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Liter a t u r a

brasi l e i r a
e v i s ã o
Caderno de r
o f e s s o r
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d u c a d o r,
P rezado e n o s d e todo o B
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d e q u a se um sé u m a p a rceria efe o b je t iv o constan
Ao longo raiva Nosso on-
co m a E ditora Sa b o a q u alidade. a m a te r iais que c
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têm man t ic a s acessíveis d e g a r antir o ac ã o e a realizaçã
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p a r a o bom des ia n ç a s e v o c ê e s te Cader -
tribuam c ia l d e nossas cr p r e s e n tamos a a o p e r ío do de pre
te n nção, a apoio os
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u r a n t e o curso. Se a in d is pensável
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didáticas E d u c a e em n p e c ia lmente p o s p a ra a nova
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portal Sa r e c u rsos pen jo v e ns bem p
d e s alun o s ,
conjunto e de seu ásica.
e s a u la s a l d a E d ucação B
melhor hega com
o fin Os autore
s
a q u e c
de vid
trabalho!
Um bom
Sumário

Trovadorismo/Humanismo  4

Classicismo/Luís de Camões  11

Quinhentismo e Barroco  18

Arcadismo  26

Ideais românticos/Romantismo em Portugal  34

Romantismo no Brasil  39

A prosa romântica brasileira  48

Realismo  53

Naturalismo/Parnasianismo/Simbolismo  60

Vanguardas/Pré-Modernismo/Modernismo português  68

Semana de Arte Moderna/Primeira geração modernista  79

Segunda geração modernista  87

Terceira geração modernista  98

Tendências contemporâneas  108

3
d o r i s m o /
Tro v a
n i s m o
Huma

1. O Trovadorismo me foi a mi mui mal,


e vós, filha de don Paai
Na Idade Média, a produção literária so- Moniz, e ben vos semelha
freu forte influência da religião, que marcou a d’haver eu por vós guarvaia,
cultura europeia com uma visão teocêntrica
do mundo. pois eu, mia senhor, d’alfaia
A literatura medieval portuguesa tem sua nunca de vós houve nen hei
origem no século XII e não só é marcada pela valia d’ ua correa.
presença de poemas de natureza sentimental, Paio Soares de Taveirós
apelos amorosos, paixões não correspondidas,
como também por sátiras.
CANTIGA DE AMIGO
No Trovadorismo, música e poesia comple-
mentam-se, daí a designação de cantigas às De origem ibérica, as cantigas de amigo
composições desse período. eram escritas por homens; entretanto, tinham
eu lírico feminino: mulher ingênua, do povo,
CANTIGA DE AMOR casadoira, que se queixa com a mãe, com as
De origem provençal, a cantiga de amor amigas ou com os seres da natureza da sauda-
retrata a vida da corte, o que lhe confere um ar de que sente do amado que partiu e ainda não
refinado e culto. Tipicamente urbana, tem sua voltou, como havia prometido. Leia o excerto
temática centralizada na coita d’amor, ou seja,
a seguir:
no sofrimento de um homem pelo amor não
correspondido de uma mulher. Portanto, o eu — Ai flores, ai flores do verde pino,
lírico é masculino.
se sabedes novas do meu amigo!
O trecho a seguir é de Cantiga da Ribeiri-
ai, Deus, e u é? […]
nha, primeira obra em língua portuguesa:
Se sabedes novas do meu amado,
No mundo non me sei parelha,
aquel que mentiu do que me á jurado!
mentre me for como me vai,
ai, Deus, e u é?
ca já moiro por vós — e ai!
D. Dinis (trecho)
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia Cantigas de escárnio e de maldizer
quando vos eu vi en saia! A cantiga de escárnio faz uma crítica indi-
Mao dia me levantei, reta, de forma irônica, sem aludir ao nome da
que vos enton non vi fea! pessoa criticada; a terminologia é elegante e
E, mia senhor, dês aquel di’, ai! discreta, e a crítica fica subentendida.

4 Caderno de Revisão Literatura – Setup - 5a Prova


Na cantiga de maldizer, a pessoa critica- A HISTORIografia DE FERNÃO LOPES
da é literalmente citada; a terminologia é vul- A historiografia portuguesa surge com os
gar, às vezes de baixo calão, e a crítica é direta. nobiliários (ou livros de linhagem), obras que
Leia um trecho de uma cantiga de escárnio se prestavam simplesmente a traçar a genea-
e de uma de maldizer, respectivamente. logia das famílias nobres. O cronista Fernão
Lopes mudou esse conceito ao produzir uma
Ai dona fea! foste-vos queixar historiografia em forma de crônicas intencional-
porque vos nunca louv’en meu trobar mente artísticas. Em 1434, ele recebe a missão
mais ora quero fazer un cantar de escrever a história dos reis de Portugal. Sua
en que vos loarei toda via;
capacidade crítica e a meticulosidade documen-
tal deram um valor inestimável a seu trabalho.
e vedes como vos quero loar:
A Crônica d’el-rei d. Pedro, a Crônica d’el-rei
dona fea, velha e sandia! d. Fernando e a Crônica d’el-rei d. João I são obras
[…] comprometidas com a arte e a história.
João Garcia de Guilhade
A POESIA PALACIANA
Martim jogral, que defeita, Embora a chamada poesia palaciana te-
sempre convosco se deita nha tratado de numerosos temas, nela a temá-
tica amorosa ganhou nova abordagem: a súplica
vossa mulher!
pungente da poesia medieval deu lugar a um
Vedes-me andar suspirando; texto em que a mulher é tratada com mais inti-
e vós deitado, gozando midade; deixou-se de lado a veneração platônica
vossa mulher! e a imagem idealizada, próprias dos trovadores;
Do meu mal não vos doeis; houve a separação entre a música e o texto.
morro eu e vós fodeis
A produção palaciana foi reunida no
vossa mulher!
Cancioneiro geral, publicado por Garcia de
João Garcia de Guilhade Resende em 1516, obra que coleta mais de
mil poemas, de 300 autores.

2. O Humanismo A inovação também repercutiu nos aspec-


tos formais da poesia — por exemplo, quanto
No Humanismo, a posição servil diante da ao número de sílabas métricas dos versos.
Igreja é abandonada em nome da valorização O uso da redondilha maior dá ao poema um
dos estudos da Antiguidade clássica e do pri- ritmo mais ágil e facilita a memorização.
vilégio da razão. Assim, o antropocentrismo
substitui o teocentrismo.
O HUMANISMO EM PORTUGAL
3. Vida e obra de Gil
Cronologicamente, o Humanismo português Vicente
praticamente coincide com o período das gran- Gil Vicente legou uma vasta obra, cujo
des navegações. Compreende-se entre 1434 marco inicial foi a peça Auto da visitação (ou
(quando Fernão Lopes é escolhido para o cargo Monólogo do vaqueiro), de 1502, uma home-
de cronista-mor do reino) e 1527 (quando Sá nagem à rainha d. Maria pelo nascimento
de Miranda retorna da Itália, trazendo novas de d. João III. Como não se conhecem autores
tendências estéticas, aprendidas com os auto- teatrais portugueses ante­riores a Gil Vicente,
res renascentistas italianos). ele é considerado “o pai do teatro português”.

5
Sua obra mostra traços da influência do tea- a) As cantigas de amor se caracterizam por
tro medieval, que tratava de temas religiosos. apresentar eu lírico masculino, apaixonado
Apesar de viver em pleno período renascen- por uma mulher inacessível, pois ela per-
tista, Gil Vicente esteve ligado às concepções tence a uma classe superior à sua.
cristãs da vida. b) As cantigas de amigo, apesar de terem sido
Gil Vicente tratava os temas universais escritas por homens, apresentam eu lírico
com simplicidade, sem perder a autenticidade feminino, sofrendo pela ausência de seu
crítica, testemunhando seu senso artístico em namorado.
perfeita sintonia com o público. Não mostrava X c) As cantigas de maldizer se caracterizam
apenas uma visão da sociedade, mas um re- por apresentar uma sátira indireta, sutil,
trato do homem em sua totalidade. irônica, evitando citar o nome da pessoa
Os autos e as farsas vicentinos eram volta- satirizada.
A afirmação dessa alternativa refere-se às cantigas de escárnio.
dos à edificação do homem e à subordinação a d) Nas cantigas de amor o cenário é cortês,
princípios divinos. local onde vive a sua senhora.
Sua obra é dividida em:
e) Nas cantigas de amigo o estribilho ou re-
• Autos pastoris: influência do dramaturgo frão e o paralelismo são frequentes.
castelhano Juan del Encina.
• Autos de moralidade: Auto da alma e Tri-
logia das barcas (Auto da barca do inferno, 2 Leia o texto a seguir para responder à questão.
Auto da barca da glória e Auto da barca do Estava a formosa seu fio torcendo
purgatório).
(paráfrase de Cleonice Berardinelli)
• Farsas: presença de tipos populares e temas
ligados aos costumes e problemas morais da Estava a formosa seu fio torcendo,
sociedade, como a Farsa de Inês Pereira e Sua voz harmoniosa, suave dizendo
O velho da horta. Cantigas de amigo.
Como todo artista de um período de transi-
ção, Gil Vicente caminhou entre duas vertentes,
ora vestindo a roupagem do teatro medieval Estava a formosa sentada, bordando,
(com uma visão moralista e religiosa), ora de- Sua voz harmoniosa, suave cantando
monstrando a vitalidade característica de uma Cantigas de amigo.
vanguarda (como a crítica social).
Outra característica marcante do Huma-
— Por Jesus, senhora, vejo que sofreis
nismo, presente na obra de Gil Vicente, é a
batalha pela recuperação dos preceitos origi- De amor infeliz, pois tão bem dizeis
nais do cristianismo, deturpados pelo clero do Cantigas de amigo.
século XVI.
O teatro vicentino também se caracterizou — Por Jesus, senhora, eu vejo que andais
por desconsiderar a divisão em classes sociais,
Com penas de amor, pois tão bem cantais
trazendo para o centro do palco pobres e ricos,
plebeus e nobres. Cantigas de amigo.

ATIVIDADES —A
 butre comestes, pois que
adivinhais.
In: BERARDINELLI, Cleonice. Cantigas
1 Sobre as cantigas medievais, assinale a alterna- de trovadores medievais em português
tiva incorreta: moderno. Rio de Janeiro: Simões, 1953.

6
No referido auto, só são absolvidas as almas dos cavaleiros cristãos, que
lutaram nas guerras santas, e o parvo que, se errou, não foi por mal.
O paralelismo é um dos recursos estilísticos X e) no Auto da barca do inferno, Gil Vicente cri-
mais comuns na poesia lírico-amorosa trovado- tica a nobreza e os comerciantes; entretan-
resca. Consiste na ênfase de uma ideia central, to, defende a Igreja e os magistrados.
às vezes repetindo expressões idênticas, pala-
vra por palavra, em séries de estrofes paralelas. 4 Leia o texto a seguir, retirado do Auto da barca
Com base nessas observações, releia o texto e do inferno de Gil Vicente, e responda ao que se
pede:
responda:
Onzeneiro: ­— Eu para o Paraíso vou.
a) O poema estrutura-se em quantas séries de
Anjo: — Pois quanto mui fora estou
estrofes paralelas? Identifique-as.
de te levar para lá:
O
 poema estrutura-se em duas séries de estrofes paralelas. essa outra te levará; vai para
A
 primeira é composta pelas duas primeiras estrofes, e a quem te enganou.
segunda, pelas duas estrofes finais do poema. Onzeneiro: — Por quê?

Anjo: — Porque esse bolsão

tomará todo o navio.
 Onzeneiro: — Juro a Deus que vai vazio!
 Anjo: — Não já no teu coração.
Onzeneiro: — Lá me ficam de roldão
b) Que ideias centrais são enfatizadas em cada
vinte e seis milhões
série paralelística?
numa arca.
A
 primeira série enfatiza a figura da mulher em seus Diabo: — Pois que juros tanto abarca,
afazeres
 domésticos de costura e bordado, e a segunda não lhe deis embarcação.
concentra-se
 em seu sofrimento amoroso. a) Por que o Onzeneiro é impedido de entrar
na barca do Anjo? Transcreva do texto a ex-

pressão que indica o motivo.

O
 Onzeneiro é impedido de entrar na barca do Anjo porque
leva
 um bolsão de dinheiro. Apesar de o bolsão estar vazio,
3 Sobre Gil Vicente, é incorreto afirmar que: ele
 não esquece que deixou para trás “vinte e seis milhões
a) apesar de sua formação teológica, atacou a numa arca”. A expressão que indica o motivo é “Porque esse

sociedade da época para conscientizá-la e
bolsão/tomará
 todo o navio”.
reaproximá-la de Deus.

b) para construir as suas comédias, tomou
como referência o seguinte lema em latim: 

ridendo castigat mores, “rindo, castigam- 


se os costumes”. b) Por que o Anjo diz ao Onzeneiro que ele
c) sua produção teve início em 1502 ao re- deve ir para quem o enganou? A quem se
presentar para os reis portugueses a peça refere o Anjo com o pronome grifado?
O monólogo do vaqueiro ou o Auto da O
 Anjo refere-se ao Diabo, porque teria corrompido o Onze-
visitação, em homenagem ao futuro rei, neiro para que, em vida, se tornasse ganancioso e avarento.

d. João III.

d) no Brasil, vários foram os autores influen-

ciados por Gil Vicente, dentre eles, o padre

José de Anchieta, o poeta João Cabral de
Melo Neto e o teatrólogo Ariano Suassuna. 

7
1. A
 prosa medieval é constituída por: hagiografia (biografia de santos – vida e milagres); nobi-
liário (livro contendo uma lista com nomes de pessoas pertencentes à nobreza) e novela de
cavalaria (narrativa sobre os feitos heroicos dos cavaleiros cristãos medievais).
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES so aqueste ramo so lo que nós bailemos
verrá bailar.

1 Assinale a alternativa incorreta com relação ao Aires Nunes. In: SPINA, Segismundo. Presença da
literatura portuguesa — Era medieval. São
Trovadorismo:
Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1966.
a) O pensamento da época era teocêntrico, isto
é, tinha Deus como o centro do Universo.
Confessor medieval
b) A língua adotada na época trovadoresca era o
galego-português, originário da Galiza, na Irias à bailia com teu amigo,
península Ibérica. S e ele não te dera saia de sirgo? (sirgo =
seda)
c) As cantigas de amor exploram o amor platô-
nico, já que o eu lírico é um homem apaixo-
nado por uma mulher inacessível. Se te dera apenas um anel de vidro
d) As cantigas líricas e satíricas foram organi- Irias com ele por sombra e perigo?
zadas nos cancioneiros.
X e) O Trovadorismo foi um movimento exclusi- Irias à bailia sem teu amigo,
vamente poético, não dando qualquer es- Se ele não pudesse ir bailar contigo?
paço para a prosa.
Irias com ele se te houvessem dito
2 (Vunesp) Que o amigo que amavas é teu inimigo?
Cantiga
Sem a flor no peito, sem saia de sirgo,
Bailemos nós já todas três, ai amigas,
Irias sem ele, e sem anel de vidro?
so aquestas avelaneiras frolidas,
e quen for velida, como nós, velidas,
Irias à bailia, já sem teu amigo,
se amig’ amar,
E sem nenhum suspiro?
so aquestas avelaneiras frolidas
MEIRELES, Cecília. Poesias completas de
verrá bailar. Cecília Meireles. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 1974.

Bailemos nós já todas três, ai irmanas, Tanto na cantiga como no poema de Cecília Mei-
reles, verificam-se diferentes personagens: um eu
so aqueste ramo destas avelanas,
lírico que assume a palavra e um interlocutor (ou
e quem for louçana, como nós, louçanas, interlocutores) a quem se dirige a palavra. Com
se amig’ amar, base nessa informação, releia os dois poemas e
so aqueste ramo destas avelanas faça o que se pede:
verrá bailar. a) Indique o interlocutor ou interlocutores do
eu lírico em cada um dos textos.
Os interlocutores, no primeiro texto, são as duas amigas do
Por D
 eus, ai amigas, mentr’al non
fazemos, eu lírico feminino. No segundo texto, o eu lírico dirige-se a

so aqueste ramo frolido bailemos uma jovem apaixonada.

e quen ben parecer, como nós 

parecemos 

se amigo amar, 

8
b) Identifique, em cada poema, com base na da
 Mata, um escudeiro oposto a Pero Marques, isto é, pobre e
flexão dos verbos, a pessoa gramatical utili-
esperto.
 Prometendo uma vida de festa à moça, Inês aceita se
zada pelo eu lírico para dirigir-se ao interlo-
cutor ou interlocutores. casar
 com ele. Triste engano, sua vida passou a ser pior que a de

O primeiro texto utiliza a primeira pessoa do plural para solteira.


 Trancafiada em casa, Inês era também maltratada pelo

dirigir-se aos interlocutores. O segundo utiliza a segunda marido.


 Por sorte, Brás da Mata morre, covardemente, em com-

pessoa do singular para dirigir-se ao interlocutor. bate.


 Viúva, Inês aceita se casar com o primeiro pretendente, por

 dois
 motivos: era rico e fácil de ser enganado.

 
 



Leia os textos a seguir para responder às ques-
tões 5 e 6.
3 Sobre a prosa medieval, em especial as novelas
de cavalaria, é incorreto afirmar que: Texto I
a) os hagiógrafos eram aqueles que escre-
Anjo: Tu passarás, se quiseres;
viam sobre a vida e milagres dos santos.
porque não tens afazeres,
b) nos livros de linhagem (ou nobiliários)
constavam listas com nomes de pessoas por malícia não erraste;
pertencentes à nobreza. tua simpleza te baste
c) as novelas de cavalaria narravam as aven- para gozar dos prazeres.
turas heroicas dos cavaleiros cristãos.
Espera, no entanto, aí:
d) no ciclo bretão, o destaque ficou para A de-
manda do Santo Graal, narrando as aven- veremos se vem alguém
turas dos cavaleiros da távola redonda. merecedor de tal bem
X e) no ciclo carolíngeo, temos as aventuras dos que deva de entrar aqui.
heróis da cultura helênica.
O ciclo carolíngeo refere-se aos cavaleiros do rei Carlos Mag-
no. Já os da cultura helênica pertencem ao ciclo clássico.
Texto II
4 Para construir a Farsa de Inês Pereira, Gil Vicente Tornaram a prosseguir, cantando, seu ca-
baseou-se no seguinte mote: “Mais quero um
asno que me carregue do que um cavalo que minho direito à barca da Glória, e tanto que
me derrube”. Comente, sucintamente, a peça, chegam diz o Anjo:
tomando como referência o provérbio citado.
Ó Cavaleiros de Deus,
A
 peça farsesca gira em torno do seguinte enredo: Inês Pereira,
a vós estou esperando,
cansada
 de sua vida monótona, resolve se libertar por meio
que morrestes pelejando
do
 casamento. Para tanto, sua mãe contrata uma alcoviteira, por Cristo, Senhor dos Céus!
por
 nome Lianor Vaz, para encontrar um marido para a filha. É Sois livres de todo o mal,
apresentado
 a ela Pero Marques, homem rico, porém tolo. Não mártires da Madre Igreja,
satisfeita,
 Inês o dispensa. Ela, na verdade, queria um marido que quem morre em tal peleja,
que
 a levasse para festas e que soubesse tocar e dançar. Dois merece paz eternal.
judeus
 casamenteiros, Vidal e Latão, apresentam a ela Brás E assim embarcam.

9
5 No primeiro texto, o Anjo dirige-se a Joane, o 6 No segundo texto, o Anjo se dirige a quatro ca-
parvo. valeiros cruzados.
a) Por que o Anjo permite que Joane embar- a) Segundo o Anjo, por que os cavaleiros me-
que junto com ele? Em que se baseia o jul- recem seguir na sua barca?
gamento do Anjo para permitir que ele vá Segundo o Anjo, os cavaleiros merecem embarcar porque

para o céu?
morreram
 lutando por Cristo e são mártires da Igreja.
O
 Anjo permite que Joane embarque porque ele não

pecou
 conscientemente ou por malícia. Joane é um tolo,

falta-lhe
 capacidade intelectual. O perdão divino resulta da
b) Ao comparar os dois textos, percebe-se que,
afirmação
 bíblica de que “dos tolos será o reino dos céus”.
no primeiro, o perdão decorre da inocência
 da personagem e, no segundo, os cavaleiros
 ganharão a paz eterna em decorrência de
serviços prestados à Igreja, ainda que te-

nham conscientemente pecado ao tirar as
 vidas de seus inimigos. Explique a aparente
 incoerência do Anjo ao julgar os merecedo-
res de acompanhá-lo em sua barca.

O
 comportamento do Anjo seria justificado, no primeiro
b) Por que o Anjo afirma que Joane não errou
caso,
 pelo fato de que o perdão pela inocência decorre de
por malícia?
inconsequência
 da personagem Joane, uma vez que é um
Joane
 não tinha inclinação para fazer o mal. Suas atitudes
indivíduo
 tolo ou idiota. Seu vocabulário chulo decorre da
resultam
 de sua completa incapacidade de separar o certo
falta
 de malícia. No segundo caso, os cavaleiros consciente-
do
 errado.
mente
 mataram durante suas ações contra os seus inimigos
 e mereceram o castigo. Entretanto eles mataram e morre-
 ram em nome da Igreja, o que, segundo a maneira de julgar

 do
 Anjo, torna cada um deles merecedor do perdão (“Sois
 livre
 de todo o mal”) e da paz divina (“que quem morre em

 tal
 peleja, merece paz eterna”). O Anjo traduz a visão religio-

 sa
 do próprio autor e da Igreja católica.

 

10