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Resenha dos três primeiros capítulos do livro " O conceito de cultura", Leslie White

Maria Luisa Lira Cavalcante - 1º período Ciências Sociais, UFPE

"O conceito de cultura" é um livro escrito pelo antropólogo americano Leslie White. Já no
primeiro capítulo " A base da cultura: o símbolo" o autor compara o Ser Humano com os outros
animais em geral. "O homem é um animal. Porém, não é apenas um animal. Ele é único. Só o
homem, entre todas as espécies, tem uma capacidade de simbologizar." (WHITE, 2009, p. 9) Essa
capacidade única aos humanos chamada de "simbologizar" é a raiz para a construção da cultura e
da civilização humana. O ato de simbologizar engloba a "capacidade de originar, definir e atribuir
significados, de forma livre e arbitrária, a coisas e acontecimentos no mundo externo" (WHITE,
2009, P.9). Esse conceito é um conceito bastante antropocêntrico e isso se deve ao fato de o autor
não relativizar questões em que os animais se aproximam dessa capacidade, como alguns
pássaros que, de acordo com alguns cientistas, conseguem produzir "cultura".Para Leslie White, a
capacidade de simbologizar não necessariamente pode ser exercida com o uso dos sinais, a
exemplo da água benta em que se consegue diferenciar da água comum pelo significado e valor
que se é atribuído à ela. Para Leslie White, essa capacidade de perceber significados através dos
sentidos é chamada de percepção de sinais, e para ele essa percepção pode ser inerente ao objeto
ou não. Por exemplo, nuvens negras dão o sinal de chuva. Ou seja, a ideia de chuva é inerente a
nuvem negra. Porém, uma palavra, por exemplo, não tem significados inerentes a sua estrutura,
isso prova que a experiência pode fazer com que determinado significado seja intrínseco a esta
palavra, transformando palavras que seriam chamado de símbolos em sinais. O autor neo-
evolucionista Leslie White, defende que a capacidade de simbologizar do homem aconteceu de
forma abrupta. Para ele, não existiu estágios para a capacidade de simbologização. A criação e
formação da cultura ocorreu de forma relativamente rápida, formando culturas completas,
contendo discurso articulado, crenças e costumes. ‘’Homem e cultura são inseparáveis. Por
definição, não há cultura sem homem nem homem sem cultura". O segundo capítulo do livro de
White, "Homem e cultura" aborda o tema da comunicação entre seres humanos. Uma das grandes
consequências da simbologização é o discurso articulado e por o ser humano ser o único com essa
capacidade, White caracteriza os seres não humanos como inaptos a essa forma de se expressar. E
esse discurso articulado conseguiu tornar o mundo conceituado e verbalizado, "sendo o recurso
mais poderoso para a sobrevivência e o progresso do homem e da cultura [...] abrindo uma
possibilidade quase infinita de organização e desenvolvimento [...] já que a linguagem possibilita
acumular e transmitir conhecimento" (idem, p. 27). Outra consequência da capacidade de
simbologizar é a cultura, que por sua vez, tem a função de "tornar a vida segura e duradoura para
a espécie humana" (idem, p. 29). White afirma isso porque através da cultura os indivíduos
conseguem se sentir atendidos pelas necessidades, isto é, necessidades espirituais, psicológicas e
biológicas - a exemplo da mitologia, da crença em Deuses, rituais, etc. O avanço da ciência, por
outro lado, trouxe para humanidade uma descrença nessas "necessidades espirituais" do homem,
o que gerou uma certa apatia. Outro aspecto importante acerca do conceito de cultura, para Leslie
White, é a variação cultural e sua relação com o biológico. Segundo o autor, "o organismo
humano deve ser levado em conta na discussão sobre a origem e a função da cultura, mas as
variações na cultura podem, devem e precisam ser discutidas sem considerar o organismo."
(idem, p. 33) Isso porque na cultura a forma como os homens enxergam, sentem, tocam interfere
na produção da cultura. Se o homem não sentisse frio ou calor, ou visse as coisas em preto e
branco ou até, precisasse apenas de folhas pra se alimentar, a cultura humana seria diferente. Ou
seja, o biológico interfere e muito no desenvolvimento da cultura humana, mas por outro lado,
White argumenta que a variação cultural em nada tem a ver com o biológico do ser humano.
Apesar disso, a variação cultural por raça é defendida por muitos, sendo alegado que raças
diferentes produzem culturas diferentes, White, por sua vez, defende que existem muito mais
variações culturais que raças. "Não há correlação entre raça e cultura" (idem, p. 39) . A partir
das ideias mostradas, fica claro perceber que o livro aborda o conceito de cultura e como ela
interfere na distinção dos homens com os animais. É um texto regado de antropocentrismo, com
ideias pouco relativistas e neo-evolucionistas. Apesar disso, conta com linguajar de fácil
entendimento e conceitos novos para leitura. Define com clareza conceitos de simbologização,
sinal e cultura, além de embasar o livro com diversos exemplos de fácil compreensão.