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EMERJ

TEMA: Administração Pública Indireta (1o Setor).


Princípios da reserva legal, da especialidade e do
controle. Autarquias e Empresas Públicas.
Agências reguladoras.

OBS: Google: digitar: Secretaria de Gestão do


Mistério do Planejamento: “Anteprojeto de Lei
Orgânica da Administração Pública Federal e
Entes de Colaboração” (arquivo em PDF) –
Portaria n. 426 de 6 de dezembro de 2007 do
Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão

Conceitos Básicos
 Hely Lopes Meirelles, Direito Administrativo
Brasileiro, 34a edição, Malheiros Editores,
pág. 65/66, verbis:
 "1.3 Governo e Administração Governo e
Administração são termos que andam juntos e
muitas vezes confundidos, embora expressem
conceitos diversos nos vários aspectos em que
se apresentam.
 1.3.1 Governo - Em sentido formal, é o
conjunto de Poderes e órgãos constitucionais;
em sentido material, é o complexo de funções
estatais básicas; em sentido operacional, é a
condução política dos negócios públicos. Na
verdade, o governo ora se identifica com os
poderes e órgãos supremos do Estado, ora se
apresenta nas funções originárias desses
Poderes e órgãos como manifestações da
Soberania. A constante, porém, do Governo é a
sua expressão política de comando, de
iniciativa, de fixação de objetivos do Estado e
de manutenção da ordem jurídica vigente. O
governo atua mediante atos de Soberania ou,
pelo menos, de autonomia política na
condução dos negócios públicos.
 1.3.2 Administração pública - em sentido
formal, é o conjunto de órgãos instituídos para
consecução dos objetivos do Governo; em
sentido material, é o conjunto das funções
necessárias aos serviços públicos em geral; em
acepção operacional, é o desempenho perene e
sistemático, legal e técnico, dos serviços
próprios do Estado ou por ele assumidos em
benefício da coletividade. Numa visão global,
a Administração é, pois, todo o aparelhamento
do Estado preordenado à realização de
serviços, visando à satisfação das necessidades
coletivas. A administração não pratica atos de
governo; pratica, tão-somente, atos de
execução, com maior ou menor autonomia
funcional, segundo a competência do órgão e
deseus agentes. São os chamados atos
administrativos, que, por sua variedade e
importância, merecem estudo em capítulo
especial (cap. IV).

 Comparativamente, podemos dizer que
governo é atividade política e discricionária;
administração é atividade neutra, normalmente
vinculada à lei ou à norma técnica.

 Governo é conduta independente;
administração é conduta hierarquizada. O
Governo comanda com responsabilidade
constitucional e política, mas sem
responsabilidade profissional pela execução;
 a Administração executa sem responsabilidade
constitucional ou política, mas com
responsabilidade técnica e legal pela execução.

 A administração é o instrumental de que
dispõe o Estado para pôr em prática as opções
políticas do Governo. Isto não quer dizer que a
Administração não tenha poder de decisão.
Tem. Mas o tem somente na área de suas
atribuições e nos limites legais de sua
competência executiva, só podendo opinar e
decidir sobre assuntos jurídicos, técnicos,
financeiros ou de conveniência e oportunidade
administrativas, sem qualquer faculdade de
opção política sobre a matéria."
Regime Jurídico:
Constituição Federal:
 Art. 37, caput – Organiza a Administração
Pública, de todos os Poderes, em Direta e
Indireta (regra geral, só o Poder Executivo tem
administração indireta)
 Art. 37 XIX – princípio da reserva legal
(necessidade de lei para criar ou autorizar a
criação de entidades para compor a
Administração Pública Indireta) - dispões
sobre regras para criação das entidades da
Administração Indireta. Lei específica cria
autarquia e fundações públicas autárquicas. Lei
autoriza a criação de empresas públicas e
sociedade de economia mista (a criação dessas
depende da inscrição do estatuto no registro
público). Quanto às fundações públicas de
direito privado, além da lei autorizativa, há
previsão de edição de uma lei complementar
que definirá a área de atuação, e a criação
depende ainda do ato de inscrição do estatuto
no Registro Público.
 Art. 37 XX – princípio da reserva legal
(necessidade de lei para criar subsidiárias)
depende de autorização legislativa, em cada
caso, a criação de subsidiárias das entidades
(empresas públicas e sociedade de economia
mista), assim como a participação de qualquer
delas em empresas privadas. O STF entendeu
que, se a lei que autoriza a criação explicitar a
possibilidade de criação de tais subsidiárias
não é necessário lei específica em cada caso
(ADIn. 1649/DF, Informativo STF n. 341)
 Art. 173 caput (EC 19/98) – ressalvados os
casos previstos nesta Constituição a
exploração direta de atividade econômica pelo
Estado só será permitida quando necessária aos
imperativos de segurança nacional ou a
relevante interesse coletivo, conforme
definidos em lei (tal caput, com a nova redação
da Emenda, deixa claro o princípio da
subsidiariedade na atuação do Estado na área
econômica, e mais, caso atue, só poderá fazê-
lo pelas estatais empresas públicas e
sociedades de economia mista, devendo lei
explicitar quais os motivos de segurança
nacional ou relevante interesse coletivo que
levaram o Estado criar tais estatais para atuar
em determinada área econômica) (tal princípio
vale tanto para aquelas que irão atuar no
campo da atividade econômica em sentido
estrito, quanto aquelas que serão criadas para
prestarem serviços públicos). O parágrafo 1 o
previu uma lei para uniformizar a disciplina
normativa de tais empresas estatais com
personalidade jurídica de direito privado, o que
não ocorreu até a presente data (abril de 2010)
 Art. 84 II – (reforço do princípio da reserva de
iniciativa) compete ao Presidente da
República: exercer, com o auxílio dos
Ministros de Estado, a direção superior da
administração federal;
 Art. 84 XXV – (princípio da reserva de
iniciativa para provimento e extinção de cargos
públicos) - compete ao Presidente da
República: prover e extinguir os cargos
públicos federais, na forma da lei;
 Art. 61§ 1º II , a e e - (princípio da reserva de
iniciativa ao Chefe do Executivo de deflagrar
projeto de lei propondo a criação de entidades
e a criação de cargos, assim como o regime
jurídico correspondente) - São de iniciativa
privativa do Presidente da República as leis: II
- disponham sobre: a) criação de cargos,
funções ou empregos públicos na
administração direta e autárquica ou aumento
de sua remuneração; e) criação e extinção de
Ministérios e órgãos da administração pública,
observado o disposto no art. 84, VI (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 32, de
2001);
 Art. 48 caput e inciso X e XI – (princípio da
reserva legal) - Cabe ao Congresso Nacional,
com a sanção do Presidente da República; X -
criação, transformação e extinção de cargos,
empregos e funções públicas, observado o que
estabelece o art. 84, VI, b (Redação dada pela
EC 32/2001); XI- criação e extinção de
Ministérios e órgãos da administração pública
( redação dada pela EC 32/2001);
 Art. 109 - Aos juízes federais compete
processar e julgar:
I - as causas em que a União, entidade
autárquica ou empresa pública federal forem
interessadas na condição de autoras, rés,
assistentes ou oponentes, exceto as de falência,
as de acidentes de trabalho e as sujeitas à
Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; (as
sociedades de economia mista federal estão
excluídas da competência da Justiça Federal)
(a competência da Justiça Federal é em razão
da pessoa e da matéria, ou seja, as matérias
taxativas elencadas no inciso I, por si só
excluem a competência dessa justiça comum,
deslocando a competência para as justiças
especializadas eleitoral ou trabalhista ou para a
justiça comum estadual)
(aplica-se os verbetes 517 e 42, das súmulas de
jurisprudência do STF e do STJ, quanto as
sociedade de economia mista federal
respectivamente.

Infraconstitucional:
 Código Civil/2002, Art. 41, incisos I a V e
parágrafo único - trata sobre pessoas jurídicas
de direito público interno – no inciso IV inclui
as Associações Públicas fruto dos Consórcios
Públicos como nova espécie de Autarquia (ao
lado das Autarquias Comuns e Autarquias
Especiais as Agências reguladoras); (o inciso V
trata das fundações públicas de direito público)
(o parágrafo único das fundações públicas de
direito privado)
 Decreto-Lei 200/67, arts. 4o e 5o e incisos –
conceito de Autarquias, Fundações Públicas,
Empresas Pública e Sociedade de Economia
Mista (tais conceitos devem se adequar aos
inciso XIX do art. 37 e art. 173 todos da CF/88
e art. 41 incisos e parágrafo único do novo
Código Civil);
 Leis específicas – várias leis criaram Agências
Reguladoras – as mais importantes a Lei
9478/97, (ANP – Agência Nacional do
Petróleo), a lei 9472/97, (ANATEL – Agência
Nacional de Telecomunicações), a lei 9427/96,
(ANEEL – Agência Nacional de Energia
elétrica) ...
 Lei 11. 101/2005 – lei de Recuperação Judicial
e falência – art. 2º, I – exclui as empresas
públicas e sociedade de economia mista da
referida lei (interpretação conforme a
constituição no sentido de que tal exclusão não
abarca aquelas que exercem atividade
econômica em sentido estrito por força do
inciso II, do par. 1º, do art. 173 da CF/88, ou
seja, somente não se submetem a recuperação
judicial e falência às empresas públicas e
sociedade de economia mista que prestam
serviços públicos, particularmente em face do
princípio da continuidade do serviço público);

DESCENTRALIZAÇÃO (técnica administrativa


de gestão) (em nenhuma forma de descentralização
há hierarquia) ( na relação entre a Administração
Pública direta e a indireta, diz- se que há
vinculação e não subordinação) (a Administração
Pública direta exerce sobre a indireta o denominado
controle finalístico ou tutela administrativa ou
supervisão):
1-cria-se uma nova pessoa jurídica (outorga por
lei) ou delega-se (por contrato, convênio) para
outra pessoa jurídica que já existe, atividades
administras, ocorre o traspasse de atividade de
uma pessoa jurídica para outra pessoa jurídica;
2-essa técnica é utilizada pelos entes federativos,
para através de lei criar ou autorizar a criação
de uma nova entidade estatal, por questões de
especialidade e eficiência;
3-tais entidades estatais a serem criadas passam a
integrar a Administração Pública Indireta;
4-na descentralização as entidades estatais
criadas terão autonomia administrativa e
financeira, mas não independência, no sentido
de ficarem sem qualquer controle ou vinculo
com o Estado. A autonomia ( ao contrario da
soberania) significa respeito as leis ( a
autonomia é nos termos e limites das leis que
as criaram e outras supervenientes) e também
respeito as normas de planejamento estatal
emanadas pela Administração Pública Direta
via Decretos ou Portarias (com fundamento em
lei, como por exemplo a LRF a lei de
responsabilidade fiscal), que são determinantes
para o setor público e indicativas para o setor
privado (CF/88, art. 174 caput) (exemplo:
metas orçamentárias, política salarial, dentre
outras). Com relação a essas normas de
planejamento, caso descumpridas,
excepcionalmente, poderá acarretar
interferência direta da Administração Pública
direta na entidade estatal, para anular ou
modificar os atos de tais estatais que as
contrariaram, sem quebra da autonomia da
entidade, inclusive o afastamento imediato de
toda diretoria ou presidente da entidade estatal,
sem necessidade de motivação, já que por se
tratarem de funções de confiança (cargos em
comissão) é livre a nomeação e a exoneração
através de decisão discricionária do Chefe do
Executivo, nos termos do inciso II do art. 37
da CF/88.
5-mesmo com autonomia permanece um vínculo
com o Ministério ou Secretaria da área fim,
acarretando um controle de supervisão ou
finalístico. Tal controle é periódico (não é
permanente como ocorre com o vínculo de
hierarquia e subordinação próprio da
desconcentração, muito utilizado dentre os
órgão públicos que compõem a Administração
Pública direta). Esse vínculo de supervisão
impõe o cumprimento de diretrizes, metas a
serem atingidas, entrega de relatórios
semestrais, ou de tempos em tempos, e o
importante não cabe sanção ao dirigente(s) no
caso de descumprimento de tais normas ou
diretrizes (como ocorre na desconcentração),
em face da autonomia, no máximo exoneração
sem motivação (quebra de confiança).
Atualmente utiliza- se o contrato de gestão,
art. 37, par. 8o da CF/88, para materializar tal
vinculo.
6-tal controle ou vínculo, na descentralização, é
nos termos e limites das leis, respeitando- se a
autonomia administrativa e financeira dada a
essas entidades.
7-os entes federativos somente respondem
subsidiariamente em relação aos danos que
eventualmente decorram de tais entidades.
8-CONCLUSÃO: Em regra o controle se opera
por supervisão, por meio do qual a
Administração Direta (controladora) coordena
e fiscaliza a atuação da entidade controlada,
resguardando-se, destarte,a autonomia desta. O
controle se dá de modo indireto (supervisão),
não interferindo a entidade controladora na
própria gestão da empresa estatal. Entretanto
havendo permissão expressa em Lei
autorizativa da criação desta entidade (ou até
que a lei a que alude o art. 173 da CF seja
editada) será possível operar-se um controle
direto (de legalidade ou mérito) sobre tal
entidade. Assim, salvo expressa chancela legal,
pode- se concluir que é possível à autoridade
administrativa interferir no âmbito da entidade
controlada, somente por meio de órgãos
internos da mesma. (Prof Hely Lopes
Meirelles)

ESTUDO DOS PRINCÏPIOS DA RESERVA


LEGAL, DA ESPECIALIDADE E DO
CONTROLE OU TUTELA ADMINISTRATIVA
SOBRE AS ENTIDADES ESTATAIS DA
ADMINISTRAÇÃO PÜBLICA INDIRETA
( Prof. José Santos Carvalho Filho)

PRINCÏPIO DA RESERVA LEGAL


- tem por objetivo a indicação de que todas as
pessoas integrantes da Administração Pública
Indireta de qualquer dos Poderes, seja, qual for a
esfera federativa a que estejam vinculadas só
podem ser instituídas por lei ( art. 37 XIX e XX da
CF)

PRINCÍPIO da ESPECIALIDADE
- necessidade de ser expressamente consignada na
lei a atividade a ser exercida, descentralizadamente,
pela entidade da Administração Pública Indireta.
Nenhuma dessas entidades pode ser instituída com
finalidades genéricas, ou seja, sem que se defina na
lei o objeto preciso de sua atuação. Tais entidades
só podem atuar, só podem despender seus recursos
nos estritos limites determinados pelos fins
específicos para os quais foram criadas.. Somente
as pessoas políticas T6em a seu cargo funções
genéricas das mais diversas naturezas, como
definido no sistema de partilha constitucional de
competências.

PRINCÍPIO do CONTROLE ou de TUTELA


ADMINISTRATIVA (função de natureza
fiscalizatória sobre determinado órgão ou pessoa
administrativa) (os Ministérios e as Secretarias da
atividade principal da entidade são encarregados
desse controle ou tutela, através de um vínculo que
permanece ligando a entidade com a Administração
direta – relação de vinculação) (não confundir
relação de vinculação fixada entre pessoas e a
relação de subordinação apropriada para o controle
entre órgãos internos dentro das pessoas
administrativas (dentro de cada entidade estatal da
Administração indireta) ou políticas (dentro de
cada ente federativo na administração direta) )
- se distribui sobre 4 aspectos:

1- controle político: pelo qual são os dirigentes das


entidades da Administração Pública Indireta
escolhidos e nomeados pela autoridade competente
da Administração Pública direta, razão porque
exercem eles funções de confiança (relação intuitu
personae);
2- controle institucional: que obriga a entidade a
caminhar sempre no sentido dos fins para os quais
foi criada
3- controle administrativo: que permite a
fiscalização dos agentes e das rotinas
administrativas da entidade; e
4- controle financeiro: pelo qual são fiscalizados
os setores financeiros e contábil da estatal

ADMINISTRAÇÃO PÜBLICA INDIRETA


(as Autarquias, Fundações Públicas, Empresas
Públicas e Sociedade de Economia Mista)
 Conjunto de pessoas jurídicas autônomas, que
vinculadas à Administração Pública Direta têm
a competência para o exercício de forma
descentralizada de atividades administrativas
 Todas essas pessoas jurídicas são autônomas,
nos termos da lei, que as criou ou autorizou a
criação (controle ou vínculo de supervisão com
os Ministérios ou Secretarias afins, em cuja
área de competência estiver enquadrada sua
principal atividade, nos termos e nos limites da
lei) (autonomia administrativa, financeira e
patrimonial) .
Vejamos os artigos 4o e 5o do DL 200/67 que ainda
vige e trata sobre o assunto, ressalvando que os
conceitos de tais entidades devem se adequar aos
novos comandos constitucionais:
Art. 4° A Administração Federal compreende:
I - A Administração Direta, que se constitui
dos serviços integrados na estrutura administrativa
da Presidência da República e dos Ministérios.
II - A Administração Indireta, que compreende
as seguintes categorias de entidades, dotadas de
personalidade jurídica própria:
a) Autarquias;
b) Empresas Públicas;
c) Sociedades de Economia Mista.
d) Fundações Públicas. (Incluído pela Lei nº
7.596, de 1987)
Parágrafo único. As entidades compreendidas
na Administração Indireta vinculam-se ao
Ministério em cuja área de competência estiver
enquadrada sua principal atividade. (Renumerado
pela Lei nº 7.596, de 1987)
Art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:
I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por
lei, com personalidade jurídica, patrimônio e
receita próprios, para executar atividades típicas da
Administração Pública, que requeiram, para seu
melhor funcionamento, gestão administrativa e
financeira descentralizada.
II - Empresa Pública - a entidade dotada de
personalidade jurídica de direito privado, com
patrimônio próprio e capital exclusivo da União,
criado por lei para a exploração de atividade
econômica que o Governo seja levado a exercer por
força de contingência ou de conveniência
administrativa podendo revestir-se de qualquer das
formas admitidas em direito. (Redação dada pelo
Decreto-Lei nº 900, de 1969)
III - Sociedade de Economia Mista - a
entidade dotada de personalidade jurídica de direito
privado, criada por lei para a exploração de
atividade econômica, sob a forma de sociedade
anônima, cujas ações com direito a voto pertençam
em sua maioria à União ou a entidade da
Administração Indireta. (Redação dada pelo
Decreto-Lei nº 900, de 1969)
IV - Fundação Pública - a entidade dotada de
personalidade jurídica de direito privado, sem fins
lucrativos, criada em virtude de autorização
legislativa, para o desenvolvimento de atividades
que não exijam execução por órgãos ou entidades
de direito público, com autonomia administrativa,
patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos
de direção , e funcionamento custeado por recursos
da União e de outras fontes. (Incluído pela Lei nº
7.596, de 1987)
§ 3º As entidades de que trata o inciso IV
deste artigo adquirem personalidade jurídica com a
inscrição da escritura pública de sua constituição
no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, não se lhes
aplicando as demais disposições do Código Civil
concernentes às fundações. (Incluído pela Lei nº
7.596, de 1987)

AUTARQUIAS- pessoas jurídicas de direito


público interno, integrantes da Administração
Pública Indireta, dotadas de personalidade jurídica
própria, criadas (e extintas) por lei específica, para
o desempenho de funções próprias do Estado,
principalmente poder de policia (p. ex., INSS,
INCRA IBAMA,etc.). São serviços administrativos
personalizados. Dotadas de autonomia
administrativa, financeira, detêm patrimônio
público próprio, gozando de prerrogativas públicas
próprias da Fazenda Pública. Estão sujeitas à
contratação mediante licitação e concurso público
(regime estatutário). Respondem objetivamente
pelos danos decorrentes de atos de seus prepostos
(art. 37, S 6°, da CF). Não se submetem a processo
falimentar. Os bens são públicos.

As autarquias subdividem-se em: 1- comuns; 2-


especiais (as agências reguladoras); e 3- as
associações públicas (fruto do consórcio público).
OBS: Agências Executivas (fundamento é o art.
51 da Lei 9649/98 – trata sobre a Organização da
Administração Pública direta, da Presidência da
República e Ministérios): não são pessoas, são
títulos (ao contrário das Agências Reguladoras que
são pessoas jurídicas de direito público, autarquias
especiais), são qualificações dadas para somente
Autarquias ou Fundações Públicas, via Decreto da
Chefia do Executivo, desde que o Ministério
supervisor celebre contrato de gestão com estas
entidades e desde que se comprometam a efetivar
um plano de reestruturação ou de desenvolvimento
institucional (melhoria de eficiência). De um lado,
tais Agências recebem mais autonomia
administrativa e financeira, visando cumprirem
metas ou objetivos específicos e temporários ao
Governo, como por exemplo Agências para fins de
acompanhamento e gestão da futura Olimpíada ou
Copa do Mundo no Rio de Janeiro, por outro lado
terminado a meta poderão usufruir de todos os bens
e melhorias que foram alocadas a elas pelo contrato
de gestão, alem de prêmio de produtividade aos
agentes que atingiram tais metas. Terminado tais
programas ou metas específicas, automaticamente,
perdem tais títulos ou qualificações.

ENTIDADE AUTÁRQUICA: termo previsto no


inciso I do art. 109 da CF/88, é gênero que
engloba: as Autarquias, as Fundações Públicas
Autárquicas (ou de direito público) e os Conselhos
de Fiscalização Profissional (esses últimos não
integram a Administração Pública Direta e Indireta,
mas são pessoas jurídicas de direito público,
criados por lei específica, por delegação da União (
CF, art. 21 XXIV) para o exercício de poder de
policia e disciplinar em face de profissionais
liberais, portanto em face de tais atribuições
possuem personalidade jurídica de direito público
(vide ADIN 1717-6/SP, Rel. Min Sidney Sanches, j.
7/11/2002) que declarou inconstitucional o art. 58
da Lei 9649/98 (tal artigo tinha dado personalidade
de direito privado)

EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADE DE


ECONOMIA MISTA (EMPRESAS ESTATAIS)
- - são pessoas jurídicas de direito privado,
integrantes da Administração Pública Indireta,
autorizadas por lei suas criações, sendo que a
criação propriamente dita, depende de registro do
Estatuto Social no cartório, no Registro Público
competente. O regime jurídico que se submetem é
sempre híbrido (normas de direito administrativo e
de direito privado com preponderância de uma
delas dependendo da atividade que executam).
- Pode ocorrer 4 situações para tais:
1- serem criadas para atuarem no exercício de
atividade econômica, em regime de competição
com outras empresas privadas, nesse caso, se
equiparam a uma empresa privada, e devem se
submeter ao regime jurídico próprio dessas
empresas privadas que com ela competem, sob
pena de concorrência desleal ( II, par. 1 o do art. 173
da CF), o que não afasta a possibilidade de
incidência de normas de direito administrativo,
particularmente aquelas enunciadas nos incisos do
art. 37 da CF, enfim, não podem gozar de
prerrogativas públicas, não extensíveis as empresas
privadas que com ela competem; 2- serem criadas
para atuarem no exercício de atividade econômica
em regime de exclusividade ou monopólio, nesse
caso, se equiparam a uma autarquia ou Fazenda
Pública, em alguns pontos, podendo
excepcionalmente gozarem de prerrogativas
públicas (a lei que autorizou a sua criação elenca),
continuam a se submeter regime jurídico próprio
das empresas privadas , mas como não haverá
concorrência desleal, excepcionalmente, podem
gozar de certas prerrogativas públicas
exteriorizadas na lei;
3 – serem criadas como prestadoras de serviços
públicos ( não se trata de concessionária, nem
permissionária), em regime de monopólio, ou
exclusividade, nesse caso, em face do princípio da
continuidade do serviço público, se equiparam a
uma Autarquia ou Fazenda Pública podendo gozar
de prerrogativas públicas, principalmente a
impenhorabilidade de seus bens e a submissão de
seus débitos ao precatório ( existem outras
correntes, mas essa posição vem sendo adotada
pelo STF);
4 – serem criadas como prestadoras de serviços
públicos, em regime de competição, nesse caso,
mesmo em face do princípio da continuidade do
serviço público, se equiparam a a outra empresa
privada concessionária ou permissionária não
podendo gozar de prerrogativas públicas,
principalmente a impenhorabilidade dos bens e a
submissão de seus débitos ao precatório, em face
da concorrência desleal.

OBS: regime jurídico dos bens das empresas


estatais – controvérsia (3 correntes):
1a corrente: entende tratar-se de bem público com
destinação especial, por provirem em sua origem
de entes públicos de direito público, para atender os
fins institucionais da entidade prescrita em lei
(apenas a sua administração é confiada as empresas
estatais), nesse sentido portanto, gozariam de todos
os atributos próprios dos bens públicos, não sendo
possível a penhora, o usucapião, a onerosidade e a
alienação salvo nesse último caso, se a lei
autorizasse (na doutrina posição do Professor Hely
Lopes Meirellles, embora de forma contraditória
admita à oneração e a penhora por dívidas)
2a corrente: imprescindível fazer a distinção entre
o objetivo da empresa - prestação de serviço
público ou intervenção no domínio econômico -
aqueles voltados à prestação do serviço público por
estarem afetados, possuiriam natureza pública,
prendendo-se à idéia da continuidade do serviço
público, nesse caso gozariam de todas as
prerrogativas próprias dos bens públicos. Já os não
vinculados a prestação dos serviços públicos, os
desafetados, teriam natureza privada não podendo
gozar de nenhuma prerrogativa (doutrina posição
do Prof Celso Antonio Bandeira de Mello e posição
adotada pelo STF - (RE 220906- DF, STF –
Informativos STF - 233 e 210 - impenhorabilidade
dos bens da ECT e sujeição de seus débitos
trabalhistas pelo regime de precatório, por se tratar
de empresa pública prestadora de serviço público)
3a corrente: indiferente o objetivo da empresa, pois
esta não transmuda a sua natureza como pessoa
jurídica de direito privado, muito menos a de seus
bens, que guardam a mesma natureza (o STJ tem
julgados nesse sentido) ( posição do Professor José
Santos Carvalho Filho, em seu Manual de Direito
Administrativo, Ed Lúmen Iuris, 23a Edição de
2009, citando com fundamento o novo Código
Civil, no seu art. 98)