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Ciência Prática

A prática da ciência de forma simples

O que escrever na metodologia


Publicado em novembro 2, 2011 por Eduardo Yukihara

Apesar do conteúdo da seção de metodologia (“methodology” ou “materials and methods”) de um artigo científico
ser em princípio óbvio, na prática adotam-se diferentes estilos e alguns prejudicam o entendimento do artigo.
Além do mais, existem outras questões cuja resposta não é tão óbvia, como por exemplo: qual o nível de detalhe a
ser apresentado?

Em geral, a seção de metodologia descreve os equipamentos, amostras e procedimentos usados para obter os
resultados apresentados no artigo. O nível de detalhe deve ser suficiente para um especialista na área poder
reproduzir os resultados obtidos. Portanto, todos os detalhes experimentais e análises que podem afetar os
resultados devem ser apresentados e discutidos. Esse critério é um bom guia para julgar se o conteúdo da
metodologia está adequado.

Do ponto de vista estrutural, alguns autores preferem uma descrição geral dos métodos, enquanto outros
preferem descrever o procedimento usado em cada experimento específico. Vamos discutir um pouco mais esses
dois estilos.

Metodologia como descrição geral

Uma opção é usar a seção de metodologia para descrever os equipamentos, amostras e processos apenas de forma
geral, sem especificar como cada um se aplica aos experimentos individuais. Na seção de resultados, o autor pode
discutir brevemente como os instrumentos foram usados para obter os resultados que estão sendo apresentados.

Fazendo uma analogia com um carpinteiro escrevendo um artigo, na metodologia ele descreveria quais as
ferramentas usadas (e.g., tipo e fabricante do martelo, furadeira, serra, morsa, instrumentos de medida etc.),
ressaltando a função delas para a tarefa em questão, mas sem detalhar passo-a-passo como essas ferramentas
foram usadas para construir cada objeto. Nos resultados, ele discutiria como essas ferramentas foram usadas para
construir, por exemplo, o armário (isto é, o resultado) e apresentaria as características do armário construído.

Veja esses exemplos do que poderia ser apresentado na metodologia e nos resultados:

Metodologia: “All samples were irradiated with beta rays from a 90Sr/90Y source delivering a dose rate of 100
mGy/s, calibrated against the National Institute of Standards and Technology using to the protocol described by
Doe et al. (1983). Thermoluminescence measurements were carried out using a Risoe TL/OSL reader (model
TL/OSL-DA-15, Risoe National Laboratory, Roskilde, Denmark) at a heating rate of 1 °C/s using nitrogen gas and
using approximately 10 mg of powder deposited in steel cups.”

Resultados: “To obtain the dose response, the samples were irradiated with doses in the 100 mGy – 100 Gy range
and the thermoluminescence was read immediately following irradiation. For each dose, five aliquots were used to
estimate the uncertainties in the measurements. The results presented in Fig. 1 show that the response is linear in
the range investigated and…”

A vantagem deste tipo de estrutura é que ela permite ao leitor já familiar com os equipamentos e procedimentos
(ou simplesmente não interessado nos detalhes) entender os resultados sem necessariamente ler a metodologia.
Se o leitor tiver interesse, ele pode sempre consultar a metodologia para entender melhor o tipo de equipamento
usado ou como os dados foram analisados.
Se for esse o estilo, organize a metodologia (e.g. Seção 2) em sub-seções de acordo com instrumento ou
experimento, como por exemplo:

2.1.Samples

2.2.X-Ray Diffraction Analyses

2.3.Thermoluminescence Measurements

2.4.Data Analysis

2.5.Etc.

Metodologia como descrição específica dos experimentos

Outra opção para a metodologia é descrever cada experimento realizado em detalhe, além da descrição geral das
amostras e equipamentos usados. Nesse caso a seção de resultados apresenta apenas os resultados e sua
interpretação.

Digamos, por exemplo, que o autor estudou a sensibilidade, linearidade e dependência angular de um dado
detector. Nesse caso, o autor pode preferir descrever na metodologia cada um desses experimentos
detalhadamente, começando pelos equipamentos usados, mas incluindo os detalhes e a sequência de como esses
equipamentos foram usados.

No analogia com o carpinteiro, ele descreveria na metodologia não apenas as ferramentas usadas, mas como as
ferramentas foram usadas para construir cada objeto. Na seção de resultados ele descreveria apenas os objetos
produzidos e suas características.

Se for esse o estilo, organize a metodologia (e.g. Seção 2) em sub-seções de acordo com o experimento, como por
exemplo:

2.1.Detector

2.2.Determination of Sensitivity

2.3.Determination of Signal Linearity

2.4.Determination of Angular Dependence

2.5.Etc.

A seção de linearidade (seção 2.3) contém, por exemplo, uma descrição detalhada de como os dados foram
obtidos:

“The linearity of the detector was determined by exposing it to light with 255 nm wavelength from a deuterium
source, modifying the irradiance at the detector position using neutral density filters (model, manufacturer). The
neutral density filters were combined to obtain irradiance values between 10 mW/cm2 and 500 mW/cm2. The
detector reading was corrected for the background reading when the light source was off.”

A desvantagem desse tipo de estrutura é que o procedimento é apresentado em uma seção (metodologia)
enquanto os resultados são apresentados em outra seção (resultados). Isso obriga o leitor a ler a seção de
metodologia para entender os resultados, mesmo que ele não esteja interessado nos detalhes.
Não só isso. Como todos os experimentos foram descritos primeiro, e os resultados são só apresentados depois, é
difícil entender os resultados sem ter que consultar novamente a seção de metodologia o tempo todo. Na minha
opinião é importante que o artigo possa ser lido de forma linear sem prejudicar o entendimento. (Por exemplo,
deve-se sempre evitar referir-se a uma seção que aparece posteriormente no artigo.)

Talvez o tipo de investigação demande essa forma de apresentação. No entanto, considere as possibilidades e
identifique a que é mais adequada, isso é, a que permite uma comunicação mais clara e inequívoca do conteúdo
científico.

Outras sugestões para a metodologia

◾ Para equipamentos comerciais, indicar o tipo de equipamento, modelo, e fabricante. Em geral costuma-se
indicar a cidade e país do fabricante, mas para grandes empresas globalizadas (e.g., Hamamatsu), eu tenho
dúvidas de que esse tipo de informação é relevante.
◾ Evite detalhes irrelevantes que não afetam os resultados, como, por exemplo, o programa usado para fazer um
gráfico.
◾ Evite descrever o fundamento da técnica (por exemplo, qual o fundamento da técnica de difração de raios X).
Se isso tipo de descrição for realmente necessária, ela deve estar na introdução do artigo e não na metodologia.

Tenha também em mente que a discussão apresentada aqui não é exaustiva e certamente cada área de pesquisa ou
tipo de investigação pode exigir diferentes estruturas de metodologia. Independentemente do estudo, a ênfase
deve ser na clareza e precisão do texto, como em todo texto científico.

Ajude a melhorar este artigo: deixe um comentário com as suas dúvidas!

Leia também:

◾ Principais erros a evitar ao preparar um manuscrito


◾ Como organizar as idéias para um artigo científico

Contribuíram para este artigo: Emico Okuno e Stefanie Menusso

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Em "Publicações" Em "Redação científica"

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31 respostas para O que escrever na metodologia

Odenilde Pessoa da Costa disse:


novembro 26, 2012 às 6:15 pm

Muito boa a colocação e também muito pertinente.


Sou graduanda do curso de Licenciatura em espanhol no IFRN e sou muito grata pela contribuição.

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Responder

MARIA CICERA GOMES DE LUCAS disse:


janeiro 19, 2013 às 3:50 pm

Essa exposição me deu clareza para continuar a redação do meu projeto de mestrado, que realmente não é difícil, mas tem
algumas situações que as vezes trava o raciocínio. aleu, grata pela disponibilidade das informações.

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Everaldo Mota Melo disse:


março 1, 2013 às 10:46 am

Estou graduando em letras Português/Espanhol e achei fantástico o material.


Valeu mesmo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Dasdores Leitte disse:


março 22, 2013 às 7:32 pm

Foi muito bom, me ajudou bastante.

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Mestrando disse:
abril 1, 2013 às 7:00 pm

Muito bom!
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Romilda da Silva disse:


abril 28, 2013 às 4:30 pm

Graduada em farmácia..
Para participar de uma pesquisa de mestrado, é obrigatório que eu tenha participado de uma pesquisa de iniciação
científica????

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Eduardo Yukihara disse:


abril 29, 2013 às 1:53 am

Romilda, acho que preciso de alguém da área de Farmácia para responder a sua pergunta. Na Física a resposta é
não, não é necessário ter iniciação científica, embora a experiência da iniciação facilitará bastante o mestrado. Eu
acho a iniciação científica também uma boa oportunidade para explorar potenciais áreas para uma pós-graduação.
Eu mudei de área completamente da iniciação para o doutorado.

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Patricia disse:
maio 9, 2013 às 2:46 pm

Pedagoga – Patricia dos Santos


como construir uma metodologia de ensino para empresas
Podem me ajudar?

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Eduardo Yukihara disse:


maio 10, 2013 às 11:38 am

Patricia, eu infelizmente não tenho uma resposta. Fica a pergunta para os leitores. Se você entrou com seu e-mail
para acompanhar a discussão, deve receber uma mensagem quando alguém responder. Abraços.

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Pingback: Ciência prática: blog com dicas para acadêmicos | BIBLIOTECA DA FEAAC/UFC

Pingback: Ciência prática: blog com dicas para acadêmicos | Sistema de Bibliotecas UCS - Blog

Marcus Milanez disse:


setembro 12, 2013 às 8:55 pm

Muito bom o site, parabéns! Sou mestrando em modelagem de software e estou realizando uma investigação de uma técnica
específica de desenvolvimento de software. Não planejei no entanto, nenhum experimento para comprovar resultados. Há
algum problema em não realizar experimentos em projetos de mestrado? Existem metodologias que não envolvam
experimentos?

Obrigado!


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Responder

Eduardo Yukihara disse:


setembro 12, 2013 às 11:33 pm

Marcus, muito do que escrevemos vem da nossa experiência em Física experimental e com certeza não se aplica a
todas as áreas. Infelizmente não podemos comentar sobre cada área específica – essa é uma pergunta mais
apropriada para os orientadores. De qualquer forma, obrigado pelo apoio!

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Wandemberg Marques Soares disse:


fevereiro 17, 2014 às 3:07 pm

Wandemberg diz Oi Eduardo Muito bom o site, parabéns! Sou pós-graduado em historia e estou realizando uma investigação
em busca do mestrado ouvir uma fala de um representante de uma instituição que nós apresentou uma proposta de fazer o
mestrado fora do país em parceria com entidades espano fiquei preocupado foi com a validação do diploma você tem as leis
que eu possa me embasar e que tire essa duvida agradeço

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Responder

Michel disse:
março 9, 2014 às 2:40 am

Parabéns pelo site e obrigado pelas orientações !


Uma dúvida: sou mestrando em Engenharia Civil e estou preparando um artigo para um congresso onde pretendo
apresentar uma metodologia para medir certo parâmetro no campo. Já utilizo o método há algum tempo e tenho
vários resultados que me fornecem a incerteza da medição. A questão é: onde seria mais interessante apresentar os
detalhes sobre o cálculo da incerteza, no item Metodologia ou na Discussão ?

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Responder

Eduardo Yukihara disse:


novembro 19, 2014 às 4:15 am

O método geral eu escreveria na metodologia. Se quiser apresentar a estimativa da incerteza em algum


caso específico do resultado, eu colocaria iisso nos resultados.

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Milena Reis disse:


junho 16, 2014 às 11:36 pm

Adorei o site! Sou graduanda em ciências contábeis e tenho muita dificuldade em me expressar… valeu as dicas obrigada!

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Anônimo disse:
julho 31, 2014 às 7:43 am

Que bacana estas explicações isto ajuda a nos da corajem para enfrentar um mestrado sem tanto temor de falta de capacidade
intelectual.

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Bia disse:
novembro 3, 2014 às 11:12 am

Bom dia
não teriamos bons exemplos de descrição da metodologia em portugues?

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Eduardo Yukihara disse:


novembro 15, 2014 às 5:52 pm

Boa sugestão. Tentaremos preparar algo no futuro.

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Kethely Schumacher disse:


janeiro 3, 2015 às 11:07 am

Seria interessante a tradução do conteúdo em inglês para compreensão geral.

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Eduardo Yukihara disse:


janeiro 3, 2015 às 2:11 pm

Kethely, obrigado pela sugestão. De fato, a ideia original era ajudar com publicações internacionais, mas vejo que
o conteúdo tem utilidade para publicações me português também. Continuaremos a melhorar os artigos já
publicados e a publicar novos artigos.

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Anônimo disse:
maio 2, 2015 às 8:22 pm

A publicação esclareceu algumas dúvidas que tinha na construção de meu relatório empresarial.

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Tomas turbano timelo rego disse:


junho 11, 2015 às 2:00 am

Gostei

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leninha melo disse:


junho 29, 2015 às 4:41 pm
ola!Meu nome e Leninha e sou estudante de direito e ja estou fazendo meu projeto de pesquisa ,meu tcc o meu tema e
extinção do exame da ordem ,e tou na duvida como fazer as hipótese e a metodologia,gostaria de uma opinião alguém pode
me ajudar?Ficarei grato!

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MARIA ALICE ALVES DA SILVA . disse:


outubro 28, 2015 às 11:19 am

como faço a metodologia e analise de dados para educação tecnologica?

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veronica disse:
novembro 12, 2015 às 12:33 pm

Gostaria de uma ajuda para fazer a metodologia de um artigo.

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marcia disse:
dezembro 8, 2015 às 6:22 pm

Parabéns pelo artigo. Completo!

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Anônimo disse:
novembro 20, 2016 às 10:58 am

Estamos fazendo um projeto de artigo, sobre variações linguísticas, tudo que escrevemos, sobre a metodologia, nosso
orientador diz que está genérico, embora peça que não nos estendamos muito no texto, está difícil, alguém pode nos dar uma
sugestão?

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Marcos disse:
fevereiro 14, 2017 às 2:59 pm

Conheço um site que tem tudo sobre este assunto: http://www.revisaoetraducao.com.br/tcc-passo-a-passo-a-metodologia/


com várias dicas!

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