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Seminário Presbiteriano do Norte – SPN

Prof. Rev. Fúlvio Leite


T2 – Recife 25/04/18

A Graça Comum

Introdução e definição

Quando Adão e Eva pecaram, tornaram-se réus da punição eterna e da


separação de Deus (Gênesis 2:17). Do mesmo modo, hoje, quando os
seres humanos pecam, eles se tornam sujeito à ira de Deus e à punição
eterna: “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). Isso significa
que, uma vez que as pessoas pecam, a justiça de Deus requer somente
uma coisa — que elas sejam eternamente separadas de Deus, alienadas da
possibilidade de experimentar qualquer bem da parte dEle, e que elas
existam para sempre no inferno, recebendo eternamente apenas a Sua ira.
De fato, isso foi o que aconteceu aos anjos que pecaram e poderia ter
acontecido exatamente conosco também: “Pois Deus não poupou aos
anjos que pecaram, mas os lançou no inferno, prendendo-os em abismos
tenebrosos a fim de serem reservados para o juízo” (2 Pedro 2:4).

Mas, de fato, Adão e Eva não morreram imediatamente (embora a


sentença de morte começasse a ser aplicada na vida deles no dia em que
pecaram). A execução plena da sentença de morte foi retardada por
muitos anos. Além disso, milhões de seus descendentes até o dia de hoje
não morrem nem vão para o inferno tão logo pecam, mas continuam a
viver por muitos anos, desfrutando bênçãos incontáveis nesta vida. Como
pode ser isso? Como Deus pode continuar a conferir bênçãos a pecadores
que merecem somente a morte — não somente aos que finalmente serão
salvos, mas também a milhões que nunca serão salvos, cujos pecados
nunca serão perdoados?

A respostas a essas perguntas é que Deus concede-lhes graça comum.


Podemos definir graça comum da seguinte maneira: Graça comum é a
graça de Deus pela qual Ele dá às pessoas bênçãos inumeráveis que não
são parte da salvação. A palavra comum aqui significa algo que é dado a
todos os homens e não é restrito aos crentes ou aos eleitos somente.
Diferentemente da graça comum, a graça de Deus que leva pessoas à
salvação é muitas vezes chamada “graça salvadora”. Naturalmente,
quando falamos a respeito da “graça comum” e da “graça salvadora”, não
estamos sugerindo que há duas diferentes espécies de graça no próprio
Deus, mas apenas estamos dizendo que a graça de Deus se manifesta no
mundo de duas maneiras diferentes. A graça comum é diferente da graça
salvadora quanto aos resultados (ela não traz salvação), seus destinatários
(é dada aos crentes e descrentes igualmente) e sua fonte (ela não flui
diretamente da obra expiatória de Cristo, visto que a morte dEle não
obtém nenhuma medida de perdão para os descrentes e, portanto, nem os
crentes nem os descrentes fazem jus às suas bênçãos). Contudo, sobre o
último ponto, deve ser dito que a graça comum flui indiretamente da obra
redentora de Cristo, porque o fato de Deus não julgar o mundo assim que
o pecado entrou nele talvez seja apenas porque Ele planejou finalmente
salvar alguns pecadores por meio da morte de Seu Filho.

A esfera moral. Pela graça comum Deus também refreia as pessoas de


serem tão más quanto poderiam. Novamente o reino demoníaco,
totalmente dedicado ao mal e à destruição, proporciona um contraste
claro com a sociedade humana, na qual o mal é claramente refreado. Se
as pessoas persistem dura e repetidamente em seguir o pecado durante o
curso de sua vida, Deus finalmente as entregará ao maior de todos os
pecados (cf. Salmos 81:12; Romanos 1:24,26,28), mas no caso da maioria
dos seres humanos eles não caem nas profundezas às quais seus pecados
normalmente os levariam, porque Deus intervém e coloca freio na sua
conduta. Um refreamento muito eficaz é a força da consciência. Paulo
diz: “De fato, quando os gentios, que não têm a Lei, praticam
naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não
possuam a Lei; pois mostram que as exigências da Lei estão gravadas em
seu coração. Disso dão testemunho também a sua consciência e os
pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os” (Romanos
1:32). E em muitos outros casos, essa sensação interior da consciência
leva os indivíduos a estabelecer leis e costumes na sociedade que são, em
termos da conduta exterior que eles aprovam ou proíbem, totalmente
iguais às leis morais da Escritura. As pessoas muitas vezes estabelecem
leis ou têm costumes que respeitam a santidade do casamento e da
família, protegem a vida humana e proíbem o roubo e a falsidade no falar.
Por causa disso, elas muitas vezes seguem caminhos moralmente retos e
exteriormente andam conforme os padrões morais encontrados na
Escritura. Embora a conduta moral delas não possa ganhar méritos com
Deus, visto que a Escritura claramente diz que “diante de Deus ninguém é
justificado pela Lei” (Gálatas 3:11) e “Todos se desviaram, tornaram-se
juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um
sequer” (Romanos 3:12), contudo, em algum sentido menor que ganhar a
aprovação ou o mérito eterno de Deus, os descrentes realmente fazem “o
bem”. Jesus sugere isso quando diz: “E que mérito terão, se fizerem o
bem àqueles que são bons para com vocês? Até os 'pecadores' agem
assim” (Lucas 6:33).

Os meios pelos quais o pecado é refreado

Quais os meios pelos quais Deus refreia o pecado? Frequentemente se diz


que os seres humanos, por sua própria razão e vontade, estão capacitados
a refrear o pecado e a praticar certas virtudes. Esta foi, em geral, a
posição defendida pelos teólogos escolásticos. Tomás de Aquino, por
exemplo, cria que a razão do homem é capaz de controlar suas paixões
inferiores. Embora possa haver alguma verdade nessa ideia, ela deve ser
considerada deficiente por, no mínimo, duas razões. Primeira, ela é
individualista demais – se refreia mais o pecado pela coação social do
que pelo raciocínio de um indivíduo.

Como se demonstrou acima,25 muitas vezes, usamos nossa razão


simples-mente para justificar as coisas erradas que queremos fazer, um
processo que os psicólogos chamam de racionalização. A razão, portanto,
pode ser usada tanto para defender uma ação má como para evitá-la. Um
trapaceiro esperto é realmente mais perigoso do que um tolo.

Um importante meio pelo qual Deus refreia o pecado naqueles que não
são seu povo é pela revelação geral, que tem um impacto sobre a
consciência de cada ser humano. A revelação geral é um termo teológico
que quer dizer a revelação que Deus faz de si mesmo por meio da
natureza, dirigida a toda a humanidade e cujo objetivo é a revelação de
suficiente conhecimento de Deus para tornar homens e mulheres
indesculpáveis quando não servem nem glorificam a Deus. Em sua carta
aos Romanos, Paulo descreve o papel da revelação geral no refreamento
do pecado:
Quando, pois, os gentios que não têm lei, procedem, por natureza, de
conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos.
Estes mostram a norma de lei gravada nos seus corações,
testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos,
mutuamente acusando-se ou defendendo-se (Rm 2.14-15).

Os gentios, ao contrário dos judeus que pertencem ao povo do pacto com


Deus, não têm lei – isto é, não têm a lei de Moisés e estão vivendo fora da
esfera da revelação da graça salvadora de Deus encontrada nas Escrituras.
O que Paulo quer dizer quando diz que naquele tempo tais gentios
“procedem por natureza de conformidade com a lei” (ta tou nomou, lit.
“as coisas da lei”)? Não diz que esses gentios são capazes de guardar a lei
por um motivo interior de amor a Deus e com o propósito de glorificar a
Deus. Primeiro, ressalta que os gentios fazem coisas requeridas pela lei –
enfatiza, portanto, ações exteriores e não alguma motivação interior.

Segundo, Paulo não diz que eles guardam a lei (o que requereria
conformidade interior tanto quanto exterior à lei) mas, apenas, que eles
fazem as coisas da lei, isto é, que fazem certas coisas exteriores prescritas
pela lei. Terceiro, diz que eles fazem as coisas requeridas pela lei por
natureza (phusei). A expressão por natureza descreve esses gentios como
eles são em si mesmos, à parte da graça rege-neradora e santificadora de
Deus. Mas as Escrituras ensinam claramente que, sem a graça
regeneradora, ninguém pode sequer começar a guardar a lei de Deus em
seu sentido interior (ver, por exemplo, Rm 8.7-8). Por conseguinte, o que
esses gentios são capazes de fazer por natureza necessaria-mente exclui a
possibilidade de verdadeira obediência interior à lei, reve-lando um tipo
de obediência que não é movida pelo amor a Deus, mas que apenas se
conforma exteriormente a certos preceitos da lei.

Literalmente traduzidas, as palavras leem: estes, não tendo lei, são para
si mesmos lei (houtoi nomon me echontes heautois eis in nomos). Em
outras palavras, embora esses gentios não tenham a lei de Moisés, há
dentro deles uma lei que eles devem reconhecer; nós podemos chamar
isso, se quisermos, de lei natural. Essa lei é o impacto da revelação geral
de Deus sobre a consciência deles. A evidência para isso é que eles
mostram a norma da lei [to ergon tou nomou, lit., “a obra da lei”] gravada
nos seus corações (v. 15). Paulo não diz que esses gentios revelam a lei
escrita em seus corações, como se diz do povo de Deus redimido (Jr
31.33), mas que eles mostram a obra da lei escrita em seus corações.
Sempre que os gentios fazem por natureza as coisas requeridas pela lei,
Paulo diz aqui, eles mostram que há em seus corações um efeito
produzido pela lei que os faz reconhecer certos tipos de conduta exterior
como boas e alguns outros tipos como más. Que lei é esta? A lei expressa
na revelação geral de Deus, que até aos gentios ensina que há uma
diferença entre certo e errado, e que o errado é punido e o certo é
recompensado.

Na última parte do verso 15, Paulo nos diz que esses gentios também
possuem uma consciência que julga seus atos à luz dos padrões morais
que eles reconhecem. Dessa forma, a consciência deles revela o impacto
da revelação geral de Deus sobre eles.

Dessa passagem, aprendemos que os gentios são capazes por natureza de


certa conformidade exterior à lei de Deus por causa do impacto da
revelação geral de Deus sobre a sua consciência. Essa conformidade
exterior, sem dúvida, não deve ser confundida com aquela obediência à
lei de Deus da qual mesmo os crentes possuem apenas um pequeno
começo, mas indica que, por meio da revelação geral, Deus restringe o
pecado na vida daqueles que não são seu povo.

Os Cânones de Dort, um credo calvinista adotado pelo Sínodo Holandês


de Dordrecht (1618-1619), confessaram esse refreamento do pecado
pela revelação geral de Deus numa afirmação que ecoa Romanos 2.14-15.
Ao invés de falar a respeito da revelação geral, contudo, os Cânones
mencionam “a luz da natureza”, sem dúvida indicando que essa luz está
disponível a todo ser humano. O artigo atesta não só o fato de que mesmo
pessoas irregeneradas são capazes de certa “virtude e disciplina exterior”
(supondo, dessa forma, um certo refreamento do pecado), mas também a
insuficiência espiritual de semelhante conduta e a perversão dessa luz
natural pelo ser humano pecador:
Resta no homem, após a Queda, sem dúvida, uma certa luz da natureza
[lumen ali- quod naturae] por meio da qual ele conserva certas ideias a
respeito de Deus [notitias quasdam de Deo], das coisas naturais, da
distinção entre o que é digno e o que é indigno, e mostra algum zelo por
virtude e disciplina exterior [aliquod virtutis ac disciplinae externae
studium ostendit]. Tão longe está essa luz da natureza, contu- do, de
possibilitar que ele chegue ao conhecimento salvífico de Deus [ad
salutarem Dei cognitionem] e dele se converter a Deus que nem sequer a
usa corretamente nos assuntos naturais e civis. Ao contrário, ele a
corrompe totalmente – ainda que ela não fosse perfeita – de muitas
formas, suprimindo-a pela injustiça. Ao fazer isso, ele torna-se
indesculpável diante de Deus.26

Um outro meio pelo qual Deus refreia o pecado na vida humana é por
meio dos diferentes tipos de punição ao erro impostas pelo governo
humano por meio de leis, códigos de conduta e medidas coercitivas pelas
quais se faz cumprir essas leis. Esse ponto já foi comentado acima.

Berkouwer menciona um terceiro meio pelo qual o pecado é refreado na


sociedade humana, que ele chama de mede-menselijkheid. Esse termo é
difícil de traduzir; literalmente, traduz-se “co-humanidade”, mas talvez
fosse melhor traduzido como “relacionamentos sociais”. O que
Berkouwer quer dizer é isto: uma vez que o homem nunca existe em
isola-mento, mas sempre inserido em determinada relação com outros
seres humanos, seu pecado é refreado por esse relacionamento. Por
exemplo, muitas vezes deixamos de cometer um erro que porventura
estivéssemos inclinados a cometer porque somos casados com alguém a
quem tal ato mago-aria, ou porque nossa má ação poderia fazer nossos
filhos sofrerem, ou, talvez, porque envergonhariam nossos pais. Somos,
algumas vezes, impedidos de pecar porque temos vizinhos e colegas de
trabalho que observam atentamente as nossas ações, e porque gozamos de
uma boa reputação entre os que convivem conosco a desejamos mantê-la.
Deixamos de fazer coisas más porque temos amigos que ficariam
profundamente ofendidos por tal conduta de nossa parte. Todavia, como
Berkouwer nos adverte, esse vínculo social nem sempre evita que
pequemos, visto que, algumas vezes, toda a sociedade em que vivemos
pode ser tão corrupta a ponto de exercer uma influência negativa sobre
nós. Temos em mente, por exemplo, o modo como o povo da Alemanha
(com algumas exceções memoráveis) cegamente seguiu seu Fuhrer
[Guia] em seu programa demoníaco de assassínio e destruição durante os
anos da guerra nazista.

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