uniforme em toda


a área com carregamento (embora as pressões deixem de ser iguais, o valor adotado
só representa a relação entre a carga aplicada e a área de aplicação). Na segunda
situação, os recalques nas áreas onde tem o carregamento, são maiores do que onde
não tem.
Existem duas situações de difícil aplicação da Teoria da Elasticidade. A
primeira é referente à grande mudança dos módulos de cada solo, em função do nível
de tensão aplicado, e do nível de confinamento do solo. Mesmo sendo materiais
homogêneos, o módulo aumenta de acordo com a profundidade, pois o confinamento
cresce com a profundidade.
A segunda dificuldade está na realidade de que os solos são formados por
camadas de diferentes compressibilidades. Mesmo que a camada mais compressível
seja bem identificada, onde recebe a maior parte do recalque, não tem como aplicar
a teoria da elasticidade, pois a teoria se aplica em uma superfície uniforme.
Souza Pinto (2011) diz que, utilizando o método da compressibilidade
edométrica o recalque corresponde à aplicação de uma básica proporcionalidade: se

um carregamento ∆𝜎𝑣 causa um determinado recalque 𝜌 no corpo de prova, essa

carga acarretará na camada deformável do terreno um recalque cada vez maior


quanto maior for a espessura da camada. O recalque específico, é constante. Se
considerar uma certa carga, e o corpo de prova de 2 cm de altura apresentar um
recalque de 1 cm, tendo essa camada representada 2 m de espessura, terá um
recalque de 10 cm para o mesmo carregamento.
27

O recalque específico é expresso por:

𝜌 (𝑒1 −𝑒2 )
𝜀= = (2)
𝐻1 (1+𝑒1 )

Nessa expressão, 𝐻1 e 𝑒1 são características iniciais do solo, sendo assim,

são conhecidas. O recalque segue sendo expresso em função do índice de vazios


correspondente à tensão aplicada ao solo, que é estabelecida pelo ensaio de
compressão edométrica.

2.4. Tratamento dos solos moles

A principal característica do solo mole é a baixa resistência ao cisalhamento7 e


alta deformabilidade devido à compressão. De acordo com Massad (2003), são
citados cinco métodos para o melhoramento das propriedades geotécnicas do solo
mole: construção por etapas, aplicação de sobrecargas temporárias, instalação de
drenos verticais para acelerar os recalques, execução de colunas de pedras e estacas
de distribuição.

2.4.1. Construção por etapas

Faz-se o aterro por camadas, ou seja, subdivide-se a altura do aterro para ser
feito em duas ou em três etapas. Cada camada, ao ser depositada deve passar por
um período de repouso para que o solo mole que está sob esta, possa consolidar e
ganhar resistência para que suporte a carga da próxima camada de aterro. Devido a
essa espera, esse método por etapas demanda tempo, sendo viável apenas se for
permitido um longo prazo para a execução.

2.4.2. Aplicação de sobrecargas temporárias

Também chamado de pré-compressão, essa técnica consiste em depositar


uma carga superior à carga calculada em projeto e a que o solo irá suportar durante

7 Tensão gerada por forças aplicadas em sentidos opostos, porém em direções semelhantes.
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a vida útil da obra, para adiantar os recalques primários e secundários e para que o
solo mole ganhe resistência. Porém, para que esse método seja eficaz, é fundamental
que o coeficiente de adensamento8 do solo mole seja relativamente alto, ou que a
camada do mesmo seja delgada.
Esse método possui duas formas distintas para ser executado, porém ambas
utilizam bomba a vácuo:
a) Sob uma membrana de borracha encobrindo todo o solo, é aplicado vácuo,
o qual produz uma pressão sobre o solo de 80 kPa, equivalente a um aterro de
aproximadamente 4 metros de altura.
Por não necessitar de empréstimo de material e não precisar se preocupar com
a estabilidade do aterro para a instalação e retirada dos equipamentos, esse método
é relativamente rápido.
b) Abre-se um poço no solo mole, podendo ser profundo, para atingir a camada
de estratos9 arenosos. Insere-se a bomba a vácuo, reduzindo a pressão neutra
hidrostática e aumentando a tensão efetiva do solo com o próprio peso do solo mole,
provocando o adensamento da camada.

2.4.3. Drenos verticais

São utilizados quando a camada do solo mole for espessa ou o coeficiente de


adensamento for muito baixo, não sendo aconselhável a técnica de sobrecarga
temporária. E são vantajosos pois encurtam a distância de drenagem e aceleram o
adensamento e recalque do aterro.
Os drenos mais modernos são de plástico ou fibroquímicos e possuem forma
de tiras com seção retangular de 100 x 3 mm². Porém, usualmente é empregado o
dreno vertical de areia, um tubo metálico de ponta aberta com diâmetro que varia de
20 a 45 cm, cravado no solo com espaçamento entre 1 a 4,5 metros, e devendo atingir
a cota subjacente ao solo mole, geralmente uma camada de areia. Após o correto
posicionamento, é feita uma limpeza em seu interior com jato de água e em seguida
é inserida areia ao mesmo tempo em que o tubo vai sendo retirado do solo.

8 Diminuição dos vazios do solo devido à saída da água do seu interior.


9 Conjunto de rochas sedimentares que, pelas suas características físicas e pelo seu conteúdo
fossilífero, se diferenciam umas das outras.
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Deve-se ter um cuidado com essa técnica devido a dois fatores: o primeiro é
na retirada dos tubos, podendo o dreno ser seccionado, e o segundo é sobre minimizar
o amolgamento do solo mole que pode ocorrer em volta dos drenos, acarretando na
redução da permeabilidade do solo.
Se o material constituinte do aterro não for drenante, deposita-se uma camada
de areia ou manta geotêxtil para que possa ocorrer a interação entre aterro e dreno.

2.4.4. Colunas de pedra

São feitos furos de 70 a 90 cm de diâmetro no solo mole até chegar na cota da


camada subjacente de estrato firme. Os furos devem possuir um espaçamento de 1 a
2,5 m e são feitos através de um torpedo com massa excêntrica, que também provoca
uma vibração horizontal e possui jato de água. Esse mesmo aparelho é utilizado para
preencher o furo com pedras ou britas, adensando-as por vibração.
O objetivo dessas colunas de pedra é transmitir a carga do aterro para camadas
profundas do solo e funcionar como um dreno vertical.

2.4.5. Estacas de distribuição

Método considerado dispendioso, consiste em utilizar estacas para fazer a


transferência de carga do aterro para as camadas subjacentes, nas quais se encontra
geralmente maior resistência e menor compressibilidade. Para reforçar o topo da
sapata que está em contato com o aterro, é feito um capeamento10 e as sapatas são
dispostas de forma que fiquem espaçadas entre si em 1 a 2 metros.

10 Blocos ou capitéis cuja função é transferir a carga do aterro para as estacas.