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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS


CIÊNCIAS SOCIAIS - BACHARELADO

Resenha do primeiro capítulo do livro ‘‘Os Sentidos do Lulismo’’ de


André Singer

Resenha feita para avaliação da disciplina de


Sociologia da Sociedade Brasileira na
graduação de Ciências Sociais
(Bacharelado) na Universidade Federal de
Pernambuco.
Docente: Maria Eduarda da Mota Rocha.
Discente: Marcele de Morais Silva.
Recife, 2017
1. Raízes sociais e ideológicas do lulismo

​O argumento central utilizado por André Singer, nesse capítulo de sua obra, é que, a
partir de 2006, há um realinhamento das bases sociais e a consequência disso é o
fenômeno do Lulismo. Para entendê-lo, é preciso considerar que ele representa um
determinado grupo da sociedade que, apesar de ser a maioria, não possui habilidade de
desenvolver suas formas de articulação e, desse modo, torna-se dependente do governo
para se movimentar.
O ponto de partida para entender esse realinhamento são as eleições anteriores em que
Lula havia se candidatado mas não havia obtido sucesso em sua eleição. Nelas, embora o
público o qual ele desejava atingir fosse as camadas mais baixas e aqueles prejudicados
pela desigualdade social, a sua figura tinha como eleitorado a camada da sociedade que
possuía um maior nível de escolaridade, localizadas principalmente nos estados do Sul e do
Sudeste. Segundo Singer, o governo Lula assume dois lados: um progressista, com o olhar
voltado para os problemas sociais e o outro conservador, fato provado pela sua união com
partidos de centro-direita e com candidatos de origem empresarial. Esse segundo aspecto é
o que permite a caracterização do seu eleitorado nas eleições de 2002.
É importante ressaltar alguns dos pensamentos peculiares das classes mais baixas no
começo do processo de redemocratização: André Singer extrai de alguns trabalhos
realizados em 1989 a conclusão de que há uma rejeição às greves - iniciadas ainda na
época da ditadura militar em 1978 - por parte daqueles que pertencem a um grupo cuja
renda familiar era de apenas dois salários mínimos, além da defesa da utilização de tropas
para combatê-las. Enquanto que os que tinha renda superior a vinte de salários mínimos
não possuía essa posição. Esse aspecto é produto de um processo sócio-cultural em que as
minorias apontadas na sociedade são as mais afetadas mesmo quando ela mesma defenda
instrumentos que a violentem. Fatores como o medo da instabilidade impedem nesse
momento a eleição de Lula por maioria popula de tal modo que os votos da camada popular
estavam direcionados para a candidatura de Fernando Henrique Cardoso.
O governo de Lula nos anos de 2002 a 2006 começa a utilizar de uma série de
instrumentos para o combate à desigualdade e que envolvem essencialmente a esfera
econômica. Segundo Singer, são três elementos que permitem a reeleição de Lula em 2006
mesmo com o escândalo do Mensalão - abordado pela mídia (pesquisar no texto e
completar), sendo eles: o Bolsa Família, que segundo pesquisas, as mais beneficiados eram
as mulheres de renda baixa, pois são as mães que precisam dele, mas toda a camada
pobre que através desse recurso tinha a oportunidade de alcançar uma melhora na condição
de vida; o crédito consignado, que permitiu à camada baixa um maior consumo, tanto dos
produtos básicos como alimentos quanto equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos; e o
aumento do salário
mínimo. Todos os três podem explicar uma forte adesão das camadas mais baixas à
candidatura de Lula, sobretudo após de 2006. Singer aponta para os dados estatísticos
mostrando que quando a intenção de voto era para o candidato do PT, a possibilidade do
eleitor ser participante de algum dos programas criados no seu governo era mais alta. Com
o escândalo do Mensalão houve uma desagregação da classe média da figura de Lula,
ocorrendo um retorno para o PSDB.
Já ao final do capítulo, André Singer aponta para ​desideologização ​fruto de uma política
que abarca as classes que possuem características opostas em que uma possui mais
tendências à esquerda e a outra à direita. Conforme Lula vai se unindo e aliando com os
setores da burguesia, a população cada vez mais tem dificuldades de se classificar
ideologicamente, ocorrendo, desse modo, dúvida em qual posição política ter. É apontado
que o PT não acompanhou as transformações de base ocorridas com Lula, enquanto ele
chamava mais atenção dos que têm menos, a bancada federal continuou associada àqueles
que estão localizados em um maior índice de IDH.
Evidencia-se, portanto, que o realinhamento ocorrido a partir de 2006 causou mudanças
na base do PT, visto que a classe média teve seu voto direcionado para o PSDB e o que
Singer chama de ‘‘subproletariado’’ passa a ocupar esse espaço, tornando-se a base lulista
que está de acordo com as ideias do Lula reformista, anterior a sua fase ‘‘Lula paz e amor’’.