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Gestão de

distribuição logística
Material Teórico
Distribuição logística

Responsáveis pelo Conteúdo:


Profa. Ms. Giovana Gavioli

Revisão Textual:
Profa. Ms. Selma Aparecida Cesarin
Distribuição logística

• Introdução

• Distribuição na cadeia de suprimentos

• Canal de distribuição

• Roteirização

• Operadores logísticos

• Resumindo

Você irá entender qual o impacto da distribuição na cadeia de


suprimentos e a importância do planejamento estratégico dos
canais de distribuição e os significados de extensão e amplitude
e sua adequação para cada tipo de produto/serviço.
A roteirização e suas restrições/limitações também serão
exploradas, assim como a contribuição dos Operadores
Logísticos para a distribuição.

Para falar de distribuição, precisamos entender como ela funciona nas grandes empresas.
Portanto, inicie seus estudos assistindo ao vídeo disponível no Cenário da Prática.
Posteriormente, leia o material do conteúdo teórico e assista à videoaula.
Realize as atividades de sistematização propostas e utilize a aula narrada para dar apoio aos
conceitos abordados no material teórico.
A representação visual da Disciplina também lhe auxiliará no acompanhamento dos
conteúdos explorados e seu sequenciamento.
Temos um estudo de caso como atividade de aprofundamento; leia-o e faça a proposta
esquemática dos canais de distribuição.
Se quiser explorar mais sobre distribuição, roteirização e postergação, acesse o material
complementar, que traz dicas de importantes artigos sobre o assunto.

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Unidade: Distribuição logística

Contextualização

Você sabia que a FedEx é uma das maiores empresas de transporte expresso no mundo?
Empresas que lidam com encomendas expressas como a FedEx, a UPS, DHL, TNT ou mesmo
os nossos Correios, precisam de uma estrutura de logística de distribuição muito bem elaborada.
Essas empresas geralmente possuem frota própria e funcionários contratados a fim de
fortalecer o seu negócio principal: a entrega rápida.
Assista ao vídeo disponível no link e passe uma noite no depósito central da FedEx.
Perceba como a coordenação dos processos é importante para que o produto chegue ao
local certo, no tempo certo e no momento em que o cliente necessita:

Explore
http://www.youtube.com/watch?v=6hl5HNdgok0

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Introdução

Falaremos sobre a Distribuição, que é um dos processos chave da Logística e da Cadeia


de Suprimentos.
É ela quem tem o contato direto com o cliente final. Portanto, o seu desempenho deve ser
muito bem alinhado às estratégias da Empresa e seus objetivos.
Para tanto, é importante projetar o Canal de Distribuição adequado para as operações da
Empresa e tomar decisões de extensão e amplitude que apoiem suas operações.
É a Distribuição que entrega o produto no tempo certo, quantidade correta, qualidade
desejada e no momento necessário.

Distribuição na cadeia de suprimentos

A Cadeia de Suprimentos integra fornecedores, fabricantes, transportadoras, armazéns,


atacadistas, varejistas e até mesmo os próprios clientes.
Essa integração se dá tanto no ambiente interno, entre as áreas funcionais da empresa, quanto
externo, com o relacionamento entre empresas parceiras.
A Cadeia de Suprimentos e a estratégia competitiva da empresa devem estar alinhadas e possuir
os mesmos objetivos. Portanto, em função da estratégia adotada, a empresa deve optar por um
esquema de suprimentos e distribuição específico que determinará a estrutura dos canais de
distribuição e definirá as atividades logísticas relacionadas à movimentação física de materiais.
Alguns conceitos importantes da Cadeia de Suprimentos são:
··Inbound Logistics – Logística de Suprimentos: é responsável pelo abastecimento das
entradas de materiais a serem utilizados na fabricação/processamento de produtos ou
serviços. A Logística de Suprimentos deve potencializar e acelerar a chegada de insumos,
contribuindo para o tempo de entrega exigido pelo consumidor;
··Logística interna: processa as entradas da Logística de Suprimentos, utilizando capital,
mão de obra, materiais e informação, tornando os produtos ou serviços disponíveis para
o mercado consumidor;
··Outbound Logistics – Logística de Distribuição: é responsável pelo deslocamento
dos produtos acabados da manufatura ao consumidor final, passando pelo Canal de
Distribuição estabelecido pela empresa.

A distribuição está, portanto, diretamente ligada à Logística Outbound e deve garantir a rápida
disponibilidade do produto nos mercados em que a empresa atua, intensificando ao máximo o
potencial de vendas de seu produto ou serviço e garantindo o nível de serviço pré-estabelecido.

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Unidade: Distribuição logística

Uma Distribuição eficiente garante a permanente redução de custos e atua de forma não
isolada, considerando a Cadeia de Suprimentos como um todo.

A Distribuição é um
icos
dos processos logíst
responsável pela
administração dos
materiais a partir da
saída do produto da
é
linha de produção at
a entrega em se u
destino final.

A Distribuição não está ligada à compra do produto ou à obtenção do serviço pelo consumidor,
mas sim à operação de movimentação deste produto ou serviço, para que ele possa ser adquirido
no momento desejado.
O processo de Distribuição não ocorre sozinho. As estratégias que envolvem a Cadeia de
Suprimentos consideram a intermediação de distribuidores, atacadistas, varejistas etc. e para
montar a sua estratégia de Distribuição, o gestor deve, além de ter em mente os objetivos da
empresa, considerar a configuração de seu canal de distribuição.

Canal de distribuição

Você Sabia ?
Um Canal de Distribuição representa a sequência de organizações ou empresas que vão transferindo
a posse do produto desde sua origem (fabricação) até o seu consumo (consumidor final).

Os principais integrantes de um Canal de Distribuição são:


··Fabricantes: detentores dos produtos e da sua fabricação, ou seja, são as empresas que
dão origem aos produtos ou serviços que estão sendo vendidos;
··Intermediários: todos os integrantes da Cadeia de Suprimentos que estiverem
posicionados entre a empresa fabricante e seu consumidor final, podendo ser
distribuidores, atacadistas, varejistas, serviços de assistência técnica, montagens etc.
··Usuários finais: o elo final de um Canal de Distribuição, aqueles que irão efetivamente
utilizar o produto ou consumir o serviço, podendo ser empresas ou pessoas físicas.

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Diálogo com o Autor

“O gerenciamento é mais complexo à medida que o número de empresas envolvidas aumenta.


Portanto, a correta gestão dos canais de distribuição é essencial” (TAYLOR, 2005, p. 9).

Para Pensar

Pense na distribuição de um produto importado, por exemplo, um relógio suíço. Considere sua saída
desde a fábrica até um distribuidor na Suíça, seu contato com a empresa compradora aqui no Brasil,
que vende este relógio para suas lojas no Shopping. É nesta loja que o consumidor final irá adquirir
seu produto. Perceba quantos intermediários atuaram sobre ele até que ele ficasse à disposição do
consumidor final. É por estes e outros fatores que um produto importado é, geralmente, mais caro
do que um produto nacional. A administração da quantidade de intermediários no canal aumenta
a complexidade da cadeia e, portanto, o seu custo.

Até este ponto, você pode se perguntar: se a administração do Canal de Distribuição e


seus intermediários é tão complexa e custosa, por que as empresas não administram suas
vendas diretamente?
Vamos pensar por meio de um exemplo prático.
Imagine que você deseja comprar folhas de papel sulfite avulsas. Se você for diretamente às
empresas produtoras, como a Chamex ou a Suzano, que produz a marca Report, dificilmente
elas venderão o produto para você, pois este tipo de comércio não é economicamente ou
operacionalmente viável.
Essas empresas possuem diversos intermediários no seu Canal de Distribuição, e fazem
uma administração dele. Portanto, fornecer folhas avulsas ficaria, na verdade, mais caro para
a empresa do que administrar seu canal. Isso porque, com ele, ela ganha economia de escala
vendendo para distribuidores, que vendem para atacadistas, que vendem para varejistas, que,
por sua vez, vendem às papelarias. Estas últimas vendem, sem problemas, folhas avulsas, pois
estão preparadas para este tipo de compra.
Veja a figura 1, que ilustra como a utilização de intermediários no Processo de Distribuição
simplifica as operações.

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Unidade: Distribuição logística

Figura 1. Intermediários na distribuição.

Fonte: Adaptado de Chopra e Meindl (2011).

Na primeira configuração, imaginemos que uma Cadeia de Distribuição tenha 4 fabricantes


e 10 lojas varejistas. Isso representaria, naquela cadeia, 40 linhas de contato caso os fabricantes
realizassem suas vendas de forma direta. Se adicionarmos a esta cadeia um intermediário,
o atacadista, reduziremos para 14 linhas de contato, mantendo o número de fabricantes e
varejistas. Caso seja necessário aumentar a competitividade deste cenário, podemos adicionar
mais um atacadista, aumentando as linhas de contato para 28.
A utilização de intermediários também facilita a acumulação ou sortimento. Perceba como os
hipermercados acumulam materiais diferentes em um mesmo local (leite, pão, iogurte, frango,
carne etc.). Não somente materiais diferentes, mas também de marcas diferentes, facilitando a
comparação e compra pelo consumidor.
Os intermediários também facilitam o loteamento, permitindo a triagem e a customização dos
produtos ou lotes.
Imagine uma empresa de distribuição de frutas, que compra em grandes quantidades dos
produtores e entrega em pequenas quantidades para seus clientes.
O intermediário, por exemplo, o atacadista ou o operador logístico poderá separar os produtos
por tamanho e qualidade, identificando lotes específicos a serem entregues a cada varejista.
O Canal de Distribuição constitui, portanto, um conjunto de organizações interdependentes
que, por meio de seu envolvimento comercial, tornam possível a disponibilização de um produto
ou serviço para seu respectivo consumo.

Criação de calor no canal de distribuição


A Distribuição constitui o ponto da Cadeia de Suprimentos que está mais próximo do
consumidor final. Portanto, o Canal de Distribuição representa a conexão direta entre empresa
e seu mercado consumidor.
A partir dessa ligação, é possível entender que o Canal de Distribuição pode gerar valor para
os consumidores, por meio de quatro funções essenciais:
1 - Indução da demanda: no sentido da Cadeia de Suprimentos para o consumidor final,
as empresas devem gerar ou induzir a demanda de seus produtos ou serviços;

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2 - Satisfação da demanda: também no sentido da Cadeia de Suprimentos para o
consumidor final, após induzir o consumo, as empresas devem comercializar os produtos
para satisfazer a demanda gerada;
3 - Serviço Pós-venda: no sentido da Cadeia de Suprimentos para o consumidor final, a empresa
deve oferecer serviços de pós-venda na medida da necessidade de seus consumidores;
4 - Informações: em ambos os sentidos, e a partir do feedback dos consumidores, a
empresa deve realizar a troca de informações e verificar se seus objetivos estratégicos
serão alcançados.

Veja na figura 2 a representação da criação de valor, por meio das funções do canal de distribuição.

Figura 2: Funções do Canal de Distribuição.

Fonte: Adaptado de Novaes (2007, p.128).

Projetando o canal de distribuição


A empresa pode projetar seu Canal de Distribuição a partir de sua estratégia de mercado.
Veja algumas possibilidades de canal:
··O fabricante abastece diretamente as lojas de varejo;
··O fabricante abastece seus próprios depósitos ou Centros de Distribuição e, a partir
desses pontos, abastece as lojas de varejo;
··O fabricante abastece os centros de distribuição do varejista que, por sua vez, abastece
as lojas;
··O fabricante abastece os depósitos do atacadista ou distribuidor que, por sua vez,
abastece as lojas de varejo;
··O fornecedor abastece diretamente o varejo, atacadistas ou distribuidores do fabricante;
··O fabricante entrega o produto diretamente no domicílio do consumidor final, utilizando
o correio ou os serviços expressos (vendas pela Internet, telefone ou fax; vendas por
meio de catálogo e outras).

A partir da definição dos integrantes do seu Canal de Distribuição, a empresa pode montar
a rede logística adequada, composta por armazéns, centros de distribuição, estoques, meios de
transporte, embalagens etc.
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Unidade: Distribuição logística

Tipos de canal
O primeiro passo para a decisão de qual o canal adequado para a empresa, é a clareza de
sua estratégia empresarial.
Cada um dos tipos de canal apresenta vantagens e desvantagens. Portanto, a empresa deve
avaliar cuidadosamente se o canal a ser escolhido está de acordo com seus objetivos.

Canal vertical
O canal vertical é o mais tradicional, no qual a responsabilidade é transferida da empresa
fabricante para a empresa atacadista, desta para a empresa varejista e assim em diante.
No canal vertical, o fabricante e o atacadista desempenham apenas uma função de apoio no
processo de distribuição, não tendo acesso direto ao consumidor final, pois é o varejista que presta os
serviços pós-venda, como instalação, atendimento de reclamações, informações sobre a utilização
dos produtos etc. É ele também que tem a responsabilidade de manter estoques de produtos a fim
de reduzir os impactos da variação na demanda do consumidor (estoque como buffer).
No canal vertical, a satisfação do cliente é medida no último elemento do Canal de Distribuição,
ou seja, no varejista.
Veja na figura 3 exemplos de configurações de canal vertical.

Figura 3: Exemplos de canal vertical.

Fonte: Adaptado de Novaes (2007, p.129).

··Exemplo de canal vertical A – pequeno varejo – como uma indústria de eletroeletrônicos


(Por exemplo: Samsung), vende a um atacadista (Makro), que vende ao varejista (CC
Informática), que vende ao consumidor final;
··Exemplo de canal vertical B – tipo “Avon” – indústria de cosméticos (Por exemplo: Avon)
vende seus produtos ao consumidor final, por meio do seu departamento de vendas;
··Exemplo de canal vertical C – grande varejo – fabricante de produtos animais (Sadia),
vende seus produtos para o grande varejista (Carrefour), que vende ao consumidor final.

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Canal híbrido

Diálogo com o Autor

No canal híbrido, uma parte das funções ao longo do canal é executada em paralelo por dois ou mais
elementos da Cadeia de Suprimentos, quebrando o esquema vertical rígido (NOVAES, 2001, p.32).

Veja na figura 4 a representação do fluxo do canal híbrido.

Figura 4: Canal híbrido.

Fonte: Adaptado de Novaes (2007, p.131).

No canal híbrido, o fabricante, por intermédio de seu setor de vendas, faz a função de geração
da demanda, negociando a compra diretamente com seus clientes.
Após a formalização do pedido, o fabricante apresenta sua lista de distribuidores autorizados
e participantes de seu canal. O cliente escolhe o distribuidor de sua preferência e adquire os
produtos dele, negociando com o distribuidor a formalização do pedido, armazenagem, lotes de
entrega, tempos, lugares etc.
O serviço de pós-venda, ou seja, o atendimento de reclamações e informações é realizado
pelo fabricante, que possui unidades de serviço específicas para este atendimento e especialistas
que possuem conhecimento técnico do produto.
A estrutura híbrida, diferente da vertical, proporciona ao fabricante uma valorização do contato
com seu cliente final, não somente como indução da demanda, mas também trabalhando para a
troca de informações, melhorando seus produtos ou na criação de novos, a partir dos feedbacks
diretos dos serviços de pós-venda.

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Unidade: Distribuição logística

Os clientes também ganham com essa estrutura, podendo barganhar maiores reduções de
preço para compras de lotes maiores, negociando diretamente com o fabricante e, posteriormente,
formalizando a compra com os distribuidores.
Por sua vez, o uso de distribuidores traz vantagens para a empresa fabricante, que se beneficia
da especialização e atendimento do distribuidor a vários clientes simultaneamente, oferecendo
serviços a custos logísticos mais eficientes.
Mais adiante vamos explorar melhor esses aspectos ao tratarmos da Distribuição com
Operadores Logísticos.
O distribuidor também terá benefícios. Ele poderá atuar tanto com empresas de canais
verticais, como com empresas de canais híbridos. Veja na figura 5.

Figura 5: Atuação em canais híbridos.

Fonte: Adaptado de Novaes (2007, p.132).

Percebemos que, para a Indústria B, o canal é vertical, ou seja, o distribuidor é responsável


por todas as funções do canal, desde a indução da demanda até seus serviços de pós-venda. Já
na Indústria A, o distribuidor atua de forma híbrida.

Canal múltiplo
Uma empresa que possui uma diversidade de produtos e de consumidores e que deseja melhorar
o seu desempenho e alcançar mais mercados pode utilizar uma estratégia de canal múltiplo.
No canal múltiplo, a empresa pode oferecer ao consumidor maiores opções para a compra
de seus produtos, tornando sua aquisição mais facilitada.

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Para Pensar

Vamos pensar em um exemplo prático de canal múltiplo? Imagine que você deseja comprar
um computador. As opções são inúmeras! Você pode comprar pela internet, pelo telefone,
diretamente no SAC da empresa (a Dell, por exemplo), dirigir-se a um grande varejo (Ponto
Frio) ou a uma loja especializada em informática. Perceba que o consumidor que tem
conhecimento prévio e mais aprofundado sobre computadores poderá efetivar a sua compra
pela internet ou telefone. Já um consumidor mais leigo no assunto, poderá solicitar diretamente
na loja informações sobre marca, capacidade, velocidade, opcionais e adequação para seu uso,
decidindo sobre qual computador comprar.

O canal múltiplo, portanto, é utilizado para a melhora as condições de competitividade da


empresa, proporcionando maior alcance em diferentes mercados consumidores, facilitando o
gerenciamento da cadeia de suprimentos.
Contudo, esse canal não está isento de problemas. Podem existir conflitos de canais híbridos,
em que um dos elementos adentra o outro do canal, prejudicando toda a estrutura.
Veja na figura 6 um exemplo de conflito no canal híbrido para uma empresa fabricante de
dois produtos, P1 (mais sofisticado e mais caro) e P2 (mais barato e simplificado).

Figura 6: Conflitos de atuação em canais múltiplos.

Fonte: Adaptado de Novaes (2007, p.134).

A partir da figura, podemos verificar que um dos canais é direcionado para clientes grandes
e que adquirem quantidades maiores a preços unitários mais reduzidos (Atacadista “A”).
Os clientes desse canal compram frequentemente e em maior quantidade o produto P1,
enquanto que ocasionalmente e em menor quantidade o produto P2. Para o pequeno consumidor,
o produto direcionado é o P2, que deve ser adquirido por outra empresa (Varejista “B”).
O Atacadista “A”, portanto, é encarregado de atender ao grande consumidor de produtos P1
e P2, respectivamente. Já o varejista “B” se dedica a atender pequenos consumidores, somente
do produto P2.

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Unidade: Distribuição logística

O pequeno consumidor do produto P2 poderá consultar o Atacadista “A” para efetivar a


sua compra e, caso encontre o preço mais baixo, poderá adquirir dele em maior quantidade,
causando um conflito com o Varejista “B”.
O Varejista “B”, por sua vez, percebendo o preço mais baixo praticado pelo Atacadista “A”,
poderá deixar de comprar da empresa fabricante e passar a comprar diretamente do atacadista,
gerando um conflito mais amplo e que afeta todo o canal.
Para Novaes:
Para que a empresa realize a administração destes conflitos em canais
múltiplos, ela deverá demarcar nitidamente os tipos de produtos a serem
comercializados em cada estrutura de canal. O produto P2 poderia ser
alocado somente no canal B, separando os produtos por canal (NOVAES,
2007, p. 134).

Propriedades do canal
Além de considerar que tipo de canal a empresa poderá configurar para suas operações,
outras decisões de propriedade do canal são igualmente importantes. Elas definirão a extensão
e a amplitude do canal

Extensão
A extensão do canal é definida pelo número de níveis intermediários, desde a manufatura
até o consumidor final.
··Canal de nível zero: não existem intermediários entre a empresa fabricante e o
consumidor final. Por exemplo: o fabricante entrega ao consumidor final, como as
empresas de venda direta como Avon, Natura, Yakult, Jequiti, com vendedores atuando
como consultores e praticando a venda porta a porta ou por catálogos;
··Canal de nível um: existe apenas um intermediário entre o fabricante e o consumidor
final. Por exemplo: os grandes varejistas (Carrefour, Assai, Extra) compram diretamente
dos fabricantes, a custos mais baixos, e os revendem em suas lojas;
··Canal de nível dois: quando existem dois ou mais intermediários entre o fabricante e
o consumidor final. Por exemplo: os pequenos varejistas, mini-mercados adquirem seus
produtos dos grandes varejistas que, por sua vez, os adquirem dos fabricantes, como
mercados e vendas de bairro.
Amplitude
A amplitude ou largura de um Canal de Distribuição é determinada pelo número de empresas
que atuam no mesmo nível de uma mesma cadeia. Existem três tipos de amplitude:
··Distribuição Exclusiva ou Amplitude Unitária – apenas uma empresa por região
demarcada, que possui exclusividade de venda na região;
··Distribuição Seletiva ou Amplitude Múltipla – mais de uma empresa atuando
no mesmo nível e em uma mesma região, mas de forma controlada pelo fabricante ou

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distribuidor a fim de evitar competição dentro da mesma empresa. Este tipo de amplitude
facilita o acesso de produtos para o consumidor final e garante certa competição
(saudável) de preços entre as empresas participantes;
··Distribuição Intensiva ou Amplitude Múltipla Aberta – também conhecida
como pulverização, tem como objetivo atingir o maior número possível de localidades
e consumidores. Não existem restrições em quantidades de empresas participantes e o
fabricante procura colocar seus produtos em uma maior gama de empresas possível.

Decisões de canal
O grande dilema na definição dos tipos de canal e da propriedade do canal é a adequada
composição da Cadeia de Suprimentos para atender o consumidor no prazo correto, na
quantidade adequada e economizando custos. As possibilidades de montagem do canal são
inúmeras e o gestor deve avaliá-las cuidadosamente antes de tomar a sua decisão.
Uma das formas de escolher as alternativas de distribuição pode ser analisar o tipo de produto
ou serviço comercializado pela empresa:
··Produtos/Serviços de consumo frequente: sabonetes, pasta de dente, shampoo, entre
outros, representam este tipo. Embora o consumidor tenha suas preferências, não
hesita em comprar outra marca, caso tenha outro item a preço mais barato e com
qualidade semelhante.
··Produtos/Serviços que envolvem pesquisa para a compra: sofás, racks, móveis em geral,
tem seu custo analisado cuidadosamente pelo consumidor antes de sua compra, inclusive
com visitas na loja para tirar medidas etc.
··Produtos/Serviços especiais: possuem alto valor de aquisição e tem consumidores que são
atraídos pela marca em razão da qualidade ou status associado. Exemplos de produtos
como estes são automóveis da marca Ferrari (que tem fabricação limitada), relógios da
marca Rolex, Joias, perfumes exclusivos. Neste caso, o comprador procura a empresa
fabricante diretamente ou um representante direto da empresa, por ela indicado.

Percebe-se que cada tipo de produto/serviço possui características de compra diferentes e,


portanto, também precisa ter níveis de extensão e amplitude diferenciados.
Um produto de consumo frequente deve ter uma alta amplitude de canal, comercializando o
mesmo na maior quantidade possível de estabelecimentos, utilizando a distribuição intensiva.
Já para produtos que necessitam de pesquisa, o fabricante não mantém grandes quantidades
em estoque disponíveis, deixando apenas amostras nas lojas e fabricando o produto após a
confirmação do pedido, para posterior entrega. Assim, somente um número controlado de
empresas participa do canal, associado diretamente com a distribuição seletiva.
Para não descaracterizar o produto, no caso de produtos especiais, a empresa deve optar por
uma distribuição exclusiva, o que ressalta a importância da marca e a atribuição de status ao
seu possuidor.

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Unidade: Distribuição logística

Roteirização

Um dos processos realizados pela Distribuição é a Roteirização, que consiste no planejamento


da rota mais adequada para levar um produto do ponto A para o ponto B. Os objetivos da
roteirização são:
··Minimizar os custos totais de distribuição por meio da utilização dos ativos disponíveis
e diluição dos custos fixos (custos de capital do veículo, salários de motoristas e outras
despesas eventuais como licenciamento, seguros, taxas etc.);
··Circular o menos possível a fim de evitar o aumento dos custos variáveis (custos
operacionais do veículo que variam conforme a distância como, por exemplo, combustível
e pedágio).

O planejamento das rotas deve considerar diversos fatores e, principalmente limitações que
podem ser identificados na Tabela 1.

Tabela 1. Principais restrições de roteirização.

Restrições dos veículos Restrições com os clientes Restrições com rotas


- Agenda de horário para
recebimento/coleta;
- Limite de capacidade dos
- Atendimento total ou parcial
veículos - tonelagem ou m².
das demandas;
- Limite com relação ao tipo
- Tempo máximo permitido para - Horário de início e término das
de carga dos veículos: granéis
carga e descarga; viagens e locais de paradas fixas
sólidos, granéis líquidos, carga
- Necessidade ou restrição de etc.
paletizada etc;
serviço em algum dia específico
- Número e tipo de veículos
da semana;
disponíveis.
- Disponibilidade de área para
estacionamento do veículo.
Fonte: Própria autora.

Para otimizar o planejamento da roteirização, a empresa poderá utilizar técnicas e


modelos existentes.

Aprofunde seus conhecimentos sobre os métodos de roteirização em NOVAES, A.


G. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2007, Cap. 8.

Existem empresas dedicadas à distribuição de produtos, fazendo disso o seu core business.
Eles são os operadores logísticos.

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Você Sabia ?
Core business é a expressão em inglês que significa o foco do negócio, ou a atividade principal.
Podemos pensar, de forma simplificada, por exemplo, que o core business de uma padaria é
vender pão, de uma farmácia é vender medicamentos e de uma transportadora é transportar.

Operadores logísticos

Os operadores logísticos, entre outras atividades logísticas, fazem da distribuição o seu negócio
principal. Muitos possuem frota própria e softwares sofisticados de roteirização e controle.
Eles são intermediários em uma cadeia de distribuição e atuam como forma de comunicação
entre a empresa fabricante, seus atacadistas, varejistas e clientes finais. Um dos maiores benefícios
na utilização do operador logístico é a consolidação.
Consolidar, por definição, consiste em criar grandes carregamentos a partir de vários
carregamentos pequenos, obtendo economia de escala no custo dos fretes, assim como aumento
no nível de serviço ao cliente. Existem diversos tipos de consolidação:
··Consolidação de estoque: é criado um estoque dos produtos a partir do qual a demanda
é atendida. Isto permite embarques maiores e até cargas completas de veículos;
··Consolidação do veículo: quando as coletas e as entregas envolvem quantidades
incompletas de veículo, mais de uma coleta ou entrega é colocada no mesmo veículo de
modo a alcançar um transporte mais eficiente;
··Consolidação do armazém: a razão fundamental para armazenar é permitir o transporte
de grandes quantidades para distâncias longas e o transporte de pequenas quantidades
para distâncias curtas. Armazéns utilizados para operações de desmembramento de
volumes (também chamados de break bulk ou cross docking) são exemplos;
··Consolidação temporal: neste caso, os pedidos dos clientes são atrasados de modo que
embarques maiores possam ser feitos, em vez de vários embarques pequenos.

O Operador Logístico também poderá ser utilizado para operações de postergação, uma
estratégia de marketing e logística que consiste no retardamento voluntário de partes do processo
a fim de reduzir a incerteza da demanda.
A ideia central da postergação é que quanto mais tarde se der a decisão da quantidade e local
de colocação dos recursos, maiores chances existirão para adequações, ocasionando menores
perdas e permitindo maior flexibilidade.
A postergação pode ser realizada de diversas formas: fabricação, montagem, etiquetamento,
embalagem etc. Enquanto se aumentam os custos de fabricação e montagem, são reduzidos os
custos de manutenção de estoques e de transportes.

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Unidade: Distribuição logística

Para saber mais sobre as estratégias de consolidação e postergação nos Operadores


Logísticos, leia: NOVAES, A. G. Logística e gerenciamento da cadeia de
distribuição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007, Cap. 9.

Resumindo
··A distribuição está diretamente ligada com a Logística Outbound, responsável pelo
deslocamento dos produtos acabados da manufatura ao consumidor final, passando
pelo canal estabelecido pela empresa;
··O Canal de Distribuição representa a sequência de organizações ou empresas que vão
transferindo a posse do produto desde sua origem (fabricação) até o seu consumo
(consumidor final). Seus integrantes são os fabricantes, os intermediários, como
distribuidores, atacadistas e varejistas e o consumidor final;
··A utilização de intermediários facilita o Processo de Distribuição, simplificando suas
conexões e proporcionando sortimento e loteamento;
··O Canal de Distribuição tem como função induzir a demanda, satisfazer a demanda,
prestar serviços de pós-venda e trocar informações entre consumidores e a cadeia
de suprimentos;
··Os canais podem ser verticais, híbridos e múltiplos;
··A extensão do canal é definida pelo número de níveis intermediários, desde a manufatura
até o consumidor final e pode ser de nível zero, um e dois;
··A amplitude do canal é determinada pelo número de empresas que atuam no mesmo
nível de uma mesma cadeia e pode ser exclusiva, seletiva ou intensiva;
··A escolha de extensão ou amplitude deve levar em consideração o comportamento de
compra do consumidor, em relação ao produto ou serviço comercializado pela empresa;
··A roteirização consiste no planejamento da rota mais adequada para levar um produto do
ponto A para o ponto B e tem como objetivos minimizar os custos totais de distribuição
e reduzir a circulação desnecessária;
··Os operadores logísticos fazem da distribuição o seu negócio principal e são intermediários
em uma Cadeia de Distribuição, atuando como forma de comunicação entre a empresa
fabricante, seus atacadistas, varejistas e clientes finais. Seus benefícios são a consolidação
e a postergação.

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Material Complementar

Links interessantes para leitura e aprofundamento no tema de Gestão de Distribuição,


Roteirização e Postergação:

Explore

MACHADO, André Gustavo Carvalho; MORAES, Walter Fernando Araújo de. Estratégias
de customização em massa implementadas por empresas brasileiras. Prod. [online].
2008, vol.18, n.1, pp. 170-183. ISSN 0103-6513. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.
php?pid=S0103-65132008000100013&script=sci_arttext. Acesso em: 10 abr. 2014.

NOVAES, A. G. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição. Rio de Janeiro: Elsevier,


2007. Capítulos 8 e 9.

SILVA, A. R.; TEDESCO, G. M. I.; YAMASHITA, Y.; GRANEMANN, S. R. Metodologia para


roteirização do transporte escolar rural. Disponível em: http://www.cbtu.gov.br/estudos/
pesquisa/anpet/PDF/4_206_AC.pdf. Acesso em: 25 jun. 2014.

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Unidade: Distribuição logística

Referências

CHOPRA, S., MEINDL, P. Gestão da cadeia de suprimentos: estratégia, planejamento


e operações. 4. ed., São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

NOVAES, A. G. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição. Rio de Janeiro:


Elsevier, 2007.

TAYLOR, D. Logística na cadeia de suprimentos: uma perspectiva gerencial. São


Paulo: Pearson, 2005.

22
Anotações

23
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