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O Existencialismo nas poesias Verbo Ser e Tecendo a manhã

Letícia Nascimento Marques

30 de novembro de 2017

Resumo

Palavras-chaves:

1. Introdução

Este artigo tem por abordar as questões a respeite da existência do ser constantes
nos poemas Verbo Ser de Carlos Drummond de Andrade e Tecendo a Manhã de João
Cabral de Melo Neto conciliando ambos.

1.1. O Existencialismo e a delimitação do ser constantes nos poemas Verbo


Ser e Tecendo a Manhã.

Podemos observar que há durante o poema Verbo Ser de Carlos Drummond de


Andrade questionamentos da própria existência. Esse é um questionamento muitas vezes
comum entre as pessoas e principalmente na fase da infância, onde há todo um período
de formação cognitiva e social. Além disso, somos cobrados pela sociedade enquanto
crianças constantemente sobre o que seremos quando nos tornamos adultos, daí vem o
questionamento do poema sobre precisar nos tornar algo para passar a partir dali a ser,
como podemos ver a seguir no início do poema de Carlos Drummond:
Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?

No campo filosófico há uma doutrina que prega que um homem é responsável por
suas ações e que através disso busca dar um significado a sua existência, esse é o campo
do existencialismo, surgido na Europa no século XX. Heidegger e Sartre são dois
filósofos que participaram da corrente existencialista. Heidegger buscava através de
questionamentos como esses do poema, a resposta para o sentido do ser, o que nos tornava
o que somos ou o que viríamos a ser, ele buscava uma resposta a partir da experiência,
uma resposta concreta para a questão chegando a criar uma linguagem própria para isso.

Segundo Heidegger, desde a Grécia antiga que o significado do “ser” vem sendo
destorcido e tomando a forma de “coisa”, mas para ele é muito mais que isso, o ser está
ligado ao tempo, somos seres temporais, tomados de escolhas que nos torna um “ser” e
enquanto não faz escolhas ainda vive diante do nada. Se for pensar bem, fazemos escolhas
desde muito pequenos, desde que nos é ensinado o que deve ou não fazer, mas as escolhas
que definem quem nós seremos só são contabilizadas a partir do momento que você define
algo mais aparentemente grandioso como uma carreira, mas estamos nos definindo desde
muito cedo, desde pequenas escolhas que nos levaram a maiores.

Jean-Paul Sartre baseia-se na questão da essência do ser, de sua liberdade como


fundamento para todo o resto. Sartre acreditava e dois tipos de ser, o ser-Em si e o ser-
Para si, sendo o primeiro qualquer objeto existente no mundo que possua uma essência
definida, por exemplo, um ser-Em si não tem consciência da sua própria existência, ele
apenas é, apenas vive sem nenhuma consciência do que é isso. Um exemplo comum do
ser-Em si é um homem, o que é um homem na visão de outro homem? Apenas algo
totalmente objetivado chamado “homem”. O ser-Para si já possui por sua vez a
consciência, um ser possuinte de conhecimento próprio e do mundo. O ser sartriano é o
Para si, segundo Sartre a existência prece a essência, ou seja, o homem – algo objetivado
– passa a ter conhecimento sobre si a partir do momento em que se define pelo que faz,
através de suas escolhas.
Ao afirmarmos que o homem se escolhe a si mesmo, queremos dizer que
cada um de nós se escolhe, mas queremos dizer também que, escolhendo-se,
ele escolhe a todos os homens. De fato, não há um único de nossos atos que,
criando o homem que queremos ser, não esteja criando, simultaneamente,
uma imagem do homem tal como julgamos que ele deva ser. Escolher ser
isto ou aquilo é afirmar, concomitantemente, o valor do que estamos
escolhendo, pois não podemos nunca escolher o mal; o que escolhemos é
sempre o bem e nada pode ser bom para nós sem o ser para todos. (SARTRE,
1970, p. 5. O existencialismo é um Humanismo.)

Porém, tantas escolhas trazem consigo uma angustia existencial, o ser fica diante
de tantas escolhas que o definirão, você se torna responsável pelo que vai ser a cada
escolha, tais escolhas afirmam seu valor e, portanto, em suma as escolhas serão boas que
acabam afetando não só a si, mas ao teu próximo também trazendo um sentido de
mutualidade, sociedade, um relacionamento coletivo. Podemos encontrar tais angústias e
indecisões no decorrer do poema de Carlos Drummond:

É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?


Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.

E o sentimento de coletivo no poema de João Cabral de Melo Neto, Tecendo a


manhã, que podemos ver como é criado através de palavra essa relação entre seres, que
juntos criam a existência de um dia, a existência da vida, e mesmo quando olhar para si
suas ações se refletem no outro.

Diante disto, é importante lembrar que Heidegger também dizia que a cada
escolha feita, o indivíduo terá de ser capaz de lidar com sua consequência, porém de forma
conjunta. A existência então é formada não só por si, mas por uma grande teia de entes.

"Um galo sozinho não tece a manhã:


ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro: de outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzam
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma tela tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,


se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão".

2. Referências Bibliográficas

HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. 5º Ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2006. 598p.

SARTRE, Jean-Paul. O Existencialismo é um Humanismo. (Coleção Os Pensadores –


vol. XLV). São Paulo: Editora Abril Cultural, 1973.