Вы находитесь на странице: 1из 85

BACHARELADO EM ENGENHARIA AMBIENTAL E SANITÁRIA

Venicius Lorenzini

INUNDAÇÕES NA ÁREA URBANA DO MUNICÍPIO DE ENCANTADO/RS E O


PLANO DIRETOR: UMA PROPOSTA DE ZONEAMENTO

Porto Alegre

2017
1

Venicius Lorenzini

INUNDAÇÕES NA ÁREA URBANA DO MUNICÍPIO DE ENCANTADO/RS E O


PLANO DIRETOR: UMA PROPOSTA DE ZONEAMENTO

Projeto de Pesquisa do Trabalho de Diplomação a ser


apresentado ao Departamento de Engenharia Ambiental
e Sanitária do Centro Universitário Ritter dos Reis,
como parte dos requisitos para obtenção do título de
Engenheiro Ambiental e Sanitarista.
Orientador: José Antônio Colvara de Oliveira

Porto Alegre

2017
2

AGRADECIMENTOS

Dedico este trabalho a minha família, especialmente aos meus pais Pedro Lorenzini e
Silvana Giacomolli Lorenzini, e aos meus irmãos Cristiano e Gabrieli Lorenzini, sem o apoio
de vocês a concretização deste sonho não teria sido possível.
Agradeço ao meu orientador José Antônio Colvara de Oliveira, por aceitar este
desafio, e auxiliar e dedicar seu tempo para a possível realização deste trabalho.
A minha companheira, Zuriñe-Iztaru Goicoechea Urrutia, que mesmo a distância me
apoiou, principalmente nos momentos mais duros.
A Amanda Wajnberg Fadel, por dar a luz para a escolha do tema deste trabalho, e pelo
auxilio sempre que necessário.
Ao Fernando Mainardi Fan, por todas as horas dispensadas para responder minhas
dúvidas e pela sua dedicação, para que este trabalho se concretizasse.
Ao Luciano Brasileiro Cardone, pelo auxílio na execução deste trabalho.
A Prefeitura Municipal de Encantado, pela disponibilização do material utilizado neste
estudo, e acompanhamento da visita a campo, em especial ao Gustavo Giacomolli Pitol.
Ao John Fernando de Farias Würdig, professor e coordenador do curso, e acima de
tudo amigo, pelo empenho e contribuição para a minha formação pessoal e profissional.
A Eloisa, do GRID/UFRGS, pela disponibilização do material utilizado neste trabalho.
A minha chefe Rejane Beatriz de Abreu e Silva, por depositar sua confiança em mim,
e me dar a oportunidade de estagiar na Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável, e principalmente por entender minha ausência na reta final desta etapa.
Aos colegas da Divisão de Outorgas, principalmente a Francielle Niewinski, e a Ellen
Beneduzzi, por ouvirem meus desabafos e angústias.
Aos meus amigos e colegas da universidade, em especial a futura colega de profissão
Glenda Fauth, e ao Vicente Fiametti Lutz, que acompanharam de perto o desenvolvimento
deste trabalho, e estiveram presentes nos momentos mais difíceis.
A minha “família Porto - Alegrense”, especialmente a Javi Escrivá, Dylan Boyle,
Carolina Sigüenza e Álvaro Machado, por me acolherem e compartilhar bons momentos no
período que estive em Porto Alegre.
A todos que participaram e contribuíram de alguma forma, para realização deste
trabalho, assim como para meu crescimento pessoal e profissional, deixo expresso aqui o meu
muito obrigado. Sem vocês a conclusão deste trabalho não teria sido possível.
3

RESUMO

Desde os tempos remotos o homem buscou aproximar-se aos cursos dá água, visando
obter proveito dos mesmos, através da captação de água, navegação e disposição de dejetos. O
crescimento urbano desordenado acaba por forçar a ocupação pela população mais carente, de
áreas suscetíveis a desastres naturais, como inundações, movimentos de massa, colocando
esta mesma população em risco. O município de Encantado, no Rio Grande do Sul,
localizado na parte baixa da Bacia Taquari-Antas, que se desenvolveu próximo ao rio Taquari
e ao arroio Jacaré, sofre constantemente com o fenômeno de inundações graduais, devido a
sua localização geográfica, caracterizada por vales abertos, com áreas características de
terraços fluviais e áreas de planícies, e ainda, associada às baixas declividades do rio Taquari.
Desta forma, o objetivo deste trabalho foi realizar uma análise quanto à suscetibilidade das
áreas de inundação para o município de Encantado quanto aos diferentes tempos de retorno
(TR), visando propor um zoneamento quanto às Faixas de Perigo de Inundação, além destes,
buscou-se verificar a existência de edificações construídas abaixo das cotas mínimas de
construção estipuladas pelo Plano Diretor. Foram desenvolvidos diversos procedimentos,
desde o cálculo de vazões máximas para cada TR através da Distribuição Estatística de
Gumbel e Regionalização de Vazões, até a Modelagem Hidráulica, visando verificar o
comportamento da água para os diferentes TR, associados a vazão máxima, fazendo-se uso
dos softwares ArcGIS e HEC-RAS. As três Faixas de Inundação consideradas neste estudo
correspondem para o mapa de zoneamento sugestivo correspondem a: zona de passagem de
cheias, zona com restrições e zona de baixo perigo, sendo associadas aos TR de, menor ou
igual a 5 anos, entre 5 e 25 anos, e entre 50 e 100 anos respectivamente. O TR de 25 anos, que
pode ser considerado um tempo de retorno médio, ressalta que o principal bairro afetado pelas
inundações é o Navegantes. Este trabalho enfatiza, que compreender a dinâmica do
escoamento das águas, frente a eventos hidrológicos extremos, é de fundamental importância
para uma futura gestão de riscos e desastres naturais. Sendo, o zoneamento da suscetibilidade
as inundações, uma ferramenta imprescindível para melhor atuação dos órgãos responsáveis
frente aos desastres naturais.

PALAVRAS-CHAVE: Modelagem Hidráulica. Suscetibilidade. Inundações. Zoneamento.


Desastres Naturais.
4

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Diagrama de delineamento do trabalho ................................................................... 16

Figura 2 - Perfil esquemático do processo de enchente e inundação ....................................... 17

Figura 3 - Características dos leitos do rio ............................................................................... 18

Figura 4 - Efeitos da urbanização ............................................................................................. 19

Figura 5 - Representação gráfica da altitude do terreno ........................................................... 25

Figura 6 - Mapeamento das inundações considerando proposta de diques de proteção na


cidade de Lajeado ..................................................................................................................... 27

Figura 7 - Localização e Modelo de Elevação Digital da Bacia Taquari Antas ....................... 29

Figura 8 - Localização e Altimetria de Encantado ................................................................... 31

Figura 9 - Estrutura de drenagem do bairro Navegantes, com detalhe para uma das estruturas
de drenagem .............................................................................................................................. 35

Figura 10 - Exemplo da Função Flow Direction ...................................................................... 39

Figura 11- Esquema das seções transversais traçadas no HEC-GeoRAS com detalhe para a
seção 2.502,42 m ...................................................................................................................... 44

Figura 12 - Fluxuograma das etapas do HEC-GeoRAS ........................................................... 45

Figura 13 - Equacionamento de Bernoulli................................................................................ 46

Figura 14 - Simulação da inundação em 3D no HEC-RAS, para o TR de 200 anos ............... 50

Figura 15- Faixas de inundação ................................................................................................ 52

Figura 16- Mapa das Manchas de Inundações para o Município de Encantado ...................... 58

Figura 17- Zoneamento de Inundações no Município de Encantado com destaque para as


cotas das ZOCs ......................................................................................................................... 62

Figura 18- Zoneamento de Inundações no Município de Encantado ....................................... 65


5

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Cotas de altitude e coordenadas planas das pontes sobre o Arroio Jacaré .............. 34

Tabela 2 – Dados utilizados para a geometria das pontes ........................................................ 49

Tabela 3 - Vazões máximas para o rio Taquari ........................................................................ 54

Tabela 4 - Vazões Máximas para a estação fluviométrica de código 86700000 ...................... 55

Tabela 5 - Vazões para a seção de interesse (Qz)...................................................................... 56

Tabela 6 - Vazão totais máximas para o arroio Jacaré ............................................................. 56

Tabela 7 - Relação de vazões e áreas para cada Tempo de Retorno ........................................ 59


6

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Classificação de Perigo, baseado em UN – ISDR (2004) ...................................... 21

Quadro 2 - Ocorrência de eventos associados a precipitações em Encantado ......................... 32

Quadro 3 - Bairros afetados pelas inundações.......................................................................... 61

Quadro 4- Edificações abaixo da cota mínima de construção .................................................. 63

Quadro 5 - Resultados da análise entre cotas mínimas de construção do PDDU e Faixas de


Inundação do Mapa de Zoneamento ......................................................................................... 66
7

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

ANA – Agência Nacional de Águas


CENAD – Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres
CEMADEN – Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais
CEPED – Centro de Estudos e Pesquisas sobre Desastres
CNT – Confederação Nacional do Transporte
COBRADE – Classificação e Codificação Brasileira de Desastres
CPRM – Serviço Geológico do Brasil
EM-DAT - The International Disaster Database
ESRI – Environmental Systems Research Institute
GRID - Gestão de Riscos e Desastres
HEC – Hydrologic Engineering Center
HMS – Hydrologic Modelling System
IPH – Instituto de Pesquisas Hidráulicas
MDE – Modelo Digital de Elevação
MGB – Modelo de Grandes Bacias
Min. Cidades/ IPT – Ministério das Cidades / Instituto de Pesquisas Tecnológicas
MNT – Modelo Numérico de Terreno
OFDA/CRED – The Office of US Foreign Disaster Assistance/ Centre for Research on the
Epidemiology of Disasters
PNPDC – Política Nacional de Proteção e Defesa Civil
RAS – River Analysis System
SEDEC – Secretaria Nacional de Proteção de Defesa Civil
SIG – Sistema de Informação Geográfica
SRTM – Shuttle Radar Topographic Mission
UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul
UN-ISDR – United Nations - International Strategy for Disaster Reduction
USGS – United States Geological Survey
TR – Tempo de Retorno
WRC – Water Resouce Council
8

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................... 10

2 DIRETRIZES DE PESQUISA ........................................................................................... 13

2.2 OBJETIVOS DA PESQUISA ............................................................................................ 13

2.2.1 Objetivo geral ................................................................................................................. 13

2.2.2 Objetivos específicos ...................................................................................................... 13

2.3 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................... 14

2.4 DELIMITAÇÕES ............................................................................................................... 14

2.5 LIMITAÇÕES .................................................................................................................... 15

2.6 DELINEAMENTO............................................................................................................. 15

3 REFERENCIAL TEÓRICO .............................................................................................. 17

3.1 INUNDAÇÕES .................................................................................................................. 17

3.2 PERIGO, VULNERABILIDADE, RISCO E SUSCETIBILIDADE A INUNDAÇÕES . 19

3.2.1 Suscetibilidade e Vulnerabilidade ................................................................................ 19

3.2.2 Risco e Perigo ................................................................................................................. 21

3.3 MODELAGEM HIDROLÓGICA E HIDRODINÂMICA ................................................ 22

3.4 GEOPROCESSAMENTO APLICADO ............................................................................ 24

3.5 ZONEAMENTO ................................................................................................................ 26

4 METODOLOGIA ................................................................................................................ 28

4.1 ÁREA DE ESTUDO .......................................................................................................... 28

4.1.1 Bacia Hidrográfica Taquari-Antas .............................................................................. 28

4.1.2 Município de Encantado ............................................................................................... 30

4.2 COLETA DE DADOS ....................................................................................................... 33

4.3 DISTRIBUIÇÃO ESTATÍSTICA DE GUMBEL ............................................................. 35

4.3.1 Regionalização de Vazões ............................................................................................. 36


9

4.3.2 Método baseado na Interpolação Linear ..................................................................... 37

4.3.3 Delimitação automática das sub-bacias utilizando o ArcGIS ................................... 38

4.3.4 Cálculo das áreas de drenagem das sub-bacias contribuintes ao arroio Jacaré...... 40

4.4 MODELAGEM HIDRÁULICA ........................................................................................ 40

4.4.1 ArcGIS 10.5 .................................................................................................................... 40

4.4.2 HEC-GeoRAS ................................................................................................................ 43

4.4.3 HEC-RAS ....................................................................................................................... 46

4.5 PÓS-MODELAGEM HIDRÁULICA ................................................................................ 50

4.5.1 Análise de Suscetibilidade a Inundações ..................................................................... 50

4.5.2 Análise das Edificações conforme as cotas altimétricas estabelecidas pelo Plano
Diretor................ ..................................................................................................................... 51

4.5.3 Proposta de Zoneamento quanto às inundações para o município de Encantado .. 52

5 RESULTADOS .................................................................................................................... 54

5.1 PRÉ-MODELAGEM HIDRÁULICA ................................................................................ 54

5.1. Distribuição Estatística de Gumbel .............................................................................. 54

5.1.2 Áreas de drenagem ........................................................................................................ 55

5.1.3 Regionalização de Vazões pelo Método da Interpolação Linear............................... 55

5.2 PÓS - MODELAGEM HIDRÁULICA .............................................................................. 56

5.2.1 Análise de Suscetibilidade a Inundações ..................................................................... 57

5.2.2 Análise das Edificações conforme as cotas altimétricas estabelecidas pelo Plano
Diretor................ ..................................................................................................................... 61

5.2.3 Proposta de Zoneamento quanto às inundações para o município de Encantado .. 63

6 CONCLUSÕES .................................................................................................................... 69

REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 71

APÊNDICES ........................................................................................................................... 75

ANEXOS ................................................................................................................................. 84
10

1 INTRODUÇÃO

Desde os tempos remotos o homem buscou se instalar próximo aos rios e cursos de
água com intenção de obter benefícios, como: deslocamento, disposição de dejetos e obtenção
de água para consumo. Outrora o homem se adaptava ao ciclo hidrológico facilmente, fato
que não ocorre na atualidade, onde a urbanização e o crescimento populacional tendem a
alocar as populações em áreas suscetíveis a desastres naturais, dentre elas movimentos de
massa e inundações, sem que o devido planejamento seja executado na mesma velocidade.
O avanço da urbanização nos países subdesenvolvidos ocorre geralmente sem
planejamento. A população busca se instalar próximo aos centros urbanos, tentando melhores
oportunidades de vida. A população mais carente, por não possuir condições financeiras, na
maior parte das vezes acabam ocupando áreas de risco, como encostas e áreas suscetíveis a
inundações. Estas últimas geralmente localizadas no leito maior dos rios. Nos períodos
chuvosos, os rios:

[...] saem do seu leito menor e ocupam o leito maior, dentro de um processo natural.
Como isso ocorre de forma irregular ao longo do tempo, a população tende a ocupar
o leito maior, ficando sujeita ao impacto das inundações. (TUCCI, 2005, p.22).

O crescimento urbano:

[...] tem se caracterizado pela expansão irregular da periferia, com pouca obediência
da regulamentação urbana relacionada com o Plano Diretor e normas específicas de
lotes, além da ocupação irregular das áreas públicas pela população de baixa renda.
Este processo dificulta o ordenamento das ações não estruturais do controle
ambiental urbano. 1 (TUCCI; BERTONI, 2003, p. 13, tradução nossa).

Conforme OFDA/CRED (2009 apud Tominaga, 2009, p. 18) de acordo com dados do
EM-DAT, o Brasil está entre os países do mundo mais atingidos por inundações e enchentes,
tendo registrado 94 desastres cadastrados no período de 1960 a 2008, com 5.720 mortes e
mais de 15 milhões de pessoas afetadas entre desabrigados e desalojados. Considerando
somente os desastres hidrológicos que englobam inundações, enchentes e movimentos de
massa, em 2008 o Brasil esteve em 10º lugar entre os países do mundo em número de vítimas
de desastres naturais, com 1,8 milhões de pessoas afetadas.

1 “[...] ha sido caracterizado por la expansión irregular de la periferia, con poca obediencia de la reglamentación
urbana relacionada con el Plano Director y normas específicas de loteos, además de la ocupación irregular de las
áreas públicas por población de baja renta. Este proceso dificulta el ordenamiento de las acciones no
estructurales del control ambiental urbano”. (TUCCI ; BERTONI, 2003, p.13)
11

As inundações são conceituadas conforme a Classificação e Codificação Brasileira de


Desastres (COBRADE) como: “Submersão de áreas fora dos limites normais de um curso de
água em zonas que normalmente não se encontram submersas. O transbordamento ocorre de
modo gradual, geralmente ocasionado por chuvas prolongadas em áreas de planície.”
(BRASIL/Ministério da Integração Nacional, 2017).
Um município com áreas sujeitas a inundações é o de Encantado, localizado na Bacia
Hidrográfica Taquari-Antas, no Vale do Taquari, Estado do Rio Grande do Sul. A localização
do município próxima ao rio Taquari antes vista como estratégica, na atualidade resulta na
exposição de parte da população às inundações.
A Lei Nº 12.608, de 10 de abril de 2012, (BRASIL, 2012) instituiu a Politica Nacional
de Proteção e Defesa Civil, e autorizou a criação de sistema de informações e monitoramento
de desastres. Interessa, neste ponto, destacar o Artigo 7º, nos incisos IV e V, que coloca a
competência do Estado dentro da PNPDC, e ainda o Parágrafo único que traz instruções para
o Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil, conforme segue:

IV - identificar e mapear as áreas de risco e realizar estudos de identificação de


ameaças, suscetibilidades e vulnerabilidades, em articulação com a União e os
Municípios;
V - realizar o monitoramento meteorológico, hidrológico e geológico das áreas de
risco, em articulação com a União e os Municípios;
Parágrafo único - o Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil conterá, no mínimo:
I - a identificação das bacias hidrográficas com risco de ocorrência de desastres; e
II - as diretrizes de ação governamental de proteção e defesa civil no âmbito
estadual, em especial no que se refere à implantação da rede de monitoramento
meteorológico, hidrológico e geológico das bacias com risco de desastre. (BRASIL,
2012).

Visando atender a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDC), foi


desenvolvido o projeto Mapeamento de Riscos, da Secretaria Nacional de Proteção de Defesa
Civil (SEDEC), que contempla atividades para levantamento de dados relacionados à
vulnerabilidade aos eventos de inundação e movimentos de massa, elaboração de mapas de
risco, mapas de vulnerabilidade e geração de conhecimento para estabelecimento de uma
metodologia nacional para mapeamento de vulnerabilidade e risco. Os estudos ficaram a
cargo da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), atualmente referenciada
como Serviço Geológico do Brasil. (GRID, [2012-2017]).
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), através do Centro
Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (CEPED/RS), foi responsável pelo
desenvolvimento de uma metodologia para mapeamento e classificação dos graus de
vulnerabilidade relacionados às inundações, enxurradas e movimentos de massa no Rio
12

Grande do Sul para o projeto de Mapeamento de Riscos. Dentre os 821 municípios brasileiros
selecionados como prioritários, no Estado do Rio Grande do Sul foram identificados 31
municípios, sendo selecionados apenas 8 para a primeira fase de ampliação de diagnóstico,
onde Encantado foi um deles. (GRID, [2012-2017]).
O município está localizado entre regiões caracterizadas por vales encaixados e
planícies de inundação, sendo alvo constante de inundações, devido a fenômenos de
precipitações intensas nas partes mais altas da bacia hidrográfica Taquari-Anta. As regiões
próximas à cabeceira são caracterizadas por vales encaixados, associados a altas declividades,
consequentemente o volume de água ao chegar às partes mais baixas da bacia, caracterizadas
como áreas de planície resultam em inundações lentas ou graduais. As inundações lentas ou
graduais, segundo Brasil (2003), se relacionam com períodos demorados de chuvas contínuas,
ocorrendo em grandes bacias ou áreas de planície, sendo o fenômeno caracterizado por sua
abrangência e grande extensão.
Deste modo a identificação antecipada das possíveis áreas sujeitas à ocorrência destes
fenômenos é de fundamental importância, dado que a previsão antes da ocorrência pode
diminuir o risco de perda de vidas humanas e de danos materiais.
Segundo Bombassaro e Robaina (2010, p. 85), a partir das características de relevo e
das precipitações, as inundações que afetam a bacia do Taquari apresentam os maiores
prejuízos econômicos a partir da cidade de Encantado.
O zoneamento, conforme Tucci (2012, p. 642), é a definição de um conjunto de regras
para a ocupação das áreas de maior risco de inundação, visando à minimização de futuras
perdas materiais e humanas em face das grandes cheias.
Dada à importância da implementação de medidas não estruturais em municípios
sujeitos a inundações e enchentes, onde as mesmas são caracterizadas por atacar as causas do
problema antes de sua ocorrência, este trabalho buscará mapear áreas suscetíveis as
inundações, visando contribuir com os estudos realizados até o momento pela CPRM e pelo
CEPED, na área urbana do município de Encantado/RS.
13

2 DIRETRIZES DE PESQUISA

A seguir serão apresentadas as diretrizes de pesquisa.

2.1 QUESTÃO DE PESQUISA

Em vista do que foi anteriormente descrito e tendo como princípio fundamental que a
Engenharia Ambiental e Sanitária tem como função precípua a prevenção, antes da
remediação, das áreas que são ocupadas pela ação humana, este trabalho tem como
questionamento determinar: O Plano Diretor de Encantado está de acordo com os padrões de
inundação da cidade?

2.2 OBJETIVOS DA PESQUISA

Os objetivos da pesquisa estão classificados em objetivo geral e objetivos específicos e


estão descritos a seguir.

2.2.1 Objetivo geral

O principal objetivo deste trabalho é determinar as áreas suscetíveis a inundações na


área urbana do município de Encantado/RS, fazendo uma relação com as cotas mínimas de
construção do Plano Diretor de Encantado para áreas sujeitas a inundações.

2.2.2 Objetivos específicos

a) Simular o extravasamento do arroio Jacaré e rio Taquari, visando obter as manchas de


inundação na área urbana, para os diferentes TR;
b) Verificar a influência do rio Taquari na inundação das áreas correspondentes ao arroio
Jacaré;
c) Analisar edificações construídas abaixo das cotas mínimas, estabelecidas pelo Plano
Diretor de Encantado.
d) Estabelecer uma proposta de zoneamento quanto ao perigo das áreas suscetíveis a
inundações no município de Encantado.
14

2.3 JUSTIFICATIVA

A crescente urbanização desordenada e sem planejamento muitas vezes força a


população a ocupar áreas sujeitas a inundações e movimentos de massa, deixando os
habitantes da região em situação de vulnerabilidade frente a esses fenômenos naturais
intensificados pelo homem.
A inundação é um fenômeno que afeta o município de Encantado em períodos
chuvosos, devido a se localizar em áreas de planície. Embora caracterizada como um
fenômeno natural, as inundações podem ser intensificadas pelo homem através da
urbanização no leito maior dos rios, onde ocorre a impermeabilização do solo e retirada da
cobertura vegetal. Segundo Tucci (2012, p. 623), a bacia hidrográfica pode ser alterada pela
ação do homem através da urbanização resultando no aumento de vazão máxima e do
escoamento superficial.
A Região Sul do Brasil é uma das mais características quando se trata de eventos
críticos de cheias, segundo a Agência Nacional de Águas. (ANA 2014, p.13), possuindo 2.618
trechos inundáveis, dos quais 43% são de alta vulnerabilidade à inundação. Conforme o Atlas
de Vulnerabilidade a Inundações de 2014, no mapa correspondente ao Estado do Rio Grande
do Sul, o trecho da região urbana de Encantado é considerado de alta vulnerabilidade a
inundações. (ANA, 2014).
Desta forma, este trabalho buscará, através de softwares específicos, simular as áreas
afetadas pelas inundações na parte urbana do município de Encantado. Portanto, se buscará
contribuir com estudos realizados pela CPRM e pelo CEPED/RS da UFRGS no município,
visto que os mesmos não realizaram um relacionamento das áreas afetadas pelas inundações
associadas aos tempos de retorno. Sendo que a análise das áreas afetadas pelas inundações
associadas aos tempos de retorno, assim como a proposta de zoneamento quanto às
inundações poderá ser utilizada na tomada de decisões em futuras situações de emergência.

2.4 DELIMITAÇÕES

Dentro do escopo do presente projeto, a intenção foi estabelecer sua localização


especificamente dentro da área urbana do município de Encantado/RS, nas áreas prioritárias
levantadas pela CPRM, através do “Projeto Setorização de Áreas em Alto e Muito Alto Risco
a Movimentos de Massa, Enchentes e Inundações” (ANEXO A), que em seguida serviu de
base para o projeto “Mapeamento de Vulnerabilidade de Áreas Suscetíveis a Deslizamentos e
15

Inundações, realizado pelo CEPED”. Para este estudo, foi desconsiderado parcialmente o
bairro Jacarezinho, localizado no setor de risco 9, e o bairro Lajeadinho, localizado no setor
de risco 1, ainda, foi desconsiderado totalmente o bairro Palmas, localizado na zona rural do
município. Buscou-se realizar um zoneamento sugestivo para o município, quanto ao perigo,
realizando uma conexão com o Plano Diretor, conforme Lei 1.566/91, além de uma análise
para determinar as edificações construídas abaixo da cota mínima de construção estabelecidas
pelo PPDU.
Foram utilizados dados fluviométricos das estações coletoras de código 86720000 e
86700000. Foi calculada a vazão da bacia contribuinte ao arroio Jacaré através da
Regionalização de Vazões, utilizando o método da Interpolação Linear. Ainda, como
mecanismo de tratamento dos dados, fez-se uso do software HEC-RAS 5.0.3, para trabalhar
com o segmento hidráulico da situação a ser gerada. Outro software utilizado foi o ArcGIS
10.5, e a extensão HEC-GeoRAS para serem trabalhadas as imagens de satélite e o modelo
digital de elevação (MDE) necessários para a consecução do presente objetivo.

2.5 LIMITAÇÕES

Este trabalho está condicionado aos seguintes parâmetros:


a) Dados obtidos da estação fluviométrica;
b) Seção transversal do rio obtida através do MDE;
c) Superestimação ou subestimação das manchas de inundação que serão obtidas através
dos softwares HEC-RAS 5.0.3 e ArcGIS 10.5.

2.6 DELINEAMENTO

O trabalho foi desenvolvido através das etapas apresentadas a seguir, representadas na


Figura 1 e descritas nos próximos parágrafos: Na primeira etapa da pesquisa foi realizada uma
pesquisa bibliográfica, dividida em 5 eixos de pesquisa: Inundações; Perigo, Vulnerabilidade,
Risco e Suscetibilidade a inundações; Modelagem Hidrológica e Hidrodinâmica;
Geoprocessamento Aplicado, e Zoneamento. Esta pesquisa buscou explanar os principais
conceitos de cada eixo.
Na segunda etapa foi realizada a coleta de dados (curvas de nível, vazão, MDE e
imagem de satélite), utilizados na simulação da inundação. Além destes dados foi realizada
16

uma visita a campo com o objetivo de coletar dados referentes às duas pontes sobre arroio
Jacaré, e para verificar a existência de diques na região.
Na terceira etapa foram executados cálculos das vazões máximas para os tempos de
retorno estabelecidos através da Distribuição Estatística de Gumbel, e utilizada a
Regionalização de Vazões, através do método baseado na Interpolação Linear para obter as
vazões máximas do arroio Jacaré, assim como, do rio Taquari.
Na quarta etapa foram utilizados os softwares ArcGIS 10.5 e HEC-RAS 5.0.3, e
extensão HEC-GeoRAS para tratar dados referentes ao MDE, Imagem de Satélite, bem como
os dados das vazões, para simular o extravasamento do rio Taquari, no município de
Encantado/RS.
Na quinta etapa foi realizada a análise dos resultados no HEC-RAS 5.0.3, e a partir
destes confeccionados os mapas de manchas de inundações e de zoneamento sugestivo das
áreas suscetíveis a inundações, fazendo-se uso do programa ArcGIS 10.5.
Na sétima etapa se deu a conclusão do estudo, colocando a importância do
zoneamento das áreas suscetíveis à inundação do município.

Figura 1 - Diagrama de delineamento do trabalho

Fonte: elaborado pelo autor


17

3 REFERENCIAL TEÓRICO

Este capítulo buscou explanar os principais conceitos que serão abordados neste trabalho e
está dividido em 5 eixos de pesquisa: Inundações; Perigo, Vulnerabilidade, Risco e
Suscetibilidade a inundações; Modelagem Hidrológica e Hidrodinâmica; Geoprocessamento
Aplicado e Zoneamento.

3.1 INUNDAÇÕES

Um dos conceitos usados correntemente sobre inundações é o de Amaral e Ribeiro


(2009, p. 41) que preconiza que “Inundações e enchentes são eventos naturais que ocorrem
com periodicidade nos cursos d’água, frequentemente deflagrados por chuvas fortes e rápidas
ou chuvas de longa duração”.
O conceito de inundações e enchentes não são sinônimos, podendo ser confundidos e
tratados com o mesmo significado. Conforme Min. Cidades/ IPT (2007), inundação
representa o extravasamento das águas de um canal, atingindo a planície de inundação ou área
de várzea. Este fenômeno ocorre quando a agua atinge cotas acima do nível máximo da calha
principal do rio. As enchentes ou cheias são caracterizadas pela elevação temporária do nível
da água no canal de drenagem devido ao aumento da vazão ou descarga, podendo alcançar a
cota máxima do canal, sem extravasar. Desta forma, pode-se concluir que uma enchente pode
ou não causar uma inundação, e que uma inundação sempre será antecedida de uma enchente,
conforme Figura 2.

Figura 2 - Perfil esquemático do processo de enchente e inundação

Fonte: TOMIGANA, 2009


18

Conforme representado na Figura 3, através das características dos leitos do rio, “a


inundação ocorre quando as águas de rios, riachos, galerias pluviais saem do seu leito menor
de escoamento e escoa através do seu leito maior, que foi ocupado pela população para
moradia, transporte (ruas, rodovias e passeios), recreação, comércio, indústria, entre outros.”
(TUCCI, 2005, p. 40).

Figura 3 - Características dos leitos do rio

Fonte: TUCCI, 2005

As inundações podem ser caracterizadas segundo Julião et al. (2009, p. 54), como um
fenômeno hidrológico extremo, de frequência variável, natural ou induzido pela ação humana,
que consiste na submersão de terrenos usualmente emersos. As inundações englobam as
cheias (transbordo de um curso de água relativamente ao seu leito ordinário, que podem ser
rápidas ou lentas), a subida do lençol freático acima da superfície topográfica e as devidas à
sobrecarga dos sistemas de drenagem artificiais dos aglomerados urbanos. As inundações são
devidas a precipitações abundantes ao longo de vários dias ou semanas (cheias lentas e subida
do lençol freático) e a precipitações intensas durante várias horas ou minutos (cheias rápidas e
sobrecarga dos sistemas de drenagem artificiais).
Segundo Tucci (2012) “quando a precipitação é intensa a quantidade de água que
chega simultaneamente ao rio pode ser superior à sua capacidade de drenagem, ou seja, a da
sua calha normal, resultando na inundação das áreas ribeirinhas. Os problemas resultantes da
inundação dependem do grau de ocupação da várzea pela população e da frequência com a
qual ocorrem as inundações.” (TUCCI, 2012, p. 621).
As inundações podem ser intensificadas pela urbanização através da
impermeabilização do solo. Os resultados da urbanização sobre o escoamento, conforme
Tucci (2012, p. 623), são: aumento da vazão máxima e do escoamento superficial, redução do
tempo de pico e diminuição do tempo de base. Conforme representado na Figura 4.
19

Figura 4 - Efeitos da urbanização

Fonte: TUCCI , 2005

Além de fatores como intensidade e duração da precipitação, o relevo tem grande


importância nas inundações, sendo que bacias hidrográficas com altas declividades tendem a
sofrer mais com esses fenômenos. A bacia hidrográfica do Taquari-Antas possui a forma de
vales encaixados em sua cabeceira, e, ao chegar às imediações do município de Muçum passa
a portar-se como rio de planície. Na visão de Amaral e Ribeiro (2009, p. 45), os vales
encaixados (em V) e vertentes com altas declividades predispõem as águas a atingirem
grandes velocidades em curto tempo, causando inundações bruscas e mais destrutivas. Os
vales abertos, com extensas planícies e terraços fluviais predispõem inundações mais lentas
(graduais), devido à menor declividade das vertentes do entorno.

3.2 PERIGO, VULNERABILIDADE, RISCO E SUSCETIBILIDADE A INUNDAÇÕES

A relação entre os conceitos vulnerabilidade e suscetibilidade, assim como de risco e


perigo, podem causar certa confusão aos leitores por terem significados semelhantes. Desta
forma, este item é dedicado ao breve detalhamento de cada conceito.

3.2.1 Suscetibilidade e Vulnerabilidade

A suscetibilidade está associada à possibilidade de ocorrência de um evento, sem levar


em consideração seu tempo de retorno ou possíveis consequências resultantes do evento.
Segundo Cerri e Amaral (1998 apud Tominaga, 2009, p.149), a suscetibilidade de uma área a
20

um determinado fenômeno corresponde à possibilidade de sua ocorrência como um evento


sem danos, enquanto risco está relacionado à possibilidade de que a ocorrência do fenômeno
tenha consequências sociais e econômicas.
Para Trentin, Robaina e Silveira (2013), os estudos de suscetibilidade antecedem a
avaliação do perigo, desta forma:

[...] a suscetibilidade corresponde à possibilidade de ocorrência de um determinado


evento na área analisada, compreendido através de parâmetros que definem uma
possibilidade real, como é o caso de registros históricos de inundações em
determinados bairros, onde se identificam as áreas inundadas e os períodos de
recorrência. (TRENTIN; ROBAINA; SILVEIRA, 2013, p. 165).

Conforme Julião et al. (2009, p. 20), a suscetibilidade pode ser caracterizada como a
incidência espacial de um evento perigoso, em tempo indeterminado, sendo avaliada através
dos fatores de predisposição para a ocorrência dos processos ou ações, não contemplando o
seu período de retorno ou a probabilidade de ocorrência.
Toro et al. (2013), cita que a vulnerabilidade se relaciona a condições preexistentes
que fazem com que a infraestrutura, os processos, os serviços, a produtividade, e as vidas
humanas sejam mais propensos a serem afetados por um perigo externo.
Para Julião et al. (2009, p. 21), a vulnerabilidade pode ser conceituada como grau de
perda de um elemento ou conjunto de elementos expostos, em resultado da ocorrência de um
processo (ou ação) natural, tecnológico ou misto de determinada severidade, expressa numa
escala de 0 (considerado sem perda) a 1 (perda total).
A vulnerabilidade tem ligação com a parte social decorrente dos eventos, podendo ser
descrita como:

[...] conjunto de processos e condições resultantes de fatores físicos, sociais,


econômicos e ambientais, o qual aumenta a suscetibilidade de uma comunidade
(elemento em risco) ao impacto dos perigos. A vulnerabilidade compreende tanto
aspectos físicos (resistência de construções e proteções da infraestrutura) como
fatores humanos, tais como, econômicos, sociais, políticos, técnicos, culturais,
educacionais e institucionais. (TOMINAGA, 2009, p. 151).

A vulnerabilidade da população pode ser determinada pelo número de decretos de


situação de emergência e calamidade pública registrados. Entre 1980 e 2007, 55% dos casos
de inundações na Bacia Hidrográfica do Taquari-Antas tiveram como consequência, o decreto
de Situação de Emergência Municipal, onde o município de Encantado foi o terceiro com
maior número de registros, ficando apenas atrás de Estrela e Lajeado. (BOMBASSARO;
ROBAINA, 2010, p. 75).
21

3.2.2 Risco e Perigo

O perigo pode ser caracterizado como a ocorrência de um evento que pode vir a causar
consequências negativas. Segundo Julião et al. (2009, p. 20), o perigo pode ser definido como
sendo um processo natural, tecnológico ou misto suscetível a produzir perdas e danos
identificados.
De acordo com UN-ISDR e representado pelo Quadro 1, o entendimento dos perigos
ambientais:

[...] envolve a consideração de quase todos os fenômenos físicos da Terra,


contemplando uma ampla gama de perigos, tais como, os geofísicos,
meteorológicos, hidrológicos, geológicos, tecnológicos, biológicos e até mesmo
sócio-políticos, individualmente ou em complexas interações. Os perigos têm sido
usualmente classificados com base em sua origem, naqueles considerados naturais
ou tecnológicos. Os perigos naturais, por sua vez são divididos em três grandes
categorias: hidrometeorológicos, geológicos e biológicos [...]. (UN-ISDR, 2004,
apud TOMINAGA, 2009, p. 150).

Quadro 1 - Classificação de Perigo, baseado em UN – ISDR (2004)

PERIGO (HAZARD)
Um evento, fenômeno ou atividade humana potencialmente danoso, o qual pode causar perda de vidas ou
ferimentos a pessoa, danos à propriedades, rupturas sócio econômicos ou degradação ambiental.

PERIGO NATURAIS (NATURAL HAZARD)


Processos ou fenômenos naturais que ocorrem na biosfera e que podem constituir -se em um evento
danoso. Os perigos naturais podem ser classificados quanto á origem em: geológico, hidrometeorológico e
biológico
ORIGEM EXEMPLOS DE FENÔMENOS
- Inundações/ enchentes, corridas de lama/detritos;
Perigos hidrometeorológicos
Processos ou fenômenos naturais de natureza - Ciclones tropicais, tempestades marinhas,
atmosférica, hidrológica ou oceanográfica ventanias, chuvas de tempestades, nevasca,
relâmpagos;
- Secas, desertificação, fogo, temperaturas extremas,
tempestades de areias;
- Permafrost, avalanches de neve;
Fonte: TOMINAGA, 2009. Adaptado pelo autor

Julião et al. (2009, p. 22) conceitua risco como a probabilidade de ocorrência de um


evento perigoso e respectiva estimativa das suas consequências sobre pessoas, bens ou
ambiente, expressas em danos corporais e/ou prejuízos materiais e funcionais, diretos ou
22

indiretos. O risco pode ser expresso através da EQUAÇÃO: Risco = Probabilidade do Perigo
x Consequência.
Dois elementos são essenciais na formulação do risco segundo Tominaga (2009, p.
150):

[...] o perigo de se ter um evento, fenômeno ou atividade humana potencialmente


danosa e a vulnerabilidade, ou seja, o grau de suscetibilidade do elemento exposto
ao perigo. Isso indica que o impacto do desastre dependerá das características,
probabilidade e intensidade do perigo, bem como da vulnerabilidade das condições
físicas, sociais, econômicas e ambientais dos elementos expostos.

O risco de uma vazão ou precipitação, na visão de Tucci (2005, p. 47), pode ser
entendido como a probabilidade (p) de ocorrência de um valor igual ou superior a Qp (vazão
ou nível) num ano qualquer. O tempo de retorno (T) é o inverso da probabilidade p, e
representa o tempo, em média, que esse evento tem chance de se repetir. A relação pode ser
demonstrada através da seguinte fórmula: T= 1/P
Na visão de Trentin, Robaina e Silveira (2013, p.166) “o risco é o produto da relação
do perigo com a vulnerabilidade. Para melhor esclarecimento, tem-se a definição dada pelo
Instituto Geológico de São Paulo que compreende o risco como sendo a expressão: R (risco)
= P (perigo) x V (vulnerabilidade) x D (dano)”.

3.3 MODELAGEM HIDROLÓGICA E HIDRODINÂMICA

Segundo Tucci (1998), e Tucci e Mendes (2006), a modelagem busca representar um


sistema físico através de equações, numa linguagem ou forma de fácil acesso e uso, com
objetivo de entender o modelo e buscar respostas para diferentes entradas.
Os modelos de escoamento, de acordo com Sousa (2010):

[...] têm sua origem na necessidade do homem de prever o comportamento dos rios,
principalmente em eventos extremos, como chuvas torrenciais, para assim buscar
minimizar os possíveis prejuízos decorrentes de eventuais alagamentos. Atualmente,
existe uma vasta gama de modelos de escoamento, cada um com suas vantagens e
limitações, decorrentes das hipóteses simplificadoras adotadas no desenvolvimento
do modelo. (SOUSA, 2010, p. vii).

Os modelos hidrológicos têm como finalidade entender melhor o comportamento dos


fenômenos que ocorrem na bacia hidrográfica através do ciclo hidrológico, tais como,
precipitação, evaporação, interceptação, infiltração, produção de sedimentos, escoamento
superficial e subterrâneo (SANTOS, 2009, p. 15).
23

Por outro lado, os modelos hidrodinâmicos (fluxo não permanente), e hidráulicos


(fluxo permanente), segundo Rosmann (2001), buscam compreender a dinâmica, ou seja, o
movimento das águas nos cursos hídricos.
Na simulação hidráulica, segundo Tavares (2005):

[...] uma multiplicidade de fatores, como tipos de escoamentos possíveis, o perfil das
seções transversais, o número de seções transversais, entre outros, são determinantes
na complexidade da análise e, portanto, na escolha do programa computacional
adequado. Programas, como o HEC-RAS, que avaliam escoamento permanente,
gradualmente variado, são largamente empregados e são apropriados para a maioria
das aplicações de modelagem hidráulica. (TAVARES, 2005, p. 62).

Modelos hidráulicos e hidrológicos, conforme Santos (2009, p. 2) “são construídos a


partir de abordagens físicas dos processos hidrológicos utilizando-se das equações da
conservação da massa e da equação da quantidade de movimento em sua forma completa ou
simplificada”.
Dentro da abordagem hidrológica e hidrodinâmica têm-se diversos softwares.
Podemos citar como exemplo a plataforma HEC2 (Hydrologic Engineering Center), com seus
módulos de análise RAS3 (River Analysis System) e HMS4 (Hydrologic Modelling System),
desenvolvidos pelo Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army Corps
of Engineers). O módulo RAS é um software de simulação hidráulica que possibilita a
simulação unidimensional do escoamento em canais abertos, sob o regime permanente e não-
permanente e também na condição de fundo móvel (transporte de sedimentos). A partir do
HEC-RAS é possível a construção de projetos com um único trecho ou com uma rede de
canais, onde são utilizadas informações topográficas, como: cotas, seção transversal, entre
outros parâmetros, das seções para descrever a geometria do canal. (GRACIOSA, 2010).
A modelagem para a determinação de áreas inundáveis engloba diferentes
metodologias, não necessariamente envolvendo o uso de um software de modelagem
hidrodinâmica. Cabral et al. (2016), utilizou modelagem hidrológica através do software
HEC-HMS e modelagem hidráulica associada à SIGs para determinar a ocorrência de
inundações no município de Crato – Ceará. Oliveira (2010) utilizou modelagem hidrológica

2
(Centro de Engenharia Hidrológica), pacote de software
3
(Sistema de Análise de Rios), módulo do pacote de software HEC
4
(Sistema de Modelagem Hidrológica), módulo do pacote de software HEC
24

através do software Hidro 1.0.8 associada à SIGs para determinar áreas inundáveis na bacia
hidrográfica do rio Caí.
Conforme Cabral et. al (2016, p. 91) “a integração entre modelos hidrológicos e/ou
hidráulicos a Sistema de Informação Geográfica vem crescendo significativamente nos
últimos anos, principalmente em mapeamentos de áreas de inundação, seja ela em áreas
urbanas ou rurais, em virtude principalmente do potencial que essa ferramenta apresenta na
integração de dados de tipos e formatos diferentes”.
A modelagem integra os procedimentos metodológicos de quantificação do
escoamento na bacia a partir da precipitação máxima, associada a uma probabilidade de
ocorrência e dialoga com o SIG na estimativa do nível de cheia, uma vez que utiliza dados
espaciais da bacia no cálculo da vazão de cheia. Assim, uma vez determinado o nível de
enchente, os resultados da modelagem realimentam o SIG, o que possibilita a determinação da
área inundada em planta a partir do mapa topográfico. (RIGHETTO; MOREIRA; SALES,
2009, p. 56).

3.4 GEOPROCESSAMENTO APLICADO

O geoprocessamento é o processamento informatizado de dados georreferenciados.


Para Câmara et al.(1998, p.8) “o termo Geoprocessamento denota a disciplina do
conhecimento que utiliza técnicas matemáticas e computacionais para o tratamento da
informação geográfica.”
De acordo com Righetto, Moreira e Sales (2009, p. 55), o geoprocessamento é uma
ferramenta tecnológica de grande utilidade no planejamento urbano que utiliza informações
provenientes de imagens de satélite, fotografias aéreas, mapas ou bancos de dados. A técnica
se aplica aos diversos setores do meio ambiente, em ações de planejamento ou controle, além
de envolver a coleta e manipulação de informações espaciais e utilizar banco de dados
georreferenciados. O geoprocessamento é um instrumento importante no planejamento das
ações na área ambiental, seja no meio rural ou urbano.
Os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) é um dos vários sistemas que integram
o geoprocessamento. São caracterizados como um sistema constituído por um conjunto de
programas computacionais, com a integração de dados, equipamentos e pessoas, com o
objetivo de coletar, armazenar, recuperar, manipular, visualizar e analisar dados
espacialmente referenciados a um sistema de coordenadas conhecidas. (FITZ, 2008, p. 23).
25

O Modelo Numérico de Terreno (MNT) é um arquivo digital representativo da


variação real contínua do relevo de um terreno. É possível arquivar eletronicamente a
superfície de uma bacia hidrográfica através de um Modelo Numérico de Terreno e, a partir
das informações armazenadas estudar sua fisiografia. Considerando que os dados fisiográficos
de uma bacia hidrográfica são todas informações que podem ser extraídas de mapas,
fotografias aéreas e imagens de satélite; basicamente são áreas, comprimentos, declividades e
coberturas do solo. (SILVEIRA, 2012). Conforme representado na Figura 5, “quando o MNT
expressa às alturas topográficas de um terreno, o termo usado é Modelo Digital de Elevação
(MDE), no qual cada elemento da matriz está associado uma determinada altitude
topográfica”. (ECKHARDT, 2008, p. 55).

Figura 5 - Representação gráfica da altitude do terreno

Fonte: CORDINI, 2004 apud ECKHARDT 2008

Segundo Tavares (2005, p. 8), que desenvolveu estudos de modelagem hidrológica e


hidráulica associada à SIGs para identificação de planícies de inundação, o geoprocessamento
aplicado aos recursos hídricos se apresenta como uma ferramenta que permite manipular
propriedades características de um fenômeno, associando-as a uma posição espacial bem
definida, proporcionando eficiência no tratado de grande número de informações, tendo como
resultado, em geral, mapas temáticos agregados a dados tabulares.
Eckhardt (2008, p. 41) que realizou um estudo empregando software de
geoprocessamento e informações de cotas do rio Taquari aplicado ao mapeamento das áreas
sujeitas às inundações na cidade de Lajeado/RS, coloca que: “Os SIG representam uma
potente ferramenta de apoio à decisão, através da integração de dados para análise,
provenientes de diferentes fontes (sensores orbitais, GPS, mapas temáticos analógicos,
26

informação alfanumérica) e da modelagem de diversos processos que ocorrem no mundo


real.”.
Para a elaboração de modelos e/ou mapas de inundação, de acordo com Oliveira
(2010, p. 23), comumente se observa a aplicação de dados obtidos por sensoriamento remoto,
manipulados por técnicas de geoprocessamento disponíveis nos SIG. Nesses casos, os
materiais mais utilizados são imagens orbitais multiespectrais e de radar, MDE, dados
hidrológicos (chuva, vazão e cota) e informações físicas da bacia, como hidrografia,
declividades, solos e vegetação nativa, entre outras.

3.5 ZONEAMENTO

O zoneamento é uma importante ferramenta para a gestão do território. Seu principal


objetivo é delimitar as áreas segundo a sua utilização. Ao realizar o zoneamento de uma
determinada região ou cidade, devem ser consideradas as áreas vulneráveis a desastres
naturais (inundações, movimentos de massa). Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o
zoneamento urbano é caracterizado como instrumento utilizado nos planos diretores, através
do qual a cidade é dividida em áreas sobre as quais incidem diretrizes diferenciadas para o uso
e a ocupação do solo, especialmente os índices urbanísticos. (BRASIL, [2012-2017?])
Caracteriza-se o zoneamento como um instrumento utilizado para a definição de um
conjunto de regras para uso e ocupação das áreas de maior risco de inundação, visando à
minimização futura das perdas materiais e humanas face às grandes enchentes. (PINHEIRO
2007, p. 104).
O zoneamento das áreas de inundação, segundo Tucci (2012, p. 637), engloba as
etapas de: a) determinação do risco das enchentes, b) mapeamento das áreas sujeitas à
inundação e c) seu respectivo zoneamento.
O zoneamento das áreas suscetíveis a inundações, caracteriza-se como uma medida
não estrutural, a qual busca atacar as causas, com o intuito de reduzir os danos ou
consequências das inundações. Segundo Marchiori-Faria e Santoro (2009, p. 164) as medidas
não-estruturais contemplam o planejamento do uso e ocupação do solo, em função da
definição das áreas de risco, bem como o aperfeiçoamento da legislação de segurança contra
desastres. Coloca ainda que a análise das áreas de risco permite a elaboração de bancos de
dados e de mapas temáticos sobre ameaças, vulnerabilidades e riscos de desastres, podendo
ser citados como exemplos: mapas de suscetibilidade, de perigo e de risco, além do
cadastramento e zoneamento de risco.
27

Fadel (2015, p. 49) desenvolveu um trabalho de incorporação do risco de prejuízo no


gerenciamento de medidas de controle de inundação na cidade de Lajeado e realizou um
mapeamento das áreas inundáveis utilizando diferentes tempos de retorno. Este autor coloca
que: “a utilização do zoneamento de inundações para ordenamento da ocupação na região
deve considerar a capacidade de escoamento do curso principal, a fim de que sejam
estipuladas as zonas conforme o tempo de retorno das cheias na região. As zonas de
inundação são indicadas, segundo os resultados da modelagem hidráulica que, associada ao
nível do terreno, possibilitará o mapeamento local das áreas com maior e menor risco
associado.” (FADEL, 2015, p. 49).
Para o mapeamento definitivo, conforme Tucci (2012, p. 640): “é necessário o
levantamento detalhado da topografia das áreas de risco com o tempo de retorno menor ou
igual a 100 anos. A escolha do tempo de retorno é arbitrária e depende da definição do futuro
zoneamento. Caso tenha ocorrido uma enchente com tempo de retorno superior a 100 anos,
deve-se escolher o maior valor ocorrido.”
Conforme Water Resource Council-WRC (1971 apud Fadel, 2015, p. 49), “estudos
tradicionais de propostas de zoneamento sugerem um TR de 100 anos para as zonas de risco”.
Ainda Fadel (2015, p. 49) e outros, têm defendido a avaliação de diversas intensidades de
eventos para que o zoneamento esteja condizente com as características locais.

Figura 6 - Mapeamento das inundações considerando proposta de diques de proteção na cidade de Lajeado

Fonte: FADEL, 2015


28

4 METODOLOGIA

O trabalho analisou a suscetibilidade frente às inundações na área urbana do município


de Encantado/RS, ocasionadas pelo extravasamento do arroio Jacaré e rio Taquari, nos
períodos chuvosos, associados a tempo de retornos pré-estabelecidos descritos nos objetivos
deste trabalho.
A metodologia deste trabalho está dividida em 5 partes: Área de Estudo, Coleta de
Dados, Distribuição Estatística de Gumbel, Modelagem Hidráulica, e Pós Modelagem
Hidráulica.

4.1 ÁREA DE ESTUDO

A área de estudo foi dividida em dois itens, sendo a caracterização a nível Bacia
Hidrográfica, e Município, conforme apresentado a seguir.

4.1.1 Bacia Hidrográfica Taquari-Antas

O município de Encantado está localizado na Bacia Hidrográfica Taquari-Antas, no


Rio Grande do Sul. As nascentes do rio Taquari, segundo Bombassaro e Robaina (2010),
localizam-se no extremo leste da bacia, sob o nome de rio das Antas, nos municípios de
Cambará do Sul, Bom Jesus e São José dos Ausentes, em uma região que apresenta altitudes
em torno de 1200 metros, sob o nome de rio das Antas. Nessa região, o rio percorre uma
distância de 390 km até a confluência com o rio Guaporé, nas imediações da cidade de
Muçum. Deste trecho para a jusante, passa a denominar-se rio Taquari, percorrendo por mais
140 km, até desembocar no rio Jacuí.
Ainda segundo os mesmos autores, a amplitude da bacia do Taquari-Antas, é de mais
de 1000 m, o que se revela como um fator importante na regulação das cheias, pois o relevo
fortemente ondulado e solos pouco desenvolvidos favorecem o escoamento das águas, que
percorrem vales encaixados de alta declividade até as proximidades da cidade de Muçum. À
montante de Muçum, nas cotas em torno de 60 metros, o curso principal do rio perde
velocidade e passa então a portar-se como rio de planície, alargando suas margens e formando
meandros pelo vale. A declividade do rio nessa região apresenta declividade acentuada média
de 1,6 m/km, porém ainda com vales encaixados e algumas corredeiras. Já a jusante do
29

município de Lajeado a declividade média passa a ser de 0,2 m/km, fazendo com que o rio
Taquari passe a portar-se como rio de planície, com várzeas planas e baixas declividades.
A bacia hidrográfica Taquari-Antas possui uma área de 26.145 km², abrangendo total
ou parcialmente o território de 120 municípios. Quanto ao quesito ocorrência de inundações, a
bacia hidrográfica na qual o município de Encantado encontra-se, é a segunda com mais
registros, totalizando 27,8% para inundações bruscas, e 39,1% para as inundações graduais.
(CEPED, 2015).

Figura 7 - Localização e Modelo de Elevação Digital da Bacia Taquari Antas

Fonte: FADEL, 2015. Adaptado pelo autor

Referente ao monitoramento de desastres naturais, quanto a dados hidrológicos, desde


2013, a Bacia do Taquari conta com um sistema de Monitoramento e Alerta hidrológico, com
o objetivo de prever níveis do rio Taquari que causem transtorno para a população das cidades
de Muçum, Encantado, Lajeado e Estrela, através de uma rede de monitoramento hidrológico
automático e telemétrico em 10 pontos da bacia que transmitem em tempo real dados de
chuvas e níveis dos rios, conseguindo uma antecipação dos valores de cotas para as cidades de
Muçum e Encantado da ordem de 12 horas aproximadamente, e para Estrela/Lajeado, 8 horas
de antecedência. A divulgação das informações a partir do monitoramento e da previsão
hidrológica é realizada através do site da CPRM, sendo os boletins de previsão encaminhados
para o CEMADEN, ANA, CENAD, Defesa Civil Municipal e Estadual, para que as medidas
30

necessárias para a redução dos prejuízos pessoais e materiais causados pelas inundações
possam ser tomadas (CPRM, [2011-2017?]).
Ainda, a UFRGS, através do Grupo de Pesquisa em Hidrologia de Grande Escala do IPH-
UFRGS, desenvolveu um sistema de previsão de vazão do rio Taquari, através do projeto
Desenvolvimento e Apoio à Implantação de uma Estratégia Integrada de Prevenção de Riscos
Associados a Regimes Hidrológicos na Bacia do Taquari-Antas – RS, coordenado pelo
CEPED/UFRGS. O sistema em desenvolvimento é baseado no modelo hidrológico MGB-
IPH, que simula processos físicos desde a precipitação até a propagação de vazão na bacia
Taquari-Antas, através de dados coletados em tempo real. (UFRGS,[2012-2017?])

4.1.2 Município de Encantado

O município de Encantado está localizado na porção centro-oriental do estado do Rio


Grande do Sul, sendo dividido em 15 bairros, sendo que: a leste da RS 332 localizam-se os
bairros São José, Barra do Jacaré, Planalto, Vila Amazonas, Vila Moça, Porto Quinze, Centro,
Navegantes, Nossa Senhora Aparecida e Santa Clara. Na parte oeste da Rodovia Estadual RS
332, estão os bairros Santo Antão e Lambari. No extremo norte localiza-se o bairro
Jacarezinho e, no extremo sul, o bairro Lajeadinho. O bairro Palmas localiza-se fora do
perímetro urbano do município. Encantado, faz divisa com os municípios de Doutor Ricardo,
Muçum, Relvado, Arroio do Meio, Capitão, Nova Bréscia e Roca Sales, e localizando-se
distante a, aproximadamente, 150 km da capital, Porto Alegre. (CEPED, 2015). Segundo o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população é de 20.510 habitantes e
possui 139,60 km². (IBGE, 2017).
O Município de Encantado, conforme CEPED (2015), está localizado na unidade
geomorfológica do Planalto Meridional, tendo como limite natural, a oeste, o Rio Taquari.
Apresenta relevo acentuado, com baixas altitudes nas áreas próximas a esse rio. O município
encontra-se em uma região com diferentes declividades, e apresenta as maiores cotas
altimétricas a norte e a oeste da área urbana do município. Na Figura 8, abaixo, está
apresentado o mapa de localização e altimetria de Encantado.
As características geográficas do município estão diretamente ligadas à ocorrência de
inundações, decorrendo de processos naturais associados à ação do homem e às formas de uso
e ocupação do solo, sendo essa uma variável importante num contexto de desastres (CEPED,
2015). No Quadro 2, estão representados alguns dos eventos associados as precipitações no
município de Encantado.
31

Figura 8 - Localização e Altimetria de Encantado

Fonte: Elaborado pelo autor

As vazões médias mensais para os meses mais chuvosos, considerando para o arroio
Jacaré é de 15,7 m³/s, e para o rio Taquari 547,6 m³/s, e para a seção correspondente a jusante
do rio Taquari 563,3 m³/s (KICH, MELATI, MARCUZZO, 2015). Já as vazões aproximadas
de cheia, ficam em torno de 5.000 m³/s.
32

Quadro 2 - Ocorrência de eventos associados a precipitações em Encantado


ANO OCORRÊNCIA OBSERVAÇÕES
Cerca de 6.000 pessoas atingidas.
Setembro/1989 Enchente
Fonte: RECKZIEGEL, 2007. Pag. 154

Cerca de 30% das moradias foram atingidas e 4.800 pessoas foram


Maio/1990 Enchente desabrigadas pelo rio Taquari.
Fonte: RECKZIEGEL, 2007. Pag. 159

Cerca de 3.000 pessoas foram desabrigadas pelo rio Taquari.


Outubro/2001 Enchente
Fonte: RECKZIEGEL, 2007. Pag. 214

840 pessoas desabrigadas


Nos bairros Navegantes, Lago Azul, Vila Moça, Porto Quinze, stª
Clara, jacaré, barra do guaporé, jacarezinho, palmas, centro da
23/09/2007* Enchente cidade, barra do coqueiro e linha pinheirinho.
Fonte: Defesa Civil, RS
1290 pessoas atingidas
Fonte: Tabela todos os prejuízos.

5300 pessoas atingidas.


Fonte: Defesa Civil, RS
05/01/2010* Enxurrada 10300 pessoas atingidas, 290 pessoas desalojadas, 454 pessoas
desabrigadas.
Fonte: Tabela todos os prejuízos.

12500 pessoas atingidas; 440 pessoas desabrigadas; 1780 pessoas


20/07/2011* Enxurrada desalojadas.
Fonte: Defesa Civil, RS

Fonte: Diagnóstico do Plano Local de Habitação de Interesse Social, p. 23, 2009, apud CEPED, 2015. Adaptado
pelo autor.

Encantado, de forma geral, não conta com medidas estruturais, como diques ou
barragens a montante do município. Segundo a Prefeitura Municipal, projetos de diques foram
realizados para o bairro São José, entre o distrito industrial e a Rodovia Estadual RS 129 e
outro para as proximidades do bairro Santa Clara, porém nunca foram executados devido ao
alto custo. As medidas estruturais poderiam ser utilizadas para resolver o problema das
inundações em curto prazo, entretanto, poderiam alterar a dinâmica do escoamento dos cursos
da água, afetando outras áreas. Isto ocorre, principalmente, quando se trata de barragens,
devido a ocorrer um represamento dos rios a montante das mesmas. Segundo a Certel Energia
(2017), a construção de três barragens para aproveitamento hidrelétricos foram aprovadas,
sendo o primeiro ponto entre Arroio do Meio e Colinas, o segundo, entre Encantado e Roca
Sales, e o terceiro, entre Muçum e Encantado.
No contexto dos órgãos associados à Defesa Civil, segundo CEPED (2015), o
munícipio conta com Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil, que busca atuar
33

juntamente com as Secretarias da Prefeitura, principalmente na assistência aos atingidos pelas


inundações, sendo este órgão também responsável pelo monitoramento das cheias e
precipitações pluviométricas do Vale do Taquari de forma articulada à rede de defesa civil
estadual e nacional.
Ainda conforme CEPED (2015), Encantado possui um sistema de monitoramento
através de régua linimétrica que mede o nível do rio Taquari, em articulação com contatos
telefônicos com o município de Muçum. Após a leitura da régua, e comunicação com o
município de Muçum, a população é informada sobre possíveis situações de emergência.
Desta forma, inicia-se o deslocamento das pessoas atingidas aos abrigos localizados em áreas
onde não ocorre inundação. Utiliza-se também a comunicação por rádio local e carro de som.
O município conta com dois abrigos para receber pessoas em caso de desastres: o Parque João
Batista e o Pavilhão Vila Moça, sendo a Defesa Civil juntamente com a Secretaria de
Assistência Social responsáveis pelos abrigos.
O município participa desde outubro de 2015 do programa Cidades Resilientes, para a
redução do risco de desastres no período de 2015 a 2030, sendo incorporadas as diretrizes
estabelecidas no Marco de Sendai, adotado por países membros da ONU na III Conferência
Mundial sobre a Redução do Risco de Desastres.

4.2 COLETA DE DADOS

Foi realizada a coleta de dados de vazão das estações fluviométricas correspondente ao


rio Taquari, de código 86720000, e da estação fluviométrica correspondente ao arroio Jacaré,
de código 86700000, monitorados pela CPRM, através do site Hidroweb, da ANA.
Além destes dados se utilizou 4 MDEs com resolução de 30 metros da missão SRTM
(Shuttle Radar Topographic Mission), que foram obtidos através do site do Earth Explorer do
USGS (United States Geological Survey) – Serviço Geológico dos Estados Unidos , e curvas
de nível de 1 em 1 metro, obtidas através da Prefeitura Municipal de Encantado. Ademais,
foram utilizadas imagens de satélite georreferenciadas do aplicativo SAS PLANET, da galeria
ArcGIS.Imagery da Environmental Systems Research Institute – ESRI.
Com o objetivo de verificar a existência de possíveis estruturas como diques e pontes,
que pudessem alterar o comportamento do escoamento do arroio Jacaré e do rio Taquari, foi
realizada uma visita ao local de estudo, guiada por funcionários da Prefeitura Municipal de
Encantado.
34

Na região de estudo verificou-se a existência de duas pontes sobre o arroio Jacaré. A


primeira, localizada no bairro Jacarezinho, e outra, na rodovia RS 129, em direção ao
município de Muçum, no limite dos bairros São José e Barra do Jacaré. Nestas pontes foram
coletados dados de coordenadas geográficas e de cota de altitude das pontes, através do
aparelho Garmin eTrex Legend Cx, que foram utilizados na simulação hidráulica, através do
software HEC-RAS, visando verificar a relação do escoamento dos cursos de água com as
áreas inundadas. Visto que estas estruturas podem alterar o escoamento do arroio Jacaré,
causando um efeito maior das áreas inundadas localizadas a montante neste arroio, assim
como um efeito de diminuição das áreas inundadas do rio Taquari.

Os dados de coordenadas coletados através do GPS utilizado neste trabalho,


encontravam-se originalmente no sistema de coordenadas geográficas WGS 1984, os
mesmos, foram convertidos para o sistema de coordenadas planas SIRGAS 2000 UTM, Zona
22 S, para serem utilizados neste estudo. Os dados coletados em campo, já convertidos para o
sistema de coordenadas planas SIRGAS 2000 UTM, Zona 22 S, estão representados na
Tabela 1.

Tabela 1 - Cotas de altitude e coordenadas planas das pontes sobre o Arroio Jacaré
Coordenadas planas
Localização da Longitude
Cota (m) Latitude (m)
ponte (m)
59,25 6.769.551,92 412.111,43
56,84 6.769.551,92 412.114,60
55,40 6.769.536,47 412.115,66
55,88 6.769.537,11 412.111,00
Bairro Jacarezinho
52,28 6.769.520,60 412.111,22
53,48 6.769.521,44 412.115,87
54,44 6.769.511,92 412.116,93
57,80 6.769.511,07 412.110,79
65,50 6.768.097,27 413.917,13
59,73 6.768.070,28 413.901,26
58,77 6.768.038,00 413.885,38
Rodovia Estadual
RS 129 (entre os 57,32 6.768.038,53 413.879,56
bairros São José e 59,49 6.768.076,10 413.894,38
Barra do Jacaré)
61,17 6.768.102,56 413.908,67
60,69 6.768.139,60 413.928,25
59,25 6.768.135,90 413.937,77
Fonte: Elaborado pelo autor
35

Segundo levantamento de dados resultante do Mapeamento de Vulnerabilidade de


Áreas Suscetíveis a Deslizamentos e Inundações, realizado pelo CEPED/UFRGS, haveria um
dique no Bairro Navegantes. Na etapa de campo constatou-se que o chamado dique, pelos
moradores, na verdade trata-se de uma estrutura de drenagem deste bairro, sendo que esta é
caracterizada por uma tubulação que interliga o Bairro Navegantes ao rio Taquari, possuindo
uma válvula gaveta que é fechada quando este rio atinge a cota de 13 metros. Ademais,
observou-se, que o final desta estrutura localiza-se no bairro Nossa Senhora Aparecida,
próximo ao Navegantes. Abaixo representado através da Figura 9, detalhes da estrutura de
drenagem.

Figura 9 - Estrutura de drenagem do bairro Navegantes, com detalhe para uma das estruturas de drenagem

Fonte: Autor

4.3 DISTRIBUIÇÃO ESTATÍSTICA DE GUMBEL

A vazão máxima de um rio conforme Tucci (2012) é entendida como sendo o valor
associado a um risco de ser igualado ou ultrapassado, podendo ser utilizada na previsão de
enchentes e no projeto de obras hidráulicas. Quando se trata de eventos hidrológicos como as
inundações, um termo muito empregado é o Tempo de Retorno (TR), que expressa à
probabilidade de uma vazão ser ultrapassada em um ano qualquer.
A vazão máxima, conforme o mesmo autor, pode ser estimada através de: ajuste de
uma distribuição estatística, regionalização de vazões e na precipitação. Portanto, quando
existirem dados históricos da vazão e as condições da bacia hidrográfica não se modificarem
pode ser utilizada uma distribuição estatística. Dentre as distribuições estatísticas mais
utilizadas tem-se: Distribuição de Gumbel, Distribuição de Log – Pearson III, Limites de
Confiança, e Ajuste de Distribuições considerando marcas históricas.
36

A probabilidade de que uma determinada vazão venha a ser igualada ou excedida em


um ano qualquer, segundo Collischonn e Dornelles (2013), pode ser estimada usando a
distribuição de Gumbel, sendo que a mesma é também chamada de Distribuição de Valores
Extremos do Tipo 1, e, é amplamente utilizada em análise estatística de eventos extremos.
Desta forma, para obtenção das vazões máximas associadas a cada TR estabelecido nos
objetivos deste trabalho, utilizou-se a Distribuição Estatística de Gumbel. Adotou-se a
metodologia expressa em Collischonn e Dornelles (2013), conforme apresentado a seguir:

a) Primeiro determinaram-se as vazões máximas anuais para cada seção de interesse


(arroio Jacaré e rio Taquari);
b) Em segundo, organizaram-se as vazões da maior para a menor;
c) Em terceiro, utilizou-se a equação (1), representada abaixo para determinar a vazão
máxima associada a cada TR, para cada seção de interesse.

= ̅ − . 0,45 + 0,7797. (1)

onde:
x = valor da vazão máxima desejada
x = média das vazões máximas anuais
s = desvio padrão das vazões máximas anuais
TR = tempo de retorno em anos

4.3.1 Regionalização de Vazões

A Regionalização de Vazões segundo Tucci (2012) tem como principal objetivo


transferir informações de um local para outro na bacia. Verificou-se que a estação
fluviométrica de código 86700000, correspondente ao arroio Jacaré está situada a montante de
um curso de água contribuinte para a vazão total deste arroio. Nota-se que, neste caso, ocorre
a falta de dados de uma parte da bacia hidrográfica.
Considerando que para a simulação hidráulica a partir do software HEC-RAS 5.0.3 é
necessária a vazão total do arroio em questão, para estimar a vazão deste curso de água
contribuinte à vazão total do arroio Jacaré foi necessário o emprego da Regionalização de
37

Vazões. Optou-se pelo método baseado na Interpolação Linear apresentado em Amorim,


Neto, Mediondo (2005), e descrito por ELETROBRÁS (1985b).
Visando representar a localização da sub-bacia de contribuição do arroio Jacaré, assim
como localização das pontes, estações fluviométricas, confeccionou-se um croqui com a
localização destes, expresso no Apêndice A.

4.3.2 Método baseado na Interpolação Linear

O método da Interpolação Linear, conforme Amorim, Neto, Mediondo (2005) se


baseia no pressuposto de que a vazão na seção de interesse é obtida através de uma relação de
proporcionalidade entre as vazões e áreas de drenagem dos postos fluviométricos mais
próximos. O método não necessita de definição de regiões hidrologicamente homogêneas,
sendo, portanto, utilizadas as mesmas equações ao longo de toda a bacia hidrográfica.
O método da Interpolação Linear apresenta situações distintas e depende da posição da
seção de interesse em relação aos postos fluviométricos. Quando a seção de interesse está a
montante ou a jusante de apenas um posto fluviométrico considera-se que a vazão específica
das duas seções seja igual. Porém, o autor recomenda que a aplicação desta metodologia
somente deva ser feita, quando a diferença das áreas de drenagem das duas seções analisadas
for inferior a três vezes o resultado da parcela de uma em relação à outra (ELETROBRÁS,
1985b apud AMORIM, NETO, MEDIONDO (2005)).
Para determinar a vazão desconhecida do curso de água que se encontra a jusante do
posto fluviométrico do arroio Jacaré foi utilizada a Regionalização de Vazões através do
método da Interpolação Linear descrito pela ELETROBÁS (1985B), representada através da
equação 2.

= (2)

Onde:
Qz = vazão na seção de interesse, m³/s;
Qm = vazão no posto de montante, m³/s;
Az = área de drenagem na seção de interesse, km²;
Am = área de drenagem do posto de montante, km²;
38

As vazões do curso de água contribuinte ao arroio Jacaré, que neste estudo de caso
foram denominadas por Qz, foram somadas as vazões do posto fluviométrico (Qm) localizado
a montante. Temos então que a vazão total do arroio Jacaré é dada por:

! " + (3)

Onde:
QT = Vazão total do arroio Jacaré, m³/s
Qz = vazão na seção de interesse, m³/s;
Qm = vazão no posto de montante, m³/s;

Assim, se considerou que o local onde ocorreram as vazões totais (QT) do arroio
Jacaré, estão localizados a jusante do encontro desse arroio com o curso de água
correspondente a área de drenagem da seção de interesse, neste trabalho tratada como Az.
Para a aplicação desta equação são necessários dados das áreas de drenagem na seção
de interesse (Az) e do posto de montante (Am). Para a determinação das áreas de drenagem foi
utilizada a delimitação automática das sub-bacias do Arroio Jacaré através do software
ArcGIS, apresentado na sequência, e posteriormente realizado o cálculo das áreas de
drenagem.
Alguns dos arroios que cortam a cidade, e o arroio Augusta a leste do rio Taquari
foram desconsiderados neste estudo, pois possuem vazões relativamente pequenas, não
contribuindo de forma significativa para a vazão do Rio Taquari. A tendência é de que
ocorrerá um efeito de represamento nestes cursos de água em eventos de altos volumes de
precipitação devido ao aumento do nível do rio Taquari.

4.3.3 Delimitação automática das sub-bacias utilizando o ArcGIS

Para obtenção das áreas de contribuição da bacia hidrográfica do arroio Jacaré foi
utilizada a metodologia descrita em Amanajás e Funi (2015), assim como em Cândido e
Santos (2011), para a delimitação automática de sub-bacias hidrográficas utilizando o
software ArcGis. É importante salientar que as metodologias foram adaptadas à realidade do
estudo. Para esta etapa foram utilizados 4 MDEs da missão SRTM com resolução espacial de
30 metros e o software ArcGIS 10.5, conforme metodologia apresentada a seguir:
39

1. Foram necessários quatro modelos digitais de elevação para a área de estudo.


Primeiramente os quatro MDE tiveram que ser unidos através da ferramenta Mosaico
para novo Raster;
2. A partir do segundo passo foram utilizadas basicamente as ferramentas do menu
Hidrologia. Neste passo foram preenchidas as imperfeições do MDE através da
ferramenta Preencher;
3. Em seguida foi utilizada a ferramenta Direção de Fluxo, que, como o próprio nome
diz, serve para determinar a direção do fluxo de água das redes de drenagem. Nesta
etapa é gerada uma nova grade numérica que, segundo Alves Sobrinho et.al (2010, p.
50), “determina a direção de maior declividade de um pixel em relação a seus oito
pixels vizinhos. Assim, ocorre a descrição numérica da direção que a água irá
percorrer após atingir cada pixel”, conforme Figura 10, abaixo;

Figura 10 - Exemplo da Função Flow Direction

Fonte: ALVES SOBRINHO, 2010

4. Foi utilizada a ferramenta Acumulação de Fluxo, que tem como objetivo determinar o
número de pixels a montante que contribuem para cada pixel que está localizado a
jusante desta posição. De acordo com MENDES & CIRILO (2001, apud Alves
Sobrinho et.al, 2010), o fluxo acumulado representa a rede hidrográfica, sendo que
nesta etapa cada pixel recebe um valor correspondente ao número de pixels que
contribuem para que a água chegue até ele;
5. Em seguida, foi determinada a rede de drenagem através da ferramenta Raster
Calculator, utilizando a função Condicional. Neste passo, segundo Amanajás e Funi
(2015), “com esta condição, todas as células do raster com valor superior a 500 serão
consideradas durante a criação de um novo mapa raster, sendo que as demais células
serão transformadas em NODATA.” (AMANAJÁS, FUNI, 2015, p. 14).
40

6. Foi utilizada a ferramenta “Ordem do Curso da Água”, utilizando o método de


Strahler, que leva em consideração o encontro de duas drenagens de mesma ordem,
para aumentar a ordem da seguinte drenagem, para determinar o curso da água
principal.
7. Após fez-se uso da ferramenta “Curso da Água para Feição”, visando transformar o
arquivo raster em shapefile, devido à necessidade de estar nesse formato para uma
etapa posterior;
8. Em seguida se utilizou a ferramenta “Vértice da Feição para Pontos”, com o objetivo
de determinar onde se cortam cada uma das drenagens;
9. Posteriormente foram delimitadas as sub-bacias, conforme as redes de drenagem
obtidas através do menu “Hidrologia” na ferramenta “Vertente”;
10. O arquivo raster gerado no passo anterior foi transformado em arquivo shapefile
através da ferramenta “Raster para polígono”. Sucessivamente foram selecionadas as
sub-bacias de interesse e se exportaram as áreas de interesse em arquivos shapefile.

Na sequência foram realizados procedimentos para calcular as áreas de drenagem das


sub-bacias de interesse.

4.3.4 Cálculo das áreas de drenagem das sub-bacias contribuintes ao arroio Jacaré

Nesta etapa foi utilizado o software ArcGIS para executar o cálculo das áreas das sub-
bacias de interesse.
Utilizou-se a ferramenta Juntar no menu Geoprocessamento, visando juntar as
pequenas sub-bacias do passo anterior em duas sub-bacias que correspondem as áreas de
drenagem da seção de interesse (Az) e do posto fluviométrico de montante (Am), e em seguida
fez-se uso da ferramenta Calcular Geometria, obtendo como resultado as áreas de drenagem
das duas sub-bacias.

4.4 MODELAGEM HIDRÁULICA

Para a modelagem hidráulica foram utilizados os softwares ArcGIS 10.5 e HEC-RAS


5.0.3, além da extensão HEC-GeoRAS para o software ArcGIS. A metodologia desta etapa
está descrita a seguir.

4.4.1 ArcGIS 10.5


41

Para a possível realização da modelagem hidráulica foram realizados alguns


procedimentos com os materiais deste estudo de caso, no software ArcGIS 10.5, conforme
descrito abaixo:

1. As imagens de satélite obtidas através do aplicativo SAS PLANET, da galeria


ArcGIS.Imagery da ESRI, tiveram que ser unidas através da ferramenta Mosaico para
Novo Raster, com o objetivo de obter uma imagem da área total de estudo. Estas
imagens originais estavam no sistema de coordenadas geográficas WGS 1894. Assim,
as mesmas foram reprojetadas através da ferramenta Reprojetar para o sistema de
coordenadas oficiais correspondente ao Brasil, neste caso para a projeção SIRGAS
2000 UTM, Zona 22 S.
2. As curvas de nível obtidas através da Prefeitura Municipal de Encantado tiveram que
ser corrigidas. As mesmas estavam na extensão dwg, correspondente ao software
Autocad. Desse modo, exportaram-se as curvas de nível no formato dxf e em seguida
o arquivo foi convertido através do software ArcGIS para shapefile. Este material
estava sem projeção de sistema de coordenadas, assim, verificou-se junto a Prefeitura
Municipal que o arquivo original estava no sistema de coordenadas planas SAD 69
UTM, Zona 22 S. Em seguida foi realizado no ArcGIS a atribuição deste sistema de
coordenadas ao shapefile, correspondente as curvas de nível através da ferramenta
Definir Projeção. Na sequência, o arquivo foi reprojetado para o sistema de
coordenadas planas SIRGAS 2000 UTM, Zona 22 S, com a ferramenta Reprojetar.
3. Verificou-se um deslocamento das curvas de nível em relação à imagem de satélite
utilizada neste trabalho, mesmo após a reprojeção para o sistema de coordenadas
planas SIRGAS 2000 UTM, Zona 22 S. Visando corrigir este deslocamento fez-se uso
da ferramenta Ajuste Espacial através da Projeção de Similaridade. Esta ferramenta
tem como objetivo reajustar um arquivo através de pontos em comum com o arquivo
final de interesse. Para este estudo de caso buscou-se ajustar as curvas de nível à
imagem de satélite.
4. Os dados referentes ao MDE foram tratados neste passo. As curvas de nível em
formato shapefile foram convertidas para formato raster. Em seguida o MDE com a
resolução de 30 metros, assim como as curvas de nível em formato raster, foram
reamostrados para resolução de 1 metro, através da ferramenta Resample do ArcGIS,
utilizando método cúbico, que leva em consideração, para a futura célula, o valor dos
42

16 pixels do entorno da célula de origem. Realizado o procedimento anterior, o MDE,


assim como o raster das curvas de nível, foram interpolados fazendo-se uso da
ferramenta Mosaico para Novo Raster. O resultado da interpolação do MDE e das
curvas de nível foi denominado neste trabalho como MDE Interpolado.
5. Foi observado que não existem dados de batimetria para a região da área de estudo.
Desta forma o seguinte passo foi determinar as redes de drenagem da área de interesse.
Foi considerado que o arroio Jacaré possui uma profundidade média de 1,40 metros,
dado este obtido através da seção transversal criada a partir de dados disponíveis no
site Hidroweb da ANA, da estação fluviométrica de código 86700000, correspondente
ao arroio citado. A profundidade mínima do rio Taquari, segundo a Confederação
Nacional do Transporte -CNT (2013), em seu trecho navegável, é de 3,0 metros,
durante o ano inteiro. Sendo que, a navegação nesse rio e o acesso ao porto fluvial de
Estrela são possíveis devido à construção da barragem e da eclusa de Bom Retiro do
Sul, localizadas na cidade de mesmo nome. Devido à inexistência de dados quanto à
profundidade média, para o trecho do rio Taquari na cidade de Encantado, e,
considerando as colocações da CNT, levando em conta que o trecho do rio Taquari na
cidade de Encantado não é navegável, considerou-se a profundidade média de 2,25
metros, para este curso da água.
6. Para determinar as redes de drenagens, conforme citado anteriormente, no quinto
passo, foram criados arquivos shapefile do tipo polígono e vetorizadas as redes de
drenagem de interesse. Além destes foram criados arquivos shapefile do tipo ponto,
colocados nos arquivos shapefile das redes de drenagem. Para cada ponto atribuiu-se
um valor correspondente à cota da rede de drenagem, descontando-se a cota do terreno
do MDE interpolado, criada no quarto passo, com a profundidade média de cada curso
de água. Em seguida utilizou-se a ferramenta Topo para Raster, para criar o MDE
correspondente a cada rede de drenagem. Segundo a ESRI, esta função interpola uma
superfície de quadriculação hidrologicamente correta de pontos, linhas e dados de
polígono.
7. Finalmente para unir os MDEs das redes de drenagem, criado no passo anterior com o
MDE interpolado criado no quarto passo, foi utilizada a ferramenta Mosaico para
novo Raster, obtendo-se um novo MDE denominado aqui como MDE Final.
43

4.4.2 HEC-GeoRAS

A extensão HEC-GeoRAS é uma ferramenta utilizada em conjunto com o software


ArcGIS, que facilita a criação da geometria necessária para ser posteriormente utilizada no
software HEC-RAS 5.0.3.
A metodologia utilizada nesta etapa foi adaptada de França e Ribeiro (2013), e descrita
a seguir:

1. Como dados de entrada foram utilizados o MDE final e a imagem de satélite tratada;
2. A partir da imagem de satélite e do MDE final foi criada a geometria necessária,
sendo: o canal principal do rio (river), as margens (banks), o limite da mancha de
inundação (flowpaths) e as seções transversais (XS Cut Lines). Para a criação do shape
flowpaths considerou-se a cota do MDE em 90 metros.
3. Para criar a geometria através da extensão HEC-GeoRAS é necessário traçar a mesma de
montante para jusante e da direita para a esquerda, para que a mesma não ocasione
problemas de reconhecimento no software,

A geometria citada acima foi criada conforme o fluxograma apresentado Figura 12,
apresentada na sequencia. Para o rio Taquari, optou-se pelo método que traça as seções
transversais automaticamente, realizando-se em seguida um ajuste, visto que as mesmas não
devem cruzar-se umas com as outras, em cada curso de água. Para o arroio Jacaré as seções
transversais foram traçadas manualmente, devido a este curso de água ser curvilíneo, adotando-se
uma distância de em média 50 metros para cada seção nas regiões curvilíneas, e 100 metros para
as regiões mais retilíneas. Na Figura 11 apresentada abaixo está apresentada as seções transversais
traçadas correspondentes à etapa do HEC-GeoRas.
44

Figura 11- Esquema das seções transversais traçadas no HEC-GeoRAS com detalhe para a seção 2.502,42 m

Fonte: Elaborado pelo autor


45

Figura 12 - Fluxuograma das etapas do HEC-GeoRAS

Fonte: FRANÇA, RIBEIRO (2013)


46

4.4.3 HEC-RAS

O software HEC-RAS permite análises para regimes de fluxo permanente e não-


permanente. A modelagem de fluxo permanente, conforme Brunner (2010, apud FADEL,
2015):

[...] possibilita calcular os perfis de nível ao longo do curso d’água, para vazões
constantes ou gradualmente variadas, considerando que o processamento
computacional baseia-se na conservação de energia (avaliando a perda de energia de
cada subtrecho pelos coeficientes de Manning e de contração/expansão), com a
solução da equação de Bernoulli. (BRUNNER, 2010, apud FADEL, 2015, p. 38).

A equação de Bernoulli está esquematizada a seguir:

&' ( ' ' &* ( ' *


#$ + %$ + =# +% + ++ (4)
$) $)

Onde:
1 e 2 = índice das seções consecutivas
Z = cota do fundo do canal
Y = profundidade da água
α = coeficiente de ponderação da velocidade
V = velocidade média
g = aceleração gravitacional
h = perda de energia

Figura 13 - Equacionamento de Bernoulli

Fonte: BRUNNER 2010, adaptado por FADEL 2015


47

Os escoamentos em sua totalidade, segundo Monteiro, Kobyiama e Zambrano (2015)


são não permanentes, variando ao longo do tempo, e levando em consideração a variação
temporal do escoamento. Para o escoamento não-permanente, segundo Brunner (2010, apud
FADEL, 2015) “o programa utiliza os mesmos cálculos hidráulicos da modelagem
permanente; contudo, as equações são resolvidas para os princípios de conservação de massa
(5) e de momento (6).”

, ,
+ − / = 0 (5)
,- ,.

01 , ,
+, +3 +5 =0 (6)
02 . ,4

Onde
A = área da seção
Q = vazão
t = tempo
x = distância
q = aporte de vazão lateral
V= velocidade
z = elevação da superfície d’água
S = declividade da linha de energia

As equações (5) e (6), conforme Fadel (2015), são as de Saint-Venant, resolvidas pelo
Método de Preissmann - incondicionalmente estável, considerando que, a solução geralmente
converge para quaisquer intervalos de tempo e distância entre seções escolhidas inicialmente.
Para isso, são consideradas três hipóteses:

1. O escoamento é unidimensional
2. A pressão é apenas hidroestática
3. A massa específica não varia no tempo e no espaço (hipótese dos fluidos
incompressíveis)
48

Após essa breve conceituação sobre o tema, deu-se prosseguimento para a última
etapa da simulação hidráulica, que, consistiu em afinar a geometria gerada na etapa HEC-
GeoRAS, e inserir dados de entrada necessários para rodar o modelo hidráulico, visando obter
as manchas de inundação associados aos tempos de retorno de 2, 5, 10, 20, 50, 100 e 200
anos. Foi considerado o escoamento permanente para este trabalho.
Os passos realizados nesta etapa estão descritos a seguir:

1 Ajustou-se a geometria das seções transversais, que foram inicialmente traçadas na


etapa HEC-GeoRAS. Ajuste esse, realizado através menu View/Edit geometric data,
acessando a opção Cross Section (Seção Transversal) Este procedimento foi realizado
visando melhorar a rede de drenagem, atribuindo uma profundidade correta aos cursos
de água, assim como, determinar a posição correta da margem do arroio Jacaré e do
rio Taquari.
2 Preencheu-se os dados referentes às distâncias das seções transversais localizadas a
jusante (Downstream Reach Lengths), para cada seção transversal, ainda no menu
View/Edit geometric data, opção Cross Section.
3 Foram inseridos os valores correspondentes ao coeficiente de rugosidade de manning
para os cursos de água, assim como para as laterais direita e esquerda de cada seção
transversal, no menu View/Edit geometric data. Para este trabalho, foram adotados
três valores diferentes para o coeficiente de manning, sendo, 0,035 para os cursos de
água (TUCCI 2012). Para as laterais do arroio Jacaré foi adotado o valor de 0,03
(KANASHIRO, [2011?]), assim como para a lateral esquerda do rio Taquari, e 0,023,
para as laterais a direita deste mesmo rio, com exceção das últimas sete seções
transversais à jusante do rio Taquari, onde, adotou-se para a margem direita o valor de
0,03. O valor de 0,023 foi adaptado de Kanashiro ([2011?]), realizando-se a média
entre os valores de manning para vegetação rasteira (0,03) e asfalto (0,016).
4 Para criar a geometria das pontes, acessou-se a opção Bridge/ Culvert Data. Foram
inseridos dados de altura e largura dos pilares, distância entre pilares, e comprimento e
largura das pontes. Buscou-se representar da melhor forma as características das
pontes através dos dados obtidos em campo. Os dados utilizados para a geometria das
pontes estão representados abaixo, na Tabela 2.
49

Tabela 2 – Dados utilizados para a geometria das pontes


Localização Bairro Jacarezinho Rodovia RS 129
Cota da parte superior da ponte (m) 52 56
Cota da parte inferior da ponte (m) 41,75 32,6
Espessura da parte trafegável da ponte (m) 0,25 0,5
Número de pilares 4 3
Distância média entre pilares (m) 13,5 30
Largura dos pilares da cota 41,75 até a cota 42,95 m
2,2 -
(m)
Largura dos pilares da cota 42,95 até a cota 51,75 m
1 -
(m)
Largura dos pilares da cota 32,6 até a cota 36,75 m (m) - 3,5
Largura dos pilares da cota 36,75 até a cota 55,5 m (m) - 2
Altura da ponte (m) 10,25 23,25
Largura da ponte (m) 4,5 10
Comprimento da ponte (m) 45 115
Fonte: Elaborado pelo autor

5 Se realizou a união do arroio Jacaré ao Rio Taquari, através da ferramenta Junction,


no menu View/Edit geometric data.
6 Foram interpoladas as seções transversais do rio Taquari e arroio Jacaré, através do
método Within a Reach, considerando a distância máxima de 100 metros entre cada
seção transversal, através do menu Tools, acessando a opção XS Interpolation.
7 Foi necessário filtrar os pontos das seções transversais, visto que o número máximo
deve ser de 500 pontos para cada linha. Assim, foi utilizada a ferramenta Cross
Section Point Filter, no menu Tools, para filtrar os pontos.
8 Os valores de vazão para o cálculo das áreas de inundação simuladas para cada TR,
foram inseridos, através do menu Edit, na opção Steady Flow Data (Fluxo
permanente). Foram consideradas as vazões obtidas no Quadro 1, para o rio Taquari e
no Quadro 4, para o arroio Jacaré, expressos nos resultados deste trabalho.
9 Em seguida foram atribuídas as condições da simulação na aba Reach Boundary
Conditions. Considerou-se a opção Normal Depth, que se refere a declividade dos
cursos de água. Para o rio Taquari considerou-se a declividade de 0,2 m/Km
(BOMBASSARO, ROBAINA, 2010). Desta forma, foi considerada a declividade de
0,002 m/m para o rio Taquari, devido a esta ser a forma aceita pelo HEC-RAS. Para o
arroio Jacaré considerou-se a declividade de 0,007 m/m, através de dados obtidos no
software ArcGIS.
50

Abaixo está representada através da Figura 14, a simulação realizada no HEC-RAS


para o TR de 200 anos, em 3D.

Figura 14 - Simulação da inundação em 3D no HEC-RAS, para o TR de 200 anos

Fonte: Elaborado pelo autor

4.5 PÓS-MODELAGEM HIDRÁULICA

A metodologia correspondente a Pós-Modelagem Hidráulica foi dividida em Análise


de Suscetibilidade a Inundações, Análise das Edificações conforme as curvas de nível
estabelecidas pelo Plano Diretor e Proposta de Zoneamento quanto as inundações para o
município de Encantado.

4.5.1 Análise de Suscetibilidade a Inundações

Para a análise da Suscetibilidade a inundações foram gerados mapas das manchas de


inundação para os TR de 2, 5, 10, 20, 25, 50, 100 e 200 anos, associados às vazões máximas
51

do rio Taquari e do arroio Jacaré, e calculadas as áreas de cada mancha de inundação. Ainda,
se realizou uma relação entre vazões máximas dos cursos de água e as áreas das manchas de
inundações geradas através da simulação hidráulica.
Também foi gerado um mapa de suscetibilidade a inundações para o município de
Encantado, associando as manchas de inundação aos TR de 2, 5, 10, 25, 50 e 100 anos, sendo
desconsiderados os TR de 20 e 200 anos, devido às manchas de inundação destes TR
apresentarem pouca diferença dos TR de 25 e 100 anos, respectivamente, e para melhor
visualização em um todo.

4.5.2 Análise das Edificações conforme as cotas altimétricas estabelecidas pelo Plano
Diretor

Realizou-se uma análise para verificar se as edificações do município cumprem a cota


mínima de construção descritas no Plano Diretor. Para esta análise, levou-se em consideração
a existência de edificações e as restrições de construção quanto às cotas de altitude no
município de Encantado. Desta forma realizou-se uma conexão entre o Plano Diretor,
conforme Lei 1.566/91, de 30 de dezembro de 1991, mais especificamente com o parágrafo
2°, do capítulo 19, que traz recomendações para as Zona de Ocupação Condicionada (ZOCS),
levando em consideração as cotas de cheias (ANEXO A), conforme expresso a seguir:

[...] Art. 19 - Na Zona de Ocupação Condicionada – ZOC – as edificações


obedecerão critérios de ocupação, determinados pela Municipalidade, visando
minimizar os efeitos dos alagamentos periódicos.
§ 1° - Nesta zona, todas as edificações deverão possuir dois pavimentos e/ou pilotis,
obrigatoriamente ocupando o pavimento térreo com compartimentos de utilização
transitória, obedecendo-se a cota mínima, fornecida pela Prefeitura Municipal.
§ 2° - Nesta zona, conforme levantamento aerofotogramétrico em posse da
Prefeitura Municipal, as cotas mínimas para construção, com referência ao marco
existente defronte ao prédio da Prefeitura Municipal (cota 54 m) serão:
- imediações do Bairro São José e Jacarezinho – cota 49,00 m.
- imediações do Bairro Barra do Jacaré, Amazonas e Vila Moça – cota 48,00m.
- imediações do Bairro Porto Quinze, Navegantes, Santa Clara e Centro – cota 46,00
m. (ENCANTADO, 1991, p. 9).

Buscou-se ainda estimar a quantidade de edificações abaixo da cota mínima de


construção para cada bairro. Para desenvolver esta etapa do trabalho fez-se uso das curvas de
nível com resolução de metro para metro, fornecidas pela Prefeitura Municipal, imagem de
satélite com resolução de 2 metros para a cidade de Encantado e arquivo shapefile dos bairros
deste mesmo município.
52

4.5.3 Proposta de Zoneamento quanto às inundações para o município de Encantado

Devido ao município de Encantado estar frequentemente sujeito a eventos de


inundações, e visando atender o inciso IV, do Artigo 7º, da Politica Nacional de Proteção e
Defesa Civil, conforme Lei 12.608 de 2012 buscou-se identificar as áreas atingidas pelas
inundações em Encantado/RS. Para isto, foi confeccionando um mapa de zoneamento,
associando as 3 Faixas de Inundações, conforme WRC 1971, expresso na Figura 15.

Figura 15- Faixas de inundação


Faixas de
Características
Inundação
Zona de Tem alto risco de inundação. Trata-se de uma região que deve ser liberada para funcionar
passagem hidraulicamente e, portanto, deve ficar desobstruída. Em áreas já ocupadas não deve ser
de cheias permitida nenhuma nova construção nessa faixa e as edificações já existentes devem ser
(Faixa 01) realocadas.
Esta faixa sofre inundações com tempo de recorrência, da ordem de 5 a 25 anos. Os usos do
Zona com solo para esta faixa devem ser: áreas de lazer, habitações com mais de um piso, áreas de
restrições indústrias e comércio, como estacionamento, armazenamento de equipamentos e
(Faixa 02) maquinários de fácil remoção e serviços básicos, como linhas de transmissão, ruas e pontes,
desde que corretamente projetadas.
São atingidas por cheias excepcionais, com período de retorno de 50 a 100 anos. Existe
Zona de
uma pequena possibilidade de esta faixa sofrer com danos causados pelas inundações,
baixo risco
portanto não necessita regulamentação quanto às cheias. Pode ser ocupada por residências
(Faixa 03)
ou estabelecimentos em geral.
Fonte: WATER RESOURCE CONCIL, 1971. Adaptado por RIGHI

Cabe ressaltar aqui, que este trabalho consistiu em avaliar o perigo, ou suscetibilidade
quanto às inundações, porém tomando como base recomendações de WRC 1971 que coloca a
relação das faixas de inundação quanto ao risco.
Além das três faixas de inundação, conforme recomendado por WRC 1971, expresso
acima na Figura 15, foi levado em consideração uma faixa adicional. A recomendação
proposta pelo mesmo órgão coloca que para a Faixa 2, deve-se levar em consideração o tempo
de retorno de 5 a 25 anos, e que, para a Faixa 3, o tempo de retorno de 50 a 100 anos. Assim,
observou-se que ocorre uma lacuna entre essas duas faixas, não sendo exposto como deve-se
tratar as áreas afetadas pelo TR de 25 a 50 anos. Isto posto, optou-se por representar no mapa
de Zoneamento de Inundações, essa lacuna, como Zona de Transição, sendo recomendado
que, para as áreas afetadas pelas inundações nesta zona, os usos do solo deveriam ser de um
ponto intermediário entre as Faixas 2 e 3.
Ainda, realizou-se uma análise para verificar, em qual cota de altitude finaliza cada
Faixa de Inundação exposta no Mapa de Zoneamento de Inundações, confeccionado neste
53

estudo de caso, delimitando-se a análise para as Faixas de Perigo de Inundação 1 e 2.


Também buscou-se avaliar se as cotas mínimas de construção para as ZOCs de cada bairro do
município, coincidem com a Faixa 1, recomendada por WRC, correspondente as áreas que
devem estar desobstruídas para o funcionamento hidráulico das cheias.
Por fim, realizou-se a estimativa de edificações associadas às Faixas de Inundação 1 e
2, para cada bairro. Para consecução desta etapa, fez-se uso do Mapa de Zoneamento de
Inundações, curvas de nível com resolução de metro para metro, fornecidas pela Prefeitura
Municipal, imagem de satélite com resolução de 2 metros para a cidade de Encantado,
arquivo shapefile dos bairros deste mesmo município.
54

5 RESULTADOS

Os resultados deste estudo de caso foram divididos em pré-modelagem e pós-


modelagem, e estão expressos a seguir.

5.1 PRÉ-MODELAGEM HIDRÁULICA

Nesta etapa serão apresentados os resultados das vazões máximas obtidas através da
Distribuição Estatística de Gumbel e Regionalização de Vazões.

5.1.1 Distribuição Estatística de Gumbel

Para as vazões máximas, correspondentes a cada TR, através da Distribuição


Estatística de Gumbel, se obtiveram os seguintes resultados:
Os resultados obtidos na Tabela 1 e na Tabela 4, foram obtidos através da Equação 1,
apresentada na metodologia deste trabalho. Para o rio Taquari, estação fluviométrica de
código 86720000, as vazões máximas associadas a cada tempo de retorno podem ser
visualizadas abaixo, na Tabela 3.

Tabela 3 - Vazões máximas para o rio Taquari

TR (anos) Q (m³/s)
200 15.511
100 14.097
50 12.678
25 11.249
20 10.785
10 9.322
5 7.797
2 5.494
Fonte: elaborado pelo autor

Para o arroio Jacaré os resultados referentes às vazões máximas da estação


fluviométrica de código 86700000, seguem abaixo, na Tabela 4.
55

Tabela 4 - Vazões Máximas para a estação fluviométrica de código 86700000


TR (anos) Q (m³/s)
200 909
100 820
50 731
25 642
20 613
10 521
5 426
2 281
Fonte: elaborado pelo autor

5.1.2 Áreas de drenagem

Em relação as áreas de drenagem, observou-se que, a área de drenagem que contribui


para a vazão da estação fluviométrica do arroio Jacaré, de código 86700000, calculada através
do software ArcGIS e denominada neste estudo como (Am), foi de 440,17 km², e a área de
drenagem próxima, denominada neste trabalho como área de drenagem da seção de interesse
(Az) foi de 88,72 km².
Conforme dados apresentados no sistema Hidroweb da ANA a área de drenagem da
estação fluviométrica do arroio Jacaré é de 436 km², sendo que este resultado é aproximado
ao obtido pelo método de delimitação automática de sub-bacias com o ArcGIS, que foi de
440,17 km².

5.1.3 Regionalização de Vazões pelo Método da Interpolação Linear

No Quadro 3 estão expressos os resultados das vazões da seção de interesse (Qz), para
cada TR associado as vazões máximas. Para este cálculo foi considerada a vazão máxima
associada em todos os TR da área de drenagem do arroio Jacaré, apresentados no Quadro 2.
Para os dados de área foram considerados Am = 436 km² e para Az = 88,72 km². Conforme
expresso anteriormente, foi utilizada a Regionalização de Vazões, através do Método da
Interpolação Linear, fazendo-se uso da Equação 2, apresentada na metodologia deste trabalho.
Os resultados obtidos estão representados abaixo na Tabela 5.
56

Tabela 5 - Vazões para a seção de interesse (Qz)


TR (anos) Q (m³/s)
200 185
100 167
50 149
25 131
20 125
10 106
5 87
2 57
Fonte: elaborado pelo autor

Após a obtenção da vazão de interesse (Qz) associada a cada TR, expressas na Tabela
5, foram recalculadas as vazões para o trecho do arroio Jacaré através da Equação 3, expressa
na metodologia deste trabalho. Os resultados obtidos estão expressos na Tabela 6.

Tabela 6 - Vazão totais máximas para o arroio Jacaré

TR (anos) Q (m³/s)
200 1.094
100 987
50 880
25 772
20 737
10 627
5 512
2 339
Fonte: elaborado pelo autor

5.2 PÓS - MODELAGEM HIDRÁULICA

Os resultados referente a etapa Pós-Simulação foram divididos em Análise de


Suscetibilidade a inundações, Análise das Edificações conforme as cotas altimétricas
estabelecidas pelo Plano Diretor e Proposta de Zoneamento quanto as inundações para o
município de Encantado, e estão representados a seguir.
Foram observadas algumas diferenças signiticativas em relação ao nível do rio Taquari
nas simulações realizadas, que podem justificar-se principalmente pela limitação dos
materiais utilizados, como o MDE, curvas de nível, e série não continua de vazões máximas
anuais utilizadas na Distribuição Estatística de Gumbel. Verificou-se que próximo à seção
57

transversal 3360,891 m, representada na etapa HEC-RAS, através da Figura 11, está


localizada a régua linimétrica utilizada para medir os valores de elevação do rio Taquari.
Através do evento de inundação ocorrido no dia 21/07/2011, verificou-se que o nível da régua
do rio Taquari foi de 47,27 m (KUREK, 2012), e os valores de vazão em torno de 14.000 m³/s
(SIQUEIRA, 2015). Desta forma, utilizou-se como base a simulação realizada para o TR de
100 anos, que resultou a uma vazão similar a ocorrida no evento, para realizar uma relação
entre o nível real do rio Taquari e o nível resultante da simulação. Observou- se que neste
trabalho, o nível do rio Taquari para o TR de 100 anos foi de 45,95 m, sendo em torno de 1,32
metros inferior ao evento real.
Ressalta-se ainda, que não foi realizada a calibragem do modelo hidráulico, para
verificar os níveis atingidos em eventos reais com os eventos da simulação, sendo esta uma
limitação deste trabalho, podendo causar um efeito de superestimação ou subestimação das
manchas de inundação geradas neste trabalho.

5.2.1 Análise de Suscetibilidade a Inundações

Para expressar os resultados da análise de suscetibilidade a inundações no município,


buscou-se representar através de uma tabela a relação entre vazões máximas dos cursos de
água e as áreas das manchas de inundações geradas através da simulação hidráulica. Estas se
encontram divididas em área total e área correspondente a parte urbana de Encantado, além de
conter informações quanto ao aumento de porcentagem em relação ao TR anterior e em
relação ao TR inicial de 2 anos. Os resultados estão expressos na Tabela 7 e apresentados na
sequencia deste trabalho.
O mapa associando os tempos de retorno de 2, 5, 10, 25, 50, e 100 anos está expresso
a seguir, na Figura 16. Os mapas específicos com a mancha de inundação para cada TR estão
apresentados no Apêndice B, no final deste trabalho.
58

Figura 16- Mapa das Manchas de Inundações para o Município de Encantado


Tabela 7 - Relação de vazões e áreas para cada Tempo de Retorno

Porcentagem Acréscimo da Mancha de Acréscimo da Mancha de


Área da Mancha de
Vazões máximas (m³/s) da mancha de Inundação em relação ao TR Inundação em relação ao
Inundação (Km²)
inundação na Anterior (%) TR de 2 anos (%)
Área área urbana
TR (anos) Rio Taquari Arroio Jacaré Total Área total Área urbana Área total Área urbana
Urbana (%)
2 5.494 339 0,73 0,6 82,20 - - - -
5 7.797 512 1,42 1,1 77,46 94,52 83,33 94,52 83,33
10 9.322 627 2,39 1,74 72,80 68,31 58,20 227,40 190,00
20 10.785 737 3,37 2,25 66,76 41,00 29,31 361,64 275,00
25 11.249 772 3,68 2,37 64,40 9,20 5,33 404,11 295,00
50 12.678 880 4,66 2,72 58,37 26,63 14,77 538,36 353,00
100 14.097 987 5,54 3,11 56,14 18,88 14,34 658,90 418,33
200 15.511 1094 6,86 3,45 50,30 23,83 10,93 839,73 475,00
Fonte: elaborado pelo autor

59
60

Quanto aos resultados apresentados na tabela 7, verificou-se que:


A relação entre tempo de retorno e áreas afetadas pelas inundações em Encantado,
com destaque para a área urbana, observou-se que, para o TR de 2 anos, com uma mancha de
inundação de 0,6 Km² para a área urbana, a inundação afetou principalmente os bairros
próximos ao rio Taquari e ao arroio Jacaré no município de Encantado. Os bairros, afetados
para o TR de 2 anos foram, São José, Barra do Jacaré, Amazonas, Vila Moça, Nossa Senhora
Aparecida e Santa Clara.
Para o TR de 5 anos, o acréscimo da área da mancha de inundação, em relação ao TR
anterior, para a parte urbana do município, foi de 58,20 %, com 1,1 km² de área inundada.
Neste TR, os bairros atingidos pelas inundações são praticamente os mesmos, Os bairros
Porto Quinze e Centro passam a ser afetados a partir deste TR.
Analisando o TR de 10 anos, constatou-se que o aumento da mancha de inundação em
relação ao TR anterior foi de 58,20 %, com 1,74 km² de área inundada na parte urbana. Os
bairros Nossa Senhora Aparecida e Navegantes são os mais afetados para este TR, em relação
à área total de cada bairro. O efeito de represamento do arroio Jacaré devido ao aumento do
nível do rio Taquari, fica visível a partir deste TR.
Para o TR de 20 anos, a mancha de inundação sofreu um aumento de 29,31% em
relação ao TR anterior, com um total de 2,25 km² de área inundada. Para este TR os bairros,
Jacarezinho, Planalto e Lajeadinho passa a ser afetados. Verificou-se ainda que, a margem
esquerda do rio Taquari passa a ser inundada a partir deste TR.
O TR de 25 anos apresentou um aumento de área inundada de 5,33 % em comparação
ao TR anterior, totalizando uma área de 2,37 Km² na parte urbana do município. Verifica-se
um aumento gradual das manchas de inundação em geral.
Ao analisar-se o TR de 50 anos, se verificou que a mancha de inundação, na parte
urbana, apresentou um acréscimo de 14,77 % em relação ao TR anterior, totalizando 2,72
Km². Em relação ao TR de 25 anos, as áreas afetadas pela inundação aumentam
gradualmente, com destaque para a margem esquerda do rio Taquari.
Para o TR de 100 anos, constatou-se um aumento de 14,34 % da mancha de
inundação na área urbana de Encantado, com um total de 3,11 Km², em comparação ao TR
anterior.
Para o TR de 200 anos, o aumento da mancha de inundação estabelece-se em torno de
3,45 % em relação ao TR anterior, verificando-se que os bairros Santo Antão e Lambari não
foram afetados por inundações até este tempo de retorno.
61

Após analisar as inundações foi gerado o Quadro 3, que indica a partir de qual TR
cada bairro é afetado.

Quadro 3 - Bairros afetados pelas inundações


TR (anos)
Bairros 2 5 10 20 25 50 100 200
Jacarezinho X X X X X
São José X X X X X X X X
Barra do Jacaré X X X X X X X X
Amazonas X X X X X X X X
Vila Moça X X X X X X X X
Porto Quinze X X X X X X X
Navegantes X X X X X X
Centro X X X X X X X
Nossa Senhora Aparecida X X X X X X X X
Santa Clara X X X X X X X X
Lajeadinho X X X X X
Planalto X X X X X
Santo Antão - - - - - - - -
Lambari - - - - - - - -
Fonte: Elaborado pelo autor

5.2.2 Análise das Edificações conforme as cotas altimétricas estabelecidas pelo Plano
Diretor

Para representar os resultados desta etapa, foi confeccionado um mapa de zoneamento,


conforme recomendações de WRC 1971, com destaque para as cotas mínimas de construção
das ZOCs, conforme o Plano Diretor, expresso através da Figura 17. Este mapa foi utilizado
para verificar se as edificações em cada bairro das ZOCs, cumprem com as cotas mínimas de
construção descritas no Plano Diretor, apresentadas na metodologia deste trabalho.
Foi elaborado o Quadro 4 para representar o número de edificações abaixo da cota
mínima de construção para cada bairro, apresentado na sequencia.
62

Figura 17- Zoneamento de Inundações no Município de Encantado com destaque para as cotas das ZOCs
63

Quadro 4- Edificações abaixo da cota mínima de construção


Número de Edificações
Cota Mínima
Bairros abaixo da cota mínima de
de construção
construção
Jacarezinho 2
49 metros
São José 37
Amazonas 7
48 metros Barra do Jacaré 19
Vila Moça 10
Porto Quinze 11
Navegantes 112
46 metros Santa Clara 25
Centro (sul) 39
Centro (noroeste) 8
Fonte: Elaborado pelo autor

Através da Figura 17 e do Quadro 4, pode-se concluir que o bairro que menos cumpre
com as exigências com as cotas mínimas de construção do Plano Diretor foi o bairro
Navegantes, com em torno de 112 edificações construídas abaixo da cota de 46 metros.
Seguido pelo bairro Centro com 47 edificações localizadas abaixo da mesma cota, e bairro
São José com em torno de 37 edificações abaixo da cota de 49 metros.
Verificou-se ainda que o Plano Diretor não estabelece uma cota mínima de construção
para o bairro Nossa Senhora Aparecida.

5.2.3 Proposta de Zoneamento quanto às inundações para o município de Encantado

Para a proposta de zoneamento, em relação às áreas mais afetadas pelas inundações,


visando atender o inciso IV, do Artigo 7º, da Politica Nacional de Proteção e Defesa Civil,
conforme Lei 12.608 de 2012, que busca identificar e mapear as áreas de risco, foi elaborado
o mapa de Zoneamento de Inundações de Encantado/RS, conforme recomendações de WRC
1971, representado na Figura 18.
Verificou-se que o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Encantado é de
1991, portanto, anterior ao Estatuto da Cidade. Desde a sua aprovação, o Plano Diretor sofreu
alterações, mas não houve um processo de revisão na perspectiva do que rege a Lei Federal
10.257/2001 – Estatuto da Cidade. (CEPED, 2015). O Estatuto da Cidade estabelece normas
de ordem pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem
coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental
64

(BRASIL, 2001). Trata-se, pelo que se pode ver, de importante instrumento quanto ao
planejamento urbano nos municípios.
Partindo desta justificativa, se buscou representar a relação entre as atuais cotas
mínimas de construção do PDDU e a cota de altitude das Faixas de Inundação do Mapa de
Zoneamento, através do Quadro 5, que poderão como uma base para a atualização do Plano
Diretor de Desenvolvimento Urbano de Encantado, quanto às áreas suscetíveis a inundações.
65

Figura 18- Zoneamento de Inundações no Município de Encantado


67

Quadro 5 - Resultados da análise entre cotas mínimas de construção do PDDU e Faixas de Inundação do Mapa de Zoneamento

Cota Mínima Cota de altitude em relação ao Mapa de Número de edificações construídos


de construção Zoneamento de Inundações em cada Faixa de Inundação
Bairros Observações
conforme
Plano Diretor Final da Faixa 1 Final da Faixa 2 Faixa 1 Faixa 2
Jacarezinho Entre 51 e 52 m - - 29
49 metros 46 m
São José Entre 48 e 49 m - 3 37
Amazonas Entre 47 e 48 m - 3 5
46 m
Barra do Jacaré - 2 8
48 metros Em alguns pontos próximo
Vila Moça 45 m ao rio Taquari a Faixa 1 2 7
47 m finaliza em 48 m
Porto Quinze - - 10
Entre 45 e 47m Em alguns pontos próximo
Navegantes ao rio Taquari a Faixa 2 - 91
finaliza em 50 m
46 metros Em alguns pontos próximo
Santa Clara 42 m 44 m ao rio Taquari a Faixa 1 - 14
finaliza em 48 m
Centro (sul) 42 m Entre 44 e 45 m - - 17
Centro (noroeste) 45 m Entre 46 e 47 m - 1 10
Fonte: Elaborado pelo autor

66
67

Referente aos resultados do Quadro 5, estabelecemos as considerações à seguir.


Para os bairros Amazonas, Barra do Jacaré e Vila Moça, onde a cota mínima de
construção segundo o PDDU é de 48 m, verificou-se através do Mapa de Zoneamento que a
Faixa 1 para os bairros Amazonas e Barra do Jacaré atinge a cota 46 m, e 45 m para o Vila
Moça . A Faixa 2, para o bairro Amazonas finaliza entre 47 metros e 48 metros, e para o
Barra do Jacaré e Vila Moça nos 47 metros.
Para os bairros São José e Jacarezinho, a cota mínima de construção observada deve
ser de 49 m, segundo o PPDU. Através do mapa de zoneamento de inundações pode-se
verificar que a cota máxima atingida pela Faixa 1 para os bairros São José e Jacarezinho,
finaliza em 46 m. Quanto a Faixa 2, finaliza entre 48 e 49 m para o primeiro, e entre 51 e 52
m para o segundo.
Para os bairros Porto Quinze, Navegantes, Santa Clara e Centro, a cota mínima de
construção do PDDU deve ser de 46 metros. Através do mapa de zoneamento de inundações,
pode-se verificar, que, no final da Faixa 1, para os bairros Porto Quinze e Navegantes as cotas
permanecem entre 45 e 47 m, sendo que, para o bairros Santa Clara e Centro (parte sul),
termina de forma geral na cota de 42 m. Para o bairro Centro, na porção noroeste, a Faixa 1
finaliza na cota 45 m. Em relação a Faixa 2, constatou-se que finaliza na cota 47 m para os
bairros Porto Quinze e Navegantes e na cota 44 m para o Santa Clara. Ainda, quanto a Faixa
2, para o bairro Centro (sul) finaliza entre 44 e 45 m para o Centro (sul), e entre 46 e 47 m
para o bairro Centro (noroeste).
Através dos resultados obtidos no Quadro 4, a Faixa 1 deve ficar desobstruída para
funcionar hidraulicamente. Esta orientação está recomendada pelo WRC (1971), considerando
a mesma como uma zona de passagem de cheias, com alto perigo de inundação, associada a
TR menores que cinco anos. Deve ser observado, ainda, que, em áreas já ocupadas não deve
ser permitida nenhuma nova construção nessa faixa, e as edificações já existentes devem ser
realocadas. A Faixa 2, considerada pelo mesmo autor como zona com restrições, sofre
inundações entre 5 e 25 anos, devendo ser ocupadas principalmente para áreas de lazer,
habitações com mais de um piso, indústrias e comércio, estacionamento, armazenamento de
equipamentos, linhas de transmissão, ruas e pontes.
Partindo desse pressuposto, e com o intuito de recomendar melhorias para a
atualização do Plano Diretor, quanto as áreas suscetíveis a inundações, as cotas mínimas de
construção de cada bairro deveriam corresponder ao final da Faixa 1 (zona de passagem de
cheias), salientando que a mesma deve ficar desobstruída. Recomenda-se que as cotas
mínimas de construção na futura atualização do Plano Diretor, para os bairros Jacarezinho e
68

São José baixassem, Amazonas e Barra do Jacaré baixassem para 46 m. Para os bairros Vila
Moça, e Centro (noroeste), que a cota mínima de construção baixasse de 46 para 45 m. Para
os bairros Centro (sul) e Santa Clara, que, baixassem para 42 m. E, para os bairro Navegantes,
que a cota mínima aumentasse de 46 para 47 m.
Recomenda-se ainda, que para o final da Faixa 2 (zona com restrições), sejam
observadas as seguintes cotas: para o bairro Jacarezinho, 52 m, São José, cota de 49 m, para
os bairro Amazonas, 49 m. Quanto aos bairros Vila Moça, Porto Quinze, Navegantes e Centro
(noroeste), cota de 47 metros. Para o bairro Santa Clara e Centro (sul), 44 e 45 m
respectivamente.
Com relação a Faixa 3, considerada de baixo perigo, associada a tempos de retorno de
50 a 100 anos, não seria necessária nenhuma restrição. Para a Zona de Transição, entre os TR
de 25 e 50 anos, os usos de ocupação do solo poderiam ser mais restritos que a Faixa 3 e
menos restritos que a Faixa 2.
69

6 CONCLUSÕES

Devido ao município de Encantado estar localizado em um trecho definido por vales


abertos, com áreas características de terraços fluviais e áreas de planícies, e ainda, associado a
baixas declividades do rio Taquari, faz com que o município seja afetado por inundações
graduais. Consequentemente, a água que escoa das partes mais altas da bacia, associada a
elevadas declividades, se acumulam nas áreas de planície. Portanto, compreender a dinâmica
do escoamento das águas, frente a eventos hidrológicos extremos, é de fundamental
importância para a gestão de riscos e desastres naturais, sendo o zoneamento, quanto ao risco,
ou suscetibilidade a inundações, uma ferramenta imprescindível para melhor atuação dos
órgãos responsáveis frente a essas ocorrências.
Através da geração das manchas de inundação no município de Encantado, pode-se
verificar que os bairros menos suscetíveis a inundações são Lajeadinho, Planalto e
Jacarezinho afetados por inundações a cada 20 anos. Os mais suscetíveis, afetados a partir do
TR de 2 anos, são os bairros São José, Barra do Jacaré, Vila Moça, Amazonas, Santa Clara e
Nossa Senhora Aparecida.
As vazões máximas associadas a cada TR para o rio Taquari, através da Distribuição
Estatística de Gumbel, foram: 5.494 m³/s para o TR de 2 anos, 7.797 m³/s para o TR de 5
anos, 9.322 m³/s para o TR de 10 anos, 10.785 m³/s para o TR de 20 anos, 11.249 m³/s para o
TR de 25 anos, 12.678 m³/s para o TR de 50 anos, 14.097 m³/s para o TR de 100 anos e
15.511 m³/s para o TR de 200 anos.
As vazões máximas associadas a cada TR para o arroio Jacaré, fazendo-se uso da
Regionalização de Vazões pelo método baseado na Interpolação Linear, associada à
Distribuição Estatística de Gumbel, foram: 339 m³/s para o TR de 2 anos, 512 m³/s para o TR
de 5 anos, 672 m³/s para o TR de 10 anos, 737 m³/s para o TR de 20 anos, 772 m³/s para o TR
de 25 anos, 880 m³/s para o TR de 50 anos, 987 m³/s para o TR de 100 anos e 1094 m³/s para
o TR de 200 anos.
As manchas de inundação caracterizaram os bairros mais suscetíveis a estes desastres
naturais de ordem hidrológica. A simulação, visando representar o extravasamento do arroio
Jacaré e rio Taquari, que afeta a área urbana do município, resultou em manchas de
inundação, expressas em Km², na parte urbana de Encantado. Para o TR de 2 anos, a mancha
de inundação foi de 0,60 Km², para o TR de 5 anos, 1,10 Km², para o TR de 10 anos, 1,74
Km², para o TR de 20 anos, 2,25 Km², para o TR de 25 anos, 2,37 Km², para o TR de 50 anos,
2,72 Km², para o TR de 100 anos, 3,11 Km², e para o TR de 200 anos, 3,45 Km².
70

Quanto às áreas mais afetadas, através da análise das edificações conforme as cotas
altimétricas estabelecidas pelo Plano Diretor o bairro que mais apresentou edificações abaixo
da cota mínima de construção foi o Navegantes, com 119 edificações, seguido do bairro
Centro, com 47 edificações.
Em relação à Proposta de Zoneamento para o Município, pode-se concluir que o único
bairro que necessita aumentar a cota mínima de construção é o Navegantes, passando de 46
para 47 metros. Para os demais bairros, a cota mínima de construção do Plano Diretor
poderiam ser reduzidas conforme resultados apresentados neste trabalho.
O rio Taquari, devido à elevação do nível de suas águas, associado à precipitação e ao
aumento de vazão em períodos chuvosos, influencia na inundação das áreas do arroio Jacaré,
assim como os demais cursos de água no município, que sofrem um efeito de represamento de
suas águas, causando desta forma a inundação destes cursos de água a montante de seu
encontro com o rio Taquari.
Referente à proposta de zoneamento quanto ao perigo, das áreas suscetíveis a
inundações no município de Encantado, recomenda-se uma revisão no Plano Diretor, quanto
às cotas mínimas de construção para as Zonas de Ocupação Condicionada, conforme expresso
nas discussões deste trabalho, levando em consideração as recomendações de WRC (1971),
quanto as faixas de inundação. A revisão do Plano Diretor deve ser efetuada, devido a estar
desatualizado, com data de 1991, não cumprindo com as diretrizes do Estatuto da Cidade,
conforme Lei 10.257, de 10 de julho de 2001.
Devido ao crescimento urbano e a especulação imobiliária, a população de baixa renda
acaba por ficar sem opção, ocupando de maneira desordenada áreas com maior suscetibilidade
a desastres naturais, como inundações, sendo o caso das ocupações dadas inicialmente nos
bairros Navegantes e Nossa Senhora Aparecida, que após foram regularizadas. Todavia, após
a regularização, essa população permanece em áreas de risco, devendo-se buscar opções para
o realocamento das mesmas em áreas que não estejam sujeitas a desastres naturais, ou, uma
reestruturação das edificações dos bairros afetados, conforme expresso no mapa de
zoneamento das inundações conforme as faixas de cheias, confeccionados neste trabalho.
Salientando a importância das medidas não estruturais para controle de inundações,
considerando que, estas, necessitam um menor investimento que as medidas estruturais, e, que
as mesmas devem ser idealizadas objetivando resultados em longo prazo, a identificação das
áreas suscetíveis a inundações é um importante instrumento e deve ser um dos primeiros
passos a serem executados para a gestão de riscos e desastres de um município.
71

REFERÊNCIAS

ALVES SOBRINHO, Teodorico et al. Delimitação automática de bacias hidrográficas utilizando dados SRTM.
Eng. Agríc., Jaboticabal, v.30, n.1, p.46-57, jan./fev. 2010. Disponível em: >
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-69162010000100005&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: 10
nov.2017.

ANA - AGENCIA NACIONAL DE ÁGUAS. VULNERABILIDADE A INUNDAÇÕES DO ESTADO DO


RIO GRANDE DO SUL. Atlas de Vulnerabilidade a Inundações: Rio Grande do Sul. Brasília, 2014. 1 mapa:
29,7 x 42 cm. Escala: 1: 950.000. Disponível em:
<http://metadados.ana.gov.br/geonetwork/srv/pt/metadata.show?uuid=e5cd6ea2-1ef6-46f9-8ec4-4f0b4bae35e8
>. Acesso em: 25 maio. 2017.

ANA - AGENCIA NACIONAL DE ÁGUAS. VULNERABILIDADE A INUNDAÇÕES DO BRASIL. Atlas de


Vulnerabilidade a Inundações. Brasília: ANA/ Ministério do Meio Ambiente, 2014. 15 p. Disponível em:
<http://metadados.ana.gov.br/geonetwork/srv/pt/metadata.show?uuid=2cfa808b-b370-43ef-8107-
5c3bfd7acf9c>. Acesso em: 25 maio 2017.

AMANAJÁS, Viviane; FUNI, Claudia. Mini Curso de Delimitação de Bacia Hidrográfica. Macapá:
Secretaria de Estado de Meio Ambiente/ Coordenadoria de Geoprocessamento e Tecnologia de Informação
Ambiental, 2015. 22 p. Disponível em:
<http://www.academia.edu/12889400/Delimita%C3%A7%C3%A3o_de_bacia_hidrogr%C3%A1fica>. Acesso
em: 15 out. 2017.

AMARAL, Rosangela do; RIBEIRO, Rogério Rodrigues. Inundações e enchentes. In: TOMINAGA, Lídia
Keiko; SANTORO, Jair; AMARAL, Rosangela (Org.). Desastres Naturais: Conhecer para prevenir. São Paulo:
Instituto Geológico, 2009. p. 39-52.

AMORIM, Eduardo Lucena Cavalcante.; OLIVEIRA NETTO, Antonio Pedro de ; Mendiondo, Eduardo Mario.
Estudo de métodos para regionalização de vazão. In: XVI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, 2005, João
Pessoa. Livro de resumos do XVI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, 2005. P. 641-657. Disponível em:
< http://www.ctec.ufal.br/professor/elca/Amorim2-ABRH2005.pdf>. Acesso em: 05 out. 2017.

BOMBASSARO, Magno; ROBAINA, Luis Eduardo de Souza. Contribuição geográfica para o estudo das
inundações na bacia hidrográfica do rio Taquari-Antas, RS. Geografias, Belo Horizonte, v. 06, n.2, p. 69-86.
jul./dez. 2010.

BRASIL. Lei n. 10.257, DE 10 DE JULHO DE 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal,
estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências.

BRASIL. Lei n. 12.608, de 10 de abril de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil -
PNPDEC; dispõe sobre o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil - SINPDEC e o Conselho Nacional de
Proteção e Defesa Civil - CONPDEC; autoriza a criação de sistema de informações e monitoramento de
desastres; altera as Leis nos 12.340, de 1o de dezembro de 2010, 10.257, de 10 de julho de 2001, 6.766, de 19 de
dezembro de 1979, 8.239, de 4 de outubro de 1991, e 9.394, de 20 de dezembro de 1996; e dá outras
providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12608.htm>.
Acesso em: 01 abr. 2017.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Outros tipos de zoneamento. [2012-2017?] Disponível em:
<http://www.mma.gov.br/gestao-territorial/zoneamento-territorial/item/8188-outros-tipos-de-zoneamento>.
Acesso em: 10 maio 2017.

BRASIL. MINISTÉRIO DA INTEGRACÃO NACIONAL. Anexo V – COBRADE com simbologia. 2017.


Disponível em: < http://www.integracao.gov.br/documents/3958478/0/Anexo+V+-
+Cobrade_com+simbologia.pdf/d7d8bb0b-07f3-4572-a6ca-738daa95feb0>. Acesso em: 18 jun. 2017.

BRASIL. Ministério das Cidades / Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT – Mapeamento de riscos em
encostas e margens de rios. Brasília: Ministério das Cidades; Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, 2007.
176 p.
72

BRASIL. Secretaria Nacional de Defesa Civil. Manual de desastres: desastres naturais. Brasília; Ministério da
Integração Nacional; 2003. 174 p.

CABRAL, Samuellson Lopes. et al. Integração do SIG, HEC/HMS e HEC/RAS no mapeamento de área de
inundação urbana: Aplicação à Bacia do Rio Granjeiro-CE. Geociências, São Paulo, v. 35, n. 1, p. 90-101, 2016.
Disponível em: <http://www.ppegeo.igc.usp.br/index.php/GEOSP/article/view/8998>. Acesso em: 27 maio
2017.

CÂMARA, Gilberto; MEDEIROS, José Simeão de. (Org.). Geoprocessamento para projetos ambientais. 2
ed. São José dos Campos-SP: INPE, 1998. Disponível em: <
http://www.deinf.ufma.br/~paiva/cursos/gis/book/GeoprocessamentoParaProjetosAmbientais.pdf>. Acesso em:
31 maio 2017.

CÂNDIDO, Anny Keli Aparecida Alves; SANTOS, Jeater Waldemar Maciel Correa. Avaliação de métodos de
delimitação automática de sub-bacias da bacia hidrográfica do Rio Manso-MT a partir de MDE. Anais XV
Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto – SBSR, Curitiba. p. 1121-1128

CERTEL. Inventário hidrelétrico do Baixo Taquari-Antas é aprovado. 2017. Disponível em:


<http://www.certel.com.br/noticias/detalhe/titulo-inventario-hidreletrico-do-baixo-
taquariantas-e-aprovado/?id=286>. Acesso em: 25 nov. 2017.
COLLISCHONN, Walter; DORNELLES, Fernando. Hidrologia Estatística. In: COLLISCHONN, Walter;
DORNELLES, Fernando. Hidrologia: para engenharia e ciências ambientais. Porto Alegre: Associação
Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH), 2013. p. 205-238.

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO TRANSPORTE. Pesquisa CNT da navegação interior 2013. Brasília :


CNT, 2013. Disponível em: < http://www.cnt.org.br/Pesquisa/pesquisa-cnt-navegacao-interior>. Acesso em: 11
out. 2017.

CPRM. Sistema de Alerta de Eventos Críticos. [2011-2017?]. Disponível em:


<http://www.cprm.gov.br/sace/index_bacias_monitoradas.php#>.Acesso em: 25 nov. 2017. Acesso em: 25 nov.
2017.

ECKHARDT, Rafael Rodrigo. Geração de modelo cartográfico aplicado ao mapeamento das áreas sujeiras
às inundações urbanas na cidade de Lajeado/RS. 2008. 116 f. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento
Remoto) – Centro Estadual de Pesquisa em Sensoriamento Remoto e Meteorologia, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.

ENCANTADO (RS). LEI Nº 1.566/91, de 30 de dezembro de 1991. Institui o Plano Diretor de


Desenvolvimento Urbano do Município de Encantado e dá outras providências.

FADEL, Amanda Wajnberg. Incorporação do Risco de Prejuízo no Gerenciamento de Medidas de Controle


de Inundação. 2015. 112 f. Dissertação (Mestrado em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental) – Instituto
de Pesquisas Hidráulicas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2015. Disponível em: <
http://hdl.handle.net/10183/143924 >. Acesso em: 16 maio 2017.

FITZ, Paulo Roberto. Geoprocessamento sem complicação. São Paulo: Oficina de textos, 2008. p. 160.

FRANÇA, Bruna Thomazinho; RIBEIRO, Celso Bandeira de Melo. Modelagem hidrológica e hidráulica para
mapeamento de áreas de risco de inundações urbanas na bacia hidrográfica do rio pomba. In: XX
Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos. Anais... Bento Gonçalves: 2013.

GESTÃO DE RISCOS E DESASTRES - GRID. Projeto Mapeamento de Vulnerabilidades a Áreas


Suscetíveis à Inundações e Deslizamentos em 8 municípios do RS. [2012-2017]. Disponível em:<
http://www.ufrgs.br/grid/pesquisas/projeto-mapeamento-de-vulnerabilidades-a-areas-suscetiveis-a-inundacoes-e-
deslizamentos-em-8-municipios-do-rs>. Acesso em: 17 jun. 2017.
73

GRACIOSA, Melissa Cristina Pereira. Modelo de seguro para riscos hidrológicos com base em simulação
hidráulico-hidrológica como ferramenta de gestão do risco de inundações. 2010. 163 f. Tese (Doutorado em
Engenharia Civil), Universidade de São Paulo, 2010. Acesso em: 11 jun.2017
Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18138/tde-13082010-102943/pt-br.php>.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Encantado. Disponível em:


<https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rs/encantado/panorama>. Acesso em: 14 nov. 2017.

JULIÃO, Rui Pedro et.al. Guia Metodológico para a Produção de Cartografia Municipal de Risco e para a
Criação de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) de Base Municipal. Lisboa: Autoridade Nacional de
Protecção Civil, 2009.

Kanashiro, Winston Hisasi. Curso segurança de barragens. Brasília:ANA, [2011?]. Módulo 1. Unidade 6.
Disponível em: < https://capacitacao.ead.unesp.br/conhecerh/bitstream/ana/110/14/Unidade_6-modulo1.pdf>.
Acesso em: 10 nov. 2017.

KICH, Elisa de Mello.; MELATI, Mauricio Dambrós; MARCUZZO, Francisco Fernando Noronha. Estudo do
regime hídrico pluvial e fluvial na sub-bacia 86 visando a determinação do seu ano hidrológico. In: XXI
Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos. Anais... Brasília: 2015. Disponível em: <
http://www.evolvedoc.com.br/sbrh/detalhes-313_estudo-do-regime-hidrico-pluvial-e-fluvial-na-sub-bacia-86-
visando-a-determinacao-do-seu-ano-hidrologico>. Acesso em: 16 nov. 2017.

KUREK, Roberta Karinne Mocva. Avaliação do Tempo de Retorno dos níveis das Inundações do Vale do
Taquari/RS. 2012. 91 f. Trabalho de Conclusão de Curso, Centro Universitário Univates.

MARCHIORI-FARIA, Daniela Girio; SANTORO, Jair. Gerenciamento de Desastres Naturais. In: TOMINAGA,
Lídia Keiko; SANTORO, Jair; AMARAL, Rosangela (Org.). Desastres Naturais: Conhecer para prevenir. São
Paulo: Instituto Geológico, 2009. p. 161-178.

OLIVEIRA, G.G. Modelos para previsão, espacialização e análise das áreas inundáveis na bacia
hidrográfica do rio Caí, RS. 2010. 148 f. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) - Centro Estadual
de Pesquisas em Sensoriamento Remoto e Meteorologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto
Alegre, 2010. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/srm/ppgsr/publicacoes/Dissert_GuilhermeOliveira.pdf>.
Acesso em: 16 maio 2017.

PINHEIRO, Adilson. Enchente e Inundação. In: SANTOS, Roseli Ferreira dos (Org.). VULNERABILIDADE
AMBIENTAL: Desastres Naturais ou Fenômenos Induzidos?. Brasília: MMA, 2007. p. 95-106.

RIGHETTO, Antônio Marozzi; MOREIRA, Lúcio Flávio Ferreira; SALES, Thaise Emmanuele Andrade de. In:
RIGHETTO, Antônio Marozzi (Coord.). Manejo de Águas Pluviais Urbanas. Rio de Janeiro: ABES, 2009. p.
19-73.

RIGHI, Eléia. Metodologia para zoneamento de risco a inundações graduais. 2016. 196 f. Tese (Geografia).
Universidade Federal do Rio Grande do Sul , Porto Alegre, 2016.

ROSMANN, Paulo Cesar Colonna; Um Sistema Computacional de Hidrodinâmica Ambiental. In: ROSMANN,
Paulo Cesar Colonna et al.; Métodos Numéricos em Recursos Hídricos. V.5. Porto Alegre: ABRH, ano, cap.1,
p.1-161. Disponível em: < http://www4.ensp.fiocruz.br/biblioteca/home/exibedetalhesBiblioteca.cfm?ID=404>.
Acesso em: 15 jun.2017.

SANTOS, Laércio Leal dos. MODELOS HIDRÁULICOS-HIDROLÓGICOS: Conceitos e Aplicações. Rbgf:


Revista Brasileira de Geografia Física, Recife, v. 2, n. 03, set./dez. 2009, p.1-19. Disponível em:
<http://www.revista.ufpe.br/rbgfe/index.php/revista/article/viewFile/50/58>. Acesso em: 12 jun. 2017.

SILVEIRA, André L. L. Ciclo Hidrológico e Bacia Hidrográfica. In: TUCCI, Carlos Eduardo Morelli (Org.).
Hidrologia: Ciência e Aplicação. 4.ed. Porto Alegre: Ed. UFRGS/ABRH, 2012. p. 35-52.

SIQUEIRA, Vinícius Alencar Siqueira. Previsão de Cheias por Conjunto em curto a médio prazo: Bacia do
Taquari Antas/RS. 2015. 168 f. Dissertação (Pós Graduação em Engenharia de Recursos Hídricos e Saneamento
Ambiental), Universida Federal do Rio Grande do Sul, 2015.
74

SOUSA, Matheus Martins de. Comparação entre Ferramentas de Modelagem Unidimensional e Quasi-
Bidimensional, Permanente e Não-Permanente, em Planejamento e Projetos de Engenharia
Hidráulica. 2010. 160 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil), Universidade Federal do Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro, 2010.

TAVARES, Paulo Roberto Lacerda. Modelagem Hidrológica e Hidráulica associada a Sistemas de


Informações Geográficas para Identificação de Planícies de Inundação e Simulação do Perfil d’água em
um trecho do rio Maranguapinho. 2005. 113 f. Dissertação (Mestrado em Recursos Hídricos), Universidade
Federal do Ceará, Fortaleza, 2005. Disponível em: < http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/19200>. Acesso
em: 11 jun.2017.

TOMINAGA, Lídia Keiko (Org.). Desastres Naturais: Porque ocorrem?. In: TOMINAGA, Lídia Keiko;
SANTORO, Jair; AMARAL, Rosangela (Org.). Desastres Naturais: Conhecer para prevenir. São Paulo:
Instituto Geológico, 2009. p. 11-24.

TOMINAGA, Lídia Keiko (Org.). Análise e Mapeamento de Risco. In: TOMINAGA, Lídia Keiko; SANTORO,
Jair; AMARAL, Rosangela (Org.). Desastres Naturais: Conhecer para prevenir. São Paulo: Instituto Geológico,
2009. p. 147-160.

TORO. Joaquin, et al. Apostila de Apresentações de Movimentos Gravitacionais de Massa. Teh Wold Bank.
Abril e Maio de 2013. Disponível em: <
http://www.mineropar.pr.gov.br/arquivos/File/publicacoes/Apostila_GRD_Mov_Gravitacionais_Massa_Banco_
Mundial.pdf>. Acesso em: 21 maio 2017.

TRENTIN, Romario; ROBAINA, Luís Eduardo de Souza; SILVEIRA, Vanessa Salvade. Zoneamento do Risco
de Inundação do rio Vacacaí no município de São Gabriel, RS. Geo UERJ, Rio de Janeiro, ano 15, n.24, p. 161-
180, 1º semestre de 2013. Disponível em:< http://www.e-
publicacoes.uerj.br/index.php/geouerj/article/view/3808/5036 >. Acesso em: 31 maio 2017.

TUCCI, Carlos Eduardo Morelli; BERTONI, Juan Carlos. (Org.). Inundações Urbanas na América do Sul.
Porto Alegre. Associação Brasileira de Recursos Hídricos. 2003. p. 150.

TUCCI, Carlos Eduardo Morelli. Gestão águas pluviais urbanas. Brasília: Secretaria Nacional de Saneamento
Ambiental. Ministério das Cidades, 2005. 197 p.

TUCCI, Carlos Eduardo Morelli; MENDES C. A. Avaliação Ambiental Integrada de Bacia Hidrográfica.
Ministério do Meio Ambiente/ Secretaria da Qualidade Ambiental. Brasília: MMA, 2006. Disponível em: <
http://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/sqa_3.pdf>. Acesso em: 18 jun. 2017.

TUCCI, Carlos Eduardo Morelli (Org.). Vazão Máxima e Hidrograma de Projeto. In: TUCCI, Carlos Eduardo
Morelli (Org.). Hidrologia: Ciência e Aplicação. 4.ed. Porto Alegre: Ed. UFRGS/ABRH, 2012. p. 527-572.

TUCCI, Carlos Eduardo Morelli (Org.). Controle de Enchentes. In: TUCCI, Carlos Eduardo Morelli (Org.).
Hidrologia: Ciência e Aplicação. 4.ed. Porto Alegre: Ed. UFRGS/ABRH, 2012. p. 621-658.

UFRGS. Hidrologia de Grande Escala. [2012-2017?]. Disponível em:


<https://www.ufrgs.br/hge/projetos/projetos-concluidos/previsao-taquari/>. Acesso em: 25 nov. 2017.

UFRGS/CEPED. Mapeamento de Vulnerabilidade de Áreas Suscetíveis a Deslizamentos e Inundações.


Porto Alegre: 2015.
67

APÊNDICES
APÊNDICE A - Croqui de localização das pontes, estações fluviométricas, e sub-bacia do arroio Jacaré

75
76

APÊNDICE B – Manchas de Inundação do Município de Encantado


77
78
79
80
81
82
83
84

ANEXOS

ANEXO A – Mapa de zoneamento urbano com setores de risco da CPRM

Fonte: Prefeitura Municipal de Encantado. Adaptado por CEPED, 2015