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Sendo que os direitos e deveres acima descritos, se destacam como o perfil profissional do

assistente social em sua atuação frente às políticas sociais. O Código de Ética Profissional
(1993), apresenta as ferramentas fundamentais para a atuação profissional do assistente
social no seu cotidiano, colocando como princípios norteadores da sua prática, de maneira
a reconhecer a sua liberdade segundo o valor ético central, defendendo de forma
intransigente os direitos humanos, ampliando e consolidando a cidadania, em relação à
garantia dos direitos civis, sociais e políticos das classes trabalhadoras, trabalhando
na defesa da democracia, enquanto socialização política e da riqueza socialmente
produzida. (BARROCO, 2012)

Desta forma, o profissional de Serviço Social deve manter o seu posicionamento a favor da
equidade eda justiça social, na qual, esta, assegura a questão da universalidade de acesso
aos bens e serviçosem relação aos programas e políticas sociais, bem como sua gestão
democrática, trabalhando de forma incessante na eliminação de toda e qualquer forma de
preconceito, garantindo assim, o pluralismo por meio do respeito às correntes profissionais
democráticas existentes e nas suas expressões teóricas, com o compromisso de aprimorar
continuamente sua parte intelectual e prática. (BARROCO, 2012)

Esta profissão têm uma articulação com os movimentos sociais de outras categorias
profissionais quetrabalham e partilham dos mesmos princípios deste Código de Ética
Profissional e com a luta geral dos trabalhadores, que possuem o compromisso com a
qualidade dos serviços prestados à população e como aprimoramento intelectual na
perspectiva da competência profissional no exercício da profissão sem discriminação.
(BARROCO, 2012)

Esses instrumentos legais são fundamentais para a delimitação das atribuições e


competências dos assistentes sociais na saúde que serão abordadas a seguir. O conceito
de saúde instituído na Constituição Federal de 1988 e na Lei nº 8.080/1990, que ressalta as
manifestações da questão social, na qual aponta que no artigo 196 da Constituição Federal
de 1988 que,

[...] a saúde é direito de todos e dever do Estado, garanti-la através das políticas sociais e
econômicas que tem como objetivo reduzir o risco de doença e de outros agravos, ofertando
assim o acesso universal e igualitário dessas ações e serviços para sua promoção, proteção
e recuperação [...]. (BRASIL, 1988, não paginado).

No qual indica como fatores determinantes e condicionantes da saúde,

[...]a alimentação, moradia, saneamento básico, meio ambiente, trabalho e renda, educação,
meios de transporte, lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais [...].” (BRASIL, 1990,
não paginado).

Sendo assim os assistentes sociais na saúde atuam em quatro grandes eixos, na questão
do atendimento direto aos usuários; mobilização, participação e controle social;
investigação, planejamento e gestão; assessoria, qualificação e formação profissional. No
qual se tem as principais ações desenvolvidas pelo profissional de Serviço Social mediante
a esses quatro eixos. É imprescindível destacar que esses eixos não devem ser
compreendidos de forma segmentada, massim articulados e vistos dentro de uma
concepção de totalidade. (BARROCO, 2012).
Para isso o assistente social deverá ter o discernimento de como utilizar no exercício de
suas funções de terapias individuais, de grupo, de família ou comunitárias, mas sim
potencializar a orientação social com vistas à ampliação do acesso dos indivíduos e da
coletividade aos direitos sociais.
É importante deixar enfatizado que nessa questão dos atendimentos, onde alguns
segmentos profissionais se direcionam à terapia familiar e individual, e isso faz com que os
profissionais da atualidade reconheçam o campo psíquico como ampliação do espaço
ocupacional do assistente social, qualificando-o de Serviço Social Clínico, conforme
já citado. (IAMAMOTTO, 2001).
Desta forma faz-se com que o profissional, a partir do conhecimento da realidade em que o
usuárioestá inserido, tenham estratégias para que busque o alargamento dos direitos
sociais, pelos quais podem ser acessados e viabilizados por este usuário, cabendo ao
profissional de Serviço Social, potencializar a orientação social com visão de ampliar o
acesso dos indivíduos e da coletividade aos direitos sociais, sendo importante destacar
algumas ações que são desenvolvidas pelo assistente social, onde este profissional
democratiza as informações através de orientações sejam elas, individuais e/ou coletivas,
por encaminhamentos em relação aos direitos sociais conforme a demanda apresentada,
trabalha-se ainda na construção de um perfil socioeconômico dos usuários desta
política, evidenciando as condições determinantes e condicionantes de saúde, formulando
assim estratégias de intervenção por meio da análise da situação socioeconômica
(habitacional, trabalhista e previdenciária) e familiar dos usuários, bem como subsidiar a
prática dos demais profissionais de saúde (BRASIL, 2010).
Desta forma, enfatiza-se os determinantes sociais da saúde dos usuários, familiares e
acompanhantesatravés das abordagens descritas acima, facilitando o acesso
destes usuários aos serviços na área da saúde, bem como garantir seus direitos no âmbito
da Seguridade Social, por meio da criação de mecanismos e rotinas de ação. Para isso, é
necessário que se conheça a realidade social em que o usuário está inserido, estas
informações são realizadas por meio de visitas domiciliares, na qual é avaliada pelo
Assistente Social conforme a necessidade da demanda, pois não se pode interferir
na privacidade dos mesmos. Outra ação do Serviço Social no âmbito da referida Política, é
na questão do fortalecimento dos vínculos familiares, na perspectiva de incentivar o usuário
e sua família, a se tornarem sujeitos no processo de promoção, proteção, prevenção,
recuperação e reabilitação da saúde. (BRASIL, 2010)
Este profissional deve organizar, normatizar e sistematizar o cotidiano do trabalho
profissional através da criação e implementação de protocolos e rotinas de ação,
formulando estratégias de intervenção profissional, subsidiando a equipe
profissional quanto as informações sociais dos usuários por meio do registro no
prontuário unificado, resguardando as informações sigilosas que devem ser registrada em
material de uso exclusivo e privativo do Serviço Social, pois através deste prontuário, este
profissional elabora estudos socioeconômicos dos usuários e suas famílias, trabalhando na
construção de laudos e pareceres sociais na perspectiva de garantia de direitos e de acesso
aos serviços sociais e de saúde, buscando a garantia do direito do usuário ao acesso aos
serviços, emitindo a manifestação técnica em relação à profissão do Serviço Social,
em seus pareceres individuais ou em grupos, observando sempre o que está disposto na
Resolução CFESS nº 557/2009. (BRASIL, 2010).
4 A PRÁTICA DO ASSISTENTE SOCIAL NO CONTEXTO HOSPITALAR

Neste capítulo abordar-se-á a questão do Serviço Social e a prática dos profissionais do


mesmo no âmbito hospitalar. No qual destaca-se no item 4.2, sobre seus limites e
possibilidades mediante as problemáticas e demandas surgidas neste espaço.

4.1 ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS

No que se refere as atribuições e competências do profissional de O Serviço Social no


campo da saúde, cabe ressaltar, que os mesmos são norteados pelos princípios éticos
postos através do Código de Ética Profissional, nos quais se configuram como
direcionamento que este profissional utiliza em seu cotidiano profissional, principalmente
nas demandas expostas pelos seus usuários, no qual este profissional deverá ter uma:

[...] análise crítica dos processos sociais de produção e reprodução das relações sociais.

[...] compreender o significado social da profissão e o seu desenvolvimento sócio-histórico,


no contexto internacional e nacional, primando as possibilidades de ação contidas na
realidade;

[...] identificar as demandas presentes na sociedade, com o objetivo de formular respostas


profissionais para o enfrentamento da questão social, considerando as novas articulações
entre o público e o privado. (ABEPSS, 1996, p. 1).

Este profissional deve ter uma atuação profissional baseada nas exigências acima,
compreendendo a realidade do seu usuário, a partir de uma visão crítica e reflexiva,
identificando essas demandas e suas causas, para que assim possam dar as devidas
respostas para essas expressões da questão social.
Sendo assim, estes profissionais também têm em sua prática, competências que norteiam
o seu fazer profissional dentro do seu cotidiano e da sua realidade de trabalho, partindo de
uma visão crítica, na qual servirá como forma uma estruturação para o seu trabalho. Desta
forma, é importante trazer para essa discussão a Lei de Regulamentação da Profissão
na qual estabelece, no seu artigo 4º, as competências do assistente social, onde este
profissional deverá trabalhar na:

[...] elaboração, implementação, execução e avaliação das políticas sociais em conjunto


com osórgãos da administração pública direta ou indireta, empresas públicas ou privadas,
entidades governamentais e não governamentais e organizações populares;

[...] coordenação, execução e avaliação dos planos, programas e projetos sejam no âmbito
da atuação do Serviço Social com a participação da sociedade civil;

[...] encaminhamentos em providências, onde o profissional prestará uma orientação social


a indivíduos, grupos e à população;

[...] na orientação aos indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais, na identificação


dos recursos e no uso destes mesmos no atendimento e na defesa dos seus direitos;

[...] no planejamento, na organização e na administração dos benefícios e serviços sociais;

[...] no planejamento, na execução e na avaliação das pesquisas que contribui para a análise
da realidade social e para dar suporte às ações profissionais;
[...] assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta,
empresas públicas ou privadas e outras entidades governamentais e não governamentais;

[...] prestar apoio aos movimentos sociais com assuntos relacionados às políticas sociais,
no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da população;

[...] no planejamento, na organização e na administração dos serviços sociais e na Unidade


de Serviço Social;

[...] na realização dos estudos socioeconômicos com a realidade social dos usuários desta
política com a finalidade de benefícios e serviços sociais juntamente com os órgãos da
administração pública direta e indiretamente, empresas privadas e públicas entre outras
entidades. (BRASIL, 1993, não paginado).

Este profissional deverá ter o entendimento de todas essas particularidades, pois são estas
que direcionará a maneira como este profissional atenda seus usuários, mediante a sua
prática profissional, tendo sempre como ponto de partida as suas competências e
habilidades, para que estes possam desempenhar suas ações conforme suas atribuições.
Sendo assim, concorda-se com o que Iamamoto (2002) diz, que o trabalho coletivo
não exime as competências e atribuições de cada profissional, ou seja, na verdade exige-
se uma maior clareza no trato das mesmas. Desta forma, assim como as competências,
este profissional também possui atribuições privativas, que estão instituídas no artigo 5º do
Código de Ética Profissional, onde discorre que este profissional é capacitado na:

[...] coordenação, planejamento, execução, supervisionamento e avaliação nos estudos,


pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social;

[...] planejamento, organização e administração entre programas e projetos em Unidade de


Serviço Social;

[...] assessoramento e consultoria em órgãos da administração pública direta e indireta,


empresas privadas ou públicas e outras entidades na área de Serviço Social;

[...] realizar visitas, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a área
de Serviço Social;

[...] assumir, na graduação de Serviço Social, como também na pós-graduação, disciplinas


e funções que exigem conhecimentos próprios e adquiridos na formação regular;

Na supervisão e treinamento direto de estagiários de Serviço Social;

Coordenação de Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de graduação e pós-


graduação e associações,núcleos, centros de estudo e de pesquisa em Serviço Social.

Trabalha-se ainda na elaboração de provas, na presidência e composição das bancas de


exames e comissões julgadoras de concursos e seleção de assistentes sociais,
ou mesmo, onde sejam aferidos conhecimentos inerentes ao Serviço Social;

Na coordenação de seminários, encontros, congressos e eventos voltados sobre assuntos


de Serviço Social;

Na fiscalização do exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regionais;


Nos serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas e privadas;

Em cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos públicos e


privados e nas entidades representativas da categoria profissional. (BRASIL, 1993, não
paginado).

Seguindo as suas competências e atribuições privativas, o assistente social atua no


atendimento aosusuários, seja ele individual ou em grupo, no momento do atendimento, no
assessoramento e na mobilização dos trabalhadores, compondo assim, a equipe
multiprofissional. Este profissional necessita ter clareza das suas atribuições e
competências, como forma de estabelecer prioridades de ações e estratégias, a partir de
demandas apresentadas pelos usuários.
Muitos são os desafios postos a este profissional, onde o mesmo têm uma atuação em
conjunto com outros profissionais e movimentos sociais nos quais compartilham
destes princípios e diretrizes que são defendidos pelo PEP- Projeto Ético Político, que
contribui de forma significativa no fortalecimento dos trabalhadores, tanto os trabalhadores
da saúde como aos usuários, enquanto sujeitos históricos neste processo.

4.2 PERSPECTIVAS NO ESPAÇO HOSPITALAR

A prática profissional do assistente social, é discutida nos parâmetros de atuação


profissional na área da saúde, como forma de conhecer a realidade social dos usuários a
que são destinados, no que se refere aos seus objetivos, que são encontrados em suas
abordagens e nos instrumentais das mesmas. A atuação profissional, é composta
pelos fundamentos teórico-metodológicos e ético-políticos do Serviço Social conforme o
contexto histórico e os instrumentais técnico-operativos. (BARROCO, 2012).

Como todo profissional, o assistente social tem como direcionamento da sua prática, o
projeto ético político da profissão, no qual este é pautado na perspectiva da totalidade social
e nas expressões da questão social. Neste projeto ético político da profissão. São
destacados a concepção de saúde, a sua integralidade, a intersetorialidade e a
interdisciplinaridade, no qual este profissional vai lidar em sua prática profissional, tanto no
atendimento aos usuários como na sua relação com as equipes multiprofissionais.

O conceito de saúde se encontra instituído na Constituição Federal de 1988 e, também na


Lei nº 8.080/1990, ressaltando as expressões da questão social, reafirmando que “a saúde
é direito de todos e dever do Estado, sendo, esta, garantida por meio de políticas sociais e
econômicas que visam à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso
universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”
(BRASIL, 1988).

Desta forma, indica-se como fatores determinantes e condicionantes na questão da saúde,

[...] a alimentação, a habitação, o saneamento básico, o meio ambiental, o trabalho, a renda,


a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais, sendo
trabalhados a partir dos níveis de saúde dos usuários que expressam a organização social
e econômica do País. (BRASIL, 1990, p. 1).
Por isso que a saúde vem sendo apresentada como uma área de atuação do assistente
social, nos últimos anos, tendo a dimensão social e histórica como um determinante para as
condições de saúdedestes usuários, em seu contexto atual, pelos quais foram
marcados pela precarização das condições de trabalho, pelo aumento do mercado informal,
pela flexibilização das relações de trabalho e de restrição de direitos. (IAMAMOTTO, 1982).
No entanto, cabe ressaltar que a saúde como campo de atuação do assistente social,
encontra-se permeada de contradições e distintas expressões da questão social, sendo
considerada assim, um campo fértil para absorção desses profissionais. Sendo assim a
saúde envolve também, diversos trabalhadores, inseridos no processo saúde/doença, pelos
quais exigem o desenvolvimento de ações de atendimento, prevenção e promoção da
saúde, fiscalizando o espaço ambiente e suas condições de trabalho, trabalhando em prol
da defesa das condições ambientais, e do acesso aos direitos previdenciários e trabalhistas
envolvendo diferentes atores. (IAMAMOTTO, 1982).
Em vista do exposto, Vasconcelos (2008, p.44), destaca que, a partir dos pressupostos
ideopolíticos, é necessário enfatizar o compromisso na busca pela garantia dos direitos
sociais, civis e políticos nos aspectos populares, para os cidadãos. O assistente social
na sua prática profissional constantemente se atenta para a análise do processo
de disponibilização dos serviços na saúde, tendo sempre como foco, a efetivação dos
direitos sociais, e principalmente o direito à saúde, a contribuição para um serviço de
qualidade e humanizado nos âmbitos públicos e privados, sendo este um direito
determinado na Carta Magna do Brasil.

Desta forma o profissional de Serviço Social trabalha no atendimento aos usuários, tanto de
forma individual como em grupo, na pesquisa, no assessoramento e na mobilização, onde
compõem muitas vezes, uma equipe multiprofissional. Estes profissionais enfrentam em sua
prática, grandes desafios e muitos limites, por trabalharem com uma política que depende
de diferentes órgãos e instituições, na área pública ou privada, entre outros. (BARROCO,
2012)

Sendo que este campo é considerado como um âmbito de atuação para o assistente social,
no qual este possui um direcionamento adotado pela profissão no qual trabalha em conjunto
com outros profissionais, onde este profissional tem princípios e diretrizes defendidas pelo
projeto ético político, no qual coloca os mesmos tanto como trabalhadores como
também sujeitos históricos neste processo. Estes profissionais atuam na dimensão de
alguns eixos como, o atendimento direto aos usuários, nas quais se desenvolvem ações que
são articuladas pela concepção de totalidade. (BARROCO, 2012, p. 65).
No atendimento direto aos usuários, no qual se dá através dos diferentes espaços de
atuação profissional, indo da atenção básica até os serviços que se organizam a partir das
ações de média e alta complexidade, que trabalham na estrutura da rede de serviços do
país a partir das unidades da Estratégia de Saúde da Família, dos postos e centros de
saúde, policlínicas, institutos, maternidades, Centros de Apoio Psicossocial
(CAPs), hospitais gerais, de emergência e especializados, incluindoainda os hospitais
universitários, seja ele vinculado ao federal, estadual ou municipal.

Essas ações predominam no atendimento direto, onde são consolidadas as ações


socioassistenciais, as de articulação interdisciplinar e as socioeducativas, estas ações não
trabalham de maneira isolada, que integram no processo coletivo do trabalho em saúde.
Ressalta-se ainda a realização destas ações no que se concerne na investigação,
referente ao trabalho profissional, no planejamento, na mobilização e na participação social
dos usuários para que seja garantido o direito à saúde, estas ações são constituídas através
de demandas voltadas aos profissionais de Serviço Social. (BARROCO, 2012).
Segundo Costa (2000, p. 32), a inserção destes profissionais na área da saúde, vem
sendo mediada pelo reconhecimento social da profissão e por um conjunto de necessidades
que se redefinem conforme as condições históricas onde a saúde pública se desenvolveu
no país, com a implementação do Sistema Único de Saúde, nos anos de 1990, têm-se como
novas exigências as formas de organização do trabalho em saúde, nas reivindicações
históricas do movimento sanitário, que seguem como exemplos para a universalização, a
descentralização e a participação popular.
Contudo, são apresentadas novas contradições que são criadas com a contrarreforma na
saúde, com o intuito de não viabilizar o SUS constitucional, e colocar em prática o SUS que
o país realmente necessita não somente trabalhar em cima de leis que não conhecem a
realidade social tal como ela é, pois deve ser observado como é que se dá o cotidiano dos
serviços institucionais, nas suas mais variadas questões operativas como:

[...] a demora no atendimento, a precarização dos recursos, burocratização, ênfase na


assistência médica curativa, problemas com a qualidade e quantidade de atendimento, não
atendimento aosusuários. Sendo assim as ações do assistente social em sua prática diária,
deve transpor o caráter emergencial e burocrático, tendo um direcionamento socioeducativo
através da reflexão em relação àsdemandas que são postas pelos usuários a partir
da mobilização e da participação destes nas lutas em defesa da garantia do direito à saúde.
(BARROCO, 2012)
Fazendo uso de suas atribuições privativas, este profissional utiliza como estratégia o
planejamento coletivo, sendo este elaborado na própria unidade, pois a elaboração desses
protocolos definem o fluxo de encaminhamentos para os diferentes serviços na
instituição sendo esta fundamental, onde o trabalho em equipe deve ser articulado com as
ações em conjunto com a equipe de saúde, reafirmando as atribuições do assistente social
e dos demais profissionais, destacando assim a interdisciplinaridade como uma perspectiva
de trabalho a ser defendida na saúde.
Desta forma, Iamamoto (2002, p. 41) afirma que, é necessário desmistificar a ideia de que
a equipe, ao desenvolver ações articuladas, cria assim uma identidade entre seus usuários
e profissionais, no qual leva à transformação de suas particularidades profissionais. A
autora ainda coloca que essas diferenças de especializações pelas quais permitem atribuir
uma unidade à equipe profissional, enriquecendo-a e, preservando-a de qualquer forma de
diferenças.

Desta forma, o assistente social ao participar deste trabalho na equipe de saúde, se trabalha
com suas competências, dispondo de suas particularidades de observação,
no encaminhamento das ações, se diferenciando dos outros profissionais da área.
(IAMAMOTO, 2002, p. 41).

A atuação da equipe profissional requer ao profissional de Serviço Social, que este observe
e sempre atento aos seus princípios ético-políticos, sendo firmados no Código
de Ética Profissional e na Lei de Regulamentação da Profissão, ambos acontecidos no ano
de 1993, e nas Diretrizes Curriculares da ABEPSS, datada em 1996. No entanto, inserido no
âmbito da saúde, o profissional de Serviço Social, também deve ser orientado através
desses princípios, visando uma prática interventiva voltada para a garantia dos direitos dos
usuários.
Para isso, se têm uma equipe de saúde e/ou empregadores conforme às condições de
trabalho e/ou falta de conhecimento das competências dos assistentes sociais, sendo estes
requisitados nas diversas ações que não são atribuições dos mesmos como,

a marcação de consultas e exames, bem como solicitação de autorização para tais


procedimentos aos setores competentes, na solicitação e regulação de ambulância para
remoção e alta, na identificação de vagas em outras unidades nas situações de necessidade
de transferência hospitalar, na pesagem e medição de crianças e gestantes, na convocação
do responsável para informar sobre alta e óbito, na comunicação de óbitos, na emissão de
declaração de comparecimento na unidade quando o atendimento for realizado por
quaisquer outros profissionais que não o Assistente Social, e no de montagem e
preenchimento de formulários para viabilização de Tratamento Fora de Domicílio (TFD),
medicação de alto custo e fornecimento de equipamentos (órteses, próteses e meios
auxiliares de locomoção), bem como a dispensação destes. (BARROCO, 2012)

Estão sendo aqui consideradas como não atribuições dos assistentes sociais, aquelas ações
que possuem um caráter eminentemente técnico-administrativo, como também aquelas que
demandam uma formação técnica específica (de outras profissões da saúde) não
contemplada na formação profissional dos assistentes sociais.
Diante dessas considerações apresentadas, destacam-se como ações de articulação dos
assistentes sociais na equipe de saúde, a elaboração juntamente com a equipe propostas
de trabalho que delimitem as ações dos diversos profissionais por meio da realização de
seminários, debates, grupos de estudos e encontros, na construção e implementação, junto
com a equipe de saúde, propostas de treinamento e capacitação do pessoal técnico-
administrativo com vistas a qualificar as ações administrativas que tem interface com o
atendimento ao usuário. (BARROCO, 2012).
No incentivo e participação com os demais profissionais de saúde da discussão do modelo
assistencial e da elaboração de normas, rotinas e da oferta de atendimento da unidade,
tendo por base os interesses e demandas da população usuária, isso exige o rompimento
com o modelo assistencial baseado na procura espontânea e no tratamento isolado das
doenças, garantindo a inserção do Serviço Social em todos os serviços prestados pela
unidade de saúde (recepção e/ou admissão, tratamento e/ou internação e alta), ou seja,
atender o usuário e sua família, desde a entrada do mesmo na unidade por meio de rotinas
de atendimento construídas com a participação da equipe de saúde. (BARROCO, 2012).

Trabalha-se ainda na identificação e no trabalho em relação aos determinantes sociais da


situação apresentada pelos usuários e garantir a participação dos mesmos no processo de
reabilitação, bem como a plena informação de sua situação de saúde e a discussão sobre
as suas reais necessidades e possibilidades de recuperação, face as suas condições de
vida, na realização em parceira com a equipe de saúde (médico, psicólogo e/ou outros), o
atendimento à família e/ou responsáveis em caso de óbito, cabendo ao assistente social
esclarecer a respeito dos benefícios e direitos referentes à situação, previstos no aparato
normativo e legal vigente tais como, os relacionados à previdência social, ao mundo do
trabalho (licença) e aos seguros sociais (Danos Pessoais causados por Veículos
Automotores por via Terrestre – DPVAT), bem como informações e encaminhamentos
necessários, em articulação com a rede de serviços sobre sepultamento gratuito, translado
(com relação a usuários de outras localidades), entre outras garantias de direitos.
(BARROCO, 2012)

O assistente social participa ainda em conjunto com outros profissionais, de ações


socioeducativas nos diversos programas e clínicas, como por exemplo, na saúde da família,
na saúde mental, na saúde da mulher, da criança, do adolescente, do idoso, da pessoa com
deficiência (PCD), do trabalhador, no planejamento familiar, na redução de danos, álcool e
outras drogas, nas doençasinfectocontagiosas (DST/AIDS, tuberculose, hanseníase, entre
outras) e nas situações de violência sexual e doméstica, planejando, executando e
avaliando com a equipe de saúde ações que assegurem a saúde enquanto direito, avaliando
as questões sociofamiliar que envolvem o usuário e/ou sua família.
Na busca de favorecer a participação de ambos na demanda posta à equipe,
participando do projeto de humanização da unidade na sua concepção ampliada, sendo
transversal a todo o atendimento da unidade e não restrito à porta de entrada, realizando a
notificação, juntamente com a equipe multiprofissional, frente a uma situação constatada
e/ou suspeita de violência aos segmentos já explicitados anteriormente, às autoridades
competentes, bem como verificar as providências cabíveis, considerando sua autonomia e
o parecer social do assistente social. (BARROCO, 2012).
Estas ações possuem orientações reflexivas e de socialização de informações feitas
através de abordagens individuais, em grupos ou coletivas ao usuário, família e população
de determinada área. Desta forma são constituídas através de um eixo central de atuação
profissional de Serviço Social, onde recebem a denominação de educação na saúde.
Sendo focado aos aspectos voltados à saúde como: a informação e o debate sobre as
rotinas e o funcionamento das unidades de saúde, tendo por finalidade a sua
democratização e as modificações necessárias, nas análises dos determinantes
sociais de situações apresentadas pelos usuários, democratização dos estudos realizados
pela equipe profissional (relacionada à rede de serviços, com o perfil epidemiológico,
socioeconômico e cultural dos usuários), analisando a política de saúde e dos mecanismos
de participação popular.
Essas ações socioeducativas e/ou educação em saúde devem ter como intenção a
dimensão da libertação na construção de uma nova ordem cultural, enfatizando a
participação dos usuários no conhecimento crítico da sua realidade social, como forma
de potencializar os sujeitos para a construção de estratégias coletivas.

No desenvolvimento das ações socioeducativas, estas são realizadas pelos assistentes


sociais, por meio da sensibilização dos usuários acerca dos direitos sociais, princípios e
diretrizes do SUS, rotinas institucionais, promoção da saúde e prevenção de doenças por
meio de grupos socioeducativos, na democratização das informações da rede de
atendimento e direitos sociais por meio de ações de mobilização na comunidade,
nos debates e oficinas na área geográfica de abrangência da instituição, nas atividades
socioeducativas nas campanhas preventivas, nas rotinas e no funcionamento da unidade
por meio de ações coletivas de orientação, na socialização das informações
e potencializando as ações socioeducativas desenvolvendo atividades nas salas de espera,
trabalha-se ainda na elaboração e/ou divulgação dos materiais socioeducativos como
folhetos, cartilhas, vídeos, cartazes e outros que facilitem o conhecimento e o acesso dos
usuários aos serviços oferecidos pelas unidades de saúde e aos direitos sociais em geral, na
mobilização e incentivo dos usuários e de suas famílias para participar no controle
democrático dos serviços prestados, realizando atividades em grupos com os usuários e
suas famílias, abordando temas de seu interesse. (BARROCO, 2012).

É nessa perspectiva, que o assistente social deve utilizar da sua prática reflexiva, na
qual possibilita aos usuários analisarem e assim poderem desvendar situações vivenciadas
através de sua reflexão crítica, sendo estimulada pelo assistente social, com o objetivo
de fazer com que o usuário consiga captar essa questão da realidade social, podendo
assim, participar, de forma mais consciente, no seu processo de transformação dessa
realidade enquanto ser histórico.
Este processo deve priorizar a atenção coletiva, em grupo, possibilitando a troca de
experiência entre os sujeitos, a manifestação da força que a organização possui e da
condição de classe dos sujeitosenvolvidos.