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Nome____________________________________________ Nº/turma______

Teste de Português – 11.ºA/B


Fevereiro 2017
TÓPICOS DE CORREÇÃO

VERSÃO 1 e 2

Grupo I
A
Séria

Leia o seguinte texto e responda, de forma clara e bem estruturada, às questões apresentadas.

Perdido o ano letivo, foi para Viseu Simão. O corregedor repeliu-o da sua presença com ameaças de o expulsar
de casa. A mãe, mais levada do dever que do coração, intercedeu pelo filho e conseguiu sentá-lo à mesa comum.
No espaço de três meses fez-se maravilhosa mudança nos costumes de Simão. (…)
D. Rita pasmava da transformação, e o marido, bem convencido dela, ao fim de cinco meses, consentiu que o
5 filho lhe dirigisse a palavra.
Simão Botelho amava. Aí está uma palavra única, explicando o que parecia absurda reforma aos dezassete anos.
Amava Simão uma sua vizinha, menina de quinze anos, rica herdeira, regularmente bonita e bem-nascida. Da
janela do seu quarto é que ele a vira a primeira vez, para amá-la sempre. Não ficara ela incólume da ferida que
fizera no coração do vizinho: amou-o também, e com mais seriedade que a usual nos seus anos.
10 Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e
inflexível. Alguns prosadores de romances dizem o mesmo. Enganam-se ambos. O amor aos quinze anos é uma
brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho,
sempre com os olhos fitos na ave-mãe, que está da fronde1 próxima chamando: tanto sabe a primeira o que é amar
muito, como a segunda o que é voar para longe.
15 Teresa de Albuquerque devia ser, porventura, uma exceção no seu amor.
O magistrado e sua família eram odiosos ao pai de Teresa, por motivos de litígios, em que Domingos Botelho
lhes deu sentenças contra. Afora isso, ainda no ano anterior dois criados de Tadeu de Albuquerque tinham sido
feridos na celebrada pancadaria da fonte. É, pois, evidente que o amor de Teresa, declinando de si o dever de
obtemperar2 e sacrificar-se ao justo azedume de seu pai, era verdadeiro e forte. E este amor era singularmente
20 discreto e cauteloso. Viram-se e falaram-se três meses, sem darem rebate à vizinhança, e nem sequer suspeitas às
duas famílias. O destino que ambos se prometiam era o mais honesto: ele ia formar-se para poder sustentá-la, se não
tivessem outros recursos; ela esperava que seu velho pai falecesse para, senhora sua, lhe dar, com o coração, o seu
grande património. Espanta discrição tamanha na índole de Simão Botelho, e na presumível ignorância de Teresa
em coisas materiais da vida, como são um património!
25 Na véspera da sua ida para Coimbra, estava Simão Botelho despedindo-se da suspirosa menina, quando
subitamente ela foi arrancada da janela. O alucinado moço ouviu gemidos daquela voz que, um momento antes,
soluçava comovida por lágrimas de saudade. Ferveu-lhe o sangue na cabeça; contorceu-se no seu quarto como o
tigre contra as grades inflexíveis da jaula. Teve tentações de se matar, na impotência de socorrê-la. As restantes
horas daquela noite passou-as em raivas e projetos de vingança. Com o amanhecer esfriou-lhe o sangue e renasceu a
30 esperança com os cálculos.
Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição, cap.II.
1
folhagem, copa de árvore.
2
obedecer.

Apresente, de forma clara e bem estruturada, as suas respostas aos itens que se seguem.

1. De acordo com a sua experiência de leitura do capítulo anterior ao do excerto que acabou de ler, justifique
a atitude dos pais de Simão, no início do texto, recordando a “celebrada pancadaria da fonte”. (l.18) (20
pontos)
Os pais censuravam o seu “génio sanguinário”, o seu comportamento violento, sempre a provocar
desacatos. Comprovar com a história da pancadaria…

2. Aprecie o retrato que o narrador traça de Teresa na linha 7. (15 pontos)


Resposta plural…Verificar o retrato e apreciar o advérbio “regularmente”…Teresa era uma menina com
caraterísticas “regulares”, ou seja de acordo com a norma… seria por isso de esperar que pudesse ser a
protagonista de uma igulamente “regular” bela e feliz história de amor… contudo não é isso que o destino
lhe reserva…

3. Identifique o recurso expressivo presente em “Não ficara ela incólume da ferida que fizera no coração do
vizinho (…)” (l. 8) e refira o seu valor expressivo. (10 pontos)
“ferida ..no coração” - Metáfora habitualmente usada para referir o acordar do coração para o amor pela
seta de Cupido….

4. Explicite o sentido do seguinte comentário do narrador acerca de Teresa: “Teresa de Albuquerque devia
ser, porventura, uma exceção no seu amor.” ( l. 15) (20 pontos)
Teresa realmente não é exemplo do que o narrador refere sobre os amores de meninas de quinze anos, uma
brincadeira…pelo contrário Teresa revela sentir um amor sério e maduro:amou-o também, e com mais seriedade
que a usual nos seus anos.; o amor de Teresa…era verdadeiro e forte…

5. Esclareça o estatuto do narrador e a sua relação com o leitor, apresentando exemplos ilustrativos. (15 pontos)
Classificar o narrador…referir narrador-autor… a relação constante entre narrador e leitor nos vários
comentários …. o narratário intradiegético: Os poetas cansam-nos a paciência …

Leia o excerto do Ato Terceiro da peça Frei Luís de Sousa que se apresenta de seguida.

11B
CENA IV

TELMO (só) — Virou-se-me a alma toda com isto: não sou já o mesmo homem. Tinha um pressentimento do que
havia de acontecer… parecia-me que não podia deixar de suceder… e cuidei que o desejava enquanto não veio.
Veio, e fiquei mais aterrado, mais confuso que ninguém! (…) Meu Deus, meu Deus! (ajoelha) levai o velho
que já não presta para nada, levai-o, por quem sois! (Aparece o romeiro à porta da esquerda, e vem lentamente
aproximando-se de Telmo, que não dá por ele.) Contentai-vos com este pobre sacrifício da minha vida, Senhor,
e não me tomeis dos braços o inocentinho que eu criei para Vós, Senhor, para Vós… mas ainda não, não mo
leveis ainda. Já padeceu muito, já traspassaram bastantes dores aquela alma; esperai-lhe com a da morte algum
tempo!…
11A
CENA IV
TELMO (só) — Virou-se-me a alma toda com isto: não sou já o mesmo homem. (…)Contentai-vos com este
pobre sacrifício da minha vida, Senhor, e não me tomeis dos braços o inocentinho que eu criei para Vós,
Senhor, para Vós… mas ainda não, não mo leveis ainda. Já padeceu muito, já traspassaram bastantes dores
aquela alma; esperai-lhe com a da morte algum tempo!…

CENA V
ROMEIRO — Que não oiça Deus o teu rogo!
TELMO (sobressaltado) — Que voz! Ah! é o romeiro. Que me não oiça Deus! Porquê?
ROMEIRO — Não pedias tu por teu desgraçado amo, pelo filho que criaste?
TELMO (à parte) — Já não sei pedir senão pela outra. (Alto.) E que pedisse por ele, ou por outrem, porque me não
há de ouvir Deus, se Lhe peço a vida de um inocente?
ROMEIRO — E quem te disse que ele o era?
TELMO — Esta voz… esta voz! Romeiro, quem és tu?
ROMEIRO (tirando o chapéu e alevantando o cabelo dos olhos) — Ninguém, Telmo; ninguém, se nem já tu me
conheces!
Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa, ato III
6. 11B
1. Explicite a angústia vivida pela personagem, nesta cena. (20 pontos)
11A
2. Esclareça o equívoco que se verifica nestas cenas. (20 pontos)
Ver apontamentos/manual/blog….
Grupo II (50 pontos)

Leia o texto que se segue.


Viagem ao Porto dos escritores

Há um Porto que não entra nos roteiros turísticos. Um Porto que passa despercebido ao olhar que
se fixa na monumentalidade e que permanece nos lugares-comuns. Descobrir o Porto de escritores que
5 aí nasceram ou, em dado momento da sua vida, aí viveram, como Almeida Garrett (1799-1854),
Ramalho Ortigão (1836--1915), António Nobre (1867-1900), Camilo Castelo Branco (1825-1890),
Raul Brandão (1867-1930) ou Júlio Dinis (1839-1871) — só para citar alguns nomes mais marcantes,
uma vez que muitos mais viveram nesta cidade —, não se adivinha tarefa fácil. Onde nasceram estes
escritores, onde viveram, onde foram sepultados? Mergulhar no passado e na procura desses lugares
10 exige um esforço redobrado, já que a informação que nos poderá revelar o sítio onde Camilo Castelo
Branco escreveu o seu Amor de Perdição ou onde Almeida Garrett se inspirou para escrever O Arco de
Sant'Ana não se encontra numa única fonte. (…)
As paredes graníticas da Cadeia da Relação albergam as memórias de um amor conturbado. Na
cela n.º 12 esteve encarcerado (1860-1861) Camilo Castelo Branco por ter mantido relações sexuais
15 com uma mulher casada. Ana Plácido foi igualmente presa e esteve instalada num corredor por não
haver celas para senhoras da sociedade. No cárcere, Camilo continuou a escrever (reza a lenda que
escreveu Amor de Perdição em quinze dias) e, na cela com janela para o Douro, teve como
companheiro José do Telhado, que o sossegava quando Camilo era invadido pelo temor de que o
marido enganado, Pinheiro Alves, teria subornado um outro preso para o matar. Camilo encerrou o seu
20 livro Memórias do Cárcere desabafando: «Fecham-se as memórias. Eu devia ter dito porque estive
preso um ano e dezasseis dias. Não disse, nem digo, porque verdadeiramente ainda não sei porque foi.»
A vida académica no Porto deste escritor nascido em Lisboa ficou marcada pela sua inscrição na
Academia Politécnica e na Escola Médica, em 1843. A passagem de Camilo pelo Porto ficou também
celebrizada pelo duelo na Torre da Marca com Freitas Barros. Em 1846, Camilo apaixonou-se por uma
25 rapariga de Vila Real e fugiu com ela para o Porto, tendo o tio desta mandado prender Camilo. Em
1848, fixou-se no Porto, iniciando uma vida de boémia e envolvendo-se em alguns escândalos de
natureza amorosa. Faz ainda parte do grupo «Leões» do Café Guichard, o qual já não existe, apenas
sobrevivendo a esquina (da Praça Nova, atualmente chamada da Liberdade). (…) O Águia d'Ouro era
também um café habitual. Em 1850, matriculou-se no Seminário do Porto. Em 1868, voltou a esta
30 cidade e dirigiu a Gazeta Literária. Camilo foi sepultado no Cemitério da Lapa, no túmulo de Freitas
Fortuna (1840-1899), por seu desejo (…)Até hoje se encontram neste local os seus restos mortais, assim
como, na Ordem da Lapa, manuscritos da correspondência entre Camilo, Ana Plácido e Freitas Fortuna
e numerosos objetos camilianos, como o revólver com que se suicidou, uma caixa de prata para rapé,
com a última anotação que utilizou, a luneta, a pena e a lapiseira-pena que lhe serviram nos últimos
35 tempos, um livro de Droz que Camilo começou a traduzir na Relação, um búzio que lhe serviu de pisa-
papéis e o seu tinteiro predileto.
Uma estátua foi colocada na Avenida de Camilo.
Susana Duarte, «Viagem ao Porto dos escritores», Público, http://www.publico.pt/local-porto/jornal/viagem-ao-porto-dos-escritores-
187767, 03/05/2004 (consultado em 23 de agosto de 2015, com adaptações e supressões

1. Para responder a cada um dos itens de 1.1 a 1.7, selecione a opção que completa
corretamente cada afirmação.

1.1 De acordo com o primeiro parágrafo do texto, quem visita o Porto


(A) não conhece os locais mais importantes da cidade.
(B) prefere conhecer apenas os locais que constam em roteiros turísticos.
(C) gostaria de obter informações sobre os escritores que viveram na cidade.
(D) tem conhecimentos literários muito pobres.
1.2 A utilização do vocábulo «aí» (l. 5) assegura a coesão
(A) referencial.
(B) interfrásica.
(C) frásica.
(D) temporal.

1.3 Na expressão «Mergulhar no passado» (l. 9), encontramos uma


(A) aliteração.
(B) antítese.
(C) metáfora.
(D) apóstrofe.

1.4 O conector «já que» (l. 10) transmite uma ideia de


(A) alternativa.
(B) causa.
(C) oposição.
(D) condição.

1.5 O pronome «o» (l. 18) desempenha função sintática de


(A) complemento direto.
(B) complemento indireto.
(C) sujeito simples.
(D) complemento oblíquo.

1.6 Desempenha a função sintática de modificador apositivo do nome a expressão


(A) «Camilo Castelo Branco» (l. 14).
(B) «Pinheiro Alves» (l. 19).
(C) «Amor de Perdição» (l. 17).
(D) «as memórias» (l. 20).

1.7 A oração «que escreveu Amor de Perdição em quinze dias» (ll. 16-17) é uma
subordinada
(A) adverbial causal.
(B) adjetiva relativa restritiva.
(C) adjetiva relativa explicativa.
(D) substantiva completiva.
2. Classifique a oração «que não entra nos roteiros turísticos» (l. 1). / «o qual já não existe »
Oração subordinada adjetiva relativa restritiva/ Oração subordinada adjetiva relativa explicativa

3. Indique a função sintática do segmento sublinhado: O Águia d'Ouro era também um café habitual./«Em
1868, Camilo voltou a esta cidade e dirigiu a Gazeta Literária» (l. 29)./
predicativo do sujeito ; complemento oblíquo

4. Indique o referente do pronome sublinhado e classifique-o: tendo o tio desta mandado prender Camilo/
“…um outro preso para o matar.” (l. 19). /
O referente é a rapariga de Vila Real; pronome demonstrativo/O referente é Camilo; trata-se de um
pronome pessoal./

Grupo III (50 pontos)

11B
O amor romântico é [como um] traje. Mas todo o traje, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e em
breve, sob a veste do ideal que formámos (…), surge o corpo real da pessoa humana, em quem o vestimos.
Bernardo Soares, Livro do Desassossego

Redige um texto de opinião sobre a questão abordada no texto acima. Para fundamentar o teu ponto de vista,
recorre a dois argumentos, ilustrando cada um deles com um exemplo significativo. (200 a 300 palavras)

11A
Foi-se o tempo em que "morrer de amor" era só força de expressão. Segundo notícia publicada no jornal
britânico Daily Mail, pesquisadores alemães acabam de identificar o trauma emocional causado pela perda
de um amor, (…) o que batizaram de "síndrome do coração partido".
http://gnt.globo.com/bem-estar/materias/esta-cientificamente-comprovado-e-possivel-morrer-de-amor.htm

Redige um texto de opinião sobre a questão abordada no texto acima. Para fundamentar o teu ponto de vista,
recorre a dois argumentos, ilustrando cada um deles com um exemplo significativo. (200 a 300 palavras)
A professora
Arminda Gonçalves

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