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INSTITUTO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA – INBEC

UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ESTRUTURAS DE CONCRETO E


FUNDAÇÕES – ECF

“PROJETO, CÁLCULO E VERIFICAÇÃO DE ESTRUTURAS DE


EDIFICIO EM CONCRETO ARMADO USANDO SOFTWARE”

ASSUNTO: CONCEPÇÃO ESTRUTURAL

Prof. Marcos Alberto Ferreira da Silva

Belo Horizonte-MG, 2018


CONCEPÇÃO ESTRUTURAL

1. INTRODUÇÃO
A concepção da estrutura de um edifício consiste no estabelecimento de um arranjo
adequado dos vários elementos estruturais do edifício (figura 1), de modo a assegurar que o
mesmo possa atender às finalidades para as quais foi projetado. Em virtude da complexidade das
construções, uma estrutura requer o emprego de diferentes tipos de peças estruturais
adequadamente combinadas para a formação do conjunto resistente.

Figura 1 – Perspectiva de parte de edifício de concreto armado: principais elementos


estruturais (Fonte: Alva, 2007)

Conforme destacado por Alva (2007), um arranjo estrutural adequado consiste em


atender, simultaneamente, os aspectos de segurança, economia (custo), durabilidade e os
relativos ao projeto arquitetônico (estética e funcionalidade). Em particular, a estrutura deve
garantir a segurança contra os Estados Limites, nos quais a construção deixa de cumprir suas
finalidades.
A concepção estrutural deve levar em conta a finalidade da edificação e atender, tanto
quanto possível, às condições impostas pela arquitetura. O projeto arquitetônico representa, de
fato, a base para a elaboração do projeto estrutural. Este deve prever o posicionamento dos

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elementos de forma a respeitar a distribuição dos diferentes ambientes nos diversos pavimentos.
Evidentemente, a estrutura deve também ser coerente com as características do solo no qual ela
se apóia.
Na concepção da estrutura, uma das principais preocupações do projetista deverá ser a
interação com os demais projetos, em especial com o arquitetônico, o qual direcionará grande
parte das decisões tomadas; a escolha da forma da estrutura de um edifício depende
essencialmente do projeto arquitetônico proposto.
O projeto estrutural deve estar em harmonia com os demais projetos (instalações
elétricas, hidráulicas, telefonia, segurança, som, televisão, ar condicionado, etc.). Ou seja, deve
existir a compatibilização do projeto estrutural com os demais projetos da edificação, de modo a
permitir a coexistência, com qualidade, de todos os sistemas. Por esse motivo, as várias áreas
técnicas envolvidas no projeto costumam fazer anteprojetos que, posteriormente são analisados
em conjunto para que se estudem as compatibilizações necessárias.
A título de exemplo, pode-se citar o cuidado que se deve ter ao verificar a localização de
vigas nas regiões de banheiros e área de serviço, onde o projetista hidráulico, muito
provavelmente, procurou localizar pontos para passagem de tubos de esgoto e instalações de
água fria.
Outro exemplo que também pode ser citado refere-se ao posicionamento dos pilares nas
áreas destinadas a garagens. O projetista deve ter a preocupação de posicionar os pilares em
locais que não ocupe espaço das vagas e que ao mesmo tempo facilite a manobra dos veículos; a
integração entre projeto estrutural e arquitetônico é indispensável para o melhor aproveitamento
das garagens: maior número de vagas e espaço adequado para manobras. Em alguns casos, as
posições dos pilares na área destinada a garagens não são compatíveis com a distribuição de
pilares estudada para os demais pavimentos do edifício, sendo necessário projetar vigas de
transição.

2. ELEMENTOS ESTRUTURAIS EM EDIFÍCIOS DE CONCRETO ARMADO


Conforme destacado por Giongo (2005), na concepção estrutural é importante considerar
o comportamento primário dos elementos estruturais. Os elementos estruturais básicos de um
edifício de concreto armado podem ser resumidos como se indica a seguir:
Laje: Elemento plano bidimensional, apoiado em seu contorno nas vigas, constituindo os pisos
dos compartimentos; recebe as cargas (ações gravitacionais) do piso transferindo-as para as
vigas de apoio; submetida predominantemente à flexão nas duas direções ortogonais.
Viga: Elemento de barra sujeito predominantemente à flexão, apoiada em pilares e, geralmente,
embutida nas paredes; transfere para os pilares o peso da parede apoiada diretamente sobre ela e
as reações das lajes.
Pilares: Elementos de barra sujeitos predominantemente à flexo-compressão, fornecendo apoio
às vigas; transferem as cargas para as fundações. Além de transmitir as cargas verticais das vigas
para as fundações, os pilares apresentam mais uma função importante: a de resistir aos
carregamentos horizontais (ações do vento), por meio da formação de pórticos juntamente com
as vigas ou por meio da utilização de pilares com grande rigidez.
Na figura 2 mostra-se o fluxo das ações nos elementos estruturais básicos em edifícios de
concreto armado.

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Figura 2 – Fluxo das ações nos elementos estruturais em edifícios (Fonte: Alva, 2007)

As ações atuantes na edificação devem ser transmitidas à camada resistente do solo por
meio dos elementos estruturais de fundação. Pode-se considerar dois grupos principais de
fundações:
Fundações profundas – Os tipos mais comuns são as estacas e os tubulões. As fundações
profundas são utilizadas quando não é viável economicamente o emprego de fundações diretas.
Em uma fundação profunda, a carga pode ser transmitida predominantemente pela base ou por
atrito lateral ou ainda por estas duas formas (figura 3).
Fundações superficiais – Constituída essencialmente pelas sapatas e radiers. São empregadas
quando o terreno apresenta um solo superficial com resistência relativamente elevada e baixa
compressibilidade. Nestes tipos de fundações, também conhecidas por fundações diretas ou
rasas, as ações são transmitidas ao solo predominantemente pela base (figura 4).

Figura 3 – Fundações profundas

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Figura 4 – Fundações diretas

3. SISTEMAS ESTRUTURAIS
Segundo Corrêa (1991), os sistemas estruturais devem ser entendidos como disposições
adequadas e racionais de diversos elementos estruturais (vigas, pilares, lajes, paredes estruturais,
etc.). Os sistemas estruturais, portanto, consistem na reunião de elementos estruturais de maneira
que estes trabalhem de forma conjunta para resistir às ações atuantes no edifício e garantir sua
estabilidade.
No caso de edifícios de múltiplos pavimentos, quanto maior a altura e a esbeltez da
edificação maior será a responsabilidade de uma escolha apropriada para esse arranjo estrutural.
Para edifícios em concreto armado com no máximo 20 pavimentos, os sistemas estruturais mais
empregados no país são:
 Estruturas de pórticos;
 Estruturas de pórticos com núcleos de rigidez ou paredes estruturais.
Conforme Alva (2007), os sistemas em pórticos podem ser entendidos como a associação
de pórticos planos, os quais são constituídos por vigas e pilares conectados rigidamente. A
estabilidade global do edifício é conferida por pórticos planos dispostos nas duas direções
ortogonais, constituindo um pórtico tridimensional (figura 5)

Figura 5 – Formação de pórticos para o enrijecimento lateral do edifício

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Além dos pórticos, o sistema pode apresentar um núcleo estrutural rígido - composto por
pilares de grande inércia das caixas de escadas e ou de elevadores (ver figura 6) – ou por pilares-
parede colocados em posições adequadas para melhor enrijecimento lateral do edifício (ver
figura 7).

Figura 6 – Emprego de núcleos de rigidez para o travamento lateral do edifício (Fonte:


Alva, 2007)

Figura 7 – Exemplo de planta de formas de edifício com sistema estrutural constituído por
pórticos associados a pilares-parede (Fonte: Alva, 2007)

4. DIRETRIZES BÁSICAS PARA A CONCEPÇÃO ESTRUTURAL DE EDIFÍCIOS


O lançamento da estrutura de um edifício em concreto armado consiste em definir as
posições dos elementos estruturais (lajes, vigas, pilares, etc.), bem como determinar as
dimensões iniciais (pré-dimensionamento) dos mesmos. Este lançamento deve ser realizado
sobre o projeto arquitetônico, e representa uma das etapas mais importantes do projeto estrutural.
O bom lançamento estrutural é diretamente proporcional à vivência prática do projetista.
Conforme destaca Longo (2001), um lançamento bem feito irá facilitar os cálculos, simplificar a
execução e reduzir os custos da construção. Por outro lado, um lançamento mal feito poderá
comprometer a construção, trazer dificuldades no cálculo estrutural e até mesmo prejuízos
financeiros.

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Ao lançar a estrutura de um edifício deve-se ter em mente vários aspectos básicos:

Estética: deve-se atender as condições estéticas definidas no projeto arquitetônico. No caso de


edifícios residenciais, o projeto arquitetônico geralmente exige que se esconda a estrutura dentro
das paredes; nesse caso, na medida do possível, procura-se embutir as vigas e os pilares nas
alvenarias.
Economia: deve-se lançar a estrutura pensando em minimizar o custo da mesma. Conforme
indica Alva (2007), a economia pode vir da observação de vários itens:
 Uniformização da estrutura, gerando formas mais simples e permitindo maior
reaproveitamento das fôrmas de madeira (redução de custos e maior velocidade de
execução);
 Compatibilidade entre vãos, materiais e métodos utilizados (ex.: o vão econômico para
estruturas protendidas é maior do que o de estruturas de concreto armado);
 Caminhamento o mais uniforme possível das cargas para as fundações. Apoios
indiretos, de vigas sobre vigas e transições devem ser evitadas ao máximo, pois
acarretam um maior consumo de material.
Funcionalidade: um aspecto funcional importante é o posicionamento dos pilares na garagem.
Em virtude da necessidade crescente de vagas para estacionamento, deve ser feita uma análise
minuciosa dos pavimentos de garagem, de modo a aumentar ao máximo a quantidade de vagas,
sempre procurando obter vagas de fácil estacionamento.
Resistência às ações horizontais: ao se lançar a estrutura deve-se procurar estabelecer um
sistema estrutural adequado para resistir às ações horizontais atuantes na mesma (vento e
desaprumo).

Com relação às decisões que influenciam o comportamento dos elementos estruturais, as


seguintes considerações merecem ser destacadas:

 O posicionamento dos elementos estruturais pode ser feito com base no comportamento
primário dos mesmos. Assim, as lajes são posicionadas nos pisos dos compartimentos para
transferir a carga dos mesmos para as vigas de apoio. As vigas são utilizadas para transferir
as reações das lajes e o peso das alvenarias para os pilares em que se apóia (ou,
eventualmente, vigas de apoio), vencendo os vãos entre os mesmos. E os pilares são
utilizados para transferir as cargas das vigas para as fundações.
 A transferência de carga deve ser a mais direta possível. Desta forma, deve-se evitar, na
medida do possível, apoiar vigas importantes sobre outras vigas (chamadas apoios indiretos),
bem como o apoio de pilares em vigas (chamadas de vigas de transição).
 Os elementos estruturais devem ser os mais uniformes possíveis, quanto à geometria e
quanto às solicitações. Desta forma, as vigas devem, em princípio, apresentar vãos
comparáveis entre si.
 As dimensões contínuas da estrutura, em planta, devem ser limitadas a cerca de 30m para
minimizar os efeitos da variação da temperatura e da retração do concreto. Assim, nas
construções com dimensões em planta acima de 30m, é desejável a utilização de juntas de

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dilatação separando a estrutural original em um conjunto de estruturas independentes entre
si.
 Conforme já mencionado, as ações horizontais atuantes em uma edificação são normalmente
resistidas por pórticos planos ortogonais entre si, os quais devem apresentar resistência e
rigidez adequadas. Para isso, é importante a orientação criteriosa das seções transversais dos
pilares (em planta).

A seguir apresentam-se algumas recomendações que podem ser seguidas no lançamento


da estrutura de um edifício em concreto armado com sistema estrutural tradicional (composto
por lajes, vigas e pilares):

 Posicionar os pilares, de preferência, nos cantos da edificação, nos cantos das escadas, em
torno do poço dos elevadores, nos cantos dos prismas de ventilação e iluminação e nos
cruzamentos de vigas (não necessariamente em todos os cruzamentos). Procurar distanciar os
pilares entre 2,5m e 6m. Sempre que possível, adotar pilares com seção transversal
retangular.
 Escolher regiões não muito nobres no pavimento tipo para o posicionamento dos pilares
(cantos dos armários embutidos, atrás das portas, etc.) evitando que os mesmos fiquem
aparentes em salas e dormitórios. Sempre será necessário verificar se as posições lançadas no
pavimento tipo são aceitáveis aos demais pavimentos (térreo, subsolo, etc.).
 Em edificações baixas, manter a seção transversal do pilar constante ao longo de toda a
altura. Nas edificações mais altas pode-se variar a seção dos pilares, adotando-se dimensões
menores nos andares de cima.
 Procurar, sempre que possível, o posicionamento das vigas de tal forma que as mesmas
formem pórticos com os pilares, a fim de enrijecer a estrutura frente às ações horizontais
(vento), principalmente na direção da menor dimensão em planta do edifício.
 Procurar lançar vigas onde existam paredes, evitando que as mesmas fiquem aparentes,
contribuindo para o aspecto estético. Entretanto, não é obrigatório lançar vigas sob todas as
paredes. Eventualmente, uma parede poderá apoiar-se diretamente na laje, devendo-se fazer
as devidas verificações na laje em virtude do carregamento introduzido pela parede. Quando
existirem paredes leves (paredes de gesso acartonado) ou divisórias, a tarefa do lançamento
de vigas torna-se mais flexível.
 Preferencialmente, apoiar as vigas em pilares. Em determinados casos, entretanto, é preciso
projetar uma viga apoiada sobre outra tendo em vista que nem sempre é possível colocar
pilares em todos os cruzamentos das vigas.
 Na medida do possível, deve-se evitar vigas com vão livre máximo acima de 6m. Também
não é interessante usar vãos livres pequenos e distribuição desigual de vãos para as vigas.
 Evitar o uso de vigas invertidas (vigas que ficam no lado de cima das lajes), sempre que
possível, pois a construção das mesmas é mais trabalhosa.
 Verificar cuidadosamente a real necessidade de rebaixamento de uma laje em relação à outra.
Às vezes o rebaixamento é necessário quando se tem que embutir as tubulações de esgoto
nas lajes (lajes de banheiro ou das áreas de serviço). Atualmente, para esconder as tubulações

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de esgoto, há a preferência pela utilização de forros falsos; essa opção se deve
principalmente à facilidade de eventuais consertos nas tubulações.
 Em lajes maciças armadas em uma direção, adotar 2m a 5m para o menor vão da laje. Nas
lajes armadas em duas direções, por sua vez, adotar 3m a 6m para o maior vão da laje.
 Se as lajes forem do tipo pré-moldadas, deve-se posicionar as vigotas (trilhos ou treliças) na
menor direção da laje.
 O reservatório superior e a casa de máquinas dos elevadores, localizados em um piso acima
do último pavimento, devem ser posicionados de modo que, de preferência, se apóiem nos
pilares existentes ou, em casos excepcionais, em vigas de cobertura. O reservatório enterrado
deve ser independente da estrutura do edifício e estar convenientemente localizado para não
interferir nas fundações.

5. PROJETO PRELIMINAR DA ESTRUTURA DE UM EDIFÍCIO (ANTEPROJETO)


Em princípio, o projetista se depara com o seguinte problema no dimensionamento das
estruturas: a geometria dos elementos estruturais (seções transversais) é definida em função dos
esforços solicitantes. Entretanto, os esforços solicitantes somente podem ser obtidos após a
definição da geometria da estrutura, permitindo a determinação do peso próprio e a análise da
estabilidade global da mesma.
Para resolver este problema, é necessário realizar um pré-dimensionamento da estrutura,
ou seja, determinar, de maneira aproximada, as dimensões das seções transversais dos elementos
estruturais, as quais serão utilizadas numa análise preliminar. Após esta análise inicial, deve-se
fazer os ajustes necessários, determinando a geometria final dos elementos e, conseqüentemente,
o carregamento real que permite o dimensionamento da estrutura.
Não existem regras tampouco normas para o pré-dimensionamento de uma estrutura. De
modo geral, pode-se dizer que as recomendações encontradas na bibliografia técnica resultam da
experiência dos projetistas estruturais, ou então, é fruto de estudos aprofundados sobre o assunto.
A fim de orientar a etapa de pré-dimensionamento, apresentam-se a seguir algumas
recomendações práticas que constituem uma boa estimativa inicial para as dimensões de lajes,
vigas e pilares em estruturas convencionais de edifícios de concreto armado. Também são
apresentadas as dimensões mínimas de alguns elementos indicadas na NBR 6118:2014.

5.1. Lajes maciças


A espessura da laje (h) pode ser estimada por:
Lx
h
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onde L x é o menor vão da laje (ver figura 8).

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Figura 8 – Vãos de laje maciça para o pré-dimensionamento da espessura h

A NBR 6118:2014 prescreve para espessuras mínimas de lajes maciças de edifícios em


concreto armado, em função da utilização, os seguintes valores:
 7cm para cobertura não em balanço;
 8cm para lajes de piso não em balanço;
 10cm para lajes em balanço;
 10cm para lajes que suportem veículos de peso total inferior ou igual a 30 kN;
 12cm para lajes que suportem veículos de peso total maior que 30 kN;
 16cm para lajes lisas e 14cm para lajes-cogumelo, fora do capitel.

5.2. Lajes nervuradas moldadas no local


Para as lajes nervuradas moldadas no local a NBR 6118:2014 prescreve as seguintes
dimensões limites:
 a espessura da mesa ( h f ), quando não houver tubulações horizontais embutidas, deve ser
maior ou igual a 1/15 da distância entre nervuras e não menor que 4cm;
 o valor mínimo absoluto da espessura da mesa deve ser 5cm, quando existirem tubulações
embutidas de diâmetro menor ou igual a 10mm. Para tubulações com diâmetro ø maior que
10mm, a mesa deve ter a espessura mínima de 4cm + ø, ou 4cm + 2ø no caso de haver
cruzamento destas tubulações;
 a espessura das nervuras ( b w ) não deve ser inferior a 5cm;

 nervuras com espessura menor que 8cm não devem conter armadura de compressão.

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5.3. Vigas
Em geral, a altura da seção transversal da viga (h) pode ser estimada por:
L L
h a
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onde L é o vão da viga. Para fins de pré-dimensionamento, L pode ser tomado como sendo a
distância entre os eixos dos pilares em que a viga se apóia.
Algumas considerações adicionais sobre a escolha das dimensões devem ser destacadas:
 No caso de vigas contínuas com vãos comparáveis (relação entre vãos adjacentes entre 2/3 a
3/2), costuma-se adotar uma altura única estimada a partir da média dos vãos (figura 9). No
caso de vãos muito diferentes entre si, deve-se adotar uma altura própria para cada vão como
se fossem independentes.

Figura 9 – Pré-dimensionamento de vigas contínuas com vãos comparáveis


 No caso de apoios indiretos (viga apoiada em outra viga), recomenda-se que a viga de apoio
tenha uma altura maior ou no mínimo igual à viga apoiada.
 Costuma-se adotar alturas de seção múltiplas de 5cm, com um mínimo de 25cm. A altura
máxima está condicionada ao espaço disponível para a viga e para as aberturas de portas e
janelas. Logo, as alturas das vigas dos pavimentos não devem ultrapassar a distância de piso
a piso menos a altura das portas e caixilhos.
 As vigas podem ser normais ou invertidas, conforme a posição da sua alma em relação à laje.
As vigas invertidas são utilizadas em situações nas quais se deseja que a viga não apareça na
face inferior da laje, geralmente por questões de estética. As semi-invertidas são empregadas
em situações nas quais o pé-direito ou as esquadrias limitem a altura útil da viga e o projeto
estrutural exija uma viga alta (ver figura 10).

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Figura 10 – Vigas em relação à laje: a) Normal. b) Semi-invertida. c) Invertida.

Quando a viga ficar embutida em paredes de alvenaria, sua largura deve levar em conta o
tipo de tijolo, o revestimento utilizado e a espessura final definida pelo arquiteto. Normalmente,
os tijolos cerâmicos e os blocos de concreto têm espessuras de 9cm, 14cm e 19cm.
Como recomendação prática para definir a largura das vigas, pode-se considerar uma
espessura de 3cm para o revestimento (em cada face da parede) em paredes de 25cm de
espessura e 1,5cm de espessura de revestimento em paredes de 15cm de espessura.
Segundo a NBR 6118:2014, a largura mínima para vigas é de 12cm e para vigas-parede
15cm. Estes limites podem ser reduzidos, respeitando-se um mínimo absoluto de 10cm em casos
excepcionais. É importante destacar que a largura mínima de uma viga também está
condicionada ao bom alojamento das armaduras, devendo-se respeitar o espaçamento mínimo
livre ( a h ) entre as barras e o cobrimento mínimo (c) em função da classe de agressividade
ambiental prescritos pela NBR 6118:2014 (figura 11).

Figura 11 – Dimensões envolvidas na determinação da mínima largura possível para a viga

5.4. Pilares
O pré-dimensionamento de pilares pode ser realizado com base no processo das áreas de
influência. Este processo consiste em dividir a área total do pavimento em áreas de influência,
relativas a cada pilar e, a partir daí, estimar a carga que eles irão absorver. Conforme indica
Pinheiro (1995), a área de influência de cada pilar pode ser obtida dividindo-se as distâncias
entre seus eixos em intervalos que variam entre 0,45ℓ e 0,55ℓ dependendo da posição do pilar na
estrutura, conforme o seguinte critério (ver figura 12):
 0,45ℓ: pilar de extremidade e de canto, na direção da sua menor dimensão;
 0,55ℓ: complementos dos vãos do caso anterior;
 0,50ℓ: pilar de extremidade e de canto, na direção da sua maior dimensão.

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Figura 12 – Áreas de influência de pilares (Fonte: Pinheiro, 1995)

A força normal ( N k ) atuante no pilar pode então ser estimada multiplicando-se a área de
influência do mesmo por uma um valor médio de carga considerada distribuída uniformemente
no pavimento. Nos edifícios de múltiplos pavimentos usuais, essa carga pode ser adotada entre
10 kN/m² a 12 kN/m².
Após avaliar a força nos pilares pelo processo das áreas de influência, é determinado o
coeficiente de majoração da força normal () que leva em conta as excentricidades da carga.
Bacarji (1993) recomenda adotar os seguintes valores para :
  = 1,8  para pilares internos;
  = 2,2  para pilares de extremidade;
  = 2,5  para pilares de canto.
Logo, a força normal utilizada para o pré-dimensionamento dos pilares é dada por:
Nd  β  n  Nk
onde n é o número de pavimentos acima da seção do pilar analisada.
Por fim, a área da seção transversal do pilar ( A c ) na fase de pré-dimensionamento pode
ser calculada por meio da seguinte expressão:
Nd
Ac 
0,85  f cd  ρ  σ s
onde:
f cd é a resistência de cálculo à compressão do concreto ( f cd  f ck 1,4 );
ρ é a taxa de armadura longitudinal total no pilar. Para efeito de pré-dimensionamento, pode-se
adotar valores em torno de 2%;
σ s é a tensão de compressão nas barras das armaduras para uma deformação de 0,2%. Em se
tratando de aço CA-50, essa tensão corresponde a 42 kN/cm².

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A menor dimensão permitida pela NBR 6118:2014 para pilares é de 19cm. Em casos
especiais, permite-se a consideração de dimensões entre 19cm e 14cm, desde que se
multipliquem as ações a serem consideradas no dimensionamento por um coeficiente adicional
 n , de acordo com o indicado na tabela 1. Entretanto, em nenhum caso, não se permite pilar com
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seção transversal de área inferior a 360 cm .

Tabela 1 – Valores do coeficiente adicional  n (Fonte: NBR 6118:2014)


b  19 18 17 16 15 14
n 1,00 1,05 1,10 1,15 1,20 1,25

sendo:
 n  1,95  0,05  b
b é a menor dimensão da seção transversal do pilar.
O coeficiente  n deve majorar os esforços solicitantes finais de cálculo nos pilares, quando de
seu dimensionamento.

5.5. Escadas
Um bom projeto de uma escada deve possibilitar que se gaste pouca energia ao subi-la e
garantir um conforto mínimo. Dessa maneira, além das normas, certas relações de geometria, já
consagradas, devem ser obedecidas.
A partir de um determinado número de degraus, recomenda-se 19, deve existir um plano
horizontal (patamar) que permita ao usuário descansar durante a subida. As dimensões dos pisos
e espelhos devem ser constantes em toda a escada, atendendo às seguintes condições:
25cm  p  32cm; onde (p) é o piso do degrau
16cm  e  19cm; onde (e) é o espelho do degrau
60cm ≤ p + 2e ≤ 64cm

Figura 13 – Características geométricas (NBR 9050:2004)

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A largura mínima recomendável para escadas fixas em rotas acessíveis é de 1,50m. Sendo
o mínimo admissível 1,20m para escadas em edifícios de apartamentos, de hotel e escritórios, e
0,80m para escadas de serviço. As escadas fixas devem ter no mínimo um patamar a cada 3,20 m
de desnível e sempre que houver mudança de direção. Entre os lances de escada devem ser
previstos patamares com dimensão longitudinal mínima de 1,20m.
A espessura (h) da laje da escada deve ser adotada de modo que não conduza à situação
de armadura dupla ou flechas excessivas (espessura insuficiente), e nem de armadura mínima
(espessura exagerada). O pré-dimensionamento pode ser feito em função do vão (L) da escada,
usando as informações indicadas na tabela 2 abaixo.

Tabela 2 – Espessura da laje em função do vão da escada


Vão da Escada (L) Espessura da laje (h)
L ≤ 3m 10cm
3m < L ≤ 4m 12cm
4m < L ≤ 5m 14cm

Figura 14 – Espessura da laje de escada

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVA, G. M. S. Concepção Estrutural de Edifícios em Concreto Armado. Santa Maria: UFSM,
2007.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118:2014. Projeto de
Estruturas de Concreto – Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2014.
BACARJI, E. Análise de Estruturas de Edifícios: Projeto de Pilares. Dissertação de Mestrado.
EESC-USP. São Carlos, 1993.
CORRÊA, M. R. S. Aperfeiçoamento de Modelos Usualmente Empregados no Projeto de
Sistemas Estruturais de Edifícos. Tese de Doutorado. EESC-USP. São Carlos, 1991.
GIONGO, J. S. Concreto Armado: Projeto Estrutural de Edifícios. São Carlos: EESC, 2005.
LONGO, H. I. Projeto de Estruturas de Edificações de Concreto Armado. Rio de Janeiro: UFRJ,
2003.
PINHEIRO, L. M. Noções Sobre Pré-dimensionamento de Estruturas de Edifícios. São Carlos:
EESC, 1995.

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