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UFCD HIGIENE E SEGURANÇA NO

8211 TRABALHO NA RESTAURAÇÃO


8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

ÍNDICE

Introdução............................................................................................................................................ 3

Âmbito do manual........................................................................................................................... 3
Objetivos .......................................................................................................................................... 3
Conteúdos programáticos .............................................................................................................. 3
Carga horária ................................................................................................................................... 4

1.Normas de segurança e higiene na restauração ........................................................................ 5

1.1.Sinalização de segurança das instalações e equipamentos ............................................... 6


1.2.Manuseamento de equipamentos .......................................................................................... 7
1.3.Normas de higiene pessoal, dos espaços, das instalações e dos equipamentos ......... 19
1.4.Proteção coletiva e individual ............................................................................................... 28
1.5.Uniformes ................................................................................................................................ 33
1.6.Produtos perigosos (rotulagem, armazenagem e manuseamento)................................ 35

2.Condições de saúde dos profissionais da restauração ............................................................. 40


3.Tipos de risco e seu controlo ....................................................................................................... 44

3.1.Incêndios ................................................................................................................................. 45
3.2.Riscos elétricos ....................................................................................................................... 47
3.3.Trabalho com máquinas e equipamentos........................................................................... 50
3.4.Movimentação manual e mecânica de cargas ................................................................... 53
3.5.Organização e dimensionamento do posto de trabalho ................................................... 56
3.6.Posturas no trabalho.............................................................................................................. 58
3.7.Iluminação ............................................................................................................................... 60
3.8.Atmosferas perigosas ............................................................................................................ 62
3.9.Ruído ........................................................................................................................................ 64

4.Gestão do risco .............................................................................................................................. 67

4.1.Consequências dos acidentes de trabalho ......................................................................... 68


4.2.Avaliação do risco profissional ............................................................................................. 73

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5.Procedimentos de emergência e risco ........................................................................................ 78

5.1.Técnicas de atuação e orientação ....................................................................................... 79


5.2.Caixa de primeiros socorros ................................................................................................. 82

Bibliografia ............................................................................................ Error! Bookmark not defined.


Sites consultados ................................................................................. Error! Bookmark not defined.
Termos e condições de utilização ................................................................................................... 85

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Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de


curta duração nº 8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração, de acordo
com o Catálogo Nacional de Qualificações.

Objetivos

 Identificar as normas e procedimentos de segurança na restauração.


 Aplicar as normas de higiene pessoal, dos espaços, das instalações e dos
equipamentos.
 Reconhecer a importância das normas de saúde no exercício das profissões da
restauração.
 Aplicar procedimentos de prevenção e controlo de acidentes e riscos em contexto
profissional.

Conteúdos programáticos

 Normas de segurança e higiene na restauração


o Sinalização de segurança das instalações e equipamentos
o Manuseamento de equipamentos
o Normas de higiene pessoal, dos espaços, das instalações e dos
equipamentos
o Proteção coletiva e individual
o Uniformes
o Produtos perigosos (rotulagem, armazenagem e manuseamento)
 Condições de saúde dos profissionais da restauração
 Tipos de risco e seu controlo
o Incêndios
o Riscos elétricos

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o Trabalho com máquinas e equipamentos


o Movimentação manual e mecânica de cargas
o Organização e dimensionamento do posto de trabalho
o Posturas no trabalho
o Iluminação
o Atmosferas perigosas
o Ruído
 Gestão do risco
o Consequências dos acidentes de trabalho
o Avaliação do risco profissional
 Procedimentos de emergência e risco
o Técnicas de atuação e orientação
o Caixa de primeiros socorros

Carga horária

 25 horas

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1.Normas de segurança e higiene na restauração

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1.1.Sinalização de segurança das instalações e equipamentos

A sinalização de segurança e saúde deve ser usada nos locais de trabalho para prevenir os
riscos profissionais, identificando os equipamentos de segurança e as tubagens para o
transporte de líquidos e gases, delimitando áreas perigosas, advertindo para os riscos
existentes, em suma, tendo por objetivo a proteção da saúde dos trabalhadores.

Entende-se por sinalização de segurança e saúde a sinalização relacionada com um objeto,


uma atividade ou uma situação determinada, que fornece uma indicação ou uma prescrição
relativa à segurança e/ou à saúde no trabalho.

A sua primeira finalidade é a de chamar a atenção, de forma rápida e inteligível, para


situações, objetos ou atividades que possam originar riscos ou que os comportem.

Esta sinalização efetua-se normalmente através de uma placa, de uma cor, de um sinal
luminoso, de um sinal acústico, de uma comunicação verbal ou de um sinal gestual.

A instalação de sinalização de segurança e saúde deve ser sempre precedida por uma
correta avaliação dos riscos existentes na empresa.

A sinalização de segurança e emergência pode ser permanente ou acidental. A sinalização


deve ser permanente para:
 Proibições;
 Avisos e obrigações;
 Localização e identificação dos meios de salvamento e de socorro;
 Localização e a identificação do material e equipamento de combate a incêndios;
 Indicação de risco de choque contra obstáculos e a queda de pessoas;
 Rotulagens de recipientes e tubagens;
 Marcação de vias de circulação.

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Existem várias formas de sinalização que se complementam entre si


 Sinais coloridos – (pictogramas ou luminosos) Assinalam perigos ou dão indicações;
 Sinais luminosos;
 Sinais acústicos – Habitualmente para assinalar situações de alarme, evacuação e
aviso;
 Comunicação verbal;
 Sinais gestuais – Quando a comunicação oral não seja possível ou deficiente e
destinam-se a transmitir as indicações necessárias a uma determinada tarefa ou
ação.

Sinalização por Placas

O sistema de sinalização através de placas de segurança baseia-se em 3 fatores: a cor, a


forma e o pictograma nele inscrito.

As cores dos sinais têm um significado próprio, de acordo com a informação que
pretendem transmitir.

Antes de se aplicar a sinalização de segurança, os trabalhadores e os seus representantes


para a segurança e saúde no trabalho devem ser consultados, ter acesso à informação e
formação sobre as medidas relativas à sinalização de segurança e de saúde no trabalho
utilizada.

É fundamental que a entidade empregadora se certifique de que todos os trabalhadores


compreendem o significado da sinalização. Alguns dos sinais implicam a adoção de novos
comportamentos gerais e específicos.

Enquanto instrumento facilitador da aprendizagem, a formação pode contribuir para a


transmissão dos conhecimentos, competências e, até, mudança de atitudes face ao risco
no local de trabalho.

De acordo com a legislação vigente, o empregador está obrigado a sinalizar, de um modo


bem visível, os locais de trabalho, devendo os sinais existentes ter as dimensões
adequadas, para que, em função da distância, possam ser devidamente observados.

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As placas de sinalização deverão ser em material rígido e fotoluminescente.

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PERIGO  Forma triangular;  Alertar para


 Pictograma negro situações,
sobre fundo produtos ou
amarelo, margem substâncias, cuja
negra (a cor presença envolve
amarela deve cobrir perigos.
pelo menos 50% da
superfície da placa).
PROIBIÇÃO  Forma circular;  Proibir um
 Pictograma sobre comportamento ou
fundo branco: - Acão
Margem vermelha -
Faixa vermelha –
diagonal
descendente da
esquerda para a
direita, a 45º em
relação à horizontal
OBRIGAÇÃO  Forma circular;  Impor um
 Pictograma branco comportamento ou
sobre fundo azul, (a ação
cor azul deve cobrir
pelo menos 50% da
superfície da placa).
SALVAMENTO/  Forma rectangular  Dar indicação
EMERGÊNCIA ou quadrada; sobre o acesso a
 Pictograma branco saídas de
ou amarelo sobre emergência ou a
fundo verde (a cor meios de
verde deve cobrir salvamento e
pelo menos 50% da socorro

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superfície da placa).
COMBATE A  Forma retangular  Dar indicação
INCÊNDIOS ou quadrada; sobre a localização
 - Pictograma branco dos meios e
ou amarelo sobre equipamentos de
fundo vermelho (a combate a
cor vermelha deve incêndios.
cobrir pelo menos
50% da superfície
da placa).
INFORMAÇÃO  Forma quadrada ou  Dar indicações
retangular; diversas, não
 Pictograma branco relacionadas com a
sobre fundo azul: - segurança.
Margem branca – a
cor azul deve cobrir
pelo menos 50% da
superfície da placa.
ETIQUETAS  Forma losangular  Fornecer
ou quadrada a 45º; informação sobre
 Pictograma ou os produtos
símbolo preto. contidos num
recipiente ou
embalagem.
RÓTULOS  Fornecer  Fornecer
informação sobre os informação sobre
produtos contidos os produtos
num recipiente ou contidos num
embalagem. recipiente ou
embalagem ou
envolvidos num
processo.

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Sinalização de obstáculos, zonas perigosas e vias de circulação

A correta utilização das cores é um meio eficaz para alertar as pessoas sobre determinadas
situações.

Com a utilização conjunta de duas cores altamente contrastantes, consegue-se diferentes


níveis de atenção por parte dos utilizadores de um determinado local.

Por exemplo, para se alertar sobre um obstáculo, podemos (e devemos) utilizar uma faixa
colorida com duas cores pintadas na diagonal, conforme figura abaixo:

Este tipo de sinalização é normalmente utilizado para indicar desníveis de piso (degraus e
rampas); situações de queda com desnível (colocadas em barreiras móveis ou em
patamares de baixo desnível sem outro tipo de proteção); junto a/ou em equipamentos
que potencialmente podem causar danos físicos; para circundar uma área que,
temporariamente, não deve ser acedida; etc.

É do conhecimento geral que o ser humano reage inconscientemente à cor vermelha como
indicação de proibição ou perigo (provavelmente pelo facto de os metais a altas
temperaturas adquirirem essa cor).

As cores amarelo-vivo e amarelo-alaranjado começam a ser intuitivamente interpretadas


como sinal de perigo.

É através destas cores que se assinalam algumas delimitações de espaços seguros. São
também as cores com que normalmente se pintam os equipamentos que envolvem riscos
acrescidos em termos de segurança (veja-se, p.ex., as máquinas de movimentação de
cargas, nomeadamente os empilhadores).

A sinalização dos riscos de choques contra obstáculos, de quedas de objetos e/ou de


pessoas deve ser feita por meio de faixas de cor amarela em alternância com a cor negra
(ou vermelhas e brancas) e do respetivo sinal.

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As dimensões destas faixas devem ter em conta as dimensões do obstáculo ou do local


perigoso assinalado.

As vias deverão ser marcadas, de ambos os lados, com um traço contínuo amarela, tendo
em conta a cor do piso e o desgaste da cor.

Também na Indústria da Alimentação e das Bebidas é utilizada esta cor para assinalar
situações perigosas ou como aviso sobre limites de segurança.

A marcação de caminhos dentro de uma instalação industrial deve seguir este princípio,
seja para afastar os utilizadores das zonas perigosas ou para delimitar as zonas de
circulação.

Sinalização de tubagens e recipientes

A sinalização de recipientes e tubagens é feita, com carácter permanente, sob a forma de


pictogramas impressos sobre fundo colorido conforme a Portaria n.º 1152/97, e de acordo
com a NP 182:1966.

Os recipientes utilizados no trabalho que contenham substâncias ou preparações perigosas


devem exibir a rotulagem prevista na lei.

Esta sinalização deve ser colocada nas seguintes condições: no(s) lado(s) visível (eis), - sob
a forma rígida, autocolante ou pintada.

As características intrínsecas relativas aos sinais, aplicam-se se também à rotulagem.

Em caso de armazenagem de diversas substâncias, preparações ou produtos perigosos, é


necessário afixar o sinal relativo a perigos vários.

A rotulagem ou os sinais serão afixados, conforme o caso, na proximidade do local de


armazenagem ou na porta de entrada desse mesmo local.

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As tubagens rígidas também devem ser devidamente sinalizados, permitindo uma fácil
identificação dos seus conteúdos e das suas características principais, sendo de extrema
utilidade, sobretudo, quando coexistem diversas tubagens próximas.

Nestas condições, a informação decorrente desta sinalização é de particular importância em


situações de fugas, derrames e incêndios, assim como quotidianamente, nas operações
normais de serviço e de manutenção.

Sinais luminosos

A luz emitida não deve ter em conta as condições de utilização, deve ter uma cor uniforme
de acordo com os diferentes significados gerais das cores em segurança e garantir um
contraste nem excessivo nem insuficiente.

Para graus mais elevados de perigo deve utilizar-se sinais intermitentes, para garantir a
perceção da mensagem e serem inconfundíveis com outros sinais intermitentes ou
contínuos.

Este tipo de sinal pode substituir ou complementar um sinal acústico, desde que utilize o
mesmo código de sinal.

Os equipamentos dotados destes sinais devem ter uma manutenção cuidada e informação
sobre o local onde se encontra a lâmpada suplementar.

As sinalizações cujo funcionamento necessite de uma fonte de energia elétrica devem ter
garantida a sua alimentação mesmo quando haja corte de corrente.

Sinais acústicos

Sinal acústico é o sinal sonoro codificado, emitido e difundido por um dispositivo específico,
sem recurso à voz, humana ou sintética.

Utilizam-se sinais acústicos quando o ruído ambiental não permite a utilização da


comunicação verbal.

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Relativamente aos sinais acústicos, devem ter-se em consideração alguns aspetos,


nomeadamente:
 Ter um nível sonoro superior ao do ruído ambiente, sem ser excessivo ou doloroso;
 Ser facilmente reconhecido, através da duração, da separação de impulsos e grupos
de impulsos e diferenciáveis de outros sinais sonoros e ruídos ambientais;
 Com frequência variável, deve indicar um perigo mais elevado ou uma maior
urgência;
 O som de um sinal de evacuação deve ser sempre contínuo e estável em
frequência.

De qualquer forma, as sinalizações cujo funcionamento necessite de uma fonte de energia


elétrica devem ter garantida a sua alimentação mesmo quando haja corte de corrente.

Comunicação verbal

A maioria dos animais utiliza a sonoridade produzida pelo próprio organismo para se
comunicar com os outros seres da sua espécie.

O ser humano não é exceção e aperfeiçoou essa técnica através daquilo que denominamos
por linguagem.

É com base nesse princípio que, em termos de segurança, podemos utilizar essa forma de
expressão para comunicarmos com terceiros sobre as mais diversas situações: orientar
manobras que envolvem perigos diversos; avisar sobre situações perigosas, etc.

No entanto, a comunicação verbal está condicionada pelo ambiente envolvente, já que no


caso de ser ruidoso essa forma de comunicação pode estar em causa e ser impossível
transmitir uma determinada mensagem.

Deve transmitir textos curtos, grupos de palavras ou palavras isoladas a um ou mais


interlocutores e pressupõe aptidão verbal do emissor.

O emissor deve estar sempre consciente da perfeita perceção da mensagem por parte do
recetor.

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Sinais gestuais

Sendo esta a forma privilegiada de comunicação entre seres humanos que se encontram
em locais onde a propagação sonora da voz está comprometida, foi desenvolvida uma
codificação que relaciona um determinado movimento corporal com a mensagem que se
pretende transmitir.

No caso da comunicação verbal complementar sinais gestuais deve-se empregar palavras


como, por exemplo, INICIAR ou COMEÇAR, STOP, FIM, SUBIR, DESCER, AVANÇAR,
RECUAR, ESQUERDA, DIREITA, PERIGO ou DEPRESSA.

O sinaleiro deve estar situado de forma a poder seguir visualmente as manobras, sem ser
por elas ameaçado.

O sinaleiro não deve estar em simultâneo encarregue de outras tarefas.

O recetor dos sinais gestuais deve poder reconhecer facilmente o responsável pela emissão
desses sinais através do casaco, do boné, de mangas, braçadeiras ou bandeirolas de cores
vivas e de preferência exclusivas da sua função.

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1.2.Manuseamento de equipamentos

Equipamento de trabalho - Qualquer máquina, ferramenta ou instalação, utilizados no


trabalho.

Utilização de um Equipamento de Trabalho - Qualquer atividade em que o


trabalhador entre em relação com um equipamento de trabalho, nomeadamente a
colocação em serviço ou fora dele, o uso, o transporte, a transformação, a manutenção, a
conservação ou reparação.

A utilização de máquinas pode apresentar vários riscos para a segurança e saúde do


trabalhador os quais podem, em certos casos, dar origem a acidentes de trabalho.

Se no momento de conceção de máquinas forem aplicados os princípios ergonómicos


poderão otimizar-se os elementos do interface operador-máquina. Dos referidos elementos
destacam-se os órgãos de comando, os meios de sinalização ou de visualização de dados.

A crescente utilização de equipamentos dotados de visor (EDV) coloca em destaque três


tipos de situações:
 Problemas visuais e constrangimentos associados;
 Problemas posturais;
 Stresse e sobrecarga mental

Devem ser por isso encontradas soluções a todos os níveis, nomeadamente:


• Dimensionamento correto destes postos de trabalho, assegurando que estão
preenchidos os requisitos ergonómicos relativos ao ecrã, teclado, mesa de trabalho;
• Garantir fatores ambientais favoráveis (iluminação, temperatura, humidade);
• Garantir pausas curtas e frequentes ao longo do dia de trabalho;
• Assegurar formação para minimizar os riscos de problemas músculo-esqueléticos; A
formação deve incidir na postura, ajustamento do equipamento, organização dos

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postos de trabalho, limpeza e manutenção do equipamento e intervalos para


descanso;
• Incentivar a comunicação imediata dos primeiros sintomas de fadiga visual, fadiga
física, entre outros;
• Assegurar que os trabalhadores podem regressar ao trabalho recuperados.

Ao colocar um equipamento disponível para o trabalho, o empregador deve garantir que


todas as medidas organizacionais do trabalho, de prevenção e de formação do seu
operador, estão asseguradas.

Para assegurar a segurança e a saúde dos trabalhadores na utilização de equipamentos de


trabalho, a entidade patronal deve:
• Assegurar que os equipamentos de trabalho são adequados ou convenientemente
adaptados ao trabalho a efetuar e garantem a segurança e a saúde dos
trabalhadores durante a sua utilização;
• Atender, na escolha dos equipamentos, aos riscos existentes para a segurança e a
saúde dos trabalhadores, bem como aos novos riscos resultantes da sua utilização;
• Tomar em consideração os postos de trabalho e a posição dos trabalhadores
durante a utilização dos equipamentos de trabalho, bem como os princípios
ergonómicos;
• Quando os procedimentos previstos nas alíneas anteriores não permitam assegurar
eficazmente a segurança ou a saúde dos trabalhadores na utilização dos
equipamentos de trabalho, tomar as medidas adequadas para minimizar os riscos
existentes;
• Assegurar a manutenção adequada dos equipamentos de trabalho durante o seu
período de utilização, de modo que os mesmos respeitem os requisitos mínimos de
segurança e não provoquem riscos para a saúde dos trabalhadores.

Relativamente às ferramentas manuais, há que escolher as que permitam ao trabalhador


utilizar os músculos de maior dimensão, de fácil preensão, que detenham pegas e cabos
com dimensões ajustáveis, ou duplo cabo diminuindo a pressão nas articulações dos dedos
e das mãos.

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De um modo geral, deverão ser selecionadas as que permitam reduzir a força, a repetição
e a precisão dos movimentos.

Salienta-se ainda o facto de que uma ferramenta manual não deve ter um peso superior a
2kg. Se for necessária a utilização de ferramentas mais pesadas, devem ser utilizadas
suspensas por contrapesos ou molas.

Os Equipamentos de Trabalho devem ser:


• Estabilizados por fixação ou por outros meios;
• Utilizados só em operações e em condições para as quais sejam apropriados;
• Providos de dispositivos facilmente identificáveis que permitam isolá-los de cada
uma das suas fontes de energia;
• Providos de avisos e sinalização indispensáveis.

As Zonas e Postos de Trabalho ou Manutenção devem ser:


• Convenientemente iluminados em função dos trabalhos;
• Acessíveis e seguros.

Para evitar riscos profissionais no trabalho, são aplicáveis aos equipamentos de trabalho
prescrições de segurança.

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1.3.Normas de higiene pessoal, dos espaços, das instalações e dos


equipamentos

Higiene Individual

Mãos

As mãos, mesmo as dos indivíduos sem infeção aparente, são os principais transmissores
de contaminações, daí terem que ser lavadas frequentemente e de forma correta.

Existem algumas Normas Elementares de Higiene, relativamente à higienização das mãos,


que devem ser contempladas, pelo que:
 As mãos devem ser mantidas limpas e lavadas, de forma a evitar os riscos de
contaminação dos alimentos;
 Devem encontrar-se, informações afixadas, nas instalações, com o objetivo de
alertar os manipuladores para a obrigatoriedade da lavagem das mãos;
 Não se deve limpar as mãos ao avental e/ou fardamento;
 Deve-se evitar levar os dedos à boca, nariz, ouvidos, olhos ou cabeça, caso
contrário, as mãos devem ser lavadas de imediato;
 Não se deve manusear dinheiro, salvo se a pessoa não for contactar com produtos
alimentares diretamente com as mãos;
 Evitar tocar no interior dos pratos, copos e embalagens;
 Evitar manipular diretamente com as mãos produtos que não vão ser cozinhados,
produtos que vão apenas sofrer um leve tratamento ou produtos acabados.

Deve-se lavar as mãos sempre que:


 Iniciar o serviço e após a mudança da roupa civil;
 Mexer no cabelo, olhos, boca, ouvidos ou nariz;
 Mudar de tarefa e/ou preparação;
 Manipular equipamentos sujos;
 Manipular sacos e/ou caixotes de lixo;
 Utilizar um lenço para assoar, tossir ou espirrar;

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 Utilizar produtos químicos;


 Utilizar as instalações sanitárias;
 Comer e/ou beber;
 Fumar;
 Se achar necessário.

Todos nós pensamos que sabemos lavar bem as mãos, no entanto, a maior parte das
pessoas não o faz apropriadamente.

Etapas da Lavagem das Mãos:


1 - Molhar as mãos e os antebraços com água corrente, quente, potável, em
lavatório próprio, com torneira de comando não manual;
2 - Ensaboar bem as mãos e antebraços com sabão líquido bactericida;
3 - Lavar cuidadosamente os espaços interdigitais, as costas das mãos, polegar e
unhas (usar uma escova de unhas que deverá permanecer sempre limpa e seca
entre as utilizações);
4 - Enxaguar com água corrente para remover o sabão;
5 - Secar com toalhetes de papel descartável.

Utilização correta das luvas descartáveis

As mãos devem ser sempre corretamente higienizadas, imediatamente antes de serem


calçadas as luvas descartáveis.

As luvas devem utilizar-se sempre, nas seguintes situações:


 Quando aplicável, como proteção de ferimentos e infeções nas mãos;
 No manuseamento de todo o produto alimentar confecionado/pronto a consumir,
preparação de sandes, pratos frios, saladas e entradas.

As tarefas executadas com recurso a luvas descartáveis, devem decorrer sem interrupção;
se tal não for possível, o manipulador ao reiniciar a tarefa, tem que proceder novamente à
higienização das mãos e calçar luvas novas.

Unhas

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Uma das vias, mais fáceis, de difundir microrganismos (bactérias) é através da sujidade
que existe debaixo das unhas. Como tal:
 As unhas devem ser mantidas curtas, para evitar a acumulação de sujidade,
debaixo destas;
 Não se deve usar verniz, pois este contém substâncias químicas que podem ser
nocivas;
 É proibida a utilização de unhas postiças.

Feridas, Furúnculos e Outras Lesões Cutâneas

As feridas constituem um local ideal para o desenvolvimento das bactérias. Para prevenir a
contaminação dos alimentos deve-se cobrir completamente, estas e outras lesões com
pensos.

Os pensos devem possuir duas características principais. Devem ser:


 Impermeáveis;
 Fluorescentes (para serem mais facilmente detetáveis, no caso de caírem).

Como descrito anteriormente, os cortes nos dedos podem requerer o uso de luvas ou
dedeiras.

Objetos de adorno pessoal e perfume

Os manipuladores de alimentos não devem usar anéis, relógios, jóias, pulseiras e outros
objetos de adorno pessoal, pois são potenciais focos de contaminações.

Podem também constituir, possíveis perigos para a integridade física, num meio com um
número elevado de equipamentos/ maquinaria. Por outro lado, as pedras de adorno e
pequenas peças metálicas poderão cair nos alimentos, e resultam em queixas dos clientes.

O uso de perfumes muito intensos é uma prática pouco recomendada, especialmente, na


manipulação de alimentos com grande teor de gordura, pois estes tendem a absorver os
cheiros e sabores.

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Nariz, boca e ouvidos

Mais de 40% da população adulta é portadora de microrganismos patogénicos


(Staphilococcus aureus), que transportam no nariz e na boca. Estas pessoas quando
tossem ou espirram, expelem um número considerável destes microrganismos para cima
dos alimentos.

O uso de lenços de papel descartáveis é preferível aos vulgares lenços de pano. Como a
boca pode alojar bastantes bactérias, os manipuladores não devem mastigar pastilhas
elásticas, comer, provar alimentos com o dedo ou com uma colher não desinfetada ou
soprar para cima dos alimentos.

O uso de máscaras naso-bucais é recomendado nas seguintes situações:


 Realização de tarefas que requeiram um nível de higiene superior (ex.
empratamento hospitalar);
 Colaboradores condicionados por tosse, expetoração ou processos inflamatórios da
garganta e nariz.

Cabelos

O cabelo está constantemente a cair e, se não for adequadamente protegido, pode


constituir uma contaminação física, esteticamente desagradável aos olhos dos
consumidores.

Por outro lado, o cabelo aloja bactérias patogénicas que, em contacto com os alimentos,
poderão causar uma intoxicação alimentar por multiplicação bacteriana.

Como tal, os manipuladores de alimentos deverão:


 Lavar o cabelo regularmente, para baixar o nível bacteriano;
 Apresentar o cabelo curto ou apanhado;
 Usar, obrigatoriamente, nas zonas de preparação, confeção, lavagem e distribuição,
uma touca protetora;

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 Evitar o uso de barba e/ou bigode, sendo, no entanto, recomendável a sua proteção
nos indivíduos que os possuam.

Higiene das instalações

As instalações dos estabelecimentos, de um modo geral e, em particular, os locais onde se


manipulam alimentos, como cozinhas, copas, zonas de preparação e armazenagem,
deverão apresentar sempre boas condições de conservação, de forma a que as mesmas
nunca possam ser uma fonte de contaminação dos alimentos. Devem, portanto respeitar
um conjunto de requisitos.

Locais onde se manipulam alimentos

Cada estabelecimento tem as suas características, estruturas e dimensões próprias; no


entanto, do ponto de vista da higiene e segurança alimentar, todos devem cumprir um
conjunto de requisitos mínimos definidos na legislação aplicável.

As instalações devem ser projetadas e construídas tendo em vista o fim a que se destinam,
respeitando as seguintes regras essenciais:
 Devem ser dotadas de saneamento e de água potável;
 Todos os compartimentos devem ter iluminação e ventilação apropriadas à sua
finalidade;
 Devem ser concebidas de forma a impedir a queda de partículas nos géneros
alimentícios e a evitar a acumulação de sujidade, bem como a formação de
condensações e bolores indesejáveis;
 As operações a que são sujeitos os alimentos desde que são recebidos no
estabelecimento até que chegam ao utente devem poder ser executadas de forma a
impedir a contaminação cruzada, quer por parte dos manipuladores, quer aquando
da utilização do equipamento e/ou da sua instalação.

Todos os locais onde se desenvolvem operações relacionadas com alimentos devem ser
mantidos em bom estado de conservação e de limpeza.

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Pavimento

O pavimento deve ser mantido em bom estado de conservação e construído com materiais
que permitam uma fácil limpeza, ou seja, materiais impermeáveis, não absorventes,
laváveis e resistentes.

Deverá também ser antiderrapante, de forma a evitarem-se quedas e outros acidentes de


trabalho, e resistente quer à passagem de carrinhos e pessoas, quer à força do
equipamento que sobre o mesmo seja exercida.

Deverão ainda existir caleiras para escoar a água, de preferência junto aos locais onde se
lavem alimentos ou utensílios. As mesmas devem ser protegidas com grelhas amovíveis. É
aconselhável que o chão seja em declive em direção às caleiras, de forma a facilitar o
escoamento de água e outros líquidos.

Paredes

As paredes devem ser revestidas de material lavável, impermeável, não absorvente nem
tóxico, e devem ser lisas até uma altura ajustada às operações, de forma a facilitarem a
limpeza e a impedirem a acumulação de qualquer tipo de resíduo.

A união das paredes entre si e destas com o chão deve ser arredondada, de modo a não
constituir um local de acumulação de sujidade e de difícil limpeza.

Todos os estragos, gretas, fissuras, zonas partidas devem ser rapidamente reparados, pois
estes locais são propícios à acumulação de sujidade e são de difícil limpeza.

Tetos

Os tetos devem ser lisos, construídos em material lavável, impermeável e de fácil limpeza.
Dever-se-á impedir o desenvolvimento de bolores, por exemplo, utilizando uma tinta anti-
fungos ou qualquer outra solução eficaz.

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

Todos os equipamentos que nele estejam instalados não deverão originar a contaminação
dos alimentos pelo desprendimento de partículas ou outras substâncias ou objetos. Por
exemplo: as lâmpadas devem ser protegidas, os eletrocutores não deverão ser instalados
por cima dos locais onde habitualmente se manipulem alimentos.

Portas, janelas e claraboias

As portas devem ser revestidas de materiais lisos, laváveis, impermeáveis e de fácil


limpeza. Habitualmente, as portas são uma fonte de contaminação de alimentos pelo
contacto com as mãos daqueles que as utilizam.

A zona de contacto com as mãos e os pés deverá ser constituída por materiais resistentes
ao desgaste do uso e aos agentes de limpeza e desinfeção.

As janelas e outras aberturas para o exterior devem ter dispositivos que impeçam a
entrada de insetos ou outros animais, tais como redes mosquiteiras. Estas deverão ser
removíveis para facilitar a sua correta limpeza.

No entanto, recomenda-se que, caso a abertura das janelas possa ocasionar


contaminações, as mesmas se mantenham fechadas durante a laboração.

Ventilação

Todos os compartimentos devem ser corretamente ventilados. Os sistemas usados podem


ser naturais ou artificiais, desde que se mantenha a contínua renovação do ar.

Outro fator que é necessário ter-se em atenção é o facto de, quando existirem sistemas de
circulação de ar, os mesmos deverem passar sempre de uma zona limpa para uma menos
limpa e nunca o inverso.

A correta ventilação de um local é muito importante, pois condiciona a boa qualidade do


ambiente e tem implicações quer na contaminação dos alimentos, quer na formação de
condensação nas paredes e tetos, quer no próprio rendimento dos trabalhadores.

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

Exaustão

A exaustão de fumos e cheiros é outro requisito importante e independente da ventilação


do estabelecimento.

Os sistemas de exaustão de fumos e cheiros das cozinhas deverão ser sempre construídos
em material incombustível, ter uma potência suficiente para retirar toda a presença de
fumos e cheiros da cozinha e conduzir os mesmos diretamente ao exterior e na parte mais
elevada do edifício.

Deverão ser periodicamente limpos, pois são um local propício à acumulação de gordura,
estando na origem da maioria dos incêndios que ocorrem nos estabelecimentos de
restauração e bebidas.

Iluminação

A iluminação poderá ser natural ou artificial. É importante que seja suficiente para a
permitir a realização de atividades de um modo higiénico.

As lâmpadas deverão ser protegidas, para se assegurar a proteção dos alimentos face a
contaminações, por vezes originadas pelos estilhaços produzidos devido ao rebentamento
das mesmas (ver ponto referente ao teto).

A forma que se adotar para proteger as lâmpadas deverá evitar a acumulação de poeiras e
facilitar a sua limpeza.

Equipamentos e bancadas de trabalho

As superfícies de bancadas e equipamentos que contactam diretamente com alimentos


devem ser de materiais lisos, laváveis, não tóxicos e resistentes à corrosão. As mesmas
devem ser sempre mantidas em boas condições de conservação e limpeza e, se necessário,
desinfetadas.

Vestiários e instalações sanitárias

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

Deve existir uma zona de vestiários equipados com cacifos individuais para cada
trabalhador. Deste modo, assegura-se que os trabalhadores têm um local para colocar os
seus objetos pessoais, caso contrário os mesmos irão encontrar-se depositados em
diferentes locais do estabelecimento e irão constituir uma fonte de contaminação (física ou
biológica) dos alimentos.

Devem também existir instalações sanitárias para o pessoal em serviço. Estas deverão ser
concebidas de acordo com o número de trabalhadores e separadas por sexos. Os sanitários
não devem dar diretamente para um local onde se guardem e manuseiem alimentos.

Devem ter iluminação suficiente e a ventilação (natural ou artificial) deve ser contínua,
conduzindo diretamente ao exterior.

As instalações sanitárias devem estar equipadas com todas as peças sanitárias (sanita,
urinol, lavatório [de preferência com torneiras não manuais]), de acordo com o número de
trabalhadores, e com os utensílios necessários ao seu funcionamento, nomeadamente
materiais para a limpeza das mãos e dispositivos de secagem higiénica (sabonete líquido,
toalhas de papel ou secador de mãos, escova de unhas, papel higiénico, balde do lixo
movido a pedal).

O pavimento, as paredes e o teto devem ser de material lavável, impermeável e de fácil


limpeza.

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

1.4.Proteção coletiva e individual

Proteção coletiva

Plano de emergência

O plano de emergência interno deve apresentar as seguintes características:


 Simplicidade - Ao ser elaborado de forma simples e concisa, será bem
compreendido, evitando confusões e erros por parte dos intervenientes.
 Precisão - Deve ser claro na atribuição de funções e responsabilidades em
emergência;
 Adequação - O plano tem de estar adequado à organização e aos meios humanos e
materiais disponíveis;
 Flexibilidade - Um plano não pode ser rígido, devendo permitir a sua adaptação a
situações diferentes dos cenários inicialmente previstos;
 Dinamismo - É um documento dinâmico, sendo alterado sempre que pertinente.

Procedimentos em caso de emergência

Os procedimentos e as técnicas de atuação em caso de emergência, devem contemplar no


mínimo:
• Os procedimentos de alarme, a cumprir em caso de deteção ou perceção de um
incêndio;
• Os procedimentos de alerta;
• Os procedimentos a adotar para garantir a evacuação rápida e segura dos espaços
em risco;
• As técnicas de utilização dos meios de primeira intervenção e de outros meios de
atuação em caso de incêndio que sirvam os espaços da utilização-tipo;
• Os procedimentos de receção e encaminhamento dos bombeiros.
.
Plano de atuação

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

O plano de atuação deve contemplar a organização das operações a desencadear por


delegados e agentes de segurança em caso de ocorrência de uma situação perigosa e os
procedimentos a observar, abrangendo:
• O conhecimento prévio dos riscos presentes nos espaços afetos à utilização-tipo,
nomeadamente nos locais de risco C, D e F;
• Os procedimentos a adotar em caso de deteção ou perceção de um alarme de
incêndio;
• A planificação da difusão dos alarmes restritos e geral e a transmissão do alerta;
• A coordenação das operações previstas no plano de evacuação;
• A ativação dos meios de primeira intervenção que sirvam os espaços da utilização-
tipo, apropriados a cada circunstância, incluindo as técnicas de utilização desses
meios;
• A execução da manobra dos dispositivos de segurança, designadamente de corte
da alimentação de energia elétrica e de combustíveis, de fecho de portas resistentes
ao fogo e das instalações de controlo de fumo;
• A prestação de primeiros socorros;
• A proteção de locais de risco e de pontos nevrálgicos da utilização-tipo;
• O acolhimento, informação, orientação e apoio dos bombeiros;
• A reposição das condições de segurança após uma situação de emergência.

Plano de evacuação

O plano de evacuação deve contemplar as instruções e os procedimentos, a observar por


todo o pessoal relativos à articulação das operações destinadas a garantir a evacuação
ordenada, total ou parcial, dos espaços considerados em risco pelo RS e abranger:
• O encaminhamento rápido e seguro dos ocupantes desses espaços para o exterior
ou para uma zona segura, mediante referenciação de vias de evacuação, zonas de
refúgio e pontos de encontro;
• O auxílio a pessoas com capacidades limitadas ou em dificuldade, de forma a
assegurar que ninguém fique bloqueado;
• A confirmação da evacuação total dos espaços e garantia de que ninguém a eles
regressa.
A elaboração do Plano de Evacuação deve basear-se na recolha e análise das
seguintes informações:

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

• Inventário dos riscos potenciais (incêndio, fuga de gás, alerta de bomba, sismo,
etc);
• Recenseamento das pessoas a ser evacuadas, suas características e localização;
• Percurso e dimensionamento das vias de comunicação horizontais e verticais;
• Programação, em função das diversas eventualidades, da evacuação das diversas
zonas do estabelecimento;
• Escolha dos itinerários que melhor se adaptem a cada caso;
• Determinação do número de pessoas necessário para enquadrar a evacuação dos
ocupantes;
• Compatibilidade das soluções encontradas com os meios existentes.

Proteção individual

Quando não for possível adotar medidas de segurança de ordem geral, para garantir a
proteção contra os riscos de acidentes e doenças profissionais, devem-se utilizar os
equipamentos de proteção individual, conhecidos pela sigla EPI.

São considerados equipamentos de proteção individual todos os dispositivos de uso pessoal


destinados a proteger a integridade física e a saúde do trabalhador.

Os EPIs não evitam os acidentes, como acontece de forma eficaz com a proteção coletiva.
Apenas diminuem ou evitam lesões que podem decorrer de acidentes.

A lei determina que os EPIs sejam aprovados pelo Ministério do Trabalho, mediante
certificados de aprovação (CA). As empresas devem fornecer os EPIs gratuitamente aos
trabalhadores que deles necessitarem.

A lei estabelece também que é obrigação dos empregados usar os equipamentos de


proteção individual onde houver risco, assim como os demais meios destinados a sua
segurança.

Sinalização do Uso Obrigatório de Equipamento de Proteção Individual

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

Obrigatório usar Obrigatório usar Obrigatório usar


óculos de proteção capacete de proteção protetor de ouvidos

Obrigatório usar Obrigatório usar Obrigatório usar


máscara de proteção calçado de proteção luvas de proteção

Obrigatório usar Obrigatório usar Obrigatório usar proteção


roupa de proteção viseira de proteção individual contra quedas

Ao usar o equipamento de proteção individual os trabalhadores da Indústria da


Alimentação e das Bebidas devem respeitar algumas regras práticas:
 Antes de utilizar o EPI, o trabalhador deverá verificar sempre o seu estado de
conservação e limpeza e respetivos prazos de validade;
 Se o EPI apresentar alguma deficiência que altere as suas características protetoras,
deverá a sua utilização ser evitada e a chefia direta informada de tal ato, por
escrito;
 Os EPI são de uso individual, a fim de se adaptarem às medidas do utilizador e
também por razões higiénicas;
 O trabalhador deverá limpar cuidadosamente os EPI após cada utilização.
 Após a utilização dos EPI em presença de produtos tóxicos, deverão os mesmos ser
desinfetados com materiais adequados que não alterem as suas características;

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

 Os EPI deverão ser guardados em recipiente ou armário próprio, isento de poeiras,


produtos tóxicos ou abrasivos, utilizando embalagem própria e nas melhores
condições de higiene;
 Os EPI não deverão nunca estar em contacto direto com ferramentas e outros
materiais ou equipamentos.

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

1.5.Uniformes

Todos os manipuladores de alimentos são obrigados a usar vestuário de proteção


completo. Este deve ser colocado antes do início da atividade.

O vestuário de proteção tem como principal objetivo constituir uma barreira para proteção
dos alimentos.

Como colocar corretamente o vestuário de proteção?

O vestuário de proteção deve-se colocar pela seguinte ordem:


1 - Touca
2 - Bata
3 - Avental
4 - Sapatos

Porquê?

Porque colocando primeiro a touca impedimos a queda de cabelos para cima da bata e/ou
avental. Desta forma previnem-se possíveis contaminações.

O vestuário de proteção deve ser confortável e adequado ao trabalho a realizar. Para além
disso, deve-se apresentar em perfeitas condições de higiene, devendo ser mantido desta
forma, tanto quanto possível ao longo do trabalho.

O vestuário de proteção deve ser:


• De cor clara e liso;
• Sem bolsos exteriores;
• De preferência sem botões visíveis;
• Calçado fechado;
• Exclusivo para o local de trabalho.

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

Sempre que for necessário sair das instalações, durante o período de trabalho, não deverá
ser utilizado o vestuário de proteção, inclusive o calçado de trabalho.

Todo o vestuário de proteção deverá ser guardado nos cacifos individuais (é aconselhável
que exista um para cada manipulador), devidamente separado da roupa do dia-a-dia.

O uso do vestuário de proteção sempre limpo é da exclusiva responsabilidade de cada


manipulador. Por isso, este pode ser responsabilizado por qualquer contaminação alimentar
que aconteça, por culpa do não cumprimento deste procedimento.

Não se deve ainda, utilizar panos, pois estes são um ótimo veículo de contaminação
alimentar.

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1.6.Produtos perigosos (rotulagem, armazenagem e


manuseamento)

Etiquetas de perigo

A utilização destas etiquetas servem para classificar as mercadorias perigosas contendo as


seguintes finalidades:
 Serem reconhecidas à distância;
 Identificar a natureza do perigo
 Ser facilmente reconhecida face aos simbolos.

Principais simbolos:
 Bomba: perigo de explosão;
 Chama: perigo de incêndio;
 Caveira: perigo de envenenamento;
 Trifólio: perigo de radioactividade;
 Os liquidos gotejando dos tubos de ensaio sobre uma mão e uma placa de metal:
perigo de corrosão.

Outros símbolos complementares utilizados são:


 Uma chama sobre um circulo: comburentes/oxidantes;
 Uma garrafa: gases comprimidos não inflamáveis;
 Três meias luas sobre um circulo: substâncias infecciosas;
 Uma cruz sobre uma espiga de trigo: substância nociva que deve colocar-se à
distância dos alimentos;
 Sete franjas verticais: substâncias perigosas diversas

Rotulagem de embalagens

Os rotulos das embalagens têm como função identificar os riscos relativos à utilização dos
produtos bem como as medidas de prevenção a ter na sua utilização.

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

Todas as embalagens devem possuir rótulo, com as seguintes informações:


 Indicar o perigo que a substância apresenta e os simbolos de perigo;
 Indicações sobre o frabricante;
 Número CEE;
 Estas informações deverão ser coerentes com a substância;
 Tem de estar de acordo com o idioma do pais em questão;
 Nome da substância de acordo com uma lista internacional.

Exemplo:

Exemplo:
Simbolos utilizados no rótulo das embalagens

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Regras gerais relativas à armazenagem de substâncias químicas

 A armazenagem deve iniciar-se com a identificação das substâncias a serem


armazenadas e com o conhecimento das classes de perigo associadas. Assim, o
pessoal que trabalha nas áreas de armazenagem deve ser conhecedor das
características das substâncias armazenadas e do modo de realização das suas
tarefas, em segurança.
 A separação ou isolamento são recomendados em função do grau de perigo, das
quantidades totais armazenadas e do tamanho e duração de contentores
individuais.
 O material e tamanho dos contentores de armazenagem afetará a necessidade de
práticas especiais de armazenagem e de procedimentos de segurança.
 A ventilação é necessária para químicos e contentores que podem libertar
quantidades de vapores ou gases perigosos ou inflamáveis, corrosivos, irritantes ou
tóxicos. A ventilação pode também ser necessária para contentores e químicos que
possam produzir odores prejudiciais.

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 Podem estar nos serviços e/ou nas áreas de trabalho as substâncias químicas que
são usadas frequentemente, mas em quantidades limitadas ao mínimo necessário; o
tamanho dos contentores não deve ultrapassar de 2,5 a 5 litros.
 Deverão ser realizadas inspeções periódicas a todos os locais de armazenagem
(mínimo anual), no respeitante à sua caducidade, deterioração ou integridade do
recipiente e do rótulo, procedendo-se à respetiva eliminação em segurança. Estas
devem ser realizadas por pessoa/Entidade competente.
 De igual modo, deverão ser verificadas nos espaços de armazenagem, boas
condições de limpeza e manutenção.
 Para cada área de armazenagem deverão existir procedimentos de emergência e de
evacuação, a serem seguidos em caso de situação acidental.
 As medidas de segurança genéricas e afetas às áreas de armazenagem devem
incluir:
o Ventilação para proteger a saúde das pessoas e prevenir a corrosão dos
equipamentos;
o Iluminação suficiente para a leitura dos rótulos e identificação das
prateleiras;
o Prateleiras fortes e resistentes à corrosão;
o Identificação clara e completa dos locais de armazenagem;
o Acessórios como bancos, carrinhos e cestos que permitam remover e
movimentar em segurança as substâncias;
o Locais de acesso fácil. Todos os corredores de circulação devem estar
desobstruídos;
o Transporte de recipientes de gás comprimido em carrinhos equipados com
correntes/cintas;
o Dispositivos de segurança para prevenção de queda/choque de recipientes;
o Dispositivos de segurança para retenção de eventuais derrames (paletes de
contenção, bacias de retenção, entre outros);
o Locais distintos para armazenagem temporária de recipientes vazios e
cheios;
o Meios de combate a incêndios, cujas especificações dependem do tipo e
quantidades das substâncias químicas armazenadas;

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

o Fichas de Dados de Segurança (FDS) para cada substância química. Estas


devem estar compiladas, e disponíveis em locais de fácil acesso e do
conhecimento geral.

Relativamente à utilização de produtos químicos nos postos de trabalho deve-se observar


os seguintes requisitos:
 As quantidades de produtos químicos presentes nos locais de trabalho devem estar
limitadas às necessidades para o turno ou horário de trabalho;
 Os processos de utilização de produtos químicos que gerem vapores, poeiras,
neblinas e gases deverão ser dotados de sistema de exaustão, preferencialmente
com o envolvimento total da fonte;
 Sempre que necessário, os utilizadores deverão estar adequadamente protegidos
com equipamentos de proteção individual, nomeadamente luvas e máscara de
proteção adequada;
 Os recipientes para pequenas quantidades de líquidos inflamáveis, para utilização
nos postos de trabalho, devem ser adequados a esta finalidade;
 Os locais de trabalho onde se verifique a possibilidade de derrame de produtos
químicos deverão estar dotados de materiais absorventes e material de limpeza,
para o controlo de eventuais derrames;
 No que diz respeito à recolha de resíduos, deverão existir contentores em número
suficiente, distribuídos pelas instalações. Deve garantir-se a recolha seletiva dos
resíduos perigosos, sendo os resíduos retirados regularmente do local de trabalho
de modo a não constituírem perigo para a segurança e saúde dos trabalhadores;
 As embalagens vazias também devem ser armazenadas convenientemente até ao
momento da sua recolha para expedição;

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2.Condições de saúde dos profissionais da restauração

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O sector da hotelaria e restauração é composto, essencialmente, por pequenas empresas,


que empregam, no máximo, 10 pessoas. Emprega uma mão-de-obra jovem: O sector
funciona como porta de entrada no mercado de trabalho das pessoas jovens e
relativamente pouco qualificadas.

O nível de escolarização da mão-de-obra é baixo: 40% dos trabalhadores são relativamente


pouco qualificados; apenas 1 em cada 10 trabalhadores possui um diploma do ensino
superior. Apesar da exigência das condições de trabalho, o sector não apresenta taxas de
acidentes e de doença superiores à média.

Nos últimos anos, a legislação em matéria de segurança e saúde no trabalho adquiriu um


elevado grau de complexidade. Uma vez que 90% dos estabelecimentos do sector são
muito pequenos, muitas vezes os empregadores carecem de tempo e de recursos para
compreender e acompanhar as questões legislativas que afetam o sector.

Em consequência, a aplicação da legislação ao nível das empresas parece constituir um


problema significativo no sector.

Algumas políticas foram formuladas especificamente para o sector da hotelaria e


restauração. Outras, como a relativa à análise dos riscos e controlo dos pontos críticos
(HACCP) e a proibição de fumar, levaram as instituições públicas e os prestadores de
serviços de segurança e de saúde a dedicarem maior atenção ao sector, o que, em alguns
casos, resultou, por sua vez, na adoção de novas medidas em matéria de segurança e de
saúde.

O trabalho na hotelaria e na restauração é variado, mas as publicações sobre segurança e


saúde centram-se nos riscos para o pessoal que trabalha em cozinhas e, em menor
medida, para os empregados de mesa. As atividades de apoio, como a limpeza e o
fornecimento de mercadorias, raramente são referidas em estudos científicos.

Os trabalhadores correm igualmente riscos físicos e psicossociais, incluindo perigos de


ordem social, e suportam longos horários de trabalho.

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

Os empregos e as condições de trabalho do sector são atípicos, o que se reflete tanto nos
horários de trabalho como no tipo de contratos. De um modo geral, o sector carece de
maior flexibilidade nas condições e nos horários de trabalho.

O sector da hotelaria e restauração está a mudar rapidamente com a introdução de novas


tecnologias no mercado e a alteração das expectativas dos clientes.

Os fatores subjacentes a esta transformação são numerosos e variados, nomeadamente:


mudanças sociológicas, como a diversificação dos agregados familiares e a multiplicidade
de papéis que atualmente as pessoas desempenham; mudanças demográficas, o
envelhecimento da população; e mudanças económicas, com concentrações,
reestruturações e uma mais livre circulação da mão--de-obra e dos recursos.

Os maiores riscos para quem trabalha neste sector são os seguintes:


 Trabalho fisicamente exigente, que obriga a passar muitas horas de pé e em
posturas estáticas, a movimentação manual de cargas, elevações e movimentos
repetitivos, muitas vezes em combinação com outras condições de trabalho
desfavoráveis, como as que resultam da deficiente conceção do local de trabalho;
 Exposição a elevados níveis de ruído; cerca de 29% dos trabalhadores do sector
estão expostos a ruído e mais de 4% consideram que tal facto coloca a sua saúde
em risco;
 Trabalho em ambientes quentes ou frios, especialmente a combinação de
temperaturas elevadas com correntes de ar, portas abertas, alternância entre
ambientes quentes e húmidos e ambientes frios, como despensas;
 Cortes e queimaduras;
 Escorregadelas, tropeções e quedas devidos a pavimentos húmidos e escorregadios
e a obstáculos, incluindo quedas em altura;
 Substâncias perigosas, por exemplo, o uso generalizado de produtos de limpeza e
de agentes biológicos nos alimentos.

Os principais fatores de risco psicossociais são os seguintes:


 Horários de trabalhos prolongados e não convencionais; o sector caracteriza-se por
turnos longos, horários de trabalho irregulares e pouco habituais; uma parte

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substancial do trabalho é efetuada quando a maior parte das pessoas não se


encontra a trabalhar;
 Difícil conciliação entre a vida profissional e a vida pessoal, nomeadamente tendo
em conta a imprevisibilidade dos horários de trabalho, a duração dos dias de
trabalho e a falta de controlo sobre o trabalho;
 Elevada carga de trabalho e pressão para que este seja desenvolvido com
celeridade; cerca de 75% dos trabalhadores referem que trabalham a ritmo
elevado, 66% têm de trabalhar com prazos muito curtos e cerca de 48% afirmam
não terem tempo suficiente para fazer todo o trabalho;
 Pouco controlo sobre o trabalho: as tarefas monótonas, sem criatividade e que
exigem pouca iniciativa são muito comuns;
 Contacto com colegas e com o chefe: a falta de apoio pode agravar o stresse
provocado pelo trabalho; cerca de 70% dos trabalhadores são capazes de pedir
ajuda aos colegas, mas apenas 53% conseguem pedir ajuda aos supervisores;
 O contacto contínuo com clientes pode ser uma fonte de stresse ou, nos piores
casos, conduzir ao assédio ou mesmo à violência;
 Falta de formação e de educação; certas tarefas não exigem qualquer educação
formal, a par de um baixo nível de formação e de experiência; as pessoas nem
sempre possuem a formação adequada às tarefas que executam, o que pode gerar
mais stresse.

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3.Tipos de risco e seu controlo

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3.1.Incêndios

O risco de incêndio num determinado local depende da quantidade e da qualidade do


combustível aí existente.

Está diretamente relacionado com três fatores:


 Poder Calorífico (quantidade de calor libertada pela combustão completa de uma
unidade de massa combustível);
 Potencial Calorífico (quantidade de calor suscetível de ser libertada pela combustão
completa de um corpo);
 Carga de Incêndio (potencial calorífico da totalidade dos materiais combustíveis
contidos num espaço, compreendendo o revestimento das paredes, divisórias,
soalhos e tetos).

Para esta equação há também que considerar a Densidade da Carga, correspondente à


carga de incêndios por unidade de área e importante para avaliar o risco de incêndio e
estudar os meios de intervenção.

O comportamento ao fogo mede-se pela reação e resistência ao fogo que os elementos e


materiais apresentam.

A reação ao fogo é o contributo que um material pode dar a um incêndio e ao seu


desenvolvimento - Combustibilidade.

Os materiais são classificados numa escala que varia entre materiais não combustíveis e
materiais facilmente inflamáveis.

A resistência ao fogo é o tempo durante o qual um elemento sujeito aos efeitos de um


incêndio mantém as suas propriedades de resistência física e mecânica para que foi
dimensionado.

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É significativo o risco de incêndio no sector da hotelaria e restauração, especialmente em


cozinhas onde há gás, chamas, óleos aquecidos e substâncias inflamáveis.

Medidas preventivas para este Risco:

 Sinalizar os equipamentos de deteção e combate a incêndio;


 Existir plano de emergência;
 Constatar a Importância de um responsável no restaurante ter formação de
segurança contra incêndios;
 Existir manta corta-fogo para abafamento e como equipamento de proteção
individual;
 Retirar todo o material inflamável não estritamente necessário ao período de
laboração e fora de fontes de calor;
 Manter o equipamento elétrico em boas condições e proceda regularmente à sua
verificação;
 Verificar periodicamente instalação de gás;
 Verificar periodicamente equipamento de combate a incêndios;
 Sinalizar em vários pontos do estabelecimento a proibição de fumar e ou foguear
(inclusive nas instalações sanitárias);
 Identificar e desobstruir as saídas de emergência;
 Equipar as fritadeiras com termóstatos, a fim de prevenir o sobreaquecimento;
 Limpar periodicamente os exaustores e filtros.

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3.2.Riscos elétricos

A energia elétrica é a forma de energia mais utilizada na nossa sociedade industrial, devido
à sua facilidade de transporte e de transformação noutras formas de energia. Mas a
eletricidade, em determinadas condições, pode comprometer a segurança das pessoas,
pois não se vê, não se ouve, e não tem odor.

Ignorar os riscos elétricos pode acarretar consequências graves para pessoas e bens.
Torna-se imprescindível assumir procedimentos corretos quando se manipula a corrente e
comprar e instalar equipamentos elétricos adequados e seguros.

Devido à introdução de novas máquinas ou alterações nas disposições dos equipamentos


elétricos, é muito frequente observar-se em restaurantes, a utilização de múltiplas
adaptações elétricas, como extensões ou triplas, aumentando os riscos de sobrecarga
elétrica.

Ao falarmos em riscos elétricos para as pessoas, temos de ter muito presentes dois
conceitos fundamentais: eletrocussão - um choque elétrico que origina um acidente mortal
– e eletrização - um choque elétrico que não causa um acidente mortal, mas que pode
originar outro tipo de acidentes, com consequências que podem ser mais ou menos graves.

A distância que vai entre a eletrocussão e eletrização depende de muitos fatores.

Assim, os efeitos da corrente elétrica variam de acordo com:


 O tempo de passagem;
 A intensidade;
 A frequência;
 O percurso através do corpo;
 A capacidade de reação da pessoa.

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Deste modo, em baixa tensão, a morte é sobretudo condicionada pela ação local da
quantidade de eletricidade que atinge o coração. Em alta tensão, por sua vez, a morte
surge devido à extensão das queimaduras.

Por conseguinte, a perigosidade da corrente diminui com o aumento da frequência.

As frequências industriais (50/60hz) são as mais perigosas. Acima dos 10.000hz, os


principais perigos são as queimaduras, se as correntes forem muito intensas.

O Regulamento de Segurança de Instalações de Utilização de Energia Elétrica identifica


duas categorias gerais de riscos elétricos para as pessoas:

Diretas:
 Defeito de isolamento da instalação elétrica;
 Contacto acidental com uma peça do cabo condutor sob tensão.

Indiretas:
 Ligação súbita à rede de alimentação
 Falta inesperada de eletricidade.

Passando para situações mais específicas, podemos identificar as causas mais comuns de
acidentes elétricos com condutores e ligações elétricas:
 Cabos arrastados, dobrados, entalados, queimados, etc..
 Puxar pelo cabo de alimentação;
 Mover equipamentos ou aparelhos com cabos em tensão;
 Fichas e/ou tomadas pisadas ou atiradas ao chão.
 Utilizar fita adesiva para fazer isolamentos;
 Aquecer os cabos dos equipamentos elétricos de aquecimento;
 Utilizar equipamentos com cabos de ligação deteriorados.

Medidas de preventivas para este Risco:

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 A parte elétrica deve estar devidamente protegida e embutida em tubagens integras


que permita a higienização dos ambientes sem qualquer risco;
 Sinalizar o quadro elétrico;
 Existir sinaléticas de aviso, perigo e proibição;
 Efetuar regularmente a manutenção da instalação elétrica;
 Não utilizar material elétrico com aparente defeito;
 Não utilizar ligações múltiplas com sobrecarga;
 Não tocar em componentes elétricos com mãos húmidas, nem verter líquidos junto
a estes;
 Não efetuar a sua limpeza e manutenção sem desligar os equipamentos;
 Em locais húmidos colocar tomadas estanques;
 Sinalizar ou remover equipamentos avariados;
 Formar e informar os trabalhadores dos riscos elétricos.

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

3.3.Trabalho com máquinas e equipamentos

Risco de Corte

As principais situações que expõem os trabalhadores a este risco são:


 Manuseio de utensílios de corte
 Utilização de máquinas com lâminas
 Manuseio de recipientes partidos

Medidas de Prevenção para este risco:

 Utilizar máquinas e equipamentos que possuam a zona de corte protegida por


resguardos móveis (picadoras, batedeiras, máquinas de corte, etc.); as proteções
devem, sempre que necessário, ter associados dispositivos de encravamento
 Utilizar as máquinas de acordo com as instruções do fabricante e unicamente para
as funções para as quais foram projetadas (mesmo que estas se possam adequar a
outras tarefas)
 Formar os trabalhadores na correta e segura utilização das máquinas perigosas
existentes (serra de fita, máquinas de fatiar, etc.)
 Definir um operador para as máquinas perigosas e proibir a utilização das mesmas
por qualquer outro trabalhador
 Manusear facas e utensílios cortantes com suma precaução
 Utilizar utensílios de corte com o cabo anti deslizante
 Guardar as facas e os utensílios de corte em suportes específicos (suportes onde a
lâmina fique protegida e fora do alcance) (ex.: porta – facas)
 As lâminas dos utensílios de corte devem estar devidamente afiadas
 Nunca tentar apanhar uma faca em queda livre
 Nunca usar facas para outras finalidades (ex.: como abre – latas) e utilizar sempre
a faca adequada à tarefa a realizar

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8211 – Higiene e segurança no trabalho na restauração – Formador: Sérgio Morais

 Ao passar facas (ou utensílios de corte) a colegas de trabalho, utilizar uma


superfície plana para pousar a faca e permitir que a outra pessoa pegue nela
(nunca se deve passar manualmente)
 Cortar sempre na direção oposta ao corpo e manter os dedos afastados da lâmina
 Cortar em cima de superfície destinadas para este efeito (tábuas e mesas de corte)
 Não introduzir alimentos nas máquinas com as mãos (utilizar um empurrador ou
outro acessório adequado)
 Recolher pedaços de louça ou vidro partidos com os utensílios de limpeza
adequados: vassoura e pá. Os objetos partidos devem ser eliminados envolvidos em
papel ou material similar que evite o contacto com as mãos
 Formação dos trabalhadores no manuseio e limpeza das diversas máquinas e
utensílios de corte
 Usar luvas de malha de aço quando se estão a cortar alimentos
 Utilizar aventais de malha de alumínio para desossar carne e peixe
 Sempre que se revele necessário, utilizar óculos de proteção (ex.: ao desossar,
escamar, etc.)

Risco de Enrolamento

 A principal situação que expõe os trabalhadores a este risco é a utilização de


máquinas com elementos em movimento rotativo (batedeiras, etc.)

Medidas de Prevenção para este risco:

 Adquirir sempre máquinas com marcação CE


 Adquirir máquinas com proteções incorporadas (ou adaptá-las a máquinas já
existentes) e sempre que se justifique, associar a essas proteções dispositivos de
encravamento
 Nunca retirar as proteções das máquinas quando estas se encontram em
funcionamento nem inutilizar os dispositivos de segurança
 Não usar adornos (pulseiras, brincos, etc.)
 Não usar o cabelo comprido solto (deve estar preso com uma rede, touca ou
equivalente)

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 Formar o pessoal para a correta e segura utilização das diversas máquinas


 Realizar uma manutenção adequada do equipamento

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3.4.Movimentação manual e mecânica de cargas

A movimentação mecânica de cargas é uma atividade que compreende o transporte de


cargas de um determinado ponto para outro, de forma planeada e segura, e com recurso a
um determinado conjunto de meios e materiais.

Esta operação compreende as seguintes fases:


• Elevação (ou carga);
• Manobra livre (ou movimentação);
• Assentamento (ou descarga).

As lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho são afeções de estruturas


corporais como os músculos, as articulações, os tendões, os ligamentos, os nervos e o
aparelho circulatório local, causadas ou agravadas principalmente pela atividade
profissional e pelas condições imediatas em que essa atividade tem lugar.

A maioria das LME de origem profissional são perturbações cumulativas resultantes da


exposição repetida a esforços mais ou menos intensos ao longo de um período de tempo
prolongado.

Contudo, podem também assumir a forma de traumatismos agudos, como as fraturas


causadas por acidentes.

Estas perturbações afetam principalmente a região dorso-lombar, a zona cervical, os


ombros e os membros superiores, mas podem afetar igualmente os membros inferiores.

Algumas LME, como a síndrome do canal cárpico, que afeta o pulso, são perturbações
específicas que se caracterizam por sinais e sintomas bem definidos.

Outras manifestam-se unicamente por dor ou desconforto, sem sinais aparentes de uma
perturbação clara e específica, o que não significa, porém, que estes sintomas não existam.

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As LME podem ser caracterizadas como perturbações episódicas, já que é frequente a dor
desaparecer e reaparecer ao fim de alguns meses ou de alguns anos. Porém, algumas LME
podem ser persistentes ou tornar-se irreversíveis.

Os trabalhadores do sector HORECA podem incorrer num risco mais elevado de


desenvolverem LME porque:
 O seu trabalho exige com frequência que permaneçam de pé durante muito tempo
ou que trabalhem em posturas incómodas;
 Grande parte do seu trabalho é fisicamente exigente, stressante e com horários
prolongados;
 Trabalham neste sector muitos trabalhadores sazonais que não têm tempo para se
adaptar ao trabalho;
 O sector emprega um grande número de trabalhadores jovens que não estão
familiarizados com o trabalho e que não adquiriram ainda as aptidões necessárias.

Muitas tarefas do restaurante necessitam da movimentação manual de cargas como por


exemplo: pegar em panelas grandes e pesadas, pegar em sacos de batata de 20 kg ou
transporte de bilhas de bebidas gaseificadas.

As lesões provenientes da movimentação manual de cargas podem resultar de um único


incidente grave, mas, na maioria dos casos, são devido a posturas incorretas nesses
movimentos, ou esforços excessivos e continuados durante longos períodos ou até devido a
stress acumulado.

A elevação e o transporte de objeitos pesados são uma das principais causas das dores
lombares, enquanto as atividades repetitivas ou que exigem esforço físico e uma postura
inadequada estão associadas a lesões dos membros superiores.

Medidas preventivas para este Risco:

 Adquirir meios mecânicos, como carrinhos para transporte de cargas pesadas e


utilizá-los sempre que seja possível;

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 Levantar e mover cargas de forma correta: na elevação ou no transporte, colocar a


carga tão próxima quanto possível do corpo e fazer agachamentos do corpo com os
membros inferiores e não com a coluna;
 Pedir ajuda a um colega no transporte manual de cargas pesadas;
 Arrumar adequadamente os materiais mais pesados para evitar esforços;
 Aprovisionar-se de cargas mais leves e de quantidades mais pequenas;
 Apropriar a altura dos planos de trabalho à tarefa a executar;
 Adequar o esforço à carga, executando mais deslocações.
 Promover a organização do trabalho.
 Implementar condições ergonómicas no posto de trabalho.
 Realizar pausas regulares no trabalho.
 Facultar formação e informação e promover a sensibilização dos trabalhadores.

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3.5.Organização e dimensionamento do posto de trabalho

Quando falamos de locais de trabalho, falamos de um conceito muito geral, que engloba
todo o lugar em que o trabalhador se encontra ou deva dirigir-se em virtude do seu
trabalho e em que esteja, direta ou indiretamente, sujeito ao controlo do empregador.

O posto de trabalho, por seu turno, é o lugar específico, naquele local, em que o
trabalhador desenvolve o grosso da sua atividade.

Segundo a legislação específica para o sector de serviços, o DL n.º 243/86, de 20 de


Agosto:

“1- Todo o trabalhador deve dispor de um espaço suficiente e livre de qualquer


obstáculo para poder realizar o trabalho sem risco parar a sua saúde e segurança.

2- Para efeito do número anterior, os locais de trabalho devem satisfazer:


a) A área útil por trabalhador, excluindo a ocupada pelo posto de trabalho
fixo, não deve ser inferior a 2m2 e o espaço entre postos de trabalho não
deve ser inferior a 80cm.
b) O volume mínimo por trabalhador não deve ser inferior a 10m3.
c) O pé direito dos locais de trabalho não deve ser inferior a 3m, admitindo-
se nos edifícios adaptados, uma tolerância até 2,70m;
d) Os locais destinados exclusivamente a armazém, e desde que neles não
haja permanência de trabalhadores, podem ter como tolerância limite 2,2m
de pé direito.”

Na generalidade, os serviços de restauração tem como defeito de construção base, uma


área deficiente para armazenamento, preparação e confeção de alimentos, e a área com
maior dimensão destinada aos clientes, pondo em causa o trabalho e o bem estar físico e
psicológico dos trabalhadores.

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É necessário existir espaço livre disponível para que os trabalhadores se possam


movimentar livremente no local de trabalho, evitando o choque entre pessoas ou com
objeitos constituintes das próprias instalações ou irregularmente distribuídos.

É muito frequente, na restauração, acontecerem quedas devido ao facto de o


armazenamento de produtos, não ser efetuado num local próprio, mas sim dispersos pelas
instalações.

Medidas preventivas para este risco:

 Cumprir a legislação vigente, respeitando o espaço destinado para os trabalhadores;


 Desobstruir os locais de passagem, evitando colocar equipamentos, materiais ou
alimentos em zonas de passagem;
 Adquirir bancadas de trabalho em blocos (podendo fechar quando não necessário)
ou amovíveis;
 Formar e Informar os trabalhadores.

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3.6.Posturas no trabalho

Na restauração, as tarefas executadas exigem na sua maioria que os trabalhadores estejam


constantemente de pé, provocando uma sobrecarga nas pernas, dando origem:
 Acumulação de líquidos nós pés e tornozelos;
 Varizes;
 Má circulação sanguínea nas pernas;
 Fadiga muscular localizada nas pernas;
 Cansaço e falta de atenção.

No desrespeito pelos princípios ergonómicos, risco de posturas incorretas e ritmos de


trabalho monótonos e repetitivos, torna-se necessário adaptar o trabalho ao individuo,
especialmente na conceção dos locais de trabalho, na escolha de equipamentos, métodos
de trabalho e de produção, tendo como principal objetivo minimizar este tipo de riscos.

Se o posto de trabalho for adequadamente desenhado, o trabalhador poderá manter uma


postura de trabalho correta e cómoda, evitando lesões lombares, problemas circulatórios,
entre outros.

Assim sendo, para o desenho dos postos de trabalho importa definir critérios a nível de
dimensionamento, disposição do equipamento, de espaço de trabalho e de ambiente de
trabalho.

Por outro lado, para situações em que seja necessário aceder a uma parte elevada do
equipamento de trabalho, poderão ser utilizados mecanismos de apoio e que evitam a
adoção de posturas inadequadas, maior esforço físico para o trabalhador e possível lesão
músculo-esquelética.

No sector da alimentação e bebidas é muito frequente observarem-se postos de trabalho


em que o trabalhador executa a tarefa a

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Salienta-se o facto de que em postos de trabalho de pé, como os acima representados, em


que o trabalhador não se desloca, uma cadeira alta permite ao trabalhador sentar-se e
executar a tarefa na posição "sentado - de pé".

Esta posição possibilita ao operário trabalhar confortavelmente sentado ou de pé, como


desejar, com igual desempenho, prevenindo os riscos ergonómicos do trabalho a pé e
estático como por exemplo: má circulação, varizes, lombalgias, entre outros.

Medidas preventivas para este risco:

 Evitar estar muito tempo na mesma posição, caso não seja possível use um
pequeno estrado para elevação alternada dos pés;
 Distribuir o trabalho ao longo do dia, de forma a existirem momentos de repouso;
 Adequar a altura dos planos de trabalho às tarefas aos trabalhadores em questão;
 Uso de meias elásticas;
 Usar calçado confortável.

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3.7.Iluminação

Uma iluminação adequada no local de trabalho contribui para que as condições do mesmo
não provoquem tensões psíquicas e fisiológicas. Nesta perspetiva, todos os locais de
trabalho devem oferecer boa visibilidade aos seus funcionários.

Caso a iluminação esteja adaptada ao local de trabalho esta pode proporcionar um


aumento de produtividade, motivação, desempenho geral, etc.

Se a iluminação for inadequada pode conduzir a eventuais atrasos na execução das tarefas,
induzir stress, dores de cabeça, fadiga física e psíquica, etc.

Para tarefas normais (leitura, montagens de peças e operações com máquinas)


recomenda-se:
 200 lux - para tarefas com bom contrastes, sem necessidade de perceção de
muitos detalhes,
 Aumentar a intensidade luminosa à medida que o contraste diminui e se exige a
perceção de muitos detalhes;
 Uma intensidade maior pode ser necessária - reduzir as diferenças de brilhos no
campo visual, ex.: na presença de uma lâmpada ou de uma janela no campo visual;
 As pessoas idosas e com deficiência visual requerem mais luz.

Para tarefas especiais (tarefas de inspeção, em que pequenos detalhes devem ser
detetados ou quando o contraste é pequeno) recomenda-se:
 Colocar um foco de luz diretamente sobre a tarefa;
 Admite-se que, neste caso, o nível pode chegar até 3000 lux.
 Considerar que níveis muito elevados provocam fadiga visual.

Ao nível da indústria da Alimentação e das Bebidas verifica-se, de um modo geral,


deficiências nos sistemas de iluminação, nomeadamente devido a:

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• Índices de iluminância insuficientes;


• Problemas de encandeamento;
• Problemas de sombreamento.

Medidas preventivas para este Risco:

• Dar preferência à luz natural;


 Existir pontos de iluminação adaptados aos locais e bancadas de trabalho, evitando
reflexos, contrastes muito acentuados e sombras;
 As luminárias devem ser apropriadas e estar protegidas contra explosão e quedas
acidentais;
 Medir a iluminação da área de trabalho e esta deve apresentar, no mínimo, 500 lux;
 Realizar a limpeza periódica de paredes, tetos e luminárias e utilizar cores claras no
ambiente de trabalho.

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3.8.Atmosferas perigosas

Os gases combustíveis utilizados como fontes de energia na restauração para aquecimento


da água ou do ambiente e na produção de alimentos podem ser o butano, o propano e o
gás natural.

Os gases podem propagar-se no ambiente de trabalho por meio de vários processos


químicos ou por fugas de gás. A falta de oxigénio acontece em áreas confinadas quando o
seu teor é menor do que 21%.

O gás comprimido é também utilizado na preparação de bebidas na restauração. A sua


instalação inclui garrafas de gás comprimido com tubos de saída, bem como equipamento
de controlo e de mistura.

Na preparação de bebidas, são utilizados: o azoto, o dióxido de carbono e, em


determinadas circunstâncias, o ar comprimido. O dióxido de carbono, um gás inodoro e
incolor que desloca o oxigénio, é o gás mais utilizado.

Consoante a concentração do gás e a duração da exposição, os trabalhadores podem sofrer


de dores de cabeça, suores, respiração acelerada, aceleração do ritmo cardíaco, falta de ar,
tonturas, depressão, perturbações da visão e tremores.

Em concentrações elevadas, o oxigénio é deslocado, o que provoca carência de oxigénio, o


que causa, por seu turno, dificuldades de raciocínio, inconsciência e até mesmo a morte.

Medidas preventivas para este Risco:

 A entidade patronal deve sensibilizar o pessoal para os riscos inerentes à utilização


de gás;

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 Instalar novos depósitos de dióxido de carbono no piso térreo, em espaço aberto.


Sempre que possível, transferir os pontos de saída existentes para uma posição
acima do piso térreo;
 Sempre que haja a possibilidade de ocorrer uma fuga significativa de gás, prever
ventilação adequada, de modo a manter a atmosfera segura, e instalar um sistema
de monitorização do gás com alarme. Este sistema deve funcionar
permanentemente e ser concebido de modo a alertar as pessoas com um alarme
audível ou visível, antes de estas entrarem na zona de perigo;
 Colocar sinalização de alarme adequada no exterior das zonas suscetíveis de
acumular elevadas concentrações de gás;
 Não utilizar o gás propano e butano em caves;
 Formação aos trabalhadores que operam a instalação de distribuição de gás para
seguirem as instruções dos fornecedores;
 Definir medidas de emergência e formar os trabalhadores para observarem os
procedimentos inerentes;
 Processar as entregas de forma a reduzir ao mínimo o número e a dimensão das
garrafas de gás comprimido;
 Inspecionar e proceder regularmente à manutenção das canalizações, tubagens e
acessórios, e conserve o sistema de acordo com as instruções dos fabricantes.
Anualmente, deverá ser efetuada uma inspeção por um profissional contratado;
 Se existir suspeita de fuga de gás deve-se:
o Cortar a alimentação do gás,
o Não utilizar fósforos,
o Não acionar qualquer interruptor elétrico,
o Não utilizar telefone junto da área afetada.

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3.9.Ruído

O ruído é reconhecido como um problema no sector dos serviços, em áreas como a


educação, a saúde ou a hotelaria.

Na realidade, a Indústria da Alimentação e das Bebidas é caracterizado por níveis de ruído


elevados. Compreende um vasto número de operações e equipamentos suscetíveis de
originar ruído, fruto da diversidade de produtos produzidos.

Processos culinários ruidosos, sinais sonoros repetitivos, máquinas de lavar louça,


equipamentos, exaustores, ventilação, moinhos de café, música e o barulho e as dos
clientes fazem parte deste tipo de trabalho.

Mede-se o ruído utilizando um instrumento denominado medidor de pressão sonora, e a


unidade usada como medida é o decibel ou abreviadamente dB.
 Para 8 horas diárias de trabalho, o limite máximo de ruído estabelecido é de 85
decibéis.
 O ruído emitido por uma britadeira é equivalente a 100 decibéis.
 O limite máximo de exposição contínua do trabalhador a esse ruído, sem proteção
auditiva, é de 1 hora.

Sem medidas de controlo ou proteção, o excesso de intensidade do ruído, acaba por afetar
o cérebro e o sistema nervoso.

Existem vários diplomas no enquadramento legislativo nacional que forçam os


empregadores a tomar medidas preventivas e corretivas em relação aos fatores de risco
que possam afetar negativamente a saúde dos trabalhadores.

As Medidas preventivas para este Risco em função dos níveis de exposição ao ruído, são:

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Sempre que se atinjam valores iguais ou superiores aos Níveis de Ação Inferior, o
Empregador deve:
 Assegurar informação e formação adequada aos trabalhadores sobre:
 - Os riscos potenciais para a segurança e saúde derivados da exposição ao ruído
durante o trabalho,
 - As medidas tomadas para eliminar ou reduzir ao mínimo os riscos resultantes
da exposição ao ruído,
 - Os valores limite de exposição e os valores de ação,
 - Os resultados das avaliações e das medições do ruído efetuadas,
 - A correta utilização dos protetores auditivos,
 - A utilidade e a forma de detetar e notificar os indícios de lesão,
 - As situações em que os trabalhadores têm direito à vigilância da saúde,
 - As práticas de trabalho seguras que minimizem a exposição ao ruído;
 Colocar à disposição equipamentos de proteção auditiva;
 Garantir a vigilância médica e audiométrica da função auditiva dos
trabalhadores;

Avaliar a exposição, recorrendo à medição, com periodicidade mínima anual.

Sempre que se atinjam valores iguais ou superiores aos Níveis de Ação Superior, o
Empregador deve:
 Garantir a utilização pelos trabalhadores dos equipamentos de proteção
individual auditiva adequados;
 Desencadear um conjunto de medidas técnicas e organizacionais destinadas a
diminuir a produção e propagação do ruído;
 Delimitar e sinalizar os postos de trabalho;
 Limitar o acesso aos postos de trabalho apenas aos operadores indispensáveis;
 Garantir a vigilância médica e audiométrica da função auditiva dos
trabalhadores.

Sempre que se atinjam valores iguais ou superiores aos Valores Limite de Exposição, o
empregador deve:
 Tomar medidas imediatas para reduzir os níveis de ruído;

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 Utilizar máquinas, aparelhos, ferramentas e instalações pouco ruidosos, caso


necessário proceder à sua substituição;
 Insonorizar os compartimentos ou locais onde existem postos de trabalho ruidosos;
 Colocar painéis acústicos;
 Assegurar que a exposição ao ruído dos trabalhadores seja reduzida ao mínimo
possível e, em qualquer das situações, não ultrapasse os valores limite.

Não existem soluções óbvias para evitar a exposição temporária a níveis de ruído elevados,
sendo necessário combinar várias medidas preventivas, de acordo com as características do
espaço de trabalho.

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4.Gestão do risco

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4.1.Consequências dos acidentes de trabalho

Considera-se acidente de trabalho, de acordo com o regime de reparação de acidentes de


trabalho e de doenças profissionais, aquele que se verifique no local e no tempo de
trabalho e produza direta ou indiretamente lesão corporal, perturbação funcional ou doença
de que resulte redução na capacidade de trabalho ou de ganho ou a morte.
Considera-se também acidente de trabalho o ocorrido:
• No trajeto de ida para o local de trabalho ou de regresso deste:
• Entre qualquer dos seus locais de trabalho, no caso de ter mais de um emprego;
• Entre a sua residência habitual ou ocasional e as instalações que constituem o seu
local de trabalho;
• Entre qualquer dos locais referidos no ponto precedente e o local do pagamento
da retribuição;
• Entre qualquer dos locais referidos nos pontos anteriores e o local onde ao
trabalhador deva ser prestada qualquer forma de assistência ou tratamento por
virtude de anterior acidente;
• Entre o local de trabalho e o local da refeição;
• Entre o local onde, por determinação do empregador, presta qualquer serviço
relacionado com o seu trabalho e as instalações que constituem o seu local de
trabalho habitual ou a sua residência habitual ou ocasional.
• Na execução de serviços espontaneamente prestados e de que possa resultar
proveito económico para o empregador;
• No local de trabalho e fora deste, quando no exercício do direito de reunião ou de
atividade de representante dos trabalhadores, nos termos previstos no Código do
Trabalho;
• No local de trabalho, quando em frequência de curso de formação profissional ou,
fora do local de trabalho, quando exista autorização expressa do empregador para
tal frequência;
• No local de pagamento da retribuição, enquanto o trabalhador aí permanecer para
tal efeito;

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• No local onde o trabalhador deva receber qualquer forma de assistência ou


tratamento em virtude de anterior acidente e enquanto aí permanecer para esse
efeito;
• Em atividade de procura de emprego durante o crédito de horas para tal
concedido por lei aos trabalhadores com processo de cessação do contrato de
trabalho em curso;
• Fora do local ou tempo de trabalho, quando verificado na execução de serviços
determinados pelo empregador ou por ele consentidos.

A melhor forma de prevenção de acidentes de trabalho é a informação, a


consciencialização e a formação dos trabalhadores no local de trabalho, a que acresce a
aplicação de todas as medidas de segurança coletiva e individual inerentes à atividade
desenvolvida.

Quando acontece um acidente/incidente deve ser investigado (logo após a sua ocorrência)
por pessoa ou grupo de pessoas competentes.

Sempre que ocorra um acidente de trabalho, sugere-se a implementação do procedimento


apresentado seguidamente:

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Assistência ao sinistrado

Notificação do acidente

Investigação do acidente

Quantificação de custos

Planeamento e implementação de
medidas corretivas e preventivas

Verificação da eficácia das ações


corretivas

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Quando ocorre um acidente, o responsável do sector e os próprios colegas do sinistrado,


devem determinar a gravidade do acidente e dependendo da situação, o sinistrado é
socorrido no próprio local ou encaminhado para um centro hospitalar.

Em qualquer situação o responsável do sector deve efetuar a sua notificação ao


Responsável da Segurança.

O médico de trabalho também deverá ser informado nas situações em que o sinistrado
ficar de baixa por um período superior a 30 dias. O trabalhador só deverá retomar o
trabalho após o exame médico de aptidão e nas condições que o médico determinar.

Todos os acidentes devem ser registados independente da sua gravidade.

A empresa deve proceder à comunicação do acidente à companhia de seguros. No caso de


acidentes graves ou mortais, a comunicação deve ser feita à ACT num período de 24 horas
após a ocorrência do acidente, devendo ser enviado adicionalmente o registo de
assiduidade do trabalhador em causa, dos 30 dias anteriores ao acidente.

O responsável da Segurança / Técnico Superior de Higiene e Segurança no Trabalho/


Outros elementos da empresa que se considerem relevantes, efetuam a análise do acidente
de trabalho, determinando as causas, devendo sempre que possível, chegar à sua causa
primária.

Deverão ser recolhidos os dados complementares necessários até que se chegue a uma
descrição detalhada e adequada. Desta investigação poderá fazer parte não só o
levantamento das situações através de entrevistas com os intervenientes, como também a
recolha de provas através de fotografias e imagem vídeo.

Devem ser simultaneamente contabilizados os custos associados ao acidente,


nomeadamente:
• Custos diretos (assistência ao sinistrado, pagamento de eventuais indemnizações,
reparação de máquinas e equipamentos, agravamento dos prémios de seguro,
etc.);

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• Custos indiretos (baixa na produtividade, comprometimento da imagem da


empresa, etc.).

Caso não seja possível quantificar os custos indiretos, utilizar a estimativa:

Custos indiretos = 4 ou 5 x Custos diretos.

O objetivo da investigação não deve ser encontrar culpados, mas sim, compreender o que
condicionou o acidente e eliminar ou minimizar as suas causas.

Após a determinação das causas do acidente planeiam-se as ações corretivas e/ou


preventivas, com a definição de responsáveis pela implementação e prazos.

Finalmente é avaliada a eficácia das ações implementadas, garantindo assim a eliminação


ou redução das causas que motivaram o acidente.

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4.2.Avaliação do risco profissional

Uma prevenção de riscos bem-sucedida inclui:


 Uma boa avaliação de riscos; a identificação prévia dos perigos é fundamental para
assegurar uma solução para os problemas mais pertinentes;
 A participação dos trabalhadores, essencial para garantir que todos os problemas
são identificados e para suscitar o apoio necessário a uma aplicação bem sucedida
de medidas de prevenção;
 Empenhamento da direção;
 Boas parcerias para lançar iniciativas em grande escala a nível regional, nacional ou
sectorial; para garantir o êxito deste tipo de projetos é necessária a participação de
todos os interessados;
 Formação adequada;
 Uma abordagem integrada, com recurso a diferentes tipos de medidas, pode
potenciar o êxito global de qualquer intervenção.

Na seleção dos métodos e dos materiais necessários para uma avaliação de riscos, apesar
da existência de uma grande diversidade, é recomendável iniciar-se o estudo por métodos
mais simples que se denomina de Análise Preliminar de Riscos.

As pessoas responsáveis pela avaliação de riscos no local de trabalho devem ter


conhecimento e possuir informações sobre:
 Os perigos e riscos que já foram identificados, bem como a sua origem;
 Os materiais, equipamentos e tecnologias utilizadas no trabalho;
 Os processos e a organização do trabalho, bem como a interação entre os
trabalhadores e os materiais utilizados;
 O tipo, a probabilidade, a frequência e a duração da exposição aos perigos. Nalguns
casos, isto pode implicar a aplicação de técnicas de medição atualizadas e válidas;
 A relação entre a exposição a um perigo e o seu efeito;
 As normas e os requisitos legais relevantes para os riscos presentes no local de
trabalho;

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 As boas práticas aplicáveis em áreas para as quais não existem normas legais
específicas.

Existem vários métodos para Avaliação de riscos, sendo uns mais simples, outros mais
subjetivos e alguns direcionados para sectores de atividade específicos.

1.Análise preliminar

Sobretudo na fase de projeto, deve fazer-se em todos os locais de trabalho, tendo em


conta:
 As condições de trabalho previstas (ou existentes, no sentido de serem alteradas);
 A possibilidade do trabalhador que ocupa esse posto de trabalho ser especialmente
sensível devido às suas características pessoais ou ao seu estado de saúde, aos
agentes nocivos.

2. Análise de continuação (reforço)

Deve ser efetuada quando se verifiquem que:


 Alguém possa ser afetado por riscos específicos;
 Nele trabalharem pessoas sujeitas a riscos especiais;
 Se introduziu novas tecnologias;
 Se alterou fisicamente os locais de trabalho;
 Houve mudanças de um trabalhador para outro local de trabalho;
 A incorporação de um trabalhador cujas características pessoais ou estado de saúde
contribuam para alguma sensibilidade ao posto de trabalho;
 Alguma alteração relevante na organização.

3. Avaliação de Riscos imposta por legislação específica

Em muitas ocasiões grande parte dos riscos que se podem apresentar nos postos de
trabalho resultam das próprias instalações ou de riscos resultantes da exposição a
determinado risco para os quais existe legislação específica, como por exemplo:
regulamento do ruído, dos estabelecimentos comerciais, escritórios, etc.

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4. Avaliação de Riscos não enquadrada por legislação

Análise de riscos que não está enquadrada por legislação específica, mas que se pode
estabelecer normas internacionais, europeias, nacionais, além de guias de organismos
oficiais ou outras entidades de reconhecido prestígio.

Há riscos no mundo laboral para os quais não existe uma legislação nacional nem
comunitária.

Mas existem normas ou guias técnicas que estabelecem critérios e procedimentos de


avaliação.

5. Avaliação de Riscos através de métodos especiais

Deve ser feito um levantamento e classificação de todas as atividades/tarefas, incluindo as


efetuadas por subcontratados, que possam gerar perigos e riscos para a empresa.

Este diagnóstico tem como principal objetivo conhecer o estado da organização ao nível da
Segurança e Saúde no Trabalho, assim como os riscos associados às atividades e aos
equipamentos da organização.

Para a realização deste levantamento é fundamental constituir uma equipa com alguma
experiência em análise de riscos e formação em Segurança e Saúde no Trabalho. É
também necessário que a informação necessária seja disponibilizada.

O modo de classificação dos riscos deve permitir tirar conclusões sobre se devemos ou não
atuar nos processos.

Pode-se, por exemplo, avaliar a severidade e a probabilidade de acontecer um risco e em


função desta análise decidir onde atuar.

Existem métodos específicos para avaliação de riscos, tais como:


 Método de William Fine;

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 Árvore de falhas;
 Método Matricial Semi-Quantitativo da Norma NTP 330;
 Analise Ergonómica do Espaço de Trabalho (Ergonomic Workplace Analysis - EWA);
 etc…

Como apoio dos métodos acima descritos podem ser utilizados materiais como:

1. Equipamentos de medição

Sonómetro – para medição de ruído;


Psicrómetro - para medição de ambiente térmico (temperatura e humidade);
Luxímetro – para medição de iluminação no local de trabalho.

2. Máquina fotográfica

Para recolha de dados e registo de situações relevantes, poderão ser tiradas fotografias
que identifiquem etapas, processos, tarefas para melhor avaliação dos mesmos.

3. Listas de verificação

Para o levantamento geral de condições de trabalho e avaliação de procedimentos poderão


ser usadas listas de verificação (“Check-lists”). Estas podem ser efectuadas segundo
referenciais ou adaptadas ao local de trabalho em estudo.

4. Fichas Técnicas e Fichas de Dados de Segurança

Para avaliar o risco de qualquer produto químico devem ser analisadas as respetivas fichas
técnicas e fichas de segurança de todos os produtos existentes no estabelecimento. Estas
devem ser entregues pelos fornecedores no acto da venda dos produtos, e devem ser
mantidas no local de trabalho.

O empregador deve consultar por escrito e, pelo menos, duas vezes por ano, previamente
ou em tempo útil, os representantes dos trabalhadores ou, na sua falta, os próprios
trabalhadores sobre:

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 A avaliação dos riscos para a segurança e saúde no trabalho, incluindo os


respeitantes aos grupos de trabalhadores sujeitos a riscos especiais;
 As medidas de segurança e saúde antes de serem postas em prática ou, logo que
seja possível, em caso de aplicação urgente das mesmas;
 As medidas que, pelo seu impacte nas tecnologias e nas funções, tenham
repercussão sobre a segurança e saúde no trabalho;
 O programa e a organização da formação no domínio da segurança e saúde no
trabalho;
 A designação e a exoneração dos trabalhadores que desempenhem funções
específicas nos domínios da segurança e saúde no local de trabalho;
 A designação dos trabalhadores responsáveis pela aplicação das medidas de
primeiros socorros, de combate a incêndios e de evacuação de trabalhadores, a
respetiva formação e o material disponível;
 O recurso a serviços exteriores à empresa ou a técnicos qualificados para assegurar
o desenvolvimento de todas ou parte das atividades de segurança e saúde no
trabalho;
 O material de proteção que seja necessário utilizar;
 As informações referentes aos riscos para a segurança e saúde, bem como as
medidas de proteção e de prevenção e a forma como se aplicam;
 A lista anual dos acidentes de trabalho mortais e dos que ocasionem incapacidade
para o trabalho superior a três dias úteis, elaborada até ao final de Março do ano
subsequente;
 Os relatórios dos acidentes de trabalho.

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5.Procedimentos de emergência e risco

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5.1.Técnicas de atuação e orientação

Os acidentes mais críticos que têm acontecido na Indústria da Alimentação e das Bebidas
são as explosões seguidas ou não de incêndio e as mortes por asfixia. Há um aspeto
comum nestas situações:
 Espaços confinados e presença de partículas ou gases combustíveis e ou nocivos.

Estas situações (explosões/incêndios e asfixias) ocorrem com maior frequência em:


 Silos de armazenamento, moagem, descarga, movimentação de farinhas (trigo,
milho, soja, cereais) e particulados (açúcar, arroz, chá, cacau) – explosões
provocadas pela acumulação de poeiras combustíveis e presença de fonte de
ignição (faíscas criadas por fricção de partículas contaminantes ou falhas elétricas,
por exemplo).

Prevenção:

 As medidas que devem ser seguidas são, de uma forma sucinta: conceção
adequada da instalação para minimizar a probabilidade e as consequências da
ocorrência de explosões/incêndios, equipamentos adequados para atmosferas
explosivas, prevenir a acumulação das poeiras e gases dentro dos limites de
explosividade, prevenir as fontes de ignição, compartimentação, detetores de
faíscas, válvulas de alívio contra aumento de pressões, sistemas de supressão
automática, ventilação adequada, sistemas corta-fogo em ductos de transporte e
outros, manutenção periódica dos equipamentos, procedimentos para trabalhos
especiais.
 Implementação das medidas de utilização e manutenção de equipamentos de
trabalho, de instalações elétricas, de redes de distribuição de gás, utilização e
armazenamento de substâncias perigosas, armazenamento de materiais, proteção
contra atmosferas explosivas, entre outras.

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 As chamas e os efeitos do aumento de pressão numa explosão não são os únicos


problemas a enfrentar. Na atmosfera ocorre uma deficiência de oxigénio e a
formação de gases tóxicos em virtude da combustão, particularmente o CO.

 As pessoas designadas para executar tarefas em espaços confinados, como por


exemplo, um silo devem estar devidamente treinadas, orientadas quanto aos riscos
de acidentes e com boa saúde. Antes de entrar num silo para executar qualquer
tarefa, recomenda-se que:
o O operador nunca entre sozinho num espaço confinado;
o Use equipamento de descida (prevenção contra quedas em altura, máscara
respiratória com filtro de proteção adequado ao ambiente em questão,
equipamento de resgate e salvamento, equipamento para comunicação com
o exterior, dispositivo de monitorização de gases perigosos, medidor de
oxigénio e explosímetro, conforme aplicável);
o Tenha permissão prévia do seu superior;
o Verifique se há gases e poeiras perigosas;
o Utilize aparelhos de comunicação, seja para transmitir orientações por
alguém que esteja do lado de fora do silo, como quando obstáculos físicos
impeçam a sinalização visual entre parceiros, seja para transmitir
orientações para o exterior e pedir socorro, caso necessário;
o Nos casos em que foi constatado previamente (pelo detetor de gases) que a
atmosfera no interior do silo está pobre em oxigénio, pode-se utilizar o
equipamento portátil para fornecimento de oxigénio.

Atuação:

 Existência de meios de deteção e extinção automáticos, e rápida intervenção dos


meios internos e externos;
 Existência de cortes remotos manuais e/ou automáticos de fontes de energia e
fluidos que possam alimentar ou agravar o incêndio;
 Existência de fontes de energia de emergência para funcionamento dos meios de
emergência;
 Existência de compartimentação corta-fogo nas vias de evacuação e zonas de
refúgio;

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 Conhecimento prévio das instalações e dos riscos por parte dos meios externos;
 Existência de meios suficientes (p.e. no caso de utilização de água: pressão e
caudal suficientes e disponibilidade de água em quantidade suficiente);
 Instalações de desenfumagem;
 Sistemas de compartimentação, isolamento e obturação (de instalações e
equipamentos, incluindo por exemplo sistemas de ventilação e ar condicionado);
 Proteção (instalações próprias e equipamentos adequados) dos materiais
inflamáveis, explosivos e combustíveis, bem como dos que são passíveis de libertar
gases tóxicos em situações de incêndio;
 Meios de arrefecimento e abafamento;
 Utilização de equipamentos de proteção adequada para as equipas de intervenção:
aparelhos de respiração autónomos e fatos “anti-fogo” em material ignífugo
(incluindo proteção da cabeça e face, das mãos e dos pés).

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5.2.Caixa de primeiros socorros

Compete aos serviços de saúde ocupacional/segurança e saúde no trabalho (SO/SST) a


decisão sobre o conteúdo da caixa de primeiros socorros, bem como o seu número e
respetiva localização, devendo ser equacionados critérios relativos ao número de
trabalhadores, dispersão dos trabalhadores, área da empresa, tipo de atividade e fatores
de risco profissional.

A Equipa de SO/SST deve promover nessa decisão, o enquadramento dos trabalhadores


com o curso de primeiros socorros. Junto da caixa de primeiros socorros deverão existir
procedimentos escritos relativos à atuação a prestar nas situações de acidente mais
comuns.

A localização da mala/caixa/armário de primeiros socorros deve ser conhecida pela maioria


dos trabalhadores e estar devidamente sinalizada e em local acessível.

O conteúdo da mala/caixa/armário de primeiros socorros deve estar devidamente listado e


ser revisto periodicamente, com especial atenção para as datas de validade de alguns
componentes.

Salvaguardando o anteriormente mencionado, o conteúdo mínimo de uma


mala/caixa/armário de primeiros socorros deverá consistir em:
 Compressas de diferentes dimensões;
 Pensos rápidos;
 Fita adesiva;
 Ligadura não elástica;
 Solução antisséptica;
 Álcool;
 Soro fisiológico;
 Tesoura de pontas rombas;
 Pinça;

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 Luvas descartáveis.
Alerta-se ainda que, para além do conteúdo anteriormente referido, seria desejável que os
locais de trabalho dispusessem de uma manta térmica e de um saco térmico para gelo.

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Bibliografia

AA VV., Código de boas práticas de higiene e segurança alimentar - Aplicação dos princípios
de HACCP para a hotelaria e restauração, Ed. APHORT – Associação Portuguesa de
Hotelaria, Restauração e Turismo, 2008

AA VV., Manual de Boas Práticas: Indústria da Alimentação e das Bebidas, Ed. AEP, 2011

AA VV., Manual de segurança, higiene e saúde no trabalho, Edição Compenditur: Dep.


recursos didáticos

AA VV., Manual de higiene e segurança no trabalho, Programa de formação PME, AEP

AA VV., Qualificação de Técnicos Superiores de Higiene e Segurança no Trabalho: Manual


de Formação, Ed. Associação Industrial Portuguesa – Confederação Empresarial, 2007

Espiga, M., Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho: textos de apoio, Ed. CECOA

Sousa, Ana, Avaliação de riscos na restauração, Dissertação de mestrado em Engenharia


de segurança e saúde ocupacionais, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto,
2011

Sites consultados

Autoridade para as Condições de Trabalho


http://www.act.gov.pt/

Agência Europeia de Higiene e Segurança no Trabalho


https://osha.europa.eu/pt

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Termos e condições de utilização

AVISO LEGAL

O presente manual de formação destina-se a utilização em contexto educativo.


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