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O USO DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS COMO RECURSO DIDÁTICO-


PEDAGÓGICO PARA O ENSINO DE HISTÓRIA E LITERATURA

Edna Antunes Afonso


João Paulo da Silva Andrade 1

Resumo:

Este trabalho parte de pesquisas através de levantamentos bibliográficos acerca do uso das
Histórias em Quadrinhos como recurso didático para o Ensino de História e Literatura. Seu
objetivo é sugerir uma metodologia de utilização de histórias em quadrinhos no ensino das
disciplinas de História e Literatura. Este recurso vem sendo utilizado como recurso didático
por professores de diversas áreas do conhecimento, de acordo às demandas de uso.
Apresentar-se-á a possibilidade de uso de Histórias em Quadrinhos como uma maneira de
reforçar e facilitar o processo de ensino aprendizagem, promovendo uma reflexão sobre o uso
de novas metodologias, pois entendemos de distintas metodologias e recursos didático-
pedagógicos nos dão uma contribuição relevante no processo de ensino e aprendizagem. Estas
histórias se apresentam como uma importante ferramenta que proporciona a aproximação com
cotidiano dos alunos e à vida escolar, facilitando também na avaliação como forma de
verificar conhecimentos prévios e a assimilação do conhecimento trabalhado em sala de aula.

Palavras - chave: Ensino de História, Ensino de Literatura, Metodologia de Ensino, Histórias


em Quadrinhos.

                                                            
1
Pós-graduandos do Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Didática e Docência do Ensino Superior do
Departamento de Métodos e Técnicas do Centro de Ciências Humanas (CCH) da Universidade Estadual de
Montes Claros (UNIMONTES) 2010/2011.

 
 

História em Quadrinhos (HQ) – Introdução

Nos últimos anos, as Histórias em Quadrinhos têm sido utilizadas como recurso
didático por muitos professores das diversas disciplinas que compõem o currículo escolar.
Elas oferecem uma gama variada de possibilidades de uso pelos professores. Na sala de aula,
sua produção ajuda os estudantes a compreenderem temas complexos da História e das
linguagens Literárias, que normalmente estão afastados da sua experiência diária de vida. Seu
uso como recurso didático, no entanto, ainda é tema pouco discutido no meio acadêmico.
Nosso desafio, na presente exposição, é apresentar possibilidades de utilização das Histórias
em Quadrinhos como forma de reforçar o processo de ensino e aprendizagem.
A arte seqüencial – como é classificada a História em Quadrinhos -, é muito
valorizada, especialmente em países europeus, como a França e a Bélgica, onde editoras
especializaram-se na sua publicação, na forma de álbuns cartonados, alguns com
encadernações de luxo. Com gêneros variados, as estórias atingem públicos de todas as
idades. As histórias em quadrinhos com temas históricos, por exemplo, são um grande
sucesso. Os temas abordados também envolvem questões sociais atuais, como discriminação
racial, pobreza e desigualdade, além de política e organização econômica.
Na Argentina, temos a consagrada produção de Quino, publicada no Brasil pela
Editora Martins Fontes, criador de Mafalda – uma menina precoce e questionadora – e seus
amigos, personagens que possuem uma incrível carga de crítica político-social. As tirinhas de
Mafalda são uma referência a problemas atuais e são exploradas na composição de questões
de vestibular, nas universidades brasileiras – as charges também servem freqüentemente a este
propósito.

 
 

Fonte: (Quino. Mafalda)

Fonte: (Quino. Mafalda)

Fonte: (Quino. Mafalda)


 
 

No Brasil existe uma quantidade considerável de álbuns produzidos com finalidade


pedagógica. A iniciativa não é uma novidade. A Editora Brasil-América (EBAL), fundada em
1945 por Adolfo Aizen, foi um dos pioneiros na produção e edição de histórias em quadrinhos
dedicadas a temas históricos, abrindo espaço para desenhistas nacionais, numa época em que
os quadrinhos eram colocados como responsáveis pela “delinqüência juvenil”.

“A produção de Histórias em Quadrinhos da EBAL possuía características


positivistas. Eram álbuns ilustrados por desenhistas brasileiros e organizados
por historiadores, que privilegiam a narrativa e apresentavam os temas de
forma romanceada, enaltecendo a figura do herói.” (PALHARES: 2008)

O mineiro Henfil, um dos cartunistas brasileiros de maior influência sobre a juventude


durante a ditadura militar. Seus personagens da caatinga, como a Graúna, Zeferino e Bode
Orelana, foram presenças diárias nos jornais, não esquecendo ainda do Urubu; Ubaldo, o
paranóico; e do Orelhão. Através deles, Henfil extravasou seu inconformismo com as
injustiças e preconceitos sociais. Henfil tem produção expressiva no período da ditadura
militar no Brasil (1964-1985), irmão do sociólogo Betinho, o qual foi extraditado no período.
Podemos citar que existe uma grande quantidade de Histórias em Quadrinhos que
podem ser utilizadas nas salas de aula como recurso didático.
É inegável a necessidade de integrar diferentes linguagens nas aulas em todos os
níveis de ensino. A utilização das diferentes linguagens para o ensino de História vem
contribuindo para a dinamização do cotidiano da sala de aula diversificando a prática do
ensino da disciplina, permitindo melhor compreensão por parte dos alunos da mensagem que
o professor deseja que ele receba.
Quando nos atemos aos meios de comunicação, vemos que estes transmitem cada vez
mais informações que aliam imagens, textos e som, devido ao grande avanço tecnológico dos
últimos tempos, causando um distanciamento entre o que é transmitido pela mídia e as
informações recebidas em sala de aula, pois, a velocidade do meio midiático é muito superior
ao que se observa no espaço escolar.
Entendemos que a utilização de histórias em quadrinhos no ensino da disciplina pode
ser de grande valia, uma vez que as mesmas apresentam uma forma de comunicação visual e

 
 

verbal e ainda que muitas abordam temas relacionados aos conteúdos trabalhados em sala de
aula.
Como profissionais da educação observamos que vivemos em constantes desafios de
desenvolver sempre práticas pedagógicas mais eficientes mantendo-se assim sempre
atualizados sobre novas metodologias. Pensamos que a compreensão dos conteúdos literários
e históricos, pode acontecer de diversas maneiras utilizando-se de diferentes recursos, saindo
da tendência tradicional do livro didático.
Propondo o uso de histórias em quadrinhos para o ensino, buscamos sugerir que a
metodologia não seja centrada apenas no livro didático como fonte de informação e reflexão a
respeito da Literatura e História no processo ensino-aprendizagem, desta maneira tornaremos
o trabalho em sala de aula mais prazeroso tanto para o aluno como para o professor.
As histórias em quadrinhos podem ser utilizadas para introduzir um tema, para
aprofundar um conceito já apresentado, para gerar discussão a respeito de um assunto, para
ilustrar uma idéia. Não existem regras para sua utilização, porém, uma organização deverá
existir para que haja um bom aproveitamento de seu uso no ensino podendo desta forma,
atingir o objetivo da aprendizagem.

“Para escrever a história das sociedades, os historiadores fazem uso de


diferentes documentos, os quais são denominados de fontes históricas, que
podem ser escritas, visuais e sonoras. Portanto, a leitura de HQ é essencial,
pois se tem nela uma nova forma de ver, de ler, além de desenvolver
habilidades de compreensão.” (PALHARES: 2008)

Um componente importante das HQ é que cada quadrinho tem que trazer em si uma
densidade muito grande de informações, para que o leitor compreenda o que o autor da
mesma está tentando passar como mensagem. Essas informações todas devem estar presentes
na imagem e no texto formando um conjunto harmonioso e não enfadonho. Há que haver uma
complementaridade entre imagem e texto, para que aquele monte de desenhos e palavras,
separados entre si por quadros, faça sentido, e passe, para quem lê, a emoção que pretendida.

LITERATURA

Os quadrinhos e sua linguagem


 
 

Uma nova forma de narrativa foi introduzida com a história em quadrinhos que tem
como ponto principal a união de duas linguagens, uma não-verbal e outra verbal, o que lhe
confere um grande potencial criativo e comunicativo.
A imagem nos quadrinhos, assumindo o papel de linguagem, pode ser interpretada e
adquirir sentido dentro do contexto social em que se encontra inserido.
Segundo Neiva Júnior, a imagem tem a propriedade de referência em comum com a
língua, diferindo, no entanto, nos elementos de leitura, principalmente quanto ao número, pois
na língua estes são finitos, enquanto que na imagem podem ocorrer sem limites; para o autor,
as imagens, tanto quanto as palavras, precisam ser compreendidas como carregadas de um
significado que vai além do visual.
Essas idéias aproximam a imagem do signo lingüístico, tornando-os semelhantes. A
essa semelhança, que confere à imagem o status de linguagem, irão se contrapor às
possibilidades da interpretação da imagem determinadas social e historicamente. Na leitura
das imagens dos quadrinhos, podem ser percebidas questões ideológicas que a condicionam.
A interpretação do não verbal, assim como do verbal, pressupõe a relação com a
cultura, com o histórico, com a formação social do sujeito intérprete. Nesse sentido, na
história em quadrinhos são veiculadas duas mensagens: uma icônica ou visual e outra
lingüística, que se relacionam, constituindo uma mensagem global. A mensagem icônica e
verbal nos quadrinhos, não se excluem, mas interagem, combinando de tal forma a ponto de
permitir novas possibilidades de encaminhamento e de recepção da mensagem.
A mensagem lingüística da história em quadrinhos compreende um aspecto narrativo,
no qual é feita a descrição do quadro, da situação ou das ações e a forma de diálogo. Este
último, apresentado no estilo direto, tenta, muitas vezes, imitar a língua falada. Entretanto, as
características específicas da língua falada impossibilitam uma transcrição fiel para o diálogo
escrito, que irá lançar mão de diferentes recursos e procedimentos especiais, criando uma
linguagem carregada de convenções, que explora com originalidade os códigos verbais e
visuais específicos inerentes a esse tipo de narrativa, tais como: o balão, os símbolos, sinais de
pontuação e as onomatopéias.

 
 

No código das histórias em quadrinhos, os símbolos permitem uma inovação constante


nos meios de expressão gráfica, ampliando a dimensão estética e informativa dos quadrinhos.
O ruído nos quadrinhos, muitas vezes, é mais visual do que sonoro, pois os desenhistas
exploram a espessura, a forma, a cor dos fonemas que o constituem a fim de conseguirem um
efeito expressivo maior. Uma boa onomatopéia é de vital importância nas histórias em
quadrinhos, pois atinge, juntamente com a imagem, uma grande área de significação, criando
efeitos expressivos de consumo rápido e intensa comunicação.
No código icônico ou visual da história em quadrinhos, temos a imagem, o espaço, as
cores e a distribuição de planos, que, trabalhados em conjunto, constituem a mensagem.
Quanto maior for a originalidade e a criatividade do desenhista na composição desses
códigos, maior será a carga expressiva e comunicativa da mensagem.
Mesmo sendo a história em quadrinhos dirigida a um público alvo dentro de um
modelo da sociedade de massa, com leituras as mais diversas, nada impede que determinados
leitores deste público possam identificar numa obra valores diferentes.
Existem aqueles leitores que se limitam tão unicamente ao enredo da história sem
perceberem valores ideológicos veiculados; e leitores que, prestando atenção nos aspectos
formais, se apercebem desses valores; outros podem ainda ser capazes de questioná-los.
Os quadrinhos são, inegavelmente, um poderoso veículo de comunicação, capaz de
atingir com eficácia um grande número de consumidores dos mais diversos setores sociais e,
portanto, capazes de divulgar valores e questões culturais que não devem ser simplesmente
assimilados, mas avaliados e criticados.
Os quadrinhos podem ser percebidos como um produto artístico possível tanto de
promover comunicação em um nível estético, quanto de sugerir questionamentos dentro de
uma realidade social.

Utilização de Quadrinhos no Ensino de Literatura e História

Segundo Vergueiro:

“Pode-se dizer que o único limite para seu bom aproveitamento em qualquer
sala de aula é a criatividade do professor e sua capacidade de bem utilizá-los

 
 
para atingir seus objetivos de ensino”. (VERGUEIRO,2004,p.26 In:
PALHARES: 2008).

Além de uma opção de entretenimento muito aceita pelos alunos, as HQ fazem parte
do universo dos meios de comunicação, que cada vez mais influenciam a formação da
criança.
Quando lidamos com a educação, estamos nos referindo a pessoas, em especial às
crianças, que possuem certa visão de mundo e de realidade. A criança tem contato com o
mundo através dos sons, das imagens e demais sentidos, dessa forma, passam a conhecer algo
que oferece diferentes visões de mundo, cheios de ações, cores, fantasia, novos valores e que
formula novos padrões de comportamento.
As histórias em quadrinhos têm adentrado ao espaço escolar através dos personagens
que viram filmes (Homem Aranha, X-Men 2 , Huck), de gibitecas e do próprio livro didático,
que vem se utilizando de tirinhas e pequenas histórias para tratar de temas em diferentes áreas
do conhecimento.
Como todo recurso pedagógico, as histórias em quadrinhos exigem planejamento,
ajustamento do material ao conteúdo a ser trabalhado e finalidade em seu uso. Assim,
selecionar, analisar e questionar as HQ é fundamental para o sucesso de seu emprego.
Recentemente, o uso de história em quadrinhos nas salas de aula vem ganhando a
preferência dos professores das mais diferentes áreas de atuação.
No caso da História, os quadrinhos podem servir como fonte de pesquisa histórica
onde os alunos possam interpretar o passado, com um potencial bastante significativo, já que
o passado nem sempre pode ser facilmente ordenado e compreendido por jovens estudantes,
inserindo o texto escrito que geralmente oferece o estranho passado histórico pode ser
compreendido de uma nova forma.
A produção também é outra via de compreensão onde o aluno é instigado a produzir
algo que reflita sua apreensão própria do conteúdo. Para tanto, é recomendável que o

                                                            
2
 Nesta obra podemos citar o trabalho através dos textos dos filmes e das mensagens inseridas no
contexto da criação das histórias, como por exemplo, a Guerra Fria, onde diversos personagens
representam o conflito entre capitalismo e socialismo do período (1945-1989). 

 
 

professor ofereça um tipo de material onde o aluno tenha que preencher os balões de diálogo
dos possíveis personagens da história criada.
O controle do desenvolvimento do processo deve partir do professor. O importante é
que o professor tenha claro quais as possíveis reações que os alunos terão no contato com a
HQ dependendo da forma como ele lê a mesma. O aluno pode fazer a leitura da HQ mais
livremente, porém é necessário que o professor tenha uma previsão das possíveis
interpretações, compreensões ou incompreensões que o aluno poderá ter nessa leitura, e que,
ele, professor, saiba o momento que irá fazer a concatenação de todas essas possibilidades
decorrentes da leitura livre feita pelos alunos e faça a amarração com o conteúdo
programático da disciplina.
Os alunos devem ter o número suficiente de HQ em mãos para desenvolver a leitura,
seja levando número suficiente de revistas de HQ, com a mesma história, ou baixar de sites da
internet e distribuir cópias para os alunos usarem, por exemplo, no laboratório de informática
da escola, ou mesmo pesquisa fora de sala de aula.
Pode-se utilizar HQ no momento da avaliação do ensino aprendizagem, onde se pede
ao aluno que crie uma HQ com o conteúdo programático estudado. Nesse caso o professor
tem que ter claro o que ele quer que o aluno apresente como elementos que configurem que
houve apreensão do conteúdo trabalhado sendo na linguagem literária ou no conteúdo
histórico. É preciso ter consciência de que as possibilidades de exposição do que o aluno
compreendeu a respeito da matéria estudada são múltiplas, entender as melhores expressões
como: desenho, escrita, com a finalidade de que não se cometa o equívoco de não avaliar
adequadamente o que o aluno produziu ou aferiu do processo de aprendizagem.

LITERATURA:
A educação é um processo social e individual e dentro da escola há a necessidade de
converger esses dois processos. A escola é uma instituição social, mas não deve perder sua
individualidade, pois ela precisa de autonomia para resolver seus problemas e promover a
adaptação individual dos alunos.
Haydt (2006) fala que “ensinar é atividade pela qual o professor, através de métodos
adequados, orienta a aprendizagem dos alunos” (p. 12). Assim o professor tem a missão de

 
 

adequar a transmissão dos conteúdos de acordo com o contexto em que ele e os alunos estão
inseridos, sem deixar de levar em conta o nível de desenvolvimento desses mesmos. É
preciso estabelecer uma relação de diálogo entre aluno e professor, sendo esse a autoridade
com a função incentivadora e orientadora de sua sala de aula.
Dentro de um vasto número de métodos de aprendizagem estamos focalizando nas
histórias em quadrinhos, que são muitos divulgadas no meio escolar, pois são textos diversos
que abordam temas atuais e atemporais com o intuito de divertir e de levar a reflexão.
Contudo, muitos professores ainda têm dificuldade de trabalhar com esse tipo de texto, pois
em muitos HQs é preciso o conhecimento de todo um contexto social, econômico e político
para o entendimento. Na sala de aula o professor tem que estar preparando para todas as
inferências que surgirem por parte dos alunos e saber direcionar as discussões para o objetivo
proposto.
As histórias em quadrinhos (HQs) constituem um importante recurso não só
para o entretenimento dos alunos, mas também como ferramenta que auxilia
os professores. Além do que, segundo Mário Feijó, as HQs aumentam a
motivação dos estudantes para o conteúdo das aulas, aguçando a curiosidade
dos alunos e desafiam seu senso crítico. (ROMA, 2004. In: OLIVEIRA)

Atualmente, o governo está tentando aproximar os alunos e os professores desses


materiais, pois os livros em quadrinhos estão sendo inclusos no Programa Nacional Biblioteca
da Escola (PNBE), do MEC que estão levando as HQs para as escolas públicas e juntamente
com os livros para os alunos há, também, livros de como usar esse material em sala de aula
com o intuito de auxiliar os professores no uso desses métodos.
As histórias em quadrinhos apresentam diversas possibilidades de metodologias, sendo
um suporte pedagógico que pode ser utilizado em diversas disciplinas cabendo ao professor
saber o melhor caminho para introduzi-lás no roteiro de atividades, pois as HQs podem servir
para iniciar um novo conteúdo, para fomentar um debate, finalizar uma matéria, dentre várias
outras possibilidades.

 
 

Na tira acima, de Mafalda, podemos perceber a “revolta” de um aluno porque recebeu


“péssimo” da professora e ele se justifica falando que é freqüente à escola. Assim, podemos
notar que para ele apenas a presença na sala de aula deveria contar na sua avaliação. Isso é um
fato constante na realidade escolar e essa tira é de estrema relevância para trabalhar com o
aluno a sua função como estudante, mostrando aos discentes seus deveres, suas funções, suas
obrigações. Além do trabalho de incentivo, de responsabilidade, a tira também pode ser
trabalhada nas aulas de português, abordando os conteúdos morfológicos, sintáticos e
semânticos.

Nas histórias em quadrinhos a imagem tem que ser vista pelo aluno como um discurso,
pois os desenhos carregam em si uma ideologia e sentidos sociais. A partir do conhecimento
de mundo o aluno faz inferências atingindo assim possíveis interpretações.

A literatura é considerada como a arte de recriar as palavras, sendo uma manifestação


estética de grande valor. Nas tiras de Mafalda podemos perceber como ela sabe utilizar de

 
 

maneira criativa as palavras, sabendo transmitir seus ideais e seu espírito crítico. Na tira
abaixo, percebermos uma crítica a geração das mulheres da época das mães de Mafalda e
Suzanita, que ficavam em casa cuidando da família e aprendendo corte e costura. Contundo,
podemos perceber que Suzanita tenta se modernizar falando sobre a cibernética, mas ela não
deixa de lado a tradição de sua mãe. Pelo conhecimento que temos sobre Mafalda e sua turma,
sabemos que Suzanita era uma conservadora de classe média, cuja principal preocupação era
o casamento e os filhos, assim vemos a importância do conhecimento de mundo no estudo
desses textos e o preparo do professor para ajudar os alunos na compreensão.

Muitas vezes uma tira apresenta um campo muito vasto de interpretações, e é preciso
saber ouvir todas as leituras feitas pelos alunos e, também, guiar por saberes necessários e
importantes. Outra atividade que pode ser desenvolvida através das tiras de Mafalda é o
conhecimento dos personagens, pois cada um tem uma personalidade, cada um foi criado com
uma intenção. E o conhecimento de suas características ajuda os alunos a compreender
melhor qualquer tirinha de Quino. Também é interessante analisar durante a aula a linguagem
não verbal, fazer uma leitura visual, pois os balões, os gestos, as cores e todo o desenho é uma
forma de comunicação, sendo a imagem um discurso.

 
 

Mafalda é uma criança que não aparece para salvar as pessoas, aparece para criticar
comportamentos e situações e pôr a sociedade em questionamento. Ela consegue tirar de
situações rotineiras a essência do uso das palavras. Suas tirinhas possuem um estilo próprio,
uma maneira típica de exprimir seus pensamentos, seus sentimentos e emoções. Assim é
possível propor aos alunos que descubram suas características através da analise de várias
tirinhas, pois o seu estilo é pessoal.