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SISTEMA EDUCATIVO NACIONAL DE PORTUGAL

7. EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR
7.1 ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

7.1.1 PRINCÍPIOS GERAIS. BASE LEGISLATIVA DE REFERÊNCIA

A educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de


educação ao longo da vida, sendo complementar da acção educativa da família.
Destina-se a crianças com idades compreendidas entre os 3 anos e a idade de
ingresso no ensino básico.

A frequência da educação pré-escolar é facultativa, no reconhecimento de que


cabe, primeiramente, à família a educação dos filhos, mas compete ao Estado
contribuir activamente para a universalização da oferta da educação pré-escolar.

São objectivos da educação pré-escolar:

a) promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em experiências


de vida democrática, numa perspectiva de educação para a cidadania;

b) fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela


pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva consciência do seu papel como
membro da sociedade;

c) contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o sucesso


da aprendizagem;

d) estimular o desenvolvimento global de cada criança, no respeito pelas suas


características individuais, incutindo comportamentos que favoreçam aprendizagens
significativas e diversificadas;

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e) desenvolver a expressão e a comunicação através da utilização de linguagens


múltiplas, como meio de relação, de informação, de sensibilização estética e de
compreensão do mundo;

f) despertar a curiosidade e o pensamento crítico;

g) proporcionar a cada criança condições de bem-estar e de segurança,


designadamente no âmbito da saúde individual e colectiva;

h) proceder à despistagem de inadaptações, deficiências ou precocidades,


promovendo a melhor orientação e encaminhamento da criança;

i) incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer relações


de efectiva colaboração com a comunidade.

São finalidades da educação pré-escolar:

1) apoiar as famílias na tarefa da educação dos filhos;

2) proporcionar a cada criança a oportunidade de desenvolver a sua autonomia,


socialização e desenvolvimento intelectual;

3) promover a sua integração equilibrada na vida em sociedade;

4) prepará-la para uma escolaridade bem sucedida.

A escola deverá ser entendida como local de aprendizagens múltiplas.

São beneficiárias da educação pré-escolar todas as crianças que residem em


território nacional, sem excepção. Compete ao Estado contribuir activamente
para a univeralização da oferta educativa pré-escolar.

Nos termos da Lei Quadro, a educação pré-escolar pode desenvolver-se


através da operacionalização de diversas modalidades que se complementam e
articulam, nomeadamente a educação pré-escolar itinerante e a animação infantil e
comunitária. A educação itinerante consiste na prestação de serviços de educação
pré-escolar mediante a deslocação regular de um educador de infância a zonas de
difícil acesso ou a zonas com um número reduzido de crianças. A animação infantil e
comunitária destina-se a crianças com cinco anos, com o fim de proporcionar à
população que vive em zonas periféricas, populosas e carenciadas, sem acesso a
qualquer equipamento, actividades adequadas ao seu desenvolvimento. Realizam-se
em instalações cedidas pela comunidade.

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A Lei Quadro da Educação Pré-Escolar (Lei n.º 5/97, de 10 de Fevereiro)


consagra o ordenamento jurídico da educação pré-escolar.

O Decreto-Lei n.º 147/97, de 11 de Junho, procede ao desenvolvimento da Lei


Quadro, estabelecendo o regime jurídico do desenvolvimento e expansão da
educação pré-escolar e define o respectivo sistema de organização e financiamento.

O despacho n.º 5220/97, de 4 de Agosto, aprova as orientações curriculares


para a educação pré-escolar.

Existe também regulamentação, da iniciativa do Ministério da Educação e do


Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, que estabelece os critérios de
qualidade aplicáveis à caracterização das instalações, do material didáctico e do
equipamento necessário ao funcionamento dos estabelecimentos de educação pré-
escolar, bem como à definição dos requisitos pedagógicos e técnicos para instalação e
funcionamento dos estabelecimentos. Os estabelecimentos da responsabilidade das
Instituições Particulares de Solidariedade Social e das Autarquias recebem também
financiamento através da assinatura de protocolos de cooperação com os Ministérios
da tutela.

Pelo Decreto-Lei n.º 115-A/98, de 4 de Maio, foi aprovado o regime jurídico da


autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos da educação pré-escolar e
dos ensinos básico e secundário, a aplicar gradualmente até ao final do ano lectivo de
1999-2000. De acordo com este normativo, os estabelecimentos de educação pré-
escolar e de um ou mais níveis e ciclos de ensino podem agrupar-se, realizando um
projecto pedagógico comum, com percursos escolares integrados e órgãos de gestão
e administração comuns.

Para garantir a coordenação entre as entidades promotoras da educação pré-


escolar foi criado, em 1996, o Gabinete para a Expansão e o Desenvolvimento da
Educação Pré-Escolar, que agrega diversos serviços do Ministério da Educação e do
Ministério do Trabalho e da Solidariedade. A principal finalidade deste Gabinete é, de
um modo concertado, promover a expansão da rede, em sintonia com as
necessidades das populações e simultaneamente contribuir para uma melhoria da
qualidade destes estabelecimentos.

7.1.2 REDE DE ESTABELECIMENTOS DA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR. MAPA ESCOLAR

Existem duas redes de educação pré-escolar - a rede pública e a rede privada -


complementares entre si. As redes de educação pré-escolar, pública e privada,
constituem uma rede nacional, visando efectivar a universalidade da educação pré-
escolar.

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A rede pública integra os estabelecimentos de educação pré-escolar criados e


a funcionar na directa dependência da administração pública central e local, isto é, do
Ministério da Educação e do Ministério do Trabalho e da Solidariedade.

A rede privada integra os estabelecimentos de educação pré-escolar que


funcionem em estabelecimentos de ensino particular ou cooperativo, em instituições
particulares de solidariedade social e em instituições, sem fins lucrativos, que
prossigam actividades no domínio da educação e do ensino.

Os pais podem inscrever os filhos na rede pública ou na rede privada,


independentemente do seu poder económico. Para esse efeito, estabeleceu-se o
seguinte regime:

Para as crianças que frequentem um estabelecimento da rede pública, a


componente educativa é gratuita. A refeição e o prolongamento do horário são pagos,
segundo a capacidade económica da criança.

Relativamente à rede privada: nas Instituições Particulares de Solidariedade


Social, a componente educativa é paga, ainda que seja gratuita para as crianças de 5
anos, devendo abranger todas as crianças até ao ano 2001/2002. A componente de
apoio à família é paga pelos pais, na proporção dos rendimentos das famílias, sendo
também comparticipada pelo Estado. Nos estabelecimentos privados com fins
lucrativos, o Estado, através do Ministério da Educação, estabelece com as entidades
tutelares dos estabelecimentos do ensino particular e cooperativo contratos de
desenvolimento para a educação pré-escolar, na modalidade de apoio à família.

Esta medida visa estimular as iniciativas de alargamento da rede nacional,


concretizando uma política de igualdade de oportunidades de acesso e de frequência
de todas as crianças. Por outro lado, pretende-se ainda apoiar as famílias dos alunos
que frequentam o ensino particular e cooperativo, respeitando a escolha que fizeram
para o percurso educativo dos seus filhos.

Relativamente à educação pré-escolar itinerante, compete às Direcções


Regionais de Educação, ouvidos os municípios, a organização anual da respectiva
rede.

7.1.3 ALUNOS DA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR: ACESSO E IDADES

A educação pré-escolar destina-se a crianças com idades compreendidas entre


os 3 anos e a idade de ingresso no 1º ano do ensino básico (5/6 anos).

O critério de acesso nos jardins de infância oficiais é a idade da criança: em


caso de selecção, quando não há lugar para todas, têm preferência as crianças mais

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velhas, isto é, as que têm cinco anos, seguidamente as que têm quatro e, em terceiro
lugar, as que têm três anos.

Os grupos de crianças podem ser de idades heterogéneas ou podem ser


constituídos por grupos com a mesma idade. A constituição dos grupos é da
competência dos responsáveis dos estabelecimentos de educação pré-escolar.

Cada sala de educação pré-escolar deve ter a frequência mínima de 20 e


máxima de 25 crianças, com excepções para as zonas de fraca densidade
populacional, onde poderá ser autorizada uma frequência inferior ou a adopção de
modalidades alternativas, como a educação pré-escolar itinerante ou a animação
infantil e comunitária.

7.1.4 ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS E CONTEÚDOS

Garantindo sempre os projectos educativos de cada escola, é da


responsabilidade do Ministério da Educação, através da Tutela Pedagógica Única,
assegurar a qualidade do ensino ministrado e financiar os encargos respeitantes à
componente educativa.

Pelo Despacho n.º 5220/97, de 4 de Agosto, foram aprovadas as “Orientações


Curriculares para a Educação Pré-Escolar”, as quais, no ano lectivo de 1997/1998,
assumiram estatuto de recomendação, tendo carácter vinculativo a partir do ano
lectivo de 1998/1999. Está prevista a sua revisão no ano lectivo de 2001/2002.

Pretende-se dar aos educadores a possibilidade de disporem de um conjunto


de princípios gerais pedagógicos e organizativos para a tomada de decisões sobre a
sua prática, tendo em vista uma educação de qualidade.

As orientações curriculares para a educação pré-escolar contemplam áreas de


conteúdos que devem ser trabalhadas de forma articulada, ou seja, globalizante:

- Área de formação pessoal e social;

- Área de expressão comunicação:

- domínio de expressões com diferentes vertentes: expressão motora,


expressão dramática, expressão plástica, expressão musical;

- domínio da linguagem oral e abordagem da escrita;

- domínio da matemática;

-Área de conhecimento do mundo.

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As práticas pedagógicas desenvolvidas na educação pré-escolar itinerante


tomam como referência as orientações curriculares para a educação pré-escolar.

7.1.5 PROFESSORES DA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

A prestação de serviços educativos é obrigatoriamente exercida por


profissionais do desenvolvimento infantil, isto é, tendo como habilitação o curso de
educadores de infância.

O tempo de actividades pedagógicas – tempo lectivo – tem de ser assegurado,


em cada sala, por estes profissionais, já que se reconhece a especificidade do
trabalho com as crianças nesta faixa etária e a importância de uma educação de
qualidade. O prolongamento do horário de atendimento – tempo não lectivo – não tem
uma intencionalidade pedagógica, por isso o perfil do pessoal de animação é diferente.
Recomenda-se, contudo, que este pessoal tenha uma habilitação superior à
escolaridade obrigatória (que, em Portugal, é de nove anos, como já referido).
Recentemente, através do Despacho conjunto n.º 942/99, de 3 de Novembro, foi
aprovado o Regulamento do Programa Educação/Emprego, que visa dar formação
apropriada ao pessoal que exerça as funções de animação cultural (exigindo-se como
habilitação mínima o 11º ano de escolaridade) e de mediação cultural (não sendo
exigível o 11º ano de escolaridade), o qual prevê uma formação específica com uma
duração mínima de duzentas e cinquenta horas e o exercício de uma actividade
específica de interesse social no sector da educação durante um ano lectivo.

Cada estabelecimento de educação pré-escolar é coordenado por um director


pedagógico, o qual é obrigatoriamente um educador de infância ou um técnico de
educação devidamente reconhecido para o efeito pelo Ministério da Educação.

A formação dos educadores de infância realiza-se em escolas superiores de


educação e em estabelecimentos de ensino universitário, públicos e privados. A Lei n.º
115/97, de 19 de Setembro, alterou alguns artigos da Lei de Bases do Sistema
Educativo, nomeadamente o artº 31º, referente à formação inicial de educadores de
infância e de professores dos ensinos básico e secundário, que passou a ter a
seguinte redacção:

“1 - Os educadores de infância e os professores dos ensinos básico e secundário


adquirem a qualificação profissional através de cursos superiores que conferem o grau
de licenciatura, organizados de acordo com as necessidades do desempenho
profissional no respectivo nível de educação e ensino.

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3. A formação dos educadores de infância e dos professores dos 1º, 2º e 3º ciclos do


ensino básico realiza-se em escolas superiores de educação e em estabelecimentos
de ensino universitário...”.

Sem prejuízo do disposto acima, “.... o Governo definirá, através de decreto-lei,


as condições em que os actuais educadores de infância e professores dos ensinos
básico e secundário, titulares de um diploma de bacharelato ou equivalente, possam
adquirir o grau académico de licenciatura...”.

Com efeito, até à publicação da Lei n.º 115/97, de 19 de Setembro, a formação


inicial dos educadores de infância realizava-se nas escolas superiores de educação,
através de cursos com a duração de três anos, conferindo o grau de bacharelato.

Para além da formação inicial, o Ministério da Educação, em articulação com


as instituições de ensino superior, com os centros de formação das associações de
escolas e com outras entidades formadoras, desenvolve programas de formação
contínua do pessoal docente e não docente dos estabelecimentos de educação pré-
escolar da rede nacional de educação pré-escolar.

7.2 DADOS DO NÍVEL PRÉ-ESCOLAR

7.2.1 ALUNOS

Em 1998/99 a educação pré-escolar abrangia 65% das crianças com idades


compreendidas entre os 3 anos e a idade de ingresso no 1º ciclo do ensino básico, a
nível do continente. Na Região Autónoma da Madeira, no ano lectivo de 1997/98 a
taxa de cobertura das crianças de 3 anos era de 42%, dos 4 anos era de 55% e dos 5
anos de 88%. Na Região Autónoma dos Açores, a educação pré-escolar era
frequentada, no ano lectivo de 1997/98, por 32% das crianças de 3 anos, enquanto
que, para as crianças de 4 e 5 anos, a taxa de escolarização era de 55% e 92%,
respectivamente.

O Plano de Expansão e Desenvolvimento da Educação Pré-Escolar, propõe-se


alargar até 2006 a cobertura da educação pré-escolar de modo a abranger 90% das
crianças de 5 anos de idade, 75% das de 4 anos de idade e 60% das de 3 anos de
idade.

EFECTIVOS DE ALUNOS, ANO 1997/98

Ministério da Educação Ministério do Emprego e da Segurança Social


Público Particular Total Público Particular Total
Alunos 88 031 36 280 124 311 4 343 72 720 77 063
Fonte: Departamento de Avaliação, Prospectiva e Planeamento (DAPP)

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7.2.2 DOCENTES

EFECTIVOS DE EDUCADORES, ANO 1996/97

Ministério da Educação Ministério do Emprego e da Segurança Social


Público Particular Total Público Particular Total
Educadores de infância* 5193 2334 7527 - - -
* Em exercício no estabelecimento
Fonte: Departamento de Avaliação, Prospectiva e Planeamento (DAPP)

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7.2.3 PESSOAL DE APOIO EDUCATIVO

PESSOAL NÃO DOCENTE, SEGUNDO A NATURALEZA DO ESTABELECIMENTO E DO SEXO. EDUCAÇÃO PRÉ-


ESCOLAR, ENSINOS BÁSICOS E SECUNDÁRIO. ANO 1996/97

TOTAL PÚBLICO PRIVADO


Total Mulheres Total Mulheres Total Mulheres
57407 47458 48739 39814 8668 7644

7.2.4 CENTROS

EFECTIVOS DE ESTABELECIMENTOS DE ENSINO, ANO 1997/98

Ministério da Educação Ministério do Emprego e da Segurança Social


Público Particular Total Público Particular Total
Estabelecimentos 3969 1100 5069 123 1167 1290
Fonte: Departamento de Avaliação, Prospectiva e Planeamento (DAPP)

7.3 CARACTERÍSTICAS COMPLEMENTARES DA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

7.3.1 INTEGRAÇÃO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

O regime educativo especial consiste na adaptação das condições em que se


processa o ensino-aprendizagem dos alunos com necessidades educativas especiais.
Essas adaptações podem revestir as seguintes formas: equipamentos especiais de
compensação; adaptações materiais; condições especiais de matrícula; adequação na
organização de classes ou turmas; apoio pedagógico acrescido; ensino especial.

Estas medidas são de aplicação individualizada, podendo a mesma criança


beneficiar de uma ou mais medidas em simultâneo.

As crianças com necessidades educativas especiais de idade inferior a cinco


anos têm prioridade na frequência dos jardins de infância, podendo escolher o
estabelecimento de educação pré-escolar mais adequado, independentemente da sua
residência.

A estas crianças é assegurada a permanência no estabelecimento de


educação pré-escolar até ao ingresso no ensino básico, podendo ser autorizadas a
ingressar no ensino básico um ano mais tarde do que é obrigatório, mediante pedido
apresentado pelo encarregado de educação.

Compete ao educador de infância identificar as crianças com necessidades


educativas especiais, informando o coordenador de núcleo, o qual promove a reunião
do núcleo para análise da situação do aluno e formulação de propostas de actuação a

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apresentar ao órgão de administração e gestão do estabelecimento; na reunião do


núcleo participa o professor de educação especial, devendo os serviços de psicologia
e orientação elaborar a proposta de plano educativo individual.

O Despacho n.º 105/97, de 1 de Julho, visa introduzir alterações no âmbito dos


apoios a crianças com necessidades educativas especiais. Avaliando os aspectos
mais positivos da experiência já adquirida neste domínio, procura-se criar condições
que facilitem a diversificação de práticas pedagógicas e uma mais eficaz gestão dos
recursos especializados disponíveis, visando a melhoria da intervenção educativa.
Confere-se prioridade à colocação de pessoal docente com formação especializada e
de outros técnicos nas escolas.

O referido despacho regulamenta os apoios educativos, possibilitando a


articulação de suporte diversificado para a integração das crianças com necessidades
educativas específicas, para o alargamento das aprendizagens, para a promoção da
interculturalidade e para a melhoria do ambiente educativo. Reconhece-se o papel
decisivo da família e da comunidade no desenvolvimento global da criança.

Os alunos que se beneficiem de programas de educação especial durante a


frequência da educação pré-escolar devem fazer-se acompanhar do plano educativo
individual aquando da sua matrícula no 1º ciclo do ensino básico.

7.3.2 SERVIÇOS COMPLEMENTARES: ORIENTAÇÃO ESCOLAR E DE SAÚDE

Através do Decreto-Lei n.º 190/91, de 17 de Maio, foram criados os Serviços de


Psicologia e Orientação, que desenvolvem a sua acção não só nos estabelecimentos
dos ensinos básico e secundário, como nos de educação pré-escolar, funcionando em
estreita articulação com os outros serviços de apoio educativo, designadamente os de
apoio a alunos com necessidades escolares específicas, os de acção social escolar e
os de apoio de saúde escolar.

Pelo carácter globalizante da educação pré-escolar e do 1º e 2º ciclos do


ensino básico, configurou-se para estes níveis um modelo de intervenção
dominantemente psico-pedagógico.

Com relação ao apoio psico-pedagógico compete-lhes, designadamente:

- colaborar com os educadores e professores, prestando apoio psico-pedagógico às


actividades educativas;

- proceder à avaliação global de situações relacionadas com problemas de


desenvolvimento, com dificuldades de aprendizagem, com competências e
potencialidades específicas e prestar o apoio psico-pedagógico mais adequado;

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- articular modalidades de complemento pedagógico, de compensação educativa e de


educação especial;

- propor, de acordo com os pais e em colaboração com os serviços competentes, o


encaminhamento de alunos com necessidades educativas especiais para modalidades
adequadas de resposta educativa.

A prestação de cuidados na área da saúde escolar é realizada pelas equipas


de saúde pertencentes aos Centros de Saúde, dependentes das Administrações
Regionais de Saúde. O Programa de Saúde Escolar deve envolver toda a comunidade
educativa do pré-escolar e escolar. As equipas de saúde escolar podem constituir-se
como parceiras em projectos cujos objectivos sejam dar resposta a necessidades e
problemas de saúde e do bem estar da comunidade educativa, como o Programa
Educação para Todos 2000 ou o Programa de Promoção e Educação para a Saúde,
criado através do Despacho n.º 172/ME/93, no âmbito do qual vários jardins de
infância se encontram a desenvolver projectos com as crianças, com a participação
dos pais e da comunidade envolvente. Terminado este Programa em Agosto de 1999,
foi criada pelo Despacho n.º 15587/99, de 12 de Agosto, a Comissão de Coordenação
da Promoção e Educação para a Saúde, incumbida de coordenar a intervenção para a
saúde em meio escolar.

7.3.3 REFEITÓRIOS E TRANSPORTE ESCOLAR

Alguns estabelecimentos públicos de educação pré-escolar, em colaboração


com os pais e/ou as autarquias, fornecem almoço às crianças e promovem actividades
de tempos livres. Também a maioria dos estabelecimentos particulares fornece
almoços.

Nalguns estabelecimentos públicos, as autarquias asseguram o transporte das


crianças.

Os estabelecimentos particulares, em geral, têm transporte próprio para as


crianças.

Um despacho conjunto do Ministério da Educação e do Ministério do Trabalho


e da Solidariedade definiu o regime de comparticipações familiares no custo das
componentes não educativas da educação pré-escolar, de acordo com as condições
sócio-económicas das famílias.

7.4 REFORMAS EM CURSO

A educação de infância em Portugal tem vindo, gradualmente, a ser assumida


pelo Estado como uma etapa importante: a primeira etapa do processo de educação

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ao longo da vida e instrumento de combate ao insucesso escolar. Esta concepção


tem-se traduzido na prática através do Programa de Expansão e Desenvolvimento da
Educação Pré-escolar, o qual tem como suporte nova legislação e está a gerar novas
sinergias no terreno, tanto a nível organizacional como a nível técnico (formativo e
pedagógico).

A aprovação da Lei Quadro da Educação Pré-Escolar, publicada no início de


1997, e da respectiva legislação de desenvolvimento, constituiu um passo fundamental
no sentido de lançar esse programa de expansão e desenvolvimento da educação
para as crianças dos três aos cinco anos de idade.

Complementarmente, a publicação do Despacho que aprova as orientações


curriculares para a educação pré-escolar definiu padrões de qualidade educativa,
através da aplicação de linhas de orientação curricular e do desenvolvimento de
práticas pedagógicas adequadas aos diferentes contextos sócio-económicos –
afirmando a tutela pedagógica do Ministério da Educação sobre todos os
estabelecimentos que integram a rede nacional.

Vários Despachos foram também publicados sobre critérios e requisitos


pedagógicos e técnicos relativos às instalações, equipamentos e material didáctico da
educação pré-escolar, ratio de pessoal não docente, prolongamento de horários e
subsídios para material didáctico, acesso ao financiamento de infra-estruturas e dos
equipamentos e apetrechamento dos estabelecimentos. Definiram-se, desta forma, os
termos da participação dos diferentes parceiros educativos no desenvolvimento e
expansão da rede, a gratuitidade da componente educativa (primeiro para os 5 anos
de idade e até ao ano de 2001-2002 para os 3 e 4 anos) e o incentivo ao alargamento
de horário e ao apoio às famílias carenciadas, a fim de que as crianças entre os 3 e os
5 anos de idade não sejam privadas de educação pré-escolar por razões económicas
e sociais.

Complementarmente, tem-se realizado um elevado número de acções de


sensibilização e de formação destinadas a educadores de infância da rede nacional,
pública e privada.

Com efeito, está a ser desenvolvido um esforço concertado para que o


atendimento e educação das crianças seja cada vez maior e de maior qualidade, tanto
no âmbito dos técnicos envolvidos, dos equipamentos e materiais como da
monitorização e avaliação de todo o processo. Os Ministérios da Educação e do
Trabalho e da Solidariedade têm vindo a desenvolver um trabalho coordenado, foi
encetada uma cooperação activa com as Uniões das Instituições Particulares e de
Solidariedade Social, das Misericórdias e das Mutualidades e com a Associação

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Nacional dos Municípios Portugueses tendente à concretização da Lei e das metas do


Programa.

O empenhamento passa por valores como igualdade de oportunidades,


democracia, mas também por uma mudança dos modos de organização e
investimento nas práticas educativas de forma a que possam ser definidos padrões de
qualidade educativa.

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