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O que é Ciganologia?

Ciganologia é o estudo das origens, tradições e costumes do povo cigano. Ao


realizarmos estes estudos, enfrentamos um desafio. Quanto mais fundo mergulha o
pesquisador para obter dados, mais fica surpreso ao deparar-se com um espesso
véu, que misteriosamente vela o passado histórico deste carismático povo.
Tornando-se assim, quase impossível detectarmos realmente as suas origens ou
tomarmos conhecimento total sobre sua cultura. É como se este passado
permanecesse oculto para os “gadjés”, feito magia que forma um círculo protetor
em torno deste antigo povo, que através de milênios vêm andando por todos os
caminhos do planeta terra, levando consigo o poder da ilusão, que é uma de suas
poderosas arma de magia. Aqueles a quem muito raramente é concedido desvendar
o real mundo cigano, só conseguem fazê-lo parcialmente, pois logo surge o véu da
ilusão, preservando, assim, os mistérios ciganos.

Não é difícil amarmos o povo cigano. Muito envolventes, sonhadores, artistas


e artesões por excelência. É um povo amigo quando se sabe conquistá-lo. Em
matéria de surpresas, a cultura cigana, busca a cada dia algo novo a ser revelado.
Temos que ter um cauteloso respeito para aprendermos com seu acervo cultural e
assim, penetrarmos pouco a pouco, passo a passo, em um universo onde o real
mescla-se com o irreal; onde nosso mundo físico este perfeitamente interligado com
os mundos paralelos, dando aos magos (Kakus) ciganos totais acesso, ao seu bel
prazer.

Neste universo cigano Deus está sempre presente em toda a parte, e a


natureza é a sua maior manifestação. Mãe de tudo e de todos, os ciganos a
respeitam reverenciosamente. Compreendendo-a totalmente, aceitam as suas
doações benéficas e as suas zangas, pois em tudo eles vêem o equilíbrio, alicerce
de toda a sua força de magia, que os fazem estar vivos e presentes após tantos
milênios.

Os ciganos são o povo nômade mais antigo e nosso planeta. Seus costumes e
religião seguem sempre a tradição, quer seja no nascimento, batismo, casamento,
procriação ou morte. Toda a sua vida segue um curso traçado pelos ritos de seus
ancestrais. É o respeito imenso que eles têm a hierarquia, a Kris Romani (Justiça
Cigana), que os mantém dentro do círculo mágico altamente protecionista que faz
com que os ciganos preservassem até os dias de hoje todo conhecimento
ritualístico tão antigo.

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Embora certos costumes pareçam estranhos aos não ciganos, devemos
respeitá-los e aceitá-los como pertencentes a um povo milenar. Não há vantagem
alguma para a humanidade querer alterar esta cultura, solapando seus hábitos e a
antiga tradição cigana.

O mundo moderno tenta atingir através da mídia, todo o seu conhecimento,


mas ninguém será beneficiado se isto acontecer.

Em quanto os ciganos puderem ser mais fiéis a sua tradição, como na Europa,
manterão o poder do Saber através de determinados ritos. O grande conhecimento
dos ciganos chama a atenção, pois utiliza os ritos nas fases corretas da lua, do sol,
utilizam os serem das estrelas e do vento, coisas que nós, não ciganos, não
reparamos, somos poucas as pessoas que conseguem ter esta sensibilidade e
utilizá-las no dia-a-dia.

Muito recebemos deste povo que influenciou com seus dons a música, a
dança, a culinária, os conhecimentos medicinais, a cosmetologia, o vestuário, os
adereços exóticos de vários países. Todo o seu folclore exerceu fascínio em povos
de todos os continentes.

Embora muitos pensem que os ciganos chegaram ao mundo Europeu


influenciados pelas roupas locais, isto não aconteceu. Na realidade, os costumes
locais é que foram influenciados por eles. A Europa medieval, por exemplo, sofreu
influencia cigana na dança.

Atualmente no mundo existem aproximadamente + ou – 20 milhões de


ciganos, porém somente + ou – 2 são nômades. As “vitsas” (tribos) tornaram-se
sua maioria sedentária.

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Ciganologia

Apostila 1 - Origem do povo cigano: Os primeiros estudos feitos por


pesquisadores e o que contam-nos a Tradição Cigana.

Ao tentarmos estudar a origem do Povo Cigano, esbarramos em uma barreira


de mistérios, crendices e desinformação.

Muitas origens são propostas, mas pode-se dizer que todas elas foram
ocorrendo com um esforço para se resolver o enigma deste povo, e suas versões
foram correndo mundo: Etiópia, Pérsia, Palestina, Egito, Grécia, dentre outros
tantos lugares da Europa, das Américas e etc.

Lentamente os etnólogos começaram a se embrenhar por caminhos tortuosos


que os levaram pouco a pouco a uma origem lógica para este povo, nômade há
milênios. Sua cultura é ágrafa (não possui registros gráficos), transmite-se só
oralmente e tudo isto só serviu para dificultar mais e mais...

Mas não é porque a ciência moderna diz ter realmente chegado à origem dos
Ciganos neste planeta, que vamos descartar tantas outras que atravessaram
também os milênios, acompanhando este povo nômade pelo mundo afora. Se em
muitas destas origens existem partes fantasiosas, temos que reconhecer e aceitar
que as mesmas também têm uma parte bem coerente.

Onde está a verdade? Onde está a ficção? Apenas um tênue fio as separa, e
por isto eu digo que o estudo a sério da Ciganologia é antes de tudo um desafio
mágico para todo aquele que deseja fazê-lo.

Vamos dar início a nossa “viagem” pelas estradas do tempo, voltarmos os


dias, os meses, os anos, as décadas, os séculos e os milênios, e tornarmos
conhecimento das histórias que os próprios ciganos contam sobre suas origens, e
as que os não ciganos (denominados por eles de gadjés) contam. Dentre estes
“gadjés” encontrarmos historiadores, escritores, filósofos, pesquisadores, como
também o próprio homem comum, sem nenhuma função específica, mas que
conviveu e convivem até hoje com ciganos em um mesmo território.

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Na verdade a história dos ciganos foi pouco registrada, exceto as leis de
repressão e expulsão que caracterizaram os primeiros quatro séculos de suas
passagens pela Europa, e teve que aguardar seus “escribas”, os não ciganos, que
surgiriam interessados em estudar e escreverem sobre sua origem, seus costumes,
sua religiosidade, sua tradição de magia, deixando então, por fim, registros sobre
este “oculto universo”.
Mas isto só veio ocorrer em período muito recente, este sério interesse pela
Ciganologia foi mais uma das fagulhas disparadas pela agitação cosmológica que
surgiu no pensamento do final do século XIX.

Por ter ficado tanto tempo imersa na obscuridade, não havia até então grande
interesse por ela, a história do povo cigano teve grandes perdas, muito de seu
conteúdo diluiu-se como por um passe de mágica através da passagem dos
tempos. Talvez, quem sabe, fosse esta até a vontade dos próprios ciganos, eles não
gostam até os dias de hoje, que “gadjés” adentrem em seu “mundo particular”,
um círculo protetor de magia na certa foi traçado e seu poder é infinito.

Devemos saber que grande parte desta magia outorgada a este povo, foi
sistematicamente alimentada por inúmeros ocidentais, que até os dias de hoje
gostam de projetar sobre os ciganos certa aura de mistérios, de maravilhas, de
fantástico, e parece interessar aos próprios ciganos manterem o carisma desta
aura, tirando de todo este “clima” não criado por eles, certa vantagem.

É, com efeito, muito fácil de compreender que a chegada súbita destes


nômades em lugares estrangeiros provocasse em todos os povos que os
desconheciam, muita curiosidade e maledicência.

Seu tipo físico moreno, de traços fisionômicos fortes, mas não muito
refinados, comportamento singular, sua liberdade de ser, seu idioma estranho,
incompreensível, os nomes variados pelos quais eles se designam a si mesmos,
enfim, tudo isto serviu de um perfeito suporte para que fossem criadas lendas, as
mais inverossímeis concernentes a origem e natureza dos ciganos.

Esta impressão de “estrangeiros” fica muito reforçada pelo fato que estes
nômades se dizem cristãos ou maometanos, e no entanto executam toda a sorte de
práticas pagãs, como a quirologia, a quiromancia, a cartomancia e etc,
além, de realizarem rituais mágicos, que para muitos parecem ser de bruxaria ou
feitiçaria. Seu comportamento algo “sui generis” de não terem escrúpulos em
tomar posse de bens alheios, especialmente animais úteis como cabras, cavalos,
cães, galinhas, coelhos, etc.

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Finalmente a literatura européia se apropriou do “tema” ciganos, dando-lhes
um clima de romantismo, com forte coloração afetiva, fazendo dos ciganos um
sinônimo de povo misterioso, cuja origem se reporta ao início dos tempos, símbolos
também de uma vida de perene liberdade, uma organização tribal altamente
democrática. Mas, mesmo assim, esta dita literatura os coloca a parte da vida dos
não ciganos, e atesta o contraste social entre ambos.

Toda esta imaginação popular encontrou por parte dos ciganos como que
uma conivência, principalmente com relação as suas origens, que é tratada por eles
mesmos em meio a um ambiente secreto, repleto de segredos e confidências
“parciais”.

Assim sendo até os seus próprios nomes como povo, reinvindicados por
muitos deles mesmos, evocam mistérios orientais, em particular aquele de
Égyptiens, de onde advêem Egitianos e Gitanos em espanhol, Egypsies e Gypsies
em inglês, e, sobretudo o de Tsiganes, nome que vem de uma seita originária da
Ásia Menor, os Atsinganes, e deste nome adveio: Zigeuner em alemão, Zíngaro em
italiano, Cigan no velho francês e Tsigane no francês moderno, e Ciganos em
português. Ainda existem as denominações de Bohêmios e Roms, esta última com
duas explicações, falarei sobre ambas no decorrer dos nossos estudos.

É muito compreensível que os próprios ciganos tenham interesse em se


atribuírem uma origem misteriosa, porque assim eles pleiteiam uma aceitação maior
por parte dos povos sedentários, que por eles passam sentir mais respeito e lhes
dão uma acolhida mais generosa.

Contam, portanto, como verídicas, histórias ligadas a ancestrais seus, histórias


de cunho religioso, conseguindo através delas com que nações islâmicas e cristãs
lhes dêem imunidades, abrigo e passes livres por suas terras.

Conta a Tradição Islâmica, que foi o Arcanjo Gabriel quem em inúmeras


aparições deu o conhecimento do Alcorão a Maomé. Acrescentam os ciganos que
em uma destas aparições o Arcanjo Gabriel disse a Maomé que um certo povo
nômade, sem pátria fixa, cujo dogma maior é a liberdade, eram os “eleitos” dele
aqui na terra, e que deveriam ser amparados e respeitados por onde passam ou
procuram abrigo.

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Outra exótica lenda religiosa é que os ciganos contam para explicarem a sua
singular vida nômades. Dizem eles que são portadores de uma herança: “A de
serem perpétuos errantes em expiação de um crime de sacrilégio
cometido por um ancestral seu.”, e que mesmo tendo-se tornado cristão, não
se livraram da expiação de terem de viajar sem destino, numa caminhada sem fim
por terras do mundo todo, e toda esta maldição ocorre porque um de seus
antepassados teria forjado um prego da cruz de Jesus Cristo.

Em contraponto, por vezes também, contam uma “outra versão” desta


mesma história, e substituem a “maldição” por um “prêmio”. Vamos recontá-la
aqui:

Na época da crucificação de Jesus Cristo os Romanos encomendaram ao


ferreiro mais conhecido e respeitado da Judéia que forjasse os 4 cravos ou
pregos com os quais Jesus seria preso à cruz.

O ferreiro escolhido era um cigano, pois desde aqueles tempos em meio ao


seu povo é que eram encontrados os melhores artesãos no trabalho com metais.

O cigano por medo dos soldados romanos fez os 4 cravos ou pregos, mas
na hora de entregá-los escondeu um dos pregos, entregando somente 3.

O que o fez agir assim? Durante o tempo em fabricou os pregos sentiram


muita pena pelo sofrimento que aquele homem chamado Jesus teria de passar, ele
o conhecia tão bem, tendo-o encontrado por diversas vezes pela estrada com os
seus fiéis seguidores, ou em meio a cidade, campos e montanhas, pregando suas
palavras de caridade, amor, igualdade e etc.

Acreditou, então, o cigano, que se entregasse um prego a menos, teria


diminuído um pouco a dor de Jesus. Por este gesto de piedade feito por um
ancestral seu, Jesus teria outorgado aos ciganos permissão de ocultarem o que
quisessem, omitir o que desejassem e roubarem o que necessitassem para a sua
subsistência.

Uma terceira versão desta mesma lenda é também relatada por eles, e desta
feita para que tivesse um real cunho de veracidade, os ciganos “fabricaram” um
álibi perfeito, vejamos o que contam:

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Dizem que um dos membros de sua raça era servo do soldado romano que
deveria cravar as mãos e os pés de Jesus na cruz, aproveitando de um momento de
distração de seu amo, roubou um dos pregos, restaram 3, e ele ficou esperando
outra oportunidade para roubar o resto, achava que sem os pregos Jesus não
poderia ser crucificado, salvando ele então, o Mestre, de passar por tanto
sofrimento, e quem sabe, então, os Romanos não desistiriam de crucificá-lo por
falta de pregos.

Mas, infelizmente tal oportunidade não ocorreu, e sobraram os 3 pregos com


os quais Jesus foi crucificado, um prego para cada uma das mãos, mas seus pés
foram presos por um único prego.

Pelo gesto de piedade que teve para consigo aquele servo cigano, Jesus
reconhecido, num gesto de gratidão, concedeu do alto de sua cruz, o direito de
todos os ciganos roubarem sempre que precisassem para seu sustento.

F. H. Groome historiador, fez uma interessante pesquisa e constatou que os


crucifixos apresentando 3 pregos no lugar dos 4 das primeiras reproduções da Cruz
de Cristo, apareceram pela primeira vez nos séculos XII e XIII, feitos em cobre
bizantino, numa época em que os ciganos gozavam do monopólio da metalurgia;
ele sugere que os ciganos possam ter introduzido essa modificação com a intenção
de apoiar sua própria versão da difundida lenda do servo que roubou o prego,
justificando assim a concessão de poderem roubar receberam de Jesus.

E até os dias de hoje, a imagem de Jesus é representada presa à cruz por


apenas 3 pregos, manteve-se portanto a Tradição Cigana.

Estas histórias propagaram-se pelo mundo afora, e com elas os ciganos


granjearam e granjeiam a simpatia, a solidariedade, a compaixão e a compreensão
dos demais povos, islâmicos e cristãos.

Com tudo isto, chegamos a clara conclusão de que são características ciganas
a inteligência, a criatividade, a intuição, a argúcia, a esperteza convincente e o
carisma pessoal.

O problema da origem dos ciganos não podia deixar de ser complicado a


partir deles próprios, com suas interpretações fantasiosas de sua própria origem.

Assim, depois do período da Renascença, ficaram conhecidas teorias das mais


bizarras, citarei algumas delas seguir:

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A) Falaremos em primeiro lugar sobre as hipóteses bíblicas

Alguns pesquisadores dizem que os ciganos descendem de Chur, fiho de


Cham, ou de outro filho e Cham, de nome Cannan;

Outros vêem nos ciganos os descendentes de uma tribo de Israel que, após o
cativeiro da Babilônia, não retornaram à Terra Santa. Os pesquisadores que vêem a
origem cigana desta forma se apóiam no fato de que este povo venera Santa
Sara, e eles identificam esta Santa como sendo Sahara, esposa de Abraham, o
patriarca bíblico.

Outra lenda bíblica contada pelos próprios ciganos nos leva bem mais longe,
pois ela remonta ao casamento de Adão com uma primeira mulher anterior a Eva, e
seria desta primeira mulher que os ciganos seriam descendentes.

Mais uma vez a comprovação da inteligente argúcia cigana, caso isto tivesse
realmente ocorrido, os ciganos não teriam contraído o Pecado Original, como o
resto de todos os humanos, estando, pois dispensados de ganhar seu pão com o
suor de sua fronte. Com efeito, este é o texto da Bíblia, Gênese 3, 19: “é obrigação
de o homem ganhar o seu pão com o suor de sua fronte(isto é, trabalhando muito),
por ser esta uma punição consecutiva a desobediência de Adão e Eva.”

B) Hipóteses variadas

Mas as hipóteses que no início das pesquisas pareciam as mais sérias, são
seguramente aquelas que reportam a origem cigana ao Egito, em razão de seu
nome e de suas pretensões de se dizerem originários de um “Pequeno Egito”.

No Século XVII esta teoria foi adotada por inúmeros estudiosos do assunto;
Voltaire, o grande escritor francês, lhes deu a notoriedade e celebridade ao dizer
que reconhecia nos ciganos os descendentes dos sacerdotes e sacerdotisas de Ísis.

Existe também a hipótese de que os ciganos seriam um ramo do judaísmo, ou


melhor dizendo, uma mistura de judeus com cristãos.

Outra é a de que eles seriam descendentes dos druídas celtas.

Ou ainda que fossem descendentes dos Sigynes dos quais falam Herodote, o
pai da história, e Strabon, historiador e geógrafo, ambos gregos, ou os Sinti do
tempo de Homero, grego famoso por ter escrito a Ilíada e Odisséia nos quais relata
os vinte anos da Guerra de Tróia.

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Em 1803, na cidade de Kunigsberg, Alemanha, foi editado um trabalho
importante sobre esta hipótese de origem dos ciganos, escrito em língua alemã
com o título Die Zigeuner Im Herodot, por J. G. Hasse.

Mas é, sobretudo um grande ciganólogo do século passado, Paul Bataillard,


que se faz defensor acirrado desta hipótese, fornece uma série de argumentos, dos
quais o principal é a habilidade dos ciganos em trabalhar metais, ele vê neste povo
os primeiros representantes dos metalúrgicos, que teriam ultrapassado a barreira
da pré-história.

C) Hipóteses fantásticas mas largamente difundidas e durante um bom


tempo acatadas para estudos importantes de pesquisadores em
Ciganologia.

Existe a de Vaillante, esta hipótese surgiu em meio o século XIX, que faz
deste povo nômade e exótico, os ROMS, como também se autodenominam os
próprios ciganos, os últimos representantes de um povo misterioso que deu origem
as grandes civilizações orientais e européias.

Seu nome “ROMS”, segundo esta teoria, advém de Romulus e Rome, os


fundadores de Roma, pois esta hipótese atesta serem de origem cigana estes dois
irmãos gêmeos, que abandonados ou perdidos pelos pais, sobreviveram por terem
sido amamentados e cuidados por uma loba, vindo futuramente a fundar a cidade
que seria a base do Império Romano.

Este estudo etnológico encontrou editado em famoso livro de J. A. Vaillant,


sob o título de “Les Roms: Histoire Vraie Des Vrais Bohemiens, Páris ano de 1857.

Outra teoria vê nos ciganos os sobreviventes do povo Atlantiano, e que por


serem eles uma falange nômade deste povo, encontravam-se na ocasião distantes
de seu continente de origem, e por isto escaparam de desaparecerem como os
demais no afundamento de Atlântida.

Após tomarmos conhecimento de todas estas hipóteses, hoje em dia tidas


pelos ciganólogos atuais como imaginárias, lendas, nós podemos nos fazer uma
pergunta:

Enfim, qual é a verdadeira origem dos ciganos? É o que veremos a


seguir...

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CIGANOLOGIA

Apostila 2 – Origem do Povo Cigano: O estudo mais atual feito


por ciganólogos sobre este assunto, ponto obscuro e desafiante
do mundo cigano.

Na verdade até os etnólogos começarem, no final do século XIX, a juntar o


quebra-cabeça cigano a partir das evidências das características físicas, dos mitos-
tribais e, mais importante que tudo, das raízes e dos apêndices de sua língua
(auxiliados pela miscelânea de observações que pudessem ser tiradas dos
historiadores antigos), nada era conhecido e muito menos ainda pelos próprios
ciganos de origem ROMANI (a palavra ROMANI deriva de ROM, que significa o
homem cigano). Opiniões mais abalizadas garantem atualmente que a história dos
ciganos tem início no noroeste da Índia, onde habitavam os audaciosos cavaleiros
da tribo dos JÃTS, uma RAÇA ARIANA que foi banida durante o curso das
guerras religiosas que, segundo as crônicas, varreram a ÍNDIA com especial
ferocidade, entre os séculos X e XII.

Esses guerreiros “fora-da-lei” mesclaram-se com outros andarilhos de castas


inferiores: os NATS, cantores, dançarinos e acrobatas; e os DOMS, uma raça
aparentemente pré-ariana, que ainda pode ser encontrada na Índia, e que vive na
sujeira, comem carniça, são adeptos da necromância (violação de cadáveres para
trabalhos de magia), bebe excessivamente, sendo, em resumo, responsável por
várias das características desagradáveis dos ciganos, europeus ou não, da
atualidade.

O grande historiador, poeta, erudito e literato, americano de nacionalidade,


Charles Godfrey Leland (nas. 1824 – fal.1903), nos relata que obteve suas
primeiras informações que confirmavam a veracidade da teoria acima transcrita, de
um hindú, então vivendo na Inglaterra, de uma tribo, de casta inferior, chamada
ROM e reconhecida até mesmo pelos JÃTS e DOMS contemporâneos da Índia dos
tempos atuais, como sendo os ditos ROMS, os ciganos verdadeiros, e que durante
várias gerações falou o ROMANI, conhecido pelos ciganos europeus,
aparentemente tendo migrado durante determinado período para a SÍRIA, como
seu vocabulário indica, retornando em seguida para a ÍNDIA.

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Em suma, a conclusão chegada nos dias de hoje nos informa que:

Da fusão dos JÃTS, dos NATS e dos DOMS, surgiu uma quarta casta
indiana, os ROMS, reconhecidos por seus predecessores como os verdadeiros
ciganos. Parte deles migrou da ÍNDIA até a PÉRSIA e retornou a terra-mãe,
outra parte migrou mundo a fora, jamais retornando à Índia, ultrapassaram
espaços, fronteiras, costumes regionais de outros povos, sem perder sua própria
identidade, que são sua TRADIÇÃO e IDIOMA, ambos permanecem inalterados
até os dias de hoje, e são de conhecimento de âmbito internacional por todos os
verdadeiros ciganos.
Aliás, é o próprio cigano quem diz: “Seu idioma, o ROMANI, é a sua
verdadeira pátria, pois ele é comum entre todo o seu povo, seja em que parte do
mundo for que esteja”.

É por isto que o cigano protege de tudo e de todos a sua língua, não gostam
de ensiná-la aos “gadjés”, pois dizem que mantendo o seu idioma em segredo, eles
estão protegendo a si próprios, acreditam que os “segredo de sua língua” é a
sua proteção. E isto é uma verdade atestada principalmente durante a Segunda
Guerra Mundial, por ter um idioma somente compreendido entre si, muitos ciganos
conseguiram escapar da GESTAPO.

O que vemos então como características importantes nos ROMS, os


primeiros ciganos:

JÃTAS – Dos JÃTS eles herdaram a adoração a liberdade, tesouro que


não tem preço, seu valor é transcendental; o amor aos cavalos, o maior amigo de
um homem cigano, quando ele morre, matam o seu cavalo e o enterram com ele,
como se ele fizesse parte de seu próprio corpo, e acreditam que após a morte
física, ambos se encontram e unidos viverão em “corpo glorioso” por toda a
eternidade; o vigor, a força e a valentia para lutarem neste seu dia-a-dia tão
difícil de nômades e resguardarem com tanto zelo os segredos de suas Tradições.
Poucos povos têm esta valentia cigana, mas qual deles por venturas descendem
de tão audaciosos cavaleiros arianos?...

NATS – Dos NATS herdaram a arte da acrobacia, quer seja no solo, no


arame, em cima de animais, de cordas, de bolas e aros, por fim do domínio dos
trapézios, como também o adestramento de animais, principalmente o urso,
tornaram-se pouco a pouco reconhecidos como os melhores circenses do mundo.
Herdaram também dos NATS o dom da música, a arte de tocarem como
nenhum outro povo o violino, como também apreciam o acordeom e o
violão.

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Junto aos magníficos dons acima herdados ainda lhes coube a arte da
dança, sendo esta juntamente com a música a maior expressão do mundo cigano.
A seguir, em outra apostila, veremos como os ciganos influenciaram por demais a
música e a dança de vários países por onde passaram.

DOMS – Como em que tudo o que Deus criou existe o positivo e o negativo,
também o povo cigano tem o seu lado escuro e nada relevante. Dos DOMS
herdaram o hábito de roubar, gostar de negociar na contravenção, mentir,
não ter muito asseio, praticar a magia negra, tendência ao alcoolismo,
ludibriar as pessoas que neles confiam e etc.

É claro que não são todos os ciganos que possuem estas características, mas
muitos as têm.

Na atualidade há inúmeras tribos ciganas pelo mundo a fora, mas entre elas
não há uma união que os tornem uma potência como um povo, que lhes conceda a
força da unidade, como ocorre com o povo JUDEU, também espalhado por todo o
planeta Terra. A grande força judaica reside em todos serem um só, independente
de padrão social, cultural, raça ou cor da pele. Judeu é Judeu, e fim de papo.

Com os ciganos infelizmente isto não ocorre, vivem em eterna rivalidade e


discórdia, talvez isto ocorra por descenderem de 3 castas totalmente diversas em
suas características, se uma era valente e destemida, a outra era sensível e
sonhadora e a terceira tão primitiva moralmente e de baixa tônica vibratória.

E é claro que determinadas tribos têm mais marcantes características dos


JÃTS, outras dos NATS e ainda outras dos DOMS, por isso não se entendem
muito bem. Cada tribo na verdade se consideram um “aparte” e não uma “parte”
do povo cigano, o que é uma pena, pois a “união faz a força”, e esta força não
os deixaria esvanecer-se com o passar do tempo, por isso todo ciganólogo sabe
que, ou os ciganos mudam de postura frente a este seu grande problema
particular, ou a tendência é que muito em breve venham a entrar em extinção,
desaparecendo por fim, serão absorvidos pelas culturas de outros povos mais
fortalecidos.

Isto a princípio pode parecer impossível, mas olharmos para os tratados


históricos veremos que não é, já que eles registram que houve épocas em que
existiram os “antigos egípcios, os etruscos, os celtas e etc”, e tantas outras
civilizações importantíssimas que hoje não mais existem.

Com os ciganos ainda a tempo de eles reverterem esta sina, basta que

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queiram acreditar que a “união faz a força”, torna a repetir.
Não basta terem somente como forma de “união” um idioma universal, o
que será válido para sua continuidade como povo é o amor fraternal universal,
que todos deverão sentir uns pelos outros, espelhando-se nos judeus, outro povo
da antiguidade, que ultrapassou as barreiras dos milênios, já está às portas de
outro e por certo por aqui estará até o final dos tempos, sendo todos uns só.

Por tudo o que relatamos sobre as origens do povo cigano, finalmente


estudadas, pesquisadas e catalogadas pelos etnólogos ciganologistas, temos a
acrescentar o comportamento dos não ciganos frente a este povo.

As atitudes em relação aos ciganos geralmente se classificam em


duas categorias:

1) Aqueles que são atraídos pelo que podemos chamar de “qualidades dos ciganos
JÃTS e NATS europeus” - seus talentos exuberantes, sua aura exótica
proveniente de lugares distantes e a afinidade com a natureza – e que, em
função do seu “charme”, os desculpam por suas “irregularidades”, fazendo com
que até mesmo esses seus admiradores os classifiquem com “contraventores
encantadores” .

2) Em contraposição, há os que, vendo somente os aspectos DOMS da “herança”


cigana, consideram a classificação mais verdadeira para eles a de um povo sujo,
párias da sociedade, vagabundos, apatriadas, o que fez com que tentassem
erradicar seu modo de vida, fosse por execução, deportação ou aprimoramento,
segundo suas inclinações pessoais

Que vieram de castas indianas já o sabemos, mas como os ciganos


começaram a se espalhar pelo mundo a fora?

Como e quando esta migração em massa? Por que o fizeram?

Da Índia, seu ponto de partida, á sua chegada na Europa, por muitos


caminhos passaram os ciganos, quais foram?

Teriam sido aceitos com facilidade por estes povos que não os conheciam?
Estas e outras perguntas serão respondidas na apostila número 3, onde
levantaremos mais um dos véus que encobrem o mundo cigano.

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AS TRIBOS E SEUS COSTUMES SAGRADOS

Mundialmente, os ciganos estão divididos em três grandes grupos: Os Sinti,


Os Calons e os Rom, cujos dialetos são bastante diferentes. Os Sinti
estabeleceram sobretudo na Alemanha, enquanto os calons foram para Portugal
e Espanha. Os Rom são o maior grupo e também os que mais preservam as
tradições. Dentro dele, existem vários subgrupos, divididos segundo a atividade a
que se dedicam. Os principais:

KALDERASH – Muito tradicionais, são considerados os guardiões da cultura


cigana. As mulheres usam saias longas e coloridas e praticam a leitura da mão e a
cartomancia. Os homens trabalham com artefatos de metal, consertos de
máquinas e ferramenta.

MACWAIAS OU MATCHUAIAS- Concentram-se nos grandes centros e praticam


um nomadismo diferente, mudam de cidade para cidade, mas sempre se hospedam
em hotéis. Sobrevivem principalmente das artes divinatórias, praticadas pelas
mulheres
Aos homens, cabe a distribuição do Lilá (folhetos indicando o endereço para
consultas espirituais).

HORAHANE – De origem turca, tem um modo de vida semelhante a dos


macwaias e são hábeis comerciantes. É comum que os mais abastados neguem
sua ciganidade.

LOVARIAS – Fortes na Hungria, dedicam-se à venda de cavalos e já perderam


muito das tradições, nem mesmo as mulheres as artes divinatórias.

RUDARI – Também chamados de LADARI, são tradicionais na Romênia, onde


ganharam fama de excelentes ourives e artesãos na madeira.

Fora esses, há outros subgrupos, como os KALUTE, os TCHURARA e os


MORDOVAIA. E apesar das pequenas diferenças entre uns e outros, o sentimento
de ciganidade sempre está presente, transformando a solidariedade entre os
ciganos no primeiro ponto de honra de todas as tribos

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CIGANOLOGIA

Apostila 3 - Origem do Povo Ciganos - Síntese de uma longa


caminhada

Os ciganos iniciaram o curso de sua longa trilha em direção ao ocidente, como


exilados da Índia ao longo dos platôs do Afeganistão e da Pérsia, para a Síria e
Egito. De lá, depois de uma pausa de duração desconhecida, em direção ao norte,
atravessando as montanhas do Cáucaso e penetrando nos Balcãs, a Grécia e
eventualmente a Europa Ocidental Medieval. A partir daí, seu itinerário foi
amplamente estendido, à força e voluntariamente, para as praias distantes dos
continentes americanos e até mesmo Australianos.

Sua permanência relativamente longa no Egito e na Bohêmia fez com que


estes nomes ficassem ligados as suas lendas populares, pois até hoje, ora são
chamados de Egyptiens e ora de Bohêmios (Áustria)

O imperador Sigismond, rei da Bohêmia, protegeu por longo tempo os ciganos


em seus domínios, batizando-os de Bohêmios, na tentativa de integrá-los ao seu
povo.

Por que os ciganos deram origem a esta migração em massa da Índia?


Provavelmente fugindo da fome e da extrema pobreza, seguiam em frente, rumo
ao desconhecido, portando a esperança e o seu gosto pela aventura como
bandeira.

Eles atravessaram numerosos países, permaneciam maiores ou menor tempo


em determinados lugares de acordo com a receptividade que encontravam,
obtendo maior ou menor tempo de permissão para acamparem.

O contanto com tantos povos de culturas diversas fez com que os ciganos
tomassem empréstimos lingüísticos, culturais e religiosos destes povos e são
“empréstimos” que explicam a diversificação atual dos ciganos.

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Ciganos, Errantes sem fim

Continuaremos pelas estradas do mundo com os ciganos, só que


desta vez passo a passo.

O primeiro país em que os ciganos permaneceram por longo tempo foi o Irã,
no qual, aliás, todo um grupo se fixou definitivamente. Os demais, provavelmente
depois da invasão Árabe a Rússia, partiram para Armênia e Cáucaso, penetrando
pouco a pouco no Império Bizantino e misturando-se com numerosas outras
populações. Lá eles assumem a denominação de Atsingari (nome que
primitivamente designava uma velha seita), talvez em razão da semelhança com as
crenças iranianas manifestadas nos novos viajantes chegados da Pérsia.

Somente a partir do século XIV foi que passaram a existir os primeiros


testemunhos escritos relativos aos ciganos. Sabe-se que um grande contingente
deles se estabilizou na Grécia, o que explica a origem, de denominações ciganas
como Gitan. Em particular a vila de Modon na Peloponésia, o velho reino livre de
Morée, onde uma população cigana se regularizou e sedentarizou, denominando
esta região de Petit Egypte(pequeno Egito) ou simplesmente Gype. Portanto, os
descendentes deste povo podem se disser legítimos originários de um “pequeno
egíto”, que não fica dentro do Egito, mas sim, na Grécia, o que esclarece a
polêmica que há muito existia sobre a origem deste termo.

Está comprovado que os ciganos tiveram uma longa estada na Grécia e mais
ainda nos paises dependentes de Bizâncio. Eles foram então fortemente marcados
na sua língua e em seus costumes, em particular, na conversão ao cristianismo.

Foram então lentamente se espalhando por todos os Balcãs, misturando-se a


população indigente da Bulgária, Romênia, Slavônia, Moldávia... Conseguindo então
seus primeiros contatos com viajantes ocidentais: os francos, os genoveses e os
venezianos.

Veio a guerra e a conquista Turca, disputando as terras cristãs para o domínio


do Islã. A maioria dos ciganos preservou o nomadismo localizado as estas regiões,
onde se pode encontrar, a resignação como o mais significativo traço sobre os seus
costumes e mentalidade, tiveram pouca mistura ou contato com o mercado
ocidental.

Mas um numeroso grupo de ciganos, ao contrário de seus irmãos, achara


estas terras inóspitas e reiniciaram uma nova etapa de sua peregrinação secular

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que os conduziria à Europa Ocidental.
Geralmente, os historiadores e cronistas descrevem esta chegada dos ciganos
no ocidente, sendo feita por pequenos grupos, vivendo dos subsídios e de favores
que sua própria imagem exótica, carismática e misteriosa lhes granjeia.

Com efeito, nos primeiros anos do século XV há sinal de ciganos na


Alemanha, Suíça, Hungria e Áustria, surgindo tal e qual o folclore nos assegura:

“Vestidos miseravelmente, mas com ornamentos de puro ouro,


amantes da música, da dança e da bebida. Permitem-se facilmente
praticar pequenos furtos, professando a religião cristã, praticam ritos
profanos e são conduzidos por chefes que se outorgam títulos honoríficos
ou de realeza, como por exemplo, Duque do Pequeno Egito, Conde
Cavaleiro, Capitão...”.

O interessante é que eles chegavam munidos de cartas de proteção que


conseguiam obter de príncipes e bispos pertencentes aos paises por onde haviam
passado.

Justamente nesta época, precisamente em 1419, que são assinalados na


França, na cidade Maçons, onde foram muitíssimos bem recebidos. Em seguida
rumaram para o norte da França em direção aos países Baixos e depois para Itália,
trilharam o caminho para Roma e quando lá chegaram foram recebidos pelo Papa
Martin V(até então os ciganos nunca haviam sido recebidos pelo Papa).

Com efeito, das cartas de recomendação que portavam assinadas por


imperadores, nobre e clero de outros reinos, tiveram enorme eficácia na franca e
posteriormente lhes valeram a proteção papal. Onde teriam obtido estes
“miraculosos passes”, as tais cartas de apresentação e recomendação, fornecidas
por autoridades tão importantes?

Não existe nenhum registro que as comprove como verídicas, ou que as


declare falsa. Em todo o caso, verdadeiras ou não, o interessante é que todo o
chefe de bando de cigano da época possuía uma cópia destas importantes cartas,
papéis estes, que inegavelmente comprovaram sua eficiência.

Em 1427, eles chegaram a porta de Páris, não puderam entrar na cidade,


porém suscitaram em todos os parisienses uma grande curiosidade. Alguns anos
mais tardes, há sinais de ciganos na região de Lorraine até a região de Provence.
No final do século XV, eles penetraram em Alquitaine, e logo depois entraram na
Espanha.

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Daqui por diante podemos ter certeza que os ciganos espanhóis (Calons),
não são um ramo vindo do norte da África, como se imaginou por um longo tempo,
mas sim eles chegaram provenientes da França e da Itália.

O começo do século XVI os vê chegar a Portugal e desembarcar na Escócia e


Inglaterra, onde em geral, foram bem acolhidos.

Pouco depois alguns destacamentos ou grupos de ciganos chegaram a


Dinamarca, Noruega e Suécia e de lá parte para a Finlândia.
A Polônia assistiu então a chegada de um grande número de ciganos,
provenientes da Hungria e da Romênia e finalmente nos primeiros anos do século
XVI é invadida por estes nômades, na forma de uma grande imigração.
Para terminar o quadro desta prodigiosa expansão cigana, devemos registrar
que nos meados do século XVII começaram a chegar grupos de ciganos da África e
das Américas, todos em condição de deportados por potência colonial.

No século XVIII foram à vez da Sibéria ver a chegada de várias tribos as suas
terras geladas.

Mas só foi no século XIX que numerosos grupos de ciganos se misturaram aos
imigrantes que partiram da Europa rumo ao Novo Mundo. Porém, ao chegarem ao
seu destino, em vez de se erradicarem em determinados lugares, como fizeram
seus companheiros de imigração não ciganos, eles continuaram a viajar,
percorrendo enormes distâncias. Errantes como sempre atingiram a expansão
máxima, pois hoje podemos encontrar tribos de ciganos no Alasca e na Patagônia.

Enfim, deve-se registrar que estes movimentos migratórios não pararam com
o século XX; a imensa maioria dos ciganos nômades é doravante encontrada no
interior de uma região bem determinada que é como “seu território de caça” e lá
eles permaneceram. Mas, existe também nômades que se deslocam no “interior de
um continente inteiro”, sobreviventes de um passado nômade ciganos.

Como também é possível, o deslocamento maciço de um grupo, procurando


uma região para se instalar e passar a praticar o nomadismo restrito a uma região.
Vão de um sítio a outro e por fim retornam aos seus pontos de partida,
recomeçando então tudo de novo. Este foi o caso da “invasão memorável” dos
ciganos Caldeireiros as terras da Grã-Bretanha no início deste século.

Atualmente os grandes acampamentos ciganos só são encontrados nos


arredores ou subúrbios das grandes cidades.

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Muitos ciganos se sedentarizaram definitivamente, outros apenas
parcialmente. Chama-se este modo de vida de nomadismo Circunscrito, isto é, eles
viajam em círculos.

A densidade da população cigana em cada país é muita escassa frente aos


povos lá estão. Longe de procurar se reagruparem, os ciganos se dispersam entre
as populações sedentárias.

A explicação encontrada para esta mudança de comportamento na vida


cigana, é que a mesma foi provocada pelas mudanças ocorridas em nossa
sociedade industrializada, que torna impossível o nomadismo como era feito em
tempos atrás.

Como viajar sem destino, rompendo barreiras, transpassando fronteiras, como


eles faziam livremente no passado?

Isto é impossível. É preciso ter documentação para viajar de uma região para
outra, além de não haver segurança necessária para um acampamento.

Em quase todas as grandes cidades, foram criadas áreas de “estacionamento”


para os acampamentos ciganos. Isto quer dizer, que infelizmente o cigano não tem
mais opção própria. Não pode mais seguir sua intuição mágica para encontrar o
lugar certo para parar suas carroças, acender suas fogueiras...

Tudo isto contribuiu para que muitos ciganos se acomodassem a nova


situação que os restringia e restringe, tornando-se então sedentários. O
nomadismo, para muitos, perdeu seu significado vital. Não há lugar para ele nesta
sociedade industrial. Esta mesma sociedade que os pressiona desta maneira,
castrando sua ideologia de vida cigana de forma cruel. Assim, eles correm o risco
de, sob influência do modernismo de grandes cidades, perderem suas
características tão belas, tão marcantes, tão românticas. Esta perda não será só
deles, mas sim de todos os não ciganos que receberam tão importantes dádivas
deste povo que deixou sua marca registrada em quase tudo do mundo “gadjé” ,
quer seja na música, na dança, na culinária, na medicina natural, na cosmetologia,
na arte circense, no vestuário, nos adornos e principalmente na magia, força
vibrante da “alma cigana”.

O que realmente espera todo ciganólogo ou pessoa que goste do


povo cigano? É que eles consigam superar esta situação atual de nosso mundo,
salva guardando os seus valores específicos, mesmo vivenciando uma “adaptada
sedentarizarão”.

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O que mais vemos dentre aqueles que ainda vivem uma vida seminômade, é
uma extraordinária dispersão, dando a impressão que os grupos de ciganos fogem
uns dos outros, como se os semelhantes os repelissem. É o resultado de uma força
repulsiva obrigando cada grupo cigano a procurar um “ar de nomadismo”, que
lhes são próprios e para tanto devem fugir dos espaços ocupados por outras tribos
ciganas.

Quem sabe se inconscientemente ou intuitivamente, os ciganos semi nômades


não encontraram nesta forma de vida uma saída para que não se perdessem os
seus valores tradicionais, a herança de sua sabedoria milenar, tentando não perder
a identidade de ser o único povo errante do mundo.“...e a sobrevivência da
etnia cigana segue, como os lobos, as leis instintivas da horda, até hoje...”

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CIGANOLOGIA

Apostila 4 – Síntese de uma longa caminhada (continuação da


Ap. N 3) Os ciganos no Brasil

A suposta dispersão dos ciganos pela Europa data de 1417, quando um bando
de 300 andarilhos nômades chegou a Alemanha, na primeira etapa do que eles
afirmam ter sido um peregrinação de 50 anos imposta pelo rei da Hungria como
castigo por sua apostasia(que quer dizer não ter uma crença especificada, um
partido ou uma opinião).

Um importante ciganólogo, Charles Godfrei Leland, nos narra, que os ciganos


já contavam essa mesma história, séculos antes, sobre sua chegada à SÍRIA
ao EGITO, quando consideravam ter sido renegados dos ISLAM. Seja como, for,
sabiamente conseguiram obter passaportes concedidos pelo PAPA, pelo
IMPERADOR DA ALEMALHA e por todos os GOVERNADORES DA EUROPA
para peregrinar e pedir esmolas durante 50 anos, e aí quando, então, passaram a
acampar durante a noite do lado de fora dos muros das cidades a que tinham
acesso com esses documentos e, que, por sua condição de estrangeiros e sua
facilidade em aprender idiomas novos, conseguiam sobreviver onde quer que
fossem pelo acervo de seus conhecimentos tribais de dança, canto habilidade com
os metais e no trato com os animais, ou pela prática da necromância (adivinhação
pela invocação dos espíritos) de origem indiana, pela quiromancia, e roubo, quando
a oportunidade o interesse permitiam. Entre sua clientela confusa e crente, passou
a correr a lenda de que o rei da HUNGRIA concedera-lhes, juntamente com a sua
punição, um mandato que os obrigava a roubar durante sua peregrinação.

Alguns anos depois do aparecimento dos ciganos na Alemanha, a virada


triunfal dos ROMANIS em PÁRIS foi proibida pelo BISPO DE PÁRIS, que
excomungava qualquer pessoa que demonstrasse ser crédulo ou blasfemo
suficiente para apresentar a palma de sua mão à inspeção desses profetas
sombrios, de olhos selvagens. O mesmo aconteceu, em seguida, na Espanha.
Cinqüenta anos mais tarde, na POLÔNIA e na RÚSSIA; posteriormente na
SUÉCIA; e, mais tarde ainda, na INGLATERRA e na ESCÓCIA, onde eram
tratados com relativa indulgência; os ciganos tornaram-se indesejáveis por toda
parte, passando da simples restrição à escravidão.

Ao mesmo tempo em que a leitura das leis revela as tribulações dos ciganos,
a literatura, mesmo mais escassa, revela sua sedução.

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Ben Johnson, que possuía o ofício remunerado de escritor de espetáculos
teatrais para a corte do REI JAMES, da Inglaterra, conseguiu ter sua pensão
dobrada em 1621, ao mesmo tempo que recebia o cobiçado ofício de Mestre de
Diversões, com a sua peça mais longa e popular, denominada A Metamorfose
dos Ciganos, uma narrativa carinhosa e obscena em versos, que descrevia os
ciganos como morenos, andrajosos e marotos, mascates benevolentes de alegrias e
fortunas, descendentes de PTOLOMEU e CLEOPÁTRA. Cem anos mais tarde,
surgiu A VIDA E AS AVENTURAS DE BAMPFYLDE-MORR CAREW, rei dos
ladrões, suposta narrativa autobiográfica da vida de um fugitivo entre os ciganos na
GRÃ-BRETANHA, E IRLANDA, em algumas partes da EUROPA e até mesmo na
AMÉRICA. Essa fábula ardilosa, esperta, sagaz, atravessou pelo menos 30 edições
impressas por 29 editores diferentes entre 1745 e 1871, acrescidas de mais uma
meia dúzia de versões condensadas, impressas em forma de panfletos e vendidas
por mascates itinerantes.

Mais tarde, um poma de Walter Scott do século XVIII descrevia a influência


da MAGIA CIGANA cultura dos camponeses escoceses. Pouco tempo mais tarde,
contemporâneos mais letrados, com Rudiger e Grellman, na Alemanha, e
Jacob Bryant, na Inglaterra, descobriram os primeiros indícios lingüísticos
que apontavam a origem Hindu dos ciganos , e que os estudantes da cultura
cigana acompanharam durante os 100 anos seguintes.

Finalmente, com o advento de GEORGE BORROW, um século após a criação


e lançamento da narrativa BAMPFYLDE-MOORE, nasceu o gênero da escrita
cigana, ou seja “dos romances ciganos”, uma mistura de aventura, humor,
mistério, romance e literatura. É muito importante para quem estuda ciganologia
tomar conhecimento que os dois maiores clássicos da literatura de reminiscência
cigana são LAVENGRO e ROMANY RYE, ambos reeditados por várias vezes, são
até hoje muito lidos por várias pessoas em diversos pontos de nosso planeta.

Como vieram parar no Brasil os Ciganos?

O mais antigo documento registrando a existência de ciganos no BRASIL, é


do final do século XVI. Os primeiros chegaram como simples degredados, e os
primeiros centros de concentração de ciganos foram as PROVÍNCIAS DE MINAS
GERAIS E BAHIA.

Consta do Arquivo Nacional, no livro n 16, escrito por F. ADOLPHO


COELHO em 1872 o seguinte texto:

1574, Chega ao Brasil na condição de degredado o cigano João Torres,


chefe de numerosas famílias que o acompanhavam.

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Nota: Como vemos, os ciganos chegaram ao nosso país logo após os seu
descobrimento, no início de sua colonização.

Chegando ao BRASIL, os ciganos logo se adaptaram, foi fácil, pois


encontraram um país imenso, de tamanho continental, mas que falava o mesmo
idioma em toda a sua extensão, e isto, além da amplitude de terras, fizeram com
que o namadismo por eles praticados, aqui fosse um conforto.

O acervo histórico do BRASIL nos conta: o cigano sempre esteve presente


em todos os ciclos geo-econômicos que tornaram o Brasil – possível, no ciclo do
pau-de-tinta, no da cana-de-açúcar, e do tráfico, presença marcante cigana na
GESTA DAS BANDEIRAS, no ciclo do ouro(não há ouro sem negro e sem cigano),
e no poderoso ciclo do café.

A Espanha possui em suas terras 800 mil ciganos, em Portugal constam


20 mil ciganos.

Existem 15 milhões de ciganos no mundo, dos quais encontram-se 6


milhões na EUROPA, das minorias mais antigas do continente europeu, é a maior
comunidade européia.

RAMIREZ, cigano espanhol, deixa registrado como um grito gitano:

“MUITO ANTES DOS REIS FERNANDO E ISABEL DE CASTELA NA


ESPANHA, O PRIMEIRO ESTADO MODERNO DO OCIDENTE EM 1452, OS
CIGANOS JÁ ESTAVAM AQUI.”

Fugindo da perseguição dos Reis Católicos, Fernando e Isabel de


Castela, os ciganos entraram em Portugal pela região desabitada do
ALENTEJO. Na corte portuguesa, 25 anos depois da descoberta do BRASIL, já se
pediam providências do rei contra eles. Em 1526 os ciganos foram proibidos de
entrar no REINO – até 30 anos atrás eles ainda não podiam permanecer mais de
24 horas no mesmo local, tendo sido expulsos milhares de vezes nesses quase 5
séculos.

A partir de 1534 integraram as famosas legiões de deportados pelo REI DOM


SEBASTIÃO DE PORTUGAL, e foram para além de terras AFRICANAS, também
no BRASIL. Isto ocorreu no século XVI, mais tarde, em 1808 outros tantos
ciganos vieram na comitiva de D. JOÃO VI para o RIO DE JANEIRO. Eram
cantores, músicos e ferreiros da CÔRTE. Alguns eram “meirinhos”, isto,
“oficiais de justiça”, profissão que muitos ciganos do grupo Calon do Catumbi-
Rio de Janeiro, exercem até hoje.

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Ainda sobre a chegada dos ciganos ao BRASIL, devemos registrar a
importante pesquisa feita por ADOLPHO COELHO em seu livro OS CIGANOS EM
PORTUGAL, editado em LISBOA – IMPRENSA NACIONAL - 1892:
“Dentre os documentos que reuni há um (doc.1) que mostra já em 1574 a
pena de galés, imposta a um cigano, comutada em desterro para o BRASIL. Não
seria naquele século tal caso o único no gênero; mas só no fim do século seguinte,
em 1686 que vemos generalizado o desterro para uma parte do BRASIL, o
MARANHÃO (doc. 2) Conforme ao desejo que fora expresso, mais de meio século,
antes por MIGUEL LEITÃO D'ANDRADE (doc. 3). Enfim o alvará de 1760 (doc.
4) mostra-nos que no BRASIL persistia o modo particular de vida dos ciganos e
que graças às condições particulares daquela nossa antiga colônia, eles se atreviam
a praticar violências, reunindo-se em número e com armas.

No Brasil, em Portugal, como nos outros países europeus ou de civilização de


origem européia, as medidas legislativas não conseguiram fazer desaparecer os
ciganos, nem os seus costumes inveterados (muito antigo, profundamente
radicado)”

E até hoje nunca mais deixaram de ingressar ciganos no Brasil, formando


atualmente uma minoria étnica de 1.000.000 de ciganos, fora os que ocultam
a sua origem, e que são denominados pelos ciganos de “Os Criptos”,

Como já vimos anteriormente, em curto espaço de tempo os ciganos


participaram de todos os ciclos sócio-econômicos: Pau-Brasil, da Cana-de-
Açúcar, do Ouro, do Café, como também das guerras contra invasores d
nossas terras brasileiras.

Os ciganos participando da Gesta das Bandeiras ajudaram a levar a linha


de Tordesilha aos Andes.

E o Brasil adquiriu a forma de Lira.

Também participaram de movimentos revolucionários libertadores.

Nota: Em pesquisa feita por mim, tomei conhecimento de uma linda lenda:

“Contam-nos os ciganos que não é por acaso que o nosso BRASIL tem a
forma de uma LIRA. Dizem eles que este símbolo nos foi presenteado por Deus
para que todo o resto do mundo soubesse que este país teria o dom musical (como
na realidade o tem). E que como esta musicalidade para cantarem sua liberdade
especial de ser e viver aos quatro cantos da Terra, livres como a música, para a
qual não há fronteiras, distâncias e é eterna.”

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Registro aqui um meu comentário pessoal: O brasileiro realmente tem “Alma
Cigana”, como eles apesar das dificuldades de vida, decepções, repressões, da
violência do dia-a-dia, não perde sua identidade especial, somos um povo feliz,
que acredita em futuro melhor, que brinca, é apaixonado, alegre, festeiro, amigo, e
excelente anfitriões para os representantes de outros povos que aqui chegam
querendo ficar.

Por tudo isto, em nenhuma parte do mundo o cigano se sente melhor que
aqui, pois em nosso país de tamanho continental “eles” se sentem livres para irem
e virem de onde e para onde quiserem.

Grupos Ciganos no Brasil

Os Kalons (ou Calon em português) - Origem: Península Ibérica

Os Hoharanó (também denominados de Rorarané) – Origem: Europa


Oriental

Os Kalderash (também denominados de Calderash) – Origem:


Europa Oriental

Os Matchuaiya (também denominados de Matchuaia) – Origem:


Europa Oriental

Os Manouche (também denominados de Manuche) – Origem: França

Tantos outros como os: Churari, Lovara, Xoraxanó, Calin, Matchuanko,


Ragari, Macvanka, Hurara (o mesmo que Tchurari, os ciganos de origem
grega), e muitos outros pequenos subgrupos que chegaram ao Brasil, fugindo da
primeira e depois da Segunda Grande Guerra.

Devemos registrar que os que primeiro aqui chegaram, foram do grupo


Kalon ou Calon, os ibéricos, em 1574 (século XVI), depois outra leva em 1808, e
até os dias de hoje, de quando em vez, chegam novos grupos de famílias,
provenientes da ESPANHA E PORTUGAL.

Depois vieram os do grupo ROM que chegaram ao Brasil depois de 1872,


subdividindo-se em inúmeros subgrupos dos quais os mais numerosos em nosso
país são: CALDERASH OU KALDERASH, MATACHUAIYA OU MATCHUAIA, E
HOHARANÓ OU RORARANÉ.

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Os ciganos do grupo dos ROMS e subgrupos falam o ROMANÉ, mas os do
grupo dos CALON ou KALOM falam o dialeto CALÓ.

Os ciganos KALONS, portugueses e espanhóis são considerados os melhores


artesões de ferro e há trabalhos lindíssimos seus nas grades e portões das
mansões, palácios e castelos ibéricos.

Os do grupo e subgrupos dos ROMS são excelentes artesões em madeira e


cestaria. Mas em especial devemos destacar os KALDERASH, cuja tradução em
português é “caldeireiro”, estes são donos do segredo da perfeição do trabalho
em metais como o cobre, o bronze, a prata e o ouro.

Agora falemos um pouco especificamente dos ciganos na cidade do RIO DE


JANEIRO, que hoje é Estado, já foi capital da República, mais para traz ainda,
abrigou a corte Portuguesa.

Já estudamos que os ciganos KALONS (Alguns de seu grupos) se semi-


sedentarizaram-se no bairro do CATUMBI, nesta cidade, em especial na rua
CHICHORRO, mas resta ainda registrarmos que desde 1763 os ciganos estão
presentes oficialmente na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

A sorrelfa (sorrateiramente), desde o século XVI, alcançando uma presença


espetacular depois de 1808, como servidores do Rei – Cavalariços,
segeiros(cocheiros), festeiros do Paço(promoviam e organizavam festas populares,
espetáculos públicos), aguazis(vendedor de água), “Andadores do Rei” ou
Meirinhos (cobradores de tributos, oficiais de Justiça), realizavam despejos, ao
modo que coubesse.

Quando não estavam exercendo as suas funções, eles permaneciam


aguardando tarefas no Pátio Interno do Passo, conhecido na época
como...ADRO DOS CIGANOS.

Reportando aos dias atuais temos a registrar que é na cidade do Rio de


Janeiro que fundou-se pela primeira vez no Brasil o centros de Estudos Ciganos,
que não dão cursos para Gadjés (não ciganos), ele existe mais como para preservar
os costumes e tradições entre os próprios ciganos.

Posteriormente fundou-se aqui a Federação dos Ciganos do Brasil, cujo


presidente é o cigano MIO VACITE do grupo HOHARANÓ ou RORARANÉ,
casado com uma cigana do grupo KALDERASH, de nome JORDANA
ARISTIDES. Eles têm dois filhos RICARDO e MARCELO VACITE.

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O ORIENTE DE VERDE-AMARELO

Os calons e roms brilham em nove de nossos estados

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CIGANOLOGIA

APOSTILA 5 - Vestuário Tribal e Ritualístico

Tanto o homem como a mulher cigana apreciam muito enfeitar-se e ostentar-


se através de suas vestimentas o seu poder econômico.

Seus trajes variam por demais dependendo de que região do mundo estão,
mas todos no fundo têm um pouco do exotismo e beleza dos “saris” indianos,
exceto os trajes dos ciganos CALONS.

Há tribos de CALONS em que depois de certa idade os seus membros


vestem-se totalmente de preto, as mulheres com seus longos chales, cabelos
presos em coques baixos, brincos, colares, braceletes e anéis de ouro. Os homens
em seus trajes negros, quase sempre usam chapéus.

Obs: Os CALONS são ciganos IBÉRICOS (PORTUGAL E ESPANHA), e


este costume de depois de certa idade (normalmente após os 40 anos), vestirem-se
só de preto, é também muito comum entre os habitantes de certas regiões da
Espanha, Portugal e até em certas aldeias da Grécia, por certo devido as influências
árabes que tiveram em suas tradições locais.

Mas há CALONS com seus trajes coloridos, as mulheres com seus vestidos de
corpo justo, mangas pretas e longas (até os pulsos), muitos babados na saia, nos
punhos, no decote do vestido, ou então, eles são substituídos por franjas, longas
franjas...

Eles apreciam muito o uso do chale, adereço que sempre acompanha seus
trajes, e em ocasião festiva usam flores a enfeitar os seus cabelos em coques, ou
travessas de ouro (se ricos), ou de pedrarias coloridas, as quais as “gitanas”
denominam de CHAMA ARDENTE, e uma jovem quando deseja chamar a atenção
de um pretendente, sempre colocam em seus cabelos uma chamativa “CHAMA
ARDENTE”.

Usam leques enfeitados para seu conforto, ou como adereço de dança.

Nos pés usam sapatos fechados, com pequeno salto quadrado, e têm por
costume tachearem a sola e o salto dos mesmos, pois “eles” são a base rítmica de
sua dança. Além destes sapatos, usam chinelas bordadas, mas nunca sandálias.

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Os homens gostam de camisas brancas, vermelhas e estampadas com muitos
babados, mas todas com mangas compridas. Suas calças podem ser pretas, cor de
vinho, verde musgo, azulão, cinza ou marrom. Gostam também de usarem coletes
de veludo ou cetim, que para as festas são ricamente bordados. Apreciam usar
chapéu preto com uma aba endurecida, em dias de festas costumam enfeitar os
chapéus com patacas de ouro; usam cordões de ouro no pescoço, na cintura para
segurar o relógio, e nas mãos muitos anéis também de ouro.

As mulheres gostam de usar como adereços brincos de argolas de ouro ou


não, pequenos brincos formados por moedas ou símbolos, no pescoço apreciam
pendurar cruzes de ouro, prata e principalmente de pedrarias coloridas. Nos punhos
usam braceletes em forma de aros.

Dentre os CALONS é costume mandarem fazer capas de ouro (tipo uma


jaqueta, para encobrirem os dentes da frente, principalmente os superiores, este
costume é comum dentre os adultos, homens ou mulheres, como também nas
crianças.

Nota: Este costume das “jaquetas de ouro” não é generalizado entre todos
os Calons, e sim só algumas de suas tribos.

Em sua maioria estes ciganos usam botas, mas podem também fazerem uso
de sapatos, mas adoram enfeitar seus calçados com fivelas, taxeados e etc.

Em rituais como o casamento, batizado ou apresentação de uma cigana na


CALONS à família de seu pretendente, “ela” por certo estará de branco, no
vestido, no alvo chalé de seda com longas franjas, e nas flores a lhe enfeitar os
cabelos.

Uma curandeiro ou uma feiticeira do grupo CALON, necessariamente não


estará trajada de negro, mas em seu pulso direito ou esquerdo por certo haverá um
terço enrolado e preso no dedo de sua mão. Em seu pescoço misturado as
correntes que enfeitam seu colo, por certo estarão penduradas uma cruz, e
conformando um verdadeiro “sincretismo” religioso, ela também trará pendurado
em si por fitas pequenos amuletos, uns dentro de saquinhos, outros aparentes,
como: uma concha, um pedaço de raíz, um osso, uma semente, um trevo e etc.

É uma figura respeitada por demais dentre o seu povo, comparece às


festividades, comanda rituais, cura através de sua medicina alternativa, e na
maioria das vezes é parteira.

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Sob suas vestes sempre esconde um punhal, não para ser usado como arma
de ataque, e sim em seus rituais. Este punhal geralmente lhe chega às mãos por
herança, portanto são peças lindas e muito antigas.

Aqui em nosso Brasil, a maioria dos CALONS é muito pobres, muitos dentre
eles são nômades, e vestem-se de andrajos, suas barracas são precárias, não tem
instrução alguma, nem propiciam para que suas crianças as tenham. Analfabetos,
arredios, mas meigos e sensíveis, estes CALONS vivem na periferia das grandes
cidades, sob viadutos, muitas vezes confundidos como sendo mendigos,
desocupados, são muito maltratados pela nossa polícia tão mal informada, não
possuem um profissão definida, e sobrevivem com as vendas de pequenos objetos
contrabandeados, tais como relógios, tapetes, mantas e etc.

Deveriam ser, mas amparados, mas não o são, o que é uma pena, pois
embora andrajos, trazem em si arraigada toda uma TRADIÇÃO CIGANA CALON.

As ciganas destes grupos ganham a vida praticando a QUIRAMANCIA E A


QUIROLOGIA nas praças, parques, e ruas das cidades em que por perto estejam
acampadas. Se nos gadjés não conseguimos entender como elas (ou eles)
apreciam viver tão precariamente e sem destino certo, devemos pelo menos
respeitá-las em sua luta (inconsciente) pela preservação de sua forma de vida, a
única que amam e conhecem.

Nota: é dever de qualquer pessoa esclarecida respeitar e auxiliar os


representantes de uma MINORIA ÉTNICA, mas ÚNICA, pois pertencem a um
povo nômade, o mais antigo do mundo.
Sejamos amáveis quando uma cigana se aproxima de nós querendo nos
transmitir a “BUENA-DICHA” , e ouçamos com carinho e paciência o seu eterno
“chavão”

Muestra la mano, señora,


No hayas ningum receio.
Bendiga diuz del cielo!
Tu tienez buena ventura,
Muy buena ventura tienez.

E que Deus continue a proteger e amparar á todos os Calons que caminham


por este mundo afora, que eles ultrapassam o terceiro milênio com seu garbo, sua
alegria contagiante, e sua simplicidade de vida, pois muito ainda têm a ensinar aos
gadjés. Olé!...

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Os ROMS - Ciganos Extra- Ibéricos

A) Ciganos do Sudeste Europeu e da Rússia Européia

Esta região compreende-se de vários países: ROMÊNIA, antiga


TCHECOSLOVÁQUIA, HUNGRIA, AUSTRIA, SUÍÇA, ALEMANHA E POLÔNIA,
e em território da Rússia Européia temos: MOLDÁVIA, ESTÔNIA, LETÔNIA,
LITUÂNIA, UCRÂNCIA etc

Todos os do grupo ROMS usam trajes muito semelhantes, sejam de que tribo
for.

Tribos como a dos TCHURARI (lê-se CHURARA), os XORAXANÔ (lê-se


HORARANÓ), os KALDERASH. OS MACVAIA/MACWAIA (lê-se MATCHUAIA),
os SINTIS, os OSURIS, etc; andam por toda parte do mundo, do oriente ao
ocidente, exemplificando podemos dizer que se os encontramos na Europa,
também os encontramos nas Américas, e daí por diante. Mas, por terem passado
longo tempo no Sudeste Europeu e nas Rússia, difundiram dentre seu povo
semelhantes trajes romanês, que poderiam ser descritos assim:

Trajes Femininos: As ciganas usam sempre sete saias, todas de coloridos


fortes e contrastantes, blusas de mangas fartas, muitas adereços a enfeitar suas
orelhas, pescoço, cintura, punhos e dedos, de preferência todos de ouro ou que
pareçam ser. Na cabeça, se casadas, não dispensam o uso de DIKLOS, lenços
que simbolizam a feminilidade de já ser mulher.

Por serem de região fria, usam botas de couro ou de camurça, que podem ser
pretas ou vermelhas.

Em dias de festa, as ciganas adornam suas vestes e colocam em sua cabeça


uma tiara ou torçar donde pendem inúmeras fitas de todas as cores, que vão da
cabeça aos pés, cobrindo-as como um manto colorido.

Nota: Esta tiara ou torçar com fitas será posto sobre o DIKLO caso a cigana
já seja casada.

O pandeiro enfeitado também com fitas coloridas, é imprescindível em suas


danças folclóricas.
O traje de casamento de uma cigana é sempre todo vermelho adornado de
dourado, como também o DIKLO que traz a cobrir seus cabelos.

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Trajes Masculinos: Os homens usam trajes diversos: pesados ternos de lã
preta cujos coletes têm botões de ouro ou que pareçam ser. Não dispensam o uso
de chapéus e por vezes os usam sobre lenços que atam à cabeça. Adornam-se com
medalhões e inúmeros anéis. Muitas vezes encontramos ROMS usando calças
bombachas em lã ou veludo, com botas de couro que lhes chegam aos joelhos.
Camisas largas tipo bata, são cintadas por lenços coloridos onde prendem os seus
punhais e chicotes de cabos entalhados, os ROMS são exímios adestradores de
cavalos.

Em dias de rituais vestem suas melhores roupas; um noivo usa camisa tipo
bata, aberta ao peito sem botões, de mangas fartas, por vezes bufantes, outras
plissadas, de preferência na cor vermelha.

Correntes e medalhões adornam um noivo, que através destes adornos


demonstra a que povo pertence e seu poder econômico pessoal.

Quando o frio chega todos usam longos abrigos de pele animal sobre os seus
trajes exótico (ROMS e ROMIS).

Os kakus (os verdadeiros donos do conhecimento da magia cigana) que


podem ser homens ou mulheres trajam-se ricamente de negro para oficiarem
rituais.

Nas tribos destas regiões a maioria dos ROMS e ROMIS gostam de fazer uso
de cachimbo, onde colocam o tabaco misturado à folhas aromáticas.

B) Os grupos que estão ou descendem dos que se originam dos


Países Baixos(Holanda e Bélgica), ou da França, de Luxemburgo e ilha de
Córsega, ou da Península Itálica, usam trajes pouco diversos dos ROMS
do sudeste Europeu ou da Rússia Européia;

Trajes Feminino: As ROMIS trajam as mesmas 7 saias coloridas e


bordadas, blusas fartas, DIKLOS coloridos, muitos adornos, mas dispensam as fitas,
trocando-as por torçais elaborados onde prendem medalhas, pedrarias coloridas e
correntes.

Trajes Masculinos: Os homens também usam quase os mesmos trajes de


seus irmãos dos quais já falamos anteriormente, só que em alguns grupos apreciam
o uso de coletes, bordados ou não, sobre as camisas. Casa-se geralmente de terno
escuro, cujo sóbrio paletó é posto sobre exuberante colete adamascado, ou de
veludo bordado, ou de brocado colorido.

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Também como seus irmãos não dispensam o uso do chapéu ou do lenço
sobre os cabelos, ou o uso de ambos. Repetem também o costume de apreciarem
(homens e mulheres) o uso de cachimbo, onde fumam tabaco misturado a folhas
aromáticas, principalmente as de figo.
As mulheres ao casarem também usam trajes todo vermelho carmim.

As KAKUS destas tribos usam sob a saia que aparecem outra com inúmeros
bolsos onde guardam suas ervas, seus ungüentos, seus elixires, seu almofariz, seu
soquete (ferramentas para confeccionar pós e pastas medicinais), seus talismãs,
enfim, seus segredos de magia que só a ela ou ele pertencem por descendência
hierárquica.

Muitas KAKUS trazem seus punhais sob as saias, mas outras os usam
escondidos às costas. Os KAKUS por vezes escondem seus punhais nos canos de
suas botas, em vez de os trazerem presos à cintura como os demais ciganos.

ROMS e ROMIS usam como calçados botas ou sapatos, mas as ciganas de


regiões de clima mais ameno usam chinelas bordadas.

C) Os ciganos da Rússia Asiática(Mongólia, Sibéria etc), mais os que


habitam a pequena parte do Irã e do Afeganistão que estão próximos a
estas áreas, mais os ciganos da Finlândia, conseguem uma proesa:
preservarem suas tradições de uso de trajes sempre coloridos em terras
de baixíssimas temperaturas.

Os ciganos que habitam estas regiões são em sua maioria circences, e


reconhecidos em todo o mundo como os únicos domadores de ursos e excelentes
adestradores de cavalos.

Trajes femininos: As ciganas sob sua saia colorida, alegre, bordada, usam
outras de lã pesada e mais uma calça de lã que é atada aos tornozelos.

Blusas coloridas de lã são usadas no verão, mas no inverno não dispensam


agasalhos longos de pele animal, e o exótico é que colocam barrete de peles sobre
os seus DIKLOS: é a necessidade unida à tradição.

Estas ciganas também gostam de se adornarem com adereços de ouro, ou


que pareçam ser como seus irmãos do SUDOESTE EUROPEU e da RÚSSIA
EUROPÉIA, apreciam, em dias de festividades, enfeitarem suas cabeças com
tiaras feitas de flores de pano ou naturais, ervas aromáticas e inúmeras fitas
coloridas que lhes caem até a cintura.

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No verão tanto os homens como as mulheres usam botas de couro preto ou
vermelho, mas no inverno estas botas são substituídas por outras feitas de couro e
forradas de pele animal.

Trajes Masculinos: Os homens usam pesados trajes de lã, cujas calças são
sempre bombachas, suas blusas são longas túnicas que podem ser coloridas, mas a
preferência recai na cor branca, atadas na cintura por faixas dos mais variados
tipos. Usam abrigos de lã ou pele animal durante as estações frias, e jamais
dispensam o barrete de lã ou pele animal. Que para os ciganos destas regiões
substitui o chapéu. Quando estes barretes são de lã ou veludo, normalmente são
ricamente bordados.

Como os ciganos gostam de enfeites, nem nestes lugares de temperatura


inóspita deixam de se enfeitarem; vi ciganos destas regiões que prendem os seus
abrigos de peles e barretes medalhas, moedas, correntes, broches de pedrarias e
etc.
Há ciganas que usam colares de correntes e medalhas ou moedas que lhes
chegam até os pés! Muitos são de ouro, outros o parecem ser.
ROMS e ROMIS usam punhais, mas sempre ocultos.

Os ROMS usam chicotes de cabos entalhados presos a cintura.

Atadas a cintura, tanto homens como mulheres, usam faixas coloridas, outros
amarram pequenas faixas de tecido colorido em torno de suas botas, ou penduram
patacas douradas ou de ouro nas mesmas.

Por causa do clima usam quase sempre luvas e “anéis sobre elas”, o que os
torna muito exóticos.

O traje dos KAKUS não difere dos demais de sua tribo.

Estes ciganos ao se casarem usam trajes coloridos adornados por inúmeras


fitas coloridas. Os pandeiros com fitas também fazem parte de suas danças
folclóricas, como também os arcos ornados de ervas aromáticas secas, fitas em
muitas cores e flores, de pano ou não.

D)Falemos agora dos ciganos da Península Balcância(Bulgária,


Antiga Iuguslávia, Albânia, Grécia, parte da Turquia e parte da Romênia)

Trajes, calçados, adereços, DIKLOS, chapéus, e abrigos de frio, muito


semelhantes aos seus irmãos do SUDESTE EUROPEU, RÚSSIA EUROPÉIA e em
algumas tribos de certas regiões com seus irmãos da RÚSSIA ASIATICA.

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Mas como o cigano é altamente criativo, estes também possuem pequenos
“detalhes” que os diferem dos demais. Vi ciganos gregos trajarem-se só de negro
com longos coletes que lhes vão até os joelhos, totalmente recoberto de medalhas
e pedrarias coloridas. Outros em trajes coloridos, as ciganas com suas tradicionais
sete saias, mas usando longos chales bordados com fios de seda e miçangas,
também de miçangas são suas franjas, elas os usam em suas danças folclóricas.

Os homens quase sempre atam lenços na cabeça, ou cobrindo totalmente os


cabelos, ou na forma de bandagem, que lhes cingem a testa.

Os homens têm o costume de furarem a orelha esquerda para usarem uma


argola de ouro. Dentre os ciganos desta região surgiu este costume, que aos
poucos se espalhou por outras inúmeras tribos, mundo afora...
Nota: Durante os séculos VI, VII e VIII a pirataria singrava sobretudo
os MARES DO MEDITERRÂNEO, ADRIATICO EGEU, e foi aportando em portos
gregos, turcos, búlgaros, albaneses e etc, que os piratas travaram contatos com
tribos ciganas destas regiões, e deles imitaram o exótico costume do brinco de
argola na orelha esquerda, e do lenço a cingir a cabeça.

Passaram-se os séculos, e nos dias de hoje encontramos facilmente muitos


rapazes gadjés a repetirem este costume da TRADIÇÃO CIGANA, quer seja no
uso do brinco, ou no do lenço.

Presenciei festas de ciganos na ALBÂNIA E GRÉCIA, em que as mulheres


usavam leves sais de gaze ou organdi, e os seus DIKLOS eram presos por tiaras
bordadas com medalhas, pedras coloridas e enfeitadas de correntes.

Na BULGÁRIA e na antiga IUGOSLÁVIA, vi ciganos com muitos lenços


presos às sais, inúmeros mesmos, o que talvez deu origem as saias só de lenços
muito usadas por moças gadjés em “fantasias ciganas”, mas que não é real, pois
as ciganas jamais mostram as pernas ou o ventre.

Estas saias com lenços presos das quais falamos, normalmente têm palas nos
quadris rebordadas de moedas, suas blusas são fartas, de mangas longas ou não,
com ombros a mostra ou não. Na cabeça sempre os DIKLOS, se casadas.

As ROMIS Balcânicas gostam demais de usarem sobre suas blusas “corpinho”


(tipo coletes justos), atados a frente por fitas trançadas em ilhoses. São
confeccionados de veludo ou cetim, bordados ou não.

Os ROMS dos Balcãs, usam calças largas e bombachas, coletes, blusas tipo
longa bata com mangas fartas, nas cores das mais diversas.

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Chapéus na cabeça, sobre lenços ou não, enfeitados com medalhões e
correntes de ouro ou o que pareça ser.

As mulheres nem sempre usam a cor vermelha em seus trajes núpcias.

O traje dos KAKUS não diferem dos demais, mas só eles usam adornos na
forma de serpente, corujas, cigarras ou escaravelho. Também penduram em seu
pescoço inúmeros talismãs misturados a corrente com moedas e crucifixos de ouro,
de prata, de cobre ou de pedras coloridas.

Nos bolsos de suas “sob saias” escondem seus apetrechos de magia.

Quando homens estes KAKUS trazem sempre consigo uma sacola de pano
escuro que tem a mesma finalidade dos bolsos das KAKUS.

ROMS e ROMIS fazem o uso do porte de punhal, mas só os homens do


chicote.

Quanto aos ciganos que estão na parte BALCÂNICA DA TURQUIA, vestem-


se já com uma boa influência dos costumes árabes.

Encontra-se ROMIS com calças sob as saias, e barretes bordados sobre os


diklos. Os homens, via de regra, seguem as normas de vestuário dos seus
compatriotas dos Balcãs, apenas assimilando algo dos árabes, algumas tribos
trocam o chapéu por barretes adamascados ou de veludo bordados com fios
coloridos de seda, fios dourados ou prateados, canutilhos, missangas e pequenas
pastilhas de espelho, são muito bonitos.

É importante registrar que os ciganos desta região não usam punhal e sim
adaga, como muitos de seus irmãos que vivem em países árabes, e há belíssimas,
com o cabo na forma de serpente, ou encimado por cabeça de falcão ou cravejados
de pedrarias, inscrições simbólicas e etc.

Ciganos da Escandinávia: Suécia, Noruega, Dinamarca e Islândia.

Vestem-se semelhantes aos da RÚSSIA ASIÁTICA, quando de regiões frias,


e nas de clima mais ameno, como os ciganos do SUDESTE EUROPEU.

Se há alguma diferença é em pequenos detalhes como os que vi em algumas


tribos, onde ciganas usavam longos aventais de organza de cor lisa em várias
cores, sobre suas saias de estamparias diversas, com coletes totalmente feitos de
moedas (para ROMS e ROMIS); mulheres ciganas com longos chales coloridos, de
lã ou veludo, franjados por borlas de seda.

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Homens ciganos com longos sobretudos de lã escura cujas lapelas são de
tecido brocado e coloridos. Chapéus de pele ou de feltro preto, sempre desabado
sobre os olhos.

Muito destes ciganos trazem um chicote á cintura, cujo cabo sempre é


trabalhado em metal dourado, cobre ou osso...Têm o costume do uso do punhal.
Calçam botas de cano longo ou não, longas e grossas meias de lã quando o inverno
chega, e luvas com anéis, como os da RÚSSIA ASIÁTICA.

As jovens casam-se de vermelho ou branco, dependendo da época do ano, se


verão o traje é carmim, se inverno o traje é alvo como a neve, mas ambos os trajes
são bordados em dourado.

Gostam como todos os ciganos de inúmeros adereços de ouro ou que pareça


ser, e fitas coloridas.

Apreciam o cachimbo de fumo aromatizado, os ROMS e ROMIS.

Presenciei muitos ciganos desta região usando bornal de pele, de pano ou de


couro, geralmente usado a tiracolo, onde levam provisões, ferramentas e etc.

Os KAKUS não diferem em trajes dos demais de sua tribo, exceto por
carregarem pendurados ao pescoço e na cintura amuletos e etc. Também trazem
oculto o seu punhal.

Chegamos agora as ILHAS BRITÂNCIAS e encontramos ciganos trajados


como seus irmãos da FRANÇA, LUXEMBURGO, ILHA DE CÓRCEGA,
PENINSULA ITÁLICA, PAISES BAIXOS (HOLANDA E BÉLGICA), sem
nenhuma diferença aparente.

Só pude notar que seus cachimbos são curvos ou retorcidos e entalhados, que
suas botas por vezes são de tecido grosso, encorpado e bordados e que as ROMIS
sempre trazem chales de veludo lã atados a cintura, talvez como precaução para
um eventual frio.

No mais, é tudo igual aos trajes de outros ciganos dos quais eu já falei.

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Nas Américas e Austrália, os ciganos repetem os trajes romanês das tribos
européias das regiões das quais descendem, nada acrescentaram a TRADIÇÃO
ROMANÉ, apenas nos países de temperatura tropical, substituíam as roupas
pesadas de lã, veludo, camurça couro ou peles, por tecidos leves com a gaze,
a seda, o chifon, a organza, o jérsei(isto os ciganos de posse), os de vida mais
simples optaram pelo algodão, dentre estes estão principalmente os do grupo
CALON.

Se existem KAKUS entre os ciganos que estão em nosso país, o Brasil, eu


não tenho conhecimento, mas por certo haverão de existir dentre os mais idosos,
talvez ainda de nacionalidade estrangeira.

Aqui no Brasil as ciganas casam de vermelho em cerimônia ritualísticas de


TRADIÇÃO ROMANÉ, e com o tradicional vestido de noiva branco, quando
casam-se na IGREJA CATÓLICA ROMANA OU ORTODOXA.
Deixei para o final falara sobre os ciganos do ORIENTE PRÓXIMO:

TURQUIA, CÁUCASO (RÚSSIA), SÍRIA, LÍBANO, JORDÂNIA, IRAQUE


(ANTIGA PÉRSIA), IRÃ, KWAIT, EGITO, ARÁBIA SAUDITA, ISRAEL E
CHIPRE.
Nota: Nestas regiões o povo cigano passou muitos séculos antes de
começarem a adentrar pela Europa. Dentre estes, os costumes árabes são muito
acentuados.
Observei muitas tribos (principalmente em Israel e no Cáucaso) trajando-se
igualmente seus irmãos do Sudoeste Europeu e Rússia Européia, apenas com
alguns detalhes diferentes, tais como estolas bordas que os homens trazem sobre
seus agasalhos, ou sobre os camisões (quando o clima encontra-se mais ameno),
as ciganas em quase tudo são iguais as demais ROMIS européias, salvo por alguns
adornos exóticos: blusas brancas bordadas em desenhos de flores coloridas,
corpinhos sobre as blusas, sendo estes sempre na cor negra, diklos sobre os
cabelos (encobrindo-os totalmente), Ornados de borlas de seda de várias cores,
suas saias e chales também são adornados com estas borlas.

Seus chales são usados como adereços, ou como agasalho contra o frio ou
como apetrecho de dança.

As jóias, seja eles de ouro ou dourados, são usadas em farta quantidade


(como as demais ROMIS pelo mundo a fora), mas estas ciganas desta região
apreciam o uso de exótico brinco na orelha esquerda, de onde sai uma corrente
com medalhas que vai prender-se também na narina esquerda(influência árabe)

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Se forem ciganos da região do CAÚCASO usam botas de cano longo ou
curto, quando o clima se torna mais ameno, as mulheres usam chinelas de feltro,
ou veludo, ou camurça, bordadas;
já os ciganos que vivem na região de ISRAEL (da PALESTINA), têm preferência
por sandálias de couro cru, para homens e mulheres.

Como seus irmãos fazem uso do punhal, do porte do chicote (para os


homens), e do cachimbo para ambos os sexos.

Os ciganos destas regiões também muito apreciam o uso do chapéu sempre


de feltro negro, cujas abas podem ser desabadas sobre os olhos ou não.

Os KAKUS trajam-se iguais aos demais KAKUS de outras tribos em outras


partes da Europa, seja ela oriental ou ocidental, sempre carregam amuletos terão
mistérios sob seus sais (caso sejam mulheres), ou no interior de coletes, ou nos
profundos bolsos de suas calças bombachas (caso sejam homens).
Já os ciganos que pertencem a tribos localizadas na TURQUIA, SÍRIA, LÍBANO,
JORDANIA, IRAQUE(ANTIGA PÉRSIA), IRÃ, KWAIT, EGITO, ARÁBIA
SAUDITA E ILHA DE CHIPRE, têm forte influência no seu trajar dos povos
árabes desta região.

Encontram-se ciganos e ciganas usando longos e rebordados caftans, e sob


eles usam calças folgadas atadas aos tornozelos e finas blusas atadas com fitas.
Em muitas regiões, devido à influência árabe, amarram lenços na cabeça
envolvendo-os como um cachecol, resquícios da TRADIÇÃO HINDÚ mantidos e
divulgados pelos ROMS que ao saírem da Índia emigraram primeiro para a
PÉRSIA, hoje IRAQUE, lá se radicaram, mantendo até os dias de hoje inúmeras
tradições de sua origem indiana, sendo mais uma delas o gosto pelo uso de longos
coletes adamascados sobre suas camisas e calças, como também o hábito de
trançarem lenços pelo corpo sobre os trajes.

Sendo assim encontramos ciganos vestidos com longas túnicas sobre calças
bombachas, com o costume de trançarem dois longos lenços a altura do tórax e
outro longa a cintura.

Em outras regiões de domínio árabe, encontra-se ciganos de calças


bombachas, usando por camisa longas batas brancas, atadas na cintura por faixas
coloridas ou negras.

Quase sempre os ciganos destas regiões trazem um chicote com bonito


trabalho no cabo à cintura.

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O “bornéu” de couro, ou pele de carneiro, ou cabra, é usado a tiracolo por
homens e mulheres.

Observação: Os ciganos destas regiões, não têm em sua Tradição o uso do


punhal, e sim da “cemitarra” e da “adaga”, que normalmente prendem as
escondidas sob suas vestes ou trazem presas as costas, principalmente as ciganas
que escondem a sua adaga às costas, sob o manto de seu DIKLO.

É importante registrar que as ciganas jamais fazem porte de cemitarras, elas


fazem parte das tradições masculinas.

Falemos um pouco agora das ciganas destas regiões, seus trajes por vezes
diferem, mas têm algo em comum, seus diklos são longos, caem por sobre seus
cabelos e vão até o chão como mantos, presos à cabeça por tiaras ou torçais
enfeitadas(como podem observar, é resquício da tradição de sua origem indiana).
Mas cedente às influências árabes, em muitas regiões há ciganas usando barretes
adornados por sobre estes seus longos diklos.

Existem tribos em que as mulheres usam longas túnicas sobre suas saias
tradicionais, em outras amarram sobre suas túnicas inúmeros lenços trançados à
cintura, e outros(de comprimento bem longo) dois cruzados na altura do busto.
Enfeitam-se com medalhas, guizos, borlas de seda, e passamanaria (galões, fitas
bordadas, franjas e etc)
Ciganas atam guizos em seus tornozelos, ou os penduram em seus
braceletes, e ciganos sobre suas botas, ou também em seus tornozelos, quando são
de regiões em que usam alpargatas, todos com a finalidade de afastarem os maus
espíritos ou más influências.
As ROMIS destas regiões usam sapatilhas rebordadas ou adamascadas, só
quando pertencem à algum grupo de situação de vida muito precária é que fazem
uso de sandálias (isto para homens e mulheres).
Em tão extensa região é claro que o trajar dos ciganos que aí estão diferem
em inúmeros, de país para país, e um deles é o seguinte: Os ciganos apreciam o
uso de barretes sobre os cabelos ou sobre os lenços que atam à cabeça. É
costume enfeitarem estes barretes com moedas, escudos e pequenos maços de
gravetos aromáticos, atados com uma tira de couro; as mulheres também
penduram em meio aos seus ornamentos saquinhos contendo essências aromáticas
(até sob suas roupas), e pequenos molhos de gravetos aromáticos atados em fios
de couro ou em trançado de fios de seda, como também penduram maços de flores
secas ou de favas, com o intuito de obterem proteção. Muitas usam brinco que une
sua orelha esquerda a sua narina esquerda, por meio de correntes delicadas onde
são penduradas diminutas medalhas, como também braceletes ligados aos anéis
por delicadas correntes (ambos os detalhes de ornamento pertencem aos resquícios
de sua origem Hindu)

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Os KAKUS não trajam diferentes dos demais ciganos que habitam estes
países, mas trazem sempre consigo imenso bornéu de couro ou pele animal, onde
de tudo têm um pouco para por em prática sua magia, seja ela ritualística ou
medicinal.
Os KAKUS quando mulheres sempre trazem a testa uma corrente que
sustenta pendurado na altura do seu chacra frontal uma meia lua em crescente ou
uma estrela de cinco pontas. Quando homens, trazem estes mesmos símbolos em
medalhão que usam pendurados na altura do seu chacra cardíaco.
As jovens ciganas destas regiões usam trajes nupciais em cores podem ser o
vermelho, o dourado ou o azul índigo.

Em sua grande maioria os ciganos pertencentes a tribos que habitam estas


regiões, são exímios cavaleiros e adestradores de cavalos, excelentes comerciantes
de tapetes, almofadões rebordados, tapeçarias e artesões refinados em latão
dourado.

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CIGANOLOGIA

APOSTILA 6 – Estética e Cosmetologia pertecentes ao


conhecimento da Tradição Romané

Onde já se viu algum um cigano calvo? É raro...Qual será por tanto o por que
de tão farta cabeleira? Naturalmente, em grande parte, é devido à loção que os
ciganos fabricam, mas destinada a prevenir a calvície do que a curar.

Entre estas “loções”, são poucas as que se conservam, e sua eficácia, não
ultrapassa a duração do quarto crescente ou minguante. É por isso que muitas
ciganas, só vendem seus elixires em pó, jamais vendem ou dizem quais são as
plantas que os compõem, pois isto lhes tiraria a freguesia, podendo qualquer
pessoa prepará-la.

Soube dos componentes deste elixir que cito a seguir totalmente por acaso, e
aqui estão eles:

Uma medida de folhas de alecrim


Uma medida de folhas de erva-doce
Uma medida de folhas de sálvia
Uma medida de folhas de louro
Uma medida de folhas de camomila

O importante é pulverizar e misturar bem. Colocar 5 colheradas do pó numa


tigela, cobrir de água fervente, cobrir a infusão com um prato, deixar esfriar e,
durante 7 dias, massagear o couro cabeludo com os dedos umedecidos no preparo,
pela manhã e a noite.

Os ciganos são unânimes em declarar que o homem é incapaz de recuperar


os cabelos perdidos, e que o seu poder se limita a parar com a queda dos mesmos.

Entre os ciganos é conhecido um elixir batizado de CATÁSTOFRE, é uma


espécie de alquimia especial feita com uma crina de égua com gordura e o músculo
ainda presos a ela, mais algumas cebolas vermelhas plantadas na lua cheia e,
finalmente, aguardente.

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Dizem as curandeiras ciganas que se a regra de fabricação deste elixir não
fosse obedecida, o produto seria ineficaz. Ademais a crina tem de ser égua e as
cebolas da lua-cheia. E, elas para terem certeza disto, assistiam à retirada da crina
e a colheita, levando as cebolas na mesma hora. Também é importante que cada
frasco contenha o equivalente de uma ou duas cebolas inteiras mas, se for grande,
apenas a metade.
Certas ciganas preferem que estas cebolas tenham o tamanho de uma noz,
para isto pagam até duas vezes mais caro do que o preço de um quilo de cebolas
grandes.

Da crina da égua elas só aproveitam a gordura cuja colheita tem que ser feita
à luz solar. Esta gordura, derretendo-se sob os raios do sol, vira um óleo amarelo
dourado que escorre para dentro de um recipiente de barro.

A KAKU que está a fazer este “elixir”, bate este óleo com um garfo de
madeira e vai acrescentando, aos poucos, a aguardente, que também é aquecida
ao sol.

Todo isto parece por demais misteriosos, mas é assim que deve ser...

Cada frasco contem 2 cebolas cortadas com casca, junta-se então um colher
de café rasa de gordura de égua preparada com álcool e completasse o conteúdo
com aguardente.

A CATÁSTROFE fica pronta para serem usadas 48 horas depois de


preparada. Antes de usá-la, devem-se escovar os cabelos, apenas escová-los, e
isto todas as noites. Não se pode pentear os cabelos de forma alguma! O
tratamento consiste em massagear o couro cabeludo com elixir colocado num píres
para se umedecer as pontas dos dedos.
Os cabelos pararão de cair ao final do terceiro dia.
Para manterem a pele limpa, saudável, as ciganas colocam em uma bacia de
ágata água limpa, nelas jogam um bom punhado de pétalas de flor de laranjeira,
deixam dormir ao relento, na manhã seguinte banham com esta água perfumada o
seu corpo e rosto, jamais se secam após este banho, a água deve secar
normalmente.

Outro costume é passarem no rosto, no colo e nos braços, algodão embebido


na primeira água de lavagem do arroz. Deixam que seque naturalmente. Sobre a
pele surgirá então, uma película esbranquiçada, deixam-na ficar por uma hora, só
então a retiram delicadamente durante um banho normal, ou lavando o rosto em
uma bacia com água pura e morna.

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As ciganas dizem que se uma mocinha usar esta receita com CEREFÓLIO,
quando envelhecer os homens ainda lhe farão a corte...caso for bonita, é lógico!

Basta passar sobre o rosto um algodão embebido na seguinte loção:


Coloque em infusão para um litro de água fervendo um bom punhado de
CEREFÓLIO. Acrescente uma ou duas folhas de menta silvestre. Somente isto!

Mas de onde vem o conhecimento deste “elixir de juventude” acima


transcrito?

Vem de uma cigana que de tão linda e sábia nos segredos de beleza, ficou
conhecida pelo nome de MARIE LA JEUNESSE, ou seja Maria, A juventude. Ela
dizia que este seu “elixir de beleza” usado diariamente, sempre impede o
aparecimento das rugas. Aquelas que surgem no rosto dos homens e mulheres e
que traduzem o que foram durante a vida, bons ou maus.

Nota: Acreditam os ciganos que o coração do homem se reflete no seu rosto.

Voltando a falar de MARIE LA JEUNESSE, contam os ciganos radicados na


França, uma notória verdade, que aos 60 anos ela ainda fazia baixar os olhos dos
guardas que iam molestar os ciganos devido a maldosas intrigas.

Nasceu em 1890 e veio a falecer de morte natural em 1968, aos 78 anos de


idade, bela como sempre o foi.

Conta-se que usou este elixir durante toda a vida, a partir do casamento
celebrado no dia em que completou 15 anos, e só o deixou de usar no dia em que
voltou para o seio de sua Mãe Natureza.

Já de idade avançada, contam os de sua tribo, que Marie apenas possuía 3


ruguinhas que marcavam o canto de seus olhos quando soltava gargalhadas. E ela
costumava estar sempre rindo. O resto de seu rosto era tão liso quanto a pele do
pêssego e suave como os veludos italianos.

Na época suas melhores clientes eram as mulheres dos bordéis e as da alta


sociedade, que consumiam do preparo, pois acreditavam que o Elixir de Marie La
Jeunesse era mágico! Coisa que, aliás, não é errada, pois entre o povo cigano,
como não se ignora tudo que é mágico é natural.

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Para dar à sua loção uma ilusão de perfume, Marie adicionava folhas de
menta silvestres, fazendo desta maneira, sem o saber, um desses preparados cujo
segredo é mantido pelos perfumistas.

Entre as receitas de Marie La Jeunesse há uma que tanto é medicinal como


culinária e que terá a propriedade de enfeitar os pratos de salsicharias, além de
fortalecer as unhas e impedir que se quebrem ou lasquem.
Não pensem que se trata de um engodo; é um meio mais natural do que
aquele de pintar as unhas com um esmalte “miraculoso”.

Forticante para Unhas: Mandem o açougueiro partir 3 Kgs de ossos de


vaca e deixem-nos ferver, sem sal, por 4 horas, com 2 ceboLas nas quais se enfiou
um cravo da índia, além de tomilho, louro e salsa. Tomem o cuidado de
acrescentar, durante o cozimento, pouco a pouco água fervendo, de maneira que
fiquem sempre em movimento os ossos; deixem esfriar, filtram o líquido e pesem-
no

Esta pesagem é importante para que o remédio funcione, já que deverá ser
reduzido, em fogo lento, até obter-se um oitavo peso total.

Em seguida, salguem com sal grosso, coloquem o preparado em potinhos de


louça, deixem esfriar e mantenha em lugar fresco, o remédio está pronto.

Tomado 3 vezes por dia em colher de sopa, uma ao levantar, outra antes do
almoço e a terceira antes de deitar, durante 15 dias, as unhas ganharão força e não
quebrarão mais. Também terá ótimo efeito em pessoas que sofrem de problemas
ósseos.

Esta geléia, de gosto agradável, decorará os pratos de salsicharias, mas para


que o gosto fique mais requintado, o caldo deverá ser reduzido a dois terços.

Não pensem que os “preparados” mais complicados sejam os melhores, dizem


os ciganos. Eles, quando viajam, não têm balanças, o peso de suas poções e
porções, eles o sentem nas mãos.

Por que razão empregar 6 ou 7 plantas quando apenas uma é suficente?!

Dizem eles....

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MARIE LA JEUNESSE para fazer desaparecer as pequeninas espinhas do
rosto que tanto entristecem as adolescentes, satisfazia-se co o dente de leão, flor
ou folhas, de vez que os dois são eficazes, recém colhidos. No local onde se cortou
a planta, aparece uma pequenina gota de seiva que se parece com leite. Passe este
leite sobre as espinhas por 2 ou 3 dias seguidos e elas sumirão deixando as jovens
felizes novamente.
Se um dia uma ROMIE ou uma Gadjé sentir-se cansada após ter dado a luz,
pois chega uma idade quando é mais cansativo ter um bebê, ou por ter uma vida
muito agitada, muito cansativa, trabalhosa, tendo que arcar com muitos problemas,
e se tudo isto estiver a refletir-se na pele de seu rosto, e este pareça ter perdido a
sua suavidade, ouça o que nos ensina MARIE, para dar um jeito nisso, ela
limitava-se a empregar a flor de sabugueiro e do limoeiro.
Receita do Tônico: Precisará de um vaso de porcelana ou louça, de vez
que a loção deve ser decantada no escuro. Além disso, será necessário:
Cortar em rodelas bem finas um limão verde e forrar o fundo do vaso com algumas
delas;
Encher com flores de sabugueiro, sem amontoá-los;
Colocar por cima as fatias de limão que sobraram,
Encher de uma só vez o vaso até a boca com água de chuva fervendo;
Deixe descansar, sem mexer, por um dia e uma noite;
Filtre a loção e coloque-a em vidrinhos que serão guardados no fundo de um
armário à sombra.
Esta loção tonificante restituirá à pele a sua elasticidade anterior.

Os ciganos sempre que podem utilizam para os seus preparos, para a sua
toalete e o cozimento dos legumes, a água da chuva. Nunca usam outro tipo de
água, exceto a das fontes, no preparo de suas infusões. Como acontecem com a
argila, eles dizem que a água em contacto com o metal perde a pureza.
É com a água da chuva que se prepara a ÁGUA DE BONINA DO CAMPO
que fará desaparecer a vermelhidão do rosto e tornará translúcido o nariz tão
luminoso como um farol, a menos, é lógico que tenha sido causado pela ingestão
excessiva de vinho.

Deve-se colher as flores ao cair da noite, isto é, no inicio do crepúsculo,


retirar os cabinhos, lavá-las em água de chuva e por diversas vezes. Em seguida,
coloquem-se as flores lavadas numa tigela, acrescente-se água de chuva fervendo,
cubra-se com um pires e espere uma hora para que o todo se una. Então, lava-se o
rosto, e deixa-se que seque, sem o enxugar.
Porém, atenção, e isto é a da máxima importância: Será necessário preparar
uma nova “ÁGUA DE BONINA DO CAMPO” cada vez que se quiser usá-la para
obter maior eficácia e resultado.

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E, como estamos falando de beleza do rosto, eis aqui como os
ciganos faz desaparecer as manchas e sardas:

Tome um banho ao romper do dia e leve-se à amada ou amada uma saladeira


cheia de folhas de Olmo, úmidas de orvalho. Friccione as folhas em seu rosto. As
lágrimas da noite (o orvalho) e a seiva das folhas formaram um líquido que ela
deverá deixar secar apoiando a cabeça sobre um travesseiro.
As manchas que tanto a entristeciam desaparecerão Melhor ainda, sua pele
ficará mais bela e mais suave a seus carinhos.
Fiquem sabendo que o melhor óleo contra queimaduras de sol empregado
pelos ciganos encontra-se no seu armário de cozinha e que as velhas zíngaras se
divertem bastante com as publicidades dos produtos para bronzear e cremes que a
podem transforma numa índia em menos de 24 horas.
Não digo que entre todos estes produtos não existam alguns que sejam bons,
porém pode suceder que um dia, distante de uma cidade, de uma farmácia, vocês
não disponham de um deles. Não se desesperem, dêem uma volta pelo jardim e
colham um pepino, não o encontrando serve um pepino comprado ou mesmo um
em conserva (bem grande). Cortem-no em rodelas. Friccione-no sobre o pescoço, o
rosto e pálpebras. Joguem fora a rodela, corte outra e repitam a operação. Deixem
o líquido secar e estarão preparados (as) para enfrentar o “Astro de Ouro”, , com
é chamado o Sol pelo ciganos.
Finalmente, para o corpo, cinco colheradas de sopa de óleo de oliva para
meio litro de vinagre e terá um óleo de bronzear barato, natural, e que dá bons
resultados.
E como se sabe entre os ciganos nada se desperdiça, portanto o que sobrar
de pepinos, óleos de oliva e vinagre, com um pouco de Estragão para dar um toque
especial ao paladar, prepara-se uma gostosa salada.
Existem muito mais receitas de beleza cigana, mas se eu inúmera todas que
tenho conhecimento, não seria mais uma apostila, o que escrevo, e sim um livro...
Portanto para finalizar eu quero fazer em nome dos não ciganos, um
agradecimento à sabedoria de Marie, que soube como ninguém passar seus
conhecimentos sobre os segredos da eterna Jeunesse (juventude), não os
ocultou egoísticamente, ao contrário, sentia-se feliz em espalhar e
perpertuar a Beleza por este mundo a fora, e isto é, nada mais, nada menos,
que magia, a pura e perfumada “ Magia da Beleza”.

Estabeleceu-se, então, a simbólica trilogia:

Afrodite, Vênus e Marie La Jeunesse, A Cigana.

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CIGANOLOGIA

APOSTILA 7 – Bebidas Típicas Ciganas

Nota Elucidativa: Em Romané o vinho é denominado de “MULE”


Passemos a ler o que dizem os ciganos.
Se você casar a sombra com a luz, depois o calor com o frio, o homem com a
mulher, o giz com o vinagre, conseguirá uma “Força”. Uma força feita à imagem
da vida, capaz até de transformar o seu curso.

Assim, no instante em que o cansaço toma conta dos ombros, por termos
feito uma caminhada muito longa e a estrada foram estafante, você notará daqui a
um pouco, assim que tiver esvaziado um Porrarró Di Mole, ou seja UM COPO DE
VINHO, o calor e a força tomando conta do seu corpo. Isto porque o “vinho” de
forragem (alimento de gado) faz renascer as “forças” desaparecidas. Pertence à
TRADIÇÃO ROMANÉ (talvez pouco usada nos atuais), o costume das ROMIES
beberem um copo deste vinho antes de irem se agachar para ter seu filho (a), que
ao ser expelido de sua mãe caía sobre um monte de alfafa.

Nota: As ciganas ao saberem que estariam para dar a luz, procuravam o


recinto que haviam reservado para esta ocasião, nuas agachavam-se sobre um
colchão de alfafa, com as quais forravam todo recinto, naturalmente, quase sem
desconforto tinham o seus filhos, sua mãe, sogra, ou irmãs/cunhadas...

Da sabedoria dos antepassados dos ciganos nos chegou ao conhecimento


este ditado:

“Nunca se esqueça de que afirmamos que o vinho é o sangue da videira.”

Iniciemos, pois, a nossa jornada pelo sagrado leito de rio, cujas águas cor de
rubi, são o sangue das videiras.

KÉFIR...bebida cigana fabricada com figos. Para mantê-la fresca, é do


costume cigano, manter enterrada a garrafa num buraco feito na terra.
Beberagem cigana feita com folhas de visco...dois punhados de folhas de
visco para um litro de vinho branco seco. As folhas devem estar frescas sem que
se deva sacrificar a planta, que assim poderá servir a outros irmãos viandantes.

Deve-se vedar o frasco com uma rolha de cortiça recoberta de cera de vela.
Enterra-se durante o período de uma Lua, verticalmente.

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Esta beberagem, ou “elixir Kakou” usado 2 vezes por dia na medida de um
copo de vinho tinto, é a panacéia predileta dos “gadjés”. Capaz de curar ou ao
menos aliviar, as convulsões que os mais velhos chamam de “Dança de São
Guido”.

Porém há outros vinhos, fabricados com plantas diversas que, misturados ao


da parreira, possuem, cada qual, virtudes particulares.

Vejamos alguns;

SIFRIT - Vinho de ERVAS, criado pela avó do cigano Wassilio, cujo nome
“SIFRIT” era uma homenagem a um “gail” (artista que se exibe na praça pública,
feiras cartonais e etc), que ela tinha amado. A propriedade deste vinho é levar
quem o beba ás magníficas paisagens do sonho, é meio alucinógeno. Ora, o
cansaço, como o sonho, nada mais é senão a passagem através de uma resultante
concreta.

Brindemos, pois ao Sifrit, um vinho branco seco realçado pelo limão, o


cominho e o bagaço de qualquer coisa abacaxi. Esta bebida parece-se mais com
uma mistura feita ao sabor da fermentação, do que a um vinho. Não se deve
abusar ao tomá-la, pois se trata de um estimulante forte que proporciona aquilo
que se chama “uma chicotada”.

Este vinho é conservado em uma vasilha de barro, nunca colocado em


garrafa, é muito rico em Tônus. Ele é tomado em concha de cabo longo tirado
diretamente da reserva, e o cigano coloca em tigela de boca larga. Seu perfume é
tão persistente que o recipiente onde é fabricado só pode ser utilizado para este
fim.

Pertence a TRADIÇÃO CIGANA dar um copo desta bebida as parturientes


um antes da expulsão do bebê; e os homens obedecendo a euforia do momento,
deitam-se sobre a relva e bebem diretamente da vasilha de barro o SIFRIT.

Vejamos agora O VINHO DE CEREJAS E O DE PÊSSEGOS

Os ciganos denominam este tipo de vinho de “Cara Trombuda”. Apenas a


folha dará ao vinho o gosto da fruta. Isto poderá parecer inverossímil, mas
experimentem, nem que seja com um litro apenas...
Vão ver só. E não precisam proclamar um milagre por isto, pois os ciganos se
divertiriam com o seu espanto.

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Isto vai mais longe ainda do que se possa imaginar, de vez que os ciganos
dão aos vinhos o gosto que desejam segundo a variedade dos frutos escolhidos:
azedo, usando a Ginja, oleoso usando a cereja galega.

O mesmo ocorre com o pêssego: se for de árvore exposta ao pleno vento, o


que lhe dará um vinho silvestre, ou de parreira instalada com uma rainha no
meio do pomar, lhe dará um vinho mais encorpado.

Mas nestes “vinhos”, seu gosto, qualidade, depende, primordialmente, da


folhagem da árvore. Somente da folha e de nada mais além dela, porém estas
folhas deverão ser colhidas no momento preciso: 35 dias antes ou 15 dias após o
equinócio do outono!

Colhamos as folhas. Estas devem ser tão sadias quanto o fruto que você
comerá; pois a folha, assim como o fruto, alimenta-se da árvore que lhe serve de
sustentáculo. A fruta que despenca não é uma fruta colhida no tempo devido. O
mesmo acontece com relação à folha.

Não se costuma dizer que a folha caída da árvore é uma folha morta?

Não para os ciganos, com sua sabedoria eles dizem que a folha que cai não é
uma folha perdida para a vida, ela ao cair nada mais faz senão retornar ao lugar de
onde veio a Mãe Terra.

Os ciganos também nos ensinam que árvore, assim como o homem, mantém
o mesmo teor de qualidade (boa ou ruim) das raízes às folhagens, da casca
medula, da seiva à semente. O homem pode fazer o que bem entender para
dissimular seu verdadeiro odor; de nada adiantará e nunca conseguirá enganar seu
cachorro, seu gato, seu cavalo e etc.

Portanto a Folha da Cerejeira tem o perfume e o gosto da cereja, o mesmo


ocorre o pêssego. Sendo assim, os ciganos colocam um bom punhado destas folhas
em um bom vinho Borgonha (vinho rose), mais 21 colheradas rasas de açúcar
cristal. Fecham hermeticamente a garrafa e espera o tempo passar a fim de
completar sua obra: Cerca de 2 meses, nunca menos.

Vinho de Alecrim – Um santo remédio para os nervos e diminui as


palpitações cardíacas.

Como os ciganos colham o ALECRIM durante a floração e façam-no secar, a


fim de poderem preparar seu vinho em qualquer estação do ano. Pode-se prepará-
lo igualmente bem com a planta seca.

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Pegue uma garrafa de 2 ou 3 litros. Encham-na até a metade com pés de
ALECRIM, cortados em pedaços bem pequeninos. Em seguida completem a sua
capacidade total com XEREZ de boa qualidade. Aguardem 7 dias e coem com
pano. Engarrafem-no e tomem em um pequeno cálice a cada refeição.
Seu coração apresentará melhoras e seus nervos serão apaziguados.

Vinho da Juventude: O Vinho do “Coucou”

Este vinho também pertence à TRADIÇÃO CIGANA, e até hoje é


manufaturado, mas quem o inventou foi FRÉDIANI, cigana avó de AMADEO
FRÉDIANI, acrobata que por volta dos anos 30 pasmava as mulheres da
sociedade francesa, ao tempo da BELLE ÉPOQUE, quando aparecia lindo,
elegante, altaneiro, de pé sobre o seu cavalo, envergando a roupa de jóquei e
executava o duplo salto mortal sobre o lombo da montaria. Com o passar dos anos
ele transformou-se em um famoso palhaço de nome BÉBY, de um conhecido circo,
o MÉDRANO, de PÁRIS e seus arredores. E é ele que nos conta:

“ Ah! A velha FREDIANNI, minha avó, sabia das coisas. Ela era linda, foi a
mais bela amazona que o CIRCO NAPOLEON III já teve. Homens famosos
apaixonaram-se por ela. Um príncipe italiano chegou ao ponto de querer raptá-la.
Mas minha avó só tinha um homem no cora: meu avô, um cigano que conhecia
melhor os cavalos do que os homens. Era um artista, sonhador, o meu avô. Mesmo
naquela manhã em que seguiu seu sonho, e não quis mais acordar”.

Agora vamos a receita do Vinho de Coucou, criação da cigana


FREDIANNI, também conhecido como o vinho da Juventude: É um elixir.
Dizem os ciganos que este vinho é capaz de devolver o vigor aos homens
velhos ou cansados, a fortificar os jovens ROMS ou Gadjés; como também
aumentar as energias, dar mais vitalidade às mulheres jovens ou maduras.

Serão necessárias 4 quilos de açúcar cande. Coloque-os para ferver em 3


litros de água, vá retirando a espuma e tenha cuidado de não deixar que a calda de
açúcar transborde.

Além disto, deverá colocar num recipiente o suco de 3 laranjas, de um limão e


as respectivas cascas raspadas, sobre os quais derramará a calda fervendo.

Você precisará de 10 litros de flores de Coucou recém-colhidas, que


adicionará à sua calda assim que estiver morna.
Nota: Coucou é o nome dado a duas plantas com flores amarelas, a
flor de primavera e o narciso dos campos.

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Acrescentará também 2 colheres de sopa de lêvedo de cerveja e vinte gramas
de levedura comprimida e umidificada.

Antes de deixar em repouso, por 8 dias as mistura deverá ser agitada


sem parar.
Em seguida, após ter juntado meio litro de champanha de boa qualidade,
coloque a mistura em barrica e deixe fermentar por dois meses.
Passado este tempo, filtre a bebida, engarrafe-a e espere quatro meses antes
de tomá-la.

Só isto. E vai ver: quanto mais velho o vinho, melhor se tornará.


Como a amizade...
É costume também entre todas as tribos ciganas ferverem em fogo lento,
5 litros de vinho tinto suave e doce com mais ou menos um quilo de
folhas de laranjeiras, eucalipto, cerejeira, nespereira, limoeiro e pereira.
Deixar em infusão por 3 dias, depois coara e guardar em garrafas
previamente esterilizados com água fervendo e arrolhadas hermeticamente. Após 7
dias tomem o vinho.
O mesmo o fazem, em vez de usarem folhas, usam ameixas pretas,
damascos, favas de baunilhas e de anis estrelado, seguindo o mesmo processo
que para as folhas.
Grogue Cigano: Típico das tribos que estão em regiões frias
Ex: As que estão na Escandinávia, ou em terras Russas

Nas noites frias, no acampamento, em torno das suas fogueiras, os ciganos


costumam tomar um Grogue que aquece e estimula. Colocam em uma grande
chaleira de ferro vinho tinto ou branco, mais um punhado de cravos-da-índia,
canela em pau, anis estrelado e mais ou menos 8 maçãs cortadas em rodelas sem
serem descascadas (as maçãs por vezes são substituídas por cerejas). Esta
chaleira é posta junto ao fogo das fogueiras, e os ciganos (inclusive as crianças)
vão sorvendo aos poucos este “vinho quente” em canecas ou copos toscos, os
“porrarros”. Assim amenizam o frio de inverno, estejam onde estiverem...
Termino esta apostila sobre os vinhos de Tradição Cigana, dizendo:
Kooshki!!!(Saúde em Romané) a todos aqueles que amam e respeitam a
Cultura Cigana.

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CIGANOLOGIA

APOSTILA 8 – Culinária Cigana

A culinária Romanê difere de acordo com a região a qual pertença a tribo.


Como também tem em muitas de suas receitas conhecimentos que foram
recolhidos por todos estes século nos muitos caminhos por onde andaram os
ciganos, dentre tantos diversos povos, com inúmeras culturas e costumes; por
todas estas regiões que passaram com suas carroças e armaram seus
acampamentos, assimilaram de um todo, a seu bel prazer....

Falemos primeiro das comidas de acampamento. Em primeiro lugar vêm os


Assados, feitos em espetos de madeiras aromáticas, como talos de eucaliptos e etc.
Os ciganos muito apreciam o assado de porco (em 1 o lugar), de carneiro, de
cabrito, galinhas, patos, carne bovina, peixes e inúmeras caças, estas últimas em
concordância com o país em que estão a viver. Na Europa comem o texugo, o
corvo, o cervo, a perdiz e etc. No Brasil, comem veado, o javali, a paca, o tatu, o
macuco, o inhambu e etc.

Todos estes assados são feitos com as carnes bem lavadas, esfregadas com
limão e bastante sal grosso, durante a feitura do assado, regam as carnes com sal
grosso dissolvido em água pura, e para isto usam um ramo de ervas aromáticas:
hortelã, tomilho, orégano verde e sálvia; com este ramo de “ervas” eles borrifam as
carnes de água salgada.

Há muitos anos atrás os ciganos só consumiam assados no braseiro, de uns


tempos para cá, surgiram pratos de sua culinária grelhados em forno de carvão, de
lenha ou a gás, como também assados ou ensopados em panelas, sejam elas de
ferro ou alumínio, na Europa ainda é muito comum encontrar-se ciganos
cozinhando em tachos e panelas de cobre, principalmente dentre os do grupo
KALDERASH.

Eles consomem sempre ovos, queijos e manteigas (ambos de confecção


caseira), açúcar refinado, cande, mascavo e sal (industrial) apreciam o sal
grosso no preparo de seus “churrascos”, ou para preparem camarão ou
lagostim(ambos os pratos apreciadíssimos pelos ciganos Ibéricos)

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Aqui vai uma receita de acampamento feita com estes dois frutos do mar:

Em um tacho de cobre, refinadamente limpo, aquecido em fogueira, colocar


sal grosso, folhas de louro verdes e secas, e o camarão ou o lagostim. Mexer com
colher de pau até desaparecer a espuma que se forma na cocção.
Retirar e secar espalhando, ao sol.

Todos os alimentos do mar são preparados pelos ciganos mareados com


vinho branco ácido, grãos de coentro socados e cary (o curry dos indianos). E é
assim que os KALONS preparam o polvo, que em meio a suculento molhe é
servido com arroz branco.

Receita de Mareada Padrão dos Ciganos:

Vinho branco semi seco, vinho ácido, conhaque, alhos, tomilho, cebolas
picadas, páprica, pimenta-do-reino (branca ou preta), cominho, cravo-da-índia e
sal.

Os ciganos cuja origem vem das tribos européias ocidentais, principalmente


os do SUDESTE EUROPEU, usam quase sempre creme de leite em suas sopas,
sendo que o colocam sempre no final, com a panela já fora do fogo, porque não é
necessário cozinhá-lo e assim ele na talha.

Simples sopas de batatas, de inhame, de beterraba, de tomate, de espinafre,


tornam-se especiais em seus sabores depois que ganham o “toque” de creme-de-
leite.
Os ciganos da tradição árabe cozinham arroz com tâmaras (já adocicadas) e
carne pré-refogada e desfiada. Esta carne poderá ser de ave, de porco, de
carneiro, boi e etc.

Ou então fritam bolinhos de carne moída misturas a cebolas e folhas de


hortelã picadinhas, dentes de alhos bem socados e damascos picados. Comem
estes bolinhos com as mãos, estando eles enrolados em folhas de alface ou acelga
bem tenra.

Um dos pratos ROMANÉ que denotam a origem hindu dos ciganos e é muito
apreciado por todos é a carne de porco cortada em pedaços grandes, mareada
dentro do padrão e refogada em azeite de oliva. Depois de frita, acrescentar
batatas, cary e um pouco de água, deixando que em fogo brando as batatas
cozinhem. Serve-se este ensopado com arroz branco.

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Os ciganos também apreciam muito pratos com toda a espécie de...FAVAS, e
a elas acrescentam, durante o cozimento, pedaços de carne porco e galinha, ou
lingüiça, ou chouriço, por vezes paio(os ibéricos), folhas de repolho inteiras, folhas
de couve rasgadas a mão, ou simplesmente as comem puras em molho de tomates,
cebolas, alhos e ervas aromáticas.
As tribos que vivem na Península Itálica e adjacências apreciam Berinjelas
Ensopadinhas as quais acrescentam nozes picadas.
Outra receita desta região é a do creme de leite azedo, mais queijo parmesão
misturados em cenouras, chuchus, batatas, repolho roxo, nabos e etc, todos pré-
cozidos em água e sal.

Podemos ainda dizer que estes ciganos têm por costume ao cozinharem o
macarrão colocarem na água do seu cozimento (além de sal e um pouco de óleo)
cebolas inteiras espetadas com cravos-da-índia, para aromatizar a água em que
será cozida a massa. Depois, destas cebolas retiram-se os cravos, e elas são
consumidas junto a macarrão.

Seus doces são quase sempre feitos de frutas, e há um de maçãs


(receita recolhida entre os Sintis), que é feito com avelã (maçãs +
avelãs).

Existe inúmeras receitas de pão cigano, o Manrô, e aqui vai uma


delas:

MANRO ROMANÔ KRETIUNOSKO – Pão de Natal Ciganos

Ingredientes: 1 litro de leite, 1 kg de farinha de trigo, 4 ovos, 250 grs de


manteiga, 100 grs de fermento fleishman, 1 punhado de açúcar, 1 pitada de sal, e
frutas cristalizadas, ou damascos picadinhos, ou passas brancas e pretas.

Modo de fazer: Ferver o leite, deixar amornar. Em seguida colocar todos os


ingredientes menos a farinha. Dissolver bem, despejar numa bacia e acrescentar a
farinha. Bater bem a massa com as mãos, tampar com um pano e colocar em
forma “redonda” polvilhada com farinha de trigo. Salpicar sobre a massa as frutas
cristalizadas, ou os damascos picados, ou os dois tipos de passas, pressionando-os
com as pontas dos dedos para que penetrem na massa. Finalmente
“pincelar” todo o Manrô com gemas. Assar em forno médio até dourar.
Nota Elucidativa: Na ceia natalina, antes de se repartir o MANRÔ ROMANÔ
KRETIUNOSKO, fazer uma oração a DIEULA (Deus) em memória dos ROMS que
já se foram para outros planos de vida(culto aos antepassados), pelos que aqui
neste mundo ainda estão, e pelos gadjés (os não ciganos) que amam e respeito a
tradição destes povo, pedindo a Jesus e a Virgem Maria, amor, saúde e
prosperidade para todos.

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Durante o transcorrer da “oração” procure manter os seus pensamentos
voltados para um sentimento de Paz e Gratidão à Deus.

Ao repartirem o pão desejem uns aos outros BAKT (SORTE), MUITA


BAKT!!!
Das comidas de “acampamento” a mais apreciada em todas as tribos é o
MEXICANO, ciganos sedentários por certo também o fazem em suas residências.

Falemos sobre a Magia que há no MEXICANO: cada legume, cada tempero,


cada erva, inclusive o sal, a carne de vaca e o frango, mais tudo aquilo que
conforma este alimento também é um remédio! É isso mesmo, a natureza desta
comida é tão perfeita que além de nutrir, cuida da saúde .

Esta receita passou a ser difundida pelos ciganos que habitam a região da
PROVENCE, na FRANÇA, mas se caminharmos de uma tribo a outra, notaremos
que, quase sempre, o preparo do Mexicano foi melhorado, seja por um toque de
mão, seja por uma erva, uma planta, um elemento suplementar.

E onde estará toda esta magia do mexicano que abre o apetite dos Roms e
Gadjés?

Será por ser um prato de culinária cigana Provençal?

Será pelos aspargos silvestres inteiros, mas pequeninos e tenros?

Será pelas espigas de milho perolado como a cor do limão começando a


amadurecer?

Talvez seja pelo frango de molho amarelo como o milho maduro, e a carne de
vaca igual à bochecha do cavalo de tão macia, e a vitela tão branca quanto a lã de
uma ovelha...será?

Deve ser por tudo isto e muito mais!

Mas antes de falarmos detidamente no “MEXICANO CULINÁRIO”,


falaremos de suas propriedades MEDICINAIS:
1) Comecemos pelo NABO, santo remédio contra problemas respiratórios.

É comum entre os ciganos cortar uma tampa no nabo e raspá-lo por dentro
até que fique como uma cuia. Enchem a cavidade com açúcar em pó, recolocam a
parte de cima do nabo, a fim de cobrirem o açúcar e esperem pacientemente, que
a noite realize a sua tarefa.

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No dia seguinte de manhã, o açúcar terá sumido, transformou-se num xarope
delicioso que se toma várias vezes por dia em colherinhas de café.
2) O ALHO, miraculosamente também com relação a coqueluche.

Atenção aos conselhos dados por um Patriarca, PÉPE, ele é fantástico:

- Basta se ter um pedacinho de jardim na sua varanda, de vez que você


mesmo deverá cultivar o alho. Ele deve brotar sem dentes e, como a cebola, ter
só um bulbo. Para que ocorra este “milagre” basta plantá-lo durante a primeira
lua cheia da primavera.

Modo de proceder para obter o remédio: Corta-se o Alho em dois.


Retira-se o broto, inclusive o embrião de caule e as 2 ou 3 camadas macias que o
envolvem.

Pica-se o alho em pedacinhos bem pequeninos, junta-se-lhe algumas folhas


de salsa, coloca-se tudo num almofariz, acrescenta-se óleo de oliva e tritura-se
tudo.

No dia seguinte, cortam-se duas grandes fatias de pão, que se aqueceu em


manteiga salgada e espalha-se por cima a mistura de alho.

Come-se.

Este tônico respiratório é tão maravilhoso, que após o ter experimentado uma
única vez, passará a apreciá-lo.

Agora, o “mistério”: a verdade é que após 15 minutos de absorção, o Alho


da Lua Cheia não deixa nenhum vestígio em seu hálito.

3) A CENOURA, Os ciganos caldeireiros KAKDERASS, usavam-na raspada fina


colocada crua sobre um tecido e aplicada em cataplasma sobre as queimaduras
causadas pelas forjas. Antes de colocaram a cataplasma salpica o local com argila.
As queimaduras tratadas desta forma não infeccionam, não ulceram, pois a
cataplasma absorvendo os flictenenas recupera os tecidos da epiderme.

Quer dizer que na sua intuitiva sabedoria, os ciganos “sentiam” que a cenoura
é riquíssima em vitamina A, importantíssima para todo o tecido cutâneo.

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4) O ALHO PORRÓ, Antigamente os ciganos costumavam chamá-lo de “pata de
cavalo”. Hoje em dia já não adotam mais esta denominação, pois já faz uns 50
anos que o automóvel substituiu o cavalo, velhos companheiros de viagem dos
ciganos. Há aqueles que nem o conhecem ou se esqueceram das qualidades do
Alho Porró, que em apenas uma única noite, dava fim aos calos mais recalcitrantes
e em duas noites às calosidades das plantas dos pés, tão dolorosas para suportar.
Para tanto, só há um jeito: arranque do seu ambiente natural o maior ALHO
PORRÓ que vir. Na hora seguinte, corte as folhas verdes, em quadradinhos de
mais ou menos dois centímetros, pois são elas as mais eficazes.

Deve-se, em seguida, colocá-lo num vaso de vidro com gargalo longo e deixá-
los macerar em vinagre de cidra (na sua falta serve vinho branco). Uma vez
concluída a maceração, aplicas-se em compressa quatro ou cinco quadradinhos
superpostos, mantidos com uma atadura, e que devem agir por toda uma noite.
Não se deve, de forma alguma, calçar sapatos com este remédio, pois o ALHO
PORRÓ só realiza sua tarefa quando o pé, durante o sono, está em repouso
relaxado.

5) O AIPO, A SALSA, O FUNCHO E O ASPARGO SILVESTRE

São conhecidos como as Raízes de cura, ou elixir dos bardinhos.

Todos elas se encontram no Mexicano e todas as quatros misturadas pelas


raízes secas, partidas e pulverizadas, operam maravilhas sobre o fígado estragado,
a vesícula e a nefrite crônica.

Receita: Pegue o equivalente a dois dedais de costura de cada uma das


raízes reduzidas a pó e coloque-as numa xícara.

Derrame por cima um quarto de litro de água, quando estiver morno, passe
para um recipiente de louça contendo 200 grs de açúcar mascavo. Coloque o
recipiente em banho-maria durante cerca de meia hora. Tornou-se um
xarope....Toma-lo-á quatro vezes ao dia, da seguinte forma: em 4 xícaras de chá de
favas de genebra coloque um colherzinha da mistura ao invés de açúcar. Só isto. É
gostoso e eficaz.

6 ) O TOMILHO, é bom para o estômago, os brônquios e sobretudo, para a asma.


Para aliviar as crises tomem, em pequenas xícaras, 15 gramas da planta seca em
meio litro de água com mel. Também atua nos espasmos estomacais, nas
indigestões...

O momento de aproveitá-lo: Tome uma indigestão de Mexicano para ver se o


remédio dá certo.

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7) A Batata, por mais estranho que pareça ser é, ao mesmo tempo, alimento e
veneno.

Alimento – aquilo que se encontra sob a terra.

Veneno – O que está acima dela, as folhas e as favas. E, no entanto, este


veneno, que os ancestrais dos ciganos atuais denominavam de Sol Louco, pode
curar se for utilizado com sabedoria. O tratamento não deve ultrapassar 7 dias e
será preciso esperar a passagem dos outros 3 quartos da lua a fim de reiniciá-lo.

Nas crises de reumatismo agudo, assim como nas angústias mórbidas, e nas
ansiedades da insônia é eficaz tomar uma decocção feita com 25 gramas da planta
(das folhas) na proporção de meio litro d´água ao qual se acrescentou 3 colheres
de sopa de vinagre de cidra, ou vinho branco.

Os mais velhos nas tribos ciganas costumavam, antigamente, associar sua


ação ao pó agárico no tratamento da dança de São Guido. Porém não posso deixar
de insistir nisto: esta decocção é perigosa caso for ultrapassado o tempo prescrito.

8 ) O Milho – A decocção do milho na proporção de 30 a 40 grs para cada um litro


de água, tomada a razão de 4 a 5 xícaras, é benéfico para os músculo cardíaco
enfraquecido que já não consegue, no máximo de sua força, mandar o sangue para
as artérias.

Também é bom para a uretrite e as cistite.

9) A Cebola – Muito já se falou sobre na apostila de medicina de cura ou


farmacopéia cigana, mas ainda podemos acrescentar como um adendo a mais, que
4 cebolas grandes e vermelhas cortadas em rodelas, e depois picadinhas, colocadas
num frasco junto com a “urina deficiente” , hidropisia e as úlceras inflamadas. E
sobre esta “receita” dizem os ciganos:

“Há vinhos que são feitos para o prazer e a saúde, outros que devemos
suportar para recuperá-la. A vida é assim mesmo...”

10) O Aspargo – Ele é o único legume que é usado SECO NO MEXICANO.


Como não é comestível deve ser empregado atado em molho ou dentro de um
saquinho. Quanto
ao seu uso como remédio, assim como para todo o resto, é utilizado “fresco”.

Como curiosidade transcreve aqui um xarope feito com ASPARGOS:

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Antes de tudo, devem-se triturar as extremidades de um dois molhos de
aspargos e retirar-lhe todo o seu suco. Em seguida, soque num “almofariz” ou
passe pelo espremedor de batata.

Deixe repousar durante 6 horas mais ou menos, depois filtre a mistura com a
mesma quantidade de calda feita com açúcar-de-cana. Se o paciente tiver o coração
fraco, deve tomar 4 colheres de sopa ao dia, o mais longe possível das refeições.

Este “xarope” faz regredir a icterícia e é um ótimo descongestionante do


fígado. Porém... cuidado! Nunca deve ser tomado quando se sofre das vias
urinárias, pois ele se transformará em fogo para a bexiga e uma catástrofe para a
uretra.

11) Cravo-da-Índia – Tem o dom de “despertar o sabor” nos alimentos, mas


também alivia as dores de garganta.

12) Couve-Nabo - Esta, se comida diariamente antes das refeições, crua e


acrescida de suco de limão ou vinagre de cidra, a mais uma dose de óleo de oliva,
livra o rosto do impetigo (nas crianças), e a acne do rosto dos adolescentes.

A Salsa – Trata-se de um elemento assombroso que refaz o sangue:

Dizem os ciganos que jamais deveremos fazer economia quando se trata de


Salsa; quando tivermos o equivalente a um molho de agrião, lave e corte as folhas
e os talos da Salsa, mas não junte as raízes. Estas devem ser colocadas numa
vasilha de barro que possa ir ao fogo, coberta com água, em seguida postas para
ferver, em fogo bem baixo durante 2 horas e um quarto. Espere amornar e coe.
Torne a pôr no recipiente de barro, acrescente-lhe duas libras de açúcar cristalizado
e 2 fatias grossas de limão, sem a polpa, para cada 2 litros de líquido. Leve
novamente ao fogo lento. Tão logo uma gota de calda se solidifique ao entrar em
contato com um prato frio, retire as rodelas de limão e coloque num recipiente de
vidro esterilizado com água fervente.

Esta geléia, usada na hora do café da manhã, e como sobremesa nas


principais refeições, é eficaz contra os reumatismos e as crianças adoram-na,
portanto é uma guloseima com valor medicinal.
Como podem ver na principal e mais apreciada receita culinária de
acampamento, o Mexicano, nada é posto por acaso, a sabedoria cigana é milenar, e
ela sabe que tem de alimentar o seu povo, mas, sobretudo cuidar de sua saúde
física, pois dela depende o continuar “pelos tempos” de sua raça. Sendo assim
esta sabedoria une o útil ao agradável!

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Tomemos Conhecimento agora da receita do Mexicano:

para que ele seja saboroso,


o sabor suave,
o caldo tentador,
sua Kraknie um purê
suas ervas macias,
seus legumes “michto a la créave”,
será necessário, antes de realizar a mistura, contar com o seguinte,
para um total de 25 pessoas:

3 quilos de traseiro de boi,


1 osso com tutano,
1 quilo de costela,
1 quilo de peito de vitela
2 frangos assados, sem os miúdos, a não ser moela, e dentro de um saco de pano
bem amarrado,
3 quilos de cenouras,
1 quilo de couve-nabo
1 molho sortido: tomilho, louro, salsa, funcho,
1 dente de alho socado,
3 cebolas grandes espetadas com 3 cravos-da-índia e colocadas dentro de um
saquinho de étamine com 6 aspargos silvestres secos e picados, bem como 5 ramos
de aipo cortados em pedaços. Assim que o Mexicano estiver cozido, este saquinho
deverá ser retirado para que o caldo não adquira um gosto amargo.
1 quilo de alho porró cortado, bem picadinho, para que possa, por assim dizer,
desaparecer em meio a todos os ingredientes necessários pares se conseguirem um
bom Mexicano.
E finalmente, 12 espigas de milho verde, cada partida em 3 pedaços,
2 quilos de batatas de tamanho médio,

Isto é tudo!

Pode causar espanto o fato de o pimentão, o chouriço e a pimenta não


entrarem na feitura do Mexicano. A razão é simples...as crianças! Isso mesmo! Os
menorzinhos que a noite, junto à fogueira, esperará seu pedaço de frango reduzido
a purê e misturado ao molho desengordurado, pois os dois frangos do Mexicano
são aproveitados só pelas crianças. E jamais um adulto, num prato como este que
é um Prato Ritual ousaria colocar um condimento de seu agrado se este agride o
paladar das crianças. O cigano é assim.

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Vemos freqüentemente entre pessoas educadas, encantadoras, o hábito de
seus filhos serem excluídos da mesa dos convivas, isto jamais ocorre em meio aos
ciganos, pois eles acham que uma refeição sem as suas crianças é bastante triste.

No que concerne ao Mexicano, depois de servidas as crianças, os ciganos


sabem dar ao caldo o tônus saboroso ao paladar dos homens, acrescentando-lhe
um pouco de rizza (pimenta).

A panela onde será feito o Mexicano deverá ser bem grande, e se pretender
faze-lô em um acampamento seria melhor assentá-la sobre dois tijolos, pois assim
estarão mais à vontade para mexê-lo com uma colher de pau ou vara grande.

Coloquem em água fria: a carne de vaca, o saco com as cebolas, os aspargos,


o aipo, e mais o ramo de temperos variados cortados miudinhos. Deixem ferver, a
panela destampada, durante três quartos de hora e, se for necessário, retirem a
espuma que for se formando.

Em seguida, acrescentem a vitela, o saco de frango, a couve-nabo, as


cenouras, o milho, o alho e aguardem, pacientemente, que um fogo brando
desencadeie a fervura do seu Mexicano e isto por duas horas.

Em seguida, juntem as batatas, o sal e meia hora estarão prontos esta obra-
prima. Assim que o retirar do fogo, retirem os aspargos silvestres contidos no saco,
as cebolas espetadas com cravos-da-índia e o aipo. Retirem também o saco de
pano onde estão os dois frangos e enquanto o caldo repousa, ocupem-se com eles;
coloquem-nos num prato e tirem-lhes os ossos que se soltam da carne com
facilidade. Assim que esta operação estiver terminada, corte em pedaços a carne
dos frangos e coloquem-na num recipiente. Tampem novamente o caldo e
coloquem-no sobre um fogo de brasas para que a carne dos frangos se desmanche
até que possam enrolar com “rillettes à la mitonnée” (expressão idiomática que
quer dizer punhos macios de lã ou pele animal).

Enquanto isto, o Mexicano terá esfriado, e todos poderão aproveitar para


desengordurá-lo. Em seguida, poderão se ocupar de unir o molho com curry: para
tanto, coloquem gordura de ganso numa frigideira e acendam o fogo bem baixinho.
Retirem do fogo, acrescentem três colheres de farinha e façam uma pasta, sem
grumos, mexendo com uma colher de pau.

Acrescentem então leite, na proporção da metade do caldo do Mexicano, em


seguida duas colheres de curry desmanchadas em vinagre de cidra e voltem ao
mexendo sem parar. Proceda assim por dois minutos. Acrescentem então o purê
de frango, mexam por mais 5 minutos, em seguida sirvam às crianças esta Sopa
Kraknie (galinha) sobre arroz crioulo.

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Terminada a refeição das crianças, o círculo dos adultos as rodeia e a festa
tem início. Cada criança dá então sua colher e cada qual a mergulha no prato onde
os restos da Kraknie ao Curry servirão como entrada.

Entrementes, o Mexicano, retirado com a espumadeira é colocado, carnes e


legumes, dentro de uma bacia previamente lavada com areia e argila.

E qual a razão para o uso deste recipiente?

Para que desta maneira colocando-se os legumes em volta da carne, esta


esteja sempre umedecida pelo caldo e os legumes, aglomerando-se, possam ser
consumidos, envoltos em manteiga derretida e salgada.

Um pouco de caldo dentro de um pote de cerâmica misturado com Rizza,


mostarda branca e alho socado, formará o molho tão ao agrado dos homens.

O Mexicano é comido de pé, garfo e faca na mão, sem o uso do prato. Mais
uma vez as crianças são bem-vindas: Correm entre as pernas dos adultos,
surrupiam pedaços de legumes, rolam pela relva, gritam de alegria, finalmente
dispersam-se pelos prados e voltam assim que escutam os primeiros acordes da
guitarra para atirarem pedaços de lenha seca na fogueira fumegante. Pois o
importante na fogueira não é a lenha e sim a chama.

E, depois, o sol declina e eis Vênus e sua corte. O disco opalino da Lua abre
passagem por entre as copas das árvores, as guitarras ou violinos gemem, as
moças dançam, os homens batem palmas, as velhas ficam em silêncio, os anciãos
fumam os olhos presos na fogueira, os cães, acomodados embaixo das carroças, o
focinho entre as patas, aguardam as novas viagens, e todos cantam canções
ritualísticas que aprenderam com os mais velhos. Homens, mulheres, crianças,
toda a tribo, esbanjam alegria...

Rolos de fumaça viva igual às cabeleiras das mulheres elevam-se do fogo; ele,
o fogo, também está festejando o Mexicano.

Por que não comermos flores? Os ciganos assim o fazem...

Eles só apreciam as flores silvestres, a rosa ornamental, cultivada e apreciada


por tantos, para a Tradição Cigana não tem o menor valor, é falsa e seu fruto inútil!

A “rosa do cigano” é a silvestre, e foi dela que os homens criaram a bela


rosa ornamental.

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Em quase todas as tribos européias é conhecido um doce que os ciganos nos fazem
com os frutos da roseira brava, é delicioso, muito bom para os bebês e fortifica
seus corpos.

A sabedoria cigana nos ensina que o “fruto da roseira brava” só serve


depois que a neve tiver embranquecido a cauda da raposa por três vezes. O frio
torna mais macio as bagas silvestres.

Receita do doce de Roseira Silvestre:

Para que dê certo, será necessária uma gamela de um litro, pois isto dará
equilíbrio à mistura. Assim que tiver terminado a colheita, corte os frutinhos em
duas partes e retire as sementes. Lave-os e, para quatro litros de frutos,
acrescente um litro de água de chuva, numa panela de barro ou esmaltada, jamais
num recipiente de metal.

É preciso que o fogo esteja bem baixinho, não pode estar forte. Assim que as
bagas se partirem sob a colher de pau, reduza-as a um purê que colocará num saco
de lã. Deixo-o suspenso até o dia seguinte a fim de que goteje – pois a noite faz a
sua tarefa.

Para cada dois litros de suco conseguido, deverá acrescentar um quilo e meio
de açúcar, meio litro de compota de maçã e o suco de 5 limões. Deixe cozinhar
lentamente, em quantidade pequena. O doce estará cozido assim que uma gota
posta sobre um prato endurecer. A geléia estará então pronta para ser colocada
em panelas de barro, nunca em vidros, ou então será necessário enrolá-los em
papel de jornal, pois os raios do sol anulam os princípios ativos do doce.

A natureza é assim diz a Sabedoria Cigana. É o sol que dá essa coloração tão
bonita aos frutos da roseira silvestre e é o próprio sol quem destrói aquilo que fez.

É assim. É verdade que, quase sempre, o remédio se encontra ao lado do


mal. Por exemplo, onde floresce a urtiga que tanto faz as crianças chorarem,
também brota a La baça e é suficiente colhê-la e esfregá-la onde a urtiga tocou
para que a inflamação desapareça e a queimadura abandone os corpinhos das
crianças ou adultos.
Na verdade, muitas vezes o homem sofre porque desconhece o remédio que
se encontra bem ao lado da origem do seu sofrimento. Basta uma flor, não
importa qual, recém-colhida e colocada sobre a picada da abelha para evitar a
inflamação. Esfregue com força o local dolorido, em seguida pegue a flor e passe
novamente sobre o ponto onde está ficando o ferrão e logo estará se sentido
melhor.

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Salada com Pétalas de Margarida

Margaridas do campo, brancas ou amarelas, alface picado bem fininho, 200


gramas de nozes picadinhas, tudo temperado com azeite de oliva, sal a gosto,
vinagre de cidra ou maçã.
Esta salada além de gostoso é muito bonita.

Fritada Florida

Assisti algumas tribos na Europa fazerem uma exótica fritada para comerem
pela manhã com café bem quente: colhiam lindas e exuberantes flores de abóbora,
lavavam e colocava-nas de molho em água e vinagre por uma hora. Enquanto isto
batia ovos, primeiro as claras em ponto de neve, depois juntavam as gemas, um
pouco de sal e uma pitada de Rizza, bastante salsa picadinha e pronto!

Em frigideira com óleo bem quente colocam os ovos batidos, mais as flores de
abóbora (antes enxutas com um pano). Aí estão uma bonita e deliciosa fritada
zíngara.

Lírios Brancos

Depois de lavados com delicadeza, são colocados de molho em água com


açúcar e lá permanecem por umas 2 horas.

Enquanto isto se desfia bem fininho peitos de galinha cozida em água e sal,
passas brancas são aferventadas em água e açúcar, até que amoleçam, coem as
passas do caldo que se formou.

Em uma panela com azeite de oliva já bem quente dora-se 2 dentes de alho
socados, acrescenta-se o caldo das passas, uma pitada de Rizza, a carne de peito
de frango desfiada, mexa por um segundo, desligue o fogo e deixe esfriar.

Escorra os lírios (atenção: somente suas pétalas foram postas de molho), e os


misture a carne desfiada de galinha (já fria), se achar necessário, coloque a seu
gosto um pouco mais de sal.

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Sarch

É outra comida de acampamento, vejamos como é feita:

Costeletas de lombo de porco em pedaços, pedaços grandes de carne de boi


macia (mignon), de metades de toucinho de fumeiro, pedaços carnudos de frangos,
metades de codornas ou borrachos, cebolas inteiras em conserva. Deixar de
véspera mareando com alhos socados, limões sem caroços cortados em pedaços
miúdos, cebolas picadas. Manjericão ou hortelã, três cravos-da-índia moídos, vinho
branco ácido, duas colheres de farinha de rosca. Os pedaços devem sair da
mareada lambuzado de todos esses ingredientes e espetados alternadamente em
espetos grandes.

As cebolas de conserva espetadas inteiras. Expor ao braseiro rodando e


pingando o molho e também banha de torresmo.

Servir com arroz de cary.

Peixe de Escama na Brasa

Uma receita dos ciganos Ibéricos.

Peixe grande dividido ao comprido – da cabeça ao rabo. Marinar em vinho


branco seco, alho, pimenta-do-reino branca e salmão em conserva no óleo, picado
e acrescido com uma colher de sopa de azeite de oliva. Prender as duas metades
desencontradas – pé com a cabeça e cozer em forno, molhando com a mareada
que permanece aparando voltando a ser usada. Não deixar sapecar demais.

As partes são expostas alternadamente.

Samarli

Prato da culinária cigana apreciado por todos deste povo, mas este prato tem
sua origem na Tradição dos Países Árabes e entre os Gregos.

Pedaços de carne macia de boi, pedaços de carne de porco (carne das


costelas ou lombo), picar com facão e misturar ao cary, pimenta-do-reino, sal,
salsa, cebolinha, colher de sopa de banha de torresmo.

Acondicionar em folhas de repolho previamente cozidas sem amolecê-las,


formando embrulhos quadrados.

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Numa panela grande refogar banha e pedaços de torresmo, páprica, tostar
sem queimar alhos, cebolas picadas, tomates picados, e bastante salsa picadinha.
Acrescentar água. Arrumar as trouxas em camadas. A água ao nível da última
camada. Panela tampada, não mexer com colher, sacudir a panela de vez em
quando.

Servir com carnes na brasa, roast beef, ou simplesmente arroz branco.

Folhas e Talos que a maioria das pessoas desperdiça, os ciganos


aproveitam, pois sabem o quanto são ricas em vitaminas, aqui vão alguns
exemplos:

Reforçam-se em alho dourado em óleo de oliva as folhas e talos picados de


beterraba, couve-flor, folhas de aipo, talos picados de couve, e o miolo do repolho
é posto na sopa (inteiro) e depois “pescado” antes de servir. Os sabugos de milho
verde também são colocados na sopa por serem muito saborosos, e nem sempre os
ciganos os “pescam da sopa”, pois gostam de sugar o caldinho que neles penetram.

Aproveitamento de Cascas

É norma no mundo cigano, de que nada que tenha algum valor, seja
medicinal, nutritivo, aromático ou utilitário, deva ser desperdiçado, portanto eles
também aproveitam certas cascas para determinados fins. Cito exemplos abaixo:

Cascas de Bananas

Estas são delicadamente lavadas quando ainda envolver seus frutos, depois
de separadas dos mesmos não é postas fora, são picadas em pedacinhos miúdos e
postas a dourar junto à cebola no preparo de pratos de carne (seja qual for), peixes
ou aves.

Dá um sabor muito original ao prato, além de aumentar o seu teor nutritivo.


Esta simples receita denota a “origem indiana” dos ciganos.

Nota: Quando o desejam eles acrescentam uma pitada de cary ao realizarem


esta fritura de cebolas e cascas de bananas.

Cascas de Maçãs, Pêssegos, Laranjas, Nésperas, Jabuticaba.

Estas na culinária cigana são usadas para a manufaturarão de geléias,


sobretudo, e algumas cascas de determinadas laranjas, para a confecção de doce
em compota.

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Deixei para o término desta apostila sobre a culinária cigana, que revela bem
precisamente, por certo, a origem indiana deste povo, uma receita simples, que nos
transporta ao país dos incensos, dos saris, dos elefantes, dos templos de Shiva
(dentre outros deuses), e de um templo ao Amor, o Taj Mahal.

Muitos séculos já se passaram desde a ocasião em que o primeiro grupo de


ROMS partiu da Índia rumo “mundo a fora”, mas mesmo assim, ainda trazem
resguardados em sua cultura, receituários tipicamente hindús.

Kraknie

Uma galinha grande é partida em pedaços e frita em óleo de oliva, com


bastantes cebolas picadas, cascas de bananas picadinhas, uma colher (cheia) de
sobremesa de cary, 3 cravos-da-índia,...

Depois de frita ensope esta galinha com pedaços de palmitos frescos.


Coloque os palmitos na panela junto à galinha e a gordura que se formou, adicione
água suficiente apenas para que os cubra mais sal a gosto, tampe a panela e deixe
que cozinhe em fogo lento. Deixe ao final do cozimento um pouco de molho na
panela.

Sirva a Kraknie com arroz branco polvilhado com coco ralado (outra
característica indiana).

Bom Apetite!!!

Tal e qual o seu caminhar por séculos mundo a fora, a culinária cigana é
também extensa, variada e exótica por vezes. De canto em canto do mundo onde
estiverem os ciganos assimilaram o costume local, adaptando-o para o seu gosto,
principalmente ao agrado de seu paladar.

Assim, além de carnes variadas, ovos, mel, farinhas, cereais, leite e seus
derivados e etc. Encontramos de tudo um pouco em suas receitas culinárias.

Tudo é consumido com alegria, principalmente verduras, legumes, favas,


frutas, flores, raízes e etc. Representam para as ciganas dádivas ofertadas pela Mãe
Natureza, sempre tão preocupadas com o nosso bem estar, nosso sustento, nossa
saúde...

Em acampamento tudo é prático e reaproveitavel, consome-se o que há por


perto, as dádivas que a mãe natureza oferta na região onde no momento encontra-
se instalada a tribo cigana.

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APOSTILA 9 – PASSAMOS ENTÃO A TOMARMOS CONHECIMENTO DE MAIS
ALGUNS ADENDOS DA CULINÁRIA ROMANÉ

“Não há melhor remédio do que uma alimentação sadia consumida com


felicidade e gratidão á Dieula (Deus). Opchat!!!”

A) Plow – Rabadas limpas, retirado o excesso de gordura, em pedaços, durante


uma noite permanecem numa mareada de vinho branco seco, alhos socados,
pedaços de pepinos em conserva, pimenta-do-reino, cebolas cortadas e cary.

Acrescentar água e cozinhar até começar a soltar partes de carne dos ossos.

Retirar os pedaços, sem caldo, e separá-los.


No molho que permanecer acrescentar mais água e cozinhar uma língua de
fumeiro até ficar macia. Separar. Parte, cozinhar 1 língua fresca até ficar bem
macia.

Cortar ambas as línguas em fatias e, sem mistura-as, passar em manteiga


quente na frigideira.

Acomodar os pedaços separados em travessa grande.

Acompanhar com pirão de cereais, arroz com cary, purê de castanhas ou


batatas cozidas com cascas e apuradas no forno.

B) Arroz com Repolho Roxo – Refogar em banha de torresmo, alho socado,


pimenta-do-reino, pimentões vermelhos picados em tiras, pápricas, cravo-da-índia
(4) com pedaços grandes de carne, que pode vir a ser: de peito, capa de filé ou
alcatra.

Acrescentar água até amaciar a carne e mais sal a gosto.

Lavar e escorrer o arroz refogando-o com as carnes já cozidas, colocar mais


água (fervente) para que se realize o cozimento do arroz, que deverá ocorrer sobre
o fogo bem baixo.

Logo que entre em ebulição a água colocada para o cozimento do arroz,


ponha na mesma panela folhas de repolho roxo não picadas e sim rasgadas a mão.
Não mexer durante o cozimento, basculhe a panela simplesmente. Verifique
apenas se há necessidade de mais sal. Logo que o arroz seque, tire-o do fogo
imediatamente para que não empape. Envolva a panela em folhas de jornal e

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assim a conserve até a hora de servir.

Nota: Esta é uma comida típica de acampamento, ao invés de carne bovina


podem-se usar pedaços de galinha, como também substituir a páprica por cary.

C) Balô Peckô – É um assado simples, mas profundamente apreciado por quase


todos os ROMS, que tem especial predileção pela carne de porco.

Ingrediente: Um leitão inteiro, de aproximadamente 5 quilos, 1 cabeça de alho,


sal a gosto, óleo de soja, pimenta-do-reino a gosto (em pó), 1 pacotinho de
alecrim, 1 maçã vermelha, 300 gramas de azeitonas e 4 cebolas grandes picadas.

Modo de Fazer: Limpar bem o leitão e enxugá-lo com um pano.

Segundo a tradição cigana, não se pode extrair a língua do anima e nem


deixá-la do lado de fora de sua boca.

Fazer uma pasta com todos os ingredientes acima relacionados (menos a


maçã e as azeitonas) e com esta pasta marinar o leitão, tanto por fora como por
dentro e, de preferência com dois dias de antecedência.

Coloque a maçã inteira na boca do leitão, decore-o com as azeitonas e


coloque-o para assar em forno a 170 graus até a pele ficar sequinha e crocante.
Este prato é para de 10 a 12 pessoas.

Nota: Os ciganos em acampamento assam este leitão na lenha, em forno de


pedras ou de barro.

O Balô Peckô está sempre presente em todos os festejos de um


casamento cigano.

O Peixe – Tão apreciado por várias tribos ciganas, na Grécia sempre surge
servido assado após ter passado umas 2 horas na marinada padrão cigana,
acompanhado de lentilhas refogadas em alhos e cebolas dourados em óleo de oliva
e depois postas para cozinhar em água e sal a gosto.

Depois de cozidas salpicar as lentilhas com bastantes folhas de hortelã bem


picadinhas.

Já na região da Escandinávia os peixes como o bacalhau, o hadok e o


arenque, o primeiro salgado e os dois últimos defumados, são sempre cozidos em
leite puro, sem qualquer tipo de tempero.

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Quando prontos, são servidos acompanhados de batatas cozidas na água e
sal, mais maçãs inteiras assadas em panela com um pouco de açúcar.

Dentre os ciganos que conviveram bastante tempo com os turcos existem


costumes bem típicos, vejamos alguns:

A) apreciam o patê de fígado temperado com folhas de hortelã bem trituradas,


mais uma colher de sopa de óleo de oliva.

B) Grão de bico ensopado junto a legumes de raiz, como o nabo, a cenoura e a


beterraba.

C) O hábito de comerem o pão árabe com pasta de grão de bico (costume


tipicamente árabe), ou milho refogado em azeite de oliva, pimenta-do-reino a
gosto, sal a gosto, e bastantes folhas de hortelã picadinhas.
Doce típico dos ciganos de influências árabes como os Hoharanó
(Roraranó):

Ingredientes:

1 xícara de Tâmaras picadas em pedacinhos bem finos


½ xícara de manteiga
1 xícara de água fervente
½ xícara de açúcar mascavo
1 ovo
1 colher de chá de farinha de trigo integral
½ colher de chá de sal
1 colher de chá de fermento em pó
½ xícara de nozes picadas

Modo de fazer a seguir:

Preparo do doce: Cubra as tâmaras com a água fervente. Deixe esfriar. Em


outro recipiente, misture a manteiga e o açúcar, o ovo. Bata muito bem até formar
um creme fofo. Quando estiver bem cremoso, coloque as tâmaras. Adicione à
mistura de tâmaras a farinha de trigo e sal, o fermento e as nozes. Bata muito
bem. Coloque numa forma untada e asse em forno quente por quarenta minutos.
Sirva este doce.

Os ciganos acreditam que ele traga sorte, portanto este doce está sempre
presente nas festividades ciganas.

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Brocoliá – O mais famosos “bolinho” da tradição cigana, fácil de fazer está
sempre presente quer seja em uma barraca, uma carroça, um trailer ou uma casa
cigana.

Modo de Fazer:
Em uma tigela coloque 3 xícaras bem cheias de farinha de trigo, uma xícara
bem cheia de açúcar, uma colher de chá de sal, misture bem e vá aos poucos
colocando leite ou simplesmente água, sempre mexendo, até que a massa adquira
a consistência de massa de bolo.

Querendo pode picar na massa pedaços de maçã em cubinho.

Em óleo bem quente frite colheradas (colher grande, de sopa) desta massa
que se transformará em bolinhos a serem comidos ainda quentes polvilhados de
açúcar mascavo.
Guibanitza (Pão de Queijo) – Misture 1 quilo de farinha de trigo, 1 ovo, ½
tablete de margarina derretida e a sal a gosto. Despeje leite devagar até que fique
na consistência de massa de pão. Dividida então a massa em 2 partes. Estenda
uma toalha em cima da mesa e enrole a massa (primeiro uma parte, depois a
outra) junto com o pano da toalha e deixe-a descansar por 20 minutos.
Após este tempo desenrole-a e estique a massa com as mãos até ficar fina
mas sem arrebentar, e acrescente o recheio enrolando-a novamente.

Recheio da Guibanitza: ½ quilo de queijo (pode ser minas) um pouco


amassado, misture-o com 5 ovos, que, nota importante, antes deverão ser mexidos
com ½ tablete de margarina. Adicione passa-uva a gosto.
Untar um tabuleiro, colocar nele a massa já enrolada com o recheio, cobrir o rolo
com margarina derretida, levar ao forno médio e deixar até dourar.

Sirva a Guibanitza com chá!

Pogatsha (pão cigano).


Pão Branco.

Ingredientes:
2colheres de sopa de fermento
¼ de xícara de água morna
2 xícaras de leite quentes
2 colheres de sopa de açúcar bem cheias
2 colheres de sopa de manteiga ou margarina
2 ½ colheres de chá de sal

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De 6 ½ a 7 ½ xícaras de farinha de trigo. Por vezes só 6 xícaras são suficientes.
Depende da farinha de trigo (que absorve mais ou menos líquido) e da quantidade
de gordura que colocou

Preparo: Misturar o fermento com a água morna até dissolvê-lo


inteiramente. Tampar e deixar descansar 10 minutos. Em uma tigela grande
colocar: 2 xícaras de leite quente, a margarina, o açúcar e o sal. Quando o leite
estiver morno, misturar fermento dissolvido. Acrescentar, batendo sempre, 3
xícaras de farinha de trigo. Após cada adição, bater vigorosamente! Acrescentar as
outras 2 e bater até quando for possível. Quando a massa estiver dura ou pesada,
virá-la sobre a mesa enfarinhada, amassar suavemente e acrescentar mais farinha,
se necessário. Por descansar em tigela untada, cobrindo-a. Pode-se também
colocar a tigela de massa coberta com pano dentre de outra tigela maior com água
morna. A tigela deverá ser posta dentro do forno desligado, com a porta deste
forno fechada.
Quando duplicar de volume, virar a massa sobre a mesa e amassá-lo até sair
todo o ar. Fazer então os pães ou apenas um pão grande, e colocar em um
tabuleiro untado. Deixe descansar. Acender o forno uns 15 minutos antes de aí
colocar os pães ou o pão. Forno a 220 graus, ou seja, pouco mais que moderado.

Nota Importante: Antes de retirar o Pogatsha do forno verificar se estão


assados e se soam “oco” quando neles se baterem os dados.

Variações para o Pogatsha: Depois do primeiro crescimento, acrescentar á


massa: passas, ou ameixas secas, nozes picadas, ou também damascos picados.

Manrô Romanô – É o pão usado no dia-a-dia dos ciganos, mas também em


seus rituais, cito como exemplo: o ritual de casamento, da Slava, do Natal e
outros...

Nota: Normalmente para rituais o Manrô Romanô (Pão Romané) não


leva passas, é simples.

Ingredientes:
250 gramas de farinha de trigo
25 gramas de fermento frescos
1 ovo
250 ml de leite
Sal e Açúcar a gosto
150 gramas de passas, é opcional.

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Modo de Fazer:

Primeira etapa: Coloque o leite em uma vasilha de plástico ou vidro,


quebre um ovo dentro e misture. Adicione uma pitada de sal e uma pitada de
açúcar e 25 gramas de fermento fresco. Misture tudo até desmanchar o fermento
por completo.

Segunda etapa: Em outra vasilha de vidro ou plástico, coloque 250 gramas


de trigo e ir adicionando aos poucos, a mistura de primeira etapa. Depois, bater
com a mão aberta, no sentido horário, até formar a primeira bolha.

Terceira etapa: Unte um tabuleiro com margarina e polvilhe com farinha de


trigo. Coloque a massa e salpique-a com as passas previamente passadas na
farinha de trigo. Pincele com gema de ovo e asse.

Nota: Esta receita dá para cinco pessoas.

Ceviaco – O mais famoso Doce Cigano

Como preparar a massa: 1 quilo de farinha de trigo, 3 colheres de café de


fermento, 2 gemas. Amassar com as mãos molhadas com água morna, levando a
água morna, aos poucos, para a massa até que esta adquira consistência de massa
de pão. Descansar a massa durante 1 hora. Abrir a massa e alongar em forma de
pão longo, mais ou menos um metro, dando forma de calha para receber e recheio.

Modo de Fazer o Recheio: 1 quilo de queijo tipo minas, 1 dúzia de ovos


(mexidos em margarina, claras e gemas), açúcar a gosto.
300 gramas de passas brancas, sem caroços. Misturar, despejar o recheio ao
longo da calha. Fechar a massa dando-lhe a forma de um rocambole.

Em uma assadeira ou forma grande, se possível redonda, previamente


aquecida com manteiga sem sal, arme este rolo tipo rocambole em forma de
caracol. Depois de arrumada a massa, deixar que a mesma descanse por alguns
minutos, enquanto isto tostar 200 gramas de manteiga sem sal, em frigideira, e
despejar aos poucos em cima do caracol de massa.

Levar ao forno previamente bem aquecido e aguardar que asse.

Nota: Este doce é servido com chá, café, em algumas regiões de Europa
com vinho tinto ou branco seco.

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É também de tradição cigana dar sempre Ceviaco às ciganas quando estão
grávidas, acreditam que este doce faz com que elas venham a ter leite abundante
para alimentar seus futuros filhos.

Manrô (pão) de Aveia: Muito apreciado em meio aos ciganos que estão na
Europa Oriental e Sudeste Europeu.

Ingredientes:
3 xícaras de aveia –
4 xícaras de água fervendo
8 xícaras de farinha de trigo (ou menos)
2 colheres de sopa de sal (se preferir 1 e ½ ou só 1)
½ xícara de melado ou açúcar mascavo (na Europa a preferência recai sobre o
açúcar mascavo)
2colheres de sopa de fermento Fleishmann, seco.
4 colheres de sopa de óleo.

Preparação do Manrô de Aveia:

Despeje a água fervendo sobre a aveia em vasilha grande e deixe amornar.


Acrescente aí 2 xícaras de farinha de trigo, faça uma boa mistura e coloque o
fermento seco. Depois que misturou tudo muito bem, deixe crescer em lugar
quente, dentro do forno desligado, mas, porém fechado por exemplo. Esta massa
ao descansar deverá ficar em uma tigela destampada até que dobre de volume. Aí,
abaixe a massa, junte óleo, o açúcar mascavo ou melado o sal e a farinha, batendo
sempre até conseguir massa firme. Vire-a então para ser amassada com as mãos,
cerca de 10 minutos.

Lembre-se que a farinha pode ser acrescentada se a massa estiver pegajosa.


Divida a massa e faça seus ps – 3 ou 4, coloque-os em assadeiras ou formas
untadas. Deixe crescer até dobrar de volume. Aqueça o forno durante uns 12
minutos – Moderado – 170 graus e coloque os pães para assar. Eles devem esta
no bons quando você neles bater em cima e embaixo e soarem oco.
Comem Macarrão os Ciganos? É claro que sim, principalmente os
Matchuaiya, grupo que se estabeleceu na Itália, mas fazem seu macarrão ao jeito
cigano. Vejamos dois exemplos:

1)Muito comum dentre os ciganos nômades...cozinham a massa em água com sal e


óleo, junto a esta água para o cozimento colocam também uma grande cebola
onde espetam inúmeros cravos-da-índia. A parte fazem alho e óleo verduras tais
como: brócolis, couve tronchuda, acelga,espinafre, escarola(chicória), folhas de
couve-flor. Depois que a escolhida verdura cozinha, passam o macarrão (já

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previamente escorrido) junto a mesma.

Comem este prato com qualquer tipo de queijo ardido ralado.

2) Regatone à Zíngara: Massa regatone, óleo de oliva, 150 gramas de toucinho


(ou bacon), azeitonas pretas, 500 gramas de feijão branco, alho, tomates
maduros e salsa picadinha, muita salsa!

Modo de Fazer: Cozinhar a massa em bastante água fervente, mais uma


colher de sopa de óleo e sal agosto. A parte dourar os dentes de alho (para 1 quilo
de macarrão 5 cabeças de alho grandes) socados em azeite de oliva, quando
dourados acrescente 1 quilo de tomate maduro picado (com as cascas mesmo, só
sem a semente), 2 copos grandes de água, sal a gosto, baixar o fogo e provar,
apurar o molho

Amantes das Frutas : Como as que vemos enfeitar está página, e outras
tantas em geral, têm por costume os ciganos o hábito de as comerem junto à
comidas de sal, como simples acompanhamento de prato em si, ou em saladas,
com é o caso do abacate que eles apreciam ao vinagrete e salpicados de salsas
picadinhas. Assim sendo:

Nos países tropicais comem junto aos seus pratos de sal, principalmente as
carnes e feijão, bananas, laranjas, tangerinas, mangas e cajus;

Na Europa fazem uso para este fim de pêssegos, figos, maçãs assadas ou
cozidas, pêras cozidas, castanhas cozidas, morangos, tâmaras, nozes, damascos,
ameixas, melão, avelãs e amêndoas trituradas e etc.

Os ciganos têm por tradição serem amantes das hortaliças em geral, pois
sabem como ninguém suas propriedades medicinais; vejamos duas receitas
romanês:

1) Hortaliças á Zíngara

Ingredientes:
1colher de café d óleo de gergelim
1 pitada de canela em pó
½ colher de café de cury
1 pitada de cominho
1 pitada de pimenta-do-reino
1 pitada de coentro moído
½ xícara de nabos cortados
1 xícara de cenouras raladas

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1 xícaras de abóbora em cubos
1 xícara de vagens cortadas
1 xícara de repolho cortado em tirinhas bem finas
1 xícara de cebolas cortadas em rodelas bem fininhas.

Preparo: Aqueça o óleo numa panela de ferro (se possível). Coloque os


temperos e o sal. Adicione a cenoura com um pouco de água e os nabos. Quando
estiverem quase cozidos, acrescente os outros vegetais e vá pingando água aos
poucos. Deixe a panela tampada e tire do fogo quando tudo estiver cozido.

Nota: Este é um alimento típico das ciganas gestantes, em estado de


Marihmé, ou de todos os ciganos em geral quando estão a canvalecer de alguma
doença ou cansaço físico

Berinjelas á Zíngara

Ingredientes:
1 berinjela grandes
2 colheres de sopa de manteiga
1 cebola grande picadas
2 centímetros de gengibre picado bem fininho
2 tomates grandes picados
1 colher de chá de cominho moído
1 colher de chá de sal
1 pitada de pimenta-do-reino

Preparo: Ferva a berinjela em uma panela de cerâmica até ficar macia.


Deixe-a esfriar com a panela tampada. Descasque-a e amasse-a suavemente, até
transformá-la num purê. Numa panela de ferro (se possível), refogue a cebola e o
gengibre. Adicione os tomates, o cominho, o sal e a pimenta. Mexa suavemente.
Quando os tomates estiverem desmanchando, adicione a berinjela. Deixe cozinhar
durante mais alguns minutos e mexa. Mantenha o fogo baixo e a panela tampada.
Se necessário, vá pingando água aos poucos.

Nota: Os ciganos comem esta nutritiva pasta com pão árabe ou manrô.

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CIGANOLOGIA

Apostila 9 – Um Desáfio Mágico

Independente a que tribo pertencesse os nomes ciganos foram surgindo em


forma de apelidos para identificar cada participante de um grupo comunidade.
Desta forma tudo poderia vir e conformar o nome de um cigano (a): rios,
montanhas, pedras, animais, raças, árvores, vilas e cidades, cores, tipos físicos e
etc, ou simplesmente a repetição dos nomes mais populares da região onde
estivessem e que caíssem no seu gosto.

Com o aumento das tribos começaram a surgir ciganos com o mesmo nome,
foi então adotado mais um nome para facilitar a identificação de cada um, um
nome de família, muitos deles copilados da nobreza européia, ou regionais, quase
sempre de alguma família gadjé que tinha uma certa importância social. Antes da
necessidade deste sobrenome os ciganos só possuíam os seus 3 primeiros nomes
outorgados pelo batismo, quer seja o “materno” o “tribal” ou o “cristão”.

A criatividade de todas as raças humanas foi sempre farta para definir um


nome para uma pessoa, como ainda o é até os dias de hoje. Anagramas,
justaposições, composições são criados até os nossos dias, e é claro que em meio
aos ciganos o mesmo continua ocorrendo.

Os ciganos, como muitos povos, trazem em seu meio muita influência da


Igreja Católica, da religião hebraica, das etnias do deserto, os árabes, dos persas,
do sânscrito (sua origem), do povo celta e etc. E, foi baseando-se nesta
miscelânea que criaram seus nomes e sobrenomes, nem sempre combinativos em
sua origem, isto é, de pouca importância para os ciganos, o que lhes importa em
um nome é a sua sonoridade em primeiro lugar, e depois o seu significado local.
Tudo isto colaborou muito para o enriquecimento do vocabulário desta etnia
nômade, os ciganos, como eles os seus nomes também são nômades, em cada um
deles há um pedaço do mundo, um conhecimento local, um folclore regional etc.

Entretanto a escolha de um nome é coisa séria, e em meio aos ciganos


também possui esta importância. O nome é a marca, a forma que a pessoa será
identificada por toda a sua vida. De início os ciganos tiveram o cuidado de não
popularizarem os seus nomes, mas com o passar dos tempos lhes foi impossível
continuar com este cuidado, e isto veio a ocorrer por várias razões: A invasão
indevida de gadjés em seu meio tradicional, o modernismo a solapar Antigas
Tradições, o modismo via jornais, revistas, rádio e televisão, o que foi um perda
lastimável. Mas ainda se mantém o costume cigano de honrar um nome pelo que
ele representa, será um som mágico que durante toda uma vida física acompanhará

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seu filho ou filha. Por terem consciência disto têm importância fundamental todos
os nomes que um cigano porta (3 nomes e 1 sobrenome), e eles tomam o
cuidado para que no futuro a criança cigana aprecie o seu nome, pois ele é parte
de si.

Em meio aos ciganos a escolha de um nome começa quando é confirmada a


gravidez. A partir daí começam as consultas e sugestões para escolher um nome
que seja forte, simpático, bonito, charmoso, que atraia sorte, de boa tônica
vibratória e etc. Muitas vezes é o Chefe da Tribo ou a Phuri Dai que diz qual será
o terceiro nome (por vezes também o segundo) do ciganinho (a) que acabou de
nascer, ou então um (a) Kaku poderá vir a ser consultado, ou se manifesta por
vontade própria por se isto necessário quando o recém-nascido é uma criança
especial, possuidor de algum “DOM”.

Inúmeros são os nomes ciganos, quer sejam ROMS, IENISSCH, SINTIS,


MANOUCHAS, CALONS e etc, impossível inumerá-los a todos, portanto a seguir
encontraremos apenas uma coletânea de alguns deles, com suas origens e
significação local dentro do que pude pesquisar.

Nota: Os ciganos dizem que Deus quando criou a TERRA e tudo o que nela
há colocou nomes, menos em seus filhos, os homens, e assim o fez para que eles
copiassem para si os próprios nomes naturais já criados por Deus.

Como um RAMALHETE FLORAL surgem os NOMES CIGANOS, e como


eles terão as mesmas funções e propriedades: Embelezar, vivificar, portar
lembranças ou características locais, integrar seu portador com a própria MÃE
NATUREZA, outorgar poderes ou sorte. Para os ciganos, os nomes têm de estar
em harmonia com a natureza, com a região onde estão, com os costumes tribais, e
com os seu o “clã” em particular. Não é de costume do cigano adulto reclamar da
escolha de seus nomes, eles os aceitam como uma honra, seja ele o tribal ou do
batismo cristão, este pelo qual será denominado no mundo gadjé. Já o seu
primeiro nome somente sua mãe o conhece, o(a) cigano(a) não tem consciência
dele, embora inconscientemente o saiba, e sua mãe só lançará mão deste secreto
nome se o filho o a filha estiver correndo sério perigo, e assim mesmo só em meio
a um ritual específico, pois este é um nome mágico, o nome pelo qual atende a
alguma de se seu filho ou filha.

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RELAÇÃO DE NOMES CIGANOS

NOTA ELUCIDATIVA: Os nomes que não possuírem ao seu lado a origem


ou significado, é porque foi impossível a classificação por falta de recursos de
pesquisa.
Da letra “A” á letra “Z” colheremos pouco a pouco alguns dos inúmeros
nomes ciganos, para que com eles conformemos o nosso “ramalhete” particular.
E assim surgirão nomes mais comuns aos grupos ROMS, ou SINTIS, ou CALONS
e etc, mas os seus embasamentos sãos os mesmos: São nomes da preferência da
ETNIA CIGANA

ALBHART – Germânico, significa nobre, corajoso. Na península Ibérica surge com


EBERARDO, EVERALDO.

ACIDÁLIA – Masc. Acidálio – Origem Grega, um dos nomes de VÊNUS

ACILDA – O mesmo que GILDA

ÁKILOS – Origem Grega – ACILINO em latim – entre as tribos ciganas de origem


CELTA quer dizer “BOLOTA DE CARVALHO”

ÁDA – Origem Teutônica (EADA), significa feliz, próspero ou Origem Hebraica


ADAH, este nome significa tiara, ornamento

ADAIL – Origem Ibérica, em árabe (entre os HORARANÉ) ADDALIL, nome este


dado a quem terá na vida o posto de guia, de ensinar, direcionar, o caminhar de
uma tribo quer seja em viagens ou moralmente.

ADALBERTO – Origem Teutônica, muito comum entre a tribo Oursuri, este nome
significa “ URSO”

ADEMIR – Origem Germânica, este nome porta a fama e bens materiais.

ADELA – Origem Teutônica, ADEL significa nobre, é um nome comum em meio


aos nobres gadjés, e na península ibérica ele surge me meio as tribos CALONS
como ADELAIDE.

ADELTRUD – Origem Germânica, significa poder, força nobre

ÁDILA - Origem Francesa, Santa da Igreja Católica, encontrado em meio aos da


TRIBO MANOUCHES

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AEGLA – ALAÉ – AGLAÉ – AEGLE – Origem grega, este nome porta o esplendor.

ÁGDA – Origem Grega, Boa

AGRA – Origem Ibérica – Português – este nome significa “FONTE”

ÁGUEDA OU AGATHÉ – Origem Grega, Boa, Bondosa

AILEMA - O mesmo que AMÉLIA

ANIS – Origem Árabe – este nome significa amável

ALANO – ALANA – Origem Celta, significa belo, lindo

ALWARA - Origem Germânica, forma de Álvaro – significa “alguém que vigia”, é


um nome dado à alguém que será um GUARDIÃO

ALDO – Origem Teutônica, velho, sábio

ALÉIA – Origem Teutônica, significa ala de árvores, nome encontrado em meio aos
ciganos MANOUCHES.

ALEX – Origem: leste Europeu, este nome é derivado de ALEXANDRE.

ALEXEI – Origem Russa, forma de Alexandre, que significa defensor da


humanidade

ALILAT – Origem Árabe, corresponde ao Deus Urano

ALINE – Origem Celta, significa de linhagem nobre, graciosa, muito encontrado em


meio aos ciganos MANOUCHES

AMALIES – Forma Germânica de AMÁLIA

AMAPOLA – Origem Espanhola, significa bela flor, papoula, muito encontrado em


meio aos ciganos CALONS

AMARANTO – Origem Grega, significa que não desmerece

AMARI – O mesmo que MARIA

AMERY – Significa AMÉRICA, e é comum aos ciganos que nasceram nestes


continentes: América do Norte, Central ou do Sul.

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ANACLETO – Origem Grega, significa chamado de novo

ANAEL – Origem Grega, no ocultismo é o anjo que governa as salamandras.

ANASTÁCIO – Origem Grega, significa o que ressurge belo batismo, ressurreição


ANATÓLIO – Origem Grega, significa homem do oriente ou do leste

ANKUSHA – Origem Sânscrita, significa aquele ou aquela que segura o ferrão


Nota: Ferrão este relacionado a alguns insetos seus portadores que possuem uma
certa importância em magia, como por exemplo o besouro ou o escorpião.

ANDERSEN – Origem Escandinava, Ander=André, sen=filho de, significa filho de


André nome muito em encontrado em meio aos ciganos IENISCH

ANDRESA – Origem Ibérica, feminino de André, nome muito encontrado em meio


aos ciganos CALON

ANECI – Origem Francesa, significa cheia de graça, nome encontrado em meio aos
ciganos MANOUCHE

ANGELINA – Origem Espanhola, variação de Ângela nome encontrado em meio


aos ciganos CALON

ARABELA – Origem Latina, significa altar belo

ARMÊNIO – Origem Latina, oriundo da Armênia, significa “TERRA DOS MONTES


AZUIS”

ARMIDA – Origem Latina, personagem apresentado por Torquato Tasso em seu


trabalho Os Ardis de Armida. Nome encontrado em meio aos ciganos CALONS

ARNULF – Origem Germânica, combatente com a coragem do lobo, nome


encontrado em meio aos ciganos MANOUCHES

ARTASHASA – Origem Iraniana

ARTHA – Origem Sânscrita

ARRIETA – Um nome CALON

ASSUERO – Origem Grega, Xerxes é a forma Persa desse nome

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ATISHA – Origem Indiana

AXEL – Origem Escandinava, espada, defensor poderoso

BAIARDO – Origem francesa, significa “cabelos ruços”

BALSTER – Origem Germânica

BARK – Origem Árabe, significa benção

BACKT – Origem Romanê, significa sorte

BARRY – Origem irlandesa, significa lança, arpão

BARTINIK – Origem Polonesa, significa colmeeiro

BELA – Origem Latina, significa linda

BELINDA – Origem Espanhola, significa “bela, linda”

BERILO - Origem Grega, jóia verde do mar nome usado tanto para o feminino,
quanto para o masculino.

BERMONDO – Origem Francesa, do Germânico Bermund, Ber=Urso e


Mund=Proteção, “Proteção de Urso”

BERTA – Origem Teutônica, como também BERTHA, significa brilhante, glorioso

BERTINA – Idem acima, variação de Berta

BESSIE – Origem Inglesa, forma diminutiva de Isabel

BHADRA – Origem Sânscrita

BLANCK – Origem Germânica, quer dizer Branca

BLENDA – Origem Germânica, significa encantadora

BOGUMIL – Origem Eslava, O que ama (mil) a Deus (Bogu), amado de Deus.

BOGUSLAU – Origem Eslava, "Slau: glória, Bogu: de Deus". Variação Boguslavo,

BRESSCUE – Origem Francesa

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BRITES – Origem Anglo-Saxão, significa sensata

CAMARGUETTI – Origem Francesa, significa natural da região francesa de


Camargue.

CÁRIA – Origem Árabe

CARLOS – Origem Latina, significa fazendeiro nome encontrado em meio aos


ciganos CALONS

CARMELITA – Diminutivo de Carmen, origem Latina, que significa poema

CARMENCITA – Idem acima, ou diminutivo de Carmelina

CARMELINA – Origem Hebraica, significa jardim ou vinha de Deus

CARMEM – Origem Latina, significa Poema

CARMENTA – Idem acima

CARMINO E CARMINA - Diminutivo de Carmem

CHILON – Origem Grega, significa “sábio da Grécia”

CLARIBEL – Origem Francesa

CLARITA – Origem Latina, nome derivado de CLARA, significa brilhante, luzente.


Nome este encontrado em meio aos ciganos CALONS

COLLET – Origem Francesa, o mesmo que NICOLAU que significa vencedor

CONSUELO – Origem Espanhola, significa consolo, é encontrado em meio aos


ciganos CALONS

CORA – Origem Grega, significa a criada, a virgem

DALUR – Origem Árabe

DARA – DHARA, origem Hebraica, é o feminino de DARAN

DEVAKI – Origem Indiana, nome muito antigo em meio aso ciganos em geral,
salvo os do grupo CALON

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DHIANA – Origem Sânscrita, significa “verdade”

DHUPEMA – Origem Sânscrita, significa “aquela que porta o incenso”

DRACON – Origem Grega, significa “rigoroso com a lei”


DUANA – Origem Gálica, significa poema

DULCELINA – Origem Latina, nome derivado de DULCE, significa doce, amena,


suave, agradável. Nome este encontrado em meio aos ciganos do grupo CALON

DVORAK – Origem Polonesa, significa principesco

ÉBERLE – Origem Teutônica, significa pequeno javali

EGINA – Origem Grega

ELGA – Origem Gótica, significa sagrada

ELÍGIO, ELÍGIA – Origem Latina, significa “o escolhido”

ERINE – O mesmo que IRENE, origem Grega, significa “deusa da paz”

ERIX – Origem Grega, significa “filho de Vênus”

ÉRIK – Forma Germânica de Érico, significa “poderoso como uma águia”, variante
deste nome: ERICHSEN, Erich, forma escandinava de Érico e Sen=filho de

ERLA – Origem Germânica, abreviação de ERNESTINA, ERMELINDA, ERNANI.


Este nome porta o dom de ser corajoso (a), valente. Outras variações deste nome
encontradas na língua espanhola, muito usadas pelos ciganos do grupo CALON:
HERNAN E HERNADES

ESMERALDA – Origem Francesa (ÉMERAUDE), pedra verde portadora de dons


da magia

ESPERANÇA – Nome Latino que significa “irmã do sono”, muito encontrado em


meio aos ciganos do grupo CALON

ÉZIO – Origem Grega, significa água

EZRA OU ESTRA – Origem Hebraica, significa “quem socorre”

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FÁDUA – Origem Árabe, nome derivado do auto-sacrifício

FAHIR – Origem Árabe, significa Magnífico

FÁTIMA – Origem Árabe, significa “mulher perfeita”. Nome muito usado pelos
ciganos do grupo CALON
FEDRA – Origem Latina, significa “brilhante”

FERNANDO E FERNADA – Origem Teutônica, significa “ousado”. Estes nomes


são muito encontrado em meio aos ciganos do grupo CALON

FLAMEL – Origem Latina, significa “sopro, espírito”

FLAMÍNIA – Origem Latina, significa sopro

FLAVO – Origem latina, significa “de cabelos louros, fulvos, áureos”

FORTUNA – Origem Latina, significa “boa sorte”

FRANÇA – Origem Latina, significa “vindos ou procedentes da França”

GANDHA – Origem Sânscrita, significa “aquele que asperge perfume”

GARIB – Origem Árabe, significa romântico

GEISEL – Origem Teutônica, significa quem “lida com cabras ou com gatos”

GEISILA – Origem Germânica, significa BASTÃO, VARA = o mesmo que “PODER


OUTORGADO”

GELINDE – Origem Teutônica, significa a “ serpente de lança”, ou seja “a luta com


sabedoria”

GILCA OU GILKA – Origem Suíça, nome muito encontrado em meio aos ciganos
do grupo SINTI. Este nome é o mesmo que EGÍDIO de origem Grega/Latina, e
significa “o protegido com pele de cabra”, seu feminino EGÍDIA

GOVINDA – Origem Sânscrita, significa “suprema felicidade”

GRECA – Origem Italiana, significa “procedente da Grécia”

GRETE – Origem Germânica, este nome é uma variação da MARGARETE, origem


Francesa. MARGARIDA, origem Grega, que significa PÉROLA

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GUIDO OU GUIDA – Origem Teutônica, significa “nascido no mato, ou na floresta”

GUTA – Origem Latina, significa nódoa mágica

HALA – Origem Árabe, significa doçura


HALIM – Origem Árabe, significa brando, gentil

HALINE – Origem Grega, significa “ mar”

HELGA – Origem Teutônica, significa sublime, sagrada

HELMUTH – Origem Anglo-Saxão, significa elmo, capacete

HERTA – Origem Teutônica, significa “divindade da terra”

HERTEL – Origem Teutônica, significa “guardião da floresta ou temperador de aço”

IAGO – Origem Hebraica, Variante de JACÓ

ILONA – Origem Húngara, significa HELENA

ILONE – Idem acima

IGOR – Origem Russa, estes nome é forma russa de INGOMAR Escandinavo, e de


GEORGIO Grego

ISLENA – Origem Espanhola, significa “insular da ilha”. Este nome é encontrado


em meio aos ciganos CALON

IANKA – Nome Romanê

ILKA – Origem Eslava, significa “mulher ativa”

ILEANA – Origem Romena, o mesmo que HELENA

IONE – Origem Grega, significa violeta

IOANA – Forma Grega do feminino de JOÃO

ISABELE – Origem Francesa, significa a “cesta” ou a “cesteira”

ISNARD – Origem Escandinava, significa “forte como o ferro”

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LIUBA – Origem Latina, significa “juba”

IZIQUE – Origem Ucraniana, significa o mesmo que ISAC

JAMIL – Origem Árabe, significa “o belo”


JAMILE – Idem acima

JANA – Origem Latina, significa Lua

JORDANA – Origem Hebraica, significa “aquela que descende”, ou “procedente


das margens do RIO JORDÃO”

JÁSPER – Origem Inglesa, o mesmo que GASPAR, GASPARINA, estes nomes de


origem persa, significam “tesoureiro, palaciano”

KABIR – Origem Indiana, nome de um poeta Indiano

KABZA – Origem Eslava, significa “violinista ou rabequista”

KALIDASA – Nome de um poeta Indiano

KALINA – Origem Ucraniana, nome de uma planta local

KARIM – Origem Árabe, significa generosa

KATYA – Origem Russa, o mesmo que CATARINA

KIRK – Origem Nórdica, significa “pastor religioso ou pregador”

KLAUS – Origem Germânica, o mesmo que NICOLAU

KAPILA – Origem Hindu

KAREN – Origem Dinamarquesa, o mesmo que CATARINA

KELDA – Origem Nórdica, significa primavera

KERINA – Origem Hindu, significa poderosa deusa

LAIO – Origem Grega, nome de um pássaro

LOLA – Origem Espanhola, diminutivo de Dolores, este nome é muito encontrado

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em meio aos ciganos do grupo CALON

MARGA – Origem Portuguesa, derivado de MARGARIDA

MIRIAN – Origem Hebraica, variante de MARIA

MARILUZ – Origem Hispânica, significa Luz de Maria

MILKA O MILCA – Origem Hebraica, significa “rainha”

MIRTA – Origem Latina, nome de um arbusto consagrado a Vênus

MIRA E MIRO – Origem Latina, significa maravilhoso (a)

MIO – Origem Latina, significa “meu”, ou pode ser um derivado do nome MIRO

MAIDA – Origem Lombarda, significa “Deus me ajude”

MIROSLAW – Origem Eslava, feminino: MIROSLAWA, significa “glória e paz”

MIRNA E MIRNO – Origem Irlandesa, significa coroa de beleza, gentil e cortês

MIRZA – Origem Persa, significa nobre

NAHRA – Origem Sânscrita, significa nobre, chefe

NAYLA – NAYELA, Origem Persa, significa “olhos amendoados”

NAZIRA – Origem Árabe, significa “mulher bela”

PACHA – Em Romanê, significa “raposa”

PETROSKI – Origem Polonesa, o mesmo que PEDRO, nome de origem Latina

RADMILA – Origem Eslava, significa ativa

OLAF (OLAVO) – Origem Nórdica, significa “filho de Deus, sobrevivente dos


ancestrais, descendente dos antigos”

ODILA – Origem Árabe, significa rio

PARIGOT – Origem Francesa, significa “natural de Páris, ou Parisiense”

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PAVLOVA – Origem Russa do nome PAULO

PERLA – Origem Castelhana, significa “pedra”

PETRA – Origem Latina, significa pedra

PETROSKI – Forma Polonesa do nome PEDRO

POLÍNIA – Origem Grega, significa “a de muitos hinos”

RAFI – Origem Árabe, significa panheiro

RAGUEL – Origem Hebraica, significa “amigo de Deus”

RAISSA – Origem Francesa, significa pensadora

RAMON – Forma Catalã do nome RAIMUNDO. RAMON é um nome muito


presente em meio aos ciganos do grupo CALON

RANI – Origem Hindu

ROANA E ROANO – Origem Hindu, significa perfumado (a), sândalo

RINA – Abreviação de CATARINA

RISA – Origem Latina, significa “riso, graça”

RIVA – Origem Latina, significa “ribeira, riacho”

ROMY – Origem Germânica e Inglesa, o mesmo que ROMILDA

RONILDA – Origem Teutônica, significa “um segredo” o “ a guerreira misteriosa”

ROQUE – Origem Persa-Latim, significa “rocha, ou homem grande e forte”

ROSALES – Origem Espanhola, significa “plantador de rosas”

ROSCELI - Origem Latina, significa “orvalho do céu”

ROXANE – Origem Persa, significa “lua, luz, claridade e aurora”

ROSKAMP – Origem Teutônica, significa “negociador de cavalos”

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ROSLIM – Origem Celta, significa “rochedo de cascata”

ROSMINDO E ROSMINDA – Origem Nórdica, significa “boca do cavalo”

ROSS – Origem Teutônica, significa “corcel”

ROZALA – Origem Persa, significa “bens de Deus”

RUANO – Origem Espanhola, significa castanho, avermelhado

RÚBIA – Idem acima

SACHA – Origem Persa, significa “a ema voltando da água”

SACHA – Origem Russa, derivado de ALESSANDRO (A)

SADALA – Origem Persa, significa “felicidade de Deus”

SAFIA – Origem Persa, significa “a escolhida, a sem mancha ou mácula”

SALEMA – Origem Portuguesa, significa o nome de um peixe

SÁLUA – Origem Árabe, significa consolação, resignação

SANDE – Origem Germânica, significa “de areia ou da areia”

SANDOR – Origem Húngara, o mesmo que ALEXANDRE

SANDRO OU SANDRA – Origem Italiana, abreviação de ALESSANDRO (A) OU


DE CASSANDRA (O)

SCHIMIDT – Origem Teutônica, significa ferreiro

SAVINA – Origem Latina, significa “proveniente de um novo lugar”

SEMELA – Origem Latina, significa “uma única vez”

SEMIRA – Origem Hebraica, significa “a altura do céu”

SERAIENE – Origem Francesa, significa “sereia”

SHEILA – Origem Gaulês, o mesmo que CÉLIA E CECÍLIA

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SILA – Origem Latina, significa amora ou mancha arrocheada

SÔNIA – Origem Russa, significa sabedoria e ciência, Sonja é outra variação Russa
para Sônia

SULA – Origem Latina, variante do nome SILA


SURAIA – Origem Árabe, nome derivado do SORAIA que significa “estrela da
manhã”

SWAN – Origem Inglesa, significa cisne

TÂNIA – Forma Russa do nome TATIANA

TIRSAH O TIRSA – Origem Hebraica, significa agradável, confortável

TIMON – Origem Grega, significa “o que venera a Deus”

ÚLIMA – Origem Árabe, significa “sábia”

ULVA – Origem Gótica, significa “loba”

VÂNIA – Origem Russa, feminino de IVAN

VEVILA – Origem Celta, significa moça, bela

VERENA – Origem Latina, significa “digna de consideração”

VERIANO E VERIANA – Origem Latina, significa sorte

VLADISLAU – Origem Eslava, significa aquele que governa com glória, o mesmo
que LADISLAU

WANDA – Origem Polonesa, significa andarilha, masculino: WANDO

WADY – Origem Persa, significa “manso, brando”

WALDECK – Origem Teutônica, significa “extremidade da floresta”

WALDRICH – Origem Teutônica, significa “chefe”

WALEWIKA – Origem Polonesa, significa nome de mulher nata na cidade polonesa


que possui este mesmo nome

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WALEWSKA – Origem Polonesa, significa nome de mulher natural da cidade
polonesa que possui este mesmo nome

WALGER – Origem Germânica, significa “laminador de metais”

WARDA – Origem Persa, significa “rosa”


WENDLER – Origem Teutônica, significa “andarilho”

WISMAR – Origem Teutônica, significa “dono de bom cavalo ou bom cavaleiro”


nome muito comum entre os ciganos do grupo LOVARIA

WLADIS – Origem Eslava, significa soberano

WOLF – Origem Germânica, significa “lobo”

WOLFGANG – Origem Germânica, significa “o que anda como um lobo”

XENA – Origem Grega, significa estrangeira

XILON – Origem Grega, significa “madeira de lei”

XIMENE – Origem Ibérica, variante de SIMON, SIMÃO, nome encontrado em


meio aos ciganos do grupo CALON

YURI – Origem Russa, significa George

YAGO – Origem Eslava

ZADA E ZADO – Origem Árabe, significa aquele ou aquela que tem sorte

ZAGO – Origem Italiana, significa quem preside rituais, normalmente é um nome


dado pelos ciganos a um futuro KAKU

ZAHARA – Origem Árabe, significa “flor”

ZARIDE – Origem Árabe, significa “quem se sobressai”

ZAINA – Origem Italiana, significa “cesteiro”

ZAIRA – Origem Árabe, significa “a florida”

ZANA – Origem Persa, significa “mulher”

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ZAQUE – Origem Árabe, significa “inteligente”

ZARCO – Origem Portuguesa, significa “o que tem olhos azuis”. Nome encontrado
em meio aos ciganos do grupo CALON

ZAFIRA, ZAFIRE – Origem Árabe, significa graciosa


ZÊNIA – Origem Grega, significa “convidada, bem-vinda”. Masculino: ZÊNIO

ZORA – Origem Eslava, significa aurora e madrugada

ZORAH – Origem Grega, significa “poderosa”

ZORAIA – Origem Persa, significa “a bela”

ZORAIDE – Origem Armênia, significa “mulher cativante”

ZILÁ – Origem Hebraica, significa “nascida a noite”

ZORANA – Origem Eslava, significa “dourada”

ZULEICA – Origem Persa, significa de radiante beleza ou roliça ou gordinha

ZULMA – Origem Armênia, significa “robusta, sadia”

ZURIEL – Origem Hebraica, significa “Deus é minha rocha”

ZOLA – Origem Italiana, significa “pedaço de terra”

ZILEMA – Origem Armênia, significa “sã, vigorosa”

ZINARA – Origem desconhecida, uma variante de CINARA

ZIOMAR – Origem desconhecida, variante de GUIOMAR

ZOÉ – Origem Grega, significa vida

ZÓLLO – Origem Grega, significa “esperto”

ZOLEIDE – Idem acima, filha ou descende de ZOLA

ZULMIRA – Origem Teutônica, significa “a resplandecente, celebridade da luz”

ZAGURI – Origem Basca, significa “raposa”

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ZAIDA – Origem Árabe, significa “a que não é ambiciosa”

ZAMIRA – Origem Hebraica, significa “canção, melodia”

ZÉIA – Origem Latina, significa “grão, aveia”


ZELDA – Origem Germânica, abreviação de GISELDA, nome que significa “velha
guerreira”

ZELINA – Origem Grega, significa filha ou descendente de ZÉLIA

ZELINDA OU ZELINDO – Origem Germânica, significa “serpente da vitória

ZELMA – Variante gráfico de SELMA

ZELMIRA – Origem Árabe, significa “radiante, a brilhosa”

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PEQUENO GLOSSÁRIO DE PERSONAGENS CIGANOS LIGADOS AO MUNDO
DA MAGIA DE SEU POVO, QUE REALMENTE EXISTIRAM E MARCARAM
SUAS PRESENÇA POR SEUS FEITOS. DENTRE ELES ENCONTRAMOS KAKUS
E FEITICEIROS CIGANOS, DE DIFERENTES TRIBOS E NATURALIDADES,
MAS COM ALGO EM COMUM:
O “DOM DO MAGNETISMO” TÃO ARRAIGADO EM MUITOS DESTA ETNIA, A
CIGANA.

Figuras Masculinas:

WASSILIO OU WASSILIC – Feiticeiro cigano de origem Tcheca que usava


seus conhecimentos de magia para fazer bálsamos que curavam vários tipos de
hematomas

GIPSY PETULENGRO – KAKU Romeno, HOMEM-SUL, HOMEM-ÁRVORE,


alguém que conhecia como ninguém o poder mágico dos vegetais

WLISLOCKI – Feiticeiro Cigano da Transilvânia

ZLOKOBNICA – Feiticeiro da DALMÁCIA e da SÉRVIA, aquele que


encontra e afasta mau-olhado

SCHOLOMANCE – KAKU ROMENO, tem uma escola em algum lugar nas


montanhas, onde os segredos da natureza, da linguagem dos animais e de todos os
encantamentos mágicos são ensinados aos seus iniciados

KLINGSOHR – FEITICEIRO CIGANO, ele cavalga um grande lobo, uma


espécie de corcel muito apreciado por bruxos e feiticeiros

NICOLAI MOROKOWA – KAKU RUSSO, um HOMEM-ÁRVORE, um


HOMEM-BÉTULA, árvore que reina na Grande Rússia dos Cárpatos á Floresta
Negra.

Conheçamos uma receita que NICOLAI MOROKOWA nos ensina contra o


mal do reumatismo:

Metam-se nus num saco de dormir cheia de folhas de BÉTULAS, e verão as

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maravilhas que “elas” operam.

Ativem sua ação tomando um chá feito com cem gramas de brotos de
BÉTULAS para um litro de água que ingerirá durante o suador.
Finalmente, quem “sofria” de reumatismo já se encontra pronto para dar uma
corrida pela montanha”
YAKOV DIMITRE, KAKU RUSSO E MESTRE DO FOGO – Ele possuía
imenso poder de clarividência, que muito auxiliou seus compatriotas durante a
Segunda Guerra Mundial. Diziam os ciganos desta região, que YAKOV possuía um
PACTO com o INVERNO, através dele estranhamente o FOGO se compactuava
com o GELO, coisa impossível de ocorrer para muitos, mas nada em MAGIA é
impossível..

Obedecendo a evocação de YAKOV, por muitas vezes a NEVE oculto o


FOGO.

WOLFGANG AUMGARTEN – KAKU Francês de inúmeros poderes, era uma


figura humildemente sábia

“PÉPE DE PISE” ou PIETRO VALENTI – KAKU ITALIANO, CHEFE DE


TRIBO, e um HOMEM-ÁRVORE

MELINO PAPANOLOS – KAKU do “PEQUENO EGITO” na GRÉCIA, usava


seu poder de magnetismo em jogos psicanalíticos com conchas, saibro e areias.

KNOS – Era conhecido como um feiticeiro cigano dos BALCÃS, por ser o
nono filho de uma mesma mulher que havia dado a luz até o seu nascimento a tão
somente filhos homens, KNOS já veio ao mundo predestinado pela Magia, segundo
a TRADIÇÃO CIGANA e a muita outras pertencentes a povos antigos.

Contam os ciganos desta região, até os dias de hoje, que KNOS tinha por
costume afastar-se dos demais por uns tempos indo viver solitariamente nas
florestas, onde dizem, aprendia e trabalha com as KECHALIS (ou fadas da
floresta), espíritos femininos que possuem o DOM de determinarem o destino dos
homens

Por ter sido um excelente preconizador, dizem os contos regionais, que KNOS
o cigano, manteve por toda vida uma caso amoroso com ANA, a rainha das
KECHALIS

Nota: As KECHALIS quando desejavam “aparecer” em mundo físico


tomavam muitas formas concretas, tais como amoras, ameixas, flores, pedras
cobertas de liquem, pássaros, pequenos animais e lindas jovens, que por vezes

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foram vistas a dançarem por sob frondosas árvores. Quem um dia as viu jamais as
esquece...

LILLEKORT, O FEITICEIRO CIGANO – Os ciganos Eslavos temem os


poderes da HOYPIS, vistas como feiticeiras más, e o KAKU LILLEKORT, ficou
famoso por percorrer várias tribos durante as festas de PENTECOSTE (no folclore
cigano a noite de PENTECOSTE é a noite das FEITICEIRAS) para exorcisar os
maléficos das HOLYPIS

REY LAWRING – Uns dizem que este KAKU viveu na Inglaterra, outros na
Alemanha Central, magnetizador por excelência ficou conhecido por suas curas, e
por trazer sempre consigo um exótico e longo cachimbo, que possuía a forma de
uma serpente

JURIM – KAKU SINTI, que por ter nascido com 6 dedos em cada mão era
considerado em meio aos seus como um enviado dos NIVACHIS, espíritos
aquáticos que também possuem este número de dedos. Em sua magia de cura e
seu dom de preconização, usava como veículo a própria água.

SAMPO – KAKU YENISCHE, Natural da Noruega e Finlândia, seu nome na


região significa SORTE, ele foi um KAKU sábio e de poderes

OLAF – KAKU YENISCHE que chegou a ser Chefe de Tribo, natural da


Dinamarca, MESTRE DO FOGO, morreu em idade avançada, muito querido entre
os seus

VLADI (ou VLADIMIR) ZOLIROF – KAKU natural da Hungria, do grupo


ROM, marcou sua presença enquanto viveu; primeiro por sua beleza física (pois os
seres humanos 1o exterior), segundo por seus poderes de magia, e sempre usava
como veículo de seus poderes seu violino, quando tocava olhava em torno e “via” a
sua frente o “oculto” claramente, assim, podia ajudar aos necessitados. Usava
também, sua bengala feita de ouro, era com ela que dava os seus passe
magnéticos que cessavam com as dores físicas psicossomáticas.

PALTE, SIMUM E MATTE – Eram três irmãos de sangue de uma mesma


tribo do grupo YENISCHE que fazia o seu nomadismo, circunscrito ás áreas que
compreendiam as terras de Noruega, Finlândia e Suécia. A particularidade destes
três irmãos é que todos eram HOMENS-ÁRVORES.

PALTE – era um HOMEM-CARVALHO

SIMUM – era um HOMEM-BÉTULA

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MATTE – era um HOMEM-FAIA

Esta “trilogia” é muito rara de vir acontecer em uma mesma tribo, quanto
mais em uma mesma família cigana!!!

NOTA ELUCIDATIVA: Na TRADIÇÃO CIGANA, tal e qual certos homens


de seu povo, muitos países são denominados por nomes de árvores, vejamos
apenas alguns como exemplos:

a RÚSSIA – a bela BÉTULAS


a INGLATERRA e IRLANDA – o místico CARVALHO
PAÍSES ÁRABES – a imponente FIGUEIRA
o DESERTO – a divina TAMAREIRA
a NORUEGA, a FINLÂNDIA,e a SUÉCIA – o forte PINHEIRO
a GRÉCIA – o sólido FREIXO
a ÍNDIA – a mítica ACÁCIA
a FRANÇA – a previdente CASTANHEIRA, cujo fruto: o MARRON (castanha em
francês) é um alimento difícil no inverno
a ESPANHA – a inebriante VIDEIRA
a ITÁLIA – a bonita AVELEIRA
PORTUGAL - a sábia OLIVEIRA
ALEMANHA – a bela NOGUEIRA

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Figuras Femininas

LIZZIE BUCKLAND – Feiticeira Cigana de origem inglesa. Com seu


conhecimento de magia fabricava um título de bolo, um MORRICELO ROMANY,
cujos pedaços de sortilégios eram muito procurados pelos jovens amantes.

PRELUDE – Famosa FEITICEIRA cigana natural da MARTINICA, terra


natal de JOSEFINE, a futura senhora de Bonaparte. Certo dia, PRELUDE,
predisse a JOSEFINE que ela ia a FRANÇA se casar, não seria feliz, iría correr
grande perigo; seu marido morreria de forma trágica, mas faria uma nova união, e
assim começaria uma nova vida triunfante! Terminou vaticinando: “JOSEFINE,
sem serdes rainha, serás mais que rainha, e terás a FRANÇA aos seus pés.”
E tudo correu como o foi dito!

MAMA PADURA – Ser do mundo etérico, o mundo mágico, o MUNDO DOS


ENCANTAMENTOS, muito citada pelo folclore ROMENO como a MÃE DA
FLORESTA. Apresenta-se em MUNDO FÍSICO como uma cigana trajada toda de
verde-musgo, enfeitada por “jóias” da âmbar que vão do amarelo-pálido ao
vermelho (o âmbar é uma resina), sua presença plasma no ar um forte odor de
sândalo. Bela mulher de pele clara e cabelos escuros como também o são seus
olhos, dizem que é comum crianças pequenas romenas verem o seu rosto de olhar
brejeiro a expiar por dentre uma toceira de flores na floresta. É sempre
benevolente co os seres humanos, principalmente com aqueles que se perdem em
seus domínios.

GRIMMA MELLATTI – KAKU cigana viveu em MOVANS-SARTOUX, na


PROVENÇA, FRANÇA. Curava a quem solicitava o seu auxílio através dos seus
extensos conhecimentos sobre a “medicina natural”. Possuía, também, o PODER
DO OLHAR. Pertencia a TRIBO DOS CIGANOS OURSOURIS

CORA LA VINAGRETTE – KAKU CIGANA, curandeira, que detinha o


exótico PODER de curar através do VINAGRE! Pertencia ao grupo MANOUCHE,
e a uma tribo de ciganos “circassianos”, isto é, circences. Famosa enquanto
viveu, CORA LA VINAGRETE legou inúmeras receitas com os seus vinagres a
Tradição do seu povo.

MAMA FRANCESCA – KAKU cigana da tribo GRIORI, curandeira


renomada, detinha também o PODER de “ler” o passado e o futuro na chama de
uma vela. Diziam os ciganos: “Procurem MAMA FRANCESCA e vejam o que lhes
reserva o futuro”. Ela era um MESTRE DO FOGO, condição muito rara entre as
mulheres.

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MAMA BAUNGARTEN – kaku CIGANA DA TRIBO GRIORI, nascida em
BUDAPESTE, na HUNGRIA. Ela possuía um grande conhecimento do PODER
DE MAGIA de certas ervas, de certas pedras, de certas pedras, de certos metais,
da terra, através de certas lamas e de algumas areias especiais.

ODILA – Famosa FEITICEIRA CIGANA que em 1794, em MARSELHA,


profetizou à NAPOLEÃO BONAPARTE: “ Atravessereís os mares. Voltareis, e
então sereis maior do que nunca”. Quatro anos depois, atravessando o
MEDITERRÂNEO, empreendia NAPOLEÃO a “Campanha do Egito”. Regressou a
FRANÇA. Deu o golpe de Estado, que o levou a CONSUL e, depois, a
IMPERADOR! Com isto a FEITICEIRA CIGANA ODILA entrou para a história
da FRANÇA. Muitos quadros célebres foram pintados tendo ela como sua
personagem principal.

MAMA DOLORA – KAKU CIGANA MANOUCHE, origem francesa, possuía


total conhecimento da cura pelas ervas, fogo água e terra. Sabia aplicar como
ninguém a ARGILA DA RAPOSA nos circenses que se machucavam em quedas
durante o trabalho no circo.

MARIE LA JEUNESSE – FEITICEIRA CIGANA com o conhecimento de


através de seus “preparos” perdurar a juventude. Aos 65 anos de idade aparentava
ter 30 anos, assim diziam seus contemporâneos, que o feito registraram
“oralmente” em sua tradição, a Cigana. Já em idade cronológica avançada, mas
fisicamente quase inexistente, provocava paixões por onde passava seu
acampamento. Usava seus mágicos conhecimentos para fabricar cremes, loções,
pós e principalmente famosos perfumes muito procurados pois aumentavam o
charme, o poder de sedução de quem os usava. Suas loções e cremes eram muito
conhecidas por perdurarem a juventude. Teve inúmeros clientes na côrte francesa,
em meio aos burgueses, às “moças de vida fácil”, isto no tempo do reinado de
LUÍS VI.

BERTH BACKT – FEITICEIRA CIGANA de inúmeros poderes e sabedoria,


que foi morta por perseguição religiosa na HEXENTHURM ou TORRE DAS
FEITICEIRAS, nela, as ciganas em geral, as feiticeiras e os ditos hereges eram
confinados para morrerem. Até os dias de hoje existem muitas lendas estranhas
sobre esta torre, que são cantadas em baladas alemãs. Falemos um pouco sobre
esta torre: Na cidade Alemã de HOMBURG DER HOHE, encontram-se duas torres
redondas de outras épocas – relíquias da IDADE MÉDIA. Uma delas é que é
chamada de HEXENTHURM. Muito bela e carismática acendia BERTH BACKT
(ou seja BERTE A SORTE) a ira e a inveja nos puritanos da época. Possuía o
DOM de ler a SORTE de alguém usando para isto qualquer coisa: Seixos, folhas
de chá, cartas de baralho, linhas das mãos e do rosto, pó de giz polvilhado sobre a
água, o umbigo de um recém-nascido, as víceras de uma galinha, um copo de água

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de chuva e etc. Enfim, tudo era o mesmo para ela, simplesmente “VEÍCULOS”
para o seu “poder”, seu dom especial.

BERTH pertencia ao grupo ROM, era bela, pequena, cabelos escuros e olhos
verdes, pele mate, naturalidade Alemã, mas trazia ainda em si fortes traços fortes
traços de uma origem indiano, salvo pela cor de seus olhos. Possuía uma exótica
particularidade, suava sempre a cintura a guiza de cinto, um CHICOTE de cabo de
prata, que na verdade estava ocultamente a simbolizar uma SERPENTE ( no
hieróglifo cigano chicote=serpente), o que denotava ser “ela uma feiticeira,
seguidora de antiga estirpe mágica. Gostava de trajes de cor azul e verde, com
saias e sobressaias em vários matizes destas cores, e assim foi retratada cingida
pelo chicote em bonito quadro a óleo exposto nesta cidade de HOMBURG DER
HOHE. BERTH BACKT a brandir o “seu chicote” no piso de pedra das inúmeras e
estreitas galerias da TORRE HEXENHURM.

MARIE PETITE KRANKNIE – KAKU do grupo SINTI, possuía este apelido


de KRANKNIE (GALINHA), porque como estas aves ela amava os “grãos”, com
eles lia a sorte, confeccionava amuletos e criava jogos, para através deles fazer
seus diagnósticos que ajudavam aos seus pacientes a se libertarem dos males da
mentes e do espírito. Fazendo juz ao seu apelido, possuía os cabelos ruivos e só
gostava de trajar-se de amarelo; em meio as suas correntes de medalhas de ouro,
MARIE misturava longos cordões de fieiras de grão de milho, ou sementes de
girassol e etc.

SANDRA, A SINTI – FEITICEIRA DO GRUPO SINTI, de naturalidade


francesa, vidente de inúmeros poderes paranormais. Possuía cabelos cacheados
cor de cobre, que lhe desciam até a cintura, olhos negros, pele morena, boca
pequena, mas de um sorriso envolvente.

Trazia em si, o DOM DO ENCANTAMENTO PELA DANÇA. Quando bailava


pela noite a dentro em volta da fogueira do seu acampamento, deslumbrava a
todos com sua graça sensual.

Encantado pelos os seus “dons”, com os olhos fixos em seus gestos sinuosos,
todos os presentes a admiravam, mal conseguindo respirar.

Depois de um certo tempo observando a sua dança, todos entravam em


transe, então, neste momento, SANDRA captava suas energias vitalizantes,
reabastecendo-se com elas , tornando-se, então, a cada dia mais bela, mais jovem,
mais ágil, mais forte...

Nunca se soube ao certo em que ano nasceu, somente que morreu em 1898
em Páris, França. Diziam os ciganos SINTIS, que ela deveria esta nesta ocasião

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por volta de seus 70 anos de idade, mas SANDRA ainda aparentava ser uma
mulher moça, no auge de sua exuberância, e seus amantes, que foram inúmeros,
eram sempre jovens.

Muito estranha foi a sua morte, nunca adoeceu, certa noite de plenilunho, em
doce maio de 1898, SANDRA vestiu sua saia de rendas verde esmeralda, sua cor
preferida, afastou-se do acampamento, caminhou para o campo cheiroso de
primavera, deitou-se fitando a Lua e as estrelas, e no dia seguinte seu corpo foi
encontrado já sem vida, mas com um doce sorriso nos lábios. Assim contam os
SINTIS.

À SANDRA, A SINTIS

DANÇA, DANÇA OH SANDRA


POIS É MAGIA A DANÇAR,
A LUA VELA SEUS PASSOS COM SEU POVO A CANTAR
RODOPIAM SUAS SAIAS VERDES
TODAS COR DE ESMERALDA
E AS ESTRELAS DO CÉU
SE TRANSFORMA EM GRINALDA,
QUE SOBRE SEUS CABELOS BRILHA
QUAL CHAMA ARDENTE
MOVENDO-SE AO SOM DA MÚSICA
COMO MÁGICA SERPENTE.

EMMA GALLANTE – KAKU cigana de naturalidade italiana, tinha como ofício


ser CESTEIRA, comum em meio a muitas tribos ciganas, mas os objetos que
entrançava eram especiais: Ela era uma KAKU MAGNETIZADORA, e seus
poderes de Magia eram perpassados para as tramas suas cestas, que mesmo vazias
poderiam estar a conter grandes tesouros ou perigosos malefícios, tudo dependeria
dos propósitos desejados por EMMA. Mas ela era justa, premiava os bons, só
esconjurava os maus. CESTAS desta KAKU, meio feiticeira, poderiam conter um
futuro bebê, um farnéu de proteções para uma longa viagem, um amor, realizações
de desejos, muita sorte, empecilhos diversos, angústias, remorsos, e da por
diante...

SIGRID YENISCH OU IENISCH – KAKU cigana pertencente ao grupo


homônimo a um de seus nomes, e natural da NORUEGA. Sua tribo é considerada
com um grupo CELTA.

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SIGRID por toda vida levou aos necessitados da fria região nórdica onde
habitava a sua ajuda, ela possuía o PODER DO OLHAR, e manipulava com
facilidade a energia telúrica, dizem os contos desta região que esta KAKU cigana
tinha um pacto com os duendes que sempre acorriam em seu socorro quando ela
os chamava.

OLGA HOLPY – Feiticeira cigana de tribo da MOLDÁVIA, possuía grandes


conhecimentos de Magia, exorcisava animais principalmente cavalos (estes tão
ligados a cultura de seu povo moldaviano), mas sua fama em meio aos gadjés veio
pelo sucesso alcançado por seus amuletos: de amor, de sorte, de saúde, de
proteção, de exorcismo, de atração e etc, cuja particularidade era terem a forma de
“rolinhos”

MANUELLE BELLONTE – KAKU cigano do grupo MANOUCHE foi exímia


dançarina e excelente magnetizadora, por isso em meio a seu grupo de ciganos
circassianos era ela a “adestradora” de animais, principalmente das chamadas
“feras” que sob seu comando se tornava dóceis.

RAIZZA DES OURMES – KAKU cigana do grupo SINTI, natural da Europa


Central, vestia-se tão somente de branco, pois seus poderes de Magia estavam
ligados as OURMES ou as MULHERES BRANCAS, seres que habitam as árvores
e são consideradas em meio aos ciganos como as DEUSAS DO DESTINO,
portanto RAIZZA era conhecida como excelente preconizadora.

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ROMANI

Para aqueles interessados em conhecer um pouco do idioma cigano. Abaixo


se encontra um pequeno glossário da língua romani, com algumas palavras cem
CALON (dialeto falado pelos ciganos da Espanha e de Portugal)

ABIÉU – festa de casamento


A LIRI ES YE CRAYI MICOBÓ A LIRI ES CALÉ – A lei dos reis tem destruído a
lei dos ciganos
BAETAS – presentes de batismo
BARO-GRANDE – BARO CUMO – Deus
BENG – demônio, diabo
BIBAXT OU BIBAKT – mau-olhado, toda espécie de azar, doenças, padecimentos
BIBI – tia
BRODE – festa
CANA VURRI TIÇA OLONDI AU MURRÔ CADÉ VURRI TINRROMÉ – Quando
o pão e o sal perderem o sabor, então vocês não terão mais amor um outro
CHAVORRÉ – rapazes, jovens
CHEI – adolescente, a jovem
CHERÔ – vermelho
CHINORRI – criança
CHUQUEL SOS PIRELA, COCAL TERELA – Cão que caminha não morre de fome
CUMO – compadre: CUME – plural de cumo
CÚMURI – ritual cigano semelhante ao batismo
DAI/DEI/DAJ – mãe
DARRO – espécie de urna onde são depositados os presentes de casamento
DEBEL, DEK, DEVEL – Deus
DICRÔ (DIKLO) – lenço (símbolo da mulher casada)
FAMILJA – família conjugal ou família extensa
GADJI – mulher não cigana
GADJÔ – homem não cigano
KALO/CALO (Ô) – negro, cigano ibérico, dialeto deste grupo de cigano;
KALÉ/CALÉ – plural de KALO/CALO. KALO/CALI – feminino de KALO/CALO
KAKO – tio
KISSI – bolso que as ciganas tem por dentro das saias, que funciona como uma
verdadeira caixa-forte, pois lá se encontram dinheiro, talismãs e etc
KRIS – justiça
KUMPANIA – caravana
LACHA – virgindade
LACIO DROM – grata viagem
MALA PAJÉ – má-sorte
MAMI – avó
MARIMÊ – impuros, culpados, coisas ruins

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MULÔ – morto, antepassado – MULÉ – plural de MULÔ
OFISA – local onde as ciganas quiromantes ou cartomantes irão exercer seu oficio;
geralmente a própria casa da cigana é o local escolhido
PAPO/U – avô
PAYO – do dialeto falado pelos gitanos (ciganos espanhóis) – homem não cigano
POMANA – ritual para o morto, culto ao antepassado
PURI – velha, anciã – PURO – velho, ancião
ROM – homem cigano
ROMI – mulher cigana
SOVÊ ABRI – dormir ao relento
STARIPÉN – cadeia, prisão
TAVELERTO – descanse em paz!
TCÊRA/TCHÊRA – barraca tenda
TCHURI (CHURI) – navalha, punhal, faca.
USTILAR À PASTESAS – roubar com habilidade, furtar sem violência. MALADA =
ROUBAR
USTILAR – receber
VITCHA – tribo cigana
VURDO (Ô) – carroça ou qualquer veículo (trailer, camioneta e etc), que os
ciganos costumam utilizar
BERON – carroça
LUBION – bicha
DILILON – maluco
DILILI – maluca
LUBIAN – sapatão

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CIGANOLOGIA

APOSTILA 09 – Tradição e Costumes – Simbologia

Praticamente até o início do século, o Romanê era uma língua ágrafa, mas
com a chegada deste novo século (XX) vários ciganos começaram a se alfabetizar,
alguns por vontade própria, a maioria como uma exigência das leis dos países onde
tinham se estabelecidos. Aprendiam a ler e a escrever na língua vigente do país
onde se encontravam, então, como conseqüência de já possuírem o conhecimento
da leitura e da escrita, e pressionados pelo modernismo galopante deste século,
começaram a sentir a necessidade de criarem uma escrita própria para a língua do
seu povo, o idioma ROMANÊ.

E, assim o fizeram só que escreviam pelo SOM e não por uma gramática em
si, onde a importância dos radicais, das declinações, das conjunções, dos sufixos e
prefixos e etc, baseiam uma “escrita”

Por tudo isto o ROMANÊ é escrito de diversas formas e não tem caracteres
próprios, exemplo:

Na Rússia usam os caracteres do alfabeto russo, nos países Islâmicos, na


Índia, ou no Hebraico, fazem o mesmo, reportando-se aos caracteres dos seus
específicos alfabetos, e é claro que com a escrita OCIDENTAL, repetem o mesmo
hábito.

Um detalhe que devemos atentar é o que de que , como o idioma é escrito


pelo som, aparece de várias formas em cada língua, de acordo com a entonação
vocal que nesta região estão acostumados a estudar.

Por exemplo a Justiça Paralela Cigana é escrita em ROMANÊ de várias


formas, com “sons semelhantes” se verbalizadas:

CHRIS ROMANI – em língua inglesa


CRIS RAMAI – em língua latina
KRIS ROMANI – em língua eslavas
Em russo, mesmo que a grafologia não seja essa, temos o “SOM” de
KRISROMANOSKI

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Voltando ao assunto sobre a alfabetização dos ciganos, tomamos o
conhecimento de que pelo menos até o final da Segunda Grande Guerra a grande
maioria dos ciganos ainda eram totalmente analfabetos, e a “escrita” romanê se já
tinha sido criada, ainda não era conhecida pela maioria do seu povo.

Como é que, então, eles se comunicavam a distância? Como poderiam enviar


seus recados, suas advertências, seus avisos?

A resposta é por SÍMBOLOS, isto é, através de uma “escrita hieróglifa”,


tradicional e básica em todas as civilizações antigas, como os Egípcios, os Etruscos,
os Persas, os Celtas, os Hebreus, etc, pois são inúmeras a registrar.

Não são ricos em detalhes estes símbolos, conformam-se de desenhos


básicos, rudimentares, próprios para serem talhados em madeira (com num tronco
de uma árvore), gravados em metal ou pedra, desenhados em um barranco de
argila, e daí por diante.

Agora, o fato de estes símbolos serem simples, rudimentares, não lhes


diminui o valor inestimável, pois somente há muito tempo foram interpretados por
não ciganos, e assim mesmo baseados em informações fornecidas pelos próprios
ROMS, e na certa nem todos os símbolos existentes são conhecidos.

Durante as Grandes Guerras estes símbolos sempre foram de muita valia para
a sobrevivência dos nômades em geral, incluindo os ROMS.

Através deles se comunicavam alertando, aconselhando, enviando boas ou


más notícias.

Ainda hoje encontramos muitos destes hieróglifos gravados ou entalhados


em “marcos de estrada”, “pontes”, “igrejas ou catedrais”, “portais”,
“muros”, “árvores” e etc, principalmente em terras Européias, onde mais
ocorreram as beligerâncias das suas últimas Grandes Guerras.

Muitos destes símbolos também foram encontrados nos CAMPOS DE


CONCENTRAÇÃO, E NOS DE EXTERMÍNIO, NAZISTAS, onde um cigano que
partia para os fornos de cremação, deixava escrita hieroglifamente uma mensagem
de coragem, solidariedade, esperança, para um seu irmão de raça que por
desventura até ali chegasse, sabia que somente um ROM a entenderia,
interpretaria, portanto era uma mensagem com destinatário certo.

Iniciamos, então, tomando conhecimento de alguns destes SÍMBOLOS, os


mais conhecidos por muito terem sido usados nas últimas Guerras.

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Primeiro é importante que saibamos que 13 (treze) são os animais que
estabelecem correspondências simbólicas dentro da TRADIÇÃO CIGANA.
Para que fossem “escolhidos” tiveram que passar pela triagem secular feita pelo
senso de observação aguçadíssimo dos ciganos, foram estes animais
observados como agem em seu habitat, em meio aos pares, seu código de honra,
sua degeneração de comportamento (se houver), sua forma física, suas qualidades
instintivas, enfim, em cima de tudo isto foi criado um desenho, UM SÍMBOLO,
com significado sucinto, real e prático. São eles:

O LOBO – Representa a LEALDADE, A HONRA E A RESITÊNCIA.


Este animal é respeitado por sua resistência e seu senso de honra: O LOBO
não comete crimes entre congêneres; só mata para comer ou para eliminar um rival
no amor.
HIERÓGLIFO: É uma boca escancarada.

------------------------------------------------------------------------------------------------------
A ÁGUIA – é LIVRE, ALTIVA, CORAJOSA, e no cativeiro refratário à
domesticação.
Simboliza a LIBERDADE, o ORGULHO, a CORAGEM, a FORÇA e a
VIOLÊNCIA
HIERÓGLIFO: o pássaro a bater,portanto é um ALVO.

------------------------------------------------------------------------------------------------------
O GATO - Representa a “DISPONIBILIDADE PERMANECE”, a PACIÊNCIA, a
INDIVIDUALIDADE e a MEDITAÇÃO. É TRAIÇOEIRO e ao mesmo tempo
LEAL, por isto também representa a AMBIVALÊNCIA.
HIERÓGLIFO: Um olho

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A SERPENTE – É um símbolo sexual, significa a força, a sabedoria, a
energia primordial, e também, a feminilidade.
HIERÓGLIFO: É um CHICOTE

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O RATO – É admirado por sua INTELIGÊNCIA E ORGANIZAÇÃO da sua
horda.
HIERÓGLIFO: É um CARACOL

------------------------------------------------------------------------------------------------------
O VAGA-LUME – Que a luz do dia é uma criatura insignificante transforma-
se à noite numa pequena e brilhante estrela que se move.
SIMBOLIZA O GUIA
HIERÓGLIFO: Uma lanterna ou um candeeiro.

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MORCEGO – Orienta-se com perfeição no escuro
SIMBOLIZA – A LUCIDEZ, ele é a “não percepçao da mentira”, e a
“visão além das aparências”.
HIERÓGLIFO: Um olho, uma orelha e um traço horizontal, que é o traço da
perfeição em navegação.

------------------------------------------------------------------------------------------------------
O MOCHO OU CORUJA – Enxerga somente a noite, simbolizando então,
perfeitamente, a VIDÊNCIA-SENSORIAL.
SÃO DOIS SEUS HIERÓGLIFOS: A meia lua deitada com dois olhos, ou a
estrela de cinco pontas com dois olhos.

------------------------------------------------------------------------------------------------------
O SAPO – Representa a LUZ, o OLHAR DA ALMA, a FEMINILIDADE e a
FECUNDIDADE, porque a forma de seu corpo evoca a de um útero revirado.
HIERÓGLIFO: Uma meia lua deitada com um olho aberto no seu cimo.

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A RAPOSA – Representa a ASTÚCIA e a SABEDORIA.
HIERÓGLIFO: É o “olho que tudo vê”, a “orelha sempre alerta”, e a
“meia lua da sabedoria”

O LAGARTO – É a encarnação da FRAGILIDADE, ele corresponde ao


CRISTAL no plano mineral.
HIERÓGLIFO: É uma BENGALA QUEBRADA, sem dúvida é assim
representado devido a cauda que o LAGARTO perde quando o querem agarrar.

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A POMBA – Este animal para muitos é o emblema da paz, o símbolo do
Espírito Santo, mas para os ciganos que como ninguém sabe observar o
“verdadeiro” comportamento animal, a POMBA é a própria encarnação da
crueldade, é o único pássaro que mata simplesmente por prazer de matar. Ela
não tem nobreza como o Lobo, é um animal ESTÚPIDO, OBEDIENTE EM
DEMASIA.
HIERÓGLIFO: É o MACHADO, pois ele é o símbolo da destruição insensata.
É a arma do verdugo e a do lenhador que destrói as florestas.

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O CORVO- É o enviado da SABEDORIA, da JUSTIÇA, da REFLEXÃO e da
HONRA.
O CORVO que faltou com as suas leis, suicida-se deixando-se cair com uma
velocidade vertiginosa.
HIERÓGLIFO: São duas meias-luas, uma em face de outra. É o símbolo da
JUSTIÇA.

A RODA, O POVO DO CAMINHO, OS CIGANOS

TRONCO PARTIDO, O MESMO QUE PERDA, MORTE

SIGNIFICA ESTRADA

SIGNIFICA INFORMAÇÃO

IGREJA OU PROTEÇÃO

SIGNIFICA SORTE OU ESPERANÇA

PRAÇA OU ÁDRIO

CLAREIRA NA FLORESTA

UMA PONTE

ALIANÇAS ENTRELAÇADAS, PEDIDO OU NOTIFICAÇÃO DE


UM CASAMENTO, UNIÃO OU SOCIEDADE.

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SIGNIFICA ÁRVORE

SIGNIFICA FLORESTA

UM RIO

O MAR

MONTANHA OU MONTE

OBSTÁCULO

KUMPANIA, AGRUPAMENTO DE VÁRIAS FAMÍLIAS, ACAMPAMENTO

KUMPANIA EM MOVIMENTO, VIAJANDO

ESCONDERIJO SEGURO

AMOR, PAIXÃO

Na página anterior foram citados alguns dos muitos símbolos pertencentes à

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TRADIÇÃO CIGANA, que ao serem encontrados foram decifrados.

É importante que tomem conhecimento pelo menos destes, para que possam
vir a entender a genialidade da “ESCRITA HIERÓGLIFICA”, sua praticidade e
objetividade.

Abaixo serão transcritos alguns exemplos de “ESCRITAS HIERÓGLIFICAS


CIGANAS”, encontradas em inúmeros lugares, por este mundo a fora no geral,
mas em maior número em terras Européia.

Em um marco de estrada na região da Provence, França:

Informa aos demais ROMS que aquela via é um excelente


caminho de fuga, mas deveria ser transitado em estado
de alerta.
------------------------------------------------------------------------------------------------------
Em um canto de uma Catedral na Itália

Organização de grupo leal a um guia, encontro nesta


Igreja
------------------------------------------------------------------------------------------------------
Gravados em Árvores das Florestas Húngaras, Austríacas, Alemãs e etc

Pedido de casamento

Festa de casamento em acampamento próximo

Declaração de Amor, Paixão

Solicitação de encontro amoroso as escondidas

União entre dois Chefes de KUMPANIAS, por


casamento de seus filhos ou de Sociedade em
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Gravações encontradas em CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO NAZISTAS:

Morte com Honra

Liberdade e Justiça após a Morte Física

Vida além da Morte, Vidência extra-sensorial.


Coragem Ciganos!

316 Crianças ciganas mortas

Unidos no AMOR além do sacrifício e da morte.


Mensagem de amor, a última por certo,
escrita por um(a) cigano(a) ao seu Amor

A MORTE é uma ponte que me UNE finalmente ao


meu amor Amor Cigano
------------------------------------------------------------------------------------------------------
Em vários lugares (árvores, muros, templos, pontes e etc) da Polônia,
Iuguslávia, Romênia, Húngria...

Estrada Traiçoeira, perigo!

A Morte da JUSTIÇA – INJUSTIÇA

Fragilidade de Informações, medite no melhor a fazer


LUCIANA HENUD – ou
TEL.Permaneça
(21) 3326.33.37 -no mesmo lugar.
luhenud@hotmail.com 116
Nascimento de criança cigana em acampamento
que neste lugar esteve
Sabedoria, veja através das aparências
e não confie em quem o guia.

Perigo na Floresta

Esconderijo frágil, já descoberto

Água por perto (água potável)

Estrada que leva a beira-mar

Medite com lucidez, inimigo forte e violento,


esconderijo na montanha próxima

Ciganos resistam, CORAGEM!!!

Organize sua Kumpania (seu grupo)

LUCIANA HENUD – TEL. (21) 3326.33.37 - luhenud@hotmail.com 117


Desconfie de quem o guia ou de informações,
veja além das aparências!

Desconfie, o que parece ter honra será o carrasco

FORÇA E SABEDORIA eliminam a estupidez e


vencem a crueldade

Nota: Diz a ANTIGA TRADIÇÃO que por SIMBOLOGIA falam os deuses,


todas as falanges ANGÉLICAS, os MESTRES e até os DEMÔNIOS, os povos
antigos sabiam disto, por isto os imitavam usando uma grafia HIERÓGLIFICA,
uma “escrita” sagrada, mágica, e o seu poder concentrava-se no oculto, no
mistério, nos segredos...

NÃO CIGANOS, OBSERVEM COM ATENÇÃO


A SABEDORIA CIGANA

CIGANOLOGIA

APOSTILA 10 – Tradição e Costumes – Simbologias da


“Estrada”...Horóscopo na Tradição Cigana

As SIMBOLOGIAS DA ESTRADA demonstram por demais a criatividade e a


inteligência dos ciganos.

O grupo dos Yenisch comunicava-se com a ajuda do carvão e da greda


(rocha calcária argilosa de coloração branca = giz), os do grupo KALDERACH
passavam suas mensagens no estanho e escondiam-nas ao pé das árvores que
tinham placas de proibição. O interessante é que o cigano ao qual foi endereçada a

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mensagem mergulhava de novo num banho de metal em ebulição a barra
hieroglífica, destruindo o que ele tinha decifrado em segredo, portanto não existem
atualmente amostras destas barras de estanho, apenas o não autênticos, que
servem somente como demonstração de como eram as “verdadeiras”.

Outras tribos também possuíam o seu modo próprio de fazerem as


SIMBOLOGIAS DE ESTRADA, muitas utilidades elas tiveram, mas infelizmente
faz mais de meio século que não são mais utilizadas como meio de comunicação.

Para decifrar uma mensagem nestas barras de estanho era preciso


primeiramente colocá-lo diante de um espelho; esta precaução tinha também um
sentido simbólico, pois o espelho, segundo os ciganos, é a lua de prata com reflexo
do sol de ouro, o que quer dizer que reflete a luz do saber. Folha de estanho ou de
cobre para artesanato.

Estes SINAIS ou SÍMBOLOS podem mesmo diferir no interior de um mesmo


clã, de tribo para tribo.

Existem na verdade dois tipos de sinais: Os inscritos na natureza, estes muito


difíceis de serem interpretados por não ciganos, que eram feitos com o
desfolhamento das árvores, ou a colocação de torrões de terra no chão, ou um
punhado de mato por sua cor...Se encontrarmos numa moita à beira da estrada
uma tira amarrada a três galhos que formam um triângulo, isso quer dizer:
“Encontro na próxima encruzilhada”. Quatro ramos de acácia desfolhados quase
até em cima significam: “Ficaremos quatro dias no lugar que conheces“. E não
basta conhecer a significação geral destes SINAIS, é preciso ainda “saber
descobri-los”, depois interpretá-los corretamente. Saber “LER” um punhado de
mato por sua cor é uma aprendizagem que não se faz de um dia para o outro.

E depois é preciso saber-se onde se encontram esse gênero de sinais, que na


maioria das vezes estão em lugares mais ou menos dissimulados.
Cito aqui um sinal de folhagem muito lindo, ele é íntimo, secreto; duas
plantas ligadas podem ser um juramento de amor ou anunciar noivados. Esse nó
de amor em forma de arco simboliza a cópula. Foi feito com o orvalho, isto é, no
momento do dia em que o sol nascente faz chorar as lágrimas da noite que
regeneram a natureza. Assim juntas essas duas plantas, recebiam o calor do sol e ,
no crepúsculo, ricas da seiva que as irrigava, erguiam-se direitas, uma ao lado da
outra, como um casal apaziguado após o amor.

Esses sinais de folhagem datam da época em que ainda não havia


automóveis, pois só podiam ser descobertos de um cavalo a passo. Hoje em dia,
as tribos dos Meyer, Gronach ou Demestre só utilizam os sinais e “TERRA”, visíveis

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a grande velocidade, e isto em estradas européias. Descobre-se às vezes pelos
caminhos da FRANÇA, 3 torrões de terra postos em plena estrada significa, por
exemplo, que é preciso tomar a terceira estrada à direita.

É incontestável um sinal de ciganos circassianos, pois a terra empregada é


“virgem”, isto é, sem mato por cima. É um sinal dito de “velocidade” que deve
ser ligo nas 24 horas. Os intervalos entre os torrões de terra indicam geralmente a
tribo que os colocou. Por exemplo, os torrões colocados pela tribo dos Meeyer são
assim: XX X, já os da tribo dos Amedey são desta forma: X XX, e daí por diante
no que se refere às outras tribos.

O outro tipo de sinal cigano são os símbolos hieróglifos dois quais começaram
a falar na apostila anterior. Nesta faremos de outros, que simbolizavam cidades,
situações...

Quando os ciganos levantavam acampamento deixavam em meio às brasas


agonizantes de sua fogueira alguma mensagem em hieróglifo para seus irmãos que
por ventura ali viessem acampar, ou então em alguma das pedras do rio ou riacho
que por perto passasse os ciganos sempre acampam perto de onde há água.

Vejamos agora os “Sinais de Situações”:

Exemplos de alguns sinais que encontram sobre pranchas, portas ou marcos


quilométricos, informando ao cigano dos perigos ou das condições particulares do
local.

O sinal de perigo de morte entre os Yenisch era um círculo descentrado;


expressava uma anomalia da vida, de trabalho, de insegurança.
Ei-lo aqui:

O perigo para os MANUCHE circassianos era uma sigla mais representativa,


de expressão mais acessível. Um triângulo com a forma de mandíbulas e uma
flecha convida a afastar-se da fachada onde se encurralavam as feras em seus
circos.
Ei-lo aqui:

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O sinal de perigo para os ciganos KALDERASCH esquematizava a boca: dois
lábios que sopram: quando o via as crianças ciganas se afastavam. No século
passado, os kALDERASCH, exímios no trabalho com metais, indicavam através
deste sinal a direção do vento que carregava os vapores nocivos dos ácidos
utilizados no trabalho do metal.
Ei-lo aqui:

Outro hieróglifo interessante é o que simboliza a A AVENTURA, ei-lo:

E este quer dizer “AO ACASO”:

Um muito bonito e simbólico é o hieróglifo que representa a LIBERDADE, a


grande máxima de vida cigana, cujo desenho é uma estrada em meio a um par de
asas. Ei-lo abaixo:

Quanto aos símbolos que representavam cidades, dou como exemplos alguns

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relativos a lugares da FRANÇA:

DREUX (uma coroa):

NOGENT-LE-ROTROU (Um trapézio dentado):

ST. ELIPH (Um círculo encimado por uma cruz):

VERNEUIL (Uma folha):

BROU (Três Tridentes):

CONDÉ-SUR-HUISNE (Um “H” cujo braço direito se acha delimitado):

LA LOUPE (Uma fogueira):

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CHARTRES (Um triângulo com 3 círculos atravessados por um traço na
horizontal):

SANTE-MARIE-DE-LA-MER (Uma meia lua que representa a barca, e 2


triângulos encimados por 2 círculos que representam as 2 MARIAS DO MAR):

CATEDRAL DE NOTRE DAME DE PARIS:

Outros dois SÍMBOLOS muito interessantes veremos a seguir:

PONT-NEUF em Páris, ponto de encontro de ciganos do mundo inteiro.


No seu hieróglifo cigano ela é representada em chamas, uma alusão de que foi
sobre esta ponte queimada em enorme fogueira o mestre dos TEMPLÁRIOS,
JACQUES DE MOLAY, num 18 de março precisamente. Por muito admirá-lo, os
ciganos perpetuam o seu sacrifício e a injustiça de sua morte retratando sempre a
POINT-NEUF em chamas:
Ei-lo aqui:

Outro símbolo hieróglifo cigano é o de PÁRIS, mas não a PÁRIS


da TORRE EIFFEL ou do ARCO DO TRIUNFO, mas o da ILHA DA

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CITÉ, e da POINTE DU VERT-GALANT. É a PÁRIS do fim da IDADE MÉDIA,
quando só então os ciganos entraram na FRANÇA. Em toda a Europa jamais um
cigano vai se esquecerem deste símbolo, principalmente os muitos que estão em
terras francesas.
Ei-lo aqui:

Símbolo de SANTA SARA

A seguir tomaremos conhecimento do HORÓSCOPO CIGANO. Surgiu no


início deste século ainda muito primitivo, com o passar dos anos foi se elaborando
até chagar aos dias de hoje com seus símbolos dentro da TRADIÇÃO DA
CULTURA CIGANA, e sua interpretação calcada no forte intuição que os ciganos
possuem,

TAÇA – 21 DE JANEIRO A 19 DE FEVEIRO

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As pessoas do signo da TAÇA é naturalmente orgulhosa e
se esforça muito para progredir, tanto material, como
espiritualmente.
Os nativos deste signo são muito inteligentes e inovadoras,
outra qualidade importante que possuem é a bondade.
Gostam de ajudar os outros e serem úteis para a sociedade.
Visionários enxergam além de seu momento e por vezes de
seu século. Sua vida sentimental é um tanto instável. Troca
de parceiro sem pestanejar quando percebe que a
companheira(o) não preenche seus anseios, enfim, não é a
CAPELAS – pessoa com quem sonha viver
20 FEVEIRO A
20 DE MARÇO

Altamente místicos e leais, são os nativos sob o


signo de CAPELAS.
Muito sensíveis, desconfiados intuitivos, eles
procuram conhecer bem uma pessoa antes e se
ligarem a ela, seja por motivo pessoal ou
profissional. Não gostam muito de agitação,
preferem pessoas e lugares tranqüilos. Embora
sejam tímidos em sua maioria, têm a
personalidade forte e firme. Em geral demoram
para decidirem algo, como selarem uma
sociedade, ou se apaixonarem e casar.

PUNHAL – 21 DE MARÇO A 21 DE ABRIL


Impulsividade e sinceridade são as principais
características das pessoas que nascem sob o signo
do PUNHAL.
Dotadas de grande energia interior estão sempre a
procura de ação, têm ótima capacidade de trabalho e
demonstram honestidade em todas as situações, Só
LUCIANA HENUDprecisam controlar
– TEL. (21) 3326.33.37 seus impulsos de ira, dominação e
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possessividade, para não ferir as pessoas que estão a
sua volta.
COROA – 21 DE ABRIL A 20 DE MAIO

É o signo de pessoas muito românticas, sensuais,


sensíveis, que sonham encontrar um grande amor e viver
para sempre com ele, como o casal mais perfeito do
mundo. Os nativos de COROA têm mania de perfeição.
Envolventes e carismáticos, são bem sucedidos com o
sexo oposto.
Quando eles têm uma decepção amorosa sofrem muito e
demoram a se recuperar, pois são muito apegados a tudo
e a todos que os fazem se envolver sentimentalmente.
Voluntariosos, conservadores, trabalhadores, obstinados,
são predestinados a assumirem postos de lideranças
CANDEIAS – 21
DE MAIO A 20 DE
JUNHO

Quem nasce sob o signo de CANDEIAS pode se


considerar um“iluminado”.
Isto porque vive despreocupadamente: aceita e adapta-
se perfeitamente a mudanças e não se liga muito em
dinheiro.
São pessoas altamente criativas e por vezes
inconstantes.
Se têm o suficiente para viver bem, não se desgasta para
ganhar mais. A facilidade de comunicação e dons
artísticos são pontos fortes dos nativos deste signo. Seu
estado de espírito é oscilante, por vezes muito alegres,
RODA – 21 DE em outras muito tristes. O mesmo ocorre com o seu
JUNHO A 21 DE humor, ora bem, ora mal.
JULHO

As pessoas que nascem sob o signo da RODA são muito


sensíveis.
Em geral, deixam que a emoção predomine em sua vida.
No seu lado profissional é criativo, e no amor exigem
perfeição e muito romantismo da pessoa amada, por isso
acabam se magoando com facilidade. Têm costume de
proteger as pessoas que amam e, para vencer em todos
os setores da vida precisam driblar sua natural tímidez.
ESTRELA – 22 DE
JULHO A 22 DE

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AGOSTO

Quem nasce sob o signo da ESTRELA é um líder nato:


exerce sua natural dominação em qualquer situação.
Dotados de forte magnetismo, essas pessoas buscam o
desenvolvimento espiritual, mas são facilmente
sugestionáveis. Por isso precisam lutar para não
captarem energias negativas. Otimismo e idealistas,
sabem perdoar como ninguém e estão sempre repletos de
amor para dar. Por serem pessoas altamente Positivas,
devem estar sempre atentas para que o Negativo não as
SINO – 23 DE prejudique.
AGOSTO A 22
DE SETEMBRO

A pessoa que nasce sob o signo do SINO é extremamente


exigente. Criticar as outras pessoas e a si própria é com
ela mesma. Muito corretas, perfeccionista em tudo, são
ótimos amigos e sabem a hora certa de prestarem ajuda e
darem conselhos. O nativo deste signo sempre espera ser
admirado e recompensado por seu trabalho e dedicação a
pessoas. No amor, não vive de sonhos, prefere conhecer
bem a outra pessoa antes de iniciar um romance.

MOEDA – 23 DE SETEMBRO A 22 DE OUTUBRO

Para a pessoa do signo da MOEDA viver bem, todos os


setores de sua vida tem de estar em ordem, em perfeita
harmonia. Brigas e desentendimentos não fazem parte do
seu mundo, sabe como ninguém contornar os atritos a
sua volta, pois possuem o dom da “força do equilíbrio”,
sempre consegue evitar problemas com dinheiro. Muito
sensível no amor, exige exclusividade e só se apaixona se
ADAGA – 23 DE a outra pessoa transmitir segurança.
OUTUBRO A 21 A impulsividade é a marca daqueles que nascem sob o
DE NOVEMBRO signo da ADAGA. Se não se controlarem, perdem a
paciência com facilidade. Ao mesmo tempo esbanjam
generosidade e são capazes de abraçar as causas mais
difíceis. Gostam de estar sempre se renovando e
buscando
LUCIANA HENUD sua evolução
– TEL. (21) 3326.33.37 espiritual, por isso, não se ligam 127
- luhenud@hotmail.com
em dinheiro. Altamente sensuais tem o AMOR como o
principal objetivo da vida
MACHADO – 22 DE NOVEMBRO A 21 DE DEZEMBRO

As pessoas que nascem sob o signo do MACHADO


são bondosas e envolventes, mas também
arrebatadas e firmes quando querem atingir um
objetivo. Precisam lembrar que generosidade demais
pode resultar em prejuízos,para si próprios a
aprender a dizer não na hora certa. Brigam pela
LIBERDADE e gostam de decidir a própria vida.
Detestam atividades rotineiras e horários .

FERRADURA – 22 DE DEZEMBRO A 20 DE JANEIRO

Ambição é a característica marcante do signo da


FERRADURA, persistente a pessoa deste signo é aliada
da prudência e perseverança.
Calculista em tudo o que faz, não ousa ter sonhos
impossíveis. Somente o AMOR pode tirá-lo desse seu
ritmo metódico. Vive intensamente suas paixões e luta
até o fim para que elas terminem. Suas crises de
melancolia só são superadas com forte doses de bom
humor

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CIGANOLOGIA

APOSTILA 11 – Tradição e Costumes

Nascimento: Ao nascer, a criança recebe, secretamente, seu primeiro nome


soprado pela mãe, que não será conhecido por ninguém, nem pelo próprio pai. O
“nome secreto” é para preservar a criança das tentações dos demônios, dos
entes desconhecidos e dos duendes. Os maus espíritos para azucrinar as pessoas
chamam pelo nome e a pessoa olha. A atenção dada a “eles” destroem as
“defesas psíquicas”, assim acreditam os ciganos. Se ouvirem uma voz, um
chamado, os ciganos podem até olhar para traz ou em torno, mas não dão atenção,
porque ignoram o seu primeiro nome. Eis a “proteção”, através dos tempos.

Simultaneamente ao primeiro nome, acontece a primeira mamada, com o


“leite negro” denominado em romanê de DGDBAO-KALIBÓ (colostro), para
preservar a criança das doenças, das pestes, dos males que deformam e enfeiam,
das privações, das misérias, das perseguições.

Será o “leite negro” a primeira vacina? Sim, de há muito que os ciganos


conhecem a sua importância medicinal, vital...

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A criança também recebe um segundo nome que será conhecida por todos os
ciganos e um terceiro nome conhecido pela comunidade do país, ou da região onde
está. É como um registro civil.

O primeiro banho da CHINORRI (criança em romanê), e preparado com


água puríssima, um cálice de bom vinho, moedas ou jóias de ouro.

SIMBOLOGIA: ÁGUA – purificação

VINHO – Vigor, alegrias, são as bênçãos da MÃE TERRA que se miscigena,


com a ÁGUA

MOEDAS OU JÓIAS DE OURO – abundância, riquezas, muita sorte...

NOTA: A CHINORRI cigana é sempre batizada quase que recém-nascida.

A menina, desde recém-nascida, é paparicada por todos com ternas


expressões, sóbrias, como se a recém-nascida já fosse um adolescente, um
interlocutor, ouvindo expressões místicas, conselhos e determinações de
comportamento futuro, recomendações cautelares...

Já quanto aos meninos, todos os velhos, Barôs, Phuri-Dai, Kakus,


transmitem, periodicamente, à eles, em todas as suas fases etárias, em que eles
crescem, desenvolvem-se, enfim se tornem homens, a importância das partes
físicas de seu corpo, da mente, da mente, da alma, dos sentimentos, da coragem,
da força, e da astúcia do PAI, que são transferidas para ele, e que, quando, atingir
a idade do ABIEU (CASAMENTO), ele por certo será a “encarnação” plena de seu
pai.

Neste caso o PAI não é invejado, nem temido, é um “igual”. O filho não é
apenas a “imagem” e “semelhança” do pai: “O FILHO É DO PAI”.
Imaginário? Simbólico? A “realidade física” e a “realidade espiritual” se encontram,
há uma sinceridade.

Mas quanto a lista das práticas que envolvem o nascimento seria longa e
diversificada quanto os precedentes, e constituiria mais um “inventário de
costumes” de que “ritos” propriamente ditos.

Alguns temas universais, ou quase, podem ser considerados como referências


de um subestrato cultural original, e os ciganos são os primeiros a acreditar nisto,

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como o fazem a maioria dos ciganólogos.

O que é de certo é que todos os recém-nascidos em tribos ciganas serão


sempre batizados nos “ritos de seu grupo”, na religião Cristã, seja ela
Ortodoxa, Romana, Luterana e etc..Ou então, na religião Islâmica.

Mas é antes que este “batismo ritualístico tribal” ocorra que as ciganas
fazem seus “ritos de Tradição”:

Entre os ciganos dos BALCÃS cortam-se os cabelos dos recém-nascidos, e


este rito foi “absorvido” por eles das IGREJAS ORIENTAIS (Católica Ortodoxa
Russa, Maronita, Grega e etc), e depois transportados por eles próprios para o
ocidente.

Nota: No entanto há tribos que só dão o primeiro corte no cabelo dos


MENINOS aos oito anos de idade, quem corta é o PADRINHO.

Entre os KALDERASH, originários da Europa do Leste, as URSITORY são 3


FADAS que presidem os nascimentos. A presença das fadas o lado do berço é
encontrada no Ocidente em vários romances da Idade Média, nos quais as 3 fadas
“vem adotar” como “madrinha” as crianças no seu nascimento. Essas “DAMAS
BRANCAS” (como são chamadas), se parecem mais as descendentes diretas dos
PARQUES, divindades do DESTINO, identificadas AS MOIRAS GREGAS.
Elas eram três: CLOLHO, LACHÉSIS E ATROPOS (em latim NONA, DÉCIMA,
E MARTA), que presidiam sucessivamente o nascimento, a vida e a morte dos
humanos.

Também as URSITORY podem ter uma analogia com as 3 deusas da


TRINDADE INDIANA.

As URSITORY, como boas “fadas-madrinhas” presenteiam o recém-


nascido com DONS que variam entre a inteligência, a beleza, a astúcia, a coragem,
a força de vontade, a riqueza, a intuição e a sorte.

Já o estudo das escolhas dos nomes permite encontrar regras de transmissão


em uso nas regiões onde os ciganos estão instalados.

Esses “homens” geralmente correspondem aos SANTOS PATRONOS dos


santuários de uma região.

DANILO, NICOLAS, MIRKO, situam as origens tais como OLGA, IDA YOCHKA,

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BOBO, e também como FERNANDO, ANGELO, PAULÍNIA, HIPÓLITO; a tal
ponto que um especialista em etnologia pode encontrar os lugares de nascimento
dos nômades apenas através deste indício.

O retalhamento que resulta disto antecipou, no calendário pluricultural, santos


a imagem da Europa, do mundo, de amanhã.

Os sobrenomes servem, para mascarar a identidade para o mundo exterior e


para distinguir os indivíduos na presença de numerosos casos de homônimos:
estes “sobrenomes” existiam em todos os grupos, mas ainda hoje existem nos
vilarejos da Europa. Mas os múltiplos nomes ainda são freqüentes entre os
ciganos.

SLAVA: Ao nascer a criança cigana é consagrada a um SANTO PROTETOR


em especial, que foi escolhido de acordo com uma mensagem recebida por seus
pais “através de sonhos”, “avisos”, ou por alguma “graça” recebida de uma
promessa anteriormente formulada a um determinado santo, ainda então, pela
parturiente.

O RITO DA SLAVA é a homenagem prestada ao SANTO PROTETOR

Anualmente ele é realizado pelos pais da criança com a presença da família.


Quando morrem os pais, mesmo que esta criança já seja um adulto, ele continuará
comemorando a sua SLAVA pelo resto de seus dias.

Este RITO ocorre uma vez ao ano, no dia consagrado ao santo escolhido.
Além da família também são convidados os amigos muito considerados,
poderão ser gadjés ou não. Todos se reúnem à mesa na qual serão servidos pães,
frutas diversas, e outras iguarias.

A Cerimônia ou Rito em si: Ao centro da mesa coloca-se a imagem do


Santo Padroeiro a ser homenageado, uma vela branca ornamentada com fitas
coloridas e arranjos florais, pão redondo (o MANRÔ) feito em casa, e uma garrafa
de um bom vinho.

O Ritual tem início às 12 horas (meio-dia). Aos se acender a vela, o pai e o


filho (a), juntos, próximos da cabeceira da mesa (um frente ao outro), pegam o pão
e começam a girá-lo, lentamente, pronunciando palavras de agradecimento,
enquanto um parente próximo (ti, avô, irmão) derrama um pouco de vinho em
quatro partes do pão. Na medida em que o vinho é derramado, o pai e o filho
beijam a parte molhada.

Logo após, partem o pão com as mãos em dois pedaços e o recolocam no

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mesmo lugar.

No decorrer do dia serão servidas as iguarias, mais as frutas, os ciganos


cantam, dançam e celebram com alegria a SLAVA.

O término da festa acontece exatamente às 18 horas. Os pais, numa oração,


reforçam seus pedidos e agradecimentos ao Santo homenageado, e apagam a vela
com um pedaço de pão benzido. Caso não estejam mais vivo o pai, a mãe, ou
ambos, o “PROTEGIDO” fará sozinho todo o ritual.

MAHRIMÉ, MARIMO: Impureza Feminina

Desde que é estabelecido o compromisso de casamento da CHEIROMNI


(jovem cigana em romanê), tudo é azafama nas famílias: dote, programação das
festas, 3 dias de banquetes. As datas são estabelecidas pelas mães e madrinhas,
elegem, sempre, o período fértil – a procriação é idéia fixa nas famílias ciganas e,
desde assumido o compromisso do casamento só ocupam pensamentos e atos para
assegurar gestação tranqüila e filhos perfeitos. Tudo com a supervisão da PHURI-
DAI – MATRIARCA.

Durante as festividades do casamento, denominado em romanê de ABIEU, já


são fervorosamente iniciadas orações, promessas, exorcismos e oferendas
cabalísticas, iniciando alimentações adequadas para a futura gestante e a futura
criança que ainda está por ser concebida.

Da superalimentação que continua durante toda a gestação, são reduzidos os


doces e cereais, por serem TABU, predominando exageradamente os alimentos
derivados de animais, condimentados, leite, queijos e derivados, galanteeis de
confecção doméstica, ovos e ovas. Até o término da gestação a gestante adquiriu
em média 18 quilos.

Há um doce Ritual, cujo nome é CIVIACO, que é consumido pela gestante,


largamente, com chá a moda cigana.

A gestante, objeto de total atenção, dos velos e projeções, é preservada até


de ver e de ouvir fatos desagradáveis, aleijões, notícias de morte, até de ver
máscaras e fotografias feias.

Ela deve ficar cada vez mais bonita, gorda, viçosa, alegre, movimentada,
feliz = XUKHAR em romanê, dado que os ciganos tem como certo que a gestante
partilha o seu corpo e sua alma para completar o corpo e alma da futura
CHINORRI.

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Só a partir do sexto mês começam a fazer o enxoval da criança.

FALEMOS AGORA MAIS ESPECIFICADAMENTE DA “MAHRIMÉ”

A impureza inerente a certos momentos da vida sexual da mulher –


menstruações, partos, é uma concepção compartilhada pela maioria das sociedades
tradicionais. Variando de um grupo cigano para outro, o comportamento das
regras que impedem a mulher de comunicar (transmitir) esta forma de “sujeira” é
designado pelo termo MAHRIMÉ OU MARIMO.

Mencionadas em muitos textos, essas práticas só aparecem em forma de ritos


definidas desta forma em alguns grupos ciganos vindos da Europa Central, na
França, e nos Estados Unidos.

Também encontramos MAHRIMÉ ou MARIMO na cidade do México, entre


os ciganos que praticam a circuncisão.

Na verdade a prática da MAHRIMÉ é de influência árabe, como o mostra


claramente a raiz tirada do SEMÍTICO comum, da palavra MAHRIMÉ:
H RM, HARÉM =PROIBIDO. Não se trata somente de uma aproximação de
dialeto, mas de uma concepção comum da impureza que a ocupação dos países da
Europa Central pelos TURCOS pode explicar.

RITOS DA MAHRIMÉ: A mãe parturiente é posta em quarentena e passa


também pelo rito da purificação. Durante este período de 40 dias e TABU faz
com que “ela” seja proibida de ver qualquer homem, não deve jamais ficar só,
muito menos no escuro, pois acreditam os ciganos, que neste período ela se
encontra vulnerável e, portanto sujeita às influências maléficas sobrenaturais.

Também por estarem mais enfraquecidas, podem pegar doenças ou transmiti-


las, evita-se ao máximo a presença de pessoas junto à parturiente, ela deverá estar
forte para cuidar do seu bebê. Portanto a MAHRIMÉ também é uma forma de
proteger, de resguardar a parturiente de problemas de ordem física, emocional ou
espiritual.

Durante o tempo em que transcorrer a MAHRIMÉ, a parturiente só poderá


tocar os objetos absolutamente necessários, e estes que foram usados serão
queimados após o término da quarentena. Ela também não poderá ir à fonte, rio,
etc, para buscar água, nem tocar o pão ou outros alimentos que serão consumidos
por sua família, somente tocará nos seus alimentos.

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Depois do término da MAHRIMÉ ela volta a sua vida normal.

Nota: Devo registra que esta reclusão, a MAHRIMÉ ou MARIMO, em


nossos dias foi diminuída em seu rigor para 15 dias no lugar de 40.

RONTAMENTO = TESTE DA VIRGINDADE

Uma cigana sempre terá que ser virgem para se casar, isto é...TABU nas
tradições Ciganas. E, isto é passado às meninas desde cedo, mas mesmo assim
elas serão “vigiadas” pelas outras mulheres de sua família até se casarem.

E na manhã seguinte a noite de núpcias é feito o teste do RONTAMENTO,


com a apresentação da mancha de sangue que deverá haver no lençol nupcial,
provando o defloramento, em certas tribos esta mancha é denominada de ROSA
DE SANGUE, ROSA RUBRA, etc...

Este lençol é exposto para que todo o CLÃ do jovem casal o veja, e aí eles
aplaudem, comemoram com alegria, música, dança o cumprimento do
RONTAMENTO.

Este costume não é privativo só da Tradição Cigana, ele é encontrado em


meio às Tradições de vários povos, com diversificadas raças.

NOIVADO

O noivado entre os ciganos é acertado entre as famílias dos pretendentes,


geralmente ele ocorre desde o nascimento das duas crianças, e é efetivada logo
que “menina” menstrue. Não existe, portanto muita diferença de idade entre os
casais ciganos.

Há casos também em que estes “noivados “ são efetivados quando a criança


ainda está no ventre da mãe.

EX.: Caso for menina casará com meu filho, diz um pai cigano ao outro pai
da criança que ainda está por nascer. Eles selam o compromisso se
comprometendo para isto a sua palavra e a sua honra, e este passam a existir e
deverá ser cumprido

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Ao acertarem em definitivo o NOIVADO, o pai do rapaz paga um dote ao pai
da moça. Entre os ciganos mulçumanos este dote é de ordem material e de valor
bem alto. Entre os ciganos cristãos, o mesmo poderá a ser apenas simbólico.

Normalmente este “contrato de noivado” é feito entre ciganos de famílias


amigas, para que se perpetue essa amizade entre as “famílias” através dos netos
em comum que na certa terão, perpetuando-se então os laços de amizade entre
clãs.

A criança cigana se desenvolve sabendo deste compromisso firmado nos


moldes da Tradição do seu povo Cigano. Na maioria das vezes acata a decisão
obedientemente e com “aparente” facilidade, mas nem sempre com “felicidade”

Nota: Este compromisso matrimonial é sempre firmado pelos PAIS e não


pelas MÃES.

Mas se na juventude não se manifeste o interesse pela escolha feita por seus
pais, este jovem cigano ou cigana, terá seus sentimentos respeitados. Mas este
caso é raro de ambas as partes, porque, para os ciganos o matrimônio, além de ser
um ato de consagração divina para a formação de uma família, é um dos mais
importantes laços para a perpetuação do POVO CIGANO, e os jovens ciganos têm
consciência, muitas vezes através de sua vida, por seus pais, parentes, etc...

Para celebrar o casamento é vital importância que a jovem esteja preparada


para isso. Portanto, cabe a mãe desta tê-la orientado e preparado desde menina,
ensinando-lhe a ser uma verdadeira administradora do lar. O “referido prepara”
lhe facilitará a encontrar “marido”, serve como predicados muito apreciados dentre
os ciganos.
A menina deverá saber cuidar bem de um lar, dançar com desenvoltura, e se
for bonita sua “cotação” aumenta muito!

É um belo Ritual o de noivado quando celebrado com o uso dos punhais, pena
que nos dias de hoje ele esteja tão esquecido pelos atuais representantes do Povo
Cigano.

Uma semana antes da celebração do noivado, os pais dos noivos compram os


punhais. O da noiva é todo enfeitado e o do noivo, mais sóbrio. No dia da festa,
na presença dos familiares e amigos (os mais íntimos), é feita a troca e ambos
guardam os punhais até o dia da celebração do casamento, ficando estabelecido o

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compromisso.

O punhal da noiva é guardado em um lenço vermelho de seda, lenço que


antes estava a envolver a garrafa de bebida (champanhe, uísque, vinho ou vodca),
com a qual os noivos serão brindados.

Este lenço será novamente utilizado no dia da cerimônia do casamento,


quando unem os pulsos dos noivos num Ritual, e voltará a serem guardados, agora
envolvendo os dois punhais para o resto de suas vidas, como que a felicidade
envolvesse e resguardasse para sempre o casal de nubentes.

PUNHAIS UNIDOS retratam o zelo que o casal deverá ter para superar as
dificuldades do relacionamento, e sempre tentarem manter-se unidos como os
PUNHAIS.

A) CHÁ CIGANO

Frutas cortadas em gomos

Significado das frutas:

Maçã - Sedução e paixão


Uva verde - Símbolo da prosperidade
Limão - Corta a negatividade – exorcista
Pêra - Indicada para pedidos da saúde
Ameixa - Símbolo da espiritualidade
Damasco - Símbolo da longevidade
Morango - Símbolo do amor perfeito, do sentimento
Pêssego - Vitalidade, sorte

- Chá preto
- Vinho tinto suave - Purificado com alecrim
- Torradas, biscoito salgado
- Doces caramelados
- Bolo de frutas (tipo panetone, bolo inglês)
- Água de rosas (água mineral + pétalas de rosas ou pétalas de flor de laranjeira)
- Açúcar mascavo
- Pão salgado

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- Sal grosso
- Água
- Vela

TCHAIO ROMANO – simbologia – complemento ritualístico

1º. Passo - Se salva os ancestrais

- Água
- Vela pequena
- Sal grosso
- Pão redondo salgado

Arrume em uma toalha bem bonita, de forma harmônica a água, a vela, o sal
grosso e o pão e faça uma oração agradecendo as ancestrais ciganas.

2º. Passo - Lave as mãos em um grande tacho de cobre com a água de rosas
mencionada acima.

3º. Passo - Beba o vinho preparado com as ervas secas tais como: alecrim,
hortelã, manjericão. Antes de trabalhar coloque 30 minutos no sol, com o vinho
destampado (para solarizar).

A taça do ritual deve ser de cobre ou dourada e se tampa com um pano


vermelho de preferência de veludo.

4º. Passo - Quando amassar as frutas mentalizar os pedidos pedindo aos


ancestrais, ao povo cigano, logo após coloque o açúcar mascavo e beber o chá,
pode-se comer as frutas.

B) POMANA – RITO AOS MORTOS

Para os ciganos a morte é tão somente uma passagem, e esta deve ser
recebida com alegria, pois a ordem natural das coisas, tudo que nascem em mundo
físico um dia morre, deve partir para outro mundo de mais luz. Crêem os ciganos
que todos os de sua etnia vão para o mesmo lugar, portanto todos mais cedo ou
mais tarde acabam por se reencontrarem. Na verdade crêem que há um “céu
cigano”.

Jamais evocam ou invocam seus mortos, não pertence a sua tradição

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acreditar em incorporações, quando isto começa a surgir em meio a algum grupo
cigano é porque estes já estão assimilando crenças de outras culturas que não a
sua, como os afros, o espiritismo e etc.

Em compensação, em todos os ritos e festividades ciganas há sempre um


lugar de honra reservado para os que já se foram que podem vir a serem ciganos
contemporâneos dos que ainda estão vivos, como também seus ancestrais.

A TRADIÇÃO NOS DIZ: “Não chorem, não se desesperem jamais, pois se


um cigano morreu agora a sua tribo terá alguém que interceda por eles no céu,
alguém que advogue suas causas junta a Deus, Maria, Jesus e todos os santos.
Vêem no cigano (a) morto (a) um embaixador que partiu para terras distantes com
uma finalidade: Reencontrar com todos os ancestrais de sua etnia, e continuar
lutando por sua preservação, por seus costumes, agora em outro plano de vida”.

Nota: Todo o cigano tem a certeza de que a morte não é um término e sim
um recomeço, mas como é longa esta nova viagem, cheia de etapas, é necessário
que haja um rito que ajude a quem partiu seus irmãos ainda em plano físico se
preocupam com o bem estar de quem já se foi, e é precisamente aí que surge a
POMANA.

O RITO DA POMANA varia um pouco de grupo para grupo de ciganos,


mas a sua essência é a mesma, vejamos como se processa:

Apesar de importância de “embaixador” que o cigano morte tem, seu nome


só deverá ser pronunciado de novo quando for totalmente indispensável.

Sua alma é simbolizada por uma borboleta que sai por sua boca como um
último suspiro, este se chama DUHO (respiro), e crê ele por sua Tradição, que
esta alma na parte imediatamente para o céu, e sim permanece ainda na Terra por
mais quarenta dias, revisitando os lugares por onde passou, lembrando-se de tudo
que lhe fizeram de bem ou de mal, e neste período vingam-se de seus inimigos.

Para evitarem que esta “vingança” ocorra que esta ira tome conta desta
alma, o que atrasaria sua evolução na caminhada pra o céu, todos os ciganos do
grupo do pretenso moribundo se revezam a velar junto ao seu leito de morte, e
nesse período, todos falam muito bem dele, procurando demonstrar-lhe afeto e
gratidão.

É de costume armar-se uma tenda ao lado da do doente, esta permanecerá


vazia, está reservada para os visitantes que já se foram, mas que ainda estão no
período de seus 40 dias aqui na terra. Nesta tenda haverá uma mesa sempre
posta, com toalha branca, e sobre este pão, vinho e uma vela u candeeiro aceso.

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Ao passarem por esta tenda todos os ciganos falarão bem alto (para que o morto
ou os mortos escutem) sobre as qualidades de quem se foi e das saudades que
sentem.

Com estas duas atitudes eles tentam acalmar a ira pós-morte do moribundo, e
a que por ventura possa estar a existir no coração dos que já se foram, ambos
devem sentir-se confortavelmente muito queridos.

Quando por fim a morte acontece é saudada com muitas lamentações,


choros, gritos, desmaios e etc, mas somente neste momento haverá este tipo de
demonstrações, pois depois a morte jamais deve ser pranteada por sua família e
seus amigos, isto lhe traria uma sensação de infortúnio onde estivesse. O falecido
sempre terá uma vela acesa em suas mãos, para que não se perca por escuros
caminhos antes de chagar a sua meta final, o RAIO...quer dizer CÉU. Muito bonito
é este simbolismo da vela nas mãos de quem parte, pois ele garante que somente a
LUZ será a companheira de viagem de quem parte para o desconhecido.

Mas há outro lugar para onde pode ir esta alma cigana. O CATRANO, que
nada mais é que o INFERNO dos ciganos. Lugar terrível situado no âmago da
terra, lugar de danações e sofrimento, para onde vão as almas dos condenados
julgados por ARANGELOUDAN, que é uma divindade que representa a justiça
divina.

Lá, os condenados por blasfemarem o nome de Deus, por matarem sem


motivo de defesa, ou por suicídio injustificado (este só será justificado se o(a)
cigano (a) estiverem fora de controle de suas faculdades mentais), estarão a
penarem sendo queimados em meio a um submundo de piche e lama.

Durante os ritos fúnebres para um morto jamais seus inimigos deverão


comparecer, pois o DUHO lá estará a presenciar tudo.

Ao visitarem o morto durante a vigília antes que seja enterrado é importante


que lhe levem flores, licor e velas.

A tristeza no ambiente deve ser moderada, e depois de algum tempo todos os


presentes passarão a outro recinto onde estará armado um banquete, durante o
transcurso do mesmo só se falará de coisas que possam vir a alegrar ao falecido.
Em seu caixão é colocado tudo o que ele mais gosta, e o necessário para a sua
viagem. Os enterros ciganos são sempre realizados com muita pompa.

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Somente no terceiro dia após a morte, comemora-se a POMANA, que é um
RITUAL FÚNEBRE cujo verdadeiro significado ainda até os dias de hoje é
totalmente desconhecido do mundo Gadjé, e quiçá em meio de muitos grupos
ciganos, nos dias de hoje tão afastados das sabedorias de sua verdadeira
TRADIÇÃO. A POMANA trata-se de uma espécie de festa onde se serve as
comidas de predileção do morto, e seu lugar fica reservado na mesa do banquete.
Durante a POMANA é proibido embriagar-se, não deve haver lamentações,
tristezas, as emoções devem ser moderadas, controladas, pois a POMANA ocorre
para acalmar o espírito de quem se foi e não para angustiá-lo.

Este RITO DA POMANA se repete; inicia-se no terceiro dia após a morte,


repete-se no sétimo ou no nono e quadragésimo dias após o falecimento. Depois
de 6 meses torna a ocorrer e no primeiro aniversário da morte também.

É de costume cigano adotar o luto, e comparecem a POMANA vestidos de escuro,


de preferência de negro. Muitos grupos ciganos costumam guardar luto até a
terceira POMANA, ou mais, se quem morreu foi uma criança. No caso todos se
vestem de preto, não se bebe não se briga os homens não fazem a barba, e há
constantes visitas ao cemitério.

Em outros grupos ciganos existe o costume de apenas no quadragésimo dia


jogarem uma vela e pão na água corrente de um rio, córrego ou riacho, se eles
forem embora levados pelas águas é sinal de que a alma, DUHO, foi liberada para
seguir seu destino, se tal não ocorrer, continuam periodicamente com o RITO DA
POMANA até que isto aconteça. Mas se mais algum tempo se passar, e as águas
não levarem o pão e vela, então, os ciganos abandonam esta alma, pois ela não
está a sua alcance, está em CATRANO, e nada mais há fazer.

Nota Elucidativa: A POMANA ocupa o lugar mais importante em meio aos


RITUAIS CIGANOS.

Como todo rito a POMANA modifica-se em pequenos detalhes de região para


região onde estão os ciganos, mas apenas em “detalhes” jamais em sua essência.
Levantemos, pois, o véu diáfano de magia que na realidade envolve a POMANA, e
vejamos um pouco de como ela ocorre, as nuances desse RITO.

Já vimos anteriormente que os ciganos crêem na imortalidade, portanto a


morte física para eles nada significa, é apenas o recomeço de “outra vida”, eles por

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sua TRADIÇÃO acreditam piamente na “imortalidade da alma”.

A TRADIÇÃO CIGANA nos ensina que após a morte física a alma entra em
peregrinação. O DUHO inicia sua “viagem” dentro de um ambiente de início
repleto de terror e angústia. A alma deve atravessar sete montanhas, mas para
isto deve combater com uma serpente que interdita o seu acesso.

Depois de passar pelas sete montanhas, ela deve atravessar doze desertos
onde sopra um vento glacial, e é para “aquecer” a alma do falecido durante este
período, que existe o costume dos amigos e parentes acenderem durante 7 dias e
noites o FOGO DOS MORTOS, e de “alimentarem” o falecido oferecendo-lhe os
restos de suas refeições, tudo isto a fim de que a pobre alma se aqueça e se
alimente, e não se torne fraca.

Esta concepção pessimista de caminhar da alma após a morte física é porque


o cigano crê que ela passa por estágios de purificação antes de chegar ao céu. Na
verdade, esta viagem, é toda em sentido figurado, simbólica, e através de
conhecimento de SIMBOLOGIA é possível entendê-la, e aí então, respeitar ainda
mais a sabedoria cigana.

Em todos os grupos é de costume colocar os pertences particulares do morto


em seu caixão, pois de outro lado ele poderá vir a necessitar deles. Estes objetos
na verdade estão todos magnetizados pelo carinho e preocupação com seu bem
estar vindos da parte de seus parente e amigos.

ALGUNS COSTUMES RITUALÍSTICOS:

A) Os ciganos SINTIS OU SINTOS queimam todos os pertences do morto, para


que ele não sinta apego a nada aqui da terra.

B) Em certas tribos existe o RITO de transpassar o coração do morto para


liberarem com mais presteza sua alma.

C) Todos os ciganos em geral, na hora em que o caixão desce a tumba, jogam


sobre o mesmo moedas, para que o morto pague sua passagem ao “barqueiro” que
o atravessará no RIO DA MORTE.

D) As tribos da TRANSILVÂNIA têm o costume de atarem aos dedos do morto

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uma moeda

Com uma fita vermelha, esta será a identificação do morto para com o seu espírito
protetor.

Com este RITO o cigano demonstra que se preocupa com a proteção de seu
ente querido até depois de sua morte.

E) Durante o decorrer de 40 dias após um falecimento os ciganos de seu grupo


estarão a toda hora verbalmente a lhe transmitirem força e encorajamento, não há
cisão entre os ciganos que se foram e os que aqui ainda estão uma tribo devem
continuar ainda aqui e "lá"...

Por tudo isto é que é de costume cigano, após o enterro, durante 3 dias
colocarem sobre uma mesa o sal, o pão e água, a disposição da alma do falecido, e
junto aos mesmos sempre haverá uma vela ou um candeeiro eternamente aceso,
este, então, durante os 40 dias

Na verdade, como podemos verificar a POMANA tal e qual o CHÁ CIGANO


também é um RITO DE COMUNHÃO TRIBAL, onde se partilha o AMOR,
A SOLIDARIEDADE e etc.

A POMANA jamais poderá ser vista tão somente como um jantar muito farto,
pois os ciganos acreditam que ao se reunirem para comer e brindarem o morto,
dão à ele uma prova de eterna amizade e solidariedade.

Para a ETNIA CIGANA, um cigano é sempre um cigano, aqui e em qualquer


outro plano de vida, sua alma é um DUHO, uma alma cigana, simbolizada por uma
borboleta colorida, bonita, ligeira e delicada como sua etnia.

Para a TRADIÇÃO é impossível que qualquer pessoa se "torne um cigano",


cigano se nasce, cigano se morre, cigano se é por toda uma eternidade.

Nota Elucidativa: Dentro da verdadeira TRADIÇÃO CIGANA, a que ainda não


foi influenciada pelos costumes gadjés, não existe "incorporações" de espíritos
ciganos em pessoas vivas, isto seria uma contradição a tudo o quanto acreditam
piamente, a alma cigana parte para sua caminhada que a levará a um plano divino,
de onde jamais poderá ser convocada para retornar a terra, nem que seja para
prestar auxilio, no céu, em estado de felicidade plena ela deverá permanecer
ciganamente junto aos seus ancestrais. Tribos e tribos lá estão a viajarem por
terras lindas, com paisagens únicas de tão belas, lá festejam seus costumes em
paz, com festas, cantos e danças em meio aos seus coloridos acampamentos,
todos presididos por formosa fogueira, de chamas vigorosas, cor de rubi, e que

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exala suave e delicioso odor.

NINGUÉM EXPRESSOU MELHOR A ALMA CIGANA QUE GARCIA LORCA,


ELE PINTOU ESTA ALMA DE CORES FORTES, E EMOÇÕES ESCALDANTES,
COM SEUS VERSOS DELICADOS E TRÁGICOS CONTIDOS NO SEU
"ROMANCE GITANO", ESCRITO EM 1928, DE DO QUAL REPRODUZO UM
TRECHO ABAIXO:

ROMANCE SONÂMBULO

Verde que te quero verde.


Verde vento. Verde rama.
O barco no mar
e o cavalo na montanha.
Com sombra na cintura
ela sonha em seu balcão,
verde carne, pelo verde,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Sob a lua Gitana,
as coisas a estão olhando
e ela não pode olhá-las.
Sobre a boca da cisterna
embalava-se a gitana.
Verde carne, pelo verde,
com olhos de fria prata.
Um carambano de lua
sustenta-a sobre a água.
A noite tornou-se íntima
como uma pequena praça.

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Os guardas, bêbados,
davam murros na porta.
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco no mar.
Com o cavalo na montanha.

CIGANOLOGIA

APOSTILA 12 - Tradições e Costumes Ciganos: Os Cultos e sua


importância.

CULTO A VÓVO IVANA

A RELIGIOSIDADE em meio a todos os povos cria, de acordo com os seus


credos, deidades, homens santos, no acervo católicos inúmeros santos e beatos
ligados as forças da natureza surgem os orixás africanos, e daí por diante.

E por que isto ocorre?

Pode-se encontrar uma terra sem rei, sem governante, sem poder, sem
riquezas, sem nome, mas nunca houve uma sem seu Deus e deidades ou santos; o
homem não vive se não tiver algo sobre natural a que venerar obedecer e servir,
faz parte de nossa natureza.

Até há bem pouco tempo nunca se tinha ouvido falar de algum "ODOR DE
SANTIDADE" em meio aos grupos ciganos. Segundo a Tradição deste povo eles
veneram a todos os seus antepassados como se "santos" o fossem, e
determinados KAKUS que marcaram suas passagens por esta vida de alguma fora,

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são sempre relembrados pelos seus com especial atenção e respeito.

Mais eis que de repente surgiu uma novidade em meio aos ciganos, e justo
em nosso país, O BRASIL. Esta novidade é o culto à VOVÓ IVANA que ocorre na
cidade de SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, a quem são atribuídos milagres, não só
ciganos que procuram suas bênçãos, e sim, também, inúmeros gadjés, muitos
vindos de outras cidades, algumas longínquas, para pedirem ou agradecerem
graças que receberam de VOVÓ IVANA, a cigana.

Mas que é esta cigana a quem outorgam o CETRO DA SANTIDADE?

No dia 22 de dezembro de 1910, nascia na IUGOSLÁVIA, IVANA


IANOVICH, filha de VIVANO LUIZ E JÚLIA LUIZ, ciganos pertencentes a tribo
dos MATCHUAIA.

Os pais de IVANA fugindo da PRIMEIRA GRANDE GUERRA, emigraram


para o BRASIL, e ela permaneceu com sua avó na IUGOSLÁVIA, tendo sido
criada com zelo, mas a menina era triste, sentia-se triste, sentia-se só, longe do
amor de seus pais. Passaram-se longos 13 anos e eles voltaram a terra natal para
buscar a filha e levá-la para sua nova terra, O BRASIL. Aos 16 anos chega a
jovem ROMI em nosso país e aos 18 anos casa-se, e para alegria de sua gerou 11
filhos. Durante todo o tempo de sua vida primou pela mais pura humildade, era
dedicadíssima em auxiliar o próximo, os mais necessitados, os decaídos, os
desprezados...

IVANA não possuía qualquer vaidade física, como se soubesse que esta vida
é uma mera passagem, e que nossos apegos materiais são infundados.

Durante toda a sua existência aceitou com tranqüilidade tanto as alegrias,


quanto os sofrimentos. E por ter sido assim, como comprovam os que conviveram
com ela, ciganos e gadjés, IVANA granjeou a graça divina de poder continuar a
ajudar aos necessitados mesmo após sua morte física. E, como dizem seus
devotos: "a cigana lá do céu continua a zelar por nós na terra".

IVANA faleceu aos 57 de idade, em 30 DE NOVEMBRO DE 1967, na


cidade de SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, SP, onde foi sepultada. Seu primeiro
milagre ocorreu 3 anos após seu falecimento, passando a ser desde então

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conhecida por todos na região como VOVÓ IVANA, A CIGANA MILAGROSA.

No dia de FINADOS verdadeiras romarias são realizadas até seu túmulo,


onde muitos depositam "ex-votos" como testemunhos de milagres obtidos, alguns
levam flores como prova de gratidão, reconhecimento, e outros tão somente por
saudades.

Até os dias de hoje, IVANA, A CIGANA MATCHUAIA, continua a realizar


milagres, e o seu túmulo sempre está repleto de uma miscelânea de oferendas que
vão do "sacro ao pagão", vejamos:

Velas das mais variadas cores, metros de fitas coloridas, jóias, bijuterias,
maços de cigarros, roupas ciganas, Diklos (lenços), alianças, moedas, baralhos
completos, tarôs, chumaço de fitas coloridas entremeadas de medalhas douradas,
pandeiros, cruzes, terços, medalhas de Nossa Senhora da Aparecida e etc.

É claro que IGREJA CATÓLICA não reconhece como uma "beata em odor
da santidade", muito menos como "santa", mas também nada diz para impedir
que devotos procurem a ajuda da VOVÓ IVANA, nem que mandem rezar
assiduamente missas em sufrágio de usa alma, apenas se omite em reconhecer os
milagres.

IVANA IANOVICH enquanto viveu foi católica praticante, mas nunca se


afastou de seus costumes tradicionais: "rezava" crianças e adultos, fazia amuletos
e breves, enfim era uma cigana completa, e somatória da sabedoria de muitos de
seus ancestrais.

Existe uma novena dedicada a VOVÓ IVANA IANOVICH, A CIGANA


MATCHUAIA, e quem a divulga é uma de suas filhas de nome DIVA IANOVICH,
a ser feita da maneira seguinte:

NOVENA: Acender uma vela branca junto a um copo d'água, rezar pela alma
da VOVÓ IVANA, fazer seus pedidos pessoais ou de sua família, e recitar
contritamente 9 (nove) PAI NOSSOS, 9 (nove) AVE MARIAS; quando chegar
ao término das orações deve-se beber a água do copo e deixar que a vela branca
queime até o seu final.

Nota: Toda novena, é claro, ocorre por 9 (nove) dias, mas em caso de
necessidade, devido ao peso dificultoso do pedido, esta pode ser estendida para um

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número de dias múltiplos de 9 (nove), ou seja: 18 (dezoito) dias, 27 (vinte e sete)
dias, 36 (trinta e seis) dias...

MAIO O MÊS TAURABÓLICO

RITO CIGANO PARA O MÊS DE MAIO - INÍCIO = 1O DE MAIO


FIM = 25 DE MAIO (1a parte)
31 DE MAIO (2a parte)

"...Para os ciganos o GIRASSOL, simboliza o própria SOL VEGETAL, e suas


sementes PEPITAS DE OURO VEGETAL. Em maio começam a surgir os
GIRASSÓIS por toda EUROPA, e os ciganos os saúdam como uma manifestação
SOLAR da MÃE TERRA."

Em MAIO o hemisfério Norte encontra-se em plena primavera; a maioria dos


grupos ciganos está por estas paragens, radicados nestas terras há séculos, e como
os europeus também então felizes e festivos nesta bonita época do ano. O inverno
se foi, o clima é ameno, a natureza fervilha em brotos de vida, as flores se fazem
presente por todo lado, borboletas iniciam seu ciclo de vida, as abelhas zunem
trabalhando sem cessar de flor em flor, há música no ar e sorriso nos corações
esperançosos.

MAIO é um mês de esperança; portanto não haveria mês melhor para ser
dedicado á GRANDE MÃE, a MÃE TERRA, a MÃE NATUREZA, e isto acontece
em várias antigas tradições, em meio aos povos a elas ligados, e os ciganos não
escapam a esta regra, festejam em MAIO a sua PHURI-DAI, a sua MÃE DE

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TRIBO, que personificam em todas as VIRGENS NEGRAS MEDIEVAIS, hoje de
culto cristão, ontem de culto pagão, VIRGENS AGRÁRIAS, configurações de
própria MÃE TERRA. Em meio a estas VIRGENS surge SARA KALI, a mais forte
representação da GRANDE MÃE junto aos ciganos.

É MAIO, o verão está próximo, a primavera reina e os GIRASSÓIS florem


por toda parte, sua importância é grande, principalmente no LESTE EUROPEU, na
parte ORIENTAL deste continente, LÁ O INVERNO É LONGO E SEVERO, e os
GIRASSÓIS saúdam primeiro a chegada dos dias amenos, e depois dos dias
mornos de verão.

GIRASSOL é o nome comum do HELIOTRÓPOIO, e indica o caráter solar


desta flor tão especial, que resulta não somente de sua cor, mas também de sua
foram radiada, fora que suas hastes giram de acordo com o caminhar do SOL pelo
firmamento em sua viagem dourada e diurna, fazendo com que FLOR-GIRASSOL,
esteja sempre a mirar de gente o grande astro.

O GIRASSOL é considerado um alimento de imortalidade, o óleo extraído de


suas sementes tem um poder regenerador que outorga vitalidade; sua cor em
mutação acredita-se ter relação com os orientes; portanto não existiria flor melhor
para personificar SARA KALI, a SENHORA DA CRIPTA, das profundezas da terra,
MÃE DO OURO E DO FERRO; enfim todos minerais fazem parte de sua corte ,
tendo nela um lugar bem especial, embora o REINO VEGETAL também participe
desta corte de SARA KALI. Os ciganos vêem nela qualidades iguais as dedicadas
a deusa KALI do panteão HINDU, como ela , SARA, é o princípio construtivo e
destrutivo, a MÃE DIVINA, a própria riqueza da fertilidade que traz a abundância.
SARA protege, auxilia, conduz, ilumina com sua LUZ LUNAR, Ela é a noite e a
escuridão aparente que vela o mistério do oculto, Ela é a própria MAGIA
TELÚRICA, Ela é REGENERAÇÃO.

Nem bem MAIO se inicia, começa também os ritos que preparam a chegada
da noite onde SARA KALI será homenageada por todos os ciganos, seja eles de
que tribo for, cada um a sua maneira, pois os costumes tribais prevalecem. Passo
a relatar o rito típico de tribos SINTIS que está na Alemanha, Áustria, e de Roms
do leste Europeu, pois muito se assemelham. Um rito não possui uma regra geral
em meio aos ciganos, dentre eles tudo é mutável.

Para termos total compreensão de que lança mão os ciganos para conformar
este seu íntimo rito de sua SARA KALI, passo a passo, vamos saber os valores
simbólicos, e os poderes inerentes de tudo que é usado durante todo o ritual. Não

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pensem que por terem uma aparência física simplória e por vezes rude, um tipo de
vida meio desprovido de apegos, principalmente não tendo a maioria dos cigana
escolaridade, que eles não possuam grandes conhecimentos dos "valores
mágicos" e de tudo o que por Deus foi criado. Eles o têm não ao alcance de todo
cigano, mas em meio aos ciganos de poder, e estes passam aos seus irmãos
étnicos como devem realizar os seus ritos mágicos, ou de veneração, como este
que vou relatar, dedicado a SARA KALI, que de dentro de usa cripta em SAINT-
MARIE-DE-LA-MER, sorri e vela por todos os ciganos do mundo, como também
por todos os homens sensíveis que conseguem vê-la como ela é, além das
aparências.

DO QUE SE COMPÔE O RITUAL

HIERÓGLIFO DE TAURUS (TOURO) - Pertencentes às representações dos


signos zodiacais ciganos.

Porque é escolhido este HIERÓGLIFO em meio a tantos outros?

Porque ele encontra-se em meio à cripta de SARA KALI gravado ali ninguém
sabe por quem há muito mais de 2.000 anos; comprova ser a imagem negra de
mulher encontrada no interior desta cripta francesa, uma imagem de divindade
TAURABÓLICA, portanto TELÚRICA.

UMA ESTRELA ENCIMA O O ALTO DO HIERÓGLIFO DE TOURO, QUEM


REPRESENTA?

A astronomia e astrologia nos atestam que uma grande estrela de primeira


grandeza, quarenta e cinco vezes maior que o sol, uma estrela de navegação de
nome ALDEBARÃ, reina no alto da cabeça da constelação de TAURUS, é ela sua
guia, sua rainha estelar.

Outra informação, esta mais conhecida popularmente, é a de que VÊNUS


rege TOURO, fazendo-o o signo mais feminino do zodíaco, o mais dotado de
beleza, força motriz e etc.

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Portanto a configuração de uma grande estrela no cimo do hieróglifo de
TOURO possui duas representações: ALDEBARÃ E VÊNUS.

Os ciganos são muito TAURABÓLICOS, amam por demais a MÃE TERRA, e


portanto como o próprio TOURO são obstinados, voluntariosos, indomáveis e fiéis
ao que acreditam, mesmo que isto os prejudique em meio a sociedade dominante
gadjé. Teimoso como o TOURO, grandioso como ALDEBARÃ, vaidoso como
VÊNUS, assim são os ciganos.

FRASCO DE AZEITE DE OLIVA

Seu uso em rituais é próprio dos povos do Mediterrâneo e do Oriente.

Mas precisamente, de todas as sociedades no seio das quais a OLIVEIRA,


fornecendo iluminação e alimento, tem lugar de importância.

O azeite é o símbolo de luz e de pureza, ao mesmo tempo em que de


prosperidade.

Ao oferecerem como primeira oferenda um frasco de azeite de oliva a SARA


KALI, os ciganos estão na verdade lhe ofertando mais LUZ, a "LUZ VEGETAL",
para que com isto Ela lhes doe prosperidade.

PORÇÃO DE SAL GROSSO

O SAL simboliza o próprio FOGO LIBERTO DAS ÁGUAS. Ofertar SAL tem
o valor de uma comunhão, de um laço fraterno. Ele é purificador e protetor, é a
própria incorruptibilidade. O SAL ofertado em ritual é considerado como "SAL DA
ALIANÇA", é um pacto.

Ao oferecer como segunda oferenda uma porção de sal a SARA KALI,


os ciganos estão na verdade firmando uma aliança, o pacto que tem com esta MÃE
TELÚRICA. Através deste SAL, um laço fraterno, purificador e protetor se
conforma, ligando o ofertando a sua MÃE DE TRIBO, sua PHURI-DAI.

UM FRASCO DE VINHO TINTO

O vinho está associado ao sangue e considerado como "SANGUE VEGETAL"


DA MÃE TERRA. É símbolo do conhecimento, e considerado como uma "poção de
vida".

Ao oferecer como terceira oferenda um frasco de vinho tinto a SARA KALI,

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os ciganos estão na verdade saudando-a, brindam com o próprio SANGUE
VEGETAL DA GRANDE MÃE, uma "poção de vida", e recebem dela o
"conhecimento", pois a sabedoria é a melhor das dádivas.

UM FRASCO DE PERFUME DE JASMIM

Todo o perfume ofertado dentro de um ritual é visto como destinado a


agradar à divindade que o preside. O perfume simboliza a virtude, a purificação;
todo perfume é uma combinação de AR E LUZ.

O JASMIM, na antiga PÉRSIA, era considerado uma flor sagrada. Todo


perfume feito a base desta flor está ligado ao lado espiritual, devocional, surge
como um "óleo de unção" devótico, ritualístico.

O óleo ou o perfume de JASMIM quando é usado no corpo tem a intenção


de solicitar benções, proteção e sorte.

Ao oferecer como quarta oferenda o perfume de JASMIM à SARA KALI, os


ciganos estão saudando frente a ELA a própria primavera, época de criação e
regeneração, segundo eles é nesta ocasião que a sorte também começa a
chegar...Com devoção entregam à SARA, através do perfume de JASMIM, o
próprio "AR ILUMINADO", que conformará um halo espiritual a volta dela.

RAÍZES

São as Raízes símbolos de comunicação a nível subterrâneo, as raízes estão


sempre a explorar as profundezas onde se enterram. A Terra integra-se ao corpo
de uma planta através de suas raízes.

Para os ciganos esta oferenda e raízes significa uma comunhão com SARA
KALI, através delas tentam comunicar-se com os níveis subterrâneos, enfim como
o âmago da GRANDE MÃE.
MOEDAS

As moedas simbolizam para algumas Tradições a alma, pois ela traz impressa
a marca de Deus, como a moeda traz a do soberano.

Para os ciganos elas significam “poder de compra” que traz a prosperidade,


o “poder de manutenção” que mantém economicamente uma família ou uma
tribo, o “poder de fuga”, pois por muitas vezes foram as moedas que compraram

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a liberdade de muitos ciganos.

RAÍZES + MOEDAS = é em suma um pedido de abundância e


prosperidade.

AREIA

CÍRCULO DE AREIA

A AREIA simboliza ÁGUA E FOGO, é ainda símbolo de MATRIZ, de


ÚTERO. É efetivamente como uma representação do repouso, de segurança e de
regeneração.

Ao traçarem um círculo de areia a volta do HIERÓGLIFO DE TOURO, os


ciganos conformam na verdade um CÍRULO DE FOGO (altas labaredas), e a
marginalizá-lo outro círculo em seu interior, um CÍRCULO DE ÁGUA (um foco
profundo), portanto, um círculo de areia se subdivide em dois círculos.

Este círculo de areia trará repouso para TOURO E SUA ESTRELA, como
também para a própria SARA KALI em seu interior, e ainda mais, segurança e
regeneração.

Não poderia ser feito de outra coisa este círculo, pois ele está a abrigar uma
força maternal e telúrica, e assim, DE AREIA, ele na verdade se torna não tão
somente um CÍRCULO MÁGICO, mas sim um verdadeiro útero, matriz da vida.

ENXÔFRE

Ele simboliza o ESPERMA MINERAL; está relacionado ao OURO, à LUZ, a


sua cor ocre está ligada a terra.

Ao colocarem no centro do HIERÓGLIFO DE TOURO o ENXÔFRE, os


ciganos simbolicamente estão fecundando o útero de SARA KALI, como também
estão lhe ofertando OURO e trazendo LUZ para seu âmago de MÃE TELÚRICA.

VELA

As VELAS representam a união de todos os elementos, a cera o pavio, o


fogo, o ar que se unem na chama ardente móvel e colorida. Simboliza SOPRO DE
VIDA.

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Em meio ao HIERÓGLIFO DE TOURO os ciganos mantêm uma vela de cera
sempre acesa durante os 25 dias em que dura o rito à SANTA SARA, ela está a
representar a própria PHURI DAÍ SARA KALI, envolta em luz e por todos os
elementos, água, terra, fogo e ar.

Em partes específicas no interior de círculo os ciganos colocam peças de


metais, mas não aleatoriamente, e sim por seus valores simbólicos, que os tornam
mágicos! Todas são como que simbólicas oferendas a SARA KALI, eles a
presenteiam com o que dela é retirado; MÃE TELÚRICA, que de sua cripta reina
sobre os minerais.

OURO – Considerado pelas Antigas Tradições como o princípio masculino, e o


mais precioso dos metais, ele é considerado o METAL PERFEITO. Para os ciganos
o OURO é junto com o DIAMANTE, a maior manifestação da MÃE TERRA, e o
considera magicamente como uma ARMA DE LUZ.

PRATA – Este nobre metal tem relação com a LUA e a ÁGUA, pertencem ao
princípio feminino. Simboliza sabedoria divina, pureza e proteção. Para os ciganos
a PRATA é tudo isto, e ainda as águas límpidas dos lagos, os cristais transparentes,
o brilho do diamante, enfim, O ESPELHO DA MÃE TERRA, PRATA-ESPELHO,
ESPELHO-PRATA, que ela, TERRA, divide com a MÃE LUA.

COBRE – Este nobre metal é símbolo de água e do som; o COBRE também é


metal que está ligado à VÊNUS, portanto à TAURUS.

O COBRE VEREMELHO é masculino, o amarelo é feminino.

Para os ciganos o COBRE contem todas as belezas da terra, e tudo o que for
com este metal possui um som mágico.

FERRO – (ao centro do hieróglifo, junto à vela votiva). Ele simboliza a


firmeza, a força, a robustez, a obstinação, o rigor, excessivo, a dureza...

Para os ciganos, como em outras Tradições Antigas, o FERRO favorece a


fertilidade, e tem o poder de assegurar a comunhão entre os seres deste mundo, e
os que pertencem à outro, além do que garantida a nobreza do FERRO, pois dele é
feito o âmago da MÃE TERRA, por tudo isto seu lugar durante o rito A SARA
KALI é de honra, unto à vela que A personifica; bem ao centro do hieróglifo de
Touro ali ele está a representar o âmago da GRANDE MÃE, fertilizado, firme,

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robusto...

CRISTAL – Ele é considerado tanto pelos ciganos como por todas as outras
Antigas Tradições como o embrião da TERRA, é o intermediário entre o visível e o
invisível, e esta é sua função no lado LESTE DO HIERÓGLIFO DE TOURO.

O RITO EM SI

Sobre um quadrado de madeira de 30 cm x 30cm, ou ocupando o mesmo


espaço sobre um lenço de cor ocre, branco ou verde, traçam os ciganos um círculo
de areia, dentro do círculo, ao centro, está gravado ou desenhado o HIERÓGLIFO
DE TOURO, em cujo cimo, entre as cabeças do casal de amantes há uma estrela
de 5 pontas a representar VÊNUS, e outra, também de 5 pontas, em conjunção
com o quarto crescente da LUA, está ALDEBARÃ. No centro do hieróglifo, que na
posição horizontal tem a aparência de um berço, é colocada uma lamparina ou
candeia, que pode ser substituída por uma vela por possuírem todas as 3 o mesmo
valor simbólico; junto a esta vela é colocado o minério de ferro, e o enxofre. Este
mesmo hieróglifo na vertical possui a aparência de um casal de amantes
entrelaçados em sólido abraço, os ciganos os chamam de “casal fecundo”, eles
têm como apoio um quarto crescente de lua que vela seu amor. Mas se
invertermos o hieróglifo mantendo-o na posição vertical, veremos o próprio TOURO
tendo a reinar no cimo de sua cabeça, entre seus chifres lunares a poderosa
ALDEBARÃ.

Ao norte do hieróglifo, entre a cabeça dos amantes é colocada pelos ciganos


uma peça de OURO, ao sul, sob a lua e sobre ALDEBARÃ, colocam uma peça de
prata, a leste um cristal, e a oeste uma peça de cobre.
FORA DO CÍRCULO encontram-se as oferendas: Um frasco de azeite, um potinho
com sal grosso, um frasco com vinho tinto, um pote com sementes de GIRASSOL,

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um frasco com perfume de JASMIM, e na noite do dia 24 é colocado um prato
com raízes cozidas, entremeadas com moedas previamente purificadas ao serem
lavadas em água pura e perfumadas.

O RITO

A) Todos os dias, desde o 1 dia de MAIO até o dia 25 deste mesmo mês,são
colocados no interior do círculo uma semente de GIRASSOL, cada semente
equivale a um pedido à SARA KALI, no final do ritual haverão 25 semente
dentro do círculo, elas são recolhidas e transformadas em amuletos da
PHURI DAÍ SARA, as demais sementes serão plantadas onde se desejar,
pois a intenção é retornar á terra as suas sementes de vida.
B) No dia 5 de MAIO fazem a sua primeira oferenda a SARA KALI, colocando
no interior do círculo o frasco de azeite de oliva.

C) No dia 10 de MAIO fazem a sua segunda oferenda à SARA KALI, colocando


no interior do círculo a porção de sal grosso.

D) No dia 15 de MAIO fazem a sua terceira oferenda a SARA KALI, colocando


no interior do círculo o frasco com o vinho tinto.

E) No dia 20 de MAIO faz sua quarta oferenda a SARA KALI, colocando no


interior do círculo o frasco com o perfume de JASMIM.

F) E finalmente na noite de 24 para 25 de MAIO, fazem a sua quinta e última


oferenda a SARA KALI, colocando próximo ao círculo o prato com as raízes
cozidas (as que desejarem) e as moedas.

Vejamos agora os SUB-RITOS que acontecem no dia em que os ciganos


entregam as suas oferendas;

A) Todos os dias ao colocarem as sementes, os ciganos fazem um pedido, ora


para si, ora para os outros, podem inclusive repetir os pedidos, se estes forem
muito urgentes, ou aparentemente difíceis de serem realizados.

B) Ao entregarem o frasco o AZEITE DE OLIVA dizem os ciganos de viva voz:


Eis seu alimento SARA, sua luz purificadora. (15/05)

C) Ao entregarem o frasco com o SAL GROSSO, dizem os ciganos de viva voz:


Que por este sal sele-se o pacto de nossa aliança amorosa, SARA KALI.
(10/05)

D) Ao entregarem o frasco de VINHO TINTO, dizem os ciganos de viva voz:

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Grande Mãe, eis seu sangue vegetal, uma “POÇÃO DE VIDA”. (15/05)

E) Ao entregarem o frasco com o PERFUME, dizem os ciganos de viva voz: Eis


SARA o próprio AR ILUMINADO que se eleva até onde estás. (20/05)

F) Ao entregarem o prato com as RAÍZES E MOEDAS, dizem os ciganos de


viva voz: Eis SARA suas raízes, que nascem e crescem em seu corpo, e as
moedas nos trarão prosperidades.
(24/05)

RITO DA NOITE DO DIA 24 DE MAIO, QUE PODE VIR A OCORRER A


QUALQUER MOMENTO DEPOIS QUE TERMINE O CREPUSCULO E CAIA A
NOITE, JÁ ESTANDO ENTÃO A BRILHAREM NO FIRMAMENTO VÊNUS E
ALDEBARÃ.

Nota Elucidativa: O RITO pode vir a ser feito tão somente por uma ou
mais pessoas, isto não interfere em nada na a elaboração, continua sendo a
mesma. Se houver mais de uma pessoa a participarem do RITO, irão uma a uma,
se por a si frente ao altar TAURABÓLICO DE SARA KALI, onde oficiarão o seu
“RITO PARTICULAR”.

Ao se postarem frente ao altar, pega primeira o frasco de azeite de oliva e


colocando um pouco deste óleo nas pontas dos dedos o esfregam na altura do
umbigo, na do coração e na nuca, pedindo que SARA através desta unção, ilumine
seu caminho vida a fora, purifique seu espírito, lhe doe alimentos, que estes nunca
faltem a si, nem aos seus.

Em seguida tomam de uma porção de sal grosso e o esfregam nas mãos, no


alto da cabeça, solicitando proteção constante e confirmando com este gesto o
pacto de amor que tem com sua MÃE DE TRIBO SARA KALI.

Depois tomam o frasco de VINHO e bebam um pequeno gole do mesmo,


solicitando felicidades e alegrias para si e os seus, e pedindo também sabedoria.

Pegam agora o frasco de perfume de jasmim e se perfumam abundantemente


onde desejem, passem um pouco de perfume na vela (candeeiro ou lamparina), na
imagem de SANTA SARA se houver (ter imagem não é costume cigano, eles

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possuem ícones representativos da GRANDE MÃE e de seus santos prediletos),
borrifam perfume por todo interior do círculo, em especial sobre as 25 sementes de
GIRASSOL que já terão de estarem todas no interior do mesmo.

Enquanto assim o fazem, solicitam boa saúde, ou que esta seja regenerada, e
pedem uma benção especial de SARA.

Por fim colocam a mão direita pairando por sobre o prato de raízes e moedas,
e dizem com a voz da alma que aí está o veículo de sua comunhão com SARA.

Terminando de fazer todo o RITO (uma só pessoa ou todos os presentes),


festejam normalmente a noite de SARA KALI com alegria, muita música, cânticos,
danças e boa comida.

Nota Elucidativa: O prato de raízes e moedas passa a noite toda junto ao


altar TAURABÓLICO coberto por um fino lenço, no dia seguinte, totalmente
magnetizado, este prato é servido na hora do almoço, as raízes são consumidas em
silêncio, pois neste momento os ciganos estão a praticarem o rito de comunhão,
consumindo o que foi gerado no interior do corpo de sua MÃE TERRA. As
moedas, também já magnetizadas, são doadas a quem tenha menos que ele ou
eles.

Dia 26 recolhem-se do círculo as sementes, poderão ser dividas entre os que


participaram do RITO, para que façam seus amuletos pessoais, ou se o RITO foi
solitário, estas sementes irão conformar apenas um amuleto, ou mais, se o solitário
que oficiou o rito desejar oferecer amuletos magnetizados por SARA a demais
pessoas de seu convívio e amizade.

Segue-se o término apagando a vela (candeeiro, lamparina), guardando as


peças de metal e o cristal, planta-se o restante das sementes (as que
permaneceram sobrando fora do círculo) mistura-se o que sobrou das oferendas
seguintes: o vinho tinto, o azeite de oliva, o sal grosso, e o enxofre, e
derrama-se esta mistura direto na terra (de preferência no solo). Guarda-se o
frasco de perfume de JASMIM.

É retirado do altar a placa ou o lenço com o círculo ritualístico, e esta (ou


estes) é guardada para o próximo RITO DE MAIO do ano vindouro.

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IMPORTANTE DETALHE: A HOMENAGEM AS 3 MARIAS

Do lado direito do altar TAURABÓLICO são mantidos durante os 25 dias de


RITO 3 LUMES, que poderão vir a serem 3 velas, 3 candeeiros, 3 lamparinas, não
importa, o que vale são os 3 pontos de LUZ. Sob eles está uma pequena placa ou
lenço com o desenho hieróglifo da cidade de SAINT-MARIE-DE-LA-MER,
simbolizando dois dos lumes as duas MARIAS sepultadas nesta cidade francesa da
região de CAMARAGUE, são elas MARIA JACOBINA OU JACOBÉ e MARIA
SALOMÉ, o terceiro lume representa MARIA MADALENA, que junto as duas
primeiras MARIAS aqui citadas, chegou a estas paragens francesas, embora lá não
tenha permanecido, pois caminhou a pregar a palavra de seu MESTRE JESUS em
direção ao NORTE DA ÁFRICA, onde veio a falecer.

Quando as 3 MARIAS aportaram em SAINT-MARIES-DE-LA-MER lá já


encontraram uma cripta e no seu interior aquela que seria denominada pelos
ciganos de SARA KALI. Estas 3 SANTAS mulheres participam junto à SARA das
festividades de MAIO, festividade estas muito ligadas à GRANDE MÃE, á todas as
MARIAS, e a toda e qualquer manifestação do PODER DE PERSONIFICAÇÃO
FEMININA.

HIERÓGLIFO DE SAINT-MARIE-DE-LA-MER: Uma meia lua


representando o barco que um dia trouxe as 3 MARIAS da GALILÉIA até esta
cidade da costa francesa, e sobre esta meia lua as figuras simbólicas de 3
mulheres.

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CIGANOLOGIA

APOSTILA 13 - Tradições e Costumes Ciganos: Características da


Personalidade dos Ciganos
Existe aristocracia em meio ao povo cigano?.

Descendentes de três (3) castas Indianas, os JÃTS, os NATS, e os


DONS, até os dias de hoje todo ROM carrega em si a sua marcante parte oriental
encrustada indelevelmente em sua personalidade. Suas Tradições e Costumes
assemelham-se em vários pontos com a de várias "casta Hindu".

Enfim, com tudo isto quer dizer que a MAGIA ORIENTAL persiste em
acompanhar os CIGANOS em sua longa viagem mundo a fora.

Comecemos, então, a falar um pouco sobre o modo de ser cigano dentro


desta sua Tradição.

Este novo acervo de conhecimentos vem a ser muito importante ao estudante


de Ciganologia para que ele entenda e assimile de forma mais integral os ritos e

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costumes de povo tão singular como o são os Ciganos, que por vezes surpreendem
os gadjes, não preparados para tomar conhecimento de seus Costumes e
Tradições, onde existem atitudes estranhas ao mundo ocidental, e que são na
maioria das vezes muito mal interpretadas.

Comecemos, então, o nosso mergulho em uma pequena parte das mil facetas
da "Personalidade Cigana":

Para o cigano considerar demais o PASSADO só serve para perturbar o


espírito. O FUTURO é incerto, ele mesclasse ao DESTINO, e este só a Deus
pertence. Só A PRESENTE conta para o cigano, ele vive o dia-a-dia. Sua visão
das coisas, suas atitudes frente a impasses, é modelada pelas condições de vida
que se lhe apresenta. Sua existência fatalista segue o ritmo da natureza, onde
tudo segue um curso inexorável: Nasce, vive e morre.

A vida em meio a uma Tribo Cigana se esvai, escorre, corre e serpenteia


como o curso de um rio traçado em meio as quatro estações do ano; todo o "rio"
tem como meta que um dia suas águas cheguem ao mar, todos os ciganos,
independente a que grupo pertençam, tem, também como o "rio", uma meta em
comum:
"a preservação de sua etnia", é algo muito forte, arraigado em suas
almas, e para tanto tudo é válido, até sacrifícios, tais como casamentos sem amor
mas em prol de sua etnia, deixar de lado inventos, conhecimentos, enfim a
sabedoria do mundo moderno, que muito lhes facilitaria a própria vida, por medo
de serem solapados pelas Tradições e Costumes de outros povos, e daí por
diante...E é baseando-se em tudo isto, que a maioria dos ciganos prefere não
estudar, nem colocar seus filhos em escolas, a menos que estejam a viver em
países que já possuam escolas especializadas para ciganos, cujos ensinos convivam
harmonicamente com as Tradições deste povo. Citemos alguns exemplos destes
países: A HUNGRIA, A ROMÊNIA, A ESPANHA E ETC.

O MUNDO para o cigano só tem um dono, Deus, que doou sua propriedade
para DOMÍNIO PÚBLICO, em que tudo o que há na terra deveria ser repartido
em igualdade em meio a todos os HOMENS. O mundo mineral, o vegetal e o
animal, pertenceriam a todos aqueles que deles tivessem necessidade para
sobreviverem.

É errado imaginar-se os ciganos como um povo muito primitivo, e até

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obsoleto no contexto do mundo moderno, eles não são assim. Possuem uma
inteligência prática bem desenvolvida, uma compreensão intuitiva dos fenômenos,
o cigano não tenta saber os porquês da veracidade da existência de Deus, os
porquês do curso da vida humana, os porquês dos mistérios, os porquês das forças
sobrenaturais, enfim, o CIGANO NÃO SABE, SENTE.

Faz parte de sua personalidade acreditar espontaneamente no


"maravilhoso" e no "miraculoso", aceita tudo o que sua compreensão não
entende sem analisar, nem criticar, mas nem por isso são passivos ou omissos,
simplesmente são FATALISTAS por natureza.

Realmente é o cigano antes de tudo um fatalista, não luta para modificar a


dificultosa trajetória de vida de seu povo, estejam eles em tribos nômades ou não.
Nada tentam modificar, nem para melhor, nem para pior, aceita o DESTINO
CIGANO neste MUNDO DE DEUS como uma FATALIDADE, o seu curso, para os
ciganos, já está prescrito antes deles nascerem. A LINHA DA VIDA já vem
traçada pelo DESTINO e impressa nas mãos de todo o recém-nascido, e ela não
será modificada com o decorrer da vida.

Talvez todo este FATALISMO seja uma reminiscência de sua "memória


ancestral! oriental, que com o passar dos tempos e as dificuldades de vida que os
ciganos encontraram para viverem seu estilo de existência nômade em terras
estrangeiras, foi um tanto o quanto modificada, desviando-se um pouco da
sabedoria matriz de todo um conhecimento que herdaram de 3 castas indianas,
O JÃTS, os NATS e os DONS.

Não faz parte da cultura cigana a nomenclatura sânscrita denominada:


KARMA, dentre os ciganos ela é o DESTINO, predestinado para todos os homens,
e que ele deve cumprir sem excitação durante toda a sua vida física, se quiser
alcançar sua evolução espiritual, o que virá a gratificar sua nova vida após a morte.
O cigano intuitivamente talvez ache que se não cumprir o DESTINO que lhe foi
designado para esta vida, não resgatará seus pecados da vida passada (isto é, seu
KARMA), e sim granjeará outros tantos (KARMAS) para uma próxima existência,
mesmo porque é da TRADIÇÃO CIGANA crer que um cigano sempre nascerá
cigano em todas as suas muitas vidas neste plano físico, isto é, sua evolução
ocorrerá sempre tendo eles personalidade ciganas.

Como um adendo aos nossos estudos de ciganologia, devo aqui acrescentar


que dentro do conhecimento TEOSÓFICO/ESOTÉRICO, as pesquisas e os
estudos nos ensinam que não devemos ser FATALISTAS, e que devemos sim
tentar modificarmos o nosso DESTINO, mas para melhor. Quando nascemos para
o mundo físico recebemos simbolicamente de Deus uma régua e um compasso para
que livremente tracemos a trajetória de nossas vidas, cabe tão somente a nossa

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responsabilidade ser estes traçados retos ou tortos, isto é bom ou mau.

Deus não criou os homens com missões predestinadas, deu-lhes o livre-


arbítrio para decidirem o curso de suas vidas como bem lhes aprouvessem,
portanto devemos sim tentar modificar o nosso destino sempre para melhor,
devemos lutar pelo o que almejamos e acreditamos. O KARMA existe realmente e
deve ser resgatado, mas dependendo das vibrações sutis provocadas por boas
emoções e bons pensamentos, que repercutem em ressonância harmoniosa nos
Planos da vida ASTRAL E MENTAL, onde deveremos continuar a vivenciar novas
vidas evolucionárias após a nossa morte física, estes nosso KARMA pode vir a ser
amenizado ou até mesmo anulado. E que tipo de emoções e pensamentos é estes
que podem vir a modificar o resgate de nosso KARMA? Emoções amorosas,
compreensíveis, doativa e etc... Pensamentos altruístas, piedosos e etc. Exemplo de
um resgate de Karma que foi adquirido em vida passada, e anulado no curso desta
atual existência física.

Um físico, um cientista, que em vida passada sua antiga personalidade


praticou um grave delito contra alguém, ou a um povo, mas nesta sua vida física
vigente ele recebeu a oportunidade de se redimir. Deus deu-lhe simbolicamente a
"régua e o compasso" sob a forma de sua oportunidade de vida em ter acesso à
sabedoria das CIÊNCIAS em geral.

Como este indivíduo soube fazer nesta sua atual existência um bom uso da
oportunidade que recebeu de Deus, dedicando toda a sua vida a trabalhar em prol
de uma fórmula que viria a beneficiar toda a humanidade, quando na verdade
poderia ter escolhido outro caminho para dedicar todo este seu trabalho dentro do
mesmo ramo, a Física, mas sim em benefício próprio, por vaidade, por ganância,
por maldade e etc., mas assim não o fez. Então, por pior que tenha sido o seu
KARMA "criado" por más vibrações altruístas de tônica sutil, repercutem em
ressonâncias harmoniosas principalmente no plano MENTAL, são mais fortes e
anulam pouco a pouco as suas penas a resgatar.

Nota: Mesmo tomando conhecimento das "Verdades da Sabedoria


Teosófica", nas quais baseiam-se todos os conhecimentos de todas as religiões do
planeta Terra, primitivas ou não, devemos respeitar o jeito de ver O KARMA ou
DESTINO pela ótica cigana, mesmo porque é muito difícil julgar-se as Tradições
e os Costumes de uma Etnia, mesmo que nos pareçam serem certas ou não,
necessárias ou obsoletas.

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O FATALISMO cigano é muito original, ele exprime essencialmente em
termos psicológicos e morais, sempre dentro de duas alternativas que medem o
DESTINO de cada indivíduo. São elas:

A) A felicidade, o acaso favorável, a sorte (BACHT em Romanê); e

B) A infelicidade, a desgraça, o azar (BIBACHT, em Romanê).

Este FATALISMO cigano foi deveras "alimentado" pelas condições difíceis e


incertas de uma vida nômade onde não existe uma segurança econômica estável.
Eles nunca possuíram uma atividade fixa durante os muitos séculos em que todos
os ciganos eram nômades, criou-se, portanto, dentro deles então, uma aceitação
fatalista de que o pouco que conseguissem já seria lucro. Errantes perpétuos
durante longos períodos de sua história refugiaram-se nas experiências que
obtinham de seu estreito laço com o PASSADO, com sua TRADIÇÃO, sem nunca
se sentirem estimulados a inovarem.

O futuro está para os ciganos na mesma linha que o passado, ambos não
podem ser modificados, foram apenas "doados" ao seu Povo, já possuindo de
antemão um início, um meio e um fim, previamente traçados pela mão de DEUS, o
"DESTINO". Nem mesmo lutam contra a hostilidade que outros povos têm para
com eles, as aceitam como um estigma a ser vivenciado pelos ciganos em geral, e
vivem inventando lendas que atestem o "por que" deste seu tão difícil DESTINO,
é mais fácil do que tentar modificá-lo, mesmo porque dentro do modo de SER
CIGANO eles nos diriam:

E modificar para que? Não devemos mexer em nosso DESTINO.

As "rejeições gadjés" baseiam-se na incompreensão das Tradições e


Costumes Ciganos, por isso um cigano há de sempre se sentir como um
estrangeiro em meio a outros homens de outras culturas, embora ambos vivam na
mesma terra de um mesmo país.

É através desta crença cigana no poder do DESTINO, que se baseiam o


surgimento dos mitos, das práticas supersticiosas e os ritos mágicos ciganos,
sempre girando em torno de um mesmo tema: A SORTE A SER RESGUARDADA
E O AZAR A SER AFASTADO, ESCONJURADO. Todo este comportamento
fatalista não pertence exclusivamente ao POVO CIGANO, mas sim a todos aqueles
que levam o mesmo tipo de vida, só que dentro de mundo cigano, tudo isto toma
uma forma própria, e, sobretudo repercuti junto sua psicologia religiosa e sobre sua

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maneira de integrar ao seu tipo de "religiosidade" os empréstimos efetuados em
outras religiões. Sim, porque os ciganos só assimilam o que desejam da Cultura
Social ou Religiosa de outros povos.

Dentro deste seu peculiar modo de ser frente sua TRADIÇÃO, o cigano só
identifica-se sobremaneira com a sua Tribo, ma presa por demais sua liberdade
individual, que é, no entanto uma estranha liberdade:

Cada cigano faz o que quer, quando quer, onde quiser desde que não
infrinja as normas de sua TRADIÇÃO, quer dizer, na verdade, é uma
liberdade mais utópica que real, pois ela é limitada.

Em meio ao seu grupo o cigano é generoso, geralmente nunca desconfia de


outro cigano, espera sempre LEALDADE de seu irmão étnico; mas se esta lealdade
não existir, as punições serão severas, e o cigano melindrado jamais se esquecerá
da traição sofrida, e a fama de DESLEAL granjeada pelo outro cigano correrá de
CLÃ para CLÃ, de TRIBO para TRIBO, por léguas e léguas, nem o tempo apaga
esta mancha.

Por muitas vezes esta "fama de desleal", traiçoeiro, perverso, tornam-se


ESTÍGMAS que passam a pertencer a várias gerações dentro de um CLÃ, daí
nascem as brigas, animosidades e rejeições entre as várias famílias ciganas, por
vezes nem eles mesmos sabem qual a razão de se detestarem, pois o ato errado
praticado por um ancestral de um dos CLÃS, já caiu no esquecimento, mas a
animosidade hereditária continua mais viva do que nunca, mesmo que na
atualidade não mais exista um motivo real para continuar alimentando-a

É triste se constatar, mas existem ódios e repulsas dentre famílias ciganas


que já estão atravessando a quinta geração!

Mas isto não é um comportamento emocional e social próprio só dos ciganos,


e sim encontrado em meio a vários Povos, se assim não o fosse não teriam se
desagregado a Iugoslava ou a Tchecoslováquia, por exemplo. Infelizmente
estes comportamentos passionais negativos fazem parte da natureza humana.

Em contraponto a este posicionamento passional negativo tão radical,


o cigano que tirou um bom proveito de um negócio reparte com aqueles que com
ele vivem e são menos favorecidos pela sorte.

Como vemos é o cigano altamente passional, vive suas emoções com muita
intensidade, passam do ódio ao amor, da ira a passividade, com a maior facilidade.

Um cigano pode estar a brigar com outro e um minuto depois estarão os dois

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a se abraçar, dividindo o mesmo copo de vinho.

Uma cigana que pragueja contra outra, pode um instante depois estar a
dançar alegremente com a mesma companheira destinaria de seus insultos.

É de costume cigano praguejar a esmo, chorar com facilidade, rir a solta, ter
uma autocomiseração exagerada, preocupar-se por demais com a opinião dos
outros, principalmente de seus irmãos de raça e, sobretudo de seus parentes.
Gostar de ostentação é uma característica cigana. Apreciam cores fortes, dourados,
brocados, jóias espalhafatosas, etc

O HUMOR CIGANO é oscilante como um pêndulo, pode estar eufórico ou


melancólico, alegre, animado, ou depressivo, triste. E isto se faz sentir em suas
próprias músicas e danças folclóricas, é um misto de alegrias e tristezas, são bem
ciganas. Os ciganos dançam ou tocam seus instrumentos preferidos quando estão
alegres, mas fazem o mesmo também quando estão tristes. SER CIGANO é amar
a dança, a música, o canto, independente do seu estado de espírito.

Faz parte dos costumes cigana o ato de se esbofetearem a si próprios quando


estão zangados ou envergonhados, e de rasgarem suas roupas quando estão muito
tristes.

Quando estão eufóricos, felizes, fazem de viva voz, em alto e bom tom, vários
vaticínios sobre sua própria pessoa, como por exemplo:

"Serei o mais importante dentre todos, meus parentes e amigos


desejarão ter minha grande sorte, brilhante inteligência, arguta
astúcia..."

E daí por diante...

No caso de estarem com raiva vaticinam ameaças que nunca acontecem.

Exemplo: "Cuidado comigo, sou cigano, somente eu sei das


atrocidades de..."

Exemplo: "O mundo caiu sobre a minha cabeça, vou me atirar em um


poço bem fundo, pois morrendo esquecerei minhas tristezas e
aborrecimentos..."
Ou então dizem: "Vou arrancar a pele do meu rosto de tanta
vergonha..."

E assim prosseguem os "impropérios" ciganos que jamais irão as vias de

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fato. Faz parte de seus "costumes" dizê-los com bastante veemência e muito
alarde, porque superticiosamente acreditam que assim procedendo assustam o
MAU AGOURO, ou melhor, dizendo em romanê, as HOLYPI (bruxas malvadas), e
espantam o AZAR.

Apesar de um tanto ou quanto arredios, suas relações com os gadjés são


geralmente amistosas, pelo menos da parte cigana. Apesar das perseguições e
discriminações que vêm sofrendo há séculos, os ciganos, no entanto não são
agressivos sem uma razão concreta, nem tão pouco indiferente, dentro de uma
cautelosa distância intimista, eles tentam ser simpáticos, agradáveis, sendo sempre
muito prestativos todas as vezes que um gadjé solicita seu auxílio, haja vista os
inúmeros préstimos que os ciganos ofereceram em prol a ajudar a resistência aliada
gadjé contra o nazismo durante as duas Grandes Guerras. Em muitas cidades do
interior de diversos países, prestam os ciganos serviços à comunidade local através
da sua medicina alternativa, com a perícia de suas parteiras, além de levar a alegria
de suas músicas, cantos e danças as festas gadjés e etc.

Podemos terminar estes ensaios sobre o MODO DE SER CIGANO dentro de


sua TRADIÇÃO, sintetizando em um parágrafo toda a essência tradicional de sua
ETNIA, é simples como eles:

"O cigano gosta de ter muitos filhos, vive apaixonadamente a sua vida, mas
permanece calmo ante a morte como diante do perigo eminente. Ele é fatalista
sim, deixa-se conduzir pela ordem natural das coisas, não se revolta nunca contra o
seu DESTINO"

"A SINA ESTÁ ESCRITA" .....em romanê "ATIAS SINA LIBANÃO"

Outro dado importante a ser registrado e que pertence a TRADIÇÃO e


COSTUMES CIGANOS, é o de que não existem FAMÍLIAS NOBILIÁRQUICAS
em meio a este povo, desconhecem o que venha a ser ARISTOCRACIA, ela
pertence tão somente ao mundo gadjé.

Vejamos o que vem a ser esta ARISTOCRACIA em meio a estrutura social


do mundo gadjé?

É uma foram de governo que concentra o poder em um pequeno grupo de


pessoas, e este grupo é denominado de "NOBREZA". Quem pertence a um desses
"grupos" são chamados de "NOBRES", "FIDALGOS", são considerados pelos
demais de seu grupo, ou de outros similares, ou ainda por seus subalternos como

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pessoas de descendêncilustre, pois normalmente a ARISTOCRACIA vem de berço,
herança de família, daí a denominação FIDALGA indicada para as pessoas
desta classe social. A origem da palavra é espanhola: HIDALGO, que é a
contração de HIJO E ALGO, cuja tradução em português é FILHO DE ALGO ou
seja ALGUÉM IMPORTANTE. O FIDALGO vem a ser um verdadeiro NOBRE,
pois o é de nascimento, e não simplesmente "ENOBREADO", por obra e graça de
algum REI, IMPERADOR ou PRÍNCIPE que lhe deva favores ou deseja obtê-los.

Geralmente estes nobres viviam e vivem de rendimentos herdados de seus


antepassados.

Quando os ciganos adentram pela primeira vez em terras, lá pelos idos do


século XIII, encontraram uma EUROPA dividida em IMPÉRIOS, REINOS,
PRINCIPADOS, DUCADOS ARQUIDUCADOS, e etc...Até então eles nunca
tinham convivido com estes tipos de hierarquia nobiliárquica, conheciam tão
somente através de registros em sua Tradição, as divisões e subdivisões das
CASTAS INDIANAS, que nem sempre ocorriam por questões aristocráticas, mas
sim por se a INDIA até os dias de hoje, um país que abriga diversos povos, de
diferentes origens, costumes e tradições, que são as CASTAS, grupos sociais
endógamos (obrigação, para os membros de um grupo social definido, de se casar
dentro deste grupo)e hereditários que ocupam lugares rigidamente determinados
na hierarquia social.

Sabendo disto podemos melhor entender o porquê da rígida Tradição de só se


casarem ciganos em meio a sua etnia. DESCENDENTES DE CASTAS
INDIANAS, o RONS também é ENDÓGAMO.

Nota: Uma CASTA possui qualidade, gênero e natureza de uma raça ou


classe.

Os ciganos de início tiveram duas reações com relação a esse novo mundo
nobiliárquicas que estavam passando a conhecer: assustaram-se por um lado e por
outro maravilharam-se!

Seus olhos entre admirados e atônitos conheciam pouco a pouco esses


poderosos Senhores de títulos, terras e de tudo o que nelas havia:

- Pessoas, cidades ou aldeias, portos de navegação, comércio em geral,


agricultura, criação de animais, enfim, detinha total poder jurídico, eclesiástico
sobre tudo e todos que estavam em seus domínios.

Tudo era diverso dos seus costumes, em meio ao sistema social europeu, e

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surpreendia aos ciganos o fato destes nobres senhores e seus subalternos não
serem endógamos como eles, ciganos, e sim exógamos, quer dizer que fazia parte
de sua tradição a prática da isogamia, um sistema social em que os matrimônios
se realizam entre membros de outras castas, tribos, famílias ou clãs. Ainda muitas
outras novidades foram revelando-se para espanto e curiosidade cigana, suas tribos
recém-chegadas em solo europeu, sem interferir por demais em suas tradições e
costumes, tentaram adaptar-se ao sistema ocidental e granjearem com isto a
benevolência dos Senhores Feudais os que em muitas ocasiões foram bem
sucedidos. Obtinham cartas de apresentação, referências e proteção, que muito
lhes facilitava a vida nômade de um reino para outro, de um principado para um
ducado, e assim por diante... E como conseguiram cair nas boas graças desses
poderosos senhores? Para tanto prestavam serviços as Casas Nobres, vejamos:
Como músicos, dançarinos, cantores, circense que alegravam suas festas, como
domadores, adestradores e tratadores de cavalos (muitos tornaram-se cavalariços
das tais casas nobres), como ferreiros fabricando armas e armaduras, e sem outras
tantas modalidades de trabalho. Com tudo isto granjeou para os de suas tribos
muitos favores especiais, simpatias e benevolências.

Mas dentre estes "serviços" prestados por inúmeros membros de tribos


ciganas houve um que devemos destacar por ter sido origem de um estigma que
acompanha a etnia cigana até os dias de hoje:

"Cuidado com os ciganos, pois são ladrões de crianças...!!"

A verdade não era bem essa, ao contrário, eram os ciganos quem acolhiam
em seu meio as crianças abandonadas, rejeitadas, era o orfanato de uma EUROPA
(e mais tarde das AMÉRICAS) preconceituosa, que não aceitava filhos ilegítimos,
adúlteros, ou de moças ainda solteiras.

Este ORFANATO singular funcionava da seguinte maneira: Se uma mulher


casada, cujo marido estava sempre partindo para longas viagens de comércio, ou
para frentes de batalhas, ou como embaixador de seu país em terras estrangeiras,
tivesse um amante, era aceitável e compreensível dentro dos padrões morais da
época, mas jamais deveria vir a ter um filho dele.

Não possuíam as mulheres desta época muito conhecimento de métodos anti-


contraceptivo, e a prática de o aborto compreendia em risco de vida, portanto a
melhor forma encontrada era desfazerem-se destes filhos indesejados. Tinham
seus partos às escondidas em casas de caça em meio a florestas, em fazendas de
condados distantes, e na maioria das vezes em conventos religiosos. As crianças
nasciam e imediatamente alguma aia, freira, ou monja, as levavam para ciganas de
alguma tribo que por perto estivesse em um trato previamente combinado. O
mesmo ocorria com as jovens solteiras que engravidavam, ou moças que gestavam

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filho de algum homem casado ou clérigo. Aos ciganos eram dados estes bebês, com
a condição de que sumissem com eles para sempre.

E por que concordavam os ciganos com isto?

Primeiro é que para eles era chocante este "costume gadjé",


incompreensível dentro dos padrões morais ciganos, segundo, porque dando esta
"cobertura aos delitos" alheios eles agradavam aos aristocratas, terceiro porque
sempre recebiam um bom pagamento pelo serviço prestado, e principalmente por
este quarto item, viam na chegada desses "prentenços novos filhos", mais
pessoas para se agregarem e darem continuidade a sua etnia, modificando-a quem
sabe um pouco em suas características físicas, mais ao gosto do ocidente,
começaram então a surgirem ciganos loiros, ruivos, olhos azuis, peles alvas, de
altas estaturas e etc.

Jamais eles diziam as crianças adotadas que não eram seus filhos legítimos, o
segredo do seu nascimento era mantido para sempre no esquecimento de todas
estas crianças ou seus descendentes jamais souberam que pertenciam a poderosas
e ricas famílias nobres.

Foi daí que por verem crianças com biótipos tão diferentes dos ciganos em
meio as suas tribos, que as populações começaram a criar o estígma que
acompanha injustamente os ciganos até os dias de hoje, de são ladrões de
crianças. Nem para se defenderem destas infâmias quebravam os ciganos o
juramento feito de manterem no anonimato a origem destes meninos e meninas,
faz parte do seu código de honra ser fiéis ao juramento que fizeram.

Estas injustas conotações de serem ladrões de crianças era ainda mais


acirrada pelo fato de que devido a sua vida nômade, apátrida, os ciganos não
tinham o costume, nem o interesse de registrar nenhuma de suas crianças. Mais
tarde, com a imposição do mundo moderno, isto se fez necessário.

Por certo que ganhavam os ciganos algum "prêmio" para receberem de uma
vez para sempre estas crianças em seu meio, mas isto não era tão importante
como muitos historiadores nos querem fazer crer. É claro, que como todos, os
ciganos tinham precisão deste ouro, jóias ou moedas, mas não lhes era difícil
aceitar seus filhos adotivos com real alegria e amor, e tanto é verdade que não se
sabe que alguns desses "prentenços filhos" tivessem descoberto sua verdadeira
origem, amavam seus pais adotivos, seu povo adotivo, sua vida adotiva nômade e

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excêntrica em seus costumes e tradições. Tornavam-se verdadeiros ciganos de
traços fidalgos e porte altivo, inteligentes, lideres nato e muitos vieram a ser chefes
de grandes tribos.

Todo cigano "pensa grande", gosta de luxo e ostentação, faz parte do seu
modo de ser, gostaram, então, por demais dos TÍTULOS NOBILIÁRQUICOS que
aos poucos foram se tornando familiares aos seus ouvidos, mas não a sua
compreensão. Tomaram conhecimento de que além de IMPERADORES, REIS,
PRÍNCIPES, ainda existiam os DUQUES, MARQUESES, CONDES, VISCONDES
BARÕES E CAVALEIROS, gostaram de suas pompas galantes, passaram,
simplesmente porque acharam bonito, a adotar para si próprios os mesmos títulos
de nobreza, gozando dentre os seus irmãos étnicos de certos privilégios que os
distinguiam dos demais. Com o passar do tempo foram surgindo reis, príncipes,
duques, barões e etc, todos ciganos, uma aristocracia alegre, boêmia, trigueira,
exótica, de bem com a vida e com todos os povos, não importando de que etnia
fosse. Uma "aristocracia" sem fronteiras, sem posses de terras, irreverentes, que
na verdade ironizava os "verdadeiros e emperdenidos fidalgos".

Um tanto o quanto debochada, a pseudo aristocracia cigana era sumamente


democrática, pois seus pretensos reis, príncipes, barões, etc era, eleitos por um
conselho escolhido dentre os melhores representantes de sua tribo.

Até os dias de hoje ainda causa alguma surpresa o aparecimento de


prentenços "reis ciganos", "princesas ciganas", e etc, mas isto não espanta o
ciganólogo, pois sabem ser de costume deste povo outorgar-se títulos de nobreza.

Mas, na verdade, estes títulos não têm o mínimo valor histórico.

Em meio aos ciganos não existem grupos de castas aristocráticas, nem pelo
fato incontestável de que por certo muitos deles descendem dos nobres órfãos
perfilados como ciganos autênticos.

Nem mesmo esses próprios órfãos souberam de sua "real" origem, um


segredo cigano é entregue ao vento, e ele o leva para bem longe, onde nunca será
encontrado...

A "NOBREZA CIGANA" encontra-se em sua própria essência, repleta de


originalidade, de garbo, de desprendimento, de coragem, de habilidade, de
inteligência astuta, de obediência e amor a Deus e a tudo o quanto ele criou.

Não possuem "brasões nobiliárquicos", nem embasamentos reais,


principescos e etc. Sua "bandeira" é a roda da carroça que cima tem o céu, com

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toda a magnitude do universo cósmico, e abaixo tem a terra com toda a força e
magia que possui a Natureza. Se houvesse um "BRASÃO CIGANO" ele por certo
seria descrito assim...

Dentre os muitos ciganos que portaram títulos de nobreza, ou daqueles que


até os dias de hoje o fazem, existe um, contemporâneo, que realmente pelo muito
que fez por seu povo merece ser chamado de REI.

Seu nome é ÍON CIOABHA, cigano romeno, que durante as décadas de 70 a


90 lutou sem tréguas pelos direitos de seu povo, para que parassem de ser tão
perseguidos, fossem respeitados os seus direitos como representantes de uma etnia
das mais antigas, e por fim tivessem um lugar na ONU como tantas outras etnias.

Os próprios gadjés passaram a ver nele um grande líder e o denominaram de


REI DOS CIGANOS, o governo da ROMENIA acabou por reconhecer estes seu
posto de destaque em meio aos ciganos.

ÍON CIOABHA mereceu e soube ser um "verdadeiro rei", exerceu este


papel com seriedade e verdadeira nobreza, não de brasões, mas sim de espírito, de
integridade moral, de força fidalga que liderou sua luta em prol dos seus irmãos tão
desamparados frente a uma sociedade gadjé poderosa e intransigente.

Seu histórico nos conta que em 1981 ele foi eleito para presidir o
CONGRESSO DOS CIGANOS, em 1988 tornou-se representante de seu povo na
ONU, e finalmente teve a surpresa e a honra de ver reconhecido pelo Conselho
Nacional Provisório da Unidade Nacional Romena, como o REI DOS
CIGANOS.Talvez a predominância em seu sangue das características de seus
ancestrais os valorosos e garbosos JÃTS, fez com que ÍON CIOABHA, homem
cigano, portanto de raça ariana, soubesse ser com galhardia um verdadeiro REI
dentre os seus "pares"

OPTCHA!!! ÍON CIOABHA

CIGANOLOGIA

APOSTILA 14- As fragrâncias Odoríficas na Tradição Cigana e Perfumes


Ritualísticos, Classificações, Receitas, Água de Cheiro Romanê etc

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PODER DE SEDUÇÃO ODORÍFICA QUE TRAZ EM SI TODA A
NATUREZA.

E foi atentando para os suaves e inebriantes odores que vem das flores,
frutos, madeiras, ervas, sumos e seivas e etc, que os ciganos passaram a desejar
possuírem em si estes perfumes.

E como se aperceberam onde procurar o material necessário para o


fabrico destes óleos perfumados?

Muito simplesmente, quando colocavam certas madeiras na fogueira, ou


certas ervas, elas exalavam fragrâncias maravilhosas. O mesmo acontecia quando
estavam a gravar algum "sinal de estrada" em determinado tronco de árvore; ao
ser ferido pelo punhal este tronco, por sua seiva, por sua resina, ou por sua
madeira, também exalava inebriante odor. O mesmo ocorria quando partiam galhos
na mata, espremiam folhas ou pétalas de flores entre os dedos, e daí por diante...

O PERFUME está muito ligado às Tradições Ciganas, quer seja ritualístico,


ou simplesmente para aromatizar ROMS E ROMIS, os ciganos são vaidosos por
demais, trazem em si a vaidade pessoal como característica étnica.

Usado em rituais de magia como purificadores e catalisadores de bons fluídos,


os perfumes usados pelos ciganos foram de início confeccionados muito
primitivamente, a base de resinas e madeiras perfumadas, conhecimento que
trouxeram dos tempos em que estiveram no noroeste da Índia.

Com o passar dos séculos eles foram elaborando pouco a pouco o manufator
de seus perfumes, acrescentando às resinas e madeiras...

Passaram a conhecer e conviver no momento em que adentraram pela


Europa.

Mas há um detalhe importante, estes chamados “perfumes ciganos” na


verdade é “óleos perfumados”, a semelhança dos indianos, talvez pela força de
tradição trazida pelos Roms.

Nesta rota perfumada eles começaram o fabrico de óleos perfumados e dentre


eles surgiram os óleos de banhos, com fins de magia de sedução ou de purificação,
óleos perfumados para massagem corporal, usados para relaxamento ou em rituais.
Passaram também a fabricarem o talco, muitíssimo apreciado dentre os ciganos, as

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loções perfumadas e refrescantes para a pele, purificadores de ar, para uso
ritualístico ou como equilibrador das energias ambientes, e também algumas
colônias.

Em matéria de fragrâncias os ciganos têm preferência pelos florais


adocicados ou os amadeirados, jamais usam perfumes cítricos ou de alfazema,
isto por conta de suas supertições, pois acreditam que a alfazema afasta a
pessoa amada, e os aromas cítricos atraem discórdia.

Nos dias de hoje acredito que os ciganos continuam a usar abundantemente


seus “perfumes”, mas sua maioria os compra já industrializados, e somente
algumas poucas tribos conservam a tradição de confeccionar os seus próprios
perfumes, e dentre esta minoria estão aqueles que residem em terras de baixíssima
temperatura, outros em terras agrestes em paises árabes, na Europa apenas os
grupos de pouca renda, mas entre esta minoria há um ponto em comum: - Ainda
são todos nômades.

Isto vem reforçar que realmente a vida nômade pode ser mais difícil,
trabalhosa, sacrificante, e até mesmo, por que não dizer, perigosa, mas ela
REFORÇA A TRADIÇÃO CIGANA, a mantém viva, as dificuldades dão alento
para que a ANTIGA SABEDORIA que sempre garantiu aos ciganos a sua
sobrevivência por milênios, não caia no esquecimento.

Que VIVAM E RESISTAM os últimos nômades do planeta terra, pois eles


trazem em si registros tradicionais, que fazem parte da MEMÓRIA DA HISTÓRIA
DA HUMANIDADE.

Os ingredientes da perfumaria cigana são bem baratos, pois são retirados da


própria natureza, com já vimos anteriormente, e são chamados de “óleos
essenciais”. Trata-se de produtos destilados de fontes naturais como gomas e
resinas odoríficas, folhas frescas ou secas, botões, flores, frutos, nozes, feijões,
vagens, sementes, raízes, galhos e a própria madeira. Cascas de árvores, musgos,
liquens e transpirações vegetais balsâmicas e resinosas também são fontes
possíveis.

Abaixo estão relacionadas algumas destas “fontes” naturais tão bem


conhecidas pelos “homens da estrada”:

1) PLANTAS, ARBUSTOS E ÁRVORES FLORÍFERAS - Cravo, jacinto, jasmim,


junquilho, mimosa, narciso, resedá, rosa e violeta.

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2) ÓLEOS DE FOLHAS – Canela, cedro, eucalipto, laranja-da-terra, louro e
patchuli

3) ÓLEOS DE MADEIRAS – Aloés, bétulas, alcatrão, cânfora, cedro, louro, pau-


rosa das Índias Ocidentais, sândalos e sassafrás.

4) FOLHAS, AGULHAS E GALHOS – Os pinheiros (espécie silvestre ou


siberiana), cajepute, cássia, cedro, cipreste.

5) ÓLEOS DE CASCAS – Bétula, canela, cássia.

6) ÓLEOS DE FRUTAS FRESCAS – Amêndoa, cidra, lima, tamarindo, tangerina.

7) ÓLEOS DE SEMENTES – Angélica, cardamomo, cenoura, cominho,


mostarda, salsa.

8) ÓLEOS DE FRUTAS SECAS – Anis, funcho, noz-moscada.

9) RAÍZES – Angélica, gengibre, lírio-florentino.

Os grãos e sementes odoríficas recheiam saquinhos (sachet) que serão


usados por sob as vestes ciganas de algumas tribos em certos países
(principalmente os árabes), também entre seus guardados para perfumá-los, ou
dentro de travesseiros para que além do bom perfume ainda permitam que os
Roms e Romis tenham bons sonhos, afastando as más influências.

Diz uma lenda cigana que dentro dos grãos e semente que possuem
agradáveis perfumes vivem pequeninos seres, fadinhas muito delicadas e
vaidosas, são elas quem os odorífica, e que devemos sempre agradá-las com o
que mais apreciam: “Sons harmônicos, agradáveis”, por isso sempre deve-se
balançar junto aos vidros onde guardamos os grãos e semente pequenos sinos
ou guizos, assim elas ficam felizes e eles não perdem o perfume.

Anteriormente já falamos das nove “fontes naturais” das quais os ciganos


obtém material para o fabrico de seus “óleos perfumados”, mas ainda há uma
fonte a ser especificada, a décima, da qual falaremos com certo destaque, por ser a
mais usada.

10) ÓLEOS DE ERVAS – Absinto, alecrim, aneto, arruda, camomila, esclareia,


estragão, funcho, gerânio, hortelã, hortelã-pimenta, orégano, poejo, salsa,

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sálvia, santonina, tanásia, tomilho, verbena.

Talvez seja os mais usados por serem de fácil acesso, os componentes deste
décimo item estão sempre a mão em qualquer carroça, trailer, tenda ou casa
cigana.

Ainda nos resta falar de mais cinco “fontes naturais”, dentre cujos itens
alguns são desconhecidos a nível popular aqui em nosso país, o Brasil, por serem
de origem oriental ou européia, mas por certo bem conhecidos pelos perfumistas
do mundo todo.

11) ÓLEOS DE CAPIM – Citronela, erva-príncipe, gin gergrass, palmarosa,

12) ÓLEOS DE FOLHAS SECAS – Louro-cerejo, eucalipto, patchuli.

13) BOTÕES E FRUTAS SECAS – Cravo, cubeba, junípero, pimenta-da-jamaica.

14) ÓLEOS DE BÁLSAMOS – Bálsamo-de-beca, bálsamo-de-tolu, bálsamo-do-


peru, copaíba, ládano.

15) GOMAS – Mástique, elemi, estoraque, gálbano, mirra, olíbano, apopânace.

Por serem sempre obrigados a acampar nas preferias das cidades, desde sua
chegada as terras européias, onde ficavam os grandes depósitos de lixo, foram os
ciganos os primeiros recicladores de lixo da história. Do que era jogado fora
pelas populações gadjés, os ciganos sempre tiraram o seu sustento: matéria
orgânica para adubo, couro, fibras, metais (principalmente o cobre), madeiras,
mármores, tecidos e etc.

E nos últimos séculos “frascos” que embora vazios eram de grande valia par
que guardassem seus vinhos, remédios, bálsamos, ungüentos e principalmente
“perfumes”!!!

Mas quanto aos “frascos para perfumes” recebiam um trato especial, além
do comum a todos os outros: passavam por uma esterelização com água de
chuva fervente.

Os para perfumes recebiam adornos ao “gosto cigano”, coloridos e


rebuscados, e muitos destes adornos eram também retirados do próprio lixo, como
medalhas partidas, pedrarias, miçangas, pedaços de lindos tecidos rasgados (com

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os quais criavam suas exóticas e populares saias de retalhos), cacos de porcelana
ou metal, franjas ou borlas d seda, plumas e penas, e daí por diante.

E assim, com imaginação e habilidade manual que lhes são peculiares, foram
os ciganos criando os seus próprios frascos e trajes, decorados ou ornamentados ao
seu gosto, tornando-os “ambos lindos peças de arte, e Únicas!!! Isto é válido
tanto para os seus ornamentos quanto par os seus criativos trajes.

A NECESSIDADE FEZ COM QUE OS NÔMADES CRIASSEM COMO NINGUÉM


UMA “ESTRANHA ARTE” APARTIR DA SUCATA, DANDO VALOR AO QUE OS
OUTROS DESPRESARAM, PARA QUE DEPOIS ESTAS MESMAS PESSOAS
VIESSEM A ADIMIRAR E IMITAR OS ADORNOS E TRAJES CIGANOS, MAL
RECONHECENDO NELES O QUE ATIRARAM AO LIXO.

Como o Romanê era ágrafo, os ciganos para identificarem seus perfumes ou


propriedade de magia que continham, colocavam em seus decorados frascos
símbolos significativos, assim surgiram:

A GARÇA – Atrairia “boas novas”

O CORAÇÃO – Induz ao amor

A SERPENTE – Induz à sedução

A CRUZ – Traz a Proteção

A BORBOLETA – Induz o encanto, a delicadeza

O PUNHAL - Induz a magia ritualística, a sortilégios

A RODA – Induz à aventura

O TREVO – Atrai sorte

O SAPO – Traz fecundidade

A CORUJA – Proporciona vidência extra-sensorial

O MORCEGO – Proporciona a visão “além das aparências”, a lucidez

O CORVO – Proporciona a sabedoria

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ESTRELA DE CINCO PONTAS
LUA CHEIA
Frascos que portavam estes símbolos indicavam
LUA EM QUARTO
serem os seus conteúdos perfumes ritualísticos
CRESCENTE
LUA AZUL = LUA NOVA
CHAMA ARDENTE

O aroma possui grandes poderes de magia e psíquicos, e os ciganos como


qualquer outro povo descendente de antigas civilizações sabe disto perfeitamente.

E quais são estes poderes dentro do conhecimento da tradição Cigana?

1) Fornecer um veículo ou base natural para o espírito manifestante (espíritos


angélicos ou da natureza). Portanto, é necessário queimar incenso odorífico e
criar uma densa nuvem de fumaça, na qual o cigano (a) imaginará a entidade
desejada.

2) Os perfumes são uma oferenda para a entidade com que se quer estabelecer
a comunicação, na maioria das vezes solicitando proteção do Anjo da
Guarda. Santo...A “comunicação” também pode ser pretendida para obter
ajuda de um elemental da natureza, ou a um símbolo do gênio Divino, ou do
Eu superior (a Alma). Em operações mais específicas, há um aroma para
cada classe de ser das dimensões mais internas, funcionando como uma
espécie de “cartão de visitas”.

São as chamadas “CHAVES OLFATIVAS”

3) Finalmente temos o importante efeito intoxicaste dos poderosos e penetrantes


odores sobre a própria consciência, cada um acompanhando a invocação de
uma entidade, uma santidade ou uma divindade.

Nota Elucidativa: Devo aqui registrar que todo este conhecimento cigano e
os de outros povos antigos, encontra-se registrado dentro da CABALA, cuja

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tradução é “ELA” a síntese de todo “CONHECIMENTO”

“A cada letra do alfabeto hebraico é atribuída uma infinidade de


correspondências, de espíritos, inteligências, cores, gemas, idéias, incensos e
perfumes (odores). Separando as letras do nome de um espírito e consultando
as autoridades competentes, é possível criar uma combinação de odores que
formará o nome do espírito pelo sentido do “olfato”. Essa combinação de
perfumes poderá sugerir à imaginação o espírito adequado, que será evocado pelos
ritos certos. Não restam muitas dúvidas quanto à sugestividade essencial dessas
fragrâncias, pois mesmo as pessoas comuns consideram alguns incensos ou
perfumes sedutivos e excitantes, como o almíscar e o patchuli, outros
perfumes são considerados extremamente fragrantes e estimulantes, e outros
ainda, sedativos”.

Para que entendamos a predileção e respeito que os ciganos têm pelos


perfumes, devemos retornar nos TEMPOS, e tomarmos conhecimento de que o
tipo de alquimia que visa rejuvenescer ou preservar o corpo físico descende da
alquimia egípcia, de orientação mais física. As tradições de uma alquimia espiritual
e do consciente vêm principalmente da filosofia islâmica e oriental. Pelos emprego
da alquimia, os povos antigos pretendiam produzir elixires medicinais, essências e
tinturas. O nome “alquimia” deriva de uma antiga denominação para o Egito pois
é daí que a ciência surge no Ocidente. Essa ciência experimental rudimentar
aprimorou a mumificação com o uso de substâncias vegetais. Os diversos aspectos
da alquimia se espalharam por todo o Oriente Médio e chegaram até a Europa na
época das cruzadas.

Como vemos vem dos tempos que passaram no Egito e outras terras dos Islam
e conhecimento cigano sobre como fazer seus próprios perfumes, e a valorização
que dão a elas, que passaram a fazer parte de seus costumes tradicionais. Muito
devem ter aprendido com os árabes que parece foram os descobridores do método
da destilação ou extração do espírito da substância fragrante. Os “óleos
essenciais” eram equiparados ao “enxofre volátil”, também conhecido como a
“alma dos perfumes”.

Até então, antes de sua estada em terras do Islam, os ciganos só conheciam


perfumes extraídos de gomas e cascas de árvores. Contam-nos as antigas
lembranças da Tradição Cigana uma velha e romântica história:

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Certo dia uma princesa árabe de nome NOURMAHAL teria mandado colocar
em seu barco uma grande bacia com água e rosas vermelhas, para que ela pudesse
deliciar-se com o perfume das flores. Em pouco tempo apareceu um óleo flutuando
na superfície da água. Era o efeito do calor do sol sobre as flores, que fazia surgir
boiando no líquido a materialização da “alma do perfume”.

Independente de como tenha sido descoberto, o processo primitivo de


destilação era simples, e foi este método rudimentar que atravessou os séculos
junto aos ciganos quase em nada ele o modificaram.

Colocadas num alambique de cobre, ou caldeira, e este era levado ao fogo. O


equivalente a quase dez quilos de flores era aquecido em setenta litros de água, e o
vapor era canalizado para um tanque, onde se condensava e escorria para um
frasco. Essa quantidade de flores produz o equivalente a nove litros de água de
rosas (ou outra flor).

Trinta e seis litros dessa água são redestilados, produzindo apenas quatro
litros e meio de destilado. Quando ele resfria, o “atar” se evapora e é coletado
com uma pequena concha semelhante a um cone invertido. O óleo rapidamente se
solidifica, e o excesso de água é filtrado.

Os sábios Kakus nos ensinam que este moroso e complicado método


rudimentar de destilação perfumista tem analogia com o desenvolvimento
psicológico e espiritual. A destilação pode simbolizar a meditação ou o esforço da
mente para subir ao plano das idéias arqutípicas.

A destilação demonstra a interação constante das complementaridades,


MATÉRIA E ESPÍRITO. Nesse caso o processo alquímico é dividido em quatro
fases:

1) O ESPÍRITO alcança uma consciência separada da matéria.

2) Depois de algum tempo o ESPÍRITO deseja identificar-se com todo o


universo e sublima, abandonando a MATÉRIA.

3) A MATÉRIA, porém atrai o ESPÍRITO de volta para si, percebendo que


enriquecer a consciência dessa maneira faz parte do plano evolucionário da
criação.

4) Os dois, ESPÍRITO E MATÉRIA voltam a unir-se.

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“SUBLIME O CORPO E COAGULE O ESPÍRITO”

Já na FRANÇA, por volta de 1875, aprenderam os ciganos com o povo desta


região o processo da enfleurage, que é uma maneira de extrair o óleo
mergulhando as flores numa camada de gordura, e a maceração, por este método
as pétalas das flores são imersas em gorduras líquida ou em óleos submetidos a um
leve calor. Tanto num método como no outro, depositam-se novas flores...

EXEMPLO:

A) ENFLEURAGE serve para o lírio-do-vale, jasmim, tuberosa, flor de laranjeira,


junquilho, e outras...

B) MACERAÇÃO serve para a acácia, rosa, cravo, violeta e outras...

“O OLFATO É O SENTIDO DA IMAGINAÇÃO”

Concluímos então, que os perfumes produzidos pelos próprios ciganos são de


odores simples, que normalmente consistem na solução de um “atar” ou “óleo
essencial” extraído de uma substância vegetal em álcool.

Guardando em meio às suas tradições o que aprenderam junto aos árabes, e


aperfeiçoaram junto aos franceses, os ciganos sabem que os óleos essenciais são a
base de qualquer perfume, sua concentração e os ingredientes que os
acompanham determinam o tipo de produto pretendido. Começaram suas
experiências com combinações muito simples como rosa-lavanda, rosa-canela com
um pouco de almíscar ou jasmim e néroli (o mesmo que flor de laranjeira).

Continuaram unindo o almíscar ao âmbar-cinzento, e ambos a rosa. Pra


aromas mais campestres, usavam o patchuli unido a lavanda, a rosa, almíscar ou
âmbar-cinzento. Bálsamo, cedro ou sândalo misturados com almíscar e canela
forma uma boa fragrância masculina cigana.

Cortavam essas misturas simples com álcool a fim de criar uma variedade de
perfumes.

Usavam pequenos funis e conta-gotas de vidro, utensílios também pelos


perfumistas. Os...

Antiga receita cigana, afrodisíaca, para ser queimada no próprio quarto:

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RECEITA: Misture almíscar em pó, sal, algália ou pedaços de sândalos.
Acrescente pétalas secas de flor de laranjeira ou rosa. Recomendam os ciganos
consagrar esse óleo antes do uso com as seguintes palavras:

- Com a mistura de fragrâncias nas mãos, olhe para um céu estrelado, procure
VÊNUS e diga com devoção, respeito e sobretudo firmeza a pequena trova...

“VINDE A MIM DAMA AZUL, VINDE A MIM...


DA NOITE ÉS A ESTRELA RAINHA
VÊNUS SENHORA DO AMOR
ABENÇOE ESTES AROMAS
“COM MÁGICOS DONS E LANGOR.”

Para dar propriedade mágica específica ao perfume, fazem os ciganos o


seguinte ritual:
- “Com o frasco de perfume nas mãos procure isolar-se, tanto faz ser de dia
ou de noite, cerra os olhos e imagine uma luz branca e brilhante que desce do
firmamento e lhe envolve totalmente, tente visualizar mentalmente o símbolo que
identificará a propriedade do perfume, sinta o seu odor e enquanto isto se esforce
para “sentir emocionalmente” o que deseja deste líquido aromático: sorte? Amor?
Proteção? Fecundidade? Sabedoria?...

Seja o que for você por certo obterá, pois assim firmemente o deseja.

Independente de qual for o “dom de magia” pretendido no perfume, diga


sempre esta mesma evocação:

“Ó Senhor dos Céus e da Terra e do Fogo,


Das grandes águas do Mar,
Santificai este perfume
Para que qualquer um que sinta este aroma
Seja liberto de pensamentos e intenções malignas
E pense apenas no amor.
Consagrai as fragrâncias deste perfume
Para que um demônio que sinta seu aroma
Não possa realizar nenhum mal.
Coloque neste líquido aromático

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Os dons de magia que desejo,
É o que vos rogo,
Oh! Senhor do grande Céu
Da Mãe Terra
Do poderoso Fogo
E do indomável Mar.”

Existe um mesmo costume tradicional tanto no casamento cigano como no


hindu,

Com sândalo, óleos perfumados e incensos que exalam vaporem fragantes.

Agora vamos tomar conhecimento de algumas criações de antigos perfumistas


ciganos:

1) Colocar em maceração dentro de um óleo refinado levemente aquecido um


bom punhado de folhas de hortelã pimenta. Deixe em fusão por um mês,
depois coe e o misture com uma lavanda bem leve.

Nota: Perfume com odor de menta anula feitiços malignos.

2) TINTURA DE BENJOIM: É preparada pelo processo de maceração com


álcool (20 parte de glóbulos em 100 partes de álcool).
Esse fixador tem um odor de vanilina doce e balsâmica. A líquida cor de âmbar
é antioxidante e é usado para curar a pele. Meio litro de álcool com fixador e 1
vidro de tintura de benjoim.

3) Como dentre outros povos, também era de costume cigano manufaturar


“COUROS PERFUMADOS”, para que com eles confeccionassem bolsas,
bornes, botas e cinturões perfumados, além de outras coisas.

Aprenderam os ciganos este processo junto aos russos, e levaram este

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conhecimento mundo afora, sendo ele hoje muito difundido na Espanha.

RECEITA: Deixe um pedaço de camurça imerso durante dez dias na seguinte


mistura:

- 5 partes de óleo de bétula processado


- 25 partes de óleo de sândalo
- 20 partes de bergamota
- 20 partes de óleo de folha de laranja-da-terra
- 10 partes de óleo de lavanda
- 10 partes de rosa sintética
- 900 partes de álcool industrial (preferência: cereal)

Escorra e seque o couro sobre um vidro, em seguida besunte-o com a mistura


abaixo e o mantenha prensado até secar:

- 150 partes de âmbar líquido


- 50 partes de olíbano
- 200 partes de glicerina
- 350 partes de água de rosas
- 250 partes de acácia em pó (ou jasmim)

Nota Elucidativa: Nem sempre os ciganos tinham ao seu alcance o álcool


de cereais, o substituíam por vodca e nem por isto seus perfumes perdiam em
qualidade, ao contrário, acentuava o seu aroma.

4) COLÔNIA: A fórmula básica de uma colônia é 1 parte de óleo, 6 partes de


diluente de perfume ou VODKA, e 1 parte de fixador. Experimente essa
receita aromaterápica:

- 5 partes de óleo de alecrim


- 20 partes de óleo de néroli
- 75 partes de óleo de limão
- 5 partes de óleo de lavanda
- 220 partes de bergamota
- 5.000 partes de álcool 90% ou de Vodka
- 1 garrafa de vodka

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- 1 essência Rosa branca
- 1 Fixador

5) ÓLEO PARA MASSAGEM CORPORAL: Contém de 1 a 3 % ou de 20 a 30


gotas de óleos essenciais puros por 30g. Experimente a proporção de 7g de
óleo fragrante para 110g de um óleo não fragrante como o óleo de germe de
trigo.

Uma mistura de óleo relaxante tem 10 partes de gerânio, 5 de lavanda, 4 de


manjerona. Com 7 partes de bergamota, 3 partes de rosa, 3 de jasmim e 7 de
sândalo, faz-se um óleo afrodisíaco.

6) ÓLEO ESPECIAL PARA BANHOS (MUITO USADO ANTES DE RITUAIS):


Contém uma percentagem razoável de óleos essenciais com óleo fixo de
aroma fraco. Uso de 5 a 10 gotas em uma tina ou banheira.

Experimente esta fórmula simples:

Em um vidro de óleo fixo (pode ser de glicerina), colocar 12 gotas de óleo de


sândalo e 8 gotas de jasmim.

7) TALCO DE BANHO: Os ciganos apreciam muito o uso de talco em si e nas


suas crianças.

É assim que fabricam os seus perfumados talcos: misturam algumas gotas de


uma mistura fragrante escolhida com maisena ou araruta.
Talco=Purificação

8) PERFUMADA LOÇÃO REFRESCANTE PARA PELE: Para uso após o


banho. Experimente 1 parte de óleo fragrante a escolha, 10 partes de vodka,
e 1 parte de fixador.

9) PURIFICADOR DE AR: Uma mistura de 12 partes de bergamota, 2 de


eucalipto e 4 de junípero aquecida com uma lâmpada fraca. É ótima para
refrescar o ambiente.

“O PERFUME É UMA ARMA DE ATAQUE OU DE DEFESA”


A frase transcrita acima demonstra bem o poder de MAGIA que contém o
perfume em si. Ele pode ter poder de atração ou de afastamento, de sedução ou
ser desatrativo, acelerar a mento ou colocá-la em estágio letárgico, e daí por
diante...

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Nesta parte de nossos estudos sobre os perfumes dentro dos costumes
ciganos, vamos conhecer as suas classificações no mundo da magia, conhecida não
só pelos ciganos, mas sim por todos os povos que preservam os sublimes
conhecimentos da Antiga Tradição.

O JASMIM é considerado o segundo aroma mais popular, perdendo


apenas para a rosa. Na antiga Pérsia o JASMIM é uma flor sagrada. O ÓLEO DE
JASMIM é usado no corpo para receber benção, proteção e sorte. Também é
usado como “óleo de unção” devótico ritualístico.

O PATCHULI é obtido das raízes secas de planta oriental cujas folhas são
ovaladas. Preferida planta atinge quase um metro de altura e produz flores
esbranquiçadas que, às vezes, revelam nuances púrpuras. O ÓLEO DE PATCHULI
é marrom avermelhado escuro, e tem um odor semelhante a MIRRA, doce e
pesado. Ele é considerado afrodisíaco, com poderes mágicos, atrae o sexo oposto
ou facilita separ...

ALOÉ é uma madeira em pó, cujo aspecto físico imediatamente sugere


pureza de aspiração, de desejos. O ÓLEO DE ALOÉ é calmante e também
funciona como estimulante psíquico, representa a “cura vinda da LUA”.

A FRAGÂNCIA DE BAUNILHA é um estimulante aromático, revigorando as


funções mentais e aumentado a energia do sistema anima (ou seja, magnetismo
animal). Este óleo é muito usado para aliviar, curar, trazer sorte e em “misturas
mágicas de amor”.

ÓLEO DE MIRRA é muito eficaz para afastar o mal e quebrar encantos.


Popularmente é usado para proteger amigos.

ÓLEO DE BENJOIM proporciona prazer sensual e aumenta a beleza, quer a


“interior” ou a “física”.

ÓLEO DE VIOLETA é excelente para quebrar o poder de encantos e afastar


feitiços malignos. Ajuda também a superar os problemas de casais ou entre
amigos.

ÓLEO DE CANELA está ligado ao SOL, ele exala um cheiro que lembra o
doer de um dia quente de verão, é altamente sensual a sua fragrância.
ÓLEO DE SEMENTE DE AIPO usado para purificar a mente e clarear as
idéias em trabalhos psíquicos.

ÓLEOS DE LÓTUS é usado para cura em geral, catalisar energia e

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fertilidade.

ÓLEO DE PEPINO possui vibrações altamente curativas, alivia e clareia as


idéias.

ÓLEO DE ANGÉLICA é muito sensual, fornece magnetismo pessoal ao seu


usuário.

ÓLEO DE GARDÊNIA é usado para sanar brigas entre casais e restabelecer


a paz e o amor no relacionamento.

ÓLEO DE CÂNFORA é usado como energizante psíquico e fonte de poderes


ocultos em mistérios lunares, também é indicado em massagens corporais para
ganhar força no tônus muscular.

ÓLEO DE ERVILHA-DE-CHEIRO usado para promover amizades e atrair


amantes.

ÓLEO DE SEMENTE DE CENOURA é calmante, afasta a negatividade.

ÓLEO DE SÁLVIA acalma os nervos, ajuda na meditação, e pode ser usado


no corpo antes de dormir para se ter um sono tranqüilo.

ÓLEO DE LAVANDA é usado para melhorar as finanças, para acumular


energias e trazer tranqüilidade aos negócios, e aos relacionamentos.

ÓLEO DE LILÁS ajuda na memória incentiva a inteligência, traz paz e


harmonia para vida cotidiana.

ÓLEO DE LIMA serve para restaurar as energias.

ÓLEO DE LÍRIO-DO-VALE acalma os nervos o os acessos de raiva,


promove a paz espiritual

ÓLEO DE MADRESSILVA é um estimulante mental usado também para


desenvolver a intuição e a percepção psíquica.

ÓLEO DE ORQUÍDEA melhora a criatividade e a clareza mental.

ÓLEO DE AMÊNDOA é usado para estabelecer vibrações harmônicas e


magnéticas no amor e na amizade

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ÓLEO DE CAMÉLIA quem faz uso deste óleo marca a sua presença, torna-se
“inesquecível”!!!

ÓLEO DE COENTRO é afrodisíaco e aumenta a atração física.

ÓLEO DE COMINHO traz paz e harmonia e garante a fidelidade do parceiro.

ÓLEO DE ROSA é muito usado em rituais, traz vibrações harmoniosas e


induz pensamentos afetuosos.

ÓLEO DE MANJERICÃO é usado em ritos de exorcismos e como proteção.

ÓLEO DE TREVO é usado para atrair sucessos e sorte

ÓLEO DE NOZ-MOSCADA protege quem o usa de todo o tipo de mal.

ÓLEO DE CIPRESTE atrai ganhos financeiros.

ÓLEO DE ARRUDA é usado como auto defesa psíquica.

ÓLEO DE ÂMBAR-CINZENTO é usado como atrativo e energizante.

Chego ao término destas classificações sobre alguns destes “ÓLEOS


ESSENCIAIS”, vários outros ainda existem a serem relatados, mas se isto
ocorresse, alongaria em muito esta listagem.

O PERFUME USADO RITUALISTICAMENTE

Em vários rituais os ciganos fazem uso de perfumes, na sua maioria das vezes
o odor dos mesmos é fundamental para o bom andamento do rito em si. Vejamos
agora alguns exemplos de como isto funciona:

1) O ÓLEO DE PATCHULI é usado por uma noiva cigana antes de dar início a
sua noite de núpcias. O RITUAL consiste em banhar-se em água morna,
mais uma colher de sopa deste óleo, pedindo que o magnetismo de sedução
apodere-se do seu corpo. Após o banho não deve enxugar-se com toalha, e
sim naturalmente.

2) O ÓLEO DE ALOÉ é usado em ritual por uma Kaku quando vai fazer um
parto, ou por um Kaku quando vai prestar um serviço de cura. Para tanto
ambos esfregam em suas mãos boa quantidade de perfume a base deste

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óleo. Ou em ritual lunar.

3) A FRAGANCIA DE BAUNILHA é usada pelas ciganas quando estão a


praticar a quirologia, ou a quiromancia, ou a cartomancia. Antes de dar
início a sua jornada de trabalho passam este perfume entre as sobrancelhas,
solicitando que sejam revigoradas suas funções mentais, e aumentando o seu
magnetismo pessoal.

4) ÓLEO DE MIRRA ou de VIOLETA é usados em rituais de magia para


quebrar encantamentos, ou como proteção, para isto traçam com o perfume
braceletes em torno aos tornozelos e pulsos.

5) ÓLEO DE CANELA é usado em rituais de magia com fim de obter virilidade.


Além de passar esta fragrância sobre a pele, costuma o homem cigano
banhar-se em água contendo perfume a base deste óleo

6) ÓLEO DE SEMENTE DE AIPO é usado em rituais de magia que exijam


clareza de raciocínio, equilíbrio emocional, e muita concentração. Por conter
em si estas “propriedades”, este ÓLEO ou perfume a base dele, é muito
difundido em meio aos ciganos circenses, que enfrentam todos os dias em
seu trabalho perigos de vida; como trapezistas, domadores, equilibristas,
malabaristas e etc. É de costume dentre estes ciganos passarem perfume a
base deste óleo entre as sobrancelhas, no local designado de “terceiro
olho”, como podemos notar é um costume de origem bem indiana.

7) ÓLEO DE JASMIM é usado, sobretudo em rituais devocionais, ou como


benção. É perfume a base deste óleo que é usado para a “unção” de
SANTA SARA, como também é colocado, na mesma proporção de medida
que o vinho tinto, na água do 1º banho do recém-nascido.

8) ÓLEO DE FLOR DE LÓTUS é usado em rituais para obter fertilidade. Ele é


curativo e energizador. Seu emprego é através de perfumados banhos ou
esfregado na região do estômago e ventre em rituais mágicos.

9) ÓLEO DE ACÁCIA é usado em rituais de magia tanto pelos Kakus, quanto


por ciganos, quando desejam ter sonhos proféticos. Para tanto passam
perfume a base deste óleo entre as sobrancelhas, e com o dedo indicador
umedecido neste mesmo perfume, traçam os símbolos (são 2) que
personificam A CORUJA em seu colchão, travesseiro ou almofada.

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10) ÓLEO DE GARDÊNIA muito usado em rituais mágicos para obter a
reconciliação de casais ou amigos. Para tanto são perfumados com perfume
a base deste óleo, lenços, mantas, talismãs, amuletos e etc, que depois são
ofertados a quem desejamos reatar.

11) ÓLEO DE CÂNFORA é poderoso e muito usado em rituais de magia


secretos, de poderes ocultos

12) O PERFUME A BASE DE ÓLEO DE SEMENTE DE CENOURA é usado nas


águas de banho de uma cigana que esteja de resguardo, para acelerar a sua
purificação

13) PERFUME A BASE DE ÓLEO DE ROSA é usado no ritual de noivado e


casamento cigano. Os noivos são perfumados com esta fragrância antes de
dar início ao rito propriamente dito.

14) PERFUME A BASE DE ÓLEO DE ERVILHA-DE-CHEIRO é usado em ritual


de magia para afastar a solidão. Passa perfume a base deste óleo na região
do cardíaco (coração), e do umbilical (umbigo)

Nota: Sem darem estas denominações esotéricas às regiões onde passam o


perfume, os ciganos demonstram ter conhecimento da existência dos chacras.

15) ÓLEO DE MANJERICÃO é usado em ritual de magia exorcista, como


também passam perfume a base deste óleo (ou ele mesmo em si) no corpo
de um falecido, para que parta protegido e em paz para a “outra vida”, pois
os ciganos acreditam por demais numa outra existência, em outro plano de
vida, onde seu povo se reencontra com seus ancestrais e permanece unido
em harmonia.

Além destes, é claro que outros óleos aromáticos também são usados em
determinados rituais, mas os nesta apostila especificados são os mais corriqueiros.
pelo Kaku (seja homem ou mulher) de sua tribo, mas a razão real de magia, o
"chamado pulo do gato", um cigano (a) jamais o saberá, muito menos os
porquês e senões que circundam e velam todo rito mágico, isto pertence a uma
casta e seus membros não os revelam. Não se "faz um feiticeiro ou mago
cigano", ele nasce assim com esta função pré estabelecida dentre seu povo.

Nota Elucidativa: Em um RITUAL os óleos aqui mencionados podem ser


substituídos por falta do desejado, mas sempre por outros óleos que possuam as

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mesmas propriedades condizentes com o RITO que será feito.

PASSAREMOS AGORA A TOMAR CONHECIMENTO DE SIMPATIAS DA


CULTURA CIGANA ONDE SÃO USADOS "PERFUMES"

SIMPATIAS AMOROSAS

1) Para manter ao seu lado aquele(a) que deseja:

Procure tirar despercebidamente algo pessoal feito de tecido sem que ele
(ela) se aperceba. Em seguida ensope este tecido com perfume a base de ÓLEO
DE AMÊNDOA, passe-o a ferro, e enquanto o calor sobe do tecido úmido,
aquecido pelo ferro, vá dizendo:
"Fragrância de Amêndoa, tu que possui a virtude de estabelecer
vibrações harmônicas e magnéticas no amor e na amizade, faze com que
fulano(a)....(dizer o nome completo), mantenha-se feliz ao meu lado, que
me receba como companheiro(a) no espaço de cem sóis e me dê tão
grande confiança como São José depositou na Virgem Maria. Que assim
seja. Eu (dizer seu nome completo) me ponho nas mãos de...(dizer o
nome completo do pretendido), ornada com a fragrância com que
perfumei este tecido,que tornará ao sei dono(a) e o manterá ao meu lado
por obra e graça do Senhor que rege o sutil poder dos odores. Amém"

Nota: Após o término deste ritual, na primeira oportunidade deverá devolver


despercebidamente o objeto ao lugar de onde o retirou, caso seja impossível tal
façanha, coloque-o ao menos dentre os pertences de seu dono(a).

2) Para fazer "alguém vir a amá-lo(a):

Molhar um estilete com a ponta envolvida em algodão em perfume a base de


ÓLEO DE BAUNILHA, e escrever o nome do pretendido(a) em 3 folhas de árvore
odorífica a sua escolha (folhas de laranjeiras, roseiras, por exemplo), e dizer com
fé:

"Eis aqui a vontade


De meu coração apaixonado,
Que...(nome)...venha a me amar
Em breve e de bom grado.
Que o "odor da Baunilha"
Faça vibrar o seu coração,
E traga aos meus braços o(a)...nome...
Vibrando de pura emoção.

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Que estas folhas de árvore
Guardem o meu segredo perfumado"
Guardar estas folhas dentre seus pertences sigilosamente, até que alcance
seu intento, ou não mais queira que ele se realize. Quando um ou outro caso
ocorrer, queime as folhas, e entregue suas cinzas ao vento.

É importante que todos aqueles que praticam uma "simpatia magista"


saibam que a questão de tempo no mundo etérico, onde na verdade é que ocorre
todo o processo de "encantamento", não é o mesmo de nosso plano físico, portanto
não deve se ter pressa quanto aos seus resultados, nem tão pouco desconfiar dos
poderes das forças evocadas por não serem "elas" imediatistas, pois as mesmas se
voltarão contra você. São "forças" que provem de entes que agem e reagem por
"pura emoção", não racionalizam. O BEM E O MAL físicos não existem em seu
mundo paralelo da mesma forma que no nosso, portanto suas atitudes BENÍGNAS
E MALÍGNAS advêm de nós mesmos, os humanos, na verdade daquele que
pratica o ato de EVOCAÇÃO DE ENCANTAMENTO, de suas vibrações no CAMPO
DOS DESEJOS, ou seja, no plano EMOCIONAL.

3) Simpatia de Sedução - Simpatia para ser atraente (homem ou


mulher).

Tomar com freqüência, pelo menos uma vez por semana, um banho com
água perfumada com fragrância a base de ÓLEO DE SÂNDALO e "adoçada"
com uma colher de sopa de açúcar cristal.
Deixe-se secar naturalmente.

4) Simpatia para superar problemas amorosos.

Comprar um vasinho de violetas bem florido, enterrar junto ás suas raízes um


pequeno papel contendo o seu nome completo escrito entrelaçadamente com o
de seu amado (a), e todos os dias, quando for cuidar desta plantinha dizer:
"VIOLETA ÉS PODEROSA E BELA”.

Continuação da Simpatia para superar problemas amorosos:

- Amarre como oferenda ao elemental que vive nesta planta, um laço de fita
roxa embebido em fragrância de violeta, e durante todo o tempo que aguardar,
que seja atendido o seu desejo, use abundantemente em si perfume a base de
ÓLEO DE VIOLETA.

Esta simpatia também servirá para cortar o mal que alguém fez a você, ou lhe
desejou. Para tanto basta entregar as raízes do pé de violetas o nome completo
de quem quis malignamente lhe atingir, e proceda o ritual da mesma forma que

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na simpatia anterior, apenas haverá uma pequena mudança na evocação, que
passará a ser assim:
VIOLETA ÉS PODEROSA E BELA
E SUA MAGIA CORTA A MALDADE,
ANIQUILE COM A FORÇA DO DESEJO DE ...(NOME)
DEVOLVENDO-ME A TRANQÜILIDADE.

SIMPATIAS CURATIVAS

1) Contra dor de dente:

Fazer um chá com uma xícara e meia de água fervente, mais 5 gotas de
essência de VIOLETA, em seguida bochechar. Entre um bochecho e outro
diga:

VIOLETA DELICADA FLOR


A QUEM DEUS DEU O DOM DA CURA,
LIVRAI-ME DESTA DOR
QUE SE O QUISERES POUCO DURA...

2) Para fazer cessar o soluço

Passe perfume a base de ÓLEO DE ALOÉ na garganta, no estômago e no


umbigo da pessoa que sofra de soluço. Depois dá-se a beber ao mesmo, meio
copo de água, mas antes lhe pergunte:

- Fulano de tal o que é isto?


(e mostre-lhe o copo com água)
ou outro responde: - Água benta por N. S. JESUS.
Outra pergunta é feita...

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Continuação da simpatia contra soluço

Quem soluça responde: - É o perfume que exala as bençãos do Senhor.


Então pra finalizar, diz-se: - Pois agora beba desta água e livrar-se-á de
seu soluço, com este líquido sorverás o "odor que cura".

Deve repetir o ato de beber por 3 vezes seguida, entoando também


por 3 vezes o nome ALOÉ com a sonorização de AMÉM.
SIMPATIAS PREVENTIVAS

1) Simpatia para engravidar:

Fazer um saquinho com pó de serragem embebido em perfume a base de ÓLEO


DE LÓTUS, e carregá-lo consigo no momento de fazer sexo.
Caso deseje que o seu parceiro o AME E DESEJE cada vez mais, faça um
saquinho igual, só que o pó de serragem deverá ser embebido em
FRAGRÂNCIA DE ROSAS.

2) Simpatia para reatar uma amizade:

Numa 6a feira de lua cheia, a meia noite, escrever atrás de uma porta de
casa, ou de um tecido que cerra uma tenda, ou de uma porta de carroça ou
trailer, o nome de quem se deseja, usando par isto um pequeno estilete com
ponta envolta em algodão e embebido em perfume a base de ÓLEO DE
MIRRA.

Diga, então, por 3 vezes: - Fulano de tal foi-se embora e não voltou. Que o
poder da fragrância de MIRRA o traga de volta, pois para o poder do ODOR não
existe tempo, espaço, distância, nem lonjuras. Que assim seja, o que PERFUMA O
BEM TEM FORÇA!!!

Simpatia para acalmar os nervos de alguém...

Em quem sofre dos nervos deve-se passar no alto da usa cabeça, na


sua nuca e no seu coração, uma fragrância a base de ÓLEO DE LÍRIO-DO-VALE
dizendo:

"DEUS FEZ O LÍRIO SÍMBOLO DA PUREZA


DEU AO SEU ODOR O DOM CALMANTE
QUE AMANSA OS ÂNIMOS
AFUGENTA A IRA
E APROXIMA OS ANJOS."

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Nota: Caso não seja possível passar o perfume na própria pessoa que está
precisando de ajuda, passem-o em seu travesseiro, seus lençóis, ou em sua manta,
ou almofada, ou colchão, dizendo em viva voz a mesma evocação acima transcrita.

4) Simpatias para prevenir a feiura (faz ser elegante e aprimora a


beleza)

Colocar junto a sua cama uma pequena moringa com água perfumada com
fragrância a base de ÓLEO DE BENJOIM. Todas as noites passar suas mãos
umedecidas nesta água aromática por seus cabelos, seu rosto e todo o seu corpo.
Depois colocar a moringa sobre sua cabeça, e a equilibre apenas com a ajuda de
sua mão direita. Ande 37 passos para frente e 37 passos para traz e diga:

"O CIGANO É UM POVO QUE CAMINHA


TANTO PARA FRENTE, COMO PARA TRAZ,
AMAM A HARMONIA É VERDADE
POIS SE BELEZA VEM DE DEUS,
CAMINHA COMO ELEGÂNCIA A LIBERDADE,
E AMBAS SÃO PARCEIROS SEUS...!

SIMPATIAS PROTETORAS

Simpatia para obter ganho de dinheiro, boas oportunidades


financeiras e etc.

Use sempre consigo um lenço que foi embebido em perfume a base de ÓLEO
DE LAVANDA

Simpatia para livrar-se de perseguições:

Fazer um saquinho de pano branco, desenhar nele uma estrela de 5 pontas, e


dentro dele colocar pó de serragem embebido em ÓLEO DE VIOLETA ou ÓLEO
DE MIRRA, e carregá-lo sempre consigo. O importante é que sempre que se
lembre, deve dizer a seguinte oração:

"BELA ESTRELA QUE GUIA OS CIGANOS, E QUE ORIENTOU

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LIVRANDO-OS DE VÁRIAS ARMADILHAS, PROTEJEI-ME DE TODAS AS
TORMENTAS, AMÉM"

Simpatias para livrar-se de "gordura" indesejada:

Em todo período da lua minguante (7 dias) a noite passe um algodão em todo


seu corpo embebido da seguinte mistura: 1 colher de sopa de perfume de maçã,
misturado com meio copo de leite.

Nota: Caso deseje emagrecer somente em certos lugares, passe o algodão


somente ali.

Simpatia para evitar ou livrar-se da insônia:

Nada melhor que um travesseiro feito de paina ou marsala embebida em


perfume a base de ÓLEO DE SALVIA, e queimar folhinhas de SALVIA em um
potinho de louça ou barro a sua cabeceira.

Nota: As folhas devem estar secas, e utiliza-se um bom punhado das


mesmas.

Simpatia para driblar a velhice:

Conservar com aparência jovem, plena de energias e atrativos, deve fazer uso
de perfume a base de ÓLEO DE CRAVO, plantar um pé de cravo e mante-lo
em sua casa, ou ter sempre destas flores em seus vasos ornamentais.
Procure saber o dia devotado ao seu SANTO PADROEIRO ou preferido, neste dia
procure a IGREJA onde tem sua imagem consagrada.

Vá até ele ou ela, e lhe ofereça um maço de belos cravos (na cor desejada), e
diga com respeito, devoção e firmeza:

"MEU SANTO (A)...BENDITO(A)


A SABEDORIA CIGANA ENSINA
QUE SE "CRAVOS" EU LHE OFEREÇO
“JOVEM E VIBRANTE EU PERMANEÇO.”

Depois de ofertar os CRAVOS, passe então a esfregar as mãos com perfume


de fragrância de cravos, e vá dizendo mentalmente, "com a voz de alma"

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-"O que direciona esta sabedoria cigana? Com 4 cravos seria crucificado
Jesus, mas um cigano apiedou-se e conseguiu esconder um cravo, gostaria de ter
feito o mesmo com os outros cravos, mas foi impossível...

Então, o Senhor agradecido abençoou a flor que tem o nome de cravo


e deu ao povo cigano o direito de pedir o que lhe aprouvesse a SI, a MARIA,
aos ANJOS e a todos os seus SANTOS.

E ASSIM EU O FAÇO, AMÉM"

CIGANOLOGIA

APOSTILA 14– Qual a Classificação certa para Ciganos?

Existe uma grande controvérsia dentre os próprios ciganos com relação a que
denominação classificatória específica deles mesmos.

Seriam “eles” uma RAÇA ou tão somente um POVO?

Suas facções seriam BANDOS, TRIBOS, GRUPOS, ETC?

Para quem estuda ciganologia é importante tomar conhecimento da realidade


cigana frente aos demais povos deste planeta.

E como chegaremos a esta realidade? Através da luz dos estudos, das


pesquisas e etc.

De onde vem esta LUZ que ilumina o PASSADO E O PRESENTE de tantas


civilizações, e nos deixa entrever o seu FUTURO com certa facilidade?

Vem da ANTROPOLOGIA e da ETNOLOGIA.

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Paremos um pouco para analisarmos o que realmente são:

- A ANTROPOLOGIA é a CIÊNCIA que estuda a história natural e cultural do


homem e dos grupos humanos.

- A ETNOLOGIA é o estudo do conjunto dos caracteres culturais de cada etnia.

Vamos então viajar conduzidos por esta LUZ, com a pretensão de chegarmos ao
final desta viagem à sua conclusão de como classificar os ciganos.

A) RAÇA:

- É a subdivisão de uma espécie.


- Sucessão de ascendentes e descendentes de uma família, um povo, uma geração.
- Categoria, espécie, classe.
- Boa Origem
- População que resulta, seja por seleção, da subdivisão de uma espécie, e que
possui certo número de caracteres comuns transmissíveis de uma geração para
outra.

B) POVO:

- Conjunto de indivíduos que constituem uma nação.


- Conjunto de indivíduos de uma mesma religião, cidade, vila e pequena povoação.
- Lugarejo, aldeia, vila, pequena povoação.
- O público, considerado em seu conjunto.
- Multidão.
-

C) ETNIA:

- Agrupamento com estrutura familiar, econômica e social homogênea, e cuja


unidade baseias-se em língua, cultura e consciência grupal comuns.

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D) CLÃ:

- Que advêm da palavra escocesa “CANN” – é o conjunto de indivíduos


consangüíneos cujo parentesco se define por um ancestral comum.

E) GRUPO:

- Parte homogênea de um conjunto em uma determinada classificação.


- Conjunto de coisas ou seres da mesma natureza, com características comuns.
- Conjunto definido pelo número ou quantidade, ou seja “bando”.
- Conjunto de pessoas com atividades, comportamentos, atitudes ou objetivos
comuns.

F) BANDO:

- Grandes números de pessoas ou animais.


- Facção, partido.
- Quadrilha de mal feitores.

G)FACÇÃO:

- Grupo divergente de um partido ou uma cultura.


- Bando sublevado (de rebeldes, amotinados e etc)

H)TRIBO:

- Palavra que advêm da denominação latina TRIBUS, que denominava os três


povos que fundaram ROMA.

- Aglomeração de famílias que vivem na mesma região, um dispositivo social


comum, tendo primitivamente uma mesma origem.
- Grupo primário de uma sociedade, ou subgrupo resultantes desta, cujos membros
estão ligados entre si por obrigações recíprocas.
- Divisão da população, em certos povos.

Depois de viajarmos em meio a tantas definições, chegamos a seguinte conclusão:

- “OS CIGANOS SÃO NA VERDADE UMA ETNIA QUE VIVEM EM GRUPOS,

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BANDOS OU TRIBOS”
Esta ETNIA CIGANA tem subdivisões:

1) Primeiro advêm o CLÃ, a família de ciganos consangüíneos, sob o comando


de um patriarca.
2) Em segundo surgem as TRIBOS (GRUPOS OU BANDOS), que na verdade
são agrupamentos de várias famílias ciganas que possuem primitivamente
uma mesma origem.
3) Estas TRIBOS quando reunidas formam GRUPOS ÉTNICOS. (Ver itens
1,2,3 e 4 referentes a GRUPOS)

É muito difícil caracterizá-los como um povo ou uma raça, não preenchem todos
os quesitos necessários.

De POVO só possuem o item 7 fornecido em definição anterior, e de RAÇA só


possuem os itens 2 e 3. Portanto os CIGANOS não poderão ser categoricamente
classificados como um POVO, nem como uma RAÇA.

Com características semelhantes de CLÃS para CLÃS, e diversas de


TRIBOS para TRIBOS, formam os ciganos GRUPOS nômades de pessoas
diversificadas mas que adotam um mesmo estilo de vida e comportamento.

Aqui em nosso país, os ciganos não suportam serem classificados pela palavra
TRIBO, talvez por desinformação, já que poucos possuem o básico de uma
escolaridade, eles associam esta “classificam” (TRIBO) como a querer igualá-los
a povos subdesenvolvidos, primitivos, selvagens, com acentuadas características
indígenas, pois para “eles” TRIBO é de ÍNDIO, o que não é real, nem de uma
foram, nem de outra.

Como já vimos acima a palavra TRIBO não classifica-se só dentre as nações


indígenas, e ser índio também não é pejorativo, pois é bela a definição do que é
ser um índio, o mesmo que aborígene, indígena...
O índio é um indivíduo pertencente a um povo originário e senhor da
região ou país onde vive.

Aborígene, denominação concernente a valorosa raça vermelha, cuja


cor corresponde a um dos limites visíveis do espectro solar.

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Os índios possuem costumes, línguas e ritos religiosos próprios, relativos a
nação a que pertencem.

E o que são NAÇÕES INDÍGENAS?

- São comunidades humanas, fixadas em sua maioria num mesmo território cujos
membros estão ligados por laços históricos, étnicos, lingüístico e culturais.
Os índios são originários somente das Américas, e na vastidão territorial destes
continentes (América do Norte, Central e Sul) houveram grandes NAÇÕES
INDÍGENAS aniquiladas pela selvageria de irresponsáveis e gananciosos
representantes da RAÇA BRANCA, e até os dias de hoje ainda valorosamente
resistem algumas NAÇÕES, vivendo em territórios restritos à eles outorgados, cujo
nome é “RESERVAS INDÍGENAS”.

Os ÍNDIOS com sua pureza de espírito e sua sabedoria milenar muito nos
ensinaram, e ainda temos muito o que aprender com eles. Quem sabe então
deixaríamos de ser tão selvagens!...

Mas voltemos ao motivo de nossos estudos, OS CIGANOS, e vamos ver as


definições que encontramos sobre eles em dicionários abalizados como o
LAROUSSE CULTURAL e o AURÉLIO BUARQUE DE HOLANDA:

Definição pelo LAROUSSE CULTURAL da palavra CIGANO:

CIGANO: - Indivíduo dos ciganos, povo nômade de origem incerta e discutida, que
pratica quiromancia, quirologia, cartomancia e comércio em geral.
- Indivíduo de vida errante,
- Indivíduo velhaco, astuto, trapaceiro, sabido...
- Boêmio, errante

Definição de AURÉLIO BUARQUE DE HOLANDA da palavra CIGANO:

CIGANO: - Indivíduos de um povo nômade, que tem um código ético próprio e se


dedica à músico, vive de ler a sorte, de comércio e etc...
- Homem de vida incerta.

E para uma maior complementação dos nossos estudos, vejamos ainda a


seguir algumas definições relativas ao mundo cigano. Nelas coincidem os mesmo

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significados, tanto no LAROUSSE quanto no AURÉLIO.

CIGANADA: - Ação própria de cigano, ciganice


- Bando de ciganos

CIGANEAR: - Andar sem rumo


- Levar a vida incerta, errante, semelhante a dos ciganos.

CIGANICE: - Modo de ser dos ciganos


- Artimanhas para iludir nas compras e vendas, como se diz no popular, “fazem os
ciganos”...
- Elogio interesseiro.

BOÊMIOS: - Povo originário da BOÊMIA, na TCHECOSLOVÁQUIA.


- Denominação também dada a raça nômade que se supunha natural da região da
BOÊMIA, na TCHECOSLOVÁQUIA.
- Pessoas de vida desregrada e sem preocupações com o futuro, de vida airada,
amantes da farra, noitadas, bebidas e vadiagem.

ZÍNGAROS: - A mesma definição dada para CIGANOS.

NÔMADE: – Denominação dada as tribos ou povos que estão sempre a deslocar-se


em busca de caça, alimentos, água, pastagens, trabalho, etc...levam, enfim, uma
vida errante.

ANDARILHO: - Aquele que anda muito.

ORGANIZAÇÕES CIGANAS INTERNACIONAIS: Para que se obtenha sempre


novas informações sobre CIGANOLOGIA.

AREAT – ASSOCIATION REGIONALE D´ETUDES ET D´ACTIONS AUPRES


DE TSIGANES.

POUR EN SAVOIR PLUS : AREAT - 2, RUE DE LA RÉPUBLIQUE


13001 MARSEILLE - FRANÇA
TÉL. 04 91 13 25 30 - FAX 04 91 90 21 34
E-MAIL: AREAT@WANADOO.FR

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ROMANI UNION – ROMANO INTERNACIONALNO JEKHHETHANIBE
NGO MEMBERSHIP I TEH UNITED NATIONS ECONOMIC AND SOCIAL
COUNCIL SINCE 1979

U.N. HEADQUARTERS
INTERNATIONAL ROMANI UNION
MANCHACA. TEXAS, 78652-0822 – USA
TEL AND FAX (512) 282-1268

APARTADO DE CORREOS 202


08080 BARCELONA - ESPANA
TEL. 934 12 77 45
FAX 934 12 70 40
HP: HTTP://WWW.UNIONROMANI.ORG/INDEX_ES.HTM
E-MAIL: U-ROMANI@PANGEA.ORG
------------------------------------------------------------------------------------------------------
UNISAT – UNION NATIONALE DES INSTITUIONS SOCIALES D´ACTION
POUR LES TSIGANES

2, RUE D´HAUTPOUL
75019 – PARIS
OU
59, RUE DE L'OURCQ
75019 - PARIS
TÉL. 01.40.35.00.04
FAX 01.40.35.12.40
HP: HTTP://WWW.UNISAT.ASSO.FR/ACCUEIL.HTML
E-MAIL: INFO@UNISAT.ASSO.FR

------------------------------------------------------------------------------------------------------

INDIAN INSTITUTE FOR ROMANI STUDIES AT CHANDIGARH, INDIA

INSTITUTE &/OR ROMA PUBLICATIONS AT: 3290/15-D - 160 015 CHANDIGARH,


INDIA
PHONE: 0172 548941.
HP: HTTP://WWW.ROMANI.ORG/
E-MAIL: ROMA@ROMANI.ORG

INSTITUTO ESPAÑOL DE ESTUDIOS GITANOS

LA CENIA, 10

LUCIANA HENUD – TEL. (21) 3326.33.37 - luhenud@hotmail.com 203


46001 VALENCIA
VALENCIA
HP: HTTP://WWW.PANGEA.ORG/AECGIT/BOLETINES/BOLETIN2-
DIRECTORIOS.HTM

------------------------------------------------------------------------------------------------------
ASSOCIACIÓN SECRETARIADO GITANO Y FEDERACION DE
ASOCIANCIONES GITAS

C/ MAGDALENA, 151
FERROL (LA CORUÑA) – ESPANHA

------------------------------------------------------------------------------------------------------
ASSOCIATION LES AMIS DES GENS DU VOYAGE EM ILLE FT VILAINE

23 AVENUE D´ILLE DE FRANCE


3.500 – RENNES – FRANCE

------------------------------------------------------------------------------------------------------
CENTRO STUDI ZINGARI
[CENTRO DE ESTUDIOS GITANOS]

ARCO DELLA PACE, 5


00186 – ROMA – ITÁLIA
OU
VIA DEI BARBIERI 22
00186 ROMA
TEL. 06 / 6833181
HP: HTTP://MEMBERS.XOOM.VIRGILIO.IT/MCRS/CENTRO_STUDI_ZINGARI.HTM
E-MAIL: MCRS@TISCALI.IT

------------------------------------------------------------------------------------------------------
ASSOCIAZONE ITALIANA ZINGARI OGGI(A.I.Z.O)

SEDE NAZIONALE
CORSO MONTEGRAPPA, 118 – 10145 TORINO
TEL: 011/7496016
FAX: 740171
HP: HTTP://WWW.FLASHNET.IT/USERS/FNO29392
E-MAIL: ZINGARIA.I.Z.O@FLASHNET.IT
CENTRO SOCIALE NOMADI

VIA DE CHIUSE, 101

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10144 – TURIM - ITÁLIA

------------------------------------------------------------------------------------------------------
CENTRO CULTURAL GITANO

LEVANTE, 1 BARRIO DE LA MINA


SAN ADRIAN DEL BESOS – BARCELONA – ESPANHA
TEL: 933819504
E-MAIL: CCGLAMINA@HOTMAIL.COM

------------------------------------------------------------------------------------------------------
ASSOCIACIÓN GITANA DE SABADELL

C/SAL, 75 (ESTANCO)
SABADELL – BARCELONA/ESPANHA

Como pudemos verificar em pequena amostra oferecida nesta apostila, o


movimento cigano a nível internacional é, no momento, bem grande e provido
de esperança. Devido as dificuldades por que passam os ciganos na Europa, sua
consciência de unidade pela defesa de sua Cultura é grande, e tem acenado com
itinerários comuns para...

ESTRUTURA SOCIAL CIGANO DO GRUPO ROM:

SUB-GRUPOS: Ex.: KALDERASH, LOVARA, TCHURARA, MATSUAIA,


MOLDOVANO, URSARI, ETC..

TRIBOS: SERBIAYA, RUSSURYA, XORAYAYA, ETC...

IDIOMAS: ROMANÔ (ROMANÊ) com diferenças locais.

ESTRUTURA SOCIAL CIGANA DOS GRUPOS SINTI E/OU MANUCHE:

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Nota elucidativa: Aqui ocorre uma divergência, enquanto alguns etnólogos
os consideram um só grupo, outra corrente os separa, individualizando-os.

SUB-GRUPOS SINTIS: SINTIS FRANCESES, SINTIS POLACOS, SINTIS


ALEMÃES (norte e sul), SINTIS AUSTRÍACOS, SINTIS SUIÇOS, SINTIS
ALSACIANOS, SINTIS PIEMONTESSES E ETC...

SUB-GRUPOS MANUCHE: (Em geral circassianos) TAMBÉM SÃO


ENCONTRADOS NESTAS MESMAS REGIÕES DA EUROPA.

LÍNGUA OU DIALETO: MANUCHE OU SINTO com variações locais.

GRUPOS GITANOS, OU CALON, OU CALÉ: Em sua maioria radicados na


ESPANHA.

SUB GRUPOS: EX: - CALONS, CATALÃES, CALONS CASTELHANOS, CALONS


ANDALUZES, CALONS PORTUGUESES, CALONS DA AMÉRICA DO SUL E
CENTRAL E ETC.

EXEMPLO DE ALGUNS CLÃS/FAMÍLIAS CALONS: MONTOYAS, SAVEDRAS,


SILVAS, TORRES, CABEÇAS E ETC.

LÍNGUA OU DIALETO: CALÔ

OS CIGANOS E CIGANAS DO GRUPO ROM SÃO DENOMINADOS DE: ROM E


ROMI(ROMIE)

OS CIGANOS E CIGANOS DO GRUPO CALON SÃO DENOMINADOS DE:


CALON E CALIN

OBSERVAÇÃO: AINDA NOS DIAS DE HOJE EXISTEM INÚMERAS TRIBOS DO


GRUPO ROM ESTABELECIDAS TÃO SOMENTE EM TERRAS DE DOMÍNIO
ÁRABE, ONDE PRATICAM UM NOMADISMO CIRCUNSCRITO. QUANTO A
ESTES SUB-GRUPOS ROMS POUCO SE TEM REGISTROS, NEM DO MANTANTE
REAL DO SEU CENSO.

LÍNGUAS CIGANAS.

Celebrou-se em BARCELONA em meados de 1974 o congresso MUNDIAL


PARA O ESTUDO DE LÍNGUAS CIGANAS. Somente depois dele ter ocorrido é

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que surgiu uma documentação básica a respeito desta língua desconhecida e
mutante, a qual os próprios ciganos tinham acesso até bem pouco tempo.

A “LÍNGUA CIGANA” é uma das mais antigas do mundo, de puríssimas


raízes sânscritas.

Em outro Congresso Mundial, este tão somente de “dirigentes” ciganos,


realizado em LONDRES e organizado pela GYPSY CONCIL daquele país, sob os
auspícios de KONITIA LUMIATI ROMANI (COMITÊ INTERNACIONAL
CIGANO), representantes ciganos de mais de vinte países participaram. As línguas
oficiais usadas durante o congresso foram: o calo, o francês, o inglês, o russo,
e claro o romanô.

Graças ao estudo, precisamente da língua cigana, os pesquisadores e


estudiosos lingüistas, puderam constatar com certeza a ORIGEM DA ETNIA
CIGANA, que não é certamente o EGITO (como já estudamos nas primeiras
apostilas), embora escutemos com freqüência esta citação, principalmente em meio
aos próprios ciganos, mas sim a ÍNDIA, onde até os dias de hoje ainda se fala
dialetos cuja maioria das palavras são idênticas a LÍNGUA CIGANA DO GRUPO
ROM, principalmente dentre os ciganos europeus.

Foram então estes estudos lingüísticos que terminaram por demonstrar a


perfeita afinidade da língua cigana com a dos indianos da REGIÃO SUR, desde
AMRESTIR até A COSTA DE MALABAR; o que atesta ser a língua cigana
derivado do SÂNSCRITO realmente, pois MALABAR fica situada na costa da
ÍNDIA.

Antes que as evidências da ciência lingüística atestasse as verdades sobre a


origem do ROMANÔ ou ROMANÊ, muitos ciganólogos, confusos com tantas
diversidades de informação, insistiam na teoria de que essa língua, o ROMANÔ,
compõe-se das palavras CALÔ, outras primitivas importadas, muitas tomadas
da língua germânica antiga, mais certos vocábulos “inventados” pelos próprios
ciganos, e que com o passar do tempo adquiriram no seu dialeto uma certa
“cidadania”

Em síntese, queriam dizer que a língua cigana seria composta por pretensos
vocábulos, com dicções compostas de uma mistura do calo com o alemão, e mais
inúmeros termos aciganados e flamencos.

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Por que ocorreu esta divergência sobre o corpo lingüístico do ROMANÔ? Até
então, profundos estudos ainda não tinham sido feitos, ...

Como os ciganos são um povo nômade, trouxeram de suas origens este


idioma, mas foram obrigados por força das circunstâncias ao seguinte:

Por necessidade de comunicação


Para obterem uma mais rápida aceitação de convívio por parte dos povos
das novas terras que iam conhecendo em suas viagens errantes.
Por assimilação auditiva
Ou até mesmo por vício de linguagem.
Acoplaram os ciganos à sua língua primitiva palavras, sufixos e prefixos, e
expressões idiomáticas de outras línguas. Aí, surge então um ROMANÔ com
variações marcantes em seu contexto, de acordo com a área geográfica onde estão,
ou de onde os parentes próximos de sua família descendem. Mas, lingüisticamente
a ciência nos atesta ter sempre esta LÍNGUA CIGANA, o ROMANÔ, preservado
os seus radicais SÂNSCRITOS através dos séculos, pois de há muito os ciganos
ROMS partiram das terras indianas rumo a sua saga pelo mundo a fora.

Nota: “ O GASO ROMANÔ” foi inspirado no título de um antigo jornal


TSIGANO DA ROMÊNIA (Em Lê Droit de Vivre –Licra) e, por um lingüista
francês de nome J. KOCHANOWALD.

Esse dicionário romani, hindu, inglês e russo, tem a enfeitar o centro de


sua capa fronteiriças a famosa RODA INDIANA DO SANSARA, tornou-se ele
próprio a bandeira apresentada no II CONGRESSO ROM DE GENEBRA, no ano
de 1978, tende a colaboração de vários renomados lingüistas, entre os quais de
um grande especialista em SÂNSCRITO.

Esta capa de dicionário que se transformou na primeira bandeira a


representar a ETNIA CIGANA, veio a coincidir com hieróglifos da TRADIÇÃO
deste povo, que sempre usou como símbolo que o represente a RODA, talvez,
intuitivamente, ou por “memória ancestral” baseando-se mesmo na RODA
INDIANA DO SANSARA, ou seja a RODA DAS REENCARNAÇÕES.

Existe, também, esta bandeira a representar a ETNIA CIGANA, mais ou


menos no mesmo tema que a capa do GLASO ROMANÔ. Ela é dividida
verticalmente em duas partes, a esquerda da cor verde folha, a direita da cor azul-
celeste, bem no centro, sobre a divisória, há uma grande roda de carroça, símbolo
eternamente a representar o povo cigano.

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Ninguém sabe na verdade quem a idealizou e confeccionou pela primeira vez, o
certo é que esta bandeira surgiu para conhecimento público pelas mãos do ator de
cinema YUL BRYNNER, de origem cigana, quando tentando sanar problemas
sérios sofridos pelos ciganos da ex-IUGUSLÁVIA, que lutavam por direitos
adquiridos relacionados a “terras”, ele fincou esta bandeira em território da ex-
IUGUSLÁVIA, como um protesto a favor dos ciganos, e uma tentativa de dar o
primeiro passo para que fosse fundada uma NAÇÃO CIGANA, no que não foi bem
sucedido apesar de suas boas intenções.

CIGANOLOGIA

APOSTILA 15– O Vaso da Harmonia

De todas as “sabedorias ciganas” esta é de minha preferência, muito bela e


eficaz, pertence à Tradição das tribos itinerantes da Europa.

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O VASO DA HARMONIA é o espelho da vida em comum de um casal, as
sementes que em saquinhos o acompanham, são partes de um termômetro que
medirá corretamente a temperatura de um relacionamento, portanto, darão conta
do estado de saúde desta vivência a dois, se está tórrida ou morna, amorosa ou
indiferente, delicada ou colérica, criativa ou tediosa, repleta de companheirismo ou
solitária, com paixão ou monótona, desequilibrada ou harmoniosa, triste ou alegre,
agitada ou tranqüila, feliz ou aborrecida, se há mau-humor ou se é divertida, com
confiança mútua ou desconfiança, com decepções ou boas surpresas, se há ou
agressividade, e daí por diante...

A cada mês que passar na vida de uma casal, ele e ela, na noite de plenilúnio
colocarão sementes (quantas o desejarem) dentro do VASO DE HARMONIA, cada
um de per si, reservadamente, e estas sementes, que possuem valores simbólicos,
deverão estar representando como foi durante o último mês o relacionamento dos
dois, ambos coincidentemente podem até qualificarem com as mesmas sementes,
ou diversamente, pois o que para ele pode esta bom, para ela pode esta tedioso,
vice-versa...

Ao passarem seis (6) plenilúnios, isto é, meio ano, o casal deverá procurar um
lugar reservado aos dois, a sua escolha, abrir a sua frente um bonito lenço, e sobre
ele despejarem as sementes contidas no VASO DE HARMONIA, sendo assim
poderão dar com franqueza um balanço real à sua relação.

Caso haja uma maioria de sementes com simbolismo negativo, eles deverão
conversar e chegar a um acordo em comum, para melhorarem a relação, cada um
relatando suas queixas ou pesares; mas se a maioria das sementes tiver simbolismo
positivo, então o casal deverá comemorar com alegria brindando a sua “sadia
união” com um copo de qualquer vinho cigano, comendo juntos bonito manrô (pão
cigano)

Ao terminarem a contagem das sementes, jogam-se as mesmas em água-


corrente, pois elas estão magnetizadas pelas vibrações daqueles seis (6) meses que
passaram e não servem mais.

Novo período, novas sementes, e se com o passar dos anos elas terminarem,
deverão ser substituídas de imediato por novas, que serão acondicionadas nos
mesmos saquinhos das primeiras.

Como saquinhos, o VASO DE HARMONIA, deverá permanecer sempre o


mesmo por todo o tempo de duração deste relacionamento, e como no “mundo
cigano” dificilmente há separações, sua duração é longa; por todo tempo da vida
física do casal, enquanto juntos, ele, o VASO DE HARMONIA, sempre terá um
lugar de honra na casa, tenda ou carroça.

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NOTAS ELUCIDATIVAS:

A) O VASO DE HARMONIA poderá vir a ser qualquer tipo de vaso que possua
tampa, não importa se é feito de argila, porcelana, vidro fosco, cobre,
estanho, prata ou ouro, sua beleza está no que ele simboliza.
B) Inteligentemente pode vir-se a usar esta tradição cigana do VASO DE
HARMONIA, que ajuda a equilibrar satisfatoriamente o relacionamento
mútuo, pois promove o diálogo, e isto é ótimo, não tão somente entre casais,
e sim, entre pais e filhos, irmãos, amigos, sócios, patrão e empregados e daí
por diante...
C) Os valores simbólicos das sementes variam de região para região por
RELAÇÃO DOS VALORES SIMBÓLICOS DOS GRÃOS, SEMENTES E
CAROÇOS QUE UM A UM SERÃO COLOCADOS NO VASO DE
HARMONIA.

1 – Agressividade – Grão de Mostarda


2 – Muito Amor – Ervilhas
3 – Indiferença, falta de diálogo – Pistache
4 – Delicada – Sementes de Noz-Moscada
5 – Insuportável – Grãos de Pimenta-do-Reino (grãos de rizza)
6 – Criativa – Lentilhas
7 – Tediosa – Sementes de Limão
8 – Companheirismo – Feijão Branco
9 – Solidão – Caroço de ameixa ou de Cereja
10 – Paixão Física – Feijão Avermelhado, Fava Rajada de Vermelha, ou em terras
quentes o Amendoim
11 – Vida Monótona – Caroços de Azeitonas
12 – Relação desequilibrada – Amêndoa Quebrada
13 – Harmonia Total – Sementes de Girassol
14 – Vida Triste – Favas Escuras
15 – Alegria – Favas Clara
16 – Vida Agitada, muito Trabalho ou muitas Viagens – Grãos de Milho
17 – Paz, Tranqüilidade – Arroz com casca
18 – Felicidade Plena – Grãos de bico
19 – Vida Aborrecida – Sementes de Soja
20 – Vida Divertida – Sementes de Melão ou Abóbora
21 – Mau Humor – Caroço de Tâmara

Nota: Outros exemplos de grãos e sementes também utilizados no VASO DE


HARMONIA: Gergelim, Alpiste, Grão de Trigo e etc.

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CIGANOLOGIA

APOSTILA 15 – A Vida Social Cigana: Festas, Danças e as Músicas da


Tradição Cigana.

Nesta apostila vamos entrever o mundo festivo cigano que tanto fascina o
gadjé. E por que há sempre a envolver este povo um alo repleto de sons musicais,

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de cantos e danças?

Simplesmente por que sendo os ciganos fatalistas aceitam a vida tal qual ela
é, tornando-a mais fácil por mais penosa que pareça ser. Um grupo cigano sempre
comemora suas alegrias com festejos, mas espanta suas tristezas e suas angústias
do mesmo modo; festejam o nascimento e falecimento, e daí por diante, afina tudo
é cíclico, e a RODA DA VIDA gira sempre para frente, nunca para traz.

Vindos da ÍNDIA trouxeram em suas bagagens todo o encanto sentimental


da casta dos NATS, artistas saltibancos exímios nas artes da dança e do canto.

Até os dias de hoje encontramos principalmente na dança cigana


influências bem hindus...das mãos que bailam como uma serpente NAJA, no
mover ondulante dos ombros, nas expressões fisionômicas bem teatrais, tal como
acontece em meio aos bailarinos indianos.

Mas e que mais seduz são as mãos das ciganas ao dançar, como deidades,
elas inconscientemente repetem milenar gesto ancestral: suas mãos ondulam ora
para dentro, ora para fora, buscam através dos centros energéticos localizados no
meio das palmas de suas mãos captarem energias positivas externas e as
direcionam ao seu plexo solar (área do tórax), de outra forma retiram de si prana
de vitalidade e distribuem ao ambiente onde estão a dançar, são dádivas que
ofertam a quem as admira.

Quando serpenteiam ou palmeiam suas mãos, para cima saúdam as forças


cósmicas, onde reside DIEULA, quando repetem os mesmos gestos para baixo
reverenciam as forças telúricas de sua MÃE TERRA. Ao baterem ritmicamente
com suas botas, tacos de salto de sapato, ou mesmo com o solado de suas chinelas
ou sandálias, os ciganos...que assim despertas os impulsionam a dançar mais e
mais sem cansaço.

Mesmo que, nos dias de hoje, muitas ciganas infelizmente não saibam o
“por que” do movimento de suas mãos, ou de seus pés, não importa, os
gestos sagrados se repetem e o valor intríseco é o mesmo.

Nota: Em meio aos ciganos CALONS (ibéricos), o ato de fazer sons com os
solados de seus calçados ao batê-los ao solo funciona como um código, assim eles
se comunicam entre si, mandam recados de amor, de alerta, de apoio, de raiva e
daí por diante...

Ao vermos dois ciganos CALONS a dançar juntos, um bate certos números


de toques ao solo com o seu taco (salto) de bota ou sapato, imediatamente o outro

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lhe responde a altura da mesma forma mas emitindo outros sons, é nada mais nada
menos que uma “conversa cigana” dançada.

Durante uma dança cigana a volta de uma fogueira, ou me meio a uma sala,
gestos simbólicos ocorrem e têm específicas interpretações:

- Uma jovem com uma flor em meio aos seios = está apaixonada.
- Um rapaz dança com uma flor presa aos lábios ou segura pela orelha direita =
está apaixonado.
- Uma cigana deixa cair seu pandeiro aos pés de determinado cigano = tem
interesse por ele.
- Um cigano dançar com um lenço vermelho nas mãos = quer um encontro com
quem recebeu com recebeu seu lenço ao final da dança, ou deixou propositalmente
cair perto. Este encontro é secreto e poderá ser amoroso, de negócios, um pacto a
ser feito, uma informação sigilosa que tem de transmitir etc.
- Com o leque como adereço de dana fazem inúmeros gestos simbólicos, falaremos
a seguir sobre isto mais especificamente.

Observando o que já estamos até agora podemos com nossa imaginação e


conhecimento entrevermos um bonito e alegre quadro cigano:

- “Em passos de dança, cantando e tocando instrumentos musicais, lá vieram


das terras indianas este enigmático, exótico e deslumbrante povo cigano,
atravessaram os séculos a festejar simplesmente o fato de existirem...”

TROVA CIGANA:

A ALMA CIGANA
NÃO ENGANA
É MÚSICA
É CANTO
É DANÇA
E TUDO É MAGIA

LEQUES: O leque está muito presente nas danças ciganas, principalmente


em meio aos ciganos CALONS.

Sua simbologia como não poderia deixar de ser vem da tradição Hindu, e
portanto está muito próxima dos ciganos.

Quem usa leque se veste de uma dignidade real e só protege de más

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influências.

Existem inúmeras lendas orientais sobre os LEQUES, a seguir citarei duas:

A) Os leques simbolizam a imortalidade, e uma de suas lendas nos relata que


“eles” produzem o fogo, como também o extinguem, produzem também o
vento e a chuva.

B) Outra lenda oriental nos conta que não se deve agitar as mãos junto ao rosto
para abanar-se, pois este gesto poderia atrair os maus espíritos; por esse
motivo, os orientais adquiriram o hábito de usarem leques.

Também o oriente liga simbolicamente o leque ao pássaro, símbolo de


mensageiro, que em seu gracioso vôo dança saudando a liberdade de ir e vir, tal
qual aos ciganos! Estes também fazem o uso do leque durante suas danças para
saudar a sua liberdade e como mensageiro, pois de acordo com várias
posições específicas eles criaram um código com seus leques, através do qual
passam as mensagens que desejam à outros ciganos.

FESTAS CIGANAS.

O cigano é dono de uma alegria explosiva e a manifesta através de suas


festas onde ocorrem seus cantos e suas danças. Nem seus funerais são lúgrubes!!!

A dança é uma das maiores expressões da alma cigana, um cigano ou cigana


sempre dança, independente da idade cronológica que possua, seja pela alegria ou
pela tristeza, pela raiva ou por solidariedade.

Citarei aqui apenas algumas das tradicionais festas ciganas, quase sempre de
cunho religioso e veladamente repleta de supertições.

As festas relatadas abaixo ocorrem em todas as tribos mundo a fora, cada


uma seguindo o folclore a que o grupo está mais ligado, mas as a seguir obedecem
aos costumes mais especificadamente ligados aos nômades ciganos que vivem em
terras romenas, principalmente os que estão na Transilvânia. Escolhi para nossos
estudos estas tribos por serem as mais tradicionais, elas poucas influências
sofreram do mundo gadjé, conservam em seu meio a Tradição Cigana como um
tesouro, em estado latente, quase puro, são os ciganos desta região os últimos
guardiões desta enigmática e interessante cultura.

A) A FESTA DE SÃO JORGE está ligada a uma velha festa da Antiga


Tradição Celta ligada a PRIMAVERA. Os ciganos têm grande veneração
por este Santo. Vejamos como ocorre:

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- No dia seguinte ao da PÁSCOA, os ciganos celebram SÃO JORGE, independente
deste ser ou não o dia fixado para este santo no calendários Cristão. Comemoram
esta festa sempre em um lugar retirado.

O personagem principal da festa é um menino denominado de “O JORGE


VERDE”, naturalmente uma alusão simbólica À PRIMAVERA. Este menino é todo
enfeitado da cabeça aos pés com ramos e folhas de SALGUEIRA. Sua função
ritual é praticar vários exorcismos sobre os animais da tribo, em um regato ou
riacho por fim é atirado às águas um manequim de palha que substitui. A festa de
SÃO JORGE dura ainda uma noite inteira após o afogamento do menino de palha,
e durante seu transcurso repartem os ciganos entre si o ritualístico “doce de SÃO
JORGE”.

B) FESTA DE SAINT-MICHAEL (SÃO MIGUEL ARCANJO) está ligada a uma


mutação de vida, é a passagem dos nômades de uma bela e frutífera
estação, o OUTONO, para a austeridade do INVERNO. É precisamente a
partir do dia desta festa que os ciganos nômades começam a procurar o seu
chamado “canto de inverno” onde estarão ao abrigo das agruras desta
difícil estação. Para tanto eles se organizam reunindo-se em numerosos
grupos, que durante o passar do INVERNO coabitarão em grutas. Durante
as festividades dedicadas ao Santo, além de louvá-lo, eles fazem toda a sorte
de exorcismos no lugar onde se abrigarão com suas carroças e barracas, ou
nas grutas que serão seus lares durante o INVERNO. Muitos ritos então
são feitos para espantarem os maus espíritos do INVERNO que
poderiam vir a prejudicá-los, trazendo-lhes a fome e o frio.

A festa termina com a queima de uma BONECA DE PALHA que simboliza o


HOMEM NEGRO (provavelmente a morte), em torno da qual cantam e
dançam. As cinzas desta boneca serão guardadas para serem colocadas
nas plantas dos pés dos doentes graves, assim afastando a morte.

C) A FESTA DE NATAL tem um especial significado ligado à FECUNDIDADE


do ano seguinte, ligam também esta festa a prosperidade econômica (ganho
de dinheiro).
Passam os ciganos a noite e o dia de NATAL em torno de uma fogueira ou
próximo às suas lareiras. Durante o transcorrer da festa fazem ritos para afastarem
os espíritos indesejáveis que nesta noite especial acreditam que ficam a espreitá-
los, e podem vir a espantar a ESPERANÇA, que para os ciganos também é um dos
simbolismos do NATAL.

No decorrer desta festa preparam numerosos produtos mágicos com

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finalidade profilática, usam então: gordura de lebre e sangue de morcego. Esta
tradição de se “desinfetarem” durante os festejos natalinos, tão presente em
meio a CULTURA CIGANA, pertence também a TRADIÇÃO de outros povos com
raízes na Antiguidade e guardiões da sabedoria da ANTIGA TRADIÇÃO ou
VELHA RELIGIÃO.

É de costume...ir logo em seguida. Fazem grande algazarra quando os vêem


cair como flores desabrochadas ou frutos maduros; quem conseguir catar no chão
um desses “ossos” o guardará como amuleto de sorte. Talvez este rito seja uma
alusão ao parentesco que os ciganos dizem ter com o “MUNDO VEGETAL”.

Nota: Osso quer dizer firmeza.

Nesta noite de NATAL é do costume cigano unir-se, aproximando ao máximo,


os galhos de duas grandes árvores, simbolizando que durante estes festejos
natalinos os ciganos estão a saudar a NATIVIDADE EM TODOS OS REINOS:
mineira, vegetal, animal e humano.

A união das árvores simboliza o acasalamento que dará bons e fortes frutos,
principalmente em meio as tribos ciganas, com os nascimentos de belas crianças
que darão continuidade a sua ETNIA, idéia fixa de todos os ciganos.

E nesta noite, a volta do fogo, os ciganos fazem uma roda, em canto


sincopado declamam este velho poema de sua Tradição, ora aproximando-se, ora
afastando-se do fogo, alternativamente, sem perderem o passo e o compasso.

TRADICIONAL POEMA DE NATAL DO COSTUME CIGANO:

O DIA DE NATAL ESTÁ AÍ...


Ah! Faz tanto tempo que nós não vemos madeira...
Que o Deus dos pobres meta um fim as nossas precisões,
Que nos envie madeira e também pão branco.

D) A FESTA DE PÁSCOA que muitos ciganos emparelham com a FESTA DE


SÃO JORGE (no dia seguinte da PÁSCOA), acontece para que eles
celebrem nesta data sobretudo o desaparecimento das trevas, e de que
compreendem-se essas trevas? Da ignorância, incertezas, angústias, medos
e etc. Para os ciganos estas trevas são obra do diabo.

Celebram também o desaparecimento das sombras, onde residem os


MULOS, denominação dada aos fantasmas pelos ciganos.

Com a PÁSCOA chega a PRIMAVERA trazendo a renovação, ela é muito

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significativa em meio aos ciganos, como dentre a todas as civilizações tradicionais
ela representa a alegria e o desejo de viver.

Mas dentre as tribos esta alegria é amplificada pois a PRIMAVERA traz o


retorno do cigano às estradas, aos campos e bosques, livres para caminhar,
viajarem, recomeçarem o seu nomadismo, enfim, retornam a sua “VIDA CIGANA”.

Em meio a Tradição Cigana está enraizada e registrada uma velha lembrança


secular, a de que a PRIMAVERA é o resultado do combate entre o INVERNO e o
VERÃO, isto é, entre as TREVAS e a LUZ. É este o senso que tem a PÁSCOA
para os ciganos, A VITÓRIA DA LUZ, incorporam a volta da RESSURREIÇÃO
DO CRISTO todo um círculo de mitos e de ritos ancestrais. Cito a seguir alguns:

- Justo a tarde do domingo de PÁSCOA, um espantalho de palha vestido com


velhos trajes femininos é plantado em meio ao campo onde estão os ciganos, ou
em meio ao seu acampamento; eles o chamam de “RAINHA DAS SOMBRAS”, já
que os ciganos chamam o domingo de PÁSCOA de o DIA DA SOMBRA. Depois
que a RAINHA está em seu devido lugar, cada um dos componentes da tribo lhe
dão golpes de bastão, enquanto cantar em coro uma velha canção folclórica cigana:

“DEUS, TU ENCATASTE O MUNDO,


TU O DECORASTE COM FLORES,
TU O REAQUECESTE A VASTA TERRA,
E COMANDA O DIA DE PÁSCOA.
RETORNE NOVAMENTE, DEUS, PARA JUNTO DE MIM,
MINHA TENDA ESTÁ VARRIDA.
E UMA TOALHA PRÓPRIA COLOQUEI SOBRE A MESA!”

Durante toda a semana pascoal, dois animais têm uma particular


importância em meio as Tradições Ciganas: O Mocho (coruja) e o Cuco (ave
que tem por característica por seus ovos em ninhos de outros
passarinhos); são ambos objetos de numerosas supertições, portam presságios
de sorte ou de azar, dependendo da situação que os encontre em seu caminho.

Como no mundo gadjé, também é de costume cigano ofertar OVOS no dia de


PÁSCOA, mas os seus ovos não são de galinha, muito menos de chocolate, mas
sim de MOCHO ou de CUCO, os OVOS de ambas as aves são considerados pelos
ciganos como símbolos da SORTE, e eles os dão aos seus parentes e amigos.

Devo ressaltar, que também estas festas, assim como todas as outras, com
particular louvor a de SANTO ANDRÉ, SÃO JOÃO, e de SANTA SARA KALI da
Camargue, a noite de SÃO SILVESTRE (ano novo), são todas geralmente
ligadas a práticas mais ou menos com uma finalidade sexual; durante seus

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festejos serão feitos sortilégios para se conseguir o amor, uma esposa ou marido,
para ser fértil (as ciganas), para ser potente (os ciganos), para que seu
companheiro não lhe seja infiel (as ciganas), para que arrumem uma bela amante
gadjé (os ciganos), para seduzir a quem se deseja e etc.

Numerosos animais e particularmente o seus sangues participam das


celebrações ritualísticas destas festas, tais como: galinhas, morcegos, cordeiros,
lagostim e etc.

Posso concluir com os dizeres do escritor e pesquisador PETROVIC (FEAS


DAYS, pag74): “Atualmente os ciganos SÉRVIOS são como muitos outros seus
irmãos de outras regiões do mundo, incapazes de dizer a razão de celebrarem tais
festas, para todos eles são tão simplesmente que SLAVAS, em romanê SLAVA,
BARO DJE, que significa: “O GRANDE DIA”, quer dizer o dia do “SANTO
PROTETOR da casa e da saúde das crianças”.

E) Por fim a FESTA DE PENTECOSTE que para os ciganos simboliza a proteção


e a expulsão das doenças, e dos maus-olhados. É o dia da PURIFICAÇÃO
DOS MALES (julho).

A noite que precede a festa é consagrada à confecção de remédios dos mais


diversos, o fazem para se protegerem das doenças e tudo ocorre seguindo um
ritual muito rico.

Como os ciganos ligam PENTECOSTE à idéia de uma festa dos mortos,


espera-se que a mesma seja triste, mas tal não ocorre, é uma festa alegre,
celebrada sobre o tema da COR BRANCA que , na mitologia cigana é a cor
preferida dos mortos, por isto denominam o dia dedicado a PENTECOSTE de
DOMINGO BRANCO. Durante a festa os passarinhos participam a brincar como
grandes artistas, aos que chegam em revoadas são lhes ofertado miolinhos de pão
bem branco, e é de sorte aguardar a aparição do arco-íris nos céu, o que quase
sempre acontece.

Durante os festejos é de costume cigano ofertarem-se entre si punhadinhos


de sal grosso, como símbolo da PURIFICAÇÃO DOS MALES.

Nota: Podemos nitidamente notar como que nestas festas religiosas ciganas
há um total e harmonioso sincretismo entre o PAGANISMO(a velha Religião ou
Antiga Tradição) e o CRISTIANISMO.

Para se apresentarem nestas festas onde por certo exibirão suas danças, seus
cantos e sua música, os ciganos se vestem alegremente, com muita cor e adornos.
Como fabricam esta sua moda cigana tão exótica e especial, só encontrada em

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meio ao seu povo?

- As artes que os ciganos espontaneamente cultivaram e cultivam (além do


canto, da música e da dança) são várias, e dentre elas encontramos a pintura, a
tecelagem, o grafismo, a ourivesaria, a joalheria e o bordado.

EM UMA TRIBO CIGANA A MÚSICA ESTÁ SEMPRE PRESENTE, NO


PROFUNDO E CISMADOR OLHAR DOS CIGANOS VEMOS LUZIR SEU AMOR
POR SUA DANÇA, POR SEU CANTO, POR SUA MÚSICA...
OS CIGANOS CANTAM E DANÇAM AO NASCEREM, CANTAM E DANÇAM
PARA VIVEREM E CANTAM E DANÇAM JUNTO A MORTE...

A mitologia cigana nos revela que a arte da forja e da costura foi em


segredo comunicado e ensinado aos ciganos pelo demônio.

De posse do conhecimento da arte da costura, foi fácil para os ciganos


criarem seu rico vestuário, mesmo sendo muitos deles confeccionados a partir da
reciclagem do lixo, pois como em muitos lugares não lhes permitiam acampar
dentro das cidades, apenas em sua periferia, os ciganos eram obrigados a se
sujeitarem a acampar onde deixavam, e quase sempre era próximo aos depósitos
de lixo. E aí a criatividade cigana sobe com facilidade transformar lixo em arte,
quer seja no vestuário, em adornos diversos, utensílios variados e etc.

Nota: Encontramos belas pinturas ciganas não tão somente em seus ícones,
baús, mas sim também nas partes externas e internas de suas carroças ou trailers.

LENDA CIGANA: Dizem os ciganos que ao bordarem muito suas vestes, bem
rebuscadamente, estão tendo como que uma revanche sobre o demônio, seu
pretenso professor nesta arte.

Como a dança simboliza a alma cigana, sua música é a própria vida deste
povo nômade, com pedaços tristes, outros muitos alegres; ciganos sedentários não
abandonam sua música, formam pequenos grupos musicais, pequenas bandas ou
orquestras, que alegram os vilarejos, como também as grandes cidades. Muitos se
tornam professores de música abalisados e respeitados por seu profundo
conhecimento da matéria, sem terem eles mesmos tidos um único professor
sequer, tocam porque tocam, para eles é simples como falar, pular, deitar, o
domínio da arte de ser músico faz parte do seu ser.

Mas curiosamente o gosto cigano é direcionado para determinados


instrumentos, não gostam quase que nada dos instrumentos de couro ou
instrumentos de sopro, sua predileção recai sobre a guitarra, o violão, o violino, a
viola, o violoncelo e os demais seus derivados. O piano hoje em dia encontra

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amantes em meio aos ciganos sedentários.

FALEMOS EM ESPECIAL DAS DANÇAS.

FLAMENCO: Esta dança pertence aos ciganos Ibéricos, os GITANOS. A


origem desta dança não é propriamente cigana, nem tão pouco a sua música ou
canto, mas os GITANOS de maneira verossímel adaptaram a trilogia música, canto
e dança, ao seu jeito, ao seu gosto.

ORNADAS POR SUAS TRAVESSAS, FLORES E LEQUES, DANÇAM AS


GITANAS ABRAZANDO COM SEUS TREJEITOS INSINUANTES REPLETOS
SE SENSUALIDADE A PRÓPRIA ALMA DE TODA A...

De outra parte, a artística, brincam os ciganos em meio as festividades


populares desde os séculos XV, XVI, XVII E XVIII, isto os fizeram depositários do
folclore OTOMANO, que eles salvaram do esquecimento popular ibérico, e
conseqüentemente, do resto do mundo.

Na Espanha a riqueza folclórica perpetua-se graças aos GITANOS que com


seu fogo artístico alimentam o TESOURO FLAMENCO.

Houve um tempo em que toda esta arte FLAMENCA andou meio empanada
pelo ostracismo, mas no século XIX redescobriram o folclore ANDALUZ, dando
atenção a sua beleza e alegria contagiante; as tavernas freqüentadas por ciganos
transformaram-se pouco a pouco em cafés-cantantes para turistas, e os GITANOS
recomeçaram a ganhar a vida com sua música, seu canto e sua dança.

O renascimento do FLAMENCO simboliza a renovação da ESPANHA.

Desta foram os gitanos de CASTELLA, da CATALUNHA ou do CENTRO DA


FRANÇA, se reconhecem por sua música típica, O FLAMENCO, ela lhes pertence.

Quanto as outras danças, de tipo ROMANÊ, estão ligadas à origem indiana


dos ciganos, sua base está calcada nas danças hindus, com algumas variações,
como o jeito de tocar e balançar suas muitas saias, isto as ciganas, mas os seus
trejeitos com as mãos, que por si só bailam, com os membros e com a cabeça, é
bem indiano.

A dança ROMANÊ recebeu forte influência dos povos das terras por onde
passaram estes nômades desde o século IX E X quando partiram da ÌNDIA, mas
também influenciaram em muito as danças folclóricas destes mesmos povos, até
em meio as árabes.

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OS CIGANOS DO DESERTO como são chamados os grupos que nesta vasta
região Islâmica ainda estão, dançam semelhantes aos árabes, mas mais soltos,
mais vibrantes, sem nenhuma técnica, mas com muito fogo de alma. Suas
mulheres ao dançar jamais mostrarão as pernas ou o ventre como fazem algumas
dançarinas árabes.

A dança ROMANÊ recebeu também muita influência em sua coreografia das


CZARDAS RUSSAS, ROMENAS, HUNGARAS e etc, adotaram o uso do pandeiro
com fitas em suas danças, o uso de arcos enfeitados com fitas, flores e ervas
aromáticas que bailam junto às ciganas, o hábito das dançarinas e dançarinos
portarem lenços em suas mãos como adereços de dança.

Existem dentre as danças ROMANÊS vários tipos, dentre elas da DANÇA DO


PUNHAL OU DOS PUNHAIS executada tão somente pelos homens, só empunha
um punhal para dançar (se for mulher) uma KAKU, pois não é a cigana que aí
dança e sim a própria MAGIA.

NA DANÇA ROMANÊ BAILAM AS CIGANAS E COM ELAS AS SUAS SAIAS,


PARECEM QUE POSSUEM VIDA PRÓPRIA, EM CADA GIRO, EM CADA
VOLTEIO DE PREGA, DEIXAM ENTREVER A MAGIA DO...

O mesmo ocorre com a similar DANÇA DA ADÁGA OU DAS ADÁGAS, esta


típica dos ciganos que estão em terras árabes e não tem por costume o uso do
punhal. As ciganas desta região por vezes usam como adereço de dança uma fieira
de sininhos presos e um longo cordão de seda cujas pontas atam uma no dedo
médio da mão direita e a outra no dedo médio da mão esquerda, eles tilintam ao
bailar de suas mãos, acreditam elas que isto atrai sortes e afugenta os azares.
Outro tipo de dança romanê encontrada principalmente em meio aos ciganos da
tribo dos LOVARIAS, também é masculina, chama-se a DANÇA DO CHICOTE.
Esta tribo traz até hoje bem enraizado em seus costumes o dom que herdaram dos
JÃTS, o amor aos cavalos. São eles os melhores do mundo para manusearem com
estes animais.

Para finalizarmos citemos mais uma dança tipicamente ROMANÊ esta


executada tão somente por mulheres, é a DANÇA DOS LONGOS DIKLOS, que
simbolizam a feminilidade feminina, pois estes diklos representam na coreografia da
dança àqueles que no dia de um casamento de uma cigana atestavam terem sido
elas preciosas virgens, agora devidamente defloradas.

É o DIKLÉ, como adereço de dança, simbolicamente representado, é claro...

Nota: Quanto aos GREGOS receberam mais influências ciganas em...

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OS CIGANOS CIRCENSES OU CIRCASSIANOS – O CIRCO DENTRO DA
TRADIÇÃO CIGANA

Como bons circenses equilibram-se perigosamente nas alturas os ciganos,


oscilam entre a sua tradicional cultura e o modernismo do MUNDO GADJÉ.

Que nunca caiam, e VIVA O CIRCO!!!

O sentido de festa, de alegria, de vontade de se comunicarem fez com que


numerosos ciganos adaptassem este seu jeito de seu a uma atividade profissional.
Primeiro porque eles precisavam sobreviver, e para tanto só era possível através do
comércio junto aos não ciganos. Como nem todos conseguiam trilhar este caminho,
talvez por estes trazerem muito arraigados ainda em si as características da casta
dos NATS, artistas natos, optaram então por ganhar a vida como seus ancestrais,
através de jogos, brincadeiras em foram de peças teatrais, fazendo ressurgir a arte
dos saltibancos.

Dentro deste domínio montaram os ciganos todo uma gama completa de


atividades em seus espetáculo:

- palhaçadas divertidas, equilibristas e trapezista dominando as alturas,


malabarísticas de perfeita coordenação, acrobatas no solo, na corda bamba e sobre
os cavalos adestrados por eles, apresentações de ilusionistas (mágicos), formando
então grandes companhias como a do...cigano permaneceu muito vivo e que
constitui uma inegável ressurreição, e depois conservado com verdadeiros
caracteres familiares.

O CIRCO é uma trupe, A TRUPE é uma família, sua origem? CIGANA.

Falemos agora especialmente dos domadores de URSO, uma modalidade de


arte quase desaparecida nos tempos de hoje.

Para os ciganos esta arte possui grande importância, vejamos por que: ela
lhes granjeava notoriedade, mais que as outras modalidades da arte circence. Para
adestrar cavalos os ciganos possuíam um dom nato, agora para domar ursos eles
usavam outro dom que sua etnia possuí, o da esperteza que ilude. Infelizmente os
métodos que usavam como domadores não acrescenta nada que gratifique a
história dos ciganos, através da dor alheia eles alcançavam aplausos. Devido,
então, ao sucesso, tinham os ciganos particular interesse pelos ursos.

Encontramos o AMOR ou o TEMOR por este animal em meio as populações


montanhesas do mundo todo, que vêem nele um semi-deus, e muitos lhe

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dedicaram TOTENS. De fato o folclore europeu deu ao urso um lugar bem
importante (os ursos marrons das montanhas), motivados provavelmente pela
facilidade de aprisioná-los, são animais simpáticos os ursos, vagamente quase
humanos, principalmente quando se sustentam e andam com suas patas traseiras.
Viram os ciganos que teriam grande chance de ganho de dinheiro organizando-se
para domar ou melhor dizendo, adestrar estes animais que de tão dóceis não têm
necessidade de serem domados.

Desde há alguns séculos atrás passaram então os ciganos a domesticarem o


urso, tornando-se importante em meio a certas populações gadjés, que davam
muito prestígio a quem aprisionava um urso, quanto mais adestrá-los!
Este dito adestramento não era muito caridoso e sim bárbaro:

- ensinavam ao urso dançar fazendo-o andar sobre uma placa de ferro aquecida
que o obrigava a elevar as patas alternadamente para evitar que se queimassem, e
isto ao som de determinada música; sempre a mesma, esta melodia criava um
reflexo condicionado no urso, portanto quando durante o espetáculo tocava-se a tal
música, mesmo sem a presença da placa quente o pobre urso executava a mesma
coreografia de elevar seus pés para que não se queimasse.

Ficaram, portanto, muito famosos os ciganos que escolheram esta profissão,


pois sendo já raros os grandes ursos ruivos (marrons) da Europa, aprisioná-los já
era uma façanha, ma dominá-los fazendo-os chegar ao ponde de dançar,
simbolizava aos olhos dos espectadores gadjés, que seus domadores, os ciganos,
eram na verdade possuidores de poderes ocultos e misteriosos, e estes sentiam-se
agraciados e orgulhosos com a fama, pois os ciganos gostam por demais que os
gadjés os considerem detentores de muitos poderes envoltos em mistérios.

Mais uma vez é o MUNDO NÃO CIGANO que dota destas qualidades
fantásticas o MUNDO CIGANO, na verdade nunca foram eles, os ciganos, que as
inventaram, apenas por serem sumamente espertos tomam partido dos poderes a
eles outorgados em benefício próprio e extensivamente geram ganhos para
sobrevivência de seu CLÃ OU TRIBO.

ATIVIDADES PROFISSIONAIS EM MEIO AOS CIGANOS

A) O comércio vendendo o que fabricam de parte em parte, nas mercearias,


lojas em geral.

Possuíam duas modalidades de venda: a que eles iam a procura de


compradores, e a outra que denominavam da “CHINA”, uma técnica de venda
por solicitação do cliente.

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O que vendiam? Flores artificiais, cestas e balaios (muitos exerciam o ofício de
cesteiros), almofadas, tecidos para roupas brancas, peneiras, colheres de
madeira, pinças, ancinhos, pás e etc..

Um pequeno comércio sob a forma de venda ambulante, pois não tinham os


ciganos uma residência fixa, por tanto não possuíam um cliente determinado e
fiel.

B) O trabalho com ferro e metais. Muitas tribos ciganas são conhecidas por seus
tipos de trabalhos, neste grupo encontram-se os caldeireiros, denominados
de kalderash ou Calderari (Caldeireiros). Conheciam estes a arte de forjar o
ferro e outros metais, principalmente o cobre. Suas peças artesanais
correram mundo, muito bonitas e bem feitas, nasciam de um trabalho
totalmente manual. Panelas, tachos, bandejas, samovares de cobre enfeitam
até os dias de hoje muitas casas de ricos gadjés; fundindo o ferro criaram os
ciganos lindas obras de arte, e o exemplo delas encontramos nos belos
arabescos gradeados dos portões e janelas da ESPANHA E PORTUGAL.

Em meio a estes ciganos caldeireiros surgiu então uma pretensa


“aristocracia cigana” alicerçada pela importância econômica que tinham
sobre as demais tribos. Todo este prestígio é calcado em cima de uma velha
atitude social humana, desde que o mundo existe o homem se maravilha
diante daquele que domina o fogo, trabalha, intimamente com ele faz dele
seu parceiro, e ainda por cima forja metais! Os caldeireiros afinal sempre
possuíram o domínio de uma profissão que na Antiguidade era atribuída aos
deuses, como por exemplo VULCANO dentre os romanos, TVASHTR dentre
os indianos e etc. Na verdade, como os deuses, os caldeireiros fazem uso de
3 elementos da natureza:

- O fogo que esquenta, o ar que sopra e água que resfria o metal. Em meio a
numerosas civilizações ligam a idéia do forjador (o que trabalha na forje) com
a do Feiticeiro ou Bruxo, até mesmo o MAGO, pois acreditam que estas
pessoas têm conivência implícita com um mundo misterioso de forças ocultas
e sobrenaturais. Encontramos esta mesma postura frente a prática da
adivinhação exercida pelas mulheres ciganas.

Devemos registrar que os caldeireiros exercem seu trabalho na Europa desde


o século XV. E o que fabricavam os caldeireiros?

Os forjadores fabricavam gradis, sinos, pregos e etc

Os caldeireiros fabricavam em cobre muito raramente sinos e sinetes, mas sim


estanhavam utensílios de cozinha, bandejas, douravam vasos ornamentais,

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ânforas, taças e etc.

Com a competitividade industrial moderna infelizmente os caldeireiros


verdadeiros artistas da arte manual com metais, foram perdendo espaço, hoje
muito pouco existe, o que é de se lamentar.

INFELIZMENTE POR VEZES O PROGRESSO SOLAPA A ARTE E A CULTURA.

Se hoje muitos ciganos vivem na semi-mendicância, muito se deve a


incompreensão do mundo gadjé, roubaram-lhe o direito de usufruírem das
“riquezas do lixo”, foram os ciganos, inteligentemente, os primeiros recicladores
de lixo da história da humanidade, hoje este trabalho é de interesse de governos e
feito por grandes industrias.

E quanto ao CIRCO? Este também tende a desaparecer. As cidades cobram


caríssimo o aluguel de um terreno para que um circo seja montado, e as
companhias não estão resistindo, recebem muito pouco ganho para tanto gasto...

O mascate cigano não consegue competir com os bazares, quanto mais com
os grandes magasins e shopin´s.

Dentro de um impasse cultural e moral gravíssimo, muitos ciganos foram


como que forçados a se sedentarizar e assumiram uma forma de vida social gadjé,
foram impelidos a isso contra a sua vontade, mas pela lei da sobrevivência.

Em meio a este caos instalado na Cultura Cigana ainda resistem bravamente


os músicos, cantores, dançarinos e os profissionais ligados ao trado com os cavalos.
Falemos mais especificamente sobre mais esta atividade profissional cigana.

Todo cigano tem pelos cavalos uma amor e respeito imenso, sua relação com
estes animais é perfeita, por isso são excelentes domadores, treinadores,
adestradores, tratadores e cavaleiros. Um cigano sobre um cavalo sente-se um só,
uno, ele e o cavalo se integram com perfeição.

Quando um cigano ganha seu cavalo, este normalmente o acompanha até o


fim de sua ida, não é abandonado nem sacrificado quando velho, ao contrário, só
recebe carinho e bons tratos.

Vamos conhecer um rito praticado pelos ciganos logo que ganham o seu
cavalo, é considerado um rito mágico, e ele o oficia desta forma:

- leva seu cavalo até a fogueira que deverá estar acesa a porta de usa tenda, ou
próxima a sua carroça, pega um pau semi-carbonizado e passa sobre as costas do

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cavalo em forma de cruz dizendo: “fique comigo, você me pertence, você não
deverá jamais ver as NIVASHI (bruxas más) se elas vierem. Eu tenho 3 correntes
para lhe prender, a primeira é Deus, a segunda é o Cristo e a terceira é Maria, Sua
Mãe.”

Em seguida faz o cigano um exorcismo de limpeza, purificação do animal:

- Traça com um carvão um círculo sobre a pata esquerda do cavalo e uma


cruz na direita dizendo: “círculo, círculo, fique em boa sorte, o diabo não poderá vir
a você, somente Deus! Bom Deus tira do corpo deste cavalo o pai de todas as
maldades (o diabo).”

Com tanta ligação com os cavalos é de se esperar que os ciganos fossem


excelentes comerciantes dos mesmos, sabem como ninguém camuflar um vício do
cavalo, como também sua idade. Conhecem bem de veterinária em geral, neste
campo trabalha como tratadores de outros animais além dos cavalos, tais como
vacas, bois, ovelhas, cães, gatos, carneiros e etc. Mas além dos conhecimento da
ciência em si, a veterinária, conhecimentos ancestrais, é claro que os ciganos usam
dos seus conhecimentos de sortilégios para amansarem, curar animais, livrá-los da
dor, abreviar partos e etc.

Dentre estes excelentes comerciantes de cavalos encontramos muitos ciganos


Sinti ou Manuche.

Hoje em dia, infelizmente, muitos destes magos dos cavalos, tornaram-se


bons mecânicos e comerciantes de carros, os “cavalos dos motores” substituíram
os “cavalos animais”, partes da alma cigana.

Partem os cavalos com seus cavaleiros JÃTS. Permanecem seus


descendentes “o ciganos” perdidos em meio a frieza impessoal da sociedade
moderna dominante.

Passo agora a transcrever o trabalho de pesquisa feito pelo ciganólogo


Pierre Derlon, a importância do cavalo entre os nômades ciganos.

Vejamos o ele nos conta:


Antigamente o cavalo de tiro, que puxava a carroça, era igualmente um
animal sábio, capaz de conduzir seu dono aonde ele quisesse ir, mas também capaz
de realizar um espetáculo para assegurar tanto a sua alimentação como a do dono.
Os pequenos circos mudavam amiúde seus cavalos com o fim de diversificar seus
programas e de poderem a mesma província retornar com números diferentes. Os
Manuches circassianos estabeleceram um sistema de sete sinais secretos que
indicavam o caráter e as qualidades do cavalo. Esse “cartão de visita cavalar”,

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compreensível só para os manuches, era traçado com giz, na parte interna dos
cascos, nos arreios ou nas calçadas durante as vendas públicas. Foi um cigano de
nome Marguis, treinador de cavalos com os Bouglione, quem me ensinou o código.

Por exemplo, o sinal dito de TRANQUILIDADE é um estribo de cavalo


marcado com três traços, significa que estamos na presença de um cavalo tranqüilo
e fácil de manejar. Aqui estão os sete sinais

As vezes os cavalos serviam também para transmitir as mensagens secretas,


dissimuladas astuciosamente sob suas ferraduras. Esse sistema de comunicação
era usado sobretudo no fim do século passado pelos ciganos comerciantes de
animais que passavam da França a Espanha e vice-versa. As ferraduras são
sempre fixadas com 1, 7 ou 9 cravos. O número dos cravos de ser ímpar, pois é
preciso considerar a força de inércia do animal; encontra-se-á sempre um cravo a
mais do lado da ferradura em que o peso é maior. Os cavalos ciganos tem pois 2 +
3 cravos, 4 + 5 cravos, mas geralmente 3 + 4 cravos, devido o número 7 que
representa um papel primordial no simbolismo dos nômades. Esse número pode
ter uma colocação correta das ferraduras. As mensagens secretas, das quais falei
acima e cujo código me é conhecido, consistiam num pequeno círculo não fechado,
um pouco como a letra “C” marcado a fogo com um tubo de ferro chanfrado e
esquentado ao ponto de brasa. Era a direção da abertura do círculo que permitia
decifrar a mensagem.
Gravava-se do lado em que não tinha cravos, no eixo que formava o sétimos
cravo com o centro da ferradura.

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Com grande surpresa, encontrei essa ferradura de sete cravos na decoração
floral de um carro fúnebre, o do grande circassiano Alexandre Bouglione. Isso me
parece provar que os sinais que falei correspondem a uma realidade inteiramente
material e , ao mesmo tempo, a um simbolismo mas profundo.

E assim aprendemos um pouco mais com o profundo conhecimento que


possui Pierre Derlon sobre a Cultura Cigana.

TROVA CIGANA;

ENTRE SEDAS E MEDALHAS


ESTÁ A CIGANA A BAILAR.
RODOPIA O FOGO, VALSA A BRISA,
SOBRE UM PERFUME NO AR

CIGANOLOGIA

APOSTILA 18 – “Inspiradas no Poder da Natureza, nem sempre As Jóias


Ciganas são simples adornos”

INTRODUÇÃO:

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Os adereços na forma de medalhões, colares, pulseiras, anéis, brincos e etc,
fazem parte da Tradição Cigana. Nada é usado por acaso, tudo tem sua real razão
de ser. É claro que muitos destes adereços são usados apenas como adornos, mas
nem todos. Muitos são ritualísticos, outros simbólicos, representam algum pacto,
identificam postos hierárquicos numa tribo cigana, ou são instrumentos de magia,
pois trazem em si (na forma ou gravados) algum hieróglifo mágico, uma senha que
abre o portal que separa o mundo concreto do abstrato.

Por terem um exótico bom gosto os ciganos muito influenciaram as jóias e


bijuterias dos gadjés. Aos olhos destes gadjés, os ornamentos em forma de luas,
estrelas, sol, flores, folhas chamas e etc, surgiam repletos de um carisma entre o
inigmático e o misterioso.

Por deterem pó milênios o conhecimento do trabalho com metais, a


ourivesaria cigana influenciou e muito os demais povos com suas jóias típicas, não
só na Europa (desde o século XIII), mas também junto aos povos americanos e
outros. E assim, até os dias de hoje, encontramos a venda, tanto em joalherias,
como em simples bancas de artesãos, adereços ciganíssimos: medalhões em
pesadas ou delicadas correntes, brincos, pulseiras portando corações, estrelas, sol,
serpentes, elefantes, toda sorte de medalhas em geral e etc. Os brincos de argola
ou aro e as pulseiras e os braceletes são de Tradição Cigana, como também o uso
de pedras como a turquesa, a esmeralda, o ônix e a ametista, na confecção de
jóias, e não podemos nos esquecer dos corais sempre presentes em seus adornos.
As pedras estão presentes não por acaso, mas porque possuem um valor específico
dentro da escala da magia; vejamos quais são eles:

AS PEDRAS

A ESMERALDA é a pedra da “LUZ VERDE”, tem o poder regenerador, é


uma garantia de fertilidade. Pedra misteriosa e portanto, perigosa, para quem não
conhece o seu poder. A ESMERALDA é considerada um poderoso talismã.

TURQUESA tem relação mágica com o fogo ou o sol. É a pedra secreta dos
KAKUS que a usam em algum adereço em seus ritos ou cultos.

ÔNIX trouxeram os ciganos da Índia. Na Pérsia aprenderam o conhecimento


de que O ÔNIX possui poderes benéficos, especialmente de proteger contra o mau
olhado, e o de acelerar o parto, além do que esta pedra simboliza o SABER
OCULTO.

AMETISTA tem poderes de cura. Protege contra qualquer sorte de feitiçaria,


proporciona sonhos benéficos e premonitórios, reforça a memória e imuniza seu

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portador contra os venenos que podem ser de ordem física, bem como espirituais.

CORAL ele é conhecido dentro da sabedoria dos conhecimentos mágicos


como algo intermediário entre o mundo vegetal e o mundo animal. Ele é chamado
de A ÁRVORE DAS ÁGUAS. É usado como talismã e em amuletos, para defender
seu portador do mau olhado, desde a antiguidade. Acreditam os ciganos que ele
faz estancar as hemorragias como um coagulante, e confere eficaz proteção contra
o RAIO, por isso sempre portam consigo, um coral, em suas carroças, traillers,
tendas ou carro que os protegerá de uma tempestade que por ventura ao alcance,
quando estão a viajar, ou sem acampamento.

AS JÓIAS SAGRADAS

Passemos agora a entrever um pouco deste mundo mágico dos ornamentos


ciganos, narrando a princípio uma pesquisa feita pelo respeitável ciganólogo
PIERRE DERLON. Como sabemos existe uma determinada sagração para o
objeto que desejamos, que se torne mágico, que contenha poderes especiais, e a
partir do momento em que ela é feita, tocar no objeto consagrado tornar-se-á
proibido para os profanos, só os iniciados poderão fazê-lo, dependendo de seu
posto na hierarquia da consagração, ordem e etc a que pertençam.

Como exemplo posso citar alguns desses objetos, os mais conhecidos pelo
público, pois muitos são ocultos. Na religião católica encontramos o cibório, o
ostensório, a paterna, o anel de um Bispo (ametista), a cruz de um Cardeal e etc,
os oráculos entre as tribos itinerantes árabes, a espada ou tocha nas seitas secretas
ocultistas, a vara entre os Celtas, instrumentos mágicos por excelência, “ela” é o
símbolo do poder dos sacerdotes Druidas sobre os Quatro Elementos da
Natureza.

Acontece o mesmo entre os ciganos. Existem JÓIAS SAGRADAS dentre eles


que só são reconhecidas pelos que “SABEM”, o resto da tribo “vê” o objeto
exposto diariamente, mas desconhece totalmente a sua significação.

Quando um portador de um anel “trabalhado em magia” encontra outro


cigano com uma outra jóia de igual valor então se identificam e confrontam seus
segredos.

Estas jóias sagradas ciganas não estão estagnadas, ao contrário vivem em


constante mutação. Se um velho cigano possui uma jóia de família, chama um
parente jovem seu e o ensina a fazer outra jóia semelhante a sua, mas sempre
mais trabalhada, mais rica de sentido e de valores que a dele. Quer dizer, que por

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milênios, a partir de uma matriz, as sagradas jóias ciganas passaram por mutações,
e assim, de transformação em transformação, elas representam os progressos
interiores daquele CLÃ, a que ela pertença.

Nos diz PIERRE DERLON que dentre os ciganos SINTIS, o ponto de partida
na transformação de uma jóia “oculta”, é sempre uma pedra preciosa, redonda,
convexa, inserida no metal e levada como anel em um dos dedos da mão. A
escolha do tipo de pedra, implicava no valor mágico deste anel. O conjunto
formado pela pedra, o metal e o dedo que o porta, tem uma significação particular.
Certos chefes de grandes tribos levaram ou levam, no anular, um enorme diamante
russo, incrustado em platina e não o podiam trocar, por exemplo, pelo anel do
SABER, anel mágico feito de ÔNIX NEGRO montado em prata. Esse anel não
pertence ao homem que o usa, ele é apenas depositário de uma jóia que lhe foi
entregue, e que um dia terá de entregá-la a uma pessoa digna de recebê-la.

OS ANÉIS MÁGICOS de pedra negra, sempre tem a forma redonda da lua


que para os ciganos representa a imagem da MÃE, daquela que à noite reflete a
luz do sol e ilumina fluidicamente a TERRA. Por terem estes ANÉIS MÁGICOS
relação com a lua, sempre serão montados em pratos, metal lunar, e nunca em
ouro, metal solar.

A real importância destas jóias de magia, nunca estão no seu externo, e sim
na parte interna da jóia, não sendo visível ao olho profano, simboliza a faze
oculta da lua, onde existe a revelação de todos os mistérios. Somente o dedo que
porta este anel, “VÊ” sua face oculta, quer dizer que este dedo é posto em contato
com o conhecimento, e passa a servir de elo entre seu possuidor e o mundo oculto
da magia.

Estas jóias chamadas pelos ciganos de “jóias ocultas” tem na sua face
externa muitas decorações rebuscadas, ou são incrustadas de pedrarias. Mas tudo
isso é apenas um sábio disfarce, para distrair os não iniciados, pois é a outra face
que revela a significação profunda da jóia. Como exemplo de um desses anéis,
transcrevo o que nos conta PIERRE DERLON: “O sinal de perigo de morte entre
os YENISH que conheci, era um círculo descentrado, expressava uma anomalia de
vida, de trabalho, de insegurança. Em compensação, esse mesmo sinal é entre os
joalheiros KALDERASH, o “hieróglifo do gato”. Um anel mágico traduzia-se
por uma superfície oval, em ouro, servindo de suporte a uma pedra azul (de
preferência uma turquesa), também esta descentrada, porém colocada no
prolongamento da linha do dedo que a levava. O que havia de oculto
em sua contraparte, jamais seria revelado.

JÓIA DA SABEDORIA – AS JÓIAS CIGARRAS

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Passemos a falar de uma jóia especial, é uma obra-prima no gênero da jóia
mágica PIERRE DERLON conviveu com esta jóia e nos passa cada detalhe sobre
a mesma e sua importância vejamos: “O todo representa uma CIGARRA bastante
estilizada. Mas sua significação profunda não é evidente à primeira vista. Para que
nos apercebamos disto é necessários que viremos a jóia com efeito, examinando-se
o reverso da CIGARRA, percebe-se que sua silhueta representa uma ânfora. O
desenho que forma o espaço vazio no interior desta ânfora é o de uma espiga de
milho deitada. Em ambos os casos trata-se de “alimento”, mas especialmente
no segundo (milho) trata-se de alimento armazenado, quer dizer de previdência.

Nota: O sábio prevê o alimento de sua tribo e vela para o seu recebimento,
diz uma máxima dos ciganos do grupo SINTI!

Continuando, estamos em presença de uma JÓIA DE SABEDORIA como as


que somente uns poucos iniciados possuíam. Mas não é tudo. Vista de frente, a
ânfora desaparece para se tornar um ferro de lança, o que para o cigano é um
símbolo de “proteção dirigida”, da emanação, em verdade O DOM. Quanto a
espiga de milho, sua forma também pode lembrar o sexo feminino é um pólo
de atração, ao mesmo tempo faz pensar na “fecundidade”. Em resumo, essa
jóia ilustra cada vez uma idéia, a de alimentação, de previdência, de proteção, de
atração, de fecundidade, o que segundo a concepção cigana traduz-se por: VIDA,
“EU MANTENHO”, “EU VENHO”, “TU VENS”, e de novo “VIDA”.

O cigano PIETRO HARTISS explicou uma das significações relativas a esta


jóia: “Se tu vens, eu venho e mantenho a vida”, pode fazer alusão a função
procriadora, mas também a responsabilidade de um Chefe de Tribo. O fato de ser
duas vezes questão de VIDA, uma vez sob o aspecto de ALIMENTO, outra vez
sob o da FECUNDIDADE, indica claramente que o “MÉDICO FEITICEIRO” a
quem pertencia esta jóia, era também um CHEFE TRIBAL.

Voltemos a JÓIA e sua significação oculta. DA TAÇA formada pelo pescoço


e o colo da CIGARRA, emerge a pedra que representa a cabeça do inseto. Essa
pedra é NEGRA, um ÔNIX como o anel ritual, aqueles que de geração em geração
iam de dedo em dedo, e aos quais os ciganos chamavam de “O OLHO”.

O negro é a cor “ABSOLUTA”, contém todas as outras cores, como o


absoluto contém em si o mundo e seus elementos. O negro é, acima de tudo
uma cor de nível sacerdotal.

A “CABEÇA NEGRA DO INSETO” é pois, o centro, a origem, o ponto de


partida. As asas da cigarra abordam o primeiro elemento, O AR, mas o ourives
deu-lhe uma forma de uma concha de mexilhão, fazendo-nos perceber assim, o

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segundo elemento, A ÁGUA. O reflexo da luz é conseguido pelas pedras preciosas
incrustadas na madrepérola e talhadas em forma de pirâmide de seis faces. Esse
reflexo de luz encontra-se igualmente no alto da cabeça do inseto, e simboliza o
elemento do FOGO.

Nota: Na jóia o elemento TERRA surge representado pela espiga de milho.

A cigarra está fixada na posição da MORTE, mais ainda, ela está ornada
como “múmias egípcias”. Suas asas incrustadas de pedras e a estilização, foi
influenciada pela arte funerária egípcia (não esqueçamos que na idade média os
ciganos pensavam serem originários do Egito ou se auto-denominavam “Príncipes
do Pequeno Egito”, situado na Grécia).

O inseto, ou melhor, o homem que é representado sob a forma de


inseto, leva o COLAR DE GLÓRIA a volta do pescoço. Esta distinção indica que o
artesão desta jóia, possuía poderes acima do normal. A posição das patas do
inseto tem significado. De fato o que se poderia tomar por patas dianteiras, não
são mais do que os braços do homem levado à altura dos olhos. Ora, a posição das
mãos sobre os olhos e a do homem que olha para longe.

Nota: “O homem que vê longe, possui a clarividência e resguarda


para si mesmo este segredo” dizem os ciganos SINTI!

Com respeito a jóia, esse segredo está marcado com um traço horizontal
entre os olhos do inseto e o CALOR DA GLÓRIA. E mais, cada escama das asas
estilizadas da CIGARRA, simboliza um poder ou uma faculdade particular. Vê-se
que esta jóia, aparentemente inofensiva, possui um número impressionante de
significações. PIERRE DERLON nos indicou algumas, mas as possibilidades de
interpretar, tornam-se quase indefinidas, e um iniciado encontraria aí muito a
acrescentar, sem dúvida levando em consideração o número de cores.

Tal objeto não é unicamente um símbolo de autoridade, ou algo elaborado


por um(a) KAKU, depois criado pelos ourives. Pode possuir uma força que ajudará
seu proprietário a realizar algumas tarefas. Curiosamente essa jóia concebida por
um homem, um chefe, um sábio KAKU, e somente para si, pertenceu desde 1917
só as mulheres, as PHURI-DAÍ, mães de tribo: Em 1917, à cigana
FRANCESCA II, em 1934 à cigana CALEDA DE BELLONTE, em 1957 à cigana
MARLENE BAUMGARTE, e em 1967, á CLAUDE EMERY DERLON, esta não
cigana, gadjé, esposa do ciganólogo PIERRE DERLON.

Falemos um pouco sobre as possuidoras desta jóia e sua importância entre os


ciganos.

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CALEDA DE BELLONTE E MARLENE BAUMGARTE, receberam esta jóia
num momento crítico da gestão de suas tribos, e menos de três meses depois de
ter recebido a jóia, CALEDA DE BELLONTE teve de intervir para evitar os duelos a
faca que dividiam os jovens, quanto a MARLENE BAUMGARTE impediu a divisão
de sua tribo, pois muitos jovens casais desejavam tornarem-se sedentários.
Quando a FRANCESCA II foi uma poderosa MÃE DE TRIBO. A última
proprietária desta jóia, CLAUDE EMERY DERLON, esposa de PIERRE DERLON,
recebeu a jóia com seu cofre das próprias mãos de um chefe cigano de nome
PIETRO HARTISS, talvez como uma homenagem que este desejou fazer ao seu
marido PIERRE, ciganólogo, que passou grande parte de sua vida a estudar e a
conviver intimamente com os ciganos, sendo considerado por eles como um irmão.
Ao entregar essa jóia à CLAUDE, o cigano PIETRO profetizou: “Essa jóia
chegou ao fim de sua viagem. Quando a levares, ela morrerá sobre ti e tu
compreenderás melhor o mistério da morte, quando a tiveres visto viver.
Não a leves jamais suspensa a um “fio de metal”, tu a manterás com o nó
do equilíbrio.”

Durante mais ou menos dois anos, Claude, deixou a jóia no fundo de usa
bolsa, entre as chaves e as pequenas coisas necessárias, levando-a sempre
consigo. O incrível é que a jóia conservava intacto o brilho do ouro e deus pedras.
Depois, um dia, ela pôs a CIGARRA no “nó do equilíbrio” à volta do pescoço e
não a tirou mais. A partir desse dia a CIGARRA perdeu o brilho. O ouro, pouco a
pouco como que absorvido, deixava aparecer o esqueleto de madrepérolas. Uma
pedra do olho caiu. Lentamente o objeto mutilava-se. Dois anos de contatos,
choques, roçadelas no fundo da bolsa não tinham chegado a alterá-la em nada.
Outros tantos ao ar livre reduziram-na a sua primeira forma recebida dos ourives,
antes que lhe pusesse o manto de outro e pedrarias. Claude não se apercebeu logo
da deterioração de usa jóia, mas certo dia, seu marido Pierre abriu ao acaso a
revista em que estava a CIGARRA em toda sua plenitude e brilho, só então ambos
perceberam-se que a jóia estava morta.

Assim que a jóia morreu, o cigano HARTISS que era irmão de sangue (pacto
dos punhais) de PIERRE DERLON, ofereceu outra jóia a sua mulher Claude, era
uma CIGARRA muito mais antiga, fora talhada diretamente num material
grosseiro, osso ou marfim. Essa CIGARRA também possui um enigma pois vista
pelo reverso sua silhueta lembra o botão da flor de lótus e para Pierre Derlon
este simbolismo era totalmente desconhecido, mas observou entretanto,
reconhecer nas costas do inseto um outro hieróglifo da sabedoria. Sete
pequenos traços horizontais com uma cruz e um ponto sobreposto. Não
conseguiu interpretar as gravações no reverso da jóia, mas quis o destino que certo
dia se encontrasse com o Chefe de Tribo Kalderash, nome YOTSA. Ele não fala,
pois teve uma grave doença que não o matou, mas o tornou mudo, mas isto não o
impede de ser um sábio. Ao ver as duas CIGARRAS, a sua frente, a de ossos e a

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outra de ouro e pedrarias, ele fez primeiro um sinal negativo, depois um segundo
sinal com a mão. O polegar unido ao dedo mínimo, apontou para A CIGARRA,
com seus três outros dedos, com isso informava a relação entre o numero 3 e as
CIGARRAS. O numero 3 na geometria é o triangulo que para os ciganos significa
A VIDA.

Nota Elucidativa: Em magia o numero 3 é o numero perfeito, a


expressão da totalidade, de conclusão, nada lhe pode ser acrescentado. É
a conclusão da manifestação: O homem, o filho do céu e da terra,
completa a GRANDE TRÍADE, pois o primeiro numero ímpar (1), é o
numero do CÉU, e o dois (2) primeiro numero par, é o numero da TERRA
(pois 1 é anterior a sua polarização), o numero 3 é o HOMEM, criação
divina à sua imagem e semelhança.

A KABALAH nos ensina a LEI DO TERNÁRIO

“Tudo Provém necessariamente de três, que não passa de um”. Em todo


ato por si só, de fato se distingue:

A) O princípio atuador, causa ou sujeito da ação,


B) A ação desse sujeito, seu verbo,
C) O objeto dessa ação, seu efeito ou resultado.

Retornemos aos nossos estudos sobre as JÓIAS CIGANAS e vejamos que


elas são sempre elaboradas a partir deste número 3, pois o homem em sua
totalidade consiste, segundo as Tradições deste povo, num corpo que apodrece,
no espírito que permanece e num corpo intermediário, imaterial que liga
um ao outro.

Sendo assim, na elaboração da jóia cigana havia também 3 fases.

A primeira era provavelmente, a própria CIGARRA seca de alguma forma


mumificada. É importante registrarmos aqui que certos ciganos usam estes
pequenos insetos mumificado e colocados dissimuladamente no interior de um
pedantife.

A segunda, era a transformação num objeto de osso ou marfim.


A terceira e última era a realização da jóia em metal precioso.

Essas três fases correspondiam a três interpretações diferentes e refletiam


também os três degraus do conhecimento. O próprio inseto em si com a cabeça e
as duas asas já era uma figuração do número 3.

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Por que seria tão importante na Tradição Cigana este inseto, A CIGARRA?
É simples esta resposta. Nas Tradições de Povos Antigos existe um profundo
conhecimento sobre simbologia. E de que consta esta simbologia? Consta de
mitos, sonhos costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. E como é vista a
CIGARRA através da simbologia? A CIGARRA é o símbolo dos TERMOS
COMPLEMENTARES LUZ-OBSCURIDADE pela alternância do seu silêncio
durante a noite e do seu estridular ao calor do sol. Na GRÉCIA, a CIGARRA era
consagrada ao DEUS APOLO. Observamos que a importância da CIGARRA na
Tradição Cigana deve advir dos conhecimentos que este povo assimilou da
mitologia e simbolismo grego, pois se muitas tribos passaram longo tempo neste
país, outras se radicaram lá em definitivo. É grande a influência grega nos
costumes ciganos.

Nota Elucidativa: Devemos registrar que, com o surgimento do bestiário


da Santa Inquisição que muito se empenhou em exterminar toda a sapiência da
SIMBOLOGIA pertencente a ANTIGA TRADIÇÃO que contrapunha com usa
força ao “poderio da Igreja Católica”, foram então adulterados os valores
simbólicos de quase todos os Símbolos da Velha Religião, outros tantos
transformados em símbolos cristãos, cuja interpretação modificada obedecia as
conveniências da Igreja. Tornaram-se feios ou obsoletos, quase todos os símbolos
que os incomodavam, pois possuíam estes, importância dentro das Tradições das
Civilizações Antigas; mas felizmente, não tiveram um êxito total, porque o
CONHECIMENTO permaneceu OCULTO, e chega aos dias de hoje intacto, a beira
do próximo milênio.

E quanto a CIGARRA, uma pequena deidade ofertada simbolicamente ao


deus APOLO, sofreu também deturpações na sua simbologia e passou a ter novos
atributos mesquinhos que nada tem a ver com o seu real valor simbólico. Tornou-
se qualidade representativa dos maus poetas, de inspiração intermitente. É tomada
também como a imagem da negligencia e da imprevidência , características muito
difundidas através da FÁBULA conhecida mundialmente com o nome de “A
CIGARRA E A FORMIGA”, cujo autor é LA FONTAINE.

E como dizem os sábios ciganos: “As cigarras solenemente acompanham


as tribos ciganas desde os Peloponésio (Grécia), trazendo-lhes toda
sabedora que existe tanto na luz quanto na escuridão, pois é o
antagonismo que gera a magia”

SIGNIFICADOS EM MAGIA DE OUTROS SÍMBOLOS ENCONTRADOS NAS


DUAS CIGARRAS (JÓIAS CIGANAS)

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ÂNFORA OU VASO: Na Kabalah tem o sentido de tesouro, apoderar-se de
uma ânfora ou vaso, equivale a conquistar um tesouro. Quebrar uma ânfora ou um
vaso, significa aniquilar pelo desprezo, o tesouro que representam. Na alquimia
ambos representavam o local em que se operam maravilhas, é o solo materno, o
útero no qual se forma um nascimento. Daí vem a crença de que os vasos ou
ânforas, mais os caldeirões possuem o segredo da metamorfose. Alquimicamente
eles encerram sob diversas formas o elixir da vida. É um reservatório de vida, o
vaso e ânfora feitos em ouro podem representar o tesouro espiritual, o símbolo de
uma vida secreta, e é ai que se baseia o conhecimento e a sabedoria da Tradição
da Magia Cigana. O fato do vaso ou ânfora serem abertos em cima indica uma
receptividade as influencias celestes.

Nota Elucidativa: O KAKU que criou estas JÓIAS CIGARRA, sabia que
seu portador estaria sob estas sutis influencias celestiais.

ESPIGA DE MILHO: Existem muitas definições para esta simbologia, mas


podemos sintetizá-las desta forma. Em geral a espiga de milho é o símbolo do
crescimento e da maturidade: Alimento e semêm ao mesmo tempo.
Indica a chegada à maturidade, tanto na vida vegetal como na vida animal, quanto
ao desenvolvimento psíquico. É o desabrochar de todas as possibilidades do ser, a
imagem da ejaculação.

LANÇA: É um símbolo de proteção, protege os contratos, os processos e


os debates. Mas também é um símbolo fálico, solar. Como RAIO SOLAR ela
simboliza a “atividade celeste”. Em Tradições de várias culturas ela simboliza o
poder, a autoridade pública e o comando.

VULVA ou SEXO FEMININO: É designada como a GRANDE MÃE


BONITA, é o símbolo da abertura as riquezas secretas, aos conhecimentos
ocultos. Este simbolismo se assemelha ao da FONTE e também ao da GOELA:
Toma e Dá, engole a virilidade e rejeita a vida, une os contrários, ou mais
exatamente, transmuta-os, donde o mistério de que é carregada a sua atração,
diferentemente do sexo masculino, divino e solar. Existe uma metáfora para
VULVA: “SER FORTE, NÃO SER FORTE.” E é aí que reside toda a sua força.

Nota: O FORMIGUEIRO é considerado por todas as culturas antigas com


a VULVA DA TERRA.

OURO: Considerado na Tradição Antiga e Contemporânea, como o mais


precioso dos metais, o ouro é o metal perfeito. Ele é a luz, símbolo do
conhecimento, e o Yang ESSENCIAL. O OURO dizem os brames, é a
imortalidade.

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Na TRADIÇÃO GREGA ele evoca o sol e toda a sua simbólica
fecundidade, riqueza e dominação. Na TRADIÇÃO CIGANA ele é uma das
mais preciosas dádivas da MÃE TERRA. Em todas as Antigas Tradições diz-se que
tudo o que for confeccionado em OURO tornar-se a “ARMA DA LUZ”. Entre os
egípcios O OURO era a CARNE DO SOL, e por extensão, dos deuses e dos faraós.
Sempre em virtude dessa identificação com a LUZ SOLAR, O OURO, foi um dos
símbolos de JESUS, O CRISTO, LUZ, SOL, ORIENTE. Em síntese final, devemos
dizer que o OURO é um tesouro ambivalente. Se o OURO – COR e o OURO –
METAL- PURO são símbolos SOLARES, O OURO – MOEDA é um símbolo de
perversão e de exaltação impura dos desejos uma materialização do
espiritual e do estético, uma degradação do imortal em mortal.

Nesta página e nas seguintes encontramos JÓIAS CIGANAS a moda deste


exótico povo mas que antes de serem ornamentos a vaidade e a ostentação, são
símbolos de laços pactuantes que unem os ciganos a MÃE TERRA.

O OURO

Façamos então, um adendo para falarmos um pouco sobre o por que dos
ciganos valorizarem tanto o OURO, quer seja como garantia de subsistência de
vida, quer seja como adorno.

Eles comercializavam sempre dando suas cotações em OURO, em virtude de


que valorizavam por demais este metal, e se colocam preços em OURO em suas
mercadorias importantes, nos dotes de suas filhas, nos preços de seus animais e
etc, é uma maneira cigana de demonstrar como prezam o que terão de ceder ou
vender.

Quanto aos “adornos” há uma outra simbologia. Julgam-se os ciganos por


sua Tradição como os mais antigos e queridos filhos da MÃE TERRA. Há até uma
lenda cigana que nos conta terem estes vindos do âmago da terra, de seu
misterioso e rico interior. Assim sendo, os que aqui estão a viver na “sua
superfície” adornam-se profusamente com OURO, como para demonstrar SUA
ORIGEM e homenagearem A SUA MÃE, portanto como adornos as suas próprias
VEIAS DOURADAS, pois para os ciganos o OURO é O METAL de que é feito O
SISTEMA VENOSO DA TERRA e que através de suas VEIAS DOURADAS,
transportam O AMOR DOS CIGANOS POR SUA MÃE até o se ÂMAGO, onde
está seu CORAÇÃ, FORTE, PODEROSO, DE FERRO, em eterna ebulição.

Quer dizer que, o abundante uso do ouro em seus enfeites, adornos e etc,
não existe só por mera vaidade, e sim por respeito a sabedoria de sua tradição.

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É comum encontrar-se ciganos pobremente vestidos, vivendo em precárias
tendas ou casas, mas enfeitado-se com OURO, e muitos com o costume de revestir
seus dentes com jaquetas de puro OURO, hábito de muitas tribos ciganas
principalmente os CALONS. Quem os vê assim, diz para si: “Tão tolos estes
ciganos, vivem pobremente possuindo tanto OURO”. Mas o que não sabem
os desavisados gadjés, é que para O MUNDO CIGANO, O OURO, não serve para
ostentar riquezas ou aparatos sociais, e sim é uma simbologia bonita de filhos a
uma mãe amada.

O verdadeiro cigano só desfaz de seus OUROS mediante séria adversidade,


ou em momentos de imensa alegria, como por exemplo, o casamento de seu filho
ou filha com uma moça ou rapaz do agrado de seu CLÃ.

No mais eles usam o OURO para reverenciarem a MÃE TERRA.

SÍMBOLOS MÁGICOS ENCONTRADOS NAS CIGARRAS

Ao término deste adendo sobre OS CIGANOS E O OURO, voltemos a dar os


significados em MAGIA de outros tantos símbolos encontrados nas duas cigarras
(jóias ciganas).

PRIMEIRA CIGARRA JÓIA - Simbologias específicas de seus componentes.

MADREPÉROLA: Com a PÉROLOA ela também é um símbolo LUNAR,


ligada a ÁGUA e a MULHER. Nascida das águas ou nascidas da lua,
encontra-se a MADREPÉROLA a revestir ...é o SÍMBOLO ESSENCIAL DA
FEMINILIDADE CRIATIVA. O simbolismo sexual da CONCHA lhe comunica
todas as forças que implica desse triplo simbolismo: lua, água, mulher, daí
derivam todas as propriedades mágicas da MADREPÉROLA. Propriedades
mágicas estas que poderão ser medicinais, ginecológicas ou funerárias.

A título de exemplo, registro que a MADREPÉROLA na Índia, terra de


origem dos ciganos serve de panacéia, isto é, de remédio pretensamente eficaz na
cura de todos os males. É considerada boa contra as hemorragias, a icterícia,
a loucura (insanidade), o envenenamento, as doenças dos olhos em geral
e a tuberculose.

COLAR: Afora seu papel de ornamento, O COLAR pode significar uma


função, uma dignidade, uma recompensa militar ou civil, um laço de
servidão: escravo, prisioneiro, animal doméstico (coleira). Mas enfoquemos
precisamente o COLAR DE GLÓRIA, este simboliza o ELO entre aquele ou aquela
que o traz, ou aquele ou aquela que o ofertou ou impôs. Num sentido cósmico e

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psíquico, o COLAR DE GLÓRIA, simboliza a redução do múltiplo ao uno, uma
tendência a por em seu devido lugar e em ordem uma diversidade qualquer mais
ou menos caótica. Em sentido oposto, desfazer-se um colar, equivale a uma
desintegração da ordem estabelecida ou dos elementos reunidos, foi o que
sucedeu com o COLAR DE GLÓRIA envolto ao pescoço da CIGARRA – JÓIA,
provocando a sua morte.

SEGUNDA CIGARRA JÓIA – Simbologias específicas de seus componentes

MARFIM – É o símbolo da pureza e do poder; do MARFIM era feito o


trono do rei Salomão. Por sua dureza é praticamente inquebravel, simboliza o
“Incorruptível”.

OSSO - É o símbolo da firmeza, de força e de virtude. O uso de ossos


humanos e o de animais na Índia, no Tibet, e entre os ciganos, para
confecção de jóias ritualísticas, armas divinas, ou de instrumentos
musicais, que ao serem contemplados incitariam a uma espécie de
retorno ao estado primordial, humano ou animal, pelo despojamento dos
elementos perecíveis do corpo; chegamos então, a conclusão de que o que for
confeccionado em osso humano principalmente, ao ser contemplado, leva o seu
contemplador a ACESE, isto é, a superação da noção de vida e morte, acesso a
imortalidade. E o que vem a ser ACESE? É o conjunto de exercícios práticos que
visa ao aperfeiçoamento espiritual através de uma constante disciplina de vida.

SETE - (os sete traços na JÓIA CIGARRA) inúmeras são as definições para
a simbologia como número 7, tentaremos sintetizar, dizendo que o número 7, é
um número cármico e sagrado. Dentre suas variadas simbologias ele também
simboliza o homem perfeitamente realizado, os sete graus da consciência,
as sete etapas da evolução. O SETE (7) simboliza a conclusão do mundo e a
plenitude dos tempos. Segundo Santo Agostinho o SETE mede o tempo da
história, o tempo da peregrinação terrestre do homem. Se DEUS reserva u dia
para descansar, dirá Santo Agostinho, é porque quer SE distinguir da criação, SE
fazer independente dela, e quer permitir-lhe que descanse NELE. Além disso, o
próprio homem é convidado pelo número 7 ao repouso, ele indica o descanso, a
cessação do trabalho, e a voltar-se para DEUS, a fim de descansar somente NELE.

CRUZ – É um dos símbolos cuja presença é atestada desde a Antigüidade. No


Egito, na China, em Cnossos, Creta, onde se encontra uma CRUZ de mármore do
século XV antes de CRISTO. A CRUZ, também esta sempre muito presente na
Tradição Cigana. Falemos então, um pouco sobre a CRUZ. Ela é o terceiro dos
quatros símbolos fundamentais, que são o CENTRO, o CÍRCULO, a CRUZ e o
QUADRADO. Ela, antes de tudo, é a base de todos os símbolos de orientação nos
diversos níveis de existência do homem. Sua simbologia tem inúmeros significados,

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é vasto o seu poder, sintetizando podemos dizer: A CRUZ, é o símbolo do
mundo na sua totalidade. Os ciganos vêem a CRUZ principalmente como
símbolo de proteção e de exorcismo.

PONTO – Simboliza o estado limite da abstração do volume, o centro,


a origem, o lar, o princípio da emanação e o termo de retorno. O PONTO
designa o poder criativo e o fim de todas as coisas.

AS JÓIAS CORUJAS

Falemos agora de outra cigana que eu tive o prazer de conhecer, tocá-la e


admirá-la. Era um casal de corujas, poderia ser usada como broche ou pendurada
por uma corrente; também é uma jóia ritualística, “mágica como as duas cigarras
descritas anteriormente”, é o que veremos na descrição a seguir: Antes de mais
nada, devemos registrar um detalhe importante nesta jóia: As CORUJAS poderiam
estar juntas, pois a jóia se acopla uma metade à outra, ou separadas. SE juntas o
poder da mesma estaria com um só portador, se separadas este poder
estaria dividido entre os dois portadores. Feitas em OURO, possuíam AS
CORUJAS imensos olhos de esmeraldas, jóia altamente decorativa encantava a
todos que a viam, isto é, apenas sua parte externa a que todo mundo via.
Mas na sua parte interna é que reside a sua força. No corpo de cada CORUJA
estavam gravados símbolos; na CORUJA que ficava a direita, encontramos uma
BARCA, cuja simbologia evoca a idéia de força e de segurança numa travessia
difícil Este símbolo é aplicável tanto na navegação espacial quanto na marítima.
Mas para os ciganos e todos os sábios da Antigüidade, a barca é como um astro
que gira em torno de um centro, a TERRA, e dirigida pelo HOMEM. É a imagem
da vida, cujo centro e direção cabem ao homem escolher. A BARCA é na
verdade a configuração do livre-arbítrio. Na CORUJA à esquerda
encontramos gravado O AMOR–PERFEITO (flor), o simbolismo desta flor vem
essencialmente do número de suas pétalas, que são 5, e tal número é um dos
símbolos do homem. O AMOR-PERFEITO designa O HOMEM, pelo que lhe é
próprio: PENSAR. Assim este símbolo é o escolhido para designar a meditação e
a reflexão. A CORUJA, dentro da simbologia cigana representa a vidência, pois
vigia enquanto o resto das criaturas dormem, ou quando com dificuldade se
locomove na escuridão. AS PEDRAS DE ESMERALDAS, que conformam os olhos
das duas aves, por sua simbologia representam a LUZ VERDE que tem a
propriedade de traspassar as mais densas trevas. Ela (a esmeralda) tem a
propriedade de proteção contra o mal. Na idade média era a pedra da
clarividência. Na Índia, acredita-se que esta pedra confere a imortalidade.

Analisemos esta jóia cigana. Feita em OURO, é conferida à esta JÓIA:

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PERFEIÇÃO, LUZ, O DOM DO CONHECIMENTO, torna-se então uma
“ARMA DE LUZ”. Retratando uma CORUJA com olhos de esmeraldas, esta jóia
passa a transmitir par quem a usa o dom da vidência com luz que pode ver
além das aparências no meio de qualquer escuridão, inclusive a espiritual, e
portanto, dá proteção contra todo tipo de mal, pois a LUZ o detecta onde quer que
esteja.

A parte OCULTA DA JÓIA lhe confere, por um lado, o poder de ter força e
segurança para se ter uma escolha acertada em suas decisões, saber usar seu
LIVRE-ARBÍTRIO.

Por outro lado a JÓIA confere ao seu dono o poder de pensar, refletir, usar
de seu poder de meditação, sempre que tiver de tomar uma decisão importante em
benefício próprio ou de outros.

Sendo assim, as DUAS CORUJAS conformam UMA JÓIA DE MAGIA feita


para uso de um CHEFE DE TRIBO, ou por um (a) KAKU, misto de sacerdote,
sábio, conselheiro, juiz, médico, dentro do sistema social de um grupo cigano.

Por que as CORUJAS poderiam ser usadas juntas ou separadas? Juntas


teriam as conotações acima, separadas algo muda. Se cada um delas estiver de
posse de pessoas diferentes, ocorre uma voluntária divisão de poderes, com já
disse anteriormente. Se elas por vezes são usadas em separado pelo mesmo
portador, é que este, por uma razão especial, está a pretender concentrar-se mais
em determinado poder que no outro, pois assim sorverá mais especificamente a
qualidade de MAGIA que deseja.

Ao usar somente a CORUJA DA DIREITA, seu portador está desejando


tomar uma decisão com certa urgência, sem reflexão demorada, pois a necessidade
de uma escolha, ou de um julgamento premente, assim o obriga.

Usando somente a CORUJA DA ESQUERDA estaria desejando entrar em


total recolhimento interior para decidir, escolher ou julgar algo muito difícil, não
tendo pressa em expressar seu veredicto. Por auto – determinação deseja entrar
em meditação profunda.

Nota: Existe um estilo próprio nas jóias ciganas, e que vem influenciando “o
mundo dos joalheiros”, há séculos!.

AS JÓIAS BORBOLETAS

Outra JÓIA CIGANA é um par de BORBOLETAS feitas em filigrana de


OURO, enfeitadas com RUBÍS e ligadas uma a outra por uma corrente.

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BORBOLETAS que não VOAM SÓ, e sim ATADAS UMA À OUTRA, voam em
ETERNO PAR.

No verso das BORBOLETAS encontra-se OCULTAMENTE gravado um


mesmo símbolo em cada uma delas. Em cada peça da JÓIA no topo de usas asas,
estão gravados um par de olhos.

Vejamos pouco a pouco, o lindo significado desta JÓIA RITUALÍSTICA DE


MAGIA

DUAS BORBOLETAS UNIDAS significam a felicidade conjugal e tribal.

Para os ciganos as BORBOLETAS são espíritos viajantes, como eles, errantes


sem paradeiro específico. Ao unirem-se as BORBOLETAS, os ciganos estão
simbolizando a união perfeita dentre todos os de sua tribo ou que pelo menos que
assim o seja, este é o desejo de todos o CHEFE DE TRIBO, homem ou mulher. As
BORBOLETAS significam também o poder da sabedoria que tem um velho, um
homem de idade avançada, septuagenário. O uso de uma jóia com esta
configuração, pertence tão somente aos idosos de um tribo, a um BARÔ, ou a um
CHEFE, se o idoso assim o for. Podendo ser moço e estar em posto de chefe.

Um CHEFE ou um BARÔ porta uma BORBOLETA por ser ela o símbolo da


soberania representando a metamorfose e a ressurreição.

Em quase todas as Tradições dos Antigos Povos, a BORBOLETA simboliza


também a ALMA que foge voando pela boca entreaberta do homem, quando este
morre.

A BORBOLETA em magia esta ligada simbolicamente ao fogo solar e divino,


mas também ao SOL NEGRO que atravessa o mundo subterrâneo durante o
seu curso noturno SOL NEGRO que ilumina e aquece as profundezas da TERRA,
SOL DE SARA KALI!

Os pares de olhos gravados na parte oculta da JÓIA, confere a quem a usa


percepção visual e intelectual. Os ciganos que possuem o conhecimento da
existência de 3 (três) pares de olhos

A) O físico
B) O frontal
C) O olho do coração

Todos os três recebem a luz espiritual. Nas BORBOLETAS estão

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representados os dois últimos pares de olhos (B e C), pois o primeiro par de olhos
(o físico), pertence ao portador da JÓIA.

Cada par de olhos são identificados como dois luzeiros: SOL E A LUA; este
conhecimento, os ciganos trouxeram da Índia, pois o encontramos nos
conhecimentos deste povo oriental.

O OLHO DIREITO de cada PAR corresponde a atividade e ao futuro, já o


OLHO ESQUERDO de cada PAR à passividade e ao passado.

Falemos agora dos RUBÍS que ornam esta JÓIA (pode ser substituída por
pedrinhas vermelhas).

Desde a antiguidade estas PEDRAS são o emblema da felicidade,


considerada a pedra dos enamorados, dos afetos em geral.

O RUBI supera todas as pedras, é a mais ardente, lança raios como um


carvão aceso, e cuja luz as trevas não conseguem apagar.

A ANTIGA SABEDORIA DA VELHA RELIGIÃO nos relata que se o RUBI


mudava de cor, era um presságio sinistro, mas “ele” retornava a sua cor púrpura
logo que a infelicidade passasse, “ele” acabava com a tristeza e reprimia a luxúria
“ele” resistia ao veneno, prevenia contra a peste e desviava os maus pensamentos.

Por tudo acima relacionado pormenorizadamente, esta JÓIA NA FORMA DE


DUAS BORBOLETAS UNIDAS E ENFEITADAS POR RUBIS E COM DOIS
PARES DE OLHOS GRAVADOS EM SUAS FACES OCULTAS, simbolizava acima
de tudo a própria alma cigana, feliz e sábia, seus “OLHOS” conferem a quem
usa a JÓIA a perfeita percepção visual e intelectual, fazem dele(a) um(a)
portador(a) da luz do conhecimento do passado, presente e do futuro.

Esta jóia representa e atrai a felicidade, a união perfeita, portanto, um CHEFE


DE TRIBO ou um BARÔ, quando seu possuidor, a sua a fechar seu colete para
celebrar o rito do matrimonia, selar negócios em prol de seu grupo ou clã, selar
acordos de noivado, quando preside uma KRISROMANI, e principalmente quando
tem de fazer uso de sue DOM DE INTUIÇÃO AGUÇADA e PREMONIÇÃO
ambos os DONS muito presentes em vários membros da ETNIA CIGANA.

AS JÓIAS DOS LEQUES

Conheci outra JÓIA cigana similar a das DUAS BORBOLETAS, na forma de


DOIS LEQUES, também confeccionados em filigranas de OURO e ornadas por
RUBIS. Ambas as peças, os DOIS LEQUES, também permaneciam unidos por um

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cordão de ouro. Ambas as jóias tem quase o mesmo valor simbólico, a única
modificação é na troca da simbologia da BORBOLETA para a do LEQUE.

Esta JÓIA nasceu por encomenda de algum poderoso CHEFE DE TRIBO e


permaneceu sendo legada de um CHEFE à outro, com o passar dos tempos, digo
isso porque o LEQUE é o símbolo da dignidade real.

Este conhecimento simbólico do LEQUE trouxeram os ciganos na sua


TRADIÇÃO, cuja matriz esta em terras indianas, pois na Índia o LEQUE é o
atributo de deuses com VIXENU, que com ele atiça o fogo, fazendo do LEQUE um
símbolo do sacrifício ritual. E pela mesma razão é o LEQUE atribuído a AGNI, o
SENHOR DO FOGO, ele é também o estandarte de VAYU, a divindade do VENTO
(AR).

Dois LEQUES unidos entre si conformam uma tela protetora contra


influências perniciosas. No verso dos DOIS LEQUES, em sua parte oculta, estão
apenas gravados dois pontos, um no LEQUE da direita e outro no LEQUE da
esquerda. O círculo é considerado simbolicamente como sendo um PONTO
ESTENDIDO, ele também participa da perfeição do PONTO, ambos tem
propriedades simbólicas comuns. JÓIAS com CÍRCULOS UNIDOS representam
categorias de ser, as hierarquias criadas. E o que significa um PONTO? O PONTO
simboliza dentre muitas coisas O CENTRO, A ORIGEM, O LAR, O CLÃ. É o
símbolo do “homem de pé”, único ser vivo que usufrui desta faculdade, o
“homem ativo”, o “líder”, o “primeiro”. Um CHEFE DE TRIBO é para os de
seu grupo tudo isto. É um líder, o primeiro na hierarquia dentre os seus. OS
DOIS LEQUES ao fecharem seu colete, lhe trazem proteção contra influências
perniciosas que por desventura ele pessoalmente possa vir a ter prejudicando todos
os demais de sua tribo.

Os PONTOS em cada LEQUE agem como catalisadores de forças


positivas para que este chefe seja mantido sempre em pé com coragem, fazendo
dele um líder, primeiro entre os seus.

TROVA AOS CIGANOS:

“O LEQUE ATIÇA O FOGO,


O LEQUE PRODUZ O VENTO,
E BAILAM OS CIGANOS
EM MEIO AOS ELEMENTOS.”

“UMA TRIBO CIGANA CAMINHA


EM MEIO A SORTE VADIA.
SEGUEM O “PONTO” SEM VACILO

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SUA PROTEÇÃO, SUA LUZ, SEU GUIA”

“NA CALADA DA NOITE


ESTÁ A CORUJA A VELAR
NADA TEMEM OS CIGANOS
NO ESCURO A CAMINHAR”

“NO EXTERIOR DE UMA JÓIA CIGANA


ESTÁ TÃO SOMENTE A BELEZA,
NO SEU LADO OCULTO A MAGIA,
TODA A SUA RIQUEZA!”

“QUAL UM BORBOLETA
VAGUEIA A ALMA CIGANA
ORA AQUI, ORA ALI...
LIGEIRA SUAS ASAS ELA ABANA,
A SAUDAR A LIBERDADE DE SER ALMA”

Por vezes os ciganos usam estranhos MEDALHÕES suspensos ao pescoço


por correntes de ouro. Estes medalhões poderão ou não terem inscrições, mas em
seu centro há um buraco vazado.

Dentro da SIMBOLOGIA MAGISTA o buraco tem grande importância, ele


representa a abertura para o desconhecido, aquilo que desemboca no “outro lado”
(o além, em relação ao concreto), ou que desemboca no “oculto” (o além, em
relação ao aparente). O BURACO permite que uma linha passe através de outra
linha (a que o circunda), estas são as coordenadas do PLANO DIMENSIONAL.

O BURACO não é um simples vazio, é repleto de todas as potencialidades


daquilo que o preencheria, ou que passaria por sua abertura, é como a espera ou a
súbita revelação de uma presença. É O BURACO aberto CAMINHO DO PARTO
NATURAL, DA IDÉIA. Entre “ele” e o vazio há a mesma diferença, e é tão
verdadeira que o BURACO aparece como o SÍMBOLO DE TODAS AS
VIRTUALIDADES (o que não se realizou, mas é passível de se realizar). Sob este
aspecto, está ligado aos SÍMBOLOS DA FERTILIDADE NO PLANO BIOLÓGICO
DA FERTILIDADE DE IDÉIAS INOVADORAS, DA FERTILIDADE NO PLANO
DA ESPIRITUALIZAÇÃO E DA FERTILIDADE NO PLANO PSICOLÓGICO.
Assim o BURACO tem duplo significado, abre o interior ao exterior e abre o
exterior ao “outro”.

Este tipo de JÓIA, medalhão em OURO com BURACO vazado ao centro,


pendurado em correntes de elos de OURO, só é encontrado sendo usado por
cigano(a) com alto conhecimento e poder de magias. Necessariamente esta JÓIA

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não terá sempre de ser confeccionada em OURO, pode ser feita em prata, cobre e
etc.
Nota Elucidativa: O conhecimento do valor simbólico destes medalhões ou
moedas com um BURACO vazado ao centro, não existe somente na CULTURA
CIGANA, mas também em outras muito antigas, como a chinesa por exemplo. Na
CHINA, uma moeda com um BURACO QUADRADO ao centro chama-se
SAPECA, e é a imagem da tríade suprema, o espaço intermediário entre o
céu(redondo), e a terra (quadrada). Existe também o DISCO DE JADE
denominado de PI que é furado, e é justamente um símbolo do céu como “outro
mundo”.

As correntes com medalhas de OURO ou que pareçam ser, outras com


inúmeras patacas de OURO(antigas moedas) que os ciganos tem como costume
trazerem pendurados ao pescoço, por vezes também enfeitam com elas seus
chapéus, botas e cinturões, tem dois valores simbólicos:

1 – Reverenciar a MÃE TERRA.

2 – Demonstrar poder econômico(por vezes só aparente), e com isto atrair mais


dinheiro, pois acreditam que moedas atraem moedas!

A cigana quando cobre a testa com medalhas ou moedas em OURO ou que


pareçam ser, ou apenas porta uma moeda suspensa por uma corrente em meio as
suas sobrancelhas, crê estar atraindo para si energia positiva telúrica, de fertilidade
em geral, que lhe facilitará a concentração mental em seus trabalhos com as
ARTES ADIVINHATÓRIAS, onde obtendo sucesso, ficam famosas e ganham
muito dinheiro.

Como podemos notar, novamente a crendice de que “moedas atraem


moedas”...quer dizer, as moedas agem como um catalisador. Por vezes uma
MOEDA usada como pedantife por um cigano(a), pode ser tão simplesmente um
talismã de sorte, mas também um SÍMBOLO DE COMPORMISSO assumido por
ele ou ela, ou mesmo por seus pais, substituindo a ALIANÇA NUPCIAL dos
gadjés. AS MOEDAS, CORAÇÕES, e outras MEDALHAS de ouro em geral, estão
presentes em quase todos os ciganos, fazem parte integrante dos costumes de sua
cultura, e estas JÓIAS são geralmente magnetizadas em ritos, sejam eles de
BATIZADO, NOIVADO, CASAMENTO, RITO DO FOGO, RITO DA TERRA,
RITO DO VENTO.

Nota: Há tribos que durante o ritual do pão com o sal, enterram moedas de
ouro neste pão, para atraírem fortuna para os noivos, já em outros grupos estão
presentes como prendas durante o ritual de ablução que também ocorre durante os
festejos de um casamento.

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SIGNIFICADO DESTS MEDALHÕES E PEDANTIFES DE PODER

CADEADO: O portador deste pedantife é portador de “oculto segredo”

DADO: Simboliza a sorte em jogo, catalisa para seu portador sorte e proteção

TRÊS PONTOS: Identifica um oficiante de secretos rituais

CHICOTE: É a SERPENTE no hieróglifo cigano, catalisa sabedoria para o seu


portador

LUA CRESCENTE: Catalisa para seu portador fluídos mágicos lunares

TRIÂNGULO: Identifica um senhor do fogo, um iniciado nos poderes desse


elemento

ANÉIS COM ESMERALDAS: São talismãs contra o MAL, e identificam seu


portador como um iniciado em magia com poderes no dom da clarividência

Fazer uso de colares, brincos, braceletes, anéis, medalhões e etc, feito em


metais como O OURO, A PRATA, OU O COBRE, representa entre os ciganos,
adornarem-se com suas próprias raízes, a TERRA, representada por seus nobre
minerais.

O cigano sente-se seguro e realizado, quando traz consigo suas medalhas,


moedas, jóias em geral, melhor dizendo revelando o OCULTO, na realidade os
ciganos se sentem mais seguros trazendo em como talismãs estes nobres metais
catalisadores de qualificadas energias.

As verdadeiras JÓIAS CIGANAS nunca são simplesmente ornamentos,


muitas vezes sob a forma de corações, elefantes, estrelas, luas, sol, escaravelho,
cobras, corujas, cigarras, ferradura e etc, encerram em seu âmago todo o seu
misterioso poder. Quando manufaturados, o seu artesão coloca em seu interior, o
que dará o propósito de magia à JÓIA, exemplos: mecha de cabelos, pedaços de
unhas, dente humano ou de animal, sementes, lascas de determinadas madeiras,
carvão mineral, cristal, sangue, crina de animal, determinadas pétalas de flores já
secas, um pedra preciosa “oculta”, ou um coral “oculto” etc. Mais do que simples
adornos estas JÓIAS(na maioria das vezes na forma de pedantifes ou anéis) são
poderosos talismãs ou amuletos.

Suas JÓIAS reproduzem quase sempre os mesmos símbolos, embora seja

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inúmeros; estejam os ciganos onde estiverem, lá estarão eles com suas JÓIAS, e
com isso influenciaram vários adornos do mundo gadjé.

Vejamos a seguir, apenas alguns significados simbólicos de algumas figuras


tão presentes nos costumes ciganos:

ELEFANTE: Ele, no oriente, significa o poder régio, a estabilidade, a


força, a prosperidade, longevidade, a sabedoria e a memória: Na Índia, o
ELEFANTE representa o elemento terra e a cor ocre (os ciganos já sabemos são
muito ligados a este elemento), como também desempenha o papel de animal –
suporte – do mundo: o UNIVERSO repousa sobre o lombo de um ELEFANTE.

CORAÇÃO: Simboliza o homem interior, sua vida afetiva, a sede da


inteligência e da sabedoria intuitiva.

ESTRELA: É acima de tudo FONTE DE LUZ. Tendo esta ESTRELA 5 pontas


representa também o próprio homem perfeito, pois o número 5 é o número da
perfeição. Para todos os povos de culturas as ESTRELAS simbolicamente são as
janelas do mundo, na verdade aberturas dispostas no firmamento de modo a
permitir o arejamento das “diferentes esferas do céu”.

LUA: Ela dente certos povos é símbolo feminino de transformação e de


crescimento representa em si tudo o que é instável, transitório e influenciável, por
analogia com seu papel de refletor da luz solar. Como a LUA CHEIA, o círculo em
toda a sua plenitude, ela simboliza a “iluminação total” o princípio passivo
mas fecundo, a unidade, a rainha da noite, o subconsciente, a
imaginação, o psiquismo, o sonho, a receptividade. A LUA NOVA, chamada
pelos ciganos LUA AZUL, e que tem grande importância dentro de sua cultura
também é denominada de LUA CIGANA, LUA DE MAGIA, LUA OCULTA, LUA
NEGRA, e ela representa a felicidade, a sorte e os mistérios...por ser a
madrinha da fecundidade na Tradição Cigana, muitas vezes os casamentos
são marcados para ocorrerem durante este período da LUA.

Nota Elucidativa: Dentre a maioria dos povos nômades de antiga tradição,


a LUA é do sexo feminino, e o SOL de natureza MASCULINA, porque para estes
povos, chamados de os CARAVANEIROS, a NOITE é que é repousante e doce,
propícia às viagens. Entre muitos outros povos não nômades, a LUA é também de
natureza masculina, é o GUIA DAS NOITES.

A LUA representada por seu QUARTO CRESCENTE tem como símbolo a


foice de prata, ela evoca a morte e a ressurreição. A LUA na posição de seu
QUARTO MINGUANTE é a LUA dos malefícios, uma LUA PERIGOSA.

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A LUA NEGRA quando em forma de jóia é sempre feita em ÔNIX. A LUA
AZUL quando em forma de jóia pode ser feita em lápis-lazuli, turquesa, sodalita e
aqui no Brasil água-marinha ou turmalina azul. Ambos os nomes acima são
referentes a LUA NOVA, ela representa a força oculta da magia, as noções do
inatingível, do inacessível, da presença desmedida da ausência que
confere ao seu portador o inverso: a hiperlucidez dolorosa, de tão intensa.

O SOL: Ora é uma manifestação masculina para alguns povos, em outros


povos manifestações feminina (dentre os ciganos é masculina). Ele é o símbolo
universal do REI, do CHEFE, pois representa o OLHO DE DEUS. Por tudo isso, o
SOL simboliza A VIDA, O CALOR, O DIA, A LUZ, A AUTORIDADE E
SUPREMACIA (ver o MEDALHÃO DO SOL pertencente a um chefe cigano mais a
frente)

COBRAS: SERPENTES OU COBRAS são manifestações simbólicas da força


sexual e da energia primordial, ela é a representação do VELHO DEUS, o
Antepassado Místico que não tem existência real. Quando “ela” é representada,
mordendo sua própria cauda, significa a morte que sai da vida e a vida que sai
da morte, é na verdade o círculo eterno das reencarnações. Na Cultura
Cigana as COBRAS OU SERPENTES simbolizam além da energia primordial, a
força sexual, a sabedoria e a feminilidade, seu hieróglifo é um chicote.

Para todos os povos de cultura antigas, acima de tudo AS SERPENTES


representam as guardiães.

ESCARAVELHO: Esta simbologia passou a pertencer a Cultura Cigana


depois que eles permaneceram algum tempo no Egito. Por vezes nas jóias ciganas,
reproduzindo as egípcias, surge o ESCARAVELHO, portando uma bola entre as
suas patas dianteiras, esta bola sempre feita em OURO, simboliza o sol, fazendo
deste inseto um representante do deus solar, pois nos conta a Antiga Tradição, que
o ESCARAVELHO renasce de sua própria decomposição, como o sol que morre ao
anoitecer e ressuscita ao amanhecer. É pois, o ESCARAVELHO, antes de tudo, o
símbolo da ressurreição, da renovação e da concentração.

É costume dentro da Tradição Cigana, seus artesãos confeccionarem JÓIAS


PARTIDAS possuindo duas partes uma delas terá um portador, a outra metade
pertencerá a outro dono(a). Assim, encontramos principalmente. CORAÇÕES
PARTIDOS, mais destinados à pactos amorosos, MOEDAS, MEDALHAS OU
MEDALHÕES PARTIDOS, destinados a pactos ente chefes de tribo, ou de
clãs, entre amigos, irmãos, e também por vezes amorosos.

CHAVES PARTIDAS – Simbolizam um pacto de segredo ESTRELAS

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PARTIDAS tem o mesmo sentido que as moedas, medalhas ou medalhões. LUA
PARTIDA, ficando o quarto crescente com um portador e o minguante com outro,
significa um pacto entre ciganos com poderes de magia, entre sábios BARÔS
ou KAKUS; durante um tempo, um deles se beneficiará com o símbolo lunar
crescente que atrai forças positivas, e outro com o lunar minguante que atrai forças
negativas. Depois de um tempo, eles trocam os pedantifes, para receberem as
forças opostas. Sim, porque todo sábio em magia, senhor do conhecimento, tem
total consciência que, para ter um pleno equilíbrio psíquico necessita das duas
forças, a positiva e a negativa uma completa a outra, pois são o princípio da própria
CRIAÇÃO.

Toda a pedra preciosa, ou não, usada nas jóias ciganas, tem seu valor
intrínseco, jamais será usada por seu portador aleatoriamente. Assim, elas surgem
em colares, brincos, pulseiras, pedantifes e etc. O mesmo critério ocorre com a
escolha do material com o qual será feita a jóia: ouro, prata, cobre, ferro, marfim e
etc.

Nota: Existem belas jóias ciganas que ao invés de serem confeccionadas à


volta de uma pedra preciosa ou semi-preciosa, são feitas a partir de CORAIS
(vermelho e negro), ossos, conchas, madrepérolas, cascalhos, seixos, sementes,
grãos, cristais, madeiras, pepitas de ferro, espelho e etc.

Falemos um pouco mais especificamente sobre os ANÉIS, tão presentes na


Tradição Cigana. Como já vimos anteriormente, os ciganos os consideram um
prolongamento do dedo, por isso deve haver um equilíbrio harmonioso entre um e
outro. Todos os anéis são vistos dessa maneira, mesmo aqueles que não são
ritualístico, e sim simples adornos.

Muitas vezes um artesão cigano confecciona, cria um ANEL, a partir de um


profundo estudo de quirologia, pois dependerá da conformação dos dedos e da
mão do pretendente a forma definitiva de seu ANEL, caso contrário, não haverá
um equilíbrio harmonioso entre eles, o mesmo não será a verdadeira continuação
de seu dedo. Na maioria das vezes há um símbolo oculto no verso dos anéis que
lhes outorgam um poder ou simboliza um pacto.

Vejamos a seguir a que simbologia estão ligados os anéis que os fazem tão
importante entre todos os povos de Culturas Antigas.

“O ANEL é símbolo de uma aliança de um voto, de um


compromisso(nem que seja tão somente com a beleza), representa por
vezes toda uma comunidade, e um destino associado”

O ANEL na Tradição Cigana como em outras Tradições Antigas, possui uma

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simbologia ambivalente, isto é, o anel une e isola ao mesmo tempo, fazendo
lembrar por isso a relação dialética AMO – ESCRAVO. Exemplo. Ao firmar um
pacto ou um compromisso você torna-se escravo dele, ao assumir um posto de
chefia você se torna o amo.

Há anéis que possuem poderes mágicos. Apoderar-se ou ser dono de um


desses anéis é, de certo modo, abrir uma porta e adentrar no mundo dos segredos
e mistérios. Dentre esses anéis mágicos encontramos alguns feitos em ferro, onde
se encontra engastado um fragmento de pedra, outros feitos a partir de um disco
de jade perfurado, e ainda outros feitos de metal e cabelo ou crina e etc.

O DIAMANTE outorga ao possuidor do anel da sabedoria,


incorruptilidade, a firmeza e a solidez de caráter no mando e comando.

Das Tradições da Europa ocidental, os ciganos assimilaram que os diamantes


afastam igualmente os animais selvagens, os fantasmas, os maus feiticeiros e todos
os terrores da noite. Em especial, da Tradição Russa, os ciganos assimilaram que o
diamante impede a luxúria e favorece a castidade. Por isso, pedantifes portando
pequenos diamantes eram pendurados em suas filhas ao nascerem, e ali deveriam
permanecer até o momento de seu casamento. Assim pretendiam eles criar um
“círculo mágico” à volta das meninas, com intenção de preservarem a sua
virgindade, tão importante dentro das Tradições da Cultura Cigana.

Deixei para o final, para falar de uma JÓIA bem singular e tipicamente
cigana. É o KEPARA; assim é chamada uma moeda de ouro, um coração de
ouro, ou simplesmente um círculo maciço de ouro que sob a forma de um
pedantife, é usado suspenso ao pescoço. Esta jóia tem o mesmo valor
simbólico que o de uma aliança matrimonial. O KEPARA representa um
compromisso de casamento assumido entre dois pais ciganos, quando a tribo
possui um regime social patriarcal. DUAS KEPARAS são colocadas então nos
“pretendentes”. Isto ode ocorrer desde os seus nascimentos, pois muitos
casamentos ciganos são selados entre famílias, cujas mulheres ainda estão
grávidas, ou então, quando os “pretendentes” são ainda crianças. Inúmeros
casamentos são resolvidos a distância sem que os pretendentes se conheçam,
apenas os pais viajam para se encontrarem, firmam o PACTO ENTRE

AS FAMÍLIA e pronto, suas crianças recebem os respectivos KEPARAS, pois


já estão comprometidas uma à outra.

Mesmo em tribos com regime social patriarcal, um pacto de casamento


também pode ocorrer, somente no período em que os jovens ciganos já estão
adolescentes, entre 15 e 22 anos, então no dia do compromisso de noivado, onde
se sela o pacto entre as famílias, o noivo oferecerá à noiva, sua futura esposa, um

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KEPARA como símbolo da união próxima entre os dois.

Quando as tribos sã de regime social matriarcal, ao escolher sua futura


esposa, já adolescente, o rapaz lhe oferece o KEPARA, para que ela o use como
símbolo de compromisso entre os dois.

KEPARAS confeccionadas sob a forma de um círculo ou oval, em metal


maciço, por vezes são ocos, e em seu interior há algo que sele a magia do
compromisso entre dois pretendentes, tais como pequenas mechas de seus
cabelos, ou um de seus dentinhos de leite, se forem mais crescidinhos etc.

Nota Elucidativa: Na maioria das vezes, ao ocorrerem estes pactos de


compromisso entre famílias ciganas, a menina ainda é recém-nascida, e o menino
terá entre 1 e 10 anos no máximo(raro são as exceções a este caso, mas elas
existem, é claro). Ambos portarão até o momento de seu casamento os seus
respectivos KEPARAS, mesmos por exemplo que um resida em terras francesas e
ou outro no sul do Brasil.

Um dos símbolos que os ciganos mais gostam de mandar gravar em


medalhões ou anéis, é a reprodução da gravação: primeiro em um pedaço de
ânfora, depois em uma tira de couro de touro morto em combate, ambas as peças
encontradas no túmulo do MARQUÊS DE BORONCELLI, lá colocadas por um dos
descendentes do CHEFE DA TRIBO CIGANA ZORAYA, como nos relata o
ciganólogo PIERRE DERLON. Este simbolismo significa VIDA na perspectiva do
nômade cigano.

PIERRE DERLON específica o significado da cada parte deste símbolo:

1) Traço horizontal se refere verdadeiramente a ESTRADA DE LA PLATA, o


litoral entre a ESPANHA e a ITÁLIA. PLATA = PRATA = LUA (sobre o
traço).
2) Círculo não fechado, cuja abertura indica a direção da marcha, é ao mesmo
tempo um símbolo do CAVALO e com 12 raios na roda. Portanto, de uma
carroça, ou da própria vida, simbolizada pela RODA DA REENCARNAÇÕES,
A RODA DA SANSARA INDIANA.
3) A estrela de 5 pontas, desenhada com um traço, corresponde ao
CONHECIMENTO ou, talvez, também ao destino.

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Nota Elucidativa: O Marquês de BORONCELLI, por ter recebido tal
honra dos ciganos da TRIBO ZORAYA, que ao depositarem em seu túmulo, peças
com este símbolo gravado que lhe desejavam vida eterna, deve ter sido protetor
deste grupo, ou tinha algum pacto secreto, talvez de irmão de sangue, com algum
CHEFE desta tribo, cujos descendentes lhes prestaram esta última homenagem.

Mas se um dia tivermos a oportunidade de perguntarmos a um velho CHEFE


DE TRIBO, a uma PHURI-DAI, a um BARÔ, a uma MATRONA, ou a um KAKU,
por que são tão lindas e simbólicas as JÓIAS CIGANAS, por certo ouviremos esta
sábia resposta: “Porque somos FILHOS DA TERRA, IRMÃOS DO FOGO, DAS
ÁGUAS E DOS VENTOS, e como “ELES” não é por acaso que usamos adereços,
nem nós, nem eles...Como o MAR que esconde o precioso em suas conchas, com
os quais se enfeita, como o FOGO que dança ornado por pequenos RUBIS de suas
brasas, como o AR que se embeleza com sublimes odores para bailar com as
nuvens do céu, e como a nossa MÃE TERRA, que vaidosa se atavia de adornos
mil: seus lindo e apetitosos frutos, flores e folhas tão belas, seus minerais tão
magníficos, suas madeiras nobres e resinas cheirosas...nós, ciganos, fazemos
também parte de toda esta CRIAÇÃO DIVINA, e agradecemos ao SENHOR
DIEULA (DEUS) simplesmente pelo fato de existirmos em um REINO criado por
ELE, também felizes nos enfeitamos, simbolicamente que acompanha os POVOS
DA ANTIGÜIDADE, e nós ciganos, também somos parte da “MEMÓRIA
ANCESTRAL DO MUNDO”, como também o são outros POVOS ANTIGOS.”

CIGANOLOGIA

APOSTILA 19 – O Mundo da Magia Cigana; KAKUS, Quem são eles?

É vasto, mas praticamente insondável o universo inebriante da Magia Cigana,


universo este, que exacerba a imaginação do gadjé, fazendo-o “viajar” por
estradas erradas, por caminhos não ciganos, na sua ânsia de conhecer os segredos
deste povo nômade, talvez por curiosidade ou por amá-los sinceramente, os gadjés
perderam-se em meio a inúmeras simpatias, na maior parte ligada ao folclore local,

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sem nem sequer conseguir elevar a fímbria da cortina mágica que vela os segredos
ciganos.

Quando se fala em magia cigana, logo vem a baila a denominação KAKU,


quem serão eles? Em primeiro lugar a palavra KAKU em romanê quer dizer tio
ou tia, e é por esta denominação carinhosamente respeitosa que os ciganos
chamam seus irmãos dotados e versados nos “PODERES DE MAGIA”.

Quais serão estes ditos PODERES? Muitos... A Tradição Cigana sabiamente


nos ensina que as sendas de Magia são muitas, e um só homem não conhece
todas elas, um (a) KAKU possui poderes próprios, determinados, e não
todos.

Ninguém se torna um(a) KAKU, nasce-se assim, são homens ou mulheres


que já chegam a este mundo “marcados” para trilharem na senda MAGIA, o que
nem sempre é fácil, que exige muita abnegação, perseverança, despreendimento,
dedicação integral e principalmente renúncias.

Existem inúmeras modalidades de KAKU, isto é, com diversas especialidades,


há os ligados a determinados Elementos da Natureza, como os HOMENS DO
FOGO ou os HOMENS ÁRVORES; há os com DONS generalizados em meio a
clarividência, clariaudiência, outros com poder de anestesia ou de cura através de
seu magnetismo e etc...

“CADA COISA COM SEU USO, CADA ROCA COM SEU FUSO” nos ensina
o velho provérbio, e assim também o é em meio aos KAKUS, cada um segue com
convicção e sabedoria a “sua senda mágica”, que por DIEULA (DEUS) lhes foi
outorgada.

Falemos de agora em diante de algumas destas citadas sendas, apenas


aquelas que os ciganos deixaram entrever.

OS HOMENS MARCADOS: Estes homens marcados podem vir a ter a


mesma marca, e se um dia vieram a se encontrar, então, o insólito acontece. Estas
marcas, dizem os ciganos, são os estigmas das “feridas corporais” que o pai do
portador da “marca” sofreu algum tempo antes dele nascer.
EX: Uma ferida de guerra, um coice de cavalo, uma queimadura e etc...

Enquanto, em certas famílias gadjés, estes feios sinais, são encarados como
estigmas, são ocultados de todos, em aos ciganos eles são expostos aos olhos da
tribo que se achega para “reconhecer” os sinais do(a) KAKU que acaba de
agraciar àquele grupo com seu nascimento em seu meio. Esta criança, passa então

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a ser chamada de FILHO DA VERDADE, ou de o FILHO DO PAI, e sua
verdadeira progenitora de VIRGEM MÃE das catedrais góticas, a GRANDE MÃE.

A chegada deste ciganinho ou ciganinha em uma tribo é tida como uma graça
milagrosa recebida por todos, a Tradição Cigana esclarece o que os antigos KAKUS
de todos os tempos já o sabiam, as tais “marcas” assinalam a chegada de uma
criança com uma sensibilidade psíquica fora de comum, está predestinada a se
tornar um(a) KAKU, e terá cuidados e educação especial.

Se esta “marca” tiver a forma de uma estrela assinala que o HOMEM DA


JUSTIÇA tomou forma humana em meio a esta tribo. Esta “marca” para os
ciganos é o mesmo que um milagre materializado, colocavam todas as suas
esperanças neste pequeno ser que acabava de chegar em seu meio, e que um dia
seria seu GUIA possuidor de poderes extraordinários.

Durante um bom tempo esta criança só será possuidora deste título de


HOMEM DA JUSTIÇA ou MULHER DA JUSTIÇA, de PREDESTINADO, depois
com o tempo, um belo dia em sua vida, de repente o PODER SE MANIFESTA DE
SÚBITO, e ele ou ela se tornam um(a) KAKU, ser mágico.

Mas não lhe será fácil carregar por toda a sua existência este poder, é uma
carga pesada, maior do que a de um CHEFE DE TRIBO ou de uma PHURI-DAI,
pois não só direcionará os homens, mas penetrará no âmago da alma deles.

Como KAKU ele será sempre a eminência parda do CHEFE DE TRIBO, deve
manifestar-se com sabedoria, nunca ser tendenciosa, nunca ludibriar, sua
responsabilidade é permanente, dia e noite, deve estar sempre disponível, sua vida
particular é quase nenhuma.

O ciganólogo PIERRE DERLON nos passa com a clareza de usa vivência em


meio aos ciganos:

- “O KAKU é para a tribo cigana o que é o para-raios para nossas casas de


alvenaria, mais do que uma proteção, uma espécie de via que canaliza as forças
destruidoras para rexpedi-las ao ponto de partida.”
O próprio PIERRE DERLON possui uma destas “marcas especiais” embora
seja um gadjé, pois é caro que “elas” podem vir a aparecer em meio não ciganos,
pena é que o nosso mundo (gadjé) não saiba como interpretá-las. Esta “marca”
lhe outorgava uma força que ele não podia controlar, e que o obrigou a seguir a

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linha traçada pelos mestres KAKUS, opor-se a ela seria destruir-se, por isso
PIERRE DERLON caminhou estudando, pesquisando, e auxiliando os ciganos por
mais de 40 anos, por muitas estradas cruzou, muito aprende, muito ensinou,
estimado por muitos e incompreendido por outros, inclusive ciganos, que não
entendiam a facilidade que tinha este homem em penetra em seu reservado
mundo.

E de onde provêm estas “forças”? Ninguém sabe...É o mistério, e devemos


subtermos a ele sempre reservas.

PIERRE DERLON possui o “dom do magnetismo” que abranda as dores e


dá força psíquica.

Após um “trabalho de magnetismo” o KAKU se torna fadigado, os ciganos


chamam este estado de “choque de retorno”, mas ele chega acompanhado de
uma alegria intensa, a alegria da missão cumprida, pois é esta a sua missão, suas
mãos são ferramentas de trabalho em prol de terceiros, são mananciais de magia
curadora, que devem ser repartidas.

A hipótese de que dois ou mais HOMENS “MARCADOS” venham a se


encontrar nesta vida é ínfima, mas não impossível, PIERRE DERLON mesmo foi
iniciado na senda da magia por 3 ciganos de nacionalidades diferentes mas com o
mesmo o nome que o dele, e todos os 4 haviam nascido no mesmo dia de mesmo
mês em anos diferentes; eram eles PETER, PEPÉ E PIETRO, todos “homens
marcados” que um dia se encontraram e aí a magia ascendeu em aspiral de luz,
fechou-se um círculo magnético no citado encontro mágico de PIT ZOLIROFF,
apelidado PEPÉ, PIETRO HARTISS, E PETER HANDARGUE, chamado de
PIERRE LE PETITI, e PIERRE DERLON, denominado de o MANOUCHE.

O primeiro cigano possuía a sua marca na nuca, cicatriz de um talho sofrido


por seu pai, o segundo trazia impresso em sua omoplata esquerda o casco de
cavalo que quebrara com um coice o ombro de seu pai, o terceiro, um dos sábios
mais silenciosos que DERLON conheceu (segundo ele próprio), trazia os estigmas
do fogo no seu pé esquerdo, seu pai derramara certo dia no pé o conteúdo de
recipiente em ebulição, onde trabalha o estanho.

PETER e PEPÉ já faleceram, mas PIETRO HARTISS vive, ainda hoje aos
seus 95 anos mais ou menos.

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Nos dias de hoje muita coisa se diz ou se escreve sobre a Magia Cigana, como
se fosse possível ter-se acesso a ela tão facilmente, nem todos ciganos o tem,
quanto mais gadjés!

Talvez até seja para preservar este “mundo mágico”, que os próprios
ciganos “marcados” não mais se mostram a público, muito menos fazem alarde de
seus “dons”, calam-se, pois silêncio é magia, e os segredos também o são.

Após as guerras de 1870, as grandes tribos ciganas que cruzavam a Europa


viviam ainda com seus tabus ancestrais, suas crenças, sua magia, brilhavam no
interior do círculo tribal, o segredo jamais saía das fronteiras de seu mundo, era a
fase de ouro dos nômades, depois, pouco a pouco, infelizmente, iniciou-se um
desregramento em meio a eles, e foi irreversível.

De mansinho curiosos abriram brechas neste mundo, e fantasiaram, criaram


ao sabor de usa imaginação uma tradição que pode ser tudo menos cigana. Muitos
gadjés denominaram-se de BARÔS, PHURI-DAIS, KAKUS e etc, pois estes títulos
impressionam, outorgam-lhe pseudos poderes, e lhes dão ganhos materiais e de
notoriedade em meio aos incautos. De longe os “ciganos(as)” MARCADOS,
silenciosamente a tudo observam e sorriem com tristeza, mas sem mágoas, pobres
gadjés que na verdade não sabem o que fazem, pobres ciganos que tiveram a
infelicidade, talvez por necessidade, de deixarem que se criassem brechas no
círculo que protege o mundo mágico de seu povo por milênios. A tristeza existe em
seus olhos por verem o aviltamento de uma pretensa Magia Cigana, mágoas não
possuem, pois estes sentimentos denso não existem em meio de seres superiores;
sorriem, sim, pois sabem que na verdade a sua Magia continua intacta, inalterada,
preservada, o que se VÊ É UMA ILUSÃO, que sabe “criada por eles mesmo
propositalmente, ILUSÃO esta repleta de CRENDICES, FOLCLORES,
SIMPATIAS INOFENSIVAS...

OS PREDICADOS MÁGICOS:

Não é de pronto que um(a) KAKU desenvolve os seus DONS, é longo o


caminho para se desenvolver certas percepções extra-sensoriais, não é da noite
para o dia que surge um mago curandeiro, eles fazem parte de um ramo da
medicina cigana que tem um pouco haver com a homeopatia, com a veterinária,
com a medicina psicossomática, e por fim com a pura feitiçaria, isto quer dizer, que
seus métodos de cura por vezes misturam sugestões psicológicas, técnicas de
hipnose e verdadeiros elementos de feitiçaria.

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Vejamos aos poucos alguns destes DONS, em primeiro lugar o OLHAR, este
através de um(a) KAKU pode servir de ataque ou defesa, ma na maioria das vezes
é utilizado para apaziguar, incutir confiança no próximo, dominar os medos, as
neuras etc...Este cigano(a) da Magia por vezes se assustam com as
responsabilidades de seus próprios dons, pois são forças que ele crê controlar, mas
que ao mesmo tempo o dominam, pois o dito “PODER” tem duplo certo, o mínimo
erro é o “imprevisível no invisível” que dita a sua lei.

Ele próprio ao engendrar o movimento e desenvolvimento da magia, tornar-se


a penas um espectador impotente de seus efeitos.

Os ciganos que possuem o poder do OLHAR e utilizam por demais com os


animais, pois este manifesta o amor ou ódio no corpo a corpo, não possuem
nenhum método inteligente para expressar seus sentimentos, entretanto um cão é
capaz de morrer com saudades de seu falecido dono, um cavalo para de se
alimentar por sentir falta de seu proprietário ou tratador, e até um tigre morre de
melancolia recusando alimentação se esta não lhe for dada pela pessoa em quem
confia. Tudo isto são manifestações de AMOR.

Enfim, só existe um meio perfeito de compreensão mútua entre o homem e o


animal, seja ele doméstico ou selvagem, é o OLHAR, a VOZ faz o contato, o
OLHAR o mantém, o interioriza, o torna intenso. Por tudo isto aqui citado, não
existe um(a) KAKU que não tenha sempre animais a sua volta, eles têm
necessidade disto.

E, por reconhecerem a sabedoria contida no mundo animal, os sábios ciganos,


os KAKUS, fizeram uma correspondência simbólica entre as suas faculdades
próprias, e a de certos animais, nunca foi revelado por que isto ocorreu, nem qual
sua utilidade operativa.

São, então, sete (7) os animais postos com relação a MAGIA DO OLHAR,
mas apenas o nome de quatro (4) foram revelados, 3 permanecem ocultos.
Vejamos quais são:

O VAGA-LUME: Que a luz do dia é insignificante, mas a noite parece uma


estrela, movimentando-se graciosamente e sem dificuldades em meio a mais densa
escuridão.

O MORCEGO: Que possui imenso conhecimento de “navegação”,


orientando-se com perfeição no escuro embora seja cego, não tem necessidade dos
olhos “físicos” para se orientarem com precisão surpreendente.

A CORUJA: Que só enxerga a noite, e simboliza a visão do oculto, a visão

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extra-sensorial.

O SAPO: Que com seu olhar hipnótico atrai para si suas presas; um olhar
cismador de que medita ou de que contempla; um olhar manso e profundo a
sonhar, olhar de devaneios, de divagação...Os ciganos denominam estes OLHAR
tão especial do SAPO, de “O OLHAR DA ALMA”.

Na verdade todos estes 4 animais possuem certas características iguais, todos


dominam a escuridão, possuem uma forma de percepção inacessível às pessoas
comuns, por isso vivem tão confortavelmente a noite, ela que oculta o que deve
permanecer em segredo, e sua pretensa feiúra (dos animais) é na verdade um
DOM que afasta os indesejáveis de seus domínios.

Os 7 animais possuem correspondências com 7 planetas, estes podem ser


projetados mentalmente num rosto de qualquer pessoa, e que se transformam em
pontos de base para que se desenvolva a técnica do PODER DO OLHAR
(magnetismo puríssimo), mas para tanto ainda é necessário que se tenha uma
disciplina do espírito, interiorizar-se nele, brincar com ele...

Acelerar sua vivência no mental, fazendo constantemente exercícios


obrigando-se a construir mentalmente figuras geométricas que se encaixam uma
nas outras, visualizá-las de cima para baixo, da direita para a esquerda, e vice-
versa. Esta ginástica com o OLHO MENTAL tem a finalidade de promover a
concentração, aliviar as pertubações e facilitar a avaliação das distâncias dos
objetos em movimento ou parados.

São estes KAKUS com o PODER DO OLHAR que exercitavam a visão dos
jovens ciganos (sempre aos 14 anos) que se dedicava a arte do malabarismo, do
equilibrismo, do vôo no trapézio e etc...São aulas que exigem uma disciplina
rigorosa, pois vidas estão em jogo.

O (A) KAKU que possui este poder domina seu físico, por exemplo:

- Consegue ler facilmente um livro colocado na ponta do seu nariz, conseguem ver
com perfeição no escuro, ou então, dar ao seu próprio olhar a expressão que
deseje sem que altere suas emoções. Seu olhar disciplinado possui tal força que é
capaz de conduzir qualquer pessoa ao estado de espírito desejado por ele próprio,
sem que ela ao menos se aperceba disto.

Quem possui este DOM adquire uma perene tranqüilidade, pois domina com
seu mental as sua emoções, em qualquer situação. Podem “ver” objetos

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duplificados sem que essa dupla visão fosse deformada, uma só piscadela e esta
visão se torna uma unidade. Podem curar nevralgias, desaparecer com a fadiga,
induzir nos outros sua própria vontade, e daí por diante...

Os ciganos denominam este DOM do PODER DO OLHAR DE


SIMPATISMO ESTRANHO, e dizem que 4 coisas são imprescindível para que ELE
ocorra:

1 – Contrações ótica
2 – Técnica avançada de respirações
3 – Controle de percepção sensorial
4 – Técnica de relaxamento sensorial

Como podemos notar tudo isto está estreitamente ligado aos seus
conhecimentos da YOGA.

O(A) KAKU procura no rosto ou corpo de seu interlocutor os 7 pontos


mágicos, denominados de ESTRELA, cujas pontas estão ligadas aos PLANETAS:
SATURNO, JÚPTER, MARTE, SOL, URÂNIO, MERCÚRIO E LUA, cujas
correspondências encontramos no já citados 4 animais, mais nos 03 ocultos.

Isto tudo ocorre rápido, apenas com um golpe de vista. O olhar do(a) KAKU
passará de um ponto a outro progressivamente, até “envolver” o resto e o corpo
todo, sem que para isto mexa os músculos de seus olhos. Tudo isto exige uma
concentração extrema, o paciente sob esta força se tornará passivo e receptivo a
qualquer sugestão do(a) KAKU.

O centro desta ESTRELA é assimétrico, e lá está SATURNO a simbolizar a


limpidez, a tranqüilidade e a sinceridade.

Por vezes, em meio a ESTRELA o(a) KAKU traça “triângulos” de PODER.

Mas convém ressaltarmos que os próprios rostos destes KAKUS são


HERMÉTICOS, portanto impossíveis de serem “lidos” ou “dominados” por um
OLHAR DE PODER.

MAGNETISMO

Para ser um MAGNETIZADOR não é necessário possuir o DOM, tem de


saber a técnica do palmeado, que leva a um diagnóstico preciso.

Os KAKUS dizem que as mãos são como O SOL E A LUA que se buscam,

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por vezes encontram, em outras não; o obstáculo é a TERRA que encontra-se sob
a influência dos dois astros: sem O SOL não há calor, sem A LUA não existe as
marés. Quando estão com um corpo de um paciente sob suas mãos, este
representa o mesmo que a TERRA é para a LUA e para o SOL. Este corpo
(homem ou animal), também possui acidentes geográficos, regidos pelas forças
que o ultrapassam, sofrerá pois, influência equilibrante do magnetismo das suas
mãos, que se tornam dois pólos, uma atrativo, o outro repulsivo.

Suas mãos darão voltas ao redor do corpo como a LUA em torno da TERRA,
e a terra em torno do SOL, repetindo o próprio movimento do COSMO.

Existem duas maneiras de se fazer o trabalho magnético: a primeira delas é


através da imposição das mãos espalmadas sobre o corpo do paciente, a segunda
se faz com a ponta dos dedos (mãos em garra), e neste caso as mãos repetem o
movimento cósmico, uma não caminha sem a outra, por vezes, uma se movimenta
e a outra permanece estática, são como o SOL e a LUA realmente, a MÃO
DIREITA sempre o SOL, e a MÃO ESQUERDA sempre a LUA.

Os dedos das mãos de um magnetizador simbolizam astros: o polegar o sol, o


indicador a lua crescente, o médio a lua cheia, o anular a lua minguante e o dedo
mínimo ao planeta Vênus, representado por uma estrela: VÉSPERA (de
entardecer, do crepúsculo) e a DALVA (de amanhecer, da alvorada). A palma da
mão esquerda simboliza a LUA NOVA, LUA AZUL, LUA CIGANA, o NEGATIVO
MAGNÉTICO , o YING; a palma da mão direita simboliza o SOL, ASTRO REI,
VIVIFICADOR, o POSITIVO, o YANG.

No início de seu tratamento os ciganos dão passes tranqüilizantes em seu


paciente, para harmonizá-los com o seu propósito. Estes passes sempre ocorrem
na cabeça: Colocam os seus quatro dedos de cada mão em “pontos” nevrálgicos
na parte posterior da cabeça, enquanto os dois polegares comprimem as têmporas.

O paciente com os olhos cerrados só escuta o respirar compassado do


magnetizador, pois é através da técnica respiratória que ele exala “e seu poder”.
Um passo desses, cura dor de cabeça e até enxaquecas, insolações, ou dores por
queimaduras da face.

Nota: Estes passes necessitam de polaridades entre o paciente e o operador,


portanto um cigano magnetizador dará sempre passes em mulheres, e uma cigana
magnetizadora em homens.

Segue-se, então, o “palmeio” com as duas mãos; cada imposição da mão

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sobre um lado do corpo corresponde uma outra imposição sobre o outro lado.

Exemplo: Um palmeio na região dos ovários (mão esquerda), equivale a um


palmeio (mão direita) na altura do cóccix; um passe para equilíbrio sexual: seguem
com as duas mãos espalmadas palmeando a coluna de ponta a ponta (de baixo
para cima).

E daí por diante são inúmeros os passes magnéticos, mas todos têm
fundamento na sabedoria HINDU assimilada pelos ciganos, possuem ao seu modo
conhecimento de “bocas de chacra”, “pendunculos de chacra”, dos “nadis”, e
dos “canais Ida e Pingala”, como também da existência de “pranas
vitalizantes”, do “Forrat estabilizante” e do “Kundalini vivificante”

Segundo a Tradição Cigana o corpo de um magnetizador correspondente a


uma ESTRELA DE CINCO PONTAS, e por que isto? Simplesmente porque como
todo povo antigo, os ciganos sabem que em simbologia esta ESTRELA representa
o HOMEM PERFEITO.

A cabeça do magnetizador é o SOL, o seu sexo a LUA, suas pernas e as


colunas que o sustentam, seus braços antenas que captam e emanam energias.

Um KAKU MAGNETIZADOR pratica com freqüência a abstinência alimentar


e sexual para obter a sua plenitude do poder; não deve “trabalha” nunca
contrariando o fluxo magnético, mais pode deflagrar um curto circuito de sérias
conseqüências para si próprio. Seu poder é mais analgésico que de cura, e sua
concentração deve ser absoluta, jamais poderá se deixar levar pelos encantos de
um paciente, por emoções, deve estar concentrado tão somente em sua pulsação
ou no seu batimento cardíaco, como também no compasso de sua respiração, isto
durante todo o trabalho, só assim conseguirá vencer o mal que se lhe opõe.

Muitas vezes esses magnetizadores se reabastecem de energias revigoradas


através de encontros sexuais, ou simplesmente comprimindo, em longo e ritualístico
ábaco, crianças contra seu plexo solar, ou a “planície do corpo” como
denominam os ciganos esta região.

O sangue de um(a) KAKU, seu esperma ou o líquido vaginal, possuem um


grande poder de magnetismo para quem o recebe, tornam-se “alimentos
magnéticos”.

E como se exercitam estes KAKUS MAGNETIZADORES? Por um processo

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milenarmente conhecido e aprendido em suas viagens nômades pela Índia, China,
África, Europa e etc; usam para tanto APOIOS NÃO HUMANOS como uma
cabeça de pedra ou argila, ocas e recheadas de matérias orgânicas vivas ou mortas,
tais como cabelos, dentes, ossos, chifres, sangue coagulado, saliva, unhas, garras
felinas, crina, penas de aves, ovos chocos, esperma e etc, com os quais se pode
estabelecer um contato magnético.

Na antiguidade, conta a Tradição Cigana, que os velhos (as) KAKUS


exercitavam-se desta mesma forma sobre baús que continham restos mortais
humanos.

Este magnetismo humano ou animal, é muito bem assimilado pela argila, por
isso é muito importante no fabrico das máscaras exorcizantes dos males que afetam
o equilíbrio emocional ou mental, conhecidas como as MÁSCARAS DE
SERENIDADE, pois com o tempo elas restabelecem a paz interior do paciente.

Por vezes estes magnetizadores solicitam a ajuda de outras pessoas para


formarem um círculo em torno do paciente, ou apenas darão as mãos à eles,
servirão como suporte para o KAKU, ajudam-lhe no “trabalho” e poupando-no do
“choque de retorno”.

Este “trabalho curador” em equipe conforma um círculo protetor altamente


benéfico, tanto para o KAKU, quanto para o paciente.

Nota: Um cigano, adulto ou criança, nunca permanece só doente ou


convalescente, muito menos vai buscar ajuda de seu KAKU ou de um médico gadjé
sozinho, está sempre acompanhado de mais de dois ciganos, conhecem por demais
o PODER DE ASSOCIAÇÃO DE FORÇAS.

Todo o ser humano ou animal tem seu PODER DE MAGNETISMO


INTRÍSECO, e o KAKU sabe como manejá-lo para benefício de todos.

LEITURA DE PENSAMENTOS

É usada por KAKUS que possuem este DOM como intervenção terapêutica;
mas antes de aplicarem esse “remédio”, eles primeiro procuram saber quem na
verdade é a pessoa que irão “tratar”, como também a real origem de suas
perturbações. Eles utilizam-se de sua faculdade paranormal em beneficio dos
outros, ciganos ou gadjé.

Não é fácil carregar em si este DOM, viver a transpor as fronteiras invisíveis ,


traz angústias, tristezas, que devem ser “trabalhadas” para serem “anuladas”,

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por isso, por vezes estes ciganos(as) tem necessidade de não mirarem olharem
humanos, somente os dos animais lhes ajudam a suportar o fardo de seu DOM,
então, eles se isolam um bom tempo, levando consigo apenas seus animais de
estimação, que não poderão a vir a ser um cão, um gato o cavalo, e sim um lobo,
um galo ou um corvo.

Já pensou, ter-se o DOM DE OLHAR E LER-SE PENSAMENTOS e


vislumbrar assassinos em meio a uma multidão e nada se poder fazer? É
difícil...mas, também eles podem através da leitura do pensamento de uma pessoa
vir a orientá-la, salvando-a de um mau passo, isto outorga ao KAKU um verdadeiro
prazer por existir.

No geral esta “LEITURA DE PENSAMENTO” involuntária e súbita só é


possível em alguém de sexo oposto do(a) KAKU, quer dizer que esta “força” surge
no antagonismo dos sexos, princípio fundamental de toda a criação.

Na verdade todo(a) KAKU sabe que todo ser humano pode se manifestar
pelos 5 sentidos, o essencial é criar a emoção necessária ao feitiço mágico. O
fenômeno da “leitura de pensamento” obedece geralmente a leis que não são
físicas, mas são, sem dúvida, bem reais.

Nota: Os ciganos ignoram a existência dos parapsicólogos que estudam os


fenômenos, nem sequer sabem sobre os princípios destes fenômenos, eles se
contentam em aplicá-las. Intuitivamente sabem que o homem que conhece sua
força, seja ela física, psíquica ou espiritual, advinha seus poderes interiores, e assim
entra na tônica da disciplina que o conduzirá à harmonia plena, que é a própria
MAGIA em si.

Mas, MAGIA tem princípio e tem fim, tem técnica e aprendizado, tem
constância nos exercícios, tem polaridades magnéticas e energéticas, tem
perseverança, tem obstinação, tem sacrifício, e acima de tudo é SEGREDO.

O KAKU PIETRO HARTISS dizia com muita sabedoria:

- “A MAGIA, como é vista pela maioria das pessoas, não existe, tudo está
inscrito na ordem natural das coisas, e o que os homens e mulheres chamam do
MILAGRE é apenas uma palavra para vestir a própria ignorância.”

O(A) KAKU leitor de pensamentos possui em si faculdades necessárias para


captar “magnetismo”, o que faz com que tenha facilidade de fazer uma “leitura”,
isto se as circunstâncias lhe forem favoráveis.

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Nem sempre ele consegue dominar este seu DOM, e acaba por ouvir sua
própria boca dizer coisas que sua vontade não queria, mas que tinham
necessidades de serem ditas.

MAGNETIZADOR:

PITT ZOLAROFF, “PEPÉ”, era um KAKU MAGNETIZADOR, curava por


magnetismo os males físicos ou psíquicos, tratava principalmente crianças e
mulheres.

Sabe-se que os ciganos sempre respeitam os vários fenômenos naturais,


como as correntes TELÚRICAS ou os PONTOS DE FORÇA MAGNÉTICA.
Juntamente com o curso das estrelas, estes fenômenos regem o seu dia-a-dia;
quando acampam respeitam a força magnética do lugar, quer seja pelo “sítio” que
escolhem, pela disposição das carroças (ou carros) e as tendas. Em tudo deve
haver uma harmonia com as correntes telúricas, assim durante o dia terão mais
disposição para o trabalho, e a noite um completo descanso com um reconfortante
sono e bons sonhos.

Os KAKUS que trabalham com os seu DOM DE MAGNETISMO INTENSO


podem ler os segredos impressos nas linhas das mãos, nas linhas do rosto, e ainda
através da palma de suas próprias mãos projetam seus fluídos magnéticos na
direção de seus pacientes. Nesta trilogia magnética há um RITO pré-estabelecido
a ser seguido.

- Primeiro um(a) KAKU lê o rosto de quem o procura, depois as linhas das


mãos e por fim dá seu “passe magnético”.

É como se ele fizesse 1º um diagnóstico da pessoa para depois lhe dar o


remédio certo no lugar correto. A primeira leitura, do rosto, abre a porta para a
segunda, das mãos, e esta para a terceira etapa.

Dentro do desenrolar do todos este RITO MAGNÉTICO, os(as) KAKUS


tiram quase sempre suas deduções por instinto ou sensibilidade.

Estes mesmo instinto ou sensibilidade que a maioria dos homens perderam


nos tempos, inclusive ciganos, e que hoje eles próprios colocam comumente no
domínio do sobrenatural, quando na verdade é totalmente natural.

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O KAKU magnetizador “sabe” das ansiedades, dores, etc, de seu paciente
apenas por apalpá-lo, pois assim ele entra em contato com o fluído pessoal do
mesmo.

Os esforço desprendido após uma seção de magnetismo pode ser tão grande
que o(a) KAKU fica extenuado e muitas vezes, dependendo do “trabalho”
empreendido, ele(a) deve ficar deitado na cama mais de 24 horas para se
recuperar.

Na difícil aprendizagem de estrada há inúmeros detalhes, aprendemos, pois,


com os ciganos, que sempre devemos apagar o fogo ou fogueira que acendemos,
não se abandona um Elemento que nos foi necessário a sua própria sorte, ao
léu...O mesmo fazem os KAKUS MAGNETIZADORES, ao darem início a um
trabalho nunca o deixam pela metade, “apagam” ao término da seção a “fogueira
que acenderam” nos pontos-chaves dos corpos de seus pacientes.

Um cigano magnetizador não comercia o seu PODER, seja ele o do OLHAR


ou do PALMEADO, ou a leitura do pensamento, tanto faz, DOM, não tem preço e
deve ser repartido. Um(a) KAKU também sabe que deve se cuidar por causa do
“choque do retorno”, que se manifesta, como já vimos anteriormente, com
extrema lassidão, um sentimento de vazio, um esgotamento. Dependendo do
“trabalho” empreendido um(a) KAKU pode vir até a ficar de cama, como após a
realização da “MÁSCARA DA SERENIDADE”, por exemplo.

Os ciganos reconhecem entre os seus um futuro magnetizador, seja de que


tipo for, isto é, não importa qual seja o seu PODER específico, por certas
deformações congênitas na mão direita, eles a denominam de a MÃO VESTIDA,
na verdade são mãos em GARRA. Outra forma de os reconhecer é através de uma
característica: as crianças que apanham moscas ou mosquitos devagar, quer dizer,
colhendo-os como flores ou pedrinhas; sem dúvida, o inseto é sensível as
emanações de seu magnetismo. Quando a criança chega a puberdade o seu poder
se afirma, tornando-se, então, um(a) KAKU, ou desaparece.

HOMENS-ÁRVORES

Dentro desta linha de cura magnética encontramos os chamados HOMENS-


ÁRVORES, que possuem um PODER DE CURA totalmente direcionado, sim,
porque os ciganos lucidamente não acreditam que existam pessoas com poderes de
a tudo curarem, isto pertence tão somente a DIEULA (DEUS); mas si, KAKUS
com o DOM de curarem doenças das vias respiratórias, outros de curarem doenças
digestivas, outros de curarem doenças psicossomáticas, ainda outros de curarem
doenças de pele, inclusive queimaduras, outros ainda possuem o DOM de acabar

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com qualquer tipo de dor, etc...

Mas quem são os HOMENS-ÁRVORES? De onde vem? Como se tornam


HOMENS-ÁRVORES?

Em primeiro lugar devemos notar que esta denominação de HOMEM-


ÁRVORE mais uma vez vem demonstra a intensa identificação que o cigano tem
com a MÃE NATUREZA. Existe este outro domínio mágico em que a flora parece
representar um papel capital, que concerne tão somente a uns poucos iniciados, os
HOMENS-ÁRVORES. Eles são KAKUS com a particularidade de terem nascido na
da exata dos EQUINÓCIOS ou SOLSTÍCIOS, isto é, no máximo 7 idas antes ou
depois dessa data. Sabe-se que o ano solar divide-se em 4 partes: EQUINÓCIO
DE PRIMAVERA que cai em 21 de março, o SOLSTÍCIO DE VERÃO a 24 de
junho, o EQUINÓCIO DE OUTONO a 23 de setembro, e o SOLSTÍCIO DE
INVERNO a 22 de dezembro. EQUINÓCIOS E SOLSTÍCIOS caem
respectivamente sob os signos zodiacais de ÁRIES, CÂNCER, VIRGEM E
CAPRICÓRNIO. Para os KAKU, muito influenciados pelos conhecimentos que
receberam da cultura CELTA, que encontraram a dominar toda a EUROPA, essas
datas acima transcritas, constantes do calendário CELTA/DRUIDA, correspondem
aos dias do CARAVLHO, da BÉTULA, da OLIVEIRA e da FAIA. Não se sabe o
por que ao certo da escolha destas árvores, mas acredita-se que seja uma
influência CELTA. A BÉTULUA, por exemplo, é chamada de a ÁRVORE BRANCA
e é o símbolo da pureza. Os KAKUS que nascem por estas épocas, portanto são
considerados HOMENS-ÁRVORES, recebem o nome correspondente à árvore a
que estão ligados, ela será como o seu verdadeiro signo zodiacal, e o homem
possuirá ou deverá exprimir as qualidades concernentes a essa árvore.

Portanto, é de costume que um homem-carvalho, um homem-bétula, um


homem-faia e um homem-oliveira se encontrem uma vez por ano na catedral de
CHARTRES ou em SAINTES-MARIES-DE-LA-MER (se estiverem na Europa, é
claro); esta data e hora de encontro poderia ser a 21 de março ao meio-dia, no
EQUINÓCIO DA PRIMAVERA, a época da VIRGEM MÃE; entre os ciganos é na
PRIMAVERA, quando a terra floresce, que esta demonstra todo o seu poder de
criação, sedução e criatividade.

Segundo os ourives KALDERASH, o hieróglifo dos equinócios e solstícios é


um retângulo dividido em 8 partes, alternadamente pretas e brancas; os HOMENS-

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ÁRVORES utilizam mais o hieróglifo do círculo em vez do retângulo quando traçam
seus signos de viagem, simbolismo das estradas, dentro das Igrejas ou catedrais
(preferem as últimas), sempre perto das pias batismais.

AS FIGURAS ABAIXO SÃO OS SIGNOS DOS EQUINÓCIOS E


SOLSTÍCIOS.

Nota: Quando confeccionadas como JÓIAS os ourives ciganos as


confeccionam em ouro ou prata.

Os dois EQUINÓCIOS correspondem geograficamente a duas linhas, o da


PRIMAVERA tem ligação com a ILHA DA CAMARGUE, ponto de encontro bem
conhecido dos ciganos, e o do outono tem ligação com a ILHA DE MAN, no MAR
DA IRLANDA, uma ilha celta. Essas duas ILHAS têm algo em comum, abrigam
animais singulares, e talvez tenham sido escolhidos pelos ciganos justamente por
este fato. Vejamos quais são:

- O CAVALO DA CAMARGUE possui com efeito um vértebra a menos que


outros cavalos, e jamais é usado nos circos;

- O TOURO DA CAMARGUE não é um animal de combate, possui uma


maneira própria de correr;

- O GATO DA ILHA DE MAN, de pêlo curto e sem cauda, salta com um


coelho; quanto aos habitantes desta ILHA DE MAN, são de pura origem CELTA,
têm porte atarracado, pequeno, e são sortes; os KAKUS reconhecem em meio a
eles um intenso conhecimento e poder de magia.

Nota: Nascidos 7 dias antes ou depois do SOLSTÍCIO DE VERÃO, a 24 de


junho, os HOMENS-OLIVEIRAS têm imensa ligação com os GRÃOS. Nesta

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época de ano a TERRA fecunda exibe exuberantemente seus frutos, seus grãos e
etc.

Época da colheita farta de trigo, de centeio, e outros; estes HOMENS-


OLIVEIRA, por fazerem parte desta natureza do SOLSTÍCIO DO VERÃO, têm
por costume utilizarem em seus trabalhos de MAGIA GRÃOS em geral, como
também o próprio pão, alguns vão até parar junto aos seus ícones, recheados por
certo de um TALISMÃ ou um AMULETO.

Estes “HOMENS” nascem predestinados como já vimos, desde pequeninos


são capazes de retirar uma dor ou uma aflição com o simples até de impor suas
mãos infantis no local onde se encontra a foco negativo. Eles possuem o DOM DO
MAGNETISMO e serão iniciados por outro HOMEM-ÁRVORE a aprender a curar
a dor, jamais saberá ao certo sua data de nascimento, sempre coincidente com a
de outro HOMEM-ÁRVORE, isto é considerado TABU.

Logo a partir do momento que rica reconhecido possuir um recém-nascido o


DOM ESPECIAL, será posto sob os cuidados de um veterano HOMEM-ÁRVORE,
porém este jamais lhe ensinará outro tipo de remédio a não ser aqueles que atuem
sobre os males da alma, sendo assim, “ele” irá direcionar todo o poder de
magnetismo desta criança para as doenças subjetivas, as do espírito.

Ninguém é capaz de ensinar um pássaro a voar, ou um peixe a nadar, muito


menos a vidência ao homem, este é um DOM, e os HOMENS-ÁRVORES o
possuem, só que só podem ver o presente, nunca o futuro, pois apenas o primeiro
serve de apoio ao segundo; é vivendo bem, em plenitude o presente, que na
verdade construímos um promissor futuro. E é seguindo esta sabedoria que os
HOMENS-ÁRVORES consolidam o presente de quem procura sua ajuda para
auxiliá-lo a construir o seu futuro. OS HOMENS-ÁRVORES trabalham curando
através da terapêutica da mente, que está estreitamente ligada ao magnetismo, e
o seu diagnóstico à vidência.

A Tradição Cigana nos ensino que meio a 24 árvores apenas uma está para à
mente, e quatro personalizam os HOMENS-ÁRVORES, que a elas são ligados em
ritual específico tão logo tenham nascido.

São eles os HOMEN-CARVALHO, os HOMENS-OLIVEIRA, os HOMENS-


BÉTULA e os HOMENS-FAIA; como já vimos anteriormente estes HOMENS têm
encontros marcados através da vida toda, a preferência recai sobre lugares sacros
(capelas, igrejas, catedrais), mas também eles poderão vir a ocorrerem em meio a
um campo, ou dentro de uma clareira de floresta. Na verdade não importa o lugar
escolhido, o importante é que se encontrem na mesma hora, no mesmo dia, no

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mesmo mês, por anos e anos, enquanto vivos.

Para que se realiza este encontro? Segredo, ninguém o sabe...

Quanto a ÁRVORE LIGADA À MENTE também os ciganos ocultam o seu


nome, nem tudo deve ser dito, muito menos explicado.

Ligados à estas ÁRVORES estes HOMENS possuem das mesmas


características próprias, mágicos fluídos que brotam em uns e se condensam em
outros.

Vejamos como isto ocorre, como a magia circula:

A) Os ciganos dizem que a FAIA é a fonte do saber dos antigos, os HOMENS-


FAIAS possuem o DOM da prospecção do psíquico, o que lhes facilita a
descoberta das doenças psicossomáticas, mentais

B) BÉTULA é uma árvore maravilhosa, segundo os ciganos da grande Rússia


dos Cárpatos à Floresta Negra, ou da França; sua seiva recolhida na
primavera fazendo um incisão na polpa da árvore, é totalmente energético.
Os HOMENS-BÉTULAS possuem o DOM de combaterem as anemias, os
desânimos, as prostrações de ânimos, a astenia, os depauperamentos, e
diagnosticam com facilidade as somatizações nervosas que resultam em dores
físicas ou em chagas com as erupções cutâneas, as herpes, persuríases e etc.

C) Para o cigana a OLIVEIRA simboliza a árvore da vida, cujo pequeno ramo,


colhido no EQUINÓCIO DA PRIMAVERA, vai sempre enfeitar os ícones de
cobra circundados de esmalte violeta que os velhos KAKUS amam, pois é na
presença destes ícones que as misturas de ervas e os preparados secretos
são realizados.

D) Os HOMENS-OLIVEIRA possuem o DOM de combater a hipertensão,


qualidade encontrada nas folhas da OLIVEIRA, os estados de nervos, as
mágoas, os ódios enrustidos que provocam a bílis e etc, enfim os
desequilíbrios emocionais, não os mentais.

E) O CARVALHO é tão importante em meio aos ciganos por servir de suporte


para o VISCO, este “parasita” tão ligado ao mundo da magia, que se nutre
da seiva do carvalho para sobreviver. O VISCO DO CARVALHO é raro e
difícil de se achar; o símbolo do CARVALHO é o AMOR (Tradição Cigana), é
a madeira da vida, é a árvore cósmica, o poder e o alimento, ele é o templo,

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o oratório vegetal onde os CHEFES DE TRIBOS fazem justiça. É a sombra
dos ramos dos CARVALHOS que brota a MANDRÁGORA, outra planta tão
ligada a magia por sua forma e poderes.

Os HOMENS-CARVALHO são na verdade depositários de todo um manancial


mágico, possuem o DOM de vivificar a própria vida, são como sacerdotes da
natureza, equilibram o eixo que une o nosso mundo ao “outro”, o divino, cuidam
de nosso equilíbrio espiritual, da saúde de nossa alma.

O CARVALHO corresponde ao SOLSTÍCIO E INVERNO, a FAIA ao


EQUINÓCIO DO OUTONO, a OLIVEIRA ao SOLSTÍCIO DO VERÃO, e a
BÉTULA ao EQUINÓCIA DA PRIMAVERA, e as crianças da tribo que possuem o
DOM (poderá vir a ser mais de uma, por que não?), e nascem 7 dias antes ou
depois das datas correspondentes aos SOLSTÍCIOS e aos EQUINÓCIOS,
recebem “os ensinamentos” dos veteranos HOMENS-ÁRVORES.

Os ciganos consideram KRISTO (JESUS, O CRISTO) um HOMEM-


ÁRVORE, o único com todos os DONS relativos aos poderes das quatros sagradas
árvores, e vejamos por que:

- Ele lia os pensamentos, conhecia o passado, o presente e preconizava o futuro,


curava os cegos e os paralíticos, os loucos, exorcizava os demônios, amava os
humildes e as crianças em geral. Protegia os decaídos, amava os homens simples,
compreendia os desesperados e sabia como ninguém escutar e aconselhar, era
portanto um HOMEM-ÁRVORE, e como eles tinha medo de sofrer, e até de curar,
mas é um medo sadio, um medo que alimenta, se não conhecessem este medo
seriam um pouco como um homem que ignora o sonho, é uma estrutura
involuntária que o homem deve suportar para ter consciência da própria existência.

Na CATEDRAL DE NOTRE-DAME DE PÁRIS, há uma escultura


representando o KRISTO deixando escapar de seu corpo algumas folhas, o artista
que fez esta imagem poderá ter sido um cigano, mas não se sabe ao certo.

Para abalizar ainda mais esta conotação de ser um HOMEM-ÁRVORE,


JESUS, O KRISTO, nasceu em um SOLSTÍCO DO INVERNO, era filho adotivo
de um “carpinteiro”, foi saudado por “ramos”, iniciou usa agonia no MONTE
DAS OLIVEIRAS, prosseguiu ao carregar pesados troncos de árvores que seriam
sua CRUZ, morreu sobre estes troncos, mas antes de seu falecimento foi coroado
com uma coroa de espinhos feita do entrançamento de galhos espinhosos da

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ACÁCIA, ela estava na verdade a simbolizar A GRANDE INICIAÇÃO DO
CRISTO, O RENASCIMENTO E A IMORTALIDADE. Muitos a viram, poucos, e
dentre estes os ciganos, souberam de seu tão importante simbolismo, A ACÁCIA é
símbolo da INICIAÇÃO e de conhecimento das COISAS SECRETAS.

- “ESTE HOMEM É DOS NOSSOS”, dizem os ciganos HOMENS-ÁRVORES


veementemente.
Passaram-se 2.000 anos e ainda continua-se a falar “NELE”, DO GRANDE
HOMEM-ÁRVORE, que curava, aconselhava e direcionava a humanidade aos
ensinamentos de DIEULA, possuía “ELE” todo o tipo de magnetismo, o animal, o
humano e o Divino.

Falamos em detalhes sobre alguns tipos de KAKUS, de suas modalidades,


mas quero deixar bem claro a imensa importância que todos têm para Tradição
Cigana. Na próxima apostila ainda continuaremos a falar sobre eles, pois muitos
são seus DONS, impossível relacionarmos todos, mas é importante conhecermos
alguns.
Nos dias de hoje, veladamente, os KAKUS permanecem vivos, de pé, sábios
com a história, argutos com a raposa, sensíveis como uma pluma, leais como o
lobo, fortes como o ferro, e raros como o gato da ILHA DE MAN, no mar da
IRLANDA.

Quem na vida tiver a oportunidade de cruzar, nem que seja por um instante
com um(a) KAKU, jamais esquecerá, pois ao se abandonar ao magnetismo do
olhar que mergulha nos seus, sentirá em seu âmago toda a nobreza da MAGIA
CIGANA.

O gadjé ou o cigano que tiver na vida a oportunidade de vir a ser convidado


par assistir um RITUAL DE MAGIA CIGANA, o que é muito raro, mas não
impossível, estará recebendo deste povo milenar uma especial consideração, mas
acima de tudo um VOTO DE CONFIANÇA.

Durante o RITO fará pactos com os Elementos ou Forças ali evocados ou


invocados, e jamais poderá revelar o que viu, pois poderá a vir a ser punido, não
pelos ciganos, de modo nenhum, mas sim pelo PODER QUE REGE O RITUAL. A
“VERDADEIRA MAGIA” é inviolável, há penas para quem transgredir esta norma,
isto em meio a todas as TRADIÇÕES DE MAGIA de todos os povos. Portanto,
para um verdadeiro ciganólogo, ou um cigano, ou gadjé que convive amorosamente
com respeito em meio aos ciganos, é impossível, inverossímel, cursos de Magia
Cigana, ou pessoas que a dizem praticar e “cobram” por seus serviços, ou livros de
aprendizado de MAGIA ROM, MONOUCHE OU SINTI, CALON e etc, tudo isto é
muito triste de se ver; se tais fatos ocorressem em meio a uma floresta ouviria-se

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o piu lúgrube da CORUJA, a VIGIAR A MAGIA, o grasnar assustador de um
CORVO exigindo JUSTIÇA para este povo nômade que o respeita, o som agudo
da ÁGUIA determinando o ALVO A ABATER, e o LOBO e a RAPOSA unindo a
sua LEALDADE E ASTÚCIA, avançariam sobre os incautos que não sabem
respeitar a TRADIÇÃO CIGANA, talvez em saibam do que na verdade consta o
MUNDO DA MAGIA CIGANA.

Dentro da TRADIÇÃO CIGANA o LAGARTO simboliza a FRAGILIDADE e a


REGENERAÇÃO, e seu hieróglifo é uma BENGALA PARTIDA. A MAGIA
CIGANA é como este animal, que na “ANTIGA TRADIÇÃO” ou “VELHA
RELIGIÃO” corresponde ao DIAMANTE; quando tentam pegá-lo pela cauda, seu
ponto frágil, esta se parte, mas com o tempo lhe nasce outra ainda mais bonita.
Quanto a MAGIA CIGANA o mesmo ocorre, ao lhe arrancarem um pedaço de seu
segredos, logo nascem outros mais belos e poderosos, como o LAGARTO “ELA”
também é um DIAMANTE, ápice da evolução no MUNDO DOS CRISTAIS, que
como os KAKUS, condensam, qualificam, purificam e emanam energias.

CIGANOLOGIA

APOSTILA 20 – O Mundo da Magia Cigana


a) Os Mestres do Fogo
b) KAKUS, Feiticeiros, serão o mesmo?

Entre os ciganos o PODER não é hereditário como entre certos curandeiros


das aldeias gadjés, “ele” nasce junto à pessoa que o portará e que mais tarde

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poderá tornar-se o “médico” ou o “anestesista” de usa tribo.

Exemplo: Uma criança passa por provas perante a outros KAKUS para que
comprovem sus poderes, uma delas é a seguinte:

- Em meio a centenas de cogumelos idênticos são colocados um punhado de


cogumelos venenosos, a criança de poder os separará de imediato, pois seu
“magnetismo” intenso detecta o “perigo” com presteza. Neste caso, aqui citado,
a criança é reconhecida pelos KAKUS como um MESTRE DO FOGO, um poder
raro e belo, que sempre existiu em meio aos ciganos e também dentre outros
povos.

Nota: COGUMELOS VENENOSOS = A ENVENENAMENTO = FOGO


MORTAL NAS ENTRANHAS.

Junto aos ciganos alguns tipos de dores físicas são relacionadas com o FOGO,
e os KAKUS com poder de magnetismo ligado à esse elemento da natureza são
denominados de os MESTRES DO FOGO, e a eles ficam o encargo de cura destes
tipos de males, inclusive o alívio quase que imediato de pequenas e grandes
queimaduras, estas muito comuns entre os ciganos caldeireiros.

Vejamos quais são estas “DORES DE FOGO”: Os ciganos chamam o


envenenamento de FOGO DO VENTRE, as dores menstruais de LÁGRIMAS DE
FOGO, as cólicas espasmódicas do O FOGO QUE OSCILA, a enxaquecas e a
insolação de FOGO DA CABEÇA, enfim, as doenças do ventre, as úlceras de
estômago, tudo a que dá uma sensação de queimadura pode ser aliviado por um
MESTRE DO FOGO. Dizer que “eles” curam é força de expressão, pois os
MESTRES simplesmente aliviam a dor, que torna-se ínfima e depois desaparece,
seu magnetismo age como um analgésico poderoso. Quer dizer que violentas dores
de apendicite podem ser dominadas por “eles” que as reabsorvem, permitindo
tranqüilamente o transporte do doente.

Os MESTRES DO FOGO não agem por hipnotismo e sim através de uma


terapêutica magnética.

Os MESTRES DO FOGO se reconhecem entre si sem que...sequer uma


palavra; a proximidade de um IRMÃO DE PODER bate tão forte que não há
necessidade de qualquer comunicação verbal.

M. VAUX DE FOLLETIER um dos mais importantes ciganólogos da


atualidade nos afirma que tendo consultado todos os arquivos franceses,
principalmente os de LORENA, nunca descobriu nos processos de feitiçarias da

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SANTA INQUISIÇÃO, que a tantos exterminou, um único cigano condenado á
fogueira. Esta certeza ultrapassou quatro séculos de tradição oral e é tida como
correta, não é lenda.

A ligação intensa deste povo com este “elemento” não permitia que “ele” os
consumisse, esta história de mortos pelo fogo não era par ser escrita na
TRADIÇÃO CIGANA.

Até os dias de hoje, as beiras do 3º milênio, os ciganos MESTRES DO FOGO


cumprem um ritual velado, vão, nem que seja uma vez na vida, ao lugar onde um
grande MESTRE DO FOGO foi queimado, “eles” o reconhecem como tal.

Este lugar é a PONT NEUF em Paris (França), justamente entre os dois


braços do RIO SENA, onde há um largo de nome VERT-GALANT, justo no lugar
onde hoje existe uma guarita de guarda, é que me tempos passados armaram a
fogueira para matar JACQUES DE MOLAY, o grande MESTRE DO FOGO,
reconhecido, respeitado, e venerado pelos ciganos, e até os dias de hoje algo
mágico ocorre naquele lugar, mas pouca gente se apercebe, pois desconhece a
história, mas todos os ciganos europeus o sabem.

E são eles que a volta de suas fogueiras, nas noites belas e frias de outono
europeu, contam para seus filhos, netos e amigos, esta curiosa história, cujo maior
valor está na sua veracidade:

- “Em 1314, exatamente nesse lugar, o GRANDE MESTRE DOS


TEMPLÁRIOS, JACQUES DE MOLAY, e seus companheiros, foram queimados
vivos por ordem do rei da França, FELIPE, O BELO; O MESTRE, cercado pelas
chamas que pareciam não molestá-lo, teria dirigido palavras calmas e pausadas ao
seu soberano, como se o fogo não o atingisse, e teria lançado, então, maldição
sobre o rei e os seus descendentes, e a maldição cumpriu-se no prazo previsto”.

Os ciganos só apareceram na França 100 anos depois do ocorrido, mas tão


logo souberam da história de JACQUES DE MOLAY e o terrível fim dos “reis
malditos”, encaminharam-se ao local, e através de seus MESTRES DO FOGO
ficaram sabendo que estes reconheciam neste homem, O MESTRE DOS
TEMPLÁRIOS, um seu IRMÃO DE PODER, portanto um MESTRE DO FOGO,
que nunca “morreu queimado”, apenas permitiu que as chamas do elemento ao
qual estava estreitamente ligado, consumisse seu corpo físico, num processo
indolor, que libertou sua alma, mas seu aparente sacrifício...serviu como exemplo
para muitos, balançando com os sólidos alicerces da SANTA INQUISIÇÃO que
agia em nome DA SANTA MADRE IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA,

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e com a COROA DA FRANÇA; depois de sua “morte” a história deu uma guinada
em seu curso.

E continuam a contar os ciganos a volta de suas fogueiras, sob a bela e fria


noite do outono europeu:

-“Por ocasião do seu suplício, o MESTRE JACQUES, nem uma só vez parou
de falar no tom de um homem insensível à dor das queimaduras que lhe
consumiam o corpo pouco a pouco. E mais, predisse ao seu verdugo coisas que
aconteceram, pois o FOGO se torna igualmente um apoio da adivinhação e mostra
no presente o que se passará amanhã, assim se torna fácil para um MESTRE DO
FOGO predizer o futuro”.

Esta “leitura” nas chamas feitas pelos MESTRES DO FOGO é denominada


de TRANSE DO FOGO e há ciganos que nunca tiveram oportunidade de assistirem
tal feito.

Passa-se mais ou menos assim: os IRMÃOS DE PODER sentados ao redor


do fogo formam um ANEL em torno às chamas, e, então, o transe mágico ocorre, o
que “eles” vêm, o que dizem, só saberão os demais ciganos se “eles” assim o
desejarem.

Depois de trabalharem seu magnetismo anestesiando uma queimadura


profunda, normalmente estes MESTRES DO FOGO ficam muito cansados, suados,
e com a sensação de que as palmas de suas próprias mãos estão ardendo.
É um ato benéfico, de solidariedade, porém esgotante.

Um MESTRE DO FOGO possui completo domínio do elemento FOGO, o que


inclui o vapor da água e da combustão, e eles acendem o FOGO RITUALÍSTICO,
um FOGO ESPECIAL, necessário em certas cerimônias mágicas ou em ritos.

Este FOGO RITUAL vem da natureza e é preciso respeitá-lo; existe 3


maneiras de acendê-lo, aqui registrarei uma delas, e que era usada para acender o
FOGO que presidiria o festim de núpcias, dos batizados, ou dos funerais; nos dias
de hoje tal ato ainda ocorre, mas tão somente em meio aos nômades mais
tradicionais, que infelizmente não são muitos.

Vejamos todo o processo:

Primeiro cava-se um buraco na areia, depois faz-se um cartucho de folhas de


carvalho e coloca-se no buraco, de ponta para baixo. Depois calce tudo com

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pedrinhas para isolar o cone da areia, despeje folhetos de aveia no recipiente de
folhagem; pegue a palha, corte-a entre 2 nós, e reserve este tubo, coloque e o
resto da palha entre as pedrinhas. Apanhe uma flor-de-chagas, faça um furinho
com uma garra de felino (na maioria das vezes de pantera negra) que todo
MESTRE DO FOGO traz ao redor...depois, ocorre o “milagre”. Tomando da palha
e servindo-se como de um canudo, o MESTRE DO FOGO tira água do cantil e
deposita 2 gotas sobre a folha.

A água sobre a pétala de chagas comporta-se como o mercúrio numa


superfície plana. Com a ponta da palha o MESTRE conduz essa meia esfera líquida
para o furo, fazendo sombra com a mão. A água fica suspensa acima do vazio.
Depois o MESTRE retira a mão. O SOL servindo-se da ÁGUA como de uma lente,
duplica suas forças caloríficas. De quando em quando o MESTRE solta uma gota d
´água, que seguindo o 1º caminho traçado, vai reforçar sua irmã, pois a
evaporação se daria rapidamente nesse frágil instrumento. Logo depois aparece a
fumaça, subindo reta e azul, numa leve teia vertical.

As gotinhas continuam a cair uma a uma com a regularidade de um


cronômetro.

A fumaça começa a sair intensa das folhas de carvalho, O MESTRE sopra a


palha sobre o minúsculo foco e faz saltar uma labareda. Está aceso “FOGO
RITUALÍSTICO”.

Os MESTRES DO FOGO dizem: -“O SOL CONDUZIDO PELO HOMEM DÁ


O FOGO BOM, SE TU O CONSTRÓI COM SEU CONTRÁRIO, A ÁGUA”.

Em homenagem à JACQUES DE MOLEY os ciganos representam


hieroglifamente a PONT NEUF de Paris por uma MEIA LUA em CHAMAS.

Que análise podemos fazer sobre este hieróglifo?

A LUA é o próprio magnetismo, as CHAMAS simbolizam o FOGO, a MEIA


LUA EM CHAMAS denuncia ser este lugar, a PONT NEUF, um ponto de encontro
de MESTRES DO FOGO, senhores de magnetismo ligado ao PODER deste
ELEMENTO, o mais fácil de se produzir, e o mais difícil de se controlar.

IRMÃO FOGO, IRMÃ LUA, dizem respeitosamente os ciganos...


KAKUS, FEITICEIROS, SERÃO O MESMO?

Não, por certo, mas ambos possuem seu lugar de importância em meio aos

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ciganos.

Desde a distante INDIA caminham os ciganos, nômades tão ligados à


MAGIA, uma longa viagem sem fim...

Em noites de LUA CHEIA paravam o seu curso e festejavam com música,


cantos e danças.

Ao se afastarem pouco a pouco do oriente iam perdendo alguns costumes de


sua TRADIÇÃO, mas graças às tribos mais conservadoras, muito da SABEDORIA
CIGANA foi preservada, KAKUS E FEITICEIROS, qual sentinelas incansáveis,
vigiavam e velavam o MUNDO DA MAGIA de seu povo.

Os RITOS MÁGICOS variam sobremaneira de acordo com a tribo e a região


a que pertence, por exemplo: há ritos de magia húngara, romena, italiana (com
grande influência dos costumes etruscos), da eslavonia do sul, da Espanha, da
França e etc.

Para os ciganos há uma grande diferença entre um(a) KAKU e um(a)


FEITICEIRO(A); o primeiro(a) é respeitado(a), o(a) segundo(a) é temido(a)
mesmo que só lide com magia branca, pois os ciganos têm muito medo de quem
lida como o MUNDO SOBRENATURAL; O FEITICEIRO(A) é denominado em
romanê de CHOVIHAM, e é costume espantá-los com o sortilégio da frase:

- “JASA TU CHOVIHANI!” (AFASTA-SE FEITICEIRA!)

Muitas crendices ciganas indicam como reconhecer FEITICEIROS(AS):

- Eles ou elas possuem cabelos cacheados só nas pontas;


- Possuem olhar penetrante e enigmático;
- Têm pavor de alho branco;
- Gostam de coisas azedas e amargas;
- Eles e elas têm medo do seu próprio sangue;
- São todos aparentados entre si;
etc e etc e etc...

Também dizem os ciganos:

- “SVAKE BABA VIESTICA A DJED VJESTAC” (TODA MULHER VELHA É


FEITICEIRA, E TODO HOMEM VELHO É MAGO). Citação em romanê alemão
que não deixa de ter o seu fundamento de verdade, a velhice é MÁGICA E
SÁBIA.

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Quando alguém surge com cara de assustada ou espantada, dizem os
ciganos em romanê inglês – “YUV DIKELA SÁ SOVED A LAYA SAR A
CHOVIHANI”, ou seja, ELE ESTÁ COM CARA DE QUEM SE DEITOU COM
UMA FEITICEIRA!

Sofrendo grande influência CELTA, outorgam os ciganos VARINHAS MÁGICAS às


FADAS, mas também as FEITICEIRAS. As das últimas citadas são feitas de um
ramo em forquilha de uma AVELEIRA, possuem imenso poder e esperam com isto
maravilhas. E os ciganos da região germânica dizem:

- “VRACARICE, COPRNJICE, KUKO LJESKOVA!” quer dizer: “BRUXA,


FEITICEIRA, E SUA VARINHA DE AVELEIRA!” (é uma EVOCAÇÃO A ESTE
SER).

Reafirmando o que anteriormente já dissemos nesta apostila, que não é do


agrado cigano de que falem sobre a MAGIA que pertence tão somente ao seu
povo, e assim mesmo, só alguns iniciados dentre os seus a conhecem, para eles é o
mesmo que uma profanação, e então dizem:

- HOMEM, MULHER, NÃO PRESTEM ATENÇÃO À MAGIA E A


FEITIÇARIA, ELAS PERTENCEM ÀS ESTRELAS, ESTAS SE CALAM...

Nota: FAWS ou FAAS é o nome de uma família de feiticeiros ciganos


antiqüíssima na Inglaterra, cujo reduto de seu clã é em YETHOLME.

Não é necessário conhecer os seus sortilégios, maldições ou provérbios


exorcistas, para conhecer-se sua importância, e mesmo que saibamos alguns,
dentre os milhares que existem, e os dissermos com fé e veemência, eles terão sua
força intrínseca, é claro, mas jamais o mesmo poder se eles forem ditos por um(a)
KAKU ou um CHOVIAHANI.

É de costume dentre os ciganos de usarem inúmeras coisas que sirvam de


veículo para seus propósitos de magia, não importa sua forma, sua cor, ou sue
valor, serão sempre tão somente veículos de um “poder” neles depositados.

Encontram-se, então, trabalhos de magia ou feitiços feitos com pães,


sua...peles de animais, crina, garras de felinos, grãos, nozes, avelãs, amêndoas e
etc...Os ciganos conhecem por tradição o valor simbólico que certas coisas
possuem, portanto a sua “FORÇA EM MAGIA”, e as usam desta forma, citarei
apenas 3 exemplos disto, para que os estudantes de ciaganologia observem como é
vasto o mundo da sabedoria cigana.

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1ª ) A URTIGA é um vegetal que queima a pele de que a toca, causando
intensa dor; dentre outras tradições erroneamente ela é considerada um símbolo
demoníaco, como dizem os hindus: “a grande serpente derramou seu veneno
sobre esta planta”; mas, já em meio aos ciganos a URTIGA é vista de outra
forma, a correta por certo, pois o pseudo “mal” é um antídoto contra o MAL,
portanto segurar um ramo de URTIGAS representa proteção total contra os
MALES EM GERAL.

2ª) OS CARCOIS, por simbolizarem fertilidade, prazer sexual,


procriação, voluptuosidade, transformam-se em poderosos amuletos
contra a frigidez, impotência e esterilidade. Dar um CARACOL pode vir a ser
uma declaração de amor dentre os ciganos, ou então um CARACOL por um bom
tempo junto ao corpo e depois ofertá-lo à alguém que se deseja conquistar, ainda
que seja ilicitamente.

3ª) Usam OS OVOS de várias formas em seus “trabalhos mágicos”:


Fazem adivinhações “lendo” em sua clara misturada em água, as cascas inteiras ou
partidas como veículos de suas intenções, a gema (alimento vital do pinto que
nasce do ovo) como ingrediente de ações e filtros mágicos, possui o mesmo valor
de magia que a placenta.

Existem KAKUS MAGNETIZADORES com uma exótica função:


Comparecem às feitas públicas de vilarejo em vilarejo, sentam-se sob uma pequena
barraca e lá ficam a esperar que cheguem os criadores de galinhas poedeiras com
seus inúmeros balaios repletos de ovos.

Estes os depositam aos pés do KAKU para que ele separe os ovos chocos dos
que não o estão, estes últimos é que serão vendidos, os outros retornam à granja.
Em troca de uma balaio de ovos metade chocos e metade não, que servirão de
alimento à sua tribo, o KAKU começa o seu “trabalho” : através de seu
magnetismo ele...

Falemos ainda de um costume de magia praticado pelos ciganos da Hungria e


que demonstra os seus conhecimentos sobre os ensinamentos da TRADIÇÃO
CELTA:

- Quando alguém esta doente é transferido para uma árvore o mal que o
aflige, isto pode ocorrer de formas variadas: fazem um orifício no tronco escolhido
e mandam que o doente cuspa por 3 vezes em seu interior, ou então, que a pessoa
em estado febril balance uma árvore, dizem então:

- “SHILÁLYI, SHILÁLYI PREJIC!

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KATHE TU BESHÁ, KATHE TU BESHÁ!”

Tradução: “FEBRE, FEBRE, AFASTA-SE DE MIM!”


FICARÁS AQUI, FICARÁS AQUI!”

A MAGIA DOS CIGANOS não é feita de enganos, apesar de enganarem


com ela, se o desejarem. Eles colocam fé em suas “encantações”, sortilégios,
praticam-nas em seu próprio benefício e no de terceiros, não necessariamente
ciganos.

Acreditam piamente na existência de mulheres e homens que possuem


poderes sobrenaturais, parcialmente herdados, e parcialmente adquiridos.

Vejamos como isto se processa:

- A última das 7 filhas nascidas sucessivamente, ela poderá ter o poder de


encontrar tesouros materiais, ou espíritos escondidos, desfrutar de uma visão
subjetiva, apercebendo-se com facilidade de inúmeras coisas invisíveis aos homens
e mulheres comuns, tornam-se boas cartomantes, quiromantes e etc

- O mesmo ocorre com o nono filho de uma série de meninos, que deve
tornar-se vidente de alguma forma.

Tanto a 7ª filha, como o 9º filho, são tidos em suas tribos como afortunados,
e sempre terão apaixonados por sua pessoa.

Estas moças-feiticeiras, futuras esposas-feiticeiras, conhecidas na Hungria


como COHALYI ou mulheres sábias, são GULE ROMANI, ou seja, MULHER
ENCANTADORA, todas são treinadas por uma KAKU ou FEITICEIRA na arte da
medicina, da veterinária e magia.

Grande parte desta “educação” consiste em decorar as encantações ou


fórmulas que emitirão ou usarão quando julgarem necessário. Todo este costume
denota a origem indiana dos ciganos ROMS, pois está relacionado com a religião
xamânica inferior da Índia.

Já entre os ciganos húngaros existe uma classe de mulheres magas que


encontram muito acima de suas irmãos feiticeiras. São elas as...LACE ROMNI ou
MULHERES BOAS que recebem seus poderes diretamente das NIVASIS ou
PCHUVUSI, ou seja, os ESPÍRITOS DA ÁGUA e da TERRA, ou das
ENCHENTES e das QUEDAS.

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Os ciganos húngaros, nos relata o ciganólogo CHARLES GODFREY
LELAND, possuem bela mitologia própria, que, a primeira vista, pode parecer uma
composição dos ROSACRUZES, como foi desenvolvida por PARACELSUS e pelo
conde de GABALIS, juntamente com as sofisticadas histórias de fadas indo-
teutônicas da IDADE MÉDIA, na sua maioria portadora das perseguidas verdades
da Antiga Tradição ou Velha Religião.

Em muitas “encantações” dos ciganos húngaros encontramos referências as


URMES ou FADAS a quem se pede ajuda direta.

No meio dos ciganos as doenças em geral sempre recebem uma conotação de


sobrenatural, pelo simples fato de serem raras em meio a esta etnia, que vive uma
existência sadia, sem stress, a vida nômade sempre leva à longevidade, o que já
não ocorre com freqüência com os habitantes das cidades.

Por tudo isto existem inúmeras “RIMAS CURATIVAS”, ou seja,


SORTILÉGIOS CONTRA DOENÇAS.

Para ilustrar, em resumo, tudo o que falamos até agora, citemos um costume
cigano que fala um pouco sobre todos estes personagens mágicos evocados pelos
ciganos, sempre ligados a um dos elementos da natureza, vejamos:

- Quando uma mãe começa a sofrer as dores do parto, é feita uma fogueira
diante de sua tenda, que é mantida acesa até que a criança seja batizada, com a
finalidade de afastar os maus espíritos. Algumas ciganas ficam com a função de
alimentar esse FOGO par que não se extinga, enquanto o abanam (são usados
leques como foles) murmuram os seguintes versos de encantamento, em romanê
húngaro:

“OH YAKH, OH YAKH PÇABUVA! PÇABUVA!


TE CAVÉSTAR TU TRADÁ, TU TRADÁ!
PÇUVUSHEN TE NIVASHEN!
TIRE TÇUVA THE TRADEN
LACE UNMEN ÁVENÁ
CAVES BÁCTELES DENA,
KÁTHE BIN YOV BÁÇTÁLES,
ANDRE LIME BÁÇTÁLES!
MOTURA TE RÁNÁ,
TE ÁTUNCI, BUT RÁNÁ

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OH YÁKH, OH YÁKH PÇABUVA!
ROVEL CAVO: ÁSHUNA!”.

“ OH FOGO, OH FOGO, QUEIME! QUEIME!


E, DA CRIANÇA AFASTA-SE, AFASTA-SE!
PCHUVUSI E NIVASIS!
E AFASTE TAMBÉM SUA FUMÇA
QUE VENHAM AS FADAS BOAS E
DÊEM A SORTE A ESTA CRIANÇA,
AQUI ELA É FELIZ (OU AFORTUNADA)
NO MUNDO AFORTUNADO
VASSOURAS E RAMOS QUEIMEM,
E DPEOIS MAIS RAMOS
OH FOGO, OH FOGO QUEIME!
A CRIANÇA CHORA: ESCUTEM!”

KAKUS E SUAS TÉCNICAS DE TRATAMENTO PSICANÁLITICOS.

Certos KAKUS também possuem a capacidade de através de “atos


pensados” de seus pacientes fazerem um diagnóstico psicológico sobre os mesmo,
podendo, assim, ajudá-los a melhor se auto-conhecerem e encontrarem o caminho
do equilíbrio.

E qual é a técnica que utilizam?

ESTATUETAS DE AMOR: Muito simples, como é simples a sabedoria,


através de um teste com um conjunto de 5 estatuetas de argila representando 5
momentos de amor entre um homem e uma mulher. O ciganólogo PIERRE
DERLON nos relata o que ocorre com bastante detalhes, vejamos:

- “Estas 5 estatuetas também representam os 5 raios da estrela dos feiticeiros


e dos KAKUS, a que simboliza o homem perfeito”.

O paciente, cigano ou gadjé, deve colocar estas estatuetas na ordem


cronológica que lhe parece melhor, mais acertada. A estatueta que determina o ato
sexual tem sua posição no esquema como determinante para o diagnóstico do(a)
KAKU. Se ela surgisse por último, queria dizer que o paciente considerava as
relações sexuais como a única finalidade possível entre um homem e uma mulher.
O(A) KAKU conserva secreta o seu diagnóstico, mas na sua opinião, este homem
ou mulher são brutos, egoístas e insensíveis, guiam-se pelo instinto de posse tão
somente. Suas funções em seu meio (na tribo ou na cidade) são limitados, não
maior do que a de um cão de guarda ou um cavalo de tiro (que puxa a carroça).

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Mas se pelo contrário, o paciente colocava o “ato” em terceira posição, e
fazia-o seguir pela estatuetas das carícias, denotava ser alguém terno, sensível,
qualidades importantes em um líder, um guia, ou um CHEFE DE TRIBO, ou
PHURI-DAI. Porque para guiar é preciso saber AMAR”.
Tanto o homem, quanto a mulher, devem saber honrar seu parceiro com os
olhos, as mãos e como o sexo, lembremos-nos que são estes os 3 instrumentos do
magnetizador. Agindo assim, ambos estarão preparados para o mando, dignos das
mias altas responsabilidades.

Neste “jogo psicológico” com as 5 estatuetas há uma imensa sabedoria,


que por certo sempre ajudou a muitos a encontrarem o equilíbrio interior.
AS MAÇÃS

Outra técnica usada pelos(as) KAKUS é a do CORTE DA MAÇÃ. Esta bela


fruta é colocada frente ao paciente e lhe é ordenado que a corte da maneira que
desejar.

Conforme for realizado o ato haverá um significado:

Se a MAÇÃ for cortada na horizontal surgirá em seu meio uma ESTRELA


DE CINCO PONTAS, denotando possuir o paciente poderes sensoriais, que
para seu bem estar físico e psíquico, basta que sejam equilibrados, pois só o
equilíbrio gera a força, MAGIA É EQUILÍBRIO!

Se a MAÇÃ for cortada na vertical surgirá em uma de suas faces um


pequena reprodução do órgão sexual masculino, e na outra, do órgão
sexual feminino. Isto significa que o paciente procura uma harmonia interior,
mas que esta só será alcançada se ele equilibrar sua vida sentimental, que possui
peso importante para sua personalidade.

Se a MAÇÃ for cortada em 4 partes denota ter o paciente um senso de


partilha, é uma pessoa muito doativa, abnegada, dedicada, mas que terá de ser
“fortalecida” para que não abusem de seus sentimentos doativos.

Se a MAÇÃ for cortada em rodelas denota ser o paciente uma pessoa


ambiciosa, que corre atrás do poder material ou espiritual. Tem capacidade para
criar e vencer, mas terá de ser refreada sua ganância, para que venha a conseguir
seus êxitos.

Se a MAÇÃ for cortada ao meio e dela retirada suas sementes ou seu


miolo, denota ser o paciente uma pessoa que não assume seus sonhos, seus
desejos, seus anseios interiores, é inseguro. Terá de ser “trabalhado” para que se
firme na vida, aceite seus erros e seus acertos como coisa natural, e perca o medo

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de vivenciar as coisas mais simples e naturais, como o amor, a perda de um ente
querido, as saudades, o imprevisto e etc...

Se a MAÇÃ só for cortada uma tampa denota que o paciente não quer se
deixar conhecer, está recluso em si mesmo, e repleto de problemas. Deverá ser
feito um “trabalho” para que ele confie...então, poderá vir a ser auxiliado em seus
problemas.

Se a MAÇÃ for cortada uma tampa na parte superior e outra na inferior,


denota que o paciente tem sérios problemas íntimos, mas é receptivos a um
tratamento que restaurará seu equilíbrio interior.

Se a MAÇÃ antes de ser partida for descascada, não importará a forma


como será partida, pois só o ato de primeiro descascá-la denota ser o paciente
uma pessoa materialista, sem grande sensibilidade, nem imaginação, tão pouco
é recatado, suas potencialidades sutis deverão ser despertas através do “trabalho”
do KAKU.

Ainda há outras técnicas, tais como as com NOZES, AMÊNDOAS OU


AVELÂS, as com VELAS DE CERA VIRGEM, as do vinagre e sangue, as com
conchas e etc...

Não importa muito o método usado, mas sim o seu objetivo, que é tão
simplesmente ajudar, pois é ajudando que se cresce interiormente.

Encerramos esta apostila com um dito cigano para se meditar:

- “HÁ MAIS O QUE SE APRENDER COM O SILÊNCIO DAS SEMENTES DE


UMA FAVA, DO QUECOMO FALATÓRIO DE UMA MULTIDÃO”.

MAGIA É EQUILÍBRIO, É SEGREDO, É SILÊNCIO...

CURIOSIDADE DO MUNDO DA MAGIA CIGANA: As jovens ciganas da


TRANSILVÂNIA acreditam que os encantamentos, feitos para “quem será seu
futuro marido”, obtêm um melhor resultado quando preparados na véspera de
certos dias, tais como O ANO NOVO, a PÁSCOA, e o dia de SÃO JORGE. Na
véspera do ANO NOVO, atiram sapatos ou botas em um SALGUEIRO (tradição
celta), mas só podem jogar nove vezes! Se o sapato ou bota ficar preso em um
dos galhos, a moça cigana que o atirou estará casada antes de um ano. Este
costume de lançamento de sapatos velhos à passagem de uma noiva, faz parte das
tradições de vários paises.

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Voltemos ao costume das jovens ciganas: No mesmo dia que atiraram botas
e sapatos no SALGUEIRO, as moças vão até uma outra árvore e, sacudindo-a por
turnos, cantam a seguinte “encantações”:

“PER DE, PER DE PRÁJTINA,


VAREKAJ HIN, HÁSZ KAMAV?
BASÁ, PÁRRO DZIUKLO,

“VEJO AS FOLHAS ESPALHADAS,


ONDE ESTARÁ MEU VERDADEIRO AMOR?
AH, O CÃO BRANCO LATE FINALMENTE,

CIGANOLOGIA

APOSTILA 21 – Ritos Mágicos Tradicionais

Dentre os animais que representam um papel particular no


universo cigano, o galináceo tem um lugar de relevo. Encontrar-
se-á a cada passo nos relatos, nas lendas ritos mágicos, sinais
misteriosos que ora evocam o ovo, ora o frango, galinha ou o

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galo.

Tão grande é o respeito do cigano pela galinha, a CRAVEN ou KRAKNIE,


que quando a quer comer, não lhe corta o pescoço, estrangula-a.

Saborear um repolho-craven ao alho na casa de JOSEPH BAULGLIANO ou


dos KALDERASH de MONTREUIL, é um privilégio raro para um não-cigano. Essa
deliciosa refeição de festa, de batismo ou de casamento é confeccionada com
receitas cuidadosamente guardadas, pois as ervas aromáticas utilizadas, noutros
tempos estavam ligadas aos rituais mágicos das tribos itinerantes.

Diversas partes da galinha, são entretanto utilizadas com finalidades que nada
têm a ver com as culinárias. Assim uma pata de frango colocado isoladamente num
certo lugar é um “aviso”, em verdade um sinal de MORTE. A utilização torna-se
ainda mais insólita quando os KAKUS jogam patas, cabeças de frango, moelas,
corações, testículos de galos novos, misturados num recipiente e confiam tudo ao
gelo invernal. O bloco solidificado num objeto de aspecto alucinante, serve depois
de ajuda à vidente em estado de transe.

Pode-se aproximar estas práticas às de vodu.

Certos ossos de galinha misturados aos de galo, podem ademais servir às


práticas de feitiçaria. O estranho balé de ossos que se vê no desenho da página
seguinte estava destinado a quebrar o feitiço do “NÓ” que as feiticeiros
camponeses fizeram com relação a virilidade de um marido. Duvida-se que sejam
as únicas partes animais utilizadas nas práticas de feitiçaria ou de exorcismo.

O galo em si é um amigo. O cigano, evidentemente, é sensível à sua altivez


natura e aprecia sua nobreza no combate, pois os galos só enfrentam galos.
Também como o lobo, o galo não dá cabo de seu adversário, ou o domina, ou o
põe em fuga. Mas sua importância está em outra coisa. O galo antes de tudo
conjura a desgraça, afasta, desvia o mal de seu caminho. Seu canto, da
madrugada, afasta as assombrações, os MULOS. Este canto ordena aos fantasmas
o retorno ao reino das sombras, o galo “protege a vida” dizem os KALDERASH.
É por tudo isso que sucedia encontrar-se um cabeça de galo seca, espetada
numa flecha num tronco de árvore, na entrada dos acampamentos nômades. Entre
os ciganos SINTIS o galo é o elemento indispensável numa curiosa cerimônia:

Sob a forma de um penacho de plumas colocadas num vaso de pescoço


comprido, este símbolo de poder protetor preside aos tradicionais rituais, como por
exemplo o de casamento oculta realizado entre KAKUS. Sua relação estreita com a
vida e a procriação é, pois, evidente.

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Porém a função protetora do galo manifesta-se mais claramente numa arma
que o cigano utiliza elaborada com as garras da ave. Segundo os ciganos HARTIS
e PIERRE LE PETITI, este ancestral do soco americano ou seco inglês, esse primo
distante das garras dos homens, dos leopardos de Congo, dataria da IDADE
MÉDIA. Sua utilização era exclusivamente defensiva, com a proibição formal de
usá-la como arma ofensiva. O “segredo” de como se efetua a preparação desta
arma branca, plena de valentia e lealdade, jamais foi revelado pelos KAKUS aos
demais ciganos, quanto mais ao mundo gadjé. Mas, já sua preparação tão
somente como arma não é oculta, e a até fácil, vejamos como ocorre:

- A arma é trabalhada ao fogo, de três maneiras diferentes, com exceção do


processo de endurecimento do esporão, que dá ao conjunto sua máxima eficácia.

Diremos desde já que um adversário munido dessa arma pode rever-se


terrivelmente perigosos, por isso OS KAKUS ensinavam aos seus portadores a
trabalharem suas emoções, aprendendo a dominá-las.

Esta arma de garras é muito mais temível que os soco americano ou inglês,
não só ele mata, como lacera profundamente a carne. Um homem pode ficar com
o ventre rasgado na hora com um só golpe da “garra”. Esse instrumento mortal
era destinado a combater os cães selvagens e os lobos que muitas vezes atacavam
as companhias ciganas, ou então contra um malfeitor relacionado principalmente a
honra agredida, como por exemplo, num caso de estupro.

Mas como dizem os velhos ciganos:

- “Cuidado com as garras gadjés insolentes que quiserem descarregar sua


agressividade sobre a “agente da viagem”!!...”.

A sustentação desta arma na mão é perfeita, ideal; uma vez o punho fechado
sobre a arma, a extremidade oposta à garra encaixa-se exatamente na concavidade
da palma da mão.

Era de costume o jovem cigano receber essa arma, que lhe era atribuída
pessoalmente, no curso de uma cerimônia ritual. Antes das crianças da tribo
atingirem o décimo quarto ano PHURI-DAI (mãe de tribo), segurando um ovo,
símbolo da vida, recebia o juramento de proteção, da parte das crianças. Cada
criança recebia nesta ocasião, uma pata de galo, que exibia ao prestar juramento.
Uma vez terminada a cerimônia, as crianças devolviam a pata ao KAKU que em
troca lhes dava patas de frangos com as quais eles deviam simular o aperto das
mãos símbolo de amizade entre irmãos de tribo, neste momento eles selavam um
pacto de não agressão mútua, depois disto iriam passar a “prova do fogo”,

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símbolo de coragem.

De posse das garras que as crianças lhe entregaram, o(a) KAKU as


trabalhavam, transformando em seguida estas garras de galo em armas e as
devolviam aos jovens ciganos no dia em que cumpriam a prova de virilidade. A
devolução definitiva das garras significa que estas crianças já eram consideradas
adultas em meio aos seus, e tinham a obrigação de defender a sua tribo, zelar
pelos bons costumes e por sua Tradição, enfim serem ciganos completos,
verdadeiros, plenos de hombridade, isto é, viris par da continuidade a sua etnia,
mas acima de tudo portadores de ideais varonis, de nobreza de caráter, dignidade e
brio.

O mais surpreendente nesse costume, é que era no OVO que o(a) KAKU
escolhia a arma futura, antes que o doador, em estado embrionário se tornasse
pinto, depois frango e por fim galo. Como o KAKU podia adivinhar que desse ovo
sairia um galo e não um galinha? Isto são segredos mágicos....Mas ouçamos uma
história que o KAKU HARTISS contou quando estava com 88 anos e,
considerando-se que há 5 gerações de ciganos em cada século o avô de PIETRO
HARTISS, protagonista desta história, teria vivido lá por 1840. Nessa época os
ciganos “tocadores de ovos” viajavam pelas feiras das aldeias. Conhecidos e
respeitados pelos camponeses, o “tocador” marcava encontro todos os anos diante
da igreja da vila e depois visitava as fazendas para tocar os ovos que lhe traziam.
Seu “trabalho” consistia em colocar os ovos em duas cestas, uma de vime natural
e outra escurecida com tintura de nogueira. Um ovo fêmea ia para a primeira
cesta, os outros para segunda. Mas seu estranho poder não parava aí. Uma vez
determinado o sexo, seguia-se uma segunda operação que os KAKUS chamavam
de “o sopro da vida”. Retomando um por um os ovos escolhidos, fosse para o
galo ou galinha, o cigano KAKU “tocava” de novo e escolhia os ovos mais aptos
ao desenvolvimento do pintinho até sua eclosão. Os camponeses juravam guardar
segredo sobre tudo o que tinham “visto”, como realmente o fazem todos aqueles
que por ventura tiveram um dia a oportunidade de assistirem um ritual de magia
verdadeira, quer seja ela da Tradição Cigana ou não.

Prometiam também estes camponeses a fazerem eclodir dois ovos machos,


escolhidos em especial pelo “tocador”, que deveriam ser chocados só por uma
galinha branca. Esses futuros galos, propriedade exclusiva do KAKU, eram postos
durante três anos sob a vigilância do granjeiro, depois estrangulados no
SOLSTÍCIO DE VERÃO e servidos num festim ritual. Por fim, usas patas,
preparadas e “trabalhadas”, tornavam-se GARRAS.

Os camponeses do século passado, devotavam um verdadeiro culto a esses


“galos de escolha”, pois acreditavam que da saúde do galo dependia a saúde de
todo o galinheiro. Quanto aos ciganos, estes, na verdade, consideravam essa

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situação de dependência e de respeito, uma espécie de temor, como uma revanche
contra os gadjés, vejamos como isto ocorria:

Para o equilíbrio do galinheiro, os camponeses não podiam ter outros galos


que não fossem os dois ciganos, pois o rodízio de 3 anos determinava a
permanência dos 6 galos, senhores do galinheiro.

Havia, também, um costume muito interessante e mágico em meio aos


ciganos, este relativo aos ovos, em meio as tribos mais tradicionais não se come um
ovo antes que este seja tratado com argila, e isto alicerça a saúde, e o efeito destes
ovos tratados, vamos senti-los na idade madura, com a ausência de alto nível de
colesterol, por exemplo.

Vejamos como isto se processa em meio aos costumes ciganos:

- Eles dizem que todos os animais chegam ao mundo doentes de impurezas,


já estão doentes dentro do próprio ventre da mãe, e que o ventre da vida dos
pássaros é o ovo e este por estar doente transmite a “moléstia impura” àqueles
que dele se alimentam. É por isso que os(as) KAKUS tiram do “corpo dos ovos”,
sem os quebrar, todas as coisas nocivas à saúde, impurezas etéricas que pouco a
pouco minam a saúde de nosso corpo físico.

Para que pudessem fazer isto, os (as) KAKUS fabricavam duas cestinhas de
junco seco e trançado; estas ficavam suspensas por quatros fios tirados da crina de
um cavalo e presas uma a outra em cada extremidade de uma vara de vime partida
ao meio, como a balança dos gadjés. Numa das cestinhas era colocado 6 ou 8
ovos, na outra correspondente em cascalhos. Tão logo a haste de vime ficasse na
horizontal, o(a) KAKU tirava os ovos, envolvia-os com terra argilosa e aguardava
até que a sombra da carroça passasse par o lado oposto. Retirava então, o
invólucro de argila, limpava-os e voltava a colocá-los nas cestinhas, as quais
chamavam de “barquinhas”; e ali, para assombro de muitos, os ovos não ficavam
mais em equilíbrio. O(A) KAKU, então, juntava aos ovos o peso de seus brincos de
ouro, as vezes, uma serpente de outro que usava no dedo médio, isto se fosse uma
cigana; mas caso fosse um cigano, colocaria na “barquinha” um seu anel, algumas
moedas, ou um de seus medalhões, todos feitos do mesmo material: ouro. Assim
feito, a “barquinha” tornava a se equilibrar. Diziam, então a viva voz: - “O BENG
(o mal, o diabo) foi para o fundo da terra e o ovo transformou-se em sol.”

E era só então que os ciganos utilizavam os seus ovos em sua culinária ou


como remédios, os mais tradicionais jamais os comem fritos e explicam de uma
forma acertadíssima: - “o ovo é leve para as crianças e idosos quando
cozidos dentro d´água, e mais forte para os adultos e jovens, mas
tornam-se pesados se o unirmos ao óleo”.

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Mas todo este processo pelo qual passam os ovos possui mais seriedade de
que parece ter, e vejamos por que: na verdade os ovos servem é para testar a
radioatividade da argila, de vez que existem as fortes, e outras que o são menos.
Sendo a argila uma matéria viva, não há nada de anormal que a possamos medir
em relação à força, como acontece com todas as coisas vivas, e para isto nada
melhor, para os ciganos, do que o ovo. Ele simboliza o ventre da mulher, e esta
vida que constrói, ele o faz do mesmo modo que o ventre de nossa mãe o fez.
Cada individuo, ao nascer, seja homem ou pintinho, traz em si as qualidades ou as
taras daqueles de quem tirou as fontes de usa própria vida. A ARGILA é filha da
TERRA que a gerou; como o homem e o animal, possui uma força que ela
manifesta, mais ou menos forte, segundo a terra que lhe serviu de berço. Acontece
o mesmo com relação ao vinho; o sabor, a qualidade dos vinhos de toda a terra
depende diretamente da sua qualidade, do tipo de terra onde a videira, que é a sua
“mãe” criou as raízes.

Não se sabe porque os ovos perdem peso quando envolvidos na argila, nem
como esta pode conservar o seu, isto se vermos todo este processo através da
ciência física, mas todo um entendimento ocorre se olharmos para tudo isto através
dos conhecimentos esotéricos.

A argila absorve o peso do ovo avaliado pelo prato da balança. E o que nos
diz a Tradição Cigana sobre isto? Ela nos repassa que a argila se nutre do
negativo, e como não pode digeri-lo, morre; é por isso, que é jogada fora
imediatamente após o seu uso, ela não digeriu o veneno das impurezas com o qual
se “alimentou”. O homem sadio, nos diz a Tradição, a partir do primeiro dia da
lua até a lua nova, mantém o mesmo peso, não importa a quantidade de alimentos
ingeridos. A argila é igual, porque é feita como o homem; nutre-se, digere, e assim
como ele, envelhece e morre no dia em que o seu alimento se transformou em
veneno.

“ESTE VENENO É QUE MATA O HOMEM E ESTA TERRA, QUE FOI


NOSSA MÃE O É NOVA MENTE, ASSIM QUE A ARGILA, SUA FILHA, DÁ A
PRÓPRIA VIDA PARA SALVAR A DO HOMEM, EM LHE DEVOLVENDO A
VIDA”.

LENDAS CIGANAS LIGADAS AOS OVOS.

Inúmeros são estas lendas sobre os ovos e cascas de ovos, muitos, como os
do cuco são dados de presente porque os ciganos acreditam que eles atraem sorte

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(BAKT).

Vamos relatar aqui apenas duas destas lendas, sendo que a primeira tenta
explicar o porque do costume de se “quebrarem os ovos”.

1ª LENDA – “Certa vez, uma moça cigana, observando que doas as pessoas,
quando comiam ovos, costumavam quebrar as cascas, perguntou o porque desse
comportamento a uma KAKU, e recebeu a seguinte resposta:

- Você deve quebrar a casca em pedacinhos por temor de que as feiticeiras


façam um barco com ele, minha ciganinha. Por sobre os mares distantes de casa,
tarde da noite as bruxas e feiticeiras más rondam...

Então, disse a jovem cigana: - Não vejo por que as pobres feiticeiras não
possam ter seus barcos como todas as pessoas, de repente elas não o são assim
tão más como dizem.

E, isso dizendo, atirou a casca de ovo que comia bem longe, enquanto
gritava: - CHOVINANI, LVA TRO BERO! (Feiticeira, tome o seu bote!). E qual
não foi a sua surpresa, quando viu que a casca fora como que arrancada pelo
vento, indo para bem longe, até tornar-se invisível, enquanto uma voz gritava:
-PARAKA! (obrigado!).

Algum tempo depois, a cigana estava numa ilha onde permaneceu alguns
dias. Quando quis voltar, percebeu que a maré subira, arrastando seu barco para
longe. A água continuou a subir, a subir, até que ficou fora da água somente uma
pontinha da ilha, exatamente onde a moça se encontrava, e ela pensou que iria
morrer. Nesse mesmo instante, viu que um barquinho branco vinha em sua
direção, sentada dentre dele, estava uma mulher como olhos de feiticeira, muito
belos e carismáticos, remava com uma vassoura, e um gato lindo, todo preto,
estava acocorado em seu ombro esquerdo.

Pule para dentro de meu barco, gritou para a cigana. Esta a obedeceu a
feiticeira e levou-a de volta para terra firme, salvando-lhe a vida.
Quando já estava na praia, segura, a mulher que aparentava ser uma
feiticeira disse: - Cigana, dê 3 voltas completas para a direita e, cada vez que
completar uma delas, olhe par o meu barco.

Assim o fez a jovem cigana, fazendo exatamente o que a mulher mandava, e


cada vez que olhava para o barco, este ficava cada vez menor, até ficar do
tamanho de um ovo. Nesse instante a feiticeira cantou:

- Essa é a casca que você jogou para mim, até mesmo uma feiticeira sabe ser

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grata.

Quando terminou de falar, ela, o gato, e todo o resto desapareceram no ar”.

MORAL DA LENDA CIGANA -”Não existe o mal no mundo onde vivem estes
seres etéricos, eles nos tratam da mesma forma que nós os tratamos, respondem
na mesma tônica vibratória; se emitimos amor, solidariedade, o mesmo
receberemos deles, mas se emitirmos crueldades, perfídias, então, podemos estar
certos que são exatamente estes mesmos sentimentos que “eles” nutrirão por nós.

2ª LENDA – Nesta segunda lenda encontramos exatamente a confirmação do


que acima dissemos, pois se na 1ª lenda, a bondade atraiu gratidão, nesta 2ª lenda
veremos como que a inveja e a maldade atraem a desgraça.

- “Havia uma jovem cigana que era muito inteligente e , sempre que ouvia
conversas sobre feiticeiras prestava muita atenção para não se esquecer de nada.
Certo dia, pegou um ovo, fez um buraquinho na casca com muito cuidado e, por ali
bebeu a clara e a gema; colocando-o sobre um monte de areia branca perto de
uma correnteza, onde pudesse ser visto, e escondeu-se atrás de uns arbustos.
Quando a noite caiu, chegou uma feiticeira que vendo a casca novinha de ovo, se
aproximou dela e disse algumas palavras mágicas, transformando-a em um lindo
barco branquinho, entrou nele e saiu velejando pelo mar.

A cigana lembrava-se das palavras proferidas pela feiticeira, foi para casa, fez
a mesma coisa com outro ovo, transformando-o em um barco.

Sempre que desejava, percorria o mundo inteiro,pois os ciganos gostam muito


de estarem a viajar, indo a lugares onde as frutas e as flores eram abundantes ou
onde as pessoas lhe davam grandes quantidades de ouro em troca de facas,
punhais e tesouras. Ela ficou muito rica, possuindo uma linda tenda e em seu
coração mantinha um eterna gratidão por aquela feiticeira a quem deu sua 1ª casca
de ovo e com a qual aprendeu as palavras mágicas, sempre tinha pensamentos
amorosos por ela.

Mas existia na aldeia onde vivia esta cigana com sua tribo, uma mulher muito
malvada com as crianças e sumamente invejosa da felicidade alheia. Como a
cigana era gentil com ela assim mesmo, a tal mulher a odiava por isto, como
também por sua riqueza e saúde. Então, esta feia criatura, pois a feiúra da alma é
horripilante, começou a espionar e vasculhar a vida da moça, para descobrir o
segredo de sua prosperidade e alegria.

Embora o barco da cigana ficasse sempre escondido em meio aos arbustos,


de tanto espionar, finalmente a tal mulher viu o barco, e suspeitando de alguma

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coisa, escondeu-se, ficando a observar o que acontecia.

Pouco depois, a cigana aproximou-se com uma cesta cheia de mercadorias


para as suas vendas em terras distante, entrou no bote e disse:

- “ Para a África!”, e o bote voou com ela mar a fora...a mulher observou tudo
e ficou aguardando. Depois de um tempo, a cigana retornou. O barco estava cheio
de coisa lindas como penas de avestruz, ouro, pedras, coloridas e preciosas, frutas
e flores exóticas, e a cigana carregou tudo para dentro de sua tenda.

A mulher invejosa e bisbilhoteira, colocou, então, o barco novamente na água


e disse: -“Para a África!” Mas ela não sabia as palavras mágicas que tinham feito
com que o barco tivesse sido transformado de uma casca do ovo, e que faziam com
que voasse como o pensamento, pois estas eram ditas pela cigana com a voz muda
da mente, regida pela vontade, somente o destino da viagem era dito em voz
audível.

O barco tão somente ficou a boiar com a tal mulher, e mesmo assim
lentamente, e ela gritava com raiva: -“Mais depressa barco miserável!”. Ela assim
gritou por um bom tempo inutilmente, o barco não lhe obedecia, finalmente
possessa de ódio exclamou: “- Droga de feitiço, em nome de Deus me obedeça,
vamos depressa!”.

Essas palavras quebraram o encantamento, e o barco transformou-se


novamente em casca de ovo, e a mulher afogou-se nas águas. Se ao se afogar
tivesse olhado para a margem, teria visto em meio aos arbustos uma bela feiticeira
morrendo de rir.

Nota Elucidativa: Os ciganos presenteiam-se entre si como ovos, como


também determinados gadjés amigos com certas qualidades de ovos, pois
acreditam que estes tragam sorte, alegrias, vida!

Como também penduram ovos de galinha em suas casas, tendas, ou carroças,


como talismãs de proteção e boa sorte.

Já as penas destas aves estão presentes em vasos a enfeitarem mesas


ritualísticas ciganas, como também em altares de KAKUS, sempre simbolizando o
poder da dignidade.

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