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capítulo 1

Amplificadores
operacionais
Graças à tecnologia dos circuitos integrados, amplificadores diferenciais e operacionais tornaram-
se dispositivos de baixo custo, possuindo excelente desempenho e sendo facilmente utilizados.
Este capítulo apresenta a teoria e as características de tais amplificadores, e algumas dentre as
várias aplicações possíveis também são abordadas.

Objetivos deste capítulo


Prever as relações de fase em amplificadores diferentes.
Determinar o parâmetro CMRR de amplificadores diferenciais.
Calcular a largura de banda de potência de amplificadores operacionais.
Determinar o ganho de tensão de amplificadores operacionais.
Determinar a largura de banda de pequenos sinais de amplificadores operacionais.
Identificar várias aplicações de amplificadores operacionais.

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VCC
O amplificador diferencial 

Um amplificador pode ser projetado para respon-



der a uma diferença entre dois sinais de entrada. 
Este amplificador possui duas entradas e é deno-
minado AMPLIFICADOR de diferença ou DIFERENCIAL.

A Figura 1-1 mostra um arranjo básico, em que a VEE
tensão de alimentação VEE fornece a polarização Figura 1-2 Fonte de alimentação dual com baterias.
direta para a junção base-emissor e VCC polariza
os coletores reversamente. Essas fontes de alimen-
tação são chamadas de DUAIS, BIPOLARES ou simé- sinal invertido em seu coletor. Entretanto, o dis-
tricas. Duas baterias podem ser empregadas para positivo também opera como um seguidor de
se obter uma fonte de alimentação bipolar, como emissor e aciona o emissor de Q2. Por sua vez, Q2
mostra a Figura 1-2. Na Figura 1-3, tem-se um cir- atua como um amplificador base comum porque
cuito retificador bipolar. o emissor é a entrada e o coletor é a saída. As con-
Um amplificador diferencial pode ser acionado a figurações seguidor de emissor e base comum
partir de apenas uma de suas entradas, como mos- não produzem inversão de fase, de modo que o
tra a Figura 1-4, em que surge um sinal de saída em sinal do coletor de Q2 encontra-se em fase como
ambos os coletores. Considere que a entrada acio- o sinal da fonte.
na a base de Q1 no sentido positivo. A condução em O amplificador diferencial da Figura 1-4 também
Q1 aumentará porque este é um dispositivo NPN. pode ser acionado através do lado direito. Em ou-
Haverá uma queda de tensão maior no resistor de tras palavras, a fonte do sinal pode ser desconecta-
carga de Q1 em virtude do aumento da corrente. da da base de Q1 e conectada à base de Q2. Se isso
Assim, isso tornará o coletor de Q1 menos positivo. ocorrer, um sinal em fase será verificado no coletor
Logo, uma saída invertida encontra-se disponível de Q1, enquanto um sinal defasado surgirá no co-
no coletor de Q1. letor de Q2.
Na Figura 1-4, Q1 comporta-se como um amplifi- De acordo com a Figura 1-4, encontram-se dispo-
cador-emissor comum e é por isso que surge um níveis a saída invertida (defasada) e a saída não

VCC

RL1 RL2

Entrada 1 Entrada 2

RB1 Q1 Q2 RB2

RE
Eletrônica II

VEE

Figura 1-1 Amplificador diferencial.

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VCC da rede de alimentação CA (em 50 ou 60 Hz) é um
 problema comum em eletrônica, especialmente
 quando se trata de amplificadores de alto ganho.
Os circuitos de potência de 60 Hz irradiam sinais

que são captados por circuitos eletrônicos sensí-
 veis. Se o ruído de baixa frequência for comum a
VEE
ambas as entradas (mesma fase), ocorrerá a rejei-
Figura 1-3 Fonte de alimentação dual com retificador. ção desse distúrbio.
A Figura 1-6 mostra como o ruído de baixa fre-
invertida (em fase). Isso é verificado entre o terra quência pode afetar um dado sinal. O resultado é
e os terminais coletores, resultando em SAÍDAS COM um sinal distorcido com baixa qualidade. Os ruídos
TERMINAÇÃO SIMPLES. Há também uma SAÍDA DIFE- de baixa e alta frequência podem se tornar mais
RENCIAL, existente entre o coletor de Q1 e o coletor expressivos que o próprio sinal.
de Q2. A saída diferencial possui uma oscilação de Observe a Figura 1-7. Um sinal diferencial com ru-
tensão que é o dobro daquela verificada em cada ído é apresentado. Observe que a fase do sinal de
saída simples. Por exemplo, se a tensão no coletor ruído de baixa frequência é comum; isto é, o ruído
de Q1 se tornar 2 V e a tensão no coletor de Q1 for torna-se positivo em ambas as entradas simulta-
de 2 V, a diferença é (2)(2)  4 V. neamente. Posteriormente, é aplicado um sinal
O amplificador também pode ser acionado de for- negativo em ambas as entradas, denominado SINAL
ma diferencial, como mostra a Figura 1-5. A van- DE MODO COMUM. Sinais de modo comum são ate-
tagem dessa conexão reside na redução do ruído nuados (tornam-se menores) em amplificadores
de baixa e alta frequência. O ruído proveniente diferenciais.

Saída invertida Saída não invertida

Amplificadores operacionais

Resistor
de carga

Q1 Q2
capítulo 1

RE

Figura 1-4 Acionamento de amplificador diferencial com uma entrada.

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 sentido. Por outro lado, um sinal diferencial pode
afetar o amplificador e gerar um sinal de saída, pois
a corrente de um transistor aumentará enquanto a
outra diminuirá, ainda que a corrente total perma-
neça constante.
Observando novamente a Figura 1-5, constata-se
que a corrente total do emissor circula em RE e de-
pende principalmente de RE e  VEE. Adotando-se
valores aleatórios para esses parâmetros, tem-se:

RE

A mesma corrente total do emissor pode ser obtida


 VEE
empregando-se valores de VEE e RE muito maiores:

Figura 1-5 Acionamento de um amplificador de


forma diferencial. Um valor tão alto de VEE não é factível na prática,
mas é útil para ilustrar o conceito.
Amplificadores diferenciais semelhantes ao da Fi-
A seguir, explica-se o que ocorre se o sinal diferen-
gura 1-5 fornecem uma rejeição de modo comum
cial da Figura 1-7 for aplicado ao circuito da Figura
maior quando valores altos de RE são empregados.
1-5. Os sinais em vermelho estão defasados e serão
Por quê? Você deve recordar que uma fonte de cor-
amplificados porque representam uma entrada di-
rente ideal fornece corrente constante e resistência
ferencial para o amplificador. Os sinais de ruído (cor
infinita. A utilização de um resistor de 50 k torna
preta) estão em fase, mas não representam uma di-
a corrente total do emissor mais estável, melhoran-
ferença para o amplificador, de modo que não serão
do a rejeição de modo comum. Os esquemas de
amplificados. Como é mostrado na parte inferior da
Figura 1-7, o ruído de modo comum será rejeitado.
A compreensão do conceito de rejeição de modo
Sobre a eletrônica
comum torna-se mais fácil quando se considera
uma corrente total do emissor constante. Se a cor-
rente total do emissor for constante, então ambos Encapsulamentos Plásticos de Amp Ops
Amp ops acomodados em encapsulamentos
os transistores não possuem aumento simultâneo
plásticos não são adequados em algumas
em suas respectivas correntes, pois isso implicaria
aplicações em áreas como aeroespacial, militar e
o aumento da corrente total. Assim, sinais de modo médica. Encapsulamentos metálicos/cerâmicos
comum não afetarão o amplificador nem produzi- são hermeticamente selados e possuem melhor
rão sinal de saída, porque acionam ambas as entra- transferência de calor.
das do amplificador simultaneamente no mesmo

 
Eletrônica II

Sinal Ruído de baixa frequência Sinal com ruído

Figura 1-6 Uma tensão na forma de ruído de baixa frequência pode ser somada ao sinal.

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mum, seus respectivos níveis podem ser reduzidos
ou atenuados de acordo com a seguinte expressão:
Sinal de entrada
diferencial

Sinal de entrada de modo comum (ruído)


onde: AV(dif)  ganho de tensão do amplificador
para sinais diferenciais;
AV(com)  ganho de tensão do amplificador
para sinais de modo comum.

Saída Considere que um sinal de entrada de modo co-


diferencial O sinal de modo comum mum seja de 1 V, produzindo um sinal de saída de
foi rejeitado
0,05 V. Assim, o ganho de modo comum é:

Além disso, considere um sinal diferencial de 0,1 V


Figura 1-7 O ruído de modo comum pode ser que produz uma saída de 10 V. Logo, o ganho de
rejeitado.
tensão diferencial é:

polarização com resistores de 5 k e 50 k foram


testados com um simulador de circuitos. Usando a
fonte de corrente com 5 k, o ganho de modo co- A razão de rejeição de modo comum é:
mum obtido foi de 0,5, enquanto este parâmetro
assume o valor de aproximadamente 0,05 quando
a resistência de 50 k é considerada. Assim, am-
bos os esquemas de polarização promovem a ate- O amplificador fornece um ganho de 2000 tanto
nuação (rejeição) do sinal de modo comum, mas para sinais diferencias quanto para de modo co-
a melhor rejeição é obtida quando se emprega a mum. O parâmetro CMRR é normalmente expresso
fonte de corrente com a impedância mais alta. Isso em decibéis:
quer dizer que a utilização de uma fonte de corren-
CMRR  20  log 2000  66 dB
te ideal (com impedância infinita) para fornecer a
corrente total do emissor fornece a rejeição com- Alguns amplificadores diferenciais possuem razões
Amplificadores operacionais

pleta do sinal de modo comum. A próxima seção de rejeição de modo comum maiores que 100 dB,
deste capítulo mostra como isso pode ser feito sem sendo muito eficientes na rejeição de sinais dessa
a utilização de valores de VEE absurdamente altos. natureza.

Um parâmetro importante relacionado ao desem-


penho do amplificador é a RAZÃO DE REJEIÇÃO DE EXEMPLO 11
MODO COMUM (do inglês, common mode rejection
ratio – CMRR). Um valor elevado de CMRR é dese- Um amplificador possui ganho diferencial de 40
jável, pois isso permite que o amplificador reduza dB e ganho de modo comum de 26 dB. Qual é o
os ruídos de baixa e alta frequência. Os conduto- valor de CMRR para esse amplificador? Quando os
ganhos diferencial e de modo comum são expres-
res que interligam a fonte do sinal às entradas do
sos em decibéis, o valor de CMRR é determinado
capítulo 1

amplificador podem atuar como antenas ao captar a partir da subtração dos valores:
estes sinais indesejados. Se tais sinais surgirem nas
CMRR  40 dB  (26 dB)  66 dB
entradas do amplificador como sinais de modo co-

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relação ao emissor é de 0,7 V, o que satisfaz as


Análise do amplificador condições de polarização de transistores NPN.
diferencial Agora que as considerações foram feitas, é possí-
As propriedades dos amplificadores diferenciais vel iniciar a análise CC. Conhecendo as tensões em
podem ser demonstradas trabalhando-se com as ambos os terminais de RE, pode-se determinar a
condições CC e CA de um circuito típico. A Figura respectiva queda de tensão:
1-8 apresenta um circuito com todos os valores ne-
cessários para se determinar tais condições.
Sabendo que a queda é de 8,3 V (desconsidera-se
A análise de circuitos semelhantes ao da Figura 1-8 o sinal), é possível calcular a corrente no emissor:
torna-se mais simples a partir de algumas conside-
rações iniciais. Primeiramente, considera-se que os
terminais base dos transistores encontram-se no
potencial de terra. Isso é razoável porque as corren- Considerando que a corrente será igualmente divi-
tes de base são muito pequenas, tornando as que- dida, metade do valor total circulará em cada tran-
das de tensão em RB1 e RB2 aproximadamente iguais sistor o que corresponde a:
a 0 V. A próxima consideração consiste em assumir
que ambos os transistores estejam em condução.
Se as bases estão em 0 V, então os emissores de- Como é de praxe, considera-se que as correntes
vem possuir potencial de 0,7 V. Essa condição é nos coletores são iguais às correntes nos emisso-
necessária para polarizar as junções base-emissor res. Assim, a queda de tensão em cada resistor de
diretamente e ativar os transistores. Afirmar que o carga é:
potencial do emissor em relação à base é de 0,7
V é análogo a afirmar que o potencial da base em

9 V (VCC)

RL1 RL2
4,7 k 4,7 k

(2N2222)

RB1 Q1 Q2 RB2
10 k 10 k

RE
Eletrônica II

3,9 k

9 V (VEE)

Figura 1-8 Circuito amplificador diferencial.

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A tensão VCE é determinada a partir da lei de Kirch- Agora, é possível realizar a análise CA do circuito. O
hoff das tensões: primeiro passo consiste em determinar as resistên-
cias CA dos emissores:
VCE  VCC  VRL  VE  9  4,98  (0,7)  4,72 V
A análise CC realizada anteriormente mostra que
as condições CC do amplificador diferencial da
Figura 1-8 são adequadas para a operação linear. Você deve recordar que a resistência CA do emissor
pode ser estimada considerando uma queda de
Note que a tensão entre coletor e emissor é apro-
25 ou 50 mV. A estimativa mais alta é mais precisa
ximadamente igual à metade da tensão de alimen-
para circuitos semelhantes aos da Figura 1-8.
tação do coletor. Antes de abandonar a análise CC,
é necessário efetuar mais dois cálculos. Estima-se a Conhecendo o valor de rE, é possível determinar o
corrente de base considerando ␤200, sendo que ganho de tensão do amplificador diferencial. Na
este é um valor típico para transistores 2N2222. As- verdade, é necessário determinar dois ganhos:
sim, a corrente de base é: (1) o ganho de tensão diferencial e (2) o ganho de
tensão de modo comum. A Figura 1-9 mostra um
circuito equivalente CA que é apropriado quando
o amplificador é acionado através de uma única
Essa corrente circula em ambos os resistores de base entrada. O ganho de tensão diferencial (AD) é igual
de 10 k. A queda de tensão em cada resistor é: à resistência de carga do coletor dividida por duas
vezes o valor de rE.
Cada base é 53 mV negativa em relação ao terra. Na Figura 1-9, circula uma corrente da fonte mui-
Lembre-se de que a corrente de base circula para to pequena em RE, a qual não aparece na equação
fora em um transistor NPN. O sentido da corrente do ganho de tensão. O transistor Q1 é acionado
torna as bases na Figura 1-8 ligeiramente negativas na base pela fonte do sinal. A corrente do sinal no
em relação ao terra. O valor de 53 mV é muito pe- emissor deve circular em sua respectiva resistência
queno, de modo que a consideração inicial é válida. CA de 47 . Esse sinal no emissor também aciona

9 V (VCC)
Vsaída
 50
Ventrada
4,7 k RL1 RL2
AD   50 4,7 k 4,7 k
Amplificadores operacionais
2  47 
Vsaída
(2N2222)
Q1 Q2

rE rE
Sinal diferencial 47  47 
(Ventrada)

RE
3,9 k
capítulo 1

9 V (VEE)

Figura 1-9 Circuito equivalente CA para o ganho do sinal diferencial.

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o emissor de Q2, que deve circular pela resistência tas normalmente utilizam uma abordagem muito
CA do emissor de 47 . O transistor Q2 atua como conservativa, em que o ganho real do circuito será
um amplificador base comum no circuito, sendo menor ou igual ao valor calculado. Um ganho mui-
que seu emissor é acionado pelo emissor de Q1. É to alto é um problema mais fácil de ser resolvido
por isso que o denominador da equação do ganho que um ganho muito baixo.
contém o termo 2  rE (as duas resistências de 47 O ganho diferencial de 50 representa um valor acei-
 atuam em série no caso da corrente da fonte do tável. Como será visto posteriormente, o ganho de
sinal). O valor de RE é muito maior que as resistên- modo comum é muito menor. A Figura 1-10 mostra
cias CA dos emissores, por isso, seu efeito pode ser um circuito equivalente CA para o GANHO DE MODO
desprezado. Em circuitos dessa natureza, a corren- COMUM. Nesse caso, as resistências dos emissores
te da fonte em RE é igual a aproximadamente 1% dos transistores de 47  são eliminadas, pois são
da corrente de sinal nos transistores. muito pequenas, se comparadas aos resistores de
Os resistores de polarização na Figura 1-9 tam- 7,8 k. Fisicamente, RE corresponde a um resistor
bém podem afetar o ganho de tensão diferencial. de 3,9 k. Entretanto, o dobro do valor é exibido
Quando essas resistências são pequenas, os com- porque engloba as correntes de ambos os transis-
ponentes podem ser prontamente ignorados. Se tores. Como foi discutido na primeira seção deste
os valores das resistências são elevados, o ganho capítulo, a situação ideal corresponde a uma cor-
será reduzido. A razão pela qual isso ocorre é a rente total constante no emissor. Um sinal de modo
circulação da corrente de sinal no circuito base- comum modificará a corrente total do emissor por-
-emissor, de modo que o resistor de base também que a impedância não é infinita, o que não é o caso
implica a redução da corrente. Quando visto por da Figura 1-10. No caso em que um sinal de modo
meio do emissor, o resistor da base aparenta ser comum aciona ambas as bases no sentido positivo,
menor para a corrente de sinal CA. Assim, se os re- ambos os transistores operam com saturação forte.
sistores de base na Figura 1-9 forem relativamente O valor de RE deveria suportar o dobro do aumen-
grandes, isto é, da ordem de 10 k, a resistência to da corrente caso houvesse um único transistor.
CA da base será: O sinal de saída de Q2 é obtido na Figura 1-10. No
que se refere a este transistor, seu coletor apresenta
uma carga de 7,8 k. Esse alto valor de resistência
torna o ganho de modo comum inferior a 1:
A resistência CA da base reduz o ganho diferencial
da seguinte forma:

A análise CA do amplificador diferencial mostra um


ganho diferencial de 50 e um ganho de modo co-
Essa resistência da base é empregada uma única
mum de 0,603. Assim, a razão é:
vez na equação de ganho (não sendo multiplicada
por dois) porque a fonte do sinal é aplicada direta-
mente a uma base. Na Figura 1-9, apenas o resistor
de base à direita afeta a corrente da fonte. Espera-se que esse amplificador diferencial pro-
duza um ganho 83 vezes maior para um sinal di-
A consideração da resistência CA da base pode for-
ferencial do que para um sinal de modo comum.
necer uma estimativa mais precisa do GANHO DIFE-
Assim, o ruído de baixa e alta frequência não será
RENCIAL. Entretanto, isso pode não ser estritamente
Eletrônica II

facilmente eliminado em muitas aplicações. O va-


necessário. Como o valor conservativo de 50 mV foi
lor de CMRR em decibéis é:
empregado para calcular rE, certamente o ganho
será mais próximo de 50 na Figura 1-9. Os projetis- CMRR  20  log 82,9  38,4 dB

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9 V (VCC)

RL1 RL2
4,7 k 4,7 k
Vsaída
(2N2222)

RB1 Q1 Q2 RB2
10 k 10 k

2  RE
 7,8 k
9 V (VEE)

ACM  4,7 k
 0,603
7,8 k Sinal de modo
Vsaída comum (Ventrada)
 0,603
Ventrada

Figura 1-10 Circuito equivalente CA para o ganho do sinal de modo comum.

EXEMPLO 12 Assim, a melhoria é de 59,6 dB  38,4 dB 


21,2 dB. O aumento do valor de RE implica o
Qual será o valor de CMRR da Figura 1-10 sendo aumento de CMRR em 21,2 dB e permite que o
VEE  95 V e RE  45 k? Inicialmente, deve-se amplificador melhore sua capacidade de rejeitar
determinar se isso modificará o ganho diferencial sinais de modo comum indesejados.
calculando-se a corrente total do emissor. Com
um valor tão alto de VEE, é razoável ignorar as
quedas de 0,7 V nas junções base-emissor: A Figura 1-11 mostra uma forma prática para obter
um alto valor de CMRR. O resistor RE é substituído
Amplificadores operacionais

por uma FONTE DE CORRENTE que consiste de dois re-


sistores, um diodo zener e um transistor Q3. O dio-
Esse valor corresponde praticamente à mesma do zener é polarizado pela tensão de alimentação
corrente total do emissor obtida anteriormente, de 9 V. O resistor de 390  limita a corrente no
de modo que rE permanece o mesmo, assim como diodo zener. O catodo do diodo zener é 5,1 V posi-
o ganho diferencial. Em seguida, determina-se o tivo em relação ao anodo. Essa queda polariza dire-
ganho de modo comum:
tamente o circuito base-emissor de Q3. Subtraindo-
-se o valor de VBE, é possível determinar a corrente
no resistor de 2,2 k:
Finalmente, o valor de CMRR é dado por:
capítulo 1

A corrente no emissor de Q3 é de 2 mA. Pode-se


adotar a consideração típica onde a corrente no co-

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9 V (VCC)

RL1 RL2
4,7 k 4,7 k

Q1 Q2

(2N2222)
RB1 RB2
10 k 10 k

2 mA

390 
Q3
(2N2222)

5,1 V
1N4733
2,2 k

9 V (VEE)

Figura 1-11 Amplificador diferencial com polarização por fonte de corrente.

letor é igual à corrente no emissor. Assim, o coletor A resistência CA do emissor é estimada a partir da
de Q3 na Figura 1-11 fornece 2 mA para os emisso- seguinte expressão:
res do amplificador diferencial.
Uma fonte de corrente semelhante àquela mostra-
da na Figura 1-11 possui uma resistência CA muito A equação a seguir pode ser empregada para es-
alta, a qual é função das resistências CA do coletor timar a resistência CA de uma fonte de corrente
e do emissor de Q3, bem como do resistor do emis- constante semelhante àquela da Figura 1-11:
sor de 2,2 k.
A resistência CA do coletor em transistores pe-
quenos varia entre 50 e 200 k. De acordo com a
Figura 1-12, a curva do coletor possui um aspecto
relativamente plano. A corrente do coletor muda
pouco ao longo da faixa de tensão de 20 V nesse IB  10 ␮A
IC em miliampères

gráfico. A resistência CA do coletor pode ser de- 2


terminada a partir do gráfico utilizando-se a lei de IC 
Ohm. O gráfico mostra que a mudança na corrente 1 0,2 mA
do coletor é de 0,2 mA para uma mudança de 20 V
na tensão entre coletor e emissor: 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20
Eletrônica II

VCE em volts

Figura 1-12 Curva do coletor típica para o transistor


2N2222.

10

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Esse valor elevado de resistência CA torna o ganho Na prática, é difícil obter um valor tão alto de
de modo comum do amplificador da Figura 1-11 CMRR. Entretanto, o circuito da Figura 1-11 é signi-
muito pequeno: ficativamente melhor que o circuito da Figura 1-8.
Quando a relação CMRR deve ser otimizada, com-
ponentes devidamente combinados e com ajuste
a laser podem ser empregados. Amplificadores
A fonte de corrente polariza o amplificador da Fi-
na forma de circuitos integrados (CIs) com entra-
gura 1-11 com aproximadamente o mesmo nível
das diferenciais normalmente possuem valores
de corrente do circuito da Figura 1-8. Portanto, o
adequados de CMRR porque os transistores e os
ganho diferencial é aproximadamente o mesmo,
resistores tendem a ser devidamente combinados,
ou seja, 50. A razão CMRR para a Figura 1-11 é rela-
obtendo-se assim boa resposta térmica (isto é, a
tivamente alta:
temperatura dos dispositivos muda aproximada-
mente da mesma forma).

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suem rejeição de modo comum e alta impedância


Amplificadores de entrada. Alguns amplificadores operacionais
operacionais podem empregar transistores de efeito de cam-
Amplificadores operacionais (amp ops) utilizam po para obter uma impedância de entrada ainda
estágios diferenciais na entrada, possuindo carac- maior. Amplificadores operacionais que combinam
terísticas que os tornam muito úteis em circuitos transistores bipolares e FET são denominados amp
eletrônicos, dentre as quais é possível citar: ops BIFET.

1. Rejeição de modo comum: isso fornece a ha- A segunda seção da Figura 1-13 corresponde a um
bilidade de reduzir ruídos de baixa e alta fre- estágio coletor comum ou seguidor de emissor.
quência. Esse arranjo é conhecido pela baixa impedância
de saída. Note que a saída corresponde a um único
2. Alta impedância de entrada: isso os torna in- terminal. Assim, não é possível obter uma saída di-
capazes de drenar uma corrente alta de uma ferencial. Assim, diz-se que o circuito possui SAÍDA
fonte de sinal com alta impedância.
Amplificadores operacionais
COM TERMINAÇÃO SIMPLES, sendo que a maioria das
3. Alto ganho: o ganho é considerável, mas pode aplicações em eletrônica exibe essa configuração.
ser reduzido utilizando realimentação negativa. Um terminal único possui uma única fase em re-
4. Baixa impedância de saída: são capazes de ali- lação ao terra. É por isso que a Figura 1-13 mostra
mentar uma carga de baixa impedância com uma ENTRADA COMO NÃO INVERSORA e a outra como
um sinal de forma adequada. INVERSORA. A entrada não inversora encontra-se em

Nenhum circuito amplificador sozinho é capaz de fase com o terminal de saída. Por outro lado, a en-
fornecer todas as características supracitadas. Na trada inversora será defasada do terminal de saída
verdade, um amplificador operacional é uma com- em 180°.
binação de diversos estágios amplificadores. Ob- A Figura 1-14 mostra o amplificador de modo
capítulo 1

serve a Figura 1-13. A primeira seção deste circuito simplificado. Observe o triângulo, pois diagramas
com múltiplos estágios é um amplificador diferen- eletrônicos normalmente empregam esse símbo-
cial, sendo que dispositivos dessa natureza pos- lo para representar amplificadores. Note também

11

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VCC

Entrada não
inversora

Entrada
Saída
inversora

VEE
Seção 1 Seção 2 Seção 3

Figura 1-13 Seções principais de um amplificador operacional.

Entrada 
inversora

Saída

Amplificador de saída

Amplificador com ganho elevado


Entrada não
inversora

Eletrônica II

Estágio diferencial de entrada

Figura 1-14 Forma de exibição simplificada de um amplificador operacional.

12

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que a entrada inversora é marcada com um sinal diferencial. Esse potenciômetro apresenta faixa
negativo (), enquanto a entrada não inversora é limitada. O circuito de anulação é projetado para
representada por um sinal positivo (). Essa é a re- eliminar um nível de offset interno da ordem de mi-
presentação convencional empregada. livolts. Assim, o arranjo é inadequado para anular
A Figura 1-15 mostra o diagrama esquemático de a saída quando há uma grande tensão de entrada
um amp op comum na forma de circuito integrado. CC diferencial aplicada no amp op por condições
Esse dispositivo possui uma entrada inversora, uma externas ao circuito. Em muitas aplicações, um va-
entrada não inversora e uma única saída. Há ainda lor reduzido de offset não representa problemas.
dois terminais com a marcação de ajuste de OFFSET, Nesses casos, os terminais de ajuste de offset per-
que podem ser utilizados em aplicações onde é ne- manecem desconectados.
cessário ajustar o erro do nível CC (offset). Não é pos- A maioria dos amp ops é fabricada utilizando-se
sível fabricar amp ops cujos transistores e resistores a tecnologia de circuitos integrados. Um técnico
combinem perfeitamente entre si. Essa diferença é incapaz de enxergar o que há no interior de um
nos componentes leva ao surgimento de um erro circuito integrado ou mesmo realizar medições in-
de offset CC na saída. Quando não se utiliza uma en- ternas. Portanto, raramente é necessário apresen-
trada diferencial CC, a saída CC de um amp op será tar os detalhes dos circuitos internos. A Figura 1-17
idealmente igual a 0 V em relação ao terra. Qualquer mostra uma forma padrão para representar um
desvio em relação a esse valor é denominado erro amplificador operacional em um diagrama esque-
de offset CC. A Figura 1-16 mostra um aplicação tí- mático. Os terminais de alimentação e de ajuste
pica onde o valor de offset é anulado (eliminado). de offset também podem ser exibidos em alguns
O potenciômetro da Figura 1-16 é ajustado de diagramas.
modo que o terminal de saída esteja no potencial Há uma ampla variedade de amp ops na forma
CC do terra, sem que haja tensão de entrada CC de circuitos integrados. As tecnologias utilizadas

V

Entrada não Amplificadores operacionais


inversora

Saída
Entrada
inversora

Ajuste
de offset
Ajuste de
offset
capítulo 1

V

Figura 1-15 Diagrama esquemático de um amplificador operacional.

13

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 Terminal de complementares). Alguns amp ops são projeta-
alimentação dos para aplicações especificas, possuindo ca-
Terminal
de entrada  racterísticas especiais como baixo consumo de
inversora
Terminal corrente para dispositivos alimentados por bate-
Terminal de
entrada não  de saída rias ou ampla largura de banda para aplicações
inversora Terminais em alta velocidade. As especificações seguintes
 Terminal de de ajuste são válidas para um amp op de aplicações gerais
alimentação 10 k de offset
como o CI LM741C:
Potenciômetro
de ajuste
• Ganho de tensão: 200.000 (106 dB).
de offset • Impedância de saída: 75 .
Figura 1-16 Utilização dos terminais de ajuste de • Impedância de entrada: 2 M.
offset. • CMRR: 90 dB.
• Faixa de ajuste de offset: 15 mV.
• Variação da tensão de saída: 13 V.
Sobre a eletrônica • Largura de banda para pequenos sinais: 1
MHz.
Amp Ops e EMI • Slew rate: 0,5 V/␮s.
Existem dispositivos denominados amp ops A última característica da lista é o parâmetro SLEW
programáveis. Alguns amp ops possuem ganho RATE*. Ele corresponde à máxima taxa de mudança
muito alto. Circuitos com ganho elevado são mais
da tensão de saída de um amp op. A Figura 1-18
suscetíveis a problemas causados por EMI (do
mostra o que ocorre quando a tensão de entrada
inglês, electromagnetic interference – interferência
muda repentinamente. A saída é incapaz de pro-
eletromagnética) do que outros circuitos.
duzir uma variação instantânea da tensão. Des-
sa forma, a tensão é variada em uma taxa que
na sua fabricação incluem transistores bipolares corresponde a um certo número de volts em um
de junção (BJTs), transistores de efeito de campo dado período de tempo. A unidade de tempo em-
(FETs) e semicondutores óxidos metálicos com- pregada no caso dos amp ops é o microssegundo
6
plementares (do inglês, complementary metal (1 ␮s  1  10 s). Alguns amp ops possuem va-
oxide semiconductos – CMOS). Alguns amp ops lores baixos de slew rate, da ordem de 0,04 V/␮s,
combinam diversos tipos de dispositivos, a exem- enquanto para outros dispositivos esse parâmetro
plo dos amp ops BIFET (do inglês, bipolar and pode assumir valores como 70 V/␮s.
field effect – transistores bipolares e de efeito de
campo) e BICMOS (do inglês, bipolar and comple- * N. de T.: Esse termo não possui tradução direta do inglês para o
mentary metal oxide semiconductos – transistores português, sendo normalmente utilizado dessa forma na literatura
bipolares e semicondutores óxidos metálicos técnica referente a amp ops.

Entrada inversora 
Saída
Entrada não inversora 
Eletrônica II

Figura 1-17 Representação padrão de um amplificador operacional.

14

Schuler2_01.indd 14 28/02/13 13:34


onde SR é o slew rate em V/␮s e VP é o valor de pico
da tensão na saída em V.
V
Um amp op para aplicações gerais como o LM741C
pode produzir uma máxima oscilação de tensão na
Entrada t
saída de 13 V quando alimentado com uma fonte
Saída
de tensão de 15 V. Vamos determinar qual é a má-
V
Slew rate  xima frequência para uma onda senoidal conside-
t
rando que o slew rate é de 0,5 V/␮s:
Figura 1-18 Resposta do amp op a uma súbita
mudança na entrada.

O parâmetro slew rate é de grande importância


para a operação em alta frequência, o que impli- As unidades em volts são canceladas e a unidade
ca uma mudança rápida nas condições de opera- da expressão é o inverso do tempo, que corres-
ção. Um amp op pode não possuir slew rate alto o ponde à frequência. O valor de 6,12 kHz pode ser
suficiente para permitir a reprodução do sinal de chamado de LARGURA DE BANDA DE POTÊNCIA do amp
entrada. A Figura 1-19 mostra um exemplo de DIS- op. Dois fatos ocorrerão se um sinal senoidal de en-
TORÇÃO causada por slew rate. Note que o sinal de trada possuir frequência muito maior que 6,12 kHz
entrada é senoidal e que o sinal de saída é trian- e for grande o suficiente para produzir uma varia-
gular. O sinal de saída de um amplificador linear ção de tensão de 13 V na saída: (1) o sinal de saída
deve possuir a mesma forma de onda do sinal de apresentará distorção (de forma semelhante à
entrada. Qualquer desvio na reprodução do sinal é Figura 1-19) e (2) a variação da tensão de saída será
denominado distorção. menor que 13 V.
Além de causar distorção, o parâmetro slew rate
pode evitar que um amp op desenvolva a máxi-
ma variação de tensão na saída. Grandes sinais de EXEMPLO 13
saída serão mais facilmente limitados do que pe-
quenos sinais. Assim, os fatores a serem considera- Calcule a largura de banda de potência de um
amp op de alta velocidade cujo slew rate é de 70
dos são a frequência do sinal, a variação da tensão
V/␮s quando a variação da tensão de saída é de
na saída e a especificação de slew rate do amp op. 20 Vp-p. Aplica-se a equação:
A equação a seguir prevê a máxima frequência de Amplificadores operacionais
operação para sinais de entrada senoidais:

Sinal de entrada
Um amp op típico como o LM741C possui largu-
ra de banda de pequenos sinais de 1 MHz. Sinais
Sinal de saída
grandes em alta frequência serão limitados pela
taxa slew rate. A largura de banda de potência de
um amplificador operacional é menor que a largu-
ra de banda de pequenos sinais. A Tabela 1-1 mos-
tra diversos tipos de amp ops com algumas de suas
capítulo 1

Figura 1-19 Distorção causada por slew rate. especificações.

15

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Tabela 1-1 Amostra de especificações de Amp Ops
Dispositivo Descrição AV, dB Zentrada, ⍀ CMRR, dB Largura de banda Slew Rate, V/␮s

TL070 BIFET, ruído reduzido 106 1012 86 3 13


12
TL080 BIFET, baixa potência 106 10 86 3 13
12
TLC277 CMOS 92 10 88 2,3 4,5
40  10
6
LM308 Elevado desempenho 110 100 1 0,3
LM318 Elevado desempenho 106 3  106 100 15 70
LM741C Aplicação geral 106 2  106 90 1 0,5
TLC27L7 CMOS, polarização 114 1012 88 0,1 0,04
reduzida
600  10
6
MCP616 BICMOS 120 100 0,19 0,08
OPA727 CMOS 120 1011 86 20 30

www Teste seus conhecimentos

para entender o funcionamento de circuitos com


Ajuste do ganho do amp ops. O ganho diferencial é tão grande que a
Amp Op tensão de entrada diferencial pode ser considerada
Um amp op para aplicações gerais possui um ga- nula em cálculos práticos.
nho de tensão de MALHA ABERTA de 200.000. Malha Agora, vamos aplicar esse conceito ao circuito da
aberta significa ausência de realimentação, sendo Figura 1-20. A realimentação eliminará qualquer
que amp ops normalmente operam em MALHA FE- diferença de tensão nos terminais de entrada. Se
CHADA. A saída, ou parte dela, é realimentada na o sinal de entrada possui variação de 1 V, o mes-
entrada inversora (). Isso corresponde a uma rea- mo ocorrerá com o sinal de saída. Como a saída é
limentação negativa, reduzindo o ganho e aumen- realimentada na entrada inversora, ambas as en-
tando a largura de banda do amp op. tradas possuirão 1 V e a entrada diferencial será
A Figura 1-20 mostra um circuito com amplificador nula. Se o sinal de entrada possui variação de 5
operacional em malha fechada. A saída é realimen- V, o mesmo ocorrerá no terminal de saída. Nova-
tada na entrada inversora. O sinal de entrada acio- mente, a entrada diferencial será zero em virtude
na a entrada não inversora (). O circuito pode ser
facilmente analisado a partir de uma consideração: Realimentação
não há diferença entre as tensões nas entradas do
amp op. Qual é a base dessa afirmação? Conside-
rando um ganho típico de 200.000, essa considera- 

ção é razoável. Por exemplo, se a saída encontra-se Vsaída

no máximo valor positivo, como 10 V, a entrada 


diferencial é:
Ventrada RL
Eletrônica II

Vsaída  Ventrada
O valor de 50 ␮V é próximo a zero, de forma que
essa consideração é válida. Esse é um ponto chave Figura 1-20 Amp op com realimentação negativa.

16

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da realimentação. Deve estar claro que a saída se- real do ganho pode ser facilmente determinado. O
gue o sinal de entrada na Figura 1-20. De fato, esse resistor R1 e o resistor de realimentação RF formam
circuito é denominado SEGUIDOR DE TENSÃO. Como um divisor de tensão para a tensão de saída. A ten-
VsaídaVentrada, o ganho é unitário. são de saída dividida deve ser igual à tensão de en-
À primeira vista, um amplificador com ganho 1 trada para satisfazer a consideração onde a tensão
não parece ser melhor que um simples pedaço de entrada diferencial é nula:
de fio. Entretanto, esse amplificador pode ser útil,
caso possua alta impedância de entrada e baixa
impedância de saída. A impedância de entrada do Divide-se ambos os lados por Vsaída, invertendo-se
seguidor de tensão da Figura 1-20 é aproximada- então a expressão:
mente igual à resistência de entrada do amp op
multiplicada pelo ganho de malha aberta: Zentrada(CL)
 2 M  200.000  400 G (para um amp op
741). A impedância de saída de um seguidor de Vamos aplicar essa equação do ganho à Figura
tensão é aproximadamente igual à impedância de 1-21:
saída básica do amp op dividida pelo respectivo
ganho de malha aberta. Como esse ganho é muito
alto, a impedância de saída pode ser considerada 0 O circuito da Figura 1-21 é um AMPLIFICADOR NÃO
 em aplicações práticas: INVERSOR. O sinal de entrada é aplicado à entrada
 do amp op. Um sinal de saída CA estará em fase
com o sinal de entrada. Um sinal de saída CC gerará
Um amplificador que possui impedância de entra- um sinal de saída CC com mesma polaridade. Por
da de 400 G e impedância de saída próxima a 0 exemplo, se a entrada é 1 V, a saída será 11 V
 comporta-se como um excelente BUFFER. Ampli- (1 V  11  11 V).
ficadores buffer são utilizados para isolar fontes de A Figura 1-22 mostra outro modelo para amplifica-
sinal de quaisquer efeitos de carga, sendo também dores com realimentação negativa, o qual foi apre-
úteis quando se trabalha com fontes de sinal que sentado anteriormente no Capítulo 7*.
possuem impedâncias internas elevadas.
A Figura 1-21 mostra um circuito com amp op cujo * N. de E.: Capítulo do livro SCHULER, Charles. Eletrônica I. 7 ed.
ganho de tensão é maior que a unidade. O valor Porto Alegre: AMGH, 2013. Amplificadores operacionais

RF
100 k
RF
AV  1 
R1

R1 
10 k
Vsaída


RL Em fase
Ventrada
capítulo 1

Figura 1-21 Circuito não inversor com ganho.

17

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Amplificador com realimentação negativa
Conexão de soma


Ventrada A Vsaída


A  Ganho de malha aberta
B  Razão de realimentação

B
Realimentação

AA
Ventrada Vsaída
AB  1

Figura 1-22 Outro modelo de realimentação negativa.

EXEMPLO 14 EXEMPLO 15

Calcule o ganho de malha fechada na Figura 1-21 Determine o sinal de saída (amplitude e fase)
utilizando o outro modelo, considerando valores para a Figura 1-21 se o valor de R1 for alterado
para o ganho de malha aberta de 200.000 e
para 22 k e Ventrada100 mVp-p. Inicialmente,
50.000. A taxa de realimentação B na Figura 1-21
determina-se o ganho do amplificador:
é determinada por RF e R1, que formam um divisor
resistivo:

O sinal de saída estará em fase com a entrada e


Aplicando-se o outro modelo para um ganho de sua amplitude é:
malha aberta AV200.000, tem-se:

Aplicando-se o outro modelo para um ganho de A Figura 1-23(a) mostra um AMPLIFICADOR INVERSOR,
malha aberta AV50.000, tem-se: onde o sinal é realimentado na entrada  do amp
op. O sinal de saída será defasado de 180° em rela-
ção à entrada.
Note dois fatos importantes: (1) ambos os mode- A equação do ganho é um pouco diferente para o
Eletrônica II

los produzem o mesmo resultados e (2) o circuito circuito inversor. De acordo com a Figura 1-23(a),
não é sensível ao ganho de malha aberta devido à a entrada não inversora encontra-se no potencial
realimentação negativa.
do terra. Portanto, a entrada inversora também

18

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Terra amp op é tão pequena que pode ser efetivamen-
virtual RF
10 k te considerada nula. Assim, I2I1 e, por substitui-
AV  
RF ção, tem-se:
R1 R1
I1 1 k I2


Rearranjando a expressão, tem-se:



Ventrada
RL
Invertida
Aplicando-se a equação do ganho do amplificador
inversor à Figura 1-23(a), tem-se:
( a) Amplificador inversor
RF
10 k
Um ganho de 10 significa que um sinal de saída
R1 CA possuirá amplitude 10 vezes maior que o sinal
1 k de entrada, mas com fase oposta. Se o sinal de en-

trada for CC, então o sinal de saída também será
CC, mas com polaridade oposta. Por exemplo, se o

Ventrada sinal de entrada for de 1 V, a saída será 10 V
R2 RL (1 V  (10)   10 V).
910 
A Figura 1-23(b) mostra um amplificador inver-
sor com um resistor adicional. Nesse caso, R2 foi
( b) Redução do erro de offset incluído para reduzir o erro de offset que pode ser
provocado pela corrente de polarização do ampli-
Figura 1-23 Circuitos amplificadores inversores.
ficador. O valor desse componente deve ser igual
ao resistor equivalente da associação em paralelo
possuirá o mesmo potencial, pois novamente dos resistores conectados à entrada inversora. A
assume-se que não há diferença de tensão entre partir da equação do produto divido pela soma,
as duas entradas. A entrada inversora é conhecida tem-se:
como um TERRA VIRTUAL. Com o terminal direito de Amplificadores operacionais
R1 efetivamente aterrado (conectado ao terra vir-
tual), qualquer sinal aplicado à entrada provocará
a circulação de corrente em R1. De acordo com a lei O valor comercial mais próximo desse resistor é de
de Ohm, tem-se: 910 . As correntes de polarização do amplificador
encontrarão a mesma resistência efetiva em ambas
as entradas. Isso equalizará as quedas de tensão CC
resultantes, eliminando qualquer diferença CC en-
Além disso, qualquer sinal de saída provocará a cir-
tre as entradas causadas pelas correntes de pola-
culação de corrente em RF:
rização. Um fabricante do amp op 741 estabelece
a corrente de polarização típica em 80 nA, sendo
que seu valor máximo é de 500 nA na temperatura
capítulo 1

A tensão Vsaída é negativa na equação anterior ambiente.


porque o amplificador realiza a operação inver- A inclusão de R2 na Figura 1-23(b) não afeta o ga-
sora. A corrente que entra ou sai do terminal – do nho de tensão ou o terra virtual significativamente.

19

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A corrente que circula em R2 é muito pequena, de
EXEMPLO 16
forma que a queda de tensão nesse componente
é efetivamente nula. Por exemplo, empregando-se Determine o sinal de saída (amplitude e fase) para a
80 nA e 910 , tem-se: Figura 1-23 considerando que a fonte do sinal pos-
sui resistência interna de 600  e Ventrada100 mVp-p
na condição de circuito aberto. Circuito aberto
Portanto, a entrada não inversora ainda se en- significa que não há carga conectada à fonte. Por
contra efetivamente no potencial do terra, e a inspeção, verifica-se que o amplificador possui
entrada inversora ainda se comporta como um resistência de entrada de 1 k. O efeito de carga n
terra virtual. entrada deve ser considerado. Utiliza-se a expres-
são do divisor de tensão:
A Figura 1-24 mostra um amplificador não inversor
com ACOPLAMENTO CA. Essa condição requer a uti-
lização de R2 para fornecer um caminho CC para a
corrente de polarização de entrada. Para minimizar
os efeitos do offset, novamente escolhe-se um va-
lor de R2 igual ao resistor equivalente à associação
em paralelo dos componentes conectados à outra
entrada do amp op. Na Figura 1-24, R2 é responsá- O amplificador possui ganho de 10, produzindo
vel por ajustar a impedância de entrada do ampli- um sinal de saída defasado de 180° em relação à
entrada cuja amplitude é:
ficador. Assim, a fonte do sinal enxerga uma carga
de 9,1 k. A resistência de entrada do amp op é Vsaída  62,5 mVpp  10  625 mVpp
da ordem de megaohms, de modo que seu efeito O ganho negativo foi contabilizado ao mencionar
pode ser ignorado. que o sinal de saída está defasado de 180°.
Em um amplificador inversor, a entrada  do amp
op é um terra virtual. Portanto, a IMPEDÂNCIA DE Todos os amp ops possuem limites. Dois desses
ENTRADA desse tipo de amplificador é igual à resis-
limites dizem respeito às tensões de alimentação.
tência conectada entre a fonte do sinal e a entrada Se um circuito for alimentado com 12 V, isso
inversora. Assim, a fonte do sinal na Figura 1-23 en- quer dizer que a tensão positiva é 12 V e a ten-
xerga uma carga de 1 k. são negativa é 12 V. A saída não pode exceder
tais valores. Na verdade, normalmente a tensão
RF de saída é limitada em um valor pelo menos 1 V
100 k menor que a tensão de alimentação. Assim, a má-
xima tensão de saída que se pode esperar em um
amp op alimentado por 12 V é aproximadamen-
R1  te 11 V.
10 k
Suponha que se deseje calcular a tensão de saída
 de um amplificador inversor com ganho de 50 e
Vout sinal de entrada de 500 mVcc. A tensão de alimen-
Ventrada R2 RL tação é 15 V:
9,1 k
Vsaída  Ventrada  AV  500 mV  50  25V
Eletrônica II

Esse valor não pode ser obtido na saída. O amplifi-


Figura 1-24 Amplificador não inversor com acopla- cador estará SATURADO em uma tensão aproximada-
mento CA. mente 1 V acima do valor da tensão de alimentação

20

Schuler2_01.indd 20 28/02/13 13:34


negativa. Assim, a saída será de aproximadamente Verifique o ganho de malha aberta na Figura 1-25
14 Vcc. em 10 Hz e constate que esse valor é de 100 dB.
Como outro exemplo, determine a tensão de saída O aumento de uma década corresponde a um au-
de pico a pico para um amp op com ganho de 100. mento de 10 vezes. Agora, verifique o ganho em
Considere uma alimentação de 9 V e um sinal de 100 Hz, o qual foi reduzido para 80 dB. A perda no
entrada CA 250 mV de pico a pico: ganho é de 100 dB–80 dB20 dB. Além de fb, o ga-
nho é reduzido em 20 dB.
Vsaída  Ventrada  Av  250 mVp-p  100  25 Vp-p
Diagramas de Bode são aproximados. A Figura
Esse valor também não será obtido na saída. A
máxima oscilação da tensão de saída será de 8 1-26 mostra que o desempenho real de um ampli-
V a 8 V, correspondendo a 16 V de pico a pico. ficador é 3 dB menor em fb. Esse é o ponto que exi-
O sinal de saída será CEIFADO em situações como be o maior valor de erro, sendo que os diagramas
essa. de Bode são suficientemente precisos em frequên-
cias maiores ou menores que fb. Para determinar o
O gráfico da Figura 1-25 mostra o ganho em fun-
ganho real, deve-se subtrair 3 dB.
ção da frequência para um CI amp op típico. Gráfi-
cos desse tipo são conhecidos como DIAGRAMAS DE O ganho em malha aberta mostrado na Figura
BODE. Note na Figura 1-25 que a curva do desem- 1-25 indica uma frequência de quebra menor
penho em malha aberta apresenta uma FREQUÊNCIA que 10 Hz. Esse é um diagrama de Bode, de
DE QUEBRA de aproximadamente 7 Hz, designada modo que se sabe que o ganho efetivamente é
por FB. O ganho decrescerá com uma taxa unifor- 3 dB menor nesse ponto. O ganho de um amp
me à medida que a frequência aumenta depois do op para aplicações gerais começa a decrescer em
valor de quebra. A maioria dos amp ops possuirá torno de 5 Hz. Naturalmente, não se trata de um
uma redução no ganho de 20 DB POR DÉCADA em amplificador com ampla largura de banda quan-
frequências acima de fb. do se tem a operação em malha aberta. Amp

120
Frequência de quebra
100
De
se

80
m

Amplificadores operacionais
pe
Ganho em decibéis

nh
oe
m
m

60
alh
aa
be
rta

40

Desempenho em malha fechada


20

0
1 10 100 1k 10 k 100 k 1M
capítulo 1

Frequência em hertz
Figura 1-25 Diagrama de Bode típico de um amp op.

21

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O ganho em fb é 3 dB e, assim, tem-se 40 dB – 3 dB
Diagrama de Bode
 37 dB em 100 kHz.

Erro de 3 dB
Anteriormente neste capitulo, foi determinado que
a largura de banda de potência do amp op é esta-
Ganho

Desempenho
real do belecida pelo valor de slew rate e pela amplitude
amplificador da saída. Neste ponto, descobriu-se que outra lar-
gura de banda é definida pelo diagrama de Bode
do amp op. Para evitar a confusão com os termos,
esta será chamada de largura de banda de peque-
fb nos sinais, podendo ser determinada a partir do
Frequência
diagrama de Bode ou do produto ganho-largura
fb  frequência de quebra
de banda, que é chamado de funitário. Essa é a fre-
Figura 1-26 O erro no diagrama de Bode é maior na quência na qual o ganho do amplificador é unitá-
frequência de quebra.
rio ou 1, correspondendo a 0 dB. Conhecendo-se o
valor de funitário para um amp op, é possível determi-
ops normalmente operam em malha fechada, nar a largura de banda de pequenos sinais sem a
de modo que a REALIMENTAÇÃO NEGATIVA AUMENTA necessidade de plotar o diagrama de Bode. A fre-
A LARGURA DE BANDA do amp op. Por exemplo, o quência de quebra pode ser definida dividindo-se
ganho pode ser reduzido a 20 dB. Nesse caso, a funitário pelo ganho:
largura de banda aumenta para 100 kHz. Esse de-
sempenho em malha fechada também é repre-
sentado na Figura 1-25.
Diagramas de Bode facilitam a tarefa de prever a
largura de banda de um amp op que opera com 120
realimentação negativa. A Figura 1-27 mostra um 100
Ganho em decibéis

exemplo disso. O primeiro passo consiste em de-


80
terminar o ganho de tensão em malha fechada. A
devida equação é: 60

40

20
O ganho negativo indica que o amplificador é in- 0
verso. O sinal negativo é eliminado quando se de- 1 10 100 1k 10 k 100 k 1M
Frequência em hertz
termina o ganho em dB:
RF
Av  20  log 100  40 dB 100 k
O ganho em dB está localizado no eixo vertical do R1
1 k
diagrama de Bode. A projeção desse valor para a

direita intercepta a curva do desempenho em ma- Vsaída
lha aberta fornecendo uma frequência de 10 kHz. 
Ventrada
Isso corresponde a fb (frequência de quebra), de R2
modo que a largura de banda do amplificador é de
Eletrônica II

10 kHz. Acima de fb, o ganho é reduzido a uma taxa


de 20 dB por década. Assim, o ganho será de 40 dB Figura 1-27 Determinação da largura de banda de
– 20 dB20 dB em 100 kHz. um amplificador em malha fechada.

22

Schuler2_01.indd 22 28/02/13 13:34


EXEMPLO 17 Aplica-se o logaritmo inverso em ambos os lados:
AV  1000
Determine a largura de banda de pequenos sinais
de um amp op cujo produto ganho-largura de Determina-se a frequência de quebra:
banda é de 1 MHz se o ganho de tensão de malha
fechada for de 60 dB. O primeiro passo consiste
em converter 60 dB na relação de ganho:
A largura de banda de pequenos sinais do ampli-
60 dB  20  log AV
ficador é 1 kHz. Observe a Figura 1-27 e verifique
Divide-se ambos os lados da equação por 20: que isso está em concordância com o diagrama
3  log AV de Bode para um ganho de 60 dB.

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R
Vsaída
Efeitos da frequência em
1
Amp Ops Ventrada C fb 
2
RC
Aprendemos que o ganho de malha aberta de
amplificadores para aplicações gerais começa a em fb : Vsaída  0,707  Ventrada  3 dB, 45°
decrescer com uma taxa de 20 dB por década em ( a ) Rede de atraso RC
uma frequência relativamente baixa. Isso é causa-
do por uma REDE DE ATRASO RC que existe no interior R
Z R 2 + XC2
do amp op. Observando a Figura 1-15, constata-se
a existência de um único capacitor no diagrama, o  XC
XC  tg1
Z R
qual constitui parte da rede de atraso que determi-
na a frequência de quebra fb. Esse capacitor tam-  45˚

bém é um dos principais fatores que determinam o ( b) Diagrama vetorial para a rede de atraso
valor de slew rate do amp op. na frequência fb

A Figura 1-28 resume as características de redes 0 dB


Amplificadores operacionais
Amplitude

de atraso RC. O circuito RC é mostrado na Figura


1-28(a) e consiste de um resistor série com um ca- 20 dB
pacitor aterrado.
Uma rede de atraso desempenha dois papéis:
0
Ângulo de fase

(1) provoca a redução da tensão de saída com o


aumento da frequência e (2) atrasa a tensão de
45˚
saída em relação à entrada. A Figura 1-28(b) mos-
tra o diagrama vetorial de uma rede de atraso RC
que opera na frequência de quebra fb. A resistên- 90˚

cia R e a reatância capacitiva XC são iguais nesse 0,1fb fb 10 fb


capítulo 1

caso, e o ângulo de fase do circuito é 45°. A Fi- Frequência

gura 1-28(c) mostra dois diagramas de Bode para ( c) Diagramas de Bode para a rede de atraso
a rede de atraso RC. O diagrama na parte superior Figura 1-28 Rede de atraso RC.

23

Schuler2_01.indd 23 28/02/13 13:34


é o mesmo mostrado na seção anterior. A mu- Devido ao ganho de tensão, o capacitor entre co-
dança da amplitude na frequência de quebra em letor e base aparenta ser maior no circuito de en-
relação a uma frequência 10 vezes maior (10fb) é trada, o que é conhecido como EFEITO MILLER e é
de 20 dB. O diagrama de Bode inferior mostra mostrado na Figura 1-29(b). Considerando um ga-
a resposta do ângulo de fase para a rede. Agora, nho de tensão de 100 (40 dB) entre base e coletor,
é possível verificar que o ângulo é 45° em fb. a capacitância intereletrodos de 5 pF aparenta ser
Além disso, constata-se que o ângulo é 0° para 100 vezes maior no circuito da base. Assim, a capa-
frequências menores ou iguais a 0,1fb, assumindo citância total no circuito equivalente de entrada é
também o valor de 90° para frequências maio- de 500 pF  200 pF  700 pF. Considerando que
res ou iguais a 10fb. Como foi estabelecido ante- a resistência de entrada equivalente é de 200  na
riormente, diagramas de Bode são aproximados. Figura 1-29(b), pode-se analisar o circuito como
Os pontos com erro máximo ocorrem em 0,1fb e uma rede de atraso e determinar a respectiva fre-
10fb, onde o ângulo assume os valores de 6° e quência de quebra:
84°, respectivamente.
Redes de atraso RC são inerentes a todos os am-
plificadores. Transistores possuem CAPACITÂNCIAS Conhecendo-se fb, é possível prever a resposta
INTERELETRODOS que formam redes de atraso com em frequência do amplificador. Utilizando o úl-
certa resistência no interior dos amplificadores. A timo exemplo, sabe-se que o ganho será de 100
Figura 1-29 mostra como a carga capacitiva afeta (40 dB) em frequências menores que 1 MHz. Sa-
o circuito de entrada de um amplificador com tran- be-se também que o ganho é de 37 dB em 1,14
sistor NPN. De acordo com a Figura 1-29(a), há um MHz e de 20 dB em 11,4 MHz e 0 dB em 111 MHz.
capacitor entre a base e o coletor (CBC) e um capaci- Entretanto, foi considerado apenas o circuito de
tor entre a base e o emissor (CBE). Todos os disposi- entrada do amplificador. A frequência de quebra
tivos possuem capacitâncias intereletrodos. real pode ser menor, dependendo do circuito de
saída.
CBC Como pode ter passado algum tempo desde a
5 pF última vez que você trabalhou com circuitos CA,
vamos verificar os números de outra forma. Uti-
AV  100 lizaremos os dados do último exemplo: 700 pF,
200  e 11,4 MHz. Determina-se então a reatân-
cia capacitiva:
CBE
200 pF
( a) Capacitâncias intereletrodos do transistor
Determina-se a impedância:

R
Agora, observe novamente a Figura 1-28(a), onde
200  se verifica que o capacitor e o resistor formam um
500 pF 200 pF divisor de tensão. Pode-se empregar a equação do
divisor de tensão juntamente com a impedância e
a reatância capacitiva:
Eletrônica II

( b ) Circuito de entrada equivalente de Miller


Figura 1-29 Carregamento capacitivo em um ampli-
ficador a transistor.

24

Schuler2_01.indd 24 28/02/13 13:35


Isso demonstra que a tensão de saída é 0,707 ou A realimentação é positiva
3 dB em fb. O ângulo de fase pode ser determina- (180°)  (180°)  360°  0°
do da seguinte forma:


180°
O diagrama vetorial da Figura 1-28(b) mostra que
tanto XC como o ângulo de fase são negativos, o 
Atrasos múltiplos
que representa o atraso.  180°

De acordo com o diagrama esquemático do amp


op (Figura 1-15), existem alguns transistores que
possuem capacitâncias intereletrodos. Assim, há 

muitas redes de atraso em qualquer amplificador


operacional, de forma que haverá vários pontos de Figura 1-31 Forma como a realimentação negativa
quebra. O ganho será reduzido a 20 dB por década pode se tornar positiva.
entre fb1 e fb2. Novamente, haverá redução para 40
dB por década entre fb2 e fb3. Então, haverá redução
para 60 dB por década para frequências superio- É isso que pode ocorrer com a realimentação
res a fb3. Esse efeito das MÚLTIPLAS REDES DE ATRASO positiva. Um sinal de entrada aciona o amplifi-
é cumulativo. cador. Se o amplificador possui ganho, um sinal
O ângulo de fase em múltiplas redes de atraso tam- maior surge na saída. O sinal amplificado retorna
bém sofre acúmulo, podendo ser 100°, 150° à entrada – (inversora) com um ângulo de fase
ou 180°. Isso representa um problema quando que reforça o sinal de entrada. A entrada e fase
o amplificador emprega realimentação negativa. da realimentação se somam, gerando um sinal
Se os atrasos inerentes chegarem a 180°, o am- de entrada efetivo maior. A saída responde, au-
plificador pode se tornar instável, como mostra a mentado ainda mais, o que também provoca
Figura 1-31. O amp op emprega uma conexão da um novo aumento na entrada em virtude da
saída com a entrada inversora, o que normalmente realimentação. Assim, o amplificador não é mais
fornece realimentação negativa. Entretanto, se os controlado pelo sinal de entrada, mas por sua
atrasos internos se acumularem até 180°, a rea- própria saída. O arranjo se torna instável e inútil
limentação total chega a 0°. Um ângulo de fase de como amplificador. Amplificadores operacionais
0° implica a ausência de defasamento e correspon- A INSTABILIDADE é inaceitável em qualquer am-
de à REALIMENTAÇÃO POSITIVA. plificador. Uma solução reside no fato de que os
amp ops são INTERNAMENTE COMPENSADOS, os quais
possuem uma rede de atraso dominante que co-
fb1
meça a reduzir o valor do ganho a partir de uma
fb2
frequência baixa. Quando as demais redes de atra-
so (em virtude das capacitâncias dos transistores)
Amplitude

fb 3
começam a atuar, o ganho já assumiu um valor
menor que 0 dB. Quando o ganho é inferior a 0 dB,
o amplificador não se torna instável independen-
temente do valor da fase na realimentação. Agora,
capítulo 1

Frequência você sabe porque o diagrama de Bode em malha


Figura 1-30 Diagrama de Bode com diversos pontos aberta possui valores tão baixos de fb em amp ops
de quebra. para aplicações gerais.

25

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Infelizmente, a compensação de frequência inter-
EXEMPLO 18
na limita o ganho em altas frequências e o valor
de slew rate. Por esse motivo, há alguns amp ops O diagrama de Bode de um amp op de alto
que possuem COMPENSAÇÃO DE FREQUÊNCIA EXTERNA. desempenho mostrado na Figura 1-33 indica
O projetista deve ser capaz de compensar o am- funitário10 MHz. Determine a largura de banda
plificador de modo que ele se torne estável, mas de pequenos sinais desse amplificador quando o
este é um arranjo mais complexo que requer um ganho de malha fechada é de 40 dB. A utiliza-
maior número de componentes. A Figura 1-32 ção da Figura 1-33 como uma solução gráfica
é simples. Projeta-se o valor de 40 dB à direita
mostra um exemplo de amp op compensado ex-
até interceptar a curva, descendo até o eixo da
ternamente. frequência, determinando-se o valor de 100 kHz.
Outro método consiste na determinação da taxa
de ganho, dividindo-se o valor por funitário:
Resistor de
compensação
Capacitor de
compensação
Terminais de
compensação
 da entrada
Terminal de
compensação

da saída
Capacitor de 120
compensação
100
Figura 1-32 Amp op compensado externamente.
Ganho em decibéis

80

Outra possibilidade consiste no uso de um amp 60


op de alto desempenho. Esse dispositivo possui
40
maior custo, mas possui maior valor de slew rate
e maior largura de banda em malha aberta que 20
os amp ops para aplicações gerais. Note que o ga-
0
nho de malha aberta não chega a 0 dB até que a 1 10 100 1 k 10 k 100 k 1 M 10 M
Frequência em hertz
frequência assuma o valor de 10 MHz. A largura
de banda de pequenos sinais do dispositivo é 10 Figura 1-33 Diagrama de Bode para um amp op de
vezes maior que no casos de amp ops para aplica- alto desempenho.
ções gerais.

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Aplicações de Amp Ops Amplificadores somadores


Eletrônica II

A Figura 1-34 mostra um amplificador operacional


Amp ops são amplamente utilizados. Esta seção
utilizado em modo somador. Dois sinais de entrada
apresenta algumas das aplicações mais populares
V1 e V2 são aplicados na entrada inversora. A saída
dos amp ops.
será a soma invertida dos dois sinais. Esse arranjo

26

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R1 AMPLIFICADORES SOMADORES com amp ops também
RF são chamados de MIXERS (misturadores). Um pode
V1  ser utilizado para somar as saídas de quatro micro-
R2
Vsaída
 fones durante uma sessão de gravação. Uma das
V2 vantagens dos mixers de áudio inversores é a ausên-
R3
cia de interação entre as entradas. Isso evita que um
sinal de entrada surja nas demais entradas. A Figura
1-35 mostra que o terra virtual isola as entradas.
Vsaída  RF
( V1
R1
V
 2
R2 )
Figura 1-34 Amplificador somador utilizando amp op. Amplificadores subtratores
Amp ops também podem ser utilizados no MODO
SUBTRATOR. A Figura 1-36 mostra um circuito capaz
pode ser utilizado para somar sinais CA ou CC. O
sinal de saída é dado por: de fornecer a diferença entre duas entradas. Se to-
dos os resistores forem iguais, a saída corresponde
à diferença dos dois sinais não ajustados. Se V12
V e V25 V, então:
Na Figura 1-34, suponha que todos os resistores se-
Vsaída  V2  V1  5 V  2 V  3 V
jam de 10 k, V12 V e V24 V. A saída será:
É possível obter uma saída negativa se a tensão
da porta inversora for maior que a tensão da porta
não inversora. Se V16 V e V25 V, tem-se:
Vsaída  5 V  6 V  1 V

Sinal de
A tensão de saída é negativa porque as duas ten- corrente
Esta entrada Corrente de realimentação
sões são somadas na entrada inversora. 
torna-se positiva
O circuito da Figura 1-34 pode ser modificado para
Não há
ajustar as tensões de entrada. Por exemplo, o valor 
efeitos nas
de R1 pode ser modificado para 5 k. Agora, a ten- demais

entradas
Amplificadores operacionais
são de saída será:
Terra
virtual
Figura 1-35 O terra virtual isola as entradas entre si.

O amplificador aumentou o valor de V1 duas vezes,


somando-o então com V2. R1 RF

A Figura 1-34 pode ser expandida de modo a in- R2 Vsaída
cluir mais duas entradas. Uma terceira, uma quarta 
V1
e mesmo uma décima entrada pode ser somada na V2 R3
entrada inversora. É possível ajustar algumas ou
capítulo 1

todas as entradas selecionando-se os resistores de


entrada adequados juntamente com o resistor de Vsaída  V2  V1 para RF  R1  R2  R3

realimentação. Figura 1-36 Amplificador subtrator utilizando amp op.

27

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A Figura 1-36 pode ser modificada para ajustar as 1 MHz. Filtros ativos eliminam a necessidade de
entradas, o que pode ser obtido por meio da modi- indutores de alto custo nessa faixa de frequência.
ficação do valor de R1 ou R2. A Figura 1-37 mostra gráficos que descrevem a
resposta em frequência de filtros diversos. A Figura
1-37(a) mostra um filtro passa-baixa ideal. Um filtro
Filtros ativos ideal normalmente é chamado de filtro brickwall*.
Um filtro é um circuito ou dispositivo que permite A banda passante inclui todas as frequências que
a passagem e bloqueio (atenuação) de determina- circulam no filtro sem atenuação (onde a amplitu-
das frequências. Os filtros que empregam apenas de é máxima). A banda de corte inclui todas as fre-
resistores, capacitores e indutores são denomi- quências que não passam pelo filtro (e a amplitude
nados FILTROS PASSIVOS. O desempenho dos filtros é nula e a atenuação é infinita). A transição entre as
pode ser melhorado incluindo dispositivos ativos bandas supracitadas é imediata. Em outros termos,
como transistores ou amp ops. Dessa forma, estes diz-se que a largura da banda de transição é nula.
arranjos são chamados de FILTROS ATIVOS. Amp ops
na forma de circuitos integrados possuem custo * N. de T.: O termo brickwall traduzido literalmente para portu-
reduzido e tornaram os filtros ativos muito popu- guês significa “parede de tijolos”. Entretanto, o termo em inglês é
lares, especialmente em frequências inferiores a usualmente empregado para descrever um filtro ideal.

Banda passante
Amplitude

Amplitude
Transição

Banda de corte
Frequência Frequência

(a) Resposta em frequência do filtro (b) Resposta em frequência do filtro


passa-baixa ideal passa-faixa ideal
Amplitude

Amplitude

Frequência Frequência
Eletrônica II

(c) Resposta em frequência do filtro (d) Resposta em frequência do filtro


passa-baixa real passa-faixa real
Figura 1-37 Curvas de resposta em frequência de filtros.

28

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A Figura 1-37(b) mostra um filtro passa-faixa ideal. RC em cascata utilizando amp ops. Qual é o papel
Não é possível construir filtros ideais na prática. En- dos amp ops? Esses dispositivos atuam como buf-
tretanto, é possível obter respostas próximas à do fers para evitar que as seções RC seguintes absor-
filtro brickwall com a utilização de filtros elabora- vam corrente e comprometam o desempenho dos
dos ou processamento digital e sinais. arranjos anteriores. Agora, observe a Figura 1-39.
A Figura 1-37(c) mostra a resposta em frequência Como é possível constatar, a largura de banda tor-
de um filtro passa-baixa real. Filtros reais diferem na-se mais estreita à medida que novas seções RC
de filtros ideais (brickwall) nos seguintes aspectos: são incluídas. A ordem do filtro aumenta da saída
A para a saída D. Observe que a inclinação da saída
• Possibilidade de existência de ondulação na A (filtro de primeira ordem) é de 20 dB por década,
banda passante. enquanto a inclinação da saída D (filtro de quarta
• Possibilidade de existência de ondulação na ordem) é de 80 dB por década. Se uma resposta
banda de corte. próxima a do filtro brickwall for necessária, deve-se
• Possibilidade de ocorrência de perda na banda empregar um filtro de ordem elevada.
passante (especialmente em filtros passivos).
• A largura da banda de transição é maior que
zero (o que sempre ocorre). EXEMPLO 19
• A atenuação na banda de corte não é infinita
(o que sempre ocorre). Determine a frequência de quebra na Figura 1-38
na saída A e determine a amplitude na saída D
Normalmente, quando se diz que o filtro é aguça- para o valor de frequência supracitado. Como foi
do, isso quer dizer que a largura da banda de tran- mostrado anteriormente, a frequência de quebra
sição é pequena e se aproxima da condição ideal. é dada por:
Filtros aguçados são mais elaborados e possuem
maior custo.
No que tange à banda de corte, a largura torna-se Quando aplicada a um filtro, a frequência de que-
ampla de acordo com a aplicação em questão. A bra ou frequência de 3 dB também é denomi-
largura e a atenuação da banda de corte são me- nada frequência de corte. Assim, a frequência de
lhoradas aumentando a ordem do filtro, como será corte para a saída A na Figura 1-38 é 159 Hz. Na
apresentado a seguir. saída D, determina-se que o efeito cumulativo de
quatro seções RC em cascata resulta no mesmo
A rede de atraso RC que foi anteriormente estuda- valor de frequência de corte. Assim, a amplitude
da neste capítulo representa um filtro passa-baixa na saída D em 159 Hz é 4(3 dB)12 dB. Isso
Amplificadores operacionais

básico. Não se trata de um filtro muito aguçado, significa que a frequência de corte para a saída D
mas um arranjo em cascata pode ser empregado é menor que a frequência de quebra de uma das
para aumentar a ordem e o aguçamento do filtro. seções RC, sendo de 70 Hz.
Observe a Figura 1-38, onde é mostrado um filtro

Saída C
Saída B
Saída A
 Saída D
 10 k
 10 k
 10 k 
Entrada 10 k 

 100 nF
100 nF
capítulo 1

100 nF
100 nF

Figura 1-38 Filtro passa-baixa RC em cascata.

29

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0

20 A = 20
dB/dé
cada

40
B=
40
dB/
déc
ada
60
Amplitude em dB

C=
60
dB
80 /d
éc
ad
a

100

D
=
80
dB
/d
éc
ad
a
120

140
10 100 1k 10k
Frequência em Hz

Figura 1-39 Curvas de resposta de filtros RC.

Filtros RC em cascata não são populares, porque tra em ação, o capacitor C1 também se torna ativo
pelo mesmo custo é possível obter um joelho da devido à realimentação.
curva com formato mais adequado. A Figura 1-40 Projetistas de filtros podem escolher diversos tipos
mostra dois exemplos. Ambos os filtros empregam de resposta do filtro ajustando a realimentação e a
realimentação para atenuar o joelho da curva. Para frequência de quebra para cada seção do arranjo.
entender como isso funciona, considere o capaci-
tor C1, que não afetará o sinal que passa pelo filtro O filtro de Chebyshev mostrado na Figura 1-40(b)
quando a saída do amp op possuir as mesmas fase possui um joelho atenuado, mas também apresen-
e amplitude do sinal de entrada. Assim, se C2 for ta uma ondulação de 0,5 dB na banda de corte. A
ignorado e o ganho do amplificador for próximo ondulação não aparece no gráfico de resposta em
à unidade (o que de fato ocorre), então há uma frequência da Figura 1-41 porque 0,5 dB é um va-
pequena corrente em C1 em qualquer frequência, lor insignificante diante da escala utilizada no eixo
pois a diferença de tensão em seus terminais é vertical. O filtro de Butterworth não possui ondula-
pequena. Considerando o ganho do amplificador ção na banda de corte. Esses filtros são conhecidos
aproximadamente um e ignorando C2, o filtro não como “totalmente planos” (do inglês, maximally
atua. Quando a presença de C2 é considerada, a flat filters), sendo utilizados quando este tipo de
situação muda. O sinal na porta não inversora do resposta é importante.
amp op começa a ser reduzido em frequências A Figura 1-41 compara as respostas em frequência
mais altas em virtude de C2. O mesmo ocorrerá na dos três filtros ativos apresentados até o momento.
saída do amp op. Agora, existe uma diferença de Observe que o joelho da curva do filtro RC é suave
Eletrônica II

tensão entre os terminais de C1, que representa em comparação com os demais filtros que pos-
uma carga considerável para a entrada. A reali- suem realimentação. Além disso, note que o filtro
mentação atenua o joelho da curva. Quando C2 en- de Chebyshev possui um joelho mais aguçado que

30

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1 k 1235 
1 k 152 

R3 R4

 Saída
 10 k 10 k
Entrada 10 k 10 k


R1 R2
100 nF 100 nF
C1 100 nF C2 100 nF

(a) Butterworth

1 k 1660 
1 k 582 

 Saída
 11,435 k 11,435 k
Entrada 19,747 k 19,747 k



100 nF 100 nF 100 nF


100 nF

(b) Chebyshev

Figura 1-40 Filtros passa-baixa de quarta ordem.

0
Butterworth

20

RC em cascata
40
Chebyshev
Amplificadores operacionais
Amplitude em dB

60

80

100

120

140
10 100 1k 10k
capítulo 1

Frequência em Hz

Figura 1-41 Resposta em frequência.

31

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o filtro de Butterworth, exibindo ainda maior ate- uma calculadora é eficaz, mas aplicativos compu-
nuação na banda de corte. tacionais são mais práticos porque fornecem grá-
A Tabela 9–2 compara alguns tipos de filtro popu- ficos de resposta em frequência, resposta de fase e
lares. O filtro RC em cascata não é incluído porque resposta ao pulso durante a etapa de projeto. Esses
é raramente utilizado na prática. A tabela também programas também permitem que sejam realiza-
analisa os arranjos em termos das respostas de fase dos ajustes sem a necessidade de implementação
e do pulso. Quando a fase é importante, geralmen- prática, evitando a utilização de componentes de
te a resposta linear é a melhor possível. Quando alto custo.
sinais digitais (pulsos) são filtrados, a resposta ao Filtros passivos também são capazes de fornecer
pulso normalmente é mais importante que a res- uma curva com joelho atenuado. A Figura 1-42
posta em frequência. mostra um filtro LC, cujo desempenho é superior
Profissionais que projetam filtros empregam tabe- ao do filtro de Chebyshev da Figura 1-40(b). O
las com valores dos componentes do filtro, projeto problema dos filtros LC reside no alto valor da in-
auxiliado por computador e simulação computa- dutância em henries, implicando a utilização de
cional. Observe a Figura 1-40 novamente. Os valo- componentes com elevado custo, peso e volume.
res dos resistores de ajuste do ganho (R3  R4) e Atualmente, filtros ativos (e outras tecnologias)
as frequências de quebra das redes RC (R1  C1 e praticamente eliminaram a utilização de filtros LC
R2  C2) podem ser determinados consultando-se em aplicações de baixas frequências. Esses arran-
tabelas. Assim, se um projetista escolher uma res- jos ainda são empregados em aplicações onde há
posta do tipo Chebyshev com ondulação de 1 dB a circulação de altas correntes. Também são utiliza-
e determinar que um filtro de oitava ordem é ade- dos em frequências maiores ou iguais a 1 MHz, pois
quado, a consulta de tabelas fornecerá as informa- nesse caso o valor da indutância é da ordem de mi-
ções adequadas para o projeto. O uso de tabelas e crohenries. Esses pequenos valores de indutância

Tabela 1-2
Joelho da Ondulação na banda Ondulação na Resposta Resposta
Tipo curva de passagem banda de rejeição de fase ao pulso

Butterworth Bom Não Não Boa Boa


Chebyshev Acentuado Sim Não Ruim Ruim
Elíptico Acentuado Sim Sim Ruim Ruim
Bessel Suave Não Não Melhor Melhor

0,9222 H 0,8248 H 0,1844 H


Entrada

2,81␮F 1,483␮F
Carga = 600 
Eletrônica II

Figura 1-42 Filtro passa-baixa LC.

32

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implicam na utilização prática de componentes do-se realimentação resistiva e capacitiva em cada
com custo, peso e volume reduzidos. estágio. Os capacitores de realimentação fornecem
Filtros passa-alta podem ser implementados atenuação em frequências baixas, enquanto os
mudando os resistores e os capacitores da forma resistores de realimentação atenuam as altas fre-
mostrada na Figura 1-43. Compare este filtro com quências. Esse arranjo é chamado de circuito com
o arranjo da Figura 1-40 e verifique que a frequên- realimentação múltipla. A Figura 1-46 mostra a res-
cia que determina os resistores e capacitores foi posta em frequência do filtro passa-banda resul-
modificada. tante. Uma resposta mais aguçada pode ser obtida
conectando dois filtros em cascata.
Note que no caso dos filtros de Butterworth (Figura
1-40(a) e Figura 1-43(a)) todos os valores dos com- A Figura 1-47 mostra um FILTRO REJEITA-FAIXA de 60
ponentes são os mesmos. Entretanto, isso não fun- Hz, que também pode ser chamado de filtro notch
cionará para os filtros de Chebyshev, como é pos- ou armadilha. O filtro fornece atenuação máxi-
sível constatar na Figura 1-40(b) e Figura 1-43(b). ma (ou ganho mínimo) em uma única frequência
A Figura 1-44 mostra as curvas de resposta em fre- (neste caso, 60 Hz). Frequências significativamente
quência dos filtros passa-alta. A escala do gráfico maiores ou menores que 60 Hz passarão pelo filtro
foi modificada para exibir a ondulação de 0,5 dB na notch sem atenuação. Filtros rejeita-faixa são úteis
resposta do filtro de Chebyshev. quando o sinal em uma frequência específica cau-
Um FILTRO PASSA-FAIXA pode ser implementado sa problemas. Por exemplo, o filtro notch de 60 Hz
combinando-se filtros passa-baixa e passa-alta. De pode ser usado para eliminar o ruído de baixa fre-
acordo com a Figura 1-45, isso é possível utilizan- quência proveniente da rede elétrica CA.

R3 R4 1 k 1235 
1 k 152 

C1 C2
100 nF 100 nF  Saída
100 nF 100 nF 
Entrada


R2 10 k
10 k
R1
10 k
10 k
Amplificadores operacionais

(a) Butterworth

1 k 1660 
1 k 582 

 Saída
100 nF 100 nF  100 nF 100 nF
Entrada


8,967 k
5,192 k

8,967 k
5,192 k
capítulo 1

(b) Chebyshev
Figura 1-43 Filtros passa-alta de quarta ordem.

33

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10

0
Amplitude em dB

Butterworth Chebyshev

10

20
10 100 1k
Frequência em Hz

Figura 1-44 Curvas de resposta de filtros passa-alta.

1 F
1 F
22,58 k Saída A 22,58 k

11,29 k 1 F 1 F
Entrada  11,29 k  Saída B
 
56,7  22 k 56,7  22 k

Figura 1-45 Filtro passa-faixa.

Como esse dispositivo funciona? Note que o sinal A Figura 1-48 mostra a resposta em frequência de
de entrada é aplicado em ambas as entradas do um filtro notch de 60 Hz. A curva com resposta óti-
amp op. Na frequência onde as entradas enxergam ma mostra um afundamento intenso na frequên-
o mesmo sinal, a saída será muito pequena em vir- cia de 60 Hz. Infelizmente, esse filtro não é práti-
tude da rejeição de modo comum do amplificador. co. As outras curvas apresentadas na Figura 1-48
No filtro da Figura 1-47, a realimentação resistiva e mostram as variações esperadas no desempenho
capacitiva é ajustada de modo a ocorrer em 60 Hz. quando os filtros são produzidos com diferença de
Eletrônica II

Em frequências muito superiores ou inferiores a 60 1% no valor dos componentes empregados. Ain-


Hz, há uma entrada diferencial e o ganho é próxi- da há uma variação significativa na intensidade e
mo à unidade. no ponto de ocorrência do afundamento. Mesmo

34

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20

Filtro de um único estágio

0
Amplitude em dB

Filtro de dois estágios

20

40

60
10 100 1k
Frequência em Hz

Figura 1-46 Curvas de resposta de filtros passa-faixa.

se componentes muito precisos (e de custo eleva- digital signal processing – processamento digital
do) forem utilizados, circuitos reais são sensíveis à de sinais). Esse aspecto é reforçado quando são
temperatura e os componentes sofrem mudanças necessárias diversas funções, as quais podem ser
nas especificações ao longo do tempo. Uma forma desempenhadas por um único CI DSP. Filtros DSP
de atenuar os problemas em filtros dessa nature- são abordados no Capítulo 8.
za consiste em reduzir a sensibilidade do projeto
básico e utilizar vários estágios em cascata para
obter a rejeição desejada. Em aplicações onde se Retificadores ativos
deseja elevado desempenho e estabilidade, o cus- Retificadores a diodos não operam quando se
to pode ser menor ao se empregar DSP (do inglês trabalha com sinais da ordem de milivolts. É ne-
Amplificadores operacionais

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capítulo 1

Figura 1-47 Filtro rejeita-faixa.

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