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AMOR, CULPA E REPARAÇÃO 215

aplica, em seu conceito, à fase de feminilidade. Apesar de não ligá-la às suas


ideias posteriores, a fase de feminilidade não perdeu sua importância a seus
9 olhos; os aspectos de inveja e apropriação desta relação com a mãe também
ESTÁGIOS INICIAIS D O CONFLITO EDIPIANO foram estudados em Inveja e gratidão (1957), e o conceito posterior de identifi-
(1928) cação projetiva parece ser o mecanismo por trás da fase de feminilidade.
Nesse artigo, Melanie Klein acompanha identificações sucessivas no início
das relações edipianas, num relato que apresenta elos de ligação com as
Nota Explicativa da C o m i s s ã o Editorial Inglesa discussões de Freud em O ego e o id, mas num nível mais inicial. Ela descreve o
desenvolvimento sexual do menino e da menina, e apesar de não concordar com
Esse é u m dos artigos mais importantes de Melanie Klein. Há alguns anos ela Freud a respeito da principal ansiedade nos dois sexos, vê seu trabalho como
defendia a opinião de que o complexo de Édipo tinha início antes do que Freud uma expansão das novas ideias de Freud sobre a ansiedade em inibições, sintomas
imaginava; em " A anáUse de crianças pequenas" (1923), sugere que ele começa c ansiedade, E.S.B. 20. N o ano seguinte, em "Situações de ansiedade infantil, etc."
quando a criança está entre dois e três anos de idade; numa nota de pé de página (1929), ela dá exemplos das situações de ansiedade básicas descritas neste artigo,
de "Principios psicológicos da anáhse de crianças pequenas" (1926), dá ii lim seu conceito, a ansiedade mais profunda de ambos os sexos vem de uma
entender que na verdade ele começaria bem mais cedo - no primeiro ano de imago formada a partir de ataques contra o corpo da mãe: a imagem de uma mãe
vida, durante o desmame, apresentando explicitamente esse conceito em "Sim ameaçadora que possui u m pênis hostil, a figura dos pais combinados, como ela
pósio sobre a análise de crianças" (1927). N o entanto, as descobertas que fez a viria a chamá-la mais tarde. Melanie Klein argumenta que a ansiedade de
partir da anáUse de crianças vão além da simples datação desse complexo num (astração no menino deriva dessa ansiedade mais primária e que, no caso da
período anterior; neste artigo relativamente curto, ela apresenta o equivalente de menina, o medo da perda de amor é secundária ao medo de ter seu interior
uma nova concepção do complexo de Édipo. atacado por uma mãe hostil; também faz uma descrição da ansiedade de
(astração e da inveja do pênis na menina diferente daquela oferecida por Freud,
E m seu conceito, o complexo de Édipo tem início no período de desmame,
e apesar de falar da fase fálica num desejo manifesto de não criar divergências
numa situação confusa e instável de impulsos misturados. Apesar da emergêní i.i
i o m Freud, não deixa de destacar a presença de uma consciência inicial da
de sentimentos genitais, os impulsos sádico-orais e sádico-anais mantêm su,i
vagina.
predominância no princípio; os impulsos genitais só passam a dominar a ccii.i
mais tarde, quando a criança atinge a situação edipiana clássica descrita pm Estas são as novas descobertas de Melanie Klein a respeito do complexo
Freud. O complexo de Édipo positivo interage intimamente com o invertido, i lie Édipo. Não se pode esquecer que neste estágio de seu pensamento a
tanto o mundo interior da criança quanto o exterior estão envolvidos n( i ' .iiisiedade é u m conceito genérico, não havendo ainda a distinção entre
processo. Além disso, o fato de o complexo de Édipo começar tão cedo signiln .i .iiisiedade persecutória e depressiva; mais importante do que isso, ela continua
que isso ocorre quando o ego ainda não está muito desenvolvido e, de aconlo .1 SC ater principalmente ao estudo do ódio. Melanie Klein muda de conceito a
com as novas pesquisas de Melanie Klein sobre o superego, na presença de um lespeito de vários pontos em " O complexo de Édipo à luz das ansiedades
superego arcaico extremamente severo. Esses dois fatos trazem conseqúêiK 11 .iicaicas", escrito em 1945, quando j á tinha estabelecido a distinção entre os
importantes. O bebé é exposto a uma avalanche de impulsos sádicos e sexii.ii'» ilois tipos de ansiedade e atribuído ao impulso amoroso o seu devido lugar ao
contraditórios, aliados a uma forte curiosidade sexual, quando ainda iiiln I.KIO do ódio. Essa e outras questões são examinadas na Nota Explicativa do
consegue compreender as coisas nem se expressar; Melanie Klein chama atcni,,\ii .litigo de 1945. < .> , ,,.
para a dor, o ódio e a ansiedade relacionados a essa situação, assim como p;ihi
suas conseqiiências no desenvolvimento sexual e epistemofílico. Além dissd, ,i
presença do superego significa que a culpa a respeito dos impulsos pré-gcuii.ii'.
não é deslocada para trás a partir de u m ego formado no nível genital, mas vem
diretamente do severo superego arcaico.
Melanie Klein também acredita que a consciência arcaica do bebe a rcspciid
do corpo da mãe e de seu conteúdo é de particular importância. O mesmn Nt<
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(completa, ou —eu acrescentaria - ainda em andamento) dos objetos amorosos


edipianos: isto é, o sentimento de culpa é produto da formação do superego.
9
A análise de crianças pequenas revela que a estrutura do superego é montada
ESTÁGIOS INICIAIS D O CONFLITO EDIPIANO
a partir de identificações que datam de períodos e estratos muito diferentes da
(1928)
vida mental. Essas identificações têm caráter surpreendentemente contraditório:
uma bondade excessiva pode conviver lado a lado com uma severidade desme-
Durante minha experiência com a anáhse de crianças, principalmente aquelas dida. Podemos ver nelas, também, uma explicação para o rigor do superego, que
entre os três e os seis anos de idade, cheguei a diversas conclusões que
se manifesta de forma muito clara na análise dessas crianças. Não parece claro
apresentarei aqui de forma resumida.
que uma criança de quatro anos, por exemplo, deveria criar em sua mente uma
Já me referi várias vezes à constatação de que o complexo de Édipo entra em
imagem irreal e fantástica de pais que devoram, cortam e mordem. No entanto,
ação mais cedo do que se costuma imaginar. No artigo "Os principios psicoló-
é fácil explicar por que numa criança com cerca de um ano a ansiedade criada
gicos da análise de crianças pequenas", examinei este assunto em maiores
pelo início do conflito edipiano toma a forma do medo de ser devorada e
detalhes. A conclusão a que cheguei lá é que as tendências edipianas são
destruída. A própria criança deseja destruir o objeto libidinal, mordendo-o,
liberadas como consequência da frustração sentida pela criança com o desmame,
devorando-o e cortando-o em pedaços. Isso dá origem à ansiedade, pois o
e que se manifestam no final do primeiro e inicio do segundo ano de vida; elas
despertar das tendências edipianas é seguido pela introjeção do objeto, do qual
são reforçadas pelas frustrações anais sofridas durante o treinamento dos hábitos
agora se espera punição. A criança passa a temer um castigo que corresponda à
de higiene. O próximo elemento que influencia de forma determinante os
ofensa: o superego se torna algo que morde, devora e corta.
processos mentais é a diferença anatómica entre os sexos.
A conexão entre a formação do superego e as fases pré-genitais do desenvol-
O menino, quando se vê impelido a trocar a posição oral e anal pela genital,
vimento é muito importante a partir de dois pontos de vista. Por u m lado, o
passa a ter o objetivo da penetração associado à posse do pênis. Assim, ele muda
sentimento de culpa se prende ás fases sádico-oral e sádico-anal, que ainda são
não só sua posição libidinal, mas também seu objetivo, o que permite que
as predominantes; por outro, o superego se forma quando essas fases ainda estão
mantenha o objeto amoroso original. No caso da menina, por outro lado, o
em ascendência, o que explica seu rigor sádico.
objetivo receptivo passa da posição oral para a genital: ela muda sua posição
Essas conclusões abrem uma nova perspectiva. U m ego ainda muito fraco
libidinal, mas mantém o mesmo objetivo, que já levou à frustração em relação a
mãe. Desse modo, a menina desenvolve a receptividade para o pênis e se volta só é capaz de se defender de u m superego tão ameaçador através de forte
para o pai como objeto amoroso. repressão. U m a vez que as tendências edipianas de início se expressam sob a
Desde o início, porém, os desejos edipianos ficam associados ao medo da forma de impulsos orais e anais, a questão de quais fixações serão predominantes
castração e a sentimentos de culpa incipientes. no desenvolvimento edipiano será resolvida, principalmente, pelo grau de
A análise de adultos, assim como a de crianças, já nos mostrou que os repressão que ocorre nesse estágio inicial.
impulsos pulsionais pré-genitais carregam consigo u m sentimento de culpa. A conexão direta entre a fase pré-genital do desenvolvimento e o sentimento
Pensava-se de início que os sentimentos de culpa se desenvolviam mais tarde c de culpa também é importante porque as frustrações orais e anais, que formam
eram deslocados para essas tendências, apesar de originalmente não estarem o protótipo de todas as frustrações posteriores para o resto da vida, ao mesmo
associados a elas. Ferenczi supõe que há uma "espécie de precursor fisiológico tempo também significam punição e dão origem à ansiedade. Essa circunstância
do superego" associado aos impulsos uretrais e anais, a que dá o nome de laz com que a frustração seja sentida de forma mais pungente e essa amargura
"moralidade esfincteriana". Segundo Abraham, a ansiedade aparece pela primei colabora para a dificuldade de todas as frustrações posteriores.
ra vez no nível canibalesco, enquanto o sentimento de culpa surge na la.se Descobrimos que consequências importantes decorrem do fato de o ego
sádico-anal arcaica posterior. ainda estar pouco desenvolvido quando é atacado pelo início das tendências
Minhas descobertas vão ainda mais longe. Elas mostram que o sentimento edipianas e a incipiente curiosidade sexual relacionada a elas. O bebé, cujo
de culpa associado à fixação pré-genital já é efeito direto do conflito edipiano intelecto ainda não está bem desenvolvido, é exposto a uma avalanche de
Isso parece explicar de forma satisfatória a origem desse sentimento, pois problemas e indagações. U m dos maiores sofrimentos que encontramos no
sabemos que o sentimento de culpa na verdade é o resultado da introjcção inconsciente é que essas perguntas esmagadoras - que parecem ser apenas
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parcialmente conscientes e, mesmo quando são conscientes, ainda não podem genitais, o menino está começando a se voltar para a mãe como objeto amoroso.
ser expressas em palavras - permanecem sem resposta. Outro problema vem Contudo, seus impulsos sádicos estão em pleno funcionamento e o ódio resultante
colado a esse, e é o fato de a criança não entender as palavras. Assim, suas das frustrações anteriores se opõe ferrenhamente a esse objeto amoroso no nível
primeiras perguntas remontam a uma época em que ela não consegue compreen- genital. U m obstáculo ainda maior para seu amor é o medo de ser castrado pelo
der a fala. r i i •!,;;.,
pai, que surge juntamente com os impulsos edipianos. O grau em que consegue
Na análise, essas duas fontes de sofrimento dão origem a uma quantidade atingir a posição genital depende em parte da sua capacidade de tolerar essa
extraordinária de ódio. Sozinhas ou em conjunto, são a causa de diversas inibições ansiedade. Aqui a intensidade das fixações sádico-orais e sádico-anais é fator
do impulso epistemofílico: a incapacidade de aprender línguas estrangeiras e o muito importante. Ela afeta a quantidade de ódio que o menino sente pela mãe;
ódio àqueles que falam outra língua, por exemplo. Também são responsáveis por isso, por sua vez, dificulta em maior ou menor grau que este assuma uma posição
distúrbios diretos da fala, etc. A curiosidade que se manifesta com clareza mais positiva em relação a ela. As fixações sádicas também exercem forte influência
tarde, geralmente no quarto ou quinto ano de vida, não é o início, mas sim o sobre a estruturação do superego, que está em processo de formação quando essas
clímax e o encerramento dessa fase do desenvolvimento. Minhas descobertas fases ainda estão em ascendência. Quanto mais cruel for o superego, mais
indicam que o mesmo se aphca ao conflito edipiano em geral. aterrorizante será a figura do pai castrador e maior será a força com que a criança,
A sensação inicial de não saber está ligada a vários elementos. Ela se une à tentando fugir de seus impulsos genitais, irá se prender aos níveis sádicos, a partir
sensação de ser incapaz, impotente, que logo resulta da situação edipiana. A dos quais as tendências edipianas inicialmente tomam seu aspecto.
criança também sente essa frustração de forma mais aguda porque não possui Nesses estágios iniciais, todas as posições do desenvolvimento edipiano são
um conhecimento claro sobre os processos sexuais. E m ambos os sexos, o investidas numa rápida sucessão. Isso, porém, passa despercebido, pois o
complexo de castração é acentuado por essa sensação de ignorância. quadro ainda é dominado pelos impulsos pré-genitais. Além disso, não é possível
A conexão inicial entre o impulso epistemofíhco e o sadismo é muito estabelecer uma distinção clara entre a atitude heterossexual ativa que se
importante para todo o desenvolvimento mental. Essa pulsão, ativada pelo expressa no nível anal e o estágio posterior de identificação com a mãe.
surgimento das tendências edipianas, volta-se de início principalmente para o Agora chegamos àquela fase do desenvolvimento a que me referi antes com
corpo da mãe, visto como o palco de todos os processos e desenvolvimentos o nome de "fase de feminilidade". Ela está calcada no nível sádico-anal, ao qual
sexuais. Nesse ponto, a criança ainda está dominada pela posição libidinal empresta u m novo conteúdo, pois as fezes passam a ser igualadas ao bebé que
sádico-anal, que a impele ao desejo de se apropriar do conteúdo do corpo. Ela a criança espera ter. O desejo de roubar a mãe agora se aphca ao bebé, assim
então passa a sentir forte curiosidade sobre o conteúdo desse corpo, sua como às fezes. Aqui podemos perceber dois objetivos que se fundem u m ao outro.
aparência, etc. Assim, a pulsão epistemofílica e o desejo de se apossar do objeto U m é governado pelo desejo de ter filhos, e a intenção da criança é apropriá-los;
estão intimamente ligados desde muito cedo e, ao mesmo tempo, associam-se ao o outro objetivo é motivado pelo ciúme de futuros irmãos, cujo surgimento é
sentimento de culpa criado pelo conflito edipiano incipiente. Essa conexão esperado, e pelo desejo de destruí-los dentro da mãe. (Um terceiro objeto das
importantíssima dá início a uma fase de desenvolvimento que é essencial em tendências sádico-orais do menino dentro da mãe é o pênis do pai.)
ambos os sexos, mas que até agora não foi muito reconhecida. Trata-se de uma
Assim como no complexo de castração das meninas, no complexo de
identificação muito inicial com a mãe.
feminilidade dos meninos há no fundo o desejo frustrado de possuir u m órgão
O caminho percorrido por essa fase de "feminilidade" deve ser examinado especial. As tendências de roubar e destruir estão ligadas aos órgãos de fecun-
separadamente nos meninos e nas meninas, mas antes de fazer isso, gostaria'dc dação, gravidez e parto que o menino presume exisdrem na mãe, assim como à
mostrar sua ligação com a fase anterior, que é comum a ambos os sexos. vagina e os seios, a fonte do leite, cobiçados como órgãos de receptividade e
No estágio sádico-anal arcaico, a criança sofre seu segundo trauma severo, fartura desde o tempo em que a posição libidinal é puramente oral.
que reforça a tendência de se afastar da mãe. Essa já havia frustrado seus desejos O menino teme ser punido pela destruição do corpo da mãe, mas além disso
orais e agora interfere nos seus prazeres anais. É como se nesse ponto as privações seu medo também tem u m caráter mais geral —nesse ponto é possível estabelecer
anais fizessem com que as tendências anais se fundam às tendências sádicas. A uma analogia com a ansiedade ligada aos desejos de castração da menina. Ele tem
criança deseja tomar posse das fezes da mãe, penetrando no seu corpo, cortando-o medo de que seu corpo seja mutilado e desmembrado, e esse pavor também
em pedaços, devorando-o e destruindo-o. Sob a influência de seus impulsos significa a castração. Aqui temos uma contribuição direta para o complexo de
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da situação edipiana direta, genital, mas representa a parte dessa situação que é
castração. Nesse período inicial de desenvolvimento, a mãe que toma as fezes do
de longe o fator mais anti-social da formação do caráter. É por isso que a
menino também representa uma mãe que o desmembra e castra. Não é apenas
rivalidade do homem com as mulheres pode ser bem mais anti-social do que sua
através das frustrações anais impostas ã criança que a mãe abre caminho para o rivalidade com outros homens, que é provocada em grande parte pela posição
complexo de castração: em termos de reahdade psíquica, ela j á é o castrador. genital. A quantidade de fixações sádicas, é claro, também vai determinar a
Esse medo da mãe é esmagador, pois combinado a ele vem o pavor de ser relação do homem com outros homens quando eles são rivais. Se, ao contrário,
castrado pelo pai. As tendências destrutivas cujo objeto é o útero também são a identificação com a mãe está calcada numa posição genital melhor estabele-
dirigidas com toda a sua intensidade sádico-oral e sádico-anal contra o pênis do cida, a relação com as mulheres terá u m caráter positivo e o desejo de ter
pai, que estaria localizado lá. É nesse pênis que o medo de ser castrado pelo pai filho, assim como o componente feminino, que desempenham u m papel tão
se concentra durante essa fase. Assim, a fase de feminilidade se caracteriza pela importante no trabalho do homem, encontrarão condições mais favoráveis
ansiedade relacionada ao útero e ao pênis do pai, e essa ansiedade submete o para a sublimação.
menino ã tirania de u m superego que devora, mutila e castra, formado a partir
Em ambos os sexos, uma das principais fontes das inibições no trabalho é
das imagens da mãe e do pai ao mesmo tempo.
a ansiedade e o sentimento de culpa associado à fase de feminilidade. A
Desse modo, as posições genitais incipientes misturam-se desde o início às experiência me ensinou, porém, que a análise cuidadosa dessa fase, também por
diversas tendências pré-genitais. Quanto maior for a preponderância das fixações outros motivos, é importante do ponto de vista terapêutico e pode ser de grande
sádicas, mais a identificação do menino com a mãe corresponderá a uma atitude ajuda em casos de obsessão que parecem ter adngido u m ponto onde não é
de rivalidade em relação à mulher, com sua mescla de inveja e ódio; pois devido liossível fazer mais nada.
à vontade de ter u m filho, ele se sente em desvantagem e numa posição inferior N o desenvolvimento do menino, a fase de feminilidade é seguida de uma
à mãe. hita prolongada entre as posições pré-genital e genital da libido. Quando atinge
Vejamos agora por que o complexo de feminilidade dos homens parece bem seu auge, no período que vai do terceiro ao quarto ano de vida, essa luta pode
mais obscuro do que o complexo de castração das mulheres, apesar de ambos ser facilmente reconhecida como o conflito edipiano. A ansiedade associada à
terem a mesma importância. ' r.:; fase de feminilidade empurra o menino de volta à identificação com o pai; mas
A fusão do desejo de ter um filho com o impulso epistemofílico permite ao esse estímulo por si só não fornece alicerce seguro o bastante para a posição
menino executar um deslocamento para o plano intelectual; a sensação de estar genital, pois ele leva principalmente à repressão e á supercompensação das
em desvantagem então é ocultada e supercompensada pela superioridade que pulsões sádico-anais, ao invés de superá-las. O medo de ser castrado pelo pai
deduz do fato de possuir um pênis, superioridade que também é reconhecida reforça a fixação nos níveis sádico-anais. O grau de genitalidade constitucional
pelas meninas. Esse exagero da posição masculina provoca afirmações exagera- lambem desempenha um papel importante na solução favorável dessa situação,
das de masculinidade. N o artigo "Die Wurzel des Wissbegierde", Mary Chadwick l.t'., a conquista do nível genital. Muitas vezes, o resultado da luta permanece
(1925) também atribui o valor excessivo que o homem confere narcisicamente indefinido, o que dá origem a problemas neuróticos e distúrbios de potência.'
Assim, a aquisição da potência total e a tomada da posição genital dependem em
ao pênis, assim como sua aútude de rivahdade intelectual em relação às mulhe-
parte da solução favorável da fase de feminilidade.
res, à frustração do desejo de ter filho e ao deslocamento desse desejo para o
plano intelectual. Passarei agora para o desenvolvimento das meninas. Como consequência
A tendência dos meninos de exibir uma agressividade excessiva, coisa que do processo do desmame, a menina se afasta da mãe, sendo impelida nesse
ocorre com muita frequência, tem sua origem no complexo de feminilidade. Ela '.eiitido também pelas privações anais que sofreu. Tendências genitais começam
i);ora a influenciar seu desenvolvimento mental.
é acompanhada por uma atitude de desprezo e de "saber melhor", além de ser
extremamente anti-social e sádica, sendo determinada em parte pela tentativa de Concordo plenamente com Helene Deutsch (1925) quando afirma que o
ocultar a ansiedade e a ignorância que se encontram por trás dela. Também desenvolvimento genital da mulher se completa com o deslocamento da libido
coincide em parte com o protesto do menino (resultante do medo da castração) oral para a zona genital. Os resultados das minhas observações mostram, porém.
contra o papel feminino, mas não deixa de estar calcada no medo da mãe, da I l I W Reich: "Die Funktion des Orgasmus" (1927).
qual o menino pretendia roubar o pênis do pai, os filhos e os órgãos sexuais
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que esse deslocamento se inicia com as primeiras manifestações dos impulsos fálica e o complexo de castração entram em plena atividade. Freud afirma que a
genitais, e que o objetivo oral e receptivo dos órgãos genitais exerce uma descoberta da ausência do pênis provoca a troca da mãe pelo pai como objeto
influência determinante sobre a escolha do pai como objeto amoroso pela menina. amoroso. Minhas investigações mostram, porém, que essa descoberta age apenas
Também fui levada a concluir que uma noção inconsciente da vagina, assim como reforço nesse sentido: tudo isso ocorre num estágio muito inicial do
como sensações nesse órgão e no resto do aparelho genital, são despertadas logo conflito edipiano e a inveja do pênis toma o lugar do desejo de ter u m filho, que
que surgem os impulsos edipianos. N o caso das meninas, porém, o onanismo por sua vez volta a substituir a inveja do pênis no desenvolvimento posterior.
não oferece uma saída tão adequada para essas quantidades de excitação como Acredito que a privação do seio seja a causa mais importante da opção pelo pai.
acontece com os meninos. Assim, a falta de gratificação acumulada fornece mais A identificação com o pai é menos carregada de ansiedade do que aquela
um motivo para novas comphcações e distíirbios no desenvolvimento sexual com a mãe; além disso, o sentimento de culpa em relação à mãe provoca a
feminino. A dificuldade de obter a gratificação total através da masturbação pode supercompensação, através de uma nova relação de amor com ela. E m oposição
ser mais uma causa, além daquelas apontadas por Freud, para que a menina a essa nova relação de amor, há ainda o complexo de castração, que torna difícil
repudie o onanismo. Talvez também possa explicar, em parte, por que durante uma atitude masculina, e o ódio contra a mãe resultante das posições anteriores.
a tentativa dé abandoná-lo, a masturbação manual geralmente seja substituída O ódio e a rivalidade com mãe, contudo, fazem mais uma vez com que a
pelo movimento de juntar com força as pernas. idendficação com o pai seja abandonada e ele volte a ser o objeto para amar e
Além do caráter receptivo do órgão genital — posto em ação pelo desejo pelo qual ela deseja ser amada.
intenso de encontrar uma nova fonte de grauficação — a inveja e o ódio da mãe, A relação da menina com a mãe faz com que a sua relação com o pai tome
que possui o pênis do pai, também parecem ser mais u m motivo para que a uma direção positiva e outra negativa. A frustração que sofre nas mãos deste tem
menina se volte para o pai no período em que seus primeiros impulsos edipianos suas raízes mais profundas na decepção j á sofrida em relação ã mãe; u m forte
estão se manifestando. As carícias do pai agora têm o efeito de uma sedução e motivo para o desejo de possuí-lo é o ódio e a inveja da mãe. Se as fixações
são sentidas como "a atração do sexo oposto".' sádicas permanecem preponderantes, esse ódio e sua supercompensação tam-
No caso da menina, a identificação com a mãe é resultado direto dos bém irão afetar profundamente a relação da mulher com os homens. Por outro
impulsos edipianos: todo o conflito provocado no menino pela ansiedade de lado, se há uma relação mais positiva com a mãe, calcada na posição genital, a
castração está ausente nela. Nas meninas, assim como nos meninos, essa mulher não só estará menos presa a u m sentimento de culpa na sua relação com
identificação coincide com as tendências sádico-anais de roubar e destruir a mãe. os filhos, mas seu amor pelo marido será altamente reforçado, pois este sempre
Se a identificação com a mãe ocorre principalmente num estágio em que as representa o filho adorado e, ao mesmo tempo, a mãe que dá tudo aquilo que é
tendências sádico-orais e sádico-anais estão muito acentuadas, o medo do desejado. Aparte da relação que diz respeito exclusivamente ao pai está montada
superego materno primitivo leva ã repressão e ã fixação dessa fase, interferindo
sobre esse alicerce tão importante. De início, ela se concentra na ação do pênis
no desenvolvimento genital posterior. O medo da mãe também impele a menina
durante o coito. Essa ação, que também promete a gratificação dos desejos agora
a desistir de se identificar com ela. Tem início, então, a identificação com o pai.
deslocados para os órgãos genitais, parece à menina uma proeza insuperável.
A menina tem o seu impulso epistemofilico despertado pelo complexo de
Sua admiração é abalada pela frustração do complexo de Édipo, mas caso
Édipo; o resultado é a descoberta de que não possui u m pênis. Ela sente essa
não acabe se convertendo em ódio, torna-se uma das características fundamen-
falta como mais u m motivo para odiar a mãe, mas ao mesmo tempo seu
lais da relação da mulher com o homem. Mais tarde, quando a satisfação total
sentimento de culpa faz com que a encare como uma punição. Isso torna mais
dos impulsos amorosos é obtida, a essa admiração se soma a enorme gratidão
amarga sua frustração nesse sentido e, por sua vez, exerce uma influência
pelo fim da privação acumulada. Essa gratidão se expressa através da grande
profunda no complexo de castração como u m todo.
c .ipacidade feminina de se entregar de forma total e duradoura ao mesmo objeto
O sofrimento inicial pela falta do pênis aumenta mais tarde, quando a fase
.linoroso, principalmente no caso do "primeiro amor".
1 Muitas vezes nos deparamos com a queixa inconsciente de que a mãe seduziu a criança enquanto Um elemento que prejudica bastante o desenvolvimento da menina é o
cuidava dela. Essa queixa remonta ao período em que os desejos genitais passam a ocupar o
«guinte: enquanto o menino de fato possui o pênis, a partir do qual entra numa
primeiro plano e as tendências edipianas estão despertando.
I ivalidade com o pai, a menina tem apenas o desejo insaciado de ser mãe - a
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respeito do qual, aliás, tem apenas uma noção vaga e incerta, ainda que muito sociais. Não podemos atribuir essa capacidade à mistura de traços masculinos
intensa. e femininos que, devido à estrutura bissexual do ser humano, influencia a
Não é apenas essa incerteza que perturba sua esperança de u m dia ser mãe. formação do caráter em certos casos, pois essa capacidade tem obviamente
Ela é muito mais enfraquecida pela ansiedade e o sentimento de culpa, que caráter maternal. Creio que para explicar como a mulher vai desde o ciúme mais
podem danificar séria e permanentemente a capacidade materna da mulher. Por mesquinho até a bondade amorosa mais abnegada, temos que levar em conside-
causa das tendências destrutivas que dirigiu contra o corpo da mãe (ou alguns ração as condições peculiares em que se forma o superego feminino. A partir da
de seus órgãos) e as crianças dentro do útero, a menina espera ser castigada com identificação inicial com a mãe, que ocorre sob a forte preponderância do nível
a destruição de sua própria capacidade de ter filhos, dos órgãos ligados a essa sádico-anal. a menina desenvolve o ódio e o ciúme, criando u m superego cruel
função ou de seus próprios bebés. Aqui também podemos encontrar uma calcado na imago da mãe. O superego que se forma no mesmo estágio a partir
explicação para a constante preocupação das mulheres (muitas vezes excessiva) da identificação com o pai também pode ser ameaçador e causar ansiedade, mas
com sua própria beleza, pois temem que esta também seja destruída pela mãe. nunca parece atingir as mesmas proporções daquele criado a partir da identifi-
Por trás do impulso de se embelezar, sempre há a tentativa de restaurar a graça cação com a mãe. No entanto, quanto mais a identificação com a mãe vai se
destruída, noção originária da ansiedade e do sentimento de culpa.' estabilizando na base genital, mais ela se caracteriza pela bondade dedicada de
É provável que esse medo profundo da destruição dos órgãos internos seja um generoso ideal de mãe. Assim, essa atitude afetiva positiva depende do grau
a causa psíquica da maior suscctibilidade das mulheres, em comparação com os em que o ideal de mãe maternal carrega as características do estagio genital ou
homens, à histeria de conversão e às doenças orgânicas. pré-genital. Entretanto, quando se trata da conversão ativa da atitude emocional
Essa ansiedade e o sentimento de culpa são a principal causa da repressão em ações sociais ou outras atividades, aparentemente é o ideal de ego paterno
do orgulho e da alegria no papel feminino, que originalmente são muito fortes. que está em funcionamento. A profunda admiração que a menina sente pela
Essa repressão resulta na depreciação da capacidade de ser mãe, de início tão atividade genital do pai leva ã formação de um ideal de ego paterno que propõe
valorizada. Assim, a menina não possui o mesmo apoio que o menino encontra metas ativas jamais atingidas por completo. Se, devido a certos fatores de
na posse do pênis e que ela também poderia descobrir na expectativa da desenvolvimento, o incentivo para atingir essas metas for forte o bastante, sua
maternidade. própria impossibihdade pode dar ímpeto extraordinário aos esforços da menina
Pode-se demonstrar que a grande ansiedade da menina a respeito de sua que, somado ã capacidade de auto-sacrifício derivado do superego materno, dá
feminilidade é análoga ao medo da castração no menino, pois ela certamente à mulher, em casos individuais, a capacidade de realizações excepcionais no
colabora para refrear os impulsos edipianos. No entanto, a ansiedade de castração plano intuitivo e em certos campos específicos.
em torno do pênis que existe dejorma visível no menino segue um curso diferente;
O menino também deriva da fase feminina u m superego materno que o
ela pode ser considerada mais aguda do que a ansiedade mais crónica da menina a
impele, assim como a menina, a criar identificações cruéis primitivas e, ao mesmo
respeito de seus órgãos internos, com os quais necessariamente tem menos familia-
tempo, bondosas. Contudo, depois de passar por essa fase, ele retoma (em
ridade. Além disso, o fato de a ansiedade do menino ser determinada pelo superego
diferentes graus, é verdade) a identificação com o pai. Por mais que o lado
paterno e a da menina pelo materno não pode deixar de trazer certas diferenças.
materno se faça sentir na formação do superego, ainda é o superego paterno que
Freud afirmava que o superego da menina se desenvolve por uma trilha
desde o início exerce a influência decisiva sobre o homem. Este também coloca
diferente do menino. Constantemente nos deparamos com indícios que confir-
diante de si a figura de u m personagem sublime que possa lhe servir de modelo,
mam o fato de que o ciúme desempenha u m papel mais influente na vida das
mas como o menino é de Jato "feito ã imagem" de seu ideal, este não é inatingível.
mulheres do que na dos homens, pois é reforçado por uma inveja desviada do
Essa circunstância contribui para o trabalho criativo mais constante e objetivo
homem por causa do pênis. Por outro lado, as mulheres possuem uma grande
tio homem.
capacidade —que não se baseia apenas na supercompensação —de deixar de lado
seus próprios desejos e se dedicarem com grandes sacrifícios a tarefas éticas e O medo de ter sua feminilidade danificada exerce uma profunda influência
sobre o complexo de castração da menina, pois faz com que dê um valor
1 Cf. o artigo dc Hárnik (1928), apresentado no Congresso Psicanalítico de Innsbruck: "Die
excessivo ao pênis que ela própria não possui; esse exagero se toma, então, mais
õkonomíschcn Beziehungen zwischen dem Schuldgefuhl und dem weiblichen Narzissmus".
óbvio do que a ansiedade subjacente a respeito de sua própria feminilidade.
226 ESTÁGIOS INICIAIS DO CONFLITO EDIPIANO AMOR, CULPA E REPARAÇÁO 227

Gostaria de mencionar aqui o trabalho de Karen Horney, que foi a primeira a é que atribuo esses processos a uma época anterior e que as diversas fases do
examinar as fontes do complexo de castração das mulheres na situação edipiana. desenvolvimento (principalmente nos estágios iniciais) se fundem com mais
Quanto a isso, é preciso mencionar a importância de certas experiências liberdade do que se acreditava antes.
iniciais da infância para o desenvolvimento sexual. N o trabalho que apresentei Os estágios iniciais do conflito edipiano são tão dominados pelas fases
no Congresso de Salzburg em 1924, afirmei que quando a observação do coito pré-genitais do desenvolvimento, que quando a fase genital começa a entrar em
se dã n u m estágio posterior do desenvolvimento, ela pode assumir o caráter de atividade, ela permanece oculta e só mais tarde, entre o terceiro e o quinto ano
trauma. No entanto, quando essa experiência ocorre numa idade precoce, ela de vida, pode ser detectada com clareza. Nessa idade, o complexo de Édipo e a
pode ficar fixada e se tornar parte do desenvolvimento sexual. Devo acrescentar formação do superego atingem seu clímax. No entanto, o fato de as tendências
que uma fixação desse tipo pode dominar não só u m estágio específico do edipianas se iniciarem bem mais cedo do que pensávamos, a pressão do
desenvolvimento, mas também o superego que está em processo de formação, sentimento de culpa que, portanto, recai sobre os níveis pré-genitais, a influência
prejudicando o resto de seu desenvolvimento. Se o superego atinge seu zénite determinante exercida tão cedo sobre o desenvolvimento do complexo de Édipo,
no estágio genital, as identificações sádicas que pardcipam de sua estrutura se por u m lado, e, por outro, sobre o superego, assim como sobre a formação do
tornam menos proeminentes, o que ajuda a assegurar a saúde mental e o caráter, a sexualidade e todo o resto do desenvolvimento do indivíduo - tudo
isso me parece ter uma grande importância, ainda não reconhecida. Descobri o
desenvolvimento de uma personalidade de alto nível ético.
valor terapêutico desse conhecimento na análise de crianças, mas ele não se
Há outro dpo de experiência no início da infância que me parece caracterísdco
limita a essa área. Tive a oportunidade de testar as conclusões redradas dessa
e extremamente importante. Essas experiências muitas vezes se seguem à obser-
prádca na análise de adultos e constatei não só que sua validade teórica estava
vação do coito e são provocadas ou alimentadas pela excitação que esta desperta.
confirmada, mas também que sua importância terapêutica era inegável.
Refiro-me às relações sexuais de crianças pequenas entre si, entre irmãos e irmãs
ou amiguinhos, que consistem nos atos mais diversos: olhar, tocar, defecar juntos,
felação, cuniUngua e muitas vezes tentativas diretas de realizar o coito. Elas são
profundamente reprimidas e possuem o investimento de u m enorme sentimento
de culpa. Esse sentimento é provocado principalmente pelo fato de que o objeto
amoroso, escolhido sob a pressão da excitação trazida pelo conflito edipiano, é
visto pela criança como substituto do pai, da mâe, ou de ambos. Assim, essas
relações, que parecem tão insignificantes e aparentemente são vividas por todas
as crianças sob o estímulo do desenvolvimento edipiano, tomam o caráter de
relação edipiana realizada e exercem influência decisiva sobre a formação do
complexo de Édipo, o desligamento do sujeito desse complexo e suas relações
sexuais posteriores. Além disso, uma experiência desse tipo forma u m importante
ponto de fixação no desenvolvimento do superego. Como conseqiiência da
necessidade de punição e da compulsão à repetição, essas experiências muitas
vezes fazem com que a criança se submeta a traumas sexuais. A esse respeito,
gostaria de remeter ao trabalho de Abraham (1927), onde se demonstra que passar
por traumas sexuais faz parte do desenvolvimento sexual das crianças. A investi-
gação analítica dessas experiências durante a análise de adultos e crianças ajuda
muito a esclarecer a situação edipiana em relação às fixações iniciais e, portanto,
é muito importante do ponto de vista terapêutico.
Resumindo minhas conclusões: antes de mais nada, gostaria de observar
que, na minha opinião, elas não contradizem as afirmações do professor Freud.
Creio que o ponto mais importante das considerações adicionais que apresentei