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―O que é necessário discutir, então, é:

Diante do progresso tecnológico, verificando-se o confronto entre o direito de


acesso à cultural e o direito autoral, deve-se conceder prevalência ao acesso à cultura
ou ao direito autoral?

Pense, reflita e escreva tuas conclusões, indicando exemplos práticos que


envolvam o acesso à música através de downloads, lembrando que o artigo 184 do
Código Penal já traz a previsão de que a cópia de apenas um exemplar, para uso
privado, não constitui crime... Entretanto, na área cível a cópia ainda constitui um ilícito
e pode envolver o indivíduo que realizou a cópia em uma ação judicial que implicará
indenização.‖

A favor do download livre via internet:

ARGUMENTOS A FAVOR —

O objetivo do artista cantor e compositor é a divulgação


da obra musical. A valorização econômica vem depois, é conseqüência apenas.

Esta é noção a partir do compositor artista expressa na


entrevista de Marisa Monte a Vinícius Queiroz Galvão da Folha de S.Paulo, em Nova York /
14/11/2006 :
Folha - Por falar em Bethânia, ela vai lançar dois discos.
Isso é uma tendência? É mercado, criação? Por quê?
Marisa - Nem sabia que ela ia lançar dois discos. Não sou a
primeira, e também não serei a última. Vários lançaram antes
de mim e vários depois. É uma coisa excepcional, mas pode
acontecer. O que rege esse ritmo é a inspiração. Ter alguma
coisa para registrar, para mostrar. Artistas como eu e como a
Bethânia fazemos as regras para a indústria do jeito que
realmente sentimos, com legitimidade, com honestidade.
Tendência mesmo é lançar música na internet, fazer
singles, em vez de álbuns.
Folha - CD é obsoleto, então?
Marisa - Vivemos numa era de transformação, pode ser. É
possível que daqui a dez anos não exista mais CD. Ou
exista para um público muito específico. Sinto várias opções
crescendo, como compra de música on-line, download. A
tecnologia digital é uma revolução.
Folha - E como isso muda a maneira de conceber a música, o
processo de criação?
Marisa - Por enquanto não mudou nada, mas é possível que
daqui a alguns anos eu possa olhar para trás e dizer o que
mudou. Antigamente, quando não havia LPs, havia aqueles
78 rotações, eram duas músicas por lado, e o artista
lançava vários discos por ano. Já foi diferente também.
Nem sempre foi assim como é hoje. É possível que em
alguns anos as pessoas lancem música por música na
internet, em seus sites. Não tenho noção do que vá
acontecer. É uma pergunta difícil. Por enquanto, ainda
estamos correndo atrás das transformações, que acontecem
mais rápido do que nossas reações a elas. Houve uma
retração grande do mercado por causa de uma pirataria
incontrolável. Não existe nenhuma tecnologia eficaz de
controle. Mas isso não transforma em nada a criação em si.
Quer dizer, a inspiração. Faço música independentemente de
gravar, de lançar, se vou ter disco. Isso nunca regeu meu ciclo
de criação. Faço as músicas que tenho vontade de fazer.
Tenho inspirações, idéias. E isso não vai mudar. É uma
questão de espírito, de ligação com a música.
Fonte : (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u66043.shtml)

A postura inicial do artista em geral é primeiramente, compor e


expressar-se. Se isto gerar direitos, vamos conversar...

Quem deseja fiscalizar e explorar vorazmente são os


detentores destes direitos. Normalmente, são as gravadoras, os produtores musicais, herdeiros
etc...
Os artistas ganham realmente é com os shows e
apresentações ao vivo. As gravações na verdade, servem apenas para divulgar o artista como
parte do marketing, além obviamente de fixar a obra permanentemente.

Com o advento da internet e do mp3, essa divulgação


multiplicou-se exponencialmente, o que só é ruim para os detentores dos direitos patrimoniais
desta obra.

Quem não tem uma canção preferida na memória? E que não


encontra em lojas especializadas, porém baixa da internet graciosamente? O dono dos direitos
dessa música que foi tirada de catálogo tem o direito moral de retirá-la do alcance da
comunidade, por simples opção pessoal? A obra não pertence de certa forma a humanidade, já
que foi criada para ela (a humanidade)? O sentido das gravações não é tão somente, o registro
e a perpetuação do espírito do artista e da obra?

E o espírito da lei do D. A. é de que se houver lucro de alguém


sobre a execução da obra, este lucro deve ser repartido com o autor simplesmente. Daí a
proteção legal.
A questão central é a palavra ―lucro‖: exploração comercial.

Logo, se individual e artesanalmente para uso próprio, sem fim


comercial, copio uma obra apenas para apreciar o trabalho. Estarei abusando do direito
PATRIMONIAL do autor? Digo, especificamente estarei prejudicando o faturamento?

Isto é bem diferente de se produzir ilegalmente e em série,


utilizando matrizes PIRATAS, coletâneas ou obras completas de vários autores e coloca-las no
mercado para obter lucro ou levar a bancarrota uma empresa totalmente legalizada.

Acredito que chegará o momento em que a novidade


(mp3/P2P) cansará o usuário, e ele, voltar-se-á para o produto com qualidade profissional e
legalizado ... seja ele do formato ou suporte que for.

A música tem apelo primal. Ela já existia antes do computador


antes do rádio, TV e da eletricidade.

O objetivo da musica como arte, é a divulgação. Ela faz parte


da cultura dos povos. E embora seja uma propriedade personalíssima, também tem o cunho
coletivo, pois como fenômeno, retrata o imaginário de uma população. E, em meio a
globalização é uma das formas de manter a identidade social de um grupo.

Se, é espontânea, a manifestação da criatividade musical


artística, também o é a receptividade da população. Então, colocar cabrestos naquilo que o
povo elege por identificação, impedindo o acesso a obras ou apelando para artigos da lei
Autoral para tornar ilegal esta possibilidade, é distorcer o espírito de proteção do direito e mais
é beirar a litigância de má-fé.

Lessig, em sua obra ―Cultura Livre‖, página 289, destaca 4


categorias de uso do download livre em redes de compartilhamento na internet :

CATEGORIA A, dos que usam os downloads como substitutos


dos CDs;
CATEGORIA B, dos que usam os downloads como amostra
antes de comprar os CDs;
CATEGORIA C, dos que usam os downloads para ter acesso a
obras que não mais estão a venda (fora de
catálogo), no entanto são atingidos pela lei
autoral;
CATEGORIA D, dos que usam os downloads para ter acesso a
músicas que não são proibidas, pois o
proprietário da obra permitiu plenamente o
uso livre da mesma.

Destas categorias, apenas a A e a C produzem possíveis


prejuízos ao autor. Ressalvando-se que, a categoria C não está competindo ou desviando o
faturamento da obra, uma vez que não está sendo distribuída e posta à venda comercialmente.

Argumenta Lessig, que o download é viciante, mas que porém,


em 10 anos não será mais. Hoje a forma mais ―prática‖ é o download, mas a internet está em
evolução. Daqui a 10 anos a forma de adquirir-se ―conteúdo‖ será outra. Esse autor antevê
que haverá um momento em que todo aparelho elétrico estará conectado à internet, ou via
rede elétrica, ou via wireless. Deduz assim, que, quando for extremamente fácil conectar-se a
serviços de conteúdo (por exemplo, rádios webs, jukeboxs), não se pensará em fazer download
algum.

Nas palavras de Lessig,

“Será mais fácil ... assinar um serviço de conteúdo do que se


tornar administrador de um banco de dados, como todos no
mundo da tecnologia de compartilhamento (download), como o
Napster, essencialmente se tornam. “ p. 290

E já é assim no Japão, onde o sistema de telefonia fornece on-


-line serviço de música diretamente para os aparelhos celulares. Mesmo existindo a
possibilidade de baixar músicas manualmente da internet, a facilidade prevalece.

Conclui-se, então, que o download livre, apesar dos


transtornos econômicos causados, é apenas uma etapa de um processo maior. É transitório.
Faz parte de uma evolução e acomodação da revolução digital. E que, logo ele será suplantado
por outra forma mais eficaz de troca de informação que, necessariamente, atenderá a gregos e
troianos.

ARGUMENTOS A FAVOR —

Iniciando a pesquisa a respeito do Direito de Autor sobre a música na perspectiva do


livre acesso à cultura é possível que se chegue, ainda que previamente, a alguns
apontamentos que poderão contribuir para a elucidação da questão no debate final, durante a
apresentação do seminário.
Nesse contexto, é importante trazer à luz do debate já no primeiro relatório de pesquisa
o artigo da advogada carioca Daniela Schaun Jalil, elaborado em 2003 para uma espécie de
enciclopédia jurídica mantida no site de endereço eletrônico

http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4410

. No texto, a advogada trabalha os diversos aspectos do Direito de Autor sobre a música


na Internet. Calcada na Lei Federal Nº 9.610/98 e em autores que tratam do tema, a advogada
cita uma série de questões relativas ao paradoxo entre D.A. e novas tecnologias.

É possível, já nesse momento da pesquisa, que se aponte para uma primazia do direito
de acesso à cultura ao D.A. no que trata de consumo próprio. Ou seja, a música que o usuário
da Internet baixa para consumir, e não para reproduzir. Nesse sentido, segue abaixo trecho do
artigo de Jalil.

OBS: Em anexo, post publicado no site do Estadão – mantido pelo jornal Estado de São Paulo
– tratando de questões envolvendo acesso de brasileiros ao site norte-americano Pandora que
oferece livre acesso à músicas.

 Trecho extraído do texto Direitos autorais sobre a música na Internet


(http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4410), escrito pela advogada Daniela
Schaun Jalil, no Rio de janeiro, em 2003.

Exceções à Incidência dos Direitos Autorais

Deve-se ressaltar que a lei estabelece algumas exceções, permitindo o uso da música
sem a necessidade de prévia autorização nem a incidência de remuneração por direitos
autorais. São casos como o uso doméstico, a demonstração a clientela, entre outros, dispostos
no art. 46 e seguintes da Lei 9.610/98.

Contudo, em que pese a regra exigir a autorização do autor, é importante mencionar as


limitações dos direitos autorais, em grande parte previstas no art. 46, sendo que, no tocante às
obras musicais, as exceções encontram-se principalmente nos incisos, II, V e VI:

Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:

(...) II - a reprodução, em um só exemplar de pequenos trechos, para uso privado do


copista, desde que feita por este, sem intuito de lucro;

(...)V- a utilização de obras literárias, artísticas ou cientificas, fonogramas e transmissão


de rádio e televisão em estabelecimentos comerciais, exclusivamente para demonstração à
clientela, desde que esses estabelecimentos comercializem os suportes ou equipamentos que
permitam a sua utilização;

VI- a representação teatral e a execução musical, quando realizadas no recesso familiar


ou, para fins exclusivamente didáticos, nos estabelecimentos de ensino, não havendo em
qualquer caso intuito de lucro;

No tocante à reprodução, devemos observar que no art. 46, inciso II, houve uma
inovação com relação a Lei anterior (Lei nº 5.988/73), a qual era mais abrangente e no seu art.
49, inciso II, permitia "a reprodução, em um só exemplar, de qualquer obra, contanto que não
se destine à utilização com intuito de lucro". O legislador de 1998, acrescentou a expressão "de
pequenos trechos", como podemos notar acima. Desse modo, ele restringiu ainda mais a
permissão da reprodução da obra sem autorização. Transpondo tal dispositivo legal juntamente
com o art. 5º, inciso VI, para a questão da música na Internet, entende-se que está
expressamente proibida a reprodução da música através da Internet, mesmo sem o intuito de
lucro, ao menos que seja apenas a reprodução de pequenos trechos da obra.

Outra observação importante é quanto ao inciso V, do mesmo art. 46, no qual pode se
enquadrar as lojas virtuais de CDs. Note-se que, a maioria dessas lojas atualmente são
controladas pelas grandes gravadoras, que encontraram neste nicho um mecanismos de se
adaptarem ao comércio eletrônico (e-commerce).

De fato, com os avanços da tecnológicos advindos com a Internet, percebe-se uma


nítida mudança na Indústria fonográfica. Esta foi obrigada a enquadrar-se ao novo mercado de
exploração e aos novos sistemas de negócios praticados da rede de computadores.

A distribuição digital mudou a dinâmica da indústria fonográfica. Uma das soluções que
está sendo adotada pelas gravadoras, é "entrar na onda", ou seja, entrar no espaço cibernético
na tentativa de também tirar proveito da nova tecnologia e do novo mercado consumidor.

Anexo

02.05.07

Pandora pode restringir acesso a músicas online


por Alexandre Barbosa, Seção: Vida online s 16:53:19.

Os fãs do site de rádios online Pandora no Brasil estão ficando


com os cabelos em pé. É que usuários cadastrados do serviço
que tem como mote ser 'o projeto genoma da música', estão
recebendo mensagens de e-mail que indicam que eles estão
fora dos EUA e que a empresa pode começar a restringir o
acesso às suas preferências.

Resumindo, o acesso ao Pandora pode ser bloqueado em


breve por conta de restrições de direitos autorais. O acesso
nesta quarta-feira ainda era normal. Sabe Deus se isso muda
mais tarde.

Em tempo, o e-mail enviado pelo fundador do serviço, Tim


Westergren, não esclarece se a restrição também vale para a
rádio online do portal MSN, da Microsoft, que também usa a
base de dados do Pandora (saiba mais sobre esta história
aqui).

ATUALIZAÇÃO: como vocês podem ver pelo comentário do


leitor abaixo, o Pandora já bloqueava os usuários brasileiros na
madrugada desta sexta-feira, bloqueio este estendido ao
serviço de rádio do portal MSN. Pena. Mesmo usando recursos
para driblar a restrição, o bloqueio de serviços como o Pandora
representam uma perda para os amantes da música em todo o
mundo.
2 comentários
Comentários:

Comentário de: Andrey Kamykovas [Visitante]

03.05.07 @ 01:01
Deus nos deu os Proxyes para serem usados!

Usem e abusem!

Aconselho a todos ter uma lista de proxyes confiáveis, desde


que a *** da Ciscarelli tentou bloquear o Youtube.

Pra quem nao sabe, existe um navegador com proxy embutido,


nao me recordo o nome...

Comentário de: rafael [Visitante]

04.05.07 @ 02:25
O pandora acabou de acabar...as 2h20, madrugada de quinta
pra sexta, dia 04 de maio de 2007.

ARGUMENTOS A FAVOR —

Música na internet deve ser gratuita?

Duas das maiores gravadoras do mundo, a Warner e a BMG, chegaram a um acordo fora dos
tribunais com o MP3.com, o site que permite o acesso a milhares de canções arquivadas no
formato mp3.
Acredita-se que a MP3.com pagou entre US$ 75 e US$ 100 milhões às gravadoras para ter o
direito de fornecer canções dos artistas da BMG e da Warner.
Isso põe fim a apenas um dos vários casos que estão sendo decididos na justiça americana,
envolvendo gravadoras, artistas e sites da Internet.
O mais polêmico é o da ação movida pela Associação Americana das Gravadoras e uma série
de bandas contra o Napster.com, um site que torna o acesso a milhares de arquivos musicais
uma brincadeira de criança.
Estima-se que cerca de 3 milhões de downloads de arquivos de MP3 são feitos por dia.
Milhares de arquivos são trocados entre os fãs todos os dias pela internet.
O caso Napster divide os músicos. Metallica conta com o apoio de Madonna, Elton John, Lou
Reed, Puff Daddy e Dr. Dre para acabar com a chamada "mamata" do MP3 na rede.
Do outro lado, há músicos, como a banda Offspring, que acham que os fãs devem ter todo o
direito de usar a Internet para trocar informação e músicas.

Na minha opinião, os usuários devem ter o direito de baixar e trocar músicas pela internet.
Quando você baixa um desses arquivos, você vai ter apenas uma amostra ou uma só música
daquele artista, e não todo o CD. As pessoas gostam de baixar músicas e trocar músicas na
internet por causa do custo dos CDs. Se caíssem um pouco os preços dos CDs, talvez
ninguém levasse prejuízo. O que deveria ser aqui posto em questão é o papel das gravadoras,
as quais os artistas alienam o seu direito de propriedade, em primeiro lugar. Em geral, sao
corporações que pouco investem na formação de novos talentos, que encontram uma
excelente alternativa no formato mp3. O que está em jogo, na realidade, não são direitos de
propriedade artística, mas a sobrevivência de uma indústria fonográfica que se vê ameaçada
diante de uma alternativa economicamente atraente para os artistas, que passam a ter um
maior poder sobre a própria produção. Acho que deve ser liberada a música gratuita pela
internet, pois com certeza a grande maioria dos internautas não tem recursos de gravar seus
arquivo mp3 e gravá-los em formato de cd de áudio. Com isso não irá prejudicar de forma
alguma a indústria da música.

Baixar músicas pela internet se tornou um hábito para muitos usuários da rede mundial de
computadores. Sem pagar por elas, a maioria das pessoas baixam as músicas para uso
próprio. Apesar desse público não ser a grande preocupação do Conselho Nacional de
Combate à Pirataria, pouca gente sabe que essa prática também é criminosa.
Um rapaz, que não quis se identificar, diz que baixar músicas já virou rotina, uma vez que foi a
maneira encontrada por ele para selecionar somente o que gosta. ―Eu utilizo muito as músicas
no formato de MP3 para ouvir música no carro. Com a possibilidade de baixá-las, não preciso
comprar uma coletânea, que muitas vezes não tem tudo o que eu gosto‖, explica.
De acordo com a Associação Anti-Pirataria Cinema e Música (APCM), o rapaz se enquadra no
perfil da maioria das pessoas que baixam música ilegalmente pela internet, onde 60% são
jovens, com idade entre 15 e 24 anos e das classes sociais A e B. Além disso, um terço deles
vivem no Estado de São Paulo. Vale lembrar que, no Brasil, 63% dos DVDs comercializados
são ilegais.
O coordenador da APCM, Ygor Valério, diz que a indústria ainda estuda uma maneira de
chegar até o este tipo de usuário, seja com medidas educativas ou repressivas. ―O fato é que
ainda não se chegou a um consenso de como fazer para que esse público migre para o
mercado legal de música on line‖, explica.
Copiar músicas e filmes se tornou fácil na era digital. Com o uso de computadores, o material
audiovisual pode ser duplicado, muitas vezes, mantendo a qualidade do original. Distribuídos
de graça ou vendidos a preços baixos, os produtos piratas causam um prejuízo milionário para
artistas, gravadoras e estúdios de cinema.
Segundo o presidente conselheiro da associação, Luiz Paulo Barreto, a grande preocupação
do Conselho Nacional de Pirataria não são as pessoas que baixam música para uso próprio. ―O
problema é quando começa a envolver a comercialização dessas músicas‖, afirma.
Mas nem tudo que é baixado pela internet é ilegal. Existem sites onde o usuário paga uma taxa
para ter o direito de copiar a música. O custo por faixa varia entre R$ 2,00 e R$ 3,00 e dá o
direito de ouvi-la sem restrição, copiar em um CD ou transferir para um aparelho de MP3. O
que é proibido é a venda deste material.
Muitas pessoas também não vêem problema na distribuição de músicas pela rede. Ely
Muzamba, vocalista de uma banda, usa o próprio site para tornar as canções deles
conhecidas. ―Como ainda somos um grupo independente, e o mais importante no momento é
divulgar o nosso trabalho, a vantagem é que as pessoas podem conhecer as músicas e depois
comprá-las. Não vemos isso como prejuízo‖, afirma.
Na hora de baixar música na internet, uma maneira de saber se o site está dentro da lei é ler o
contrato de licença de uso, que deve falar que todos os direitos autorais são pagos. Denúncias
podem ser feitas para o e-mail da Associação Anti-Pirataria: denuncia@apcm.org.br

Tabu pirata
Download de filmes e livros para uso privado não é crime

por Manoel Almeida

Apesar de fazer parte do cotidiano dos brasileiros de todas as classes sociais, a pirataria ainda
é fonte de muitos erros, tabus e mistificações. Confundem-se atividades tão distintas quanto a
clonagem em larga escala de produtos patenteados, para comércio não autorizado, com a
simples cópia doméstica desses mesmos produtos para compartilhamento entre particulares.

Divulga-se ser crime toda utilização de obra intelectual sem expressa autorização do titular
num país onde até o presidente da República confessa fazer uso de cópias piratas.
Comparam-se cidadãos de bem a saqueadores sanguinários do século 18.
Os delatores fundamentam-se, invariavelmente, no Título III do Código Penal Brasileiro, Dos
Crimes Contra a Propriedade Imaterial, artigo 184, que trata da violação dos direitos de autor e
os que lhe são conexos.

São comuns assertivas do tipo ―é proibida a reprodução parcial ou integral desta obra‖, ―este
material não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído‖, ―pirataria é crime‖,
―denuncie a falsificação‖. É proibido, ainda, ―editar‖, ―adicionar‖, ―reduzir‖, ―exibir ou difundir
publicamente‖, ―emitir ou transmitir por radiodifusão, internet, televisão a cabo, ou qualquer
outro meio de comunicação já existente, ou que venha a ser criado‖, bem como, ―trocar‖,
―emprestar‖ etc., sempre ―conforme o artigo 184 do Código Penal Brasileiro‖.

Não é esta, todavia, a verdadeira redação do artigo. Omitem a expressão ―com intuito de lucro‖,
enfatizada pelo legislador em todos os parágrafos (grifou-se):
o
§ 1 Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro
direto ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual,
interpretação, execução ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do
artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os
represente: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
o o
§ 2 Na mesma pena do § 1 incorre quem, com o intuito de lucro direto ou
indireto, distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta,
tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido
com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou
do direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra
intelectual ou fonograma, sem a expressa autorização dos titulares dos direitos
ou de quem os represente.
o
§ 3 Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra
ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a
seleção da obra ou produção para recebê-la em um tempo e lugar previamente
determinados por quem formula a demanda, com intuito de lucro, direto ou
indireto, sem autorização expressa, conforme o caso, do autor, do artista
intérprete ou executante, do produtor de fonograma, ou de quem os represente:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
o o o o
§ 4 O disposto nos §§ 1 , 2 e 3 não se aplica quando se tratar de exceção ou
limitação ao direito de autor ou os que lhe são conexos, em conformidade com o
previsto na Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, nem a cópia de obra
intelectual ou fonograma, em um só exemplar, para uso privado do copista, sem
intuito de lucro direto ou indireto.

Tanto o objeto da lei é ―o intuito de lucro‖, e não simplesmente a cópia não autorizada, que
CDs, VCDs, DVDs ou VHSs mesmo originais não poderão ser exibidos ao público sem
autorização expressa do titular do direito.

Se o comércio clandestino (camelôs, estabelecimentos comerciais e sites que vendem cópias


não autorizadas) é conduta ilegal, porém o mesmo não se pode afirmar sobre cópias para uso
privado e o download gratuito colocado à disposição na internet. Só é passível de punição:

Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto


ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação,
execução ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do artista intérprete
ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os represente (art.
184, § 1º).

Contrario sensu, é permitida a cópia integral de obra intelectual, sem autorização do detentor
do direito autoral, desde que não se vise lucro, seja direto, seja indireto, mas é proibida a cópia
não autorizada, mesmo parcial, para fins lucrativos. Assim, não comete crime o indivíduo que
compra discos e fitas ―piratas‖, ou faz cópia para uso próprio; ao passo que se o locador o fizer
poderão configurar-se violação de direito autoral e concorrência desleal.

Pelo Princípio da Reserva Legal, segundo o qual não há crime sem lei anterior que o defina,
nem pena sem prévia fixação legal[1], a cópia integral não constitui sequer contravenção. No
Brasil, quem baixa arquivos pela internet ou adquire produtos piratas em lojas ou de
vendedores ambulantes não comete qualquer ato ilícito, pois tais usuários e consumidores não
têm intuito de lucro.

O parágrafo segundo do artigo supracitado reforça o caráter econômico do fato típico na


cessão para terceiros:
o
§ 2º - Na mesma pena do § 1 incorre quem, com o intuito de lucro direto ou
indireto, distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta,
tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido
com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou
do direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra
intelectual ou fonograma, sem a expressa autorização dos titulares dos direitos
ou de quem os represente.

E assim seguem os parágrafos subseqüentes. Todos repetem a expressão ―com intuito de


lucro direto e indireto‖, expressão esta, como visto, que desaparece sempre que a lei é
invocada na defesa dos interesses da Indústria.

Por conseguinte, mais coerente seria denominar-se pirata apenas as cópias feitas com intuito
de lucro, direto ou indireto. Este último, diferentemente da interpretação apressada dos
profanos no afã de imputar o consumidor, não é a economia obtida na compra de produtos
ilegais. Ocorre lucro indireto, sim, quando gravações de shows são exibidas em lanchonetes e
pizzarias, ou executa-se som ambiente em consultórios e clínicas, sem que tal reprodução,
ainda que gratuita, fosse autorizada. A cópia não é vendida ou alugada ao consumidor, mas
utilizada para promover um estabelecimento comercial ou agregar valor a uma marca ou
produto[2].

A cópia adquirida por meios erroneamente considerados ilícitos para uso privado e sem intuito
de lucro não pode ser considerada pirataria; sendo pirataria, então esta não é crime.

As campanhas anti-pirataria são cada vez mais intensas e agressivas e os meios de


comunicação (muitos dos quais pertencentes aos mesmos grupos que detêm o monopólio
sobre o comércio e distribuição de músicas e filmes) cumprem seu papel diário de manter a
opinião pública desinformada.

Nenhum trecho de livro poderá ser reproduzido, transmitido ou arquivado em qualquer sistema
ou banco de dados, sejam quais forem os meios empregados (eletrônicos, mecânicos,
fotográficos, gravação ou quaisquer outros), salvo permissão por escrito, apregoam a
Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) e as editoras. De fato, na quase
totalidade das obras impressas, o leitor depara-se com avisos desse tipo:

Todos os direitos reservados, incluindo os de reprodução no todo ou em parte


sob qualquer forma. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou
transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios sem permissão escrita da
Editora.

Novamente, não é o que a legislação estabelece. O artigo 46 da Lei dos Direitos Autorais
impõe limites ao direito de autor e permite a reprodução, de pequenos trechos, sem
consentimento prévio. E o parágrafo quarto, acrescentado pela Lei n° 10.695 ao artigo 184 do
Código Penal Brasileiro, autoriza expressamente a cópia integral de obras intelectuais, ficando
dispensada, pois, a ―expressa autorização do titular‖:
Não constitui crime ―quando se tratar de exceção ou limitação ao direito de autor
ou os que lhe são conexos‖ nem ―a cópia em um só exemplar, para uso privado
do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto‖.

Ao mesmo tempo em que fatos são distorcidos, são omitidas as inúmeras vantagens de livros e
revistas digitalizados, como seu baixo custo de produção e armazenamento, a enorme
facilidade de consulta que o formato proporciona e seus benefícios ecológicos.

Seguindo a cartilha da administração Bush, órgãos como a Federação dos Editores de


Videograma (Fevip) e o Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP) foram ainda mais
longe ao associar todos os piratas às quadrilhas de crime organizado e ao terrorismo
internacional. Também essas entidades ignoram, olvidam ou omitem que o lucro seja fator
determinante para tipificação da conduta ilícita.[3]

O ápice, até o momento, dessa verdadeira Cruzada antipirataria foi atingido com a campanha
mundial da Associação de Defesa da Propriedade Intelectual (Adepi) divulgada maciçamente
nas salas de cinema, fitas e DVDs (inclusive ―piratas‖). Embalado por uma trilha sonora
agitada, o video clip intercala diversas cenas de furto com as seguintes legendas: ―Você não
roubaria um carro‖. ―Você não roubaria uma bolsa‖. ―Você não roubaria um celular‖. Sempre
inquieta, a câmera flagra diversos furtos simulados, finalizando com atores furtando uma
locadora e comprando filmes de um camelô, imagens que antecedem a acintosa pergunta: ―Por
que você roubaria um filme?‖. O silogismo é barato e a conclusão, estapafúrdia: ―Comprar filme
pirata é roubar. Roubar é crime. Pirataria é crime!‖.

Repita-se: comprar filme pirata é conduta atípica. E mesmo se fosse crime, não seria ―roubo‖.
As cenas da própria campanha, conforme dito, são simulações pífias de furtos, não de roubos.
Na definição do Código Penal Brasileiro, em seu artigo 157, roubar é subtrair coisa móvel
alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça, violência ou outro meio que reduza a
possibilidade de resistência da vítima.[4]

A premissa ―comprar filme pirata é roubar‖ é despida de qualquer sentido e de fundamentação


legal, tratando-se de propaganda falsa, caluniosa e abusiva, sujeita a sanções do Conar[5] e
persecução criminal. Veja-se os arts. 138 e 37 do Código Penal e do Código de Proteção e
Defesa do Consumidor, respectivamente:

Calúnia: Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido


como crime: pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. § 1º - Na
mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.

Art. 37 - É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. § 1° É enganosa


qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário,
inteira ou parcialmente falsa.

Portanto, se houver crime é o perpetrado pela abominável campanha, que por sua vez vem
somar-se a outros embustes, como o criado pela União Brasileira de Vídeo (UBV), de que
produtos piratas danificariam os aparelhos, quando na verdade quem os danifica é a própria
indústria ao instalar códigos de segurança que tentam impedir cópias.

Além de travas como a video guard, instaladas pelos titulares do direito de reprodução dito
―exclusivo‖, manifestamente danificarem a integridade física dos aparelhos, afrontam o art. 184
supracitado. Quem adquire um produto tem o direito de fazer uma cópia de segurança
(backup), até porque ainda não se sabe qual a vida útil desses produtos.[6] Os fabricantes que,
sob qualquer pretexto, obstam o exercício desse direito cometem ato ilícito.

Ademais, se quem compra produtos piratas estaria sendo ―enganado‖, ―lesado‖, é vítima, não
―ladrão‖. E se gravações de discos e fitas caseiros de fato provocassem danos, os mesmos
seriam causados pelas mídias virgens legalmente vendidas pelas gigantes Sony, Basf,
Samsung, Philips etc. e utilizadas pela população, nela incluídos os ―piratas‖.
Na guerra contra os piratas vale tudo: intimidação, propaganda agressiva e incitação a
delações, táticas coercitivas típicas de regimes autoritários. Outro episódio audacioso, senão
ilegal, foi recentemente protagonizado pela maior empresa de softwares do mundo, que em
2005 lançou o WGA, sigla para Windows Genuine Advantage, programa que monitora a
autenticidade do sistema operacional Windows.

Por esse sistema de checagem de veracidade via internet, a Microsoft entra no


computador do usuário, coleta informações como quem produziu a máquina, o
número de série do disco rígido e a identificação do sistema Windows. Se a
cópia do Windows for ilegal, o usuário passa a receber alertas diários, sempre
que liga sua máquina. Assim, a empresa faz um check up diário de suas
máquinas. Essa abertura de comunicações tem alarmado os usuários, que
dizem ser uma quebra nos padrões de privacidade e confiança. O assessor de
mídia da Microsoft, Jim Desler, insiste que checagem de pirataria não é
espionagem.[7]
UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS - UNISINOS
CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS
DISCIPLINA: PROPRIEDADE INTELECTUAL
Profª ÂNGELA KRETSCHMANN

RELATÓRIO DE ATIVIDADES Nº 1
SEMINÁRIO DO DIA 26/11
GRUPO: MÚSICA

FAVORÁVEL AO LIVRE ACESSO À MÚSICA

SÃO LEOPOLDO, 24 DE SETEMBRO DE 2007.