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COMPETÊNCIAS E HABILIDADES NA PRÁTICA PEDAGÓGICA:

NECESSIDADES E POSSIBILIDADES

Tania Maria Radaelli1

Resumo

Ao optar pela docência, o professor, além das competências e habilidades necessárias no seu campo
de atuação, passa a ter o compromisso de, permanentemente, discutir, aperfeiçoar conceitos e
práticas pertinentes ao processo ensino-aprendizagem buscando alternativas viáveis para que os
alunos compreendam, se apropriem e saibam aplicar no seu cotidiano os conhecimentos necessários
para o exercício da cidadania plena. Portanto, além do domínio dos conteúdos, da didática e da
psicologia, a docência requer atualização constante e busca permanente de novos saberes
necessários inerentes à profissão. Este trabalho aborda aspectos da temática sobre a necessidade
de os docentes terem o domínio de habilidades pedagógicas como fator de competência para que os
alunos sejam sujeitos ativos, criativos e produtores de novos conhecimentos e não meros
expectadores em sala de aula, concretizando-se, assim, a ação transformadora do ensino e da
aprendizagem.
Palavras-chave: Professor. Competências. Habilidades.

1 INTRODUÇÃO

A IX Semana Acadêmica de Pedagogia da Celer Faculdades de Xaxim, SC,


em setembro de 2015, trouxe como tema principal “Múltiplos olhares acerca da
Educação”, assunto debatido por vários especialistas de acordo com as
considerações apresentadas no Relatório da UNESCO (2010) relativas à educação
no século XXI.
Nesse contexto, apresentamos esta contribuição, pois entendemos que as
diferentes abordagens sobre educação, embora sempre fundamentadas, não
conseguem ser suficientes diante da complexidade da práxis e dos problemas que
surgem no dia a dia. Desafios se apresentam constantemente, sejam novos ou
recorrentes, exigindo soluções específicas e alternativas de superação.
Diante deste quadro, questiona-se permanentemente a qualidade da
educação e a sua eficácia atribuindo-se a culpa ao sistema, aos estabelecimentos
de ensino e ao professor. A culpa, com certa frequência, acaba recaindo sobre o
professor. Entendemos que a responsabilidade é, também, e na mesma proporção,
do Estado, das instituições e da comunidade escolar. Cabe ao professor, no entanto,

1
Mestra em Desenvolvimento. Professora da Celer Faculdades nos Cursos de Pedagogia,
Administração e Direito. E-mail: taniaradaelli@gmail.com

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desempenhar o papel que lhe cabe, com eficiência, atitude, ética, comprometimento,
responsabilidade e dedicação, competências necessárias para atender as
demandas e diversidades que se apresentam no cotidiano escolar.
Ponto importante a ser referenciado diz respeito às competências e
habilidades necessárias ao professor no trato com os alunos, ou seja, as
competências e habilidades a serem desenvolvidas em sala de aula. Conhecer o
contexto em que o aluno está inserido pode facilitar o preparo das aulas e a
elaboração dos objetivos pretendidos.
Valer-se de todos os recursos materiais e ferramentas pedagógicas
disponíveis tendo presente que a evolução digital que move o mundo do
conhecimento na internet permitiu, com a informatização nas escolas, um sem
número de possibilidades, desafiando o professor a fazer uso das tecnologias,
dominando seus recursos e explorando suas possibilidades.
Inovar e criar situações diversas de aprendizagem sempre que necessário, e
de acordo com o perfil da turma. Traçar objetivos claros e consistentes para evitar
achismos, incoerências, falta de seriedade na abordagem dos conteúdos e falta de
motivação e interesse dos próprios alunos pelo conhecimento. Isso fará a diferença
ao ensinar, promovendo um aprendizado significativo.
Os múltiplos olhares do professor apresentam-se, portanto, como
possibilidade real de mudança, pois sua prática é, e sempre será, fator fundamental
e determinante na aprendizagem dos alunos em sua diversidade e complexidade.
Uma prática reflexiva faz-se necessária para uma efetiva mudança de paradigma
rompendo-se, assim, com o trabalho conservador e rotineiro.

2 NOVOS TEMPOS

Nas últimas décadas, a globalização e as tecnologias digitais passaram a


exercer nos indivíduos um encantamento como se a partir delas todas as portas se
abrissem e um mundo de benesses estaria ao alcance de todos. Com a internet,
viabilizando o acesso ilimitado a informações e conhecimentos, teríamos o remédio
para todos os males e a chave para os mistérios do mundo. No entanto, esta magia
não atende a todas as necessidades e demandas que afetam sobremaneira a
condição de parcela significativa da população. “Uma parte integrante dos processos

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de globalização é a progressiva segregação espacial, a progressiva separação e a
exclusão” (BAUMAN, 1999, p. 9).
Na prática, aos que conseguem estar na vanguarda lhes é facilitado o acesso
às tecnologias de ponta e ao conhecimento; aos demais, restam-lhe a limitação de
acesso e os entraves, a ponto de ser excluídos, permanecendo à margem de reais
possibilidades e de melhores oportunidades. Passam estes a depender, não raras
vezes, da caridade da comunidade em que estão inseridos e/ou do próprio Estado
através de programas sociais assistencialistas que amenizam, mas não resolvem os
problemas.
Diante disso, as pessoas anseiam na busca por novos espaços que não raro,
as excluem cada vez mais. Pergunta-se, então, o que extraímos de todas as
discussões nas últimas décadas sobre a paz entre os povos, a sustentabilidade do
planeta, o respeito às diferenças sociais e culturais, a educação como direito de
todos, e tantos outros temas relevantes acerca da humanidade?
Poderíamos caracterizar o que se discute e o que se cumpre efetivamente
através das nossas ações. Mas “essa constatação não deve levar os países em
desenvolvimento a negligenciar as forças motrizes clássicas de crescimento, e em
particular, o indispensável acesso ao universo da ciência e tecnologia” necessárias
para a adaptação da nova maneira de pensar (UNESCO, 2010, p. 7).
Assim, se a globalização e as tecnologias aproximam uns, também afastam
outros das possibilidades de acesso e usufruto dos bens produzidos, das
oportunidades de trabalho e renda e, principalmente, ao acesso à educação de
qualidade. Os mais diversos desafios gerados pela configuração socioeconômica
vigente faz-nos pensar e repensar o papel da educação e, consequentemente, do
educador, como prioridade a ser assumida e como meio para o desenvolvimento
pleno do ser humano.
Eis o desafio dos professores hoje: nossas escolas necessitam de novos
paradigmas frente à globalização e ao avanço tecnológico em todos os setores da
sociedade. A prática tradicional não tem mais lugar no momento presente. Porém,
nossas escolas ainda carecem de tecnologias de ponta para atender as expectativas
e demandas que a atualidade requer. Os professores, especialmente das escolas
públicas, têm que trabalhar com um pé no passado e outro no futuro para poderem,
aos poucos, superar atrasos e defasagens e promover a existência de condições

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adequadas para preparar os alunos diante dos desafios que a contemporaneidade
nos impõe.

Os sistemas educacionais ainda não conseguiram avaliar suficientemente o


impacto da comunicação audiovisual e da informática, seja para informar,
seja para bitolar ou controlar as mentes. Ainda trabalha-se muito com
recursos tradicionais que não têm apelo para as crianças e jovens. Os que
defendem a informatização da educação sustentam que é preciso mudar
profundamente os métodos de ensino para reservar ao cérebro humano o
que lhe é peculiar, a capacidade de pensar, em vez de desenvolver a
memória. Para ele, a função da escola será, cada vez mais, a de ensinar a
pensar criticamente. Para isso é preciso dominar mais metodologias e
linguagens [...] (GADOTTI, 2000, p. 5).

Os sistemas educacionais não podem prescindir das ferramentas que movem


a vida pessoal e profissional das pessoas. Uma educação com olhares voltados para
as diversas configurações que se apresentam, sejam elas sociais, culturais,
econômicas, tecnológicas ou de conhecimento, deverá fazer uso responsável das
novas tecnologias.
Com tanto conhecimento científico produzido e disponível online, a Escola
não pode viver da saliva do professor e no sistema de xerox para os alunos. Mas
não podemos esquecer a necessidade da formação continuada dos professores, a
valorização profissional e nem tampouco que os alunos são seres pensantes e não
máquinas. No entanto a educação, e mais especificamente a escola pública, está à
mercê de políticas e de investimentos por parte do Estado o que a deixa atrelada e
dependente das decisões governamentais.
Essas decisões nem sempre coincidem com o que os professores necessitam
efetivamente para desempenhar o papel no sentido de viabilizar uma educação
transformadora.

2.1 MÚLTIPLOS OLHARES

Problemas diversos e com família grande estão permanentemente de


plantão. Como permitir aos alunos o desenvolvimento de suas capacidades para
enfrentar as demandas do mercado de trabalho, e, ao mesmo tempo incutir-lhes a
necessidade de serem altruístas em relação aos seus iguais? Como fazê-los
entender que podem manter suas tradições, crenças e referências apesar dos
mecanismos sutis engendrados pelo mundo do capital?

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Uma alternativa viável: trabalhar o conhecimento técnico e o conhecimento
científico tendo consciência de que o autoconhecimento e o desenvolvimento de
capacidades e apropriação de valores permitirão ao aluno ser um cidadão produtivo
e reflexivo, partícipe na construção de uma sociedade melhor. Saber comunicar-se,
desenvolver relacionamentos interpessoais e conviver com a diversidade,
construindo o verdadeiro sentido da vida.

Somos levados, portanto, a revalorizar as dimensões ética e cultural da


educação e, nesse sentido, a fornecer os recursos para que cada um venha
a compreender o outro em sua especificidade, além de compreender o
mundo em sua busca caótica de certa unidade; mas, previamente, convém
começar pela compreensão de si mesmo em uma espécie de viagem
interior, permeada pela aquisição de conhecimentos, pela meditação e pelo
exercício da autocrítica. (UNESCO, 2010, p. 10).

O professor bem preparado, ético, reflexivo e responsável incorpora as


mudanças necessárias, evoluindo na busca de sua autonomia em sala de aula,
exercendo suas atribuições sempre com o intuito de auxiliar no aprimoramento da
prática educativa.
Na Conferência Mundial de Educação para Todos realizada na Tailândia em
1990 (UNESCO, 2010, p. 13-14-31), estabeleceram-se quatro pilares da educação
para o desenvolvimento educacional dos países signatários. Esses pilares são:
Aprender a conhecer: as alterações do progresso científico e das atividades
econômicas e sociais demanda uma ampla cultura geral possibilitando as bases
para uma educação permanente.
Aprender a fazer: Adquirir a competência para enfrentar as mais variadas
situações, promover o trabalho em equipe como competência enriquecedora nas
atividades profissionais e sociais.
Aprender a viver com os outros: Compreender o outro como parte
integrante da sociedade e a existência da interdependência numa sociedade plural
que exige respeito mútuo para a promoção da paz.
Aprender a ser: perceber a autonomia como a responsabilidade de
desenvolver sua faculdade de perceber a si mesmo, e, aproveitar os talentos que
existem em cada ser humano como finalidade na educação coletiva.
Analisando o relatório publicado pela UNESCO percebe-se a preocupação, a
amplitude de seus objetivos e o foco nas necessidades que vão muito além da
simples transmissão de conhecimentos.

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De acordo com Relatório da UNESCO (2010, p. 15),

Essas necessidades referem-se tanto aos instrumentos essenciais de


aprendizagem (leitura, escrita, expressão oral, cálculo, resolução de proble-
mas), quanto aos conteúdos educativos fundamentais (conhecimento,
aptidões, valores, atitudes), indispensáveis ao ser humano para sobreviver,
desenvolver suas capacidades, viver e trabalhar com dignidade, participar
plenamente do desenvolvimento, aprimorar sua qualidade de vida, tomar
decisões ponderadas e continuar a aprender.

Entende-se que esses pilares são propostas que devem ser refletidas nos
diferentes níveis de ensino tendo como prioridade a educação básica, essenciais no
ensino secundário e com reflexões aprofundadas no ensino superior. Assim, não
mais transmissor de conhecimentos, o professor precisa oportunizar e viabilizar a
interatividade, a mediação, a reflexão e a ação, permitindo ao aluno a apreensão de
conceitos, procedimentos, valores e comportamentos para que ele possa conviver
harmonicamente com a diversidade. Ao professor exige-se, portanto, novos olhares,
novas perspectivas e novas práticas acerca do mundo e da educação.

2.2 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES: UMA POSSIBILIDADE OU UMA UTOPIA?

Durante muito tempo nada se pretendia do professor além de dominar seus


saberes inerentes e restritos a sua disciplina. Hoje, os saberes se vulgarizaram. A
mídia, graças às novas tecnologias, nos permite informações instantâneas. Embora
consideradas como conhecimento, porém, muito das informações são apenas senso
comum. Isso não significa que o professor não possa valer-se dessas informações.
Pelo contrário, deve utilizá-las como meio de introduzir o conhecimento acerca do
assunto, haja vista que é o que o aluno normalmente traz de seu meio. O uso
dessas informações como elemento inicial permitirá ao professor refletir, mediar e
introduzir criticamente o conhecimento científico, interagindo e oportunizando ao
aluno um aprendizado significativo.
Portanto, cabe ao professor assumir de vez o novo papel de sua função, haja
vista que o aluno do século XXI é filho de um tempo de globalização, de tecnologias
e da internet e que precisa superar os insucessos, as desigualdades e usufruir o que
é socialmente construído e oferecido e que lhe é de direito. “Trata-se de uma
criatura holística, dotada de um poder criativo incomensuravelmente amplo, pronta
para ser estimulada por uma nova escola, a espera de um professor que

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compreenda a plenitude de sua diversidade” (ANTUNES, 2001, p. 10). Assim, a
criatividade latente em cada aluno depende muito do estímulo do professor para se
manifestar em sua diversidade e potencial.

2.2.1 Novas competências para ensinar

O que é esperado, questionado e cobrado do professor na atualidade é


altamente desafiador. Perrenoud na introdução de seu livro “Novas Competências
para Ensinar” deixa claro esse desafio, como uma necessidade do profissional que
não está satisfeito com a sociedade e com o fracasso escolar observado, buscando
na sua prática, alternativas de ações que possam fazer a diferença. “Prática
reflexiva, profissionalização, trabalho em equipe e por projetos, autonomia e
responsabilidade crescentes, pedagogias diferenciadas [...] sensibilidade à relação
com o saber e com a lei delineiam um roteiro para um novo ofício” (PERRENOUD,
2000, p. 11).
Somente atitudes e práticas democráticas e renovadoras onde o professor
poderá “relembrar caminhos conhecidos e trilhar alguns outros” que representam
mais um horizonte do que um conhecimento consolidado (PERRENOUD, 2000, p.
12). Ações compatíveis com os desafios que se apresentam permitirão a transição
das práticas seletivas e conservadoras para práticas inovadoras.
Nesse contexto, a história não pode ser esquecida. A atualidade da educação
nos dá a missão de situar-nos em um determinado momento, em uma perspectiva
nutrida pelo passado, criticando o presente e inovando o futuro. (IMBERNÓN, 2000,
p. 44-45). Embora a atualidade requeira novas formas de ensinar e aprender, o
passado teve seu mérito e quando avaliado criticamente nos oferece a oportunidade
de melhor entender o significado e a importância de algumas permanências e a
necessidade de superar outras.
A competência permitirá ao profissional escolher os recursos necessários
para cada situação que se apresentar bem como priorizar determinados
conhecimentos considerando a relevância do momento histórico. Perrenoud cita Le
Boterf insistindo em quatro aspectos:

1. As competências não são elas mesmas saberes, ou atitudes, mas


mobilizam, integram e orquestram tais recursos.

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2. Essa mobilização só é pertinente em situação, sendo cada situação
singular, mesmo que se possa tratá-la em analogia com outras, já
encontradas.
3. O exercício da competência passa por operações mentais complexas,
subentendidas por esquemas de pensamento (Altet, 1996; Perrenoud,
1998), que permitem determinar (mais ou menos consciente e rapidamente)
e realizar (de modo mais ou menos eficaz) uma ação relativamente
adaptada a situação.
4. As competências profissionais constroem-se, em formação, mas
também ao sabor da navegação diária de um professor, de uma situação de
trabalho à outra (LE BOTERF, 1997 apud PERRENOUD, 2000, p. 15).

Competências que geram saberes e novas atitudes, que mobilizam e


avançam em suas singularidades nas mais diversas situações de aprendizagem,
tanto do professor quanto do aluno. Parceria e colaboração permitem que, mesmo
com ideias e opiniões divergentes, todos se mobilizem por uma causa maior, qual
seja, uma educação que atenda aos anseios e necessidades do público alvo,
garantindo a aprendizagem através de conteúdos, não apenas interiorizados, mas
entendidos no seu significado, resinificados e, principalmente, possíveis de ser
aplicados no dia a dia.

2.2.2 Desenvolvendo habilidades nos alunos

É considerar sobre o óbvio dizer que a responsabilidade maior do professor é


com a aprendizagem dos alunos. O conhecimento em relação ao aprendizado pode
fazer a diferença entre o professor transmissor de conhecimentos do professor que
permite que o aprendizado se dê por meio das próprias ações sobre os objetos do
mundo.
Nessa visão de aprendizagem Antunes (2001, p. 14) destaca duas premissas
importantes: “a) o aluno que não aprende é mal estimulado para interagir sobre os
objetos do mundo; b) o professor que faz discursos em sala de aula é um
apaixonado defensor da teoria empirista e, portanto, não ensina absolutamente
nada, ainda que se mate de trabalhar”. Nada melhor do que estudar e entender os
conhecimentos científicos envolvidos por estratégias inteligentes, intrigantes e
desafiadoras. Isso permitirá ao aluno diferentes leituras e releituras, fundamentais na
materialização da aprendizagem.
Um significativo estímulo cognitivo permite desenvolver habilidades que
conduzem a aprendizagens efetivas. Por isso, muito mais do que conhecer os

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conteúdos específicos e contextualizá-los é necessário conhecer de que forma se
aprende para que o professor possa fazer o aluno aprender a aprender.
O espaço da sala de aula precisa deixar de ser apenas um espaço de
cobrança e passar a ser um espaço de diálogo. De transmissor de conteúdos
prontos e acabados o professor passa, então, a ser questionador e instigador de
respostas, aquele que orienta seu aluno na busca dos conhecimentos e na
construção de significados para que se ajuste melhor ao mundo onde vive e onde
busca viver.
Ao compreender que esta mudança fará a diferença entre o sucesso e o
fracasso escolar, terá o professor que perceber que isso exige um trabalho de
constante atualização de conhecimentos. E não apenas conhecimentos específicos
da disciplina em que atua, mas de áreas afins e, na medida do possível, de outras
áreas e de forma contextualizada. Mas, fundamentalmente, deverá o professor
conhecer os diferentes tipos de alunos, os ritmos diferenciados de aprendizagem e o
que realmente é relevante e necessário que eles aprendam.
Assim, para além das quatro paredes da sala de aula, é preciso vislumbrar o
espaço que transcende os muros da escola e se espraia por outros mundos.
Existirá, então, o vasto e inexplorado espaço de aprender que será conquistado, e
não somente pela obrigatoriedade da lei, pela exigência da sociedade ou pela
necessidade ditada pelo mercado de trabalho. Essa mudança fará com que o
professor viabilize a seu aluno o conteúdo relevante, o aprendizado prazeroso, o uso
do seu potencial, o desenvolvimento de competências e as habilidades necessárias
para a superação e autorrealização. Eis o divisor de águas que separa o professor
que apenas ministra sua disciplina daquele que é um eterno aprendente, que tem
objetivos claros, consistentes e definidos, que participa, se atualiza, busca na sua
insatisfação novos caminhos dando novos rumos para a educação descobrindo,
incorporando e exercitando novas formas de aprender e de ensinar. Mas por que
novas maneiras de ensinar?
Novas maneiras de ensinar porque os tempos são outros: o mundo mudou, a
família mudou, a sociedade mudou e o conhecimento se vulgarizou. Não existe
alternativa para o professor a não ser se ajustar a esse novo tempo buscando
“esses objetivos educacionais que podem ser cognitivos, afetivos ou motores, ou
seja, cujos propósitos sejam, respectivamente: desenvolver conhecimentos ou

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habilidades intelectuais; desenvolver atitudes e valores; e desenvolver destrezas
motoras” (BORDENAVE; PEREIRA, 2001, p. 42), ações que promovem a conquista
da cidadania.
O aluno não vai a escola buscar apenas saberes. Ele, frequentemente, busca
carinho, atenção, acessibilidade e até proteção, ausentes no local onde vive. Se a
escola não suprir essas necessidades, o aluno buscará em outros espaços, que
poderão ser ambientes de violência, de perversão social e isentos de valores morais.
E, ao ingressar numa instituição de ensino, em qualquer nível, não raro encontra
apenas a repetição de cobranças que não o estimule nem despertam vontade
alguma, nenhum motivo, ou objetivos que influencie a construção de conceitos que
possam transformá-lo num cidadão consciente, reflexivo e crítico da situação social
e educacional. E sobre as novas maneiras de ensinar?
Um ensino que desperte o interesse do aluno é um desafio à competência do
professor. O interesse do aluno passou a ser “a força que comanda o processo de
aprendizagem, suas experiências, suas descobertas, o motor de seu progresso e o
professor um gerador se situações estimuladoras e eficazes” (ANTUNES, 1999, p.
36).
Algumas possibilidades que podem auxiliar os professores na busca de novas
maneiras de ensinar:
 Priorizar o trabalho com habilidades operatórias. Antunes (2001, p. 22) define
habilidade operatória como: “capacidade cognitiva ou apreciativa especifica que
possibilita a compreensão e a intervenção do indivíduo nos fenômenos sociais e
culturais; aptidão que pode ser estimulada e que ajuda a fazer conexões e construir
significados”.
 Trabalhar as diferentes memórias: instigar “a mente dos alunos a comparar e
analisar, convidá-los a pesquisar e relatar” (ibidem). O aluno chega à escola com
uma memória carregada de significados. Estimulá-lo a interagir fará com que ele
perceba a possibilidade de fazer diferentes leituras em seu meio. Fazer relações
entre causas e consequências lhe dará uma visão ampla de significados.
 Dar cor, vida e gosto ao currículo: Procurar contextualizar o aluno “às
experiências, ao universo vocabular e ao momento do aluno” (ibidem).
Se o conhecimento é fruto das interações do indivíduo com o meio, utilizar
diversos instrumentos e estratégias de ensino fará com que o aluno, além de sentir

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prazer no aprendizado, desperte sua curiosidade em saber mais. Esta curiosidade
será o gatilho do entendimento e da apreensão do conhecimento que dificilmente
acontecerá se não houver interesse nem for importante para o aluno. Somente
sentindo-se curioso, interessado, e sentir que será divertido saber mais, haverá a
pesquisa e consequentemente a apreensão do conhecimento. Caso contrário o
professor continuará fazendo de conta que “ensina” e o aluno continuará fazendo de
conta que “aprende”.
Abaixo um quadro com alguns verbos de ação sugeridos por Celso Antunes
que propõe uma prática que deveria iniciar-se na Educação Infantil como um
processo constante para uma educação de qualidade.

Quadro 1 – Relação de verbos para uma proposta pedagógica.


Educação Ensino Ensino Médio Ensino
Infantil Fundamental superior
Observar Enumerar Refletir Flexionar
Conhecer Transferir Criar Adaptar
Comparar Demonstrar Conceituar Decidir
Localizar no Debater Interagir Selecionar
tempo
Separar/reunir Deduzir Especificar Planejar
Medir Analisar Ajuizar Negociar
Relatar Julgar/Avaliar Discriminar Persuadir
Combinar Interpretar Revisar Liderar
Conferir Provar Descobrir Edificar
Localizar no Concluir Levantar/Hipóteses
espaço
Classificar Seriar
Criticar Sintetizar

Fonte: (ANTUNES, 1999, p. 38)

Para trabalhar com habilidades operatórias faz-se necessário utilizar em sala


de aula verbos de ação que induzam os alunos a pensar. A utilização destes e de
outros verbos de ação em sala de aula, induzem o aluno a pensar de forma diferente.
Antunes diz que um cérebro que compara é diferente de um cérebro que analisa; um

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cérebro que classifica é diferente de um cérebro que sintetiza; um cérebro que
relaciona não é necessariamente um cérebro que contextualiza.
Essas habilidades farão a diferença no aprendizado. Mas o professor terá que,
ele primeiro, aprender essas habilidades. Essas ações são cumulativas e podem ser
iniciadas na Educação Infantil e estender-se até o Ensino Superior. E quanto às novas
maneiras de aprender?
Ao escrever sobre competências e habilidades na Revista Educação,
Ouchana (2015) discute sobre competências e habilidades a partir da matriz de
referências do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A ausência de clareza desta
e de outras matrizes curriculares que liga conteúdos disciplinares a competências e
habilidades, agrava sua compreensão e aplicação pela falta de competência em
construir argumentação nas mais diversas situações exigidas em sala de aula.
“Articular competências, habilidades e conteúdos exige investimento na formação
continuada docente e a troca de experiências com colegas. Ouchana, (2015) diz que
é importante não ter medo de investir em situações diversificadas de aprendizagem.

[...] a lucidez profissional consiste em saber igualmente quando se pode


progredir pelos meios que a situação oferece (individualmente e em grupo)
e quando é mais econômico e rápido apelar para novos recursos de
autoformação: leitura, consulta, acompanhamento de projeto, supervisão,
pesquisa ação ou aportes estruturados de formadores, suscetíveis de
propor novos saberes e novos dispositivos de ensino-aprendizagem.
(PERRENOUD, 2000, p. 163).

Cabe ao docente buscar formas diferenciadas de capacitação profissional para


que sua ação em sala de aula permita operar a ruptura da aula convencional em favor
da aula dinâmica e problematizadora, adotando uma pedagogia diferenciada para
alcançar o objetivo de promover um aprendizado reflexivo e significativo, que vai além
dos conteúdos científicos. Passos e Martins (2012) citam Feracini (1990, p. 36) que
diz: “Os professores vivem o que realizam. Isso revela que a metodologia, praticada
em sala de aula, deixa transparecer toda uma mentalidade, um estilo de vida, um
sistema de valores, uma cosmovisão. Em suma, a filosofia de vida do educador”.
A análise dos métodos, técnicas e ações docentes deve estar de acordo com
sua personalidade e comportamento, pois, ao lado das competências necessárias ao
professor para ensinar, há também, no contexto do que o aluno aprende; novas
maneiras e novos fatores das coisas que ele pode ser levado a aprender: prestar

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atenção, fazer amigos, desenvolver a criatividade, estabelecer relações interpessoais
e a administrar seus estados emocionais.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A temática sobre Educação é sempre ampla e complexa em suas variáveis,


pois o ser humano é sabidamente complexo e a sociedade é dinâmica e plural. Viver
e conviver num mundo em constante transformação exercendo a função de
professor em sala de aula sempre será o desafio dos desafios. Dificilmente terá o
professor preparação e fundamentação suficientes ou respostas prontas para todos
os problemas, pois o conhecimento avança e novos problemas surgem. Isso é
próprio das sociedades humanas no tempo.
Atualização constante através de formação continuada, leituras, pesquisas,
diagnósticos, debates, participação em eventos relacionados ao exercício da função,
uso pedagógico das tecnologias disponíveis, domínio dos equipamentos, bom
relacionamento com alunos, colegas de trabalho e profissionais da área são
atributos imprescindíveis ao professor.
O estabelecimento de objetivos educacionais claros, pertinentes e
consistentes, ponto crucial de todo projeto necessário e que se pretenda ser
produtivo, devem nortear permanentemente a prática pedagógica. Outro ponto de
relevância é jamais pensar que os saberes da escola estejam distantes dos saberes
da rua. Quando se estabelece esta conexão constroem-se aprendizagens
significativas e, portanto, mais efetivas. Novos caminhos trilhados e novas ideias
materializadas com criatividade e competência dinamizam o trabalho pedagógico
dando-lhe substância e a consistência necessárias.
No complexo e sempre desafiador universo da educação, as necessidades são
uma constante, mas a possibilidade de dar respostas adequadas a tais
necessidades também existe. Só que isso requer desprendimento, busca constante,
postura profissional e ação consciente, pois a aprendizagem do aluno é, também, e
fundamentalmente, reflexo das aprendizagens do professor.

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SKILLS AND ABILITIES IN EDUCATIONAL PRACTICE:
NEEDS AND POSSIBILITIES

Abstract

By opting for teaching, the teacher, in addition to the competencies and skills needed in their field, is
replaced by a commitment to permanently discuss, refine concepts and practices relevant to the
teaching-learning process seeking viable alternatives for students to understand, take ownership and
know apply in their daily lives the knowledge necessary for the exercise of full citizenship. Therefore,
in addition to the content area, the didactic and psychology, teaching requires constant updating and
permanent search for new knowledge necessary inherent to the profession. This paper discusses
aspects of the theme of the need for teachers to have mastery of teaching skills as a competence
factor for students to assets are subject, creative and producers of new knowledge and not mere
spectators in the classroom, being realized, thus the transforming action of teaching and learning.
Keywords: Teacher. Skills. Competence.

REFERÊNCIAS

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Scipione, 2001.

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BAUMAN, Zigmunt. Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro:


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BORDENAVE, Juan Diaz; PEREIRA, Adair Martins. Estratégias de Ensino-


Aprendizagem. 22 ed. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2001.

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