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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

12a CÂMARA CÍVEL


Desembargador Mario Guimarães Neto
APELAÇÃO CÍVEL Nº 0055145-92.2007.8.19.0001
ORIGEM : 34ª VARA CÍVEL DA COMARCA DA CAPITAL
APELANTE : ASSOCIAÇÃO DE TAXI BARRINHA TAXI EXPRESS
APELADO 01 : JORGE SALIM TOMAZ FILHO
APELADO 02 : SUL AMERICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. CONSUMIDOR.


AÇÃO INDENIZATÓRIA. CONTRATO DE
TRANSPORTE (TÁXI). PRELIMINARES.
ILEGITIMIDADE PASSIVA, GRATUIDADE DE
JUSTIÇA E DENUNCIAÇÃO DA LIDE. REJEIÇÃO.
MÉRITO. ACIDENTE DE TRÂNSITO
ENVOLVENDO O VEÍCULO COOPERADO.
LESÃO CORPORAL. RESPONSABILIDADE
OBJETIVA. DANO MORAL. CONFIGURAÇÃO.
OFENSA À CLÁUSULA DE INCOLUMIDADE.
QUANTUM INDENIZATÓRIO. ADEQUADO AO
CASO EM TELA. DANO MATERIAL. NÃO
CARACTERIZADO. NÃO RESTOU
DEMONSTRADO QUE DESPESAS MÉDICAS
OCORRERAM EM VIRTUDE DO ACIDENTE.
INVERSÃO DO ÔNUS SUCUMBENCIAL (CPC,
ART. 21, PARÁGRAFO ÚNICO). DÁ-SE PARCIAL
PROVIMENTO AO RECURSO (CPC, ART. 557, § 1º-
A).

DECISÃO

Adoto o relatório da sentença (fls. 294/297), aditando-o nos termos que


seguem:
Sentenciando, o Magistrado singular julgou Procedente em parte o pedido,
condenando a ré ao pagamento de R$ 2.041,25 (dois mil e quarenta e um reais e
vinte e cinco centavos) a título de dano material e R$ 3.000,00 (três mil reais) a
título de danos morais.
Inconformada, a ré interpôs recurso de apelação, fls. 301/317, alegando,
preliminarmente “incompetência ad causa” (sic - fl. 316, item “c”), a
impossibilidade de concessão da benesse da gratuidade de justiça ao apelado e a
denunciação da lide à segunda apelada. No mérito sustentando a não comprovação
do nexo de causalidade e inexistência de dano morais e materiais.
Contrarrazões do primeiro apelado, fls. 324/326.
Contrarrazões da segunda apelada, fls. 327/330.

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É O RELATÓRIO, PASSO A DECIDIR.

Inicialmente analiso as preliminares suscitadas pelo apelante.


No que toca a legitimidade ad causam e não “competência ad causam’ (sic
- fl. 316, item “c”), uma vez que esta não existe no direito, não merece prosperar tal
pleito, pois sendo a legitimação uma das condições da ação, deve o Magistrado
verificar se estão respeitadas essas condições, baseando-se apenas nos fatos
afirmados pelo autor na peça vestibular.
Trata-se da teoria da asserção, adotada pelo ilustre professor José Carlos
Barbosa Moreira, em que esses requisitos são verificados in abstrato.
Ademais, as alegações trazidas pelo apelante tratam de matéria afeita ao
mérito da causa, a ser apreciada em momento próprio.
Em relação ao chamamento do feito a ordem em virtude da gratuidade
concedida em primeiro grau (fl. 302/304), igualmente deve ser rejeitada.
Não obstante a revogação dos benefícios de assistência gratuita poder ser
requerida em qualquer fase da lide, esta deverá ocorrer nos moldes do parágrafo
único do art. 7º da Lei no 1.060/50.
Vale, ainda, ressaltar, que tendo sido deferido o benefício pelo juízo a quo,
a sua revogação só se faz possível mediante prova em contrário da alegada
necessidade, cujo ônus é do apelante, (art. 7º, caput da Lei no 1060/50), o que não
ocorreu no presente caso.
Quanto à denunciação da lide, esta também não deve prosperar, pelo fato do
caso tela não se adequar a nenhuma das hipóteses previstas no art. 70 do CPC.
O instituto da denunciação da lide é uma modalidade de intervenção
forçada, vinculado à idéia de garantia de negócio translatício de domínio e
existência de direito regressivo.
In casu, o contrato de seguro foi realizado com o cooperado e não com a
cooperativa apelante, razão pela qual não há como condenar a seguradora apelada a
ressarcir esta.
Logo, inexistindo fundamento jurídico a embasar a forma interventiva da
denunciação à lide, descabe o seu deferimento.
Diante do exposto, REJEITAM-SE as preliminares, passando-se à análise
do mérito.
Trata-se de ação de responsabilidade civil decorrente de contrato de
transporte (taxi).
Vigorando no contrato de transporte de passageiros a cláusula de
incolumidade (obrigação de resultado), o transportador responde objetivamente
pelos danos sofridos pelos passageiros.
Nesse sentido Carlos Roberto Gonçalves:

"A responsabilidade do transportador é objetiva". No direito brasileiro, a


fonte dessa responsabilidade encontra-se no Decreto Legislativo n° 2.681,
de 7/12/1912, que regula a responsabilidade civil das estradas de ferro. Tal
diploma, considerado avançado para a época em que foi promulgado,
destina-se a regular tão somente a responsabilidade civil das ferrovias.
Entretanto, por uma ampliação jurisprudencial, teve sua aplicação estendida

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a qualquer outro tipo de transporte: ônibus, táxi, lotações, automóveis, etc.
(Responsabilidade Civil, 1994, Ed. Saraiva, p. 209).

Diante disso e consubstanciado nos elementos informativo dos autos,


observa-se que cláusula de incolumidade foi desrespeitada, visto que um carro da
cooperativa apelante envolveu-se em acidente de trânsito que ocasionou lesões no
passageiro/primeiro apelado.
A responsabilidade da cooperativa apelante resta evidenciada, pois foi
quem forneceu o serviço, indicando o cooperado que iria levar o primeiro apelado
ao destino desejado.
Ademais, não se pode perder de vista que a sociedade cooperativa, dotada
de personalidade jurídica própria, é a única autorizada a credenciar os seus
cooperados, autônomos, para a prestação dos serviços.
No tocante à dinâmica do evento lesivo, restou este inconteste, pois como
bem observou o Magistrado primevo, o apelante não negou a ocorrência do
acidente, bem como a presença do primeiro apelado no momento do abalroamento
(fl. 295).
Logo, não há de olvidar que o dano moral mostra-se configurado na
espécie, uma vez que o condutor do táxi (cooperado) não obrou com as cautelas
necessárias, já que deixou de conduzir o passageiro/primeiro apelado são e salvo ao
seu destino.
Ademais, o dano moral, também, configura-se pelo sofrimento do primeiro
apelado em função do dano psíquico em grau moderado desencadeado pelo evento.
Em relação ao quantum arbitrado em R$ 3.000,00 (três mil reais), tenho
como adequado, pois está de acordo com seu caráter compensatório à vítima e
educativo ao ofensor.
Sobre os danos materiais, assiste razão ao apelante, já que não há nos autos
qualquer prova ou indicativo de que as despesas com remédio suportado pelo
apelado ocorreram em virtude do acidente.
Posto isso, conheço do recurso, decidindo por DAR-LHE PARCIAL
PROVIMENTO ao recurso (CPC, art. 557, § 1º-A), no sentido de excluir da
condenação referente aos danos materiais.
Por derradeiro, sendo mínima a sucumbência experimentada pelo apelante,
aplica-se a norma do art. 21, parágrafo único do CPC, devendo o primeiro apelado
responder, por inteiro, pelas despesas e honorários.

Rio de Janeiro, 29 de março de 2010.

Desembargador MARIO GUIMARÃES NETO


Relator

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Certificado por DES. MARIO GUIMARAES NETO
A cópia impressa deste documento poderá ser conferida com o original eletrônico no endereço www.tjrj.jus.br.
Data: 29/03/2010 17:35:48Local Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro - Processo: 0055145-92.2007.8.19.0001 - Tot. Pag.: 3