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APRENDAMOS ENSINANDO-NOS

[UM RETRATO DE PAULO FREIRE, ANDARILHO


DA UTOPIA ]

APRENDAMOS ENSINANDO-NOS!

UM RETRATO DE PAULO FREIRE (1921 – 1997),


O ANDARILHO DA UTOPIA

por Eduardo Carli de Moraes


Paulo Freire nasceu no Recife, no bairro da Casa Amarela, em 1921.
Sobre sua meninice, rememora uma cena marcante de seu cotidiano:
“fui um menino da geração dos lampiões e uma das coisas que eu mais
gostava na minha vida era ver o homem lampião, como a gente
chamava, com aquela vara no ombro, e que marchava com uma
dignidade fantástica, com a sua chama na pontinha da vara, dando luz
à rua…” 1

Esta lembrança de infância, evocada por Paulo Freire em entrevista


concedida ao Pasquim em 1978, parece-me emblemática para
descrever este brasileiro que, como poucos, soube andarilhar pelo
mundo “dando luz à rua” e compartilhando-se com os outros feito um
pequeno sol. Sem poupar no doar-se, na exuberância e na
generosidade de sua inteligência crítica e sua práxis transformadora,
refulgente lampião humano!

Na noite dos fascismos horrendos e nas trevas do autoritarismo


desumanizador, eu torço pra que possa seguir raiando, pro nosso bem
coletivo, a reflexão e a ação, a vida e a obra, de Paulo Freire, andarilho
da utopia, cantador dos inéditos viáveis!

“PAULO FREIRE: – Eu sou de uma geração que viu e participou,


como espectador, pelo menos, de um mundo de
modernizações. Vivíamos numa casa grande, com um quintal
enorme, cheio de árvores, de bananeiras, cajueiro, fruta-pão,
mangueiras. Eu aprendi a ler à sombra das árvores, o meu
quadro negro era o chão, meu lápis um graveto de pau.” 2

Por estas parcas palavras já percebe-se que, além de pedagogo, Paulo


Freire foi também um poeta, com um sabor similar ao de Manoel de
Barros, o grande lírico pantaneiro. Freire, além de poeta, foi um rebelde
de coração ardoroso, um pouco como Maiakóvski, Brecht, Ernesto
‘Che’ Guevara, Pablo Neruda, tendo defendido a noção de que “a
revolução é um ato de amor”.

Quem for poeta, que o entenda! Pois poesia e boniteza ele semeia
quando a abre a boca ou deixa fluir sobre o papel a pena. Ensinava
assumindo-se aprendiz, aprendia com os que ensinava, ambos co-
partícipes de um processo entre sujeitos que, conscientes de sua
inconclusão, buscam ser mais. Nossa vocação ontológica não é o de
sofrer opressão, e a liberdade agredida berra em nós em revolta contra
os grilhões de todas as opressões. Escola não deve ser espaço de
domesticação ou controle, mas espaço de curiosidade e busca, diálogo
e descoberta, interação e co-laboração…
Paulo Freire foi ainda – multi homem! – um filósofo político dos mais
perspicazes que já nasceu do solo brasileiro, autor do clássico
internacional, traduzido para dezenas de línguas, A Pedagogia do
Oprimido (editora Paz e Terra). Freire soube muito aprender com as
obras de Gilberto Freire (sobretudo Casa Grande e Senzala e Sobrados
e Mocambos), Antonio Candido, Álvaro Vieira Pinto…

Tinha sólida formação filosófica e sociológica, leitor e intérprete lúcido


e penetrante não só de Marx e Engels, mas também de autores como
Erich Fromm (Medo à Liberdade) ou Frantz Fanon (Os Condenados da
Terra), Freire escreverá uma obra que me parece uma das referências
obrigatórias das ciências humanas na América Latina. Dentre os temas
que mais intensamente interessam a Paulo Freire, parece-se, está o
problema da revolução, ou seja, a transformação radical da realidade
social. Longe de ser um idealista ingênuo, Freire alerta que

“Não podemos idealizar a revolução. Uma das nossas


tendências é não pensar nas injustiças que cometemos na
sociedade burguesa – na quantidade de pessoas que não
possuem o que comer hoje ou nas crianças que não têm escolas
para estudar – e ficar apenas olhando as distorções da
revolução. (…) Mas eu sempre digo que a revolução não pode
criar o Paraíso. A revolução é a história dentro da história. A
revolução é feita por seres humanos e não por deuses ou
anjos… A China não é o Paraíso. Não pode ser porque é história
e assim sendo sempre cometerá erros. Precisamos ver
historicamente – de um ponto de vista humano – o que está
acontecendo na China, e não esperar de lá, ou de Cuba, ou de
qualquer outro lugar, um tipo de Paraíso…” 3

Célebre por sua tentativa de síntese entre Karl Marx e Jesus Cristo,
Paulo Freire foi um “marxista cristão” – com o perdão do rótulo – com
tropismo pela Teologia da Libertação. Teve seu pensamento
influenciado por teóricos e teólogos cristãos, como Maritain e
Bernanos, e manifesta simpatia e quase devoção pela figura de Santo
Agostinho. Confessa que o livro de Agostinho, Cidade De Deus, foi por
muitas razões uma das leituras mais importantes de sua vida.

Freire não era alguém que fazia da revolução um ídolo, nem que
idealizasse o líder revolucionário como se fosse um novo messias,
destinado a guiar e dirigir as massas rumo à perfeição de um paraíso
terrestre… A revolução também precisa ser des-mistificada, seu
“sonho” insensato deve ser trespassado pela adaga crítica, até mesmo
porque a história é dinamismo perpétuo, e, logo, as revoluções do
passado nunca irão se repetir tais e quais. As revoluções do futuro
serão, em larga medida, inéditas, ou seja, ocorrências históricas sem
precedentes.
“Costumo dizer que a revolução que foi… já não é. Porque para
ser, tem que não ter sido. Tem que estar sendo. Isso implica que
a sociedade sofra uma transformação na sua infraestrutura e se
opere o esforço crítico-consciente sobre a superestrutura, a
ideologia. É esse processo que chamo de transformação
infraestrutural. No qual, de um lado é preciso fazer a
modificação das relações sociais de produção que vão constituir
uma nova prática, que, por sua vez, vai reconstituir a
consciência. De outro lado, fazer um ataque à velha ideologia
que era coerente com a antiga estrutura que foi transformada.
(…) Em história se faz o que se pode. Não o que se gostaria de
fazer. E a única possibilidade que tenho de fazer amanhã o
impossível de hoje, é fazer hoje o possível de hoje. É fazendo o
possível de hoje que faço o impossível de hoje e amanhã.” 4

Neste discurso, tão denso, onde revela-se a mente de descomunal


capacidade teórica e sólida formação marxista, Freire também revela
sua faceta poética, sua aposta na possibilidade humana de fazer advir
o inédito e acontecer o impossível.

Na História, quantos dos possíveis realizados não tinham sido outrora


tidos como impossíveis? Se alguém falasse a Pitágoras ou Sócrates
sobre a possibilidade de um dia inventarem uma bomba atômica,
capaz de assassinar milhares de pessoas em uma única explosão, eles
teriam desdenhado da ideia lunática e reputado-a como impossível de
algum dia realizar-se. No entanto, Hiroshima e Nagasaki, em seu
ineditismo horrendo, nos lembram de uma História em que ocorre o
seguinte: o impossível de outrora irrompe no presente, mostrando-se
como um inédito viável, já que acontecido.

Paulo Freire, se é leitura essencial para qualquer brasileiro que se


interesse por História, é menos um narrador de fatos idos do que um
homem que reflete sobre o tempo, um filósofo da duração, mescla de
Bloch e Bergson, Illich e Jaspers. Alguém, além disso, com uma mirada
profundamente enraizada no que ele mesmo chamará de eticidade.
Um filósofo da ética do quilate d’um Hans Jonas, dum André Comte-
Sponville. Sim: Freire, mestre de ética! Mas que pensa sempre perto e
íntimo das vivências, das experiências concretamente vivenciadas em
carne-e-osso.
O exemplo supremo desse vivenciar-na-carne é a própria vida de Paulo
Freire que exemplifica: na infância, ele passou pela experiência da fome
– e ninguém passa por isso incólume, nem mesmo a crença cristã. A
fome fez de Freire alguém que recusa o cristianismo reacionário:

“Desde muito jovem, muito inocente, eu não aceitava que ser


cristão significava ser um reacionário. Tive uma infância muito
difícil. Passei fome. Eu sei o que é estar faminto. Eu sempre digo
que estar faminto é não saber quando você poderá comer
novamente. Tive que caçar, pescar, matar pássaros com meu
estilingue.” (…) 5

“Eu tive a experiência da fome, sei o que significa ter fome. O


sujeito que faz dieta para ganhar um corpo mais bonito não
sabe o que é fome, porque esse tipo de fome existe na medida
em que a gente sabe que pode superar. Mas a outra, a que
entra sem pedir licença, essa é dura.”6

Um dos charmes maiores do livro publicado pela Azougue, na série


Encontros, sob a organização de Sergio Cohn, é revelar muitos
detalhes biográficos que desvelam a realidade concreta em que
cresceu Paulo Freire. Quando menino, além da experiência de estar
faminto e sem saber quando é que poderia papar o próximo rango,
viveu também o lúdico, a vida como brincadeira, e compartilha
saborosas memórias de suas traquinagens infantis:

“Olha, apesar da fome, minha infância foi muito feliz. Essa fome
a gente até que conseguia matar de vez em quando furtando os
quintais alheios, roubando jaca, roubando manga, roubando
banana. Eu, junto com meu irmão Temístocles, conhecia
perfeitamente a geografia dos quintais dos outros. E então,
quantas vezes a gente escondeu cachos de banana em buracos
secretos… A gente acomodava as bananas em folhas secas e
mornas que aceleravam a sua maturação… Naquela época, na
minha escola primária, eu não sabia quanto era 4 vezes 4, nem
sabia a capital da Inglaterra, mas sabia, primeiro, a geografia
desta fome, segundo, eu sabia calcular muito bem em quantos
dias eu devia voltar para pegar a banana madura no meu
esconderijo.”7
O menino Freire também está exposto à experiência estética, mesmo
em meio à geografia da fome. O estômago roncando e doendo por
dentro, mas na casa o som de um piano decorando o espaço invisível
viajado pelos sons: a família não se desfazia jamais de um piano
alemão onde a tia de Paulinho tocava Beethovens e Bachs…

Ora, parece estranho que famílias que estejam passando fome


agarrem-se assim a pianos e outros ditos “bens supérfluos”; mas Paulo
Freire garante que sua família viveu não a fome dos miseráveis, mas a
fome de uma “pequena burguesia que lutava fantasticamente para não
perder sua posição de classe. (…) A gravata no pescoço do meu pai e o
piano alemão na sala de visitas não eram apenas expressões, a primeira
da moda masculina e a segunda do gosto artístico da minha tia. Eram
expressões de classe.”8

O piano, relíquia da família, era também signo de status, oferecia ao


mundo uma aura que minorava o efeito daquela fome devastadora, e
ainda mais cruel para outros ainda mais famintos do que os Freires. Se
eles se apegavam tanto ao piano, garantia de pertença a uma certa
casta de “gente de classe”, era pois “não era possível perder a
expressão de classe, porque aí significava marchar diretamente para os
mocambos dos alagados, de onde jamais voltaríamos.” 9

O medo de descer ainda mais na escala social parece ser um elemento


muito presente na família em que Paulinho cresceu; “pequena
burguesia” caída na pobreza, a família não tem condições de oferecer
educação de ponta à filharada. Com 15 anos de idade, “já na
adolescência”, lembra Paulo Freire, “é que foi possível entrar no
ginásio. Quando os meus camaradas de geração cujas famílias tinham
condições, estavam começando a faculdade, eu estava começando o
1º ano de ginásio, escrevendo rato com dois erres.”10

Aquele que demorou para vencer o analfabetismo e com 15 anos


ainda escrevia “rato com dois Rs”, acabou por entrar para a história
como figura-chave na renovação e ampliação dos métodos de
alfabetização, mundo afora. Paulo Freire compreendeu como poucos
os analfabetos, talvez por ter sido, também, um deles, por ter
vivenciado esta condição que, vendo superada, ele quis ajudar outros a
superarem. Paulo Freire: o bodhisatva do alfabeto!
Apesar da sagacidade e lucidez de seu senso crítico, Paulo Freire não
caía na condição de crítico crico, de quem só critica. Freire pratica em
seus escritos a criatividade e a curiosidade que sua pedagogia
recomenda como nortes das relações educativas. Sua crítica é criativa e
construtiva, curiosa mais do que categórica, beirando mais o poético
do que o pregatório. Em inúmeras entrevistas que concedeu, Paulo
Freire expandia-se sobre o tema da fome em sua infância,
compartilhando memórias daqueles Hard Times Charles Dickensianos
que vivenciou no Recife de seus primeiros anos:

“Não estou procurando, de maneira nenhuma, arranjar um título


para mim, um título de quem quando criança sofreu. Eu não
estou querendo com isso dar nenhum cartão de visita de
menino faminto ontem e grande revolucionário hoje. (…)
Também não gostaria de dar a impressão de que vivi uma
infância demasiado dramática. Sobretudo quando a gente
conhece esse Nordeste, quando a gente vê uma quantidade
crescente de crianças que não comeram, não comem e não
sabem quando vão comer. A dureza da minha infância, perto
dessas crianças, é um fim de semana em Tambaú… Fiz a escola
primária exatamente no período mais duro da fome. Não uma
fome intensa, mas de uma fome suficiente para atrapalhar o
aprendizado…” 11

Os flagelos da fome e do analfabetismo tornaram-se irrecusáveis para


Paulo Freire, gestando nele uma consciência extraordinariamente
“sensível ao social”. Durante o governo João Goulart (Jango) (1961-
1964), Paulo Freire ganhava proeminência e poder ao ser convidado a
compor o Ministério a convite de Paulo de Tarso. Freire rememora que

“o governo do presidente Goulart aceitou que aprender a ler e


escrever é um processo de criação, além de ser um ato político.
E é um processo de criação em que cabe ao alfabetizando ser o
sujeito, ser o agente também dessa criação… E não um
elemento passivo que se senta de noite, coitado, exausto,
depois de um dia de trabalho duro ou de um dia sem trabalho,
e ouve uma professora usar a seguinte frase: “Eva viu a uva”.
Isso não tem nada a ver… no Brasil tem muito poucas Evas e uva
não é todo mundo que pode comprar. Do nosso ponto de vista,
o alfabetizando já chega à escola, ou centro de cultura, com
uma vasta experiência de leitura do mundo, porque,
evidentemente, nós lemos o mundo antes de ler a palavra. A
leitura da palavra, portanto, vem depois da leitura do mundo.

A alfabetização não é um ba-be-bi-bo-bu cansativo, enjoativo,


enfadonho, mas um esforço através do qual o alfabetizando
toma nas suas mãos a sua própria palavra, diz a sua própria
palavra, escreve a sua própria palavra. (…) E como a linguagem e
o pensamento estão muito referidos sempre ao mundo
concreto, objetivo, à realidade da favela, à realidade da periferia,
do bairro onde eu moro, então a linguagem da gente está aí
também, está comprometido aí. Por isso mesmo a alfabetização
do adulto não pode ser feita com as palavras do alfabetizador,
mas sim com as palavras do alfabetizando. O primeiro passo era
exatamente investigar o que eu chamava de universo
vocabular…” 12

A alfabetização é utopia praticada ao invés de utopia apenas sonhada


e esperada. Arregaça-se as mãos para fazer em carne-e-osso a utopia.
“Eu me identifico como utópico”, diz Paulo Freire, “mas num sentido
diferente do que, geralmente, é definido. Para mim, utópico não é o
que é impossível. A postura utópica é a postura que vive, entende, e se
experimenta na tensão entre a denúncia e o anúncio.” Em outras
13

palavras: não há revolução sem sonho, o revolucionário denuncia (uma


realidade desumana que está sendo) e anuncia uma outra ordem social
(que virá e humanizará a “malvadez” que a hegemonia capitalista causa
e sustenta).

Em 1989, quando assume o gosto de Secretário de Educação da cidade


de São Paulo, durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, Paulo Freire,
pontua os déficits que existem na realidade (não só as escolas não são
tão numerosos e bem equipadas quanto seria desejável que fossem,
como também a qualidade do ensino é deficitária), contrapondo a isto,
que está sendo assim, o seu sonho (utópico) de algo melhor:

“Não me parece possível a nenhum educador ou educadora que


assuma a responsabilidade de coordenar os trabalhos de uma
Secretaria da Educação, não importa de que cidade ou estado,
escapar ao desafio dos déficits que a educação brasileira
experimenta… De um lado, o quantitativo; do outro, o
qualitativo. A insuficiência de escolas para atender a procura de
crianças em idade escolar, que ficam fora delas, ou a
inadequacidade do currículo – entendido o conceito no máximo
de sua abrangência.

É importante salientar também que uma política educacional


crítica não pode entender mecanicamente a relação entre estes
déficits – o da quantidade e o da qualidade, mas compreendê-
los dinamicamente, contraditoriamente. (…) Trata-se de não
apenas construirmos mais salas de aula, mas também as
mantermos bem cuidadas, zeladas, limpas, alegres, bonitas, pois
cedo ou tarde a própria boniteza do espaço requer outra
boniteza: a do ensino competente, a da alegria de aprender, a
da imaginação criadora tendo liberdade de exercitar-se, a da
aventura de criar

É fundamental afirmar uma obviedade: os déficits referidos da


educação entre nós castigam, sobretudo, as famílias populares.
Entre os oito milhões de crianças sem escola no Brasil não há
meninos ou meninas das famílias que comem, vestem e
sonham. E as crianças populares que conseguem chegar à
escola e nela fica são as que mais sofrem a desqualidade da
educação.” 14
Com o que sonha este “andarilho da utopia”? São apenas planos
grandiloquentes e utopias megalomaníacas o que movem-no à ação?
Não: ciente de suas limitações, de sua inconclusão, Paulo Freire
respondeu ao chamamento de uma “causa” que pode até parecer
pequena, mas foi uma especial de missão a qual devotou-se em vida:
alfabetizar para gerar autonomia, ir ao povo para dar-lhe a capacidade
de falar, de ler, de escrever. Diante de um país repleto de escolas em
estado deplorável, com tetos caindo, pisos afundando, instalações
elétricas provocando riscos de morte por choque, carteiras
arrebentadas… – Paulo Freire ergueu sua voz para preconizar mais
dignidade aos que não são ouvidos, e mudou o país, até mesmo em
sua estrutura eleitoral, ao alfabetizar milhões e tornar-nos assim aptos
a serem cidadãos brasileiros com direito de voto.
“Sonhamos com uma escola pública capaz, que se vá
constituindo aos poucos num espaço de criatividade. Uma
escola democrática em que se pratique uma pedagogia da
pergunta, em que se ensine e se aprenda com seriedade, mas
em que a seriedade jamais vire sisudez. Uma escola em que, ao
se ensinarem necessariamente os conteúdos, se ensine também
a pensar certo. (…) Uma escola em que a administração, por
respeito ao corpo docente e à tarefa que ele tem, pense,
organize e execute programas de formação permanente…
Finalizando esta conversa gostaria de dizer aos educadores e às
educadoras com quem tenho agora a alegria de trabalhar que
continuo disposto a aprender e que é porque me abro sempre à
aprendizagem que posso ensinar também. Aprendamos
ensinando-nos.”

Paulo Freire, que descreve a si mesmo como “um cara de sonhos


revolucionários”, gostava muito de auto-retratar-se na companhia de
dois camaradas – Jesus Cristo e Karl Marx. Se tornou-se uma figura de
profundo impacto no cenário nacional durante o governo Jango, Paulo
Freire logo teve suas asas cortadas pelo regime tirânico instaurado
com o golpe de Estado em 1964. O conluio dos brucutus do
militarismo e do autoritaritarismo de Estado com os interesses do
capital estrangeiro, em especial yankee, varreram do mapa à fórceps o
Método Paulo Freire, com o uso da Doutrina do Choque (Shock
Doctrine) que Naomi Klein analisou com tanto brilhantismo em seu
livro neo-clássico.

Com o golpe de 64 – que possibilitou que o neoliberalismo nos


penetrasse o rabo como nunca dantes na história deste país – Paulo
Freire partiria para um longo exílio, primeiro na Bolívia (onde anos
depois seria assassinado pela CIA e pelas elites locais um certo
médico-guerrilheiro de nome Che Guevara), depois no Chile (onde em
1973 o sangue de Salvador Allende seria derramado pelo golpe
Pinochetista), em seguida nos EUA (onde leciounou na Universidade de
Harvard), e depois na Suíça, na África (em especial nas ex-colônias
portuguesas, Guiné-Bissau, Moçambique, Angola…). Um exílio que
manteria Freire distante de sua terra natal por 16 anos (1964 a 1980).

O Brasil perdeu enormemente por ter vivido estes 21 anos de trevas


em que alguns dos maiores gênios nacionais eram impedidos de se
manifestar e de trabalhar… Tanto que o Programa Nacional de
Alfabetização foi extinto com o Golpe Militar, e Paulo Freire ficou
encarcerado no Recife por cerca de 70 dias, acusado de ser um
comunista, um subversivo…

Antes de tacarmos pedras sobre Paulo Freire por ser vermelho,


comunista, socialista, marxista, tolstoísta, ou o que seja que queiramos
pescar na grande feira dos rótulos à venda, convêm perguntar: nosso
mundo como hoje se encontra, como hoje está sendo, merece ou não
ser subvertido? Os subversores da ordem vigente não são justamente
aqueles capazes de levarmos a uma superação da atualidade histórica,
das contradições do presente? Paulo Freire, andarilho da utopia, era
um rebelde subversor sim, e disso me convenci fortemente após a
leitura, neste 2015, de três de seus livros – Pedagogia do Oprimido,
Pedagogia da Autonomia e Encontros. Neste último, há um trecho
magistral onde Paulo fala sobre as razões pelas quais foi taxado de
subversivo – e é um lindo auto-retrato de um homem extraordinário
em sua amorosidade:

“A fundamentação básica para que eu fosse chamado de comunista eu


dava. Eu pregava uma pedagogia desveladora das injustiças;
desocultadora da mentira ideológica. Que dizia que o trabalhador
enquanto educando tinha o dever de brigar pelo direito de participar
da escolha dos conteúdos ensinados a ele. Eu defendia uma pedagogia
democrática que partia das ansiedades, dos desejos, dos sonhos, das
carências das classes populares. Essa pedagogia era mais perigosa do
que o discurso sectário stalinista. Do ponto de vista dos que deram o
golpe de Estado (em 1964), me pôr na cadeia foi uma atitude
ideologicamente correta. Eu era aquilo que eles diziam que eu era: eu
não só era membro do PC, mas eu era um subversivo. Eles diziam que
eu era um subversivo internacional. Eu não sei se cheguei a tanto, mas
era um cara de sonhos revolucionários…” 15
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1FREIRE, Paulo. Entrevista ao Pasquim, 05 de maio de 1978. Publicada no livro da


série “Encontros”, organizador Sergio Cohn. Rio de Janeiro: Azougue, 2002, pg.
53. 2Op cit. P. 53. 3Op cit. P. 35. 4FREIRE. Entrevista ao Pasquim. Op Cit. Pgs 46 e
48. 5 FREIRE. Citado em “Marx e Cristo”, de Barry Hill, artigo publicado no The Age
Newspaper, 23 de Abril de 1974. Publicado no livro da série “Encontros” (Azougue,
2012), op cit, p. 34. 6FREIRE. Entrevista ao Pasquim, op cit, p. 55.7Idem nota
6.8 FREIRE. Entrevista ao Pasquim, op cit, P. 56. 9 Idem nota 8. 10 Idem nota
8, Pg. 59. 11 FREIRE. Revista Ensaio, 1985, “Caminhos de Paulo Freire”, por J.
Chassin, Rui Gomes Dantas e Vicente Madeira. In Encontros, op cit, p. 106. 12Op
cit, p. 92-93. 13FREIRE. “Caminhos de Paulo Freire”, Revista Ensaio, 1985, por J.
Chassin, Rui Gomes Dantas e Vicente Madeira. In Encontros, op cit, p.
139. 14 FREIRE. “Aprendamos ensinando-nos”, depoimento, publicado na revista
Leia em fevereiro de 1989. In: Encontros, op cit, p. 156-157. 15FREIRE, P. In:
“Memórias de Paulo Freire”, na revista Teoria e Debate, março de 1992. Bate-papo
com Mário Sérgio Cortella e Paulo de Tarso Venceslau. Encontros, op cit, pg. 164.

E. Carli
Goiânia, Agosto de 2015
*****

SIGA NA LEITURA COM TRECHOS SELECIONADOS DE:

PEDAGOGIA DO OPRIMIDO
PEDAGOGIA DA AUTONOMIA
PEDAGOGIA DA INDIGNAÇÃO
****
OUÇA:
“Paulo Freire, Andarilho da Utopia’
Programa da Rádio Nederland com apoio da USP e Instituto Paulo Freire

****
LEIA A SEGUIR:
“A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO”, DE PAULO FREIRE
[trechos da obra clássica]

SECTARIZAÇÃO VS RADICALIZAÇÃO

“A sectarização é sempre castradora, pelo fanatismo de que se nutre. A radicalização,


pelo contrário, é sempre criadora, pela criticidade que a alimenta. Enquanto a
sectarização é mítica, por isto alienante, a radicalização é crítica, por isto libertadora.
Libertadora porque, implicando o enraizamento que os homens fazem na opção que
fizeram, os engaja cada vez mais no esforço de transformação da realidade concreta,
objetiva. A sectarização, porque mítica e irracional, transforma a realidade numa
falsa realidade, que, assim, não pode ser mudada. Parta de quem parta, a
sectarização é um obstáculo à emancipação dos homens. Daí que seja doloroso
observar que nem sempre o sectarismo de direita provoque o seu contrário, isto é, a
radicalização do revolucionário. Não são raros os revolucionários que se tornam
reacionários pela sectarização em que se deixam cair, ao responder à sectarização
direitista. Não queremos com isto dizer que o radical se torne dócil objeto da
dominação. Precisamente porque inscrito, como radical, num processo de libertação,
não pode ficar passivo diante da violência do dominador.”

Primeiras Palavras. Pg. 35.


A DESUMANIZAÇÃO NÃO É DESTINO

“A luta pela humanização, pelo trabalho livre, pela desalienação, pela afirmação dos
homens como pessoas, como ‘seres para si’, esta luta pela humanização somente é
possível porque a desumanização, mesmo que um fato concreto na história, não é,
porém, destino dado, mas resultado de uma ‘ordem’ injusta que gera a violência dos
opressores e esta, o ser menos. (…) O ser menos leva os oprimidos, cedo ou tarde,
a lutar contra quem os fez menos. E esta luta somente tem sentido quando os
oprimidos, ao buscarem recuperar sua humanidade, que é uma forma de criá-la, não
se sintam opressores, nem se tornem, de fato, opressores dos opressores, mas
restauradores da humanidade em ambos. E aí está a grande tarefa humanista e
histórica dos oprimidos – libertar-se a si mesmos e aos opressores. (…) Só o poder
que nasça da debilidade dos oprimidos será suficientemente forte para libertar a
ambos.”

Pg. 41. Editora Paz e Terra.


SOLIDARIEDADE: EXISTENCIAÇÃO DO AMOR

“Descobrir-se na posição de opressor, mesmo que sofra por este fato, não é ainda
solidarizar-se com os oprimidos. Solidarizar-se com estes é algo mais que prestar
assistência a 30 ou 100, mantendo-os atados, contudo, à mesma posição de
dependência. Solidarizar-se não é ter a consciência de que explora e ‘racionalizar’ a
culpa paternalisticamente. A solidariedade, exigindo de quem se solidariza que
‘assuma’ a situação de com quem se solidarizou, é uma atitude radical. O opressor
só se solidariza com os oprimidos quando o seu gesto deixa de ser um gesto piegas
e sentimental, de caráter individual, e passa a ser um ato de amor àqueles. Quando
para ele os oprimidos deixam de ser uma designação abstrata e passam a ser os
homens concretos, injustiçados e roubados. (…) Só na plenitude deste ato de amar,
na sua existenciação, na sua práxis, se constitui a solidariedade verdadeira.” (Pg.
49)

Acima: crianças que trabalhavam nas indústrias inglesas; o trabalho infantil estava entre
alguns dos procedimentos instaurados pela “Revolução Industrial” nos moinhos satânicos
onde moeu suas vítimas o capitalismo selvagem em ascensão…

A VOCAÇÃO ONTOLÓGICA DO SER HUMANO É SER-MAIS

“A pedagogia do oprimido, como pedagogia humanista e libertadora, terá dois


momentos distintos. O 1º em que os oprimidos vão desvelando o mundo da opressão
e vão comprometendo-se, na práxis, com a sua transformação; o 2º, em que,
transformada a realidade opressora, esta pedagogia deixa de ser do oprimido e passa
a ser a pedagogia dos homens em processo de permanente libertação. (…) Temos
que encarar os oprimidos como seres duais, contraditórios, divididos: a situação de
opressão em que se ‘formam’, em que ‘realizam’ sua existência, os constitui nesta
dualidade, na qual se encontram proibidos de ser. Basta, porém, que homens
estejam sendo proibidos de ser-mais para que a situação objetiva em que tal
proibição se verifica seja, em si mesma, uma violência. Violência real, pois fere a
ontológica e histórica vocação dos homens – a do ser mais. (…) Por isto é que
somente os oprimidos, libertando-se, podem libertar os opressores. Estes, enquanto
classe que oprime, nem libertam, nem se libertam. O importante é que a luta dos
oprimidos se faça para superar a contradição em que se acham. Que este superação
seja o surgimento do homem novo – não mais opressor, não mais oprimido, mas
homem libertando-se.” (p. 58)
CONCEPÇÃO BANCÁRIA DA EDUCAÇÃO: INSTRUMENTO DE OPRESSÃO

“Quanto mais analisamos as relações educador-educandos, na escola, em qualquer


de seus níveis, parece que mais nos podemos convencer de que estas relações
apresentam um caráter especial e marcante – o de se serem relações
fundamentalmente narradoras, dissertadoras. Narração de conteúdos que, por isto
mesmo, tendem a petrificar-se ou a fazer-se algo quase morto… Falar da realidade
como algo parado, estático, compartimentado e bem-comportado, quando não falar
ou dissertar sobre algo completamente alheio à experiência existencial dos
educandos, vem sendo, realmente, a suprema inquietação dessa educação… Nela, o
educador “enche” os educandos com os conteúdos de sua narração… A palavra,
nessas dissertações, se esvazia da dimensão concreta que devia ter ou se transforma
em verbosidade alienada e alienante.

A narração, de que o educador é o sujeito, conduz os educandos à memorização


mecânica do conteúdo narrado. Mais ainda, a narração os transforma em ‘vasilhas’,
em recipientes a serem ‘enchidos’ pelo educador.Quando mais vá ‘enchendo’ os
recipientes com seus depósitos, tanto melhor educador será. Quanto mais de deixem
docilmente ‘encher’, tanto melhores educandos serão. Desta maneira, a educação se
torna um ato de depositar em que os educandos são os depositários e o educador, o
depositante. Em lugar de comunicar-se, o educador faz ‘comunicados’ e depósitos
que os educandos, meras incidências, recebem pacientemente, memorizam e
repetem. Eis aí a concepção ‘bancária’ da educação, em que a única margem de ação
que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-
los. Nesta distorcida visão da educação, não há criatividade, não há transformação,
não há saber. Só existe saber na invenção, na reinvenção, na busca inquieta,
impaciente, permanente, que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os
outros…

Os educandos, alienados, por sua vez, à maneira do escravo na dialética hegeliana,


reconhecem em sua ignorância a razão da existência do educador, mas não chegam,
nem sequer ao modo do escravo naquela dialética, a descobrir-se educadores do
educador.”

Pg. 80 e 81
“Em verdade, não seria possível à educação problematizadora, que rompe com os
esquema verticais característicos da educação bancária, realizar-se como prática da
liberdade, sem superar a contradição entre o educador e os educandos. Como
também não lhe seria possível fazê-lo fora do diálogo. É através deste que se opera
a superação de que resulta um termo novo: não mais educador do educando, mais
educando do educador, mas educador-educando com educando-educador.

Desta maneira, o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa,
é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa. Ambos,
assim, se tornam sujeitos do processo em que crescem juntos e em que os
‘argumentos de autoridade’ já não valem. (…) Em lugar de serem recipientes dóceis
dos depósitos, são agora investigadores críticos, em diálogo com o educador,
investigador crítico também.

Enquanto a prática bancária implica uma espécie de anestesia, inibindo o poder


criador dos educandos, a educação problematizadora, de caráter autenticamente
reflexido, implicada um constante ato de desvelamento da realidade.”
Pg. 96 e 97

UTOPIA: UNIDADE INQUEBRANTÁVEL DA DENÚNCIA E DO ANÚNCIO

“Diferentemente dos outros animais, que são apenas inacabados, mas não são
históricos, os homens se sabem inacabados. Têm a consciência de sua inconclusão.
Aí se encontram as raízes da educação mesma, como manifestação exclusivamente
humana, isto é, na inconclusão dos homens e na consciência que dela tem. (…)
Enquanto a concepção ‘bancária’ dá ênfase à permanência, a concepção
problematizadora reforça a mudança. Deste modo, a prática ‘bancária’, implicando o
imobilismo, se faz reacionária, enquanto a concepção problematizadora que, não
aceitando um presente ‘bem-comportado’, não aceita igualmente um futuro pré-
dado, se faz revolucionária.

A educação problematizadora, que não é fixismo reacionário, é futuridade


revolucionária. Daí que seja profética e, como tal, esperançosa. Em Ação cultural
para a liberdade e outros escritos, discutimos mais amplamente este sentido
profético e esperançoso da educação (ou ação cultural) problematizadora. Profetismo
e esperança que resultam do caráter utópico de tal forma de ação, tomando-se a
utopia como unidade inquebrantável entre a denúncia e o anúncio. Denúncia de uma
realidade desumanizante e anúncio de uma realidade em que os homens possam ser
mais. Anúncio e denúncia não são, porém, palavras vaizas, mas compromisso
histórico.

Na condição de seres históricos, os homens são seres que caminham para frente,
que olham para frente; seres a quem o imobilismo ameaça de morte; para quem o
olhar para trás não deve ser uma forma nostálgica de querer voltar, mas um modo
de melhor conhecer o que está sendo, para melhor construir o futuro.”

Pg. 102 e 103

DIÁLOGO: EXIGÊNCIA EXISTENCIAL

“Dizer a palavra não é privilégio de alguns homens, mas direito de todos os homens.
Precisamente por isto, ninguém pode dizer a palavra verdadeira sozinho, ou dizê-la
para os outros, num ato de prescrição, com o qual rouba a palavra aos demais… Não
é possível o diálogo entre os que negam aos demais o direito de dizer a palavra e os
que se acham negados deste direito. É preciso primeiro que os que assim se
encontram negados no direito primordial de dizer a palavra reconquistem esse
direito, proibindo que este assalto desumanizante continue.

(…) Por isto, o diálogo é uma exigência existencial. E, se ele é o encontro em que se
solidarizam o refletir e o agir de seus sujeitos endereçados ao mundo a ser
transformado e humanizado, não pode reduzir-se a um ato de depositar ideias de um
sujeito no outro, nem tampouco tornar-se simples troca de ideias a serem
consumidas pelos permutantes. Não é também discussão guerreira, polêmica, entre
sujeitos que não aspiram a comprometer-se com a pronúncia do mundo, nem a
buscar a verdade, mas a impor a sua.

Pg. 108 e 109

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SIGA VIAGEM:
A DESCOLONIZAÇÃO DAS MENTES - Paulo Freire e Amílcar
Cabral: pedagogos da revolução!

Paulo Freire, andarilho da utopia, denunciador das desumanizações e anunciador


dos inéditos viáveis, foi um autêntico pedagogo da Revolução: a transformação
radical da sociedade vigente é algo que deve-se sim ensinar nas escolas. Freire
inspirava-se no exemplo da vida e obra de Amílcar Cabral (1924-1973), fundador e
líder do PAIGC (Partido…

Em "Antropologia"

20 ANOS SEM PAULO FREIRE: "Quando a Educação Não É


Libertadora, O Sonho do Oprimido É Ser O Opressor"

Pesquisadores e estudiosos da obra de Paulo Freire destacam que, no período em


que este trabalhava no livro "Pedagogia do Oprimido", que seria lançado em 1968
durante seu exílio em Santiago, dois livros foram de suma importância para inspirar
e complexificar a reflexão freireana: "Os Condenados da Terra", de Franz…

Em "Ciências Humanas"

EDUCAÇÃO EM GREVE - "Não há o que fazer" é o discurso


acomodado que não podemos aceitar (Paulo Freire)
Se há algo que os educandos brasileiros precisam saber, desde a mais tenra idade,
é que a luta em favor do respeito aos educadores e à educação inclui que a briga
por salários menos imorais é um dever irrecusável e não só um direito deles. A luta
dos professores em…

“Uma multidão cega, cruel na medida de seu medo, podia, uma manhã, ataca-la a pedradas
ou submetê-la à prova da água, o afogamento. Ou enfim, coisa mais terrível, podia arrastá-la,
uma corda amarrada no pescoço, até o pátio da igreja, que disso teria feito uma festa piedosa,
lançando-a à fogueira para a edificação do povo.” (Michelet)
NO LABIRINTO COM O SR. MINOTAURO

“Nosso impulso ao conhecimento é demasiado forte para que ainda possamos estimar a
felicidade sem conhecimento ou a felicidade de uma forte e firme ilusão; a inquietude de
descobrir e solucionar tornou-se tão atraente e imprescindível para nós como o amor infeliz
para aquele que ama: o qual ele não trocaria jamais pelo estado de indiferença. O
conhecimento, em nós, transformou-se em paixão que não vacila ante nenhum sacrifício e
nada teme, no fundo, senão sua própria extinção…” (NIETZSCHE, Aurora)

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