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NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

Ministério da Educação
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Gerência de ensino e Pesquisa
Departamento Acadêmico de Mecânica

CURSO TÉCNICO EM MECÂNICA

MÁQUINAS TÉRMICAS

NOTA DE AULA 10

(http://1.bp.blogspot.com)

REFRIGERAÇÃO
Prof. MSc. Raul Henrique Erthal
Prof. Dr. Luciano Fernando dos Santos Rossi

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NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

Índice

1  INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 3 
2  SISTEMAS FRIGORÍFICOS ........................................................................................ 3 
3  SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO POR COMPRESSÃO DE VAPOR ........................... 4 
4  FLUIDOS REFRIGERANTES ...................................................................................... 5 
4.1  Classificação .......................................................................................................... 6 
4.2  Hidrocarbonetos Halogenados ............................................................................... 7 
4.3  Misturas azeotrópicas............................................................................................. 9 
4.4  Compostos orgânicos ............................................................................................. 9 
4.5  Compostos inorgânicos ........................................................................................ 10 
Propriedades .............................................................................................................. 11 
4.6  Fluidos alternativos............................................................................................... 12 
Refrigeração Doméstica, comercial e transporte ........................................................... 13 
4.7  Seleção do refrigerante ........................................................................................ 14 
5  O CICLO ELEMENTAR DE REFRIGERAÇÃO .......................................................... 16 
5.1  Compressor .......................................................................................................... 22 
5.2  Condensador ........................................................................................................ 23 
5.3  Dispositivo de expansão....................................................................................... 24 
5.4  Evaporador ........................................................................................................... 27 
6  CICLO TERMODINÂMICO IDEAL DE REFRIGERAÇÃO .......................................... 30 
6.1  Efeito Refrigerante................................................................................................ 31 
6.2  Capacidade de refrigeração ................................................................................. 31 
6.3  Potência de compressão ...................................................................................... 32 
6.4  Taxa de dissipação do condensador .................................................................... 32 
6.5  Coeficiente de performance (COP) ...................................................................... 32 
7  Referências Bibliográficas .......................................................................................... 34 
8  Anexos ....................................................................................................................... 35 

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1 INTRODUÇÃO

O Processo de refrigeração consiste na manutenção de um determinado


ambiente/produto a uma temperatura inferior à do ambiente externo. Sabendo que a
tendência natural do calor é passar de um corpo quente para um corpo frio, para se
manter um ambiente refrigerado, é necessário que seja criado um fluxo de calor em
sentido contrário, ou seja, deste para o meio ambiente. Como já visto no capítulo sobre
conceitos de Termodinâmica, isto só pode ser conseguido despendendo-se energia. É o
que acontece nos refrigeradores domésticos, os quais devem estar permanentemente
ligados à rede elétrica.

Este capítulo tem por objetivo mostrar as aplicações da refrigeração, suas


características físicas e as aplicações dos fluidos refrigerantes, apresentar as partes
componentes e descrever o princípio de funcionamento de um sistema de refrigeração
por compressão de vapor.

Antes de começar, é importante que alguns conceitos básicos sejam previamente


discutidos de forma a evitar certos equívocos no momento em que definimos
determinados processos.

a) Arrefecimento: é o abaixamento da temperatura de um corpo até a temperatura


ambiente através da retirada de calor sensível.

b) Resfriamento: é o abaixamento da temperatura do corpo, da temperatura ambiente até


a sua temperatura de congelamento, envolvendo calor sensível.

c) Congelamento: É o processo de mudança da fase líquida para a fase sólida, pela


retirada de calor latente e posterior abaixamento da temperatura do corpo aquém da sua
temperatura de
congelamento, envolvendo calor sensível.

2 SISTEMAS FRIGORÍFICOS

A quantidade de calor a ser retirada, na unidade de tempo, de um sistema para reduzir


sua temperatura ou para mantê-Io numa temperatura abaixo da temperatura ambiente,
recebe o nome de POTÊNCIA FRIGORÍFICA ou CARGA TÉRMICA, e é medida em
Watts (W = J/s).

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Teoricamente, qualquer fenômeno físico ou químico de natureza endotérmica (que


necessita de calor para ocorrer) pode ser aproveitado para a produção do frio. Entre os
processos endotérmicos usados na refrigeração, podemos citar:

 Fusão do gelo comum (0.0oC) e o gelo seco (-78,9.0oC);

 Expansão de um gás com produção de trabalho;

 Vaporização de um líquido;

 Absorção;

 Fenômenos termoelétricos.

Assim, a partir dos processos descritos acima, podemos ter os seguintes


sistemas de refrigeração:

a) por absorção;
b) com ejetor de vapor d'água;
c) por compressão de ar;
d) termoelétrico;
e) por compressão de vapor.

O processo de refrigeração mais utilizado atualmente, tanto na técnica da refrigeração


industrial como em condicionamento de ar, é a refrigeração mecânica por meio de
vapores (sistema de refrigeração por compressor de vapor) devido ao seu alto
rendimento, simplicidade de funcionamento e baixo custo de manutenção.

3 SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO POR COMPRESSÃO DE VAPOR

O sistema de refrigeração por compressão de vapor baseia-se no fato de que um


determinado fluido, em determinadas condições de temperatura e pressão, necessita de
calor latente para vaporizar, calor este que é retirado da substância ou do corpo que se
deseja resfriar.
Esse sistema é utilizado em aparelhos de ar condicionado, câmaras frigoríficas e
na maioria das aplicações da refrigeração, sendo a geladeira doméstica, o equipamento
mais simples que utiliza tal sistema. Antes de nos atermos a detalhes deste tipo de
sistema, vejamos algumas informações relativas aos fluidos refrigerantes utilizados

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nestes equipamentos.

4 FLUIDOS REFRIGERANTES

O fluido refrigerante é o elemento que absorve o calor de uma substância do


ambiente a ser resfriado. De acordo com o efeito que o calor causa ao fluido refrigerante,
o processo de resfriamento é sensível quando altera apenas a temperatura do fluido
refrigerante, ou latente, quando o refrigerante muda da fase líquida para a gasosa ou vice-
versa. Deduzimos daí, que qualquer substância, desde que esteja a uma temperatura
inferior à de outra, poderá ser considerada um agente refrigerante.

O estudo das características físicas dos fluidos refrigerantes utilizados atualmente em


refrigeração doméstica e comercial ajudará a compreender melhor a própria refrigeração.
Qualquer substância pura pode ser empregada como fluido refrigerante. Entretanto,
existem algumas restrições. Para evaporar a temperaturas suficientemente baixas, a
água, por exemplo, precisaria vaporizar a pressões muito baixas que economicamente
são difíceis de produzir e manter. Para se ter uma idéia, a temperatura de ebulição da
água a 1,01 bar é de 100ºC e a 0,7 bar (correspondente a altitude de 3000 m), é de
89,3ºC, valor este muito alto em relação à pressão, o que inviabiliza sua aplicação em
refrigeração.
Já no caso do R134a, do R22 e do R717, alguns dos fluidos refrigerantes utilizados
hoje, como mostrado na Tabela 1, essas são substâncias puras cujos valores das
temperaturas de ebulição à pressão atmosférica são baixos e, por isto, podem ser
utilizados como fluidos refrigerantes.

Tabela 1 - Fluidos refrigerantes.

Substância Temperatura de Aplicação


ebulição
R134a -26oC Refrigeradores, freezers e pequenas
(tetrafluoretano) câmaras comerciais.
R22 -41oC Aplicações de condicionamento de ar
(clorodifluorometano)
R717 -53oC Refrigeração industrial
NH3-Amônia

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Embora a temperatura de ebulição seja importante, não é a única característica que


deva ser satisfeita para a utilização da substância como fluido refrigerante. Dentre essas
características desejáveis pode-se enumerar:

 Calor latente de vaporização elevado;


 Baixa relação de compressão, isto é, baixa relação entre as pressões de alta
e de baixa em um sistema de refrigeração convencional;
 Baixo volume específico do vapor saturado, possibilitando a utilização de um
compressor e de tubulações de dimensões reduzidas;
 Temperatura crítica (temperatura na qual a substância muda diretamente da
fase líquida para a fase gasosa) muito elevada;
 Refrigerante deve ser inerte em relação ao lubrificante utilizado;
 Composição química estável nas condições de funcionamento da máquina
frigorífica;
 Não ter ação sobre os metais componentes do circuito. Não ter ação sobre as
juntas;
 Não ser inflamável nem explosivo quando misturado com o ar;
 Não ser tóxico;
 Não ser contaminante;
 Deve ser inodoro ou ter apenas um leve odor, não desagradável;
 Deve ter emanações fáceis de detectar e de localizar por método visual;
 Não deve ter afinidades com os constituintes da atmosfera;
 De preferência deve ser barato e de abastecimento fácil;
 Deve permitir fácil localização de vazamentos;
 Não deve atacar o óleo lubrificante ou
 Não deve ter qualquer efeito indesejável sobre outros materiais utilizados no
sistema de refrigeração.

4.1 Classificação

Os refrigerantes utilizados podem ser classificados nos seguintes grupos:

 Hidrocarbonetos halogenados
 Misturas azeotrópicas
 Compostos orgânicos
 Compostos inorgânicos

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4.2 Hidrocarbonetos Halogenados

São compostos que contém cloro na sua composição, são inodoros em


concentrações até 20% por volume de ar, não são tóxicos nem inflamáveis, não corroem
os metais comumente empregados em equipamentos de refrigeração, desde que sejam
livres de vapores d’água. Na presença deste, tornam-se altamente corrosivos. Eles têm
alta ação solvente sobre a borracha natural, mas materiais de borracha sintética podem
ser usados satisfatoriamente. Tanto na forma líquida como na de vapor, não tem efeito no
odor, gosto, cor ou estrutura de materiais refrigerados. Como veremos a seguir, são
fluidos refrigerantes nocivos à camada de ozônio estando em fase de substituição. Como
ainda são utilizados em sistemas de refrigeração, é importante conhecermos as
informações técnicas relativas a alguns deles, como o R11, R12 e R22.

R11

Da série dos metanos, foi muito usado como dissolvente na limpeza dos
componentes da unidade refrigeradora. Sua temperatura de ebulição é de 23,8oC na
pressão atmosférica e as pressões de operação, para -15oC e 30oC são respectivamente
de 609 mmHg (0,811 bar) e 0,25 bar. Não é corrosivo, nem tóxico e nem inflamável.

É um líquido incolor de odor muito fraco, estável às temperaturas de utilização, mas


que libera, por decomposição a altíssimas temperaturas, o fosfogênio, gás muito perigoso.

É neutro em relação aos metais usuais, mas o magnésio e as ligas com mais de 2%
devem ser evitados. É neutro em relação ao polietileno e ao nylon, e dissolve, pelo
contrário, o poliestireno.

O R11 foi utilizado em compressores centrífugos de ar-condicionado, aplicado como


solvente para desengordurar peças mecânicas ou pequenos aparelhos frigoríficos, assim
como lavar evaporadores, condensadores ou corpos de compressores. É também
utilizado na fabricação de espumas de resinas sintéticas (espuma de poliuretano).

R12 (CCl2F2)

Pertencente, também à série dos metanos, o R12 foi o refrigerante mais empregado,
principalmente na refrigeração doméstica por não ser tóxico, nem inflamável, nem
corrosivo, nem explosivo. É incolor e tem um odor quase nulo, não desagradável. Embora
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não seja mais produzido em larga escala, é encontrado principalmente em sistemas de


refrigeração domésticos.

É altamente estável e sua temperatura de ebulição à pressão atmosférica é de -


29,4oC. Suas pressões de operação (à -15oC, e à 30oC) são respectivamente 0,83 bar e
6,54 bar (man).

Mistura-se com óleo lubrificante mineral, em todas as condições, o que é desejável.


Seu efeito refrigerante (absorve 115,065 kJ de calor/kg de refrigerante para uma faixa de
5oC – 40oC ) é relativamente baixo, comparado com outros refrigerantes. Isso, porém,
não representa desvantagem séria, em vista de suas qualidades.

Em contato com a água forma ácido clorídrico que ataca os metais ferrosos e não
ferrosos e que é quatro vezes mais pesado que o ar, permanecendo acumulado próximo
ao solo (isso quer dizer que não se dispersa facilmente).

Não reage com os metais que constituem os sistemas frigoríficos. Assim como o
R11, se forem expostos a uma chama viva (à altíssimas temperaturas), poderá ocorrer
uma decomposição, formando um gás perigoso: o fosfogênio (COCl2).

R22
Também da série dos metanos, sua temperatura de ebulição é -40,8oC. O R22
aplica-se também na obtenção de baixas temperaturas. Atualmente ainda é bastante
usado em condicionadores de ar domésticos e comerciais unitários. Requer baixo
deslocamento volumétrico, o que possibilita um equipamento mais reduzido. Suas
pressões de evaporação a 4,4oC e de condensação à 60oC são de respectivamente 4,85
bar e 23,76 bar.

Devido à sua alta tendência para a alta temperatura de descarga, sua temperatura
de sucção deverá ser mantida a mais baixa possível, principalmente quando aplicado em
compressores herméticos. Mistura-se com o óleo, do qual, porém, costuma separar-se no
evaporador.

Tem maior capacidade térmica que o R12, pois requer apenas 60% do
deslocamento requerido por esse refrigerante para a mesma capacidade frigorífica. É
essa a principal vantagem sobre o R12. Sua pressão no evaporador, mesmo até -40oC,
ainda está acima da pressão atmosférica, enquanto a pressão do R12 será positiva só até
a temperatura de -29oC.

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Tem maior capacidade de absorver água que o R12. Essa é a razão pela qual um
sistema com R22 raramente sofre obstrução por congelamento de umidade. Por outro
lado, isso constitui uma desvantagem, pois a umidade residual, no sistema de
refrigeração é sempre indesejável e, se não se manifestar, circulará livre no sistema,
oxidando suas partes internas e o óleo, principalmente na descarga do compressor em
sistemas com R22.

4.3 Misturas azeotrópicas

R502
É um fluido refrigerante constituído por uma mistura azeotrópica de refrigerante R22
e R115, na proporção em massa de 48,8% de R22 e 51,2% de R115.

É incolor e de odor pouco identificável, inodoro quando misturado com o ar, não é
inflamável nem explosivo. Muito estável ao calor é análogo, por isto, ao R22.

É neutro em relação aos metais normalmente utilizados nas instalações frigoríficas,


assim como em relação aos materiais das juntas; no entanto, tem uma ação muito ligeira
sobre o neoprene. Dissolve-se na água menos que o R22, mas cerca de 5 vezes mais
que o R12.

É aplicado na conservação de sistemas à baixa temperatura em processos de


sobrecongelamento.

Todos os refrigerantes acima descritos estão com seus dias contados, pois, baseado
em acordos internacionais, há um planejamento para a sua substituição por motivos
ecológicos.

4.4 Compostos orgânicos


São substâncias químicas que contém na sua estrutura, carbono e hidrogênio. Os
mais importantes são:

 metano
 etano
 butano
 propano
 etileno
 isobutano

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São todos inflamáveis, explosivos e tóxicos. Absorvem pouca umidade e são


miscíveis em óleo lubrificante. O propano, o butano e o isobutano já foram usados em
refrigeração doméstica, mas por conta da segurança, caíram em desuso. No entanto,
devido à necessidade de buscar substitutos para os fluidos refrigerantes clorados,
especula-se sobre a possibilidade de utilizá-los novamente. O metano, o etano e o etileno
são empregados na obtenção de baixas temperaturas, com os compressores centrífugos.

4.5 Compostos inorgânicos

R717 - Amônia (NH3)


É um dos primeiros refrigerantes e ainda é usado no campo industrial, em
cervejarias, plantas de empacotamento e em aplicações similares por causa da alta
eficiência do ciclo. Ele tem um baixo volume específico, um calor latente de vaporização
relativamente alto e baixo custo. Apesar destas características desejáveis sua utilização é
limitada a aplicações industriais e excluída do condicionamento de ar para conforto por
ser altamente tóxico e inflamável, necessitando manejo especial e possui um odor forte e
penetrante. Porém, cabe ressaltarmos que com o questionamento dos CFCs decorrentes
de seu efeito nocivo sobre a camada de ozônio, reascende a polêmica sobre a viabilidade
de utilização da amônia em aplicações frigoríficas. Atualmente o potencial da amônia
reside em aplicações de refrigeração indireta.

A amônia é considerada um fluido alternativo muito promissor para a substituição


dos CFC’s, particularmente em algumas aplicações na refrigeração comercial. Em países
em desenvolvimento, as vantagens apresentadas pelo R-12, R-22, R134-a e outros
acabam por inibir o uso da amônia em favor do uso da tecnologia desenvolvida para os
CFC’s. A amônia, também denominada “o pai dos refrigerantes”, com suas excelentes
propriedades termodinâmicas, é um refrigerante ideal para várias aplicações, como a
produção de gelo e o seu uso em câmaras frias de grande porte onde normalmente
trabalham operadores muito experientes. A amônia tem um efeito refrigerante mais
elevado, por unidade de massa, que qualquer outro refrigerante, permitindo o seu uso em
compressores menores.

CO2
É um gás inerte, incolor e inodoro. Não é tóxico nem inflamável, mas a principal
objeção para seu uso é o pesado equipamento requerido por suas altas pressões de

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operação e sua necessidade de potências relativamente altas. Estes fatores limitam seu
uso como refrigerante.

Para fins de comparação a Tabela 2 contempla algumas propriedades físicas


relacionadas com alguns fluidos refrigerantes.

Tabela 2 - Propriedades de alguns fluidos refrigerantes.

Refrigerantes

Propriedades R12 R22 R502 NH3 (R717)

Calor específico do líquido a 30oC 0 (kJ/kg) 1,0 1,4 1,09

Calor específico do vapor a -10oC (kJ/kg) 0,48 0.1 0,48 1,25

Ponto de ebulição à pressão atmosférica -29.8 -40.8 -45.6 -33.3


(oC)

Volume específico do líquido em dm3/kg a - 0.7018 0.7582 0.7248 1.5338


10oC

Volume específico do vapor em m3/kg a - 0.078 0.065 0.044 0.418


10oC

Calor de vaporização a -10oC [kJ/kg] 159,4 213,61 156,7 1296,4

Em 1974, Molina e Rowland, pesquisadores do Departamento de Química da


Universidade da Califórnia, apresentaram uma teoria de que os CFC´s estariam
destruindo a camada de ozônio, que tem a função de filtrar os raios ultravioletas do sol,
concentrando-se numa altitude que varia entre 35 a 50 km. Por sua grande estabilidade
química, os CFC´s conseguem chegar à estratosfera intactos, sem modificar a sua
estrutura molecular. Nessa altura, a forte radiação solar existente quebra a molécula de
CFC e o átomo de cloro se desprende, o que permite que ele reaja com o ozônio. Cada
átomo de cloro poderia destruir cerca de 100.000 moléculas de ozônio antes de ficar
inativo, retornando eventualmente à troposfera, onde as chuvas e outros processos o
removeriam da atmosfera. Dentre os fatores que afetam a estabilidade da camada de
ozônio, podemos citar a emissão de gases industriais, o desmatamento e a emissão de
aerosóis que possuem cloro na sua composição. A Figura 1, a Figura 2 e a Figura 3
ilustram o que foi dito acima.

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Figura 3 - Buraco na
Figura 2 - Atmosfera
camada de ozônio.
terrestre.
Figura 1 - Camada de ozônio.
(http://mundogeografico.sites.uol.
com.br/figuras/ozo.gif)

Em vista disso e, sabendo-se que os CFC´s permanecem na atmosfera de 40 a 150


anos, vários países formaram o chamado Protocolo de Montreal, definindo prazos para a
redução da produção e do consumo de substâncias prejudiciais à camada de ozônio.

A Tabela 3 mostra o tempo de vida, os potenciais de destruição da camada de


ozônio (ODP Ozone Depletion Potential) e o potencial de efeito estufa (GWP – Global
Warming Potential) dos fluidos halogenados mais utilizados e de dois HFC´s substitutos.

Tabela 3 - Características prejudiciais de alguns fluidos refrigerantes.

Tipo Tempo de vida ODP GWP


em anos

R11 55 1 1

R12 116 1 3

R22 15,8 0,055 0,36

HFC134a 15,6 0 0,03

HFC123 1,71 0,02 0,02

4.6 Fluidos alternativos


O R-134a pertence ao grupo dos HFCs, fluorocarbonados parcialmente
halogenados. Com potencial de destruição do ozônio igual a zero e devido ao menor

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tempo de vida na atmosfera, apresenta uma redução no potencial de efeito estufa de 90%
comparado ao R12. É inflamável e os grandes fabricantes de fluidos frigoríficos já
produzem o R-134a. No Brasil, todos os automóveis novos já saem de fábrica equipados
com o R-134a desde 1995.

Em geral, os fluidos refrigerantes alternativos não podem simplesmente ser


carregados em um sistema destinado ao uso de CFC´s. Dependendo das características
específicas da máquina, é possível que os materiais precisem ser substituídos e que o
compressor, em muitos casos, precise ser modificado. Quando se converte, por exemplo,
um resfriador de água de CFC para HFC-134a (retrofit), é necessário substituir o
lubrificante. Além disso, o fabricante do equipamento deve ser consultado sobre a
compatibilidade das peças do sistema com o novo fluido refrigerante. A Tabela 4 relaciona
alguns fluidos refrigerantes clorados com o respectivo substituto, além da referida
aplicação.

Tabela 4 - Fluidos refrigerantes alternativos.

Nome Substitui Aplicação

R-123 CFC-11 Ar condicionado e centrífugas (novos equip. e retrofit)

R124 CFC-114 Ar condicionado, centrífugas de navios e outros c/alta


temperatura de condensação (novos equip. e retrofit)

R134a CFC-12 Ar condicionado de automóveis, refrigeradores domésticos,


centrífugas, compressores alternativos e outros usos de média
temperatura (equip. novos e retrofit)

R401A CFC-12 Ideal para manutenção (retrofit) de refrigeradores domésticos e


comerciais.

R409A CFC-12 Refrigeração Doméstica, comercial e transporte

R410A CFC-22 Ar condicionado doméstico e comercial (novos equipamentos)

R407C CFC-22 Ar condicionado de janela e self-contained (novos equip. e


retrofit)

R404A CFC-502 Ideal para equipamentos de refrigeração de baixa ou de média


temperatura de evaporação onde seja necessário um produto
com baixa temperatura de descarga que não ataque a camada
de ozônio.

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R402A CFC-502 Ideal para o retrofit fácil de equipamentos de refrigeração que


utilizam R-502 ou novos equipamentos onde se exija baixa
R402B
temperatura de descarga.

R408A CFC-502 Conversão de sistemas existentes para refrigeração comercial,


transporte e refrigeração industrial.

4.7 Seleção do refrigerante


A seleção de um refrigerante para um sistema de compressão está limitada por:

 Considerações econômicas
 Tipo e capacidade do equipamento
 Aplicação

Do ponto de vista de operação econômica, é desejável que o refrigerante possua


propriedades físicas e térmicas que resultarão em um mínimo de requisitos de potência
por unidade de capacidade de refrigeração, isto é, um alto coeficiente de rendimento. As
mais importantes propriedades do refrigerante que influenciam a capacidade e a eficiência
são:

 O calor latente de vaporização


 O volume específico do vapor
 A taxa de compressão
 O calor específico do refrigerante, tanto no estado gasoso como no estado
líquido.

A capacidade de refrigeração é a taxa de calor retirado do espaço refrigerado por


um equipamento de refrigeração, na unidade de tempo.

Q e

Figura 4 - Representação de espaço refrigerado.

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NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

A TR (tonelada de refrigeração) corresponde à quantidade de calor a retirar da


água a 0C para formar uma tonelada americana de gelo em 24 horas. Considerando que
a tonelada Americana (SHORT TON) corresponde a 907,184 kg e que o calor latente de
solidificação da água é de 335 kJ/kg tem-se que

M .L 907,184. 335kJ / kg
Q    3517W
t 24h
3600s
1h
Ou seja, 1 TR corresponde a 3517 W e fazendo as devidas transformações de
unidades,

1 TR = 200 BTU/min
1 TR = 3023,95 kcal/h.
1BTU/h=0,2931 W
1kcal/h=1,1631 W

Oficina teórica:

a) Um trocador de calor que retira calor de ar quente fazendo com que sua
temperatura fique acima da temperatura ambiente está promovendo um
arrefecimento ou um resfriamento? Justifique

Arrefecimento, pois a temperatura final é superior a do ambiente.

________________________________________________________________________
______

b) Qual é o processo de refrigeração mais utilizado atualmente?

Refrigeração por compressão de vapor.

_____________________________________

c) Levando-se em conta as propriedades termodinâmicas, qual o requisito


fundamental para que um determinado elemento seja utilizado como fluido
refrigerante?

Deve ter temperatura de ebulição baixa à pressão atmosférica.

__________________________________________________________

d) Qual o elemento químico presente nos fluidos refrigerantes halogenados que é


prejudicial á camada de ozônio?
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NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

Cloro

_____________

e) São compostos orgânicos:

(X)Isobutano;

( )Dióxido de carbono;

( )Amônia;

(X)Propano;

f) O que significam as siglas ODP e GWP?

ODP – Ozon Depletion Potential – Potencial de destruição da camada de ozônio.

_______________________________________________________________________

GWP – Global Warming Potentical – Potencial de aquecimento global.

_______________________________________________________________________

f) Qual o fluido refrigerante mais utilizado como substituto do R12? Justifique


apresentando dois motivos que levaram à troca.

R134a, pois este apresenta redução no potencial de efeito estufa e de agressão à


camada de ozônio.

________________________________________________________________________

5 O CICLO ELEMENTAR DE REFRIGERAÇÃO


O ciclo elementar de refrigeração é baseado no fato de líquidos absorverem grandes
quantidades de calor quando são vaporizados. Todo líquido tem a tendência de tornar-se
vapor e exerce uma pressão de vapor. Considere a Figura 5.

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Vapor

Líquido

Vapor

Líquido

Figura 5 - Princípio físico da refrigeração.


Um líquido em um reservatório, sem a presença de outros gases, tende a se
evaporar e encontrar o equilíbrio com o seu próprio vapor numa pressão conhecida como
pressão de vapor (esse é o estado de vapor saturado). Se o container estiver na
temperatura ambiente à pressão do vapor será correspondente àquela temperatura e
aumentará com o aumento da temperatura. Se o vapor é retirado do reservatório (através
de uma bomba, por exemplo) o líquido deve evaporar para substituí-lo.

Sabe-se que um líquido necessita de calor latente para se vaporizar. Vamos supor
que se a taxa de calor proveniente das fontes externas é suficiente, a temperatura e a
pressão do líquido não se alteram. Agora, se a taxa de calor não é suficiente, calor deve
ser obtido da quantidade de líquido não evaporada e a sua temperatura cai. Uma
diferença de temperatura é estabelecida entre o líquido restante e a vizinhança e isto
pode ser utilizado para reduzir a temperatura de outros corpos por contato direto.

A vaporização contínua do líquido no evaporador requer que o suprimento do líquido


seja continuamente reabastecido. Mas por questões de conveniência e economia não é
prática permitir que o vapor refrigerante escape e seja perdido por difusão no ar.

O vapor, portanto, deve ser coletado continuamente e condensado de volta à fase


líquida, de modo que o mesmo refrigerante possa ser usado repetidas vezes, eliminando
assim a necessidade de sempre fornecer refrigerante ao sistema. Esta série de processos
denomina-se ciclo, como mostra a Figura 6.

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NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

O ciclo simples de compressão é formado pelos quatro processos seguintes:

 Expansão
 Vaporização
 Compressão
 Condensação.

Figura 6 - Processo cíclico de transferência de calor em sistemas de refrigeração.


Uma mudança em qualquer um dos processos do ciclo produzirá mudanças em
todos os demais processos.

Os componentes do ciclo que se encarregam dos processos acima são: O fluido


refrigerante, o compressor, o condensador, o elemento de controle e o evaporador. Estes
componentes, ilustrados no ciclo da Figura 7 e na Figura 8, são obrigatórios em qualquer
circuito de refrigeração por compressão de vapor, independente do seu tamanho.

Figura 7 - Ciclo físico de refrigeração. Figura 8 –Esquema de um sistema de


refrigeração por compressão de vapor.
http://wiki.sj.ifsc.edu.br/wiki/images/

Vejamos agora como o circuito de refrigeração efetivamente funciona:

O ciclo é caracterizado por duas regiões de pressão: uma de alta e outra de baixa
pressão. Essas regiões são delimitadas pelo compressor e pelo dispositivo de expansão
(restrição). Entre eles são instalados tubos, que formam os trocadores de calor e os

18
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

trechos de ligação. Quando o compressor entra em operação, ele aspira fluido


refrigerante na fase gasosa do evaporador e o descarrega para o condensador. Devido à
presença da restrição (dispositivo de expansão), a pressão no evaporador cai e a pressão
do condensador aumenta.

No evaporador, o fluido refrigerante encontra-se à baixa pressão e na temperatura


correspondente à de vaporização. Como esta temperatura é menor que a do ambiente do
evaporador, calor é transferido naturalmente deste para o fluido, contribuindo para a sua
vaporização. Logo, a temperatura do ambiente cai e o fluido refrigerante é descarregado
do evaporador na fase gasosa.

Em certos circuitos monta-se depois do evaporador um acumulador, que evapora


eventuais restos de refrigerante líquido não evaporado, pois, o refrigerante líquido
prejudicaria o funcionamento do compressor.

No compressor, o fluido refrigerante gasoso é comprimido até a pressão de


condensação e, para isto, consome uma quantidade de energia, cuja maior parte é
transferida para o fluido. O refrigerante agora, se encontra numa pressão maior, e, o que
é mais importante, com uma temperatura maior que a do meio externo ao condensador.
Como esta temperatura é maior que a do ambiente do condensador, calor é transferido
naturalmente deste para o meio externo, provocando a sua condensação. O calor
dissipado no condensador corresponde ao calor absorvido no evaporador e o calor
absorvido durante o processo da compressão, como veremos mais adiante.

O refrigerante, agora líquido, passa em seguida pelo elemento de controle (tubo


capilar ou válvula de expansão) que tem a função de descomprimir o líquido da pressão
de condensação para a pressão de evaporação.

Quanto mais rápido o compressor succiona o refrigerante em forma gasosa do


evaporador, menor será a pressão e a temperatura no mesmo. Isto significa que a
capacidade de refrigeração do circuito depende não somente do volume e da temperatura
do refrigerante, mas também da velocidade de circulação do refrigerante, isto é, a massa
de refrigerante que evaporará por unidade de tempo.

Os sistemas de refrigeração a compressão são divididos segundo a temperatura de


evaporação, em três:

 Alta pressão de retorno (HBP)

19
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

 Média pressão de retorno (MBP)


 Baixa pressão de retorno (LBP)

Os sistemas HBP (alta pressão de retorno) são utilizados para resfriar líquidos nos
quais o resfriamento deve ser tal que não ultrapasse a temperatura de seu ponto de
congelamento.

A temperatura de evaporação varia entre 0oC e 15oC.

Ex.: Bebedouros, refresqueiras, resfriadores de líquidos.

Os sistemas MBP (média pressão de retorno) englobam as geladeiras e balcões nos


quais a faixa de temperatura varia entre –30oC e –5oC. A Figura 9 ilustra esse sistema.

Os sistemas que operam com baixas temperaturas de evaporação (LBP) são


utilizados para a conservação de alimentos por longo tempo. São os congeladores ou
freezers e operam com temperatura na faixa de –35oC a –20oC de temperatura de
evaporação.

A Figura 10 mostra um circuito de refrigeração utilizado em sistemas de ar


condicionado automotivo, e a Figura 11, os seus principais componentes.

20
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

Figura 10 - Ciclo de refrigeração


automotivo.

Figura 9 - Esquema de um sistema de


refrigeração doméstico.
http://1.bp.blogspot.com

Figura 11 Componentes do ciclo de


refrigeração automotivo.
http://www.srar.com.br

Oficina teórica:

a) Descreva o princípio básico da refrigeração.

Ao evaporar, os líquidos absorvem grandes quantidades de calor.

______________________________________________________________________

b) Quais são os quatro processos termodinâmicos observados ao longo de um


ciclo de refrigeração?

Expansão, vaporização, compressão e condensação.

________________________________________________________________________

21
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

c) Cite os componentes do ciclo de refrigeração onde ocorrem os processos


citados no item b.

Dispositivo de expansão, evaporador, compressor e condensador.

______________________________________________________________

d) d) Explique porque o ciclo de refrigeração necessita trabalhar com dois


níveis de pressão.

Para absorver calor no evaporador, assim como para ceder calor para o meio
externo no condensador. Se o meio a resfriar (pode ser o interior de uma geladeira)
se encontra a uma temperatura menor que a do meio ambiente é preciso que a
pressão de evaporação seja baixa o suficiente para que a temperatura de mudança
de fase do fluido refrigerante seja menor ainda. Da mesma forma, para transferir
calor para o meio externo é preciso que a pressão de alta seja grande o suficiente
para que a temperatura de condensação seja maior que a do meio ambiente. Assim,
o calor pode ser transferido espontaneamente.

________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

Vejamos agora algumas informações técnicas de cada componente do ciclo de


refrigeração separadamente.

5.1 Compressor
O compressor é o coração do sistema de refrigeração e possui as seguintes funções:
 Extrair o gás refrigerante do evaporador, forçando-o para o condensador;
 Aumentar a pressão de refrigeração, forçando o vapor para o condensador.
Os compressores volumétricos alternativos, dependendo da capacidade, podem ter
porte doméstico, comercial ou industrial, como mostram as Figura 12, 13 e 14.
Para a seleção de um compressor frigorífico deve-se conhecer:

 A capacidade frigorífica;

 O fluido refrigerante;

22
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

 A temperatura de condensação;

 A temperatura de evaporação.

Figura 13 - Compressor hermético.


http://www.multifrio.com.br/

Figura 12 - Compressor de sistema


comercial. http://www.hotfrog.com.br/

Figura 14 - Compressor industrial.


http://www.recomprefrigeracao.com.br/

5.2 Condensador
É um trocador de calor que têm a finalidade de dissipar o calor contido nos vapores
recalcados (descarregados) pelo compressor. A quantidade de calor a ser retirada inclui:
 O calor sensível dos vapores superaquecidos;
 O calor latente de condensação;
 O calor sensível do líquido até que a sua temperatura se aproxime o máximo
possível da do fluido de resfriamento que pode ser o ar ou a água.
A eficiência de um condensador depende:

a) Da construção do aparelho (forma, dimensões, diâmetro do tubo; número, forma


e afastamento das aletas, contato com o tubo, natureza dos metais usados para sua
fabricação.

23
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

b) Da temperatura ambiente;

c) Da ventilação local;

d) Do estado de limpeza do aparelho;

e) Das condições de funcionamento do grupo frigorífico.

A área de troca de calor ou o tamanho de um condensador a ar deve ser calculada


não só em função da potência frigorífica da máquina, mas também das suas condições de
utilização. As Figuras 15, 16 e 17 apresentam alguns tipos de condensadores.

Figura 15 – Condensador de
circulação natural a ar tipo arame
sobre tubos.
http://www.mundomaq.com

Figura 17 - Condensador de tubos


aletados de circulação
forçada.http://www.eletrodomesticosforu
m.com
Figura 16 - Condensador tipo
casco e tubo.
http://www.digconrefrigeracao.co
m.br

5.3 Dispositivo de expansão


Este dispositivo é o responsável pela redução de pressão e da temperatura do

24
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

refrigerante
líquido. A válvula atua como um controlador de fluxo entre o lado de alta pressão
(condensador) e o de baixa pressão (evaporador). Em sistemas mais simples, esta
válvula pode ser substituída por tubos capilares. Os principais tipos de dispositivos
medidores podem ser classificados em:
- Manuais;
- Tubo capilar;
- Automáticos.
Dentre os dispositivos automáticos, destaca-se a válvula de expansão termostática.
Dependendo da capacidade de evaporação e do tipo de sistema de refrigeração
empregado, pode-se ter também dispositivos do tipo válvula de bóia de alta pressão;
válvula de bóia de baixa pressão e a válvula pressostática.
A Figura 18 mostra detalhes construtivos de uma válvula de expansão automática
do tipo termostática e a Figura 19 apresenta o seu princípio de funcionamento. Um bulbo
sensor, posicionado na saída do evaporador, preenchido com gás refrigerante é ligado à
parte superior da válvula por um tubo capilar. A válvula é composta de um conjunto haste,
mola e diafragma. A pressão no interior do bulbo depende da temperatura deste em
contato térmico com a tubulação. Quanto maior a temperatura, maior a pressão que atua
no diafragma da válvula, fazendo abrir ou fechar o obturador, regulando a vazão de fluido
refrigerante. A função da mola é a de se contrapor à pressão exercida na parte superior
da válvula e a sua resistência pode ser alterada através de um parafuso de ajuste. Ou
seja, quanto mais contraída, maior terá que ser a pressão (e automaticamente a
temperatura na saída do evaporador) no diafragma para permitir a passagem de fluido
refrigerante.

25
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

Figura 18 - Válvula de expansão


termostática. Figura 19 - Princípio de funcionamento
de válvula de expansão termostática.
http://www.rearonline.com.br
http://www.mspc.eng.br

Caso a quantidade de fluido refrigerante no interior do evaporador seja pequena,


esta irá se superaquecer mais facilmente devido à carga térmica no interior do ambiente a
ser refrigerado. Com isto, a temperatura na saída aumenta, provocando o aumento na
pressão do bulbo sensor. Esta pressão atua no diafragma, aumentando a abertura do
obturador, aumentando a vazão de refrigerante no evaporador. Quando a carga térmica
no interior do espaço refrigerado diminui, ocorre o contrário, ou seja, diminuindo a
temperatura na saída do evaporador, a pressão do bulbo diminui, diminuindo a passagem
de fluido refrigerante pela válvula. A Figura 20 mostra um detalhe do posicionamento de
uma válvula de expansão termostática.

C
Figura 20 - Posicionamento de válvula de expansão termostática.
http://1.bp.blogspot.com
Este procedimento garante que o evaporador seja todo preenchido com fluido
refrigerante, para uma determinada condição de carga térmica e que o compressor não
venha a aspirar líquido.

26
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

5.4 Evaporador

Este equipamento tem a finalidade de fornecer uma superfície sobre a qual o ar


proveniente do recinto condicionado possa entrar em contato com o líquido refrigerante
que circula pelo interior dos tubos. Geralmente as serpentinas de evaporação são feitas
de tubos de cobre com ou sem aletas de cobre ou alumínio soldadas ao longo da
superfície metálica, ou feitas por pressão, entre duas placas que são depois soldadas
eletricamente. As aletas tornam a taxa de transferência de calor por unidade de área a
maior possível.
A absorção de calor do interior do refrigerador depende:
- do coeficiente de transmissão de calor do evaporador;
- da superfície do evaporador;
- da diferença existente entre a temperatura do evaporador e aquela do meio a
resfriar.
A classificação dos evaporadores pode ser feita tendo como critérios principais a
função reservada ao evaporador, resfriamento de ar, resfriamento de líquidos,
congelamento de um líquido; mas, por vezes, a sua função é múltipla (resfriamento de ar
e congelamento de líquido), como é o caso dos evaporadores das geladeiras domésticas.
Também poderemos adotar a seguinte classificação:
- Evaporadores domésticos (Figura 21)
- Evaporadores refrigeradores de ar (Figura 22 e Figura 23)
- Evaporadores refrigeradores de líquido
- Evaporadores congeladores
- Fabricação de gelo
- Evaporadores especiais
- Placas eutéticas.

27
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

Figura 21 - Evaporador tipo roll-bond.


Figura 23 - Evaporador automotivo tipo
http://classificados.hhcpar.com.br placas.
http://www.ambientfrio.com.br/img/evapora
dor.jpg

Figura 22 - Unidade
evaporadora.http://www.logismarket.in
d.br/

Para a seleção de um evaporador é necessário o conhecimento dos seguintes


fatores:
- a carga térmica;
- a temperatura da câmara;
- a diferença de temperatura do evaporador (a diferença entre a temperatura interna da
câmara e a temperatura de evaporação), o que permite controlar a umidade relativa da
câmara, como mostra a Tabela 5.

Tabela 5 - Diferenciais de temperatura para seleção de evaporadores em função da


umidade relativa.

∆T(oC) ∆T(oC)
 (%) Convecção Convecção
Natural Forçada
95 7  4 

90 8  6 

28
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

85 9  7 

80 10  8 

75 11  9 

Aplicação:

(1)Compressor; (1)Extrai o fluido refrigerante do evaporador, forçando-


o para o condensador;
(2)Condensador;

(3)Evaporador; (2)Dissipa o calor do fluido refrigerante produzido na


compressão e absorvido no processo de evaporação;
(4)Dispositivo de
expansão; (4)Responsável pela queda de pressão em um sistema
de refrigeração;

(3) Absorve o calor do meio a resfriar, provocando a


evaporação do fluido refrigerante;

b) Quais são os parâmetros que influenciam na escolha de um compressor de


refrigeração?

A capacidade frigorífica;
O fluido refrigerante;
A temperatura de condensação;
A temperatura de evaporação.

c) Cite dois fatores dos quais depende a eficiência de um condensador de


refrigeração. Justifique.

Ventilação local. Caso o aparelho seja instalado em local com ventilação


insuficiente, a taxa de dissipação será menor.

29
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

Temperatura ambiente. Caso o aparelho seja instalado perto de equipamentos


que dissipam calor, como fogões, ou em locais de baixa ventilação, a temperatura
média do ambiente será maior. Com isto, a diferença de temperatura entre o
condensador e o ambiente será menor, reduzindo a troca térmica.

________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

d) Diga qual a função e explique o funcionamento de uma válvula de expansão


termostática.

A válvula de expansão termostática encontra-se instalada na entrada dos


evaporadores e tem a função de regular a quantidade de fluido refrigerante no
evaporador, em função da carga térmica observada no espaço refrigerado. Um bulbo
sensor, instalado na saída do evaporador monitora indiretamente a temperatura
neste local e comunica a pressão produzida internamente com a parte superior do
diafragma da válvula fazendo abrir ou fechar o obturador, controlando a vazão de
refrigerante.

________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
__________________________________

6 CICLO TERMODINÂMICO IDEAL DE REFRIGERAÇÃO


Todos os processos físicos referentes aos sistemas de refrigeração descritos
acima podem ser representados termodinamicamente nos diagramas PRESSÃO x
ENTALPIA ou PRESSÃO x VOLUME, da Figura 24, do fluido refrigerante operante.
Considera-se, por simplificação, que o processo de compressão seja ideal e que não haja

30
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

perdas de carga (perda de pressão por resistências ao escoamento) ao longo do sistema


de refrigeração.

Figura 24 - Ciclo de refrigeração termodinâmico.

Visualizando o diagrama da Figura 24, temos os seguintes processos:

1 – 2´ - Compressão; 2 – 3 – Processo Isobárico de resfriamento e condensação; 3 – 4 –


Expansão isentálpica; 4 – 1 – Evaporação e aquecimento isobárico.

De posse destes diagramas é possível avaliar alguns parâmetros importantes do


ciclo que podem auxiliar tanto na execução de projetos, na condução de testes, quanto
em procedimentos de manutenção.

6.1 Efeito Refrigerante

O efeito refrigerante corresponde à quantidade de energia calorífica por unidade de


massa que o fluido refrigerante requer para que sofra mudança da fase líquida para a fase
gasosa e corresponde ao processo 4 – 1 do diagrama P x h da Figura 24.

ER  h1  h4 [kJ/kg]

(1.1)

onde h é a entalpia do fluido refrigerante em kJ/kg.

6.2 Capacidade de refrigeração

Capacidade de refrigeração é definida como a taxa de transferência de calor do


evaporador de um sistema de refrigeração.

31
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

Qev  m .(h1  h4 ) [kW]

(1.2)

 é a vazão mássica de refrigerante. (kg/s).


onde: m

6.3 Potência de compressão

É a potência entregue ao fluido refrigerante pelo compressor no processo 1 – 2´ do


ciclo de refrigeração.

Wcp  m .(h2'  h1 ) [kW] (1.3)

6.4 Taxa de dissipação do condensador

É a taxa de transferência de calor observada no condensador, e que corresponde à


capacidade de refrigeração acrescida da potência do compressor.

Qcd  m ( h2 '  h3 )  m ( h1  h3  h2  h1 ) [kW] (1.4)

6.5 Coeficiente de performance (COP)

O coeficiente de performance é um parâmetro utilizado para comparar o desempenho


entre os ciclos de refrigeração e é definido pela seguinte expressão:

Q ev
COP  (1.5)
Wcp

Ou seja, a relação entre a capacidade de refrigeração e a potência de compressão.

Oficina teórica:

a)Quanto maior a quantidade de energia absorvida pelo fluido refrigerante no


evaporador

maior é a sua qualidade. Qual a propriedade que representa esta capacidade de


absorção de calor?

Efeito refrigerante.

________________________

32
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

b) Dois ciclos de refrigeração são constituídos pelos mesmos trocadores de calor e


trabalham com as mesmas condições de entrada e saída dos evaporadores,
absorvendo cargas térmicas iguais. No entanto, os fluidos aplicados possuem
efeitos refrigerantes diferentes entre si. Em função do exposto, qual compressor
operará com maior capacidade?

O compressor do sistema de fluido com menor efeito refrigerante, visto que exigirá
maior vazão mássica de refrigerante.

________________________________________________________________________
_______________________________

c) O Coeficiente de Performance de um sistema de refrigeração pode ser maior que


a unidade?Discuta.

Sim. Basta que o efeito refrigerante seja maior que a energia consumida na
compressão.

________________________________________________________________________

Aplicação:

Um ciclo de refrigeração com R-134a opera nas pressões de 10 bar e 0,6 bar e
as seguintes informações são conhecidas:

- Vapor saturado na entrada do compressor – x = 1.

- Temperatura na saída do compressor – 72OC

- Grau de subresfriamento na saída do condensador – 5 OC

- Vazão de fluido refrigerante – 1,9 kg/h

Determine:

a) A potência de compressão;
b) A taxa de transferência de calor no condensador;
c) O efeito refrigerante;
d) A capacidade de refrigeração;
e) O coeficiente de performance.

Solução:
33
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

Determinação das entalpias dos pontos do ciclo

P[bar] T [oC] h[kJ/kg] x[-]

0,6 -37,07 224,72 1


1

10 72 304,5 -
2

10 34,39 97,88 -
3

0,6 97,88 0,3876


4

a) A potência de compressão é definida pela equação (1.3)

1, 9
Wcp  m .( h2  h1 )  (304, 5  224, 72)  42,1W
3600

b) A taxa de transferência de calor no condensador é definida pela equação


(1.4)

1, 9
Qcd  m ( h2  h3 )  (304, 5  97,88)  109W
3600

c) O efeito refrigerante é definido pela equação (1.1)

ER  h1  h4  224, 72  97,88  126,84 kJ / kg

d) A capacidade de refrigeração é definida pela equação (1.2)

1, 9
Q ev  m .( h1  h4 )  (224, 72  97,88)  66, 9W
3600

e) O coeficiente de performance é definido pela equação (1.5)

Q ev 66,9
COP    1,59
Wcp 42,1

7 Referências Bibliográficas

34
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

MORAN, M.J.; SHAPIRO, H.M “Princípios da Termodinâmica para Engenharia”, sexta


edição, Editora LTC, 2009.

DOSSAT, Roy J. “Manual de Refrigeração”, Editora Hemus, São Paulo, 2004.

STOECKER, W. F.; JABARDO, “Refrigeração Industrial”, Editora Edgard Blücher, São


Paulo SP, , oitava edição, 1994.

8 Anexos

Tabelas de saturação e de superaquecimento do fluido refrigerante R134a.

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NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

Tabela 6 - Tabela de saturação do R134a.

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NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

Tabela 7 - Tabela de saturação do R134a.

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NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

Tabela 8 - Tabela de vapor superaquecido do R134a.

38
NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

Tabela 9 - Tabela de vapor superaquecido do R134a.

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NA 10 – Refrigeração LACIT/DAMEC

Tabela 10 - Tabela de vapor superaquecido do R134a.

40