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Jo h an n e s

KEPLER
El secreto
del universo

A llp r a
Titulo original:
Prodromus Dissertationum Cosmographicarum continens
Mysterium Cosmographicum

Título en castellano:
Pródromo de consideraciones cosmográficas conteniendo
el secreto del universo

Traducción, introducción y notas:


Eloy R ad a García

Dirección Editorial: Julia de Jódar


Director de Producción: Manuel Álvarez
Diseño de la colección: Víctor Vilaseca

© Traducción, introducción y notas: Eloy Rada García


© Por la traducción: Alianza Editorial, S.A., Madrid, 1992

© Por esta edición: Ediciones Altaya, S.A., 1994


Travesera de Gracia, 17.08021 Barcelona

ISBN Obra Completa: 84-487-0119-4


ISBN: 84-487-0146-1
Depósito Legal: B. 1.350/94
Impreso en España - Printed in Spain
Imprime: Litografía Rosés, S.A. (Barcelona)
Encuademación: S. Mármol, S.A. (Sabadell-Barcelona)
Lámina de la primera edición de cuya dedicatoria al duque de Wiirttemberg,
Maestlin (G.W. 13-151) dice: «Nostros theologos etiam non nihil offendit,
authoritate tamen principis nostri, cui principale scbema dedicatum est, moti,
in medio relinquunt».
ÍNDICE

Introducción, de Eloy Rada G arcía............................................... 13


Años de aprendizaje.................................................................... 13
«Mathematicus» de los estados de E stiria............................... 16
El Mysterium Cosmographicum................................................. 18
La edición de 1621........................................................................ 29
La hipótesis poliédrica................................................. ............... 33
La proporción entre orbes y movimientos............................... 34
El programa de la «Restauración de la Astronomía»............. 37
Nuestra traducción....................................................................... 38

E L SECR ETO D E L UNIV ERSO

Epístola dedicatoria (1621).............................................................. 47


Notas del autor............... .............................................................. 53

Dedicatoria antigua (1596)......................... i.................................... 55


N otas del autor.............................................. ............................... 59

Primer prefacio al lector.................................................................. 65


Notas del autor.............................................................................. 71
Capítulo I. R a z o n e s p o r l a s q u e la s h ip ó t e s is d e C o p é r -
NICO RESULTAN APROPIADAS Y EXPOSICIÓN DE LAS HIPÓ­
TESIS d e C o p é r n i c o .........................:.................................... ........ 75
Notas del autor.............................................................................. 85

C apítu lo II. E s q u e m a d e l a d e m o s t r a c i ó n f u n d a ­
m e n t a l ................................................................................................. 92
Notas del autor...................................... ....................................... 100

Capítulo III. Q u e e s t o s c i n c o c u e r p o s se c l a s if ic a n e n
DOS TIPOS: Y QUE LA TIERRA HA SIDO UBICADA CORREC­
TAMENTE........................................................................................................... 104

Capítulo IV. ¿P o r q u é r o d e a n a l a T ie r r a t r e s c u e r p o s
MIENTRAS ELLA RODEA A LOS OTROS DOS ? .............................. 106

Capítulo V. Q u e EL CUBO ES EL p r im e r o d e LOS SÓLIDOS


Y ENTRE LOS PLANETAS MÁS ALEJADOS...................................... 108

Capítulo VI. QUE LA PIRÁMIDE ESTÁ ENTRE JÚPITER Y


MARTE............................................................................................. 110

Capítulo V II. S o b r e e l o r d e n y p r o p ie d a d e s d e l o s s ó ­
l id o s SECUNDARIOS........................................................................ 112

Capítulo VIII. Q u e e l o c t a e d r o e st á e n t r e V e n u s y
M e r c u r i o ........................................................... .......................... . 114
N otas del autor.............................................................................. 115

Capítulo IX. D is t r ib u c ió n d e s ó l id o s e n t r e l o s p l a n e ­
ta s;ATRIBUCIÓN DE PROPIEDADES; DEMOSTRACIÓN DEL
PARENTESCO MUTUO ENTRE LOS PLANETAS A PARTIR DE
LOS SÓLIDOS......................................................................................... 116
Notas del autor.............................................................. ................ 119

Capítulo X . Sobre e l o r ig e n d e l o s n ú m e r o s n o b l e s .... 120


Notas del autor................................................. ............................ 121

Capítulo X I. S o b r e e l l u g a r d e l o s s ó l id o s y e l o r ig e n
d e l z o d ía c o ...................................................................................... 123
Notas del autor.............................................................................. 125
Capítulo XII. L a DIVISIÓN DEL ZODÍACO Y LOS ASPECTOS.. 131
Notas del autor.............................................................................. 136

Capítulo XIII. S o b r e e l c á l c u l o d e l o s o r b e s in s c r it o s
Y CIRCUNSCRITOS EN LOS SÓLIDOS............................................. 148
Notas del autor.............................................................................. 152

Capítulo XIV. O b je t iv o p r in c ip a l d e l l ib r o y p r u e b a
ASTRONÓMICA DE QUE ESTOS CINCO CUERPOS SE HALLAN
SITUADOS ENTRE LOS ORBES.......................................................... 153
Notas del autor.............................................................................. 157

Capítulo XV. C o r r e c c ió n d e d is t a n c ia s y v a r ia c ió n
DE PROSTAFÉRESIS............................................................................. 158
Notas del autor.............................................................................. 163

Capítulo XVI. P e c u l ia r c o m e n t a r io so b r e l a l u n a y
SOBRE LA MATERIA DE LOS CUERPOS Y DE LOS ORBES.......... 164
Notas del áutor.............................................................................. 166

Capítulo XVII. OTRA ADVERTENCIA SOBRE MERCURIO...... 171


Notas del autor.............................................................................. 173

Capítulo XVIII. SOBRE EL DESACUERDO ENTRE LAS PROS-


TAFÉRESIS DERIVADAS DE LOS SÓLIDOS Y LAS DE COPÉRNI-
CO EN GENERAL, Y SOBRE LA EXACTITUD EN ASTRONOMÍA 175
N otas del autor.............................................................................. 182

Capítulo X IX .SOBRE DESACUERDOS RESIDUALES DE CADA


UNO DE LOS DEMÁS PLANETAS...................................................... 185
Notas del autor.............................................................................. 189

Capítulo X X . C u a l s e a l a p r o p o r c ió n d e l o s m o v im ie n ­
t o s a l o s o r b e s ....................................... :........................ .............. 191
N otas del autor.............................................. ............................... 196

Capítulo X X I. ¿QUÉ CONCLUIR DEL DESACUERDO?............. 202


N otas del autor.......................... ................................................... 206
Capítulo X X II.
POR QUÉ UN PLANETA SE MUEVE UNIFOR­
MEMENTE EN TORNO AL CENTRO DEL ECUANTE..................... 208
N otas del autor.............................................................................. 211

Capítulo X X III.
SOBRE EL PRINCIPIO Y EL FIN DEL MUNDO
ASTRONÓMICOS Y SOBRE EL AÑO PLATÓNICO................ ........ 213
N otas del autor.................................................................. ........... 215

Conclusión del libro......................................................................... 218

Notas y comentarios del traductor................ ............................... 221


Traducción de las leyendas de las láminas originales................. 255
G losario...................................................................... ....................... 259
Bibliografía........................................................................................ 272
índice de términos............................................................................ 278
A Francisco Susinos
In memoriam
INTRODUCCIÓN

1. Años dé aprendizaje
N o es el de Johannes Kepler un nombre desconocido para el
público en general y tampoco lo es la importancia de su aportación
a la ciencia, producida precisamente en uno de los momentos fun­
dacionales más apasionantés de la historia del pensamiento humano.
Lo que resulta aparentemente extraño es que ae su amplia y variada
producción apenas nada1 haya sido trasladado (que sepamos) a nues­
tro idioma, salvo a través de referencias de terceros o de síntesis
históricas del carácter que suelen éstas revestir en los artículos de
grandes enciclopedias o en los capítulos destinados al tema por au­
tores de manuales más o menos extensos de historia general o, in­
cluso, especial de ciertas ciencias. Y es que, mientras pudo ser per­
tinente su presencia entre los libros de nuestros estudiantes, su nom­
bre andaba por el índice de Libros Prohibidos, sometido a la escru­
pulosa interdicción de la Ley Divina y humana (cosa esta que ilustra
un poco más la miserable condición de las «ciencias» que formulan

1 L a única excepción que conocemos es la Dissertatio cum Nuncio Sidereo {Praga,


1610), que tradujo y anotó Carlos Solís Santos e incluyó como segunda parte
(págs. 92-152) de E l mensaje y el mensajero sideral. Alianza Editorial. Madrid, 1984.
v sostienen tales «leyes»); y cuando el índice dejó de ser eficaz, sólo
la curiosidad histórica, la inevitable simpatía intelectual ante una fi­
gura y una obra como la suya, nos induce a recuperar para el lector
hispano alguno de sus admirables trabajos.
Medio siglo hacía que Europa entera ardía en guerras y disputas
teológico-políticas, cuando el 27 de diciembre de 1571, «a las dos y
media de la tarde» nacía en una pequeña villa, imperial de Suabia,
llamada Weil-der-Stadt, Johannes Kepler, o Khepler o Keppler, hijo
primero, (sietemesino como Newton más tarde) ae Heinrich Kepler,
un violento y atolondrado descendiente de una hidalga familia veni­
da a menos, y de una sensible, a veces crispada, Catnerine Gulden-
mann, que ai final de su vida sufrió acusación de brujería y hubo
de ser defendida por su hijo con todo su talento dialéctico en juego
para librarla de la hoguera 2.
Como fruto de su tiempo, el conflicto se instaló desde el prin­
cipio en la vida de Kepler. Por una parte, su familia era protestante,
de confesión luterana, quizá desde la juventud de su abuelo Sebaldo
(que fue hombre importante en Weil), mientras que la imperial Villa
era oficialmente católica, pero se hallaba enclavada en pleno ducado
de Württemberg que encabezaba un Príncipe luterano y que en su
Universidad de Tubinga concentraba a lo mejor de la teología lute­
rana del momento.
Kepler pasa los seis primeros años de su vida en compañía de
sus abuelos paternos (mientras su padre andaba enrolado en los ejér­
citos mercenarios de Flandes) hasta que en 1578 entra en la escuela
primaria de Leonberg (cerca de Weil) perteneciente al sistema edu­
cativo del ducado, ya para entonces muy bien organizado. El mismo
recuerda que su madre le acompañó a ver el cometa de 1577, y su
padre, en 1580, un eclipse de Luna. Etí 1584 pasa a la escuela mo­
nacal (una especie de seminario menor ubicado en un antiguo mo­
nasterio premostratense cerca de Mt. Hohenstaufen) de Adelberg,

2 L a biografía más completa que conozco de Kepler es la debida á Max C a s p a r


(en su traducción inglesa de C . D . Hellman, citada en la Bibliografía). También existe
una amplia reseña biográfica debida a C h . F r i s c h (ver 2 ‘ parte del tomo 8 de su
edición Opera Omnia de Kepler) que se hace eco de la lectura y edición (en el
tomo 5, págs. 476-483, y después por M. L i s t en el tomo 19 de G.W ., págs. 328-337)
del «H oroscopo» que Kepler se había autoconstruido para sí en 1597 (noy, junto con
otros manuscritos de contenido astrológico, en el leg. 19 de Polkhovo-Leningrado),
donde refiere muchos detalles de su infancia y juventud, así como de sus padres,
hermanos, tíos, abuelos, etc. Además existe en castellano una traducción de los capí­
tulos dedicados a Kepler de la obra The Sleepwalkers, de A. K o e s t l e r (Kepler, trad.
de Dom ingo Santos. Salvat, Barcelona, 1987) cuyo sesgo psicóanalítico no es de obli­
gada aceptación para el lector, aunque algunas sugerencias ayuden a comprender parte
de su compleja personalidad.
de donde, en 1586, pasa al seminario de Maulbronn (establecido en
un antiguo y famoso monasterio cisterciense), lugar en que el duca­
do formaba clérigos y funcionarios eficientes sobre los cuales des­
cansaba la organización civil del estado. El plan de estos estudios
llevaba al conocimiento de los idiomas clásicos, de la gramática, re­
tórica y demás disciplinas del «cuadrivium», cuyo final era el grado
de Bachiller en Artes, dado tras pasar un examen en la Universidad
de Tubinga. Kepler cumplió como bueno este requisito y alcanza
este grado el 25 de septiembre de 1588 3. El paso siguiente habría
de ser la Universidad, pero la falta de sitio le obliga a esperar un
año más en Maulbronn, y el 3 de septiembre de 1589 entra en el
Stift (instalado en un antiguo monasterio agustino) de Tubinga como
becario del duque de Württemberg, para estudiar Teología, con áni­
mo de ser clérigo de la Iglesia luterana. Los estudios empezaban por
hacer el grado de «Magister Artium» antes del «M. Theologiae».
Kepler completa aquel grado en 1591, con la mejor opinión de sus
profesores, que ven en él gran sutileza y afición por las matemáticas,
por la física (de Escalígero) y la meteorología (de Aristóteles), por
la astronomía (su maestro es Michael Maestlin, con quien forjará una
definitiva amistad), mientras su maestro en griego será M. Crusius,
de cuya gramática había aprendido hasta los ejemplos de memoria.
La estancia de Kepler en Tubinga significó para él la convivencia
con uno de los centros especulativos (junto con Wittenberg) más
conspicuos del ámbito luterano. Y ello no sólo en la medida en que
los estudios clásicos trataban de emular a las universidades católicas,
sino también en su afán renovador de algunas disciplinas «filosófi­
cas» próximas, a veces, a los puntos de conflicto teológico; de ellas
una muy sensible era la astronomía, cuya enseñanza titubeaba en
Tubinga entre la doctrina de Ptolomeo y las propuestas renovadoras
de Copémico (gracias a la divulgación de Rhetico, sobre todo). Pa­
rece que además de su profesor de Filosofía, Vitus Müller, del de
griego, Martin Crusius, su maestro decisivo fue Michael Maestlin,
sucesor de Philipus Apiano, astrónomo de fama que había sido des­
tituido por negarse a firmar la Fórmula de Concordia. Maestlin fue
su profesor de matemáticas, de astronomía y de cuestiones de filo­
sofía natural y a él deberá Kepler su iniciación copemicana, tanto
como el conocimiento normal de la astronomía ptolemaica de acep­
tación y enseñanza común en las escuelas..
Otros dos aspectos hemos de tener presentes: en primer lugar,
la independencia de juicio de Kepler en asuntos teológicos (sin aban­
donar su fe luterana), independencia que apoyó en su lectura propia

3 C fr. M. L ist , en G.W. 19, págs. 314-324.


de la Biblia (manejó el comentario de Aegidio Hunnio de Witten-
berg) tanto en el asunto del libre albedrío (contra la opinión de
Lutero) como en el de la Eucaristía; el segundo, destacar que, pese
a escrúpulos y angustias de conciencia que padeció profundamente
en estos años de estudio en Tubinga, conservó un espíritu profun­
damente religioso y devoto, matizado por su concepción de la divi­
nidad que le aproximaba a actitudes casi místicas y que, viviendo en
medio de la vorágine de la guerra de los treinta años, su opción
personal fue siempre conciliadora y ajena a la intolerancia, quizá en
consonancia aquí con su maestro de Teología y amigo Matthias Ha-
fenreffer.
A principios de 1594 la Universidad de Tubinga recibe una pe­
tición procedente del colegio-seminario protestante de Graz para
que se enviase un profesor de matemáticas y astronomía que susti­
tuyera al recién fallecido Gregorius Stadius. Fue elegido Kepler, quien
acepta, tras algunas dudas, e interrumpe sus estudios teológicos, ya
en su último año, para trasladarse (previa expresa autorización del
Duque) a Estiria y hacerse cargo de la cátedra de matemáticas y
astronomía del seminario protestante de Graz. Los profesores, de
Tubinga muestran con esta elección su reconocimiento de la com­
petencia matemática de Kepler, quien, tras despedirse de sus profe­
sores y amigos de Tubinga, parte el 13 de marzo de 1594 hacia Graz,
a donde llega el 11 de abril.
Graz vivía, a la sazón, en plena campaña de contrarreforma bajo
los impulsos de la casa archiducal de Austria, que había incorporado
como instrumento de su campaña a los jesuítas en prácticamente
todas las ciudades de sus dominios y, por supuesto, en Graz. La
contraofensiva católica acabaría por cerrar la escuela protestante y
desterrar a Kepler, que, con su esposa y su hijastra, tuvo que salir
de Graz el 30 de septiembre de 1600 a bordo de dos carretas que
transportaban su ajuar. En este espacio de tiempo y en estas circuns­
tancias compuso Kepler el Mysterium Cosmographicum de cuya tras­
cendencia ulterior Kepler siempre fue consciente.

2. «M athem aticus» de los estados de Estiria

Apenas incorporado a su puesto hubo de hacer frente a su pri­


mera obligación como «Mathematicus» de los Estados: escribir el
«Calendario» (Prognosticum) 4 para el año 1595. Este trabajo, predic-

4 Se conservan los correspondientes a 1597, 1598 y 1599 (de los hechos en Graz).
Cfr. S u t t e r , B .: Johannes Kepler, 1571-1971. Graz, 1975, págs. 209-373.
tivo sobre fenómenos meteorológicos como los eclipses, o los ciclos
lunares, matemáticamente computables, se extendía a otros como las
lluvias, las tormentas, los terremotos, las nevadas, las cosechas, las
epidemias, las guerras, las invasiones turcas, etc. La base de estas
predicciones era astrológica, aunque el buen sentido del pronostica-
dor y ciertos indicios aceptados pudieran mejorar la predicción, prin­
cipalmente ayudándose ae redacciones ambiguas. El caso, no obs­
tante, era ofrecer una predicción apoyada en el estado de cosas que
la disposición de los astros pudiera sugerir, para cada año. Y esta
disposición sólo se podía conocer mediante la astronomía, y por ello
esta ciencia, junto con la matemática, eran conjuntamente ciencias
básicas para la astrología. Kepler aplicó sus conocimientos de astro­
nomía y matemáticas a la confección de los Pronósticos, sin descar­
tar las influencias astrales, de cuya realidad no tenía mayores dudas,
aunque las tenía todas sobre la posibilidad de codificar causalmente
esos influjos astrales. Como consecuencia, sus Pronósticos astroló­
gicos se mueven entre la convicción de que la naturaleza es una y
por tanto toda ella se halla en interdependencia operativa y la con­
vicción de que ninguna ley astrológica es una ley causal estricta, con
lo cual hay que descartar de los Pronósticos cualquier forma de
certeza semejante a las certezas de las ciencias matemáticas 5. Y, aun­
que su cargo de «mathematicus» llevaba aparejada la obligación (y
también la remuneración) de hacer calendarios anuales, desde el pri­
mero mostró su desconfianza en las técnicas predictivas que se veía
en la necesidad de utilizar. N o obstante, acertó en su predicción de
grandes fríos y de la invasión turca para 1595, cosa que le dio un
prestigio del que andaba muy necesitado en sus circunstancias.
Su otra obligación era la de profesor de matemáticas y astrono­
mía en la escuela (Stiftsschule) protestante de nobles de la ciudad.
Pero no resultaban muy atractivas estas materias a los jóvenes nobles
y burgueses de Graz, a juzgar por el escaso número de ellos que se
matricularon el primer año, número que en el segundo año descen­
dió a cero. Kepler es destinado a otras materias como la retórica,

5 L a Astrología era una de las partes de la física que se explicaba en el «quadri-


vium» y completaba la visión filosófica del mundo, por lo cual pertenecía a la tradi­
ción académica con pleno derecho, Kepler se adscribe, por tanto, a esta tradición
académica que forma parte de la física sublunar y no a la tradición «ocultista» o
profética, de cuyos excesos siempre aborreció. Véase FlELD , J. V.: «A Lutheran As-
trologer: Johannes Kepler», en Archive fo r History o f Exact Sciences, 31, 1984,
págs. 189-272. El texto más representativo de la concepción, kepleriana es su «De
fundamentis Astrologiae certionbus», publicado en Praga en 1602 (traducido al inglés
en el artículo de Fíela recién mencionado) en que muestra (tesis I a IV) la debilidad
de los fundamentos de la predicción astrológica. Para más amplia información puede
verse Sim ón, G .: Kepler astronome astrologue. París, 1979.
ética o historia y en todos los casos cumplió muy dignamente sus
cometidos. Ciertamente su labor docente tanto como su actividad
pronosticadora coincidían en algunos temas cosmográficos, tales
como la configuración de los cielos, el cálculo de sus movimientos,
la influencia sobre la Tierra y los acontecimientos en ella, etc. Pero
Kepler dedicó particular empeño a investigar todo este entramado
meteorológico-cosmográfico, tomando como punto de partida sus
conocimientos físicos, cosmológicos y matemáticos procedentes de
los días de Tubinga, en particular las orientaciones copemicanas re­
cibidas de Maestlin. Y así vino Kepler a dar en un replanteamiento
general de los fundamentos mismos de la filosofía de la naturaleza
heredada desde la Antigüedad griega. ¿Cómo adecuar las ideas co­
pemicanas a la concepción del mundo entonces áceptada? ¿Cómo ha
de variar dicha concepción para que resulte compatible con los «da­
tos» de Copémico? Este tipo de cuestiones llevaron a Kepler a una
reconsideración extensa y radical de las ideas recibidas desde Platón,
Aristóteles, Nicolás de Cusa y otros sobre la configuración del mun­
do. Si el Sol está en el centro, ¿por qué está en el centro? Si los
planetas giran en torno al Sol, ¿por qué giran en tomo a él? ¿Por
qué son distintos sus tiempos de revolución? Si son seis, ¿por qué
son seis? ¿Por qué distan entre sí exactamente lo que distan? Kepler
aborda, por esta vía, un tipo de cuestiones filosóficamente vinculadas
a la aceptación del modelo copernicano como modelo físicamente
verdadero del mundo —y no sólo como modelo observacional o
matemático— . Podemos sospechar fundadamente que esta actitud
filosófica procedía de sus días de estudiante en Tubinga, que era
conocida de algunos de sus maestros, que no era demasiado com­
partida por ellos o que les resultaba arriesgada y próxima a la hete­
rodoxia. El axioma kepleriano — «Nada ha hecho Dios en el mundo
sin un plan»— encerraba una disputa teológica de máxima impor­
tancia: determinar las líneas maestras de dicho plan. Si esas líneas se
hallan en la Biblia y la filosofía natural concorde con ella o si, por
el contrario, las líneas maestras de dicho plan se hallan insertas en
la obra misma y deben ser descubiertas por el hombre, aun a riesgo
de que no resulten coincidentes con las dibujadas en la Biblia. El
modelo copernicano parecía propiciar el segundo caso y por ello era
igualmente sospechoso (si no más) para los protestantes y para los
católicos, aunque éstos tardaron más en proponerse la cuestión.

3. El Mysterium Cosmographicum

Durante el verano (19 de julio) de 1595 explicaba Kepler a algu­


nos de sus alumnos ciertos fundamentos de astrología, la sucesión
trigonal de las grandes conjunciones, valiéndose de un tosco dibujo
(véase el Primer Prefacio) en el que los vértices del trígono saltaban
de 8 en 8 signos zodiacales hasta regresar al signo de partida y, de
repente, observa que el círculo interior resultante de los cortes su­
cesivos de los lados de los triángulos inscritos sobre el círculo zo­
diacal tiene un radio que es igual a la mitad del radio del círculo
zodiacal circunscrito. Esta relación es reconocida intuitivamente por
Kepler como «semejante» a la que media entre el orbe de Saturno
y el de Júpiter. Kepler ensaya generalizaciones poligonales para to­
dos los planetas, series numéricas (radios, diámetros, etc.), funciones
trigonométricas (senos), hasta que cae en la cuenta de la naturaleza
«espacial» (tridimensional) de los espacios interpuestos entre los pla­
netas y ensaya con los poliedros regulares. Entrevio alguna aproxi­
mación razonable y el 2 de agosto escribe una carta emocionada a
Mestlin anunciándole que «el día 20 de julio, en medio de un mar
de lágrimas, he descubierto la forma y la causa del número seis de
los orbes y de sus distancias...» 6. Y el 24 de septiembre, más explí­
citamente, manifiesta a Maestlin que son los poliedros regulares los
que determinan las distancias de los orbes planetarios, mientras que
los movimientos de los mismos se deben a una fuerza («anima mo-
vens») residente en el Sol y que actúa a distancia con menor eficacia
en función de la distancia mayor, de donde se sigue la desigualdad
periódica de los retornos planetarios. Kepler le promete un pequeño
libro sobre el particular. Y el 13 de octubre en una tercera carta, le
resume el contenido del libro, que coincide muy bien con el Myste­
rium, ampliando sus confidencias a otros campos, tales como la po­
sibilidad de publicarlo en Tubinga, el cambio de su vocación teoló­
gica por la profesión de astrónomo, etc., aunque también pregunta
a Maestlin por muchos problemas que le plantea su escasa familia­
ridad con la astronomía copemicana, con los valores copemicanos
de las Tablas Pruténicas, etc. Durante los meses de octubre a enero
el manuscrito fue alcanzando su forma definitiva, aunque en algunos
guntos quedaban problemas pendientes de sus consultas con Maest-

Pero a principios de 1596 Kepler vuelve a su Suabia natal por


razones de familia, entre las que podemos destacar la muerte de su
abuelo Sebaldo. La estancia en Württemberg dura hasta agosto, tiem­
po que aprovecha para «venderle» al Duque la idea de construir un
modelo en materiales nobles de su hallazgo, para lo cual se trasladó

6 Esta correspondencia se halla en G.W . 13, n ° 21 y ss. M. Caspar toma citas sin
dar las referencias, pero al estar ordenadas por fechas, seguiremos desde ahora refi­
riéndonos a ella sólo con la fecha.
al castillo de Stuttgart donde pasó gran parte de este tiempo. El
proyecto resultó un fracaso y Kepler sólo pudo dejar una maqueta
en madera y papel. Pero, a la vez, tuvo tiempo para entrevistarse
con Maestlin y, con su ayuda, ajustar los cálculos tanto como fue
posible, lograr la licencia universitaria para la publicación de su li­
bro, acordar con Gruppenbach los términos de la publicación y de­
jar a Maestlin como supervisor de la misma. De paso redactó su
primera dedicatoria a los Nobles y diputados de Estiria, qué acep­
taron de buen grado el patronazgo sobre una obra aparentemente
bienquista del Duque y ae la Universidad de Tubinga. Kepler salvó
con ello su larga ausencia (concedida inicialmente para dos meses,
aunque fue de siete) y recibió una generosa gratificación de 250
gulden, que cobró justo al tiempo de su salida de Graz hacia Praga
en 1600. Podemos considerar que el libro comienza a tener su forma
final durante el otoño de 1596 en la imprenta de Gruppenbach, bajo
la diligente vigilancia y continuas correcciones de Maestlin, mientras
Kepler en Graz negocia su matrimonio con una joven rica y doble­
mente viuda, Barbara Müller, de veintitrés años, agraciada y regor-
deta, con quien adquirió un compromiso antes de su viaje a Suabia
y que ahora se resiste a hacer bueno el padre de la novia. Era éste
Jobst Müller, un negociante con humos de nobleza, que vivía en la
mansión de Mühlecfc, en el lugar de Góssendorf, al sur de Graz y
que quería ingresar en las filas de la nobleza, aunque fuese por la
indirecta vía del tercer matrimonio de su hija Barbara, y jactancio­
samente se presentaba como Jobst Müller «zu Góssendorf», aunque
parece que sólo su hijo Michael alcanzó el ansiado «von Mühleck»,
algunos años más tarde. El caso es que el viejo Jobst puso muchas
dificultades (de alcurnia, económicas u otras) a la boda de su hija
Barbara con el matemático de la Stiftsschule, y que cuando en abril
de 1597 se celebró por fin la boda, las restricciones impuestas a los
bienes de Barbara por su padre no permitieron a Kepler mejorar
sustancialmente sus finanzas porque «su fortuna fue injustamente
retenida», como dirá más tarde.
Mientras tanto la correspondencia con Maestlin, continuación de
la mantenida desde Stuttgart, va dando lugar a una puesta a punto
de la edición, incluyendo la carta de M. Hafenreffer con las refor­
mas 7 pedidas por la Universidad, que reciben respuesta de Kepler
el 21 de junio de 1596, y que consisten en eliminar la iniciación de
una polémica teológica al principio, la ampliación de la exposición
de las tesis copemicanas al final del capítulo I y una amplia referen-

7 Cfr. R o se n , E .: «Kepler and the Lutheran attitude towards Copemicanism»,


en Vistas in Astronomy, 18, 1975,"págs. 317-337.
cía a Eucüdes al final del capítulo II. Hacia el 25 de noviembre
empieza Maestlin a enviar los primeros pliegos de pruebas a Kepler,
poniéndole en antecedentes de su iniciativa de añadir Ja Narratio de
Rhetico «revisada por mí y aumentada con figuras junto con mi
prefacio». Kepler respondió a Maestlin con quejas y Maestlin pre­
paró una respuesta autojustificatoria que no envió. Al final Kepler
el 20 de febrero escribe aceptando las condiciones de impresión y el
19 de marzo Maestlin le anuncia el final de la impresión. Coinci­
diendo con las fechas de su boda, Kepler recibe las primeras copias
de su «pequeño libro». Según M. Caspar, su precio era de 10 kreu-
zers, y Kepler hubo de quedarse doscientos ejemplares por los que
pagó 33 guldens, en unas circunstancias financieras, subsiguientes a
fa to d a, más que precarias. Kepler envió algunos ejemplares a los
sabios de su tiempo pidiéndoles su opinión. Galileo, Tycho Brahe
y Ursus estaban entre ellos.
Por otra parte, conviene tener presente que Kepler abordó la
redacción de esta obra con una clara opción en favor de Copémico
y que sus conocimientos de Copémico eran inicialmente de segunda
mano (vía Maestlin), lo cual explica que su posición no sea exacta­
mente copemicana, ni en las cuestiones que se plantea ni en el modo
de tratarlas. Lo que se pregunta es «por el número, tamaño y mo­
vimientos de los orbes», cuestiones estas que, dentro del sistema
copernicano, tienen sentido, pero sentido dado por Kepler mediante
su modo personal de asumir el copemicanismo. De hecho sólo em­
pezó a manejar la Narratio de Rhetico y el De Revolutionibus en
los días en que iniciaba la redacción del libro 8. Con todo, su resu­
men del copemicanismo en el capítulo I muestra un profundo co­
nocimiento de los valores renovadores del mismo frente al sistema
de Ptolomeo. Kepler permanece «totalmente» dentro de este esque­
ma hasta el capítulo XIV. Pero a partir del capítulo XV se desvía un
tanto y lleva el centro del mundo desde el punto vacío y geométrico
que era el centro del Orbe Magno al centro físico que es el cuerpo
del Sol. La obra entera puede considerarse compuesta de tres núcleos
temáticos principales: i) el estudio (caps. II a XII) de los poliedros
regulares como entidades geométricas y de sus relaciones mutuas,
con vistas a la hipótesis formulada en el capítulo II; ii) comparación
(caps. XIII a X IX ) de resultados con los datos copernicanos y con
los datos «corregidos» de Maestlin, junto con la evaluación de los
desvíos resultantes, y iii) una investigación original y novedosa
(caps. X X a X X II) de los movimientos periódicos de los planetas en

8 Eso le confiesa a Maestlin en carta de 3 de octubre de 1595, en que le comunica


que ya tiene su propia copia de Copém ico.
razón de distancias y fuerzas, introduciendo así una base física en
la interpretación de los mismos. En el capítulo final hace una apli­
cación de estas consideraciones a «dos célebres problemas».

Del capítulo I hay que destacar dos cosas netamente keplerianas


que sobrepasan claramente las recomendaciones de la Universidad
bajo las cuales se redactó. Estas son, en primer lugar, la presentación
de la obra como un estudio de «Cosmografía», rúbrica ésta que
legitima la descripción del mundo en términos físicos y no mera­
mente matemáticos como era el caso de la «astronomía»; la segunda
es consecuencia de la anterior y consiste en la representación me­
diante dos láminas contrapuestas (láms. I y II) de la situación, dis­
tancias y espacios interpuestos de los dos sistemas rivales, coperni­
cano y ptolemaico. En la figura copemicana representa (en términos
proporcionales) con mucha aproximación las distancias y formas rea­
les de los orbes planetarios y ofrece las claves observacionales para
calcular las distancias reales, sin olvidar que las fijas han de hallarse
a tal distancia que las paralajes desde los extremos del Orbe Magno
sean insensibles para ellas, con lo que su distancia desde Saturno es
inmensa. Esta relación de dimensiones sirve para delimitar al sistema
solar como entidad cosmográfica, frente al resto de los objetos ce­
lestes, en la medida en que partiendo del Sol se pueden determinar
su forma, sus distancias mutuas, sus movimientos periódicos, etc., y
establecer así propiedades internas del sistema que no son depen­
dientes del círculo externo de las fijas. Esta pretensión kepleriana
sobrepasa o extiende los términos de la hipótesis copemicana en un
sentido nuevo que resultará determinante del resto ae la obra keple­
riana.

En el capítulo II el lector se encuentra con la presentación del


argumento kepleriano. Curiosamente esta presentación ofrece al lec­
tor, junto con la hipótesis misma, una imagen prototípica del modo
kepleriano de abordar los problemas. Un entramado conceptual de
elementos religioso-místicos unido a una filosofía pitagórico-plató-
nica (en conjunto un patrón filosófico neoplatónico) sirve para apo­
sentar la cuestión en un contexto metafísico que garantiza la «vero­
similitud» de su propuesta. Obsérvese que no se trata de mostrar la
compatibilidad, ae mostrar la mera «no contradicción» entre su pro­
puesta y ciertos presupuestos teológicos, sino que se trata de mostrar
la congruencia positiva entre su propuesta y esos presupuestos. Se
trata de mostrar, en suma, que su propuesta es lo que mejor se
acomoda a esos indudables presupuestos teológicos. Pero esa con­
gruencia positiva no es para Kepler una prueba, sino solamente un
indicio, «quin potius verisimile est», como dice, porque de hecho la
prueba habrá que buscarla mediante comprobación directa en la ex­
periencia.
Por esta razón pasa Kepler inmediatamente a presentar con de­
talle los términos concretos de su hipótesis poliédrica. Estudia
(caps. III a VIII) la naturaleza, clases y propiedades métricas de los
cinco sólidos regulares, y los va colocando en espacios interplaneta­
rios en razón de consideraciones de jerarquía y dignidad entre unos
y otros, razones que tampoco resultan pruebas para Kepler y de las
cuales hace un uso retórico, cosa que reconoce al iniciar el capítu­
lo IV cuando confiesa que se expresa en forma «alegórica». Pero una
vez iniciado esté discurso persuasivo, Kepler persiste en él hasta
cerrar el círculo argumenta], incluso con errores tan claros (que re­
conocerá en notas de la segunda edición) como la teoría de las afi­
nidades y parentescos entre los planetas y sus poliedros asociados
(cap. IX) o como el atribuir alguna virtud o nobleza a determinados,
números (cap. X ) múltiplos o submúltiplos de 60.
Tampoco escapará al lector la peculiar manera en que introduce
Kepler en los capítulos X I y XII determinadas bases matemáticas
como fundamento de la Astrología. Notable resulta aquí el hecho
de que, aceptando de entrada la participación de los astros en el
devenir de las cosas terrestres, Kepler trate de establecer elementos
mensurables y determinables que permitan explicar y predecir con
cierto rigor algunos de los efectos de esa participación. Las relacio­
nes que trata de establecer entre las posiciones significativas de los
planetas (los aspectos) limitan y sistematizan las bases «teóricas» de
la Astrología, actividad a la que quiso someter a disciplina, en tanto
que natural deudora de la astronomía. Y no menos admirable resulta
el discurso, de ascendencia pitagórica, sobre las propiedades armó­
nicas (cap. XII) de su orden poliédrico, discurso que habrá de con­
tinuarse durante años hasta la publicación de su Harmonice Mundi
Libri V (1619) en que ofrece la «Tercera Ley», según la cual los
cuadrados de los períodos de revolución de los planetas son propor­
cionales a los cubos de sus distancias medias al Sol. Y esto, cuando
se coloca tabularmente según su orden de sucesión, genera unas ta­
blas «armónicas» tales que representan valores musicales bastante
bien afinados, y así la Tierra recorre su órbita entonando eterna­
mente un mi-fa-mi («de donde se puede inferir que la Mi-seria y la
Fa-mine [hambre] reinan por doquier en este mundo»), como dice
el propio Kepler .
A partir del capítulo XIII se produce una inversión de los argu-

9 . En Harmonice, libro I, cap. 6, nota ad. loe.


Ordo Spbarárum M undi.

Representación (vide cap. X IV ) de los espacios interplanetarios y de las excen­


tricidades de cada orbe según los datos copemicanas que ofrece Kepler por
primera vez y que se aproxima proporcionalmente a los valores reales.

mentos, porque se entra en una dinámica de comprobación, de prue­


ba, por así decirlo, empírica. Kepler tratará ahora de comparar su
hipótesis con los datos más fiables de que dispone la astronomía,
datos que proceden de la observación (como los tiempos de revolu­
ción) o del cálculo de distancias relativas tal y como trigonométri­
camente se deducían de las paralajes terrestres. Desde el principio
conocía la precaria exactitud de estos datos «empíricos», pero tam­
bién conocía que esa misma «insuficiencia» debilitaría los argumen­
tos de sus contradictores, y, manteniéndose dentro de esos márgenes
de inexactitud, la astronomía observacional no podría desmontar su
tesis sobre la base de.sus datos. N o obstante, mejores datos podrían
hacerlo, aunque también podrían confirmar los valores de su hipó­
tesis si se aproximaran más a ellos que los datos disponibles en ese
momento (datos que venían representados principalmente por las
Tablas Pruténicas ae Reinhold o por los valores aceptados por C o­
pérnico en el D e Revolutionibus). Por ello Kepler persiguió con
tanto ahínco el tesoro observacional de Tycho Brahe, considerando
que en él estaba la clave argumental de su propia hipótesis.
El primer paso, pues, consistió (cap. XIII) en calcular los radios
de los orbes inscritos y circunscritos sobre los poliedros regulares.
Si la interposición de los poliedros no permitiese, por una parte,
preservar distancias entre orbes similares a las atribuidas por Copér­
nico, ni, por otra, entre orbes inscritos y circunscritos quedase es­
pacio para las «subidas y bajadas» (las excentricidades) de cada pla­
neta, es evidente que la hipótesis de los poliedros sería incompatible
con los valores copernicanos aceptados. Por ello Kepler se detiene
en tabular primero los valores «euclídeos» que rigen entre esferas
inscritas y circunscritas en cada uno de los sólidos regulares. Estos
valores son comparados (cap. XIV) con los datos copernicanos para
comprobar si los sólidos caben holgadamente o exactamente entre
los orbes de cada planeta. La lámina IV incluida en este capítulo
muestra los intervalos entre los planetas junto con sus excentricida­
des, representadas por dobles círculos paralelos y concéntricos desde
G, centro del Orbe Magno. Representa los valores copernicanos,
valores de los cuales se desvían muy poco los valores dados por su
hipótesis poliédrica. Pero es más notable el esfuerzo por representar
proporcionalmente (a escala) las distancias reales entre cada-orbe y
entre las distancias máximas y mínimas de cada uno. Porque esto da
una primera idea del carácter no circular del curso de los planetas,
de la pequeñez de su excentricidad y de sus distancias respectivas.
Compárese con la representación de la Narrado de Rhetico en la
edición 10 de Maestlin.
Pero los datos manejados no eran más que «datos copernicanos»,
esto es, datos poco exactos y referidos a un centro imaginario situa­
do en el centro del orbe terrestre. El capítulo XV trata ae «mejorar»
los términos de la comparación y, en cierto modo, es el eje argu-
mental de Kepler en este libro. Primero sitúa el centro del mundo
en el Sol (el sistema geométrico de Copémico pasa a ser un sistema
físico gobernado por el Sol) y luego corrige los valores de Copérnico
para las «excentricidades» justamente en razón de este cambio de
centro. N o hay que olvidar que este cambio de centro comporta una
corrección consistente en eliminar de las excentricidades de los pla­
netas la excentricidad «de la Tierra», que subsistía en el sistema co-
pernicano (y que resultaba «máxima para Saturno»). Así llega Kepler
a construir su tabla de cuatro columnas que, pese a muchos errores
de cálculo, representa el grado de «acuerdo» matemático con la es­
tructura copémico-kepleriana del mundo.
Los capítulos XVI, XVII, XVIII y X IX se dedican ,a estudiar

10 Las ediciones de la Narratio (2.* y 3 /) hechas en Basilea en 1541 y 1566 no


tenían ilustraciones. Maestlin decidió añadir a su edición ilustraciones que hicieran el
texto más inteligible. Si Maestlin utilizó la 1.% de 1540, habrá que suponer que tam­
poco las tenía, pero no conozco ninguna referencia sobre ello.
casos particulares: la Luna como orbe asociado a la Tierra y cuya
«teoría» ofrecía grandes dificultades en el sistema tradicional; el caso
de Mercurio, cuyos movimientos precisaban de multitud de «ayu­
das» para entrar en el modelo; de las prostaféresis, por cuanto las
excentricidades de los orbes o sus «grosores» resultan corregidos en
la nueva disposición kepleriana, si bien son correcciones perfecta­
mente encajables tanto dentro de la hipótesis de los sólidos como
dentro de los datos observacionales disponibles. Y llama la atención
de sus lectores sobre la exactitud de los datos en astronomía, pues
ni los de Ptolomeo ni los de Copémico ni los de Reinhold pueden
pasar por exactos.
Hasta aquí ha explicado Kepler por qué son seis 11 los planetas
y por qué se hallan a las distancias a que se hallan entre ellos. Pero
se había propuesto una cuestión aún más novedosa: sus movimien­
tos. Era conocido el período de revolución de cada uno, pero no
había explicación alguna de las diferencias entre sus tiempos propios,
ni menos de las «velocidades» de cada uno. N o encuentra Kepler
una proporcionalidad simple entre distancias y tiempos de revolu­
ción y trata de introducir hipótesis físicas (fuerzas motrices) que
actúan desde el Sol y decrecen con la distancia para dar cuenta de
las diferentes velocidades de cada planeta. A punto estuvo de dar
con su Tercera Ley, pero estos capítulos X X a X X II sólo son un
primer intento sobre datos 12 poco precisos. Volveremos sobre ello
más tarde.
La publicación del Mysterium Cosmographicum tenía dos públi­
cos problemáticos. El primero era el de los teólogos, cuya opinión
no podía dejar de preocupar a Kepler, particularmente la de sus
maestros de Tubinga que ejercían su magisterio sobre amplios ám­
bitos de la confesión luterana. Su correspondencia con Maestlin y
Hafeneffer (desde abril de 1597 hasta más de un año después) mues-

11 Cuando Kepler tuvo noticia del descubrimiento por Galileo de los satélites de
Júpiter (los «planetas medíceos») y recibió el ejemplar del Nuntius Sidereus se sintió
profundamente perturbado y pasó inmediatamente al examen de su hipótesis a la luz
de este descubrimiento. Cfr. Galileo Kepler (1984) y las notas que C. Solís ha elabo­
rado a este propósito (notas 2, 6, 7, 8, etc.), para la edición de la Dissertatio (págs. 92
y ss;)-
Puede verse el análisis de este capítulo y del razonamiento de Kepler en GlN-
GERICH, O .: «The origins of Kepler’s Third Law », en Vistas in Astronomy, 18, 1975,
págs. 595-601. También en FlELD , J. V.: Kepler’s Geometrical Cosmology. The Ath-
lone Press. Londres, 1988, págs. 69-70. El argumento sé basa en que los cuadrados
de los tiempos periódicos no resultaban proporcionales a los cubos de los radios de
las distancias medias «establecidas» en esta obra (en unidades de la distancia media
Tierra-Sol), pues los errores van desde un - 2 ,5 % , para el radio de Júpiter, hasta un
+23 % , para el de Mercurio.
tra que dos cosas protegieron este flanco; primero, la adhesión pú­
blica de Maestlin en el apéndice de la obra a las tesis copemicanas,
con lo que una disputa con Kepler entrañaba una disputa con Maest­
lin, hombre de prestigio científico reconocido en la propia Univer­
sidad, y después, la dedicatoria al Duque en la lámina principal, que
insinuaba una protección oficial no fácil de obviar. El otro público,
el de los astrónomos y científicos, importaba más a Kepler y a ello
dedicó algunos de sus ejemplares. Algunos de ellos (Helisaeus Róss-
lin, Johannes Praetorius y algunos otros anónimos) representaban lo
que R obertS. Westman denomina13 la «Interpretación de Witten-
berg», esto es, una concepción conservadora y, hasta cierto punto,
arcaizante del copemicanismo. Por ello sus comentarios al libro de
Kepler (aunque elogioso el de Rósslin) no representan un reconoci­
miento de la nueva aportación copemicana contenida en él. El co­
rresponsal intermediario de estas recensiones era Herwart von Ho-
henburg, canciller de Baviera, que entró pronto en contacto con
Kepler vía Dr. E. Grienberg, y era hombre curioso y largo corres­
ponsal y amigo de Kepler a partir de este encuentro. De los miem­
bros de la comunidad universitaria cercana a Tubinga solamente
Maestlin resultará claramente copernicano y defensor del libro de
Kepler. De los ajenos a esta comunidad sabemos de cuatro corres­
ponsales: G. Limnaeus, de Jena, cuya carta entusiasta a Kepler no
revela más que la escasa comprensión de la tesis central del libro por
parte de Limnaeus; Reimams Ursus, matemático imperial, a quien
antes de la publicación del Mysterium (noviembre de 1595) se dirigió
Kepler 14 con una carta desmesuradamente laudatoria como mejor
matemático de su tiempo. Ursus publicó la carta de Kepler en su
De Hypothesibus Astronomías (Praga, 1957), que era un ataque de­
saforado contra Tycho Brahe, inicio de un contencioso que acabaría

15 Cfr. «Three responses to the Copem ican Theory: Johannes Praetorius, Tycho
Brahe and Michael Maestlin», en The Copemican Achievement, págs. 285-345.
14 En cana de Kepler a Maestlin de septiembre de 1597 le comunica que «U rso
me escribió [a Kepler] desde Praga pidiéndome ejemplares; al cual, aunque poco serio
autor, he complacido, sin embargo, porque es matemático imperial, y me puede tanto
ayudar como perjudicar. H asta en Estiria es evidente su influencia». Ursus tardó
todo este tiempo en responder a la carta inicial de Kepler y le escribe con algunas
disculpas y autobombo pidiéndole además un ejemplar porque, dice, en Praga no lo
tienen los libreros. D e paso le hace llegar una reciente publicación suya de «rebus
chronologicis» que lleva por título Chronotheatrum sive Theatrum temporis annorum
4000, quod ex motu coeli et cum sacris tum profanis Mriusque linguae auctoribus
aliisque ac plerisque probatis fideque dignis historiéis demomtratum exhibet: 1) Chro-
- nologicam demonstrationem; 2) Ástronomicam supputationem; 3) Historiarum cogni-
tionem, et 4) Aiictomm dispositionem; in Dithmarsia ab Urso praemeditatum 1581,
in Holsatia excogitatum 1582, in Dania inchoatum 1584, in H assia delineatum 1586,
in Alsatia emenaatum 1589, in Bohemia absolutum 1597, editumque Pragae et Divo
Rüdolpho I I dedicatum.
por poner a Kepler entre dos fuegos. Kepler rápidamente se disculpó
ante Tycho (a quien no disgustó enteramente el libro, aunque hizo
llegar a Maestlin una dura objeción al método apriorístico seguido
en él) pero hubo de intervenir, aunque no de muy buena gana (fue
casi una imposición de Tycho) con un escrito inconcluso, la Apolo­
gía Tychonis contra Ursum, cuyo interés es notablemente más am­
plio que la anécdota de su origen ls. Galileo, que recibió de Kepler
otro ejemplar y una carta pidiéndole opinión, no vio con mucho
interés la especulación de Kepler, aunque respondió agradeciendo el
libro. Y Kepler contestó entusiasmado a Galileo pidiéndole una res­
puesta larga... que no llegó porque el italiano durante doce años se
olvidó de Kepler 16.
Finalmente Tycho, a quien Kepler menciona por dos veces en el
Mysterium en términos elogiosos, tardó tiempo en recibir el libro y
la carta de Kepler porque en aquellos días viajaba con toda su ex­
pedición hacia un nuevo destino en Bohemia desde su isla danesa.
Cuando en 1598 (marzo) recibe la carta de Kepler responde con
una crítica fundada, sobre todo, en el hecho de que Tycho está en
condiciones de asegurar que los datos copernicanos son todos erró­
neos y esto basta para dejar a Kepler suspenso sobre los términos
de su propuesta. Y, peor aún, al final de la carta le pide cuentas
sobre el asunto Ursus. Además Brahe escribe a Maestlin (abril de
1598) para justificar la inutilidad de formular propuestas «a priori»
que no pueden recibir más exacta corroboración que la proveniente
de datos copernicanos. Esta correspondencia a tres bandas 17 acaba
normalizando las relaciones de Kepler con Tycho. Y cuando además
se normaliza la estancia de éste en Praga, da paso a una relación que
fue decisiva en la vida de Kepler. En cierto modo éste es, de puertas
afuera, el único éxito logrado del libro.

4. L a edición de 1621

El' Mysterium no causó en su primera edición mayor inquietud


entre los astrónomos, pese a su mifitancia copemicana, debido a que

15 Véase JARDINE, N .: The birth o f History and Philosophy o f Science. Kepler’s a


defence o f Tycho against Ursus with essays on its provenance ana significance. Cam ­
bridge University Press, 1984.
1 Cfr. DRAKE, S.: «Kepler and Galileo», en Vistas in Astronomy, 18, págs. 237-247.
Y también «Galileo’s “ Platonic” Cosm ogony and Kepler’s Proaromus», en Journal
H. Astron., 3, págs. 174-191, 1973.
17 N o debemos olvidar aquí tampoco la intervención del Consejero imperial Ba­
rón von Hoffmann. C ír. G.W . 14, págs. 98-99.
requería alguna competencia, tanto en matemáticas como en astro­
nomía copemicana y ptolemaica y requería también estar en actitud
militante entre ambas escuelas. Los luteranos eran «oficialmente»
anticopernicanos mientras a los católicos no les preocuparon inicial­
mente estas cuestiones. Los jesuítas, al menos en parte, no eran opues­
tos al copernicanismo y el libro no causó escándalo teológico. Las
demás consecuencias, las intelectuales, fueron escasas, salvo para el
propio Kepler. Su gran proyecto (la restauración de la astronomía)
prosiguió su curso con el apoyo de las observaciones de Brahe, pero,
como el propio Kepler confiesa, dentro del programa general traza­
do en el Mysterium. Y este hecho es de por sí suficiente para con­
ceder a esta pequeña obra un interés muy superior al que prima
facie pudiera parecer. Kepler no desertó jamás de la idea general
pergeñada aquí, si bien hubo de rectificar muchos de los detalles
iniciales del libro. En la segunda edición dará cuenta puntual de las
rectificaciones, de las renuncias, de los errores en que cayó de joven,
y también de los orígenes de hallazgos posteriores. Una prueba de
la estima en que Kepler tenía a su primeriza obra la da el hecho de
que decidiera hacer una segunda edición. Él dice en el nuevo prefa­
cio que se lo pidieron algunos «especialistas en filosofía», además de
«libreros». Desde 1613 (y quizá antes) Maestlin 18 trató con Kepler
sobre reediciones de Copémico, Rhetico y el propio Kepler. El re­
sultado se hizo esperar hasta 1621, y en carta de agosto a Matthias
Bernegger le dice Kepler 19 que ya «Tampach está imprimiendo una
segunda edición del Mysterium con mis notas». Con estos antece­
dentes apareció en Frankfurt la edición revisada por Kepler, revisión
que respetó el texto original con mínimas correcciones, aunque con
erratas de imprenta y pequeñas variantes (recogidas en Duncan-Aiton,
págs. 11-12) que no tienen demasiada importancia. Lo importante de
esta segunda edición son las «N otas» añadidas por K epler20 para
corregir errores que se deslizaron por ignorancia, o que sobrevinie­
ron con el desarrollo mismo del programa de «restauración» de la
astronomía ya realizado, o también para destacar las raíces de sus

18 H ay una cana de abril de 1613 (G.W. 17, págs. 53-58) en la que Maestlin habla
a Kepler de un proyecto de publicar el D e Revolutionibus, junto con la Narratio y
el Mysterium, en una sola unidad copemicana, con las correcciones necesarias en el
libro de Copérnico por las erratas de la primera edición, no mejorada en la de Basilea
de 1566 (de He'nricpetri) que contenía ya juntas las obras de Copérnico y Rhetico.
Q ue Maestlin tuvo gran interés en una edición corregida de Copérnico se desprende
de sus fracasadas negociaciones con el editor de Basilea a quien hizo llegar su lista
de erratas para la reimpresión de Copérnico, pero no recibió respuesta (ibíd.,
págs. 66-68).
G.W . 18, pág. 75.
20 Puede verse un análisis de las «N otas» en FlELD , J. V.: Kepler’s Geometrical
Cosmology. Cap. IV, págs. 72-95.
desarrollos posteriores, o para deshacer equívocos que el tiempo
había puesto de manifiesto. Así Kepler añadió un total de 164 notas
que, en conjunto, casi suman tantas páginas como el texto primitivo,
distribuidas muy irregularmente, como las cuarenta dedicadas al ca­
pítulo X II, que trata de las divisiones zodiacales y de los aspectos,
pero que Kepler considera la base de este libro para su posterior
elaboración de Harmonice Mundi, como él mismo se encarga de
hacer notar. Otras veces se muestra contundente con sus propios
errores o reniega de algún capítulo. Y algunas veces hace ver a los
lectores lo bien orientado que andaba en sus pesquisas. Al preparar
la segunda edición acababa de publicar su Harmonice Mundi Li-
hri V (1619) y su Epitomes Astronomiae Copernicanae (1621), y sus
referencias a ellos son constantes, si bien el problema de las excen­
tricidades ya estaba resuelto desde la Astronomía Nova (1609). Estas
obras serán el término principal de referencia para sus precisiones,
cuando cree que vale la pena hacerlas. Pero a la sazón trabajaba en
las Tablas Rudolfinas que no aparecerán hasta 1627, por lo cual no
entra en correcciones ae distancias y posiciones, ya que desde sus
trabajos sobre Marte (la Astronomía Nova), sabía que ni su hipótesis
poliédrica determinaba exactamente las excentricidades, ni los valo­
res copernicanos podían 21 tenerse más en cuenta. Por ello era más
prudente esperar a las nuevas Tablas. Así es que no entra en correc­
ciones 22 de valores, aunque habían sido el núcleo de su argumento
primitivo. Pero también sabía que los valores calculados para las
excentricidades de las órbitas elípticas dejaban espacio entre cada
órbita para situar a sus poliedros y que los grosores requeridos por
las excentricidades elípticas 23 seguían cabiendo entre las esferas ins­
critas y circunscritas de sus poliedros, con lo que la hipótesis no
había sido equivocada, sino meramente poco precisa. Y por ello
tampoco era necesario renegar completamente de ella, máxime cuan­
do en el Harmonice había logrado una formulación completa.
21 De esto quizá ya tenía experiencia directa desde los días de su primer viaje a
Tubinga cuando trató con Maestlin sobre los cálculos y los diagramas del cap. XV.
De hecho su discurso (cap. XV III) sobre la precisión en Astronomía muestra el grado
en que era consciente de ello.
22 Puede verse en J. V. FlELD , loe. cit., una lista de los errores cometidos por
Kepler en sus tablas. Pero eran más importantes los errores de los valores coperni­
canos que utilizó.
23 J. V. FíELD, loe. cit., págs. 84 y ss., hace un-resumen de las diferencias de
acuerdo entre las tablas de valores del Mysterium y las resultantes de los cálculos de
Kepler para 1621, según los cálculos de V. BlALAS en «Die quantitative Beschreibung
der Planctenbewegung von Johannes Kepler in seinem h'andschriftlichen Nachlass».
Kepler Festscbrift, 1971. Regensburg, 1971. Su conclusión de que Kepler sigue cre­
yendo en el acuerdo básico entre los datos de la observación y los valores poliédricos
no parece discutible, como tampoco la idea kepleriana de que la formulación perfecta
de la hipótesis se halla en el Harmonice.
Quizá convenga destacar aquí una concepción kepleriana que in­
formó toda su investigación y que no se halla ausente ni en la pri­
mera redacción del Mysterium ni en su reedición. Kepler abordó su
estudio del mundo como un estudio de la revelación visible de Dios.
Esta idea se extiende no sólo a la forma arquetípica o geométrica
del mundo, sino también a la entidad física del mundo. El poder de
Dios, cree, no sólo determina la forma del mundo, sino también los
movimientos, y de ahí que Kepler quiera dar cuenta de ambos as­
pectos. Maestlin siempre fue reacio a la idea de «física astronómica»,
incluso cuando la Astronomía Nova ya había mostrado la contun­
dencia de la hipótesis física 24. Las dos tradiciones que concurren en
esta concepción (la Biblia y el Timeo) presentan al mundo como
fruto de un proyecto cuyo autor deja plasmado en él un trasunto
de su propia actividad ordenadora. La tradición platónica asimiló
dicha actividad de proyectista a la del «geómetra» que da a la vez
forma y medida a su obra. En la concepción bíblica, Dios, en su
acción de proyectar, sólo puede tomar como determinante de su
proyecto a las relaciones internas de su naturaleza y, por tanto, el
proyecto será de algún modo expresión de esa naturaleza divina. La
confluencia de estas dos concepciones (ya asumida en Nicolás de
Cusa) lleva a ver en el mundo la expresión o «imagen» de Dios (a
través de su proyecto hecho realidad) y además en tanto que «G eó­
metra», aunque otras propiedades estéticas, como la armonía, resul­
ten consustanciales a ese diseño matemático del mundo. Kepler con­
sideró, pues, al mundo como una manifestación de Dios, escrita en
una clave que era necesario descifrar; de lograrlo se estaría compren­
diendo a Dios, o a parte de sus pensamientos, a saber, aquellos que
habían sido fundamento del mundo. Y esta forma de hacer «filoso­
fía» no sólo explicaría radicalmente lo que hay y ocurre en el mun­
do, sino que además sería en sí misma una «alabanza de la gloria de
D ios». Kepler se sintió siempre en ésta disposición, aunque teniendo
siempre claro que descubrir los términos geométricos del proyecto
divino no permitía concesiones a la inexactitud. Por ello su trabajo
siempre resulta apasionadamente honesto 25 con las exigencias de la
exactitud. Puede considerarse que el rigor no sólo era para Kepler
una garantía del saber, sino también una garantía de que lo «sabido»
pertenecía al proyecto divino.

2~ Cfr. G.W . 17, pág. 187, en carta de septiembre de 1616.


25 A sí ocurre que resulten conmovedoras las descalificaciones que hace de sus
«errores» cometidos en este libro. Por ejemplo, cuando en el cap. II (nota 1) exclama
«¡O malefactum!»; o cuando en el cap. X II (nota 2) califica de «ridicula» una afir­
mación del texto, etc.
5. La hipótesis poliédrica
Ya he mencionado las tres preguntas que Kepler (en el Prefacio)
se formula como programa central de su investigación, una sobre el
número de los planetas, otra sobre las distancias entre ellos y la
tercera sobre los movimientos con que giran en torno al centro. La
primera cuestión es respondida por Kepler exactamente en términos
copernicarios: los planetas son seis y sólo seis. De hecho Copémico
había rebajado a seis el número de planetas (Mercurio, Venus, Tie­
rra, Marte, Júpiter y Saturno), que en el esquema ptolemaico.era de
siete (Luna, Mercurio, Venus, Sol, Marte, Júpiter y Saturno). La
respuesta kepleriana no trata de establecer .el número (que supone
cuestión de hecho), sino de dar la razón de ese hecho, justificar el
hecho mediante razones matemáticas apoyadas en otras «metafísi­
cas» o teológicas. Los seis cuerpos planetarios se hallan separados
por cinco espacios interpuestos, y cinco son exactamente y sólo cin­
co los cuerpos regulares. El argumento viene a decir que Dios dis­
ponía de cinco y sólo cinco maneras de ordenar cuerpos en tomo
al Sol tomando como base de ese ordenamiento a los sólidos regu­
lares. Por tanto no era posible ordenar más que seis cuerpos. Y,
puesto que los cuerpos son seis, es «verosímil» que Dios lo hiciese
sobre esta base si al tenerla en cuenta resultan los espacios separados
entre sí tal y como se sigue de la naturaleza geométrica de dichos
sólidos regulares. La conclusión es que, puesto que son seis y sus
separaciones se ajustan a esas distancias exigidas por los sólidos re­
gulares, Dios «probablemente» lo hizo sobre esa base. Pero para ello
se requiere situar a los sólidos en un orden «adecuado», puesto que
no en un orden cualquiera darían satisfacción a las distancias exis­
tentes entre los seis planetas. Decidir sobre ese orden es un primer
cometido que exige un criterio (caps. III-VIII) que Kepler cree hallar
en la propia naturaleza geométrica de los sóbaos, en las relaciones
internas entre ellos, en los elementos básicos (ángulos y caras) que
los forman, etc. El capítulo XIII resume el resultado de su esfuerzo
ordenador siguiendo la serie: esfera de satumo-cubo-esfera de Júpi-
ter-tetraedro-esfera de Marte-dodecaedro-esfera de la Tierra-icosae­
dro-esfera de Venus-octaedro-esfera de Mercurio-Sol. De acuerdo
con esta serie, el orbe circunscrito al Cubo determina la distancia
mínima de Saturno, mientras que el orbe inscrito en ese mismo Cubo
determina la distancia máxima de Júpiter'. De igual manera deberá
ocurrir con los orbes circunscrito e inscrito, respectivamente, en el
tetraedro para las distancias mínima de Júpiter y máxima de Marte
respectivamente. Y así sucesivamente con los demás. En el capítu­
lo XIV hace la comparación entre los valores «teóricos» de su hipó­
tesis y los valores «observados» según Copémico. El resultado es
muy alentador y Kepler cree estar en el buen camino hacia el des­
cubrimiento de la clave con la cual se creó el mundo. Sus esfuerzos
de ajuste en los capítulos siguientes (caps. XV -XIX) no hacen sino
confirmarle en lo apropiado de su hipótesis, por cuanto no ve tam­
poco objeciones posibles importantes al acuerdo logrado con su hipó­
tesis 26.

6. L a proporción entre orbes y m ovim ientos

Con el capítulo X X introduce Kepler un tema nuevo, una idea


que habría de resultar fructífera tras veinte años de trabajos y que
le llevaría a la formulación de su Tercera Ley. Convencido de que
con su hipótesis poliédrica acaba de dar nueva fuerza a las «nuevas
hipótesis» («plurimum roboris afferri»), se propone añadir un segun­
do argumento en su favor a partir de los movimientos («ex motibus
deducto») y que confirme estas mismas dimensiones de los orbes
copemicanos.
El punto de partida es un dato bastante bien conocido, cual es
el tiempo de revolución de cada planeta (sus tiempos periódicos).
Kepler inicialmente se pregunta si hay alguna relación linealmente
proporcional entre estos tiempos periódicos y las distancias r (donde
r designa el radio desde el Sol a la distancia media de cada planeta).
Una reflexión «física» sobre las fuerzas que habrían de impulsar a
los planetas en sus recorridos le lleva a plantearse inmediatamente
la consideración de las diferencias entre los períodos correspondien­
tes. Este procedimiento es similar al utilizado en el cálculo de dis­
tancias entre orbes en la primera parte de su obra. Como señala
O. Gingerich 27, Kepler no disponía de dos elementos necesarios para
haber llegado tan tempranamente a la Tercera Ley: el primero era
su insuficiente (por entonces) habilidad algebraica para elaborar la
ecuación de partida, y el segundo era que los radios de las distancias
medias (y a fortiori los cubos de los mismos) no eran suficientemen-
p2
te exactos como para haber «verificado» la relación - y . J. V. Field,
siguiendo a Aitón en su (1981) resume el estado de la cuestión del
modo siguiente (entre paréntesis correcciones de Aitón de errores de

2fl De hecho tampoco en Harmonice Mundi Libri V (libro V, caps. 111 y ss.),
utilizando los recursos de cálculo de su Tercera Ley (que añade arquetipos armónicos
a la hipótesis poliédrica) y disponiendo ya de valores observacionales tychónicos
aparecen desvíos significativos respecto a los valores de los caps. X IV -X V del Myste­
rium. Cfr. J . V. F ie ld , op. cit., págs. 160-163.
27 «The origins o f Kepler’s Third Law », en Vistas in Astronomy, 18, págs. 595-601.
cálculo cometidos por Kepler) y tomando como base los valores de
Jas tablas de los capítulos XV y X X del Mysterium:

RADIO (r) r3 PERL (P)


P2 ERROR (%)
plan eta P2 r3

Saturno 769,7 29,46 867,7 1,127 +13 %

Júpiter 5,2455 144,3 11,86 140,7 0,975 - 2,5%

Marte 1,5210 3,519 1,881 3,538 1,005 + 0,5%


(1,5205) (3,515) (1,006) (+■ 0,6)

Tierra 1 (def) 1 (def) 1

Venus 0,7185 0,3709 0,6152 0,3785 1,020 + 2 %


(0,7109) (0,3717) (1,018) + 1,8

Mercurio 0,3610 0,04705 0,2408 0,05800 1,233 +23 %


(0,3570) (0,04550) (1,275) (+27) "

Por tanto, aunque Kepler hubiese logrado llegar a la Ley armó­


nica: de proporcionalidad entre P2 y r3 no hubiera encontrado en su
aplicación a los períodos y distancias medias que venía manejando
mejor acuerdo que el expresado en la columna «error» de la tabla 2S.
Pese a este aparente fracaso inicial, hay que destacar en su argu­
mento dos novedades completamente originales: la primera es su
comprensión del significado físico que entraña la velocidad 29 no
uniforme del movimiento de los planetas y, la segunda, su idea de
vincular esta desigualdad con la desigualdad en la acción de la «cau­
sa» de esos movimientos. Kepler toma al pie de la letra el «dictum»
aristotélico de que «los movimientos de cada cuerpo han de ser pro­
porcionales a las distancias», pero invierte su sentido original para
interpretarlo en relación con el Sol en vez de en relación con el
«primer motor» (inmóvil y exterior al mundo) de Aristóteles. Y la
primera evidencia es aue, aunque los movimientos de cada uno es­
tuviesen animados de la misma velocidad, los tiempos de restitución
serían siempre proporcionales a la longitud del espacio recorrido. El
problema no es visto por' Kepler solamente desde este punto de
vista; además introduce una consideración enteramente nueva: «o

28 Puede verse un análisis de las confusiones sufridas por Kepler en este primer
intento de abordar la relación períodos/distancias en STEPHENSON, Bruce: Kepler’s
Phystcal Astronomy. Springer-Verlag, cap. 2. N ueva York, 1987.
bien las almas motrices (“ animas motrices” ), cuanto más lejos están
del Sol, otro tanto son más débiles», hipótesis que atribuye un «alma»
o fuerza propia a cada planeta y que empuja a éste a través de su
recorrido, «o bien hay sólo un alma motriz en el centro de todos
los orbes, esto es, en el Sol, que cuanto más próximo está un cuerpo
lo empuja con más vehemencia, mientras que por la lejanía y el
debilitamiento de la fuerza languidece respecto a los más lejanos».
Se inclina por la segunda y establece la proporción de debilitamiento
por analogía con el debilitamiento de la luz a medida que se aleja
del centro. Pero de nuevo la ley de la dispersión de la luz no es
correcta (Kepler lo descubrirá más tarde en Astronomia Nova) 30, y
se limita a utilizarla tal y como a la sazón era «propuesta por los
Opticos». D e este modo llega a la consecuencia de que «la mayor
distancia de un planeta respecto al Sol contribuye doblemente a au­
mentar el período, y viceversa, el aumento del período es duplo
respecto a la diferencia de las distancias». Como señala O. Gingerich
en el artículo citado hace un momento, Kepler en 1596 (y cualquier
otro astrónomo) podía sentirse satisfecho con las aproximaciones
que ofrecía, su hipótesis poliédrica o su correlación entre períodos y
distancias. Solamente tras el estudio de Marte estuvo en condiciones
de pensar que el «arquetipo» divino había de determinar valores más
exactos, siquiera tanto como lo eran los valores expresados por sus
dos primeras leyes. Cuando descubre que el cuadrado del período
de un planeta es proporcional al cubo ae su distancia media al Sol,
resultará, como también señala Gingerich, que para Kepler la Ter­
cera Ley no es una ley, sino sólo «una expresión exacta y clara de
principios más fundamentales subyacentes al cosmos —tanto físicos
como arquetípicos».
Más interés tiene destacar aquí la hipótesis física, en términos de
fuerzas motrices, introducida por Kepler en relación con las mayores
o menores velocidades del movimiento de los planetas. Es evidente
que con ello transforma la geometría celeste en física celeste. Pero
además será la base para simplificar 31 también la propia geometría
celeste, por cuanto que los cursos de los planetas pueden ser expli­
cados ahora con un solo orbe por el que discurren a mayor o menor

El término «velocidad» y algunos más resultan anacrónicos para la física de


Kepler. Espero del lector la indulgencia conveniente.
30 Cfr. Astronomia N ova «(Astronomiae Pars O ptica)», cap. I, Prop. IX. Aunque
ya en A d Vitellionem Paralipomena (1604) había llegado a esta formulación. Cfr.
- G.W. 2, pág. 22.
3! Esta idea aparece explícita, como argumento epistemológico, al final de la úl­
tima nota de Kepler al cap. X X , en una especie de desafío lanzado a los filósofos,
astrónomos y teólogos que se oponían a la astronomía copemicana. Q ue sepamos,
esta especie ae «Charta volans» no tuvo respuesta directa.
velocidad según su distancia, eliminando así los epiciclos como ele­
mentos explicativos de las desigualdades aparentes en las restitucio­
nes anuales. Por imperfecta e inexacta que resultase en sus comien­
zos la hipótesis física de Kepler e independientemente de su éxito
posterior, no dejaba de simplificar la geometría usual de los cielos,
incluso la geometría copemicana, y Kepler se mantuvo tozudamente
fiel a esa hipótesis física hasta hacer de ella el eje mismo de su
«restauración» de la Astronomía 32.

7. El programa de la «Restauración de la Astronomía»


Tras la publicación del Mysterium en 1596-1597 la estancia de
Kepler en Graz se hizo cada vez más problemática por razones po­
lítico-religiosas. Pero también su interés intelectual le alejaba de aque­
lla provincia remota y tiraba de él hacia centros de investigación más
prometedores. Su correspondencia con Maestlin refleja sus agobios
personales y algo de su interés por regresar a la Universidad de
Tubinga o de acercarse a Württemberg. Si la ocasión vino de la mano
de Tycho fue una de las coincidencias más felices que le pudieron
acontecer, tanto que Kepler consideró que era la Providencia quien
tomaba cartas en el asunto.. Y el asunto no era otro que la «restau­
ración de la Astronomía», empresa que, en última instancia, sólo
podía acarrear «mayor gloria de Dios».
La restauración de la astronomía implicaba, para Kepler, dar cuen­
ta del sistema copemicano con la exactitud y fiabilidad que, se su­
pone, debe tener la verdadera obra de Dios. Este programa no apa­
rece definido más que confusamente en los últimos meses de su
estancia en Graz, pero acaba siendo su «destino manifiesto» cuando,
ya en Praga, toma conciencia del «tesoro» que encierran las obser­
vaciones ae Tycho. Los grandes pasos de esta empresa vienen a
cumplirse en los tres períodos siguientes:

i) El estudio de Marte, de su órbita, de la naturaleza del plano

32 El aspecto físico de la astronomía kepleriana no puede desligarse por completo


del aspecto geométrico, ya que dependía demasiado de Copém ico. N o obstante la
¡dea temprana de Kepler de vincular movimientos .con explicaciones físicas — almas
primero, magnetismo más tarde, etc.— se vio continuamente reforzada por los des­
cubrimientos observacionales de Tycho; así su idea de los movimientos libratorios y
de los cambios de latitud (observados por Tycho) de algunas estrellas acaban encon­
trando explicación unificada en el desplazamiento de las líneas nodales de la Tierra.
Pero este hecho debería explicarse físicamente, porque la «inestabilidad» del plano de
la eclíptica respecto al plano ecuatorial del Sol no puede tener explicación geométrica.
Cfr. STEPHENSON, B .: Kepler's Physical Astronomy, págs. 130 y ss.
de la órbita de la Tierra respecto al plano ecuatorial del Sol,
de los valores exactos del movimiento nodal de la órbita
terrestre, etc. Este primer gran estudio se publica en 1609
con el título Astronomia Nova, en donde aparecen formu­
ladas sus dos primeras leyes (Ley de las Elipses y Ley de
las Areas).
ii) El segundo gran paso se da en los años siguientes con la
aparición de su Harmonice Mundi Libri V (1619) y del Epi­
tomes Astronomiae Copemicanae (1618-1620-1621). En la
primera de estas dos obras publica la famosa Tercera Ley
(Ley Armónica o «el cuadrado del período de un planeta es
proporcional al cubo de su distancia media al Sol»), y en el
Epitome (escrito en forma de Diálogo) configura un modelo
copemicano de sistema solar conforme con estas leyes dan­
do las razones adecuadas a cada modificación que el nuevo
modelo introduce.
iii) Finalmente en 1627 publica las Tablas Rudolfinas en que
aparecen los resultados observacionales del «tesoro» de
Tycho, y representan un grado de precisión y exactitud en
sus datos de posiciones y movimientos desconocidos hasta
entonces.

Sobre estos pilares construyó Kepler su astronomía, y el modelo


resultante puede decirse que, en cierto modo, sigue siendo el de
nuestros días aunque hayan mejorado todas las explicaciones y se
hayan precisado enormemente todos los datos.

8. Nuestra traducción
En esta traducción del Mysterium Cosmographicum hemos se­
guido el texto de la segunda edición (Frankfurt, 1621) en la repro­
ducción facsímil de la misma que ofrece la edición y traducción
inglesa de A. M. Duncan, Abaris Books, Nueva York, 1981. A la
vista hemos tenido el texto de la edición de Ch. Frisch: Johannes
Kepler Opera Omnia (vol. I, págs. 95-187). También hemos cotejado
el texto facsímil de Duncan con el de la edición Gesammelte Werke
(tomo 8), en el que aparece el texto de la edición de 1621, y no
hemos hallado ninguna discrepancia o variante adicional a las reco­
gidas por Duncan en su «Apparatus criticus» (págs. 11-12). Damos
por bueno, pues, nuestro texto original.
N o ahorraré al lector una confesión respecto a la dificultad que
entraña traducir lo que de «matiz» haya en el texto kepleriano. A ve­
ces intercala palabras griegas (p. ej., en el cap. XVIII lo hace 15
veces) sin necesidad aparente, puesto que disponía de la palabra la­
tina correspondiente. Otras veces usa términos con difícil traducción
exacta (p. ej., «artifex», «orbis», «demonstrare-demonstrátio», «ra-
tio-proportio», «species», etc.). En estos casos he consultado la ver­
sión de Duncan al inglés y la de Alain Segonds («Les Belles Lettres».
París, 1984) al francés. Me he inclinado más frecuentemente por la
solución de Duncan, porque me ha parecido menos cargada de in­
terpretación. N o estoy seguro de haber acertado siempre. De lo que
estoy seguro es de la deuda contraída con ambos (Duncan-Aiton y
A. Segonds) no menos que con sus introducciones y notas, ayudados
todos, supongo, de la precursora y esclarecedora introducción y ano­
taciones de Christian Frisch y de la inmensa labor de los editores
de la Gesammelte Werke.
Y todavía me parece oportuno hacer saber al lector algo que sólo
yo le puedo aclarar: he elegido para traducir al castellano esta obra
de Kepler por dos motivos: el primero es que su valor científico
resultó nulo a la postre y casi nulo en su momento, justamente al
contrario que otras obras de Kepler que dieron amplio juego en la
constitución de la astronomía moderna o de la óptica geométrica. Y
pesé a ello su publicación constituye un punto de ruptura decisivo
en lo que se viene llamando revolución científica. ¿Por qué la pro­
puesta del Mysterium tuvo la fuerza que tuvo? ¿Qué hay en él de
válido, aunque nada científicamente válido haya en él?
El segundo motivo (más idiosincrático que extravagante) tiene
algo que ver con lo que creo que es una peculiaridad de Kepler, y
por tanto presente en el resto de sus obras en mayor o menor me­
dida, aunque sobremanera en ésta. Mientras que la obra científica de
algunos grandes científicos (Pascal, Huygens, Newton, Darwin, Ein-
stein) parece que habría tenido lugar (seguramente por obra de mu­
chos) aunque esos grandes científicos no hubieran hecho lo que hi­
cieron, por cuanto que algo estaba siendo hecho en esa dirección
por otros científicos de modo que tras muchos pequeños pasos se
habría logrado al final un resultado global parecido, en el caso de
Kepler hasta sus logros resultan sorprendentes y, más que por ellos
mismos, por el modo peculiar, diríase que único y hasta imposible,
de llegar a ellos. Sus sorprendentes pasos (y aquí se hallan los pri­
meros, ingenuos pero decisivos) hacia sus posteriores descubrimien­
tos revelan de manera tan inocente como enérgica algo de lo que
hay de sutil, de complejo y de creativo (de función teorizadora,
diríamos) en la actividad científica, aunque también revelan de cuán­
ta hojarasca es capaz de deshacerse un método cuantitativo riguroso.
Y eso que forma pane no tanto de la dimensión objetiva de la ciencia
cuanto del entramado filosófico e histórico subyacente a ella, eso,
digo, resulta en Kepler, y especialmente en esta obra, un ejemplo
sorprendente, un punto desconcertante y casi único. Estos fueron
los motivos.

Madrid, abril de 1991 E. R a d a G a r c ía


EL SECRETO DEL UNIVERSO
Prodromus
D 1 S S E R T A T I O T tF M C O S M O C R A
? H l C A & V M» C O M T 1 H S H S M I S T E -
M T H C O S M O G B . A Í H I -
q y ^

D E A D M I R A B I L I
P' T O P O R T I O N £ O R B I V M
C O E L E S T 1 V M , D E q_ V E C A V S I S
ccelorum numeri,magnitudinis,momumquepe-
riodicorum genuinis Se pro-
prijs,
D E M O H S T R A T V M, PER g j j ’ ¡ N O j? &
regularía cor roí .1 Gcomcti ica,
A
tM 1 0 A2Q IE KEPLERO, VVIRTEM-
bcrgicO) lllu jJrtu m StyrisproU inciA -
litnn üVLithetnxtico.'-
Quot¡Jicmor¡or,f;ueorque:(ccl¡nrer01ymp¡
Duin tau-taflidu.is me mea cura vías:
Non pcJibus rerram contingo: fed nrucTouantcm
Nc&are,diurna paícor&am brofiá.

A iU ita t ¡ i eru d ita K A R R A T I O M .G E O R G 1 I 1 0 A C H I M I


R H E T 1 C I , ilel.ih riiR e tto íu tio n u m ,a tq ¡a d m ir a n d iíd e n u n u r ? , r< ■
íiw e,& d ifta ñ rijs S p h trn vu m M undi h \ fo th e p b u i, tx ctU cx t:jfim ; Ma -
th e m a r t a , to tm tq t A ftro n o m u R efia n ra to rit D . t j J C O L A l
COPERKICl.
<0$ ¿O-
?
T V B I N G -í

ExcudebatGeorgiusGruppenbaehius,
An k o m. v- x c v 1.
Facsímil del título de la primera edición.
Pródromo1
DE DISERTACIONES COSMOGRÁFICAS
Q U E C O N T IEN E N E L SECRETO
D EL UNIVERSO,

SOBRE LA ADMIRABLE
PROPORCIÓN DE LOS ORBES
C E L E S T E S , Y S O B R E L A S C A U S A S
auténticas y verdaderas del número de los cielos,
de su magnitud y de sus movimientos
periódicos,
DEMOSTRADO POR MEDIO DE LOS CINCO
cuerpos geométricos regulares.
PO R

EL MAESTRO JOHANNES KEPLER DE WÜRtTEMBERG,


Matemático de la Ilustre
Provincia de Estiria.
Quotidie morior, feteorque: sed ínter Olympi
Dum tenet assiduas me mea cura vias:
Non pedibus terram contigo: sed ante Tonantem
Nectare, divina pascor et ambrosia.

Se añade la erudita NARRATIO 2 del M. GEORGE JOACHIM


RHETICO sobre los Libros de las Revoluciones y las admirables hipótesis
sobre el número, el orden y las distancias de las esferas del mundo del
excelente Matemático y Restaurador de toda la Astronomía D.
NICOLÁS COPÉRNICO.

T u b in g a
Impreso por George Gruppenbach 3

Año M .D. XCV I.


Prodromus
DlSSERfAtlONFM COSMOGRAPHlCARf'Mi
comintns

M Y S T E R I V M
C O S M O G R A P H IC V M
DE A D M I R A B I L I P R O P O R T I O N E OR-
biu m ceeleftium: d e q u e cauíis ccclorum n u m eri, m agn i-
tudinis, m o c ü u m q u c pcriodicorum g c -
n u in ls & p r o p r iis ,

DtMttJlratumperqumqueregulariacorjioraGeometrica.
Libdlus primumT fibingxinlucem datus Anno ChrilU
M.DXCV1
á
OH. 10ANUE KEPLERO rrlRTEM SERGICO, TFNC TEMPO*
ris lHuJlriumSljrU ProuináihumOHithtm/ukí.
Nuncvcro poftannos 2.5.2b codcmauthorc rccognitus, & Nocís nocabiliffimis
jparám'emendacus, partim explicaras, parnm confirmaras: deniq; ómnibus íuis
membriscollatus adaliacognan argumenti opera,quz Author ex illo tem-
porc fub duoram Impp. Rudolphi iíMacthizaufpiciis; ctiamq; ¡q
llluílr. O ra. A ufttiz Supr-Anifanz clientela
diuerfis locis edidic.
PnifimumídiHuJlrenáiSSocajients Optra,HtrmonictMundi, Jtflijiujl
queprcgreJJujimioxiitnit ¿rmeihedt-
Aáditaefterudío N arratio M. Gio r c ii I oacbimi RHETici.de
UbrijReuoInrionom.atqueadmirandisdenamero.ordine.&dilhntüiSphzra-
rumMundí hypothelibuí,cicellenrifliini Mathemarid, loimícjue AftronormarRe-
fiiuraoos D. N ic o la i C opirh ici.
Illa,
fi*/it m I o a k h i i K s. p i . z r i p r tfu iO fcttH tr m e m ca M a n d i A p o i o g i a t i m -
[ a D n n i n jlr * lk n t m A n jljr ia m c l . V . D . ! l i i n u ¿ ¿ F lu c t ií n ,
UnOantaju.
CiunPnuilcgioCzíireotdanaos XV.

F & & S C O f V 2 T i,
Recufus Typis E rasmi K empfiri , fumptibus
G o d e f r i d i Tambachis.
y ítm tJX .B C . x x r .
Facsímil del título de la segunda ediaón.
Pródromo
D E C O N SID E R A C IO N ES CO SM O GRÁFICAS
conteniendo

e l s e c r e t o
d e l U N I V E R S O
SO BRE LA M ARA VILLO SA PR O PO R C IÓ N
de los orbes celestes y sobre las causas germinas
y verdaderas del número, magnitud y movimientos
periódicos de los cielos,
Demostrado mediante los cinco sólidos geométricos regulares.
Librito publicado por vez primera en Tubinga el año de Cristo
de 1596
por
EL MAESTRO JOHANNES KEPLER DE WÜRTEMBERG, ENTONCES
Matemático de los Ilustres Provinciales de Estiria.
Y ahora, tras 25 años, revisado por el propio autor y corregido, en pane con notas
muy importantes, en parte explicitado, y en parte confirmado; y finalmente
comparado en todas sus partes con otras obras ae asunto parecido que el Autor ha
publicado desde entonces en diferentes lugares bajo los auspicios de los dos
Emperadores, Rodolfo y Matthias, así como bajo el patrocinio del Uustrísimo
Orden de Austria supra Enns 4.
Principalmente para ilustrar la importancia de la obra H ARM ONICE M U N D I y
sus progresos en materia y método.
Y se añade la erudita N a r r a t i o del M a e s t r o G e o r g e J o a c h im R e t h i c o sobre los Libros de las
Revoluciones y las admirables hipótesis sobre el número, orden y distancias de las esferas del
universo del más excelente matemáuco y restaurador de toda la astronomía. D o c t o r N i c o l á s
C o p é r n ic o .

Y T A M B IÉ N
L a D efensa d e l p r o p i o J o h a n n e s K e p le r d e su o b r a H armonice M undi c o n t r a la
D emostración analítica d e l c é l e b r e D r. R o b e r t F lu d d s , m é d i c o d e O x fo rd .

C on privilegio imperial por X V años.

F rankfurt
Impreso en la prensa de E R A SM O K E M P F E R a expensas de
Godfried Tampach
EPIGRAMMA PTOLEMAEO ADSCRIPTUM6.

015 ótl fivarog éyco x<u éqxxfisgog. akl ómv ággcov


Magevca ndxivag á¡i(piñQ0¡i0vg ékixag,
Oi¡x éi émfavm rcoai yaiTjg, áXXa itag avtcp
Zr¡vi ñLozQEcpeog mimXafiai áfiPgcoairjg.

L a t in e
Quotidie morior, fateorque: sed ínter Olympi
Dum tenet assidttas me mea cura vías:
Non pedibus Terram contingo: sed ante Tonantem
Nectare divina pascor et ambrosia.

J. K.

[EPIGRAMA ATRIBUIDO A PTOLOM EO

Me,voy muriendo cada día y lo reconozco;


Pero mientras me tienen ocupado
Los constantes derroteros de las estrellas
N o pisan mis pies sobre la tierra,
Sino que ante Zeus me alimento
De néctar, de divina ambrosía.]
EPÍSTOLA DEDICATORIA
A L M UY R EV ER E N D O PR ÍN CIPE 7
A LOS REVERENDÍSIMOS PROTECTORES,
A LOS ILUSTRES, GENEROSOS, EMINENTES BARONES; A LOS NOBLES,
VALEROSOS MIEMBROS DEL ORDEN ECUESTRE,
A LOS SEÑORES TODOS PERTENECIENTES AL ESPLENDOROSO
D u c a d o d e E s t ir ia ;
A MIS GRACIOSOS SEÑORES.

Muy reverendo Príncipe; reverendísimos, ilustres, generosos, no­


bles, valerosos, muy graciosos señores. Se cumple este año el vigé­
simo quinto aniversario desde que hice público entre los hombres
este pequeño libro titulado Mysterium Cosmographicum, dedicado a
los magistrados elegidos para aquella época en la muy honorable
corporación de vuestra comunidad. Y aunque era yo entonces muy
joven y era éste mi primer trabajo en la profesión astronómica, sin
embargo su éxito fue ampliamente atestiguado en los tiempos pos­
teriores, hasta el punto que ninguna obra primeriza ha sido nunca
llevada a cabo por nadie ni más admirable, ni más felizmente, ni
siquiera sobre un asunto más digno. Pero no hay que atribuir esto
a mi ingenio (en esto no haya jactancia por mi parte ni admiración
por parte del lector, cuando estamos haciendo sonar el eptacorde 8
salterio de la sabiduría creadora) puesto que, tal como si un oráculo
bajado del cielo hubiese sido dictado a mi pluma, así cada principal
capítulo del pequeño tratado fue reconocido inmediatamente por
quienes lo entendieron como completamente verdadero (como sue­
len serlo las obras manifiestas de Dios), y a lo largo de estos vein­
ticinco años me han proporcionado más de üna luz mientras entre­
tejía la malla de la restauración astronómica (iniciada por Tycho
Brahe, celebérrimo astrónomo perteneciente a la nobleza danesa);
finalmente casi todo cuanto de astronomía he publicado desde en­
tonces puede referirse a alguno de los principales capítulos propues­
tos en este libro, bien como ilustración, bien como perfeccionamien­
to; y no ciertamente por amor a mis descubrimientos (evitemos de
nuevo la vanagloria) sino por las cosas mismas y porque fui instrui­
do por las observaciones completamente fiables de Tycho Brahe, no
pude hallar otra vía para perfeccionar la astronomía y la exactitud
del cálculo, ni tampoco para construir la ciencia de esta parte de la
metafísica sobre el cielo o física celeste, que lo que aparece escrito
en este librito, tanto si ha sido dicho de forma expresa como me­
diante tímidas conjeturas o expresado de manera descuidada.
Sean testigos en un caso los Comentarios sobre Marte editados
en 1609 y los demás comentarios sobre los demás planetas que aún
guardo 9 en casa; y de lo otro los cinco libros de Harmonice Mundi
publicados en 1619 y el libro IV de Epitomes Ástronomiae acabado
el año 1620; sean también testigos tanto número de lectores que,
desde el momento en que encontraron estos libros, ya desde hace
muchos años, piden ejemplares, difícilmente encontrables, de éste-mi
primer librito, del cual les parece que se han derivado muchos teore­
mas.
Pero como los amigos, no sólo libreros, sino también los exper­
tos en Filosofía me solicitasen que preparase una segunda edición
juzgué propio de mi obligación no retrasarlo por más tiempo, aun­
que sobre la forma de la edición mantuve con ellos algún desacuerdo.
Había quienes me aconsejaban que corrigiera, aumentara y per­
feccionara este librito y que siguiera la costumbre de otros autores
consistente en revisar sus propias obras. Por mi pane, al contrario,
pensé que sólo podría perfeccionar el libro si trasladaba a él la mayor
parte de mis otras obras editadas a lo largo de estos veinticinco años,
casi en su totalidad; y tampoco era ya tiempo de publicar con este
título ningún libro como si fuese nuevo, después de haber sido ya
editados los demás; y tampoco podría considerar mío un libro de
gran éxito y cambiarlo o aumentarlo a mi gusto, sino que más bien
consideré de interés para el lector los puntos de partida y de llegada
de mis investigaciones sobre el mundo. Com o resultaron preponde­
rantes estas razones, elegí una forma de edición frecuentemente uti­
lizada al editar obras ajenas, en donde no se cambia nada, pero allí
donde se precisa alguna corrección o alguna aclaración o algún per­
feccionamiento se introduce mediante comentarios en tipografía di­
ferente. Esta fórmula satisface tanto a la piedad como a fa brevedad,
pues los errores nacidos de la oscuridad de mi mente e intercalados
entre la materia de la perfectísima obra divina, yo mismo los podía
develar y refutar con toda sinceridad: pues, podía distinguir clara­
mente los capítulos del libro que, no habiendo sufrido los efectos
de una mente desviada, estaban orientados hacia aquella luz inefable
de las obras divinas, o también señalar aquellos en los que seguí el
camino correcto, pero resultó escaso mi progreso, e indicar al lector
en qué lugares de mis otras obras había alcanzado por fin el resultado.
Por tanto, para dejar intacto el libro en esta segunda edición,
incluso en la propia dedicatoria, para que hasta la portada corres­
pondiese al resto ael libro, creo yo, Reverendísimos, Generosos pro­
ceres, que no tenía otra cosa que hacer que ofrecer también esta
edición con una nueva dedicatoria a los primeros patronos a los que
me dirigí en la dedicatoria subsiguiente, o, si algo ha cambiado en
las cosas humanas desde aquellos días, a sus hijos o sucesores (algu­
nos de los cuales, premio a la virtud, han sido elevados a la mayor
dignidad por los Monarcas de la Tierra) y también, finalmente, al
mismo honorabilísimo cuerpo de la comunidad, con cuya ayuda es­
cribí antaño el libro;
Y mientras esto hacía no fue para mí pequeño estímulo la con­
templación tanto de la Estiria de nuestros días como de las provin­
cias circundantes. Pues veo en aquélla a muchos de sus nobles que
o bien me escucharon como docente o bien, compartiendo conmigo
la mesa o la residencia, me conocieron de cerca y conservan desde
entonces hacia mí la benevolencia heredada de sus padres y la cul­
tivan con todos los medios a su alcance, solicitando como premio
el fruto de la dignidad y gracia imperiales; y tampoco faltan los
miembros eclesiásticos que en no menor grado que sus antecesores
aman las artes matemáticas y a mí como su cultivador, y me han
invitado a visitarlos, si las turbas me inquietasen, en sus propios
aposentos. Era, pues, obligado mi agradecimiento a unos y otros,
que tuviese presentes a tantos benefactores como pudiese en estos
mutuos servicios y tratase de permanecer a su servicio en lo sucesivo.
Por otra parte, del lado austríaco, los peligros circundantes, los
errores, las calamidades y perturbaciones ponen sobre aviso a una
temerosa y débil astronomía para recabar ayudas. El año 1600 pasó
de Estiria a Bohemia, y al igual que ha echado primeras raíces Dajo
la sombra de la casa de Austria, también madurará bajo ella. Después
de ser zarandeada por los vendavales bélicos, tanto intestinos como
exteriores, por fin tras la muerte del Emperador Rodolfo en 1612,
con el continuo interés de la casa de Austria, revivió en Austria, en
donde quizá pueda ser cultivada, una vez aceptada y recibida tan
benévolamente, y también promocionada gracias a la dedicación de
mentes tan generosas (no menos que gracias a mí, su restaurador).
Y en verdad, ¿de cuántos bienes se privan los míseros mortales por
la torpe manía de las guerras?, ¿a qué profundidades arroja la igno­
rancia del destino a quienes así se hallan dispuestos?, ¿con qué la­
mentable obcecación «mientras huimos del fuego nos arrojamos en
medio de. las llamas»?
Aunque tal vez ahora, después de alcanzar la restauración de los
asuntos austríacos haya lugar para aquel oráculo platónico: «quien,
cuando Grecia ardía por todas partes con una larga guerra civil,
aquejada de todos los males que suelen acompañar a la guerra civil,
consultado sobre el contencioso de Délos, bajo el pretexto de la
consulta y para dar saludables consejos al pueblo respondió al fin
que, según el dictado de Apolo, Grecia estaría en paz si los griegos
se convertían hacia el estudio de la geometría y de las investigaciones
filosóficas, puesto que estos estudios conducirían sus ánimos hacia
el abandono de la ambición y demás pasiones de las que nacen las
guerras y los otros males, y también los conducirían hacia el amor
a la paz y a la moderación en todas las cosas.»
Finalmente ojalá que abandonadas las armas quede tal alivio de
las miserias que permita a los hombres de bien encomendarse a un
deseo similar a aquella recomendación ciceroniana: cuando, desman­
telada la República romana «ante un dolor casi inconsolable, en me­
dio de la pérdida de tantas cosas y de la desesperanza de recupera­
ción, cuando vio que no había lugar ya para el arte que había cul­
tivado, ni en el Senado ni en el Foro, consagró toda su atención y
todo su esfuerzo a la Filosofía, aconsejando a su amigo Sulpicio que
se dedicara a esas mismas cosas que, aunque de menor utilidad, li­
braban al espíritu de preocupaciones y evitaban molestias».
Si Dios quiere que se cumplan estos deseos, mis matemáticas
siempre estarán dispuestas a ofrecer placeres en modo alguno indig­
nos de un hombre cristiano y consuelo de sus penas, tanto en los
ejercicios astronómicos como en la contemplación de la obra divina
o. con la de la armonía del mundo (obligada ocupación ésta durante
los agrios enfrentamientos del bienio recién pasado). Pero toda vez
que esta tarea astronómica se inició para ser completada, ¿qué mejor
haría, en medio de esta calamitosa situación de Austria, que, como
ayuda, de la que tan necesitada está, para divulgar su obra y procla­
mar ei nombre de Rodolfo por sus tablas perpetuas, revistiéndose
de moderación para no pedirlo todo a los afligidos o necesitados,
solicitarlo más bien de aquellos a quienes no afectaron estas desgra­
cias, estos horribles castigos de celestes prodigios, y recurrir a los
antiguos protectores en esta segunda mitad del camino, a quienes ya
en 1612 había recurrido, en la primera mitad del mismo? Como ya
dije, este pequeño libro, llevado por mí, salió de Estiria hacia Brahe,
es decir hacia la maduración de las Tablas Rudolfinas; ¿qué habría
de insólito, o qué habría de extraño a vuestra primera institución,
señores míos, o qué haríais no grato al Augusto Emperador Feman­
do, sucesor, tras Matías, de Rodolfo, si escucháis a este pequeño
libro, cuyos patronos fuisteis, que regresa hablando de las cosas
ocurridas mientras tanto, si con discreta liberalidad 10 auspiciáis el
laborioso y cuidadoso trabajo de las tablas, delicia del género hu­
mano, gloria y honor del nombre del Emperador Rodolfo, y si la
casa de Austria, no disminuida ni siquiera por esta grave convulsión,
ante la intercesión de vuestra meritoria providencia no abandona el
patrocinio de esta antiquísima disciplina matemática ni cede ante los
extranjeros?
Sea, pues, éste el objetivo de esta nueva dedicatoria, que si yo
lograra completar, señores, gracias a vuestra munificencia, sería mi
mayor cometido como también lo sería el que, antes de que yo
publique las Tablas Rudolfinas dando con ello remate a la restaura­
ción astronómica, el antiguo penta-estado 11 de las provincias aus­
tríacas sea restaurado bajo Fernando II, sesenta años escasos después
de la muerte de Femando 1 12, acabadas las guerras civiles, y que,
conseguida la paz, el mejor de los bienes, florezca de nuevo el an­
tiguo esplendor; este objetivo, no poco cargado de temores por los
males presentes, confirme Dios Omnipotente y Máximo benigna­
mente apiadado de la Iglesia redimida por la sangre de su Hijo, y
vuelva su ira de nosotros hacia las gentes que devastan la Iglesia y
haga prosperar el Imperio del Augusto Emperador Fernando II, apa­
ciguado por el saludable soplo de la clemencia; y también Estiria,
primera cuna de mi suerte, y con ella también vosotros, reverendí­
simos y muy generosos patronos, protegidos bajo las alas del Águila
contra el buitre exterior, ricos de toda clase de bienes, viváis por
muchos áños. A quienes con la debida veneración me encomiendo.
Dios os guarde.
Frankfurt, 20/30 de junio de 1621

De vuestra Rvdma. y Emtísima. Magnanimidad,

vuestro rendido servidor,


Johannes Kepler, matemático, en
otro tiempo de los Nobles de Es­
tiria, después de los Emperadores
Césares Rodolfo y Matías y ahora
de los Ordenes de Austria supra
Enns.
L E C T O R A M IC E SALVE

Quid mundus, quae causa Deo ratioque creandi,


Unde Deo numen, quae tantae regula moli,
Quid faciat sex circuitus, quo quaelibet orbe
Intervalla cadant, cur tanto Júpiter et Mars,
Orbibus haud primis, interstinguantur hiatu:
H ic te Pythagoras docet omnia quinqué figuris.
Scilicet exemplo docuit, nos posse renasci,
Bis mille erratis dum fit Copernicus annis,
Hoc, melior mundi speculator, nominis. A t tu
Glandibus inventas noli postponere fruges.

[SA LU D O S, A M IG O L E C T O R

Qué es el mundo, cuál es la causa y la razón


de D ios al crear,
De dónde los números a Dios, y cuál
la ley de tan gran masa,
por qué son seis los orbes, a cada orbe
qué espacios lo separan, por qué tanto
espacio entre Júpiter y Marte
no siendo los orbes primeros;
Todo esto aquí Pitágoras te hará saber
con las cinco figuras.
Con este ejemplo claramente enseñó
que podemos renacer,
tras dos mil años de error
hasta la aparición de Copérnico,
nombre del mejor investigador del mundo.
Pero no aplaces tú por más tiempo
los frutos contenidos en estas envolturas.]
N otas del autor al pequeño libro titulado:
«Sobre la admirable proporción de las esferas celestes, etc.»

Pródromo:
Después de haberme acercado al estudio de la Filosofía, a la edad de 18
años, el año de Cristo de 1589, andaban en manos de la juventud las Exer-
citationes Exotericae de Julio C> Scaligero I3, con ocasión de cuyo libro yo
empecé poco a poco a ocuparme de algunas cosas sobre diferentes cuestio­
nes, tales como el cielo, el alma, el genio, los elementos, la naturaleza del
fuego, el origen de las fuentes, el flujo y reflujo del mar, la figura de los
continentes de la Tierra, de los mares interpuestos y de cosas semejantes.
Pero dado que este descubrimiento de la proporción de las esferas celestes
me parecía excelente, pensé que no debía, mientras deambulaba por todas
las partes de la naturaleza, aplazar de paso la divulgación de este descubri­
miento, permaneciendo concentrado en un cúmulo de otras cuestiones que
gozaban de una probabilidad más bien escasa. Me incliné entonces por la
publicación de este descubrimiento como inicio de mis disertaciones; e in­
cluso me atreví a esperar un éxito similar en todas las demás cuestiones:
pero en vano, pues el cielo, la principal de las obras de Dios, goza de un
ornato mucho mayor que el resto de las cosas pequeñas y viles. El Pródro­
mo efectivamente fue magnífico, pero el Epidromo H, tal como entonces
me lo había propuesto, no siguió a aquél, porque en las demás cuestiones
en modo alguno me hallaba igualmente satisfecho. El lector, en cambio,
podrá tomar como genuina y adecuada continuación de este librito a mi
obra astronómica y en primer lugar los libros de mi Harmonice, puesto que
ambos siguieron el mismo camino; el que entonces era el más difícil ahora
resulta el más expedito, y el que entonces era pequeño y sin objetivo a la
vista se continúa en el Harmonice, y el carro rueda y a cercano a la meta.
Como el Pródromo, así fue el primer viaje de Américo Vespucio a América,
y como las continuaciones son los actuales viajes a América.

Mysterium Cosmographicum

Existen entre los germanos las cosmografías de Münster 15 y de otros,


en las que se da inicial noticia del mundo entero y de las regiones celestes,
pero lo despachan en unas pocas páginas, mientras dedican la mayor parte
de la obra a la descripción de regiones y ciudades. De este modo el término
«cosmografía» se utiliza comúnmente con el significado de geografía; dicho
término, aunque derivado de mundo, se ha impuesto entre los libreros y
entre los que confeccionan catálogos de libros, de modo que relacionan
entre los geográficos a este librito mío. Pero yo entendí «misterio» en sen­
tido de «secreto», y en calidad de tal puse en el mercado este descubrimien­
to, por cuanto jamás leyera en libro de filósofo alguno cosa semejante.
DEDICATORIA ANTIGUA
A LOS ILUSTRES, ESPLÉNDIDOS, NOBILÍSIMOS Y VALEROSOS,
S e ñ o r S e g is m u n d o F e d e r ic o 16, L ib r e B a r ó n d e
H e r b e st e in , N e u b e r g y G u e t t e n h a a g , S e ñ o r d e
L a n k o w it z , C a m a r e r o y S e n e s c a l h e r e d it a r io d e
C a r in t ia , c o n s e je r o d e s u M a je st a d I m p e r ia l el
Se r e n ísim o A r c h id u q u e d e A u s t r ia F e r n a n d o , C a p it á n d e
LA PROVINCIA DE ESTIRIA

A NUESTROS SEÑORES LOS CINCO DELEGADOS DE LOS


ILUSTRÍSIMOS ÓRDENES DE ESTIRIA, GENEROSOS VARONES,
SEÑORES MÍOS CLEMENTES Y BONDADOSOS, SALUD
Y MIS RESPETOS.

(1) Hace siete meses prometía una obra bella y agradable según
testimonio de los doctos y largamente preferible a los pronósticos 17
anuales; ahora por fin la pongo ante vuestro trono, generosos seño­
res; obra, digo, de corta extensión, de modesto esfuerzo, de conte­
nido por doquier admirable. Pues, tanto si se mira hacia el pasado,
(2) hace dos mil años fue intentado por Pitágoras, como si se mira
al futuro soy el primero en divulgarlo entre los hombres. ¿Agrada
lo grande? N o hay nada mayor que este mundo universo, no hay
nada más extenso. ¿Se desea la dignidad? Nada hay más preciso ni
más hermoso que este relumbrante templo de Dios. ¿Se prefiere
conocer algo oculto? N ada hay ni ha habido más oculto en la na­
turaleza. Solamente una cosa en esto no satisface a todos y es que
su utilidad no está clara para los irreflexivos. Pero aquí está aquel
libro de la naturaleza, tan celebrado en los discursos sagrados, pro­
puesto por Saulo a los gentiles en el cual se contempla a Dios como
al Sol en un espejo o en el agua. ¿Por qué, pues, los cristianos nos
deleitaremos menos en esta contemplación, siendo nuestro cometido
celebrar a Dios con verdadero culto, venerarlo y admirarlo? Esto se
hace con ánimo tanto más devoto cuanto entendemos más correcta­
mente cuáles y cuántas cosas ha fundado nuestro Dios. Además cuán­
tos himnos al Creador, al verdadero Dios, entonó David auténtico
adorador de Dios, en los cuales tomó como argumento su admira­
ción de los cielos, dijo: «Los cielos proclaman la gloria de Dios.
Veré tus cielos, obra de tus manos, la Luna y las estrellas que tú
fundaste; grande es nuestro señor y grande su poder, que numera
la multitud de las estrellas y a todas denomina por su nombre 18.»
Y en otro lugar, lleno de inspiración y de sagraaa alegría exclama y
hasta el mundo mismo aclama: «Alabad los cielos al Señor, alabadle
el Sol y la Luna», etc. ¿Cuál es la voz del cielo? ¿Cuál es la voz de
las estrellas, con la que alaban a Dios como los hombres? ¿D e no
ser en la medida en que ofrecen a los hombres argumentos para
alabar a Dios se puede decir que ellos mismos alaban a Dios? Y esta
voz es la que hacemos más clara cuando abrimos estas páginas a los
cielos y a las cosas de la naturaleza, para que nadie nos arguya de
hacer un trabajo vano o inútil.
N o mencionaré el hecho de que este asunto de la creación, ne­
gado por los filósofos, es un magnífico argumento, cuando contem­
plamos cómo Dios, a la manera de alguno de nuestros actuales ar­
quitectos, al ponerse a construir el mundo con un orden y una nor­
ma hizo cada cosa con tal medida como si el arte no imitase a la
naturaleza, sino que el propio Dios atendiese al modo de construir
del hombre que nabía ae venir después.
¿Pero qué necesidad hay de valorar las cosas divinas en moneda
contante? Pues, pregunto, ¿de qué sirve a un.estómago vacío el co­
nocimiento de las cosas naturales, o de qué sirve todo el resto de la
astronomía? Sin embargo los hombres de buen criterio no prestan
oídos a tamaño disparate que pide por eso a gritos el abandono de
estos estudios. Mantenemos a los pintores que deleitan nuestros ojos,
a los músicos que agradan nuestros oídos, pese a que nada aprove­
chen a nuestros asuntos, y no sólo consideramos humano sino tam­
bién honesto al placer resultante de ambas actividades. Por tanto,
cuán inhumano o estúpido es negar a la mente su propio placer y
no negarlo a los ojos y a los oídos.'Quien renuncia a estos deleites
contradice a la naturaleza de las cosas. Pues quien nada incluyó en
la naturaleza, Creador Optimo, que no contribuyese tanto a la ne­
cesidad como a la belleza o deleite, ¿habría privado de todo gozo
solamente a la mente del hombre, señora de toda la naturaleza, ima­
gen de El mismo?

Por lo demás, igual que no nos preguntamos qué espera de su


canto una avecilla, dado que sabemos que goza al hacerlo, ya que
está hecha para este canto, tampoco habrá que preguntarse por qué
la mente humana habría de poner tanto afán en investigar estos ar­
canos de los cielos. Pues la razón por la que la mente fue acoplada
a los sentidos por nuestro Bienhechor no fue tanto para que el hom­
bre se sustentase, cosa que muchos géneros animales pueden hacer
mucho mejor con la ayuda de inteligencias brutas, sino también para
que a partir de las cosas que con los ojos vemos que existen nos
dirijamos hacia las causas por las que existen y ocurren, aunque de
ello no obtuviésemos utilidad alguna. Y además, como los demás
animales y el cuerpo humano se sustentan de alimento y de bebida,
de igual modo el espíritu del hombre (3), ciertamente distinto del
hombre, se alimenta, crece y en cierto modo se desarrolla con este
alimento del conocimiento, y más parece muerto que vivo si en nada
le afecta esta clase de deseos. Por tanto, al igual que la providencia
de la naturaleza nunca priva de alimento a los seres vivos, de igual
modo podemos decir no sin fundamento que por eso hay tanta va­
riedad en las cosas y tantos tesoros escondidos en la fábrica de los
cielos, para que jamás falte a la mente humana alimento fresco, para
que no le fastidie el aburrimiento ni descanse, (4) sino que disponga
en este mundo de una inacabable tarea en que ejercitarse.
Y tampoco es menor la nobleza de estos manjares que, como
extraídos ae la rica despensa del Creador, ofrezco en este libro como
en una mesa, por el hecho de que no sean degustados por la mayor
parte de la gente del vulgo, o porque fueren rechazados. Muchos
alaban a los gansos más que a los faisanes porque aquéllos son co­
munes y éstos raros. Pero el palacio de ningún Apicio 19 pospone a
éste por aquél. A sí será tanto mayor la dignidad de esta materia
cuanto menor sea el número de los que la aplauden, con tal que sean
inteligentes. N o convienen las mismas cosas al vulgo y a los prínci­
pes, y tampoco estos asuntos celestes son alimento común de todos,
sino solamente de espíritus generosos; y esto nó por mi deseo, ni
por la obra, ni por la propia naturaleza, ni por malevolencia divina,
sino por la estupidez o ignorancia de la mayor parte de los hombres.
Los príncipes tienen la costumbre de reservar algunas viandas caras
para lo s postres, de las cuales no hacen uso más que cuando ya están
satisfechos, con el fin de librarse de la monotonía. De igual modo
estos temas, y otros como ellos, serán del agrado del hombre más
noble y más sabio una vez que haya abandonado su cabaña y haya
ascendido, a través de campos, ciudades, provincias y reinos hasta
el imperio del mundo y contemplado todas las cosas adecuadamente.
Y, puesto que son cosas humanas, nada encontrará que lo haga feliz,
que sea duradero ni que sea capaz de llenar y satisfacer su deseo.
Entonces empezará a buscar cosas mejores, entonces ascenderá de la
tierra a este cielo, entonces trasladará su ánimo cansado de cuidados
vanos a este reposo, entonces dirá:
Felices las almas cuyo primer cuidado fue
conocer estas cosas y ascender a las estancias
superiores 20.
y por ello empezará á despreciar lo que antes consideró de máximo
interés, solamente alabará estas obras de Dios y obtendrá por fin un
puro y auténtico gozo de estas contemplaciones. Quienes, por tanto,
deseen sobre todo otras cosas y busquen para sí por doquier lá
molicie, las riquezas y los tesoros, desprecien estos estudios y otros
como éstos; a los astrónomos les basta la gloria de escribir para
filósofos, no para mostrencos, para reyes y no para pastores. Me
atrevo a predecir que habrá quienes obtendrán de estos estudios
consuelo en su ansiedad, como, por ejemplo, magistrados que hayan
ejercido su magistratura de tal modo que, libres de remordimientos
de conciencia, se encuentren en condiciones de disfrutar de estas
delicias.
De nuevo haya otro Carlos (5), quien, mientras reine sobre Eu­
ropa, no se vea atrapado, y, descargado del poder, se encierre en una
pequeña aldea de Yuste, y quien rodeado de tantos espectáculos,
títulos, triunfos, riquezas tantas y reinos encuentre su mayor placer
en una esfera hecha por Turriano 21 o, mejor, en una esfera coper-
nicano-pitagórica (6), hasta el punto de cambiar por ella el orbe te­
rrestre y preferir gobernar esos círculos con su dedo que gobernar
pueblos con su imperio.
N o digo estas cosas, muy ilustres señores, como una nueva pa­
radoja que hiciera a los ancianos, como alumnos, encaminarse hacia
el aula o hacia la escuela, sino para poner de manifiesto cuál es el
momento apropiado de recoger la cosecha de estos estudios. ¿Por
qué habría yo de discutir sobre el momento de la sementera respecto
a hombres sabios de vuestro entorno, los cuales consideraron a estos
estudios entre los principales que habían de proponerse en vuestra
escuela a las mentes juveniles de la nobleza? Así juzgan que no hay
clase de hombres más apta para cultivar la matemática que la noble­
za, por cuanto a ellos las demás artes no les resultan igualmente
necesarias para procurarse el sustento ni hay otros estudios más ap­
tos para la nobleza que los matemáticos, toda vez que poseen sobre
los otros una admirable y secreta facultad para inculcar humanidad
en ánimos fieros y sobrio desprecio de las cosas terrestres. Aunque
este fruto palidece entre los jóvenes por la dificultad y extrañeza de
la materia, en la senectud, como se ha dicho, se pone de manifiesto
a su tiempo. Y esto es cuanto quería decir, tanto sobre estas páginas
como sobre la astronomía y de todos los saberes; informaros de algo
que ya hace tiempo conocéis, a saber, que este pequeño libro que
humildemente os ofrezco y dedico no carecerá de utilidad para vo­
sotros, muy generosos y muy nobles señores; y si alguna alabanza
mereciese este descubrimiento, en gran parte os pertenecería a vo­
sotros, cuya liberalidad 22 y cuyo salario me dio ocasión y ocio para
comentar estas cosas. Aceptad, pues, Ilustrísimos Señores este sím­
bolo de espíritu agradecido, aceptadme en vuestra complacencia a
mí como humilde cliente vuestro y, finalmente, (7) acostumbraos a
contaros entre los Atlantes, Perseos, Oriones, Césares, Alfonsos,
Rodolfos y demás promotores de la Astronomía. Saludos.
15 de mayo; día en que hace un año se inició este trabajo.
Vuestro muy humilde matemático en vuestra escuela de Graz.
Maestro Johannes Kepler
de Württemberg.

Notas del autor a la Dedicatoria Antigua

(1) Hace siete meses. El año 1595 el día 9/19 de julio siguiente al deci­
moctavo cumpleaños del serenísimo Archiduque Fernando a , ahora Empe­
rador Augusto de Romanos y rey de Hungría y de Bohemia en cuyo do­
minio hereditario de Estiria yo ganaba entonces mi sueldo, descubrí este
secreto, y al momento me puse a perfeccionarlo, y en octubre siguiente, en
la dedicatoria del Pronóstico anual que tenía la obligación de escribir, pro­
metí la publicación de un librito, de modo que expusiese públicamente qué
pesada carga era para mí, amante de la filosofía, la obligación de hacer
predicciones 24. Desde allí pasé a Württemberg 25 y, en medio de los asuntos
domésticos, nada me preocupó tanto como la publicación de este libro,
aunque para mí, un jovenzuelo, sin ninguna reputación de erudito y con los
impresores temerosos de sus pérdidas económicas, todo resultó muy difícil,
sin contar con quienes movidos por lo absurdo de la doctrina copemicana
se interpusieron contra mis intentos. Así pues, redactada esta dedicatoria el
día 15 de mayo en Stuttgart, dos meses después regresé a Estiria dejando
a mi maestro Maestlin el cuidado de la edición casi sin esperanzas. Pero él
nada dejó por hacer para embellecer, perfeccionar y divulgar entre los hom­
bres este opúsculo que él mismo había examinado el primero con gran
satisfacción, y con su ingenio y prudencia consiguió que el libro se editase
por fin en las' postrimerías del año 1596, y para la feria de primavera del
año 1597 apareciese inscrito en el catálogo de Frankfurt, si bien con un triste
destino para mi nombre ya que imprimieron REPLEUS 26 en lugar de KE-
PLERUS. Por este mismo tiempo, en plena guerra Húngaro-Turca, tuvieron
lugar muy arduas deliberaciones sobre la devolución de las provincias fron­
terizas al heredero Femando, toda vez que ya había cumplido los años de
minoría.
Mas, como una feliz casualidad hubiese ligado el inicio de estas especu­
laciones con los comienzos del gobierno Femandino, ¿quién impedirá que
también siga conmemorando sucesivos éxitos, de manera que se reafirme la
confianza, llena de la mejor esperanza, en que no fue la ciega casualidad
sino un genio perspicaz y vigilante lo que encaramó sobre estas altísimas
almas a esta débil parra retorcida sobre el suelo?
El caso es que ese mismo año de 1597, Tycho Brahe, nacido de una
ilustre familia danesa, famoso por su decisión de renovar la astronomía,
lleno de éxitos mientras vivió, decía yo que éste abandonó su tierra danesa
y con todo su instrumental astronómico pasó a Alemania. Pero como los
propósitos de este gran hombre ya me eran bien conocidos a través de. la
comunicación y lecciones de Maestlin, y dado que yo hacía mención fre­
cuente de él en este libro como gran especialista, me pareció elegante y
correcto, en cuanto supe que mi libro se hallaba relacionado en el Catálogo
Frankfurtiano junto a otros profesores de matemáticas, entre ellos Tycho,
hacer consultas sobre los contenidos del libro, cosa de gran importancia,
tanto a mi juicio como al de Maestlin. Los otros respondieron realmente
pronto, Galileo de Padua, Ursus de Praga, Limnaeo de Jena, pero mi carta
a Tycho, entregada con retraso porque había cambiado en el entretanto de
domicilio, hizo esperar el placer de la respuesta de un hombre tan eminente
por espacio de un año entero. Por fin pude gozar de ella plenamente y la
sumé a la alegría pública que entonces inundaba a Estiria por los inicios
del reinado de Femando, muy floreciente príncipe. Aunque un gran eclipse
de Sol en la Casa de Piscis, signo dominante de Femando, y más aún la
intemperancia de algunos hombres, preanunciaban ya, a mi entender, las
calamidades que se abatirían poco después sobre estás provincias.
El contenido de la carta de Brahe era éste: Que dejase de lado las espe­
culaciones que proceden a priori y que más bien volviese mi mente hacia
la consideración de las observaciones que me adjuntaba y que después de
dar por ellas el primer paso ascendiera posteriormente a las causas, que me
atuviese para ello a su hipótesis, toda vez que él la consideraba más verda­
dera que la copemicana, y, finalmente, que me fuese a su lado, ya que había
cruzado por fin el mar. Al no responderle yo inmediatamente, Brahe me
escribió durante todo el año siguiente muchas cartas con el mismo argu­
mento, que me fueron llegando una tras otra, con los intervalos normales.
. Mientras tanto nuestro grupo de estudiantes de Graz se disolvió, y para dar
utilidad al sueldo que recibía de los Mandatarios provinciales sin trabajo
que hacer, al fin adopté la decisión de visitar a Tycho Brahe que tanto me
había invitado. Éste había venido en 1598 a Württemberg al dirigirse hacia
el Emperador, permaneciendo allí algún tiempo, y después, al año siguiente,
1599, se dirigió a Bohemia: mientras el Emperador Rodolfo permanecía en
P ilsen por la peste extendida en Praga, a él se le concedió como residencia
el rea l castillo de Benatek distante cinco millas de Praga. Todo esto me lo
contó Federico Hoffmann, caballero noble de Estiria y consejero áulico del
E m p e r a d o r Rodolfo, que en ese momento viajaba a Praga: me invitó a hacer
el viaje con él27 ofreciéndome un lugar en s u séquito. Así fue como llegué
a ver a Brahe al principio de 1600, mientras el Archiduque Fernando cele-
braba-en Graz su boda con su prima de Baviera; muy pronto entré en
contacto con los trabajos de Brahe y él, a la vez, tuvo pruebas de mi com­
petencia, acordamos las condiciones de mi permanencia con él ratificadas
por los Mandatarios de Estiria, y tras unos meses de colaboración regresé
a Graz. En corto tiempo recibí algunas cartas de Brahe (en las cuales me
animaba, vacilante como estaba en el propósito a causa de las dificultades
surgidas, dándome cuenta de lo que ya había tratado con el Emperador
sobre mi ida) y por fin en el mes de octubre trasladé mi familia a Praga. Y
ni siquiera un año me duró el maestro; tras su muerte 28, fui encargado por
el Emperador Rodolfo del cuidado de las tablas a las que Brahe quiso bau­
tizar con el nombre de Rodolfo, haciendo lo cual he trabajado durante estos
20 años. Así es que toda mi vida, mis estudios y mi obra toman su razón
de ser sólo de este pequeño libro. Y por qué no me iba a alegrar al recordar
que, tras haber ya demostrado los movimientos de todos los planetas, al fin
me decidiese a rematar la tela iniciada con este pequeño libro, esto es, es­
cribir la Harmonice, el mismo año en que el Archiduque Fernando vino a
ser rey de Bohemia, que al año siguiente, 1618, en el que Femando ciñó la
corona de Hungría, yo concluyese el libro V de Harmonice; y que por fin
el año 1619 en que Fernando alcanzó la suma dignidad Imperial yo publicase
mi Harmonice, en el mismo mes y lugar que los de su coronación. Haga
Dios que, apagados los estruendos de las discordias civiles, a lo largo de
todo el Imperio de este monarca, y en Austria Superior, mi actual residencia,
la delicada armonía de la paz que consiste en la equidad de las leyes y en
la diligente observancia quede restaurada desde este mismo momento en que
yo doy de nuevo al público éste mi primer pequeño libro, corregido y
completado con notas. Y así puede ocurrir que, una vez cerradas las heridas
en todas las provincias, desecadas las aguas del terrible diluvio, vuelto a salir
el sol, florezca el cuerno de la abundancia, e incluso se me hagan llegar los
fondos destinados a mí por el Emperador Rodolfo (obstaculizados por las
pasadas perturbaciones) y pueda al fin editar la obra de las Tablas Astronó­
micas.
(2) Hace dos mil años. Porque la doctrina de las cinco figuras geomé­
tricas distribuidas entre los cuerpos del universo se atribuye a Pitágoras, de
quien Platón tomó esta concepción filosófica. Vide Harmonice, libro I,
págs. 3-4, y libro II, págs. 58-59. Pues tanto ellos como yo teníamos pre­
sentes las mismas figuras, el mismo mundo, pero no las mismas partes del
mundo para unas y otro, si nos atenemos a la mera literalidad; ni tampoco
la misma forma de aplicación.
(3) Cosa distinta del hombre. Perdona, lector, a un principiante esta
expresión poco correcta. Ciertamente la filosofía reconoce en el cuerpo algo
distinto del hombre, puesto que aquél se halla sujeto a cambio continuo,
mientras que el hombre es siempre el mismo; pero hace ver que es el espíritu
por lo que el hombre es hombre; si bien el espíritu no es algo distinto del
hombre. No obstante la consecuencia se mantiene idéntica; que el espíritu
tiene su alimento propio, el cuerpo el suyo, y cada uno sus propios placeres.
(4) Que disponga en este mundo. Yo no había leído a Séneca quien había
expuesto casi el mismo pensamiento en su florilegio de la retórica latina:
«poca cosa sería el mundo si, quien lo investigue, no hallase en él al universo
entero .»
(5) De nuevo haya otro Carlos. Ciertamente no había pensado entonces
que un día sería llamado a la corte del Emperador Rodolfo. Pero he des­
cubierto en este monarca otro Carlos aquí, no porque abdicase, sino porque,
fastidiado por las iniquidades que acontecen tanto dentro del país como
fuera, aparta su mente de esas cosas y la dirige hacia el disfrute feliz (tanto
como permite la contemplación de las cosas naturales) de modo que hubiera
sido más justo que sus súbditos se enfadasen con sus propias impertinencias
y no con el disgusto de su rey.
\

(6) Copemicano-pitagórica. Aludía a la esfera del sistema planetario cons­


tituida de los orbes de los planetas y de los cinco cuerpos regulares pitagó­
ricos, distintos unos de otros, merced a sus propios colores, los orbes de
color azul.celeste y los limbos, por los que los planetas circular, blancos;
todos transparentes de tal modo que se pudiese ver el Sol suspendido en el
centro. El orbe de Saturno era representado en medio de seis círculos que
al concurrir de tres en tres determinaban el vértice del cubo, mientras que
al cortarse de dos en dos determinaban el centro del plano del cubo. La
órbita exterior de Júpiter se representaba por tres círculos y la interior por
seis; la órbita exterior de Marte de nuevo por seis, mientras que la interior
de Marte, al igual que las dos de la Tierra y la exterior de Venus se repre­
sentaban por diez círculos de los cuales cinco se cruzaban doce veces, tres
veinte veces y dos treinta veces. El orbe interior de Venus era igual al
exterior de Júpiter y el de Mercurio igual al interior de Júpiter. Era un
espectáculo no exento de gracia, cuyos elementos básicos, aunque no exac­
t a m e n t e ¡guales, pueden verse en el grabado tercero siguiente.

(7) Acostumbraos... a estar entre los promotores de la astronomía.


Mi exhortación ha encontrado su lugar no sin cierto resultado favorable para
mí; Ia gratitud me obliga a tributar este reconocimiento a los Nobles. El
Ilustre Capitán General inmediatamente de su peculio y los demás, en tanto
que representaban a la Corporación provincial esperaron a la reunión de
1600 y obtuvieron para mí, ausente por entonces en Bohemia, una magnífica
gratificación 30 pese a que el tesoro se hallaba exhausto por las continuas
guerras fronterizas. De este modo el Creador de los cielos proveyó por mí
como heraldo de sus obras, para los gastos de mi viaje con ocasión del
traslado de mi familia a Bohemia.
PRIMER PREFACIO AL LECTOR

Es mi intención, lector, demostrar que en este pequeño libro que


el Creador Optimo Máximo, al crear este mundo móvil y en la
disposición de los cielos se atuvo a los cinco cuerpos regulares (1)
que han sido tan famosos desde los días de Pitágoras y Platón hasta
los nuestros y también que en función de su naturaleza ajustó su
número, sus proporciones y la razón de sus movimientos. Pero antes
de llevarte al asunto mismo quisiera decirte, tanto sobre la ocasión
de este libro como sobre la razón de este intento, algunas cosas que
yo creo que serán pertinentes tanto para tu comprensión del mismo
como para mi propia reputación.
Desde que, en Tubinga, hace seis años trabajaba bajo la dirección
del esclarecido Maestro Michael Maestlin 31, yo estaba preocupado
por las múltiples dificultades de las concepciones usuales del mundo,
y me complacía de tal modo con Copémico, de quien aquél hacía
muchas menciones en sus lecciones, que no sólo defendía yo fre­
cuentemente sus opiniones en las disputas de los candidatos en física,
sino que yo mismo escribí una meticulosa disputado (2) sobre el
primer movimiento, para mostrar que surge de la revolución de la
Tierra. Entonces yo llegué a adscribir a la propia Tierra (3) el mo­
vimiento del Sol, pero mientras Copémico lo hizo con argumentos
matemáticos yo lo hice con argumentos físicos o, mejor, metafísicos.
Con este propósito poco a poco reuní, en parte de las enseñanzas
de Maestlin y en parte por mi propio esfuerzo, las ventajas de orden
matemático de Copérnico sobre Ptolomeo, trabajo éste que me hu­
biese ahorrado fácilmente 32 Joaquín Rhetico, quien breve y clara­
mente lo trata en su Narratio Prima. Mientras yo hacía girar esta
roca, aunque «coyunturalmente» y al margen de la teología, me so­
brevino la fortuna de venir a Graz y suceder aquí a Georgio Sta-
dius 33, tras su muerte, donde la naturaleza de mi trabajo me vinculó
más estrechamente con estos estudios. Aquí me fueron de gran uti­
lidad para explicar los principios de la astronomía todas las cosas
que antes oyera a Maestlin o que yo mismo había investigado. Y
como en Virgilio «la fama se impone con el movimiento y se re­
fuerza marchando 34», igualmente para mí el estudio atento de estas
cosas fue la causa de otros estudios. Hasta que por fin en el año
1595, cuando ansiaba descansar de todas estas lecciones como co­
rrespondía a mi cargo, me concentré con todo mi ánimo en esta
empresa.
Tres cosas había en concreto sobre las cuales yo insistentemente
quería saber por qué eran así y no de otra manera: el número, la
magnitud y el movimiento de los orbes (Numeras, Quantitas et
Motus Orbium). Lo que me enardeció para esto fue la maravillosa
armonía de las cosas inmóviles, el Sol, las estrellas fijas y el espacio
intermedio con Dios Padre, Hijo y Espíritu Santo, semejanza que
yo aún seguiré investigando (4) en Cosmographia. Puesto que las
cosas inmóviles eran así, no me cabía duda de que las cosas móviles
se presentasen de la misma manera. Al comienzo abordé la cuestión
numéricamente 35, y consideré si un círculo era el doble o el triple
o el cuádruplo de otro, u otra relación cualquiera, y en cuánto se
apartaba uno de otro según Copémico. Dediqué una gran cantidad
de tiempo a este trabajo, como en un juego, ya que no apareció
regularidad alguna entre las proporciones mismas ni tampoco entre
los incrementos y nada útil, por tanto, saqué de ello, salvo que grabé
en mi memoria las distancias éstas tal y como son ofrecidas por
Copérnico. Pero esta evocación de mis diferentes tentativas puede
llevar inquietantemente de aquí para allá, lector, tu aquiescencia como
si de las olas del mar se tratara y cansado de ellas, por fin te acerques
a las causas expuestas en este libro con tanto agrado como si te
refugiaras en un puerto seguro. Mientras tanto me consolaba y me
colocaba en una mayor esperanza, entre otras razones que veremos
,m ás abajo, tanto el hecho de que el.movimiento siempre pareciese
acompañar a la distancia como que allí donde había una gran dis­
tancia entre los orbes también la hubiese entre los movimientos 36.
Porque si Dios (pensaba yo) ha dotado a los orbes de un movimien­
to en correspondencia con sus distancias, también habría acomodado
las propias distancias a alguna otra cosa.
Al no tener éxito por esta vía, intenté otra mucho más atrevida.
Intercalé (5) entre 37 Júpiter y Marte un nuevo planeta y otro entre
Venus y Mercurio, que tal vez no nos fueran visibles por su extrema
pequeñez y atribuí a cada uno su tiempo periódico. De este modo
pensaba yo que podría conseguir alguna igualdad entre proporcio­
nes, las cuales irían disminuyendo entre cada dos en dirección al Sol
y aumentando hacia las estrellas fijas, del mismo modo que la Tierra
está más cerca de Venus, en términos de la magnitud del orbe te­
rrestre, que Marte de la Tierra, en términos de la magnitud del orbe
de Marte. Pero la interposición de un solo planeta no bastaba para
la enorme distancia entre Júpiter y Marte, pues la relación de Júpiter
al nuevo planeta seguía siendo mayor que fa que existe entre Saturno
y Júpiter; y en este supuesto, aunque obtuviese una proporción cual­
quiera, no alcanzaría fin alguno con esa proporción, ningún número
cierto de móviles tanto en dirección de las estrellas fijas hasta el
mismo lugar en que se hallaren, ni tampoco nunca en dirección al
Sol, toda vez que la división según esta proporción del espacio que
sigue a Mercurio procede hasta el infinito. Y tampoco podía yo
formular conjetura alguna sobre la base de la nobleza (6) ae ningún
número acerca de por qué existen tan pocos astros móviles en vez
de infinitos; ñi tampoco Rhetico dice en su Narratio Prima algo
verosímil cuando argumenta, a partir de la santidad del número seis,
en favor del número seis de los cielos móviles. Pues al discurrir
sobre la fundación del mundo mismo, no se debería argumentar
partiendo de estos números que han adquirido alguna particular ex­
celencia (7) a partir de cosas posteriores al mundo 3S.

Además investigué de otra manera si acaso la distancia de algún


planeta dentro de un mismo cuadrante 39 no sería como el resto del
seno, mientras su movimiento sería como el resto del seno del com­
plemento. Imagínese el cuadrado AB descrito sobre el semidiámetro
de todo el universo A C. Desde el ángulo B, opuesto al Sol o al
centro A del mundo trácese con radio BC el cuadrante C E D . Des­
pués, sobre el radio real A C del mundo, señálense el Sol, las fijas y
los planetas según la razón de sus distancias y desde esos puntos
elévense rectas hasta que alcancen al cuadrante opuesto al Sol. Ima­
giné que tal como era la proporción de las paralelas, tal sería la
proporción de las fuerzas que mueven a cada planeta. En la línea
del Sol perdura la infinitud, puesto que la línea AD es tangente y
no secante del cuadrante. Por tanto la fuerza de movimiento del Sol
sería infinita, puesto que el Sol no es sino movimiento en mismísimo
acto. En Mercurio
la línea infinita está
cortada en K, p0r
lo cual su movi­
miento ya resulta
comparable con los
demás. En las fijas
la línea se ha desva­
necido por comple­
to y se ha reducido
al mero punto C.
Por tanto allí no
hay ninguna fuerza
de m o v im ie n to .
Este teorema era el
que. había que exa­
minar mediante el
cálculo. Bien pensa­
do se ve que me fal­
taban dos cosas: lo
primero, que ignoraba el seno total o la magnitud del cuadrante
ropuesto; lo segundo, que la intensidad de los movimientos no se
aliaba expresada más que en relación de unos con otros. Decía que
uien bien lo piense no sin razón dudará si podía por este camino
egar a algo o no. Y efectivamente, a fuerza de trabajo y de infinita
repetición de posiciones de arcos y senos, llegué a convencerme de
qué esta opinión era insostenible.

El verano pasó casi entero en este suplicio. Por fin llegué a apro­
ximarme a la solución real con motivo de una nimiedad. Pensaba
que se debía a una gracia divina, el'hecho de que lo consiguiese por
casualidad, cuando con ningún esfuerzo lo había conseguido nunca;
y lo creía tanto más cuanto que yo siempre rogaba a Dios que, si
Copémico había dicho la verdad, las cosas resultasen de ese modo.
Así pues, el día 9/19 de julio de 1595, al ir a mostrar a mis oyentes
los pasos de las grandes conjunciones 41 a través de los ocho signos
y cómo cruzan paso a paso de un triángulo a otro, inscribí muchos
triángulos, o cuasitriángulos, en el mismo círculo, de modo que e!
fin de uno era el comienzo de otro. Por tanto, construí un círculo
menor con los puntos en los cuales se cortaban los lados de los
triángulos. Pues el radio de un círculo inscrito en un triángulo es el
semirradio del círculo circunscrito. La proporción de un círculo con
otro parecía a primera vista casi igual a la que hay entre Júpiter y
Saturno; y el triángulo es la primera figura, como Saturno y Júpiter
Esquema de las grandes conjunciones de Saturno y Júpiter y sus saltos de
ocho signos y sus pasos por todas las cuatro triplicidades del zodíaco.

son los primeros planetas. Inmediatamente ensayé con el cuadrado


de la segunda distancia entre Júpiter y Marte, la tercera con el pen­
tágono, la cuarta con el exágono. Pero como a simple vista, ya desde
la segunda distancia, que es entre Júpiter y Marte, no encajaba, añadí
al cuadrado un triángulo y un pentágono. Resulta inacabable hacerlo
con cada uno. El final de este infructuoso intento vino a ser exac­
tamente el punto de partida del postrero y afortunado. Pues pensé
que por este camino, si quería preservar algún orden entre las figu­
ras, jamás podría llegar hasta el Sol, ni alcanzar las causas de por
qué los orbes móviles son seis más bien que veinte o ciento. Y sin
embargo las figuras resultaban satisfactorias en tanto que son canti­
dades y por tanto anteriores a los cielos. La cantidad, efectivamente,
fue creada al principio junto con la materia (8) y el cielo el segundo
día. Pero (pensaba yo), si según la cantidad y proporción de los seis
cielos establecidos por Copérnico, tan sólo se pudiesen hallar cinco
figuras, de entre las infinitas otras posibles, que tuviesen propiedades
péculiares sobre las demás, el asunto quedaría resuelto a satisfacción.
Y de nuevo me preguntaba, ¿por qué habrían de ser planas las figu­
ras entre los orbes? Añadamos mejor cuerpos sólidos. Hete aquí,
lector, todo el hallazgo y materia de todo este opúsculo. Pues, si
alguien un poco ilustrado en cosas geométricas fuese informado en
pocas palabras, al instante trae a su mente los cinco cuerpos regula­
res con la proporción entre las esferas, inscritos y circunscritos, e
inmediatamente aparecerá ante sus ojos el Escolio Euclídeo a la
prop. 18, libro 13. En él se demuestra que es imposible que existan
o se imaginen más que cinco cuerpos regulares. Es digno de admi­
ración que cuando yo aún no estaba seguro del orden de prerroga­
tivas de estos cuerpos, y aún menos haber utilizado ninguna conje­
tura provisional derivada de las distancias conocidas de los planetas,
abordé con tal acierto el asunto del orden de los cuerpos que des­
pués nada hube de cambiar, cuando lo revisé con cálculos exactos.
Te transcribo de memoria la formulación tal y como entonces se me
ocurrió y con las palabras de aquel momento. L a Tierra es el
círculo (9) que es medida de todo. Circunscríbele un dodecaedro. El
círculo que lo circunscriba será Marte. Circunscribe a Marte con un
tetraedro, el círculo que lo comprenda a éste será Júpiter. Circuns­
cribe a Júpiter con un cubo. El círculo que comprenda a éste será
Saturno. Ahora inscribe en la Tierra un icosaedro. El círculo inscrito
en éste será Venus. Inscribe en Venus un octaedro. El círculo inscrito
en él será Mercurio. Tienes la razón del número de los planetas.
Esta fue la ocasión y el resultado de este trabajo: y ahora conoce
también mi propósito en este libro. Y por cierto, nunca diré con
palabras cuánta satisfacción me produjo este descubrimiento. Ya no
me pesaba el tiempo perdido, ni me incomodaba el trabajo, ni huía
de las fatigas del cálculo; consumí días y noches hasta saber si la
proporción que había expresado con palabras se acomodaba a los
orbes de Copérnico o si más bien el viento se llevaría mis esperan­
zas. Pero si descubría que las cosas eran como pensaba, hice a Dios
Optimo Máximo la promesa de que a la primera ocasión haría saber
a los hombres mediante la imprenta este ejemplo admirable de su
sabiduría, pues, aunque esto no sea absolutamente completo y tal
vez aún falten muchas cosas que se sigan de estos principios y cuyo
descubrimiento podría reservar para mí mismo, sin embargo otros
que están dotados de talento podrán proclamar conmigo desde el
primer momento muchas cosas para gloria del divino Nombre y a
coro cantar alabanzas al Creador Sapientísimo. Así pues, al conse­
guir el resultado unos pocos días más tarde y al comprender yo lo
adecuadamente situados que estaban los cuerpos uno tras otro entre
sus planetas, y una vez que trasladé todo este asunto a este opúsculo
v fuese aprobado por el célebre matemático Maestlin, bien compren­
derás, lector amigo, que atado por mi promesa no podía actuar como
recomendara el Satírico cuando ordena retener los libros durante
nueve años 42.
Esta es la sola causa de mi decisión, a la cual, para eximirte de
todo escrúpulo, de toda aviesa sospecha (10), añadiré gustosamente
esta otra, y cito para ti gustosamente aquello de Arquitas, según
Cicerón: «si subiese al mismo cielo y contemplase en su esplendor
la naturaleza del mundo y la belleza de los astros, insípida sería para
mí esa admiración si no te tuviese a ti, lector, benévolo, atento y
ansioso, a quien contárselo 43. Cuando hayas conocido esto, si eres
ecuánime, te abstendrás de críticas, que adivino no sin motivo; quizá
es mejor que las dejes para su lugar adecuado, y aunque temas si no
serán ciertas e incluso que yo haya cantado victoria antes del triun­
fo 44, pasa por fin a estas páginas y conoce las cosas de que antes
hemos hablado. N o encontrarás planetas nuevos y desconocidos
como los interpuestos un poco más arriba, audacia que no es de mi
agrado, sino que encontrarás solamente los antiguos un poco des­
plazados, pero protegidos por la interposición — un tanto sorpren­
dente— de sólidos rectilíneos de modo que puedas responder a cual­
quiera que pregunte sobre los garfios de que se halla suspendido el
cielo para que no se caiga. Saludos.
J. Kepler

Notas del autor al «Primer Prefacio al lector»

(1) Se atuvo a los cinco cuerpos regulares. Aunque todo está en armonía
con todo, no obstante el número seis de los orbes primarios está tomado
propiamente de los solos cinco cuerpos primarios, la proporción, en su
mayor parte, de la de los cinco cuerpos geométricos y en menor cuantía de
los movimientos en tanto que éstos son causa, final que pertenece desde el
principio a la Idea de la obra. Y es preciso entender esto, tanto de los
movimientos muy lentos de cualquier planeta como de los muy rápidos de
otro, movimientos que han de considerarse como causas de sus propiedades
concretas. Pero los movimientos periódicos, es decir, el número de días
contabilizado para cada planeta en su circuito en atención tanto a la pro­
porción de las órbitas como a las excentricidades (establecidas en Harmo~
nicé) se han distanciado mucho de los cinco cuerpos.
(2) Disputatio. Puedes ver esta discusión aumentada en el libro I, de
Epitomes Astronomiae 4S.
(3) Adscribir a la propia Tierra. Esta discusión se halla inserta en mis
Commentaria de MotUs Martis, especialmente en la Introducción. Pero de
modo más detallado en el libro IV del Epitomes, pág. 542. Los argumentos
plenamente demostrativos se han obtenido de la plena restauración de la
Astronomía.
(4) Seguiré investigando en Cosmographia. No he publicado hasta aho­
ra ningún libro con el título de Cosmographia; pero esta semejanza ha sido
propuesta por mí en el Epitomes, libro I, pág. 42, donde trato de la figura
externa del mundo, y en el libro IV, págs. 437-448, de las tres partes pri­
marias del mundo. Y no debe tomarse por una semejanza vacía, sino reco­
nocida como una de las causas, como Forma y Arquetipo del mundo.
(5) Intercalé entre Júpiter y Marte. No que circulase alrededor de Júpiter
como las estrellas Mediceas de Galileo 46 —no caigas en el error, jamás
pensé en ellos—, sino, como los planetas primarios mismos, circulando por
su ruta en tomo al Sol colocado en el centro del sistema.
(6) La nobleza de ningún número. He aquí rechazados por mí los nú­
meros numerantes, como se los llama. Excluirlos también de los fundamen­
tos de Harmonice fue también mi principal preocupación en dicha obra.
(7) Excelencia a partir de cosas posteriores al mundo. El número seis, no
obstante, tiene algo independiente de las creaturas; que es el primero entre
los números perfectos. Un número es perfecto si hay tantas unidades en sus
partes alícuotas como en el todo. ¿Pero otorgaría esta propiedad alguna
excelencia a un número numerante? Consideremos, por una parte, cuál sería
esta excelencia y, por otra, cómo afecta al número. En primer lugar esta
excelencia parece ser nula. Pues si hubiese alguna excelencia, parece que la
disciplina de la Armonía debería ofrecer testimonio para todos los números
perfectos. Pero no ofrece ninguno, salvo para el número seis. Pues el resto
de los números perfectos son múltiplos de números primos, como consta
por la última prop. del libro IX de Euclides. Por lo cual (por el Axioma 3
del libro III de mi Harmonice, fol. 11 vto. y por la prop. VIII del libro IV,
fol. 145, que se apoya en las props. XLV, XLVI, XLVII del libro I), todos
los números así llamados perfectos, salvo el número seis, desaparecen de los
términos que constituyen acordes, cosa que también atestigua el sentido del
oído, y ello debido a los números primos, como el siete, etc., de los que se
derivan. Y aunque las secciones armónicas en mi Harmonice, libro III,
prop. XIX, vol. 26 vto., suman siete, que es un número primo, sin embargo
a ninguna de ellas este número siete la hace armónica, sino que primero
cualquiera de ellas es armónica y después, una vez constituidas todas ellas,
acontece que son siete en número y ni siquiera esta misma condición, por
la que se definen los números perfectos, considerada en sí misma, tiene algo
de excelencia, esto es, que todos los números que dividen a otros al nume­
rarlos son iguales al dividido. Ciertamente la igualdad tiene algo de belleza,
pero esta igualdad es algo accidental para estos números, considerados cada
uno en sí mismo y nada aporta a su constitución, antes bien es el .resultado
de una necesidad geométrica subsiguiente al hecho de su constitución, ni
tampoco les confiere la propiedad de ser más divisibles, pese a tratarse de
esa divisibilidad y en cierto modo hallarse definidos por ella. Por el contra­
rio, el número que goza de esta así llamada perfección, por eso mismo queda
limitado a no poder contar con muchos factores divisores. Y tal como he­
mos argumentado antes sobre las secciones, también ahora podemos hacerlo
sobre los divisores de otro número cualquiera: que en sí mismo es previo
cada uno de los divisores de un número dado y no recibe esa propiedad de
una igualdad posteriormente establecida, sino que, con posterioridad, acon­
tece a cada uno que su suma sea igual al número en cuestión. Véase en mi
Harmonice, libro III, al final del cap. 3, pág. 31 vta., algo semejante sobre
la coincidencia en los temarios, que aquí equivale a la coincidencia en la
igualdad. Por tanto esta igualdad no proporciona mayor poder o capacidad
a los números que a un labriego el descubrimiento de un tesoro; ni es creíble
que el número seis influyese a Dios Creador en atención a semejante aspec­
to. En segundo lugar digo que esta característica no afecta a los números
en tanto que numerantes. Esto se prueba fácilmente a partir de los libros VII,
VIII y IX de Euclides. Este autor, con el fin de demostrar que esa perfección
se da en ciertos números, se ve obligado a utilizar números figurados o,
como se dice en las escuelas, números numerados o paralelogramos, dividi­
dos en medidas iguales a lo largo y a lo ancho. En consecuencia, si alguna
característica de excelencia se diese, la susodicha perfección cocemiría en
primer lugar a las figuras geométricas. Y aunque el número seis tiene su real
y verdadera excelencia del exágono, figura que le concede entrada en la
disciplina armónica, sin embargo esto no lo convierte en número capaz de
constituir el número de los cuerpos primarios del mundo. En efecto, esta
figura divide a la cantidad continua del círculo en seis partes, pero los cuer­
pos del mundo no son partes de una cantidad continua. Dicha figura es una
de las figuras planas, pero los cuerpos del universo han asumido la figura
sólida, o espacios de tres dimensiones, para desplazarse. Con razón, pues,
rechacé las propiedades del número seis considerado en sí mismo, y no las
reconocí entre las causas de que los cielos sean seis; también pensé con
razón que habrían de anteponerse algunas causas evidentes de las cuales se
siguiese de manera inmediata este número seis de los cielos; al igual que en
la disciplina de la Armonía, adelantadas unas causas adecuadas, resulta tanto
el número tres de los sonidos consonantes con un sonido, pág. 31 vta., como
el número siete de las divisiones armónicas, pág. 27 vta.
(8) La cantidad fue creada (...) junto con la materia. Más bien las ¡deas
de cantidades son y eran coetáneas con Dios, Dios mismo; y también ahora
son ejemplares en las almas hechas a imagen de Dios (incluso también su
esencia); cosa en la que están de acuerdo los filósofos gentiles y los doctores
de la Iglesia.
(9) La Tierra es el círculo. Esto lo escribí para mí solo; entendía poi
Tierra el orbe en que ella es transportada, llamado Magno por Copémico.
Del mismo modo para cada planeta su propio orbe. También la última frase:
«tienes la razón de...», pertenece al párrafo copiado de mis notas.
(10) Aviesa sospecha. Realicé infantilmente muchos esfuerzos para que
nadie me arguyese de ser un novedoso y de haber escrito el libro sólo para
hacer una exhibición de ingenio. A éstos me opuse tanto con mi promesa
como con mi profunda persuasión sobre la verdad de lo contenido en el
libro y también con mi entusiasmo en discutir con otros sobre estos hallaz­
gos míos. Y, según creo, había razones suficientes para prescindir de una
injustificada modestia.
Capítulo I
RAZONES POR LAS QUE LAS HIPÓTESIS
d e COPÉRNICO RESULTAN APROPIADAS
y EXPOSICIÓN DE LAS HIPÓTESIS DE
COPÉRNICO 1

Aunque es piadoso considerar desde el mismo comienzo de esta


discusión sobre la Naturaleza si se ha dicho algo contrario a las
Sagradas Escrituras; considero inoportuno (1), no obstante, suscitar
aquí esta discusión antes de que se me exija. Prometo en términos
generales que no diré nada que ofenda a las Sagradas Escrituras, y
si Copémico junto conmigo apareciese convicto de algo, sea esto
tenido por no dicho. Y siempre ha sido ésta mi intención desde que
empecé a tener conocimiento de los libros de D e Revolutionibus de
Copémico.
Puesto que en este campo ningún escrúpulo religioso me ha im­
pedido escuchar a Copémico, si dice cosas razonables, la primera
confianza me la dio aquella maravillosa coincidencia de todas las
cosas que-aparecen en el cielo con lás opiniones de Copémico. De
tal modo que no sólo deducía los movimientos pasados que han sido
registrados desde la remota Antigüedad, sino que además predecía
los movimientos futuros, y aunque no con exactitud absoluta, sin
embargo con mucha mayor exactitud 2 que Ptolomeo, Alfonso y los
demás. Y lo que todavía es más, aquello que en los demás aprendi­
mos a admirar, sólo Copémico da una elegante explicación de ello,
y elimina la causa de la admiración que reside en la ignorancia de
las causas. Ninguna forma más fácil para enseñar al lector que si le
invito y persuado para que lea la Narrado de Rhetico. Pues leer los
libros mismos de D e Revolutionibus de Copémico no es posible
para todos.
Y en este punto (2) jamás pude estar de acuerdo con aquellos
que se apoyan en el ejemplo ae una demostración accidental que
infiere de premisas falsas una verdad por medio de la necesidad for­
mal silogística 3. Estos tales, digo yo, apoyándose en este ejemplo
pretendían que era posible qué las hipótesis copemicanas fuesen fal­
sas 4 y sin embargo pudieran seguirse de éllas, como de auténticos
principios, los verdaderos «fenómenos».
Pero el ejemplo no cuadra. La conclusión a partir de premisas
falsas es pura casualidad, y la naturaleza falsa se delata a sí misma
en cuanto se aplica a otra cosa de la misma especie, salvo que de
buen grado se conceda a semejante argumentador la facultad ae asu­
mir otras infinitas proposiciones falsas, y jamás sea consistente en la
argumentación, descendente o ascendente5. N o es este el caso para
quien sitúa al Sol en el centro. Pues pídele deducir algo de lo que
en realidad aparece en el cielo argumentando ascendente o descen­
dentemente, a partir del establecimiento de esta hipótesis, colegir
uno de otro, o establecer algo compatible con la verdadera natura­
leza de las cosas, y él no dudará en nada, si es riguroso, y también
mantendrá continuamente la coherencia a través de las demostracio­
nes más intrincadas. Pues, si se objeta que tanto se puede ahora
como se podía antes decir lo mismo sobre las tablas y las hipótesis
antiguas, a saber, que dan cuenta adecuada de los «fenómenos», aun­
que aquéllas fueron rechazadas como falsas por Copémico, y se
podría responder a Copérnico con el mismo argumento: esto es, que
'aunque dé una explicación magnífica de las apariencias, sin embargo
se cae en error respecto a las hipótesis. Respondo, en primer lugar,
que las hipótesis antiguas no dan explicación alguna de muchos as­
pectos principales. Por ejemplo, desconocen las causas del número,
cuantía y tiempo de las retrogresiones y por qué se ajustan como lo
hacen con la posición y movimiento medio del Sol (3). Puesto que
en todas estas cosas (4) aparezca en Copérnico un orden maravilloso,
es preciso que también exista una causa de ello. Además, de las
hipótesis que dan cuenta de las causas permanentes de las apariencias
y que están conformes con la observación, Copémico no niega nada,
antes bien las asume y explica todas. Pues, aunque parece que cam­
bió muchas cosas en las hipótesis usuales, de hecho esto no es así.
-Pues puede ocurrir que la misma conclusión acontezca con dos su­
puestos de distinta especie debido a que ambos están contenidos
bajo un mismo género y el asunto de que se trata es consecuencia
directa del género 6. A sí Ptolomeo no demostró el nacimiento y
ocaso de los astros mediante un término medio equivalente tal como:
«la Tierra está en el centro inmóvil», ni Copémico demuestra esto
mismo mediante la premisa intermedia «porque la Tierra gira a cierta
distancia del centro». Pues a ambos basta decir (como lo hicieron
uno y otro) que esto ocurría así porque entre el cielo y la tierra
media alguna diferencia de movimientos, y porque no se percibe
ninguna distancia de la Tierra al centro en relación con las estrellas
fijas. Por tanto Ptolomeo, si demostró algunos fenómenos, no lo
hizo mediante algún término medio falso y accidental. Unicamente
contravino la ley de kat’autó en tanto que creyó que se producía en
virtud de la especie lo que ocurre en virtud del género. De donde
se desprende que, puesto que Ptolomeo demostró a partir de una
falsa disposición del mundo cosas verdaderas según el cielo y acor­
des con nuestros propios ojos, por esto digo, que no hay motivo
para sospechar algo semejante de las hipótesis copernicanas. Por el
contrario, se mantiene lo que he dicho más arriba: no pueden ser
falsos los principios de Copémico que logran tan continuamente dar
explicación de tantos fenómenos, explicación desconocida para los
antiguos en tanto que derivada de dichos principios (5). Vio esto el
gran Tycho Brahe, astrónomo más allá de toda consideración, quien,
pese a disentir 7 absolutamente con Copérnico respecto a la ubica­
ción de la Tierra, retuvo de éste sin embargo aquello en cuya virtud
tenemos las causas de cosas desconocidas hasta ahora, a saber: que
el Sol es el centro de los cinco planetas. Pues esto, «que el Sol está
inmóvil en el centro» es un término medio más estricto para demos­
trar las retrogresiones. Y por tanto es suficiente aquel más general
que establece la centralidad del Sol respecto a los cinco planetas.
Pero el hecho de que Copérnico tomase la especie en lugar del gé­
nero y además situase al Sol en el centro del Universo y colocase a
la Tierra girando en torno a él, obedecía a otras razones. Pues, pa­
sando de la Astronomía a la Física o Cosmografía, estas hipótesis de
Copérnico no sólo no contravienen a la naturaleza de las cosas, sino
que mucho más la favorecen. Pues ella ama la simplicidad 8, ama la
unidad. Jamás nada en ella es inútil o superfluo, antes bien, frecuen­
temente se vale de una cosa para producir muchos efectos. Y por
otra parte, según las hipótesis usuales no hay límite para la imagi­
nación de órbitas; según Copérnico, muchos movimientos se siguen
de muy pocas órbitas. De momento nada diré de la interpenetración
entre las órbitas de Venus y de Mercurio ni de otras cosas en las
que la astronomía antigua, con su libertad para imaginar círculos,
todavía ahora tropieza. Y así este gran hombre no sólo liberó a la
naturaleza de la gravosa e inútil carga de tantísimos círculos, sino
que además nos abrió un inagotable tesoro de razonamientos divinos
sobre el Universo entero y sobre la maravillosa disposición de todos
los cuerpos. Y no dudo en afirmar que todo cuanto Copémico es­
tableció a posteriori y dedujo de las observaciones, sobre la base de
axiomas geométricos, todo eso podría sin dificultad demostrarse a
priori,' como testimoniaría Aristóteles si viviera (como dice frecuen­
temente Rhetico). Pero de todo esto ya trató primero Rhetico con
amplitud y autoridad y también Copémico; si algo puede explicarse
con más detalle, requiere otro lugar y otro momento (6). Ahora
basta haberlo mencionado para que el lector, con esta mención, ten­
ga clara la otra razón por la que me incliné del lado de Copémico.
Y no abracé esta opinión por casualidad y sin la muy conside­
rable autoridad de mi maestro el gran matemático Maestlin 9. Pues
éste, aunque fue mi primer guía y conductor, tanto en lo demás
como sobre todo en estas cuestiones filosóficas concretas, y por
tanto debe ser mencionado con justicia en primer lugar, sin embargo
me dio una tercera razón (7) para pensar ae este modo mediante un
argumento específico: cuando observó 10 que el cometa del año 77
se movía continuamente según el movimiento de Venus establecido
por Copérnico y que, suponiéndole una altura supralunar, comple­
taba su curso en el propio orbe de Venus establecido por Copérnico.
Así que, si alguien considera cuán fácilmente lo falso está en desa­
cuerdo consigo mismo y cuán continuamente lo verdadero concuer­
da con lo verdadero, obtendrá correctamente un magnífico argumen­
to de este mero hecho en favor de la disposición copemicana de las
esferas.
Pero para constatar que todo lo que he dicho sobre ambas hi­
pótesis es absolutamente verdadero, he aquí una breve exposición de
la hipótesis de Copémico y dos ilustraciones que contribuyen a ello.
Para comprender el orden de las esferas del universo según la
teoría de Copémico, observa en la primera ilustración, al final de
este capítulo, y las leyendas que hay en ella. A la Tierra (8), según
sus distintas perspectivas, le son atribuidos por Copérnico cuatro
movimientos (Copémico, por mor de la brevedad dice tres 11 donde
en realidad hay cuatro) que conjuntamente concilian una aparente
variación en relación con los movimientos de los restantes planetas.
El primero es el de la esfera u orbe mismo que transporta a la
Tierra como una estrella en tomo al Sol cada año. Pero este círculo,
al ser excéntrico y además con excentricidad variable (9), debe ser
considerado por nosotros en tres aspectos (10). Primero desprovisto
de-excentricidad (11), en cuyo caso este círculo, así como el movi­
miento de la Tierra nos ofrece las siguientes ventajas:.no necesitamos
de tres excéntricas de las hipótesis usuales, a saber, las del Sol, Venus
y Mercurio. Pues, dado que la Tierra gira en torno a estos tres
planetas, los terrícolas creen que son aquéllos los transportados en
tomo a estos inmóviles. De este modo de un movimiento se hacen
tres. Y si hubiese más estrellas interiores a la órbita terrestre a más
se asignaría también este movimiento. Y, supuesto este orbe, tam­
bién desaparecen tres grandes epiciclos, de Saturno, Júpiter y Marte,
junto con sus movimientos. De qué manera ocurre esto puede verse
en las dos figuras contrapuestas adjuntas; y además, porque la Tierra
vista desde Saturno (como si estuviese en reposo, porque es más
lento) circula por su órbita acercándose y alejándose ae Saturno,
creen sus habitantes que Saturno marcha por su epiciclo acercándose
y alejándose mientras ellos permanecen en reposo en el centro de su
órbita. Creen por tanto que el círculo AB es los epiciclos g.i.l. De
igual modo, debido al susodicho acceso y receso de la Tierra en su
órbita respecto a los planetas, nos parece que las latitudes de los
cinco planetas sufren variaciones, y para salvarlas necesitó Ptolomeo
establecer otros cinco movimientos, todos los cuales desaparecen si
suponemos un único movimiento de la Tierra.
Y aunque todos estos movimientos, en número de once, se hayan
eliminado del mundo al sustituirlos por este solo movimiento de la
Tierra, no obstante este movimiento permite también dar cuenta de
muchas cosas que no pudo explicar Ptolomeo con tan numerosos
movimientos.
Pues, en primer lugar, se podría preguntar a Ptolomeo, ¿cómo
es que las tres excéntricas, la ael Sol, la de Venus y la de Mercurio,
tienen revoluciones iguales? La respuesta es que, en realidad, no son
ellos los que giran, sino que en su lugar sólo está el giro de la Tierra.
2. ¿Por qué los cinco planetas son retrógrados, mientras que no lo
son las luminarias? La respuesta es que, primeramente el Sol está en
reposo; de donde se sigue que el movimiento de la Tierra, que es
siempre directo, parezca pertenecer al Sol mismo pura y simplemen­
te, aunque hacia la parte opuesta del cielo. Y respecto a la Luna, al
ser anual el movimiento de la Tierra, su movimiento en el cielo es
de hecho común con el de la Tierra; pues dos cuerpos (12) que
tienen el mismo movimiento en todo parecen reposar entre sí. De
donde el movimiento de la Tierra no se observa en la Luna como
en los demás planetas. Respecto a los superiores, Saturno, Júpiter y
Marte, la respuesta es: porque éstos son más lentos que la Tierra, y
porque el círculo y movimiento de la Tierra se les atribuye a ellos.
Por tanto, lo mismo que a los que mirasen desde L (el globo de
Saturno) les parecería que la Tierra a veces se desplaza directamente,
mientras recorre el trayecto PB N sobre el Sol, y a veces retrocede,
mientras se desplaza por N A P, y reposa en los puntos N y P, de
igual modo es necesario para nosotros, que miramos desde la Tierra,
que Saturno se desplace en dirección contraria. Así, mientras la Tie­
rra se halla sobre BN A , Saturno parece moverse sobre bna, del es­
quema II. Los planetas inferiores, Venus y Mercurio, parecen retró­
grados porque son más rápidos que la Tierra; por consiguiente como
si la Tierra estuviese inmóvil, Venus, desplazándose por la parte más
alejada de su propia órbita, describe un movimiento exactamente
contrario al que describe en la parte de su círculo más próxima a la
Tierra.
3. De igual modo podría preguntarse (aunque Ptolomeo nada
respondiera) por qué en los grandes orbes los epiciclos son tan pe­
queños y por qué en los pequeños orbes los epiciclos son tan enor­
mes: esto es, ¿por qué la prostaféresis 12 de Marte es mayor que la
de Júpiter y la de éste mayor que la de Saturno? ¿Y por qué también
Mercurio no iba a tenería mayor que Venus, toda vez que de los
otros cuatro el inferior siempre la tiene mayor que el superior? Aquí
la respuesta es fácil. Pues en el caso de Mercurio y Venus los anti­
guos creyeron que sus orbes reales eran epiciclos. Pero el de Mer­
curio, aunque muy rápido, es el orbe más pequeño. Sin embargo, en
el caso de los planetas superiores, cuanto más cerca está el círculo
de la Tierra, así tiene una mayor proporción respecto a él y mayor
parece. Resulta así que Marte, el más próximo, tiene la ecuación
máxima, mientras Saturno, el más lejano, la tiene mínima. Porque si
se ve desde G el círculo PN parecerá comprendido bajo el ángulo
TAV. Si, en cambio, se mirase desde L dicho círculo parecería com­
prendido bajo RLS.
4. De igual manera no sin razón se admiraban los antiguos de
aquellos tres planetas superiores siempre que se hallasen en oposición
al Sol se hallaban en la parte más baja de sus epiciclos mientras que
en conjunción en la parte más alta, como, por ejemplo, si la Tierra,
el Sol y G se hallasen en la misma línea, ¿por qué Marte no podría
hallarse en otro punto de su epiciclo que no sea y? Para Copérnico
la causa es inmediatamente clara: pues no es Marte sobre su epiciclo,
sino la Tierra en su órbita la causante de esta variación. Así, si la
Tierra se desplaza desde A hacia B, el Sol estará entre Marte en G
y la Tierra en B. Entonces Marte parecerá haber ascendido en el
epiciclo desde 5 hasta y. Pero estando la Tierra en A, que es un
punto próximo a G, se verán desde A a Marte en G y al Sol en
mutua oposición. Estas son las cosas que a primera vista se pueden
mostrar a partir del esquema del grabado.
Pero ahora tomemos también en consideración la excentricidad
de esta órbita. Copémico pone el movimiento del apogeo del Sol (13)
(o de la Tierra), al igual que el de los demás planetas, no a lo largo
¿e las deferentes, sino de un epiciclo que retorna a un inicio un poco
más lentamente que su órbita. Este movimiento del apogeo tiene
también algún efecto sobre los movimientos de los otros planetas,
pues Ptolomeo calcula las excentricidades de los demás desde el cen­
tro de la Tierra (14); pero si el centro de la excéntrica terrestre y el
apogeo se desplazan según el orden de los signos hacia otra parte
cfel Zodíaco, dejando tras sí a los apogeos más lentos de los otros,
sobrevendrá alguna variación de las excentricidades en los demás
planetás. De nuevo esto resulta sorprendente para la astronomía pto-
lemaica que se refugia en la invención de nuevos círculos cuyo fin
no es otro que demostrar que esto puede ser así, pese a que con sólo
el único movimiento de la Tierra se seguiría todo ello. Pero esto
sólo ahora se consigue tras muchos siglos. Y en tercer lugar, la mu­
tación de la excentricidad terrestre (15) por la que el centro de la
excéntrica se acerca y se aleja respecto al Sol, desde los días de
Ptolomeo hasta los nuestros ha tenido gran efecto sobre Marte y
Venus; y al ver que sus excentricidades han cambiado, ¿qué crees
que diría Ptolomeo?, ¿de nuevo, si viviera, admitiría nuevos círculos
a añadir a la turba de los existentes? De todos los cuales, según
Copémico, ninguna falta hace. Copérnico da cuenta de todos ellos
con el movimiento y posición del solo círculo AB, de donde con
razón, aunque es pequeño, le dio el nombre de Magno 13. Este pri­
mer movimiento en el cielo era común a la Luna y a la Tierra.
Ahora pasemos a considerar qué producen los demás movimien­
tos de la Tierra que acontecen dentro del pequeño círculo de la Luna
en A.
Así pues, el segundo movimiento no del círculo entero, sino del
pequeño círculo celeste que encierra inmediatamente al globo de la
Tierra como a un núcleo ( i 6), va en dirección opuesta, de este a
oeste, al igual que los epiciclos de los planetas superiores, mediante
los cuales Copémico salvaba su excentricidad. Por su carácter anual
ocurre que la línea equinoccial siempre caiga hacia el mismo punto
del mundo. Pero los polos de la equinoccial o del cuerpo distan de
este círculo 23 grados y medio. Dicho movimiento, al ser un poco
más veloz que el movimiento anual del círculo de la órbita terrestre,
hace que las intersecciones de los círculos, esto es, las posiciones de
los equinoccios, se muevan poco a poco hacia delante (17). Por tan­
to, gracias a este pequeño círculo desaparece aquella monstruosa,
ingente, novena esfera *sin estrella» de los Alfonsinos, en la medida
en que su función, antes necesaria, se traslada a este pequeño círculo.
También desaparece el movimiento de las deferentes del apogeo de
Venus, en cuanto que no .se mueve más que .si se atribuye movi­
miento a las fijas.
Lámina I que muestra el orden de las esferas móviles celestes así como la
verdadera proporción de su magnitud de acuerdo con sus distancias medias;
también los ángulos de sus prostaféresis respecto al gran orbe de la Tierra,
según Copémico.

Primera representación de las proporciones entre distancias planetarias al Sol.


(Véase la traducción de las leyendas del original en pág. 255.)
Lámina II que muestra el orden de las esferas celestes así como la propor­
ción de los orbes y de los epiciclos, y los ángulos o arcos de sus prostafé­
resis, según las distancias medias, de acuerdo con la opinión de los antiguos.

flXARUMSmURUM SPHX.RA

En la segunda representación Kepler hace ver la desproporción de los epiciclos


ptolemaicos respecto a las distancias planetarias. (Véase la traducción de las
leyendas del original en pág. 256.)
El tercer movimiento es el de los polos (18) del globo terrestre 1't
consistente en dos libraciones, de las cuales una es el
doble que la otra, y en ángulo recto. Se completa me­
diante cuatro círculos de tal modo que cada dos círcu­
los completan una libración y las libraciones mismas
generan una especie de guirnalda 15 entretejida de este
modo: una libración ocurre en el coluro 16 de los sols­
ticios y salva la variación de la declinación del Zodíaco,
descubierta después de los tiempos de Ptolomeo, y que
es tal que hubiese obligado a Ptolomeo a imaginar, y
algunos modernos lo han tratado de representar, un undécimo
círculo del Universo.
La otra oscilación que acontece en el coluro de los equinoccios
salva la irregular precesión de los equinoccios y elimina el movimien­
to de trepidación de la octava esfera, la de las fijas, que es la última
según Copémico, y la restituye al estado de reposo. Y no menos
interesa este movimiento respecto a los demás movimientos; elimina
la irregularidad del movimiento que los movimientos de todos los
demás siete planetas lo mismo que sus apogeos habrían de tener (no
sin ayuda de otros nuevos círculos), puesto que se ha descubierto
que todos sus movimientos son uniformes respecto a las fijas.
Por fin, el cuarto movimiento es el del propio globo terrestre "y
de la atmósfera de aire que lo rodea y cuyo período es de 24 horas
en la misma dirección que los demás, esto es, de Poniente a Oriente,
en virtud del cual todo el resto del mundo parece ser transportado
de Oriente a Occidente, con movimientos segundos milagrosamente
imperturbables. Desaparece, por consiguiente, esta décima esfera «sin
estrella», increíblemente alta y rápida, cuya rapidez y la de todo el
mundo sería tan grande en el sistema de Ptolomeo que en un abrir
y cerrar de ojos recorrería muchos millares de millas. Y te ruego que
examines el grabado y consideres que nuestra Tierra, cuyo movi­
miento se discute, apenas es igual a la setentava parte del pequeño
circuidlo lunar en A ; desde este pequeño círculo vuelve la vista hacia
el amplísimo de Saturno y de éste hacia la incalculable altura de las
fijas y por fin infiere qué es más fácil de hacer o creer, que este
pequeño punto dentro del pequeño círculo A, que es la Tierra, gira
en una dirección o que todo el Universo lo hace en dirección con­
traria mediante diez movimientos distintos (porque diez son los or­
bes, cada uno distinto de otro) de increíble velocidad, y que todo
esto no es para otra cosa que para ese punto, esa pequeña figura, ,y
ella sola inmóvil, porque fuera no hay nada.
(1) Inoportuno. Aquí surge una duda al propio Copémico en su prefacio
al Papa Paulo III, aunque en un tono un tanto adusto; su discurso paga al
final el precio y más de 70 años después de la publicación del libro y de su
muerte «estásuspendido», dice el censor, «hasta que sea corregido» '^ aun­
que yo pienso que también se puede entender «hasta que se explique». En
qué manera no es contrario a la Escritura, toda vez que ambos tienen in­
tenciones completamente dispares, he tratado de mostrarlo con razones y
e j e m p l o s en la Introducción a los Comentarios a los movimientos de Marte.
También expliqué las palabras del propio Copérnico de modo más claro al
final del libro I del Epítome de Astronomía; espero que las personas religio­
sas queden satisfechas con estos textos, toda vez que tanto el entendimiento
como el conocimiento de la astronomía llevan por sus pasos a la convicción
de que por ellos se puede creer con seguridad en la gloria de las obras
divinas visibles. Hay sin duda una lengua de Dios, pero también hay un
dedo de Dios. ¿Y quién negará que la lengua de Dios se halle acomodada
no sólo a su propósito, sino también, por ello, a la común lengua de los
hombres? Por tanto cualquier persona devota evitará a toda costa retorcer
la lengua de Dios en cosas completamente evidentes para que refute al dedo
de Dios en la naturaleza. Lea quien se preocupe por las alabanzas del Crea­
dor y Señor nuestro, lea digo, el libro V de mi Harmonice; y cuando haya
comprendido la pulcritud de los movimientos tan finamente armónicos, pien­
se para sí cuán justas, cuán fecundas habrían de ser las causas de la búsqueda
de la reconciliación entre la lengua y el dedo de Dios, salvo que fuese mejor,
desechada dicha conciliación, reprimir con censuras esta fama de la intensa
belleza de las obras divinas, fama que una vez llegada a las gentes sencillas,
é incluso a las gentes cultas, aunque sólo sea un poco, jamás puede ser
destruida por los más grandes imperios. La ignorancia rechaza el atender a
la autoridad, se arroja a la lucha inmediatamente fiándose de la multitud,
con la garantía de la costumbre e invulnerable a los dardos de la verdad.
! El filo de un hacha una vez estragado contra un hierro ya no sirve
después ni para cortar madera. Entiéndalo quien tenga interés.
(2) En este punto. He discutido también este caso en relación con la
hipótesis particular de la excentricidad en el Comentario sobre Marte, cap. 21,
y mostré por qué y hasta qué punto una hipótesis falsa a veces produce la
verdad 1S.
(3) Posición y movimiento medio del Sol. Yo no conocía todavía lo que
después demostré en los Comentarios sobre Marte, que la anomalía del Orbe
Magno o de Conmutación, que causa las retrogresiones, se restituye según
el mismo movimiento y lugar verdaderos del Sol. Cosa ésta que debe sor­
prender mucho más aún a quienes sostienen en tal forma la vieja astronomía.
Y por tanto, desde este mismo hecho nacen argumentos demostrativos de
que las retrogresiones no se originan de algún otro movimiento real, ya de
los planetas, ya de todo el sistema celeste, sino del movimiento de la sola
Tierra que la imaginación transfiere a todos los planetas.
(4) Además, la frase siguiente «(...) en todas estas cosas (...)» no está bien
lograda, pues yo quería decir esto: puesto que en Copémico aparece u¿
orden maravilloso cual el que ocurre entre la causa y sus efectos, es nece­
sario que esta misma sea causa verdadera de las retrogresiones, como dice
Copémico, esto es, que esta hipótesis no sea meramente ficticia.
(5) En tanto que derivada de dichos principios. Puesto que, como ahora
sigue, la explicación de algunas cosas se da a partir no de esta peculiar
conformación de los planetas, sino de una general que es común a Copér-
nico y Brahe; pero de ningún modo la explicación de algunas cosas viene
dada por aquélla en tanto que específica de Copémico; porque si nos fija­
mos en las particularísimas condiciones y dimensiones de las hipótesis de
Copémico, no se puede dar explicación de algunos detalles en las observa­
ciones, y por esta razón las hipótesis copemicanas sobre cosas particulares,
tanto respecto a la forma como respecto a las dimensiones, debieron ser
corregidas por mí a tenor de las observaciones. Y sin embargo las cosas que
dije que habían de ser corregidas, en cuanto a la forma, son tales que más
bien contribuyen a la perfección de las hipótesis de Copémico, esto es, a
un mayor distanciamiento de las mismas de la vía usual, que a una nueva
conformación, porque, como dije en los Comentarios a Marte, Copémico
no fue consciente de su propia riqueza 19.
(6) Otro lugar y otro momento. El cometido principal de esta obra en
lo referente a las cosas astronómicas se halla en los Comentarios sobre Mar­
te; pero he reunido una mayor copia de argumentos físicos o metafísicos en
el libro IV del Epítome de Astronomía, libro que contiene la «Obra» que
prometí en este lugar. Véase todo él.
(7) Una tercera razón. No obstante, la misma persona me informó que
esta conclusión no es necesaria. Pues, dado que un cometa no continúa su
movimiento por muchos días, y puesto que en la hipótesis propuesta tene­
mos libertad para aumentar o disminuir su movimiento a tenor de lo que
exijan las observaciones (por lo general groseras), se sigue de ello que hipó­
tesis diferentes en detalles puedan dar cuenta de idénticas observaciones del
comew. Y Brahe, en su libro sobre los cometas, pág. 282, examina la hipó­
tesis de Maestlin, la compara con la suya propia y la refuta. Por otra parte,
en la pág. 206 propone una hipótesis tal que según ella el movimiento cir­
cular del cometa es lento al principio, después más rápido y al final lento.
Por tanto yo abandono este tipo de argumento, que además está formulado
de tal modo que los expertos, en razón del mismo y por la credulidad pura
y la general conjetura de que la verdad es congruente con la verdad, pudie­
ran dar algún viso de verdad a las suposiciones. Pero en cambio reconquisto
de nuevo la fortaleza por otra vía. Pues si el movimiento de la Tierra es útil
para esto, para que los movimientos rectos de los cometas, tanto si éstos
son perfectamente constantes como si son acelerados o continuamente re­
tardados, se acomoden a las observaciones, en tal caso con más razón cuanto
hay de verosimilitud en el movimiento recto constante de los cuerpos que
desaparecen, otro tanto de credibilidad hay que conceder al movimiento de
la Tierra, sobre todo si hubiese constancia de que los bucles de sus trayec­
torias provienen de los movimientos de la Tierra, y se explicasen otras cosas
que se observan en los cometas. Como, por ejemplo, el mismo cometa del
año 1577, cuando apareció en los confines de Sagitario mostraba el máximo
movimiento diario, una cabeza de 7 minutos y una cola de 22 grados; todo
esto disminuyó hacia el final, tanto que en el signo de Piscis, que dista un
cuadrante de Sagitario, pareciera que había llegado al reposo, si no hubiera
desaparecido. Se pregunta por la causa de que los cometas, en tomo al
cuadrante desde su lugar de aparición máximamente brillantes y veloces casi
se conviertan en estacionarios, de que siendo ya casi estacionarios, unos se
oculten, como éste, bajo el Sol, mientras otros poco a poco desaparecen en
dirección opuesta al Sol, como aquél del año 1618. Y esto es lo que hacen
la mayoría. Pero si prefieres la libertad de atribuir movimiento circular a un
cometa no podrías proponer la misma causa para todos los cometas. Si, en
cambio, te limitas a la mera trayectoria rectilínea aparecerá inmediatamente
la necesidad del fenómeno. Y por tanto yo debería haber situado el plano
de las trayectorias del cometa del año 1577 sobre la línea por la cual se
debería haber visto en razón de la longitud pocos días después de su desa­
parición, caso de que hubiese permanecido; debería yo haber hecho su ver­
dadera trayectoria primera más rápida, en los días siguientes más lenta, y
esto en razón de la proximidad de cada parte de la trayectoria al Sol, ya que
el cometa se alejaba del Sol oblicuamente, y la Tierra a la vez del cometa.
Por esta razón ocurría que el cometa, al inicio mismo, tenía la mitad de la
altura del Sol; después atravesaba las esferas de Venus, Tierra y Marte y al
final acababa por estar tres veces más alto que el Sol. No es pues sorpren­
dente que pudiese detectarse paralaje en este caso. Pero nada más sobre esto;
si aquí el lector quiere más, que acuda a mi opúsculo Sobre los Cometas
que publiqué a principios del otoño de 1619.
(8) A la Tierra (...) cuatro movimientos. Después de este momento he
aprendido escribiendo. No te perturbe esta multitud de movimientos; pro­
piamente no son más que dos, uno que depende de un principio interno de
revolución diaria en torno al propio centro, el otro externo y conferido a
la Tierra por el Sol, anual en torno al mismo; si bien este movimiento es
moderado y conformado por una fuerza magnética que se halla inserta en
las fibras de la Tierra; el movimiento designado aquí como tercero es más
bien la inmovilidad del eje de la Tierra en su posición paralela mientras su
centro es transportado en tomo al Sol; y el llamado cuarto movimiento es
la pequeñísima perturbación de ese reposo resultante de la aberración de los
dos primeros y principales movimientos. Pero sobre esto se dirán más cosas
después.
(9) Además con excentricidad variable. Los autores se han visto forzados
a admitir esto, los demás a cerca del Sol y Copémico a cerca de la Tierra,
por cuanto aquéllos conceden excesivo peso a las observaciones de Hiparco
y Ptolomeo; pero no son de tal precisión que puedan dar soporte a una
doctrina del tal importancia. Por consiguiente, en mis Comentarios a las
observaciones de Marte y en el libro VI de mi Epítome, parte I, he rechazado
de modo creíble esta opinión incongruente con la física celeste, y aún no
abandono este modo de verlo. En otro lugar mostraré la evidente debilidad
de semejanté opinión.
(10) Considerado (...) en tres aspectos. No porque sea triple en sí mismo,
sino porque siendo uno y el mismo tiene tres aspectos, cada uno dé los
cuales tiene múltiples aplicaciones y cometidos en la astronomía renovada.
(11) Primero desprovisto de excentricidad. Esto es, prescindiendo de la
consideración de la excentricidad. En efecto, esta órbita excéntrica produce
ciertos efectos no mediante su propia excentricidad, sino sólo porque gira
en torno al Sol.
(12) Pues dos cuerpos. Por ejemplo, el cielo de la Luna (no la Luna
misma) y la Tierra tienen el mismo movimiento de traslación de un lugar a
otro a lo largo del Orbe Magno. En consecuencia, puesto que la Tierra se
halla siempre en el mismo lugar en que se encuentra el cielo de la Luna, y
por lo mismo este cielo junto con la Luna como su causa, no recibe del
movimiento de la Tierra ninguna apariencia de su movimiento semejante a
la que recibe el Sol debido a la traslación de la Tierra mientras él en realidad
se halla en reposó. Por ello sería de otra manera si, mientras la Tierra se
mueve, el cielo de la Luna estuviese en reposo o se moviese de un lugar a
otro con otro movimiento distinto, también entonces el movimiento del
centro de la Tierra sería atribuido mediante la imaginación al cielo de la
Luna, y así se podría también ver a todo el cielo de la Luna según el lugar
en que se encontrase moverse retrogresivamente no en menor grado que los
cinco planetas.
(13) Copémico pone el movimiento dél apogeo del Sol. Dos cosas se
mencionan aquí, una en relación con el propio Sol, la otra se extiende desde
el Sol hasta los planetas. Ptolomeo coloca al Sol en una excéntrica y encierra
a la excéntrica entre dos deferentes; Copémico coloca al planeta en un epiciclo,
y al epiciclo sobre un círculo concéntrico. Por consiguiente Ptolomeo, para
mover los apogeos, atribuye a sus deferentes un peculiar movimiento muy
lento; Copémico logra lo mismo mediante una aberración de la restitución
del epiciclo y de la concéntrica al ser ambas anuales. Pero es más verosímil
que estos movimientos lentos sean debidos más bien a la aberración que a
un movimiento positivo. Sobre todo porque el movimiento anual no pertene­
ce al epiciclo si no es en relación con su excéntrica, la cual hace mover al
epiciclo en sentido opuesto, mientras que en relación con las fijas el epiciclo
más bien da la impresión de estar en reposo, puesto que en esta circulación
ocurre que las mismas partes del epiciclo siempre se observan sobre las
mismas regiones de las fijas, salvo en la pequeña medida en que lo perturba
la aberración. Yo por mi parte, en mis Comentarios sobre Marte y en el
libro IV de mi Epítome, doy una causa física tanto de la excentricidad como
del desplazamiento de los apogeos, causa que reside en las fibras20 del
cuerpo del planeta, y sin necesidad de deferentes o de epiciclos. Pero este
párrafo referente al propio Sol (o a la Tierra) entiéndelo como incluido de
pasada, esto es, para esclarecer el efecto del desplazamiento del apogeo del
Sol sobre los otros planetas.
(14) Calcula las excentricidades... desde el centro de la Tierra. Esto se
hace más claro al observar la lámina V. Esto, ciertamente, es vaticinar, decir
qué ocurrirá después de muchos siglos, aunque esta preocupación por el
presente nunca afectase a la astronomía antigua. Pero la comparación entre
esta extrapolación de las conclusiones concretas de Ptolomeo con las hipó­
tesis de Copémico es tal que yo no hubiera podido omitir su mención aquí.
Pues Copémico calculó también las excentricidades de los cinco planetas
respecto al centro del Orbe Magno, corno si éste (y no el centro real del
Sol que se halla muy próximo) fuese el auténtico fundamento del sistema
planetario. Durante estos veinticinco años, desde que publiqué por vez pri­
mera este librito, he establecido la astronomía de tal manera que todas las
excentricidades (de los planetas primarios) quedan referidas al centro real
del Sol como base verdadera del Universo. Por tanto las excentricidades de
todos los planetas pueden permanecer sin cambios, cualesquiera ,que sean
los deslizamientos de los apogeos del Sol: Véase en mis Comentarios sobre
Marte la primera parte sobre la equivalencia de las hipótesis, sobre todo el
cap. VI.
(15) Mutación de la excentricidad terrestre. Esto es una transcripción
del propio Copérnico. Y es verdad que quien mueva un poco el centro del.
Sol respecto a la Tierra (o de la Tierra respecto al Sol), como sostengo que
hicieron Ptolomeo e Hiparco, este tal, si refiere las excentricidades de los
planetas a dicho punto, se ve precisado a atribuir a dichas excentricidades
valores distintos de los que hoy tiene la excentricidad corregida del Sol. Pero
si las excentricidades se calculan desde el centro mismo- del Sol, como yo
las he calculado, entonces este cambio en las excentricidades del Sol o de la
Tierra no las afecta en nada, tanto si es real, como en Copérnico, como si
es falsa y sólo aparente, como creo yo. Sobre esto véase la lámina V y la
Narrado Prima de Rhetico, y también el último capítulo de mis Comenta­
rios sobre Marte.
(16) El pequeño círculo celeste que... como a un núcleo. Copérnico propi­
ció un asidero para esta imagen, ya sea porque quisiera ayudar a la com­
prensión, ya porque en realidad él mismo vacilaba en la perplejidad sobre
este asunto de por qué no puede representarse mediante figuras planas, pero
sí mediante figuras de sólidos, aunque muy difíciles de construir. Como
quiera que sea, este movimiento no es movimiento verdadero, sino más bien
ha de llamarse reposo; y no puede ser representado por nada mejor que por
su verdadera causa física que, según los Comentarios sobre Marte y los
libros I, II, III y VI del Epítome, es la siguiente: mientras el globo terrestre
gira en su movimiento anual alrededor del Sol, continuamente sostiene mien­
tras tanto su eje de revolución paralelo a sí mismo en cada lugar gracias a
la tendencia natural y magnética de las fibras hacia el reposo, o también
gracias a la continua revolución diaria en tomo al eje, la cual lo sostiene
erguido constantemente, como ocurre con una peonza lanzada y en movi­
miento giratorio. Por tanto, puesto que este movimiento ño lo es tal en
realidad, sino más bien reposo, tampoco hay necesidad de un pequeño cír­
culo imaginario; y Tycho Brahe con razón me reprochó esta antigua y
errónea creencia sobre la solidez de las esferas, y en cuanto leyó mi pequeño
libro me escribió 21 sobre este asunto.
(17) Las posiciones de los equinoccios se mueven (...) hada delante. Toda
la teoría sobre la precesión de los equinoccios consiste en la observación del eje
y de los polos de la Tierra, de tal modo que no hay necesidad ni de la
novena esfera ni de ese pequeño círculo en tomo a la Tierra. Véase mi
C om entario sobre Marte, parte V, y el Epítome de Astronomía, libros II, III
y VII-
(18) El tercer movimiento es el de los polos. Hemos reducido el segundo
movimiento al mero reposo del eje, ahora reducimos el tercero al segundo
Y a que consista en él. Pues si, por causas físicas, ocurre que el eje de la
Tierra, tras una sola revolución anual, está ligeramente inclinado hacia ade­
lante respecto a su anterior posición, y si además mantiene una inclinación
constante respecto a los costados del universo o polos de la Vía Regia 22, y
si, en tercer lugar, la eclíptica u órbita de la Tierra, al igual que las órbitas
de los demás planetas, toma sus latitudes a partir de la Vía Regia y mediante
movimientos similares hacia adelante pueden éstas moverse desde una po­
sición hasta otra con respecto a las Estrellas Fijas, entonces, de estos ante­
cedentes se sigue que, sin libración alguna de los polos, la declinación, de la
eclíptica varía y que los equinoccios ahora avanzan ahora retroceden un tan­
to; y aún más, también se sigue algo que pasó desapercibido a Copémico
y que hicieron ver Tycho Brahe y el Landgrave de Hesse, y es que varían
las latitudes de las estrellas fijas. Aunque la libración de los equinoccios
que así resulta ni es tan grande ni tan rápida como la resultante de las
libraciones de Copémico, y pese a no haber todavía evidencia sobre la mag­
nitud de la misma, no obstante, la igualdad constante hallada antes y después
de Ptolomeo pone en tela de juicio todo este asunto tanto como las obser­
vaciones de Ptolomeo. Pues solamente el período de Ptolomeo queda ex­
ceptuado; las observaciones de los demás períodos se ajustan a una ley
regular; respecto a Copémico, quien por la asociación de ias observaciones
de su tiempo con las de Ptolomeo, produjo esta libración, queda refutado
por las observaciones mucho más fiables que se hicieron después de él.
Sobre esto véanse los últimos capítulos de mi Comentarios sobre Marte y
el libro VII de mi Epítome de Astronomía.
Capítulo II
ESQUEMA DE
LA DEMOSTRACIÓN FUNDAMENTAL

Después de estos preliminares, para llegar a nuestro propósito: y


probar con un nuevo argumento las hipótesis de Copémico recién
mencionadas sobre un nuevo universo, repetiré el argumento, como
se suele decir, desde el principio, con toda la brevedad que sea posible.
Al comienzo Dios creó la materia; y si conocemos su definición
creo que resultará meridianamente claro por qué al principio Dios
creó la materia y no otra cosa. Digo que la cántidad rae el propósito
de Dios, y para su obtención fue necesario recurrir a todas las cosas
que pertenecen a la esencia de la materia, de tal modo que la canti­
dad de la materia, en tanto que materia, viene a ser como la forma
y el origen de la definición. Pues Dios quiso por esto que la cantidad
existiese antes que todo, para que existiese-una comparación entre
lo curvo y lo recto. Por esto sólo me parece divino el Cusano \
junto con otros: porque prestaron tanta atención a la mutua relación
entre lo curvo y lo recto y se atrevieron a comparar lo curvo con
Dios y lo recto con las criaturas. Y no fueron mayores los méritos
de quienes compararon al Creador con las criaturas, a Dios con el
hombre, a los juicios divinos con los humanos que los de quienes
intentaron comparar una curva con una recta, un círculo con un
cuadrado.
Y aunque esto sólo bastaría para constituir bajo el poder de Dios
la adecuación de las magnitudes y la nobleza de lo curvo, hay que
añadir, sin embargo, otra cosa de mucho más alcance: la imagen de
Dios Uno-Trino en la superficie de la esfera z; esto es, del Padre en
el centro, del Hijo en la superficie, del Espíritu en la regularidad de
la «relación» entre el punto y la circunferencia. Pues lo que el Cu-
sano atribuyó al círculo y otros quizá al globo yo lo atribuyo sólo
a la superficie de la esfera. Y no hay medio de persuadirme de que
entre las curvas hay algo más noble y perfecto que la propia super­
ficie esférica. El globo, en efecto, es más que la superficie esférica y
se halla mezclado con la rectitud, la única que lo llena por dentro.
Mientras que el círculo no existe sino es en el plano, esto es, salvo
que una superficie esférica o un globo sean cortados por un plano,
no existiría ningún círculo. De donde se puede ver que muchas pro­
piedades son transferidas tanto allí por el cubo al globo, como aquí
por el cuadrado al círculo, gracias a la rectitud del diámetro.

Pero, ¿por qué, a la postre, fue propósito de Dios distinguir


entre lo curvo y lo recto y establecer la nobleza de lo curvo? ¿Por
qué, pues? Solamente porque era absolutamente necesario que el
Creador perfectísimo realizase la más bella obra, pues ni ahora ni
nunca se puede evitar que el mejor de los seres no produzca la más
bella dé las obras (como dice Cicerón 3 en su libro sobre el Universo
citando al Timeo de Platón). Pero, puesto que el Creador del mundo
preconcibió en su mente (hablando en términos humanos, pára que
lo entendamos como hombres que somos) una Idea 4 del mundo y
la Idea es primero que la cosa, y además, como se ha dicho, anterior
a: una cosa perfecta, será ella misma óptima en tanto que forma de
la obra futura; es evidente que Dios de ninguna otra cosa que de su
propia esencia pudo obtener la Idea para fundar el mundo con estas
leyes que en su bondad se prescribió a sí mismo, esencia que puede
ser considerada en dos aspectos cuán excelente y divina sea, primero
en sí misma en tanto que es üna en esencia y trina en personas, y
después comparándola con las cosas creadas.

Esta imagen, esta Idea es lo que quiso imprimir en el mundo, de


modo que éste resultase tan bueno y. hermoso como fuese suscepti­
ble de alcanzar; el Creador sapientísimo fundó el cuanto y concibió
lás cantidades, cuya esencia toda, por así decirlo, consistiría en la
doble distinción entre recto y curvo, de’ las cuales lo curvo nos
representa a la divinidad de las dos formas ya mencionadas; y tam­
poco se ha de pensar que estas características tan adecuadas para
representar a la divinidad hayan existido por mera casualidad y que
Dios no las haya tenido en su pensamiento y crease la cantidad
material por otras razones y con distinto propósito, y después apa­
reciese de modo espontáneo y cuasi fortuito el contraste entre recto
y curvo y esta'semejanza con Dios.
Por el contrario, es mucho más verosímil que, al principio de
todo, lo curvo y lo recto fuesen elegidos por Dios con un cierto
designio, el de exhibir en el mundo la divinidad del Creador, y que
las cantidades existieron para que estas cosas se dieran en la realidad
y que, para que la cantidad se diera en la realidad, la materia fue
creada al principio de todo.
Ahora veamos de qué manera el Creador Optimo ha utilizado
estas cantidades en la estructura del mundo, y qué es lo que más
verosímilmente, según nuestro entender, ha sido hecho por el Crea­
dor; y después tanibién buscaremos estas cosas tanto en las hipótesis
antiguas como en las nuevas y le adjudicaremos la palma a quien
resulte poseerlas.
A sí pues, ya Aristóteles5 argumentó ampliamente en favor de
que todo el mundo se halla clausurado dentro de la figura esférica,
extrayendo los argumentos de, entre otras cosas, lá nobleza de la
figura esférica; y con estos mismos argumentos también ahora la
última esfera 6 de Copérnico, la de las fijas carente de movimiento,
goza de esa misma figura y alberga al Sol como centro en su seno
más interno. Por otra parte, el movimiento circular de las estrellas
arguye que los demás orbes son redondos. Por lo mismo no hay
necesidad de ulterior prueba de que lo curvo ha sido empleado en
la arquitectura del mundo. Pero aunque nos encontramos con los
tres géneros de cantidades en el mundo, la figura, el número y la
extensión de los cuerpos, sin embargo, lo curvo sólo lo encontramos
en la figura. Pues no nay ninguna relación de extensión por el hecho
de que uno esté inscrito en otro semejante (una esfera en una esfera,
un círculo en un círculo) partiendo'del mismo centro tanto si es
tangente en todos los puntos como en ninguno; y lo esférico en sí
mismo, en tanto que es único y sólo en su género, sólo puede ser
sujeto a números ternarios. Pero si Dios sólo hubiese tenido en
cuenta lo curvo al crear, además del Sol en el centro, imagen del
Padre, y de la esfera de las fijas o de las aguas mosaicas7 en la cir­
cunferencia que sería imagen del Hijo, y del aura celeste que todo
lo llena o extensión y firmamento, que sería imagen del Espíritu,
además de esto, digo, nada existiría en este edificio del mundo. Aho­
ra bien, puesto que las fijas son innumerables y el catálogo de las
móviles no demasiado incierto y las magnitudes de los cielos desi­
guales para ambos, es preciso que busquemos las causas de todos
ellos a partir de la rectitud. Salvo que quizá pensemos que Dios ha
hecho en el mundo algo de modo casual, incluso hasta con buenas
razones para ello, cosa de la que nadie me convencerá ni aun siquiera
respecto a las fijas, pese a que su posición es la más desordenada de
todas y nos parezca fruto de una siembra al azar.
Pero vengamos a las cantidades rectas. Del mismo modo que la
superficie esférica se consideró antes por ser la más perfecta ae to­
das, ahora pasemos de un salto a los sólidos en tanto que cantidades
formadas perfectamente a partir de rectas y se hallan constituidas de
tres dimensiones, pues hay acuerdo en que la Idea de Universo es
perfecta. Pero desterremos (1) las líneas rectas y las superficies en
tanto que infinitas y por ende absolutamente incapaces ael orden de
este mundo finito, armonioso y bellísimo. Por otra parte, de los
cuerpos, cuyos géneros son infinitamente infinitos, seleccionemos
algunas cosas teniendo en cuenta determinadas características, por
ejemplo, los que tengan iguales lados o ángulos o caras de uno en
uno o alternos o combinados de algún modo constante, de modo
que de esta manera podamos llegar a algún número finito sobre la
base de algún buen razonamiento. Pero si algún grupo de cuerpos,
descrito mediante propiedades bien determinadas, quedando consti­
tuido dentro de especies finitas en número, se extendiese sin embar­
go hasta una gran multitud, propondríamos, si pudiésemos, a los
ángulos y centros de las caras de esos cuerpos como demostración
de la multitud (2), de la magnitud y de la situación de las fijas. Pero
si esta tarea es humanamente imposible, aplacemos entonces la in­
vestigación de la razón del número y de la posición de las fijas, hasta
que alguien nos las haya descrito una a una y nos diga cuántas son
ellas. Dejemos, pues, de lado las fijas y remitámonos solamente a
Aquel que cuenta la multitud de las estrellas y llama a cada una por
su nombre (Sal. 147), Artífice Sapientísimo, y volvamos nosotros
nuestros ojos a las cercanas, pocas y móviles.

Pero en fin, hasta que tengamos hecha la elección de los cuerpos


v eliminada la turbamulta de cuerpos mixtos, retengamos sólo aque­
llos cuyos planos todos sean equiláteros y equiángulos; y nos que­
darán estos cinco cuerpos regulares a los que los griegos dieron los
nombres de Cubo o Exaedro, Pirámide o Tetraedro, Dodecaedro,
Icosaedro, Octaedro. Y que no puede haber (*) más que estos cinco
véase en Euclides, libro 13, Escolio de la Prop. 18 (**).
Por tanto, al igual que el número de éstos es definido y muy
pequeño y las especies de los otros innumerables o infinitos, del
mismo modo fue adecuado que hubiese en el mundo dos clases de
estrellas, distinguidas entre sí por una diferencia evidente (cual es la
diferencia entre movimiento y reposo) de las cuales clases una es
aparentemente infinita, la de las fijas 8, la otra escasa, la de los pía-
netas. N o es este el momento de analizar las causas de por qué éstas
se muevan y aquéllas no. Pero supuesto que los planetas necesitan
del movimiento, se sigue (3) que para obtenerlo debieron recibir or­
bes redondos.
Tenemos orbes mediante el movimiento (4) y cuerpos sólidos
mediante número y magnitudes; nada falta sino sólo que digamos
con Platón 9 «Dios siempre geometriza» y en esta fábrica de móviles
inscribió a los cuerpos sólidos dentro de esferas y a las esferas dentro
de sólidos, hasta el punto de que ningún cuerpo sólido quedase sin
vestir por dentro y por fuera mediante orbes móviles. Pues, por las
Proposiciones 14, 15, 16 y 17 del libro 13 de Euclides, es evidente
que estos cuerpos son adecuados por naturaleza.para esta inscripción
y circunscripción. Por lo cual si se yuxtaponen los cinco cuerpos
separados y encerrados por orbes tendremos el número de seis orbes.
Pues si alguna época del mundo ha discutido sobre la disposición
del Universo de modo semejante a éste, situando seis orbes móviles
en torno al Sol, ciertamente nos legó una astronomía verdadera.
PRO PO SICIÓ N : Pero Copémico también propone seis esferas, y
dispuestas entre sí de dos en dos de tal manera proporcionada que
estos cinco cuerpos puedan interponerse entre ellas del modo más
adecuado: todo lo cual es la suma de lo que sigue. Por lo que ha de
prestársele tanta atención, hasta que o bien alguien proponga hipó­
tesis más adecuadas para estos problemas, o bien muestre que lo que
ha sido deducido mediante un buen razonamiento a partir de los
propios principios de la naturaleza, pudo llegar por mero azar a los
números y a la mente humana. Pues, qué se podría decir o imaginar
más admirable, más apto para persuadir que: aquello que Copémico
estableció por observación, a partir de los efectos, a posteriori, como
un ciego afirma sus pasos con el bastón (como solía decir Rhetico),
en una conjetura más afortunada que fiable, y hasta creyó que las
cosas eran así, todas estas cosas, digo, sean deducidas como perfec­
tamente establecidas mediante razones a p rio ri10, a partir de causas;
deducidas de la idea de creación.
Mas, si alguien quisiere eliminar estas razones filosóficas sin ar­
gumentos y sólo con una sonrisa, bajo el pretexto de que un hombre
nuevo como yo proponga al cabo de los siglos estas razones filosó­
ficas, mientras callan las antiguas lumbreras de la filosofía, le mos­
traré como guía, autoridad y precursor desde la remota Antigüedad a
Pitágoras11, muy citado en las escuelas, porque al haber visto la
importancia de los cinco cuerpos sólidos, con razones casi iguales
hace más de dos mil años a las mías de ahora, no pensó que era
indigno de la atención divina el tenerlo en cuenta y acomodar cosas
no matemáticas contempladas físicamente y bajo alguna propiedad
suya accidental a las cosas matemáticas. Equiparó, pues, la Tierra a
un Cubo (5), porque ambos son estables,. cosa que no se dice pro­
piamente del cubo. Atribuyó el Icosaedro 12 al cielo, porque ambos
son giratorios; la Pirámide, al fuego, por tener la forma de la llama;
y los otros dos cuerpos los distribuyó entre el aire y el agua, por la
semejanza con sus vecinos en la formación de uno y otro. Pero le
faltó un Copémico que le dijese primero qué es lo que hay en el
mundo; de no haberle faltado, no cabe duda de que hubiese hallado
la razón de por qué es así, y esta proporción de los cielos sería ahora
tan bien conocida como los propios cinco cuerpos sólidos, y tam­
bién tan aceptada como el actual transcurso del tiempo debilita la
opinión sobre el movimiento del Sol y el reposo de la Tierra.
Vamos al grano y veamos por fin si entre los orbes de Copémico
se dan estas proporciones de los cuerpos. Al principio consideremos
el asunto algo groseramente. Según Copémico, la máxima diferencia
de distancias se da entre Júpiter y Marte; como puede verse en la
explicación de las hipótesis —lám. I— y en los capítulos XIV y XV
siguientes. Pues la distancia desde Marte al Sol no alcanza a la tercera
parte de la distancia a Júpiter. Búsquese pues el cuerpo que produce
la mayor diferencia entre el orbe circunscrito y el orbe inscrito (6)
(permítasenos la «catacresis» de considerar a un cuerpo hueco como
sólido) y tal cuerpo es el Tetraedro o Pirámide. H ay pues una Pi­
rámide entre Marte y Júpiter. Tras éstos, la mayor diferencia en
distancias se da entre Júpiter y Saturno. Pues aquél sólo alcanza un
poco más de la mitad de la distancia de éste. Similar diferencia apa­
rece entre la esfera interior y exterior de un cubo. Por ende, Saturno
rodea a un Cubo y el Cubo rodea a Júpiter.
La proporción entre Venus y Mercurio es casi igual, y la que se
da entre las esferas de un Octaedro no es muy diferente. Por tanto
Venus rodea a este cuerpo y Mercurio queda dentro del mismo.
Las dos proporciones restantes, entre Venus y la Tierra y entre
ésta y Marte son muy pequeñas y casi ¡guales, es decir, la esfera
inferior es de tres cuartos o dos tercios de la exterior. En el Icosae­
dro y en el Dodecaedro también las distancias.entre los orbes son
¡guales y están en la proporción más pequeña entre sí con respecto
a los sólidos regulares. Por ello es probable que Marte gire en tomo
a la Tierra interponiendo entre ambos uno u otro de dichos sólidos,
mientras la Tierra se halla separada de Venus por el otro cuerpo.
Por lo cual, si alguien me preguntase por qué sólo hay seis esferas
móviles, respondería que porque no son precisas más que cinco pro­
porciones, que son el mismo número ae cuerpos regulares en las
Lámina III que muestra las magnitudes y distancias de los orbes planetarios mediante los cinco cuerpos geométricos
regulares.

Lámina principal del Mysterium Cosmographicum tal y como apareció en la segunda edición. (Véase la traducción de
las leyendas del original en pág. 256.)
matemáticas. Y seis superficies externas bastan para comprender este
número de proporciones 13.

Nota primitiva del autor al Capítulo I I 14

. [De página 95]


(*) No puede haber más que estos cinco. La nobleza de los sólidos de­
pende de la simplicidad y de la igualdad de distancia de los planos hasta el
centro de. la figura. Al igual que Dios es modelo y regla para las criaturas,
del mismo modo lo es la esfera para los sólidos. Y ésta tiene las propiedades
siguientes: 1. Es simplicísima, porque se clausura con una sola superficie,
esto es con ella misma. 2. Todos sus puntos distan absolutamente igual del
centro. Por ello de entre los sólidos, los regulares se aproximan más a la
perfección de la esfera. Su definición es ésta: 1) todos sus lados, 2) todas
sus caras y 3) sus ángulos son respectivamente iguales tanto en especie como
en magnitud, cosa propia de la simplicidad; y dada esta definición se sigue
además que 4) todos los centros de las caras distan igual del centro, 5) que
si se inscribe en un globo todos los vértices sean tangentes de la superficie,
6) que todos ellos se hallen situados en ella, 7) que todos los centros de fes
caras sean tangentes a un globo inscrito en el sólido, 8) que el globo ins­
crito, en consecuencia, se halle fijo e inmóvil, 9) y que tenga el mismo
centro que el sólido. Con todas estas cosas se produce otra semejanza con
la esfera consiguiente en que resulta la igualdad de distancias entre caras:
[De la misma página]
(**) (7) Pues el mencionado Escolio dice así: digo que aparte de las
cinco figuras dichas no se puede construir otra figura sólida encerrada por
planos equiláteros y equiángulos, iguales entre sí. No puede construirse un
sólido de dos triángulos, ni de otras dos figuras cualesquiera.
Pero de tres triángulos consta la Pirámide.
De cuatro el Octaedro.
De. cinco el Icosaedro.
Pues con seis triángulos equiláteros y equiángulos concurrentes en un
punto no se puede obtener un ángulo sólido. Puesto que el ángulo de un
triángulo equilátero contiene dos tercios de un recto, seis ángiilos de esta
clase serán iguales a cuatro rectos. Cosa que no puede hacerse. Pues todo
ángulo sólido se halla formado por ángulos en total menores que cuatro
rectos, por el libro XI, 21.
Por las mismas razones tampoco puede formarse un ángulo sólido por
más de seis ángulos planos de este tipo.
Pero el ángulo del Cubo está formado por tres cuadrados.
Con cuatro no se puede construir. Pues, claramente, serían cuatro rectos.
Sin embargo, el vértice de un dodecaedro está comprendido entre tres
pentágonos equiláteros y equiángulos. Pero con cuatro no se puede formar
un ángulo sólido. Toda vez que el ángulo de un pentágono contiene un recto
más un quinto de recto, cuatro serán mayores que cuatro rectos. Lo que no
puede ser. Y, claro es, tampoco puede formarse un ángulo sólido con otros
polígonos, porque también de ello se seguiría un absurdo. Por consiguiente,
es evidente que, aparte de los cinco sólidos mencionados, no es posible
construir ninguna otra figura sólida contenida dentro de caras equiláteras y
equiángulas.

T NÚM . NÚM . NÚM . E SFE R A


S Ó L ID O CARAS
CARA S ARISTAS V É R TIC ES IN S C R IT A

Cubo I Cuadrados 6 12 8 Media


Octaedro E Triángulos 8 12 6 Igual al cubo
Dodecaedro N Pentágonos 12 30 20 Máxima
Icosaedro E Triángulos 20 30 12 Igual al dodecaedro
Tetraedro N Triángulos 4 6 4 Mínima

Notas del autor al Capítulo II

(1) Las líneas rectas y las superficies. ¡Qué error! ¿Las arrojaremos del
mundo?, y además, por su propio fuero las readmití en el Harmonice. ¿Por
qué, pues, las íbamos a arrojar? ¿Quizá porque son infinitas y así escasamente
susceptibles de orden? Pero no eran tanto ellas mismas, cuanto mi ignoran­
cia de entonces, que compartía con la mayor parte, lo que me hacía incapaz
de atribuirles algún orden. Así, en el libro I de Harmonice no sólo expuse un
cierto principio de elección entre estos infinitos, sino que también puse de
manifiesto el más hermoso orden entre ellos. Pues, ¿por qué habríamos de
eliminar las líneas del arquetipo del universo, siendo así que Dios las incluyó
en la obra misma, esto es, los movimientos de los planetas? Hay que corre­
gir, pues, la expresión y retener la idea. Al establecer el número de los
sólidos, la amplitud de las esferas, las líneas inicialmente deben ser elimina­
das; pero al exponer los movimientos que se realizan mediante líneas, no
despreciemos las líneas y las superficies que vienen a ser el único origen de
las proporciones armónicas.
(2) Demostración de... las fijas. Hay una gran diferencia, atendiendo a
los nombres, entre fijas y móviles. ¿Por qué no iba a haber también alguna
diferencia en la disposición de unas y otras? ¿Quién comprendería la belleza
del orden si no conociese a la vez la desordenada multitud de las fijas?
¿Quién aprendería astronomía si hubiese una perfecta semejanza entre los
esquemas o constelaciones? Hay una disposición apropiada tanto para las
formas como para la materia. Que haya, pues, -para la materia una disposi­
ción apropiada y bella que se realice tanto mediante la infinitud de la masa
y de la multitud, como mediante la variedad no sólo del lugar sino también
de la magnitud y de la luminosidad.
(3) Para obtenerlo debieron recibir orbes redondos. No aquellos orbes
sólidos (aquí fui mal comprendido por Tycho Brahe), sino espacios que son,
además, completamente circulares, de tal modo que los giros de las estrellas
puedan regresar al mismo punto y ser perpetuos; hacia el polo son casi
circulares, es decir, sus superficies son esféricas considerando el movimiento
de las latitudes; pero no que tuvieran necesidad de polos para permanecer
fijas como si se tratara de esferas materiales.
(4) Y cuerpos sólidos mediante número. Entiéndase por «cuerpos» los
cinco sólidos geométricos regulares; ellos como arquetipos, y las esferas
como la obra a hacer.
(5)' Equiparó, pues, la Tierra a un Cubo. Vide el libro I de Harmonice,
pág. 4 del Prefacio, libro II, Prop. 25 y libro V, cap. I; y también Epitome,
libro IV, pág. 456.
(6) Permítasenos la «catacresis». Por cierto, o bien lo esférico es consi­
derado entre los sólidos, a lo que llamamos globo, o bien estos cuerpos no
merecen ser llamados sólidos, ni habría que extraer argumentos de la soli­
dez, esto es, de la perfección de las tres dimensiones para con ellos resaltar
la perfección de las órbitas. Pues las propias órbitas (o espacios) son huecas,
y estas figuras son nobles por esto, porque imitan muy cercanamente a la
perfección de la esfera en la completa clausura del espacio que ellos encie­
r r a n . Pero la solidez, tanto en el globo como en estas figuras, es la idea
genuina de la materia, de igual manera que la superficie lo es de la forma.
(7) El mencionado Escolio. Esto es, la mitad del libro II de mi Harmo­
nice, sobre la congruencia de los planos en una figura sólida.
QUE ESTOS CINCO CUERPOS
SE CLASIFICAN EN DOS TIPOS;
Y QUE LA TIERRA HA SIDO
UBICADA CORRECTAMENTE

A sí pues, que los seis orbes de Copérnico admitan dentro de las


distancias que median entre ellos a estos cinco cuerpos, podría pa­
recer casual y carente de razón alguna, a no ser que entre ellos se
diese'este mismo orden que yo he intercalado entre cada uno. Pues
si Saturno estuviese tan cerca de Júpiter como Venus lo está de la
Tierra, o, al contrario, si Venus y la Tierra, según Copémico, tu­
viesen la misma distancia que la que existe entre Júpiter y Marte,
habría que haber utilizado otra disposición para intercalar los cuer­
pos. Pues en tal caso entre las dos primeras esferas se hallaría en
primer lugar el Dodecaedro o el Icosaedro, mientras el Tetraedro
estaría en cuarto lugar. Puesto que esta disposición no podría ser
admitida como matemáticamente razonable, sería muy fácil mostrar
la inconsistencia del teorema propuesto. Examinemos, pues, noso­
tros ahora las razones que demuestran que los cuerpos habrían de
estar dispuestos entre los orbes según el orden susodicho. Primero
estos cuerpos se dividen en tres primarios, Cubo, Tetraedro, Dode­
caedro, y dos secundarios, Octaedro e Icosaedro. Que esta distin­
ción es completamente adecuada,- véase por las propiedades de una
y-otra clase: 1) Los primarios se distinguen entre ellos por el plano
de sus caras; los secundarios lo tienen triangular. 2) Cada uno de
los primarios tiene su propio plano: el Cubo el cuadrado, la Pirá­
mide el triángulo, el Dodecaedro el pentágono; los secundarios par­
todos del triángulo de la Pirámide. 3) Los primarios utilizan
tic ip a n
tojos un vértice simple, es decir, comprendido entre tres planos; los
secundarios utilizan cuatro o cinco planos para un ángulo sólido.
4) Los primarios no deben su origen ni sus propiedades a ningún
otro; los secundarios tienen la mayor parte a partir de los primarios
mediante algún cambio y como generados desde ellos. 5) Los pri­
marios no pueden moverse armónicamente salvo en torno a un diá­
metro que pase por el centro de una de las caras o el centro de caras
opuestas; los secundarios, en cambio, sobre un diámetro que pase
por vértices opuestos. 6) Es propiedad de los primeros el sostenerse
estables; de los secundarios, el ser inestables. Pues si se apoyan éstos
sobre una base o aquéllos sobre un vértice, en ambos casos la vista
rechaza la fealdad de la apariencia de ambos. 7) Añádase, finalmen­
te, que los primarios son en número perfecto de tres, los secundarios
en número imperfecto de dos, y que los primarios tienen todas las
clases de ángulos, el Cubo el recto, la Pirámide el agudo, el Dode­
caedro el obtuso; mientras que los otros dos sólo tienen el obtuso.
Por lo demás el ángulo del Octaedro participa de las tres especies,
en la unión de las caras es obtuso, entre dos lados concurrentes
opuestos es recto, mientras que el propio ángulo sólido es agudo.
Habida cuenta de la distinción manifiesta entre los cuerpos, nada
pudo ocurrir más adecuado que el hecho de que fuese nuestra Tierra,
suma y compendio del mundo entero y la más digna de las estrellas
móviles, la que separase con su orbe a los mencionados órdenes y
ocupase el lugar aquel que le hemos atribuido más arriba.
¿POR QUÉ RODEAN A LA TIERRA
TRES CUERPOS MIENTRAS ELLA RODEA
A LOS OTROS DOS?

Permíteme ahora, amable lector, que en un asunto serio bromée


un poco y me permita alguna alegoría. En efecto, creo que del amor
de Dios por los hombres se puede deducir la causa de la mayor parte
de las cosas de este mundo. Ciertamente nadie negará que Dios naya
tenido presente continuamente al futuro habitante a la hora de or­
denar el domicilio mundano. Pues el hombre es el fin del mundo y
de toda creación. En consecuencia yo pienso que la Tierra, en tanto
que debía ^dar y proveer la verdadera imagen del Creador, fue juz­
gada por Él digna de circular por en medio de los planetas de modo
que tuviera dentro del ámbito de su órbita tantos como fuera de
ella. Para lograr esto Dios añadió el Sol a los otros cinco astros,
aunque sea él distinto en todo. Y esto parece tanto más apropiado
cuanto que, el Sol arriba siendo la Imagen del Padre, nos resulta
creíble que mediante esta asociación con el resto de los astros, habría
que ofrecer al futuro habitante del mundo argumentos en favor de
la «filantropía» y de la «compasión» 1 que Dios habría de tener con
los hombres, hasta el punto de entregarse El mismo a una familia­
ridad personal. Pues en el Antiguo Testamento con frecuencia apa­
rece entre el número de los hombres y quiso ser llamado el amigo
de Abraham, tal y como vemos al Sol venir a ser uno del número
de los astros móviles. Pero al rodear la Tierra al Sol, supuesto lo
dicho, era preciso encerrar dentro de la órbita terrestre un orden de
cuerpos que al menos constase de dos, esto es, de modo que los dos
móviles junto con el Sol inmóvil completasen el número de tres, que
es el número de los exteriores al orbe de la Tierra: así es como el
Creador Optimo colocó nuestra casa en medio de los siete planetas,
toda vez que la Luna además rodea a la Tierra. Pues si el orden de
los otros tres se hubiese juntado al Sol, entonces habría dentro de
la órbita de la Tierra cuatro estrellas, incluido el Sol, mientras sólo
dos fuera de ella. Dado que esta «anomalía» carece de razón, fue
evitada por el Creador; y como también ser continente es propio de
lo más perfecto, en tanto que es acción, mientras que ser contenido,
en tanto que pasivo, es propio de lo más imperfecto y, por otra
parte, los cuerpos primarios son más perfectos que los otros, fue
conveniente que el orden de los tres contuviese a la Tierra y que el
resto se hallase contenido dentro de la órbita terrestre. Y de este
modo tenemos de paso la causa de que por el exterior de la órbita
terrestre se muevan tres planetas y dos por el interior; cosa que si
no convence por completo al lector, piense que esto es un honor,
pero no la razón principal. Pues aunque desconociésemos la causa
por la que circulan tres estrellas por encima de la Tierra (o del Sol
para Ptolomeo), sin embargo, lo que sigue concordaría con lo ante­
rior, pues tenemos constancia del hecho. Y nadie ha dudado jamás
de que Saturno, Júpiter y Marte sean superiores. Mantengamos, pues,
sólo esto: dado que para Copémico son tres los planetas superiores
a la Tierra, será preciso que coloquemos al grupo de los tres sólidos
primarios, el Cubo, la Pirámide, el Dodecaedro, fuera de la órbita
terrestre, y al Octaedro y al Icosaedro dentro de ella, si pretendemos
alcanzar la palma en este asunto.
QUE EL CUBO ES ,
EL PRIMERO DE LOS SOLIDOS
Y ENTRE LOS PLANETAS MAS ALEJADOS

Vayamos ahora a los tres primarios y atribuyamos a cada uno su


espacio propio. Pero el Cubo, por cierto, debía estar próximo a las
fijas y establecer la primera proporción, la que existe entre los orbes
de Saturno y Júpiter, porque la parte más digna del mundo exterior
a la Tierra son lás fijas: como en el círculo, después del centro, lo
más digno es la circunferencia; pero el Cubo es el primer sólido en
su orden: 1) porque es el único que es generado por su base, mien­
tras que los cuatro restantes no se generan por sus caras, sino, que
o son secciones del Cubo, como la Pirámide (resultado de seccionar
el Cubo en cuatro pirámides rectangulares), o de la agregación, como
en el caso del Dodecaedro, resultante de la conjunción de seis pen­
taedros. 2) Es el único que puede ser resuelto en figuras cúbicas
homogéneas sin prisma residual. 3) Es el único que se halla orien­
tado en todas direcciones y se expande en las tres dimensiones per­
pendicularmente. Pues las caras ele los otros son oblicuas entre sí, y
por otra parte, cuando dos de ellos se cruzan en ángulo recto no lo
logran en la tercera dirección. 4) De aquí viene que sea el único que
tiene tantas caras como términos tiene la dimensión ternaria, a saber,
seis, y doble número de aristas, a saber, doce. 5) Es el único que
tiene ángulos iguales, esto es, rectos por todas panes. Mientras que
en la Pirámide la regla que vale para los planos medios no funciona
si la haces girar sobre un ángulo; y los ángulos sólidos no se atienen
a la norma que rige para los ángulos comprendidos entre caras. 6) De
aquí que a él sólo le corresponda lo que cita Simplicio 1 (del Motio-
biblos de Ptolomeo) en su comentario al De Cáelo de Aristóteles,
cap. 1 del libro I, sobre la causa de la perfección del número tres, a
saber, que no más que tres líneas rectas perpendiculares entre sí
pueden concurrir en un punto para dividir un ángulo sólido en án­
gulos rectos. 7) Es el más simple de todos los sólidos rectilíneos.
Pues, pese a que se dispute con respecto a la Pirámide, sin embargo
fácilmente se resuelve por el hecho de que el Cubo es la medida de
la Pirámide, y se acepta que la medida es anterior. Pero la medida
no es sólo por decisión de los hombres que, al querer medir cual­
quier sólido, conciben en la mente su magnitud dividida en peque­
ños cubos, sino, sobre todo, por su naturaleza. Pues un ángulo recto
es igual a otro cualquiera con el que coincida en un plano. Es siem­
pre, por tanto, igual a sí mismo y por lo propio, uno; mientras que
el resto son infinitos en ambas direcciones. Pero la medida debe ser
una y la misma y además finita. 8) De aquí (1) que la inscripción
del ángulo recto en el círculo sea tan fecunda, puesto que, sin su
intervención, ni el triángulo, ni el pentágono, ni ninguna otra de sus
figuras derivadas pueden inscribirse. 9) Y tampoco se ha de olvidar
que la sabia naturaleza adjudicó de modo perfecto estas mismas seis
«direcciones» al animal más perfecto:- clara señal de la estima en que
tiene a este cuerpo. Pues el mismo hombre ciertamente es casi un
Cubo en el que se encuentran, por así decirlo, seis direcciones: alto,
bajo, delante, detrás, derecha e izquierda.
QUÉ LA PIRÁMIDE ESTÁ
ENTRE JÚPITER Y MARTE

Nadie se extrañará ahora de que tras el Cubo venga la Pirámide,


puesto que: 1) casi se atrevió a competir por la primacía con el
Cubo. 2) Además, o bien ella misma o sus «homólogos» irregulares
concurren en la formación de los demás sólidos. Pues en la compo­
sición del Icosaedro concurren 20 pirámides, algo más pequeñas que
los tetraedros; y son ocho para el Octaedro, aún más pequeñas. El
Dodecaedro, pese a contener un cuadrado oculto, ha de descompo­
nerse al fin en pirámides. 3) Y no debe pasarse por alto tampoco
que el tetraedro puede descomponerse en cuatro pirámides perfectas
y un octaedro de caras la mitad más pequeñas. 4) Al igual que en
el plano todas las figuras poligonales se resuelven en triángulos, de
igual modo los demás sólidos han de resolverse, para su medida, en
pirámides que luego medimos mediante cubos, al igual que medimos,
los triángulos mediante cuadrados. Es pues la medida de todos los
demás y, de todos ellos, la más fácil de medir mediante el cubo.
5) De aquí que muchas de sus líneas, al igual que las del cubo, se
cuantifiquen tan fácilmente en razón de la diagonal, si bien sea siem­
pre mediante números cuadrados. 6) Además, la regularidad de la
Pirámide depende sólo de sus lados, mientras que la regularidad del
Cubo depende también de sus ángulos. Y así, sólo hay una entre las
pirámides equiláteras, mientras que en el «hexaedro», aunque conste
de caras iguales, hay una infinita variedad de ángulos. Por esta ra­

no
zón, y de no haber otros argumentos, dejo en duda si no habría que
anteponerla al Cubo o posponerla. 7) Los hombres, imitando esta
sabiduría de la naturaleza, construyen primero los materiales en per­
pendicular y después los juntan en ángulos rectos y más tarde los
aseguran y estabilizan con triángulos. 8) Además, al tener la Pirá­
mide el ángulo agudo, es anterior a los obtusángulos. Pues lo que
tiene medida exacta es siempre anterior en orden; esto siempre pa­
rece seguido de lo menos exacto, porque no sólo parece distar más
de la infinitud, en tanto que más exacto, sino que también es más
simple. Pues el obtusángulo parece en cierto modo un compuesto
de recto y agudo. N o hay pues que extrañarse de que el corto nú­
mero de ángulos de la base, e incluso de las bases mismas del Te­
traedro no atenten contra el Cubo. Pues el número de ángulos y de
bases se sigue necesariamente de la especie de ángulo elegida. Por lo
cual, si el ángulo recto es anterior al agudo, también el «hexaedro»
es anterior al Tetraedro, y los cuerpos tetragonales, anteriores a los
trigonales. 9) Y esto también puede inferirse del hecho de que lo
perfecto es siempre primero, después viene aquello que lo es por
defecto y al final lo que lo es por exceso. Pero toda vez que el
número seis de caras es un número perfecto, se sigue que la Pirámi­
de, que tiene menos caras, no debe ciertamente anteponerse al Cubo,
sino posponerse inmediatamente a él.
Tenemos la razón de que entre Júpiter y Marte, en segundo lu­
gar, se encuentre la Pirámide. Anteriormente habíamos dejado en
suspenso qué cuerpo habría de ir en tercer lugar, entre Marte y la
Tierra. Ahora eso se infiere con toda facilidad. Dado que de los
cuerpos primarios sólo queda el Dodecaedro, éste será el tercero en
orden, entre Marte y la Tierra; y será fácil mostrar qué es lo que
debemos pensar sobre sus propiedades, si lo comparamos con los
anteriores.
SOBRE EL ORDEN Y PROPIEDADES
DE LOS SÓLIDOS SECUNDARIOS

Por lo que atañe a los sólidos secundarios, dado que el Octaedro


es anterior al Icosaedro, alguien podría extrañarse de que sea ante­
rior en eLmundo aquello que es posterior en el orden ae la natura­
leza. Puesto que Marte con la Tierra ha obtenido el Dodecaedro, se
sigue de lo dicho que entre la Tierra y Venus se interpone el Ico­
saedro. Y hay pruebas múltiples de que el Octaedro precede al Ico­
saedro. Primeramente el Octaedro nace (no en sentido directo, sino
como si naciera) del Cubo y la Pirámide, que son los primeros en
su orden; de los cuales toma, de aquél el número de lados y de ésta
la base triangular. En cambio, el Icosaedro nace de la Pirámide y
del Dodecaedro, que son los últimos en su orden. Pues, además,
toma de aquélla la base triangular y de éste el número de lados. 2) Si
observas al Octaedro y al Icosaedro por sus vértices, aquél presenta
la base cuadrada del Cubo, éste la base pentagonal del Dodecaedro.
3) El Octaedro tiene una altura igual a la del Cubo, como veremos,
y el Icosaedro a la del Dodecaedro. 4) El Octaedro con el Cubo y
el Icosaedro con el Dodecaedro permutan el número de bases y de
ángulos. Pues las bases del Cubo y los ángulos del Octaedro son
seis, mientras que los ángulos del Icosaedro y las bases del Dode­
caedro son ocho. Igualmente, las bases del Dodecaedro y los ángulos
del Icosaedro son doce en cada caso, y a la inversa, los ángulos del
Dodecaedro y las bases del Icosaedro son veinte. 5) El Octaedro
¡mita al ángulo recto del Cubo, el Icosaedro al obtuso del Dodecae­
dro. De lo que se sigue que el Octaedro es cabeza de su orden, como
el Cubo es príncipe de los sólidos primarios.
QUE EL OCTAEDRO ESTÁ
ENTRE VENUS Y MERCURIO

Pero lo que, por lo dicho, debe seguir inmediatamente al Dode­


caedro en el mundo, no sigue. 1) Puesto que en realidad hay dos
órdenes distintos, también pueden sus dos cabeceras dirigirse hacia
regiones diferentes del mundo. 2) Y además, ya que el Cubo se
acerca a la dignísima región del mundo extraterrestre, a saber, a la
circunferencia o a las fijas, justo era que la cabecera del otro orden
se aproximase al lugar más digno del mundo de dentro del orbe
terrestre. Y nada más digno que el centro y el Sol. 3) Porque si
consideramos como una la disposición de ambos órdenes, ¿qué po­
dría resultar más elegante que el hallarse clausurado por ambos lados
por los cuerpos primeros y semejantes? 4) También resulta más her­
moso que los cuerpos de muchas caras se sigan uno a otro en el
centro y que de la pluralidad de bases se pase poco a poco en ambas
direcciones hacia un menor número de ellas, si nada lo impide, que
si a un cuerpo de muchas bases le siguiese otro de pocas y después
de repente sucediese otro de muchas más que las de los otros. 5) Pero
dado que el Dodecaedro era el último de su orden, era conveniente
que le sucediera su semejante del otro orden. 6) Esto también afecta
a la dignidad de la Tierra, el que se halle igualmente clausurada por
ambos lados, tanto como fuera posible. Y puesto que ya ocurría que
por fuera se-hallaba rodeada de un cuerpo de caras múltiples, justo
era que por dentro fuese también clausurado por un cuerpo de caras
múltiples. Por consiguiente estos dos órdenes de los cinco cuerpos
fueron reducidos a uno por el Sapientísimo Creador de tal manera
que vuelven sus talones mutuamente hacia la Tierra, que viene a ser
su muro de separación, mientras que dirigen sus cabeceras hacia
opuestas regiones del mundo.

Notas del au tor a los capítulos DI, IV, V, VI, VII y VIH

Otras muchas distinciones, y éstas más ampliamente expuestas, encon­


trarás en el libro IV del Epítome, y algunas relativas a su origen y combi­
nación en el libro V de Harmonice, cap. 1. También en este libro, más abajo,
en el cap. 13.

Nota del autor al capítulo V

(1) De aquí que... en el círculo. Es decir, de la aptitud del ángulo recto,


y porque todo ángulo que comprende un semicírculo es recto.
DISTRIBUCIÓN DE SÓLIDOS
ENTRE LOS PLANETAS;
ATRIBUCIÓN'DE PROPIEDADES;
DEMOSTRACIÓN DEL PARENTESCO
MUTUO ENTRE LOS PLANETAS
A PARTIR DE LOS SÓLIDOS

N o puedo evitar aquí el entresacar algunas cosas de aquella parte


de la física 1 que trata de las propiedades de los planetas, para mos­
trar que sus fuerzas naturales guardan también este orden y retienen
entre ellos esta proporción. Pues si pones en relación a los planetas
que rodean la Tierra con los sólidos que contienen y que se hallan
inscritos en ellos, mientras por otra parte comparas a los planetas
incluidos dentro de la órbita de la Tierra con los sólidos que rodean
a cada uno, cosa que creo puede hacerse sobre buenas razones, Sa­
turno tendrá al Cubo, Júpiter a la Pirámide, Marte al Dodecaedro,
el Icosaedro a Venus, el Octaedro a Mercurio. La Tierra, sin emr
bargo, al no ser más que un límite, no se compara con ninguno.
También los astrólogos interponen una gran distancia entre el Sol y
la Luna y los otros cinco planetas, de modo que aquí no es preciso
tenerlos en cuenta, y más cuando el número de los sólidos concuerda
tan perfectamente con los cinco planetas.
Pero siendo Júpiter benéfico (1) en medio de los maléficos 2 ha
producido perplejidad a muchos y hasta estimuló a Ptolomeo a in­
vestigar las causas. N osotros vemos algo similar en el caso de la
Pirámide, que, situada entre dos sólidos en parte emparentados con
ella y en parte discordantes con ella, hasta tal punto discrepa de
ambos que en los razonamientos anteriores a punto estuvo de perder
su lugar. Cualquiera de los tres planetas superiores produce (2) odio
y hostilidad para los otros. De igual modo entre sus tres sólidos
absolutamente ninguna propiedad visible resultá concordante. Sin
embargo, Marte sólo colabora con Saturno en maldad. A esto yo
asimilo la variación de los ángulos, propia de cada uno, y que es
común a ambos. Por consiguiente lo contrario, a saber, la estabilidad
de los ángulos entre los lados solos, será un argumento en favor de
la bondad. Argumento de por qué Júpiter, Venus y Mercurio son
benéficos. El Cubo, sólido de Saturno, es la medida de todo lo
demás por su rectitud, y el propio planeta produce medidas, y sien­
do rígido de carácter, es guardián de lo recto, sin conceder ni lo
ancho de una uña, inexorable, inflexible. Así se comporta la rectitud
del ángulo.
H ay una evidente hermandad en las bases de la que al participar
Júpiter, Venus, Mercurio (nombro a los planetas en lugar de los
sólidos) tenemos la causa de su amistad, como antes. Pues la esta­
bilidad, ante todo, se halla en el triángulo.
Un segundo grado es: el plano que contiene un ángulo o umbí-
lico. N o nos extrañe, pues, que algo delicado se esconda en el fiero
y fogoso Marte, por cuya causa la dulce Venus desengañada del
marido llegase a seducir a Marte. Pues el pentágono de Marte se
halla en Venus. De igual modo el cuadrado de Saturno en Mercurio
asimila las mismas costumbres para ambos. El tercer grado es: cuan­
do lo mismo de uno es o aparece en dos: entonces coincide con el
amigo por esas causas comunes. Por tanto en las cosas jupiterinas
Venus concuerda con Mercurio, porque participan con Júpiter de
una base común. En las cosas saturnianas Mercurio concuerda un
tanto con Marte, porque en aquél se da el cuadrado de Saturno y
en éste un cubo encubierto. También se ve aquí por qué no existe
ningún parentesco entre Venus y Saturno, y cuáles son los más fuer­
tes, y por qué el carácter versátil de Mercurio se extiende a todos
los cuatro, pero mínimamente a Marte.
También Saturno es solitario, y amante de la soledad, claramente
porque la rectitud de su ángulo no admite ninguna desigualdad, por
pequeña que sea, en virtud de la cual pudiera resultar múltiple. Jú ­
piter, por el contrario, fruto de un ángulo de entre la infinita varie­
dad de los agudos, resulta así más sociable, aunque moderadamente
y con mesura. Y es por ello el causante de las más honrosas amis­
tades. Y también Marte y Venus son ellos mismos sociables, pero
en demasía. Pues su ángulo obtuso y pródigo significa intemperan­
cia. Mercurio en razón de su ángulo es de la naturaleza de Saturno
y Júpiter. Los hombres de letras aman, en efecto, la soledad, pero
sin embargo no son misántropos. Gustan de aquellos que cultivan
los mismos estudios, y practican la elegancia en las conversaciones,
más que Júpiter, cuya entera actividad se realiza en las asambleas de
los hombres y entre los purpurados.
Júpiter y Venus son fecundos. Obviamente porque Júpiter toma
parte en la composición de casi todos; Venus porque es como una
arborescencia de Júpiter, toda vez que una Venus sola contiene en
sí a veinte Júpiteres minúsculos. En cambio Júpiter es más ecuánime
para los machos mientras Venus lo es para las féminas, por lo que
aquél se denomina macho y éste fémina. La Pirámide es, pues, activa
y el Icosaedro es el efecto o la descendencia. De estos mismos prin­
cipios se puede inferir un tanto la causa de que Mercurio tenga un
sexo ambiguo y de que .sea de fecundidad mediocre.
La tranquilidad y constancia de carácter depende de la parquedad
del número de planos, primero en el caso de Júpiter, después en el
de Saturno y por fin en el de Mercurio; en cambio la inconstancia
y ligereza de Venus y Marte depende de la multitud de los mismos.
La fémina siempre es variable e inconstante 3. Y la figura de Venus
es la más variable y móvil de todas. Y puesto que se trata de grados,
de aquí que Mercurio, que se halla en medio, tenga un carácter
intermedio.
El talante versátil y rápido de Mercurio tiene que ver con la
movilidad del Octaedro. Pues si lo haces girar sobre dos vértices,
cuatro lados sucesivos describen una trayectoria directa por el medio
de la figura. Pero si haces girar otras figuras cualesquiera verás pasar
por el medio a los lados inclinados o atravesados.
Marte produce pocas caras con muchos lados, mientras Venus
produce más caras con los mismos lados; en cambio los muchos
intentos de M ane son vanos, pero Venus, igual a él en número de
intentos, tiene sin embargo mejor fortuna. Y esto no debe extrañar.
Pues resulta más fácil iniciar danzas que guerras, y justo es que el
amor alcance su meta más rápidamente que el odio, por cuanto éste
mata a los hombres y aquél los engendra. Por la misma razón Mer­
curio es más benéfico que Saturno.
Aunque este capítulo no es más que un juego astrológico, y ni siquiera
debe formar parte de la obra, y sólo como una disgresión, sin embargo
compárelo el lector con los argumentos de Ptolomeo, tanto en el Tetrabi-
blos 4 como en Harmónica; verá que nuestras razones no resultan inferiores
a las de Ptolomeo, y acaso hasta mejores.

(1) En medio de los maléficos. Estoy hablando como los astrólogos. Pues
si dijera lo que yo pienso, nada de cuanto hay en el cielo me parece maléfico,
y esto, entre otras razones, concretamente porque es la naturaleza humana
misma actuando en esta tierra la que de las radiaciones de los planetas pro­
duce un efecto sobre sí, tal como hace el oído, dotado de la facultad de
distinguir la concordancia de sonidos, que produce la fuerza de la música
de manera que incita al oyente a danzar. Sobre esto he tratado ampliamente
en mi Respuesta a las Objeciones del Doctor Róslin5 contra mi libro sobre
la nueva estrella, y en otros muchos sitios, y también en el libro IV de mi
Harmonice, sobre todo en el cap. VII.
(2) Produce odio y hostilidad. Entendiendo esto de modo alegórico, pue­
de sostenerse como argumentos físicos: así, si por el vocablo «odio» se
entiende una diferencia cualquiera de lugar, movimiento, luz, color. Vea el
lector el último capítulo del Harmónica de Ptolomeo y, cuando salgan, las
notas que he hecho al mismo, sobre todo mi última investigación sobre los
excesos y defectos mutuos de Saturno y Marte y de la medianidad de Júpiter.
(1) SOBRE EL ORIGEN
DE LOS NÚMEROS NOBLES

Sería inacabable seguir con los detalles, aunque no sea estéril para
el astrólogo investigar esto más ampliamente. Pero ahora veamos la
aritmética de los astrónomos y sus números sagrados 6,12, 60. Aho­
ra bien, con la excepción del cuadrante y del sextante, esto es, del
15 y del 10, todos los submúltiplos de sesenta se encuentran en estos
cinco cuerpos. (2) Viceversa, con la sola excepción de los ángulos
planos del Octaedro y del Cubo, de los que cada uno de ellos tiene
24. Todos los demás elementos numerables son submúltiplos de se­
senta; lo que me lleva a creer que difícilmente podría asignarse con
más justeza a un número una realidad natural, ni siquiera por Pitá-
goras, que la justeza con que este número se asigna a los cinco
sólidos susodichos *.
Uno es el Cubo, Una la Pirámide, Uno el Dodecaedro, Uno el
Icosaedro, Uno el Octaedro, Uno solitario y sin réplica.
D os son los cuerpos secundarios; D os los órdenes de los cuer­
pos; Dobles siempre las cosas semejantes una a otra; D os las tales
semejanzas.
Tres los ángulos de las bases en la Pirámide, el Icosaedro, el
Octaedro, porque son bases trilaterales. Tres los sólidos primarios.
Tres las clases de ángulos.
Cuatro los ángulos y los lados de la base del Cubo. Cuatro los
ángulos sólidos de la Pirámide. Cuatro sus bases.
Cinco los sólidos. Cinco los ángulos y los lados de la base del
Dodecaedro.
Seis los vértices del Octaedro. Seis las aristas de la Pirámide. Seis
las bases del Cubo. Hermoso número.
Ocho las bases del Octaedro. Ocho los vértices del Cubo.
Doce las bases del Dodecaedro. Doce las aristas del Octaedro.
Y también las del Cubo. Doce los vértices del Icosaedro. Doce los
ángulos planos de la Pirámide.
He aquí que este número se halla en todos los cinco.
Veinte las bases del Icosaedro. Veinte los vértices del Dodecaedro.
Veinticuatro los ángulos planos del Octaedro y del Cubo. Este
es un número ajeno, pero si gran importancia, y no completamente
ajeno, pues resulta de dos veces 12, tres veces 8, cuatro veces 6,
todos los cuales se hallan en 60.
Treinta son las aristas del Icosaedro y del Dodecaedro.
Sesenta son los ángulos planos del Dodecaedro y del Icosaedro.
Nada más que esto hay numerable, salvo que se quieran obtener
las sumas de todas las aristas y ángulos, cosa’ que no viene a cuento.
Se obtendría que los ángulos de las bases determinantes son 18. Las
caras 50. También los vértices; los lados 90. Los ángulos planos 180.
Todos números emparentados.

Notas del autor al capítulo X


(1) Sobre el origen de los números nobles. Como se ha dicho más arriba,
toda la nobleza de los números (que sobre todo es admirada en la teología
pitagórica y relacionada con las cosas divinas) procede primordialmente de
la Geometría. Pero dado que tiene muchas partes, estos cinco sólidos no
son en verdad la primera ni la única causa de la dicha nobleza, sino que son
muchas las que concurren en un mismo número. El primer origen de la
disposición de los números procede de las figuras planas regulares inscritas
en el círculo y de su congruencia; de donde proceden después los sólidos.
Véanse los libros I y II de Harmonice. Pero no te confundas cuando leas
las demostraciones de los lados de que consta cada figura obtenidas del
número de ángulos, como si este número, en tanto que numerante, fuese
anterior y más digno. Lejos de ello, pues los ángulos de una figura no
resultan numerables por el hecho de que preexista el concepto de dicho
número, sino que el concepto de número se sigue del hecho de que las cosas
geométricas tienen en sí aquella multiplicidad, al ser ellas mismas número
numerado.
(2) Viceversa, con la sola excepción (...) y más abajo (...) Ocho las bases.
Esto es un claro despiste. Ocho no es un submúltiplo de sesenta, pero lo
és del número 120 que es el doble de 60.
(1) SOBRE EL LUGAR DE LOS SÓLIDOS
Y EL ORIGEN DEL ZODÍACO

En estos capítulos tendré a los físicos en contra debido a que


deduje las propiedades naturales de los planetas de cosas inmateriales
y de figuras matemáticas y porque además ahora me voy a atrever
a investigar los orígenes de los círculos a partir de puras intersec­
ciones imaginarias. Sólo quiero decirles estas pocas cosas: que Dios
Creador (2), al ser una inteligencia, y al hacer lo que quiere, nada le
impide, a la hora de atribuir las fuerzas y de trazar los círculos, que
tenga en cuenta tanto las cosas sin materia como las de naturaleza
imaginaria. Y dado-que nada quiere que no sea con razón máxima,
y nada exista fuera de su voluntad, díganme entonces los adversarios,
¿qué otras razones pudo tener Dios para atribuir las fuerzas, etc., si
nada existía fuera efe la cantidad? Pero si, no encontrando nada, se
refugian en las fuerzas inescrutables de la Sabiduría Creadora, atén­
ganse ellos mismos a esta limitación de la investigación y vívanla con
espíritu piadoso y toleren que nosotros ofrezcamos las causas vero­
símiles a partir de las cantidades, mientras no digamos nada indigno
del Artífice. N o atado pues por ningún escrúpulo religioso, paso a
la investigación del Zodíaco.
Y para empezar, creo que no se puede imaginar una disposición
de los sólidos más verosímil que la inserción del Cubo, la mayor de
las figuras, en un orbe de cualquier modo (pues en el círculo no hay
ningún comienzo). (3) Pero es preciso establecer los principios sin
dar razón, (4) para que el regreso no sea infinito; (5) y para dar
alguna vez el paso de la potencia infinita al acto finito). Pues bien,
pongamos ahora una de las caras como base. La Pirámide, que ha
de insertarse en el Cubo, interponiendo el orbe de Júpiter, (6) debe
tener su base paralela a la base del Cubo, y el Dodecaedro (7) a la
base de la Pirámide. De manera diferente se relacionan las propie­
dades de los secundarios, como vimos. H ay que situar al Icosaedro
dentro del Dodecaedro, de tal modo que la diagonal de aquél resulte
perpendicular a los centros de las bases opuestas del Dodecaedro.
De igual modo, (8) habrá que suspender al Octaedro, la menor de
las figuras, dentro del Icosaedro, de tal modo que trazando una recta
venga a pasar: 1) por el centro de la base del Cubo, 2) por el centro
de la base del Tetraedro, 3) por el centro del pentágono del Dode­
caedro, 4) por el vértice del Icosaedro, 5) por el vértice del Octae­
dro, 6) por el centro del mundo y del cuerpo solar y por puntos
similares hacia el lado opuesto, 7) el vértice del Octaedro, 8) del
Icosaedro, 9) el centro del plano del Dodecaedro, 10) el vértice del
Tetraedro, 11) el centro del plano del Cubo. Para mayor claridad
me remito a la ilustración del capítulo II, donde se han dibujado
todos los sólidos de este modo. Dispuestas así las cosas, no sólo el
aparente cuadrado del Octaedro, equidistante de los dos vértices
mencionados, si es prolongado en todas direcciones, dividirá a todas
las figuras y por tanto a todo el mundo en dos partes iguales, sino
que también las intersecciones mutuas: de todas las aristas (9) que
alguien pudiera considerar como interpuestas entre dichos vértices y
los mencionados centros, digo, que las intersecciones de todas ellas,
que aparecen vistas desde el centro, (10) si se colocan ordenadamen­
te, se producen en el plano prolongado del cuadrado del Octaedro.
Y esto sobre todo es claro en los poliedros que se hallan emparen­
tados. (11) Pues las aristas mencionadas de los otros no pueden co­
locarse adecuadamente a la vez. El Dodecaedro, con diez aristas,
describe una trayectoria como ésta al ser atravesado por el cuadrado
del Octaedro, extendido en un plano:

En cuanto al Icosaedro, sobre el plano extendido del cuadrado


del Octaedro que lo atraviesa, genera esta figura.
Pero si estos dos sólidos emparentados se aplican sobre la cir­
cunferencia (pues los dos vértices del uno y los centros de las dos
caras del otro, como se hizo más arriba, se consideran relacionados
entre sí como polos) de modo tal que los dos pentágonos aparentes
del Icosaedro y los dos reales del Dodecaedro se correspondan en
sus ángulos, se generará una sección circular qiie, extendida en. el
plano, se presentará respecto al cuadrado del Octaedro del modo
siguiente.

A A A A A

(12) Pero, si el vértice de uno se alinea con el centro de la arista


del otro en los susodichos pentágonos, la sección resultará como
sigue.

Por tanto, (13) qué otra cosa queda que decir, sino que los pla­
netas han recibido la orden del creador de seguir una vía señalada
por tantos signos evidentes, sobre todo cuando es una vía media
entre centros y vértices, asumidos y correlacionados, como si fuesen
polos.

Notas del autor al capítulo XI

(1) Sobre el lugar de los sólidos y el origen del Zodíaco. Todo este ca­
pítulo, en cuanto al objetivo, pudo omitirse, pues carece de importancia.
Pues éste no es el sitio auténtico ni la mutua adaptación entre sí de los cinco
sólidos geométricos, como se verá más abajo; y si lo fuese no provendría
de ello el Zodíaco.
(2) Dios Creador, al ser una inteligencia. He aquí que durante estos 25
años me ha resultado provechoso este principio del que ya entonces estaba
firmemente persuadido, a saber, que las Matemáticas son la causa de las
cosas naturales (doctrina combatida por Aristóteles 1 en múltiples lugares)
porque Dios Creador tuvo consigo desde la eternidad a la Matemática como
arquetipo, en una abstracción simplicísima y divina, incluso de las propias
cantidades, consideradas materialmente. Aristóteles negó al Creador, sostu­
vo la eternidad déí mundo; cosa nada extraña si rechazó los arquetipos; y
reconozco que ninguna eficacia habrían de tener, si Dios mismo no los
hubiese tenido en cuenta al crear. Por tanto también las causas de las ex­
centricidades habrían al fin de descubrirse a partir de este principio, y ha
de admirarse profundamente de esas desigualdades quienquiera que se pre­
gunte con Aristóteles sobre las cosas celestes de esta manera «¿por qué no
ocurre que cuanto más inferior es un planeta, es movido por mayor número
de orbes?» 2. Pues quien creyó que esto había de ser investigado en la as­
tronomía de su tiempo y en la falsa idea de los orbes sólidos, si éste hoy
viviese y conociese nuestra pura y auténtica doctrina del cielo, juzgaría sobre
todo necesario investigar «¿por qué no ocurre que cuanto más al interior es
un planeta, tanto menor tiene su excentricidad?». Así, esfumadas todas las
razones que sus propios principios le ofrecieren, ante la perpetua pregunta
«¿por qué no?», si al fin Aristóteles se convence de que las causas más bellas
y claramente necesarias de este hecho se pueden obtener de la armonía como
si fuera un arquetipo, creo que él plenamente habría aceptado tanto los
arquetipos como, dado que por sí mismos no tienen eficacia, a Dios arqui­
tecto del mundo. Esto en cuanto a la tesis misma; pero, como dije al prin­
cipio, su aplicación a la hipótesis en este capítulo no fue afortunada.

(3) Es preciso establecer los principios sin dar razón. Esto se refiere a las
cosas que en el orden de las cantidades tienen carácter material. Por ejemplo,
lo esférico en sí mismo es formalmente un todo semejante a sí mismo por
todas partes. Pero materialmente, es decir, en tanto que superficie, tiene
partes extra partes. En tal caso, dado que la división infinita en razón de
las partes domina en lo esférico, por lo mismo lo esférico, debido a que se
halla dividido en partes, no se considera formalmente, sino materialmente,
o, lo que es lo mismo, no hay partes formales de lo esférico, sino que lo
que en ella se considera como partes es material, en tanto que la figura
esférica usa de materia cuantitativa y puede ser dividida. Ahora bien, el
Cubo se halla inscrito de hecho en lo esférico; si lo esférico se considerase
formalmente como figura, no ha lugar para la cuestión sobre en qué puntos
hay que colocar los vértices del Cubo, pero si lo consideras materialmente,
en tanto que superficie de infinitos puntos, entonces ciertamente hay lugar
para la pregunta, ¿en qué puntos?, pero no se puede responder, al no haber
razón alguna para que sea más bien en estos puntos que en aquéllos, toda
vez que puede ser en otra infinita ,serie de ellos.
Las cuestiones siguientes son también de este tipo. Cuando se imagina
un espacio infinito ultramundano y se pregunta sobre el mismo, por qué el
mundo se halla colocado en esta parte del espacio más bien que en aquélla.
También cuando se imagina un tiempo eterno (contradicción in adjecto) y
se pregunta por qué al fin se creó el mundo hace seis mil años absteniéndose
Dios de crear durante toda la eternidad. Pues el espacio y el tiempo dentro
de las cantidades tienen carácter material sobre todo en relación con las
cantidades dotadas de figura. Pero la materia por sí misma no ofrece ninguna
razón, en sí misma no tiene más que una sola propiedad, la infinitud de
partes, infinitud actual en número o en cantidad, si la infinitud toda es ella
misma en acto; infinitud potencial en número, si el todo es finito en acto,
única que es posible, dado que la cantidad se da en la materia corporal física
o celeste. Vide Lib. I del Epitome, fol. 40 donde se trata de la figura del cielo.
(4) Para que el regreso no sea infinito. El argumento familiar de Aris­
tóteles se ofrece aquí inoportunamente; incluso ni siquiera principio alguno
da pie a un regreso al asignar razones, donde claramente no hay ninguna
razón.
(5) Y para dar alguna vez el paso. Digo que si no ha de iniciarse obra
alguna sin razón, jamás se comenzará nada, pues cuando se dan infinitas
razones para iniciar esto o aquello no hay de hecho ninguna. Puesto que
aquello que igualmente pudiese iniciarse en infinitos puntos, cuando se halla
en uno de ellos lo hace sin razón alguna para estar en ese preferentemente
en vez de en los otros.

(6) Debe tener su base paralela a la base del Cubo. Ahora bien, la geo­
metría enseña una colocación de la Pirámide en el Cubo mucho más armo­
niosa y perfecta; armoniosa porque la razón geométrica de la inscripción de
aquélla en éste es también por la que será armoniosa en el mundo; pues
geométricamente la Pirámide se inscribe en el Cubo de manera que cualquier
arista de la Pirámide sea diagonal de un plano del Cubo; más perfecta, en
cambio, porque incluso si una base de la Pirámide fuese paralela a una base
del Cubo, sin embargo todavía sigue siendo incierta la colocación de los
lados de la base triangular respecto a los cuatro lados de la base cuadran­
glar. Pues es posible para cada uno de aquéllos ser paralelo a cada uno de
éstos, y puede oponerse a uno cualquiera de los ángulos, de tal modo que
incluso la perpendicular al plano triangular caiga sobre el mismo plano que
la arista del Cubo. En fin, que no hay una colocación perfecta cuando no
hay posiciones similares para todas las caras; pero si una cara de la Pirámide
es paralela a una del Cubo el resto de las caras de aquélla no serán paralelas
a ninguna de éste, y lo mismo sea dicho de las aristas y de los vértices.
(7) El Dodecaedro a la base de la Pirámide. Esta ubicación repugna a
una y a otra figura, a la Pirámide y al Cubo. Pues la inscripción geométrica
ensena que es mejor unir (o superponer) los cuatro vértices de la Pirámide
a otros tantos vértices de entre los veinte del Dodecaedro. De iguál modo,
enseña la inscripción geométrica del Cubo en el Dodecaedro que ocho de
las doce diagonales del Dodecaedro vienen a formar las ocho aristas del
Cubo; y por tanto a la inversa si el Dodecaedro se halla dentro del Cubo,
es preciso que entre las treinta aristas del Dodecaedro seis se encuentren
situadas en oposición a las seis caras del Cubo y en paralelo con ellas.
(8) Habrá que suspender al Octaedro. De esta manera la disposición del
Octaedro interior responderá a la del Cubo exterior según la inscripción
geométrica del mismo en el Cubo; en cambio no se acomodará legítima­
mente a la Pirámide, al Dodecaedro y al Icosaedro, a no ser que su ubicación
en el Cubo se corrija de acuerdo con las leyes ya prescritas. Pues entonces
concurren en una línea recta trazada desde el centro común de todas las
figuras: 1) el vértice del Octaedro, 2) el punto medio de la arista del Ico­
saedro, 3) del Dodecaedro, 4) de la Pirámide, 5) el centro de una cara del
Cubo. Habrá seis líneas de esta clase y la situación será semejante a sí misma
por todas partes.
(9) Las aristas que alguien pudiera considerar como interpuestas entre
dichos vértices y los mencionados centros. Porque en el caso de la Pirámide
esta defectuosa colocación nos impide considerar a las aristas como medianas.
(10) Si se colocan ordenadamente. Además entonces, en el caso de la
Pirámide, las cuatro caras se encontrarán intermedias; y también entonces
la situación mutua de las figuras respetará las leyes de la inscripción geomé­
trica.
(11) Pues las aristas mencionadas de los otros no pueden colocarse ade­
cuadamente. Digo que las aristas de una figura no pueden todas correspon­
der a las aristas de otra, y menos que todas la Pirámide. Obviamente no
pueden corresponder adecuadamente porque el comienzo de la colocación
no se hizo conforme a la regla.
(12) Pero si el vértice de uno se alinea con el centro de la arista del otro.
Esta colocación de estos dos cuerpos entre sí es sin duda legítima; pero la
colocación del Octaedro, de que se trata aquí, es ilegítima.
- (13) Qué otra cosa queda que decir. En verdad quedan muchas cosas
para que no pudiéramos decir esto. Pues la colocación que asigna aquí los
polos es ilegítima. Pues respecto a dos, el Dodecaedro y el Icosaedro, la
colocación es legítima, en tanto que pueden tomarse como polos tantos
como vértices tiene éste o caras tiene aquél, a saber, doce, con lo que serán
seis las zonas intermedias: por consiguiente los planetas estarán inciertos
sobre el camino a seguir. En general la dificultad reside en que estas figuras
no se hallan realizadas en el mundo con una mutua disposición real de partes
con partes, sino que la proporción esferas-figuras obtenida de éstas fue tras­
ladada a los orbes celestes y el número de orbes fue establecido desde las
figuras. Por tanto es mejor rechazar por absurda esta cuestión: ¿Por qué los
planetas recorren más bien este camino que otro? Pues siendo necesario el
círculo para los movimientos de los planetas según la intención de Dios, lo
rodeó una vez establecido según su intención con una esfera material'y
estrellada. Y ninguna duda impidió a Dios obrar como si no pudiera dar
comienzo a su obra, por así decirlo, sin razón, pues entonces ningún cuerpo
preexistía en relación con cuyas partes pudiese dudar. Pues el espacio sin
cuerpo es pura negación; y es razón suficiente para iniciar algo en la nada
infinita o para pensar simplemente algo; semejante pensamiento inmediata­
mente es superior de infinitos modos al infinito restante ni existente ni
pensado en acto y, por tanto, anterior a él y apto para ser punto de partida.
Y tampoco soy el primero que me he atormentado con esta cuestión inútil:
¿Por qué, entonces el Zodíaco ha sido situado acá cuando podía ser situado
allá, en otros infinitos lugares? Puedes encontrar algo semejante en Aristó­
teles: ¿Por qué los planetas caminan más bien en esta dirección que en la
contraria? Pues tampoco en este caso hay razón alguna para una sobre la
otra, ya que toda línea en razón de la longitud tiene dos direcciones que en
la recta van hacia sus dos extremos. Aristóteles ciertamente dice allí en
general que las razones de todo no pueden investigarse del mismo modo,
pero propone la cuestión siguiente: «la naturaleza, dice, siempre elige entre
lo posible lo que es óptimo. Pero es mejor que los astros circulen hacia la
región más digna y es más digna la región de adelante que la de atrás.»
Ridículo. Pues antes de que hubiese movimiento no había ninguna dirección
ni adelante ni atrás; es una petición de principio. Y argumenta a partir de
la semejanza del mundo con los animales, estableciendo a los animales con
sus seis direcciones como idea del mundo. Y de nuevo hay petición de
principio. Concedamos que el mundo fuese hecho a imagen de los animales;
díganos primero del propio animal por qué esto es en él lo de adelante y
aquello lo de atrás y no al revés; esto es, por qué los ojos, las orejas, las
narices, la lengua y la boca se dirigen hacia la imagen en el espejo, por qué
las articulaciones de los brazos y. de los dedos de las manos flexionan en
una dirección, mientras que las palmas de los pies se extienden en otra
dirección, y no más bien, cómo los mismos miembros de la imagen en el
espejo, miran hacia la espalda del hombre: pues pudo ser así, esto es, el
corazón, que ahora está a la izquierda pudo ser colocado eo el lugar que
ahora llamamos derecha. Y, ¿cómo constará la razón en esta idea del mun­
do?, ¿acaso no se podía igual de fácilmente hacer su aplicación a los lados
opuestos del mundo?, ¿qué impediría que la izquierda se orientas? al me­
diodía, la derecha al norte, cuando se ordenó a las direcciones del mundo
que se orientasen? De este modo orientaría la cara hacia la dirección que
ahora llamamos ocaso, y los astros hubiesen tenido de este modo como
delantera a la dirección contraria a aquella hacia la que orientan sus movi­
mientos. Mejor hubiera hecho Aristóteles pasando por alto la solución de
esta estúpida cuestión, siguiendo su propia máxima. Pues entre todo lo que
puede ocurrir por igual, la naturaleza no encuentra elección alguna de lo
mejor y de lo peor, pues esto envuelve contradicción. Más bien argumen­
temos como sigue: puesto que el énte es mejor que el no ente, puesto que
el mundo es inexistente todavía, cualquier dirección que fuese concebida al
principio como delantera, esa tendrá ahora mejores razones de su parte para
ser delantera que la dirección contraria, por cuanto la contraria se concibe
como siendo en el no ente, la cual si hubiese sido hecha delantera, no-
obstante el mundo hubiese sido hecho similar al actual. La comparación de
mundos no tiene lugar cuando sólo hay uno. Adiós, pues, a esta clase de
cuestiones materiales y con ellas la orientación del Zodíaco, o más bien
(porque éste con el paso de las edades cambia sus posiciones), de la Vía
Regia señalada por el círculo del cuerpo solar entre sus polos. Pues si los
polos y el eje del cuerpo solar se hallasen envueltos hacia otras regiones del
mundo, también habría sido trazada otra Vía Regia. Lo mismo hay que decir
sobre las figuras del Dodecaedro y del Icosaedro. Pues concedamos que su
función sea orientar al Zodíaco mediante las secciones de sus aristas, y a
partir de las seis de que hemos hablado, fuese posible algún tipo de orden;
y ciertamente si la posición de las figuras en el universo sensible fuese al­
terada, también la posición del Zodíaco sería otra.
LA DIVISIÓN DEL ZODÍACO
Y LOS ASPECTOS

Muchos han considerado a la división del Zodíaco en doce signos


iguales como una ficción humana *, es decir, como algo sin base
natural alguna. Pues ellos consideran que estas «partes» no difieren
entre ellas en fuerzas o en propiedades naturales, sino que se asumen
eii razón de la aptitud del número para los cálculos. (1) Aunque nada
tengo que objetar a esto, sin embargo para no rechazar a la' ligera
cosa alguna, propondré una causa para esta división tomada de estos
principios, causa a la que no resulte inverosímil2 que acomodase el
Creador las propiedades (si es que tienen algunas distinguibles).
Hemos visto más arriba cuál es el substrato de los números. Y
ciertamente (2) fuera de la cantidad, o de lo semejante a la cantidad,
dotado de una potencia cualquiera, nada-hay numerable en todo el
universo, excepto Dios, que es en sí mismo Trinidad venerada.
Pero (3) acabamos de distribuir a todos los sólidos por el Zodíaco.
Veamos (4) qué adquiere o sufre el Zodíaco con esta división. De
los sectores surgidos del modo dicho, la figura resultante de la sec­
ción del Cubo será cuadrada, igual que la del Octaedro, y triangular
la de la Pirámide, decagonal para la de los otros dos. Cuatro veces
treinta suman ciento veinte. Por tanto, si se inscriben el cuadrado,
el triángulo y el decágono en un círculo sobre un mismo punto,
determinarán sobre la circunferencia diferentes arcos a todos los cua-
les medirá una porción de círculo no mayor que
una ciento veintava parte.
En consecuencia, es natural la división del
Zodíaco en 120 partes merced a la regular dis­
posición de los sólidos entre los orbes. Dado
que el triple de esto es 360, observamos que
semejante división no carece por completo de
base. Si ahora trazamos un cuadrado y un trián-
f;ulo por separado y a partir del mismo punto,
a más pequeña parte ae circunferencia será duodécima parte de la
circunferencia, o sea un Signo. Y es admirable que (5) tanto el mo­
vimiento del Sol y el mes lunar como las grandes conjunciones (6)
de los planetas superiores se adapten tan bien a las porciones que
de sus correspondientes sólidos son determinadas por el cuadrado y
por el triángulo.
(7) Además hasta qué punto esta división duodenaria resulta apre­
ciada en Ja naturaleza, puede colegirse de un ejemplo lejano; de
manera que, aunque la causa no sea por completo conocida, sin
embargo aparezca la ocasión de formar por ello una más alta opinión
de .estos cinco sólidos.
Supongamos una cuerda cuyo sonido es la nota Ó
(u t3). En tal caso, el número de notas desde Ó a la
octava concordante con O es (8) el número de veces,
y no más, que puedes dividir la cuerda en fracciones
racionales de modo que las partes divisas de la cuerda sean conso­
nantes entre sí y con la cuerda entera 4. Además es el oído quien
nos dice cuántas son tales notas. Lo diré con una figura y unos
números.
Observa ahora las propias armonías y las proporciones de las
cuerdas expresadas en números; aquí el signo de abajo representa la
nota de la cuerda entera, el de arriba la nota del segmento más corto
y el del medio la nota del segmento más largo; el número de abajo
indica en cuántas partes ha de dividirse la cuerda, los otros las lon­
gitudes de los segmentos.
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J- A '.'X O
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(9) Y sólo estas notas me parecen naturales por cuanto que tienen
número cierto. Las demás notas no pueden ser expresadas con pro­
porción exacta 5 respecto a las recién establecidas. (10) Pues la nota
F (fa ut) resulta diferente obtenida a partir de C (sol, fa, ut) superior,
de la obtenida a partir de B (mi suave) de abajo, aunque ambas
parezcan do.s quintas perfectas. Pero vayamos al grano. La primera
y segunda consonancias tienen alguna afinidad, lo mismo que la
quinta y sexta. (11) Pues, aunque son todas imperfectas, sin embargo
se conciertan de dos en dos 6, una dura y otra suave, de modo, que
en cierta manera equivalen a consonancias perfectas. Y tampoco son

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tan grandes sus diferencias. Pues 1/6 y 1/5 son entre sí como 5/30
y 6/30 que distan entre sí 1/30. De igual modo 3/8 y 2/5 son entre
sí como 15/40 y 16/40. Por tanto se diferencian en 1/40. Así, ha­
blando con propiedad, en Música sólo tenemos cinco consonancias,
en acuerdo con los cinco sólidos. (12) Y si buscas él mínimo común
múltiplo de las siete divisiones, 6, 5, 4, 3, 8, 5, 2, de nuevo hallarás
120, como más arriba, cuando tratábamos de la división del Zodíaco;
mientras el mínimo común múltiplo de las consonancias perfectas es
12 de nuevo, (13) exactamente como si las consonancias perfectas
procediesen del cuadrado y del triángulo, del Cubo, del Tetraedro
y del Octaedro, mientras que las imperfectas procediesen del decá-
f;ono de los otros dos sólidos. Y esta es la segunda afinidad entre
os sólidos y las consonancias musicales... (14) Pero, puesto que des­
conocemos las causas de este parentesco, es difícil adecuar cada con­
sonancia a cada sólido.
(15) Y también vamos a ver que hay dos clases de consonancias,
tres 7 simples perfectas y dos dobles imperfectas, al igual que los tres
sólidos primarios y los dos secundarios; pero como no concuerdan
en lo demás, hay que desechar esta concordancia e intentar otra.
Ahora bien, al igual que más arriba el Dodecaedro y el Icosaedro
gracias a su decágono elevaron su duodenario hasta 120, de igual
modo aquí hacen lo mismo las consonancias imperfectas.
Por tanto las consonancias perfectas han de ser acomodadas al
Cubo, a la Pirámide y al Octaedro, y las imperfectas, al Dodecaedro
y al Icosaedro. A lo cual se junta ¡por Hércules! (16) que esto es
una indicación de la causa secreta de estas cosas, lo que trataremos
en el capítulo siguiente; (17) a saber, que hay dos tesoros en la Geo­
metría, uno es la razón de la hipotenusa al lado en el rectángulo, el
otro es la sección de la recta en razón extrema y media, de los cuales,
de aquél se deriva la construcción del Cubo, de la Pirámide y del
Octaedro, y de és'fe la construcción del Dodecaedro y del Icosaedro.
De aquí que sea tan fácil y regular la inscripción de la Pirámide en
el Cubo, del Octaedro en ambos, al igual que la del Dodecaedro en
el Icosaedro. (18) Pero para que cada consonancia se acomode a cada
sóüdo, la cosa no es tan inmediata. (19) Solamente es claro que .a la
Pirámide le corresponde la consonancia que llaman de quinta, cuarta
en orden, porque en ella se da la proporción más pequeña, de 1/3
de la totalidad, del mismo modo que el lado del triángulo / 7 \ \
(de que consta la Pirámide) subtiende un tercio del círcu- ( / \ )
lo. Más abajo confirmarán esto muchas cosas, cuando tra-
temos de los aspectos, mas para que comprendamos esto / f ~ \
ahora, consideremos a la cuerda no como a una línea rec- ( J
ta, sino como un círculo. Por tanto la división requerida X __ s
para la consonancia mencionada dará un triángulo, en el cual el án­
gulo se opone a un lado, al igual que en la Pirámide el vértice se
opone a un plano. Quedan, pues, para el Cubo y el Octaedro las
consonancias llamadas de octava y cuarta, tercera y séptima en or­
den. ¿Pero qué consonancia corresponde a cada uno de ellos? ¿Di­
remos acaso que (20) las consonancias secundarias se ajustan a las
descritas por líneas, mientras que las primarias a las descritas por
figuras? en tal caso al Cubo correspondería la llamada de cuarta.
Pues si hacemos de la cuerda un círculo y trazamos una recta de
una cuarta parte de la cuerda, seguida de otras hasta qué regresemos
al punto de partida, obtendremos un cuadrado igual al plano del
C uido. Por el contrario, al Octaedro le corresponderá la de octava,
que es la mitad de la cuerda. Pues en el círculo, extendida la cuerda
por la mitad y vuelta hasta el punto de partida, sólo genera una línea
recta. De este modo al Doaecaedro habrá que atribuir la primer
consonancia doble imperfecta. Puesto que trazando quintas y sextas
partes del círculo resulta un pentágono y un hexágono. Y quedará
para el Icosaedro la segunda consonancia doble imperfecta, puesto
que trazando repetidamente líneas de dos quintos hasta regresar al
punto de partida (21) sólo generan líneas f . Al igual que trazandtp
con líneas de tres 'octavos *. ( 2 2 ) 0 , ¿acaso será preferible atribuir
al Octaedro la consonancia de cuarta, porque éste subtiende doce
veces al cuadrante 8 del círculo? Así quedaría la octava, la consonan­
cia más perfecta, para el Cubo, igual que él es el sólido más perfecto.
Y tal -vez resulte más conveniente (23) dejar para el Icosaedro la
Í)rimera consonancia imperfecta, por el hexágono, que es más afín a
a base triangular que a la base pentagonal, y atribuir, en cambio, al
Dodecaedro la división de ocho, porque el número ocho es cúbico
y el Cubo es inscribible en el Dodecaedro. Estas son cuestiones
abiertas, hasta que alguien encuentre las causas.
(24) Vengamos ahora a los aspectos. Y puesto
que acabamos de hacer de la cuerda un círculo, es
fácil ver de qué manera (25) se pueden relacionar
maravillosamente las tres consonancias perfectas
con los tres aspectos perfectos, a saber, con la opo­
sición, con el trígono y con la cuadratura. Mien­
tras que la primera consonancia imperfecta, el B
suave, resulta punto por punto semejante al sextil,
cuyo signo es (26) y del que dicen que es el más

Tenemos la razón (27) (que Ptolomeo cierta­


mente no dio) de por qué los planetas distantes
entre sí uno o cinco signos no se consideran for­
mando aspecto. Pues como hemos visto, (28) la N a­
turaleza no reconoce tales consonancias entre las
notas musicales. Y puesto que en los demás casos
es la misma la razón de la influencia y de la armo­
nía, es creíble que también en este caso. (29) Sin
duda la causa es la misma en uno y otro caso y
¡X?
/ "v
dependiente de los cinco sólidos, pero dejo su in­
vestigación para otros. (30) Pero dado que todas
las cuatro consonancias concuerdan con sus aspec­
tos, y todavía quedan tres consonancias en música,
a veces he sospechado que no hay que descuidar
en los pronósticos natalicios si los planetas distan 72, 144 ó 135
grados, sobre todo cuando veo que una de las imperfectas tiene su
propio aspecto. Aunque para cualquier observador atento de los me­
teoros será fácil ver si hay alguna fuerza en estos tres radios, dado
que los cambios de la atmósfera corroboran a los otros aspectos
mediante una constante experiencia. (31) Respecto a las razones que
se pudieran dar del hecho de que 3/8, 1/5 y 2/5 sean consonantes
en la cuerda, mientras que no resultan operantes en el Zodíaco, pu­
dieran ser las siguientes:

1. La oposición sola, dos cuadraturas, el trígono con el sextil, com­


pletan cada uno un semicírculo; en cambio estos tres radios no
tienen para este menester socio alguno que no rechace la música
de moao palmario.
2. Los demás radios tienen una relación fácil al diámetro, pero el
lado de pentágono, la cuerda que subtiende dos lados del pen­
tágono o tres lados del octógono tienen una relación mucho más
lejana e irracional.
3. Porque el trígono con el sextil, la cuadratura con la cuadratura,
constituyen un ángulo 9 recto; mientras que los demás radios en
modo alguno con cualquiera línea adyacente.
4. La imperfecta B suave 10 es en cierto modo perfecta, porque
utiliza la misma división que las perfectas y la mitad de una
quinta. De donde no es extraño que ella sola de entre las im­
perfectas corresponda a un aspecto, el sextil, que también es la
mitad del trígono. Ninguna de las demás se acomoda al duode-
nario, ni es parte de otra alguna de las perfectas.
5. Y finalmente seis ángulos de triángulo, cuatro del cuadrado, tres
del hexágono, dos espacios comprendidos por dos semicírculos,
llenan todo el espacio del plano. Pero tres ángulos del pentágono
son menos que cuatro rectos y cuatro son más. De donde resulta
claro por qué (32) ni el radio octangular (33) ni el dodecagonal,
ni alguno de los otros pueda resultar. (34) Y aquí casi distingo
las causas de los aspectos de las causas de las asonancias. (35) En
efecto, el razonamiento hecho a partir de los ángulos es ade­
cuado para el caso de los radios, porque su acción es debi­
da al ángulo formado en un punto sobre la superficie de la Tie­
rra, en el cual se juntan, (36) y no a una figura trazada sobre el
círculo zodiacal, existente más en la imaginación que en la rea­
lidad. Pero la división de la cuerda ni ocurre en el círculo,
ni utiliza ángulos, sino que se produce sobre el plano en línea
recta. (37) N o menos, sin embargo, pueden consonancias y as­
pectos tener algo en común que produzca las mismas cosas en
ambos, como se ha dicho... Pero esto lo dejo para la ingeniosa
investigación de otros. (38) La Música de Ptolomeo que Regio-
montano iba a editar junto con el comentario de Porfirio, pero
aún no publicada según Cardano 11, tratan sin duda de estos
temas 12. Véase también (39) lo que a este propósito pudiera re­
ferirse en la Música de Euclides.

Notas del autor al capítulo XII

(1) Aunque nada tengo que objetar. He tratado este asunto ex profeso
en el libro sobre la nueva estrella y en mi respuesta a las objeciones de
Róslin: esto es, los cuatro cuadrantes del círculo del Zodíaco van aparecien­
do por las condiciones de los dos movimientos, diurno y anual del Sol,
condiciones que también propician los momentos de llegada de la luz y del
calor; pero respecto a la subdivisión interna de cada cuadrante en tres signos
exactos, no puede pensarse que sea efecto de nada, ni del movimiento, ni
de las fuerzas, salvo la distinción sumamente general de cualquier cantidad
en principio, medio y fin; partes estas a las cuales ninguna necesidad obliga
a ser iguales, y ni siquiera partes, pues basta con que se considere como
medio a toda la línea del cuadrante, y por principio y fin a los dos extremos
de la línea, ésto es, puntos que no son partes de la línea.
(2) Fuera de la cantidad, o de lo semejante a la cantidad, dotado de una
potencia cualquiera, nada hay numerable en todo el universo. Frase ridicula
que se me escapó, y ni siquiera es una frase. Pues, ¿qué es «nada fuera del
todo»? Numerar, acción de la mente, se aplica a todas las cosas divinas y
humanas, y no cabe la más mínima distinción, ni real ni intencional (sea
primera intención, segunda, tercera u otra cualquiera) que no tenga alguna
semejanza con la división de la recta en partes. Véase mi discusión sobre los
números en el libro IV de Harmonice, capítulo I, folio 117. Sin embargo, lo
que yo pensaba cuando escribía esta frase era que todo lo que es numerado
por nosotros (salvo las personas divinas en la Santísima Trinidad) tiene algún
respecto cuantitativo, al menos en la intención del numerante.
(3) Acabamos de distribuir a todos los sólidos por el Zodíaco. Imaginando
un plano que pasa por las intersecciones de las aristas y por el centro de
todas las figuras y que se prolonga hasta las fijas y cuya intersección con la
esfera de las fijas nos proporciona la Eclíptica en aquella concepción.
(4) Qué adquiere o sufre el Zodíaco con esta división. Claramente en el
caso de que se tracen líneas rectas desde el centro común de todas las figuras
pasando por la intersección del plano mencionado con las aristas de las
figuras y se prolongan hasta las fijas; pero hay que añadir: si además todas
las cinco figuras se hallan dispuestas unas respecto a otras de tal irregular
manera que las intersecciones de cada arista de cada una de las figuras caigan
sobre una tal línea recta; entonces efectivamente el Zodíaco estará dividido
en tales partes que sólo podrán ser mensuradas por la ciento veintava parte
del todo. Pero, dado que esta disposición es irregular y que la disposición
regular, con ocho vértices del Dodecaedro y del Icosaedro incidentes en
dicho plano, divide al Zodíaco en partes irracionales, es evidente que esta
división no es propia de las cinco figuras. He demostrado en el Epítome de
Astronomía, libro II, folio 181, que ella es propia de las figuras planas Re­
gulares construibles, si se inscriben en un círculo a partir de un mismo punto.
(5) El movimiento del Sol y el mes lunar. Entiéndase el anual del Sol.
Pues mientras, el Sol recorre el año la Luna casi completa doce meses. Y así,
esta distribución del año y la adecuación de los movimientos del Sol y de
Ja Luna, al menos en una primera consideración de su proporción, yo la
establezco como arquetípica, y de esta ordenación y del concurso- de las
causas naturales motrices infiero las causas de algunas desigualdades en la
Luna; como mostraré en los Prolegomena Ephemeridum, y aclaro comple­
tamente en el Epítome de Astronomía, libro IV. En el mismo sitio también
hallarás algo similar sobre la proporción del año y 360 revoluciones diarias
(en primera intención) a las que se añaden inmediatamente por la concu­
rrencia de causas otras cinco y cuarto revoluciones, de donde surge una
nueva ecuación del tiempo. Aunque todavía ahora delibero y repaso las
observaciones.

(6) Las grandes conjunciones de los planetas superiores. Ciertamente esto


es accidental y no arquetípico. Pues, como enseño en el libro V de Harmo­
nice, el tiempo periódico de los planetas se deriva de las consonancias ar­
mónicas de los movimientos extremos. Pues en los afelios la razón de los
movimientos debía ser como 2 a 5 aproximadamente, y en los perihelios,
como 5 a 12, de suerte que entre el afelio de Saturno y el perihelio de Júpiter
podría darse una octava más una quinta 13, mientras entre el perihelio de
Saturno y el afelio de Júpiter una octava perfecta, porque estas dos conso­
nancias son afines al Cubo. Ciertamente esta es la primera y arquetípica
causa en los movimientos. Pues sí la razón de los movimientos de los afelios
fuese la misma que la de los períodos completos, que es como 2 a 5, en­
tonces en 60 años se completarían dos revoluciones de Saturno y cinco de
Júpiter; y en 12 años, una revolución de Júpiter. Si se diese una conjunción
de Saturno y Júpiter, por ejemplo, al comienzo de Aries, volverían a encon­
trarse exactamente tras veinte años al comienzo de Sagitario. En efecto,
mientras Júpiter, tras sobrepasar a Saturno, recorre el Zodíaco en persecu­
ción de Saturno en fuga, éste entre tanto se aleja de Aries de manera que
Júpiter en cinco revoluciones solamente lo alcanza tres veces, porque Satur­
no avanza dos revoluciones por cada cinco; de este modo sólo quedan tres
conjunciones por cada cinco revoluciones de Júpiter distribuidas en un trián­
gulo perfecto. Pero he aquí que esta disposición triangular de las conjun­
ciones resulta consecuencia necesaria de la causa arquetípica derivada de las
consonancias armónicas, aunque acontezca accidentalmente de la trisección
del Zodíaco, ya sea mediante la Pirámide ya mediante el triángulo, si se
mantiene, como yo suponía en este capítulo, que tal trisección es arquetí­
pica. Y viceversa, si para los períodos enteros de Saturno y Júpiter se diese
la proporción que debería darse según las concordancias armónicas de los
movimientos de los perihelios, esto es, de 5 a 12, entonces en 150 años
Júpiter regresaría 12 veces, una cada doce años y medio. Si restamos 5 de
12 quedan 7, que es el número de veces que Júpiter alcanzaría a Saturno.
En consecuencia, el Zodiaco se podría dividir mediante estas conjunciones
en 7 partes, cinco de las cuales, esto es, 257 grados, vendrían a ser la dis­
tancia entre dos conjunciones. Por ejemplo, después de una en 0 grados de
Aries, ocurriría la siguiente en 17 grados de Sagitario, la tercera en 4 grados
de Virgo. Pero debido a que el tiempo periódico se compone de los movi­
mientos, tanto en los afelios como en los perihelios, como en todos los pasos
intermedios, de aquí proviene también la proporción intermedia de los pe­
ríodos y la distribución de las conjunciones por el Zodíaco, de tal modo
que supuesta la primera a la entrada de Aries, la segunda no llega al co­
mienzo de Sagitario ni tampoco se alarga hasta los 17 grados de Sagitario,
sino que con una proporción media y uniforme progresará unos tres grados
más allá de la posición triangular. Mas si la división del Zodíaco en tres
tercios, mediante las figuras geométricas, fuese la causa genuina y arquetí-
pica de esta disposición de las conjunciones, también lo representaría así un
triángulo perfecto, pues la obra de Dios no se aparta un ápice de su arque­
tipo. Por tanto no hay que extrañarse ya más de que la conjunción de
Saturno y Júpiter sugiera un triángulo, puesto que es una sugerencia imper­
fecta y puramente accidental.
(7) Además, hasta qué punto. Estos son, justamente, los principios de
mi obra sobre la Armonía, principios no meramente conjeturales que en
tiempos posteriores hubieren de ser corregidos, sino absolutamente verda­
deros de la cosa en sí misma: pues toda especulación filosófica debe partir
de las experiencias J e los sentidos; y en este caso, lo que el sentido del oído
testifica sobre el número de sonidos consonantes uno con otro, y también
lo que el sentido de la vista testifica sobre la longitud de las cuerdas con­
sonantes, lo conoces con toda claridad y detalle.
(8) El número de veces, y no más. Es ciertamente sorprendente, puesto
que desde la antigüedad existieron escritores sobre temas de armonía, que
no aparezca nunca en sus obras esta observación sobre el número de las
secciones armónicas, completamente fundamental, y que lleva directamente
a las causas; pues resulta obvio para cualquiera experimentar esto sobre una
cuerda extendida cuya longitud puede ser dividida con un compás, y con la
mera aplicación de una cosa dura, como un cuchillo o una llave, a la cuerda
con una mano, mientras golpea en un plectro las partes delimitadas de la
cuerda, con la otra mano. Y así fue como sobrevino esta gran suerte al
iniciar una especulación a quien iba a escribir sobre armonía, aunque todavía
entonces esto no lo había decidido. Pero la causa de que las siete notas
ordenadas hasta la octava sean consonantes con la baja de partida es ésta:
que la cuerda puede dividirse armónicamente siete veces; cada una de estás
divisiones constituye un sonido, consonantes todos con el sonido de-la cuer­
da entera. Véase el libro III de Harmonice, capítulo II.
(9) Y sólo estas notas. Es verdad si llamas «natural» a lo obtenido inme­
diatamente de la primera aplicación de las secciones, casi cómo trasunto de
las causas susodichas; y ello para distinguirlo de aquel que surge de uña
proporción secundaria, como si fuera artificial y a imitación de la naturaleza.
Como en la secuencia de notas Re, Mi, Fa, Sol, La, es natural el intervalo
Fa, Sol, llamado tono mayor, porque se constituye desde el principio, cuan­
do todavía el intervalo Re, Fa no se ha dividido de este modo; mas si ahora
entre Re, Fa se establece el tono Mi, con tal proporción para la cuerda Mi
respecto a la cuerda Re como la que se da entre la cuerda Sol a la cuerda
Fa, entonces debe obtenerse la propia Mi natural. Respecto a la causa, que
propuse aquí, de la distinción, cual era que Fa y Sol tenían números ciertos,
y en cambio no lo tenía Mi, hay que disculparme porque era entonces un
aprendiz. Pues, en el libro III de Harmonice, capítulos 5 y 7, he expuesto
causas magníficas por las que tanto a Mi como a sus semejantes se les
asignan números ciertos.
(10) Pues la nota F (fa ut) resulta diferente. Esto es verdad si tratas de
construir una quinta perfecta en ambos casos. Pero lo que ignoraba entonces
no es la parte menor de la disciplina, lo relativo a las consonancias alteradas,
lo que expliqué en el capítulo 12, libro III de Harmonice.
(11) Pues, aunque son todas imperfectas. Así se las denomina común­
mente; pero los antiguos no las consideraron consonancias. En mi obra
Harmonice, en el segundo folio 83, igualmente que en el capítulo 1 y el
capítulo 3 del libro III y en otros sitios las llamé imperfectas, pero esta
palabra no significa lo mismo que alteradas. Pues a las alteradas les falta un
algo mínimo 14 que les impide ser consonancias plenas; mientras nada falta
a una tercera o a una sexta legítimas que les impida estar entre las conso­
nancias. Por tanto la causa de la distinción va mejor para las terceras y las
sextas, llamándolas consonancias menores, y esto no tanto por respecto a la
cantidad cuanto a la especie.
(12) Y si buscas... de las siete divisiones. Aquí hice de esto el nervio de
la argumentación; se divide él Zodíaco en 12 y 120 partes, y también una
cuerda en otras tantas, luego estos números se hallan en gran estima en la
naturaleza. Pero como la división del Zodíaco procede de los cinco sólidos
(como creía entonces) es verosímil, por ello, que sea también la división de
la cuerda, y así esas cinco figuras serían también Ideas de las consonancias;
entonces parecía que se podría inferir esto. Pero ahora que mi lector busque
las causas genuinas de las armonías en mi obra Harmonice; pues no son
aquellos cinco sólidos geométricos, sino más bien las figuras planas inscritas
en un círculo, etc.
(13) Exactamente como si las consonancias perfectas procediesen del cua­
drado y del triángulo. Es agradable contemplar los primeros pasos, aunque
equivocados, hácia un descubrimiento. He aquí que yo tenía entre las manos
las. verdaderas y arquetípicas causas dé las consonancias, que buscaba an­
gustiosamente, y como si estuviera ciego, como si no estuviera allí. Las
figuras planas son las causas de las consonancias por sí mismas, no en cuanto
que son superficies de las figuras sólidas. En vano me volví hacia los sólidos
al establecer las proporciones armónicas de los movimientos.

(14) Pero, puesto que desconocemos las causas de este parentesco. Pero
ahora estás viendo los nombres de esas causas, las figuras planas: y no se
trata de parentesco o de consanguinidad, sino de pura afinidad. Pues las
figuras planas, por una parte, dividen al círculo armónicamente, y por otra
parte, concuerdan con las figuras sólidas. Luego tanto la división armónica
del círculo como las cinco figuras convergen hacia una tercera cosa, a saber,
hacia las figuras planas.

(15) Y también vamos a ver que hay dos clases de consonancias. Toma
nota cuidadosamente de esto e incluso aprende de este solo ejemplo la fuerza
de las coincidencias fortuitas. Anteriormente habíamos reducido a veces las
siete formas de consonancias o siete acciones armónicas a cinco, de modo
que las dos imperfectas se consideraban siempre como una. Este grupo de
cinco se dividía en dos clases, tres por una parte y dos por otra; y tampoco
había parentesco entre aquellos tres y estos tres, ni correspondencia entre
aquellos dos y estos dos. Pues las dos dobles formas de consonancias im­
perfectas participan del decágono, que es aquí de la familia de uno de los
tres cuerpos primarios, y de uno de los dos secundarios. Es pues accidental
respecto a una de estas dos cosas que la otra sea susceptible de la misma
división. Semejantes coincidencias acontecen muchas veces en cosas mate­
máticas y naturales, y es necesario fortalecer la debilidad de nuestro juicio
contra semejantes casualidades, como si de «sin fundamentos» se tratase,
para evitar ser arrastrados al instante por cualquier credulidad, sin la guía
de la razón. Véase lo que he dicho más arriba sobre esto, si son tres en
número, o seis, o siete.
(16) Esto es una indicación de la causa secreta de estas cosas. He aquí de
nuevo que progreso escribiendo. Pues lo descubierto aquí es la verdadera
causa, como se puede ver en los axiomas del libro III, capítulo I.'Efectiva­
mente, las figuras que tienen demostraciones más perfectas y son conmen­
surables 15 (el triángulo, el cuadrado y el hexágono) dan también nacimiento
a las consonancias mayores perfectas; mientras que las que tienen demos­
traciones peores y lados inconmensurables (como el octógono, el pentágono
y el decágono) también dan lugar a las peores consonancias mayores, co­
múnmente llamadas imperfectas. Mas esta perfección, o su.contrariaimper-
fección, pertenecen'a las consonancias por las propias figuras planas, y tam­
bién a las figuras sólidas; y de nuevo no es el parentesco sino la mera
afinidad lo que media entre las dobles secciones armónicas imperfectas, las
del Dodecaedro, que es primaria, y la del Icosaedro, secundaria.
(17) Que hay dos tesoros en la geometría. Son dos teoremas de infinita
utilidad y por ello de gran valor, pero hay entre ellos una gran diferencia.
Pues el primero, que los cuadrados de los lados del rectángulo son iguales
al cuadrado de la hipotenusa, con razón, digo, lo puedes comparar a una
masa de oro; el otro, sobre la división proporcional, puedes llamarlo una
joya. Pues en sí mismo sin duda es magnífico, pero sin el teorema anterior
nada puede; él es por tanto el que hace progresar a la ciencia, una vez que
el primero nos ha abandonado después de habernos hecho avanzar, es decir,
nos lleva a la demostración y descubrimiento del lado del decágono y de
las magnitudes emparentadas.
(18) Pero para que cada consonancia. Nada extraño es que la correspon­
dencia entre consonancias y sólidos no sea evidente, pues lo que no se halla
en el seno de la naturaleza no se puede sacar fuera; pues ciertamente estas
cosas, expresadas con este número y estas cantidades, no casan entre sí. Es
verdad que en el libro V, capítulo 9, de mi Harmonice asocio las consonan­
cias a los sólidos, pese a que esta no sea la causa de que uno provenga de
otro, sino sólo de su uso en el adorno del mundo. Hay además en el capí­
tulo 2 muchos argumentos para la asociación, muchos de ellos procedentes
de razones formales, tanto en razón de los sólidos como de las consonancias.
Sin embargo, estos argumentos son comunes a muchas consonancias entre
sí, y por ello no se asigna una concreta consonancia a un sólido concreto:
argumentos externos de diferente tipo se añaden entonces, o bien se deducen
de la comparación de las proporciones de las figuras con las consonancias;
y al fin, no las consonancias mencionadas, sino otras mayores son las que
se asocian con los sólidos, y ni siquiera es inmediata esta asociación, sino
que las consonancias son atribuidas a los movimientos de aquellos planetas
cuyas órbitas de dos en dos han recibido en suerte a cada cuerpo regular.
De este modo las consonancias se aproximan a la vecindad de los cinco
cuerpos, separados por sus propios límites, y no habitando bajo el mismo
techo. '
(19) Solamente es claro que a la Pirámide corresponde la consonancia que
llaman de quinta. E incluso ni esto es verdad absolutamente. Pues ninguna de
las que son más pequeñas que la octava es más afín a la Pirámide en razón
del triángulo que da la base para la Pirámide, y da nacimiento a la quinta.
Sin embargo, no puede haber lugar para la quinta allí donde se halla inter­
calada la Pirámide; más bien hay que considerar a partir de otras notas la
adecuación de las consonancias a las figuras, cosa de la que he tratado en
el libro V de Harmonice, capítulo 2, y ni siquiera la quinta es pariente pró­
xima del solo triángulo, sino que le precede la octava más una quinta; véase
libro IV de Harmonice, capítulo 6, folio 154. En cuanto a la causa de esta
afirmación totalmente cierta se halla en este propio texto, aunque yo lo.
ignoraba, y es que vale un tercio del círculo.
(20) Que las consonancias secundarias se ajustan a las descritas por líneas.
Es decir, que hay que asociar con los sólidos secundarios aquellas conso­
nancias que son representadas por las secciones de la cuerda hechas de tal
modo que si de la cuerda, marcada por los puntos dé sección, se hace un
círculo, la línea recta que une las marcas no viene a ser el lado de ninguna
figura perfecta, sino que, o bien permanece como una línea solitaria, o bien
forma el lado de una figura irregular, figuras a las que me plugo llamar
estrellas por su apariencia en los libros I y II de Harmonice. Ciertamente
es esto una buena apariencia de causa, y una muy brillante distribución de
las consonancias entre los cinco sólidos de los números, pero esta corres­
pondencia no tiene aspecto alguno de causa, ni la sexta sobre la octava tiene
relación alguna con el Icosaedro.
(21) Sólo generan líneas. ¡Como si las estrellas no fuesen también figu­
ras!, algo había que inventar para que la estrella octogonal se asociase con
el diámetro, casi como bajo el mismo género, aunque protestase la natura­
leza. Hice bien en no conformarme a esta distribución.
(22) ¿Acaso será preferible atribuir al Octaedro? Claramente seguí esta vía
en el libro V de Harmonice, aunque con otra intención. Pues aquí buscaba
el origen de cada consonancia, mientras que en el libro V de mi Harmonice
trataba de entre las consonancias ya descubiertas,, cuáles se asociaban con
qué planetas mediante la interposición de cuáles sólidos. Y si bien no se
atribuye aquí correctamente al Cubo el origen de la octava, sin embargo,
como se dice en el libro V de Harmonice, la octava se asocia correctamente
al Cubo, no como causa de su origen, sino como causa de su cohabitación
entre los mismos planetas. La asociación con el Octaedro, que es cónyuge
del Cubo, de la doble octava, a la cual se halla ligada la consonancia de
cuarta, es correcta. Véase el libro V, capítulo 9, props. VIII y XII.
(23) Dejar para el Icosaedro la primera consonancia imperfecta. De nue­
vo aquí casualmente (si bien en una investigación inadecuada) topé con la
verdad en buena medida. Pues las props. 15 y 27 del mencionado capítu­
lo IX atribuyen la quinta al Dodecaedro, mientras al Icosaedro ambas sextas,
pero se prueba que para las terceras no hay lugar alguno en la prop. 6.
(24) Vengamos ahora a los aspectos. Sobre este asunto trata el libro IV
de mi Harmonice.
(25) Se pueden relacionar maravillosamente las tres consonancias perfec­
tas. Poco hay que corregir en esta comparación; véase el libro IV de Har­
monice, capítulo VI, folio 154.
(26) Del que dicen que es el más débil. La experiencia atestigua que no
es más débil en modo alguno, sino más fuerte a veces .que el propio trino;
muestro la causa a partir de mis principios en el libro IV de Harmonice.
(27) (Que Ptolomeo ciertamente no dio). Por ejemplo, en el Tetrabiblos
sobre astrología. Pero en De Harmonía, que entonces yo no había visto,
toca esta causa, aunque mal, como quedará claro por mis notas 16 a Ptolo­
meo. Pues absolutamente, tanto un signo como cinco constituyen aspectos
eficaces, a los que yo denomino semisextil y quincuncial.
(28) La Naturaleza no reconoce tales consonancias. Literalmente, esto es
falso. Pues entre las cuerdas 1 y 12 hay una quinta más tres octavas; al igual
que entre las cuerdas 5 y 12 hay una tercera menor más una octava. Pero
yo tenía in mente otra cosa cuando escribía esas palabras, a saber: que no
hay ninguna división triplemente armónica que correspondiese a estas divi­
siones del círculo, pues, aunque 1 y 12 sean consonantes, lo mismo que 5
y 12, sus restos 11 y 7, no son consonantes con ninguno de los dos extre­
mos. Pero yo explico en todo el libro IV, sobre todo en el capítulo 6, de
Harmonice, que no es la misma la razón de los aspectos que la de las
consonancias.
(29) Sin. duda la causa es la misma en uno y otro caso, (...) cinco sólidos.
En absoluto de éstos, más bien de las figuras planas, de las que no es la
menos noble el Dodecágono.
(30) Pero dado que todas. Una vez puesto este comienzo, seguí aumen­
tando el número de los aspectos, aunque añadí erróneamente el sesquicua-
drado, o de 135 grados, mientras omití el semisextil, o de 30 grados. Véase
el frecuentemente citado capítulo 6 del libro IV del Harmonice.
(31) Respecto a las razones que se pudieran dar. En vano. Pues la expe­
riencia confirma al quintil y al biquintil; en cambio, respecto al sesquicua-
drado, las causas bien distintas de que sea menos eficaz que todos los demás,
se dan en libro IV, capítulo 5 de Harmonice. En cuanto las cinco causas
aquí mencionadas, tenemos que refutarlas otra vez, por cuanto no incluyen
al quintil ni al biquintil.
En cuanto se refiere a la primera causa: puesto que el trino con el sextil,
al igual que el cuadrado con el cuadrado, completan un círculo, de igual
modo el tridecil con el quintil, el decil con el biquintil, el semicuadrado con
el sesquicuadrado, completan un semicírculo, y la Música 17 no los repudia.
La eficacia, por tanto, no procede de esta adecuación al semicírculo.
La segunda causa es real: piles ella no tanto repudia al quintil, cuanto
que solamente lo hace más imperfecto que al trino y al sextil; en tanto que
esta causa es efectiva, pues no es ella sola. Y tomo aquí la voz común
«irracional» por lo que en el Harmonice denomino Inefable.
La tercera causa coincide con la primera, pues todo, ángulo que com­
prende el semicírculo es recto. Y si esta causa se expresa de otra forma tal
como, «dos aspectos siempre completan la suma de dos rectos», entonces
de nuevo el semicírculo resulta su medida.
La cuarta causa es fútil; pues si la tercera dulce es en cierto modo per­
fecta, por cuanto utiliza la misma división que las perfectas, esto es, la
duodenaria, también entonces la división veintenaria se constituye con la
ayuda de la cuaternaria y la sesentenaria con la ayuda de la ternaria. Si la
tercera fuerte no se amolda a la división duodenaria por causa del término
mayor 5, claramente tampoco la tercera dulce se amolda a la división vein­
tenaria, a causa del término mayor 6. Además, si la tercera dulce se consi­
dera perfecta porque es la mitad de la quinta, con mayor motivo la tercera
fuerte deberá tenerse por perfecta, toda vez que es la mitad de la propia
quinta más un tanto que es exactamente lo que a la tercera dulce le falta
para la mitad. Por tanto hay que tener aquí cuidado con esta coincidencia
puramente accidental, ya que también el sextil es exactamente la mitad del
trino, y el sextil responde a la tercera dulce. Pues mostré en el libro IV,
capítulo 6, de Harmonice que al sextil no corresponde la tercera suave, sino
la quinta más dos octavas, que la misma tercera suave es pariente tanto del
pentágono como del hexágono, porque se halla comprendida entre estos
números 5 y 6. Pero es muy distinta la causa que divide al trino en dos
sextiles perfectos de aquella causa que divide a la quinta en dos terceras,
mayor y menor. Esto se ve claramente porque las partes son allí iguales y
aquí desiguales. Y así nada se detrae a la nobleza de la tercera fuerte, ni se
añade a la tercera suave, por él hecho de que el sextil sea la mitad del trino,
y no lo sea el quintil; y se podría considerar de no menor importancia que
el quintil sea la mitad del biquintil, etc. Por lo demás, no es la más pequeña
la parte de habilidad precisa para precaverse de las coincidencias accidentales
de este tipo, que, como antaño la sirena Siciliana retenía con su canto a los
navegantes, retienen a los dados a la Filosofía con el encanto de su aparente
belleza y su aceptable respuesta (si es que cautivados por esta admiración
se adhiriesen a algo en lo que no hay causa ninguna de uno hacia otro), de
modo que no pueden alcanzar el pretendido objetivo de la ciencia.
La quinta causa es efecto de la segunda, y hace que el quintil sea un
aspecto más imperfecto y la tercera fuerte sea una consonancia más imper­
fecta (aunque más bien de otro género); pero rio hace que este aspecto sea
absolutamente ineficaz ni que esta consonancia carezca por completo de
suavidad. Pues esto hace ya tiempo que había que haberlo dicho de éstas
cinco objeciones, que si tuvieran alguna fuerza, la tendrían tanto en la mú­
sica como en el asunto de los aspectos; pero no se ofrece ninguna razón
por la que tengan fuerza allí y no la tengan aquí.

(32) Ni el radio octangular. Respecto a la estrella 18 octangular la cosa


es diferente. Anota por qué este aspecto queda eliminado a la vez que el
sesquicuadrado, o mejor relegado, mientras la sexta menor procedente del
octángulo no es eliminada de la música. Expliqué las causas de esto en el
capítulo 6 del libro IV de Harmonice. A saber: respecto a éste son equiva­
lentes, tanto en la música como entre los aspectos, por cuanto a las propor­
ciones mismas 3 y 5 a 8 se refiere, ya que ambas son viles en los dos casos.
Pero, por la concurrencia en una sección de las tres proporciones, 3:5, 5:8
y 3:8, de lo que no se encuentra razón alguna entre los aspectos, resulta
más noble esta sección octogonal en música.

(33) Ni el dodecagonal. Por el contrario, como lo atestigua la experien­


cia, éste opera y, en música, conoce una fortuna contraria a la del octangu­
lar, pues no constituye ninguna sección peculiar. Véase el tan citado capí­
tulo 6 del libro IV de Harmonice. Ves, pues, que aquella causa quinta nada
era, en cuanto que implica que los que no completan el plano no pueden
constituir aspectos. Puesto que aunque tomados de uno en uno no comple­
ten un plano, sin embargo lo completan juntos.
(34) Y aquí casi distingo. Fue necesaria alguna distinción, pero por ra­
zones muy diferentes de las que se mencionan en este quinto lugar.
(35) En efecto, el razonamiento hecho a partir de los ángulos es adecua­
do. Magnífico; y esto mismo vale también para la causa verdadera. Véase el
libro IV de Harmonice.
(36) Y (no es debida) a una figura trazada. Esto es exagerado y contra­
rio a lo ya dicho. Si es debida al ángulo, también entonces a la figura, pues
la figura se constituye por los ángulos, y la elección de ángulos se hace "con
vistas a la figura. Pero véase mi reserva sobre la figura central y de la
circunferencial que expuse en libro IV, capítulo 5, de Harmonice I9.
(37) No menos, sin embargo, pueden. Este párrafo encierra casi todo lo
que abordo en mis libros de Harmonice. Pues en los libros I y II antepuse,
como causa arquetípica, la parte geométrica) común, en el libro III expuse
lo que eso causa en la Música, y en el libro IV lo que causa en los aspectos 20.
(38) La Música de Ptolomeo. El lector dirá que en vano esperaba yo
hallar estas causas en la Música de Ptolomeo, si alguna vez estos autores
son editados junto con mis notas, y Dios me da vida para ello. Pues Pto­
lomeo incide en los números como causas, sin considerar a las figuras como
números numerados. En consecuencia, con los antiguos, proscribe a muchas
consonancias, mientras acepta entre las consonantes a algunos intervalos que
no lo merecen. Véase en Harmonice, libro III, folio 27.
(39) Lo que a este propósito pudiera referirse en la Música de Euclides.
Salvo las Proposiciones transcritas por Dasypodio 21 nada más he visto de
esto. Y tampoco es esperable que se vaya a encontrar-en Euclides lo que
no se halla en Ptolomeo ni en Porfirio posteriores en el tiempo.
SOBRE EL CÁLCULO
DE LOS ORBES INSCRITOS ,
Y CIRCUNSCRITOS EN LOS SOLIDOS

N ada se ha dicho hasta aquí más que algunas señales concordes,


y «aparentes» con el teorema propuesto. Pasemos ahora a las «dis­
tancias» 1 de los orbes astronómicos y a las demostraciones geomé­
tricas; si ellas no concuerdan habremos perdido sin duda todo nues­
tro trabajo anterior. Y antes que nada veamos la proporción en que
se hallan los orbes inscritos y circunscritos en cacfa uno de los cinco
cuerpos regulares.
Los radios o semidiámetros de los circunscritos son iguales a las
semidiagonales de los cuerpos. Pues a menos que todos los vértices
de las figuras toquen en la misma superficie, el cuerpo no será re­
gular. Pero dos ángulos opuestos y el centro de la figura siempre
están en la misma línea o eje de la esfera. Se exceptúa el Tetraedro
que tiene cada vértice opuesto al centro de las caras opuestas.
Ahora, la recta que conecta el centro del sólido y de la base es
el radio, o semidiámetro, del orbe inscrito, por la última proposición
del libro XV del Euclides, de Campano 2. Pues la esfera inscrita debe
tocar todos los centros de las caras de la figura; y las figuras inscritas
y las circunscritas todas tienen el mismo centro.
Siendo esto así, es fácil ver que el cuadrado del radio del círculo
circunscrito a la base debe restarse del cuadrado del radio del orbe
circunscrito para que el resto sea el cuadrado de
la línea buscada, o radio del orbe inscrito. En la
figura, adjunta H O M es el eje del orbe circuns­
crito; el centro común de éste y de la figura ins­
crita es O ; H G L es una cara de la figura, que en
este caso es la base;-I es el centro de la base; HI
es el radio del círculo circunscrito a la base. Y la
recta trazada desde O , centro del orbe, hasta I,
centro del círculo pequeño, será perpendicular al
círculo y a la línea HI. Por tanto en el triángulo H IO el ángulo I
será recto. Luego el cuadrado de H O será igual a los cuadrados de
HI y de IO . Y restando él cuadrado de H I del cuadrado de H O
queda el cuadrado de IO , que es el cuadrado buscado, por el (teo­
rema) 47 del libro I (de Euclides).

De aquí resulta evidente que para obtener IO en todas las figu­


ras, habrá que hallar primero. H I, radio de la base. Pero el radio H I
es conocido si es conocido el lado de la figura circunscrita por un
círculo. De aquí que para hallar el radio de la base necesitemos
primero hallar el lado ae una figura.

Pero si ahora se toma el radio de cualquier círculo circunscrito


como seno total de 1.000 partes (esta magnitud es suficiente para
nuestro propósito), entonces el cuadrado de la arista del cubo vale,
por la prop. 15 del libro 13 de los Elementos de Euclides 3, una
tercera parte del cuadrado del eje; de modo que si él eje vale 2.000,
ia arista del cubo vale 1.155. El cuadrado de la arista del octaedro,
por la prop. 14 del mismo, será la mitad del cuadrado del eje. El
cuadrado ae la arista del tetraedro es, por la prop. 13 del mismo,
3/2 del cuadrado del eje. Pero hasta aquí se ha
utilizado aquel teorema áureo de Pitágoras so­
bre los cuadrados de los lados del triángulo
rectángulo, prop. 47 del libro I. Respecto a los
dos cuerpos restantes es preciso recurrir a la
otra joya de la geometría, que trata de la línea
recta cortada en proporcion extrema y media,
que es la proposición 30 del libro VI. Pues la
arista del dodecaedro es la más larga porción de la arista del cubo
cortada según la proporción extrema y media, por el corolario 17
del libro 13 4. Así, para hallar la arista del icosaedro necesitamos
hallar el radio del círculo que toca cinco vértices del icosaedro que
es A C en el círculo AB. Su cuadrado es la quinta parte del cuadrado
del eje, por el corolario 16 del libro 13. Por tanto, por las prpp. 5
y 9 del mismo libro, si el radio de este A C se divide en razón
extrema y media, su segmento más largo A D es el lado del decágono
que puede ser inscrito en el mismo círculo AB. Así, la suma de los
cuadrados del radio A C entero y del segmento mayor A D es igual
al cuadrado del lado E F del pentágono inscrito en este círculo, por
la prop. 10 del libro 13. Y como sé halla situado entre dos vértices
del icosaedro, será también una arista del icosaedro, por las props. 11
y 16 del mismo libro.
Tenemos ya las aristas de todas las figuras en ra­
zón del eje de la esfera circunscrita. Ahora continua­
mos investigando los radios de los círculos circuns­
critos a la base a partir de las aristas ya conocidas;
cosa que con la ayuda de los senos obtendrá muy
fácilmente quien no considere que aquí se necesitan
números absolutamente exactos. Pero si alguno con­
siderase necesario un trabajo más fino, le mostraré los
fundamentos de esto según Euclides. Puesto que las
bases revisten al menos tres formas, triangulares, cua­
dranglares y pentagonales, en el caso de las triangu­
lares el cuadrado del lado G H es tres veces el del
radio buscado HI, por la prop. 12 del libro mencio­
nado. En el cuadrado, el lado G H al cuadrado es
igual al doble del radio buscado; por fin, en el pen­
tágono, la suma de los cuadrados del lado G H y de la cuerda K H
(que son las líneas conocidas) es cinco veces el cuadrado del radio
buscado H I, por la prop. 4 del libro 14, según Campano 5. Y así
tenemos los radios ae los círculos circunscritos a las bases en la
misma razón que las aristas.
Y si se resta el cuadrado del radio del cuadrado del seno total,
que es el valor del semidiámetro o- del radio en el orbe circunscrito,
quedarán, como se ha probado antes, los cuadrados de los radios de
los orbes inscritos, que era lo que buscábamos. Pero, como dije, es
más cómodo y más fácil utilizar los senos.
Pero aquí no debemos pasar por alto algunas simplificaciones,
para que no sea nuestro trabajo demasiado pesado. En primer lugar
los orbes inscritos en el dodecaedro y en el icosaedro son de la
misma magnitud si las figuras se inscriben en el mismo orbe. Pues
las bases de ambas figuras tienen el mismo radio, por la prop. 2 del
libro 14. Y lo mismo hay que decir del cubo y del octaedro. Puesto
que el cuadrado del eje es igual al triplo del cuadrado del lado del
cubo, y éste igual al doble ael cuadrado del radio del círculo en la
base, se sigue que el cuadrado del eje es seis veces el cuadrado del
radio del círculo sobre la base; por otra parte, en el octaedro, el
cuadrado del eje es igual al duplo del cuadrado del lado, y éste igual
al triplo del cuadrado del radio del círculo sobre la base. Por tanto,
también ahora el cuadrado del eje es igual a seis veces el cuadrado
¿el radio. Pero puesto que, por hipótesis, los orbes circunscritos
tienen el mismo radio, o sea, HM (en la primera figura de este
capítulo), y puesto que tienen también el mismo radio H I del círculo
sobre la base, y puesto que IO H es siempre recto, luego entonces
también el radio de los inscritos, a saber, el tercer lado O I, será
igual, por la conversa de la prop. 26 del libro 1. Por lo cual, una vez
hallados los orbes inscritos en el cubo y en el icosaedro, no es pre­
ciso investigar ni el del octaedro ni el del dodecaedro.
Después, puesto que en el cubo la propia arista es la altura de la
figura, la mitad de la arista será la mitad ae la altura, o sea, la línea
que une los centros de la figura y de la base. Por tanto, no es
necesario hallar el radio en la base.
(1) En tercer lugar, teniendo el octaedro y la pirámide las aristas
iguales, tienen alturas iguales. Y cuanto mayor sea la arista de la
pirámide tanto más alta será la figura misma. Además, el octaedro y
la; pirámide de lados dos veces mayores tienen el mismo orbe ins­
crito. Pues si se corta una pirámide por el medio de sus lados, se
convierte en cuatro pirámides más un octaedro de lados dos veces
más pequeños. Y como la pirámide tiene cuatro caras, ninguna de
éstas perderá su centro en virtud de las menores seccionadas, por
cuanto la sección cae bastante por debajo, y el orbe inscrito perma­
nece, por tanto, en el octaedro resultante de la sección, toda vez que
es tangente a la vez a los cuatro centros primitivos y, de acuerdo
con la definición de sólido regular, a los cuatro nuevos centros sur­
gidos de la sección. Por tanto, si se tiene el orbeinscrito en la
pirámide, o en el octaedro, o en el cubo, se obtendrá muy fácilmen­
te, por la proporción de los lados, el valor del otro orbe inscrito.
Añádase a esto lo que Candala 6 y otros han demostrado a pro­
pósito de los sólidos regulares, como que el cuadrado de N M , diá­
metro del orbe circunscrito al tetraedro, es 4 veces N
media el cuadrado de H I, radio del círculo en la
ase del tetraedro, por el corolario 1 de la prop. 13^
del libro XIII. Que, en la misma figura, la altura
NI, esto es, la perpendicular de la figura sólida es
2/3 del diámetro N M , y que el cuadrado de N I es
igual a 2/3 del cuadrado del lado GH . Que el radio
OI del orbe inscrito en la pirámide es igual a la
cuarta parte de la susodicha perpendicular N I, o a la sexta parte del
diámetro N M , por el corolario 3 de la prop. 13 del libro 13 según
Candala. Abreviadamente1 los cuadrados son entre sí como sigue-
O I .l; IP.2; H P.6; H I.8; N O .9 ; N I.16; NP.18; N H .24; NM.36.
Por tanto, expresados en partes tales que de las mismas el radio
del orbe circunscrito a una figura vale 1.000:

SEM ID IÁ M E T R O
L O N G IT U D D E D E L C ÍR C U L O SEM ID IÁ M E T R O
EN : A R IST A E S : C IR C U N S C R IT O D E E SF E R A
A U N A C A R A ES: IN S C R IT A ES:

El Cubo 1.155 816 V2 577


La Pirámide 1.633 943 333
El Dodecaedro 714 607 795
El Icosaedro 1.051 607 795
El Octaedro 1.414 816 y2 577 en el
caso del círculo ins­
crito en el cuadrado
del octaedro. A te­
ner presente 8.

Notas del autor al capítulo XIII

(1) En tercer lugar, teniendo el octaedro y la pirámide las aristas iguales.


La altura de la pirámide se considera ciertamente desde el centro de la base
hasta-el vértice opuesto, mientras aquí la altura del octaedro que se considera
es aquella que media entre dos bases paralelas. La demostración es fácil,
pues, tras la bisección de los lados de la pirámide y la separación de las
cuatro pequeñas pirámides, queda un octaedro, cuyos lados son la mitad de
los de la pirámide mayor y cuyos cuatro planos uno arriba y tres alrededor
son partes de las cuatro caras de la pirámide mayor. Por consiguiente, las
tres caras laterales tienen la misma inclinación que las tres caras que surgían
de la base de la pirámide hacia el vértice superior, aunque los planos tengan
sus ángulos vueltos hacia abajo. Por tanto, hay la misma razón entre la
perpendicular a este plano y la perpendicular al sólido que la de las perpen­
diculares en el tetraedro entre éste y aquél.
OBJETIVO PRINCIPAL DEL LIBRO
Y PRUEBA ASTRONÓMICA
DE QUE ESTOS CINCO CUERPOS
SE HALLAN SITUADOS ENTRE LOS ORBES

Vengamos ahora al propósito principal. Es-sabido que los cursos


de los astros son excéntricos, y por tanto se requiere la opinión
aceptada por los físicos de que las esferas han de tener tanto grosor
como sea preciso para dar cuenta de las variaciones de los movi­
mientos Hasta aquí (1) Copérnico está de acuerdo con nuestros
filósofos. Pero enseguida se ve que hay entre ellos no pequeña di­
ferencia. Así, por ejemplo, a quien pregunte por el lugar, según la
física, del orbe de Marte, le responderán: la superficie interior del
de Júpiter. Y quizá pudieran hallar apoyos para ello en Ptolomeo y
en la astronomía usual, toda vez que allí no hay ninguna ocasión ni
medio para estudiar las relaciones entre orbes. Al igual que no es
fácil contradecir a quienes han escrito sobre las nuevas Indias, si no
las ha recorrido uno mismo, tampoco puede el astrónomo a quien
la experiencia de-las observaciones y la rundamentación de las. hipó­
tesis no han elevado hasta el propio cielo y hasta entre los mismos
orbes, rechazar las argucias de los físicos sobre los contactos de
los orbes. Ahora bien, ae las hipótesis de Copérnico y del movimien­
to de la Tierra se sigue que no hay ningún caso en que la distancia
entre dos orbes sucesivos no sobrepase en muchas partes a la excen­
tricidad de ambos orbes. Como ejemplo de esto, tomemos los orbes
de la Tierra y- Venus, que, por cierto, son aquellos que menos distan
entre sí.,En unidades en que la distancia media de la Tierra al centro
del universo es de 60, la distancia media de Venus al mismo centro
es de 46 ’/6. La diferencia es de 16 5/6 de esas unidades. La Tierra
en el perigeo se acerca a Venus 2 Vá unidades, y Venus se acerca a
ella en el apogeo otras 2 % unidades, en total 5 unidades. Luego
estos dos cuerpos distan entre sí las 12 unidades restantes incluso
cuando más cerca están entre sí. Pero si alguien quiere aseverar que
estos espacios intermedios se llenan con las deferentes de los nodos
y con los círculos de latitud, que piense que este menester podría
ser cumplido también por orbes mucho más delgados que los que
llenasen un espacio tan dilatado, y que no hay que cargar a la na­
turaleza con la ingente masa de tan grandes orbes. Aunque, por
Hércules, que todas las hipótesis de Copémico se amoldan tan bien,
se hallan tan bien adaptadas y se ajustan tan perfectamente entre
ellas, que no vemos fácilmente la necesidad de orbe alguno vagabun­
deando fuera del curso del planeta para explicar los movimientos.
Pero sea, y que los espacios entre vecinos se llenen con estos orbes;
y veamos, os ruego, cómo es esto. Dado que la distancia del perigeo
de Júpiter hasta el apogeo de Marte se extiende por un espacio do­
blemente mayor que el que se extiende entre el propio Marte y el
centro del mundo (pues la distancia de Júpiter es tres veces la de
Marte), ¿acaso se llena todo este espacio, dos veces más grande que
todo el de Marte, con orbes tan portentosos, para dar cuenta de
pequeños movimientos en longitud y latitud, casi imperceptibles para
la observación, de un mísero planeta? ¿Qué lujo de la naturaleza es
éste? ¿Qué inepta? ¿Qué inútil? ¿Qué poco acorde con su estilo?
Por esto se puede ver que, en Copémico, ninguna esfera roza con
otra, sino que deja enormes espacios entre los sistemas, a buen se­
guro llenos dé aura celeste, pero no perteneciendo a ningún sistema
de los inmediatos. (En la figura adjunta te pongo ante los ojos las
magnitudes de los orbes y de los intervalos según las reales propor­
ciones, tal y como numéricamente fueron establecidas por Copérni-
co.) Mas, puesto que al principio prometí ofrecer a partir de los 5
cuerpos regulares las causas de estos espacios, por qué el Creador
Óptimo Máximo ha dejado entre cada par de ellos tan grandes es­
pacios, a saber, por qué cada figura produce un intervalo singular,
veamos entonces hasta qué punto abordamos esto con éxito y de­
fendemos nuestra causa ante el tribunal de la astronomía y con Co-
pérnico como abogado.
Atribuyo a los mismos orbes el tanto de espesor necesario para
los ascensos y descensos del planeta; y si resulta suficiente lo vere­
mos más abajo en el capítulo 22. Y si las figuras se interponen como
he dicho, es preciso que la superficie inferior del orbe superior se
identifique con el orbe circunscrito a la figura, y la superficie supe-
Lámina IV que muestra la verdadera magnitud de los orbes celestes y de los
intervalos entre ellos, según los valores y opinión de Copémico.

El Excéntrico (referido al Sol como caso más simple) suponiendo a la Tierra


■inmóvil en O. (Véase la traducción de las leyendas del original en pág. 257.)
rior del orbe inferior con el orbe inscrito en la figura; respecto a las
figuras han dé concebirse dispuestas en el orden que racionalmente
confirmé más arriba. Por lo cu al2:

Libro V
de Copémico
Saturno vale Júpiter 577 635 cap. y
Si la Júpiter 1.000 la Marte 333 pero 333 cap. 14
distancia Marte ■máxima^ Tierra 795 según 757 cap. 19
rrinima Tierra será , Venus 795 Copémico 794 caps.
de Venus para Mercurio 577 es de 21-22
ó 707 . 723 cap. 27

Y si al espesor del orbe de la Tierra se añade el sistema de


Luna, en tal caso, si la superficie inferior del orbe terrestre, incluida
la Luna, vale 1.000 unidades, la superficie superior de Venus, según
Copémico, vale 847. El límite superior del orbe terrestre, incluida
la Luna, vale 801, si el inferior del de Marte vale 1.000 3. En este
punto quisiera que te volvieras a mirar la figura del capítulo 2, es
decir, a la representación tal cual de esta interposición.
Observa que los (2) números correspondientes (de las columnas)
son próximos entre sí, e incluso los de Marte y Venus coinciden.
En el caso de la Tierra (3) y de Mercurio no son muy discrepantes
y sólo en el caso de Júpiter la discrepancia es grande, aunque nadie
se extrañará siendo tan grandes las distancias. En el caso de Marte
y de Venus, los vecinos del orbe terrestre, observa la diferencia que
produce la agregación del pequeño orbe lunar al grosor del orbe
terrestre: este (4) pequeño orbe vale tan sólo 3 partes de las que el
orbe terrestre vale 60. '
De lo cual puedes deducir con cuánta facilidad se hubiese adver­
tido, y cuán grande diferencia sería la diferencia de los números, si
esto se abordase contra la propia naturaleza de los cielos, esto es, si
el propio Dios en la creación no hubiese atendido a estas propor­
ciones. Esto ciertamente no puede ser así por casualidad, que las
proporciones de los cuerpos sean tan próximas a estos intervalos,
entre otras razones, y sobre todo, porque el orden de los intervalos
es el mismo que más arriba atribuí a los cuerpos con los mejores
^argumentos; cfr. capítulo 2. Pues, aunque 635 discrepa de 577, sin
embargo no hay ninguno al que esté más próximo que a éste.
(1) Copémico está de acuerdo. Entiéndase esto en lo relativo al espacio
geométrico de las esferas; respecto a su materia, esto es, respecto a su cor­
poreidad adamantina, ni siquiera Ptolomeo formuló idea tan grosera.
(2) Los números correspondientes. Esto es, los números correspondientes
uno frente a otro, por ejemplo, 577-635, o también 333-333.
(3) Y de Mercurio no son muy discrepantes. Si en el caso de Mercurio
se toma no 577, radio de la esfera inscrita en el octaedro, sino 707, radio
del círculo inscrito en el cuadrado del octaedro, entonces la discrepancia de
723 no resulta grande.
(4) Este pequeño orbe. Aquí la proporción asumida entre los orbes del
Sol y de la Luna es de 20 a 1, que es aproximadamente la transmitida por
la astronomía antigua. Pero en el libro IV del Epitome muestro que es casi
tres veces mayor, aunque en las Ephemerides cautelarmente la cifré en vez
y media mayor, i.e. de 30 a 1, hasta que pudiera concluir algo definitivo.
CORRECCIÓN DE DISTANCIAS
Y VARIACIÓN DE PROSTAFERESIS

Para no darte, amigo lector, ocasión alguna de rechazar todo este


asunto por causa de cualquier mínimo desacuerdo, hay que advertir
aquí algo de lo que quisiera que te acordases bien: cual es que la
intención de Copémico no era ocuparse de comosgrafía, sino de
astronomía; esto es, poco le importaba errar un tanto sobre la ver­
dadera proporción de las esferas, dado que a partir de las observa­
ciones establece los números que resulten máximamente adecuados
en la medida de lo posible, para demostrar los movimientos y para
calcular las posiciones de los planetas. Y si alguien tratase de pro­
poner otros más adecuados y de cbrregir estos números de Copér-
nico, de modo y manera que poco o nada perturbe con ello la pros­
taféresis, bien puede hacerlo por lo que a Copémico se refiere.
Y para poner mano por fin a este asunto y para mostrar qué y
cuánto hay de variación para cada planeta en las paralajes del orbe
terrestre, voy a construir un nuevo universo; y puesto que antes los
especialistas han investigado la proporción de la «excentricidad» de
cada planeta respecto al semidiámetro de su órbita, si de la interpo­
lación de los sólidos resultase alguna alteración para la distancia má­
xima o mínima de la órbita respecto al centro del universo, esto
habría de repercutir proporcionalmente en la «excentricidad». Co­
menzaremos por la máxima distancia de la Tierra hacia arriba y la
mínima hacia abajo, hacia el centro.
Pero ante todo es preciso corregir los valores de Copérnico, y
en concreto han de acomodarse al presente objetivo. Pues aunque él
sin duda colocó el centro del universo en el cuerpo solar, sin em­
bargo para ayudar, simplificándolo, al cálculo y, no. apartándose de­
masiado de Ptolomeo, no perturbar a su diligente lector, (1) calculó
las distancias máximas y mínimas de todos los planetas, así como
sus posiciones en el Zodíaco (que retuvieron el nombre de apogeo
y perigeo) no desde el centro del Sol, sino desde el centro del Orbe
Magno terrestre como si este fuese el centro de todo el universo;
eUo pese a que siempre se halle separado del Sol por una distancia 1
que depende de la «excentricidad» máxima de-la Tierra (o del Sol)
en un momento dado. Si en este intento mantengo dichos valores,
se seguiría el inconveniente de que, o bien se cometería un error en
la interpolación al considerar al orbe de la Tierra como un cuerpo,
cuando en realidad es una superficie (como se puede ver en la lámi­
na IV anterior), o bien no dejaría grosor alguno al orbe terrestre,
como se deja 2 para los demás. Por tanto los centros de las caras del
Dodecaedro y los vértices del Icosaedro estarían en la misma super­
ficie esférica, con lo que el mundo resultaría mucho más pequeño 3
y mucho más estrecho de lo que es compatible con la experiencia
de los movimientos y con las observaciones. Y al comentar esta
dificultad con mi ilustre Maestro 4 Miguel Maestlin, por si se decidía
a examinar el teorema propuesto, se decidió a ayudarme con grande
e inusual celo, y no sólo calculó de nuevo las mismas distancias de
los planetas a partir de las Tablas Pruténicas 5, sino que también
ejecutó para mí la adjunta figura, y de este modo me excusó de una
tarea pesada, molesta y difícil, cuando me encontraba agobiado por
otras ocupaciones no pequeñas. Esta figura que, con el permiso ex­
preso del autor, te ofrezco, lector, y te la recomiendo de modo tal
que no sólo en este asunto te será provechosa, sino que te pondrá
ante los ojos un más que intrincado enredijo, y además te conducirá
de la mano por los secretos de las Tablas Pruténicas y de Copémico.
Pues da gusto aprender de ella cómo los distintos ápsides de los
planetas caen en distintos puntos del Zodíaco, que en el caso de
Venus genera una diferencia de más de treinta grados.1Pues en su
apogeo cae en Tauro y Géminis y su afelio en Capricornio y Acua­
rio. También se puede ver que las líneas 6 de las distancias al Sol
son muy diferentes de las líneas de distancia al centro de la órbita
terrestre. Esta diferencia es máxima en el caso de Saturno, debido a
que a esa distancia se le añade la total excentricidad, de la Tierra. En
el caso de Júpiter, en cambio, hay poco desvío, porque, al contrario
que Saturno, no alcanza su más alto punto en oposición al Sol sino
en Libra, desde donde casi dista igual a ambos centros, al del Sol y
al del Orbe Magno. Y también pone a la vista esta figura la demos-
160 El secreto del universa

Lámina V que muestra las posiciones de las Esferas excéntricas del mundo.

Situación en la época de Ptolomeo, hacia 1400.


seg ú n la opinión de Copérnico y según los valores de las Tablas Pruténicas.

LMn K
tración de aquello que Copémico despachó con unas pocas palabras
en De Revolutionibus, libro 5, capítulos 4, 16 y 22 al final, respecto
a la excentricidad variable de Marte y Venus en comparación con la
variación de la excentricidad terrestre, si bien Rhetico en su Narratio
lo expuso más profusamente. Y hay aún otra cosa que esta figura
nos enseña, que ahora pospongo porque se puede exponer mejor en
otro lugar. Pero vayamos al asunto. Propondré una tabla 7 con cua­
tro columnas de números. En la primera columna estarán las distan­
cias de los planetas desde el centro del Orbe Magno, tal y como esas
distancias y valores se deducen directamente y sin alteración de Co-
pérnico y de las Tablas Pruténicas. En la segunda columna se en­
cuentran las distancias de los orbes al centro del Sol procedentes de
Copémico tras la rectificación de valores que se acaba de ver en
nuestra tabla anterior. En la tercera y la cuarta se encuentran de
nuevo las distancias de los planetas al Sol, tal y como resultan mo­
dificadas por la interpolación de los sólidos. Pero en la tercera co­
lumna aparecerá aquella estructura del mundo basada en el grosor
simple del orbe terrestre, sin el añadido del sistema lunar. Mientras,
finalmente, en la cuarta aparecerá tanto grosor del orbe terrestre
cuanto sea preciso para contener por arriba y por abajo al semidiá­
metro de la órbita lunar.

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Sat. máx. 9 42 0 9 59 15 10 35 56 11 18 16
mín. 8 39 0 8 20 30 8 51 6 9 26 26
máx. 5 27 29 5 29 33 5 6 39 5 27 2
Júp- mín. 4 58 49 4 59 5? 4 39 8 4 57 38

Mar. máx. 1 39 56 1 38 52 1 33 2 1 39 13
mm. 1 22 26 1 23 35 1 18 39 1 23 52

Tier. máx. 1 0 0 1 2 30 1 2 30 1 6 6
min. 1 0 0 0 57 30 0 57 30 0 53 54

Ven. máx. 0 45 40 0 44 29 0 45 41 0 42 50.


mm. 0 40 40 0 41 47 0 42 55 0 40 14

Mere. máx. 0 29 24 0 29 19 0 30 21 0 28 17
mm. 0 18 2 0 14 0 0 14 0 0 13 7

Sol máx. 0 2 30 0 0 0 0 0 0 .0 0 0
mín. 0 1 56
Estas son las distancias.. Ahora añadiré una tabla de los arcos 8
correspondientes a los senos que forman las distancias máximas de
Venus y Mercurio, si se toma la distancia media de la Tierra como
seno total, o también, que forman con la distancia media de la Tie­
rra, si se toman las distancias máximas de los planetas superiores
como seno total, arcos de los cuales estarán muy próximas las elon­
gaciones máximas de Venus y Mercurio respecto al Sol, y de los
otros serán muy próximas las prostaféresis de Saturno, Júpiter y
ftíarte en el apogeo. En la primera columna están, los arcos proce­
dentes de los sólidos excluida la Luna, en la segunda los arcos pro­
cedentes de las distancias copernicanas al Sol, en la tercera finalmen­
te los arcos procedentes de los sólidos añadiendo la Luna a la Tierra;
interpuestas entre las columnas se hallan las diferencias.

O
’ O
’ O

Saturno 5 25 -0 20 5 45 - 0 . 41 5 4
Júpiter 10 17 -0 12 10 29 -0 6 10 23

Marte 40 9 +2 47 37 22 +0 30 37 52
Venus 49 36 +1 45 47 51 - 2 18 45 33
Mercurio 30 23 +1 4 29 19 -1 1 28 18

Notas del autor al capítulo XV

(1) Calculó las distancias... de todos los planetas. En qué consiste la falta
de esta, digamos, distorsión del sistema planetario y cómo se contrapone
con las observaciones de Brahe sobre Marte, lo expuse con minuciosidad en
mis Comentarios sobre el movimiento de este planeta, explícitamente, en la
primera parte que trata de la equivalencia de las hipótesis. Y, puesto que
para evitar estos errores, fue preciso situar de nuevo, por así decirlo, el
fundamento del universo en el centro del Sol, resultó de ello que las posi­
ciones en el Zodíaco en que los planetas están más cerca o más lejos ya no
pueden conservar por más tiempo los nombres de Apogeo y Perigeo, como
lo hacen en Copérnico de manera impropia, sino que de manera más propia
y significativa recibieron de mí el nombre de Afelios y Perielios.
PECULIAR COMENTARIO SOBRE LA LUNA
Y SOBRE LA MATERIA DE LOS
CUERPOS Y DE LOS ORBES

N o es poca la perplejidad que produce el orbe de la Luna, por


pequeño que éste sea. Y, por tanto, ya e$ hora, de que diga alguna
cosa sobre la Luna. Y empiezo confesándote, lector, sin ambages y
sinceramente mi intención, cual es la de seguir en este asunto la
dirección hacia la que se incline la aproximación de los números. De
modo que si la interposición de la Luna hace más próximos los
números y arcos de Copérnico, diré que debe añadirse su sistema al
grosor del Orbe Magno Pero si, en cambio, excluyendo a la Luna
podemos concordar mejor con Copérnico, entonces yo también diré
que el Orbe Magno no debe extenderse en su grosor tanto como
para alcanzar al orbe lunar, sino que el hemisferio lunar entero so­
bresaldrá, ahora por arriba, ahora por debajo, a veces sobre y otras
bajo los límites del Orbe Magno, aunque frecuentemente sea menos
de un hemisferio, según que el cuerpo de la Tierra, que es el centro
del orbe lunar, ascienda o descienda a través del grosor de su órbita.
(1) Y no sé, vive Dios, hacia qué lado se inclinan más los argumentos
cosmográficos o incluso los metafísicos. (2) Ciertamente parece cosa
adecuada que no haya en el cielo una esfera que tenga semejante
nudo, como el anillo que porta una joya, cuya protuberancia im­
pida que la esfera sea perfectamente redonda. Pero, inversamente, al
considerar la forma de la esfera, ¿para qué tener en cuenta a la Luna,
si no pertenece propiamente a la esfera terrestre, como las oscilacio­
nes hacia arriba o hacia abajo de los otros planetas (que físicamente
se explican fácilmente mediante los epiciclos) como, decía yo, estos
epiciclos sí pertenecen cada uno a su propia esfera? Pero es a la
Tierra a la que pertenece efectivamente el tercer orbe a partir del
Sol, ella con su arrastre lo empuja en tom o al Sol por entre los
demás planetas, ella por sí misma y por sus epiciclos, sin ayuda para
ello de la Luna, completa sus variaciones, como enseñan las doctri­
nas de Copérnico; mientras que la Luna ocupa esta reducida estancia
en tomo a la Tierra como en precario y encerrada, la Luna sigue o
mejor es llevada hacia donde la Tierra se dirige en cualquiera de sus
variaciones. Imagínate a la Tierra en reposo, y la Luna jamás encon­
trará el camino en torno al Sol, y menos aún lo circundará. Discurre,
pues, de un lado a otro dentro de espacios clausurados en tom o a
la Tierra, suministrando a ésta luz y humores como un criado en
tomo a su capataz, o también como aquellos que en un barco deam­
bulan, aunque por más que se cansen no logran avanzar en su viaje,
sino que la gran fuerza de las aguas o los lleva hacia donde no saben
o los mece en reposo. Y al igual que la Luna ha obtenido su espacio
y su movimiento del orbe terrestre, de igual modo Maestlin 2 prueba
con muchas conjeturas, y yo mismo tengo algunas, que ha recibido *
también muchas condiciones del globo terrestre, como, por ejemplo,
los continentes, los mares, los montes, la atmósfera, o lo que quiera
que a estas cosas corresponda, de modo y manera que por esto
solamente viene Copémico a resultar más verosímil, al asignar a
estos dos cuerpos el mismo lugar y movimiento. Y ciertamente pa­
rece que el Creador «Filántropo» revistiese con este último orbe
lunar a la Tierra, puesto que con ello quiso darle a la Tierra una
ubicación semejante 3 a la del Sol, tal cual si ella fuese también cen­
tro de algún orbe (como es el Sol centro de todos) de modo que
pueda ser tenida por una especie de Sol, razón por la que ella misma
ha sido considerada por toaos centro común del universo.
Jugando de nuevo con las alegorías, el hombre es ciertamente y
por completo como una especie de Dios en el mundo, y su hogar
es la Tierra, al igual que el de Dios, si tuviese un hogar corpóreo,
sería el Sol, luz inaccesible. Y como el hombre a Dios, así la Tierra
debe corresponder al Sol. Y como prueba en favor de esto, (3) hay
casi la misma proporcion entre el globo terrestre y el orbe lunar que
entre el globo solar y la distancia media de Mercurio al Sol.
Y no hay que temer que los orbes lunares se estrechen compri­
midos por las proporciones de los orbes vecinos en el caso de que
no fuesen incluidos y resguardados dentro del orbe terrestre. Pues
es absurdo y monstruoso situar a estos cuerpos en el cielo provistos
de materialidad 4 alguna de modo que impidan él paso de otros cuer­
pos. Y en verdad que algunos no temen dudar si las esferas celestes
acaso no sean de este tipo adamantino, o si mediante alguna suene
de poder divino, (4) regulado su curso por el conocimiento de. las
proporciones geométricas, las estrellas son transportadas libres de
estas trabas de los orbes a través de los campos y aura etérea. Nin­
gún peso, por cierto, hará los pasos del que se mueve dudosos y
titubeantes, hasta el punto de hacerle a veces salir de su órbita.
(5) Pues ningún punto, ningún centro tiene peso. Sino que todas
las cosas de la misma naturaleza que el cuerpo buscan el centro. Pero
el centro no adquiere peso por el hecho de que atraiga hacia sí a
otras cosas, o sea atraído por ellas: (6) no más que el imán adquieré
peso, por estar de hecho atrayendo al hierro. Y esta Tierra, que en
completo acuerdo con Copémico afirmamos estar en movimiento,
¿con qué palancas, con qué cadenas, con qué celeste adamante sé
halla encerrada en su orbe? Seguramente con el mismo aire que to­
dos nosotros, los hombres, respiramos en torno a la Tierra (fermen­
tado y mezclado con vapores); aire que penetramos con las manos,
con el cuerpo, pero que no separamos o desplazamos, toda vez que
es el vehículo de los (7) influjos celestes hacia el interior de los cuer­
pos. Aunque, ¿qué necesidad hay de tantas palabras? Pues, aunque
el pequeño orbe lunar sobresalga por encima del orbe terrestre, ¿qué
elemento del Dodecaedro o del Icosaedro impediría su tránsito? Ya
has visto más arriba, en el capítulo X I, donde hemos cortado estos
dos cuerpos con el plano zodiacal, que no se encuentra con ningún
vértice y con ningún centro de caras, sino que en ambos casos re­
sulta de la sección un decágono en el cual la perpendicular trazada
desde el centro hasta el lado es, en el Dodecaedro, mucho mayor
que el radio del orbe inscrito y, en el Icosaedro, mucho menor que
el radio del orbe circunscrito; y además, lo bastante larga como para
qué no sólo el pequeño orbe lunar,\sino también algo que sobresa­
liese mucho más cfel orbe terrestre pudiera transitar por esa vía in­
termedia y entre dichos decágonos. Pero aunque estas cosas se que­
den como están, el asunto no va a sufrir por ello. Pues ya ves que
con la interposición de la Luna, salvo en el caso de Venus, nos
aproximamos tanto como es posible a los valores resultantes de los
arcos mediante los senos de Copémico.

Notas del autor al capítulo XVI

(1) Y no sé, vive Dios, hacia qué lado se inclinan más los argumentos.
Pero ahora, una vez publicadas mis reflexiones sobre la armonía, esta con-
tróversia ha sido zanjada en el libro V de Harmonice. Pues, primero, las
proporciones de las esferas han dejado en parte de depender de los cinco
sólidos; toda vez que, su proporcion última y más perfecta, se debe a la vez
a los cuerpos y a la armonía, por las props. 48 y 49 del capítulo EX. En cuya
virtud nada en este o el otro sentido puede aducirse para la Luna a partir
únicamente de los cuerpos. En segundo lugar, incluso aunque las propor­
ciones de los orbes se formasen sobre todo de solamente los cinco cuerpos,
no obstante se establece por las props. 46 y 47 que la manera de formarse
esas proporciones es distinta y tal qué la inscripción física de los orbes
representa los grados de perfección de las proporciones geométricas. En
tercer lugar, consta por todos los axiomas y proposiciones de dicho libro
que es necesario un límite último de la proporción de las distancias, debido
al movimiento de los planetas, de modo que puedan tener lugar armonías
exactas entre los movimientos extremos. Si esto es así, ninguna proporción
puede hallarse para la Luna girando en tomo a la Tierra, toda vez que en
nada contribuye a aumentar o retardar el movimiento de algún planeta, ni
completa su circuito en tomo al Sol, ni su movimiento parece regular, visto
desde el Sol. Pues el movimiento de la Luna, contemplado desde el Sol,
parecería realizado a saltos. Por tanto es preciso argumentar sobre la esfera
terrestre como si la esfera de la Luna no le añadiese grosor alguno.

(2) Ciertamente parece una cosa adecuada que no haya en el cielo una
esfera que tenga semejante nudo. En dos sentidos se puede entender esto:
el primero, acorde con el texto, es éste: que exis­
te en verdad una esfera con un nudo, pero éste
se halla incluido en la órbita del planeta, que
será de un espesor tal que este nudo, o cielo de
la Luna, quede enteramente encerrado dentro, y
no impida en nada ni por la superficie exterior
ni por la interior la absoluta esfericidad. El otro
sentido de estas palabras que pudiera atribuirse
es éste: es en general absurdo que la Luna gire
en tomo a la Tierra, mientras ésta gira en torno
al Sol. Para deshacer también esta objeción, diré:
pudiera parecer esto adecuado si aún no se hu­
biesen descubierto los planetas circunjoviales y demás cosas nuevas en el
cielo. Pero una vez conocidas estas cosas, ya no debe parecer jamás adecua­
do que no exista aquello que ciertamente existe, a saber, un cuádruple nudo
en tomo a Júpiter, si por nudo corpóreo se quiere entender los espacios
ocupados por los móviles dispuestos en tomo a Júpiter tal y como se halla
dispuesto, el curso de la Luna en torno a la Tierra. Pues, sobre la solidez
corpórea de las esferas ya se advirtió bastante más arriba, y se advertirá más
en lo que sigue.
* Recibido también muchas condiciones del globo terrestre. Sobre este
punto hay consenso a lo largo de los tiempos de muchos filósofos que han
pretendido superar el saber del vulgo. Diógenes Laertio se lo atribuye a
Anaxágoras5; y en mi obra titulada Paralipomena and Vitellionem, en el
capítulo «Sobre la luz de las estrellas», me refería á Plutarco: De facie Lu-
nae. También Aristóteles es citado por Averroes 6. Pero al fin Galileo ha
establecido definitivamente esta idea con el telescopio belga. Véase también
mi Conversación con el mensajero sideral.
(3) Hay casi la misma proporción entre el orbe terrestre y el de la Luna.
Ciertamente esta proporción es segura, e.d., de 1 a 59 aproximadamente;
pero la proporción del Sol al orbe de Mercurio es un poco distinta, e.d.,
no hay que tomar la distancia media de Mercurio, sino el orbe más interior
y más estrecho; al cual en la tabla del capítulo XV se le atribuyen 14 grados,
mientras que el radio del Sol, observado también desde la Tierra, contiene
15 minutos, por lo que la proporción viene a ser de casi 1 a 56.
(4) Regulado su curso por el conocimiento de las proporciones geométri­
cas. Así, al menos, lo creía entonces; pero más tarde, en el Comentario sobre
Marte, demostré que ni siquiera hacía falta este conocimiento en el motor.
Pues, aunque a todos los movimientos se les han prescrito proporciones
ciertas, y esto por parte de la Inteligencia misma suprema y única, e.d. por
Dios Creador, sin embargo dichas proporciones de los movimientos se con­
servan invariables desde la creación hasta hoy no por obra de alguna inte­
ligencia conferida con la creación al motor, sino por otras dos cosas; la
primera es la rotación absolutamente uniforme y perenne del cuerpo solar
junto con su propia especie inmaterial, que se expande hacia todo el mundo,
especie que hace las veces de motor; la otra causa son las libraciones y
direcciones magnéticas inmutables y perennes de los propios cuerpos mó­
viles. Por tanto estas criaturas no necesitan ya de ninguna inteligencia para
guardar las proporciones de sus movimientos, como los brazos de una ba­
lanza no han necesidad de una mente para proporcionar las razones de los
pesos. Si bien, hay otros argumentos para probar que existe en los cuerpos
de los planetas, al menos en el de la Tierra y en el del Sol, un cierto inte­
lecto, aunque no ciertamente racional como el del hombre, sino instintivo
como en las plantas, mediante el que se conserva la forma de la flor y el
número de hojas. Sobre esto véanse los Epílogos de los libros IV y V de
mi Harmonice.
(5) Ningún punto... tiene peso. Se halla concebido este argumento de tal
modo que quisiera oír lo que los físicos pudieran decir en su contra. Pues
en estos 25 años no sé de nadie que se haya presentado para discutirlo. Y
sólo la honestidad me mueve a discutirlo yo mismo. Ya ves, pues, lector lo
que yo quería decir, que solamente el centro es lo que primordialmente gira
en tomo al Sol, pero que esto además puede hacerse mediante un solo nudo,
al no tener peso, al igual que tampoco partes. Un físico que sostenga lo que
se sigue de aquí, que todas las cosas siguen al centro, no puede desmontarme
esta proposición. Y puesto que la doctrina física común mantiene esto sobre
el centro del mundo, que todos los graves buscan este centro, por ello pensé
yo que las cosas graves podrían por la misma razón buscar el centro de su
propio cuerpo. Pero en el libro I del Epitomes Astronomiae demostré ser
falso este axioma de los físicos, que los graves busquen algún centro como
tal, y más falso que sea el centro del mundo; es verdad, aunque accidental­
mente, que busquen el centro de la Tierra no en tanto que este es un punto,
sino en cuanto buscan el cuerpo de la Tierra, el cual, al ser redondo, deter­
mina que dicha apetencia se dirija hacia el interior, y por tanto hacia el
centro; de modo que si la Tierra tuviera una figura distorsionada en grado
apreciable, los graves puesto que buscan el cuerpo terrestre no tenderían
por doquier hacia un único punto. Por tanto, al fallar esta base, se derrumba
también el edificio, demasiado grande para ella. Esto es, los cuerpos de los
planetas en movimiento, o en estado de traslación en tomo al Sol, no han
de ser considerados como puntos matemáticos, sino plenamente como cuer­
pos materiales y dotados de algo como la pesantez (tal como dije en mi
libro De Stella Nova), es decir, como si estuviesen dotados de la facultad
de resistir al movimiento conferido desde fuera, en proporción a la masa
del cuerpo y a la densidad de materia. Puesto que toda materia tiende al
reposo en el lugar que ocupa (a menos que otro cuerpo vecino la atraiga
hacia sí con fuerza magnética), de aquí se sigue por tanto que la fuerza
motora del Sol luche con esta inercia de la materia, al igual que en la balanza
pugnan los dos pesos, y de la proporción de una y otra fuerza surgirá al
fin la aceleración y desaceleración del planeta. Véase la introducción al «Co­
mentario sobre Marte» al igual que los «Comentarios» mismos, y especial­
mente el libro IV de Epitomes Astronomiae.
Sin embargo, no se sigue de aquí, cosa que trataba de evitar mediante
un falso razonamiento, que los pasos del motor se tomaran dudosos e in­
seguros si se esfuerza contra el peso y vence en la pugna. Pues la proporción
de ambas fuerzas entre sí es fija y constante y la victoria se distribuye entre
ellas según el módulo de fuerzas; de manera que ni el planeta se detenga en
el mismo sitio ni alcance la velocidad de la rotación solar.
ras del Octaedro. RITV son los centros de las caras determinantes
de la amplitud de la esfera inscrita de la que aquí se ve el círculo
máximo. Si se imagina a esta esfera girando sobre los puntos XH
dos vértices de la figura, se encontrará en P con el cuadrante de la
circunferencia de los polos de una amplitud O Q , que es mayor que
O I o también OP, que son semidiámetros de la esfera. Su diferencia
es PQ. Y esta es la amplitud del círculo que saliendo fuera de la
esfera, a semejanza del horizonte en una esfera armilar, puede pasar
por medio de un Octaedro. Pues Q y S son los puntos medios de
los dos lados y por tanto los inmediatos a la esfera.
De modo que si un planeta inteligente recibiese la orden de cir­
cular por dentro de un Octaedro, tomando
a dos vértices por polos y mantener la am­
plitud del orbe inscrito como trayectoria,
nada extraño sería, vive Dios, si, tentado por o
aquella amplitud en la que ningún obstácu­
lo se lo impidiese en derredor, extraorbita-
de cuando en cuando un poco, como hizo Faetón, hasta que fuese re­
pelido por un lado que le saliese al paso. Lo que yo digo bromean­
do, los especialistas se lo atribuyen en serio a Mercurio. Puesto que
todos los demás en cada revolución describen círculos de la misma
amplitud (pues cuanto en un lado se apartan del Sol otro tanto
se acercan en el otro lado de su curso). (1) Solamente Mercurio
ha merecido de los especialistas que se pueda decir que describe
un círculo unas veces mayor y otras menor, y gozar solo de este
privilegio. Dicen que se acerca y se aleja del centro O de su órbita
por la línea recta YZ, sobre la que el semidiámetro O Y describe un
círculo mucho menor que el semidiámetro OZ. Pues todas las demás
desigualdades las comparte por igual con los demás, y ninguna de
ellas la ha cambiado por esta extraorbitación. (2) Y mientras todas
las excentricidades de los demás, aunque no proporcionalmente, de­
crezcan de modo que siempre sea menor la de la órbita más pequeña,
solamente Mercurio la tiene enorme, o sea, diez veces la de Venus,
cuando debería tenerla menor por ser él mismo inferior. Por lo cual,
aunque yo no haya llegado a conciliar dicha particular desigualdad
con esta diferencia entre la órbita y la esfera, y ni siquiera quizá
pueda conciliarse, tal y como los especialistas lo han presentado, no
obstante yo no dudo de que el creador atendiese a las exigencias de
esta figura a la hora de adjudicar los movimientos a Mercurio. Por
lo cual cada vez me parecen más y más divinas tanto la astronomía
como las propuestas de Copérnico.
(3) Busquen otros, si quieren, las causas de las restantes excen
tricidades a partir de sus propios sólidos. Y puesto que tales extraor
bitaciones no han sido atribuidas por Dios a cada planeta al azar y
sin razón, no hay que desesperar en la investigación de sus causas.
Además, para acomodar la variación de Mercurio al Octaedro se
puede proceder así. Tómese por cierta la proporción de la excentri­
cidad ae Mercurio respecto a su distancia media al Sol, dado que en
Copémico (como se ve en la tabla V del cap. XV) la máxima vale
488 y la mínima 231, la media será, por tanto, de 360, y el espesor
total 257. Ahora hay que corregir el grosor2 proporcionalmente,
puesto que el círculo del Octaedro no permite más que 474, en lugar
de 488 ae Copémico, el grosor según esta proporción no será más
que 250, y la distancia media corregida, de 349. Considera ahora lo
que permite la esfera en el Octaedro, esto es, 387. Entonces, la di­
ferencia entre el extremo superior de la esfera y 349, que es el punto
medio, es de 38; y dos veces, esto es, 76, lo que da un grosor del
estilo de los demás, algo mayor todavía que el de Venus, pero sin
embargo no ya tan exagerado. La otra diferencia entre el punto más
alto del orbe 387 y el punto más alto del círculo 474, que es de 87,
se debe a la particular extraorbitación de Mercurio. Que consideren
los especialistas si se ha de objetar este «intento» o más bien recon­
ciliarlo con la forma de los movimientos en la «hipótesis» de Mer­
curio, o acaso establecer un nuevo sistema para los movimientos.
Pues los desvíos de esta estrella no están lo suficientemente bien
investigados como para no necesitar su órbita de alguna corrección.

Notas del autor al capítulo XVII

(1) Solamente Mercurio ha merecido. Que sea esto peculiar que los es­
pecialistas atribuyen a Mercurio, puedes más directamente verlo en el mismo
Ptolomeo y en las «teóricas» de Peurbach y Maesdin, y al final la manera
en que Copémico por una doble vía (porque no estaba satisfecho consigo
mismo) trasladó esto a la forma de sus hipótesis, aunque equivocándose,
puesto que le añade más (mediante los movimientos que imitan una especie
de triángulo) que lo que se había propuesto obtener de Ptolomeo: todo esto
no es preciso exponerlo en este lugar, por tratarse aquí de la opinión de los
hombres y no de la verdad de las cosas; y si algo útil se dijera, más propio
sería de otro lugar. Lo que hay de hecho es que en Mercurio existe una
enorme excentricidad en su círculo en tomo al Sol, círculo al que Ptolomeo
llama epiciclo y yo excéntrico, y que incluso en dicho excéntrico se mueve
¡rregúlarmente en relación con la excentricidad. Cómo, a partir de estos
principios y de la excentricidad de la Tierra, se ha construido esta fantasía
de Un doble perigeo, lo mismo que el movimiento cuasi triangular, esto se
expondrá en la demostración del movimiento de Mercurio, sin dejar de
mencionar el resumen de esto en el libro VI á i Epitomes Astronomiae. Aquí
es suficiente con advertir que del Octaedro no surge ninguna causa arque-
típica de esta singularidad de Mercurio, y por lo mismo la hipótesis de este
capítulo es falsa; no obstante es muy grato el recuerdo de este Epiquerema,
en la medida en que muestra por qué grados de ignorancia habría de ascen­
der a la ciencia y constitución de la Astronomía.
(2) Todas las excentricidades de los demás. Y esto ni siquiera en todos;
pues la excentricidad real de Saturno es mayor que la de Júpiter; mientras
que la de Júpiter es mucho menor que la de Marte, que es planeta inferior.
(3) Busquen otros. Nadie ha surgido que lo haga: Buscad y hallaréis. He
buscado y he encontrado, libro V de Harmonice, causas importantísimas.
Hasta tal punto es bueno y fiable el dicho: No desesperar: tan poderoso y
fecundo es el axioma aquí adoptado: Nada ha sido hecho por Dios al azar.
SOBRE EL DESACUERDO
ENTRE LAS PROSTAFÉRESIS
DERIVADAS DE LOS SÓLIDOS
Y LAS DE COPÉRNICO EN GENERAL;
Y SOBRE LA EXACTITUD EN ASTRONOMÍA

Más arriba, en los capítulos 14 y 15, mientras casi parecía ser


víctima de un error sobre la base de las distancias dadas por Copér­
nico distintas de éstas derivadas de las figuras, apelé a las «prosta-
féresis en el apogeo» *, y no solicité librarme de la crítica si mis
distancias se apartan un tanto de las copemicanas. Pero una vez que
al final del capítulo 15 propuse los arcos de la elongación desde el
Sol como semejantes a las prostaíéresis resultan constituidos en
testigos en esta especie de juicio, y aparentemente testifican en mi
contra. En efecto, ninguno de los planetas conserva el arco que le
fue atribuido por Copérnico. A Saturno le quité 41’ ; a Júpiter, 6’ ;
a Marte 2 le añadí 30’ ; a Venus le aumenté la enormidad de 2o 18’ ;
y a Mercurio, 61’. Por tanto, quienes desean examinar las cosas con
toda exactitud considerarán que, puesto que el cálculo a partir de
los sólidos no concuerda exactamente con los datos de Copémico y
con sus valores, todo mi trabajo es un puro juego. Y, salvo que yo
responda a esto, habré perdido la causa en virtud de mi propia sen­
tencia. Y no debo explicaciones sobre esta diferencia a los Físicos o
a. los Cosmógrafos, cuya personalidad asumo en esta pequeña obra.
Pues, aunque toman de los astrónomos los argumentos en favor de
sus propuestas, sin embargo no recurren a los cálculos tan riguro­
samente como los astrónomos, ni son tan sutiles ni tan cuidadosos 3
como para verse perturbados por esta mínima diferencia. Por ello
he podido mantener mi causa ante los Cosmógrafos.
Pero, aunque temo con razón a la caterva de los astrónomos, es,
no obstante, correcto que los especialistas presidan el juicio, y ni
siquiera desespero de la victoria, incluso contra ella. Y en primer
lugar les invito a confiar en los cálculos. Pues, aunque inicialmente
la diferencia es un tanto grande, sin embargo deben recordar que
estos valores se han tomado de los lugares más relevantes del círculo
entero y de la concurrencia de todas las desigualdades. Así es que
el desacuerdo no es tan grande a lo largo del círculo entero entre
las posiciones derivadas de los sólidos y las asignadas a los planetas
por Copémico, y tampoco es igual en todas las revoluciones. Y así
creo yo que, aunque las Tablas Pruténicas fuesen enteramente exac­
tas, y estos errores ciertamente resultasen de la interposición de los
sólidos, sin embargo no se puede desechar razonablemente un «ar­
gumento» que tan bien cuadra, toda vez que tal error es sobre mi­
nucias. (1) Pero no sólo es dudoso que por defecto de una de las
dos aparezca esta diferencia, sino que también hay grandes sospechas
y muchas razones para pensar que el propio cálculo y las Tablas
Pruténicas son defectuosos, hasta el punto de que podría surgir una
gran sospecha hacia mí, si me ajustase completamente a los valores
de Copémico.
Sea, pues, éste el primero de los argumentos: los cálculos de las
Tablas Pruténicas para determinar las posiciones de los planetas son
frecuentemente erróneos. Sin duda Copémico restauró para noso­
tros muchas cosas en el armiñado conocimiento de los movimientos,
y nuestra astronomía resulta mucho más pura que la recordada por
nuestros mayores. N o obstante, si examinamos el asunto meticulo­
samente nos vemos obligados a confesar que nos hallamos no mucho
más cerca de la dichosa y deseable perfección de lo que estaba la
antigua astronomía de la actual. El camino es largo y muchas las
dificultades para llegar a la verdad en esto. Los antiguos nos mos­
traron el camino, caminaron por él nuestros mayores, nosotros los
sobrepasamos y nos acercamos más, pero aún no hemos alcanzado
la meta. N o digo esto para menosprecio de la astronomía: se puede
llegar hasta un punto, si no se puede más allá 4, y por lo mismo,
nadie se pronuncie gratuitamente sobre esta disputa y recurriendo a
mí o a los cinco sólidos venga a ofender a los propios fundamentos
de la astronomía. Apelo a las observaciones de toaos los especialis­
tas: de ellas se puede ver cuánta es muchas veces la diferencia entre
las posiciones verdaderas y las asignadas por los cálculos, diferencias
que, a veces, (2) ascienden a dos grados completos en longitud. Sien­
do esto así, me está permitido apartarme un tanto de los valores de
Copémico; y quede, por lo demás, para el juicio de observadores
diligentes la decisión sobre cuáles de los arcos, los míos o los de
Copémico, concuerdan mejor con el cielo.
El segundo argumento, mediante el cual traslado la responsabi­
lidad de esta diferencia a las propias Tablas Pruténicas, me lo pro­
porcionan las sospechosas excentricidades de los planetas 5. Conduce
a que, si bien mis arcos (como estoy dispuesto a reconocer) no son
absolutamente exactos y seguros, no obstante su defecto ha sido
contagiado por las excentricidades. Si los sólidos estuviesen cons­
truidos sobre las superficies esféricas correspondientes a las distan­
cias medias de los planetas de manera que la misma superficie fuese
tangente a los centros de los planos de los sólidos circunscritos y a
los vértices de los sólidos inscritos, entonces nada me afectaría el
grosor de los orbes exigido por la circulación excéntrica de los pla­
netas.
(3) Pero como no es esto posible y tampoco se ha estudiado la
causa de las excentricidades ni de sus variaciones, tuve necesidad dé
recurrir a los espesores de los orbes de Copémico, como si fuesen
ciertos, pese a que toda la historia de los movimientos celestes es de
arduo acceso, a través de largas y difíciles observaciones, sin embar­
go esto se manifiesta principalmente en la determinación de las ex­
centricidades y de los puntos de los apogeos. La excentricidad solar
(o terrestre) debería ser la más exacta de todas, ya que la Tierra es
la estrella más próxima a nosotros, sus habitantes, (4) y se mueve
con menor número de movimientos que las otras. Pero, al estructu­
rar el mundo mediante la interposición de los sólidos, capítulo 15
anterior, hemos visto en qué medida afecta para ensanchar o adel­
gazar a todas las demás esferas la sola añadidura o supresión del
«orbículo» lunar, que sobresale en una minúscula parte por encima
del orbe terrestre. Pues por cierto, (5) este orbe que debería, y quizá
fuera posible, estar exactamente medido, este, digo, contempla cuan­
tas dificultades ofrece a Copémico, quien en el libro 3 De Revolu-
tionibus, capítulo 20, se lamenta 6 de que: «estemos obligados a cal­
cular grandes valores a partir (6) de valores mínimos y casi imper­
ceptibles, pues de la oscilación de un solo minuto de diferencia re­
sultan 5 ó 6 grados, y un pequeño error se transforma en una enor­
midad». Cuánto peor será el caso de los espesores de los orbes no
sólo mucho más alejados de nosotros, sino también sujetos a muchas
variaciones de sus movimientos. Pero si tanto el «grosor» de dichos
orbes fuese investigado con precisión, como si al menos se pusieren
en claro las causas probables de por qué el Creador atribuyó a cada
uno tanto espesor, (7) en tal caso, respondo de ello, yo obtendría a
partir de los sólidos los arcos concordes en todo con los movimien-
tos. Pues, efectivamente, yo creo que tras el descubrimiento de esta
proporción en el firmamento todo lo que todavía nos impide llegar
a un conocimiento perfecto de los movimientos ha de ser atribuido
(8) a errores en las excentricidades; y si esto fuera eliminado, (9) creo
que estos cinco sólidos serían de gran ayuda a los especialistas para
la corrección de los movimientos, cosa que por aquí y por allá in­
tentan no pocos.
Lo que me movió a hacerles esta promesa sobre las excentrici­
dades es que (10) lo que siempre está en discusión es una pequeña
parte menor que el «grosor» íntegro del orbe. Pues elimina ae todos
los seis orbes el «grosor» conocido, o atribuye a cada uno el doble,
y verás que el mundo y las prostaféresis todas crecen y aumentan
inmensamente, en el primer caso, se reducen y disminuyen, en el
segundo. La verdad se halla, entonces, entre nada y el doble, y no
hay que temer que el especialista tenga demasiada licencia para al­
terar las excentricidades, si trata de adaptarles a estas figuras. Y así
es que ésta es una segunda razón que me puede excusar del desa­
cuerdo de mis valores con los de Copémico.
Una tercera razón me viene dada por los mismos valores de las
Tablas Pruténicas, algo groseros aún y propuestos de tal modo que
de vez en cuando es posible con buenas razones apartarse de ellos
hasta medio grado. Rheinhold ciertamente estableció todas las cosas
con el mayor cuidado en las Tablas Pruténicas. Pero no quisiera que
alguien ofuscado por esta especie de meticulosidad deje de desdeñar
a los números aproximativos en astronomía. Que considere el asunto
en términos de exactitud. La minuciosidad y escrupulosidad de aquel
gran hombre o viene a cuento por la exactitud del cálculo, o es
innecesaria en las fracciones numerales, siendo así que los números
enteros, que dividió tan minuciosamente, los tomó de Copérnico tal
y como los encontró.
Y respecto al propio Copérnico cuán humano resulta a la hora
de aceptar cualesquiera valores que vengan en su ayuda en cualquier
manera y concurran a su intento, cosa que constatará el diligente
lector de Copérnico. N o rechaza valores que mediante operaciones
diversas debían concordar en virtud de la fuerza de la demostración,
pese a que discrepen entre sí en varios minutos. Elige observaciones
de Walter 7, de Ptolomeo y de otras fuentes de tal manera que re­
sulten las más acomodadas para la realización de sus cálculos, de
donde a veces que no tenga reparo en despreciar o cambiar horas
en los tiempos o cuartos de grado en los arcos o hasta más. A veces,
como al alterar la excentricidad de Marte o de Venus, incluso acepta ;
senos disconformes con la verdad, sencillamente porque apuntan un
tanto a los valores a los que quiere llegar. Muchas cosas que, bajo
su propia recomendación, habrían de ser corregidas, las tomó pura
y llanamente de Ptolomeo, aunque otras similares las corrigió; y
sobre ellas después construyó los fundamentos de la nueva astrono­
mía. De todo esto me dio Maestlin muchos ejemplos que ahora
omito aquí por mor de la brevedad. Y con razón habría merecido
la crítica, de no haberlo hecho a propósito, toda vez que era mejor
tener una astronomía en cierto modo imperfecta que no tener nin­
guna. Pues ocurren estas dificultades mientras las estrellas siguen sus
caminos. Superarlas y sin trabas aspirar a la constitución de la ciencia
con la menor imperfección, como se atrevió Copémico, es propio
de un gran hombre; de un indolente es el evitarlo, es de un cobarde
desesperar y abandonar toda esta tarea. Así que el propio Copémico
ni disimula para sí estos «defectos» recién mencionados ni los reco­
noce con vergüenza. Se pertrecha con el ejemplo de Ptolomeo y de
los antiguos; se desentiende de la dificultad de observar, y por do­
quier enseña a los demás con el ejemplo, a la hora de establecer
hallazgos relevantes, a despreciar estos nimios defectos; y si antes
esto no se hubiera hecho así, jamás Ptolomeo hubiera escrito aquella
«Gran Sintaxis», ni Copémico el «De Revolutionibus», ni Rhein-
hold editado las Tablas Pruténicas.

Y, en cuarto lugar, tampoco deja de proporcionarme cierta ex­


cusa la Tabla de Maestlin insertada en el capítulo 15. Copémico,
aunque tomase las excentricidades de los planetas de Ptolomeo, no
barruntó menos esta divina proporción de los cielos, de manera que
no sin razón alguien pudiera admirarse de que él se acercase tanto
a ella y no considerase que alguna vez sería necesario investigar las
distancias al Sol y las posiciones de los «afelios». ¿Qué hay, pues,
de sorprendente si en esta disección en vivo y en este «análisis» del
mundo aparecen cosas algo groseras, siendo así que el especialista
tampoco atendió a las minucias? Al igual que en una miniatura, que
apenas llega a representar ante la vista al rostro completo, en la que
alguien buscase la verdadera proporción del ojo o de la pupila pre­
ciso es que se equivoque. Pues el pintor la despreció en razón ele la
pequeñez, contento si lograse en cierta manera representar lo que es
más relevante. A sí es que, pese a que abordé este «análisis» mediante
el mejor razonamiento, sometiéndome a la fuerza de la demostración
y a las condiciones del propósito, sin embargo no quisiera que al­
guien se convenciese de que de ello se hayan inferido valores abso­
lutamente exactos. Pues hasta es posible que esta misma disección
sea causa de un error ulterior. Aquí tienes algunos indicios serios.
La causa de los cambios en la excentricidad de Marte y Venus es
atribuida por Copémico al cambio en la de la Tierra. Por tanto su
verdadera excentricidad respecto al Sol. En el diagrama lo puedes
percibir visualmente. Y si esto es así, habría sido preciso deducir en
él las excentricidades respecto a la Tierra en los tiempos de Ptolomeo
y en nuestros días, y a partir de ambas obtener la misma excentri­
cidad respecto al Sol. Consulta los cálculos y verás que esto no
ocurre, como debería ser. Pues resultan también entre sí discrepantes
las excentricidades respecto al Sol. Y lo mismo hay que decir res­
pecto a las posiciones de los «afelios», porque estas cosas son mu­
tuamente dependientes; y este es uno.
Seguidamente, de la mera contemplación del diagrama se colige
fácilmente que, toda vez que los «afelios» y los «apogeos» avanzan
desigualmente, con el paso de los siglos resultará una gran variación
de las «excentricidades». H oy los ápsides de Saturno y de la Tierra
casi están en conjunción, por lo cual la distancia de Saturno al centro
del orbe terrestre es inferior a su distancia al centro del Sol en el
valor total de la excentricidad terrestre. Cuando disten entre sí un
cuarto de círculo, las distancias serán iguales, al Sol y a la Tierra,
pues para Copémico la excentricidad de Saturno crece hasta que los
ápsides de Saturno y de la Tierra se hallen en oposición entre sí. Y
aunque el mundo no durase hasta tal acontecimiento, no obstante,
si la astronomía fuese perfecta, debería disponer de hipótesis tales
que fuesen suficientes para un mundo cuasi eterno. Pero nada de
esto enseñan ni Copémico ni Rheinhold. Por consiguiente sus valo­
res no son absolutamente correctos, ni tampoco nos dan cuenta de
las esferas completas de los planetas de modo que comprendamos
cómo pudieran ocurrir esos movimientos posteriores. Dado que es­
tas dificultades y otras del mismo género me perturbasen no poco
y anduviese necesitado de consejo, como quien no sabe recomponer
las ruedas dispersas de un autómata, Maestlin me consoló y me ex­
hortó incluso a prescindir de tan minuciosa precisión: «N o pode­
mos», decía, «arrancar a la naturaleza todos sus tesoros; no se puede
eliminar un mal bien asentado, sino más bien tratar de soportar y
de aliviar con algunos remedios esta especie de fractura en el cuerpo
humano, antes que con una operación arriesgada poner al enfermo
en inmediato peligro de muerte». Ponía ante mí el ejemplo de Rhe-
tico, y su atención al más mínimo detalle, tan cuidadosa como la
mía, y al propio Copémico clamando en su favor. Hay una carta de
Rhetico antepuesta a sus Efemérides de 1551, que puesto que no se
halla disponible en todas partes, y viene maravillosamente bien en
muchas ae sus partes a todo este capítulo, la incluiré como principal
colofón del mismo. Esto, entre otras cosas, decía Rhetico al lector.

«Pues (Copérnico) quiso que sus investigaciones fuesen media-


ñámente precisas, no minuciosas. Por tanto, intencionadamente y no
por desgana u horror a la fatiga es por lo que evitó las meticulosi­
dades que algunos incluso han simulado y hasta exigen otros, como
ocurre con la precisión de Peurbach en las tablas de los eclipses.
Verás a-algunos poner todo su cuidado en esto, en estudiar meticu­
losamente las posiciones de las estrellas, y mientras persiguen los
minutos 8, segundos, terceros, cuartos, y quintos, descuidan entre
tanto los grados enteros y no los consideran; y en el momento en
que ocurren los “ fenómenos” se hallan a una distancia de horas,
cuando no de días enteros. Esto es justamente lo que hace, en las
fábulas de Esopo, quien habiendo recibido la orden de buscar una
vaca extraviada, se afana en el entretanto en cazar avecillas, y ni
consigue esto ni encuentra a la vaca. Recuerdo cuando yo mismo
era empujado por una curiosidad juvenil y trataba de alcanzar, por
así decirlo, al interior de las estrellas. Y por eso a veces me enfren­
taba en cuestiones de exactitud con el grande y magnífico Copérni­
co. Pero él, dado que ciertamente se sentía encantado con la sincera
aspiración de mi espíritu, solía moderarme con suavidad y exhortar­
me a la vez, para que aprendiese a prescindir del continuo uso de
las tablas: “ Si yo pudiera, decía, alcanzar una aproximación a la
verdad de un sexto de grado, que son diez minutos, no saltaría
menos de gozo que, según se dice, el propio Pitágoras cuando des­
cubrió el teorema del triángulo rectángulo.” Ante mi extrañeza y
mis manifestaciones de buscar mayor precisión, me demostró la di­
ficultad de encontrar incluso ese grado de exactitud, entre otras, por
tres razones principales. La primera de ellas, decía, es que había
comprobado que muchas de las observaciones de los antiguos no
eran fiables, sino acomodadas a la doctrina sobre los movimientos
que cada uno de ellos había asumido. Y por tanto hay que poner
gran cuidado y esmero en separar de las corrompidas aquellas ob­
servaciones en las que el observador, en razón ae su opinión, no
añadió ni detrajo nada, o al menos muy poca cosa. Decía que la
segunda causa era que las posiciones de las estrellas fijas no fueron
determinadas por los antiguos con precisión mayor de un sexto de
grado; y por tanto hay que tomar las posiciones de las estrellas
errantes según esta precisión; hacía pocas excepciones: aquellas en
que la declinación del astro respecto al ecuador facilitaba la cosa en
estudio, porque merced a ello se podía ahora determinar con mayor
exactitud la posición actual del astro. La tercera razón que daba era
la siguiente: no tenemos nosotros autores como los que tuvo Pto­
lomeo tras los Babilonios y los Caldeos, lumbreras ele esta ciencia
tales como Hiparco, Timochares, Menelao y otros, sobre cuyas ob­
servaciones y estipulaciones pudiéramos nosotros apoyarnos y fiar­
nos. Respecto a él mismo prefería apoyarse en aquellos de cuya
exactitud podía dar fe, más bien que tratar de mostrar la finura de
su mente en la dudosa exactitud de cosas ambiguas. Ciertamente sus
propias estimaciones estarían no más lejos de la verdad, e incluso
menos, que un cuarto o un sexto de grado, y lejos de lamentar este
defecto se congratulaba grandemente de haber podido, tras largo
tiempo y con gran trabajo, mucha dedicación, mucho estudio y par­
ticular ingenio, llegar hasta aquí. Y en cuanto a Mercurio, como en
el proverbio griego, lo dejaba a disposición de cualquiera, puesto
que, decía, ni había sido objeto de sus observaciones, ni había reci­
bido de otros datos que le sirviesen de ayuda o que pudiese com­
probar por sí mismo. Respecto a mí, al aconsejarme, al exhortarme
y al dirigirme, ante todo me recomendaba que me dedicase á la
observación de las estrellas fijas, sobre todo de aquellas que aparecen
en el zodíaco, porque se pueden anotar las conjunciones con ellas
de los planetas, etc.»

Hasta aquí de la carta de Rhetico lo pertinente para este asunto.


Y ahora, amigo lector, ¿qué opinas tú ele Copémico? Si él hubiese
sabido de este asunto, y hubiese conocido lo cerca que se halla de
sus propias advertencias, ¿qué crees que no hubiera intentado, qué
trabajos no habría hecho, para reconciliar a los sólidos con sus es­
feras? Y si esto hubiese ocurrido, ¿qué grado de consenso, qué per­
fección no se podría haber esperado? En este asunto el tiempo dirá
lo que conseguirán otros, o tal vez, con la ayuda de Dios, consiga
el propio Maestlin algún día. Mientras tanto, quisiera que nadie se
pronunciase temerariamente contra mí, y que con ánimo tranquilo
se acepte este aplazamiento de la cuestión.

Notas del autor al capítulo XVIII

(1) No sólo es dudoso que por defecto de una de los dos. Aunque es cierto
que en las Tablas Pruténicas hay errores en diferentes lugares, incluso en las
prostaféresis del orbe anual, sin embargo la causa principal no sólo de que
los intervalos entre los orbes no cuadren exactamente con las proporciones
geométricas de los cinco sólidos, sino también de algo más importante, cuál
es que cada uno de los orbes planetarios tenga tan grandes y distintas ex­
centricidades, digo que la causa de ambas cosas reside en el arquetipo de la
disposición de los movimientos de acuerdo con las razones armónicas; y
como las proporciones resultantes de las figuras no. pueden coincidir exac­
tamente con las proporciones armónicas, fue preciso rebajar un tanto a las
primeras en tanto que se aproximan algo más a razones materiales, a fin de
que las razones armónicas pudieran acomodarse a ellas, las primeras por
cierto referidas a los espacios del mundo, las segundas a los movimientos a
través de esos espacios. Puedes ver este orden espléndido en el libro V de
Harmonices Mundi, capítulo 9, props. 46 a 49.
(2) Ascienden a dos grados completos. Incluso a tres grados para Marte
y a cinco para Venus en longitud, y a 10 u 11 grados para Mercurio (si me
es permitido afirmar algo, a partir de la hipótesis establecida por mí para la
teoría de Mercurio, respecto a los lugares en que el planeta no se puede ver
desde aquí) en algunas posiciones de su orbe, ascienden los errores en las
Tablas Prutánicas.

(3) Pero como no es esto posible. Los centros de las caras de la figura
circunscrita y los vértices de la figura inscrita no pudieron estar unidos en
este arquetipo del mundo. La razón se ha expuesto en lo que antecede. Los
orbes se juntarían demasiado; las prostaféresis del Orbe Magno aumentarían
respecto a cada uno más de lo que observamos. Por ello ha sido preciso
tomar en cuenta no las distancias medias de los planetas al Sol, sino que
para cada dos planetas la distancia del interior al afelio y la del exterior al
perihelio; esto es, las excentricidades de los planetas que vienen dadas por
las distancias de afelios y perihelios. Y de este modo me estaba refiriendo
a cosas inciertas, pues todavía no se conocía la causa de las excentricidades,
no se sabía por qué era cuanta la excentricidad de cada uno de los planetas,
por qué tanta diferencia; por qué Saturno o Júpiter tenían una excentricidad
mediana, Marte y Mercurio máximas, la Tierra y Venus mínimas. Desco­
nocida la causa era inevitable que a priori ignorase la cantidad, y me remi­
tiese a las nudas observaciones.
(4) Y se mueve con menor número de movimientos que las otras. Así lo
sostiene Ptolomeo y, tras él, Copémico. Pues el Sol (o la Tierra) no sólo
carece de epiciclo, sino también de ecuante, como ellos creían. Pero de
acuerdo con la verdad del asunto, en su movimiento de traslación en torno
al Sol, la Tierra es semejante en todo a cada uno de los demás planetas,
como fue demostrado por mí en el Comentario sobre Marte, parte tercera,
y en el Epítome de Astronomía, libro 7.
(5) Este orbe que debería... estar exactamente medido. Este orbe es lla­
mado del Sol por Ptolomeo, de la Tierra por Copémico y anual en las
Tablas Pruténicas.
(6) De valores mínimos. Esta queja de Copémico se refiere sobre todo
a los puntos de los apogeos (puntos que en nada atañen a este asunto de
las proporciones de los orbes) y no es la misma respecto a las excentricida­
des. Por tanto no resulta peor, sino mejor, la cuestión del grosor de los orbes.
(7) Respondo de ello. Observa la audacia de este compromiso, con la
dificultad añadida de la condición aquí propuesta. Pero observa también el
feliz resultado: los valores de las excentricidades han sido examinados por
mí a partir de las observaciones de Brahe; las causas de las excentricidades
de cada uno han sido desveladas en Harmonices Mundi; y he aquí que los
arcos en todo correspondientes a los movimientos se han derivado no sólo
a partir de los 5 sólidos, sino sobre todo de las causas (las armonías) de las
excentricidades.
(8) Errores en las excentricidades. Supongo que te hará gracia también
este niño de tres años con ánimo dispuesto a combatir contra gigantes. Pues
no todos los fallos de la astronomía, e incluso sólo una mínima parte de
ellos, proceden de defectuosas determinaciones de la excentricidad de cada
planeta. Sobre la excentricidad del Sol o de la Tierra luego se hablará.
(9) Estos cinco sólidos serían de gran ayuda a los especialistas para la
corrección de los movimientos. En realidad de ninguna, ni siquiera pequeña,
porque no determinan los orbes ni prescriben los límites de las excentrici­
dades. Pero ahora que las excentricidades han sido descubiertas en tanto que
«o ti» a partir de las observaciones de Brahe, por fin ahora ha lugar la
investigación de las causas o «dioti» a partir de estos cinco sólidos conjun­
tamente con las proporciones armónicas.
(10) Lo que siempre está en discusión es una pequeña parte menor que
el «grosor» íntegro del orbe. Dado que hay cierta abundancia, de armonías,
se ha elegido, para cada pareja de planetas vecinos, aquellas que en cantidad
correspondían lo más posible a las proporciones de los cinco sólidos.
SOBRE DESACUERDOS RESIDUALES
DE CADA UNO DE LOS DEMÁS PLANETAS

Estas serían, pues, las razones generales que podrían sostener mi


causa. Veamos ahora en cada caso qué más podría decirse en mi
favor. Y empezaremos por Saturno. Sin duda se ha producido un
gran incremento en su «elongación», pero esto no produce en la
prostaféresis una variación mayor de 41’ *. Y si es cierto que su gran
distancia proporciona una fácil explicación de los errores en la ob­
servación, de la misma manera el error en la distancia, aunque sea
grande, no genera más que una variación muy pequeña, e inferior a
lo que se cree, en la prostaféresis. Y sin embargo tampoco los as­
trónomos han medido con exactitud los movimientos de esta estre­
lla, como se puede ver sólo con el paso del pasado invierno. Efec­
tivamente, el 2/12 de noviembre de 1594, Saturno fue visto exacta­
mente entre la nuca y el corazón de Leo, donde exactamente debía
hallarse según el cálculo del día 21/31 de octubre anterior. La dife­
rencia de longitud es de 37’ más o menos. Y si esta cantidad no
supera a la discrepancia entre la de Copémico y la prostaféresis, una
vez corregida la distancia del modo dicho, juzguen los astrónomos
si se les satisface suficientemente.
En el caso de Júpiter no hay nada que se pueda exigir. Pues la
diferencia es mínima y menor que un sexto de grado.
Que en el caso de Marte haya medio grado de más, no es extraño
ni me inquieta; más bien me inquieta que no sea mayor la divergen­
cia. Porque, en el prefacio de su Efemérides del año 1577, Maestlin 2
asegura que las irregularidades de este astro no pueden encerrarse
mediante cálculos en los límites de dos grados.
Ahora vayamos a los planetas inferiores, Venus y Mercurio, que
si bien parecen más fáciles de estudiar que los superiores, en parti­
cular porque es más fácil medir sus orbes a partir de la elongación
máxima que de la observación de las posiciones «acrónicas», sin
embargo me parece sospechoso este procedimiento. N o obstante dejo
para los astrónomos un juicio más definitivo sobre si en estos pla­
netas no se han equivocado quizá por causa de (1) la densidad de los
vapores y de la paralaje física, a la que ni el -.Soí ni la Luna escapan.
Ciertamente Maestlin en su Disertación sobre los Eclipses, Tesis 3 58,
afirma sobre Venus que no es raro que en las proximidades del
horizonte sea visto a una distancia del Sol claramente menor que la
real. Cuánto más podría decirse esto de Mercurio que casi siempre
se halla bajo los rayos del Sol, y aunque de vez en cuando emerja,
sin embargo nunca se nos presenta si no es en las proximidades del
horizonte con una masa de vapores inteipuesta. Y aunque las fijas
apareciendo a la vez y cerca ayudan para el caso de Venus, Mercurio,
en cambio, se halla más frecuentemente en falta, porque se ve muy
escasamente y más raramente cerca de las fijas. Y dado que esto
ocurre en nuestros días, podemos creer que esto mismo ocurriría
también a cualesquiera especialistas antiguos. Y el hecho de que no
adviertan al lector sobre esto aumenta por ello mismo la sospecha
de medidas defectuosas de estos planetas. Y un signo de esto es que
si de aquí surgiese algún error ni fue advertido ni corregido por
ellos. Por consiguiente creo que, al leer a los antiguos, en primer
lugar hay que tener presente si los instrumentos y métodos que
alegan para cada observación pudieron estar sujetos a este error.
Además temo, no sin razón, que en el caso de estos dos planetas
hasta ahora muchas cosas se hayan dejado inciertas en el razona­
miento de las hipótesis. Copérnico (como se deduce de la carta de
Rhetico recién citada, y de la de Maestlin que sigue más abajo) siguió
más a Ptolomeo que a las exigencias de la observación en su correc­
ción de las teorías. Rhetico en su Narratio evitó hacer cualquier
crítica sobre esto, donde señala que debemos seguir escrupulosamen­
te los pasos de los antiguos, y no alterar nada a la ligera, hasta que
las exigencias inevitables de las observaciones lo requieran. Y el he­
cho de que no pudieran alcanzar observaciones suficientemente pre­
cisas, fue quizá causa bastante para que un especialista tan cuidadoso
no intentase en el caso de estos planetas nada más que acomodarlos
a sus opiniones.
Porque si observas en Venus una gran variación 4 en los arcos,
achaca la culpa de ello entre otras cosas a lo que he dicho en general
(de lo que quisiera que te acordaras puntualmente) y también a los
defectos recién mencionados; y si consideras bien cada cosa fácil­
mente superarás con tu ecuanimidad la magnitud del desacuerdo.
Cosa ésta en la que hallarás gran consuelo, puesto que el valor dado
por Copémico resulta intermedio entre el arco resultante de la in­
terposición de la Luna y del obtenido por la omisión de la Luna.
Pues si se añade el sistema de la Luna al Orbe Magno, entonces el
Icosaedro aleja a la Tierra de Venus más de lo que propuso Copér-
nico, pero si al suprimir el sistema 5 lunar haces más estrecho al
Orbe Magno, la figura admite a Venus mucho más próxima y hace
a su órbita mayor de lo que dice Copémico. Por esta razón algo
que sea menor que la Luna podría ayudar en esto, si se ha de man­
tener a‘ Copémico.
Y sobre Mercurio ya se ha dicho mucho, y se puede decir más,
de tal modo que creo que, si algo faltase por decir, amigo lector,
tendrás que aguantarlo y excusarlo. (2) Por otra parte, las variaciones
de su movimiento no me parecen dignas de promover sobre ellas
una gran discusión. Aunque se comporta mejor que Venus, puesto
que su diferencia es solamente de un grado 6, cosa que es destacable,
no sin embargo hasta el punto de carecer de un talante engañoso.
Ciertamente este es el planeta que más ha prostituido la reputación
de los astrólogos y que perturba toda explicación de los meteoros.
(3) Y en la predicción de los vientos (que con toda certeza pro­
voca, cuantas veces se halla en lugares idóneos) también frecuente­
mente se aparta de su trayectoria en un número constante de días
de modo que poco va en que yo no pueda corregir entonces su
círculo erróneamente publicado en la Efemérides. Así, si yo viese a
cualquier astrónomo dedicado con. empeño a investigar las desvia­
ciones de este planeta, le sugeriría que dedicase su tiempo de modo
más fructífero a estudiar la Tierra y el astro que la rodea, a buen
seguro mucho más «visible», la Luna, de los cuales a aquélla la to­
camos con los pies y a ésta la alcanzamos con los ojos, digo que se
estudien más bien estos astros y que se corrijan aquellas cosas que
aún son defectuosas en sus movimientos y en sus eclipses; después
de esto pásese a Mercurio. Entre tanto, si los errores sobre los mo­
vimientos de la Tierra y de la Luna son merecedores de disculpa,
mucho más serán merecedores de disculpa los errores sobre Mercu­
rio, que no sólo está más lejos de nosotros, sino que además casi
siempre se halla escondido bajo el Sol.
Y ahora de nuevo, como en el anterior capítulo, a guisa de co-
roña transcribiré parte de la carta que Maestlin 7 me envió, y esto
por dos razones: la primera porque te instruye sobre un asunto
necesario, la segunda porque confirma cosas varias de este capítulo.
Héla aquí:

«Tan admirable es Mercurio que cerca anduvo de engañarme tam­


bién a mí. Y no es raro, porque también advierto que resultó tur­
bador para Copémico y para Rheinhold. Copémico dice de sí mis­
mo esto: Esta estrella nos ha torturado con muchos rodeos y traba­
jos en el estudio de su movimiento (dice en el libro V, cap. 30). De
donde, además de no ofrecer ninguna observación suya sobre Mer­
curio, apuntándose a las de Bernhard Walter de Nuremberg, tam­
poco está de acuerdo consigo mismo al establecer el apogeo del
planeta. Efectivamente (cap. 26), en los primeros años de Antonino,
sobre el año 140 de nuestra era, según las observaciones de Ptolo­
meo, lo sitúa en 10° de Libra (estas figuras se hallan en la lámina V
del cap. XV, bajo Mercurio), y en la esfera celeste a 183° 20’ de la
primera estrella de Aries; de nuevo (cap. 29) lo coloca a 183° 20’ el
año 21 de Ptolomeo Filadelfo, tal como si el apogeo de Mercurio,
sobre el fondo de la esfera de las fijas, hubiese permanecido inmóvil
durante los 400 años intermedios; pero sin embargo (cap. 30 hacia
el final) le parece que se ha movido un grado cada 63 años; aunque
añade: «caso de que haya sido regular». Que Rheinhold se vio su­
mido en las mismas dificultades lo muestra el cálculo de las Tablas
Pruténicas, puesto que resulta que Rheinhold en efecto tomó para
el apogeo de Mercurio la misma posición de la época de Filadelfo
que había tomado Copémico, esto es, 183° 20’ desde la primera es­
trella de Aries. Pero en tiempos de Ptolomeo se hallaba en una
posición completamente diferente, como se desprende de las cono­
cidas observaciones de Ptolomeo y de lás revisiones de Copémico.
Efectivamente, en este momento su posición no se establece en
183° 20’ ni tampoco en 10° de Libra, sino en 188° 50’ sobre el orbe
celeste, o también en 15° 30’ de Libra. Por consiguiente mis valores
se ajustan a los de la época de Ptolomeo, y no como los otros que
responden en todo a los cálculos de las Tablas Pruténicas, sino que co­
rresponden 8 a las observaciones de Ptolomeo, observaciones que
también Copémico conservó y utilizó, y hasta propuso esos mismos
valores. Pero para nuestros días, o los de Copémico, no he querido
computar estos valores, puesto que se han tornado muy diferentes,
debido a la disminución de la excentricidad del Orbe Magno, y por­
que, respecto a Copémico, no han sido investigados ni comprobados
con observaciones más recientes. Hubiera preferido (como recorda­
rás que dije en tu presencia) que Copémico hubiera tomado como
base de estas dimensiones no las observaciones antiguas, sino obser­
vaciones recientes. Pues resulta un postulado exagerado y enorme
(libro V, cap; 30, pág. 169v, 7 líneas antes del final), cuando dice:
«creemos que hay que conceder que las dimensiones de los círculos
han permanecido constantes desde Ptolomeo hasta ahora». (4) Pues
la propia disminución de la excentricidad terrestre exige otros valo­
res. Y tampoco es verdad lo que dice Rhetico en su Narratio: que
tampoco en Mercurio, como en Júpiter, se observa variación alguna
de la excentricidad 9; pues efectivamente no se ajusta de igual manera
con su apogeo respecto al lado del apogeo del Sol. A esto se añade
que las observaciones de Ptolomeo son groseras y parciales y que
hubiese sido absolutamente preciso corregirlas con otras más preci­
sas. Pero ya es inútil lamentarse de ello. Sin embargo, para tu em­
presa, si estos valores concuerdan en alguna medida, debes conside­
rar que has cumplido magníficamente con tu cometido y congratu­
larte ampliamente, como lo hace Copérnico ante Rhetico en la carta;
(5) con la esperanza cierta de que vendrá pronto un día en el que
mediante estos descubrimientos que con gran ingenio acabas de ha­
cer, muchas otras cosas que ahora son dudosas y que atormentan al
gremio de los astrónomos resultarán completamente diáfanas.»

Notas del autor al capítulo XIX

(1) La densidad de los vapores y de la paralaje física. Tycho Brahe lo de­


nomina las refracciones de las estreUas, y también estableció esta parte de
la disciplina astronómica y la expuso en su libro Progymnasmata, que ha
visto la luz después de este tiempo, parte que yo también he incorporado
como Parte Optica de la Astronomía, editada hace 15 años, y la amplié en
mi Epítome de Astronomía, libro I, desde el folio 52.
(2) Las variaciones de su movimiento no me parecen dignas... Esto es lo
que se ha creído hasta ahora sobre Mercurio, y no niego que la variación
de sus movimientos verdaderos sea grande, pero esta variación es de las
cantidades y no de la forma o de los principios, como se enseñaba hasta
ahora; respecto a los principios en nada se diferencia de los demás.
(3) Y en la predicción de los vientos. Por este tiempo seguía yo la opi­
nión común de que en concreto Mercurio suscita los vientos más que los
otros planetas. Pero una experiencia de largos años me ha enseñado que los
cambios de la atmósfera no se hallan repartidos entre los planetas, sino que
de manera general la Naturaleza sublunar es estimulada por aspectos de
pares de planetas, o bien por las estaciones de cada uno, de modo que por
ello produzca vapores o humos desde las montañas o desde las fábricas
subterráneas, vapores y humos que se convierten ya en lluvia, ya en nieves
ya en meteoros, ya en rayos o en granizo o en vientos, según las circuns­
tancias de lugar y tiempo. Ciertamente los grandes vientos nunca o rara­
mente vienen solos; todas las lluvias conllevan delante a los vientos, hasta
que empieza a caer con fuerza; y cuando los vientos se desatan con fuerza
esto es un indicio del carácter húmedo del año. Pues o bien llueve en las
montañas de donde soplan los vientos, o allí se funde la nieve, o bien un
vapor húmedo elevado violentamente en unos lugares se refugia en las gru­
tas, o en otros sitios cae hirviendo sobre el frío de las alturas y rebota, cosa
que es origen de suaves brisas, cuando un vapor sale bullendo de una mon­
taña y rebota y se desparrama por las regiones todas circundantes. Por eso
ocurre que todo el aire extendido por todo el continente, una vez iniciado
el movimiento en las montañas más altas de todas, entre todo él en movi­
miento. De este modo resulta que todo viento puede ser suscitado por
múltiples causas o investigaciones de la Naturaleza; y no se puede achacar
a sólo Mercurio el origen de los vientos.
(4) La propia disminución de la excentricidad terrestre. Se ha dicho antes
que esto no es probable y que las observaciones de los antiguos necesarias
para demostrar esto no eran lo suficientemente precisas para garantizar la
necesidad de la demostración. Por ello adopté el axioma de Copémico pro­
puesto aquí: «preciso es conceder que las dimensiones de los círculos per­
manecen». Esto es, apoyado por la naturaleza del cielo y por la inducción
a partir de los demás planetas.
(5) Con la esperanza cierta de que vendrá pronto un día. De este modo
acostumbraba él entonces con sus palabras- y,esperanza dar* ánimos a mis
trabajos, si bien, en cuanto al tiempo, su esperanza no se cumplió, puesto
que no es próximo el día que llegó veinticuatro años después. Sin embargo,
al fin, su esperanza se cumplió con mi obra Harmonice.
fl) CUAL SEA LA PROPORCIÓN
DE LOS MOVIMIENTOS A LOS ORBES

Y hasta aquí, ciertamente, se ha desarrollado un argumento me­


diante el cual creo que se confiere gran fuerza a las nuevas hipótesis;
y también se ha mostrado que en las hipótesis de Copémico las
«distancias» entre los orbes son proporcionales a los cinco sólidos.
Veamos ahora si, mediante otro argumento tomado de los movi­
mientos, pueden también confirmarse tanto las hipótesis como las
n i as distancias copernicanas, y si se puede lograr una mejor razón
; proporción de los movimientos respecto de las «distancias» a
partir de la hipótesis de Copémico que a partir de las hipótesis
usuales. En este asunto, mientras construyo, a partir de los tiempos
«periódicos» de los movimientos que se conocen bien, las magnitudes
de los orbes próximas a las magnitudes dadas por Copémico, favorece
¡oh Urania!, tan hermoso intento, pues ello va en tu honor.
En primer lugar, todo el mundo acepta que cuanto más lejos se
halla cualquier orbe del centro, tanto más. lento es su movimiento.
Y nada es más acorde con la razón, testigo Aristóteles, libro 2 del
De Cáelo, capítulo 10, que el principio: los movimientos de cada
planeta son proporcionales a su distancia. Y aunque en este lugar el
Filósofo aporta una razón ajena a nuestro intento, a saber, la resis­
tencia a la influencia del primer móvil sumamente rápido, en otro
sentido, sin embargo, el argumento entero me apoya y se opone
frontalmente a Ptolomeo y hasta milita contra sí mismo. Pues él cree
que a todos los orbes les es impartido igualdad de movimiento por
pane de los motores, mientras que la desigualdad de su retorno
procede de los propios orbes; así cada partícula de Saturno es tan
veloz como lo es la esfera más baja, la de la Luna, en razón de igual
fuerza de movimiento; pero le ocurre a aquél que, habiéndole co­
rrespondido un espacio mayor, al no ser más rápido que los demás,
regresa más tarde. Pero el Filósofo con esta igualdad grosera no
pudo progresar en la tradición de los antiguos, puesto que era pre­
ciso que atribuyesen a tres planetas de orbes desiguales, Sol, Venus
y Mercurio, regresos iguales, y por esto hicieron al planeta superior
más veloz en su orbe que el inferior. En Copémico semejante pro­
porción es obvia a primera vista. Pues de los seis orbes móviles
siempre el más pequeño es el que regresa más rápidamente. Efecti­
vamente el curso ae Mercurio es de tres meses, el de Venus es de
ocho meses y medio \ el de la Tierra de un año, el de Marte de dos
años, el de Júpiter de doce años, el de Saturno de treinta años. Y
ahora si lo comparas con los cálculos, de modo que cual es la pro­
porción del movimiento de Saturno a la longitud de su orbe (los
círculos tienen entre sí la misma proporción que sus radios) tal re­
sulte también la proporción de cada uno de los demás movimientos
a sus orbes; descubrirás que no ha lugar una proporción simple de
este tipo. Cosa esta de la que da cuenta la tabla siguiente 2:

B
Dies. ser. n
ti 10759 12 Dies. ser. d
■4 6159 4332 37 Dies. ser. Ó
d 1785 1282 686 59 Dies. ser. 9
1174 843 452 x 365 15 Dies. ser. 2
9 844 606 325 262 30 224 42 Dies. ser.
5 434 312 167 135 115 87 58

Aquí las cabeceras de las columnas contienen los días y los mi­
nutos de día en que cada planeta de la cabecera completa sus perío­
dos bajo la esfera de las estrellas fijas; los números que siguen in­
dican cuántos días debería emplear el planeta inferior para completar
su revolución si se diese entre el período y su orbe la misma pro­
porción que en el de la cabecera de -la columna. Y ves entonces que
el período verdadero es siempre menor que aquel que se atribuye al
planeta en comparación con el superior.
Mientras tanto, sin embargo, si la relación de movimientos de
dos en dos no es ciertamente la misma, en cambio es siempre seme­
jante a la razón entre las distancias.
D IA S M IN .

10.759 12 Saturno se toma un seno total Júpiter 403


4.332 37 Júpiter de 1.000 unidades, el Marte 159
Si para 686 59 Marte movimiento periódico ■ Tierra 532
365 15 Tierra ■proporcional será para Venus 615
224 42 Venus . Mercurio 392

P A RA

Pero si la distancia me­ Júpiter 572


dia del planeta superior Marte 290
es de 1.000 unidades, la Tierra 658
del inferior, según Co­ Venus 719
pémico, será de Mercurio 500

Observa, por favor, aquí que en los movimientos medios, bas­


tante bien conocidos incluso mucho antes de que Copérnico abor­
dase el conocimiento cierto de las distancias, observa, digo, que hay
la misma discrepancia entre las distancias obtenidas de las prosta-
féresis por Copémico que la obtenida por mí a partir de los cinco
sólidos: en ambos casos es mínima para Mane, después en Mercurio,
en Júpiter y la Tierra y después máxima en Venus; en uno y otro
caso es casi igual en Júpiter y Mercurio y también para la Tierra y
para Venus. Por tanto la victoria de Copérnico sobre el antiguo
universo resulta inmediatamente bastante confirmada.
Pero si, no obstante, quisiéramos aproximarnos aún más a la
verdad y tener expectativas respecto a alguna igualdad de las pro­
porciones, será preciso establecer una de dos: o (2) que las almas
motrices-son más débiles cuanto más lejos se hallan del Sol, o bien
que (3) sólo hay un alma motriz en el centro de todos los orbes,
esto es en el Sol, que empuja más fuertemente a un cuerpo cuanto
más próximo se halla, mientras que para los lejanos, debido a la
distancia y al debilitamiento de su fuerza, como si languideciera.
Pues tal y como ocurre con la fuente de luz en el Sol, y el origen
del círculo está en el lugar del Sol, esto es, en el centro, así aquí la
vida, el movimiento y el alma del mundo residen en el mismo Sol,
para que así ocurra que el reposo es para las fijas, para los planetas
los actos segundos de los movimientos y para el Sol el propio acto
primero, que es incomparablemente más noble que los actos segun­
dos en todas las cosas. N o de manera distinta a como el mismo Sol
aventaja ampliamente a todos los demás en la belleza de su aspecto,
en la eficacia de su fuerza y en el esplendor de su luz. Y por eso
ahora con mucho más derecho corresponden al Sol aquellos nobles
epítetos de Corazón del Mundo, Rey, Emperador de las estrellas,
Dios visible, y otros más. (4) Pero la nobleza de este asunto exige
muy otro tiempo y lugar, y ya bastante claramente aparece en la
Narratio de Rhetico.
Pero tratemos ahora ya de establecer la proporción que busca­
mos. Se ha visto más arriba que, si la mera amplitud del orbe con­
tribuyese a aumentar el tiempo «periódico», entonces la diferencia
futura entre movimientos y distancias medias habría de ser la mis­
ma 3. Lo que significa que, por ejemplo, la proporción de los 88 días
de Mercurio a los 225 días de Venus habría de ser la misma que la
del radio del orbe de Mercurio al radio del orbe de Venus. Pero
ahora se añade a esta proporción de los movimientos el debilitamien­
to del alma motriz para el más lejano. Por tanto, supongamos, y es
cosa bien plausible, (5) que el Sol proporciona movimiento en la
misma razón4 en que proporciona luz. Pero la proporción en que
la luz propagada se debilita desde el centro, la dan los ópticos. Pues
cuanta luz hay en un círculo pequeño, ese mismo tanto de luz o de
rayos solares hay también en uno grande. Por tanto, al estar más
concentrada en el pequeño y más atenuada en el grande, la medida
de esta atenuación habrá de buscarse mediante la propia relación dé
los círculos, y esto tanto en el caso de la luz como en el caso de la
fuerza motriz. Por lo cual, cuanto más amplio sea el orbe de Venus
que el de Mercurio, tanto más el movimiento de éste respecto al de
aquél será más fuerte, o más rápido, o más vivo, o más vigoroso o
como lo quieras decir. Y cuanto un orbe sea más amplio que otro,
tanto más tiempo requerirá para darle la vuelta completa, aunque la
fuerza fuese igual para los dos. Luego de aquí se sigue que por cada
una elongación más del planeta respecto al Sol se produce un doble
aumento periódico; (6) y, al contrario, un incremento periódico es
doble respecto a la diferencia de las «distancias» 5.
Por tanto, al añadir al período menor la mitad del incremento 6,
deberá aparecer la verdadera proporción de las distancias, de tal modo
que la suma venga a resultar como la distancia del planeta superior
y la simple más pequeña represente el período del inferior, esto es,
como la distancia del propio planeta respecto a esa cantidad. Por
ejemplo: el movimiento periódico de Mercurio es de casi 88 días, el
de Venus de 224%; su diferencia es de 1362/3, y la mitad de ésta es
68V3. Sumando esto a 88 resulta I 56V3. Luego tenemos que 88 es a
156% como el semidiámetro del círculo medio de Mercurio a la
distancia media de Venus. Si en cada caso hacemos esto mismo y
expresamos cada dos distancias seguidas mediante los valores de sus
senos, de manera que siempre el radio del planeta superior sea el
seno total, se tendrá:

Júpiter 574 ' 572


Marte 274 pero en 290
El radio Copémico
del orbe será para Tierra 694 658
Venus 762 es ae 719
Mercurio 563 . 500

Hemos llegado, como ves, (7) más cerca de la verdad. * Aunque


ciertamente tengo dudas sobre si, lo que había establecido el teore­
ma, en un método demostrativo esta operación de dividir la diferen­
cia lo hubiera conseguido plenamente: sin embargo, qué alguna cosa
late bajo estos números me incita a creerlo otro método 7 de cálculo,
mediante el cual llego a los mismos valores. Puesto que es probable
qué la fuerza del movimiento esté en proporción con las distancias,
también será probable que un planeta cualquiera, en tanto en cuanto
supera al planeta superior en fuerza de movimiento, en otro tanto
sea superado por éste en distancia. Sean, pues, por vía de ejemplo
la distancia y la fuerza de Marte como unidad. Luego por cada
partícula de fuerza marciana en que la Tierra es más fuerte que
Marte, perdería una partícula de la distancia marciana. Esto se mues­
tra fácilmente por la Regla del (supuesto) Falso. Pues tomo el radio
de la Tierra respecto al ae Marte como 694 a 1.000. Entonces, digo,
si la totalidad del círculo representado por 1.000 es recorrido me­
diante la fuerza marciana en 687 días, el círculo menor representado
por 694 será recorrido con la misma fuerza marciana en 477 días.
Ahora bien, puesto que es cierto que el recorrido completo de la
Tierra no tarda 477 días, sino 365, procedo por la regla inversa como
sigüe: 477 días serían necesarios con la sola fuerza de Marte; ¿cuánta
fuerza de Marte consume un circuito de 3651/, días por el mismo
camino que recorrería Marte en 477 días? Pues no hay duda de que
se requeriría más fuerza que la que tiene Marte. Resulta así que es
necesaria una fuerza por encima de la total de Marte de 306/1.000
partes de dicha fuerza. Y tal es la magnitud en que la Tierra es más
fuerte que Marte; por tanto debe estar otro tanto más cerca del Sol.
Esto es, si Marte dista del Sol 1.000 unidades (pues la distancia del
planeta superior es siempre un número entero) la Tierra estará 306
de esas partes más cerca, y restando de las 1.000 del superior las 306
debe resultar para el inferior el número 694, inicialmente supuesto,
si la suposición fue buena; y si fue errónea, deberás operar como
establece la regla y obtendrás la suposición correcta.
Ya. ves que con este teorema alternativo se llega a valores no
distintos de los anteriores; de aquí que sea cierto que estos dos
teoremas difieren ciertamente en su forma, pero son en realidad coin-
cidentes y se apoyan en una misma base, si,bien,(8) cómo sea esto
es cosa que hasta ahora no he podido descubrir.

Notas del autor al capítulo X X

(1) Cuál sea la proporción de los movimientos a los orbes. Este es el


asunto propio del libro IV del Epítome, transferida de aquí al libro V de
Harmonice. Pues en el capítulo III de este libro se elucida esta misma cues­
tión y se asume como fundamento para la demostración de que los movi­
mientos extremos de los planetas se hallan definidos por proporciones ar­
mónicas. Y aunque en este capítulo no logré llegar a lo que andaba buscan­
do, sin embargo se propusieron muchos principios que ya entonces me
parecían congruentes con la naturaleza de las cosas, muy ciertos y que du­
rante estos 25 años he hallado de gran utilidad: sobre todo en Los Comen­
tarios a los movimientos de Marte, parte IV.
(2) Almas motrices. De las que he demostrado que no hay ninguna en
los Comentarios sobre Marte.
(3) Sólo hay un alma motriz. Si sustituyes la palabra «alma» por la pa­
labra «fuerza», obtendrás el mismísimo principio sobre el que se halla cons­
tituida la Física Celeste 8 en el Comentario sobre Marte y elaborado en el
libro IV del Epítome de Astronomía. Pues entonces yo creía absolutamente
que la causa que movía a los planetas era un alma, ya qué estaba imbuido
de las doctrinas de J. C. Escaligero sobre las Inteligencias Motrices. Pero
cuando consideré que esta causa motriz se debilitaba con la distancia y que
la luz dél Sol también se atenuaba con la distancia, concluí de ello que esta
fuerza es algo corporal, si no propiamente, al menos equívocamente; tal y
como decimos de la luz que es algo corporal, esto es, una emisión proce­
dente de un cuerpo, aunque desmaterializada.
(4) Pero la nobleza de este asunto exige muy otro tiempo y lugar. Y en
efecto encontró su lugar en los Comentarios sobre Marte, editados el año
1609, desde donde un resumen del asunto pasa y se repite en el Epítome de
Astronomía, libro IV.
(5) Que el Sol proporciona movimiento en la misma razón. Todo esto,
sin cambio alguno, también en los Comentarios sobre Marte.
(6) Y, al contrario, un incremento periódico es doble. Aquí comienza el
error. Pues esto no es exactamente la conversa de la anterior, cual era que
la distancia desde el Sol hace una doble contribución al aumento del perío­
do. Debí, pues, concluir como sigue: y al contrario, la relación de los pe­
ríodos es el cuadrado de la proporción de las «distancias», no porque yo
mantenga este enunciado como verdadero, pues, como veremos, esa relación
es solamente la potencia 3/2, sino porque de este razonamiento era lo que
legítimamente 9 se seguía: y ves ahora cómo se tomó aquí la media aritmé­
tica, por medio de la semidiferencia, cuando se debió tomar la media geomé­
trica.
(7) Más cerca de la verdad. Más cerca, ciertamente, mediante esta con­
sideración aritmética que mediante la geométrica, aunque de los principios
adoptados el razonamiento geométrico concluye legítimamente. Ello por­
que, como la verdadera razón de la proporción no es el cuadrado, sino sólo
la potencia 3/2, ocurre aquí que la media aritmética es más próxima a la
media proporcional de la potencia 3/2 que la media geométrica, o que al
cuadrado de la proporción; porque la media aritmética siempre se halla más
cerca del término mayor que la geométrica: como en el ejemplo, 6 es a 9
como 9 es a 12 y 6 es a 8 como 8 es a 12; aquí la media aritmética 9 es
mayor que la media geométrica 8.
* Aunque, ciertamente, tengo dudas. Fuera de toda duda este procedi­
miento no logró el objetivo del teorema, como ya se ha explicado; pues la
media aritmética no es la misma que la geométrica.
(8) Cómo sea esto es cosa que hasta ahora no he podido descubrir. Cla­
ramente porque caminaba con pasos inseguros y palabras imprecisas, y no
con una ley aritmética. Considera ahora ambos procesos: el primero era:
Período de Marte: 687
Período de la Tierra: 365V4
Diferencia: 321%
Semidiferencia: 160%
Media aritmética: 526V8
Si 526Vs corresponde a una distancia de Marte de 1.000, ¿qué corres­
ponde a 365’/4?
Se sigue que la distancia de la Tierra es de 694. El proceso posterior era
como sigue: Supongamos que la distancia de la Tierra es de 694. Argumento
así: Una distancia de 1.000 a Marte da un período de 687. ¿Qué produce
una distancia a la Tierra de 694? Se sigue un período para la Tierra de 477.
Procedo, pues, mediante la proporción inversa.
El verdadero período de 365 Va, da un falso período de 477 como tomado
de Mane. ¿Qué resulta tomando a 1.000 como la fuerza de Marte? Se sigue
que la fuerza de la Tierra es de 1.306. El exceso, pues, de la fuerza de la
Tierra es de 306 sobre las 1.000 de Marte, exceso que es idéntico al de la
distancia marciana de 1.000 sobre la distancia supuesta de la Tierra de 694.
Esto es así porque atribuyo a Marte el número 1.000 tanto para representar
el período, como la fuerza como la distancia. Pero esto no es regresar,
mediante la necesidad de la Regula Falsi, a los mismos valores que se ha­
llaban en el primer proceso; sino que es hallar de nuevo lo que se había
supuesto al inicio. Puesto que en el primer proceso se había tomado la media
aritmética entre 687 y 365 % resulta 526V8, y como en toda mediación de
este tipo, se establecen dos medias distintas, la superior y la inferior, esto
es, 687 a 526!/g, como inferior, y 526'/8 a 365'4, como superior, que por la
Regla dé Tres se convirtió en 1.000 a 694. —
En el segundo procedimiento, donde la distancia de Marte se toma como
1.000 y la de la Tierra como 694, se toma como proporción de las distancias
entre Marte y la Tierra la parte inferior de la razón de los períodos aritmé­
ticamente dividida, es decir, 526Vs:365s/i. Pero ésta se convierte en números
distintos por la Regla de Tres, a saber, en 687:477. Si ahora de la proporción
687:365'/i suprimes del término superior, es decir, de 687, la parte inferior
de la división aritmética, entonces lo que queda es necesariamente su parte
inferior junto al término menor, es decir, 477:365'/4. De una transposición
semejante, dicho sea de paso, hice uso en la digresión política al final del
libro III del Harmonice. Pero por la Regla de Tres esta proporción se trans­
formó en otros números, 1.306:1.000. Por lo cual, puesto qué el mismo
número, 1.000, se halla en ambas partes de la proporción, se sigue que entre
dos términos relacionados con un mismo tercero, a saber, entre 694 asumido
primero, y 1.306 establecido al final, resulta una media aritmética de 1.000.
Pues la razón que primero se había tomado como inferior entre 687:365%,
o sea, 5261/g:36514 , de nuevo ha sido tomada aquí como inferior, 1.000:694;
mientras que la que allí se tomó como superior, a saber, 687:365'/8 (pues es
efectivamente la misma que 477:365'/4) esa misma aquí se establece como
superior, a saber, 1.306:1.000. Si 1.000 se ha establecido como media arit­
mética entre 1.306 y 694, resultarán necesariamente diferencias iguales en
ambos casos, esto es, 306. Hubiera pues bastado hacer que la proporción
de 1.000 a los otros dos fuera la misma que la de 526'/g a 687 y a 365Í/4:
esto era'lo mismo hacerlo por Regla de Tres que por la Regula Falsi. Pues
era cosa cierta que el término menor resultante había de ser 694, toda vez
que en el primer procedimiento también se halló que 1.000 era a 694 como
526'/g a 365
Mientras tanto observa que, perturbado por esta imaginaria coincidencia
(como quien en la oscuridad toca con la mano derecha a la izquierda sin
darse cuenta y se asusta) me aparté de mi objetivo, intentando probar que
la proporción de las fuerzas era la misma que la de las distancias, cuando
lo que aquí establecía era que la proporción menor era la de las fuerzas,
esto es, 1.000 para Marte, 1.306-para la Tierra; y la mayor la de las distan­
cias, 1.000. para Marte y 694 para la Tierra, mientras que habría sido la
misma para ambas de haber asumido la media geométrica, y no la aritmética.
Ya he dicho demasiado sobre este procedimiento: hay que enterrarlo no
sólo por ser erróneo, sino incluso aunque fuese legítimo, porque la propor­
ción de los períodos no es el cuadrado de la razón de las distancias medias,
sino con toda perfección y exactitud la potencia 3/2 de esa razón: esto es,
si se obtienen las raíces cúbicas de los tiempos periódicos de los planetas,
como aquí 687 y 365%, y se elevan estas raíces al cuadrado, entonces entre
estos números cuadrados se da la exacta proporción existente entre los se­
midiámetros de los orbes. Estas operaciones pueden hacerse fácilmente, bien
mediante las tablas de los cubos de Clavius, anexa a su Geometriae Practicae
(libro VIII), o bien mucho más fácilmente mediante los logaritmos del barón
escocés Neper, como sigue: alarguemos nuestros números, por necesidad y
comodidad, de modo que resulten 68.700 y 36.525, pues no buscamos exac­
titud absoluta; sus logaritmos por la tabla de Neper son 37.543 y 100.715
aproximadamente.
Una tercera parte de ellos es respectivamente 12.514 y 33.572. Y el doble
de éstas, dos tercios de sus logaritmos, son 25.029 y 67.144, a los que en
la tabla de senos corresponden los números 77.858 y 51.097. Esta es la
proporción entre los orbes de Marte y la Tierra. Pues, si se traslada la
proporción a otros números resulta que 51.097 es a 100.000 como 77.858
es a 152.373, que es exactamente la distancia media de Marte, en unidades
de las que la distancia de la Tierra al Sol valga 100.000. La causa de que la
razón de los períodos no sea como el cuadrado de la de los orbes, sino
precisamente como la potencia 3/2, la hallarás expuesta en mi Epítome de
Astronomía, libro IV, fol. 530.
Así, pues, resulta ser éste un otro secreto muy importante que añadir a
los Misterios Cosmográficos aquí ofrecidos; y una vez dado al público place
ahora convocar a voz en grito a todos, tanto teólogos como filósofos, para
censurar la opinión de Aristarco: Escuchad varones piadosísimos, profun­
dísimos, doctísimos:
«Si Ptolomeo dice la verdad sobre el movimiento de los cuerpos del
mundo y sobre la disposición de los orbes, entonces no hay proporción
constante e igual alguna para todos los planetas, sobre los movimientos o
tiempos periódicos y los orbes.
»Si Tycho Brahe dice la verdad, a saber, que el Sol es el centro de los
cinco planetas, como si fueran cinco epiciclos, mientras la Tierra es el centro
del orbe solar, de modo que en torno a una Tierra en reposo el Sol camina
transportando e iluminando a todo el sistema planetario, entonces la razón
de los tiempos periódicos a los orbes es la misma para todos los planetas,
es decir, la proporción de los períodos (por ejemplo, del Sol y Marte) es la
proporción de la potencia 3/2 de sus orbes, pero el movimiento no se pro­
duce desde los mismos centros, pues el movimiento de los cinco planetas
en tomo al Sol se produce desde el Sol, mientras que el movimiento del Sol
en tomo a la Tierra se produce desde la Tierra; y de esta manera el Sol se
constituye en motor de los planetas, mientras la Tierra deviene motor del Sol.
»Si, finalmente, Aristarco está en lo cierto, al decir que el Sol es el centro
tanto de los orbes de los cinco planetas como del sexto que transporta a la
Tierra, de manera que, estando el Sol en reposo, la Tierra entre los demás
planetas es transportada en tomo al Sol, entonces los orbes de dos planetas
cualesquiera guardan entre sí una proporción tal que se acomoda a la pro­
porción de la potencia 2/3 de la razón de sus períodos, o también la razón
de sus períodos es exactamente como la razón de las potencias 3/2 de sus
orbes; y tanto el movimiento de la Tierra como el de los otros cinco planetas
procede de la única fuente del cuerpo solar.
»En este caso obviamente no hay excepción alguna 10, y la proporción
perfectamente asegurada por ambos lados: por parte de los sentidos, las
observaciones diarias de los astrónomos lo atestiguan con toda su exactitud,
y por parte de la razón nos apoya Aristarco en lo general, mientras en lo
concreto se nos presentan causas evidentes, suponiendo una especie inma­
terial del cuerpo solar, de por qué la proporción no deba ser ni simple ni
cuadrada, sino precisamente sesquiáltera, y también se nos presentan las
causas de por qué el Sol puede ser el motor de la Tierra al igual que de los
demás planetas, más bien que la Tierra motor del Sol. Y finalmente la luz
natural de la razón establece que es más digna y arquetípica la forma de las
obras de Dios, si todos los movimientos proceden de una sola fuente, que
si la mayor parte procediesen precisamente de esa sola fuente, mientras que
el movimiento de esa fuente procediese de otra fuente menos noble.
»A esto añádase el establecimiento mismo de la proporción de los orbes,
realizado antes y por separado respecto a los movimientos, a partir de los
cinco sólidos y de las armonías. Pues si es verdad lo que dice Brahe, no hay
lugar para /estas cosas, salvo que se introduzca un cierto círculo para la
Tierra imaginariamente trazado entre los orbes de Marte y Venus; y Dios
entonces se preocupó más de la imaginación que de la cosa misma, distor­
sionando la obra misma del mundo para que la imaginaria representaciones
de la obra pudiera ser más bella, mientras un número infinito de represen­
taciones imaginarias de este tipo (como las estaciones y las retrogresiones)
carecen de tal belleza; por el contrario, si es verdad lo que dice Aristarco,
entonces esa belleza se halla en la realidad, mientras que todas las apariencias
imaginarias, sin excepción alguna, son toleradas por los requisitos de las
leyes de la óptica.
»Tras considerar estas cosas espero que seáis jueces ecuánimes de estas
doctrinas, y que no os comportéis como enemigos de la maravillosa belleza
de las obras divinas. Saludos.»
Capítulo XXI
(1) ¿QUÉ CONCLUIR DEL DESACUERDO?

Tal es, pues, este otro segundo argumento, por. el cual se ha


probado según la autoridad de Aristóteles que las nuevas hipótesis
son preferibles, toda vez que gracias a ellas los movimientos resultan
proporcionales a las «distancias» de Copérnico a título doble, tanto
en razón de la intensidad de la fuerza, como en razón de la velocidad
de la revolución, cosa que no se logra en modo alguno en las ense­
ñanzas de los antiguos sobre el mundo. Ciertamente este propósito
debía ser el único en este tratado sobre el movimiento. Pero no me
resulta difícil conjeturar que habrá quienes hubiesen deseado que yo
hubiera omitido esta última parte del opúsculo. En efecto (dirán), si
ya habías establecido la verdadera proporción de los cielos mediante
los sólidos, a buen seguro que los movimientos la confirmarán. Pues
la verdad no estará en desacuerdo consigo misma. Pero tú mismo
verás, Kepler, cuánto desacuerdo hay entre los movimientos y los
cuerpos, esto es, entre las distancias establecidas a partir de unos y
otros. Por lo cual ofreces tu flanco desnudo al enemigo, y hasta tú
mismo te hieres, y no es preciso acudir a espada ajena.
— Para responder a éstos, comenzaré por invertir sil argumento y
apelaré al juicio y discernimiento no sólo de ellos, sino de todos;
¿cuál argumento les parecerá ser más verosímil, aquel de los sólidos
o este del movimiento? Por lo que a mí toca me parece probable
que no dirán otra cosa que este acuerdo de los movimientos con los
orbes es claramente armónico y una admirable «obra de las manos»
de Dios creador. Por consiguiente, si se ha de dar crédito a uno de
los dos argumentos, se habrán de aferrar a éste, antes que al de los
sólidos, como a cosa más evidente; si bien los valores numéricos aún
discrepen un tanto de los valores copemicanos. Si el lector me con­
cede esto, haré uso de ello para confirmación de los sólidos y para
excusar el desacuerdo que en ellos se da, desacuerdo en muchos
casos menor que el que ocurre aquí en los movimientos. Pues si el
lector, debido a la armonía de mi descubrimiento, pasa aquí por alto
de buena gana un error, más fácilmente allí tolerará un pequeño
error. Y es que dicho desacuerdo en los sólidos no perturDa el
cálculo astronómico, mientras que este de los movimientos lo hace
en mayor medida. Y esto es lo primero: el golpe se ha devuelto.
En segundo lugar, (2) dado el desacuerdo entre los sólidos y los
movimientos, como se me objetará con toda razón, habré de confe­
sar que alguno de ellos es erróneo. Sin embargo creo que el error
puede explicarse de modo (3) que no sea necesario prescindir de
ninguno de los dos descubrimientos (ni de la proporción de los
movimientos ni de la de los orbes). Pero de lo que antecede es fácil
conjeturar cuál de ambos es defectuoso. Primero, las distancias de
los movimientos se apartan más de los valores copemicanos que las
distancias figúrales. En segundo lugar, si se comparan las distancias
de los movimientos con las copemicanas una a una y se anotan las
discrepancias se verá que hay alguna correlación entre los valores de
las discrepancias y los valores verdaderos y por tanto también con
los de los .sólidos, excepto en el caso de Mercurio ’ . Helo aquí:

DISTANCIA DISTANCIA
COPERNIC. DIFERENCIA
MOVIMIENTO

Saturno/Júpiter 572 574 + 2 Cubo


Júpiter/Marte 290 274 -16 Tetraedro
Marte/Tierra 658 694 +36 Dodecaedro
Tierra/Venus 719 762 +43 Icosaedro
Venus/Mercurio 500 563 +63 Octaedro
o 559 + 4

O sea que la diferencia es positiva en cuatro casos y negativa en


el quinto. Pues entre los cuatro, siempre hay parejas de cuerpos
semejantes, mientras que el quinto es solitario. Después pongamos
en orden a Mercurio, dado que es variable, y pensemos que es pre­
ciso atribuirle una distancia media algo mayor que el grosor medio
de su orbe, (4) al menos que el valor del orbe del Octaedro (que
como has oído mas arriba sobrepasa al espesor medio del orbe) y
alcanza como distancia media 559, y ncr500. Y por eso la línea de
sus valores será:
Venus/Mercurio 559 663 +4.
Así, para Saturno y Júpiter y para Venus y Mercurio se tienen
las diferencias más pequeñas, esto es, 2 y 4; para Marte y la Tierra
y para la Tierra y Venus, son las mayores, es decir, 36 y 43, tal y
como son las semejanzas entre los sólidos interpuestos, allí el Cubo
y el Octaedro y aquí el Dodecaedro y el Icosaedro. Y obsérvese que
en el primer caso, donde la diferencia entre los orbes inscritos y
circunscritos es grande, la diferencia entre las distancias es pequeña;
y viceversa, cuando los orbes adscritos son casi iguales, las distancias
motóricas y las copemicanas discrepan en un gran intervalo.
Al darse, pues, una cierta igualdad en estos defectos, y puesto
que ninguna cosa ordenada ocurre por casualidad, hay que pensar
por ello que ciertamente estos números aluden a la verdad, si bien
no la han alcanzado por completo. Esto es, hay algo (5) en el propio
teorema que puede ser todavía mejorado; o también, el téorema es
correcto, pero ninguno de los dos procedimientos (6) ha logrado
alcanzar el sentido del teorema. Cosa que, aunque pude sospechar
al instante desde el principio, sin embargo no quise privar al lector
de la ocasión y hasta del estímulo de hacer otros intentos. (7) ¿Qué
diríamos si viéramos el día en que ambos descubrimientos resulten
reconciliados? (8) ¿O qué decir si de aquí se obtuviese la razón de
las excentricidades? Pues entre las causas que me hacen mantener
con tenacidad este teorema de los movimientos está el hecho de que
la relación según los movimientos de una distancia motórica a otra
nunca se aparta más allá de la totalidad del orbe copemicano, sino
que siempre apunta a un índice que se refiere al grosor de los orbes.
Y hay en esto cierta igualdad que puedes admirar. Para que la veas,
te ofrezco la lista de las distancias motóricas en unidades de las que
la distancia media de la Tierra vale 1.000, y añado las distancias
copemicanas 2 [véase, cuadro adjunto]:
La igualdad es la siguiente: para los planetas lejanos se llega a
valores muy próximos a los de las distancias medias; para los pró­
ximos, Marte y Venus, las distancias motóricas resultan en ambos
más próximas a la Tierra que la distancia media copemicana.
También puedes comprobar que en ningún caso un sólido queda
excluido de su espacio, ni se perturba su orden, sino que como
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mínimo 3 se admite un espacio entre distancias medias que contenga
al sólido. De modo que si alguien quisiere aceptar sobre todo a estas
distancias motóricas como perfectamente establecidas (sobre lo cual,
en cambio, hay dudas), este tal quizá (10) arruine el modo de inter­
posición de los sólidos, pero no la interposición misma. Pues las
distancias motóricas casi vienen a sugerir algo como si (11) los dos
sólidos exteriores semejantes se hallasen situados semejantemente en­
tre las distancias medias, como si los dos sólidos semejantes interio­
res se hallasen situados entre la distancia media y la máxima, a saber,
el Dodecaedro se halla entre la distancia mínima de Marte y la dis­
tancia media de la Tierra, y el Icosaedro entre la distancia media de
la Tierra y la máxima de Venus. Mientras que el Tetraedro hace uso
de sus privilegios y se ubica entre las dos distancias extremas. Pero
todo esto considérese en su sitio justo, dado que se ha construido
sobre los valores inciertos de las distancias derivadas de los movi­
mientos, y sin más objetivo que estimular a otros a buscar la con­
ciliación, dirección en que les he precedido.

Notas del autor al capítulo XXI

(1) ¿Qué concluir del desacuerdo? Esta conjetura es ahora completamen­


te inútil. Pues una vez que he descubierto la verdadera proporción en la que
no existe prácticamente ningún desacuerdo, ¿qué necesidad tengo de falsos
desacuerdos?
(2) Dado el desacuerdo entre los sólidos y los movimientos. Puesto que
los sólidos o figuras solos no determinan los intervalos de los planetas, ni
existe una tal proporción de movimientos para cada cuerpo individual. Por
eso ambos estaban equivocados.
(3) Que no sea necesario prescindir de ninguno de los dos descubrimien­
tos. Se han conciliado entre sí en el libro V de Harmonice.
(4) Al menos que el valor del orbe del Octaedro. Supuesto el orbe del peri-
helio de Venus de 1.000 unidades, en el cual se inscribiese un Octaedro, los
centros del Octaedro distarán del centro del sistema 559 unidades, siendo
así que la distancia máxima, según Copémico, de Mercurio alcanza 723, la
media 500, y por tanto el punto donde concluyen las 559 partes se halla
dentro del mismo espacio o dentro del grosor del orbe; pero no en el punto
medio, sino entre el medio de 500 y el máximo dé 723.
(5) En el propio teorema. Lo que había que corregir, obviamente, era
que la proporción de uno a otro no era la de los cuadrados, sino la de las
potencias 3/2.
(6) Ha logrado alcanzar el sentido del teorema. Como puse en claro en
las notas del capítulo anterior.
(7) ¿Qué diríamos si viéramos el día...? Lo hemos visto 22 años después
y nos hemos regocijado, yo al menos, y creo que Maesdin y muchos más,
que leerán el libro V de Harmonice, se sumarán a la alegría.
(8) ¿ Qué decir si de aquí se obtuviese la razón de las excentricidades?
Así soñaba yo sobre la verdad, bajo la inspiración del Buen Dios, según
creo. Se obtuvo la razón de las excentricidades no a partir de aquí, sino a
partir de las armonías, pero mediante este descubrimiento; y no pudo ocu­
rrir antes de que se hubiese corregido este descubrimiento. Pues en el li­
bro V, capítulo 3, de Harmonice se establece entre los principios de la de­
mostración esta proporción sesquiáltera.
(9) Distancias copemicanas, etc. En lugar de estas distancias copernica-
nas imprecisas tienes en el libro V de Harmonice distancias completamente
exactas tomadas de la astronomía restaurada mediante las observaciones de
Brahe.
(10) Quizá arruine el modo de interposición. De nuevo soñaba sobre la
verdad. Véase este modo corregido en el libro V de Harmonice, capítulo 9,
props. 46, 47, 48, 49.
(11) Los dos sólidos exteriores semejantes. El Cubo entre los últimos
exteriores y el Octaedro entre los últimos interiores se intercalan de manera
semejante, esto es, caben dentro, pero no entre las distancias medias; esto
es demasiado. Y los dos semejantes interiores, el Dodecaedro y el Icosaedro,
también se intercalan de manera semejante, esto es, caben dentro por de­
fecto, pero no entre una distancia máxima y una media; de nuevo esto es
demasiado. Respecto al Tetraedro, hace uso también aquí de sus privilegios,
y se sitúa entre las distancias extremas, la menor de Júpiter y la mayor de
Marte. Ya he demostrado en las proposiciones mencionadas que esto debe
ser así.
Las demás alusiones a la verdad procedentes de números equivocados y
que propongo en distintos lugares, son casuales y no merecen ser discutidas;
pero me alegra verlas de nuevo, porque me muestran los vericuetos, los
tientos en las paredes por los que a través de las tinieblas de la ignorancia
pude ir llegando a la puerta resplandeciente de la verdad.
POR QUÉ UN PLANETA SE MUEVE
UNIFORMEMENTE EN TORNO
AL CENTRO DEL ECUANTE

Acabas, lector, de aprender a conocer también lo imperfecto, por


lo que disminuye mi temor a que abandones esta final y endeble
aventura. Sin embargo, yo he querido referirme a ello al final, tanto
porque lo tengo en último lugar como porque concuerda con los
movimientos, y no podía exponerse sin el capítulo X X , aunque pro­
piamente pertenezca al capítulo XIV, como se te advirtió allí.
Al someter esta proporción figural de los cielos a la opinión de
Maestlin, éste llamó 1 mi atención sobre los epiciclos de los planetas
superiores que Copérnico introdujo en lugar de los ecuahtes y que
hacen dos veces mayor el grosor del orbe de lo que exigen los as­
censos y descensos del planeta (véase lámina IV, cap. XIV). Y para
los planetas inferiores hay otros movimientos por los que el planeta
sube hasta la total altura de dicho epiciclo y desciende hasta su
punto más bajo, de donde y para ellos tomó Copémico un excén­
trico de excéntrico en lugar del excentroepiciclo: mientras que a
Mercurio asignó un diámetro peculiar, a lo largo del cual se acerca
y aleja del Sol, diámetro que similarmente se extiende hasta mucha
mayor distancia que la que jamás alcanza el planeta. Por consiguien­
te, él (Maestlin) consideró que había que dejar a los orbes un grosor
que fuese suficiente para demostrar los movimientos. A lo cual res­
pondí que, primero, habría qué abandonar todo el intento si los
orbes resultasen dos veces más gruesos, pues habría que restar de­
masiado a las prostaféresis; en segundo lugar, que en nada dismi­
nuye la nobleza de esta maravillosa máquina siempre que los propios
caminos seguidos por los globos planetarios mantengan esta propor­
ción, sean grandes o pequeños los orbes por los que se muevan. Y
añadí lo que has encontrado en el capítulo XVI, sobre la materia de
las figuras, que es nula; y de aquí que no resulte absurdo incluir a
sólidos y a orbes en el mismo lugar; o incluso pudiera defenderse
para desigualdad del camino sin recurrir a los orbes. Y ésta me pa­
rece ser la opinión del muy excelente y noble matemático danés
Tycho Brahe. Sin embargo, estas propuestas nuestras explican más
claramente la causa y la forma. A saber, (1) si es la misma la causa
del retardo y de la rapidez en los orbes de cada uno de los planetas
que la dada en el capítulo X X para todo el universo, de la manera
siguiente: el camino excéntrico del planeta es más lento en la parte
superior y más rápido en la pane inferior. Para explicar esto, (2) su­
puso Copémico los epiciclos, y Ptolomeo los ecuantes. Trácese, pues,
un círculo concéntrico igual a las vías excéntricas de los planetas,
cuyo movimiento sea igual en todos sus puntos, puesto que distan
igual del origen del movimiento. Por tanto a la mitad del recorrido
excéntrico sobresaliente del concéntrico el planeta será más lento,
porque se aparta más del Sol y es movido por una fuerza más débil;
en el resto será más veloz por estar más cerca delSol y bajo mayor
empuje. Y que esta variación del movimiento noesdifícil de repre­
sentar por un pequeño círculo, como si de verdad el planeta se mo­
viese en este pequeño círculo con movimiento uniforme, lo puede
comprender cualquiera. Tienes la causa de este retardo, pero veamos
ahora su medida:

Sea A la fuente de este espíritu motor, a saber, el Sol, B el centro


del camino E F G H que recorre el planeta, aunque con paso desigual,
y sea BD igual a BA y CB su mitad 2. Puesto que EF dista más de
A que N O en la cantidad AB, era conve­
niente que el planeta en EF fuese tanlen-
to como si se hubiese alejado el doble de
A, esto es, en la cantidad A D, y estuviera
circulando sobre el centro D. Y por el
contrario, puesto que H G se halla más
cerca del mismo A que PQ en la misma
cantidad AB, era conveniente que el pla­
neta en G H fuera tan veloz como si es­
tuviera dos veces más cerca de A, esto es,
en la misma cantidad AD. En ambos ca­
sos, por tanto, es como si circulase en
torno al centro D. (3) Más arriba, en el capítulo X X , fue esta la
proporción de los movimientos a los orbes. Piensa, por eso, que las
dos causas que en ese lugar concurrieron a lo largo del círculo en­
tero, esas mismas se hallan aquí invertidas y combinadas. A llí3 el
recorrido completo de un orbe dado aumenta el período si es mayor
y más lejano, y si es menor y más cercano lo disminuye; aquí, en
cambio, los círculos N O P Q y E F G H son iguales, y una parte de
éste es más lejana, y otra más próxima al centro A, el Sol. Por lo
cual, la virtud motriz en A actúa sobre E F y sobre G H como si el
planeta estuviese en el primer caso en IK, y en el segundo caso en
LM. Pero la común medida de ambos, allí del retraso y aquí de la
celeridad, se encuentra en D . De este modo un planeta transitando
por E F G H se hace más lento y más veloz al igual que en R y S
toma su velocidad media, igual que si estuviese moviéndose unifor­
memente por IKLM , en torno al centro D . Observa ahora a los
expertos que llegaron al mismo resultado. A saber, Ptolomeo esta­
bleció en D el centro del ecuante y en B el centro del camino del
planeta. Mientras, Copérnico construyó el excéntrico de excéntrico
o el excentroepiciclo en torno al centro C,'punto medio entre D y
B. Esto hace para él, por tanto, que la vía de un planeta sea muy
próxima a E FG H , mientras que la uniformidad del movimiento del
planeta se halla referido a D como centro, al igual que el del orbe
intermedio entre E FG H y IKLM se halla referido a C.
(4) Y he aquí la causa de que el centro del ecuante diste del
centro del excéntrico un tercio ele la excentricidad total. (5) A saber,
supon todo el mundo lleno de un espíritu que arrastra a cuanto de
estrellas y cometas alcanza, y esto con aquella presteza que exige la
distancia del lugar al Sol y el vigor de la fuerza en ese sitio. Además
haya en cada planeta un espíritu peculiar, por cuyo impulso la es­
trella ascienda en su curso, y suprimidos los orbes que se sigan las
mismas cosas.

Y bien sé que algunos, en cuanto lean esto sobre el ecuante,


saltarán de júbilo. Pues si los astrónomos se maravillan de que Pto­
lomeo asumiese sin demostración esta misma medida del centro del
ecuante, se maravillarán ciertamente mucho más ahora de que hu­
biese una causa de tal cosa, y ni siquiera lo hubiese sospechado,
siendo así que lo asumió tal como la cosa es, y como un ciego bajo
divina asistencia llegó al término debido.
—Sin embargo, quisiera que estén advertidos sobre el hecho de que
nada es completamente perfecto. (6) Pues en los casos de Venus y
Mercurio este retraso y velocidad no se acomodan al alejamiento del
planeta respecto al Sol, sino sólo al movimiento de la Tierra. Y si
alguien articula para este tema una ley de movimientos distinta de
la del movimiento de los planetas superiores ¿qué causa entonces
atribuirá al movimiento anual de la Tierra? (7) Pues éste no necesita
de ecuante ni para Ptolomeo ni para Copérnico. Razón esta por la
que este dudoso litigio siga pendiente del juicio de la astronomía.

Notas del autor al capítulo XXII

(1) Si es la misma la causa. Si alguna causa hace que Saturno más lejano
sea más lento que Júpiter más bajo y más cercano al Sol, la misma hará que
Saturno más lejano y en el apogeo sea más lento que él mismo en el perigeo
y más cercano. La causa de ambas cosas es la mayor o menor elongación
recta del planeta respecto al Sol, porque distando más del Sol se mueve con
una virtud solar más tenue y más débil.
(2) Supuso Copémico los epiciclos y Ptolomeo los ecuantes. Expuse la
equivalencia de estas hipótesis en el Comentario sobre Marte, parte I.
(3) Más arriba, en el capítulo XX. Pero esto lo hemos enmendado en
las notas. La proporción de los períodos y por consiguiente la de los retrasos
no era la de los cuadrados de los orbes, sino la de la potencia 3/2. Pero en
los movimientos vistos desde el Sol de uno solo y mismo planeta, en el
afelio y en el perihelio, la proporción reinante es exactamente la de los
cuadrados de las distancias, en los movimientos diurnos, en tanto que son
arcos de excéntricas, rige la proporcion simple de las distancias; véase el
Comentario sobre Marte, partes III y IV. El libro IV del Epitome Astrono-
miae, pág. 533, expone la causa evidente de la diferencia.
(4) Y he aquí la causa de que el centro del ecuante. Esto es verdad para
Copémico, para quien C es el centro del ecuante, o mejor del excentroex-
céntrico, B el centro de la vía del planeta, y BC un tercio del propio AC.
Pero en Ptolomeo la razón es otra. Pues para él D es el centro del ecuante,
B de la excéntrica, por lo que BD es la mitad de AD.
(5) A saber, supon todo el mundo lleno de un espíritu. De nuevo por
espíritu has de entender una especie inmaterial procedente del Sol, extensa
como la luz, y tendrás aquí en pocas palabras un resumen de mi Physica
celeste, contenida en el Comentario sobre Marte, partes III y IV, y repetida
en el libro IV del Epitome Astronomiae.
(6) En los casos de Venus y Mercurio. No hay necesidad de excepciones,
sino que es más verdad de Venus y de Mercurio. Pues en la atribución de
algunas desigualdades de estos planetas por Copérnico al movimiento anual
del Orbe, es de donde viene el error.
(7) El movimiento anual de la Tierra (...), no necesita ecuante. Ciertamente,
según Ptolomeo y según Copémico. Sin embargó, yo en el Comentario
sobre Marte hice de esto uno de los elementos principales del libro y lo
puse como piedra angular en el fundamento; o mejor, lo llamé con razón
clave de la astronomía, puesto que demostré claramente a partir de los mo­
vimientos de Marte que el movimiento anual del Sol o de la Tierra es re­
gulado en tomo a un centro distinto del ecuante, y que la excentricidad de
su órbita es sólo la mitad de la excentricidad creída por los autores.
Así ves, estudioso lector, que en este libro se han esparcido las semillas
de todas y cada una de las cosas que desde aquel tiempo y a partir de las
observaciones totalmente seguras de Brahe han sido establecidas y demos­
tradas por mí en esta astronomía nueva y absurda para el vulgo: por con­
siguiente espero que no castigues con una injusta censura mi decir jocoso
en el libro IV de Harmonice sobre mis Imágenes, tomadas de los Paradigmas
de Proclo.
SOBRE EL PRINCIPIO
Y EL FIN DEL MUNDO ASTRONÓMICOS
Y SOBRE EL AÑO PLATÓNICO1

Después del festín, tras el disgusto de la hartura, vayamos a los


postres. Propongo dos nobles problemas. El primero, relativo al co­
mienzo del movimiento; el otro, a su fin. (1) Ciertamente Dios no
instituyó el movimiento al azar, sino desde un determinado punto
de partida, desde una notable conjunción 2 estelar y al comienzo del
Zodíaco, que el Creador formó' mediante la inclinación de la Tierra,
nuestro domicilio, puesto que todo se ha hecho con vistas al hom­
bre. (2) Si, pues, se hace coincidir el año 1595 de Cristo con el año
5572 del mundo 3 (aunque comúnmente y por los más sesudos se
considera ser el año 5557) la creación vendrá a caer en una notable
constelación al comienzo de Aries. Pues, en el primer año de ese
número supuesto, el día 27 de abril del calendario Juliano contado
hacia atrás, feria primera (Domingo), que es el día de la creación de
todas las cosas, a la hora undécima del meridiano de Prusia, que es
la sexta vespertina de la India, el aspecto del cielo según las Tablas
Pruténicas es como sigue:

Sol 3o -Aries
Luna 3o Libra
Saturno 15° Aries
Júpiter 10° Aries
Marte
Venus 10° Taurus
Mercurio 3° Aries
N odo Ascendente 18° Virgo

Retarda o adelanta un tanto los movimientos de Marte, Venus y


el N odo Ascendente, y vendrán a dar a sus posiciones connaturales,
y quizá el N odo Ascendente coincida en 0° de Libra con la Luna.
Scaligero 4 erróneamente quiere el novilunio. Pero la Luna creada
para regir la noche sin duda brilló la primera noche. El cálculo para
muchos años antes y después no ofrece un comienzo más verosímil.
(3) Pero si proseguimos en el razonamiento, es preciso buscar este
comienzo, con el Sol en Libra, esto es, con el siguiente aspecto de
los cielos:

Saturno 0° Aries
Júpiter 0° Aries
Marte 0° Aries
N odo Descendente 0° Aries
Luna 0° Capricornio
N odo Ascendente 0° Libra
Venus 0° Libra
Mercurio 0° Libra
Sol 0° Libra

Las autoridades antiguas pretenden gue este mundo fue creado


en otoño, y la razón, tomada de Copémico, es que la Tierra se halle
en el mismo punto de partida que los demás. Por tanto los planetas
superiores aparecerían en Aries, los inferiores y el Sol en Libra, y
la Luna, al estar en torno a la Tierra, no le correspondería estar ni
en Aries ni en Libra, para no perturbar el número temario de los
superiores y de los inferiores, y al ocaso del Sol. (pues que así se
creó el mundo), desde ningún sitio reinará mejor la Luna sobre la
noche que desde la mitad del cielo, que se halla a 0° de Capricornio.
Y así podría estar en el ápside superior 5 de su epiciclo. Y puesto
que su orbe es un advenedizo, que parta también ae un sitio inicial
extraño y peculiar. Además las fases le dan entre los hombres no­
bleza y fama, y de las fases la más notable es la cuadratura. Por otra
parte, sitúo la cabeza 6 en Libra y la cola en Aries, de modo que se
halle en una posición razonable respecto a la Luna, sin posibilidad
de eclipse, y con la Luna en su máximo límite boreal. Será entonces
la de la Tierra una aparente posición media entre las estrellas, al igual
que su orbe tiene una posición media entre los orbes por un cierto
designio divino, puesto que todas las cosas son con vistas al hombre.
Pero si colocases al Sol en Aries, Saturno estaría en Libra y la Luna
en Cáncer, y los demás de modo semejante. (4) Hay además que
asumir los movimientos medios, pues es conveniente que en el inicio
estos cursos fuesen los verdaderos, o sea, desde los ápsides. Esta
palma está en juego, la cual, o una similar, si alguien la consigue
mediante cálculo o mediante la restauración de la Astronomía, éste
tan sólo poseerá a Phylis. Esto sobre el comienzo.
(5) Mediante razonamiento no he establecido final alguno del mo­
vimiento, y probaré desde un solo postulado que no habrá ningún
año Platónico. Pues supóngase que la excentricidad se halla en una
proporción racional con el orbe, entonces los radios de los orbes
serán entre sí irracionales, puesto que son entre sí como los radios
de los orbes inscritos y circunscritos de los sólidos, orbes que son
irracionales, porque se atienen a la razón de la diagonal en el cua­
drado y a la de la división (de la recta) según la razón extrema y
media, que son ejemplos de irracionales en geometría. Pero ahora
los movimientos son proporcionales a los radios; luego los movi­
mientos son irracionales entre ellos, y de este modo jamás volverán
a alcanzar el mismo punto de partida, aunque durasen por siglos
infinitos: porque jamás, ni siquiera en una infinita sección del tiem­
po, resultará establecida una medida común, que repetida muchas
veces, constituya un término de los movimientos y un punto de
llegada del año Platónico. Y ahora por fin permítasenos exclamar
con el divino Copérnico: «Tan admirablemente divina es esta Cons­
trucción del Optimo Máximo»; y con Plinio: «(El mundo) es un
Sagrado inmenso, todo en todo, o mejor él mismo es todo, finito y
semejante al infinito» 7.

Notas del autor al capítulo XXIII

(1) Ciertamente Dios no instituyó el movimiento al azar. Sin embargo,


no podemos concluir inmediatamente la conjunción de todos los planetas
bajo el mismo grado del Zodíaco: basta con que hubiese alguna disposición
armónica, al menos general, y alguna división del Zodíaco entre los planetas,
si no desde la Tierra, al menos desde el centró del Sol. Véase Harmonice,
libro IV, capítulos 2 y 3.
(2) Si se hace coincidir el año 1595. La astronomía no permite, supo­
niendo la uniformidad de los períodos, que esta configuración de los cielos
sea completada y reducida a un orden armónico simple.
(3) Pero si proseguimos en el razonamiento, es preciso. No es preciso, y
tampoco insistir sobre la autoridad de los antiguos a propósito de la crea­
ción; pues la recolección de alimentos (y no el recuerdo de la creación) pudo
ser la causa de que se situase en el otoño el fin del año.

(4) Hay además que asumir los movimientos medios. ¿Y qué si esto
tampoco? ¿qué si los planetas no fueron creados en los ápsides, como en
puntos extremos en los que la ecuación es nula, sino en el medio del inter­
valo donde la ecuación es máxima? Por tanto ahí queda este ejercicio, pro­
puesto para todos los astrónomos calculadores, y repleto de insinuaciones
piadosas sobre el nacimiento del tiempo. Maestlin intentó algunas cosas.
Recibe de mi parte esta otra, en la que todas las cosas, desde el centro del
Sol, se hallan en posiciones opuestas o en cuadraturas, y además en los
puntos cardinales.

En el año juliano 3993 contado 8 hacia atrás desde nuestra era común,
el día 24 de julio por la tarde, al comenzar la feria segunda (Lunes) eñ
Caldea, el Sol y la Luna se hallaban al principio de Cáncer, cerca de «Cor
Leonis», todos los movimientos de la Luna se hallaban en cuadrante, al igual
que todos los demás: Saturno y Venus hacia el comienzo de Libra, Júpiter
y la Tierra hacia Capricornio, la Luna, Marte y Venus hacia Cáncer. En el
caso de Mercurio hay unos grados de más, pero pueden suprimirse mediante
su ecuación sustractiva máxima, siempre que se conozca suficientemente su
movimiento medio, de modo que no resulten eliminados por la corrección
del mismo. En Venus también sobra algo, que no es posible eliminar me­
diante la ecuación. La feria segunda es la del Firmamento, esto es, de la
expansión entre aguas y aguas; como si los orbes o planetas, recibida la
orden de desplazarse por esta expansión, en el mismo instante de comenzar
a expandirse, empezasen a moverse; mientras que la feria cuarta es final­
mente la del embellecimiento de los cielos últimos con las estrellas fijas, y
el Sol y la Luna, etc., como último retoque.
(5) Mediante razonamiento no he establecido final alguno del movimien­
to. Subyacía a esto como fundamento principal la idea de que entre los orbes
celestes existe aquella proporción que hay entre cualesquiera orbes geomé­
tricos derivados de los cinco sólidos. Pues cuatro de esas proporciones son
inexpresables, o, como aquí dije hablando comúnmente, irracionales. Ahora
bien, hemos refutado este fundamento, porque la proporción de los orbes
celestes no procede solamente de las cinco figuras. La cuestión ahora es ¿qué
se puede seguir manteniendo acerca de esta idea, y si se pudiera dar una
perfecta «apocatástasis» de todos los movimientos? Digo que, pese a la quie­
bra de este fundamento, no existe proporción alguna. Lo probaré. Pues es
cierto que si las proporciones al menos de los tiempos periódicos son con­
mensurables, entonces existe la apocatástasis, pero si son inconmensurables,
entonces no. Pero si lo son o no lo son hay que decidirlo como sigue: todas
las proporciones de los movimientos en los apogeos y en los perigeos, tanto
de dos en dos como de cada uno, son conmensurables, pues proceden de
las armonías, y éstas son todas racionales, al igual que todos los intervalos
son melódicos o subordinados a los melódicos. Por tanto, en el libro V de
Harmonice, capítulo 9, prop. 48, se hallan expuestos y enunciados numéri­
camente todos estos movimientos. Y estos números han de considerarse
precisos. Ahora bien, la proporción mutua de los tiempos periódicos tiene
el mismo valor que la proporción mutua de los movimientos medios. Pero
los movimientos medios se forman de las medias aritméticas entre extremos,
afelios y perihelios, y lo que es un medio entre estos dos términos racionales
es racional; y también se forman de la media geométrica entre los mismos
términos. Pero la media geométrica entre términos racionales no es siempre
racional. Por consiguiente, los movimientos medios de los planetas, son inex­
presables e inconmensurables con los movimientos extremos de todos los
planetas. Véase Harmonice, libro V, capítulo 9, prop. 48. Y puesto que no
existe ninguna razón «a priori» que determine los movimientos medios, y
puesto que cada uno resulta de sus movimientos extremos, tampoco los
movimientos medios serán entre sí conmensurables; ninguna cosa ordenada,
como la conmensurabilidad, suele existir por casualidad. Por lo cual, tam­
poco los períodos de los tiempos serán conmensurables entre sí. Y por
consiguiente ninguna apocatástasis perfecta de los movimientos que pudiera
ser considerada como un término final formal o racional de los movimientos.
Aquí tienes, lector, la revisión de mi pequeño libro titulado Misterio
Cosmográfico, que prometí hace diez años en la parte III de Comentario
sobre Marte, si bien no había lugar para esta revisión antes de la edición del
Harmonice Mundi Libri Quinqué. Por lo cual, dando fin al comentario,
volvamos al Himno que cierra el libro.
CONCLUSIÓN DEL LIBRO

Ahora, amigo lector, no olvides el fin de todo esto, que es el


conocimiento, admiración y veneración del Artífice Sapientísimo.
Pues de nada sirve haber progresado desde los ojos hasta la mente,
desde la visión a la contemplación, desde el curso observable hasta
el plan más profundo del Creador, si deseas quedarte en esto y no
elevarte en un solo impulso y con toda la devoción del alma hacia
el conocimiento, amor y culto del Creador. Por ello con espíritu
puro y ánimo agradecido entona conmigo el siguiente himno 1 al
Arquitecto de la obra más perfecta.

Dios Creador del mundo y eterno señor nuestro,


¡Cuán grande tu fama por el orbe entero de la tierra!
¡Cuánta es tu gloria! que, sobre los muros del cielo
extendida, vuela admirable con alas desplegadas.
Lo reconoce el niño y harto, dejando el pecho, con labios
balbucientes pronuncia, a tu dictado, razones poderosas,
razones que confunden a tu engolado enemigo,
que te desprecia a ti, a la ley y a la justicia;
y yo, para creer presente tu Numen en todo el orbe
espacial, atónito miraré las obras del vasto cielo,
obra del Gran Artífice, milagro de diestra poderosa;
cómo distinguiste con medidas los cinco orbes sidéreos,
y entre ellos el central dispensador de luz y de espíritu
con qué ley gobierna las riendas de su eterna carrera,
qué alternancias sigue la variable Luna, qué tareas;
cuántas estrellas sembraste por el inmenso campo sidéreo.
Creador Supremo del mundo, ¿con qué razón te obligó
el pequeño, pobre, humilde colono de tan exiguo terruño,
el hijo de Adán, a tener cuidado de sus cosas?
Sin merecerlo lo contemplas, lo elevas a lo sublime
y, sin ser de la raza de los dioses, le regalas tantos
honores, le ciñes la. noble cabeza con diadema, Rey
le constituyes sobre las obras de tus manos.
Lo que está sobre su cabeza, orbes inmensos con sus cursos
sometes a su mente: cuanto en la tierra nace,
al animal nacido para el trabajo y para las humeantes aras,
cuantas otras fieras habitan en las selvas,
cualquier, género de aves que hiere los aires con leves
plumas, cuantos peces transitan mares y ríos,
a todos tú ordenas someterse a su imperio y mano poderosa.
Dios Creador del mundo y eterno Señor nuestro
¡Cuán grande tu fama por el orbe entero de la tierral
n o t a s y c o m e n t a r io s d e l t r a d u c t o r

A los títulos de la Prim era y Segunda edición (pp. 43-46)

1 En la actualidad este término se usa solamente en medicina para designar los


comienzos de una enfermedad. Su significado latino se refería a las tropas ligeras que
iban de avanzadilla reconociendo el terreno. El sentido en que Kepler utiliza aquí
esta palabra puede interpretarse en doble dirección: por una parte, «avanzadilla» co-
pemicana contra las hipótesis antiguas; por otra, preludio e introducción a un pro­
yecto muy ambicioso que, en carta a Herwart von Hohemburg de 26 de marzo de
1598, proyecta en cuatro partes: i) el universo y sus panes en reposo (el Sol y las
fijas); ii) las partes móviles; iii) los propios cuerpos celestes, en especial la Tierra,
causas de los montes, ríos, mareas...), y iv) relación de tierra y cielo (meteorología,
astrología...). G.W . 13, n.°91.
2 N o conocemos traducción castellana de la Narratio de Rhetico. Las más ase­
quibles son: la de E. Rosen incluida en Three Copemican Treatises. Nueva York,
1971 (3.‘), págs. 107-196, y la (francesa) debida a H . Hugonnard-Roche, J . P. Verdet
y otros en Studia Copemicana, 20, Gdansk-Varsovia, 1982. Esta obra, que Maestlin
editó y conocía muy bien, fue la vía inicial de Kepler hacia Copém ico, como el lector
reconocerá enseguida.
3 Desde 1571 era el editor de la Iglesia de Württemberg y de la Universidad de
Tubinga (al menos de hecho). Publicó obras de Ossiander, Hafenreffer, Maestlin y
otros amigos de Kepler. Pero tenía fama de poco honesto y escrupuloso en sus
cuentas con los autores. Véase S e c k , F r .: «Johannes Kepler un der Buchdruck. Zur
auseren Entstehungsgschichte seiner Werke», en Archiv fü r Geschicbte d. Buchwe-
sens, 11, cois. 609-726, 1970. D e su reputación da cuenta Nicodemo F r i s c h l i n en su
Celetismus grammaticus, tributus in diálogos dúos adversas Martini Crusii Professoris
Tubingani aefensionem (Estrasburgo, 1588), donde (pág. 59) dice: «Q ui enim Grup-
penbachium norunt, norunt quam aegre possit permoveri, ut aliquid suscipit impri-
mendum... nihil enira recipit, nisi certus sit de exeraplarium distractione.»
4 Para la geografía y la historia en que se desarrolló la vida y la actividad de
Kepler puede verse el estudio de E v a n s , R. J . W .: The making o f the Absburg Mo-
narchy, 1550-1770. O xford, 1979.
5 Esta edición mencionada aquí por Kepler era ya una duplica en una polémica
con R. Fludd que había iniciado el propio Kepler en su Harmonice, donde incluyó
unas «N otae... quibus authorem explico, refuto, eiusque inventa vel attentata cun
meis comparo», donde acusa a Fludd de no entender nada y confundirlo todo. Fludd
respondió en el acto con su Veritatis proscenittm... (título kilométrico), Frankfurt,
1621, que a su vez fue respondido por Kepler con su Pro suo Opere Harmonices
mundi Apología (aquí añadida), Frankfurt, 1622. Todavía Fludd volvió a la carga con
su Monochordum Mundi symphoniacum, Frankfurt, 1622. Véase C ASPAR, M .: Kepler,
págs. 290 y ss. También A m m a n n , P .J .: «The Musical Theory and PÚlosophy of
Robert Fludd», en Jou rnal o f the Warburg and Courtauld Institutes, 30, 1967,
págs. 198-227.
6 En la primera edición Kepler se limitó a colocar en la página Título su traduc­
ción de este epigrama. En la segunda incluyó una versión griega junto a su propia
traducción y ambas en contra-página. Véase un estudio de este epigrama y de su
traducción en S e c k , F . : «Johannes Kepler ais Dichter», en Kepler Symposium,
págs. 427-450 y la comparación con otras versiones del mismo. El epigrama mismo
de Ptolomeo ha sido estudiado por BOLL, F .: «D ie Epigramm des Claudius Ptole-
maüs», en Sokrates, 47, 1921, págs. 2-12, y por A . J . FESTUGIÉRE, en L a Révélation
d ’Hermés Trismégiste, tomo I. París, 1944, pág. 317.

A la Epístola D edicatoria (pp. 47-54)

7 Se trata de Fem ando II (1578-1637).


8 L os Salmos que cañaban con una cítara de diez cuerdas como dice el Salmo 32
de L a Vulgata (33 de la versión Nácar-Colunga en la B A C y la de Cipriano de Valera,
Madrid, 1931), vers. 2, que dicen, respectivamente: «Cantad a Yavé con la cítara,/
ensalzadle con el arpa de diez cuerdas» y «Celebrad a Jehová con arpa: Cantadle con
salterio y decacordio». Por tanto este eptacorde salterio de Kepler puede entenderse
como una referencia analógica a las músicas celestes de las esferas que, con el Sol,
resultan siete.
9 N o sabemos que hayan sido publicados estos comentarios a que aquí se refiere
Kepler y que se conservan en el leg. 13 de los del Observatorio de Pulkovo. Sobre
el objeto efe estos comentarios véase B i a l a s , V .: «D ie quantitative Beschreibung der
Planetenbewegung von Johannes Kepler in sienem handschriftlichen N achlass», en
Kepler Festschriften, ,1971, págs. 99-140.
10 L os Estados escucharon la petición de Kepler y el 27 de enero de 1624 enco­
miendan a los Delegados o Com isión Permanente de Gobierno que tome una decisión
sobre el particular. L os Delegados conceden a Kepler una gratificación de 300 táleros,
verdaderamente generosa (G.W . 19, págs. 32-33).
" Se refiere a Austria, Carintia, Carniola, Estiria y Tirol, las cinco provincias
patrimoniales de la C asa de Austria.
12 Fem ando I (1503-1564) era hermano de Carlos V y su educación había sido
española. Se recuerda todavía la Escuela de Equitación de Viena como uno de sus
recuerdos españoles, llevados consigo a Austria cuando fue allí como Rey de Roma­
nos a petición de su hermano el Emperador Carlos.
13 Julio C ésar E scA U G E R O (1484-1558) publicó en 1557, eri París, su Exoterica-
rum exercitationum líber quintus decimus, D e Subtilitate a d Hieronymum Cardanum,
que ejerció notable influencia en las universidades europeas durante dos siglos. Puede
verse una biografía de H A L L Jr., V .: Life o f Julius Caesar Scaligerus. Filadelfia, 1950.
N o debe confundirse con su hijo Jo sé Justo Escaligero, al que se refiere Kepler en
el cap. X X III de este libro a propósito de las especulaciones cronológicas sobre la
creación del mundo.
14 N o existe esta palabra ni en griego ni en latín, y Kepler la introduce en con­
traposición a Pródromo, como los caminos de ida y vuelta en las carreras del circo
romano, de donde, como sugiere E. Aitón, procede Ja imagen de Kepler.
15 Sebastian MÜNSTER (1489-1552) publicó (Basilea, 1544) una Cosmographia Uni-
versalis, con 471 grabados y 26 mapas, muy estimada en su tiempo. Igualmente fa­
mosa fue su edición de la Geogrflphia de Ptolomeo (Basilea, 1540), así como su
colección de 142 mapas, etc. Véase BROC, N .: L a Géograpbie de la Renaissance. París,
1980.

A la Dedicatoria Primitiva (pp. 55-63)


16 Todos los títulos, cargos y funciones que siguen ofrecen cierta dificultad de
traducción, dado su carácter mixto de cargos imperiales, locales, electos, heredita­
rios, etc. Puede verse en R . J . W. E v a n s , op. cit., págs. 175 y ss., y también en SUT-
TER, B .: Johannes Kepler una Graz. Graz, 1975, págs. 183 y ss. En resumen: el Barón
von Herberstein era «Capitaneus» = Landeshauptmann = Capitán (Gobernador) de
la provincia y presidente de los Estados o parlamento local y era nombrado por el
Emperador, «Dapifer hereditarius» = Erbtruchsess = Senescal, figura de origen ger­
mánico que capitaneaba los ejércitos del Rey; «Camerarius» = Erbkámerer = C a­
marero, oficio interno de palacio. Además la dedicatoria menciona a los «Quinque-
vires» = Verordnete = Delegados, que ejercían el gobierno ordinario y administraban
la provincia en nombre de los Estados o parlamento provincial, Estados compuestos
por «Ó rdenes», esto es, Prelados = «Praesules», N obles = «Liberi Barones» y C a­
balleros = «Domini Equestri Ordines».
17 El Matemático de Graz tenía, además de la carga de enseñar matemáticas, la
de confeccionar un Prognosticum anual para los Estados. El primero para 1596, apa­
reció en octubre-noviembre de 1595 y no se conserva ninguna copia del mismo,
aunque sí de los de 1597, 1598 y 1599. En G.W . 13, págs. 49-50, se puede ver la carta
de Kepler anunciando a los Estados de Estiria la publicación de su primer Pronóstico.
En el mismo vol. 13 de G.W ., pág. 251, aparece el juicio que estos trabajos le merecen
a Kepler en una carta a Maestlin de 8 de diciembre de 1598. «Escribo (pronósticos)
no para el vulgo ni para los doctos (salvo para muy pocos), sino para nobles y
prelados, que se atribuyen algunos conocimientos de las cosas que ignoran... (pero
sobre todo) por si esto les anima a mejorar un poco mi salario.»
18 Citas yuxtapuestas de diferentes Salmos: 19 (V 18) vs. 1, 8, vs. 3 (4); 147 (V 146),
vss. 4-5; 148, vss. 1 y 3.
19 Apicio escribió un famoso recetario de cocina en el siglo I d. de C . titulado
De re coquinaria, en el cual describe platos fantasiosos de la Corte del Emperador
Claudio.
20 O v i d i o : Fasti, 1, págs. 297-298.
21 En el Inventario de las pertenencias del Emperador no aparece este reloj-pla-
netario, aunque Juanelo estuviera trabajando en ello en el momento de la muerte de
Carlos V. En cambio aparecen libros de C osm ografía como la Geografía de PTO LO ­
MEO o el Astronomicum Caesareum de Pedro A p i a n o , Mapas y otros instrumentos
astronómicos o de relojería. Véase SÁNCHEZ L o r o , D .: L a inquietud postrimera de
Carlos V. Retiro, estancia y muerte de Carlos V en Yuste, según la relación inédita
del canónigo placentino D . Tomás González, 3 vols. Cáceres, 1957-1958. El inventario
del canónigo González aparece al final del vol. III. .
22 La liberalidad de los receptores alcanzó la cifra de 250 guldens, que recibió en
vísperas de su traslado a Praga en el año 1600. Cfr. G.W . 19, pág. 29.
23 El Emperador Fem ando II había nacido en G raz y al llegar a la mayoría de
edad, en diciembre de 1596, inició tina campaña contra los protestantes en sus domi­
nios hereditarios que alcanzó a Kepler y fe desposeyó de su cargo de profesor de
matemáticas en la Stiftsschule de Graz, siendo una de las causas de su emigración a
Praga.
24 Kepler sintió aversión a este oficio que imponía el cargo de «Matemático»
oficial, desde el inicio mismo de su trabajo en G raz. Y aunque hubo de escribir
bastantes pronósticos, tanto personales como generales, manifestó privadamente a
Maestlin y en sus D e fundamentis astrologiae certioribus, dice con toda sinceridad lo
que piensa al respecto: en resumen, no cree en las predicciones que no puedan pro­
barse científicamente y por ello (Tesis 2.‘) «In illis libellis dicentur... plurima quae
tempus et experientia ut vana et irrita refutabit»; en cambio algunas cosas (los eclip­
ses, p. ej.) «quae probaturas est eventus».'
" Kepler omite aquí la referencia a sus intentos de construir un modelo en me­
tales nobles para el duque de Württemberg de su descubrimiento y que sirviese como
vaso de bebidas («Kredenzbecher»), empeño en el que fracasó. Confr. C a s p a r , M .:
Kepler, págs. 64 y ss.
26 L a entrada en el catálogo de la Feria de Frankfurt decía: Prodromus discerta-
cionü Cosmographicarum a M. loan. Repleo Wirtembergico Mathematic, Tubingae
Georgias Gruppenbach in 4.
2' N o sólo esto, sino que además hizo de presentador y recomendó a Kepler ante
el orgulloso Tycho. Confr. G.W . 14, págs. 108-109.
2 Muere Brahe el 24 de octubre ae 1601. Kepler es nombrado «Matemático
Imperial» con efectos económicos de 14 de agosto de 1600, fecha de la muerte de
R. Ursus, que lo había sido hasta entonces. Confr. CASPAR, M .: Kepler, págs. 116-123.
29 SÉNECA: Naturales questiones, V I I, 3 1 .
30 Y a hemos mencionado este hecho y aquí Kepler expresa su agradecimiento
tanto a Von Herberstein como a los «Provinciales» por los 250 guldens (200 táleros)
que le asignaron como gratificación. Cfr. G.W. 19, págs. 26-27.

A l Prim er Prefacio al lector (pp. 65-74)

31 L a aceptación por parte de Maestlin de la concepción copemicana no ofrece


dudas tras esta declaración de Kepler. Pero, con todo, hay que recordar que la Uni­
versidad de Tubinga era un reducto de la ortodoxia luterana y ésta era claramente
opuesta a la revolución astronómica copemicana, Por ello Maestlin presentó sus opi­
niones en forma conjetural y elusiva de su propia creencia. Su Epitome astronomiae,
publicado primero en Heidelberg (1582) y más tarde en Tubinga (1588, 1593, 1597,
1598, 1610, 1614...), no hace ademán de copemicanismo y sólo se atreve en las últimas
ediciones a pequeñas «m ejoras» de cálculo. Son estas «convenientes mejoras» las que
debieron aparecer en sirs cursos de la Universidad y las que sirvieron de pistas a
Kepler. Sin embargo, Maestlin hizo gala de su pensamiento en su correspondencia
con el Duque a propósito de la publicación del Mysterium, afirmando que «todos los
expertos se adscriben al modelo copemicano» (G.W . 13, pág. 68) y no sólo en su
correspondencia privada con Kepler.
32 Por esta indicación sabemos que Kepler debió, ¡nicialmente, su decisión coper-
nicana más a las lecciones de Maestlin y a sus propias pesquisas que a lecturas como
la Narratio prima de Rhetico. Sólo cuando ya en G raz pudo leer a Rhetico y a
Copém ico se vio confirmado en su copemicanismo inicial con datos y cálculos ajenos.
Es cierto que la muerte de G . Stadius motivó la petición para que Kepler fuese
a Graz, pero Stadius no logró ser nombrado «Matemático» de los Estados de Estiria,
aunque escribió en Graz «Pronósticos» para los años 1578-1593. Su enseñanza fue
variada, desde aritmética a derecho. Confr. SuTTER, B .: «Johannes Keplers Stellung
¡nnerhalb der Grazer Kalendertradition des 16 Jahrhunderts. D ie Landschaftlichen
Mathematiker der Steiermark ais Kalenderiographen», en Johannes Kepler, 1571-1971.
Graz, 1975, págs. 273 y ss. y 330 y ss.
34 Eneida, IV, 175.
35 L o s intentos que menciona Kepler en este pasaje parecen inspirados en el mo­
delo platónico del Timeo. Puede verse la naturaleza pitagórica de semejante modelo
en FlE LD , J . V .: Kepler’s Geometrical Cosmology. The Athlone Press. Londres, 1988.
El hecho de que aquí Kepler confíese su fracaso inicial no debe inducir al lector a
creer que abandonó su inspiración platónico-pitagórica, pues el programa entero de
Kepler conservó este componente inicial, aunque se completó con otra vertiente física,
creación del propio Kepler, como pone de relieve Bruce STEPHENSON en Kepler’s
Physical Astranomy. Studies in the H istory o f Mathematics and Physical Sciences, 13.
Springer-Verlag. N ueva York, 1987.
36 Esta relación ya había sido puesta de relieve por Aristóteles en el D e Cáelo,
II, 10, 291a, 29. . . . .
37 Esta estrategia contaba con un antecedente pitagórico mencionado por Aristó­
teles en Metaphysica (A, 5, 986a, 10-15), donde atribuye a los pitagóricos la suposi­
ción de una anti-Tierra invisible para que el número de cuerpos celestes en revolución
resulte «diez», en vez de los nueve visibles, aunque la intención fundacional de los
pitagóricos se dirigía hacia la «decena» como base del sistema numeral, más que, a la
inversa, fundar la arquitectura del mundo sobre la decena.
38 En carta a Maestlin de 3 de octubre de 1595 dice con toda contundencia:
«Num erus autem est quantitatis accidens, numeras inquam in mundo. N am ante
mundum nullus erat numerus praeter Trinitatem, quae est ipse D eus» (G.W . 13,
pág. 35).
39 Aitón, en sus notas (pág. 234, n. 9 ) al texto, sugiere que esta idea pudo ser
sugerida por la lectura del D e triangulis omnimodis de Regiomontano, donde aparece
introducida esta función. B . STEPHENSON en op. cit., pág. 9 , considera esta idea de
gran importancia para el futuro de las ideas físicas de Kepler, por cuanto inicia la
consideración de la relación entre velocidad (lineal todavía) y distancia respecto al
origen de fuerzas (keplerianas, naturalmente). Este ensayo introduce un parámetro f,
y trata de analizar la razón de la velocidad a la distancia en términos de
(1—co s/)/(l—sen/), con un valor d e /p r o p io para cada planeta.
40 En carta a Maestlin de 14 de septiembre de 1595 (G.W. 13, pág. 32) Kepler
comenta este intento sin lograr resultado alguno. Pero es un testimonio de lo primi­
tivo de su concepción física y de la temprana inclusión en esta concepción de la idea
de fuerza («virtus m'ovens»), que varía con las distancias, aunque desconozca la ex­
presión matemática de esa variación y todavía desconozca más la naturaleza de esa
fuerza.
41 E sta enseñanza astrológica, parte de su trabajo como matemático de los estados
de Estiria, daba alguna credibilidad a los pronósticos y en relación con las conjunr
ciones de Saturno y Júpiter era de .particular importancia. Véase D e Stella nova, 6 y
7 (G.W. 1, págs. 178 y ss.) y también FlELD, J. V .: «A Ludieran Astrologer: Johannes
Kepler», en Archive fo r History o f Exacts Sciences, 31 (3), 1984, págs. 189-272.
42 Se refiere a la recomendación de H oracio en su Epístola a a Pisones, 338.
43 D e amicitia (Laelius), 23.
44 Expresión de Terencio en Heauton timorumenos, 4 ,3 ,4 1 , hoy proverbio común.
45 Se refiere al libro I, parte 5.’ del Epitome. Pero no es fácil reconstruir los tér­
minos en que se dio esta Disertatio, aunque podem os conjeturar los tópicos argu­
méntales probablemente contenidos en ella.
46 «A hora bien, en el prefacio de dicho libro se ve que yo buscaba entonces,
aunque en vano, más planetas en torno al Sol.» A sí recuerda en su Dissertatio cum
Numtio Sidereo (Conversación con el Mensajero Sideral, pág. 101) estas conjeturas
iniciales. Véase E l Mensaje y el Mensajero Sideral. Carlos Solís (ed.). Alianza Edito­
rial. Madrid, 1984.
Al C apítu lo I (pp. 75-91)

1 Este capítulo no era originariamente tal como apareció en imprenta, y los cam­
bios fueron debidos a las sugerencias de los profesores de la Universidad de Tubinga
como se desprende de la correspondencia de Kepler con Maestlin, Hafenreffer, etc.
(G.W . 13, passim). En su forma original era un alegato pro copemicano mostrando

3 ue estas nuevas hipótesis eran compatibles con la Biblia. Cuando recibe el consejo
e no entrar en esta disquisición guardó su primera redacción y escribió este nuevo
capítulo en el tono, más o menos, que le había sugerido Hafenreffer. Pero los papeles
desechados aquí debieron servirle para el Prefacio de la Astronomía N ova. Puede
verse este episodio bien documentado en R o s e n , E .: «Kepler and the Lutheran At-
titude Towards Copemicanism in the context of the Struggle between Science and
Religión», en Vistas in Astronomy, 18, págs. 317-337. Asimismo en WESTMAN, R. S.:
«The Melanchton Circle, Rheticus and the Witemberg interpretation of the Coper-
nican Theory», en Isis, 66, 1975, págs. 165-193.
2 En realidad esta apreciación ae Kepler era más bien fruto de su desconocimiento
de las cosas. Las Tablas Pruténicas de Reinhold se basaban en los datos copemicanos
y expresaban el grado de exactitud de éstos. Pero no lograban superar en precisión
a las Tablas Alfonsíes, como éstas tampoco superaban apreciablemente a las Ptole-
maicas. Sólo más tarde, cuando se aplica a la composición de las Tablas Rudolfinas,
reconoce estos hechos que hace explícitos en el Prefacio a las Tablas Rudolfinas. A
propósitopu ed e verse de G i n g e r i c h , O . : «The role of Erasmus Reinhold and the
Prutenic Tables in the dissemination of Copemicán Theory», en Studia Copemicana,
6, págs. 43-62; y la traducción inglesa del Prefacio de Kepler a las Tablas Rudolfinas
de G ING ERICH, O ., y W a l d e r m a n , W .: «Johannes Kepler and the N ew Astronomy»,
en Quarterly Jou rn al o f the Royal Astronomical Society, 13, 1972, págs. 346-373..
3 E l análisis de Kepler sobre las aplicaciones de la llamada «Regula ex falso», se
continuará en su Apología pro Tychone contra Ursum, cuya traducción inglesa y
significación filosófica puede verse en J a r d i n e , N .: The birth o f History andPhilo-
sophy o f Science. Cambridge University Press, 1984.
C om o es sabido, esta es la posición de Ossiander en el Prefacio que antepuso
a D e Revolutionibus de Copém ico, cuando recibió de Rhetico el encargo de hacer la
primera edición en 1543. El hecho de que ese Prefacio apareciese sin firma hizo que
durante algún tiempo se le atribuyese al propio Copém ico. Puede encontrarse tradu­
cido al castellano en la traducción y edición de Sobre las Revoluciones de los Orbes
Celestes de Carlos MÍNGUEZ y Mercedes T e s t a l . Editora Nacional. Madrid, 1982.
Véase WRIHTSMAN, Bruce: «Andreas Osiader’s Contribution to the Copemicán Achie-
vement», en R . S. Westman (ed.): The Copemicán Achievement. University of Cali­
fornia Press. Berkeley, 1975, págs. 213-243..
5 Para simplificar para el lector el argumento de Kepler será bueno advertirle
primero sobre el fondo de la polémica. Esta tenía ascendencia platónica y larga his­
toria en astronomía, con poderosos motivos para ello. Ptolomeo (Almagesto, I, 1)
considera a la astronomía como una de las partes de la matemática, y la matemática
se constituye como un constructo ideal internamente coherente. De este modo las
posiciones y movimientos de los cuerpos celéstes expresados en términos matemáticos
(geométricos) pueden ser descritos en form a ptolemaica, tychónica o copemicana. E
incluso, representacionalmente, pueden ser equivalentes, como Kepler mostrará más
tarde en la Astronomía N ova. Pero aquí Kepler trata de argumentar contra quienes
hacen de la equivalencia fenoménica un argumento escéptico, cuando dicen que esa
equivalencia arguye en favor de la imposibilidad de distinguir entre hipótesis, sin
parar mientes al hecho de que alguna posee la misma eficacia descriptiva que las otras
(la copemicana) y además una eficacia explicativa de la que las otras carecen. Puede
verse el análisis del argumento de Kepler en N . J a r d i n e , op. cit., págs. 215 y ss.;
Respecto al problema en su conjunto véase D u h e m , P.: Zozein ta phainomena. Essai
sur la- Notion de Théorie physique de Platón a Galilée. París, 1908 (reimpr. París,
1982); JARDINE, N .: «The forging o f m odem realism: Clavius and Kepler against the
sc e p tic s», en Studies in the History and Philosophy o f Science, 10, 1979, págs. 141-173
(Jardine atribuye parte de la terminología kepleriana a P. Ramus en su Schalae M at-
üématicae de 1569); WESTMAN, R .: «Kepler’s Theory o f Hypothesis and the “ Realist
¿ilem m a” », en International Kepler Symposium, págs. 29-54, y del mismo autor:
«Kepler’s Theory o f Hypothesis», en Vistas in Astronamy, 18, págs. 713-720.
® Esta discusión toma como punto de partida la distinción aristotélica (Analit.
prior., 2, 53b, 5 y Analit. Póster., 73a, 21 hasta 74a, 44) entre las inferencias deducidas
del género y de una especie de dicho género. Las primeras son verdaderas «per se»,
mientras que las segundas son verdaderas (si lo son) «per accidens». Si aplicamos esta
distinción al caso de Kepler resulta que la inferencia obtenida (las apariencias del
cambio diurno) se pueden inferir de dos premisas opuestas: i) la Tierra inmóvil, y
ii) La Tierra girando. Si i) todas las apariencias en los cielos dependen de los movi­
mientos en ellos; si ii) alguna de las apariencias o algo de las apariencias no depende
de los movimientos de los cielos. Kepler argumenta que i) y ii) son especies de un
género que aquí sería: «entre el cielo y la tierra media alguna diferencia de movi­
mientos» («separado m otuum», diferencia entre movimiento y reposo). La inferencia
se realiza con aparente éxito a partir de ambas especies debido a que la base lógica
de la misma es el género común a ambas, y ambas recogen el estado relativo de
posiciones, que es la pane de género común a ambas. La parte no común (por la cual
se convierten para Kepler en «contradictorias» en su Contra Ursum) es la que atri­
buye el movimiento a un término (los cielos) o a otro (la Tierra).
7 La idea de Tycho era más restauradora de la astronomía ptolemaica que conti­
nuadora del programa copemicano, como pone de relieve R. S. W&STMAN en «Three
Responses to the Copem ican Theory: Johannes Praetorius, Tycho Brahe and Michael
Maestlin», en The Copemican Achievement, págs. 285-353.
8 Kepler inicia con esta apelación su planteamiento de la astronomía como «Físi­
ca» celeste, y por tanto la introducción de argumentos epistémicamente físicos, entre
los cuales éste de la simplicidad de la naturaleza (en lugar de la mera coherencia
matemática) y el de la explicación causal en lugar del mero «salvar los fenómenos».
Tanto la apelación a la simplicidad como la idea física del cielo forman parte de la
tradición aristotélica, viva en la escolástica medieval, sobre todo a través de los múl­
tiples comentarios a la Física y al D e Cáelo.
9 Respecto al gradó en que Maestlin asume y a las razones de esa adopción, puede
verse de WESTMAN, R. S.: «Michael Mastlin’s adoption o f the Copem ican Theory»,
en Studia Copemicana, 14, págs. 53-63, con un análisis de las notas marginales de la
mano de Maestlin al D e Revolutionibus.
10 Maestlin observó la trayectoria de este cometa de 1577-1578 y publicó un libro
Observatio et Demonstratio Cometae Aetheri, qui anno 1577 et 1578 constituto in
Sphera Veneris apparuit. Tubinga, 1578, que, como otros muchos autores, contribuyó
a destruir la idea de esferas sólidas (confr. DO NAH U E, W . H .: The Dissolution o f the
Celestial Spheres, 1595-1650). A m o Press. N ueva York, 1981). D e m odo más espe­
cífico trata este tema D o r i s H e l l m a n n , C .: The Comet o f 1577. Its Place in the
History o f Astfonomy. N ueva York, 1971, y WESTMAN, R. S-: «The Com et and the
Cosm os: Kepler, Maestlin' and the Copemican H ypothesis», en J . Dobrzycki (ed.):
The Reception o f Copemicus' Heliocentric Theory. Dordrecht, 1972, págs. 7-30.
11 Se refiere a D e Revolutionibus, I, 11.
12 En este caso las prostaféresis deben entenderse en relación con’ cada uno de
los sistemas mencionados. Si se trata del ptolemaico los ángulos desde la Tierra sub­
tienden a los diámetros de los epiciclos de cada planeta. Pero si el sistema es coper-
nicano, los ángulos subtienden desde la Tierra los diámetros de los orbes de los
planetas interiores; y desde los planetas exteriores subtienden el diámetro del O rbe
Magno.
. u E s el nombre dado por Copém ico a la órbita terrestre, que fue utilizado por
Rhetico y Maestlin generalizando su uso. Su relevancia es más grande en razón de
las posiciones en que permite hacer observaciones que en razón de su verdadera
magnitud, que siempre se reconoció como pequeña en comparación con otros orbes
del sistema.
•** Este movimiento resulta del giro del eje terrestre a lo largo del año en torno
al Sol. Puesto que dicho eje está inclinado en unos grados respecto a la línea que une
a la Tierra con el Sol debería ir describiendo, al desplazarse, una especie de cono de
revolución. Pero la observación no encuentra este «cono» por ninguna parte. Para
dar cuenta de esta inexistencia de algo «previsto», Copérnico introduce un movimien­
to en sentido contrario («en- ángulo recto») que compense al anterior y mantenga al
eje de la Tierra en la misma dirección; además, este movimiento contrario tiene un
período de restitución, o de reequilibrio, ligeramente más breve que el de giro del
eje terrestre en torno al Sol, determinando así la precesión de los equinocios. Véase
D e Revolutionibus, III, 1, págs. 237 y ss. (versión en castellano). En este lugar C o­
pérnico da cuenta de la forma en que este movimiento permite eliminar las esferas
novena y décima de los «A lfonsinos», de cuya eliminación Kepler se hace eco en su
Epitome (G.W . V II, págs. 511 y ss.).
Puede verse el tratamiento de Copérnico en De Revolutionibus, libro III, 1 y
ss., y la figura «a m odo de guirnalda» en pág. 244 (versión en castellano). ;
La presentación de Copém ico es analizada por Rhetico y. Maestlin (confer.
RO SEN, E .: Tbree Copemican Treatises), aunque los cálculos de Copém ico no resul­
tasen absolutamente exactos. Puede verse MOESGAARD, K. P.: «The 1717 Egyptian
years and the C o pem ican theory o f precession », en C en tau ras, 13, 1968,
págs. 120-138; y S w e r d l o w , N . : «O n Copernicus’ theory o f precession», en R . S.
Westman (ed.): The Copemican Achievement. Berkeley, 1975, págs. 49-98, con refe­
rencia final a la crítica de Vieta a los cálculos de Copém ico en el libro III, cap. 9. .
17 La Sagrada Congregación del INDEX, en un Decreto de 5 de marzo de 1616,
prohíbe la lectura del D e Revolutionibus, «doñee corrigatur» (no manda quemarlo
como a otros), por cuanto éste y otros libros no intentaban conciliar la Biblia con el
movimiento de la Tierra (que era lo herético propiamente y por tanto obligado pasto
del fuego), sino que mencionaban el asunto sin la precaución de descartar expresa­
mente la conciliación herética. H ubo «correcciones», como se puede ver en ejemplares

3 ue se conservan purgados al gusto de la Congregación, con pasajes rayados, borra­


os, etc. (tuvimos ocasión de contemplar uno en la exposición L as Edades del H om ­
bre II. Catedral de Burgos, 1990). Ctr. GlNGERICH, O . : «The Censorship o f Coper-
nicu’s “ D e Revolutionibus” », en Annali dell’Instituto e Museo di Storia delle Sáenze
di Firenze, 6, 1 9 81, págs. 4 5 -6 1 , incluyendo al final el texto del Decreto.
18 Se refiere Kepler a un momento en que'trata de determinar los errores en
longitud y latitud derivados de su hipótesis y de los derivados de la hipótesis vicaria
del ecuante. Y encuentra que no son distinguibles observacionalmente, pero ello es
debido a que «per hanc contemperationem variarum causaram fit ut errare altero
alterum compensante calculus intra sensuum sensibilitatem deprehendique non possit
specialis hypotheseos falsitas» (G .W . III, pág. 186). Puede verse GlNGERICH, O .: «K e­
pler’s Treatment of Redundant Observations», en International Kepler Symposium,
págs. 307-314.
19 A sí dice en la Astronomía N ova, 14 (GIW. III, pág. 141) que «Copernicus
divitiarum suarum ipse ignarus Ptolomaeum sibi exprimendum omnmo sumpsit, non
rerum naturám, ad quam tamen omnium proxime accesserat», y ello porque Copér­
nico siguió considerando a los planos de los planetas pasando por el centro de la
Tierra (visión ptolemaica) y no por el centro del Sol como era congruente con sú
propia hipótesis, y como acaba de hacer Kepler con el plano de la órbita de Marte
líneas antes del pasaje citado. Ello le privó de conocer una propiedad importante, cual
es la de la inclinación constante de la órbita.
20 Al comienzo del libro V del Epitome, Kepler resume su idea «física» de los
movimientos de los planetas primarios. Si el Sol ejerce una fuerza impulsora sobre el
cuerpo del planeta, éste se desplazará continuamente con movimiento uniforme en
torno al Sol que será, a la vez, centro de la órbita y del círculo en que ésta consistirá.
Pero las cosas no son así. Puesto que el movimiento no es uniforme y la órbita no
es un círculo y el Sol no se halla en el centro geométrico de la órbita, es preciso dar
cuenta de la razón de esta disposición poco «arquetípica». Para ello imagina Kepler
que en el cuerpo de cada planeta existen dos clases de «fibras», unas paralelas al eje
de giro del planeta y otras perpendiculares a las anteriores. Las primeras determinan
los nodos al recuperar su equilibrio; las otras, también de naturaleza magnética, per­
pendiculares al eje apuntan con uno de sus extremos hacia el Sol y en ese extremo
son atraídas por él, mientras que son repelidas también por el Sol por su extremo
opuesto. El juego de orientación y distancia de los extremos de estas fibras a medida
que se van desplazando por la órbita planetaria (el desvío respecto a la línea recta
que une el centro del planeta con el del Sol y la recuperación paulatina de la dirección
recta) determina la excentricidad y la velocidad de los movimientos del planeta. Puede
verse una buena exposición con ilustraciones en STEPHENSON, Bruce: Kepler's Physi-
cal Astronomy (Studies in the H istory o f Mathematics and Physical Sciences, 13).
Springer-Verlag. Nueva York, 1987, págs. 138 y ss. con ilustraciones en págs. 146-148.
21 Puede verse esta carta de 1/11 de abril de 1598 en G.W . 13, págs. 187-200.
Aunque Kepler siempre creyó que semejante lectura por parte de Tycho era infun­
dada y al margen de la carta de Tycho que decía «E go omnem Orbium realitatem...
cáelo elminandam censeo», escribió: «Idem etiam per me licet et per libellum meum.»
22 En Astronomía N ova, 68, habla del «regius circulus», pero en Epitome, VII,
habla de «vía regia». Entiende aquí por Vía Regia una cierta Eclíptica Fija, esto es,
el plano que pase por el centro del Sol y sea perpendicular al eje de giro del mismo.
Respecto a este plano se medirán las inclinaciones, tanto del plano de la Eclíptica
terrestre como del de los demás planetas.

Al C apítulo n (pp. 92-103)

1 Kepler, conocedor de la filosofía escolástica, se sintió siempre próximo a las


tesis platonizantes en su interpretación agustiniana. Pero la tradición, en este punto,
es claramente pitagórica, como se desprende del axioma clásico contenido en el H ieras
Logos (Discurso Sagrado) «todo está hecho conforme al número» (arithmó dé te pan t’
épéoiken). Tam poco hay que desconocer el tratamiento dado por los pitagóricos a
los números uno,.dos y tres. En particular la tríada es un punto de referencia para
la interpretación mística de la Trinidad. L a referencia al Cusano (Complementum
Theologicum, 6, y Docta Ignorantia, I, 9) no es propiamente una cita, sino una
referencia a la presentación místico-pitagórica de las relaciones internas de la Trinidad
en función de relaciones más aparentes que matemáticas entre elementos de la circun­
ferencia.
2 Kepler traslada las analogías del Cusano desde la circunferencia a la superficie
de la esfera. Y ve en la superficie esférica, no en el globo ni en sólido alguno, el
máximo de simplicidad y perfección. L o explica con detenimiento en Epitome, I, 2
(G.W . 7, págs. 49 i ss.).
3 Esta traducción de Cicerón circuló profusamente en el Renacimiento con el
título D e Universitate (p. ej.: París, 1540, 1563, etc.;-Venecia, 1552, etc.); Tímeo,
30A, 6. . _
4 La concepción platónica asumida por la teología cristiana para interpretar la
acción creadora de D ios era común en todas las escuelas desde que San Agustín (sobre
todo en D e Trinitate, VI y VII) asumiese el modelo bajo la rúbrica de «ideas ejem­
plares». Puede verse el tratamiento que da al tema Tom ás de A quinÓ en Summa
Theologiae, I, q 44, a 3 y q 45, a 7.
5 D e Cáelo, II, 286b, 10-287a, 5.
6 «En primer lugar, hemos de señalar que el mundo es esférico, sea porque es la
forma más perfecta de todas... totalmente indivisa...», dice Copém ico al comienzo de
D e Revolutionibus, I, 1 (pág. 99 de la versión castellana).
7 Se refiere Kepler al Génesis 1,6, que en versión Nácar-Colunga dice: «6. Dijo
luego D ios: “ H aya firmamento en medio de las aguas, que separe unas de otras” ; y
así fue. 7. E hizo D ios el firmamento, separando aguas de aguas, las que estaban
debajo del firmamento de las que estaban sobre el firmamento. Y vio D ios ser bueno.
8. Llam ó D ios al firmamento cielo y hubo tarde y mañana, segundo día.» Mientras

3 ue la versión de Cipriano de Valera dice: «6. Y dijo D ios: H aya expansión en medio
e las aguas, y separe las aguas de las aguas. 7. E hizo D ios la expansión, y apartó
las aguas que estaban debajo de la expansión, de las aguas que estaban sobre la
expansión: y fue así. 8. Y llamó D ios a la expansión Cielos: y fue la tarde y la mañana
el día segundo.»
8 Kepler se opuso siempre, con diversos argumentos, filosóficos unos y teológicos
otros, a la idea de «mundo infinito», pese a que su conocimiento de las distancias
del universo visible le hacía consciente de que éste era mucho mayor que el imaginado
por los antiguos o por Copém ico. Puede verse un resumen de estos pensamientos
de Kepler en K o ir é , Alexander: D e l Mundo cerrado a l Universo infinito (trad. de
C arlos Solís). Siglo X X L Madrid, 1979. Cap. III, en el que se incluyen textos de
Kepler de su Stella N ova (G.W . 1) y del Epitome Astronomiae Copemicanae (G.W. 7),
en los que rechaza la idea de mundo infinito.
9 N o aparece esta expresión en la obra conservada de Platón, pero le es atribuida
desde la Antigüedad y citada en el Renacimiento como suya. Pero la ¡dea, en sí misma,
tiene un trasfondo pitagórico, y era percibido como tal entre los doxógrafos; así es
que Diógenes Laercio nos da la «información» (procedente de Sátiro y otros, Vidas,
III, 6) de que Platón compró p or cien minas tres libros pitagóricos de Filolao (pita­
górico de Tarento) y que habrían sido el argumento inicial del Timeo.
10 Esta argumentación a priori no debe entenderse literalmente, como Kepler
advierte en carta a Herwart (G.W . 14, pág. 130) «estas especulaciones a priori no han
de contradecir la experiencia evidente, sino más bien estar de acuerdo con ella». De
hecho no resultan argumentos a priori, salvo que se suponga al dios geómetra y sus
proyectos arquetípicos, y que se conozca la efectiva aplicación del proyecto divi­
no, etc. Por tanto, al no poder disponer de todos estos supuestos previos, Kepler sabe
que estos argumentos sólo son aplicables «ex congruentia».
" Kepler sigue aquí una línea platónica (Timeo, 53c-56c), en la que hay que
presuponer, por una parte, la ascendencia pitagórica de la doctrina geométrica apli­
cada a la constitución de los elementos del mundo, y por otra, la sistematización
euclídéa de los cinco sólidos platónicos. Kepler estudió estos sólidos con gran pene­
tración y añadió dos cuerpos regulares (estrellados) a los que ya se conocían (Kepler
cita en el cap. 13 de esta obra a Campano de N ovara, en cuyo Apéndice a su edición
de los Elementos aparece un primer estudio de los cuerpos regulares estrellados) en
su Harmonices M undi Libri V. Para un estudio amplio véase F i e l d , J. V .: Kepler’s
Geometrical Cosmology. The Athlone Press, caps. I y V. Londres, 1988.
12 Kepler se confundió (quizá citaba de memoria) y tampoco en la segunda edi­
ción com gió este lapsus, puesto que el cuerpo que corresponde a los cielos (al aire)
es el Dodecaedro. En Harmonices Mundi, II, y a aparece correctamente (G.W . 6, fig.
pág. 79 y prop. 25).
13 En la primera edición (1596) la lámina lleva una dedicatoria al duque de Wür­
ttemberg; en la segunda desaparece esta dedicatoria. Parece que esa dedicatoria evitó
a Kepler-censuras más fuertes por parte de las autoridades de Tubinga. Sobre las
censuras y cortes sufridos por Kepler de pan e de la Universidad, confer. R o s e n , E .:
«Kepler and the Lutheran attitude towards Copemicanism in the context o f the strug-
gle betweeen Science and Religión», en Vistas in Astronomy, 18, 1975, págs. 317-337.
14 Esta nota aparecida en la primera edición es un ejemplo de la intervención de
la Universidad de Tubinga, como resultado de la mediación de Maestlin. Véase E . RO­
SEN, art. cit. y G.W . 13, págs. 86-87.

Al C apítulo IV (pp. 106-107)

1 El término griego utilizado por Kepler es Antropopatheia, cuya traducción ha


de entenderse en contraposición con la anterior Filanthropia (Fileo/Pasjo).

Al C apítulo V (pp. 108-109)

1 La obra perdida de Ptolomeo no se titulaba Monobiblos (obra en un libro), sino


Perí Diastaseos (Sobre la Dimensión), de la que al dam os noticia Simplicio dice que:
«en su obra en un solo libro (M onobiblos) “ Sobre la Dimensión” , demostró que no
hay más que tres dimensiones...» Cfr. Commentaria in Aristotelem Graeca, 7, pág. 9
(Aitón «aa locum»).

Al C apítu lo IX (pp. 116-118)

1 La Astrología era una parte de la Física según la concepción de esta ciencia,


justo porque trataba de las supuestas fuerzas o «poderes» que los cuerpos celestes
tendrían en tanto que «dioses» o «almas» o partes animadas de un mundo concebido
como «un animal viviente». Por tanto Kepler menciona aquí una parte de la Física
clásica pre-kepleriana, y que no debe confundirse con la idea de «Física» celeste que
el propio Kepler tratará de construir en razón de movimientos, tiempos y fuerzas,
como explicación de los movimientos periódicos de los planetas. Kepler se esforzó
'por depurar a la Astrología de las adherencias sin justificación «física». Véase FlELD ,
J. V .: «A Lutheran astrologer: Johannes Kepler», en Archive fo r History o f Exact
Sciences, 31, 1984, págs. 189-272, que incluye la traducción del D e fundamentis as-
trologiae certioribus (Praga, 1602).
2 Para la Astrología, Júpiter y Venus son astros benéficos en sus influjos sobre
los moradores de las tierras y patronos de algunas, mientras que Marte y Saturno son
maléficos. El Sol y Mercurio tienen propiedades neutras y sus influjos dependen
siempre de los «ascendientes» de los demás planetas que imperen en el momento.
Todo lo cual permite múltiples combinaciones.
3 U na cita de Eneida, IV, 569.
4 Tetrabiblos, I, caps. 4-7. Por lo demás Kepler no conocía en 1596 la publicación
de la traducción latina del Harm ónica de Claudio Ptolomeo hecha por Antonio Go-
gava (Venecia, 1592) y por esta razón hizo una traducción latina del libro 3 del
Harmónica de Ptolomeo, que se publicó por vez primera en el tomo V de la edición
de Ch. Frisch, Johannes Kepler Opera Omnia (págs. 335-412). L os comentarios de
Kepler a Harmónica de Ptolomeo (al menos en resumen) fueron publicados como
apéndice al libro V de Harmonice mundi. Respecto a ía obra misma de Ptolomeo, de
la que sólo ha llegado hasta nosotros una parte junto con el comentario de Porfirio
(también incompleto, pues abarca hasta el cap. 7 del libro 2), podemos disponer hoy
de una edición crítica de I. Düring, y también del comentario de Porfirio (Góteborg,
1930 y 1932). Véase K l e i n , U .: «Johannes Keplers Bemühungen um die Harmonies-
chiften des Ptolemaios und Porphyrios», en Kepler, Werk und Leistung. Linz, 1971,
págs. 51-60.
5 L a relación con Helisaeus Rósslin (1544-1616) se había iniciado en Tubinga
quizá en 1592/93, y , como dice M . C aspar en op. cit., pág. 181, Rósslin «se dedicó
en cuerpo y alm a a la astrologia», aunque su ocupación oficial fue la de médico. Sus
pronósticos estaban llenos de profecías grotescas, cosa que chocaba con la concepción'
austera y rigurosa de Kepler, por lo cual fue inevitable la polémica entre ellos. Tam ­
bién puede verse D O RIS HELLM A NN, C .: The Comét o f 1577: its place in the history
o f astronomy. N ueva York, 1971, págs. 159-173.

A l C apítulo X (pp. 120-122)

1 L as correspondencias numéricas que Kepler subraya a continuación, por artifi­


ciosas que parezcan, responden a una tradición pitagórico-platónica, cuyo ejemplo
más extenso puede verse en el Timeo al tratar de mostrar la relevancia del triángulo
en la composición de los elementos y su transformación en otros por composición
o separación (56d-e). Si suponemos al agua como un compuesto de aire y fuego,
pueden descomponerse en una partícula de fuego y dos de aire (siendo las partículas
tetraedros), pues si consideramos las caras triangulares tenemos 20 que se descompo­
nen en (1 X 4) + (2 x 8); y si consideramos los triángulos constituyentes tenemos
20 x 6, que se descomponen en [1 x (4 x 6)] + [2 x (8 x 6)], y así sucesivamente.
En el caso de Kepler se trata de establecer una base numérica de las armonías, para
lo cual resulta imprescindible la existencia de relaciones binarias, ternarias, quinarias,
sextiles, etc., respecto al número 60 en los diferentes aspectos «numerables» de los
sólidos.

Al C apítulo X I (pp. 123-130)

1 L a crítica aristotélica a la doctrina platónica de las ideas (Metaph., A , 8, 990a,


33 y ss.) afecta directamente a la concepción pitagórica de los números como causas
de las cosas. Kepler recupera en un sentido neoplatónico (propiciado por la interpre­
tación de Proclo en su comentario a Euclides) el valor causal de los números y lo
desarrolla en el libro IV de su Harmonice.
2 Aristóteles se plantea estas cuestiones en D e Cáelo, II, 12, si bien sus respuestas
parecen m ás bien tentativas, puesto que (292a, 14-17) reconoce que no disponemos
de muchos elementos de juicio y media una gran distancia respecto a estos fenómenos
celestes.

Al C apítulo X n (pp. 131-147)

1 Entre otros, Pico de la MIRANDOLA en sus Disputaciones adversus Astrologiam


divinatricem. E . Garin (ed.), 2 vols., libro V I, 4. Florencia, 1946-1951. Pero el sentir
común era el expresado por Kepler.
2 Este término («absimile») y el paréntesis siguiente muestran la cautela de Kepler
al proponer su argumento.
3 A quí introduce Kepler sus primeras consideraciones armónicas, partiendo de la
terminología (que supone conocida del lector) común procedente del monje benedic­
tino G uido de A rezzo que hacia los años 1025-1050 expuso en una Epístola a d Mi-
chaelem y en su Prologus Antiphonarium el sistema de notación musical aún en uso.
E l primer elemento que introdujo G uido fue la representación de las notas sobre
líneas y espacios entre ellas (tetragramas, pentagramas, hexagramas, etc.). E l segundo
elemento consistió en poner nombres fijos a cada intervalo de 1 tono (o semitono)
partiendo del que se toma como base. Se sirvió para ella de una estrofa del Himno
a San Juan Bautista del oficio litúrgico, que es como sigue:

j¿ ... —.... .... 1—~-

V .J. J * ............ W "


[Üt| qoa-cuit la - xis so - «a- tcl j i - btis

0 - ra - cutí [ fa ]- h ü - u ' t u - ó íu n

|5ot| - -v e “ta . - tü - t« Ü2- ti - i re- i. - á - tan

|.S<m

Por otra parte, hay que observar que Kepler considera tres tonalidades en razón
del punto de partida de la escala Hexacorde (de seis notas consecutivas), tonalidades
a las que denomina «fuerte» (dura), «natural» (naturalis) y «suave» (molíis), del modo
siguiente:

1.“ o dura: Ó A B C D E
ut re mi fa sol la
2.' 0 naturalis: C D E F G A
ut re mi fa sol la
3.* o mollis: F G A B C D
ut re mi fa sol la

Observemos que B se halla en la 1.*, no se halla en la 2.‘ y aparece en la tercera


con bemol. Asimismo observemos que F en la segunda escala (fa en la segunda y ut
en la tercera) es una nota que representa un semitono por debajo de C . Si seguimos
construyendo escalas Hexacordes con este mismo canon podemos representar la to­
talidad de los «tonos» (naturales, «duros» o «molles») según la regla nemotécnica que
recorre circularmente al Hexacorde: fa, ut, sol, re, la, mi, partiendo de un tono
cualquiera hacia abajo en la representación o viceversa hacia arriba (mi, la, re, sol,
ut, fa,). En el libro III de Harmonice Mundi expone Kepler el sentido de «dura» y
«molíis» o «m ajor» y «minor» y explica las razones de estos nombres por el efecto
que producen sobre el ánimo del oyente (a través del oído): las escalas en tono menor
suenan «mollior et blandior», mientras que las escalas en tono mayor suenan «dura
sive aspera». Si además el tono básico o «tónica» responde a una nota alterada puede
aumentar el colorido hasta matices difíciles de precisar (Beethoven llamaba a f tono
«si bemol menor» Tonalidad Negra). Algunos musicólogos se hacen eco de esta teoría
diciendo, por ejemplo, que ut m ayor expresa fuerza y virilidad, que re bemol mayor
expresa euforia y plena sonoridad, que mi mayor sugiere gracia y esplendor, que fa
mayor es adecuada para los sentimientos de paz, alegría, que fa menor despierta
melancolía y ensueños, mientras que fa sostenido mayor produce sentimientos de
optimismo y brillantez, que sol bemol mayor produce éxtasis am orosos, mientras que
mi menor, la menor y si menor son tonos tristes, sentimentales y elegiacos, etc., y
como las tonalidades posibles (en la escala de siete notas) son 24 (12 mayores y 12
menores) aún se pueden proponer otras cuantas opciones. Véase WALKER, D . P.:
Studies in Musical Science in the late Renaissance. Londres, 1978.
4 El lector ha de suponer que Kepler maneja aquí la escala o gama pitagórica
(diatónica) que se obtiene mediante la progresión (hacia arriba o hacia abajo) por
quintas naturales (relación de longitudes de cuerda 3/2). Kepler parte en su ejemplo
de la nota fa y añadiendo quintas naturales ascendentes obtiene la gama completa,
do, sol, re, la, mi, si. Al ordenar esta gama así obtenida resulta una escala con los
siguientes intervalos y longitudes de cuerdas respecto a la de la nota básica, do = 1.

do, ,re, ,mi, ,fa, , sol, ,1a, ,si, ,do...


8/9 ' 8/9 243/256 8/9 8/9 8/9 243/256 .

Y según la ley de composición por quintas perfectas desde fa = 3/2 de do = 1,


tenemos

fao, d o ,, solj, re2, la2, m¡3, . s¡3


3/2 1 2/3 (2/3 f (2/3)3 (2/3)4 2/35

C uya reorganización en la escala D o, — D o2 exige dividir por 2 la longitud de


Fao, para obtener su octava Fa, y también multiplicar por 2 Re2 y La2 así como
multiplicar por 22 tanto a Mi3 como a Si3. Resultará entonces:

D o, Re, M i, Fa, Sol, La, Si, D o2


1 8/9 64/81 3/4 2/3 16/27 128/243 1/2
8/9 8/9 243/256 8/9 8/9 8/9 243/256 '

5 Kepler menciona aquí el problema (aunque no lo conoce completamente como


reconoce en su nota (10) de este capítulo) de transportar una escala a otra conser­
vando la misma disposición tonal (dos tonos, un semitono, tres tonos un semitono),
cosa que obliga a alterar con semitonos las notas correspondientes, y con ello las
proporciones armónicas de su construcción. Este estudio fue hecho en la segunda
mitad del siglo XVI por Gioseffo Zarlino, por J. S. Bach para la escala temperada, etc.
6 L a combinación sería, para una octava: una tercera m ayor + una sexta menor,
o una tercera menor + una sexta mayor. Para una quinta perfecta sería: una tercera
mayor + una tercera menor. Mientras que la suma de dos sextas (mayor + menor)
nos daría una octava + una quinta perfecta. Cuando no se respetan los cánones se-
mitonales aparecen disonancias que resultan ofensivas al oído, como el trítono, o
intervalo de cuarta aumentado (tres tonos en vez de dos tonos y medio) al que los
antiguos llamaban «Diabolus in Música», como ocurrre con el intervalo Fa, Si, o con
D o, F a # , que era lo que sonaba en Londres durante los bombardeos de la segunda
Gran Guerra.
7 Quinta, cuarta y octava, como se verá.
8 C ada arista del Octaedro subtiende un cuadrante de un círculo máximo de una
esfera circunscrita al octaedro.
9 Un ángulo recto inscrito en un círculo comprende entre sus lados un diámetro
de dicho círculo. Por tanto puede construirse como la-suma de un trígono + un sextil
= 60° + 30° = 90°. L o mismo ocurre sumando los 45° de dos cuadraturas.
10 L a tercera menor a partir de Ó .
11 Se refiere al D e rerum varietate, libro 17, cap. 98. Ya hemos mencionado que
Kepler trabajó en la traducción de esta obra conocida por la traducción latina de A.
Gogava, deficiente e incompleta, aunque sirvió a Kepler de primera aproximación. A
través de Herwart (G.W . 14, pág. 137 y n.“ 15, pág. 408) consiguió los manuscritos
griegos sobre los que hizo su propia traducción del libro III, que ya hemos mencio­
nado en la edición de M. Frisch.
12 Luego comprobaría que eran menos interesantes de lo que imaginaba cuando
escribía estas páginas. En efecto; en Harmonice III, 2, tras confesar el fracaso de estas
especulaciones armónicas basadas en los sólidos, y recordar los esfuerzos para hallar
las bases de su teoría armónica, reconoce que en nada le sirvió el estudio de la
Harmónica ptolemaica: «en m odo alguno encontré allí las verdaderas causas de las
armonías, y eso sin contar que allí no se mencionan ni estas secciones ni su número
de siete».
13 «Diapente epi D iapasón», fórmula que señala que Kepler a “ tas alturas incor­
pora términos procedentes del Harmónica de Ptolomeo. También aparece en H ar­
monice Mundi, III, 5, con el mismo sentido de «octava más quinta» o de «quinta
más octava».
14 Cuando se trata de una gama «temperada» (como la existente en los pianos)
D o # = R eí!, R e # = Mi'á, etc. despreciando (por insensible) la «coma pitagórica»
cuyo valor teórico sería del orden ae 2 19/3 12 = 2 " / 3 7 : 35/2 s. Si en cambio, la gama
contuviese a todas las notas con susjntervalos teóricos naturales, sostenidos y bemo­
les, sería una gama «crom atizada». Estas son las pequeñas diferencias implícitas en el
comentario de Kepler.
15 E l término latino de Kepler es «effabiles», que es su traducción del término
euclídeo «Rhéthos», mientras su contrario «A logos» lo traduce por «ineffabilis». K e­
pler no utiliza el término «irrationalis» como traducción de «ineffabilis» (confer.
Harmonice I, def. 15) porque «effabilis» (conmensurable, expresable) no sólo designa
la conmensurabilidad entre líneas rectas directamente conmensurables mediante valo­
res racionales, sino también mediante cuadrados de valores racionales, como ocurre
con los lados de los polígonos inscritos en un círculo en relación con el radio del
mismo, como el del cuadrado = R V 3 ; el del triángulo = R V 2 , etc.
16 Se refiere al Apéndice al libro V de Harmonice, que ofrece un pequeño co­
mentario al texto de Ptolomeo.
17 Kepler se encuentra aquí con su Harmonice bajo el brazo dispuesto a corregir
tanto insuficiencias iniciales como errores. E l libro IV, cap. 6, trata de aspectos tan
amplios como Jos de base octil o decil que pueden dar lugar a consonancias respecto
a la cuerda representada por longitud del círculo. Para ello utiliza una doble consi­
deración: por un lado, la pane de cuerda que «excede» o que es complemento de
la fracción de esa cuerda comprendida dentro de aspecto o, si se quiere, la fracción
dé cuerda extra-aspecto; por otra parte, la propia fracción de cuerda intra-aspecto.
Aquélla representaría consonancias, por decirlo así, intra-octava; ésta, las consonan­
cias ultra-octava.
18 Todos estos problemas geométrico-armónicos se hallan entrelazados en H ar­
monices Mundi Libri V. Para una exposición concisa y a la vez integral puede verse
Fif.LD , J. V .: Kepler’s Geometrical Cosmology, cap. V, págs. 96 y ss. Los polígonos
estrellados regulares (o semirregulares) al igual que los sólidos y sus extensiones
estrelladas (estudiados por Kepler hasta el libro III) tienen sus aplicaciones astroló­
gicas en el libro IV (props. X I y ss.).
19 C fr. J . V. FlELD , loe. cit. en número anterior, págs. 127 y ss.
20 Para completar el resumen que el propio Kepler hace de esta obra sólo falta
añadir que el libro V trata de la música que entonan en los cielos los planetas, y
«demuestra» que las razones de sus velocidades hacen las veces de los intervalos
musicales.
21 Se refiere a una edición (Estrasburgo, 1571) hecha por el matemático Konrad
Dasypodius que contenía: Elementa, libros I-II en griego, seguidos de los enunciados
de las Proposiciones de los libros III-X III; además contenía Isagoge Harmoniké, que
se creía de Euclides, aunque la crítica moderna ha establecido a Cleónides (discípulo
de Aristoxeno) como su autor y ya del siglo II de nuestra era.

A l C a p ítu lo X I I I ¿pp. 148-152)

1 La palabra de Kepler aquí es eikota; de hecho hasta este momento se ha limitado


a presentar su «intuición» original en relación con tópicos externos o, en su caso,
apriorísticos. Pero tratará de contrastar su tesis principal con datos empíricos. Dis­
pone, para ello, de los valores observacionalmente atribuidos a las distancias de cada
planeta al Sol por Copém ico y de las «aproximaciones» de las Tablas Pruténicas,
junto con algunas estimaciones correctoras debidas a Maestlin de las que dará cuenta
luego. N o obstante es consciente de lo «malas» que son las observaciones de que
dispone y ello le hará clamar por las que estima «buenas» de Tycho.
2 Se trata de la prop. 13 (y última de la edición de Campano) del libro 15, que
reza: «fabricato quovis quinqué regularim corporum sibi spheram inscribere». Cam­
pano de N ovara tradujo del árabe al latín los Elementos (véase artículo «Euclides»
en D SB) que se publicó en Venecia en 1482. Kepler poseía la edición de Basilea de
1537, que a su vez era una reedición de la preparada por Jacques Lefévre d’Etaples.
París, 1514.
3 D e hecho aquí utiliza las proposiciones 13, 14 y 15 del libro 13. La 13 para el
tetraedro, la 14 para el octaedro y la 15 para el cubo. Tomando 1.000 como valor
del seno total, los valores numéricos para las aristas son: del tetraedro 1.633, del
octaedro 1.414 y del cubo 1.115, esto es y 1.000 • 2/3 V 6 = 1.633, para el tetraedro;
1.000 • V 2 = 1.414, para el octaedro, y 1.000 • 2/3 V 3 = 1.155, para el cubo.
4 Dam os los valores para estos otros dos sólidos, en la hipótesis anterior: del do­
decaedro 714, del icosaedro 1.051, que responden a las fórmulas 1/3 ( V l 5 - V 3 ) = 714,
para el dodecaedro, y 2 [(V 5 — 1) : V 5] = 1.051, para el icosaedro.
5 Cita aquí la edición de Campano (XIV,4) con razón, porque esta proposición
no figuraba en las ediciones escolares de los Elementos.
6 Fran^ois de Foix (1502-1594), conde de Candala, editó en París (1567 y 1578)
una traducción revisada de los Elementos con título inacabable: «Euclidis Megarensis
Mathematici clarisimi Elementa libri X V ad germanam geometriae... authore D . Fran­
cisco Flussate CandaJla, Lutetiae...» y lo más destacable es su revisión de los li­
bros X IV y X V (recuérdese que no son auténticos) junto con su propia aportación
de un libro XV I con sus teoremas y demostraciones sobre los cinco sólidos regulares.
En la edición de 1578 añade dos libros más (XV II y XV III) «Novissim e collati...
priori editione».
7 Esta frase fue añadida por Kepler en la segunda edición. M. Frisch, en nota ad
loe, explica extensamente él análisis de Candala y las consecuencias que llevan a
Kepler a estos valores resumidos. Brevemente y suponiendo que 'a sea el lado del
tetraedro que aparece en la figura del texto tendríamos que:

O I2 = a2/24 = 1.
IP2 = a2/12 = 2.
H P2 = a2/4 = 6.
H I2 = a2/3 = 8.
N O 2 = 3a2/8 = 9.
-N I2 _ 2 ¿ / i = 16.
N P 2 = 3a2/4 = 18.
N H 2 = a2 = 24.
. N M 2 = 3a2/2 = 36.
La determinación del valor O I2 = a2/24 es ingeniosa y larga (véase Frisch, l.c.),
pero una vez hecha y tomada como unidad viene a resultar una de las «simplifica­
ciones» que Kepler quería.
8 Para el cálculo de la distancia mayor de Mercurio, Kepler utiliza este valor de
707 que corresponde al radio del círculo inscrito en el cuadrado resultante de cuatro
ejes medios del octaedro y no al radio de la esfera inscrita como exige su teoría
poliédrica. Por ello termina con esa llamada de atención: «Q uod nota». Téngase
presente para lo que seguirá en caps. XIV y XV II.

A l C a p ítu lo X TV (pp. 153-157)

1 Kepler entra ahora en una discusión muy importante a la larga para su futura
investigación sobre la trayectoria de los planetas, investigación que acabará por asig­
narles en la 1.* Ley una trayectoria elíptica. Para comprender el punto de partida es
aconsejable recurrir a Las hipótesis de los planetas de Ptolomeo, porque en ellas se
expone la idea de «grosor» de las esferas como ámbito de rotación de los epiciclos.
Pero, y este es el quicio del argumento kepleriano, esos ámbitos resultan excesivos
incluso cuando los planetas se hallan tan cerca entre sí como la Tierra y Venus, y
peor si se considera el caso de Marte y Júpiter. Pero por otra parte no se puede
desconocer que, incluso con respecto al centro del mundo en la hipótesis de Copér­
nico, sigue habiendo distancias mínimas, medias y máximas, o lo que Kepler llama
aquí «excentricidad».
2 Aitón en nota ad loe. subraya algunas particularidades de la tabla siguiente. El
problema de los cálculos y datos de Kepler es continuo, y puede resumirse con
palabras de O . Neugebauer al analizar algunos ejemplos: «I wish to give... some
examples of those rather trivial obstacles which every careful reader of Kepler’s pu-
blications had to met on practically every page... The number o f trivial computing
errors is enormous (only a small percentage is noted in the edition), parameter are
changed without explanation (usually belonging to different stages of investigation...)
references to observations accessible to no one else (hasta que Dreyer publicó la obra
de Brahe, vols. 10-13, 1923-1926) are quoted sometimes in an incomplete form...»
Cfr. Astronomy and History Selectes Essays. Springer-Verlag. Nueva York, 1983,
pág. 593. En este caso concreto, como Aitón hace notar, estas distancias proceden
del capítulo siguiente, donde aparecen en la primera columna de la tabla como dis­
tancias tomadas «desde el centro del O rbe M agno». Pero Kepler no nos advierte de
las manipulaciones a que son sometidas: i) las distancias Marte-Tierra y Tierra-Venus
en donde las distancias máximas y mínimas de la Tierra se toman desde el Sol, de lo
cual resulta, ii) que los valores usados para el grosor del orbe terrestre son los de la
columna segunda. Pero como tanto los mínimos de Marte como los máximos de
Venus pertenecen a la primera y el grosor calculado queda comprendido entre esos
valores (máximo «heliocéntrico» ae la Tierra/m ínim o «copernicano» de Mar­
te = 1.042/1.374 = 0,758; máximo «copernicano» de Venus/mínimo «heliocéntrico»
de la Tierra = 761/958 = 0,794) ocurre que el mínimo de Marte y el máximo de
Venus son ligeramente mayores, aunque no sería diferencia significativa. O tro error
(mínimo) se halla en la atribución del valor 635 a Saturno en el libro V de Copém ico.
Debería decir 631 (630 escribió a Maestlin el 2 de agosto 1595, G.W . 13, pág. 28) que
es lo más aproximado a la relación dada por Copérnico (1.000/631, o también
5.458/8.650 = 0,5309). Frisch no advierte la existencia de error y propone la fracción
errónea 5.492/865 = 635 como cómputo real kepleriano (pág. 207).
3 De nuevo estos valores resultan de las tablas que Kepler maneja en el capítulo
siguiente, donde atribuye al radio de la órbita lunar un valor de 3’ 36". Sin embargo,
en la tabla de proporciones anterior, las distancias se toman desde el centro del Orbe
Magno o terrestre (que tampoco es exactamente el centro del mundo copernicano).
ccepción hecha de las distancias Tierra/Marte y Tierra/Venus, que se toman desde
Sol. Esto hace que Kepler pueda atribuirle al orbe terrestre el espesor adecuado a
. excentricidad de la órbita. Las distancias tomadas como base para estos cálculos
>n las de la tabla mencionada del cap. X V , de las cuales utiliza la primera columna
ira los planetas, la segunda para la Tierra y la cuarta para la Luna. El cálculo, como
i el caso anterior, es por diferencias aunque el grosor del orbe terrestre aumenta
geramente con la «protuberancia» lunar; los valores son ahora: 761/898 = 0,847
1.102/1.374 = 0,802, que apenas permiten señalar con líneas punteadas en el gráfico
grosor que añaden al orbe terrestre.

J C a p ítu lo X V (pp. 158-163)

1 Este traslado de centros (desde el centro de la órbita terrestre al centro del Sol)
msforma al sistema de Copém ico eri heliocéntrico, ya que lo que le faltaba para
rio era precisamente esta distancia que ahora elimina Kepler. Este paso tendrá con-
cuencias, que ya registra en las tablas siguientes, sobre las excentricidades máximas
mínimas de las órbitas de los planetas (en concreto de la Tierra), obligándole a
leulos y observaciones más meticulosos. De paso simplifica el sistema, al eliminar
excéntrica por la que circula el centro del O rbe Magno y al convertir a la Tierra
i un planeta más, cuyo orbe habrá de tener el espesor necesario para enjugar (con
ina o sin ella) la excentricidad resultante. La Lám. V da cuenta gráfica de lo que
pone este cambio.
2 El fondo de este argumento de Kepler reside en la idea de simplicidad: estable-
r un solo modelo para el sistema en el que no haya excepciones ni dobles centros,
el Sol es centro, lo es de todo, de movimientos, de distancias y de cálculo de las
stancias intermedias entre los orbes de los planetas. Si la Luna acompaña a la Tierra
to debe concederle a la Tierra un espacio de giro que sea capaz de contener a la
bita lunar, con lo que el sistema permanecerá siempre, a las distancias correspon-
entes, referido al Sol.
3 Este inconveniente sería grave por dos razones: i) no dejaría espacio intermedio
ira la inclusión de los sólidos regulares entre Venus y Tierra (con la órbita lunar
cluida), y ii) alejaría la órbita de las fijas respecto a Saturno hasta el extremo de no
r compatible con las observaciones.
4 La correspondencia entre Kepler y Maestlin (K.G.W . 13, n .°29, págs. 54-65)
bre este punto entraña por parte de Kepler la pregunta clave para la contrastación
su hipótesis poliédrica, a saber: si situamos el centro del mundo en el Sol (en lugar
: en el centro del O rbe Magno), ¿serán las distancias a las esferas distintas d é la s
: C opém ico? Pero, en tal caso, es preciso saber si esas nuevas distancias se hallan
itre sí en una relación mejor respecto a las exigidas matemáticamente por los po-
:dros inscritos en los orbes de cada planeta o circunscritos a ellos.
5 A principios de 1596 Kepler viajó a Tubinga y, entre otros asuntos, despachó
ta consulta con Maestlin, consiguió la aprobación de la Universidad para puDÜcar
libro, contrató con Gruppenbach la edición y trató de venderle al duque de
urttemberg la construcción de un modelo (en metales nobles) de su modelo «polié-
ico» de universo (el modelo era el de la portada dedicada al Duque).
En carta de Maestlin de 27 de febrero de 1596 (G.W. 13, n.° 29, págs. 54-65), quizá
itregada a Kepler en mano, aparece una primera respuesta a la petición (aunque
aestlin retocó algunos datos para la imprenta, cosa no ajena a ciertos errores ma-
riales, no demasiado importantes). Kepler decidió incluir esta carta como uno de
s apéndices de la primera edición de su libro. Maestlin se ocupó de la corrección
: esta edición y en este momento añadió algunas cosas (véase el texto publicado en
■W. 1, págs. 132-145). L os elementos destacables son: i) la representación de los
ovimientos planetarios en términos copernicanos; ii) el cálculo de las distancias
máximas y mínimas respecto al Sol, esto es, el valor de las líneas A B , A C , A D , etc.,
y iii) la reubicación de las líneas de ápsides desde los días de Ptolomeo a los de
Copém ico.
La representación de Maestlin del movimiento planetario se basa en la descom­
posición propuesta por Copém ico (De Revolutionibus, libro V, cap. 4) del movimien­
to único en dos movimientos regulares «donde los antiguos colocaron un solo m o­
vimiento en dos excéntricos, nosotros pensamos que hay dos movimientos regulares
de los cuales se compone la irregularidad de la apariencia, o por un excéntrico de un
excéntrico, o por un epiciclo de un excéntrico, o también, de una manera mixta, por
un excentro-epiciclo, que pueden originar la misma irregularidad (pág. 413). La re­
presentación de Maestlin utiliza la llamada por Copérnico «excéntrico de excéntrico».
En el gráfico no aparece el excéntrico mayor al que hay que suponer con radio «a»
y que puede imaginarse similar a los orbes representados en la Fig. IV del cap. ante­
rior. Se limita a representar: 1) al Sol = A, 2) al centro del O rbe Magno = B y 3) a
las excentricidades respectivas de cada planeta, divididas en dos partes; una, que
corresponde a la del excéntrico mayor, representada por las líneas B C , BD , BE , BF,
BG , si se toma como centro el del O rbe Magno, o por A B , A C , A D , A E , A F, A G ,
si se toma como centro al Sol; y la otra representada por los radios de los círculos
de los excéntricos menores (o epiciclos en la representación copemicana equivalente
de «excentro-epiciclo») B, C , D , E, F, G.
H ay que tener en cuenta que esta representación copemicana es, a su vez, equi­
valente a la ptolemaica en la cual la excentricidad total E se atribuía al ecuante.
Respecto a E las excentricidades copernicanas se distribuyen 3/4 al excéntrico mayor
(aquí representadas por las líneas B C , BD ...) y 1/4 al excéntrico menor. Teniendo
esto en cuenta resulta que el planeta gira con una excéntrica mayor de radio «a» cuyo
centro se mueve por la excéntrica menor con movimientos uniformes de modo que
las distancias máximas y mínimas del planeta hasta el centro del Orbe Magno res­
ponden a una fórmula en la que a «a» (convertida ahora en una constante) hay que
sumar o restar la excentricidad debida al excéntrico menor. Sea «e» la distancia re­
presentada por las líneas B C , BD , BE... ( = 3/4 E) y sea el radio del excéntrico menor,
r = 1/3 e; como la excentricidad máxima o mínima de este excéntrico ocurre cuando
el diámetro coincide con la línea de ápsides, la cantidad a sumar o restar será 2/3 e.
Por otra parte el valor de 1/3 e del radio se asigna porque 1/3 e = 3/4 E/3 =
3/12 E = 1/4 E , que es la condición del reparto de excentricidades de «movimientos
regulares» propuesta por Copérnico en el lugar citado.
6 Debe notarse que la línea B A L en tiempos de Ptolomeo no es Cáncer (como
dice Kepler, quizá por error de imprenta), sino Géminis.
7 L a forma sexagesimal de esta tabla se basa en el radio de la distancia media
terrestre que se supone de valor Io 00’ 00” . Pero contiene varios errores de origen
diferente que han sido sistematizados por los editores modernos de Kepler desde
C . Frisch y que Kepler no corrigió en la segunda edición (como tampoco corrigió el
original de imprenta de la primera), porque quizá prefirió respetar la historia tal y
como había ocurrido. Trataré de resumirlos:
En primer lugar veamos las equivalencias decimales de la tabla y, entre paréntesis,
los valores corregidos según E. J. Aitón, para las columnas 2, 3 ,4 (se toma 1° = 1.000),
según los datos copernicanos.

SEGÚN HIPÓTESIS
COPÉRNICO (CON LUNA)
(fl

San.rnn m íx - 9'987 (9‘727) 10'599 (10.011) 11.304 (10.588)


mín. 8.342 (8.602) 8.852 (8.854) 9.441 (9.364)
SEGÚN HIPÓTESIS HIPÓTESIS
COPÉRNICO POLIEDRICA (CON LUNA)
(2) (3) . m

m áx. 5.492 (5.492) 5.111 (5.109) 5.451 (5.403)


Júpiter
m ín. 4.999 . (4.999) 4.652 (4.650) 4.951 (4.918)

m áx . 1.649 (1.648) 1.551 (1.550) 1.658 (1.639)


m in. 1.393 (1.393) 1J11 (1.310) 1.398 (1.386)

m áx. 1.042 (1.042) 1.042 (1.042) 1.102 (1.102)


m in. 958 (958) 958 (958) 898 (898)

m áx. 741 (721) 761 (762) 714 (714)


mm. 696 (717) 715 (757) 671 (710)

m áx . 489 (481) 506 (535) 474 (502)


m in. 233 (233) 233 (260) 219 (242)

Todos estos valores son heliocéntricos, mientras que los de la columna (1) del cuadro de
Kepler (que no incluimos en el nuestro) son referidos al centro del Orbe Magno. Veamos éstos
de modo independiente antes de analizar los de la tabla heliocéntrica.
Los valores de la columna (1) proceden del De Revolutionibus de Copémico y, resumidamen­
te, ocurre con ellos lo siguiente:

Saturno: Libro V... Cap. 9: DM. 9o 42’ 00” = 9.700


dm. 8o 39’ 00” = 8.650

Júpiter: Libro V... Cap. 14: DM. 5D27’ 29” - 5.458


dm. 4o 58’ 59” = 4.980

Marte: Libro V... Cap. 19: DM. 1° 38’ 57” (errata)


(Kepler corrige esta errata) 1° 39’ 56” = 1.665
dm. 1° 22’ 26” = 1.375

Venus (primer error notable).


Copémico: libro V, cap. 21: Distancia media: 0o 43’ 10 ” = (a); Excentricidad:
0o01’ 15” = (2/3 e)
Luego DM: 0o 43’ 10” + 01* 15” = 0 ° 44’ 25” = 740,27; dm: 0o 43’ 10” - 01’ 15” = 0
° 41* 55” = 698,60.
Maesdin: (G.W. 13, n.°29, pág. 65) llega a estos valores, pero no corrige en pruebas el error
de Kepler, quien calcula:
0o43’ 10” + 0o 2’ 30” = 0o45’ 40” = 761 = DM.
0o43’ 10” - 0o 2’ 30” = 0o40’ 40” = 677,8 (678) dm. pero 0o2’ 30” = 4/3 e, cuandodebería
utilizar 2/3 e, y este es el error.
Mercurio: tiene una fórmula más compleja: a + (e+ radio de la excéntrica menor) y
a —fe + radio de la excéntrica menor) teniendo en cuenta además en ambos casos la oscilación
delaiámetro de esta excéntrica en relación con la posición dé la Tierra respecto a la línea de
ápsides. Copémico en ellibro V, caps. 25 y 27 (y siendo aquí Io = 100.000) establecepara (“a”)
un valor variable entre el máximo de 39.530 y el mínimo de 35.730. Maestlin calcula:
DM: a = 35.730 + (7.345,5 + 2.114,5) = 45.190 = 0o27’ 07”.
Mientras Kepicr calcula:
DM: a = 39.530 + (7.345,5 + 2.114,5) = 48.990 = 0o29’ 24”.
dm: a = 39.530 - (7.345,5 + 2.1143) = 30.070 = 0o 18’ 02”.
Respecto a la excentricidad del Sol se acepta la dada por Copémico en el libro III, cap. 21 de
415 partes y casi máxima de los tiempos de Ptolomeo y ae 323 partes, casi mínima, del año 1515.
Vayamos ahora a las cois. 2, 3, 4 (de nuestro cuadro) heliocéntricas, y a sus correcciones. La
columna (2) expresa las distancias de los planetas al Sol y es resultado de los cálculos de Maesdin,
y aunque aebería expresar los valores de AB, AC, AD... en el diagrama copernicano, de hecho
expresa esos valores para el diagrama ptolemaico, como declara el propio Maesdin en carta de 11
de abril de 1596 (G.W. 13,37, pág. 78) «estos valores se refieren a la época de Ptolomeo; pues en
nuestro tiempo (o en el de Copémico) serían muy diferentes según la disminución de la excen­
tricidad de la Tierra...».
El problema reside en calcular los valores AC, AD, AE... partiendo de los elementos cono­
cidos ae los triángulos ACB, ADB, AEB... que son: i) la distancia AB desde el centro del Orbe
Magno al Sol; ii) las distancias BC, BD, BE... desde el centro del Orbe Magno al planeta (co­
lumna (1) anterior); in) el valor del ángulo en B, formado por la dirección AB y la línea de
ápsides. La regla de los cosenos permite entonces despejar los valores de los lados AC, AD, ÁE...
y consiguientemente conocer el valor del radio del excéntrico menor, que sumado o restado a la
distancia media nos permite conocer las distancias máximas y mínimas respectivas. Pero hubo
algunos errores:
Saturno: Se olvida el radio del excéntrico menor:
Distancia media + AG = 998.740 (Maestlin y Kepler).
Distancia media + AG - radio de G = ... sería el cálculo correcto; esto es: DM:
(a = 916.450) + (<AG> 82.290 - < r> 26.075) = 972.665, y dm: 916.450 - (82.290 - 26.075) =
860.235, mientras que Maesdin/Kepler llegan a 834.160.
Como se ve en la tabla, no hay errores en el cálculo de las distancias de Júpiter ni de Mane.
La Tierra: Se toman directamente los valores dados por Copémico para la excentricidad del
Sol y se suman o restan a la distancia media de la Tierra: 1.000 + 42 (41,7) = 1.042 y
1.000 —42 (41,7) = 958. Pero el valor de la excentricidad solar era ahora de 32,195, con lo que,
al no tener esto en cuenta, las distancias máxima y mínima de la Tierra resultan las de Ptolomeo.
Y esta distancia de 1.042 es la base del cálculo para todas las otras tanto hacia los planetas
exteriores como hacia los interiores, porque (confr. cuadro de cap. XIV si la distancia mínima de
Marte vale 1.000, la máxima de la Tierra valdrá 795; luego 1.042: 0,795 = 1.310,6, distancia
mínima de Mane y así sucesivamente en ambas direcciones, como veremos.
Venus: Puesto que la fórmula es: Dist. media al Orbe Magno ± (AC —rC), debería ser:
DM: 71.930 + (1.262 - 1.040) = 72.152 = 0o 43’ 17” ; y la dist. mín. dm:
71.930 —(1.262 —1.040) = 71.708 = 0o 43’ 01” ; pero Maestlin utiliza para (“a”) valores máxi­
mos y mínimos y obtiene:
DM: 74.010 + 1.262 - 1.040) = 74.232 = 0o 44’ 29” ; y dm: 69.850 - (1.262 - 1.040) =
69.628 = 0o 41* 47".
Mercurio: Su teoría es más complicada, y Maestlin, pese a declarar que se atiene a los datos
de las Tablas Pruténícas (apogeo de Mercurio en Libra 15° 30’ de tiempos de Ptolomeo), hace sus
cálculos y ofrece en la figura los datos del propio Ptolomeo (con apogeo en Libra 10°).
La columna (3) presenta las distancias máximas y mínimas de las esferas de los planetas según
la hipótesis poliédrica, con los siguientes presupuestos: i) las esferas terrestres tienen valores de
1.042 y 958; ii) en este grosor de la esfera terrestre no se incluye al orbe lunar; iii) entre el orbe
exterior de cada planeta y el interior del siguiente, para los planetas superiores o viceversa para
los inferiores, se suponen interpuestos los poliedros regulares. Así, la estera externa de la Tierra
se inscribe en el dodecaedro y la circunscrita al dodecaedro es la interior de Marte. El valor de
estas esferas se compara con el de las expresadas en (2).
Suponiendo, pues, que la distancia de la esfera exterior de la Tierra sea de 1.042, dicho valor
se halla en relación a (a interior de Marte (según las relaciones poliédricas de la tabla del cap. XIV)
como 795 a 1.000, por lo cual: 1.042 : 0,795 = 1.310; pero en (2) la relación entre las distancias
Máx. y mín. de Marte es de 1.648 a 1.393: Luego, ahora serán 1.393 : 1.648 :: 1.310 : x; en donde,
x = 1.550.
El mismo proceso sigue hacia arriba, hacia Júpiter:
a) Se supone entre Marte y Júpiter el tetraedro y 1.550 : 0,333 = 4.654(dist.mín.) y por tanto
4.999 :5.492 :: 4.654 : x; y, x = 5.112,9 (dist. máx.)
b) Entre Júpiter y Saturno suponemos el Cubo y entonces:
5.112,9 : 0,577 = 8.859,61 (dist. mín.} y por tanto, 8.342 : 9.987 :: 8.859,61 : x; y, x = 10.606
(dist. máx.). E, inversamente, para los planetas inferiores:
c) Venus con el icosaedro interpuesto: 958 x 0,795 = 671 (dist. máx.) y aplicando los valores
de (2) 741 : 696 :: 761 : x; y, x = 715 (dist. mín.).
d) Mercurio con el octaedro interpuesto: 715 x 0,707 = 505; para la dist. máx. (aquí recuér­
dese el origen especial del valor 707) y, 489 : 233 :: 505 : x; y, x = 240 (dist. mín.). La presencia
de los valores de (2) en estas proporciones mantiene los desvíos que vimos allí. En particular es
relevante la retención de 1.042 y 958 para la esfera terrestre.
En la columna (4) se utiliza el mismo método de cálculo, pero añadiendo al grosor de la Tierra
el del orbe lunar, e.d., 0° 3’ 36”, con lo que los valores son ahora de 1.102 y 898, respectivamente.
De haber manejado correctamente los datos copemicanos, Maestlin y Kepler deberían haber
llegado a los resultados siguientes, según M. Caspar (pág. 429 de su edición) y A. Segonds (pág. 308
de la suya) con las ligeras discrepancias (entre paréntesis) de E. Aitón (pág. 27 de su Introducción).

<2) (3) (*)

máximo 9.727 10.011 10.594 (10.588)


mínimo 8.602 8.854 9.369 .(9.364)

Júpiter máximo 5.492 5.122 (5.109) 5.401 (5.403)


mínimo 4.999 4.654 (4.650) 4.924 (4.918)

máximo 1.648 1.550 1.639


mínimo 1.393 1.310 1.386

máximo 1.042 1.042 1.102


mínimo 958 958 898

máximo 721 762 714


mínimo 717 757 710

máximo 481 535 502


mínimo 233 260 243 (242)

8 Como en esta tabla se parte de los valores dados en la anterior, es evidente que se conservan
los desvíos registrados en aquélla. El método de cálculo es como sigue:
Saturno: Valores anteriores por el orden (3), (2), (4):
10.599; 9.987; 11.304; Dist. Media de la Tierra == 1.
Luego, 10.599 :1 :: seno total: x; y, x = 1/10.599 0,09435 = sen. 5 °25’, y así sucesivamen­
te para los demás valores de la tabla de Saturno, Júpiter y Marte. Respecto a Venus y Mercurio
basta la transformación directa en forma decimal para obtener los senos y sus ángulos correspon­
dientes, p.e. 761 = 0,761 =sen. 49° 36’, etc. Para dar una idea de los errores acumulados ae la
tabla anterior reproduciré la corrección de E. Aitón (entre paréntesis) en la Introducción de su
edición (pág. 27), partiendo de los valores correctos de Copémico.

HIPÓTESIS HIP. POL.


POLIÉDRICA DIFERENCIA COPÉRNICO DIFERENCIA {CON LUNA)
(3) (3)-{2) (2) (2)—(4) (4)

Saturno 5o 25’ -20’ 5° 45’ —41’ 5 - 04’


(5 ° 4 4 ’) ( - 1 0 ’) (5 ° 54’) ( - 2 9 ’) (5 ° 2 5 ’)

Júpiter 10° 17’ -12’ 10° 2 9 ’ - 6’ 10° 2 3 ’


(1 1 ° 17’) (+48’) (10° 2 9 ’) (+11-) (10° 40’)
HIPÓTESIS HIP. POL
POLIÉDRICA DIFERENCIA COPÉRN1CO DIFERENCIA (CON LUNA)
P) í3}-{2) P) p > -m m

40° 9 ’ + 2 ° 47’ 37” 2 2 ’ +30' 37” 5 2'


Marte
(4 0 ° 10’) ( + 2 ° 4 8 ’} (3 7 ° 2 2 ') ( + 1 4 ') (3 7 ° 3 6 ')

4 9 ° 36’ ‘ + 1 ° 45* 47° 51’ - 2 ° 18' 45° 33'


Venus
(4 9 ° 3 8 ’) ( + 3 ° 2 7 ') (4 6 ° 11’) ( - 3 7 ') (4 5 ° 34*)

30° 2 3 ’ + 1° 4 ' 2 9 ° 19’ - 1 ° 1’ 2 8 ° 18'


Mercurio
(3 2 ° 2 2 ’) ( + 3 ° 36’) (2 8 ° 4 6 ') ( + 1 ° 2 1 ') (3 0 ° 7 ’)

(En la columna (2) el valor de Mercurio 29° 19’ debió ser una errata por 29° 15’. También hay
errores en Júpiter (3) 11° 17’ y no 10° 17’; en Júpiter (4) 10° 34’ y no 10° 23'; en Mane (4) 37° 13’
y no 37° 52‘).

Al C apítulo X V I (pp. 164-170)

1 Com o se ha visto en el capítulo anterior, Kepler hubiera podido tener decidida


esta cuestión de haber dispuesto de cálculos correctos. Al repasar los valores coper-
nicanos corregidos se observa que hay m ayor aproximación entre (2) y (4) que entre
(2) y (3) (véase la tabla corregida). N o obstante, Kepler en esta obra buscara argu­
mentos «a priori» o «metafísicos», como él dice, que no encuentra. Por ello se con­
forma con el «mejor acuerdo» con los valores de Copém ico como único argumento.
2 L os argumentos de congruencia de Maestlin en favor de la unidad de familia
entre Tierra y Luna, resumidos aquí en los grandes capítulos de continentes, mares,
montañas, atmósfera o sus equivalentes, debieron ser oDjeto de debate académico en
los aledaños de Maestlin desde época temprana y quizá de conversación con Kepler,
a juzgar por algunos datos que éste nos transmite en su Conversación con el mensajero
sideral: además de retomar el tema del parentesco entre los dos cuerpos con motivo
de las observaciones de Galileo nos informa de dos cosas, i) que «en verdad, si hay
en la Luna criaturas vivientes (idea con la que, siguiendo a Pitágoras y a Plutarco,
tuve a bien jugar en una disputación escrita en Tubinga en 1593, así como en la
pág. 286 de mi Óptica y muy recientemente en la mencionada Geografía Lunar)» — se
refiere probablemente a una obra publicada postumamente en 1634 con el título de
E l sueño, o acerca de la Astronomía Lunar que pasa por ser el primer libro de
ciencia-ficción conocido— (pág. 127) y ii) nos da cuenta de que Maestlin seguía en
la disputa, ya que en 1.606 publica una «D isputado» de la que no se ha encontrado
ningún ejemplar, con el título: Disputatio de multivariis motuum planetarum in cáelo
apparentibus irregularitatibus seu regularibus inaequalitatibus, earumque causis astro­
nom ías, en donde Maestlin debió sistematizar sus argumentos conjeturales propo­
niéndolos como «Tesis» frente a su contradictor, Samuel Hafenreffer, puesto que
desde la «tesis» 88 hasta, al menos la 149 «trata de la afinidad de la Luna con la
Tierra», según nos asegura Kepler (pág. 130 también de la Conversación con el Men­
sajero Sideral).
3 Esta idea se verá profundamente perturbada por la noticia que recibe hacia
mediados de marzo de 1610 de labios de su amigo Johan Máthaus Wackher sobre el
descubrimiento, p o r Galileo de los «Planetas M edíceos». E n la Conversación
(págs. 100-101) da cuenta de su estado de ánimo: «tan pronto como dejé la compañía
de Wackher quedé sumamente impresionado por la autoridad de Galileo, derivada de
la rectitud de su juicio y de la sutileza de su ingenio. Así, me puse a meditar para
mí cómo podría aumentarse en aleo el número de los planetas dejando a salvo mi
Misterio Cosmográfico que había dado a la luz trece años antes... Ahora bien, en el
prefacio de dicho libro se ve que yo buscaba entonces, aunque en vano, más planetas
en torno al Sol.
Mientras cavilaba, ocurrióseme lo siguiente, que a toda prisa comuniqué a Wack-
her: «del mismo m odo que la Tierra, uno de los planetas (según Copém ico), tiene
su Luna aparte girando en tomo" a sí, perfectamente pudiera ocurrir que Galileo viese
otras cuatro lunas diminutas rodeando con estrechísimas órbitas los pequeños cuerpos
de Saturno, Júpiter, Marte y Venus...», con lo que la Tierra ya no resultaría más
central que cualquier otro planeta.
4 E s una de fas manifestaciones contundentes de Kepler contra la materialidad de
las esferas o de los cuerpos regulares interpuestos en su teoría. Su toma de posición,
al respecto, es bastante clara si la comparamos con la oscuridad de la polémica general
sobre la naturaleza de las esferas celestes. Para detalles véase D o n a h u e , William H .:
The Dissolution o f the Celestial Spheres, y especialmente, para Kepler, págs. 93 y ss.
y de manera más compendiada en Westman, R. S. (ed.) (1975), págs. 244 y ss.
5 L a e r t i o , D .: D e Vitis Philosophorum, libro II. Las palabras que Diógenes Laer-
tio pone en boca de Anaxágoras son «que la Luna está habitada y tiene collados y
valles». Mientras que Plutarco en D e facie... le atribuye «el Sol le da el resplandor a
la Luna» (ibd. 16, 929B). Pero la cita de Kepler en los Paralipomena es de (17,930),
(cfr. K.G .W . 2, pág. 203).
6- Esta lectura de la interpretación averroísta de Aristóteles (cfr. Conversación...
pág. 130, n.‘ 6) parece deudora de la interpretación de Maesdin incluida en su Dispu-
tatio, mencionada hace poco. Aristóteles, en D e Generatione Animalium, dice que a
cada especie de vida se puede atribuir un elemento preponderante: a los vegetales la
tierra, a los animales acuáticos el agua, a los que viven sobre la tierra el aire... pero
en cuanto al cuarto género (el del ruego) no se puede buscar aquí abajo... «N o, este
cuarto género es preciso buscarlo en la Luna. Este astro, en efecto, participa mani­
fiestamente del cuarto grado de lejanía.» (761b, 21-23). Por lo demás, la idea de
Aristóteles parece claro que era la contraria: lo sublunar y lo supralunar pertenecían
a géneros de materia irreductibles. En el libro IV del propio D e Generatione... (777b,
24-26) afirma que «la Luna es un principio en razón de su relación con el Sol, y del
hecho de que ella participa de su luz. E s como un segundo sol, más pequeño».

A l C apítulo X V II (pp. 171-174)

1 Ya Maestlin había apuntado en su Epitome que la órbita de Mercurio era poco


afrn con las de los demás planetas y que, por ello, requería un suplemento de excen­
tricidad sobre la excéntrica, suplemento que, a la postre, venía a ser un excéntrico
sobre el excéntrico. Copém ico también era consciente de esta desigualdad (Rhetico
lo atestigua en la carta que se cita en el capítulo siguiente) y trató de resolverlo
mediante un tercer movimiento de libración a lo largo del diámetro de un pequeño
epiciclo por el que se alejaba y acercaba al centro de su órbita («accedere et recedere
a centro sui orbis»). Kepler expresa esta desigualdad de un modo sintético en térmi­
nos de aumento y disminución del diámetro de la órbita. Y en la nota (1) de la
segunda edición reconoce que Mercurio no obedece a razones arquetípicas del O c­
taedro.
..i Si el lector consulta los valores dados por Kepler verá que hay desacuerdo entre
los utilizados aquí y los que proceden del cap. XV . Kepler utiliza aquí los valores de
la carta de Maestlin (G.W. 13) de 11 de abril de 1596; pero Maestlin los corrigió en
la preparación de la edición y de ello resulta:
KEPLER DIAGRAMA C XV 4.= COI1-TABLAI

Dist. Máx. 488 481,14 0° 28’ 17” = 474


Dist. Mín. 231 233,45 0o 13’ 7” = 219
Dist. Med. 360 364,42

El valor 4 7 4 de la distancia máxima de Mercurio procede, como se ye, de la tabla I


columna 4 (distancias poliédricas incluyendo el grosor del orbe lunar). Kepler corrige
el espesor en función de este valor y no de 4 8 8 (qué es el valor del radio del círculo
inscrito en el cuádrado dentro del Octaedro); por ello el valor del grosor resulta 2 5 0 ,
y la distancia media < 4 7 4 — ( 2 5 0 / 2 ) > es de 3 4 9 , no muy distante de 3 8 7 , que es el
valor del radio del orbe inscrito en el Octaedro. D os consecuencias favorables resul­
tan de este «arreglo»: a) Estos valores resultan compatibles con la distancia mínima
de Venus (6 7 1 ), puesto que tomando 671 como seno total resulta (671 X 0 ,5 7 7 <radio
del o rb e > = 3 8 7 ), valor que Kepler considera suficientemente próximo a 3 4 9 . b) Que
el orbe de Mercurio no resulte con un espesor demasiado desproporcionado con
respecto a los demás, pese a sus excentricidades.

Al C apítulo X V III (pp. 175-184)

1 H ay que recordar aquí las objeciones que Kepler plantea a la opinión ptolemaica
en sus comentarios a las láminas I y II del cap. I. Las láminas muestran que las
prostaféresis, para Copérnico (lám. I) invierten la referencia de orbes desde la Tie­
rra hacia fuera y hacia dentro: así el eje del Gran O rbe determina los ángulos para
los planetas exteriores, mientras el eje de cada orbe interior determina el ángulo de
prostaféresis desde la Tierra para los interiores. La lámina II ¡lustra las prostaféresis
para la concepción ptolemaica.
2 El lector, hallará en el lugar .mencionado por Kepler en la tabla del cap. 15 que
allí se asigna erróneamente a Marte + 0 ,2 0 ’, en lugar ae 0,30’, como aquí.
3 Efectivamente, para la Cosmografía de la época las aproximaciones de Kepler
eran más que buenas, si consideramos que los valores aceptados para distancias te­
rrestres, como se encargó de mostrar D . Cassini al medir distancias en Francia, ma­
nejaban errores más amplios que los reconocidos por Kepler para su hipótesis.
4 Cita de memoria a H oracio Epist., I, 1.32 «E st quodam prodire tenus».
5 Kepler era consciente de que los grosores de los orbes tenían que dar cabida a
las variaciones de distancia de los planetas al Sol. Por tanto resultaba imprescindible
para ajustar su hipótesis comparar los grosores de los orbes con las excentricidades.
Para ello había que conocer las distancias máximas y mínimas de cada planeta y esto
sólo era. posible mediante observaciones de apogeos y perigeos de cada uno (o de
afelios y perihelios en la hipótesis kepleriana). Su desconfianza de las Tablas Pruté-
nicas era más que justificada, como ha dejado claro, y sólo esperaba que las obser­
vaciones de Tycho arrojaran luz sobre el particular. Tras su primer viaje a Praga en
el que intenta sacar alguna información de las observaciones de Tycho, sin resultado,
escribe (G.W . 14, págs. 128 y ss.) a Herwart v. Hohemburg: «...inter potissimas in-
visendi Tychonis, fuit et haec, ut veriores Eccentricitatum proportiones ex ipso dis-
cerem, quibus et Mysterium meum, et iam dictam Harmomcem examinarem... verüm
Tycho copiam earum mihi non fecit...». Por otra parte, la hipótesis poliédrica no da
explicación ni ¿1 hecho ni a la magnitud de estas excentricidades, con lo cual pierde
mucho de su carácter «arquetípico», y Kepler es consciente de esta limitación.
6 Más que una cita es una paráfrasis del texto de Copém ico.
7 Bernhard Walther trabajó con Regiomontano y realizó observaciones en Nu-
remberg que, junto con las de Regiomontano, aparecieron publicadas en Nuremberg
en 1544. Copém ico tuvo acceso a ellas antes de su publicación (De Revolutionibus,
V. 30). N o obstante Copém ico ni dispuso de buenas observaciones ni, menos, utilizó
las que tuvo a mano para establecer fas distancias reales exactas de los planetas, sino
para, com o dice O . Gingerich, «mostrar que la cosmología heliocéntrica era compa­
tible con predicciones planetarias razonables, y no tanto para reformar la exactitud
de las prediciones astronómicas». Cfr. WESTMAN, R . S. (ed.): The Copemicán Achie-
vement, «Remarks on C opem icus’ Observations», págs. 99-107. Esto matiza, en par-,
te, la crítica que hace Kepler.
8 Probablemente se refiere a las Tablas Pruténicas, en donde Reinhold se esfuerza
en calcular fracciones sexagesimales de grado hasta el quinto lugar, esto es, minutos
primeros, minutos segundos, minutos terceros, etc.

A l C a p ítu lo X I X (pp . 185-190)

1 E s el valor que aparece en la última tabla del cap. XV .


2 Se trata de Ephemerides novae ah anno salutiferae Incamationis 1577 ad imnum
1590 subpputatae ex Tabulis Prutenicis. Tubinga, 1580. Maestlin dice en el Prefacio
que, pese a ser más exactas, no son fiables totalmente, pues, «in Marte potissimum
patet, quem aliquando duobus pene gradibus a calculo esse vidi...». Kepler argumenta
sobre esta base, porque sabe que ningún argumento contundente puede proceder de
los valores tabulares mientras éstos sean, al menos, tan inexactos o más que sus
resultados.
3 Ch. F ríS C H ofrece el título que era: Disputado de Eclipsibus Solis et Lunae,
quam preside Cl. Viro D . M. M. Maestlino etc. in auditorio homérico die 8 (18) Jan .
defenaere conabitur Marcus ab Hohenfeld. Aistersheim y Almegk, tomo I, n.°57.
Tübingen, 1596, pág. 209. Según Ch. Frisch, la Tesis 58 daba, como ejemplos de
refracción: 1) «las distancias de las estrellas situadas en el horizonte parecen mayóres
que las de las situadas en el centro del cielo. 2) B. Walther ha observado que él se
percató con frecuencia del hecho de que aparecían sobre el horizonte estrellas qué
de hecho estaban por debajo. 3) N o era raro que él mismo haya encontrado que la
distancia de la altura de Venus sobre el Horizonte respecto al Sol situado en el
horizonte fuese notablemente menor que si esa distancia se toma en ese mismo día
y con el Sol más alto. 4) Q ue el Sol muchas veces suele salir más aprisa».
Por su parte Kepler, en sus Paralipomena a d Vitellionem (G.W . 2, pág. 142), vuel­
ve a referirse a esta Tesis 58 a propósito del fenómeno de las refracciones, dando la
razón a Maestlin.
4 Recuérdese aquí que en los cálculos de Kepler del cap. X V hay errores (reco­
gidos en larga nota a la tabla con las correcciones Aitón), errores que son en buena
parte causa de estas diferencias en los valores de los arcos.
5 Com o se ve por la corrección de la tabla de valores del cap. X V , lo que ocurre
es exactamente lo contrario de lo que aquí dice Kepler, ya que las aproximaciones
son mayores con orbe lunar incluido.
6 C on las correcciones de errores a la vista se ve que es de más de tres grados,
aunque la carta de Maestlin que sigue da cuenta de las dificultades con que venían
tropezando los astrónomos.
La carta de Maesdin (G.W. 13, págs. 77-79), de 21 de abril de 1596, no coincide
«literalmente» con este texto que sigue, porque Maestlin al revisar la publicación del
Mysterium quizá la corrigió, o quizá porque Kepler reformó notablemente el original
de Maesdin que obraba en sus manos.
8 En un principio Maestlin había calculado los valores máximos y mínimos de las
distancias de Mercurio sobre la base de las Tablas Pruténicas. Pero como dice en esta
carta (cosa que no aparece en la original en manos de Kepler, lo que hace pensar que
este texto fue corregido por Maestlin en «pruebas»' durante la edición del libró) al
final se basó en los valores ptolémaicos que eran los dados también por Copém ico,
que son los que á la postre aparecen en el libro. Con ello la hipótesis kepleriana se
contrasta más con los valores tradicionales para Mercurio de la astronomía académica
que con los valores actuales, que serían «muy distintos» a causa de la disminución
de la excentricidad del O rbe Magno».
5 D e nuevo hay que remitimos a los diagramas (cap. XV ) de Maestlin. En primer
lugar, Maestlin muestra (contra Rhetico y Copém ico) que el apogeo de Mercurio no
dista un cuadrante del apogeo del Sol, y esto no sólo en tiempos de Ptolomeo, sino
todavía más en tiempos de C opém ico, por lo que la excentricidad de Mercurio debía
haber variado y sin observaciones fiables no se puede determinar el valor de la va­
riación. En segundo lugar (con Rhetico y Copém ico), la variación de la excentricidad
del O rbe Magno no tiene influencia aparente sobre la excentricidad de Saturno por
lo insignificante del radio del círculo de la excentricidad terrestre respecto al del
círculo de la deferente de Saturno; pero la tiene (y Copérnico la reconoció) para
Marte y Venus cuyos apogeos distan del del Sol 50° a la izquierda y 42° a la derecha
del Sol, respectivamente. (De Revolutionibus, V, 15 y 16) con variaciones en las
excentricidades de 1/42 y 1/5 menores, respectivamente. En tercer lugar, Júpiter, cuyo
apogeo se halla distante un cuadrante del apogeo del Sol (y por esta razón precisa­
mente) no ofrece variación aparente de su excentricidad. Cfr. RO SEN : Three Coper-
nican Tratisess, pág. 161 para este pasaje de la Narratio.

Al C apítulo X X (pp. 191-201)

1 Kepler dice «sesquiocto mensium» que no puede traducirse por 8 meses + 1/8
de mes que sumarían casi 244 días, cuando Kepler dirá enseguida en la tabla siguiente
que el período de Venus es de 224,42 días. Supongo que hay un «lapsus», o un mal
uso de «sesqui» que en rigor significa «unidad más en numerador que en denomina­
dor» (esto es 9/8) y que acaso Kepler quiso decir «ocho menos un medio». Aitón y
Segonds se hacen eco de este error y corrigen en sus notas interpretando «siete y
medio meses».
2 H ay que observar que los «minutos de esta tabla» son «minutos de día», es
decir, partes sexagesimales de día. Por otro lado, hay que considerar que el término
con el que se trata de comparar aquí es «las distancias medias de los planetas» que
se sigue de la tabla primera de las del cap. X V (semisuma de distancias máxima y
mínima). La fórmula de Kepler es una proporción directa: distancia media del pla­
neta = dm p; entonces dm p:100:: x : 60 (60 es la distancia media de la Tierra). P. ej.,
para Saturno: '/2(99.874 + 83.416) = 91.645; entonces 91.645:100 :: x : 60 = 549,87,
para Saturno. Y para los demás resultan 314,76, para Júpiter; 91,224, para Marte;
43,1304, para Venus; 21,438, para Mercurio. Y los -valores de la primera columna
re su lta ría n de las p r o p o r c io n e s 5 4 9 ,8 7 :3 1 4 ,7 6 ::1 0 .759,12: x ; x = 6 .1 5 8 ,8 ;
549,87:91,224::10.759,12: x; x = 1.785. Y así sucesivamente para los demás. En la
tabla de Kepler hay algunos errores que Segonds (pág. 326, n." 5) resume como sigue:
COLUMNAS LÍNEAS DEBE DECÍR OBSERVACIONES

1 6 412 Frich 4 1 9 (error) '

2 2 1.255 por tomar como base


3 826 5 .1 3 9
4 594
5 2 95

3 4 161

4 3 130,30

5 2 111,7

C om o se observa, los errores se acumulan en Mercurio en cuyos valores existía


cierta discrepancia entre Kepler y Maestlin: los valores «figúrales» de Kepler eran
' / 2( 5 0 .6 0 0 + 2 3 .3 0 0 ) = 3 6 .9 5 0 , m ie n t r a s q u e lo s de M a e s tlin se r ía n
'/2(48.850 + 23.110) = 35.980, valor próximo a 36.000 que, como dice Aitón, eviden­
temente usa Kepler aquí.
3 Si Pv es el Período de Venus y Pm el de Mercurio, entonces habría de ocurrir
que Pv/Pm = Rv/Rm , y así sucesivamente para las proporciones de Pe y Pi (Pe = pla­
neta exterior y Pi = Planeta interior). Kepfer empieza por hacer ver que esta propor­
cionalidad simple y directa no se cumple, p. ej., para Venus y Mercurio. C om o señala
O . Gingerich en «The Origins of Kepler’s Third Law » (pág. 597), Kepler se da cuenta
inmediatamente de que Pv/Pm es un valor muy grande respecto a Rv/Rm , esto es,
se da cuenta de que

4 Es cierto que Kepler pronto descubrió lo erróneo de su ingenua aceptación del


principio ptolemaico de los «ópticos». En su A d Vitellionem Paralipomena (1604)
cap. I, prop. 9 ya enuncia correctamente el principio del inverso del cuadrado, que
repite ampliamente en su Pars Optica (cap. I), de la Astronomia Nova. D e haber
dispuesto de esta ley del inverso del cuadrado para la intensidad de la luz y de haberla
aplicado al caso de la fuerza que disminuye en razón del inverso del cuadrado de la
distancia hubiera podido dar cuenta del movimiento de los planetas.
5 C om o en el caso anterior, supongamos Pe y Pi períodos de dos planetas suce­
sivos desde el Sol hacia el exterior y Re y Ri sus radios respectivos, entonces Kepler
ensaya el cálculo siguiente:

Pe - Pi = Re - Ri
Pi Ri

Kepler supone que el decrecimiento de la fuerza impulsora contribuye a apartar


la relación de proporcionalidad de su expresión directa tanto como el aumento de
distancia. Por eso se expresa en términos de «doble», una por el incremento de
distancia y otra por el decrecimiento de la fuerza.
6 Ahora va a proponer el ejemplo, para lo cual formula el supuesto de que a Pi
se le suma 1/2 de la diferencia entre Pe y Pi. Resultará un valor menor que Pe y
mayor que Pi, esto es, resultará: Pi < {Pi + '/2 (Pe — Pi)} < Pe. Este valor interme­
dio debería acercarse más a la relación proporcional buscada por Kepler, pues a todas
luces ocurrirá que

Pi + (Pe - Pi) _P e_
Pi Pi

Y por tanto más próxima a la proporción [Re/Ri], que buscaba Kepler. El ejemplo
que sigue (Mercurio, Venus) se atiene a la fórmula que acabamos de dar.
7 C om o él reconoce en la nota, era un espejismo, porque repetía el cálculo. En
cambio aparece la idea-de fraccionar las magnitudes a comparar en «unidades» co­
rrespondientes tan pequeñas como se quiera imaginar (aunque en este caso no se
imaginen muy pequeñas de m odo explícito). Este método, que podría ser llamado de
infinitésimos, reaparecerá en el estudio de la órbita de Marte, y en otros trabajos de
Kepler, con mucha mayor amplitud. Cfr. A ITO N , Eric J .: «Infinitesimals and the Area
Law », en Krafft, F ., Meyer, K . y Sticker, B. (eds.): Intemationales Kepler-Symposium
Weíl der Stadt 1971. Gerstemberg. Hildesheim, 1973, págs. 285-305.
8 La idea kepleriana de «Física Celeste» es, quizá, la más revolucionaria, tanto
respecto a la astronomía ptolemaica como respecto al modelo copernicano primitivo
y, sin duda, representa mejor que otra alguna la distancia entre los logros de Kepler
y el punto de partida copernicano. E s evidente que Kepler no alcanzó una formula­
ción conveniente de su tesis física, como alcanzaría Newton más tarde, pero es evi­
dente que la vinculación que establece entre leyes de distancias y movimientos y
cuerpos que intervienen en esos movimientos mediante «fuerzas» es el primer paso
hacia la astronomía física. Los conceptos de Kepler son imprecisos y desde «almas»
(tradición platónico-árabe-medieval) hasta los de «fuerza» («virtus», «virtus magné­
tica», «species inmateriata», etc.) o hasta las confusas ideas sobre la inercia, la cantidad
corpórea, la relación con las distancias hay una gran distancia que no puede desco­
nocerse y que constituye el primer intento sistemático de construir una física celeste.
Para una exposición de estos tanteos keplerianos véase K r a f f t , F .: «Kepler’s Con-
tributions to Celestial Physics», en Vistas in Astronomy, 18, págs. 567-572. También
STHEPHENSON, B .: Kepler’s Physical Astronomy, cap. IV y en particular (págs. 146 y
ss.) a propósito de la teoría de la Libración.
9 Kepler da cuenta claramente de su error. En Astronomía N ova, 39, establece
que la proporción entre los tiempos periódicos será como los cuadrados de las dis­
tancias («in dupla proportione distantiarum»), esto es Re2/R i2 = Pe/Pi. Para esto es
necesario sustituir en la primitiva fórmula

Pi + V2 (Pe - Pi) = Re
Pi Ri

por un primer término de la forma V ~ ( .pe) de modo que resulte

Re2 = Pe
Ri2 Pi

C on todo y ser esta fórmula más próxima a la de la tercera Ley no lo son sus
valores, como explicará Kepler enseguida, y sólo en Armonices Mundi Lihri V (V, 3)
llega a formular correctamente dicha tercera Ley que él mismo dice haber descubierto
el 15 de mayo de 1618 y establece la relación entre Pe/Pi igual a la relación entre
Re/Ri elevados respectivamente a sus potencias 3/2 («Proportio quae est inter bino-
rum quorumcumque Planetarum témpora periódica sit praecise sesquiáltera propor-
tionis m'ediarum distantiarum»). Para esto ha de introducir nuevos factores físicos en
el juego. U no es la resistencia que-opone la masa del planeta a ser movido y que
depende de su cantidad de materia, resistencia que cree proporcional a V « r » (radio
del cuerpo) y el otro es el volumen que expresa la capacidad proporcional de asumir
fuerza motriz del Sol y que cifra como proporcional a «r». Com o se ve, existe una
vaga idea de «inercia» en la ¡dea de «física celeste» kepleriana ya desde el principio,
pero no logra una adecuada precisión de su definición física. El movimiento de los
planetas es «forzado» continuamente por la «virtus movens» del Sol y, desde este
punto de vista, su idea de «resistencia al cambio de cantidad de movimiento» es
aristotélica (tendencia de los cuerpos al reposo como estado natural), pero, a la vez,
la «cantidad de fuerza asumida por el cuerpo» proveniente del Sol es función del
tamaño del cuerpo. Cfr. G i n g e r i c h , O .: «The Origins of Kepler’s Third Law », en
Vistas, 18, pág. 599.
10 Argumento importante para Kepler en dos sentidos: «arquetípicamente», por­
que D ios no puede hacer chapuzas y menos que ninguna las matemáticas, y cualquier
excepción lo sería; otro porque, para Kepler, es «m ejor» ciencia la que es más general,
más simple y con menor número de leyes o principios.

Al C apítulo X X I (pp. 202-207)

1 En el último párrafo del capítulo X V II explica Kepler los «acomodos» que ne­
cesita la excentricidad de Mercurio para aproximarse a los valores «figúrales». Como
resultado de añadir la semidiferencia de las excentricidades máxima y mínima obtiene
el valor aproximado de 559. Así las dos distancias medias 500 y 559 corresponden
g rosso modo a los radios mínimos y máximos del círculo que representa la gran
excentricidad de Mercurio. La teoría de Mercurio se halla en el libro V, caps. 25 y
27 del D e Revolutionibus. Com o consecuencia de la preservación en Copém ico de
los movimientos circulares uniformes resulta necesaria la introducción de círculos
auxiliares de transformación de las irregularidades. Pero en el caso de Mercurio el
diámetro aparente del círculo que porta la excentricidad del planeta además aumenta
y disminuye (oscila) según la Tierra se halle en los ápsides o a 90 ° de ellos.
2 Esta tabla comparativa de distancias copemicanas, motóricas y «números más
próxim os» resultó ininteligible para Maestlin como le dice a Kepler en la carta 19 de
marzo de 1596 (G.W . 13, pág. 109). L a aclaración de Kepler (19 de abril, G.W . 13,
pág. 117) es más larga que el propio capítulo en que estamos. Resumidamente, dice
Kepler: «En la primera columna se hallan las tres distancias (máxima, media y míni­
ma) según C opém ico; en la segunda las distancias medias obtenidas de mi estudio
de los movimientos: He aquí lo que significa el resto de la tabla.

Hay la misma el Cubo y el círculo inscri­ la distancia media de Satur­


proporción to en él que entre no obtenida de los movi­
entre el círculo .'Pi­ mientos, y la de Júpiter ob­
circunscrito tenida de los movimientos.

el Tetraedro «quam proxime» distancia mínima (coperni-


. cana) de Júpiter y distancia
máxima (copem icana) de
Marte.
el Dodecaedro distancia máxima (coperai-
cana) de Marte y distancia
m áx im a d e T ie r r a (con
Luna) copemicana.

el Icosaedro distancia mínima (copem i­


cana) de Tierra sola y media
(motórica) de Venus.

el Octaedro distancia máxima (copemi­


cana) de Venus y distañcia
media (motórica) de Mercu­
rio.

A sí quedaría más claro lo que quería decir. Pero, la expresión «quam proxime»
la entendía en el sentido de que donde pongo el valor derivado de la proporción no
pongo uno aproximado, sino exacto. Al lado de este valor añado el que le resulta
más próxim o, resultante de la primera o de la segunda columna...»
N o obstante esta aclaración, Ch. Frisch considera, no sin razón, que aclara poco
y añade la suya, que consiste: a) los valores de la columna 1.* proceden de la tabla
del cap. X V , col. II; menos los de la Tierra que proceden de la IV. b), los valores de
las distancias «m otóricas» los calcula del siguiente m odo: las medias aritméticas entre
p e r ío d o s c o n se c u tiv o s d e p lan e tas so n (recu érd ese del cap ítu lo an terior
{[Pi + '/, (Pe - Pi)]/Pi}, 7.545,9; 2.509,8; 526,117; 294,975; 156,333. Y los tiempos
de los movimientos son 4.332,6; 686,98; 365,25; 224,7; 87,966. Tenemos

Dist. V enus...:...... 294,975 : 224,7 1.000 x; x == 762f


Dist. M ercurio..... 146,333 : 87,966 762 x; x == 429g
Dist. M arte........... 526 ,1 1 7 : 365,25 x 1.000; x == 1.440
Dist. Jú piter.......... 2.509,8 : 686,98 = X 1.440; x = 5.261
Dist. Satu rn o ....... 7.545,9 : 4.332,6 = X 5.261; x = 9.163.

Estos valores en la 2.‘ columna representan las «distancias motóricas». En la ter­


cera columna compara las distancias figúrales entre sólidos sucesivos tomando como
términos en esas proporciones, unas veces las máximas, otras las medias y otras las
mínimas, con la distancia media motórica y obtiene un cuarto término que se ajusta
más o menos a alguno de los contenidos en las columnas anteriores. A sí el 4.“ término
en la proporción de Saturno es 5.290 que se acerca a 5.261, distancia motórica de
Júpiter. Para Júpiter emplea la distancia mínima (copemicana) 5.000; logra un valor,
1.666, cercano a la máxima, 1.648, de Marte. En Marte logra un valor, 1.107, próximo
a la Tierra (con Luna), 1.102, mientras que en Venus toma la distancia de la Tierra
sin orbe lunar para llegar a la distancia motórica propia, y en Mercurio recurre a la
relación 1.000:577 que proporciona el valor 741, máxima de Venus (con las relaciones
de proporción invertidas en los dos últimos). Ante tanto «adhocismo» no es extraño
que Maestlin protestara.
1 Las cifras de la columna de la derecha soportan bien las distancias exigidas por
la interposición de los sólidos regulares para' los planetas exteriores, pero en el caso
de los adyacentes terrestres es menor que la correspondiente de los datos copemica-
nos. La cuestión, entonces, reside en si queda espacio para los sólidos correspondien­
tes. Kepler no considera decisivo este argumento, toda vez que los valores motóricos
no son muy fiables, pero además porque la reducción implicada por estas distancias
motóricas es menor que la excentricidad terrestre, con lo que aún queda m ayor es­
pacio entre la distancia media teirestre y la máxima de Marte y la mínima de Venus.

Al C a p ítu lo X X II (pp. 208-212)

' En carta de 27 febrero 1526 (G.W . 13, págs. 54-55), Maestlin llama la atención
de Kepler sobre la equivalencia geométrica de la representación mediante excentro-
epiciclo y excentroexcéntrico. Pero añade una consideración importante para los gro­
sores de las esferas. En la primera representación se requiere un grosor adicional igual
a 2/3 de la excentricidad e con objeto de «dar cabida» al epiciclo que circula con
centro continuo en la deferente, mientras que en la segunda no es necesario, por el
hecho de no añadir (a efectos de grosor) al radio de la deferente el valor del radio
del epiciclo. Supongamos que E = 4/4 de la excentricidad total de la órbita de un
planeta visto desde O , centro de la órbita terrestre, y llamemos £ = 3/4 (E). En tal
caso el epiciclo con centro en la deferente tiene un radio r de 1/3 (e) = (1/3 X 3/4)
E = 1/4 (E). Cuando el planeta se halle en el apogeo su distancia desde el centro de
la órbita terrestre será igual al radio R de la deferente R 4- 2/3(e), y cuando se halle
en el perigeo será R - 2/3(e). O también R (4- - ) '/2E. La otra mitad hay que
atribuírsela al epiciclo. C osa esta que no ocurre si el centro de R circula por una
excéntrica interior a la deferente, que es el caso del excentroexcéntrico.
2 Todo este párrafo fue corregido por Maestlin, como le hace saber a Kepler en
carta de 19 de marzo de 1596 (G.W . 13, págs. 109-111). Kepler había, según Maestlin,
interpretado mal una figura de Copém ico (libro V, cap. 4) en la que éste omite señalar
el centro del ecuante. C fr. Segonds, pág. 336, n.° 6. Kepler había tomado a C por
centro de ecuante, que es de hecho D , y A C = 3/4 de la excentricidad del ecuante
ptolemaico.
3 E s evidente que hay un paralelismo con el cálculo del cap. X X , pero no una
identidad. Allí se comparaban tiempos y movimientos de dos planetas consecutivos
con trayectorias, por tanto, diferentes, mientras que aquí se trata de uno y el mismo
planeta contemplado en sus distancias máximas y mínimas. Kepler considera a E F G H
como el excéntrico de centro B en el cual AB = ‘/ 2Ad excentricidad total del ecuante.
Sea A B = e y supongamos que la fórmula de los dos períodos del cap. X X se aplica
aquí a las dos distancias; tendremos que siendo r el radio del excéntrico la distancia
del planeta en el apogeo desde A será r + e. Entonces,

r + e Pi + */2 (Pe — Pi) r + 2e Pe


--------------^ ¡----------- £— o tam bién ---------= --------
r Pi r Pi

M. Caspar, A . Segond y E. J . Aitón hacen notar la consecuencia importante de


esto y es que, puesto que las velocidades angulares deben ser inversamente propor­
cionales a los tiempos periódicos, denominándolas respectivamente co y to’ podemos
decir

r + 2e _ (ü
r ü)’

Y si estas dos velocidades se consideran como de un solo planeta a dos distancias


(media y máxima) Kepler concluye que dicho planeta, mientras se mueve con velo­
cidad aparentemente uniforme por el ecuante IK LM , se mueve realmente por la tra­
yectoria E F G H con estas variaciones de velocidad, y esto contra el principio de
movimiento uniforme copemicano.

Al C apítulo X X m (pp. 213-217)

1 La suposición que hay que hacer aquí para comprender toda esta disquisición
kepleriana es muy extensa. En primer lugar hay que suponer como «académica» una
tradición astrónomo-astrológica de origen árabe (Bagad), y más probablemente persa
o hindú, que llegó a Europa a lo largo de los siglos medievales (véase T h o r n d ik e ,
Lynn: History of Magic and Experimental Science. Colum bia University Press,
1941-1959, sobre todo IV). E l primer axioma consistía en aceptar una «máxima con­
junción» qye se repetiría con mínimas variaciones cada «gran año cósmico». El se­
gundo era aceptar que los acontecimientos que la tradición, la memoria oral o la
historia escrita atribuían a ese primer año cósmico se iban a repetir, con pocas varia­
ciones, en los sucesivos. El tercero era aceptar que la relación entre el estado de los
astros (por supuesto siempre recurrente para cada período mayor o menor que se
considerase) y los eventos que habrían de suceder bajo este estado celeste se hallaban
en conexión estrecha (podríamos .decir «causal»). Por ello los Horóscopos podían ser
trimestrales, anuales, para las pequeñas conjunciones, para las grandes y para las
máximas. En este caso los períodos contemplados eran del orden de Creación-Dilu­
vio, Diluvio-Nacimiento de Abraham; Nacimiento de Abraham-Primera destrucción
del Templo, etc. En este supuesto es en el que Kepler se mueve implícitamente en su
cómputq de las «conjunciones» hacia atrás, hacia el momento de la Creación.
2 La idea de Año Cósm ico quizá tiene diferentes formulaciones en las cosm ogo­
nías más dispares. A quí Kepler se refiere a una tradición documentada en las escuelas
y que aparece formulada en Timeo, 39 D , 2. Según esta idea el mundo retom a a unas
posiciones de conjunción planetaria completa cada cierto número de años, marcando
con ello el comienzo de otro «A ño Cósm ico», o Año platónico.
3 Esta cuestión era de máxima actualidad en el Renacimiento y después; recuér­
dense los trabajos de cronología que hizo New ton con tan escasos resultados. Y más
aún, cuando hidrólogos, geólogos o biólogos tratan de cuestionar eventos tan renom­
brados como el Diluvio que no encajan ni en las cronologías todavía deficientes del
siglo xviii y que, sin embargo, bastaban para poner en tela de juicio las cronologías
y sucesiones generacionales de la Biblia, aparecen cálculos sobre la antigüedad de la
Tierra que continúan estas cábalas anteriores. Cfr. WALLACE, W. A .: «Galileo Galilei
and the Doctores Parisienses», en Prelude to Galileo. Dordrech, 1981, págs. 192-255.
Cita Wallace a W. H ales, quien en el tomo I de su A New Analysis o f Cbronology
and Geography, History and Prophecy, en las págs. 209 y ss., presenta 120 soluciones
al problema de la fecha del comienzo del mundo.
4 Se trata de José Ju sto Scaligero, hijo de Julio César Scaligero, a quien se refirió
al principio. José Justo había publicado en 1583 una Opus de emendatione temporum
en la cual situaba el comienzo del mundo en otoño «in aequinotio autumnale», exac­
tamente entre un 20 y un 26 de octubre.
5 En el apogeo.
6 Cabeza y Cola designan los nodos ascendente y descendente, respectivamente.
Era una leyenda vinculada a los eclipses, según la cual un dragón rodeaba los nodos
con su cola enroscada y que al menor descuido se tragaba al Sol o a la Luna. Kepler
en Epitomes Astronomiae, VI, 4 (G.W . 7, pág. 447) atribuye estos nombres a los
árabes. C fr. H a r t n e r , W .: Oriens-Occidens. Hildesheim, 1968, págs. 268-286.
7 Copém ico, libro I 10, y Plinio, Historia Naturalis, II, 1.
8 En una obra, Cánones Pueriles (G.W. 5), publicada en 1620 con el seudónimo
de Klopas Herrenius, Kepler hace el cómputo de estos 3994 años, siguiendo los
rentos bíblicos. C om o se ha señalado, esta costumbre perduró y Jhon Kennedy en
¡A complete System of Astronómical Chronology (Londres, 1762) ya cifra «con toda
(actitud» que el mundo había durado desde la creación hasta el nacimiento de Cristo
307 años. Y para que no todos los «descubrimientos» se deban a gentes lejanas,
uestro Gerónimo Cortés en su Lunario y Pronóstico Perpetuo, General y Particular,
hora de nuevo corregido. (Viuda de Barco, Madrid, 1820) ya desde la pág. 4 nos
Ivierte que «D e lo dicho se colige que desde el principio del mundo hasta la nati-
¡dad de C risto N . Sr. pasaron años 5199».

i la C onclusión del libro (pp. 218)

' Este himno parece (SECK, F .: «Johannes Kepler ais Dichter», en Intemationales
’.epler-Symposium, págs. 427-450) una paráfrasis
del Salmo 8.
TRADUCCIÓN DE LAS LEYENDAS
DE LAS LÁMINAS ORIGINALES

Lámina I (p. 82)

En el centro, o cerca, está el SOL inmóvil.


E F , el círculo más pequeño en tom o al Sol, es el de MERCURIO, que completa su
giro en 88 días aproximadamente.
Sigue a este C D , el de VENUS, cuya revolución en tom o al mismo Sol se completa
en 224 % días.
A B , que le sigue, es el de la TIERRA, cuya revolución dura 365 */4 d ías; se llam a
ORBE MAGNO, p o r su m últiple uso.
En tom o á la Tierra hay un pequeño círculo con un epiciclo: LA ESFERA DE LA
LUNA, en A , que completa con el mismo movimiento de la Tierra en un año su giro
en tom o a la misma estrella fija. Mientras que su propia revolución se realiza respecto
al Sol en 29 V2 días.
Tras este círculo viene G H , orbe de MARTE, que recorre su camino bajo las fijas,
o respecto al Sol, en 687 días.
Le sigue, tras un amplio espacio, la esfera IK de JÚPITER, cuyo período es de
4.332 % días aproximadamente.
LM , el último y mayor, es de SATURNO, cuyo tiempo periódico es de 10.759 '/5 días.
Y las ESTRELLAS FIJAS se hallan todavía más alejadas en un espacio tan incalculable,
que en relación con él, la distancia que existe entre la Tieira y el Sol resulta imper­
ceptible. Y están en el extremo inmóviles como el Sol lo está en el centro.
El ángulo TG V , o el arco TV , es la prostaféresis, o la paralaje que ofrece el Orbe
Magno terrestre respecto a la esfera de Marte.
D e igual m odo el ángulo P IN es la paralaje de dicho O rbe Magno respecto a
Júpiter; y P L N o también LR S, o el arco RS, respecto a Saturno.
D e igual m odo X A Y , o el arco X Y , es la paralaje de la esfera de Venus; al igual
que ZA A E , o ZA E, es la paralaje de la esfera de Mercurio respecto al O rbe Magno.
256 Traducción de las leyendas de las láminas originales

L ám in a II (p. 83)

En el centro la TIERRA, única inmóvil.


Cercano a la Tierra un orbe minúsculo que representa a la esfera de la LUNA, cuyo
movimiento es mensual.
L e sigue inmediatamente rodeándolo el orbe de MERCURIO; al cual sigue d de
VENUS, y después la esfera del SOL, todos girando con movimiento anual.
L o s demás arcos, que cada cual puede acabar de trazar en tom o a la Tierra como
centro, representan los orbes de los tres planetas superiores restantes, MARTE, JÚPITER
y s a t u r n o y de las e st r e l l a s FIJAS. E l orbe de Marte completa su revolución en dos
años. E l de Júpiter casi doce años y el de Saturno casi treinta. Las Estrellas Fijas,
según la opinion de los Alfonsinos, completan un período al cabo de 49.000 años.
Las prostaféresis de los epiciclos de cada uno (salvo la Luna) respecto a un círculo
concéntrico y a sus distancias medias vienen representadas por los arcos comprendi­
dos entre las rectas trazadas desde la Tierra y tangentes a cada epiciclo y se expresan
en grados sobreescritos en cada uno.

Lám ina III (p. 98)

[A la izquierda]:

D e Kepler admiras, Espectador, la obra en esta figura que jamás habías visto.
Pues, lo que muestran los cinco sólidos de Euclides, es la distancia existente entre
los orbes de los planetas. L o bien que se acomoda a la enseñanza que antaño formuló
C opém ico, es lo que te enseña la obra del Autor. Claramente el Autor se sintió
agradecido por tan gran favor al Duque de Teck, no sin elogio.

Grabado por Christobai Leibffried de Franconia.


Tubinga, 1597

[A la derecha]:

a Esfera de Saturno.
P C ubo: primero de los cuerpos geométricos regulares mostrando la distancia desde
el orbe de Saturno al de Júpiter.
y Esfera de Júpiter.
6 Tetraedro o pirámide: tangente por fuera al orbe de Júpiter y por dentro al de
Marte y responsable de la máxima distancia entre los planetas.
E Esfera de Marte.
£ Dodecaedro, tercer cuerpo que representa la distancia entre la esfera de M ane y
el O rbe Magno que transporta a la Tierra con la Luna.
T| O rbe Magno.
0 Icosaedro, que muestra la verdadera distancia entre el O rbe Magno y la esfera de
Venus.
1 Esfera de Venus.
x Octaedro que muestra la distancia entre la esfera de Venus y la de Mercurio.
X Esfera de Mercurio.
(i Sol, o centro inmóvil del Universo.
Traducción de las leyendas de las láminas originales 257

L ám ina IV (p. 155)

El círculo externo representa el Zodíaco en el O rbe estrellado, trazado desde el


centro del mundo o del O rbe Magno o incluso desde el O rbe terrestre, porque todo
el O rbe Magno es insignificante respecto a él.
A. Sistema de Saturno, concéntrico de G centro del O rbe Magno.
B. Sistema de Júpiter.
C . D e Marte.
D . Círculo o vía del centro del globo terrestre, vía concéntrica a G con la esfe-
rilla lunar indicada a am bos lados. Las dos líneas circulares punteadas denotan el
grosor del orbe terrestre con el añadido de la Luna.
E . D os círculos delimitan el grosor del sistema de Venus dentro del cual se
completan todas las variaciones de sus movimientos.
F . Espacio entre dos circulillos dentro del que se completan todos los movi­
mientos variables de la estrella de Mercurio.
G . E l centro de todos y cerca el cuerpo del Sol.
El círculo que pasa por. O y P (del que sólo se representan dos arcos) es el
excentroepiciclo de Saturno.
L a línea curva que pasa por Q y por el perigeo del epiciclo situado en O apogea
de la excéntrica, y p or el apogeo del epiciclo situado en P perigeo de la excéntrica,
es la vía excéntrica del planeta. Ciertamente no es un círculo, aunque no se aparta
mucho de una línea circular.
H I. El grosor contenido entre estos dos círculos es el exigido por la excentrici­
dad del curso de Saturno.
La línea curva o cuasicircular que pasa por M , por el apogeo del epiciclo en O ,
por el perigeo del epiciclo en P, es excéntrica y a la cual Ptolomeo denomina ecuante.
K L . E l grosor comprendido entre los dos círculos punteados concéntricos es el
requerido por el epiciclo y el ecuante.
Entiéndase para cada uno de los demás orbes otras esferas diferentes, que aquí
omitimos para que la multitud de líneas no oscurezca más que aclare esta tarea. Por
ello en el caso de Júpiter y Marte basta con su vía excéntrica y los dos círculos
concéntricos que la encierran, y para los demás, los círculos concéntricos solos.
Espacios intermedios: R : lugar del C ubo. S: del Tetraedro. T : del Dodecaedro.
V : del Icosaedro. X : del Octaedro. Z : es el espacio entre Saturno y las fijas, semejante
al infinito.

Lám ina V (pp. 160-61)

En A se encuentra el Sol, centro del mundo.


El pequeño círculo en B es el círculo de la excentricidad del O rbe Magno de la
Tierra. En tiempo de Ptolomeo el centro del O rbe Magno se hallaba en ta alto del
círculo, o sea, en el punto más alejado del Sol, pero en los días de Copém ico se
hallaba en un punto más próximo, es decir, en aquel tiempo la excentricidad del Orbe
Máximo era casi máxima, mientras que en éste era así mínima. Puede verse aquello
en el esquema primero y esto en el segundo.
En el primer esquema A B vale 4.170 partes de las 100.000 que valiera el semidiá­
metro del O rbe Magno. D e aquí que la distancia máxima de la Tierra al Sol sería de
104.170, y la mínima de 95.830. Pero en el segundo esquema, siendo la excentricidad
casi mínima, es de 32.195.
A C es el pequeño círculo de la excentricidad de Venus. Su semidiámetro (en
unidades en que el semidiámetro del O rbe Magno valga 100.000) vale 1.040, y B C
(en el segundo esquema), excentricidad del centro del pequeño círculo respecto al
258 Traducción de las leyendas de las láminas originales

centro B del O rbe Magno, es de 3.120. Pero A C , excentricidad del mismo centró
respecto al Sol A , es de 1.262. D e aquí que la máxima distancia de Venus al Sol es
74.232 y la mínima de 69.628.
D es el pequeño círculo dé la excentricidad de Mercurio. Su semidiámetro, en las
mismas unidades anteriores, es de 2.114 V2 y su excentricidad desde el centro del
O rbe Magno, D B , es de 7.345 '/2; pero D A , su excentricidad desde el Sol, es de
10.270. Y por tanto la distancia máxima de Mercurio al Sol es de 48.807 V2, mientras
que la mínima es de 23.345 V2.
E es el centro del pequeño círculo de la excentricidad de Marte. Su semidiámetro
es de 7.602 % y B E , su excentricidad desde el centro del O rbe Magno, es de 22.807 V2.
Pero A E , su excentricidad desde el Sol, es de 20.342. Por lo mismo, la máxima
distancia de Marte al Sol es de 164.780, y la mínima es de 139.300.
F es el centro del pequeño círculo de la excentricidad de Júpiter. Su semidiámetro
es 12.000, y BF, su excentricidad desde B, es de 36.000. Pero A F desde el Sol es de
36.656. La distancia máxima de Júpiter al Sol es 549.256, y la mínima es de 499.944.
G es el centro del pequeño círculo dé la excentricidad de Saturno. Su semidiáme­
tro es de 26.075. B G es 78.225 y A G , su excentricidad desde el Sol, es de 82.290. La
distancia máxima de Saturno al Sol es de 998.740, y la mínima de 834.160.
L a línea recta H B T es el ecuador con respecto a la Tierra, mientras, que LAS es
el ecuador respecto al Sol. Al igual que la línea recta N B b es la línea de los solsticios
respecto a la Tierra y M A y lo es con respecto al Sol.

Para los tiempos de Ptolomeo de Copém ico

Saturno BG Y 23 Escorpio 27 42 Sagitario


Júpiter B FQ 11 Virgo 6 21 Libra
M ane BEO 25 30 Cáncer 27 Leo
Venus BCK 25 Tauro 15 44 Géminis
Mercurio BD V 10 Libra 28 30 Escorpio
Sol BA L 6 8 Cáncer 6 40 Cáncer

Saturno AGZ 23 40 Escorpio 28 3 Sagitario


Júpiter A FR 17 31 Virgo 11 30 Libra
Marte AEP 4 27 Leo 4 21 Virgo
En el afelio
Venus ACd 4 39 Capricornio 19 48 Acuario
Mercurio ADX 29 42 Libra 13 40 Sagitario
Tierra ABa 6 8 Sagitario 6 40 Capricornio
GLOSARIO

Acrónico: i) Situación de un cuerpo celeste en la cual se halla sobre la línea


recta que une al Sol y a la Tierra, ii) Observación de un cuerpo celeste en
el momento de su situación acrónica. En esta situación hay que imaginar
una línea recta que parte del Sol, pasa por la Tierra y llega al cuerpo «acró-
nico». Venus y Mercurio no pueden hallarse en dicha situación.
Aequatío: Voz latina que se usa como «igualación» o «ecuación» en el
sentido de «corregir algo hasta que llega a su valor más seguro». Son, por
eso, cantidades (generalmente angulares) que se suman o se restan a un valor
dado para aproximar éste lo más posible al que se toma como más (obser-
vacionalmente) fiable.
Afelio: Punto de una órbita (excéntrica) más distante del Sol. Término in­
troducido por Kepler (junto con Perihelio) en lugar de los tradicionales
«Apogeo y Perigeo».
Anomalía (segunda): Kepler la denomina también anomalía o desigualdad
sinódica; es la irregularidad en el movimiento de un planeta en relación con
sus conjunciones con el Sol. Esta irregularidad, obviamente, es debida al
hecho de que el observador es trasladado de lugar por el movimiento de la
Tierra, lo que le hace ver «adelantadas» o «retrasadas» las mencionadas
conjunciones respecto al período total de revolución del planeta.
Anomalía (primera o zodiacal): Es la variación o irregularidad que afecta
a la longitud de los planetas (vistos contra el fondo zodiacal celeste) tras la
corrección debida a la segunda anomalía.
Anomalía media: Si un cuerpo celeste se moviese con movimiento uniforme
en cada momento de su período debería hallarse situado en un punto de su
órbita. Si medimos la distancia angular desde ese punto hipotético al afelio
del cuerpo tenemos la anomalía media del movimiento de ese cuerpo. Como
el tiempo total del período de revolución puede superponerse sobre los 360°
del circuito, la anomalía puede expresarse en grados, minutos y segundos.
Anomalía (verdadera): Es la distancia angular real existente entre un cuerpo
celeste y su afelio (o su apogeo) medida desde el cuerpo central (recuérdese
que Kepler la denomina también «coaequata»). No debe confundirse con la
A. excéntrica, medida desde el centro de la órbita ni con la A. media, medida
desde el centro del ecuante.
Anomalía: i) Irregularidad en el movimiento periódico de un cuerpo celeste
(como aceleración o desaceleración). También se dice «desigualdad». Se dis­
tinguen dos anomalías periódicas: Primera anomalía y Segunda anomalía,
ii) Posición de ün cuerpo celeste en su órbita, posición que en tiempos de
Kepler se representaba por el ángulo (o arco) entre la posición del cuerpo
y su afelio o apogeo. Según dónde se supusiere ubicado el vértice de dicho
ángulo tendríamos: anomalía media; anomalía excéntrica; anomalía verda­
dera (Kepler denomina a ésta, «anomalía coaequata»); anomalía del epiciclo.
Apogeo: Punto de máxima distancia de la órbita de un cuerpo celeste res­
pecto a la Tierra. Puede usarse (y Kepler lo hizo) para designar esa distancia
respecto al Sol Medio, pues por hipótesis es en ese caso la máxima distancia
respecto a la distancia media de la Tierra. N

Ápsides: Dícese de los puntos de Afelio y Perihelio (o, en su caso, de


Apogeo y Perigeo).

Coaequata: Así denomina Kepler a la anomalía en la posición de un planeta


visto desde el cuerpo central y contada desde el afelio de dicho planeta.
Coincide con la «verdadera».
Concéntrica: Esfera, orbe, línea circular,, en que coinciden el centro y el
:uerpo central. Es lo contrario de «Excéntrica».
Conjunción: Momento en que dos o más planetas están pasando a la vez
por la misma longitud. Se pueden distinguir varias situaciones de «Conjun-
:ión»: i) respecto a la Tierra; ii) respecto al eje Tierra-Sol; iii) respecto al
eje Tierra-Luna, etc. El resultado es siempre que los cuerpos en conjunción
aparecen situados (por su orden) sobre una línea recta que une los centros
de dichos cuerpos. Cuando la conjunción del eje Tierra-Luna se prolonga
hacia el Sol, tenemos «Luna Nueva»; y cuando, en esta situación, dicha línea
se halla a la vez en el plano de la órbita terrestre y en el plano de la órbita
lunar, i.e. cuando coincide con el cruce de los planos orbitales, tenemos
eclipse (de Sol o de Luna, según la posición relativa). La «Oposición» es
una de las situaciones resultantes de esta coincidencia en el plano de longi­
tud. Cuando se considera el eje Tierra-Sol y es cruzado por Venus o por
Mercurio se dice que «pasan» por el Sol. (Kepler creyó observar uno de
estos «pasos» en su primera excursión telescópica hacia el Sol.) La astrología'
concedió gran importancia «causal» a estas conjunciones, en especial, cuan­
do intervenían (junto con la Tierra) Marte, Júpiter y Saturno.

Día; Se dice del tiempo invertido por un cuerpo celeste en dar una vuelta
completa sobre su eje (rotación). Cada cuerpo celeste tiene su «día» propio,
aunque sólo resulten aquí relevantes el de la Tierra y el de la Luna;
Distancia: Este término es muy utilizado tanto en sentido «lineal» como
en sentido «angular». En el primer sentido se consideran «distancias me­
dias», «distancias máximas» y «distancias mínimas». La consideración de
esta variable como ligada al movimiento llevó a Kepler a formular su 2.* Ley.
Distancias medias: Es la semisuma de los ejes mayor y menor de la elipse
que representa a una órbita planetaria. Físicamente coincide con las «cua­
draturas» o pasos del cuerpo celeste por los puntos medios entre afelio y
perihelio, distancia al cuerpo central asimilable a la anterior.

Eclíptica: En la concepción ptolemaica o geocéntrica era el plano de la


órbita del Sol; por contra, en la teoría heliocéntrica es el plano de la órbita
terrestre. Kepler llama a ésta «vera» eclíptica, distinguiéndola así de la «me­
dia» que corresponde al plano del ecuador solar.
Ecuación (física del centro): Utiliza Kepler esta expresión para designar a
la parte componente de la ecuación del centro procedente del hecho real de
que la velocidad del movimiento de un planeta es una velocidad variable (no
constante o movimiento uniforme como se creía en teoría ptolemaica).
Ecuación óptica del Centro: Este término en Kepler se utiliza para referirse
a una componente de la ecuación del centro. Dicha componente surge del
hecho de que la distancia de un planeta al centro (excéntrico) de su órbita
varía, como si el movimiento angular aparente fuese más lento a mayor
distancia del planeta y más rápido a menor distancia de dicho centro.
Ecuación del Centro: Corrección del movimiento de una excéntrica (menos
en una concéntrica) que consiste en la diferencia entre la anomalía media y
la anomalía verdadera.
Ecuante: Es un círculo imaginario desde cuyo centro el movimiento de un
cuerpo celeste parecería uniforme. También el centro de ese círculo. Sólo sé
utiliza en el caso de que resulte distinto de la órbita excéntrica de un planeta,
[nicialmente permitía calcular la excentricidad aproximada de una órbita.

Elemento: Cada uno de los parámetros necesarios para definir completa­


mente la órbita de un planeta como: a) excentricidad dé la elipse; b) lon­
gitud del eje mayor; c) ángulo de inclinación del plano de la órbita respecto
d plano de la eclíptica; d) período del planeta.
Epiciclo: Pequeño orbe o esfera que gira sobre su centro mientras es trans­
portado por el circuito de otro círculo o esfera mayor. Da origen a una
momalía (del epiciclo) que se mide por la distancia angular entré un punto
iel epiciclo y su afelio o apogeo. También afelio o apogeo de un epiciclo
>e denomina al punto más próximo del mismo en su circuito con respecto
il centro del círculo por el que se va desplazando. Si se hace la transforma­
ron geométrica de una excéntrica simple a un epiciclo simple (o viceversa)
:omporta la transformación de la anomalía excéntrica en anomalía del epi-
:iclo y viceversa.
Excéntrica: Círculo, orbe o esfera cuyo centro no coincide con el cuerpo
:entral. Da lugar a una anomalía en el movimiento observado, aunque éste
iiere uniforme. Dicha anomalía se considera en razón de la distancia entre
:1cuerpo y su afelio o su apogeo vistos ambos desde el centro de la excéntrica.
ixcentricidad: Distancia lineal entre el centro, geométrico de una excéntrica
r el cuerpo central. Si se considera la mitad se llama «excentricidad biséca­
la» o «semi-excentricidad».

Geocentrismo: Teorías que suponen a la Tierra como centro del mundo, o


leí sistema de nuestro entorno. La teoría de la Luna es geocéntrica. Ans­
ióteles o Ptolomeo adoptaron el geocentrismo para el sistema solar y Tycho
Jrahe adoptó un sistema doble, parte geocéntrico, parte heliocéntrico.

rieliocentrismo: Sistema (de Aristarco, Copémico, Kepler y hasta nuestros


lías) en que el Sol ocupa el lugar central (o un foco de las órbitas elípticas)
le las trayectorias de los planetas.
Hipótesis: Además del uso común de este término, en Kepler y otros au­
tores de su época se denominan «Hipótesis» a los modelos con los que se
representabañ los movimientos aparentes del cielo. La Ptolemaica resultaba
compleja por el gran número de círculos que exigía para representar el curso
aparente de cualquier astro, bajo la condición siempre supuesta de que su
movimiento era constante y uniforme. La Hipótesis Copemicana simplifica
algo dicha representación. Ésta, además, es presentada por Kepler como
«descripción» de lo que realmente ocurre y pasa por ello de un estatus
meramente matemático-representacional a otro físico.

In consecuentia: Es la dirección del giro de la Tierra y de los planetas: de


Oeste a Este.
In antecedentia: Así expresa Kepler el movimiento real o aparente de un
cuerpo celeste cuando la dirección del mismo es o parece contraria a la del
giro diario de los cielos. Si la Tierra gira de Oeste a Este, la dirección
mencionada sería de Este a Oeste.

Latitud: Distancia angular entre un cuerpo celeste y el plano de la eclíptica,


siempre pequeñas para la Luna y los planetas.
Leyes: Denominación moderna de los enunciados básicos de Kepler que
resumían sus descubrimientos. Son tres: 1.* o de las Órbitas (elípticas); 2.*
o de las Areas; 3.‘ o de los Períodos.
Libración: Un movimiento de balanceo que registran los planetas (y la
Luna) por el que se desvían y recuperan la perpendicularidad de su eje de
giro, particularmente cuando cambian de dirección en sus pasos por afelios
y perihelios.
Límites: Puntos de latitud máxima Norte o Sur.
Línea-Apsidial: Línea que une los ápsides y que coincide con el eje mayor
de la órbita excéntrica (o de la elipse).
Longitud: Es la distancia angular de un cuerpo celeste en el plano de la
eclíptica desde un punto de referencia fija. Kepler, como Copémico, utiliza
una estrella inmediata al equinocio de primavera, o el equinocio mismo.
Lúnula: Área comprendida entre un círculo y una curva oval interior al
mismo, de forma parecida al pequeño arco inicial -de la Luna creciente.

Nodos: Puntos de la ech'ptica (dos) en la Tierra cortados por la órbita de


otro planeta. Ascendente si el planeta circula del perigeo al apogeo y Des­
cendente si circula del apogeo al perigeo.
Nova: Kepler (y Tycho entre otros) utilizó este término para describir una
aparente «nueva estrella» (la de 1604, p.e.). Hoy este término no se usa con
el mismo sentido y se reserva para nombrar momentos de luminosidad má­
ximos de estrellas que parecen oscilar grandemente en sus estados de lumi­
nosidad. Los fenómenos equiparables al de la «Nova» de Kepler, se suelen
denominar hoy SUPERNOVAS, que suelen describirse como explosiones
catastróficas seguidas de colapso, liberando ingentes cantidades de luz y
energía. La más reciente cercana a nosotros es la 1987A.

Ocultación: Situación en la cual un astro pasa por delante de otro y lo


oculta total o parcialmente.
Oposición: Se dice de la situación en que un cuerpo celeste pasa por la
prolongación del eje Sol-Tierra, de modo que la Tierra queda en la línea
entre ambos. Si la oposición es verdadera, lo es respecto al Sol mismo; si
es oposición media, lo es respecto al Sol medio.
Orbe: Término usado en varios sentidos: i) el camino recorrido por un
cuerpo celeste en torno a otro; ii) el cuerpo mismo considerado como un
todo esférico; iii) todo el espacio (esférico) encerrado dentro del círculo
descrito en i) como si se tratase de una esfera transparente; iv) la sola su­
perficie de la esfera mencionada en iii). En Kepler los sentidos propios de
«Orbe» son i) y ii) cuando expone sus opiniones. El valor de i) es equipa­
rable a nuestro término «órbita», sobre todo tras su estudio de la órbita de
Marte.

Perigeo: Punto de mínima distancia a la Tierra de una órbita. Se usaba en


;1 contexto ptolemaico; se mantiene en teoría lunar y contextos análogos.
Perihelio: Punto de mínima distancia de una órbita respecto al Sol.
Primera anomalía: Es la irregularidad del movimiento de un planeta inde­
pendiente de sus oposiciones y conjunciones. Es debida a las variaciones del
planeta en su propia órbita y se detectan al observarlo sobre el fondo del
Zodiaco. Por eso se llama también «anomalía zodiacal».

Racional: Se dice de un número que puede ser expresado como una razón
entre dos enteros. Así 7,7 es un racional que puede escribirse; 77/10. Pero
V2 no puede escribirse de esa forma. En geometría se expresa esto me­
diante el término «inconmensurable», que significa que no existe ninguna
anidad de medida (por pequeña que sea) capaz de ser aplicada un número
;xacto de veces sobre otra magnitud (longitud, área o volumen) dada. Tal
:s el caso de Jt(aplicación del diámetro sobre la longitud de su circunferen-
:ia) o de la «diagonal» (aplicación del lado del cuadrado sobre la diagonal
del mismo), etc. En la antigüedad dieron origen a los «insolubilia» (proble­
mas insolubles), a los cuales los grandes matemáticos dedicaron grandes
esfuerzos hasta conseguir nuevas estrategias para resolverlos.
Retraso: La hipótesis del movimiento uniforme de los cuerpos celestes no
se compadecía con las observaciones que mostraban que algunos cuerpos
tardaban más en recorrer unos grados de su círculo que otros. Kepler ob­
servó que estos «retrasos» aumentan o disminuyen (hasta cambiar de signo).
Retrógrado: Se dice del movimiento de un cuerpo celeste (o del cuerpo
mismo) cuando su curso aparente retrocede respecto a la dirección principal.
Esta aparente retrogresión afecta a los planetas, pero no a las estrellas fijas,
y se debe al hecho de que el observador es transportado por la Tierra y con
ello su línea visual cambia de dirección al cambiar él de posición en el espacio.

Sinódico: Podríamos traducir este objetivo por «coincidente», pues se re­


fiere a las relaciones entre cuerpos celestes en los momentos de conjunción
u oposición. El tiempo que media entre dos conjunciones sucesivas de la
Luna y el Sol se denomina «mes sinódico». Si se aplica a la desigualdad
aparente del movimiento de los planetas, vistos desde la Tierra en movi­
miento en tomo al Sol, dicha desigualdad se hace nula en los momentos de
conjunción y oposición con el Sol.
Sol-Medio: Primero se entendió de la posición en la eclíptica de un cuerpo
como el solar suponiendo que éste circulase con movimiento uniforme. Des­
pués, esta hipótesis (ptolemaica) se transforma en la copemicana de «centro
imaginario de la órbita circular de la Tierra (que se mueve con movimiento
uniforme) y por ello centro del ecuante de su movimiento». Finalmente,
Kepler distinguió entre centro de la órbita de la Tierra y centro de su ecuante.
Sycigias: Puntos de la órbita lunar que, vistos desde la Tierra, se hallan en
conjunción u oposición con el Sol. Su definición entraña que en ellos, y
sólo en ellos, se puedan producir eclipses de Sol o de Luna, respectivamente.

Teórica: Así se denominaban las representaciones corregidas de los cursos


y posiciones en el firmamento de cada astro. Son famosas las de Peurbach,
aunque su grado de exactitud, como Kepler subraya, deja mucho que desear
por razones tanto matemáticas como observacionales.
lepresentaciones geométricas de las que se hace mención

PTOLOMEO: introdujo el círculo «excéntrico» para representar el movi-


niento aparente del Sol en torno a ia Tierra. Para los demás planetas intro-
lujo el «ecuante».

i) El Excéntrico:
XY = Línea de ápsides de la órbita del planeta.
O = Centro orbe terrestre.
OD = Excentricidad del centro de movimiento
uniforme.
En éstas condiciones AMP sería el camino del pla­
neta (aquí, el Sol) que giraría con movimiento uni­
forme en torno a D, distante de O sobre la línea
de ápsides una cantidad que se representa por 2e.
NST punteada sería (aquí) la órbita terrestre.

S
X

El Excéntrico (referido al Sol como caso más simple) suponiendo a la


Tierra inmóvil en O.
ii) El Ecuante:
XY = Línea de ápsides de la órbita de un planeta.
0 = Centro de la órbita terrestre.
D = Centro del excéntrico como en la Fig. 1.
AMP = Excéntrico (línea de puntos).
OE = V2 OD = e.
E = Centro de la deferente HJK.
OE = ED = e‘; y OD = 2e.
D = Centro de movimiento angular uniforme.
E = Centro de distancias iguales.
En estas condiciones los planetas superiores siem­
pre se moverían en una trayectoria cuyo centro de
epiciclo circularía por la deferente. (Véase Copér­
nico, Libro V, caps. II y ss.)
Y

2. El Ecuante ptolemaico.

COPÉRNICO: Consideró inadecuada la representación ptolemaica por no


representar suficientemente la irregularidad del movimiento aparente solar
(Libro II, caps. XV y ss.). Propuso dos representaciones equivalentes para
los planetas superiores y una especial para Mercurio.
Excentroepiciclo o Epiciclo sobre excéntrico:
XY = Línea de ápsides de la órbita del planeta.
O = Centro de la órbita terrestre.
E = Un punto sobre la línea de ápsides tal que
OE = 8 = 3/4 de la excentricidad E de la Fig. 1.
EH = R, radio de ¡a deferente.
A = Apogeo del planeta.
HA = r, radio del epiciclo, r = V} e.
P = Perigeo del planeta.
En estas condiciones las distancias desde O serán:
OA = OE + R - r = R + 2/3 e d (R - lAE).
HMK = Deferente por la cual circula con movi­
miento uniforme el centro del epiciclo con res­
pecto a R, que sería su eje de giro.
ASP = Trayectoria del planeta (línea de puntos).

x
3. Representación del excentroepiciclo copcrnicano.
ii) Excentroexcéntrico o excéntrico sobre excéntrico:
XY = Línea de ápsides del planeta.
O = Centro de la órbita terrestre.
OE = £ d % E, donde E es la excentricidad de la
órbita del planeta.
EF = r, radio del excéntrico menor = '/3 e, ex­
céntrico por el que rota el centro F del excéntrico
mayor.
F = Centro del excéntrico mayor.
FA = R, radio del excéntrico mayor.
En estas condiciones tenemos que cuando el pla­
neta se halla en el apogeo A, el centro del excén­
trico mayor se halla en F con lo cual la distancia
OA = FA + OF; pero OF = OE - EF = 3/4E
- !/4E = >/2E. Luego OA = F A + '/2E =
R + 3/4 E.
Y cuando el planeta se halla en el perigeo P, en­
tonces de nuevo el centro se halla en F, con lo
cualla distancia OP = FP —OF = R —% e.
Cuando el planeta se halla en distancias medias
M el centro se halla en G.

4. El excentroexcentrico copemicana.
270 Representaciones geométricas de las que se hace mención

Como el giro del centro F por el pequeño excén­


trico FG «consume» V3 £ d '4E, resulta que los
espacios mínimos y máximos de los orbes de cir­
culación resultan reducidos en esta proporción.

iii) Mercurio en De Revolutionibus, V, caps. 25 y 27.


0 = Centro de la órbita terrestre NMS.
E = Centro sobre NS del pequeño excéntrico.
NS = Línea de ápsides de la Tierra.
G = Centro del excéntrico mayor IK.
1 = Centro del epiciclo HL.
Si G circula por el pequeño excéntrico FG dos
veces al año mientras I completa por el excéntrico
mayor su revolución completa cada 88 días y al
hacerlo conserva al centro de Giro G, entonces

La doble excentricidad de Mercurio en la representación de Copémico.


Mercurio pasa d e L a K y d e K a L dos veces al
año de modo que cuando la Tierra está en N o
en S el centro del excéntrico mayor está en G y
Mercurio en H; pero si la Tierra está a 90° de N
o de S el centro G se halla en F y Mercurio en L.
El diámetro HL representa la irregularidad de que
hablan Kepler y Copémico como «deslizamien­
to» o «expansión y contracción» del diámetro del
epiciclo.
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[DICE DE TÉRMINOS

■riori, 29, 60, 78, 96, 183, 217, 102, 163, 184, 189, 190, 200, 207,
27, 230 209, 212, 224, 227
lio, 138, 183, 211, 258, 260, 261,
53 Campano, 148, 150, 236
in, 30, 34-35, 39 Carlos, V., 58, 62, 222, 223
inso, 75 Caspar, M., 14 n., 19 n., 21
ia, 36, 37, 53, 193, 194, 196, 217 Cassini, 245
xágoras, 168 Coluro, 84
mo, Ph., 15 Cometas,x87, 88, 210
:io, 57, 223 Conjunciones, 132, 259
geo, 81,84,88,89,154,159,163, Crusius, M., 15
'5, 188, 189, 211, 247, 252-53, Cuerpo, 21, 35, 36, 49, 56, 57, 62,
i7, 258, 259, 260, 263, 264, 267, 84, 89, 95, 96, 98-99, 109, 111,
.9 114-15, 124, 129, 130, 143, 148,
:ctos, 15, 23, 31, 32, 76, 78, 88, 158, 159, 164, 166, 168, 169, 170,
I, 131, 134-36, 144, 145-46, 180, 193, 196, 200, 207, 228-29,
9-90, 229, 235 249, 257, 259-65, 266
onomía Nova, 31, 36 y n. Cusano, 92, 93, 229
T o e s , 168

nía, 18, 72, 169, 174, 190 Dios, 18, 32-33, 37, 47, 50-53, 55,
56, 58, 61, 66, 68, 70, 73, 85, 92,
a, 15, 16, 18, 32 y n. 93, 94, 95, 96, 1Ó0, 102, 106, 107,
e, T., 21, 25, 28 y n., 29, 47, 48, 123, 125-27, 129, 131, 139, 147,
, 51, 60-61, 77, 86, 87, 90, 91, 156, 164, 165, 166, 168, 172-74,
182, 194, 200, 201, 203, 207, 213, Hafenreffer, 27
215, 217, 219, 229, 230, 250 Harmonices Mundi, 184
Distancias medias, 34 y n., 183 Hiparco, 88, 90, 181
Duncan, 30, 38, 39 Horacio, 225, 245
Hunnio, A., 16
Eclipses, 17, 181, 186, 187, 265
Ecuador, 183, 258, 263 Inconmensurables, 142
Ecuante, 183, 208, 210-12, 252-53, Inercia, 169
260, 262, 265-68 Infinito, 67, 123, 126, 127, 129, 201,
Epiciclo, 79-81, 85, 89,173,183,208, 215,225, 257
214, 260, 262, 267-70
Error, 34, 35, 52, 72, 76, 101, 159, Júpiter, 83
175, 176, 177, 178, 179, 185, 186,
196, 203, 212, 238 Kempfer, E., 57-58
Errores, 23, 26,31 y n., 33 n., 34,48, Kennedy, J., 254
163,176,177,178,182-84,185-86, Kepler, 13, 14 y n., 15-16, 16 n.,
187 17 y n., 18, 19, 20-28, 27 ns„
Esfera, 33, 78, 62, 78, 84, 85, 90, 93, 28 n., 29 y n., 30-31 y ns., 32-34,
94, 97-101, 102-03, 129, 137, 148, 35 y n., 36 y n., 37 y n., 37-40,
150, 152, 154, 157, 164, 165, 42-43,44-45,51,59,202,221,222,
167-68,171-72,173,188,191,192, 223-24, 225-29, 230-31, 232,
229, 235, 237-38, 260, 262, 264 233-36, 237-38, 239-42, 243-44,
Estiria, 16, 20, 42-3, 44-45, 47, 245-46, 247-50, 252, 253, 259-64,
49-50, 51, 55, 59-61, 222, 223 265
Euclides, 15, 23, 31, 32, 95, 96, 136,
147, 148, 149, 150, 236 Ley, 13, 14, 17, 27 y n., 34-36, 38,
Evans, 222, 223 77, 91, 197, 211, 219, 249, 261
Excentricidad, 27, 78 Limnaeus, G., 28
Expertos, 49, 87, 210, 222 Línea de, 266-70
Luna, 14, 27, 33, 56, 79, 81, 83, 88,
89, 107, 116, 138, 156, 157, 163,
Femando I, 51, 55, 59, 60-61, 222, 164, 165, 166, 167, 168, 186-87,
223, 224 192, 205, 213, 214, 215-17, 219,
Field, J. V., 34 y n. 238, 239, 240, 243, 244, 253, 261,
Fijas, estrellas, 84, 216, 221 263-65
Fludd, 45, 222 Lutero, 16
Frisch, Ch., 38, 39 Luz, 36, 47, 49, 119, 136-37, 165,
Fuerza, 19, 34, 36, 39, 67, 68, 88, 168, 170, 189, 193, 194, 196, 200,
119, 135, 141,. 146, 165, 169, 170, 211, 219, 244, 247, 248, 264
178, 179, 190, 193, 194, 197, 198,
202, 209, 210, 225, 248, 249 Maestlin, M., 15, 18-21, 21 n., 22,
26 y n., 27, 28 y n., 29, 30 y n.,
Galileo, 21, 29y n„ 60, 72, 168 31 n„ 32, 59, 60, 65, 66, 71, 78,
Gingerich, 27, 228, 246, 250 87, 159, 165, 173, 179-80, 182,
Graz, 16 y n., 17, 20, 37, 59, 60, 61, 186, 188, 207, 208, 216, 224, 225,
66, 222 227, 228, 240-43, 246, 247, 250,
Grosores, 27, 32 252
Gruppenbacli, 20, 221-22 Marte, 31-33, 36, 37-38, 48, 52, 62,
,7, 69, 70, 72, 79-81, 83, 85-86, 81, 94, 96, 97, 102, 104, 108, 126,
17-91, 97, 104, 107, 110-11, 112, 129, 132, 148, 149, 150, 151,
16, 117, 118, 119, 154, 156, 163, 153-56,157,162,164-66,177,178,
68, 169, 174, 175, 178, 179, 183, 182-84, 186, 191, 192, 193, 194,
85, 192, 193, 195, 196-201, 203, 196, 199-201,203-04,208-12,215,
104, 205, 206, 207, 211-12, 214, 216, 219, 227, 228, 229, 240, 245,
!17, 228, 231, 237, 238, 240-43, 257, 271
:45, 246, 247, 249, 250, 251, 252,
:57, 258,' 261, 264 Paralipomena, 244
nelao, 181 Perigeo, 153,154,159,163,174,211,
rcurio, 27 y n., 33, 63, 67, 68, 70, 252, 257, 259, 263, 264, 268, 269
7-79, 83, 97, 116, 117-18, 156, Perihelio, 259
57, 162, 163, 165, 168, 171, 172, Período, 36, 38, 259, 260, 262
73, 174, 175, 182, 183, 185-88, Peurbach, 173, 181, 265
89, 190, .192, 193, 194, 195, 203, Planetas, 18, 19, 21, 22, 23, 26,
04, 205, 206, 208, 210-12, 214, 27 y n., 33-37, 48, 61, 62, 68-71,
16,231,240-43,244,246,247-51, 72, 77, 78-80, 81-85, 86, 88-89,90,
57, 258, 259, 261, 268, 270, 271 91, 95, 96, 102, 106-07, 108, 116,
tor, 35, 168, 169, 200, 209 117, 118, 123, 125, 128, 129, 132,
vimiento, 129, 187, 188, 199-200, 135, 138, 142-43, 144, 158, 159,
10, 216 160, 161, 162, 163, 164, 166-70,
ndo, 17 y n., 18, 21, 23, 26, 171, 175, 176, 177, 179, 180,
2-34, 35,42-43,48,50, 52, 55-57, 182-87, 189, 190,192, 193, 196,
2, 65, 67, 68, 71, 72, 73, 77, 79, 197, 199-201, 205, 206, 208, 209,
4, 93, 94-96, 101, 105, 106, 108, 211, 214-17, 225,231, 237, 238,
12-15,119,126-27,129,130,143, 239-43, 244, 245,247, 248, 249,
54, 157, 162, 165, 168, 169, 177, 250, 251, 252, 259, 261, 263, 264,
78, 179, 180, 182, 183, 191, 194, 265-69
00, 202, 210, 212, 213, 214, 215, Platón, 223, 226, 229, 230, 253
17, 219, 223, 224, 225, 230, 231, Plinio, 215
37, 238, 253, 254, 257, 258, 265 Plutarco, 168
sica, 136, 235 Poliedros regulares, 26
■terium, 16, 28-30, 37 Porfirio, 136, 147
Proclo, 212
ratio, 21, 26 y n., 42, 43, 57, 58, Ptolomeo, 15, 21, 27, 59, 66, 75, 76,
6, 67, 76, 90, 186, 189, 194 77, 79-81, 84, 88-91,107,109,116,
vton, 39 119, 135, 136, 144, 147, 153, 157,
lo Ascendente, 214 159, 163, 173, 179-80, 183, 186,
io Descendente, 214 188, 189, 192, 199-200, 209-11,
los, 154, 237, 264 222, 226, 231, 235, 237, 241, 247,
rem esfera, 84 257
ie circunscrito 33, 97, 148, 149, Regiomontano, 136
50, 151, 156, 166 Regula falsi, 198
ie inscrito, 97, 156 Reinhold, 25, 27
ie Magno, 21, 22, 26, 227, 240 Rhetico, G. J., 15, 21, 26, 30 y n.,
íes, 19, 21, 25, 26, 33, 34, 36, 42, 42, 43, 44, 45, 66, 67, 76, 78, 90,
3, 44, 45, 52, 62, 66, 69-71, 80, 96, 97, 180, 182, 186, 188, 189,
194, 221, 224, 226, 227, 244, 247 Tablas, 23
Rodolfo, Emperador, 44, 45, 49-51, Tampach, 30, 44, 45
61-62 Tercera ley, 34 n., 38
Rosen, 20, 221, 226, 228, 230, 247 Tierra, 78, 87, 88, 89, 90, 104, 107,
116, 153, 154, 159, 164, 165, 166,
Saturno, 19, 22, 26, 33, 62, 67, 68, 183, 187, 197, 198, 227, 238, 243,
79-80, 84, 97, 104, 107, 108, 116, 265, 271
117-19, 138, 139, 159, 163, 174, Timeo, 32, 23, 232
175, 180, 183, 185, 192, 204, 211, Trinidad, 131, 137
213-16,225,231,239-43,247,250, Tubinga, 31 n., 57, 58, 65, 221, 224
251, 257, 258, 261 Turriano, 58
Seck, 222 Tycho, 21, 25, 28 y n., 29, 37 y n.,
Segonds, A., 39 47, 48, 60, 77, 90, 91, 102, 189,
Simón, 17 200, 209, 224, 227, 229, 263
Sol, 18, 19, 21-23, 26,27 y n., 33-37,
38, 42, 43, 55, 56, 60, 62, 65-69, Uniforme, 35, 139, 168, 209, 235,
72, 76, 77, 79-81, 83, 85, 86-89, 252, 260, 2662-63, 264-68
90, 91, 94, 96, 97, 106, 107, 114, Ursus, 21, 28 y n., 60, 224
116, 133, 136, 137, 138, 140, 157,
159, 165, 166, 167, 168, 169, Velocidad, 36 y n.
171-74,175,179-81,183,184,186, Venus, 116, 163, 193, 195, 205, 214,
187, 189, 192, 193, 194, 195, 196, 239-43, 247-48, 257, 258
197, 199,200,208-12,213-14,215, Virgilio, 66
216, 221, 228, 229, 231, 234, 238,
240-43, 244, 245, 246, 247, 248, Wackher, 243
250, 257-58, 259-62, 264-67, 257, Walker, 234
258 Walther, 245, 246
Solar, 22,38,124, 130, 158,165,168, Wallace, 253
170, 177, 200, 201, 211, 243, 261, Weil-der-Stadt, 14
264, 265, 267 Westman, 28 y n.
Solís, C., 27 y n.
Stadius, G., 16, 66, 224 Yuste, 58, 223
Sutter, 16 n.