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2.4.

Início e Término da Personalização

Costuma-se afirmar que o início da personalização da sociedade empresária opera-se com


o seu registro na Junta Comercial (cf., por todos, Ferreira, 1961, 3:196). Aliás, a própria
legislação civil estabelece a formalidade como o ato responsável pela constituição da
pessoa jurídica (CC, arts. 45 e 985). Em termos de segurança jurídica, não há de se negar
que a sistemática é adequada, porque o registro torna pública a formação do novo sujeito
de direito, possibilitando o controle dos demais agentes econômicos e do próprio estado
quanto à existência e extensão das obrigações que o envolvem. Mas, deve-se registrar
uma certa impropriedade conceitual e lógica nessa sistemática. A rigor, desde o momento
em que os sócios passam a atuar em conjunto, na exploração da atividade econômica, isto
é, desde o contrato, ainda que verbal, de formação de sociedade, já se pode considerar
existente a pessoa jurídica.

Em outros termos, a melhor sistemática de disciplina da matéria não é a legal, que


identifica no registro o ato responsável pela personalização da sociedade empresária, mas
a compreensão de que o encontro de vontade dos sócios já é suficiente para dar origem a
uma nova pessoa, no sentido técnico de sujeito de direito personalizado. Note-se que a
regularidade da situação da sociedade empresária depende — isto é indiscutível — do
registro na Junta Comercial. Quer dizer, enquanto o acordo entre os sócios no sentido de
formação da sociedade não é escrito, com a adoção das formalidades próprias do
respectivo instrumento (contrato social ou estatuto), a pessoa jurídica não poderá ser
registrada e, em decorrência, estará em situação irregular (Cap. 4, item 4.3). Enquanto
não se regularizar perante o registro de empresas, seu regime é o das sociedades em
comum (CC, arts. 986 a 990). Mas a sociedade empresária sem registro deveria ser
considerada já um sujeito de direito personalizado, tendo em vista o conceito de
personalização, que é o de atribuição genérica de aptidão para os atos jurídicos.

A relevância da discussão diz respeito à subsidiariedade da responsabilidade dos sócios


pela sociedade sem registro. Lembre-se que uma das sanções que o direito estabelece em
razão da falta do registro na Junta Comercial é a responsabilidade ilimitada dos sócios,
mas, assente isso, cabe indagar sobre a forma de tal responsabilização, se subsidiária ou
direta. No primeiro caso, os credores devem inicialmente exaurir as forças do patrimônio
social, para, em seguida, procurar excutir bens particulares dos sócios. Trata-se de
subsidiariedade, de responsabilidade que pressupõe a prévia tentativa de satisfação da
obrigação junto ao devedor principal (a sociedade empresária sem registro). No segundo
caso, os credores podem buscar a satisfação de seus direitos no patrimônio dos sócios,
ainda que a sociedade possua bens. É a responsabilização direta, não sujeita ao
pressuposto da subsidiariedade.

Ora, se a sociedade empresária sem registro é pessoa jurídica, a responsabilidade dos


sócios seria ilimitada e subsidiária; se despersonalizada, ao contrário, seria ilimitada e
direta. Como visto, em razão do direito vigente, a personalização se inaugura com o
registro do ato constitutivo na Junta Comercial, e, portanto, para ser coerente, o sistema
legal deveria dar sustentação à segunda alternativa. Desse modo, todos os sócios da
sociedade empresária sem registro deveriam ser responsabilizados pelas obrigações
sociais de forma direta, não se exigindo dos credores sociais o anterior exaurimento do
patrimônio dela. Ocorre que a lei trata diferentemente os sócios da sociedade empresária,
enquanto não regularizado o registro, atribuindo o benefício de ordem (responsabilidade
subsidiária) à generalidade dos sócios e negando este benefício (responsabilidade direta)
somente ao que se apresentar como seu representante (CC, arts. 988 e 990 — a
solidariedade a que se refere o art. 990 do CC diz respeito aos sócios entre si e não aos
sócios em relação à sociedade).

Observe-se que, na sociedade registrada regularmente, a responsabilidade dos sócios será


sempre subsidiária, mesmo que ilimitada. Isto é, tirante a do sócio que atua como
representante da sociedade empresária sem registro, em todas as demais situações, a regra
é a da subsidiariedade. Ora, se é subsidiária a responsabilidade dos sócios na expressiva
maioria das vezes, então a sociedade empresária deveria ser considerada uma pessoa
jurídica ainda que antes de seu registro regular. A disciplina legal do início da
personalização das sociedades empresárias é, em outros termos, ilógica, incoerente e
destoante em relação ao conceito de pessoa jurídica.

A personalização da sociedade empresária termina após um procedimento dissolutório,


que pode ser judicial ou extrajudicial. É necessário acentuar que a simples inatividade da
sociedade não significa o seu fim, como pessoa jurídica. A exemplo do que se verifica
com as pessoas naturais que deixam de exercer qualquer atividade profissional (quando,
por exemplo, se aposentam), mas não perdem, por óbvio, a capacidade para a prática de
atos jurídicos, a pessoa da sociedade permanece, mesmo que o seu estabelecimento tenha
sido fechado e alienado, mesmo que os seus empregados tenham sido dispensados,
mesmo que não esteja mais praticando nenhuma operação econômica. A paralisação da
atividade empresarial não importa necessariamente a dissolução da sociedade (o inverso
também é verdadeiro: o direito contempla situações em que o fim da sociedade empresária
não acarreta o da empresa, ou seja, o da atividade de produção e circulação de bens ou
serviços, que prossegue sob a direção de um empresário pessoa física).

O procedimento dissolutório (ou dissolução em “sentido largo”, dissolução-processo)


inaugura-se com um ato praticado pelos sócios ou pelo Judiciário (a dissolução em
“sentido estreito”, ou dissolução-ato) e prossegue com a liquidação, que visa à solução
das pendências negociais da sociedade, e a partilha, que distribui o acervo patrimonial
remanescente, se houver, entre os sócios. Enquanto esse procedimento não se realiza, a
sociedade continua titular de personalidade jurídica própria e todos os efeitos derivados
da personalização (quanto à titularidade negocial e processual, e quanto à
responsabilidade patrimonial) se verificam.

A personalidade jurídica da sociedade empresária começa com o registro de seus atos


constitutivos na Junta Comercial; e termina com o procedimento dissolutório, que pode
ser judicial ou extrajudicial. Esse procedimento compreende três fases: dissolução,
liquidação e partilha.