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Prezado (a) leitor (a),

Nós nos sentimos honrados e alegres pelo privilégio


de chegarmos até você, por meio dos Estudos Bíblicos
DIDAQUÊ. Durante todos esses anos de caminhada, temos
nos esforçado em oferecer à igreja evangélica brasileira uma
opção diferenciada em termos de estudos bíblicos para a
Escola Dominical. É com base nesse propósito que fazemos
chegar às suas mãos mais um exemplar de nossas
publicações.
A produção editorial da DIDAQUÊ tem marcas já
consolidadas, a saber:

Reflexões produzidas por pastores que vivem o


dia a dia das comunidades, exercendo o
pastorado e conhecendo, por dentro, as
necessidades e desafios da igreja;
Linha teológica genuinamente reformada;
Temas relevantes para a igreja dos nossos dias,
abordados de forma contextualizada;
Profundidade bíblica, equilibrada com a
exposição em linguagem simples e acessível a
todas as pessoas;
Penetração nas mais diferentes denominações
evangélicas do Brasil;
Qualidade editorial e preços atraentes e
compensadores.
Consciente de sua responsabilidade, a DIDAQUÊ
reafirma o compromisso de continuar oferecendo sua
relevante e reconhecida contribuição à educação cristã em
nosso país, procurando sempre fazer o melhor.
Conte conosco!
Enildes R. Queiroz Andrade
Gerente Comercial
PROSSEGUINDO PARA O ALVO
A inspiradora mensagem da Epístola aos Filipenses

“Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado;


mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que
para trás ficam e avançando para as que diante de
mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da
soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Fp
3.13,14)
A vida cristã é uma corrida em direção ao alvo. Não
podemos nos desviar nem para a direita nem para a
esquerda; tampouco podemos parar.
A inspiradora mensagem da Epístola aos Filipenses
oferece subsídios a todos quantos estão prosseguindo para o
alvo e buscam a maturidade cristã.
Alguém já disse que Filipenses é “um dos escritos
mais doces e suaves de Paulo”. De fato, a mensagem dessa
carta é profundamente inspiradora. É uma mensagem
indispensável àqueles que caminham rumo à maturidade,
vivendo o evangelho em unidade e, em tudo, procurando
imitar a Cristo. É uma mensagem de estímulo ao
desenvolvimento da salvação, através de uma vida
consagrada, bem firmada na Palavra e cheia de esperança.
A mensagem de Filipenses nos exorta a viver
alegremente, desenvolvendo uma conduta santa e
valorizando a cooperação entre os membros da família da fé.
Este é o sexto volume da Série MATURIDADE
CRISTÃ, que inclui outros volumes que também focalizam o
crescimento na vida cristã.
Juntos, prossigamos para o alvo!
Eneziel Peixoto de Andrade
Editor
ÍNDICE

01. A Epístola aos Filipenses ​ ​04


02. Rumo à maturidade plena ​ ​07
03. O evangelho vivo ​ ​10
04. Lutando juntos​ ​13
05. A vida segundo o exemplo de Cristo ​ ​16
06. O desenvolvimento da salvação ​ ​19
07. Servos consagrados ​ ​22
08. Combatendo os falsos mestres ​ ​25
09. A caminhada cristã ​ ​28
10. A firme esperança do cristão ​ ​31
11. Vida comunitária saudável ​ ​34
12. A conduta cristã ​ ​37
13. Comunidade solidária ​ ​40
01
A Epístola aos Filipenses
Filipenses 1.1 a 11
LEITURA DA SEMANA
SEG ​-Atos 16.1-10
TER ​-Atos 16.11-15
QUA ​-Atos 16.16-26
QUI ​-Atos 16.27-40
SEX ​-Filipenses 1.1-11
SAB ​-Filipenses 1.12-30
DOM ​-Filipenses 2.1-11
​O livro de Atos narra o início dramático da igreja
cristã na cidade de Filipos. Por volta do ano 50 da era
cristã, Paulo teve uma visão, na qual um macedônio lhe
pedia para ir à Macedônia (At 16.6-10). Filipos, cidade que
desfrutava do status de colônia romana, foi a primeira
cidade da região macedônica (At 16.11,12) a receber Paulo
e Silas. Filipos tornou-se assim a primeira cidade europeia a
receber uma visita missionária de Paulo.
O registro de Atos dá conta da primeira conversão
acontecida naquela região: Lídia, uma comerciante piedosa
(é provável que outras mulheres também tenham se
convertido juntamente com ela). Além dela, converteu-se a
Cristo a jovem que fora tomada por um espírito maligno; e,
ainda, a família do carcereiro da cidade (talvez alguns
detentos também tenham se convertido). Estava plantada
assim a semente da igreja cristã naquela cidade. Alguns anos
mais tarde, Paulo escreveu uma mensagem para aquela
igreja. O apóstolo voltaria a visitar aqueles crentes por
ocasião da terceira viagem missionária, provavelmente no
ano 57 (At 20.1,2) e ainda no ano seguinte (At 20.3-6).
A leitura da Epístola aos Filipenses deixa claro que
havia uma relação de muito carinho entre os crentes
filipenses e Paulo. Pelo menos em duas ocasiões, eles
colaboraram financeiramente com o seu ministério: quando
ele estava em Tessalônica (Fp 4.15,16) e, depois, quando
estava em Corinto (II Co 11.9).
Quando Paulo escreve a Epístola aos Filipenses, o
faz para agradecer aos crentes o envio de outra oferta, que
fora encaminhada por Epafrodito, o qual fora incumbido pela
igreja especialmente para fazer a ajuda chegar às mãos do
apóstolo (Fp 4.10-20).
Curiosamente, ao se apresentar, Paulo não o faz como
“apóstolo”, mas simplesmente como “servo de Jesus Cristo”
(1.1).
A julgar por alguns nomes que aparecem na epístola
(Epafrodito, Evódia, Síntique, Clemente – 2.25; 4.2,3),
conclui-se que aquela igreja era constituída em sua maioria
por gregos convertidos ao evangelho de Jesus.
A pequenina carta que Paulo escreveu aos cristãos da
cidade de Filipos é um tesouro precioso. Não é sem razão
que, ao longo dos séculos, a Epístola aos Filipenses tem
alimentado a espiritualidade e a fé dos cristãos. Em um texto
de apenas quatro capítulos, o apóstolo apresenta
ensinamentos muitíssimo valiosos para a caminhada cristã.
Filipenses não é um tratado doutrinário propriamente; antes,
é um texto fortemente pastoral, isto é: um texto que apresenta
a mensagem do coração de um dedicado pastor à igreja que
ama. Filipenses não é uma carta famosa e conhecida como
Romanos ou Efésios. Mas, nem por isso é menos importante
para cristãos que querem crescer na fé.
Percebe-se forte tom pessoal na carta: há 51
referências a pronomes pessoais (“eu”, “meu”, “mim”,
“minha”, “me”).
​O presente estudo visa apresentar uma panorâmica da
Epístola aos Filipenses. É apenas um “aperitivo”, com a
intenção de despertar o desejo de estudar mais essa porção
bíblica, com vistas ao aprofundamento da fé.
INFORMAÇÕES SOBRE A CARTA
1. Data e ocasião
​Não é tarefa fácil afirmar de forma absoluta a data da
redação dessa epístola. No entanto, tudo indica que deve ter
sido escrita entre os anos 50 e 63 do primeiro século da era
cristã. Mas essa questão é irrelevante para os cristãos de fé.
O que vale realmente é a bela e importante mensagem da
epístola. Sabe-se também, com certeza, que quando Paulo
escreveu essa carta estava preso: “E quero que vocês saibam
isto, queridos irmãos: tudo quanto me aconteceu aqui tem
sido uma grande ajuda na divulgação da Boa Nova a respeito
de Cristo. Porque todo mundo aqui, incluindo todos os
soldados, de ponta a ponta nos quartéis, sabem que estou na
cadeia simplesmente porque sou cristão. E por causa da
minha prisão muitos dos cristãos daqui parecem ter perdido
o medo de ser presos! De algum modo minha resignação os
animou e eles começaram a ter cada vez mais coragem para
falar de Cristo aos outros.” (Fp 1.12-14, A Bíblia Viva).
Ninguém sabe ao certo que prisão foi essa que Paulo
enfrentou. Várias hipóteses já foram apresentadas. Alguns
pensam que ele estava preso na própria Roma, a capital do
Império. Outros pensam que a prisão foi em Éfeso, ou em
Cesareia. Mas essa questão, no final das contas, não é tão
importante. O que importa é que, mesmo preso, Paulo manda
para a igreja dos filipenses uma mensagem, na qual
importantes temas da vida cristã são tratados. É o que será
visto a seguir.
2. Principais temas da Epístola aos Filipenses

​Como já foi dito, a carta aos Filipenses não foi escrita


com a intenção de ser um tratado dogmático, uma
apresentação sistemática de doutrinas. Mas, essa mensagem
pastoral de Paulo muito tem a nos ensinar. Em resumo, os
principais temas da Epístola aos Filipenses são:
a) Humildade – A cidade de Filipos era colônia
romana, um alto privilégio no tempo do Novo
Testamento (At 16.12). Um cidadão de Filipos tinha os
mesmos direitos legais de um cidadão de Roma. O Prof.
Gerald Hawthorne afirma: “o povo de Filipos era
orgulhoso de sua cidade, orgulhoso de seus laços com
Roma, orgulhoso de observar costumes romanos,
orgulhoso de obedecer leis romanas, orgulhoso de ser
cidadão romano (At 16.21).” Ser cidadão romano,
naqueles dias, era o mesmo que ser cidadão dos Estados
Unidos em nossos dias. Para crentes que viviam em um
contexto assim, Paulo escreve recomendando a
humildade. Em 3.20 está escrito: “pois a nossa pátria
está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador,
o Senhor Jesus Cristo.” A palavra traduzida como
“pátria” significa literalmente “cidadania”. Paulo ensina
que, mais importante do que ser cidadão romano, é ser
cidadão da pátria celestial.
A exortação à humildade, feita por Paulo, é forte: “nada
façais por partidarismo ou vanglória, mas por
humildade, considerando cada um os outros superiores a
si mesmo.” Além disso, em uma passagem que se tornou
muitíssimo conhecida (2.1-11), Paulo ensina aos crentes
a que sejam humildes, tendo por modelo de humildade o
próprio Senhor Jesus;
b) Inabalável comunhão com Cristo – Nessa epístola,
encontramos a filosofia de vida do apóstolo Paulo:
“porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é
lucro” (1.21). Conforme o pensamento paulino, a vida
em Cristo, com Cristo e por Cristo supera até a morte
(1.23,24). Aqueles que morrem no Senhor estão em um
estado de consciente felicidade, além de qualquer
realidade experimentada na terra. Esse ensinamento
paulino nos enche de conforto e esperança;
c) Desafio à santificação – Em Filipenses 3.8 a 16, o
apóstolo ensina a respeito da santificação, de uma
maneira muito interessante: o crente não se baseia em
seus próprios méritos, mas apenas nos méritos de Cristo
Jesus (3.9,10). Ao mesmo tempo, a santificação é
apresentada como algo que exige e envolve esforço dos
crentes, os quais devem buscar seu progresso espiritual
(1.9; 2.12-16; 4.8,9);
d) Solução de conflitos comunitários – A igreja dos
filipenses era uma comunidade muito especial,
carinhosa e amorosa para com o apóstolo. Contudo,
havia conflitos naquela igreja. Paulo exorta aos crentes
a que busquem a superação desses conflitos que,
infelizmente, podem acontecer em qualquer igreja
(2.14,15). No final da epístola, Paulo chega a citar
nomes de pessoas envolvidas em um conflito: “Rogo a
Evódia e rogo a Síntique, pensem concordemente no
Senhor.” (4.2). Em qualquer igreja pode haver conflitos
entre seus membros; mas todos devem se esforçar para
que tais conflitos sejam solucionados;
e) Alegria – O tema da alegria cristã está presente em
praticamente todo o texto da epístola (1.25; 3.1; 4.4,10).
A alegria cristã não é exatamente um sentimento. É mais
um modo de ser, uma atitude que leva o cristão a ver a
vida, com seus altos e baixos, com base na fé no Senhor
da igreja.
Desse modo, é possível olhar além das crises que
deprimem e desanimam e contemplar pela fé o Senhor
soberano sobre todas as coisas.
02
Rumo à maturidade plena
Filipenses 1.3 a 11
LEITURA DA SEMANA
SEG ​-Gálatas 5.16-26
TER ​-Colossenses 1.3-8
QUA ​-I Tessalonicenses 1.2-10
QUI ​-II Timóteo 1.6-14
SEX ​-Hebreus 10.19-25
SAB ​-I Pedro 2.1-10
DOM ​-II Pedro 1.3-11
Nada nasce grande. Nada nasce maduro. A
maturidade é um processo.
Alguém perguntou a um ancião em uma pequena
cidade: “Já nasceu algum homem famoso, importante,
influente nesta cidade?” O ancião, refletindo na pergunta,
sabiamente respondeu: “Não, senhor, aqui só nascem bebês!”
A maturidade espiritual é um processo. Como
podemos crescer até à maturidade? Será que a maturidade é
algo possível de se alcançar? A Bíblia, repetidas vezes, nos
chama a progredir rumo à maturidade, sendo que aqueles que
não agem assim estão deixando de atingir o ideal de Deus
para a sua caminhada cristã.
A maturidade é alcançada paulatinamente, passo a
passo, quando são tomadas as atitudes necessárias para
progredir. Quais são os passos rumo à maturidade plena? O
texto que fundamenta este estudo apresenta orientações que
auxiliam na busca da maturidade cristã.
Como foi observado no estudo anterior, a Epístola
aos Filipenses é uma das epístolas que Paulo escreveu
estando na prisão. É um escrito notável pelo tom de alegria e
contentamento externado pelo apóstolo. Mesmo estando
aprisionado, Paulo expressa sua alegria no Senhor. Isso é
sinal de maturidade cristã. Nessa epístola, ele revela todo o
carinho que nutria por aquela comunidade.
A igreja de Filipos não enfrentava os grandes
problemas que as igrejas de Corinto e da Galácia
enfrentavam. Nos primeiros versículos da carta, Paulo
expressa seu desejo para com aquela igreja: “que o vosso
amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a
percepção, ​para aprovardes as coisas excelentes e serdes
sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto
de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e
louvor de Deus.” (1.9-11). Com certeza, é o mesmo desejo
de Deus para nós ainda hoje. Nesse texto, Paulo menciona
algumas coisas essenciais que precisamos saber e
experimentar para o nosso crescimento espiritual.
Comentando esse texto, F. B. Meyer afirma: “A
confiança do apóstolo em que tudo quanto Deus começa ele
completa de forma perfeita (v.6), é muito animadora. É disso
que precisamos, embora devamos sempre lembrar que isso
está na dependência da fé e da oração. (...) O amor
abundante resulta em aumento de conhecimento, e este em
uma rápida identificação de coisas que são diferentes,
embora pareçam semelhantes, e isso, por sua vez, em
libertação do pecado e do sentimento de culpa. E tudo
resultará no fruto de uma vida santa, agradável a Jesus, que
traz glória e louvor a Deus.” (Comentário Bíblico
Devocional, Ed. Betânia, p. 215).
LIÇÕES DO TEXTO
1. A maturidade espiritual é obra de Deus
No versículo 06, Paulo expressa sua confiança na
ação de Deus: “Estou plenamente certo de que aquele que
começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de
Cristo Jesus.”
Observam-se, no texto, os três aspectos que
envolvem a nossa salvação: a justificação – que acontece no
ato da conversão; a santificação – que é o processo de
crescer rumo à maturidade; e a glorificação – que acontecerá
quando Cristo voltar.
O enfoque dado neste estudo é ao processo da
santificação; e nos diz Paulo que isso é algo que Deus faz.
Embora seja algo que Deus faz, não estamos isentos de
participar desse processo. Assim como uma criança
experimenta o seu desenvolvimento, pois isso é inerente a
ela, o cristão também experimenta o crescimento espiritual
que faz parte de sua nova natureza. No entanto, do mesmo
modo que uma criança precisa de cuidados especiais para
crescer, o cristão também necessita de cuidados. Há coisas
que podem atrapalhar ou prejudicar o desenvolvimento
espiritual; e cabe ao cristão cuidar para que seu progresso
seja manifesto. Alimentar-se da Palavra, não abrigar
pecados, estar sempre no convívio da igreja, cultivar vida de
oração e dependência de Deus, etc., são algumas das atitudes
que irão contribuir para que Deus esteja trabalhando e
efetuando essa maturidade em nós.
O sofrimento, como se observa na própria
experiência de Paulo, pode ser uma das ferramentas que
Deus usa para nos levar em direção à maturidade. Não há
maturidade sem provações. Deus quer que aprendamos a
confiar nele, sabendo que ele está no controle de todas as
coisas e está trabalhando para completar a obra em nosso
coração. A maturidade, portanto, é obra de Deus. É como
afirma o apóstolo Pedro: “Ora, o Deus de toda a graça, que
em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes
sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar,
firmar, fortificar e fundamentar.” (I Pe 5.10).
2. A maturidade espiritual se desenvolve na
comunhão com os irmãos

O cristão não é uma obra de arte que se coloca em


algum lugar para que todos o admirem. Ele se desenvolve na
comunhão com outros cristãos, na igreja. Ele vive em
relacionamento com os outros no dia a dia da caminhada
cristã.
Nos versículos 7 e 8, Paulo descreve o amor que
sentia por seus leitores. Fala da participação deles na graça
de Deus e também no seu sofrimento. Fica claro, portanto,
que a vida cristã se vive em comunhão com os irmãos. Uma
das formas de se demonstrar maturidade é a maneira como
nos relacionamos com as pessoas. Alguns pensam que
podem crescer melhor se estiverem afastados da igreja, por
causa de seus problemas. São pessoas que acreditam que é
possível crescer na maturidade de forma isolada, sem estar
na comunidade cristã. Isso é um grave equívoco. O apóstolo
João escreveu: “Nós sabemos que já passamos da morte
para a vida, porque amamos os irmãos.” (I Jo 3.14).
As diferenças, as falhas, os desvios, os problemas,
etc. que se observam na igreja não podem nos levar ao
afastamento, fazendo-nos crer que, em casa, o nosso
desenvolvimento será maior. É em meio às diferenças e
diante dos desafios que se cresce.
3. A maturidade espiritual se manifesta em amor e
justiça, visando a glória de Deus
Os versículos 9 a 11 oferecem uma profunda fórmula
para o desenvolvimento pleno. É a combinação do amor com
o conhecimento de Cristo Jesus: “E também faço esta
oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno
conhecimento e toda a percepção, ​para aprovardes as coisas
excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de
Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus
Cristo, para a glória e louvor de Deus.”
Ao escrever aos filipenses, Paulo declara que eles
estavam cheios de amor. Esse amor foi demonstrado,
inclusive, a ele; porém, ele desejava que a cada dia o amor
se manifestasse de forma mais intensa na vida daqueles
crentes. Esse não é um amor sentimental, demonstrado
apenas em palavras, mas por meio de atitudes concretas. É
amor desenvolvido com conhecimento e percepção. Quem
vive dessa maneira não terá que se envergonhar no dia em
que Jesus Cristo voltar.
A maturidade cristã fará com que o fruto da justiça
seja produzido na vida do cristão. Esse fruto, mencionado no
versículo 11, pode ser entendido como a vida reta diante de
Cristo. O cristão procura fazer a vontade de Deus e viver
neste mundo a retidão que se espera de todo aquele que é
justificado por meio da fé.
Conclui-se, portanto, que viver a vida cristã
buscando a maturidade fará com que Deus seja exaltado e
glorificado por nosso intermédio. Russel N. Champlin afirma
que “uma vida reta louva ao Senhor em voz mais alta e
convincente que podem fazê-lo as palavras. Um filho pode
ser um louvor vivo para o seu pai.” (O Novo Testamento
Interpretado, vol.5, p.13).
A meta final da maturidade espiritual é a glorificação
de Deus. Como bem observa Gerhard Barth, “Toda atuação e
vida dos cristãos (Rm 15.7; I Co 10.31; II Co 4.15), sim,
toda a história da humanidade deverá desembocar uma vez
nesta meta (Fp 2.11): para a glória de Deus.” (Carta aos
Filipenses, Editora Sinodal, p.23).
03
O evangelho vivo
Filipenses 1.12 a 26
LEITURA DA SEMANA
SEG ​-Mateus 28-18-20
TER ​-Romanos 1.8-17
QUA ​-I Coríntios 1.18-31
QUI ​-I Coríntios 9.1-27
SEX ​-II Coríntios 3.1-11
SAB ​-II Coríntios 4.1-15
DOM ​-II Coríntios 11.1-32
Atualmente, encontramos igrejas com diferentes
características. Cada uma delas possui algum tipo de
pregação, ênfase doutrinária, estratégia evangelística, etc.
Porém, a maneira como concebemos e praticamos a fé cristã
é significativa, determinando o tipo de evangelho que
professamos e influenciando ou não o comprometimento com
a missão.
Ao longo da história cristã, verificam-se vários
personagens que viveram sua fé com tamanha intensidade,
chegando até mesmo a pagar com a própria vida, devido ao
seu testemunho. São homens e mulheres que escreveram suas
histórias com o próprio sangue. Esses cristãos demonstraram
compromisso com a sua fé, provando que o evangelho é algo
vivo e significativo.
A despeito de vivermos em tempos de liberdade quanto à
nossa profissão de fé, não podemos nos acomodar. É hora de
resgatar experiências inspiradoras como aquelas vividas
pelo apóstolo dos gentios, para que saibamos valorizar o
privilégio de viver a fé cristã nestes tempos, mas com
tamanha vitalidade tal que todos vejam que professamos o
evangelho vivo!
Quando escreveu essa epístola, Paulo estava preso. Daí,
dizer-se que a Epístola aos Filipenses é uma das “cartas da
prisão”.
Mesmo (ou principalmente) preso, Paulo mostra que há
grandes benefícios para o evangelho. A notícia de sua prisão
se difundiu por todos os lugares. Consequentemente, os fiéis
se sentiam mais encorajados a viver e a divulgar a
mensagem salvadora. Solto, ou preso, Paulo constituía-se
numa ameaça às autoridades.
Nada reprimirá a propagação do evangelho. Alguns
haverão de anunciá-lo até por interesses pessoais, mas o
evangelho sempre será pregado. Porém, o segredo é o estilo
de vida de servos fiéis como Paulo, que se mostrou pronto a
viver ou morrer pela causa do evangelho: “para mim o viver
é Cristo e morrer é lucro” (1.21). Mesmo preso, o apóstolo
alimentava a esperança de que novamente sairia da prisão e
retornaria à comunhão dos cristãos daquela comunidade,
compartilhando a alegria cristã (1.25,26).
O poder do evangelho vivo é incontestável. Vejamos:
LIÇÕES DO TEXTO
1. A determinação para se viver em Cristo em
quaisquer circunstâncias

Para o apóstolo Paulo, viver o evangelho de Cristo não


era uma opção, mas uma obrigação: “ai de mim se não
pregar o evangelho” (I Co 9.16). Porém, nesse texto, ele
afirma: “por amor, estou incumbido da defesa do evangelho”
(v.16). Porém, mais enfática é a conhecida expressão: “para
mim o viver é Cristo” (v.21), que o reformador Marinho
Lutero preferia traduzir assim: “pois Cristo é minha vida”. O
comprometimento do apóstolo era fruto de uma rica
experiência com Deus, o qual o vocacionara como “apóstolo
dos gentios”. O seu amor ao evangelho era o motivo de sua
vitalidade, energia e disposição. Se não fosse para viver
pregando o evangelho, Paulo preferia morrer. Por isso, dizia:
“tudo faço por causa do evangelho” (I Co 9.23).
A leitura da biografia de Paulo comprova que ele
experimentou toda sorte de sofrimentos por amor ao
evangelho de Cristo (II Co 11.16-33). Contudo, jamais
desistiu da missão que abraçou. Combateu o bom combate,
completou a carreira e guardou a fé. Pelo evangelho de
Cristo, estava sempre pronto a viver; e, mais do que isso,
estava pronto a morrer pela causa de Cristo.
Quando se compreende que o evangelho é algo vivo e
poderoso, capaz de transformar vidas, a motivação para se
viver em Cristo e proclamar a mensagem da salvação se
torna maior. Nós cremos em um Deus vivo e verdadeiro e
isso nos impulsiona a viver o evangelho, independente do
dia, lugar e circunstâncias da vida. A vida de Paulo era
caracterizada por essa determinação, como se pode ver nesta
declaração: “E, agora, constrangido em meu espírito, vou
para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, ​senão
que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que
me esperam cadeias e tribulações. Porém em nada considero
a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a
minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus
para testemunhar o evangelho da graça de Deus.” (At 20.22-
24).
2. O progresso contínuo da causa de Cristo

Nada pode interromper o propósito de Deus de levar o


evangelho a toda criatura. Paulo tinha convicção de que nem
a prisão ou até mesmo a morte seria capaz de impedir o
progresso do evangelho. Nas palavras de William
Hendriksen, essa é “uma prisão para o progresso do
evangelho”; e o apóstolo Paulo “um prisioneiro otimista”,
pois, enquanto para uns, a prisão significava derrota, para
outros, uma feliz oportunidade!
Para o apóstolo, sofrer por Cristo era motivo de glória.
A prisão era, na verdade, uma grande oportunidade. Por
exemplo, em Roma, a guarda pretoriana (v.13) era composta
de 9.000 homens que se revezavam em trabalho de turno.
Segundo o apóstolo, todos ouviram o evangelho. Quantos se
tornaram também seguidores ou divulgadores do evangelho?!
Menciona o apóstolo que muitos venceram o temor e se
tornaram pregadores corajosos. Outros tentaram tirar
proveito próprio, agindo por ciúme ou competição e, como
sempre acontece, pretenderam ocupar o espaço deixado por
ele.
É lamentável o fato que, enquanto milhões ainda não
ouviram o evangelho, há igrejas que “brigam” e “disputam”
os mesmos crentes, “pescando no aquário alheio” (Rm
15.20). Ensina a Bíblia que o evangelho haverá de ser
pregado em todo o mundo para testemunho de todas as
nações (Mt 24.14). O nome de Cristo ainda não chegou a
todos os povos. Portanto, pesa sobre nós cristãos a grande
responsabilidade de pregar o evangelho a toda criatura.
Diante disso, uma pergunta se faz necessária: o que temos
feito pelo progresso da causa de Cristo? Qual tem sido a
nossa contribuição para o seu progresso? O que mais
podemos fazer?
3. O efeito revolucionário do evangelho vivo

A tensão registrada no texto é fruto da revolução


provocada pelo evangelho de Cristo. Segundo Paulo, esse
evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele
que crê (Rm 1.16). É o evangelho que transforma vidas e
provoca mudanças profundas nas pessoas e na sociedade.
A leitura do Livro de Atos mostra a revolução causada
pelo poder transformador do evangelho. Os opositores do
evangelho não tinham como ignorar o impacto da mensagem
pregada, pois muitas vidas estavam sendo transformadas.
Por isso diziam: “Estes que têm transtornado o mundo
chegaram também aqui.” (At 17.6).
Quantos sofrimentos experimentaram os pregadores
pioneiros, que apresentaram o evangelho pelo mundo afora!
Certamente, em sua cidade ou região, há alguma experiência
inspiradora acerca da chegada do evangelho e as
transformações por ele operadas.
Eis um grande desafio para a igreja da atualidade:
mostrar a diferença que o evangelho faz na vida das pessoas
e da sociedade. Muitas atitudes terminam por “baratear” o
evangelho, sendo motivo de escândalos e divisões. Somente
quando os cristãos se comprometerem a viver (e se
necessário morrer) pelo evangelho, a mensagem evangélica
impactará o mundo em que vivemos. Somente o evangelho é
o poder de Deus capaz de transformar vidas e provocar
mudanças profundas no mundo. Sendo assim, a mensagem do
evangelho não pode ficar circunscrita aos templos; é
imperativo que todos nos engajemos na missão, invadindo
cada canto da cidade e as cidades vizinhas, com o anúncio
do evangelho vivo.
Afinal, estamos prontos a pagar o preço de seguir a
Cristo e anunciar esse evangelho vivo a toda criatura? A
nossa ação como porta-vozes do evangelho vivo tem
produzido transformações?
04
Lutando Juntos
Filipenses 1.27 a 2.4
LEITURA DA SEMANA
SEG ​-Salmo 133
TER ​-João 17
QUA ​-Romanos 12
QUI ​-Efésios 4.1-24
SEX ​-Colossenses 3.12-17
SAB ​-I Pedro 4.7-19
DOM ​-II João
"Eu gostaria de comprar cerca de três dólares de
evangelho, por favor. Não muito, apenas o suficiente para me
fazer feliz, mas não muito para eu não ficar viciado. Eu não
quero tanto evangelho que eu aprenda a realmente odiar a
cobiça e a luxúria. Eu certamente não quero tanto que
comece a amar os meus inimigos, valorizar a autonegação
[...] Eu quero êxtase, não arrependimento; quero
transcendência, não transformação. Eu gostaria de ser
valorizado por algumas pessoas agradáveis, perdoar pessoas
de mente aberta, mas eu mesmo não quero amar aqueles de
diferentes raças [...] Gostaria de um evangelho suficiente
para fazer minha família segura e meus filhos bem
comportados, mas não tanto que eu descubra minhas
ambições redirecionadas ou minhas doações por demais
alargadas. Eu gostaria de cerca de três dólares de evangelho,
por favor!” (D. A. Carson, Basics for Believers: An
Exposition of Philippians).
Estas palavras do Dr. Carson refletem claramente o
estilo de vida cristã que muitos têm vivenciado hoje. É muito
comum perceber entre os cristãos um comportamento
particularizado, sem demonstrar o compromisso que Jesus
requer de seus discípulos. O estilo de vida de grande parte
dos crentes, hoje, está distante do centro da mensagem de
Paulo em sua carta aos filipenses: "Apenas deixe o seu modo
de vida ser digno do evangelho de Cristo" (Fp 1.27).
O modus vivendi de muitos crentes de hoje anda na
contramão da essência do que é ser igreja, uma vez que
prioriza a individualidade e a satisfação pessoal. Tanto Atos
dos Apóstolos quanto essa carta de Paulo aos filipenses
aponta para a valorização da comunidade e do
comprometimento mútuo. Isso se resume nas palavras de
Paulo: “fique eu sabendo que vocês permanecem firmes num
só espírito, lutando unânimes pela fé evangélica”; e
“completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar,
o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude.” (Fp 1.27;
2.2).
LIÇÕES DO TEXTO
1. Lutando juntos para o progresso do Reino

A versão da Bíblia NVI inicia o versículo 27 de uma


forma interessante, traduzindo-o assim: “Não importa o que
aconteça, exerçam a sua cidadania de maneira digna do
evangelho de Cristo...” Essa versão mostra de forma clara
que o comprometimento com a caminhada unânime da igreja
de Cristo visa, também, a influência dela na sociedade em
que está inserida. Há, segundo Paulo, uma forte influência
em prol do reino quando a igreja resolve lutar unânime pelo
evangelho de Cristo.
A proposta de Paulo está explícita. A igreja deve
caminhar unida, em um só espírito, lutando unânime, mas
com uma missão, um propósito: o seu esforço visa o avanço
do evangelho, mesmo que isso signifique participação nos
sofrimentos (v.29). Uma igreja que vive dignamente o
evangelho é uma igreja cujos membros investem na
comunhão para que sua influência na sociedade seja positiva
e revolucione com o poder transformador do evangelho.
Paulo ainda chama a atenção para o fato de que o
progresso do reino pode vir sob a oposição do mundo, sob
perseguição e sofrimento. A história mostra exatamente isso.
Vários cristãos, nos primeiros séculos, eram colocados em
arenas juntamente com animais ferozes para serem
devorados. A ideia de Paulo era exatamente esta: se vamos
sofrer e até morrer pelo evangelho, que soframos e
morramos juntos. Se vamos lutar contra a oposição do
mundo (sociedade afetada pelo pecado), que façamos isso
juntos.
William Barclay, comentando esse texto, diz que Paulo
esperava dos cristãos da igreja fundada por ele que se
mantivessem firmes: “O mundo está cheio de cristãos em
retirada, cristãos que quando começam as dificuldades
ocultam seu cristianismo ou, ao menos, silenciam-no. O
verdadeiro cristão permanece firme e sem envergonhar-se
em qualquer situação. Paulo espera, também, a unidade. Os
cristãos têm que estar unidos num mesmo espírito como
irmãos. Que o mundo se hostilize e viva em luta, discussões
e diferenças; os cristãos não, eles devem ser um.” Se
vivermos assim, a sociedade verá na igreja de Cristo o que
não se tem fora dela e sentirá vontade de compartilhar dessa
mesma fé. Essa é a força do testemunho cristão.
2. Lutando juntos para o fortalecimento do Corpo

A intenção mais evidente do apóstolo Paulo nessas


palavras dirigidas aos filipenses é mostrar a importância da
unidade para tornar a igreja, corpo de Cristo, mais forte.
Cada crente tem que se empenhar em ver o fortalecimento e
o crescimento do corpo de Cristo. Paulo faz essa
recomendação também em I Coríntios 12 e Efésios 4.1 a 16.
Não se tem a indicação clara de que a igreja de
Filipos experimentou esses problemas ou se foram apenas
recomendações preventivas do apóstolo. O certo é que há
algumas contraposições no argumento apresentado nos
primeiros versículos do capítulo 2, as quais reforçam a ideia
quanto à importância de se lutar juntos em prol do
fortalecimento da igreja:
2.1. Humildade em vez de egoísmo
Embora Paulo comece o seu argumento com a
conjunção “se”, na verdade, ele tem certeza que os filipenses
possuem tudo o que ele prescreve como importante para
fortalecer a unidade da igreja: fundamento em Cristo, laços
fraternos no amor e a ação do Espírito Santo para viver a
misericórdia mútua (v.1).
O Dr. Vincent Sheug, expondo esse texto, diz que
“Paulo apela à abnegação em face do egoísmo e prescreve a
humildade para superar o orgulho. Se fomos
verdadeiramente convertidos a Deus, isto é, se recebemos os
benefícios do evangelho, então vamos nos unir em torno
dessa mesma mensagem e desse mesmo propósito, e assim
teremos uma mesma mente.”
Essa unidade motivada pela humildade foi
exemplificada em Jesus, tanto pelas suas palavras quanto
pelo seu exemplo de vida (Jo 17.21). Uma das exposições
fundamentais sobre o grande efeito da humildade de Jesus
está nos versículos subsequentes de Filipenses 2, que se
inicia assim: “tende, pois, o mesmo sentimento que houve em
Jesus Cristo...” (v.5). A humildade de Cristo, então, se torna
o paradigma de abnegação para a igreja.
2.2. Interesse comum em vez do interesse próprio
Num mundo totalmente influenciado pelo
particularismo ou privatização, preocupar-se com o outro é
um desafio para a igreja hoje. Portanto, lutar juntos para o
fortalecimento da igreja de Cristo pressupõe, em muitas
vezes, abnegação do interesse próprio. É importante destacar
que Paulo não está falando para você abrir mão dos seus
interesses no reino, e sim priorizar os interesses da
coletividade.
João Calvino, comentando o capítulo 12 da primeira
carta de Paulo aos Coríntios, diz que cada cristão deve se
sentir feliz com a sua vocação, e não invadir o território do
outro nem por ambição e nem por curiosidade: “Paulo está
estimulando os crentes a manterem-se unidos pela
associação de seus dons para o benefício recíproco.”
O exemplo de humildade de Jesus – conforme os
versículos 5 a 11 – mostra que ele esvaziou-se da sua glória.
Isso quer dizer que a sua encarnação e consequente morte
foram exemplos claros de busca do interesse da
coletividade, da igreja, mesmo sendo ele a cabeça do corpo.
Assim, a igreja o tem como modelo de humildade e renúncia.
Dwight L. Moody, comentando esse texto, diz que
“assim como a humildade (v.3a) é a antítese da vanglória, a
consideração pelos outros (v.4) é a antítese da contenda
(ambições egoístas).”
Então, o que é preciso para ser uma igreja centralizada
no evangelho, uma igreja que vive de maneira digna do
evangelho? De que maneira podemos lutar juntos? Paulo
responde: motivados pela nossa própria participação no
evangelho (2.1), que se manifesta na unidade, no amor e na
humildade. Os benefícios dessa unidade na luta são muitos,
por exemplo, a bênção do Senhor e a vida para sempre (Sl
133).
05
A vida segundo o exemplo de Cristo
Filipenses 2.5 a 11
LEITURA DA SEMANA
SEG ​-Isaías 53.1-12
TER ​-Mateus 11.28-30
QUA ​-Marcos 10.35-45
QUI ​-Lucas 9.51-56
SEX ​-João 1.1-14
SAB ​-João 13.1-20
DOM ​-I João 2.1-5
É possível que todos conheçam a afirmação do
grande líder indiano Mahatma Gandhi, dirigida aos ingleses:
“Aceito o vosso Cristo, não o vosso cristianismo.” Isso,
porque havia uma falta de harmonia entre a fé professada e a
prática do que Jesus Cristo ensinou.
​A regra para a vida cristã é exatamente a imitação da
vida de nosso Senhor Jesus Cristo. O grande desafio da vida
cristã é seguir o exemplo deixado por Jesus. Se Jesus Cristo
não é o nosso exemplo, a nossa fé perde a razão de ser; o
mais belo conjunto de doutrinas torna-se nulo. Segui-lo é o
mais fascinante projeto de vida. Ele foi o Mestre por
excelência. Deixou-nos seus ensinamentos e, muito mais,
deixou-nos seu exemplo de vida.
A igreja cristã, de um modo geral, está precisando,
mais do que em qualquer outra época, seguir genuinamente o
exemplo de seu fiel Senhor. Nada deve afastar a igreja deste
santo objetivo: desenvolver a vida segundo o exemplo de
Cristo.
A grande maioria dos estudiosos do Novo
Testamento afirma ser o texto básico deste estudo, um hino
cristológico primitivo, provavelmente traduzido do
aramaico. Toda a história da revelação bíblica está contida
nesse texto. Segundo Campbell Morgan, esses versículos
constituem uma passagem tão importante que não vacilaria
em dizer: “não há em todas as Escrituras nada tão
maravilhoso que a sobrepuje.”
​O apóstolo acabara de escrever exortando os
filipenses à unidade (Fp 2.1-4). Coroando sua exortação, ele
colocou Cristo como exemplo supremo a ser seguido: “Possa
a atitude de vocês com relação à vida ser a do próprio
Cristo Jesus.” (Paráfrase de Fp 2.5, feita por J. B. Phillips).
De forma simples e objetiva, o texto pode ser
subdividido em duas partes distintas. A primeira parte (vv.6-
8) relata o exemplo de Cristo na humilhação. A segunda
parte (vv.9-11) registra a exaltação do Senhor Jesus, que
recebeu “o nome que está acima de todo nome.”
O comentarista Giuseppe Barbaglio diz que “a
história de Jesus tem, pois, dois tempos nitidamente
distintos: no primeiro, ele é o protagonista ativo da decisão
operativa de humilhar-se; no segundo, ao invés, é
beneficiário da ação exaltadora de Deus.”
Segundo Ralph P. Martin, há uma análise mais
recente de Filipenses 2.6 a 11, que vê esse texto como uma
história da salvação, a qual explica como os crentes vieram
a estar “em Cristo” como membros de seu Corpo. O fato é
que Paulo desejava que os filipenses adotassem, no dia-a-
dia da igreja, uma disposição que estivesse em harmonia
com a profissão de fé em Cristo. Ao fazer isso, o apóstolo
colocou diante dos filipenses e diante de nós, hoje, um
padrão de vida a ser vivido e perseguido por cada cristão. O
objetivo deste estudo é exatamente este: realçar esse padrão
de vida como o exemplo que Cristo deixou para cada cristão
viver no seu cotidiano.
LIÇÕES DO TEXTO
Como é a vida segundo o exemplo de Cristo? Tomando
por base Filipenses 2.5 a 11, podemos dizer que é:
1. Uma vida voltada para o próximo

A vida de Jesus Cristo não foi voltada para si próprio.


No versículo 6, o apóstolo afirma um fato extraordinário:
Cristo não considerou a sua igualdade com Deus como algo
que deveria reter por puro egoísmo. Ele não pensou em si
mesmo; pensou tão somente nos outros. Jesus Cristo é o
modelo maior de uma pessoa altruísta. Em nenhum momento
de sua vida vamos vê-lo desviar-se desse santo propósito.
É natural que uma pessoa sem Jesus Cristo seja egoísta e
ambiciosa. Porém, dos cristãos espera-se outra atitude: a
atitude de pensar nos outros, e não em si apenas.
Nas Escrituras encontramos inúmeras instruções sobre a
maneira como devemos viver uns com os outros. Devemos
preferir-nos em honra uns aos outros (Rm 12.10); edificar-
nos uns aos outros (I Ts 5.11) e levar as cargas uns dos
outros (Gl 6.2).
A vida segundo o exemplo de Cristo leva-nos a pensar
nos outros, e não em nós mesmos. Jesus Cristo ensinou e
viveu exatamente isso (Mt 5.21-26; 38-48).
O apóstolo João chama a igreja a viver com coerência
quando diz: “aquele que diz que permanece nele, esse deve
também andar assim como ele andou.” (I Jo 2.6).
2. Uma vida de serviço

Nenhum cristão pode parecer com o Senhor Jesus Cristo


sem ser servo. O apóstolo, em sua exortação, diz que Jesus
Cristo “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de
servo...” (Fp 2.7). A vida do Senhor Jesus Cristo nos dá uma
grande lição quanto ao que significa ser servo. Ele vivenciou
e ensinou isso aos seus discípulos. A regra deixada por ele à
sua igreja é esta: “quem quiser tornar-se grande tem que ser
servo; quem quiser ser o primeiro tem que ser servo.” Jesus
estabeleceu essa norma porque foi a norma de sua própria
vida: “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser
servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por
muitos.” (Mc 10.43-45).
O apóstolo registra os degraus na humilhação de nosso
Senhor: (1) Ele esvaziou-se a si mesmo; (2) Assumiu a
figura humana. Adquiriu uma etnia, uma raça e passou a ser
figura historiável, tangível. Ele entrou na história humana;
(3) A si mesmo se humilhou; (4) Foi obediente até à morte e
morte de cruz. Sua vida assumiu o itinerário de servo.
Diuturnamente suas mãos permaneceram estendidas para
servir. Em momento algum, ele é infiel a esse princípio
norteador de sua vida e missão.
A vida segundo o exemplo de Cristo é uma vida de
serviço. A igreja cristã, a exemplo do Senhor Jesus, deve ser
uma comunidade de serviço. Esse é o aspecto diaconal da
igreja. Negligenciar esse aspecto é negar a essência da
própria fé cristã. Igreja que não é serva não é cristã. Se a
igreja não servir à comunidade maior onde está inserida, ela
pode “fechar suas portas”, pois não fará nenhuma falta.
Há muitas igrejas, mesmo num país desigual como o
nosso, que estão se tornando ricas e acomodadas. O que
significa crer em um Deus que veio ao mundo para servir e
que exige de nós essa mesma disposição? É preciso
responder a essa questão com sinceridade.
Até onde foi a atitude de servo do Senhor Jesus? Até à
morte. Ele sacrificou-se por amor aos homens (v.8). Até
onde deve ir o serviço da igreja no mundo? Até à morte. A
exemplo do seu Senhor, a igreja deve se sacrificar para
cumprir sua missão de serva. Servimos a Deus no serviço ao
nosso próximo. Essa é a vida segundo o exemplo de Cristo.
3. Uma vida que glorifica a Deus
Depois da descrição da humilhação de Cristo, numa vida
voltada para o próximo e dedicada integralmente ao serviço,
o apóstolo apresenta a exaltação do Senhor Jesus Cristo
(vv.9-11). Agora, ele tem o nome que está acima de todo
nome e, diante dele, todo joelho se dobrará e toda língua
confessará a grandeza de nosso Senhor “para a glória de
Deus Pai”. O objetivo final da vida de Jesus Cristo sempre
foi a glorificação de Deus.
A vida segundo o exemplo de Cristo é vida que glorifica
a Deus. Esse é um aspecto da vida cristã que não pode ser
negligenciado pela igreja. Toda a existência do cristão
precisa redundar na glória de Deus. Ensina Paulo aos
cristãos de Corinto: “Portanto, quer comais, quer bebais ou
façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de
Deus.” (I Co 10.31; veja também: Cl 3.17; I Pe 4.11).
Devemos fazer sempre esta reflexão: A vida da igreja
tem glorificado a Deus?
Uma vida de glorificação a Deus leva outras vidas a
fazerem o mesmo (Mt 5.16; I Pe 4.12). Esta é a grande
responsabilidade da igreja no mundo: viver a vida segundo o
exemplo de Cristo, levando outros à glorificação de Deus.
Sua vida tem sido assim? E a vida de sua igreja? Que tipo de
reação tem causado nas pessoas a vida de sua comunidade?
Que a nossa vida toda seja toda vivida segundo todo o
exemplo de Jesus Cristo!
06
Desenvolvendo a salvação
Filipenses 2.12 a 18
LEITURA DA SEMANA
SEG ​- João 6.22-49
TER ​- Atos 16.11-15
QUA ​- Atos 18.9-11
QUI ​- Romanos 1.8-15
SEX ​- Romanos 10.1-15
SAB ​- Efésios 1.3-14
DOM ​- II Tessalonicenses 2.13-17
A mensagem mais linda e necessária que a Bíblia
apresenta é a mensagem da salvação. É linda porque revela
o amor de Deus em favor de toda a criatura, ao enviar seu
Filho para morrer e ressuscitar. É necessária porque todos
pecaram e carecem da glória de Deus. Somente em Cristo
Jesus é possível alcançar a bênção da salvação.
A igreja precisa proclamar alto bom som essa
mensagem, pois, em sua caminhada não há nada mais
importante e urgente do que isso.
O foco central do texto básico deste estudo é
questionar e rebater a chamada “graça barata”, isto é, uma
vida cristã acomodada e relaxada, que não demanda
nenhuma responsabilidade. Em seu livro O Preço do
Discipulado, o teólogo alemão Dietrich Bonhöeffer afirma:
“A graça barata é o inimigo mortal da igreja.”
A ideia de Paulo é mostrar que, por Deus estar
operando a nosso favor, devemos nos envolver com
reconhecido empenho na direção a que o Senhor nos chama.
Isso não significa que a salvação seja pelas obras. A posição
de Paulo é reconhecida, no sentido de que as nossas obras
são inaceitáveis a Deus, se feitas com o fim de merecer a
justificação. O que o apóstolo pretende ensinar nesse texto é
que o nosso esforço deve corresponder à vocação a que
fomos chamados.
O desenvolvimento da salvação requer obediência. O
v. 12 começa com a expressão: “Assim, pois...” É uma
referência à obediência de Cristo, descrita em Filipenses 2.5
a 8. Paulo queria que os filipenses fossem fiéis ao Senhor,
mesmo em sua ausência. A obediência leva-nos a afirmar
que Jesus é não apenas o Salvador do crente, mas também o
seu Senhor. Paulo estava comprometido com essa mensagem,
ao ponto de afirmar que estava sendo “oferecido por
libação” (v.17). Libação era o derramar de um copo de
vinho como oferenda aos deuses. Sua vida e a dos filipenses
teriam esse caráter sacrificial, de fidelidade e serviço ao
Senhor. Ele considerava isso um privilégio e motivo de
alegria (v.18).
Vejamos o que o texto ensina sobre o
desenvolvimento da salvação na vida do crente.
LIÇÕES DO TEXTO
1. A salvação é obra do Deus Soberano
O versículo 13 diz que “Deus é quem efetua em vós
tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.
Realmente, é Deus quem opera no ser humano para a
salvação. É em virtude do poder e da graça de Deus que a
salvação se efetiva. Essa obra, idealizada na eternidade, se
manifesta a partir da ação regeneradora do Espírito Santo,
que conduz ao arrependimento e produz a conversão (Ef 1.4;
I Co 12.13; I Jo 4.19).
Durante a nossa permanência neste mundo, o
processo da salvação está atrelado à experiência da
santificação, que é também uma obra espiritual levada a
cabo pelo Espírito Santo: “Porquanto a graça de Deus se
manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para
que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas,
vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, ​
aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória
do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, ​o qual a si
mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade
e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu,
zeloso de boas obras.” (Tt 2.11-14). É somente em virtude
da ação do Espírito Santo que podemos superar o mal e ver
o desenvolvimento da nossa salvação (Rm 8.1-11). Na carta
aos Gálatas, Paulo fala sobre o nosso esforço na cooperação
com o Espírito: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais
satisfareis à concupiscência da carne. ​Porque a carne milita
contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são
opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja
do vosso querer.” (Gl 5.16,17).
É importante ressaltar, ainda, que, segundo o ensino
bíblico, a nossa salvação é coroada com a experiência da
glorificação. No dia final, os salvos serão glorificados e
assim permanecerão por toda a eternidade. É como afirma
Paulo: “​E aos que predestinou, a esses também chamou; e
aos que chamou, a esses também justificou; e aos que
justificou, a esses também glorificou.” (Rm 8.30).
Deus é soberano em todas as coisas e, em especial,
na obra da salvação. Entretanto, os eleitos do Senhor são
chamados e habilitados a desenvolver a sua salvação, como
resposta à vocação dada por Deus.
2. A salvação tem evidências inconfundíveis

O desenvolvimento da salvação é perceptível na vida


do cristão. Eis algumas dessas evidências:

O compromisso com a salvação – O salvo


demonstra ter um compromisso com a sua salvação. O
“desenvolvimento da salvação” se torna evidente. A
vida cristã é dinâmica e progressiva, e não uma
experiência de estagnação. Aqueles que são salvos,
são, ao mesmo tempo, “feitos feitura dele, criados em
Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão
preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2.10);
A demonstração de temor e tremor – A
salvação é desenvolvida “com temor e tremor”. Não se
trata do medo que os escravos tinham de seus senhores
ou os pagãos de seus deuses implacáveis. O “temor e
tremor” referidos pelo apóstolo apontam para a atitude
de reverência e consideração, que nos move a fazer
tudo segundo a vontade do Senhor para agradá-lo e
receber a sua aprovação. É o zelo motivado pelo amor
a um Deus santo;
O espírito de serenidade e segurança – No
versículo 14, Paulo recomenda: “Fazei tudo sem
murmurações nem contendas.” A palavra “murmuração”
está liga à rebelião e infidelidade dos filhos de Israel,
quando de sua peregrinação pelo deserto (Êx 15.24;
16.2; Nm 16.41). A murmuração é uma expressão de
carnalidade, pois demonstra desconfiança, insubmissão
e rebeldia. Tais atitudes são incompatíveis com a
experiência daqueles que têm consciência de sua
salvação e estão, de fato, determinados a viverem como
salvos. O cristão desenvolve sua salvação com alegria
e responsabilidade, conduzindo-se diligentemente, sem
contendas e murmuração;
O compromisso com a santificação – Diz
assim o versículo 15: “...para que vos torneis
irrepreensíveis, sinceros e filhos de Deus
inculpáveis...” A vida cristã se desenvolve no caminho
da santificação. O objetivo do cristão é manter esse
padrão de vida, não apenas capaz de calar os ímpios,
mas coerente com a sua filiação divina. É por isso que
Pedro recomenda: “Amados, exorto-vos, como
peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das
paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, ​
mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos
gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros
como de malfeitores, observando-vos em vossas boas
obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação.” (I Pe
2.11,12);
O esforço missionário – Paulo termina
falando sobre a responsabilidade do cristão neste
mundo: “...no meio de uma geração pervertida e
corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no
mundo...” (v.15). O cristão é aquele que oferece a este
mundo que vive na escuridão do pecado, a luz do
evangelho de Cristo. Sua responsabilidade missionária
é cumprida por meio do testemunho cristão
(proclamação e obras), como desafia o Senhor Jesus,
ao dizer: “vós sois a luz do mundo” (Mt 5.14-16).

O desenvolvimento da salvação passa por tudo isso


que foi brevemente exposto neste estudo. Deve-se ressaltar
que a salvação não é uma experiência estática, mas
dinâmica. É uma iniciativa divina, mas que não isenta o
homem de suas responsabilidades.
Finalizando, vale a pena citar as palavras do Dr.
Russel Shedd, as quais praticamente resumem o ensino
central deste estudo: “Não há lugar na vida cristã para a
apatia do sacramentalista que acha que, uma vez batizado,
nada mais precisa fazer, senão aguardar o céu enquanto faz o
que bem entende.”
Não nos enganemos! Desenvolvamos a nossa
salvação com temor e tremor!
07
Servos consagrados
Filipenses 2.19 a 30
LEITURA DA SEMANA
SEG ​-Romanos 16
TER ​-Lucas 22.24-30
QUA ​-I Timóteo 5.17-25
QUI ​-II Timóteo 1.1-14
SEX ​-II Timóteo 3.10-17
SAB ​-Filipenses 1
DOM ​-Filipenses 2.1-18
​Verifica-se, no texto base deste estudo, a preocupação
paulina com as necessidades humanas. Paulo não apenas
falou de forma a doutrinar a igreja, mas sempre demonstrou
sensibilidade para com as necessidades dos fiéis. Ele se nos
apresenta aqui como um administrador solícito, dirigindo de
forma sábia e generosa os assuntos espirituais da igreja,
mesmo encarcerado. Para atender às necessidades humanas,
o apóstolo contou com servos consagrados, como Timóteo e
Epafrodito.
Timóteo, cujo nome aparece 24 vezes no Novo
Testamento, é considerado o maior de todos os
colaboradores. Paulo esperava mandar Timóteo aos
filipenses para levar e trazer notícias (v.19). O nome
“Timoteo” significa, na língua grega, “quem honra a Deus”
ou “alguém honrado por Deus”. Ele era filho espiritual de
Paulo (1.2), chamado de “amado filho” (II Tm 1.2 e I Co
4.17) e “aquele que serviu ao evangelho, junto comigo, como
filho e pai” (2.22). Desde a infância, foi um estudioso e
conhecedor da Palavra de Deus (II Tm 1.5 e 3.15). Havia
uma ligação muito estreita entre o apóstolo e Timóteo. Eles
eram verdadeiros irmãos, amigos e cooperadores.
Epafrodito, segundo notas da Bíblia de Estudo de
Genebra, “era companheiro de trabalho de Paulo, e assim
como Timóteo, era digno de honra e pessoa dedicada às
outras (Fp 4.18). Ele obedece a Cristo, apresentando-se
como servo para outros crentes, sejam os filipenses ou
Paulo, porque arrisca a sua própria vida. Era pessoa
extremamente preocupada com as outras, a ponto de ficar
angustiado com o efeito sobre os filipenses da notícia de sua
enfermidade (v.26).” É somente nesse texto que há referência
a Epafrodito. Sendo assim, pouco se sabe a seu respeito. É
considerado “irmão”, “cooperador”, “companheiro de lutas”
e “mensageiro” de Paulo (v.25). Seu nome significa
“amável” ou “digno de ser amado”. No versículo 27 há
referência a uma doença mortal que o acometeu. Segundo o
comentarista Russell P. Shedd, “no primeiro século, o perigo
de germens e micróbios, de febres provocadas pelas águas
poluídas, alimentos perigosos... era constante. Viajar
significava inevitavelmente enfrentar o perigo de doenças
como tifo, tifóide, cólera, malária e muitas outras doenças,
sem qualquer tratamento eficaz.” (Alegrai-vos no Senhor,
Vida Nova, p.78).
Para o comentarista William Barclay, essa
enfermidade teria sido a conhecida febre romana, que às
vezes varria a cidade e região.
​À luz do texto em foco, é possível verificar algumas
qualidades dos servos consagrados:
LIÇOES DO TEXTO
1. Servos consagrados são sensíveis

Paulo demonstra, de forma bem visível nesse trecho


bíblico, sua sensibilidade ante as necessidades humanas, tais
como: amizade, gratidão, afeto, auxilio mútuo, problemas
pessoais e boa acolhida.
Epafrodito é descrito no texto como um auxiliar nas
necessidades de Paulo (v.25). Ele faz justiça ao significado
de seu nome, pois era pessoa extremamente amável e amada.
Sua enfermidade trouxe tristeza aos filipenses e a Paulo, mas
Deus mudou o quadro e fez com que ele estivesse com
ambos, a fim de que a alegria fosse completa. Todos
sentiram a enfermidade de Epafrodito, o que atesta a
sensibilidade cristã. Além disso, Paulo dá outra prova de
sua sensibilidade, ao oferecer todo apoio a Epafrodito
quando do seu regresso a Filipos. Ele enaltece suas
qualidades e mostra que ele é pessoa digna de ser bem
recebida.
Para o comentarista W. Hendriksen, Paulo revelou,
de forma tríplice, sua profunda sensibilidade ao enviar de
volta Epafrodito:
a) Satisfez o desejo de Epafrodito que ansiava voltar
para seus irmãos em Filipos;
b) Alegrou os corações dos filipenses;
c) Regozijou-se, ele mesmo (Paulo), com a alegria deles
(Epafrodito e os filipenses).
Assim sendo, é possível afirmar que Paulo era um
verdadeiro cristão em suas atitudes para com os outros; e
jamais esteve perdido ou imerso em suas próprias
adversidades a ponto de não poder pensar em seus amigos.
Esses servos consagrados ensinam que o cristão é
aquele que não vive para si mesmo, mas para os outros (II
Co 5.14,15). De acordo com o Dr. Russel P. Shedd, “muitas
vidas assemelham-se mais a uma torneira fechada do que a
um canal entre Deus e a humanidade sedenta. A vida cristã é
derramada para beneficiar aos outros. Como canal ou
aqueduto, a vida do homem de Deus conduz graça divina ao
coração humano.”
2. Servos consagrados têm caráter

No versículo 22, há referência ao caráter de


Timóteo: “E conheceis o seu caráter provado, pois serviu ao
evangelho, junto comigo, como filho ao pai.” Para Paulo,
Timóteo era um servo consagrado porque tinha qualidade
provada, testada e aprovada. A palavra grega aqui utilizada
(dokimen) comunica a ideia de confiança. Era uma
referência às moedas, pois, pelo ruído emitido, podia-se ter
a certeza se a moeda era composta de chumbo ou prata.
Assim, ela era aprovada ou não.
Timóteo recebeu a aprovação pela maneira como
serviu ao evangelho, ao se tornar um servo dedicado e leal.
Segundo Hendriksen, Timóteo não era um novato; era jovem,
certamente. Devia ter entre 35 a 40 anos de idade, mas não
era inexperiente na obra.
Na realidade, não era fácil encontrar um
companheiro numa hora de emoção e desafios; mas Paulo
achou em Timóteo um servo capaz e de caráter aprovado.
3. Servos consagrados são disponíveis

É fato que Timóteo estava sempre pronto a ir onde


Paulo o enviava. Ele foi enviado a Tessalônica (I Ts 3.6), a
Corinto (I Co 4.17) e a Filipos (Fp 2.19). Ele era de suma
utilidade porque podia ser enviado a qualquer lugar e
sempre estava disposto a ir. Era um autêntico cooperador
(Rm 16.21). Nas mãos dele, a mensagem estava tão segura
como se o próprio Paulo a levasse. Seu desejo era o de
servir a Paulo e servir a Cristo em sua igreja. Para W.
Barclay “Timóteo é o patrono de todos aqueles que se
sentem muito satisfeitos em ocupar o segundo lugar, estando
sempre disponíveis para servir.”
Infelizmente, há muitos que vivem de modo
ambicioso e egoísta, buscando somente os seus próprios
interesses. Porém, tanto Timóteo quanto Paulo e Epafrodito
são exemplos de servos disponíveis para cooperar no
serviço cristão, de modo humilde, arriscado e
altruísta.
4. Servos consagrados são corajosos

Epafrodito é um exemplo de servo corajoso. O texto


informa que ele arriscou a própria vida para dar assistência
a Paulo (v.30). Ele revelou sua valentia ao servir a um
homem acusado e que estava debaixo de uma pena capital.
Certamente, corria o risco de ser envolvido em uma mesma
acusação. Ao mesmo tempo, correu o risco de ao voltar a
Filipos e ser acusado de desertor e covarde. Porém, Paulo o
elogiou e enalteceu sua coragem, pois se revelou um servo
afetuoso, trabalhador e corajoso diante dos perigos. Na
realidade, Epafrodito se manteve na linha de fogo de modo
corajoso.
Foram muitos os que corajosamente arriscaram suas
vidas por amor a Cristo e sua igreja. Por exemplo, Paulo cita
Priscila e Áquila, seus cooperadores em Cristo, que
arriscaram as suas próprias cabeças em favor do apóstolo
(Rm 16.3,4). O próprio Timóteo veio a ser preso por causa
de Cristo (Hb 13.23).
A igreja, hoje, precisa de servos consagrados, a
exemplo de Paulo, Timóteo e Epafrodito. Esses homens
superaram os próprios interesses para, corajosamente,
buscar os que eram de Cristo e cuidar de sua igreja. Eram
homens de caráter aprovado, servos consagrados.
Homens e mulheres assim são fundamentais na obra
do Senhor. Em sua igreja há pessoas que podem ser
qualificadas como “servos consagrados”? Você tem se
esforçado para ser um deles?
08
Combatendo os falsos mestres
Filipenses 3.1 a 11
LEITURA DA SEMANA
SEG ​-I Coríntios 1.18-31
TER ​-II Coríntios 10.1-12
QUA ​-II Timóteo 2.14-26
QUI ​-II Timóteo 3.1-13
SEX ​-Hebreus 5.11-14
SAB ​-Hebreus 7.20-28
DOM ​-Hebreus 9.11-28
Somos conscientes da importância de haver
diversidade na comunidade cristã, ou opiniões divergentes.
Precisamos aprender a conviver com as diferenças existentes
no corpo de Cristo. No entanto, em cada época, a
humanidade é atingida por pregadores interesseiros que
tentam questionar a mensagem evangélica, promovendo o
espírito faccioso e provocando divisões. Quando a igreja
corre riscos, não há outra forma de tratar a questão, a não ser
exterminar o mal, cortando-o pela raiz. Assim é que o
apóstolo Paulo nos ensina a lidar com os falsos mestres que
corrompem a sã doutrina.
Na parte final de sua carta, o apóstolo faz algumas
exortações aos cristãos de Filipos. A partir do capítulo 3,
muda o tom da linguagem, passando de expressões
carinhosas para termos mais vigorosos, visando alertar os
filipenses. Comentaristas como Gerhard Barth, indicam que
há aqui uma “carta polêmica”, pois, desde a sua introdução,
essa carta está “completamente condicionada pela
polêmica”. As atenções do apóstolo se voltam para os falsos
mestres que tentam se infiltrar na comunidade com estranhas
doutrinas. Eles são alvo de pesadas acusações:
a) São acusados de “cães” – um apelido que os judeus
usavam para insultar os pagãos. Aqui, Paulo devolve o
insulto aos judeus. Conforme o comenta W. Hendriksen,
o apóstolo “não está se referindo a animaizinhos de
estimação, mas a animais sem dono, grandes, selvagens
e feios. Eles estão em toda a parte, vagando de lixo em
lixo e fuçando as imundícias das ruas”;
b) São identificados como “mutiladores” – exigiam a
prática do rito da circuncisão como condição para a
salvação; portanto, uma “falsa circuncisão”;
c) São chamados de “maus obreiros” – eram
pregadores que ensinavam que a salvação dependia da
observância da antiga Lei, principalmente a prática da
circuncisão.
Passados tantos séculos, pergunta-se: esse problema
antigo já foi resolvido? Certamente, não! As recomendações
do apóstolo são por demais pertinentes aos nossos tempos. E
as lições do texto podem nos auxiliar a enfrentar aqueles
que, ainda hoje, nos assediam com suas propostas
interesseiras e heréticas.
LIÇÕES DO TEXTO
A partir do texto bíblico, é possível aprender a lidar com
os falsos mestres, adotando-se as seguintes estratégias:
1. É preciso estar atento às artimanhas dos falsos
mestres

“Cuidado... cuidado... cuidado!” (v.2). Por três vezes


seguidas, Paulo adverte os cristãos quanto ao perigo que
rodeia a igreja. Lobos vorazes sempre atacaram o rebanho,
tentando confundir os cristãos. Uma das principais
artimanhas do inimigo é volver ao passado. Geralmente, os
pregadores desse tipo de heresia recorrem a uma doutrina
que possui fundamentação bíblica, mas a aplicam fora do
contexto histórico.
De forma sutil e maldosa, os falsos mestres tentavam
confundir os cristãos, agregando uma prática antiga e
bíblica, a circuncisão, à experiência da salvação. Paulo os
desmascara, chamando-os de “cães”. O Dr. Weingärtner faz a
seguinte observação: “a frase incisiva choca pela dureza”; e
acrescenta: “Eles não são pregadores de Cristo, são
facínoras, que com sua insistência no ‘cortar’ realmente
cortam a unidade, destroem a comunidade.” (Filipenses,
Missão Editora/Encontrão, p.74).
Para Paulo, esses inimigos de Cristo são falsificadores
do evangelho e não devem permanecer no âmbito da igreja
(Gl 5.11,12). Ainda hoje há falsos pregadores que utilizam
as mesmas artimanhas de outros tempos, vinculando a
salvação a outras práticas. Ensinam que a salvação depende
da observância de leis, da abstinência de determinados
alimentos ou bebidas, de usos e costumes, prática de boas
obras, batismo, etc. Mesmo que muitos desses itens devam
integrar a nossa prática cristã, contudo, nada disso pode
assegurar vida eterna. Só Cristo salva!
2. É preciso enfatizar o plano único da salvação
em Cristo

Para combater os falsos mestres, o apóstolo recorre às


suas tradições religiosas, pois, como comenta o biblista José
Comblin, nesse texto “o que está em jogo é o próprio
significado do Cristianismo.” (Epístola aos Filipenses,
Imprensa Metodista/Sinodal/Vozes, p.49).
A origem religiosa de Paulo (vv.4-6) conferia-lhe
grandes vantagens. Ele era um judeu circuncidado, hebreu,
da ancestralidade da tribo de Benjamim, seguidor e
cumpridor rigoroso da lei, fariseu e, anteriormente,
perseguidor da igreja. Porém, ele se dispôs a romper com
tudo e com todos por amor a Cristo e ao evangelho. Ele
declara: “no passado, todas essas coisas valiam muito para
mim; mas, agora por causa de Cristo, considero que não têm
nenhum valor... eu joguei tudo fora como se fosse lixo, a fim
de poder ganhar a Cristo.” (Fp 3.7,9 - BLH).
Na verdade, mesmo que seja algo elementar à fé cristã,
sempre vale a pena conhecer melhor a pessoa e a obra de
Cristo, o caminho único para a salvação. Ao longo dos
tempos, esse tema retorna à pauta de discussões da igreja.
Isso se deu no período apostólico, nos primeiros séculos da
era cristã e por ocasião da reforma religiosa que originou o
protestantismo.
A Bíblia ensina que a salvação é de graça, “mediante a
fé; isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para
que ninguém se glorie.” (Ef 2.8,9). O passaporte para a
salvação é somente Cristo! Não há outro caminho nem outras
alternativas (Jo 14.6; At 4.12).
Nas palavras de José Comblin, “ser cristão é adotar
um modo de viver que Paulo procura explicar. Ser cristão
não é possuir tais e quais qualidades, não é fazer tal ou qual
coisa, não é ser de tal jeito determinado. Ser cristão é não
contar consigo mesmo, não dar valor nem ao que a gente é,
nem ao que a gente tem, e sim, dar valor unicamente ao que
vem de Deus. O que vale não é o que a gente conseguiu ser
ou ter, e sim viver sempre na espera e na dependência de
Deus.” (op. cit., p.49).
3. É preciso preparar-se devidamente para o
combate

Quando se percebe que influências malignas estão


tumultuando a vida cristã e ameaçando a igreja, é imperativo
rever o passado para as necessárias correções, avaliar o
presente para consolidar a fé e olhar para o futuro com uma
esperança inabalável. Para melhor compreensão desses
aspectos, a Bíblia Vida Nova sugere posturas quanto ao
passado, o presente e o futuro, a saber:
Renúncia ao passado (vv.4-7) – Primeiramente,
ensina o texto quanto à importância de se romper
com o passado; abandonar a velha vida, os
antigos hábitos, as práticas dos tempos sem Deus
(At 17.30). A vida com Deus impõe rupturas com
as antigas práticas;
Viver bem o presente (vv.8-10) – Conhecer
melhor a Cristo e reconhecer o único sacrifício
capaz de garantir a salvação eterna é condição
indispensável para se viver bem o presente. O
estudo da Bíblia, a participação em uma
comunidade cristã comprometida com a Palavra,
a vida de obediência e testemunho, etc., são
preciosos recursos para se enfrentar os dardos
inflamados do maligno. Devemos, segundo o
texto, permanecer unidos a Cristo!
Uma esperança para o futuro (v.10 e 11) – ​
“...para o conhecer, e o poder da sua ressurreição,
e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-
me com ele na sua morte; ​para, de algum modo,
alcançar a ressurreição dentre os mortos.”
Tomando por base o poder da ressurreição de
Cristo, a mensagem paulina assegura também a
nossa ressurreição. São muitas as referências
bíblicas sobre o tema, das quais, destacam-se: I
Coríntios 15.50-58; I Tessalonicenses 3.11-13; II
Timóteo 1.12; 4.7,8; Tito 2.13,14.
Estando bem firmados em Cristo e na sua palavra,
haveremos de combater o bom combate, prevalecendo contra
os falsos mestres. Em Cristo somos mais que vencedores!
09
A Caminhada Cristã
Filipenses 3.12 a 16
LEITURA DA SEMANA
SEG ​-Êxodo 14.15-25
TER ​-Josué 1.1-9
QUA ​-Lucas 9.57-62
QUI ​-I Coríntios 9.19-27
SEX ​-II Timóteo 2.1-13
SAB ​-II Timóteo 4.6-8
DOM ​-Hebreus 12.1-3
Uma terrível tentação à vida cristã é a ociosidade.
Hoje, infelizmente, muitos crentes no Senhor Jesus Cristo
têm caído nessa armadilha. São crentes que não querem nada
com nada e vivem de forma apática, totalmente
desinteressados. Estes vivem felizes com a salvação
recebida e dão pouco valor às atividades da igreja. A igreja
de Laodiceia caiu nessa tentação. Aqueles crentes diziam:
“Somos ricos, estamos muito bem e temos tudo o que
precisamos.” (Ap 3.17, BLH). Essa é uma triste realidade
que ameaça constantemente o povo de Deus.
Os primeiros cristãos foram chamados “os do
Caminho” (At 9.2). A igreja cristã é povo que caminha.
Somos “do caminho” e estamos numa caminhada. A vida do
cristão não é estática, pelo contrário, é dinâmica e ativa. Ela
é comparada a uma carreira que precisa ser completada (II
Tm 4.7; Hb 12.1). Paulo compara a vida cristã também a
uma corrida. Ele próprio se via participando dessa corrida.
Hendriksen comenta que Paulo “dá a entender que a
igreja de Filipos está sendo perturbada por pessoas que
imaginam terem alcançado a perfeição.” Paulo não aceita
essa ideia, mostrando que a sua própria experiência revela o
contrário. Sua postura era de prosseguir a caminhada rumo
ao seu objetivo (vv.12,13). Seu empenho e sua determinação
revelam-se na linguagem atlética empregada. Sua
concentração é a de um atleta numa corrida. Ele prossegue
para o alvo que é o próprio Senhor Jesus Cristo.
O prêmio descrito no versículo 14 pode ser
entendido como o galardão. Na corrida terrena, o prêmio é
perecível; já na caminhada cristã, o prêmio não pode ser
destruído (I Co 9.25). Na corrida terrena, só um será o
vencedor (I Co 9.24); já na carreira cristã, serão vencedores
todos os que amam a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo (II
Tm 4.8).
Nunca seremos perfeitos nesta vida; jamais
alcançaremos a perfeição através de uma austera
observância da Lei. Contudo, em Cristo, temos disposição
para o esforço rumo a esse alvo.
LIÇÕES DO TEXTO
Na caminhada cristã é essencial dar alguns passos.
Vamos a eles:
1. A consciência de que somos imperfeitos
O primeiro passo na caminhada cristã é o
reconhecimento de que não somos perfeitos (vv.12,13). A
que se refere o apóstolo quando diz não ter alcançado? Não
alcançou o quê? O reformador João Calvino, comentando
esse texto, diz: “Ele havia dito que desejava e ansiosamente
se esforçava para chegar à ressurreição dos mortos através
da comunhão na cruz de Cristo. Acrescenta que ainda não
chegou a isso. A quê? A ter inteira comunhão nos sofrimentos
de Cristo, a ponto de ter um completo gosto do poder de sua
ressurreição e de conhecê-lo de um modo perfeito. Ensina,
portanto, com seu próprio exemplo, que devemos progredir e
que o conhecimento de Cristo é tão difícil, que mesmo
aqueles que se esforçam somente para obtê-lo não são
perfeitos enquanto estão vivos.”
Quando nos sentimos absolutamente perfeitos na
caminhada cristã, acontece uma estagnação, a qual pode ser
fatal. A igreja de Laodiceia chegou a esse ponto. Achava que
não precisava de mais nada. Contudo, estava causando
náuseas ao Senhor da igreja (Ap 3.14-17).
É preciso entender que, na caminhada cristã, não há
limite para o aprendizado e o aperfeiçoamento. Quando
entendemos que não somos perfeitos, estamos dando um
passo largo e firme na caminhada cristã.
O pastor Warren W. Wiersbe comenta esse texto,
dizendo: “Uma insatisfação santificada é o primeiro
elemento essencial para avançar na vida cristã.”
Conta-se que o professor Herculano Gouvêa Júnior,
quando deixou a cadeira de Homilética da Faculdade de
Teologia, disse: “Deixo de ensinar, de aprender jamais.” A
caminhada cristã começa com esse importante passo.
2. O reconhecimento de que o passado é passado

O apóstolo orienta a igreja de Filipos para a


caminhada cristã, a partir de sua própria experiência de
vida. Ele assumiu uma atitude correta quanto ao passado:
“esquecendo-me das coisas que para trás ficam...” (v.13).
Esse é um texto em que Paulo usa uma linguagem comum da
vida de alguém que pratica o atletismo. Um atleta não pode
ficar olhando para trás enquanto corre, pois a corrida ficará
prejudicada.
Na caminhada cristã também não podemos ficar só
olhando o passado. A caminhada é dinâmica e exige uma
postura de avanço. Nosso Senhor Jesus desafiou àqueles que
queriam segui-lo, com esta preciosa orientação e
advertência: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado,
olha para trás, é apto para o reino de Deus.” (Lc 9.62). Olhar
para trás é sinônimo de estagnação, de paralisação, de falta
de fé. A propósito, adverte-nos o Senhor: “Lembrai-vos da
mulher de Ló” (Gn 19.26; Lc 17.32). A caminhada cristã
impõe algo novo na vida (II Co 5.17).
Há pessoas que não conseguem dormir direito porque
ficam atormentadas com as lembranças negativas do
passado. É preciso libertar-se do passado e avançar na
caminhada cristã. Não podemos permitir que o passado
determine nosso futuro. Um bom exemplo é o uso do
retrovisor de um automóvel: ele nos auxilia a olhar para trás,
mas sem deixarmos de olhar para frente e prosseguir.
Na igreja cristã, há muita gente doente
espiritualmente porque não perdoa e nem esquece o que
aconteceu no passado. Na caminhada cristã é essencial dar
este segundo passo: esquecer as coisas que para trás ficam.
3. A convicção de que prosseguir é preciso

Paulo não só tinha uma postura correta quanto ao


passado (v.13), mas, também, uma atitude correta quanto ao
presente. Diz ele: “... prossigo para o alvo” (v.14). O grande
apóstolo tinha convicção de que a sua caminhada cristã
ainda estava incompleta. Era preciso prosseguir. A meta
ainda não fora alcançada. Ele não estava conformado com o
que já tinha alcançado. Sua disposição era seguir adiante.
A caminhada cristã não é estática. Ela tem um caráter
peregrino e progressivo (I Pe 2.11). A igreja cristã tem um
chamado à caminhada. É necessário prosseguir, rumo “ao
prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”
(v.14). O comodismo pode ser a grande tentação sobre a
vida da igreja. Uma igreja estagnada e conformada recebe a
severa repreensão do Senhor (Ap 3.14-22).
Quando o povo de Israel se viu entre o mar e os
egípcios, Moisés clamou ao Senhor; e a resposta foi clara:
“Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que
marchem.” (Êx 14.15).
A igreja é a comunidade do caminho. É o povo de
Deus em marcha. É preciso caminhar rumo ao alvo. Ela não
pode acovardar-se diante das circunstâncias e das
dificuldades. É preciso caminhar como Cristo caminhou
rumo à cruz.
O ensino do apóstolo deve estar bem vívido na
memória da igreja. Prossigamos para o alvo! Para isso, é
preciso andar de acordo com o que já alcançamos (v.16). O
próprio Senhor norteia a nossa caminhada por meio de sua
santa Palavra.
Andar de acordo com o que já alcançamos é andar de
acordo com a Escritura, de acordo com o padrão que ela
mesma estabelece. A Bíblia registra a caminhada de pessoas
que começaram com muito êxito, porém não foram bem até o
fim, pois transgredirem as normas divinas. Isso pode ser
observado no registro das caminhadas dos seguintes servos
de Deus: Ló (Gn 19), Sansão (Jz 16), Saul (I Sm 28.31),
Ananias e Safira (At 5), Demas (II Tm 4.10), entre outros.
Na caminhada cristã é preciso ser firme e alcançar
progresso a cada dia. Infelizmente, inúmeras igrejas têm-se
desvirtuado por meio de práticas estranhas. Tem faltado
consistência e principalmente coerência com a Palavra de
Deus. Para Paulo, a igreja deve guiar sua caminhada de
acordo com aquilo que ela já sabe que é a verdade para, a
partir daí, progredir cada vez mais.
Prossigamos a caminhada de acordo com o que já
alcançamos!
10
A firme esperança do cristão
Filipenses 3.17 – 4.1
LEITURA DA SEMANA
SEG ​-João 14.1-15
TER ​-I Coríntios 15.1-19
QUA ​-I Coríntios 15.20-34
QUI ​-I Coríntios 15.35-49
SEX ​-I Coríntios 15.50-59
SAB ​-I Tessalonicenses 4.13-18
DOM ​-Apocalipse 21.1-8
Olhando a sociedade na qual estamos inseridos,
somos forçados a acreditar que o tempo em que vivemos é
de grande incerteza e insegurança. Por experiência própria,
cada um de nós conhece inúmeros exemplos que confirmam
a realidade de que vivemos tempos difíceis. E, mesmo
assim, diante desse cenário difícil, será que ainda é possível
manter a esperança?
Para o cristão, a esperança é um princípio que jamais
pode ser renunciado (I Co 13.13).
O texto que está sendo enfocado neste estudo
apresenta a orientação de Paulo aos cristãos de Filipos, no
sentido de que não deveriam se deixar levar pelos maus
exemplos daqueles que, embora se dizendo irmãos, eram
inimigos da cruz de Cristo. Esses só enxergavam o aqui e o
agora; não tinham esperança quanto à vida futura com Cristo,
no céu; e não tinham também uma concepção correta da
ressurreição do corpo. Para eles, o que importava era comer,
beber e se divertir. Viviam sem se preocupar com a
eternidade. Paulo mostra que a vida vai muito além disso e
enfatiza a necessidade de se permanecer firme na esperança
cristã.
LIÇÕES DO TEXTO
Sobre a firme esperança do cristão há três ideias
centrais no texto básico, as quais devem ser consideradas, a
fim de procurarmos nos ajustar dentro delas:
1. O caminho da cruz

Na sequência de seu pensamento, o apóstolo faz uma


advertência quanto à necessidade que o cristão tem de seguir
apenas os exemplos positivos de vida cristã, esforçando-se
ao máximo para não se deixar levar pelos exemplos
negativos. Nesse sentido, ele se coloca como um referencial
a ser seguido, estando plenamente certo de que estava
procurando viver de forma digna diante de Deus, tendo um
comportamento agradável na presença do Senhor (vv.17-19).
Comentando esse texto, F. F. Bruce, em o Novo
Comentário Bíblico Contemporâneo, (p.137), diz: “Se os
preceitos de Paulo não são suficientemente claros, que se
siga seu exemplo. Imitação de Paulo é tema notável e
frequente nas epístolas paulinas. (...) Um homem como Paulo
assumir esta atitude significava que ele precisava ser
excepcionalmente cuidadoso na conduta, de modo que seu
exemplo não fosse uma pedra de tropeço espiritual para
outros, ou até mesmo induzi-los ao pecado, ainda que sem
essa intenção. (ver I Co 10.32 - 11.1). (...) Não é que Paulo
desejasse estabelecer sua própria vida como um padrão
ético; ele apresentava a Cristo como o padrão absoluto, tanto
no ensino como na ação.”
Paulo não se limitou a falar de seu exemplo pessoal;
ele encorajou os cristãos a que observassem outros servos
de Deus que manifestavam um padrão de vida cristã digno de
ser imitado, tais como Epafrodito e Timóteo.
O que se observa, muitas vezes, é que os exemplos
negativos são muito mais fáceis de serem imitados. Nos
versículos 18 e 19, é possível que Paulo esteja se referindo
aos judaizantes (judeus convertidos ao cristianismo), sobre
quem já havia falado no início do capítulo. No entanto,
mesmo que não seja o mesmo grupo, fato é que a conduta
daqueles indivíduos era maléfica, conduzindo à destruição e
à morte. Eles não se mostravam dispostos a seguir o caminho
da cruz, sendo inclusive considerados inimigos da cruz de
Cristo. Eles só pensavam em comer, beber e gozar a vida,
sem qualquer moderação, sendo materialistas e vivendo
apenas para satisfazer as paixões da carne. Por isso, os que
andam de forma incoerente com o padrão de vida cristã
ensinado pelo apóstolo, são chamados de “inimigos da cruz
de Cristo”. Esses agem de forma a destruir e desmoralizar a
mensagem da cruz.
A exortação paulina é para que evitemos tais
exemplos. Infelizmente, entre os cristãos, há muitos
exemplos negativos, os quais se enquadram perfeitamente no
descrito pelo apóstolo. O crente é incentivado a se afastar e
a não se deixar macular por tais formas de agir.
A firme esperança cristã, que passa necessariamente
pelo caminho da cruz, conduz à compreensão de outra
sublime realidade:
2. A comunidade celestial

Nos versículos 20 e 21, Paulo ensina que a nossa


cidadania se encontra nos céus. Possivelmente, as palavras
do apóstolo não tiveram boa repercussão na comunidade
pagã, pois isso era uma afronta ao imperador romano. O
imperador era tido como “Senhor” de um estado ao qual
todos os súditos deveriam reverenciar e jurar lealdade.
Portanto, afirmar ser cidadão de outra pátria era um
desrespeito, uma grande ofensa às autoridades constituídas.
Porém, o que Paulo está dizendo é que estamos vivendo na
terra, mas nossos direitos de cidadãos, nossa lealdade e
valores estão nos céus, onde Cristo, o verdadeiro Senhor
está e de onde virá. Isso quer dizer que essa cidadania não é
um direito adquirido com esforços próprios, mas é
assegurada por meio de Jesus. Precisamos de Jesus para que
sejamos cidadãos dessa pátria celestial.
Os cristãos sabem que precisam desenvolver sua
missão com fidelidade e responsabilidade para que o reino
de Deus venha sobre a terra, como Jesus ensinou na oração
do Pai Nosso. No entanto, por outro lado, eles sabem que a
sua terra é o céu, tendo a Cristo como referencial. A ele
devemos procurar imitar no dia a dia da caminhada cristã.
São oportunas as palavras do já citado F. F. Bruce:
“Portanto, aqui, se a pátria deles está nos céus, a conduta
deles também deveria ser compatível com essa cidadania.”
Hoje somos uma comunidade cristã de irmãos e
irmãs espalhados por todo o mundo, formando um só corpo.
A firme esperança do cristão aponta para o futuro, na
convicção plena e inegociável de que os remidos estarão
formando uma comunidade celestial; no entanto, sem deixar
de perceber que há espaço para que o padrão divino se
manifeste no presente.
3. A gloriosa ressurreição

Paulo descreve a vinda do Salvador Jesus, que virá e


transformará nosso corpo de forma que esteja em
conformidade com o seu corpo de glória (v.21). Essa
transformação do corpo, que é obra exclusiva de Deus,
revela que não podemos alcançar a perfeição por esforço
próprio, pois não há em nós nada inerente que possa
justificar essa capacidade para a perfeição. Em outras
palavras, Paulo está mostrando que o nosso corpo encontra-
se num estado de humilhação, pois ainda não foi glorificado;
ele serve apenas para o período em que vivemos aqui, mas,
no estado em que se encontra, não é apresentável diante da
glória de Deus. Portanto, é necessário que o corpo
corruptível se transforme em incorruptibilidade para estar
definitivamente com o Senhor (I Co 15.35-49; I Ts 4.13-18).
Em seu livro Alegrai-vos no Senhor (Vida Nova), o
Dr. Shedd afirma: “Na reintegração da nossa personalidade
com o corpo transformado igual ao corpo de Jesus Cristo,
não teremos que lutar contra o corpo, nem sentiremos mais
sua humilhação. Nunca mais sentiremos cansaço ou fome.
Cantaremos louvores sem enfado; serviremos sem
desejarmos tirar férias. Tudo, e particularmente nossos
corpos estarão subordinados na mais perfeita submissão a
Deus.”
A explicação para a necessidade de um novo corpo
glorificado, feito por Deus, pode ser vista em I Coríntios
15.50 a 52. Aqui somos informados de que a transformação
acontecerá ao som da última trombeta, quando o Senhor
Jesus retornar pela segunda vez. Portanto, como peregrinos
neste mundo, precisamos entender que a firme convicção
cristã passa pelo caminho da cruz, na certeza de que a nossa
cidadania está nos céus. Lá, estaremos com os nossos corpos
ressuscitados e glorificados; e não mais haverá nada daquilo
que é próprio dessa vida terrena (Ap 21.1-8).
“Portanto, meus irmãos, amados e mui saudosos,
minha alegria e coroa, permanecei, deste modo, firmes no
Senhor.” (Fp 4.1).
11
Vida comunitária saudável
Filipenses 4.2 a 7
LEITURA DA SEMANA
SEG ​-Salmo 133
TER ​-Mateus 6.25-34
QUA ​-Atos 2.42-47
QUI ​-I Coríntios 3.1-9
SEX ​-I Coríntios 6.1-11
SAB ​-I Coríntios 11.17-34
DOM ​-Colossenses 3.12-17
Viver em comunidade é uma arte. E, quando nos
aperfeiçoamos nessa arte, fazemos da família e da igreja
ambientes saudáveis e extremamente aprazíveis. O Espírito
Santo age em nós e através de nós para produzir uma vida
comunitária saudável.
Esse é o assunto tratado no texto tomado por base para
este estudo. Antes de explanar o tema proposto, vale a pena
observar, ainda que de relance, alguns importantes elementos
de uma vida comunitária saudável, presentes no texto:
• A importância do ministério de equipe – Paulo faz
referência a colaboradores que se mostraram
imprescindíveis: Evódia, Síntique, Clemente e “os
demais cooperadores”;

Abertura para o trabalho das mulheres – Evódia


e Síntique eram mulheres engajadas na causa do
evangelho. O ministério delas era reconhecido
tanto por Paulo quanto pelos filipenses;
A compreensão de que a comunidade não está
isenta de problemas – A igreja, embora seja uma
comunidade remida por Cristo, é constituída de
gente; gente que, às vezes, tropeça, erra e cai. Os
problemas existem e devem ser tratados com
sensibilidade, tato e amor;
A valorização da expectativa escatológica – Os
crentes são orientados a viver uma vida de união,
moderação e confiança, devido à iminência da
vinda de Cristo.

Com certeza, as lições desse texto são oportunas a


todos nós que fomos chamados por Cristo para viver a vida
em comunidade.
LIÇÕES DO TEXTO
1. A vida comunitária saudável depende da união
entre os irmãos

No v. 2, há um importante apelo dirigido pelo apóstolo


a duas senhoras da igreja de Filipos: “Rogo a Evódia e rogo
a Síntique pensem concordemente, no Senhor.” Estas duas
mulheres, anteriormente haviam se esforçado juntas em prol
do evangelho, cooperando com Paulo e outros no ministério
cristão (v.3). Agora, entretanto, estava havendo entre elas
uma divergência. Não se sabe exatamente se era devido a
alguma questão pessoal, ou de cunho doutrinário. O fato é
que as duas não estavam se entendendo; e isso poderia
prejudicar tremendamente a obra do Senhor entre os
filipenses.
A união entre os irmãos é essencial para uma vida
comunitária saudável (Sl 133). Muitas comunidades se
deixam enfermar devido a contendas entre irmãos. Os
coríntios, por exemplo, eram extremamente contenciosos (I
Co 3.1-9; 6.1-11; 11.17,18). Por causa desse problema,
Paulo se dirigiu a eles, dizendo: “Eis a razão por que há
entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que
dormem.” (I Co 11.30). A saúde de qualquer comunidade
depende da união entre os irmãos. Uma comunidade dividida
se torna debilitada e vulnerável.
No caso citado no texto, o problema é mais grave,
visto que a divergência era entre duas pessoas de destaque
na comunidade, gente da linha de frente, liderança. Quando o
desentendimento atinge a liderança da igreja, toda a
comunidade acaba sendo afetada. Diante disso, devemos ser
zelosos na busca da unidade, esforçando-nos ao máximo
para vivermos em união.
Buscando solucionar o problema em Filipos, Paulo
utiliza uma estratégia sábia, ao pedir a intervenção de um
“fiel companheiro de jugo” – não sabemos de quem se trata –
para que ajudasse aquelas irmãs a encontrar o caminho da
reconciliação. É muito importante a utilização dessas
pessoas – encontradas em todas as comunidades – que têm
habilidade para lidar com situações conflituosas e que muito
podem fazer, aconselhando e orientando os contenciosos a
encontrarem o caminho do perdão e da paz.
2. A vida comunitária saudável é caracterizada
pela alegria

Em Filipenses, como já foi salientado até aqui, há uma


ênfase à alegria cristã – “Alegrai-vos sempre no Senhor;
outra vez digo: alegrai-vos.” (v.4). A vida comunitária
saudável promove a alegria entre todos. Essa alegria é
produzida pelo próprio Espírito (Gl 5.22). Comentando
acerca do significado da alegria cristã referida nesse texto,
L. Weingärtner afirma: “em horas que, ao critério do mundo,
não podem resultar em nada a não ser tristeza e frustração, a
alegria do Senhor permanece arraigada no coração dos fiéis.
Ela não depende de circunstâncias nem de condicionamentos
psíquicos. É dádiva do Espírito Santo que jorra de vertentes
eternas.” (Filipenses, Missão Editora/Encontrão Editora,
p.100).
Como diz uma conhecida canção, “a alegria está no
coração de quem já conhece a Jesus.” O evangelho é uma
boa nova de grande alegria (Lc 2.10).
O autor acima citado faz ainda a seguinte afirmação
sobre a alegria cristã: “a boa nova de Jesus Cristo não
combina com uma vida azeda e tristonha. O que já era válido
para o antigo povo de Deus, vale muito mais ainda para o
povo da Nova Aliança: ‘A alegria do Senhor é a vossa força’
(Ne 8.10).” (op. cit., p.100). O reino de Deus é justiça, e
paz, e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17).
Precisamos aprender a nos regozijar sempre (I Ts
5.16). Tal condição existencial é dádiva espiritual e não se
subordina a circunstâncias. Quando compreendemos isso e
passamos a viver na perspectiva da graça de Deus, mesmo
em meio às adversidades da vida, conseguimos nos sentir
como Paulo: “entristecidos, mas sempre alegres” (II Co
6.10).
3. A vida comunitária saudável se torna conhecida
de todos

Em Filipenses 4.5, Paulo recomenda: “Seja a vossa


moderação conhecida de todos os homens. Perto está o
Senhor.” A palavra “moderação”, nesse versículo, indica
grandeza de coração, capacidade de perdoar, bondade.
Algumas versões, como a Nova Versão Internacional, por
exemplo, traduz o termo “moderação” por “amabilidade”.
Segundo L. Weingärtner, “o termo aqui traduzido por
amabilidade pode também significar ‘vida moral
disciplinada, bondade e justiça’ (gr. epieikés). A vida
espiritual dos cristãos não é nenhuma planta que só vingue
dentro do coração dos fiéis, ou que só interesse no seio da
comunidade. A vida dos que seguem a Jesus é uma pregação
viva e concreta do evangelho; é uma carta de Cristo ao
mundo (II Co 3.3). O mundo se sentirá alertado, sempre que
descobrir que os cristãos vivem na certeza de que seu
Senhor está perto. E os próprios cristãos vão sendo
motivados pela proximidade do Senhor a se tornarem mais e
mais transparentes para o seu amor, de forma que ‘todas as
pessoas’ o possam sentir.” (op. cit., p.101). É precisamente
isto que Jesus nos recomenda: “brilhe também a vossa luz
diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e
glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5.16).
4. A vida comunitária saudável é fruto da
comunhão com Deus

É impossível haver vida comunitária saudável se os


crentes não valorizarem a comunhão com Deus. Todos nós
estamos expostos à ansiedade provocada pelas
circunstâncias que nos envolvem. As pressões da vida
moderna produzem muitas preocupações e geram ansiedade.
Mas, nesse texto, Paulo afirma que não precisamos andar
ansiosos por coisa alguma. Pelo contrário, devemos nos
valer da oração para apresentar a Deus as nossas
necessidades (v.6).
Pessoas que não cultivam comunhão intensa com Deus
não têm como viver uma vida saudável na comunidade; na
verdade, não vivem em paz nem consigo.
A vida comunitária, muitas vezes, é perturbada tanto
por fatores externos quanto internos, tais como:
incompreensões, injustiças, indiferença, etc. Porém, quando
temos comunhão com Deus, encontramos forças para superar
cada situação; e somos supridos em todas as nossas
necessidades “com a paz de Deus que excede todo o
entendimento.” (v.7).
A comunhão com os irmãos é fruto da comunhão com
Deus. Quem está bem ajustado com Deus vive melhor
consigo e com a comunidade, contribuindo para uma vida
comunitária saudável.
Vivamos em união, alegremente, dando bom
testemunho ao mundo e aprofundando dia a dia a nossa
comunhão com Deus! Vivendo assim, com certeza,
tornaremos a nossa comunidade cada vez mais saudável.
12
A conduta cristã
Filipenses 4.8 e 9
LEITURA DA SEMANA
SEG ​-Mateus 5.13-16
TER ​-Mateus 6.1-4
QUA ​-Mateus 7.24-29
QUI ​-Tiago 1.19-27
SEX ​-I Pedro 2.11-17
SAB ​-I Pedro 2.18-25
DOM ​-I Pedro 3.1-12
​A fé cristã é sempre um elemento desafiador da
existência humana. Ela apresenta-nos o desafio de traduzir a
teoria em prática. Faz com que, na vida, a teologia se
concretize em ética, até porque, se isso não for feito, de nada
adiantarão a doutrina e a teologia.
A vida cristã é, acima de tudo, vida prática. Para o
Senhor Jesus, a religião tem a ver com a conduta (Mt 25.31-
46; Lc 11.37-44). Conduta tem a ver com o procedimento
moral, o comportamento.
A fé cristã desafia-nos a um comportamento
diferenciado, pautado pelas Sagradas Escrituras, a nossa
única regra de fé e prática. A conduta cristã, quando levada a
sério, é elemento facilitador da proclamação do evangelho
(Mt 5.16; I Pe 2.11,12). O contrário também é verdade: a
conduta cristã, quando negligenciada, torna-se motivo de
escândalo e, portanto, elemento que dificulta a expansão e
aceitação do evangelho (I Co 5.1; 6.1). Sendo assim, a
conduta cristã pode ser bênção ou maldição. Se for
exemplar, será bênção; se não for, será maldição e pedra de
tropeço.
​O texto tomado por base para este estudo é Filipenses
4.8 e 9. O versículo 8 inicia com a expressão: “Finalmente
irmãos” – que pode ser compreendida como uma ligação
com o que o apóstolo vinha tratando no versículo anterior.
No versículo 7, o apóstolo falava sobre a paz. Nos
versículos 8 e 9 há uma preciosa orientação sobre como
alcançar a paz.
Na verdade, o texto apresenta uma síntese da conduta
cristã, com duas listas de adjetivos que qualificam a vida
cristã. A primeira lista inspira-nos a pensar o bem (v.8); a
outra lista mostra que não basta pensar o bem: é necessário
agir, concretizar o pensamento (v.9). Essas atitudes devem
permear constantemente a conduta cristã.
O comentarista bíblico Lindolfo Weingärtner,
comentando o texto, afirma que “o cristão aprendeu a não
mais encher a própria cabeça com futilidades, já que não
está mais sujeito aos poderes que ‘fazem a cabeça’ dos filhos
deste século.”
​O objetivo deste estudo é ajudar os cristãos a
aprofundar e aperfeiçoar sua conduta cristã no mundo,
mostrando o quão importante e necessário é que se
distingam, acima de tudo, pela sua maneira de pensar e agir.
LIÇÕES DO TEXTO
​A conduta cristã, segundo a orientação paulina em
Filipenses 4.8 e 9, envolve dois caminhos:
1. O caminho do pensamento

A conduta cristã, para ser exemplar, começa com o


próprio pensamento, isto é, o que se passa em nossa cabeça.
Paulo queria que os filipenses enchessem suas mentes com
tudo o que é bom e merecedor de elogios. Essa lista de
virtudes deveria ser levada a sério para que eles
experimentassem uma boa conduta. Essa dimensão
conceitual é fundamental para nortear a vida cristã.
Uma das maiores dificuldades encontradas no mundo
de hoje tem a ver com o pensamento. É difícil levar as
pessoas a pensar. A variedade de recursos tecnológicos
disponíveis hoje pode roubar das pessoas a capacidade de
pensar. De fato, há muitos que parecem viver automatizados,
condicionados por máquinas. Parece que as pessoas estão
perdendo a autonomia; já não pensam nem decidem por conta
própria. As mentes tornaram-se cativas.
Para o desenvolvimento de uma conduta cristã, é
fundamental retomar o controle da mente. O que deve ocupar
o nosso pensamento? O texto bíblico responde:

Tudo o que é verdadeiro – A primeira virtude na


lista de Paulo é a verdade. A verdade merece
nossa atenção. Hoje, mais do que nunca, há uma
avalanche de informações de todo o tipo. Há
veracidade nelas? A nossa mente deve filtrar tudo
e preservar a verdade. A conduta cristã está
alicerçada naquele que é a verdade (Jo 14.6).
Tudo aquilo que estiver em conformidade com o
ensino e com a vida de nosso Senhor Jesus é
verdadeiro;
Tudo o que é respeitável – Indica o que é ético,
ou seja, tudo o que está dentro da moralidade mais
alta, da nobreza, da dignidade e da honra. A
conduta cristã neste século XXI enfrenta esse
desafio. Infelizmente, hoje em dia, a imoralidade
encontra-se tremendamente divulgada. É
importante não fixar o pensamento nessas coisas,
pois na conduta cristã somos desafiados a pensar
em algo compatível com a dignidade de nosso
Senhor Jesus Cristo (Ef 5.3-7);
Tudo o que é justo – Segundo o comentarista
Warren W. Wiersbe, significa tudo que é digno,
“digno de respeito e reto”. Há muitas coisas que
não são dignas de respeito; e os cristãos não
devem ocupar suas mentes com elas. A justiça é
alvo tanto da lei como da conduta cristã. A
prioridade daquilo que é justo faz parte do ensino
de Jesus para nossa conduta (Mt 6.33);
Tudo o que é puro – Refere-se à pureza moral, à
castidade, ou seja, ausência de maldade e malícia.
Na conduta cristã, não podemos deixar que a
malícia envenene nosso pensamento, a ponto de
não conseguirmos pensar sem segundas intenções.
Na conduta do cristão, a pureza deve fazer parte
de sua vida íntima. Pensamentos impuros são
prejudiciais à conduta cristã (Mt 5.8);
Tudo o que é amável – Quando pensamos alguma
coisa e isso nos estimula ao amor, então tal
pensamento deve merecer nossa atenção. O
comentarista William Barclay afirma que a
palavra grega aqui empregada (prosfilê) pode ser
parafraseada com a expressão: “o que suscita
amor”. Na conduta cristã devemos ocupar nossa
mente com tudo aquilo que inspira o amor
verdadeiro;
Tudo o que é de boa fama – Devemos sempre nos
perguntar: O que estou pensando é louvável e
edifica? Se praticássemos mais isso, com certeza,
evitaríamos muitos comentários desagradáveis,
desnecessários e perniciosos.

O apóstolo faz um resumo dessa lista preciosa que


orienta o pensamento cristão, dizendo que, se descobrirmos
mais alguma “virtude” ou algo digno de “louvor”, que
pensemos nisso também.
O caminho do pensamento auxilia-nos, em muito, ao
desenvolvimento de uma conduta cristã saudável.
2. O caminho da prática

No versículo 9, o apóstolo orienta os filipenses


quanto à prática cristã: “O que também aprendestes, e
recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai”. Paulo
faz uso de cinco verbos, os quais indicam o novo caminho:
aprendestes, recebestes, ouvistes, vistes, praticai. Agora, a
orientação é de ordem prática.
A vida cristã é uma experiência de constante
aprendizado. Somos desafiados a crescer na graça e no
conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (II Pe
3.18).
A orientação para a conduta cristã aqui é clara. O
que aprendemos, recebemos, ouvimos e cremos é a santa
mensagem do evangelho (Mt 5.7; Jo 13; At 2.42). Esse
ensino precioso deve ser colocado em prática (Mt 28.20; Jo
13.17; Tg 1.19-27). Em sua conduta cristã, Paulo ensinava o
que ele próprio vivia. Essa deve ser também a nossa
conduta. Tiago nos insta a praticar a palavra de Deus:
“Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente
ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” (Tg 1.22). A
conduta cristã é essencialmente prática. É preciso praticar o
que aprendemos e também o que ensinamos.
Pensando na igreja, o comentarista L. Weingärtner
diz: “Bem-aventurada a comunidade cristã que dispuser de
mestres capazes de, sem mentir, apontar a própria vida como
exemplo concreto do ensino teórico que estão
administrando.”
A conduta cristã não se resume à crença em um
conjunto de formulações doutrinárias. Pelo contrário, é
vivência concreta da comunhão com o Senhor Jesus Cristo.
Essa prática deve apoiar-se no exemplo dos irmãos mais
experientes e perseverantes no caminho de Cristo. O
resultado da conduta cristã nos caminhos aqui expostos será
o aprofundamento da comunhão com Deus e a experiência da
paz interior: “e o Deus da paz será convosco.”
13
Comunidade Solidária
Filipenses 4.10 a 23
LEITURA DA SEMANA
SEG ​-Romanos 12
TER ​-I Coríntios 13
QUA ​-II Coríntios 8
QUI ​-II Coríntios 9
SEX ​-Tiago 2.14-26
SAB ​-I Pedro 2.1-10
DOM ​-I Pedro 4.7-11
A solidariedade deve ser uma marca inconfundível da
igreja cristã. Nesta época de tanta competição e
individualismo, em que cada um é ensinado a viver apenas
em torno dos seus sonhos de consumo, a igreja tem diante de
si uma grande oportunidade: mostrar que é uma comunidade
diferente, isto é, sensível às necessidades dos que sofrem;
liberal na aplicação de seus recursos; comprometida com o
Deus a quem serve, e não com o mercado.
Aprender a ser igreja, como foram os filipenses, é o
grande desafio a nós hoje. No texto base deste estudo, Paulo
se mostra sensibilizado pelos donativos trazidos até ele por
Epafrodito, da parte dos filipenses. Entretanto, ele se
preocupa em mostrar que a ajuda não é propriamente para
ele. José Comblin observa o seguinte: ”Paulo não quer que
essa ajuda seja entendida como uma dependência. Explica
aos filipenses que a ajuda deles não é para ele Paulo
pessoalmente, mas para a obra da evangelização. Essa ajuda
econômica é uma verdadeira contribuição para a missão e
um verdadeiro sacrifício agradável a Deus. Pois a
verdadeira religião e os verdadeiros sacrifícios são tudo o
que contribui com a evangelização.” (Epistola aos
Filipenses, Imprensa Metodista/Editora Sinodal/Vozes,
p.61).
LIÇÕES DO TEXTO
1. A comunidade solidária é sensível à tribulação
alheia

Nos versículos 11 a 13, Paulo testemunha sua


experiência de pobreza. Ele não reclama – “porque aprendi
a viver contente em toda e qualquer situação” – mas abre o
coração e declara: “Todavia, fizestes bem, associando-vos
na minha tribulação.” (v.13). Paulo se mostra imensamente
feliz em ver que os filipenses haviam entendido o evangelho.
Para ele, o mais importante não era o donativo em si, mas o
espírito solidário daquela comunidade. A ênfase não está em
quanto doaram, mas no fato de terem sido os únicos movidos
a fazê-lo (v.15).
Há, hoje, uma propensão muito forte ao egoísmo. Cada
um é tentado a pensar apenas em si, nos seus interesses.
Muitas comunidades se mostram extremamente insensíveis às
necessidades à sua volta. São comunidades que ainda não
compreenderam as palavras de Jesus, registradas por Lucas
em Atos 20.35: “​Tenho-vos mostrado em tudo que,
trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e
recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-
aventurado é dar que receber.”
Não podemos esquecer que a fé sem obras é morta, como
ensina Tiago 2.14 a 26.
A realização da obra missionária carece de recursos
financeiros, mas muitas igrejas ainda não compreenderam
isso. Por essa razão, têm muita dificuldade em aplicar
recursos em obras que não sejam de seu exclusivo interesse
local. Não entendem que a obra missionária é tarefa de
todos.
Os filipenses nos dão um precioso exemplo nesse
sentido. Das comunidades fundadas por Paulo, foi a única
que, logo de início, contribuiu financeiramente para a obra
missionária empreendida pelo apóstolo na Europa.
2. A comunidade solidária sabe que é dando que se
recebe

No versículo 17, Paulo faz a seguinte afirmação: “Não


que eu procure o donativo, mas o que realmente me interessa
é o fruto que aumente o vosso crédito.” Não se trata aqui de
uma insinuação de que a liberalidade na contribuição tenha
caráter meritório, ou comercial, na base de troca. O que está
em foco é o princípio apresentado em II Coríntios 9.6-15,
quanto à lei da semeadura.
A linguagem utilizada no versículo 17 é comercial,
embora o uso seja simbólico. Em seu comentário à Epistola
aos Filipenses, José Comblin utiliza termos bem claros para
expressar o significado desse versículo: “Paulo não pediu
nem aceitou por necessidade pessoal, mas para dar aos
filipenses a oportunidade de aumentar o seu crédito na sua
conta celestial. Cristo põe na conta deles todas as
contribuições com a evangelização. Paulo não fez outra coisa
a não ser fazer com que aumentassem a sua conta. Claro está
que é uma maneira de falar: Paulo também pediu para si
mesmo. Mas ele lembra que ao ajudarem a Paulo, eles se
ajudaram mais ainda a si próprios. A ajuda que deram fica
na conta deles e Deus saberá dar-lhes os juros ao devolver o
capital no juízo último.” (op. cit., p.63).
No versículo 19, Paulo fala da mais importante
recompensa que os filipenses poderiam receber – maior,
inclusive, do que as doações feitas por eles – “E o meu
Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em
Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades.” Essa é,
seguramente, a experiência de uma comunidade que aprende
a viver solidariamente.
3. A comunidade solidária tem seus atos aceitos por
Deus como aroma suave, como sacrifício
aceitável e aprazível

No versículo 18, Paulo utiliza uma terminologia


litúrgica inspirada no Antigo Testamento para falar do
significado dos atos solidários perante o Senhor. Sobre isso,
o Dr. Shedd argumenta: “Uma vez que Cristo ‘nos amou e se
entregou a si mesmo por nós, como oferta de sacrifício a
Deus em aroma suave’ (Ef 5.2), dependemos inteiramente
dele para nosso perdão e justiça. Somente a oferta desse
sacrifício único serve para expiar nosso pecado e remover
nossa culpa. O que nos resta para sacrificar? O Novo
Testamento deixa muito claro que, motivados pela gratidão,
devemos oferecer nossos corpos, nosso louvor, nossos bens
e nossas vidas. Com isso Deus se agradará (Hb 13.16).”
(Alegrai-vos no Senhor, Vida Nova, p.116).
No Antigo Testamento, o povo se preocupava em
apresentar a Deus sacrifícios de animais. Mas, o sacrifício
que agrada a Deus é a pureza e sinceridade de coração (Sl
51.17; Is 57.15). O profeta Daniel também adverte o povo de
Deus, dizendo: “Tende convosco palavras de
arrependimento, e convertei-vos ao Senhor; dizei-lhe:
Perdoa toda iniquidade, aceita o que é bom, e em vez de
novilhos os sacrifícios dos nossos lábios.” (Dn 14.2). Em
sua primeira carta, o apóstolo Pedro afirma: “sois edificados
casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de
oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por
intermédio de Jesus Cristo.” (I Pe 2.5).
Segundo F. B. Meyer, “toda boa dádiva que damos aos
filhos de Deus, com intenções puras, é aceitável a ele como
sacrifício aprazível.” (Comentário Bíblico Devocional, Ed.
Betânia, p.219).
Tudo quanto oferecemos, na verdade, vem daquele
que, em sua riqueza de glória, supre em Cristo Jesus as
nossas necessidades. E, quando agimos assim, Deus é
glorificado (vv.19,20).
Para que os atos da comunidade solidária sejam
aceitos por Deus como aroma suave, como sacrifício
aceitável e aprazível a Deus, é necessário que tudo seja feito
com amor, como ensina a Palavra de Deus (I Co 13.1-3;
16.14).
4. Na comunidade solidária a cordialidade se
estabelece

Os versículos finais da carta (vv.21-23) deixam


transparecer o clima de cordialidade existente entre Paulo e
a igreja. Ele faz questão de que “cada um” seja saudado
(v.21). Percebe-se, também, a atitude afetuosa presente no
coração dos colaboradores que estavam com o apóstolo –
“Os irmãos que se acham comigo vos saúdam.” (v.21).
Também membros da igreja onde Paulo estava (talvez Roma)
enviam saudações aos filipenses – “​Todos os santos vos
saúdam, especialmente os da casa de César.” (v.22).
Quando há solidariedade, esse clima de cordialidade
se estabelece na comunidade. É como celebra o salmista no
Salmo 133:
“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!
É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a
barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.
É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes
de Sião. Ali, ordena o Senhor a sua bênção e a vida para
sempre.”
​Nossas igrejas precisam se distinguir como
comunidades solidárias. Isso faz bem a todos, desperta a
simpatia dos de fora, glorifica a Deus.