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Universidade Nilton Lins

Curso: Arquitetura e Urbanismo


Disciplina: Técnicas Retrospectivas e Patrimônio Cultural
Aluno: Jordan Thiago dos Santos de Souza MAT: 15104358
Arq071

QUESTIONÁRIO 02

Questões para discussão os textos “Restauro” de Eugène Emmanuel Viollet-le-Duc e “A lâmpada da


memória” de John Ruskin.

1. Confronte o pensamento dos dois autores:

“Estará o século XIX destinado a concluir-se sem uma arquitetura própria? Esta época tão rica de
descobertas, que dá mostra de um grande potencial vital, transmitirá aos pósteros somente
pastiches ou obras híbridas sem caráter? (...) Então ela - a arquitetura do século XIX - desprovida da
luz que só a razão pode fornecer, tem tentado se ligar ao medievo, ao renascimento, à procura do
emprego de certas formas sem as analisar, sem descer às causas que as determinaram, vendo nelas
unicamente os efeitos, se transformou em neo-grega, neo-romana, neo-gótica; (...) se tornou sujeita
à moda (...). O fato é que, só é possível ser original com a verdade, que a originalidade não é outra
coisa senão uma rias formas assumidas pela verdade para manifestar-se; e estas formas são
afortunadamente infinitas." (VIOLLET-LE-DUC apud DOURADO, 1994: 4)
“Nos últimos anos, estudamos e aperfeiçoamos a grande invenção da civilização moderna que é a
divisão do trabalho. Na verdade não se divide o trabalho e sim o homem. A pequena porção de
inteligência que foi deixada ao homem dividido em segmentos, despedaçado em fragmentos e
migalhas de vida, não é suficiente para que se faça uma agulha ou um prego, mas se exaure no ato
de fazer a ponta da agulha ou a cabeça do prego. É útil e desejável fabricar um grande número de
agulhas a cada dia, mas se pudéssemos ver com que areia cristalina a sua ponta foi amolada - areia
do espírito humano, tanto mais magnífica quanto menos se lhe conhece a natureza." (RUSKIN apud
DOURADO, 1996: 3-4)

a) Em pelo menos uma lauda discorra sobre a visão dos dois autores sobre a realidade social e
econômica de seu tempo. Como Viollet-le-Duc e como Ruskin apreciavam o século XIX.
R-
O século XIX foi um período de transição e o movimento arquitetônico procurava sua
identidade para aquele momento. Foi um período onde, na tentativa de se criar um novo
estilo, acabou adotando os “neo”. O primeiro foi o Neoclássico seguido pelo movimento
Neogótico, e etc. Essa mistura de novas versões dos estilos antigos acabou resultando em
várias obras e monumentos chamado híbridos, e por fim no que conhecemos como
Movimento Revivalista, entrando no nicho da restauração e revitalização de obras e
monumentos arquitetônicos dos mais variados estilos arquitetônicos.
Viollet-le-Duc via com bons olhos as mudanças de um período pós-revolução industrial e as
melhorias que a evolução poderia causar no campo da construção civil. A substituição da
madeira por outros materiais mais resistentes, como o concreto armado , abria um leque
enorme de soluções construtivas que poderiam ser utilizadas pelos projetistas e engenheiros
daquela época, e falando em restauração as vantagens são ainda maiores para Viollet-le-
Duc. Ele utilizava as novas técnicas e materiais modernos da forma que seriam usados se
existissem no momento da concepção do projeto original, ele moldava os projetos de acordo
com esse pensamento, o que chamou muita atenção, pois, para alguns, ele descaracterizava
as obras onde aplicava sua restauração. Ele buscava a essência do estilo arquitetônico
original da obra, mas, por outro lado, também aplicava todo esse novo conhecimento
moderno de construção, materiais e técnicas mas levando em conta as diferenças entre os
períodos da concepção da obra e o período no qual ela foi restaurada.
Ruskin, por outro lado, era o oposto do pensamento até certo ponto modernista de Viollet-
le-Duc ele acreditava na história por trás de uma edificação, em suas restaurações ele sempre
tentava manter o máximo possível daquilo que se tinha construído e ate mesmo as marcas
que determinada obra adquiriu com o passar dos anos. Na minha visão, Ruskin era um
restaurador mais conservador que Viollet-le-Duc, justamente por isso, ele buscava saber
sobre as suas obras e as histórias que se passaram ao seu redor antes de conceber um projeto
de restauração.
As técnicas usadas por Ruskin eram o mais perto possível daquelas utilizadas quando o
projeto foi construído para que se mantivesse o máximo de originalidade e se subtraísse o
mínimo de historia das suas estruturas.
b) Existe algum conflito expresso no entendimento dos dois sobre o período em que viviam. Qual?
Explique minuciosamente.
R- Basicamente, um deles estava à vontade com o momento vivido, no caso Viollet-le-Duc, e o outro
nem tanto. Viollet-le-Duc se adaptou ao momento e acolheu as novas tecnologias construtivas que
o auxiliaram nas suas atividades, já Ruskin ainda era um resistente a ideia de abandonar os antigos
métodos de construção. Ruskin era um romântico que via beleza no “como fazer” e não apenas no
que se tem como resultado.
2. Viollet-le-Duc e Ruskin partem de um mesmo momento da história da arte para legitimar o seu
discurso. Pergunta-se:
a) Que tempo era este?
R- Era um período pós-revolução industrial de transição dos costumes sócias e os transitórios
resultantes da revolução industrial, daí a ideia de falta de um estilo próprio do século XIX.
b) A visão dos dois autores sobre este momento da história da arte era semelhante? Se não, em que
aspectos diferiam?
R- Não, Viollet-le-Duc defendia o uso das novas tecnologias em suas obra, já Ruskin defendia
a questão da tradição e era contra a industrialização, tanto que ao lado de William Morris criou o
movimento chamado Arts & Crafts (artes e ofícios) que defendia a valorização dos antigos métodos
aliando-os as novas tecnologias.
c) Porque o arquiteto francês escolhe este momento para construir seu pensamento?
R- No século XIX, existia o pensamento de que seria uma época sem um estilo marcante
próprio, Viollet-le-Duc buscou mostrar que seu estilo funcionaria, já que ele aliou a busca de essência
dos estilos com as novas tecnologias vindas com o século XIX.
d) Porque o crítico inglês escolhe este “estilo” arquitetônico como base para a elaboração de seu
discurso?
R- Ele acreditava que a conservação da arquitetura do passado nos permitiria entender a
relação entre os estilos arquitetônicos e as técnicas construtivas de determinada cultura e que a
história dessas construções serviriam como veículos de comunicação que contariam a história da
evolução construtiva com o passar dos tempos.

3. Explique o conceito de “Estilo” para Viollet-le-Duc e o relacione com a sua definição máxima sobre
restauro:

"Restaurar um edifício não é conservá-lo, repará-lo ou refazê-lo, é restituí-lo a um estado de inteireza


que pode jamais ter existido em um dado momento" (VIOLLET-LE-DUC, 1994: 7)

R- Viollet-le-Duc definia restauro como uma ação que não seguia apenas aquilo que
estivesse construído, a parte física da obra. Ele buscava resgatar a essência do estilo da obra em
suas atividades, mesmo que essa busca resultasse em uma transformação maior do que aquilo que
se esperaria de uma “restauração”. Para a maioria das pessoas a palavra restauro significa retificar
aquilo que já existe, mas para Viollet-le-Duc significava uma afirmação do estilo arquitetônico
daquela obra, mesmo que o resultado não fosse fiel ao que tivesse sido feito antes.

4. Analisar a citação de Ruskin:

“Porque a glória verdadeiramente maior de um edifício não reside nem nas pedras nem no ouro de
que é feito. A sua glória reside na sua idade, e naquele senso de larga ressonância, de severa
vigilância, de misteriosa participação, inclusive de aprovação ou de condenação, que nós sentimos
presentes nos muros que há tempos são levemente tocados pelas efêmeras ondas da história dos
homens. É no seu eterno testemunho diante dos homens, no seu plácido contraste com o caráter
transitório de todas as coisas, naquela força que atravessando o escoar das estações, das eras, o
declínio e o surgimento das dinastias, a mudança do vulto da terra e dos limites do mar, mantém a
sua beleza escultórica por um tempo insuperável, reunindo épocas esquecidas a épocas que se
seguiram, e que constitui a identidade, assim como concentra as simpatias das nações. É naquela
dourada patina imposta pelo tempo, que devemos procurar a verdadeira luz, a verdadeira cor e a
verdadeira preciosidade da arquitetura. Até que um edifício não tenha assumido esse caráter, até
que não tenha sido confiado à fama e consagrado pelas ações dos homens, até que os seus muros
não tenham sido testemunhas de sofrimento e os seus pilares não se tenham erguido sobre a sombra
da morte, ele não terá senão que a sua própria existência, destinada como é, a durar mais tempos
que os objetos naturais do mundo circundante, até que possa ser presenteado com aquele tanto de
linguagem e vida.” (RUSKIN 1996:17)

a) Discuta a citação de Ruskin relacionando-a com a sua visão sobre a arquitetura.


R- Na minha opinião, ele expôs sua visão da glória sobre um edifício arquitetônico, dizendo
que o valor maior de um determinado edifício se dá pelo tempo que se vive e as histórias cujo
edifício serviu de cenário. De certo modo, ele quis dizer que uma obra, após longo período,
pode contar várias histórias de vários momentos históricos diferentes.
b) Explique o que é pátina.
R- Pátina é uma técnica usada para se aplicar uma determinada textura a uma superfície, já
no caso em questão, no meu entendimento, pátina seriam as marcas históricas de um edifício
adquiridas com o passar do tempo, que ajudam a contar as histórias que envolvem tanto
este próprio edifício quanto tudo aquilo que o cerca.
c) Relacione as palavras do autor com o seu conceito sobre conservação e restauração.
R- Ruskin defendia o conceito que devia-se manter o máximo possível da forma original do
edifício a ser restaurado, e é o que o trecho diz. Valorizando o edifício em si, as marcas que foram
adquiridas com o passar dos anos, ao contrario do que pensava e seguia Viollet-le-Duc.

5. Abadia dominicana de Santa Maria da Vitória em Batalha – Portugal, é uma das obras primas da
arquitetura portuguesa. Localizando-se na região de Estremadura, no centro do país, o complexo
edifício começou a ser construído em 1388, a partir de um projeto extremamente ambicioso. O
estilo do edifício consolida-se nos séculos XV e XVI como Gótico Português (nave, coro) e Manuelino
(capela do fundador, claustro, fachadas). Porém, a parte mais conhecida do edifício, o Panteão do
Rei Duarte, filho de D. João, talvez o mais belo exemplo de arquitetura e decoração Manuelinas do
mundo, foi deixado inacabado no século XVI pelo Rei D. Manuel I. As capelas inacabadas, conhecidas
como “Capelas Imperfeitas”, cruzaram os séculos sem uma cobertura e sem os acabamentos finais
nas inúmeras torres. Baseado nas imagens oferecidas pergunta-se:

a) O que faria um arquiteto barroco, no século XVII, se chamado a “restaurar” o Mosteiro da


Batalha? Porque?

R - Aumentaria o tamanho e o número de janelas para a entrada de luz, acrescentaria alguns


adornos como esculturas, pilares decorados, gárgulas, quimeras e também acrescentaria
alguns motivos religiosos.
b) O que faria Viollet-le-Duc, se no século XIX fosse encarregado a restaurar, sem limitações
econômicas, o complexo? Explicar.
R- Seguindo sua linha de raciocínio, ele buscaria a pureza do estilo, ele finalizaria as capelas
inacabadas, mesmo havendo sua história, faria uma reformulação ideal do projeto.

Fachada da igreja do Convento de Santa Maria da Vitória em Batalha – Portugal


Fonte:

Imagem do interior inacabado das “Capelas Imperfeitas”, Convento de Santa Maria da Vitória em Batalha – Portugal
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mosteiro_da_Batalha#/media/File:Mosteiro_da_Batalha_-_Capelas_Imperfeitas.jpg