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POR BRUNO RODRIGUES • COLUNA Professor de

Filosofia da
UEAP

Cidade Filosófica

A CIÊNCIA DA MORTE
O ser humano tem a mania de mana - o pavor da utilização da a necessidade de discutir a étnica
sempre achar um culpado para bomba atômica. no interior da relação entre técni-
tudo de ruim que ocorre ao seu re- O desenvolvimento de uma ci- ca e ciência é ancestral a isso tudo.
dor, principalmente quando isso ência bélica é produto de uma so- Contudo, pela primeira vez, o re-
determina seu fracasso enquanto ciedade conflituosa, mas, ao mes- sultado dessa aliança destituída de
coletividade. Pois então, o cientis- mo tempo, num estado de des- responsabilidade plena do cientis-
ta, principalmente a partir do sé- compasso recíproco, num paradig- ta ocasionou um morticínio de mi-
culo XX, foi o terceiro responsá- ma de descontrole generalizado. lhões de pessoas em um curto es-
vel, principalmente com a inven- Então o que a ciência fez para a paço de tempo, então, nos pergun-
ção de técnicas mais baratas e so- ponsável pela desinfecção dos O que a ciência fez foi transfor- vida? No recorte belicoso, é uma tamos qual tamanho da responsa-
fisticadas de eliminação humana hospitais, acabou com a caça às mar o modo de fazer a guerra, pri- ciência da morte, da ameaça e da bilidade da ciência. Cremos que o
em massa na segunda grande guer- bruxas, determinou aumento ex- meiro alargou e distorceu a ampli- guerra - armas biológicas assom- cientista não é um santo, que não
ra, como as câmaras de gás e a ponencial na produção de alimen- tude de seu poder, depois deu no- bram nossas vidas enquanto resul- está ileso de responsabilidade e im-
bomba atômica, para citar ambos tos, interligou o mundo com o ce- vas coisas para as nações se desen- tado da inevitabilidade da ciência putação pelo que cria e faz, mas
os lados do conflito. lular e depois a internet, em suma, tenderem, principalmente com a na vida humana. também não é a figura do "maldi-
O homem é o único animal ela propiciou a melhora na condi- criação do "supérfluo", faz-se guer- Não conseguimos mais pen- to" no todo. Devemos pensar
onde a guerra se expressa não de ção da vida humana. ra pelo domínio de minas de urâ- sar nossa vida sem a ciência, res- numa gestão de corresponsabilida-
forma individual, em uma compe- Nesse binômio, entre o bem e nio, por fama e por poder e, por piramos e sentimos seus resulta- de nesse tema, pensando no alar-
tição por um prêmio personalíssi- o mal, o bom e o ruim, a constru- último, "criou os nervos da guerra dos em cada parte da nosso exis- gamento solidário dos efeitos ma-
mo como em outras espécies, ele ção e a destruição, o cientista é, em e a guerra dos nervos" (BRO- tir, mais isso coloca em xeque se léficos da ciência.
só faz guerra em grupos e, para verdade, um bode expiatório, pois NOSKI, 1977), principalmente podemos continuar criando "coi- Devemos então refletir em que
tanto, necessita de sociedades não é ele responsável, exclusiva- quando instala o medo generali- sas" sem pensar na sua instru- medida uma fraqueza ética e uma
muito bem organizadas para sua mente e no todo, pela produção zado, transforma estabilidade em mentalidade e na sua funcionali- perversão moral da existência nos
realização - os Estados. das guerras. Em verdade, o homem desconfiança, segurança em terror. dade para o homem e a socieda- contamina. Bronoski alerta para a
Enquanto de um lado respon- detém uma natureza conflitiva e A simples possibilidade do início de. Eis o nó górdio. necessidade de uma ética eficaz e
sabilizamos os cientistas pelo as- competitiva, e a guerra sempre da guerra apavora o homem, pois Depois do holocausto, a Filo- forte para regular essa seara da
sassínio massivo do último sécu- existiu independente do nível de os efeitos da possibilidade da guer- sofia ganhou força evidenciando condição humana, mas não diz
lo, a ciência é também é responsá- conhecimento adquirido histori- ra se traduzem na possibilidade da o atrito ético no interior da ciên- como fazer. Se fácil fosse, já tería-
vel por suavizar a nossa existên- camente. eliminação de si e da espécie hu- cia, mas essa não é a grande novi- mos a muito removido essa pedra
cia, ela acabou com tabus, foi res- dade filosófica do século XX, pois no sapato.

DOM PEDRO JOSÉ CONTI • COLUNA Bispo de Macapá

Os vasos mais fortes

Certa vez, um homem pediu


A flor e a borboleta
dons e das capacidades que a na- para incentivar a poupança em ras, inventa armas e remédios julgados sobre o bem feito aos
a Deus uma flor e uma borboleta, tureza e o seu esforço lhes pro- algum banco. Precisamos fazer para matar o seu semelhante, dis- irmãos necessitados.
mas Deus lhe deu um cacto e uma porcionaram. Algumas conse- uma leitura espiritual dessa pa- puta o que é de todos, para seu Às vezes, porém, nós tam-
lagarta. O homem ficou triste, guem fazer isso superando, mui- rábola extraordinária. Mais uma uso particular, deixando povos bém desanimamos, parece-nos
pois não entendeu o porquê do tas vezes, deficiência físicas ou vez Deus, o verdadeiro senhor inteiros sem alimentos e sem uma tarefa impossível ou uma
seu pedido vir errado. Daí pen- outras limitações. São admiráveis dos bens, os entrega largamente água para sobreviver. O servo da exigência infindável. Temos a
sou: "Também, com tanta gente pela dedicação. Outras pessoas aos seus "empregados". Ele, não parábola, que enterrou o talen- impressão de que seja o mal a se
para atender!". E resolveu não são diferentes: parecem ser toma- somente é generoso, ele confia e to, foi chamado de "mau, pregui- multiplicar e não o bem. Temos
questionar. Passado algum tem- das pela indolência, a preguiça e viaja, para deixá-los livres de çoso e in útil". Como poderíamos medo de estarmos no caminho
po, o homem foi verificar o pedi- nunca tomam iniciativa para decidir. É maravilhoso. Ele quer chamar aqueles que escravizam errado vendo avançar o poder do
do que deixara esquecido, e, para nada. Carecem de autonomia, de- "empregados" responsáveis, países por causa das dívidas, apa- dinheiro, das armas, das ideolo-
sua surpresa, do espinhoso e feio pendem das decisões dos outros. conscientes do valor dos b ens voram com a violência popula- gias contrarias à vida, à dignida-
cacto havia nascido a mais bela Têm medo de Deus? Não, na ver- recebidos. Os que assim enten- ções inteiras e as obrigam a dei- de humana e à liberdade das pes-
das flores. E a horrível lagarta dade têm medo de serem critica- dem, ficam felizes, partem para xar as suas casas, deixam morrer soas. Estamos esquecendo de que
transformara-se em uma belíssi- das. É obvio! Somente quem faz o bom uso dos dons recebidos, crianças inocentes pela fome e a não tem vida nova, a ressurrei-
ma borboleta. alguma coisa pode fazer certo ou trabalham e os dons se multipli- miséria? Trabalham muito, mas ção, sem a morte de cruz, sem
Já disse, domingo passado, errado. Quem nunca faz nada, cam. só para aumentar sem fim o seu abandono do homem velho ego-
que a espera da volta do Senhor também nunca errará. Qualquer Podemos pensar na nossa lucro. Quanto sofrimento no ísta e interesseiro, violento e ran-
deve ser vigilante, atenta e ativa. ação, qualquer decisão ou empre- própria vida, nas nossas capaci- mundo depende do mau uso dos coroso. O bem sempre afasta o m
A parábola dos talentos continua endimento exige um mínimo de dades, no planeta Terra, na inte- bens entregues à humanidade, al, o belo apaga a feiura, a vida
essa questão. Ela é bem conheci- coragem e de disponibilidade a ligência e criatividade humanas. herdados dos antepassados e vence a morte. Somos somente
da e todos poderíamos fazer mui- correr algum risco. Quantas coisas surpreendentes o construídos por outros. Bens pequenos colaboradores do gran-
tas considerações a respeito, por- Até aqui a vida do dia a dia, ser humano já fez e ainda vai fa- que, afinal, todos teremos que de projeto do reino de Deus. Um
que está, no seu conjunto, debai- na variedade infindável dos se- zer. No entanto, nem tudo o que deixar, um dia. Como cristãos, dia veremos o cacto florescer. Vai
xo dos nossos olhos. Todos os res humanos, dos seus gênios e fazemos multiplica o bem co- temos a obrigação de consciên- perfumar! E a lagarta se tor-
dias, encontramos pessoas ocupa- temperamentos. Mas Jesus não mum e a alegria de todos. O ho- cia de fazer bom uso das nossas nará borboleta. Vai voar! Sem
das que usam muito bem dos contou a parábola dos talentos mem já fez e faz também guer- forças e capacidades, seremos medo.

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azeta-a Macapá (AP), Domingo e Segunda-feira, 19 e 20 de novem bro de 2017
novembro 31

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