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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO

INSTITUTO DE TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA


BR 465, km 7, Seropédica - RJ, 23890-000

Curso Básico

Mecânica dos Fluidos

Professor Luís Américo Calçada e


Professora Cláudia Míriam Scheid

Atualizado em Março 2017


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CONTEÚDO

Módulo I – Introdução 03

Módulo II – Estática de Fluidos 16

Módulo III – Cinemática de Fluidos 22

Módulo IV – Equações Fundamentais 31

Módulo V – Dinâmica de Fluidos Ideais 50

Módulo VI – Análise Dimensional 61

Módulo VII – Similaridade 72

Módulo VIII – Escoamento em Dutos 79

Módulo IX – Reynolds Modificado 90


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MÓDULO I: INTRODUÇÃO

As civilizações antigas tinham conhecimentos suficientes para resolver certos


problemas eu envolviam escoamento de fluidos. O uso de remos no deslocamento de
canoas e sistemas de irrigação eram ambos conhecidos nos tempos pré-históricos. Os
gregos produziam informações quantitativas. Archimedes e Hero de Alexandria
postularam as adições vetoriais (lei do paralelograma) terceiro século A.C. Archimedes
(285-212 A.C.) formularam a lei do empuxo e a aplicaram para o caso de corpos
flutuantes e submersos. Os Romanos construíram aquedutos no quarto século A.C. mas
não deixaram registros mostrando conhecimento quantitativo dos princípios envolvidos
nos projetos.

Do nascimento de Jesus até o renascimento houve um sólido progresso no


projeto de navios, canais etc mas não há evidencias de registros de base analítica
envolvida nestes projetos. Leonardo da Vinci (1452 a 1519) estabeleceu a equação de
conservação de massa para escoamentos unidirecional e permanente (estabelecido).
Leonardo foi um excelente experimentalista e suas notas contém descrições precisas de
ondulatória, jatos, bombas hidráulicas e projetos envolvendo arraste. Um Frances, Edme
Mariotte (1620 a 1684) construiu o primeiro túnel de vento e testou modelos neste túnel.

Problemas envolvendo “momentum of fluids” (Quantidade de movimento) pode


finalmente ser analisado após Isaac Newton (1642 a 1727) ter postulado a lei do
movimento e a lei da viscosidade (Fluidos Newtonianos são aqueles que obedecem a
Lei da viscosidade de Newton). Daniel Bernoulli, Euler, Jean D´Álembert, Joseph-
Louis Lagrange, e Pierre Simon Laplace produziram algumas das mais lindas soluções
para problemas da mecânica dos fluidos.

Euler desenvolveu a equação do movimento na forma diferencial e integral,


conhecida hoje como equação de Bernoulli.
Os engenheiros começaram a rejeitar o que era observado como irrealístico e
desenvolveram a ciência conhecida como hidráulica, confirmando tudo através de
experimentos. Estes experimentalistas como: Chézy, Pitot, Borda, Weber, Francis,
Hagem Poiseuille, Darcy, Manningm Bazin e Weisbach produziram dados para uma
grande variedade de escoamentos como canais abertos, escoamentos em tubos, turbinas
etc.
No final do século 19 iniciou-se a unificação entre a hidráulica experimental e a
teoria hidrodinâmica. Willian Froude (1810 a 1879) e seu filho Robert (1846 a 1924)
desenvolveram modelos, Lord Rayleugh (1842 a 1919) a técnica de análise dimensional
e Osborne Reynolds (1842 a 1912) publicou em 1883 seu experimento clássico que
demonstrou a importância do adimensional número de Reynolds. Navier (1785 a 1836)
e Stokes (1819 a 1903) adicionaram com sucesso termos viscosos à equação do
movimento. O resultado da equação de Nsvier-Stokes é muito difícil de ser analisado
para um escoamento arbitrário. Em 1904 um engenheiro alemão chamado Ludwig
Prandtl (1875 a 1953) publicou um artigo muito importante na mecânica de fluidos.
Prandtl estabeleceu que para o escoamento de fluidos com baixa viscosidade como a
água e o ar que o mesmo escoamento pode ser dividido em uma pequena camada limite
ou envolvente que ser forma perto da superfície sólida e um outro escoamento inviscito
fora desta camada, onde a equação de Euler e Bernoulli (fluido ideal) se aplica. A teoria
da camada limite se mostrou uma ferramenta importante na análise moderna de
escoamentos.
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Desde que 75% da superfície da terra é coberta com água e 100% com aro
campo da mecânica de fluidos é vasta e esta relacionada com quase todas as áreas da
vida humana (Meteorologia, oceanologia, hidrologia, medicina, respiração,
aerodinâmica, automobilismo, hidrodinâmica etc.).
O objetivo da mecânica dos fluidos é o estudo do comportamento dos fluidos em
movimento ou em repouso e os efeitos da ação dos fluidos sobre as fronteiras sólidas ou
outras fronteiras que podem ser superfícies sólidas ou outros fluidos.

I.1) Caracterização de um fluido


Do ponto de vista da Mecânica de Fluidos, temos a matéria dividida em

As moléculas de um fluido apresentam mobilidade relativa não apresentando


posição fixa no corpo do fluido (temos vibração, rotação e translação). Enquanto no
sólido elas só podem vibrar e girar em torno da sua posição.

A distinção entre fluido e sólido se manifesta claramente quando analisamos


seus comportamentos face as forças externas como por exemplo:

Forças cisalhantes, Fc
Forças normais (pouco importante), Fn

Vejamos os seguintes exemplos

Sob a ação de uma força cisalhante o sólido sofre uma deformação finita (para
materiais elásticos, como a borracha, ele volta à configuração inicial quando a força é
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suprida). No caso da matéria fluida, a posição de observação () varia continuamente


com o tempo, ou seja, enquanto a força cisalhante Fc estiver atuando o fluido irá se
deformar continuamente e irreversivelmente.

Com base no exposto, a melhor definição para fluido seria: “o material que
continua a mudar de forma enquanto estiver presente uma tensão cisalhante por menor
que ela seja”.

I.2) O fluido como contínuo


Uma análise rigorosa de problemas de escoamento de fluidos deveria levar em
conta a ação de cada molécula individualmente ou de grupos moleculares. Tal rigor
aplicado a problemas de engenharia seria no mínimo enfadonho. Na maioria das
aplicações estamos interessados em valores médios representativos das manifestações
de inúmeras moléculas, tais como: pressão, densidade etc. Estas manifestações podem
ser interpretadas como sendo oriundas de uma distribuição contínua de matéria (o
contínuo). Está hipótese do contínuo perde consistência a medida que as dimensões
significativas, inerentes a um problema, forem da ordem de grandeza do livre percurso
médio molecular. Tal situação ocorre, por exemplo, nos escoamentos rarefeitos, comuns
em tecnologia de alto vácuo. Como conseqüência direta da hipótese do Meio Contínuo
aplicada aos fluidos, cada propriedade do fluido é suposta ter um valor definindo em
cada ponto do espaço. Assim outras grandezas como pressão, velocidade, temperatura,
densidade etc, são considerados como uma função contínua da posição e do tempo.
Ex:  = (x,y,z,t).

I.3) Tensão num ponto


Considere o elemento de área A no entorno do ponto C da figura sobre a qual
atua F

A definição da tensão implica que se tenha a relação entre 2 grandezas vetoriais


F e A sendo
   
F  Fx i  Fy j  Fz k

     
A  A x i  A y j  A z k onde A  nA
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sendo Fi é a componente i do vetor F


Ai é a componente i do vetor A

Desta forma teremos



F
  limA 0 
A

Assim, a tensão em um ponto considera as componentes escalares da força Fx,


Fy e Fz atuando cada um por sua vez nas 3 componentes escalares da área Ax, Ay e
Az. Neste caso a equação de definição da tensão é substituída por um conjunto de nove
equações. É importante ter-se uma notação que permita determinar tanto o plano em que
a força esta atuando bem como a direção desta força. Esta notação é representada por:

ij onde i  direção da normal ao plano em que a força está atuando (i = x, y, z)


j  direção da força (j = x, y, z)

Assim
Fj
 ij  limAi 0
A i

Exemplo:
Fx
 yx  limA y 0 yx representa a componente x do vetor elemento de força
A y
atuando sobre a componente y do elemento de área

Desenhe no volume de controle as representação das 9 componentes do tensor.


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A forma de apresentação do tensor de 2a ordem ocorre através de uma matriz


(3x3)

 xx  xy  xz
ij   yx  yy  yz
 zx  zy  zz

I.4) Propriedades dos Fluidos


I.4.1) Densidade, 

m
  limV0 sendo  =  (T,P)
V

a) Líquidos
A densidade dos líquidos é pouco influenciada pela pressão. A influência da
temperatura é mais significativa sendo que quanto maior a temperatura menor
será densidade.

b) Gases
A densidade dos gases sofre grande influência da temperatura e da pressão

Gases Ideais

PM.P  P  T 
  o   o 
R.T  Po  T 
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Comportamento Ideal: Pr<0,01 e Tr>2

Gases nãoIdeais

P M.P
 onde z=z(Tr, Pr) fator de compressibilidade
z.R.T

I.4.2) Viscosidade, 
Os fluidos são geralmente caracterizados pelo comportamento da viscosidade da
seguinte forma:

Ideais ( = 0)
Fluidos
Reais (  0) Newtonianos

Não-Newtonianos

a) Fluidos Newtonianos (lei da viscosidade de Newton)

Vamos supor um fluido entre duas placas paralelas, sendo que no instante inicial
(t=0) a placa inferior é deslocada com velocidade V. Teremos as seguintes etapas:
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Quando atingido o regime estacionário, um perfil de velocidades estará


estabelecido vx = vx(y). Assim uma força F constante será necessária para manter o
deslocamento da placa inferior com velocidade constante V.

Observou-se que

dvx
 yx 
dy

Onde, o tensor τyx representa o fluxo de quantidade de movimento na direção y devido


à atuação de uma força na direção x. A constante de proporcionalidade é o coeficiente
de viscosidade, de forma que,

dvx dvx
 yx   onde  
dy dy é a taxa de deformação.

Os fluidos que apresentam uma relação linear entre  e  e que passa pela
origem são ditos newtonianos. Entre eles estão os gases e a maioria dos líquidos
simples (água, solventes orgânicos, glicerina, óleos, etc).

Do ponto de vista físico, a viscosidade é interpretada como um coeficiente de


resistência do fluido a deformação provocada por forças cisalhantes.

Mecanismo físico
Força de coesão (mais importante nos líquidos)
Movimentação de moléculas (mais importante em gases)

Efeito da temperatura e pressão


Líquidos (praticamente independente da pressão)
T  

Gases
T  
P  

Exemplo:
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Ar:  = 1,8x10-4 g/cm.s (25oC e 1 atm)


Água:  = 1,0x10-2g/cm.s = 1 cP (25oC e 1 atm)

b) Fluidos não-Newtoniano

Todo fluido cuja relação entre a tensão cisalhante e a taxa de deformação não é
linear ou requer uma tensão mínima para iniciar a deformação, a uma dada temperatura
e pressão é denominado não-Newtoniano. Estes fluidos, geralmente, são divididos em
três grandes grupos:

1. Fluidos independentes do tempo ou puramente viscosos: pertencem a este grupo,


os fluidos que apresentam taxas de deformação num ponto dependente apenas da
tensão cisalhante instantânea aplicada nesse mesmo ponto;

2. Fluidos dependentes do tempo: são aqueles que apresentam viscosidade aparente


dependente do tempo de aplicação da taxa de cisalhamento. Esses fluidos são
classificados em reopéticos e tixotrópicos. Os tixotrópicos apresentam uma
diminuição da viscosidade aparente com o tempo de atuação de uma taxa de
cisalhamento constante até alcançar um equilíbrio. Já os fluidos reopéticos têm
comportamento oposto. A viscosidade aparente aumenta com o tempo de atuação
de uma taxa de cisalhamento constante e

3. Fluidos viscoelásticos: são fluidos que apresentam propriedades viscosas e


elásticas simultaneamente.

A figura abaixo mostra a classificação dos fluidos de acordo com o


comportamento reológico.

Fluido
s
Newtonianos
não-Newtonianos

Dependentes do Tempo Viscoelásticos

Tixotrópicos Reopéticos

Independentes do Tempo

Pseudoplástico Dilatante Bingham

Representação esquemática dos diversos tipos de fluido. A maior parte dos fluidos
com aplicação na indústria apresenta comportamento referente ao primeiro grupo. Há,
na literatura, modelos matemáticos que representam a relação entre a tensão cisalhante e
a taxa de deformação, vide Tabela abaixo.
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Exemplos de modelos reológicos.

Modelo Equação Parâmetros

Newton    
  p  o , se  > o
Bingham p e o
=0, se  < o
Ostwlad-de
Waele   kn ken

Buckley-   k n   o se  > o k, n e o
Herschell =0, se  < o
  k   o n
Robertson-
k, n e 
Stiff

Casson
0,5   0,5  0o,5 se  > o ∞ e o
=0, se  < o
Dentre os diversos modelos capazes de representar as propriedades reológicas
dos fluidos, o modelo de Ostwald-de Waele se destaca. Este modelo também chamado
de power law, embora empírico, é muito utilizado, pois a maior parte dos fluidos não-
Newtonianos independentes do tempo com aplicabilidade na indústria apresenta
comportamento de potência, numa larga faixa de taxa de deformação. Neste modelo,  é
a tensão cisalhante aplicada ao fluido e é a taxa de deformação, enquanto k e n são os
índices de consistência e comportamento do fluido, respectivamente. O valor de n entre
0 e 1 caracteriza os fluidos do tipo pseudoplásticos. Quando n é maior que 1,0 o fluido é
denominado dilatante. Os fluidos Newtonianos apresentam n iguais à unidade. Neste
caso, k é a viscosidade dinâmica. As curvas que exemplificam estes comportamentos
podem ser observadas na a seguir.

Curvas de comportamento para fluidos puramente viscosos e independentes do tempo,


(a)-Bingham, (b)-Pseudoplástico, (c)–Dilatante e (d)-Newtoniano.

Comentário adicional: fluidos pseudoplásticos


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I.3.3) Fluido compressível e incompressível

 Compressíveis:  =  (x,y,z,t), ou seja, a variação da densidade do fluido é


importante.
 Incompressível:  = constante, a variação da densidade do fluido é
desprezível.

Na prática, consideram-se líquidos como incompressíveis e os gases como


compressíveis. Dependendo do nível de pressão a que estão submetidos no escoamento,
os gases também podem se comportar como fluidos incompressíveis. O número de
Mach é um adimensional característico dos escoamentos compressíveis

v
Ma 
c onde v é a velocidade do fluido e c é a velocidade do som no fluido.
Para Ma < 0,3 as variações de densidade do fluido são dá ordem de 2%, ou seja, o
fluido é praticamente incompressível.

I.4.4) Escoamento de um fluido real incompressível


A natureza viscosa de um fluido conduz a características diferentes de
escoamento. Quando um fluido viscoso escoa em um tubo, por exemplo, podemos
verificara existência de 3 regimes de escoamento
o Laminar
o Transição
o Turbulento

O parâmetro físico que regula esse escoamento é o número de Reynolds, que


fisicamente representa a relação entre as forças viscosas e as forças inerciais.

Dv
Re 

O experimento de Reynolds (1883)

Reynolds foi o primeiro a demonstrar as diferenças quantitativas entre esse escoamento.


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O que ele observou:

Regime laminar: Re  2.1000

Regime de transição: 2.100<Re  4.000

Regime turbulento: Re > 4.000


Avaliação da velocidade em um ponto

Em termos de velocidade num dado ponto em regime permanente, as figuras


abaixo ilustram o escoamento laminar e turbulento dentro de um tubo vz = vz(t).

Num dado instante, para o escoamento temos


_
v z  v z  vz
_
sendo v z a velocidade média temporal
vz a flutuação da velocidade

I.5) Volume de controle e superfície de controle


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 Volume de controle (VC) é o volume arbitrário onde, através das suas fronteiras,
pode haver troca de quantidade de movimento, massa e calor.

 Superfície de controle (SC) é a superfície, ou a envoltório, do volume de


controle.

A superfície e o volume de controle são escolhidos de acordo com o sistema de


coordenadas adotado:
- Cartesiano
- Cilíndrico
- Esférico

I.6) Forças de campo e de superfície


Forças de campo – são aquelas que atuam a distância, ou seja, não precisam estar em
contato com o corpo para atuar. Ex: força gravitacional, elétrica e magnética

Forças de superfície – são aquelas que atuam nos contornos dos corpos, ou seja,
precisam estar em contato com o corpo para atuar. Ex: força cisalhante, força normal.

I.7) Definição de Sistema, Volume de Controle (V.c) e Superfície e Contorno (S.C.).


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I.8) Introdução de álgebra tensorial.