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Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

Escola de Administração – EA
Cursos de Especialização EAD – UAB/CAPES

Seminário de Metodologia da Pesquisa – aspectos operacionais para


elaboração do TCC

Elaboração:
Prof. Fernando Dias Lopes

Porto Alegre, setembro de 2011.


APRESENTAÇÃO

Esta apostila objetiva apresentar de forma bastante sintética elementos


para discussão metodológica dos trabalhos de conclusão do curso de
especialização em Gestão Municipal. Seu conteúdo foi desenvolvido de forma
sintética, operando como um guia prático para o aluno. As referências
indicadas ao longo do texto propiciarão as condições para aprofundamento de
cada elemento discutido na apostila.

Faz-se importante que o aluno aprofunde e se aproprie efetivamente


desses conteúdos, garantindo assim a realização de um trabalho articulado,
coerente com uma perspectiva acadêmica e ao mesmo tempo capaz de
produzir conhecimento empírico para orientar suas práticas profissionais.

Finalmente, destaco que esse material é provisório e sua ampliação


ocorrerá a partir das necessidades percebidas ao longo do processo de
orientação. Nesse sentido, ao longo das orientações, a partir das
especificidades evidenciadas no processo de orientação, vamos disponibilizar
novos materiais e esclarecimentos sobre os diferentes tópicos constituintes do
trabalho.
I – MODALIDADES DE TRABALHO

A equipe de coordenação dos três cursos UAB da Escola de


Administração, definiu duas opções de trabalho de conclusão, uma monografia
no padrão acadêmico tradicional e um relatório de experiência na área de
gestão pública municipal, gestão pública e gestão em saúde. Cabe ressaltar
que ambos necessariamente terão como elemento fundamental uma reflexão
teórica sobre a realidade, sendo que o relatório de experiência se destaca pela
ênfase na descrição do fenômeno, nas proposições de intervenção ou mesmo
no relato de uma intervenção conduzida pelo próprio acadêmico. Ambos os
formatos deverão seguir normas técnicas, devendo estar necessariamente
relacionados com conteúdos trabalhados ao longo das disciplinas do
curso.

1 - TCC TRADICIONAL – ênfase na contribuição acadêmica do trabalho

Existem diferentes estruturas de trabalho científico, o que pode ser


decorrente da área de conhecimento, do tipo de pesquisa e da origem de
formação de quem elabora o material. No entanto, existe um conjunto de
elementos que deve estar invariavelmente presente em qualquer trabalho
científico, tais como: um problema de pesquisa, objetivos gerais e específicos,
justificativa, revisão da literatura/fundamentação teórico-empírica, metodologia,
apresentação dos resultados, conclusões e recomendações e referências
bibliográficas. Assim, nem todo estudo precisa ter hipóteses para teste, nem
todo estudo precisa definir amostra e população ou mesmo pautar-se em
dados obtidos através de questionários ou entrevistas. Tudo dependerá da
natureza do problema, o qual indicará o tipo e natureza de pesquisa mais
adequada (qualitativa, quantitativa, qualitativa e quantitativa, exploratória,
descritiva, experimental, estudo de caso, survey, etc...).

1.1 – A estrutura do TCC

Primeiramente é necessário fazer o planejamento da pesquisa, ou seja,


elaborar um projeto, de forma a ter maior controle sobre o andamento da
pesquisa, bem como para avaliar sua viabilidade no tempo disponível ao
pesquisador. Assim, são passos fundamentais para o desenvolvimento da
pesquisa:

a) Definir o tema
b) Definir o problema de pesquisa
c) Revisar a literatura
d) Definir os métodos e procedimentos da pesquisa
e) Coletar os dados
f) Analisar os dados e chegar às conclusões
g) Elaborar o relatório final

É importante lembrar que um projeto de pesquisa tem de responder às


seguintes perguntas (FRACASSO, 2011):

 O que? (tema, problema)

 Por que? Definição do problema

 Para que? Objetivos e justificativa

 O que se sabe? Revisão Bibliográfica

 Como? Método e procedimentos

 Quando? Cronograma

 Quanto? Orçamento

1 .2 – A ESCOLHA DO TEMA DE PESQUISA

Quando iniciamos um curso (uma graduação, especialização, mestrado


ou doutorado) uma enorme quantidade de idéias vem a nossa mente para ser
trabalhada. Muitas vezes queremos resolver os problemas do mundo com
nosso trabalho. No entanto, o trabalho deve ser pensado dentro dos nossos
recursos disponíveis, do tempo para sua finalização, do nosso background
acadêmico e em congruência com os propósitos do curso a que estamos
vinculados. Não podemos pensar em escrever uma monografia em três meses
sobre a vida e obra de Platão ou sobre o efeito da trajetória dos novos
planetas, pois no primeiro caso faz-se fundamental o conhecimento da filosofia
grega e das obras de Platão, além de não ter relação com os propósitos do
curso. Claro que isso não significa que aspectos da obra de Platão não possam
ser o elo para entender a gestão pública municipal, o que seria coerente
quando tratamos de questões de cidadania e democracia. No segundo caso, o
background acadêmico de física seria indispensável e sua ligação com os
propósitos do curso é pouco provável.

Ao iniciar a escolha do tema, sugerimos que pense em fenômenos da


gestão pública municipal que despertaram seu interesse e que você tenha
proximidade prática, ou seja, procure temas que você tenha acessibilidade aos
dados, curiosidades ou questionamentos sobre as práticas vigentes ou
possibilidades de contribuições. Outro aspecto importante consiste em aliar a
análise de fenômenos que você possa combinar conhecimento consolidado da
sua própria formação (direito, pedagogia, administração, economia,
engenharia, enfermagem, medicina, etc...).

Faça uma lista de temas de interesse e discuta com colegas,


profissionais, além de buscar informações prévias sobre o conhecimento
existente sobre os temas de seu interesse. Isso o ajudará a fazer a melhor
escolha. A escolha do tema pressupõe leituras e reflexões. Por exemplo, se
tiver como temática a qualidade de vida e o programa bolsa família, procure
saber que estudos e teorias existem sobre qualidade de vida e reúna material
que explique o programa bolsa família, tais como sua origem, a história de
criação do programa, experiências similares em outros países, etc... Se você
pensa em escrever sobre planejamento estratégico e responsabilidade fiscal,
busque entender quais as teorias ou modelos de planejamento vem sendo
aplicados na administração pública, quais as questões que vem sendo
levantadas sobre essa temática e que estudos já existem sobre a relação entre
planejamento e lei de responsabilidade fiscal.

Fracasso (2011) destaca como fontes de idéias de pesquisa::


 Material escrito

 Livros, revistas, periódicos, dissertações

 Teorias

 Resultados de pesquisas

 Experiências individuais

 Conversas pessoais, entrevistas, aulas

 Observações

 Crenças ou pressentimentos

Além disso, a autora acrescenta que:

 Idéias iniciais são vagas e amplas

 Temas não investigados são mais difíceis de definir

 Bons temas:

 Interessam ao pesquisador

 Não são necessariamente novos mas têm um enfoque diferente -


novos contextos, novas situações

Finalmente, o tema leva ao título da Monografia.

1. 3 – DEFINIR O PROBLEMA DE PESQUISA

O tema é sempre mais amplo e assim o problema consiste em


especificar, dentro da temática, que aspecto você vai se concentrar no estudo.
Dentro da temática qualidade de vida e bolsa família, por exemplo, uma série
de questões ou problemas poderia ser levantada. Você decidirá que tipo de
relação você vai estudar. Isso terá implicações futuras sobre como a pesquisa
será desenvolvida e que tipo de dados você vai precisar coletar para responder
a pergunta. Pergunta! Sim. O problema é sempre melhor expresso em uma
pergunta, como por exemplo:
Exemplo 1: Qual a influência do programa bolsa família na qualidade de
vida dos moradores do bairro Y da cidade X?

Veja que no problema você pode delimitar o campo da pesquisa, ou


delimitar a abrangência do estudo.

Exemplo 2: Existe alguma relação entre a utilização do programa bolsa


família e desempenho escolar em bairros de baixa renda da cidade X?

1.4 – DEFINIÇÃO DE OBJETIVOS

Sendo o problema uma questão a ser investigada, o objetivo geral vai


corresponder ao resultado a ser alcançado, em outras palavras, o objetivo
responde a pergunta de pesquisa quando alcançado. Os objetivos específicos
ou intermediários podem ser entendidos como metas a serem alcançadas para
se chegar ao objetivo geral. Finalmente, um aspecto de forma consiste em
redigir os objetivos com verbo no infinitivo. (VERGARA, 1997)

Quando você for elaborar os objetivos específicos ou intermediários,


reflita se os objetivos estão coerentes com o problema, se não implicam em
conceitos que não estão relacionados ao problema central. Termos que
compõe o problema de pesquisa e os objetivos devem necessariamente ser
discutidos na revisão da literatura, pois é preciso explicitar o entendimento dos
conceitos que serão empregados.

Veja os exemplos abaixo, considerando os problemas de pesquisa do


exemplo anterior:

Exemplo 1:

PROBLEMA: Qual a influência do programa bolsa família na qualidade


de vida dos moradores do bairro Y da cidade X?

OBJETIVO GERAL: Verificar a influência do programa bolsa família na


qualidade de vida dos moradores do bairro Y da cidade X.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
- Descrever o programa bolsa família;

- Identificar o público que está sendo atendido no bairro y da cidade x;

- Verificar as mudanças que o programa tem produzido sobre as


condições de vida dessa comunidade;

- Verificar como essas mudanças estão relacionadas com a qualidade de


vida da comunidade do bairro y da cidade x.

Veja que no problema você pode delimitar o campo da pesquisa, ou


delimitar a abrangência do estudo.

1.5 – A JUSTIFICATIVA

A justificativa objetiva esclarecer porque o seu estudo é importante. Ou


nas palavras de Roesch (1999, p. 99), “justificar é apresentar razões para a
própria existência do projeto.” Essa justificativa deve ser apresentada tanto em
termos teóricos quanto práticos. Voltando ao exemplo do estudo sobre a
relação entre qualidade de vida e o programa bolsa família, poderíamos dizer
que este estudo traria contribuição acadêmica por não existirem estudos
relacionando a qualidade de vida com programas de assistência direta, onde
são alocados recursos para decisão de gasto do próprio cidadão. Dependendo
de como o problema é formulado, a justificativa pode ser delineada de
diferentes formas. Do ponto de vista prático, um estudo dessa natureza poderia
produzir dados para tomada de decisão dos gestores públicos, quanto a
alocação de recursos para o programa.

Roesch (1999) destaca ainda que a justificativa pode ser apresentada


quanto à importância, quanto à oportunidade e quanto à viabilidade. Sobre a
importância, a autora explica que é sempre importante melhorar uma prática ou
política, sendo este um objetivo ou propósito dos métodos e técnicas de
administração. Assim, o autor pode argumentar sobre a finalidade última do
seu projeto para o contexto em que o mesmo está sendo desenvolvido. Quais
contribuições práticas ele trará para o município, bairro ou mesmo unidade de
administração que o mesmo se refere. Quanto à viabilidade, conforme já
destacado na definição do problema, o trabalho deve ser convincente quanto
ao custo de sua implantação, o acesso às informações e o próprio
conhecimento do autor quanto ao objeto de estudo.

1.6 – REVISÃO DA LITERATURA OU FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO-


EMPÍRICA

Vergara (1997) explica que o objetivo do referencial teórico é apresentar


os estudos sobre o tema escolhido, mais especificamente sobre o problema
definido para a pesquisa, realizado por outros autores. Assim, faz-se
necessário levantar as teorias existentes sobre o tema, as críticas e avanços
produzidos por cada teoria, bem como trabalhos que tomaram como referência
essas teorias – no caso, destaque a trabalhos relacionados com a sua
problemática.

Outras funções do referencial teórico, destacadas por Vergara (1997,


p.34):

a) permite que o autor tenha maior clareza na formulação do problema de


pesquisa;
b) facilita a formulação de hipóteses e de suposições;
c) sinaliza para o método mais adequado à solução do problema;
d) permite identificar qual o procedimento mais pertinente para a coleta e o
tratamento dos dados, bem como o conteúdo do procedimento
escolhido;
e) é a sua luz que, durante o desenvolvimento do projeto, são interpretados
os dados que foram coletados e tratados.

Ainda segundo Vergara (1997) os insumos para a construção do


referencial podem ser obtidos:

a) na mídia eletrônica;
b) em livros, periódicos, teses, dissertações, relatórios de pesquisa e outros
materiais escritos;
c) com outras pessoas.
Observe que a revisão da literatura não é igual a um resumo dos
principais tópicos a serem abordados no estudo. Consiste em organizar
como diferentes teorias e diferentes autores abordam os tópicos chaves da
temática escolhida para a pesquisa. Cabe ao autor do trabalho não só
apresentar essas diferentes posições como fazer considerações sobre
essas abordagens e se posicionar, escolhendo qual teoria ou quais autores
estão mais em conformidade com o seu trabalho e seu próprio
posicionamento.

Observe que existem regras para citar o conteúdo desenvolvido por


outros autores. Procure observar as regras para citações literais, ou seja,
quando você vai colocar no seu texto o que o autor disse exatamente com
suas palavras; bem como para citações indiretas, ou seja, quando você vai
escrever o que um ou mais autores disseram, mas com suas próprias
palavras. Em ambos os casos você deve indicar a autoria das afirmações
que você está usando.

Por exemplo:

Se o seu trabalho é sobre Políticas de Turismo e você está utilizando o livro


escrito por Ivane Maria Remus Fávero, intitulado Políticas de Turismo:
planejamento na região uva e vinho, publicado pela editora EDUCS em 2006,
você pode utilizar as duas formas de citação.

Veja o trecho do livro retirado da página 23.

Citação direta:

“Da mesma forma que o planejamento foi influenciado pela realidade mundial,
também o planejamento do turismo se desenvolveu conforme com cada
momento histórico.” (FÁVERO, 2006, p. 23)

Citação indireta;

Fávero (2006) salienta/ou aponta que o planejamento do turismo, assim como


o planejamento, foi influenciado pelos acontecimentos mundiais, em
conformidade com os diferentes momentos históricos.
Observe que no primeiro caso, ao citar literalmente, deve-se indicar não
somente o ano de publicação da obra, como também a página em que esta
citação pode ser encontrada no livro. Na citação indireta, apenas o ano de
publicação da obra deve ser indicado.

Procure nas normas da ABNT as explicações de como fazer citações de


conteúdos citados por um autor de autoria de outro autor. Existem regras
específicas para isso que precisam ser observadas rigorosamente.

1.7 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Existe uma ampla variedade de tipologias de pesquisa, onde o autor


pode classificar seu trabalho como experimental, não experimental ou quase-
experimental, qualitativo, quantitativo ou qualitativo e quantitativo, explicativo
ou exploratório, além de trabalhar com um tipo de estudo ou combinação de
tipos distintos, o que implica por sua vez na escolha de técnicas de pesquisa
para coleta e análise dos dados (Estudo de caso, Estudo Multi Caso, Survey,
Pesquisa-Ação, Estudo Etnográfico, Pesquisa participante, etc...). Essas
tipologias podem ser encontradas em diversos livros de metodologia
(VERGARA, 1997, ROESCH, 1999), assim não será objeto de discussão nesse
material específico.

Nesse tópico, vamos apenas descrever alguns elementos básicos que


devem compor o Trabalho de conclusão, no que concerne a metodologia.
Primeiramente, cabe destacar que esse tópico não deve ser pensado como
uma demanda puramente formal de um trabalho acadêmico. A metodologia
valida de certa forma o estudo, ao mostrar como o autor chegou a
determinados resultados, os quais poderão assim ser checados por outros
pesquisadores ou mesmo por indivíduos que questionem a validade do estudo.
A metodologia, no âmbito do projeto, serve como um guia para o pesquisador
realizar a pesquisa, enquanto no relatório mostra como foi trilhado o caminho
para se chegar aos resultados da pesquisa.

Podemos destacar três aspectos básicos da metodologia de um trabalho


científico. A definição do tipo de estudo, o plano de coleta de dados e o plano
de análise, interpretação e apresentação dos dados.
a) O Tipo de Estudo: aqui você deverá definir, por exemplo, se o seu
estudo será do tipo estudo de caso, survey, pesquisa-ação, dentre
outros. Por exemplo, você pode optar por fazer um estudo em
profundidade dos efeitos da lei de responsabilidade fiscal sobre o
equilíbrio das contas públicas no município X. Você poderá definir o seu
estudo como um estudo de caso, onde o caso em estudo é o município
X. No entanto, você pode optar por um estudo mais amplo, embora não
em profundidade, buscando levantar, por exemplo, qual o impacto da lei
de responsabilidade fiscal sobre as práticas de controle de recursos nos
municípios do noroeste do estado do RS. Nesse caso, você pode montar
um instrumento de pesquisa (por exemplo, um questionário), o qual
guiará um amplo levantamento de dados sobre esses efeitos nas
práticas de controle. Para montar o instrumento, o pesquisador já deve
ter a priori o conhecimento das principais práticas de controle para
destacá-las no instrumento e assim avaliar as mudanças produzidas
pela LRF. Esse tipo de estudo pode ser denominado como Survey ou
pesquisa de levantamento.
b) O plano de coleta de dados: Na realização da pesquisa, pode-se optar
por trabalhar com dois tipos de dados, primários e secundários. Dados
primários são dados que não receberam ainda nenhum tratamento, ou
seja, que não estão organizados e prontos para serem utilizados no
texto. Dados primários são obtidos através de entrevistas, aplicações de
questionários e observação. Dados secundários são dados que já
receberam algum tipo de tratamento e são passíveis de utilização direta
no texto, tais como dados tabulados, classificados, relatórios técnicos,
relatórios de avaliações de desempenho, diagnósticos, etc. Dependendo
do tipo de trabalho e dos objetivos propostos, você poderá trabalhar
somente com dados primários, somente com dados secundários, ou, o
que normalmente acontece, trabalhar com dados primários e
secundários. Para obter os dados para a pesquisa o pesquisador deve
explicitar os instrumentos que vai utilizar, ou seja, como irá coletar os
dados necessários para explicar ou responder a minha pergunta de
pesquisa, atender aos objetivos da pesquisa. Os principais instrumentos
de coleta de dados são: entrevistas, questionários, observação,
observação participante, pesquisa documental e pesquisa bibliográfica.
Cada um desses instrumentos tem propósitos, vantagens e
desvantagens.
No plano de coleta de dados, além de definir o tipo de dado que
você vai trabalhar e o tipo de instrumento que vai utilizar para coletar os
dados, é necessário indicar quem serão os sujeitos da pesquisa, ou
seja, quem será entrevistado, quem responderá os questionários, quem
será observado. Em uma pesquisa quantitativa é necessário definir a
população do estudo, sendo que se a população a ser pesquisada for
grande, você pode optar por trabalhar com uma amostra dessa
população, ou seja, uma parcela da população que apresente as
mesmas características e que assim seja representativa da mesma.
c) Plano de análise, interpretação e apresentação dos dados: O plano de
análise e interpretação dos dados decorre do tipo de estudo, se
qualitativo ou quantitativo. Pesquisas qualitativas demandam técnicas
específicas como análise de conteúdo, análise documental e análise de
discurso (ver ROESCH, 1999, p. 168). A pesquisa quantitativa implica
em técnicas estatísticas, tais como análise de regressão, estatística
descritiva, equações estruturais, dentre outras. Nesse tópico da
metodologia faz-se necessário descrever as opões de técnicas de
análise e os passos que serão seguidos (no caso do projeto) ou os
passos que foram seguidos para análise dos dados (no caso do relatório
final).

1.8 – APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS OU APRESENTAÇÃO E


ANÁLISE DOS DADOS

A apresentação e análise dos dados é o coração do trabalho, a essência


do mesmo. Assim, deve estar em perfeita congruência com a pergunta de
pesquisa e com os objetivos, podendo ter suas partes estruturadas com base
nos objetivos específicos. Nessa parte, você pode iniciar por uma descrição do
caso ou do fenômeno em análise, construindo tal descrição com base nos
dados coletados na pesquisa. Sempre faça referência à fonte dos dados que
você está utilizando e procure trazer elementos da revisão da literatura (ou
seja, considerações teóricas) para explicar os dados coletados e apresentados.
1.9 – CONCLUSÃO e RECOMENDAÇÕES

Na conclusão deve-se não somente indicar de forma sintética os


principais resultados alcançados pela pesquisa e apresentar de forma resumida
a resposta ao problema de pesquisa, como também trazer uma reflexão crítica
sobre o que os dados apontaram.

Segundo Roesch (1999) a conclusão pode ser iniciada com um pequeno


resumo do trabalho, salientando os resultados alcançados. As sugestões e
recomendações devem ser decorrentes dos resultados obtidos com a
pesquisa, ou seja, todas as recomendações devem ter como fundamento os
dados empíricos obtidos na coleta de dados e a respectiva análise dos
mesmos.
2 – RELATÓRIO DE INTERVENÇÃO

Esse tipo de trabalho objetiva dar espaço para o conhecimento


profissional e prático do aluno, conciliando com seu processo de aprendizagem
ao longo do curso. Terá uma característica mais descritiva dos resultados de
pesquisa ou experiência na área de gestão, em temas relacionados às
disciplinas trabalhadas ao longo do curso, podendo constituir-se em
diagnóstico de práticas ou programas de gestão. A estrutura de um relatório
também pode apresentar variações, no entanto, vamos estabelecer alguns
elementos básicos que servirão de orientação para o desenvolvimento do
trabalho de conclusão do curso.

1. Capa – Assim como o trabalho acadêmico, o relatório também deverá dispor


de uma capa indicando nome da instituição, curso, disciplina, nome do
professor orientador, título do trabalho (expressando a temática abordada),
nome do aluno, local e data.

2. Texto

a) Introdução:
Assim como na monografia acadêmica apresente a temática geral em
que melhor se encaixa o fenômeno ou experiência a ser relatado. Procure
levantar questões referentes ao fenômeno, de forma a guiar a apresentação
dos resultados e as críticas e sugestões de melhoria.

Na introdução apresente os objetivos do trabalho, a forma como você


procederá para obter as informações e como as mesmas serão organizadas e
analisadas. Mencione o local de ocorrência do fenômeno ou de implantação do
programa ou atividade a ser analisado, delimitando assim a dimensão espacial
e temporal do seu estudo. È fundamental que seja caracterizado o contexto em
que o programa ou fenômeno a ser descrito acontece, ou seja, apresente
elementos da conjuntura política e econômica que influenciam a problemática,
além dos aspectos culturais e sociais que podem ajudar a explicar os
resultados.
b) Fundamentação teórico-empírica
Vergara (1997) explica que o objetivo do referencial teórico é apresentar
os estudos sobre o tema escolhido, mais especificamente sobre o problema
definido para a pesquisa, realizado por outros autores. Assim, faz-se
necessário levantar as teorias existentes sobre o tema, as críticas e avanços
produzidos por cada teoria, bem como trabalhos que tomaram como referência
essas teorias – no caso, destaque a trabalhos relacionados com a sua
problemática.

Outras funções do referencial teórico, destacadas por Vergara (1997,


p.34):

f) permite que o autor tenha maior clareza na formulação do problema de


pesquisa;
g) facilita a formulação de hipóteses e de suposições;
h) sinaliza para o método mais adequado à solução do problema;
i) permite identificar qual o procedimento mais pertinente para a coleta e o
tratamento dos dados, bem como o conteúdo do procedimento
escolhido;
j) é a sua luz que, durante o desenvolvimento do projeto, são interpretados
os dados que foram coletados e tratados.

Ainda segundo Vergara (1997) os insumos para a construção do


referencial podem ser obtidos:

d) na mídia eletrônica;
e) em livros, periódicos, teses, dissertações, relatórios de pesquisa e outros
materiais escritos;
f) com outras pessoas.

Observe que a revisão da literatura não é igual a um resumo dos


principais tópicos a serem abordados no estudo. Consiste em organizar
como diferentes teorias e diferentes autores abordam os tópicos chaves da
temática escolhida para a pesquisa. Cabe ao autor do trabalho não só
apresentar essas diferentes posições como fazer considerações sobre
essas abordagens e se posicionar, escolhendo qual teoria ou quais autores
estão mais em conformidade com o seu trabalho e seu próprio
posicionamento.

Observe que existem regras para citar o conteúdo desenvolvido por


outros autores. Procure observar as regras para citações literais, ou seja,
quando você vai colocar no seu texto o que o autor disse exatamente com
suas palavras; bem como para citações indiretas, ou seja, quando você vai
escrever o que um ou mais autores disseram, mas com suas próprias
palavras. Em ambos os casos você deve indicar a autoria das afirmações
que você está usando.

Por exemplo:

Se o seu trabalho é sobre Políticas de Turismo e você está utilizando o livro


escrito por Ivane Maria Remus Fávero, intitulado Políticas de Turismo:
planejamento na região uva e vinho, publicado pela editora EDUCS em 2006,
você pode utilizar as duas formas de citação.

Veja o trecho do livro retirado da página 23.

Citação direta:

“Da mesma forma que o planejamento foi influenciado pela realidade mundial,
também o planejamento do turismo se desenvolveu conforme com cada
momento histórico.” (FÁVERO, 2006, p. 23)

Citação indireta;

Fávero (2006) salienta/ou aponta que o planejamento do turismo, assim como


o planejamento, foi influenciado pelos acontecimentos mundiais, em
conformidade com os diferentes marcos históricos.

Observe que no primeiro caso, ao citar literalmente, deve-se indicar não


somente o ano de publicação da obra, como também a página em que esta
citação pode ser encontrada no livro. Na citação indireta, apenas o ano de
publicação da obra deve ser indicado.
Procure nas normas da ABNT as explicações de como fazer citações de
conteúdos citados por um autor de autoria de outro autor. Existem regras
específicas para isso que precisam ser observadas rigorosamente.

c) Desenvolvimento:
Nessa parte você inicia propriamente a descrição detalhada do
fenômeno ou objeto a ser analisado. Se for um programa ou uma experiência
de gestão (mudança de estrutura, criação de um setor, criação de um
programa, desenvolvimento de uma prática de controle, diagnóstico de uma
prática ou programa, etc...) procure desenvolver um histórico do mesmo,
identificando como surgiu, quem foram os criadores da idéia, quem foram os
responsáveis pelo delineamento da atividade, quem foram os responsáveis
pela implantação, que resultados eram esperados, que resultados foram
alcançados, quais foram as principais dificuldades, qual a metodologia adotada,
dentre outros aspectos relevantes para explicitar a essência do fenômeno.
Com base na revisão teórica, procure explicar teoricamente os
problemas identificados, apontar alternativas e como implantá-las, em fim,
realizar uma reflexão crítica sobre o problema em questão apontando soluções
ou mesmo levantando novos questionamentos.

d) Conclusão:

Assim como no TCC tradicional, a conclusão deve indicar de forma sintética


os principais resultados alcançados pela pesquisa e trazer uma reflexão crítica
sobre o que os dados apontaram.

Segundo Roesch (1999) a conclusão pode ser iniciada com um pequeno


resumo do trabalho, salientando os resultados alcançados. As sugestões e
recomendações devem ser decorrentes dos resultados obtidos com a
pesquisa, ou seja, todas as recomendações devem ter como fundamento os
dados empíricos obtidos na coleta de dados e a respectiva análise dos
mesmos. No entanto, as sugestões e recomendações devem assumir um papel
de maior destaque nos trabalhos de intervenção, pois essa será a principal
contribuição do trabalho.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FRACASSO, Edi Madalina. Notas de Aula. Escola de Administração, Universidade


Federal do Rio Grande do Sul, 1011.

ROESCH, Sylvia M. A. Projetos de Estágio e de Pesquisa em Administração – guia para


estágios, trabalhos de conclusão, dissertações e estudos de caso. São Paulo: Atlas,
1999.

VERGARA, S. C. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. São Paulo: Atlas,


1997.

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