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O QUE É UNIVERSALISMO?

O ensinamento que afirma que todos os homens serão salvos pela misericórdia de Deus se chama

“universalismo”. De modo crescente, o universalismo se insinua por declarações da Igreja Católica Romana, bem como alguns grupos e igrejas protestantes de linha mais liberal. Esta doutrina se mantém e

se propaga pela força de dois tipos de argumentação. O primeiro, sendo teológico, apela para a razão e emoções humanas, enquanto o segundo se fundamenta em interpretações duvidosas de alguns trechos da Bíblia.

O nacionalismo judaico que dominava na época de Jesus abriu uma brecha extremamente estreita

para prosélitos que renunciavam suas origens gentílicas e ingressavam dentro do povo de Deus por meio

de batismo, circuncisão, sacrifício e compromisso com a Lei. Assim alcançariam o supremo benefício de

ingressar no povo de Deus chamado Israel, mas não a garantia da salvação. Os profetas do Antigo Testamento previam um tempo futuro em que o Messias viria, não apenas

para trazer a salvação ao povo escolhido (Is 42.6; 49.6), mas também aos gentios. Não seria justamente a bênção que Deus deu a Abraão que se estenderia a todas as nações da terra por meio do seu descendente (Gn 12.3; Gl 3.16)? A Nova Aliança efetuada pela pessoa e obra de Jesus na cruz criou uma “raça eleita, sacerdócio real, nação santa e povo de propriedade exclusiva de Deus”, composta de judeus e gentios convertidos (1Pe 2.9). De acordo com o Novo Testamento, a salvação de qualquer pessoa, judeu ou gentio, dependia da confissão que Jesus é Senhor (normalmente no batismo que marcava a morte e ressurreição com Cristo) e crer na ressurreição de Jesus (Rm 10.9). Todos que se arrependiam e criam eram incluídos nos salvos.

A Grande Comissão que Jesus deu aos seus seguidores foi de fazer discípulos de todas as nações,

batizando e ensinando-os a obedecer tudo que Jesus ensinou (Mt 28.19,20). Desta maneira, o universalismo dos profetas, no qual as nações subiriam ao monte do Senhor (Is 2.3), se cumpria no convite do Evangelho universal a todos que foram comprados para Deus pelo sangue de Jesus, os que

procedem de toda tribo, língua e nação (Ap 5.9).

A doutrina ortodoxa enraizada no Novo Testamento que oferece a garantia da salvação a todos

que se arrependem e creem no Senhor Jesus não é o universalismo que ensina que todos os seres humanos serão aceitos por Deus e gozarão do benefício da morte de Jesus. O universalismo neste sentido foi condenado no Concílio de Constantinopla como uma heresia em 543 d.C. Reapareceu entre os mais extremados anabatistas, alguns Morávios e outros poucos grupos não ortodoxos. Schleiermacher, conhecido pai do liberalismo, abraçou esta posição, seguido por teólogos mais radicais como John A.T. Robinson, Paul Tillich, Rudolph Bultmann. Até o mais destacado teólogo do século 20, Karl Barth, não se posicionou contra esta esperança, mesmo sem se declarar abertamente a seu favor. Os evangélicos, porém, se opõem contundentemente a essa doutrina. Eles reconhecem no universalismo uma forma moderna da mentira de Satanás no jardim: “Certamente, não morrerás”. “Atrairei todos a mim mesmo” (Jo 12.32). “Por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os

homens para justificação de vida” (Rm 5.18). João diz que “Jesus Cristo é a luz que ilumina a todo homem” (Jo 1.9). Paulo afirma: “Porque assim como em Adão todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1Co 15.22). “A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tito

2.11).

Mesmo que pareça convincente o argumento exegético, quem examinar mais profundamente encontrará boas razões para rejeitar a salvação universal. Considerar estes textos dentro do seu contexto mais amplo convencerá o intérprete não preconceituoso que os autores bíblicos não estão declarando a possibilidade de salvação sem fé no Senhor Jesus Cristo. Considere Hebreus 11.6 que diz que “sem fé é impossível agradar a Deus”.

O dualismo que divide toda a humanidade aparece em todo o Novo Testamento. O juiz tem sua

pá na mão, limpará completamente a sua eira; “recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha

em fogo inextinguível” (Mt 3.11,12). Sem nascer de novo não há esperança de ver o Reino de Deus. Achar que o amor de Deus é tão extenso que ninguém pode cair fora dele, é uma crença muito conveniente para os que rejeitam o teor de todo o ensino da Bíblia. Não convém se arriscar em tão fraca esperança.

EXPIAÇÃO LIMITADA Rev. Ronald Hanko Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Os calvinistas creem na expiação limitada, isto é, que Cristo não morreu por todos os homens, mas somente pelos eleitos. Por expiação limitada, contudo, não queremos dizer que o valor ou poder da morte e sangue de Cristo sejam limitados, mas somente que ele morreu por um número “limitado” de pessoas. É melhor não falar de expiação limitada, mas de expiação particular (expiação eficaz). A palavra particular enfatiza a verdade bíblica que Cristo morreu somente por algumas pessoas particulares, e não por todos sem exceção. O sangue de Cristo é suficiente para todos, porém é eficaz somente para os eleitos. “Segundo Agostinho, a graça de Deus é “suficiente para todos, eficiente para os eleitos”. Cristo foi sacrificado para redimir Seu povo, não para tentar redimi-lo. Ele abriu a porta da salvação para todos, porém, só os eleitos querem entrar, e efetivamente entram” (Jo 17.6,9,10; At 20.28; Ef 5.15; Tt 3.5). Cremos na expiação particular ou limitada por causa das muitas passagens da Escritura que ensinam que Cristo morreu, não por todos, mas por muitos (Is 53.11; Mt 20.28; Mt 26.28; Hb 9.28); isto é, ele morreu por seu povo (Is 53.8; Mt 1.21), por suas ovelhas (João 10.14,15,26-28) e por sua igreja (Atos 20.28). Não cremos que as passagens que falam de “todos” ou “o mundo” contradigam de alguma forma aquelas que falam de um número limitado. A Palavra de Deus não pode se contradizer. O que tais passagens ensinam é que Cristo morreu por todos os homens sem distinção, não por todos os homens sem exceção. Em outras palavras, tais passagens ensinam que Cristo morreu por todos os tipos de homens (1Tm. 2.1-6), por todos que estão nEle (1Co 15.22), ou pelo “mundo” de seu povo, isto é, por seus eleitos de toda nação (compare João 3.16 e João 17.9). Somente a expiação limitada exalta a Cristo como Salvador. A ideia que Cristo morreu por todos os homens, mas que muitos não serão salvos, degrada a obra salvífica de Cristo. Esse ensino na verdade diz que Cristo não fez o suficiente no seu sofrimento e morte para a nossa salvação, e que algo mais é necessário (geralmente a livre escolha da pessoa). Ele diz que Cristo morreu por todos, mas que alguns ainda irão para o inferno. Se isso fosse verdade, o sangue de Cristo teria sido derramado em vão por alguns, e sua morte seria inútil para eles. Então, sua morte não teria sido realmente um resgate, uma expiação, ou uma satisfação pelo pecado, nem teria nos reconciliado com Deus. Se Cristo morreu por todos os homens, e, todavia, alguns ainda não são salvos, e se a diferença é

a livre escolha da pessoa, então o que realmente importa na nossa salvação não é a morte de Cristo, mas

a nossa escolha. Então, nossa salvação depende não dele, mas de nós. Que Deus não permita pensarmos tais coisas sobre a morte de Cristo ou sobre nós mesmos! O ensino de que Cristo morreu por seu povo eleito, aqueles a quem o Pai lhe deu, significa que ele fez tudo o que era necessário para a salvação deles mediante seu sofrimento e morte, e que nada mais é necessário. Assim, sua morte é realmente uma expiação, reconciliação, pleno pagamento pelo pecado, resgate e satisfação. Ele realmente salva, e salva completamente, aqueles por quem morreu. A expiação limitada diz que Cristo não torna a salvação simplesmente possível. Esta expiação é eficaz para todos os eleitos. Ele é um Príncipe e Salvador. Glórias a Deus!

EXPIAÇÃO LIMITADA por Rev. Gise J. Van Baren

Uma grande verdade que tem sempre sido enfatizada pela igreja fiel de Cristo é a verdade da expiação. Para definir ainda mais a ideia escriturística de “expiação”, as igrejas da Reforma, calvinistas, falam de expiação “limitada”. É vital para os filhos de Deus entender o que está envolvido na verdade da expiação “limitada”. Esta verdade concerne ao próprio cerne da vida espiritual de alguém.

Expiação

A palavra “expiação” é usada muitas vezes no Antigo Testamento, A palavra “expiação” ocorre

só uma vez na versão do Rei Tiago em o Novo Testamento em Romanos 5.11 [καταλλαγὴν em grego aparece 10 vezes]. A palavra “expiação” é um termo teológico que é muito incomum. A maioria dos termos ou palavras usadas para descrever as doutrinas escriturísticas na língua inglesa são palavras derivadas ou do grego ou do latim. Mas isto não é verdade com respeito à palavra “expiação”. Esta palavra é de origem inglesa ou anglo-saxônica. Ela é composta de duas palavras: “em” e “um” [“at” e “one”, pois expiação em inglês é atonement]. A palavra “expiação” sugere, portanto, uma habitação conjunta, fazer de algo que tinha sido divido apenas um. Uma das ideias básicas da palavra hebraica e grega para “expiação” é aquela de cobrir. A expiação é aquilo que cobre ou oculta. “Expiação” representa uma dívida que é paga, e, portanto, “coberta”. Alguém pode ilustrar esta ideia falando de uma dívida a um banco. Se uma pessoa é incapaz

de fazer o pagamento da dívida que ela deve ao banco, e se um amigo voluntariamente paga esta dívida por ele, então, esta dívida é coberta e o homem está livre de toda obrigação. Tal é a ideia da expiação.

A palavra “expiação” como um termo teológico trata do relacionamento que existe entre Deus e

o homem. A palavra sugere, em primeiro lugar, que há uma unidade ou união entre Deus e o homem — um “at-one-ment” [“em-um-acordo”]. Em segundo lugar, contudo, a palavra implica que houve algo que dividiu estes dois. Este algo foi o pecado no qual ele andou em rebelião contra Deus. Terceiro, expiação nos lembra que foi encontrado uma maneira de unir os dois, Deus e homem, por meio de um pagamento que remove a culpa do pecado. Finalmente, há implicado na palavra “expiação” uma consciência dentro

da pessoa de que o mal que anteriormente causou a divisão, foi agora removido.

A Expiação que é “Limitada” [Eficaz para os eleitos].

A segunda palavra que devemos entender é a palavra “limitada” na forma como ela é usada para

descrever a expiação. A palavra é de certo modo desafortunada, pois ela pode ser facilmente mal entendida. Quando falamos da “expiação limitada” de Cristo, não queremos dizer que a expiação é de alguma forma limitada no que diz respeito ao seu poder. Antes, a palavra “limitada” é usada para descrever a verdade escriturística de que a expiação não cobre todos os homens, mas somente um certo grupo — os eleitos de Deus, escolhidos antes da fundação deste mundo. É esta verdade que devemos

considerar. A expiação se refere à morte de Jesus Cristo na cruz, cuja morte serviu como pagamento pela culpa do pecado.

A questão que se levanta repetidamente é, “Por quem Cristo morreu?”.

Você pode saber que há aqueles, algumas vezes chamados “arminianos” (ou “livre-arbitristas”), que ensinam que Cristo morreu por todos os homens sem exceção. Esta ideia se tornou muito popular — mesmo dentro de círculos reformados onde ela foi historicamente condenada. Ela é popular porque ela apela ao homem — apesar de não ser baseada na Escritura.

O segundo dos “Cinco Pontos do Arminianismo”, escrito em 1610 na Holanda, declara isso sobre

a expiação de Cristo, “Que, em concordância com isso, Jesus Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todos e cada um dos homens, de modo que obteve para todos, por sua morte na cruz, reconciliação e remissão dos pecados; contudo, de tal modo que ninguém é participante desta remissão senão os crentes, segundo a Palavra do Evangelho em João 3.16: 'Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o

seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna'”. E, na Primeira Epístola de João 2.2, 'E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo'”. O arminiano entende a expiação da cruz assim: ela é universal, isto é, por todos. Um vasto número de hinos evangélicos inclui esta mesma ideia. Estes retratam um Cristo que morreu por todos os homens — e agora Ele espera a reação e resposta do pecador. Este erro do arminiano, contudo, não é ensinado na Bíblia. Que Cristo morreu somente por um grupo específico, chamado na Escritura de “os eleitos”, é evidente de muitas passagens da Sagrada Escritura. Uma declaração clara com respeito à extensão da obra de Cristo foi dada por José, o marido de Maria, num sonho. O anjo disse a José, “E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1.21). O próprio nome “Jesus” é derivado de duas palavras significando “Jeová salva”. O nome “Jesus” é, portanto, um nome extremamente belo e descritivo. Ele lembra da verdade escriturística de que se um povo há de ser salvo dos seus pecados, é Iavé quem deve salvá-los. Nenhum pecador morto pode se livrar por si só dos seus pecados. Somente Iavé, o Deus imutável, pode fazê-lo. Agora o anjo informa especificamente José de que o bebê que nasceria da Virgem Maria seria chamado “Jesus”, porque Ele salvaria o Seu povo dos seus pecados. Sua obra seria libertar um povo específico, o Seu povo. A obra da salvação, então, não cobre todos os homens, mas é limitada ao Seu povo. Outra passagem da Escritura que indica a extensão da expiação da cruz é João 10. No verso 11 Jesus diz, “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas”. Novamente no verso 15 Jesus declara, “Eu dou a minha vida pelas ovelhas”. E em contraste com este sacrifício voluntário por Suas ovelhas, há o fato apresentado no verso 26 de que algumas pessoas não são ovelhas de Jesus. Jesus diz, “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas”. A distinção que Jesus faz é muito clara. Ele fala de dois grupos de pessoas: Suas ovelhas e aqueles que não são Suas ovelhas. Pelo primeiro grupo, Jesus deu a Sua vida; Ele morreu pelas Suas ovelhas. Pelo último grupo, Jesus não morreu; eles não são Suas ovelhas. Portanto, também, eles não creem nEle. Novamente aqui é muito claro que o pagamento que Jesus fez pelo pecado na cruz é um pagamento por um grupo específico de pessoas — não um pagamento pelos pecados de todo mundo. Novamente lemos em João 17.9, “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus”. Jesus não está falando aqui somente dos Seus discípulos, mas também de todos aqueles que creriam em Seu Nome através da palavra deles (veja verso 20). Jesus insiste que Ele ora somente por aqueles que o Pai Lhe deu. Ele não ora pelo mundo. A conclusão deve ser óbvia. Aqueles por quem Jesus ora são aqueles por quem Ele estava prestar a ir até a cruz. Ele não ora pelo mundo porque Ele não morreu por eles. Certamente, tivesse Ele morrido por todos os homens, Ele oraria por eles também. Em Isaías 53.11 também nos diz: "Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniquidades deles levará sobre si". Eu chamo a sua atenção para o final da passagem. Lemos em Romanos 8.32, “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” Note que o apóstolo enfatiza que Deus não deu o Seu Filho por todos, mas por nós todos. Esta é uma diferença óbvia. O “nós” refere-se à igreja em Roma — e por extensão, às igrejas de todas as eras. O “todos” neste texto representa o número total da igreja de Deus. Cristo morreu por eles.

O Que Dizer de Certos Textos da Escritura?

Há, contudo, um grupo de passagens na Bíblia que parecem substanciar a ideia de uma expiação universal. Uma das mais frequentemente citadas é 1João 2.2: “E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo”. Um outro texto que é bem conhecido é o de João 3.16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. E em João 6.51 Jesus diz, “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é

a minha carne, que eu darei pela vida do mundo”. Há outras passagens que expressam um pensamento similar.

A questão em cada um destes textos é a interpretação apropriada das palavras “todos” e “mundo”. Alguém que estude a Escritura, mesmo que superficialmente, logo descobrirá que estas duas palavras nem sempre significam cada indivíduo que vive ou viveu na terra. Repetidamente as palavras são usadas para apontar um grupo definido e limitado. Eu darei somente algumas poucas ilustrações disso. Eu já citei João 17.9, onde Jesus declara, “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo”. Obviamente o termo “mundo” nesta passagem refere-se somente ao número total dos ímpios réprobos. Jesus não ora por este “mundo”. Mas o termo “mundo” refere-se também, na Escritura, à totalidade do povo escolhido de Deus. Isto é verdade em João 3.16 e passagens similares. Assim lemos em Romanos 5.18, “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida”. Agora, obviamente o “todos os homens” que recebem o dom gratuito da justificação não inclui todo homem sobre a terra. Este é um grupo particular; é todo membro do corpo de Cristo. Assim também deve ser interpretada a passagem de 1João 2.2. Cristo é apresentado ali como a propiciação para os nossos pecados, isto é, pelos pecados do apóstolo e daqueles a quem ele se dirigia; mas Cristo é também a propiciação para os pecados de todo o mundo — de todos aqueles de todas as eras que foram dados a Ele pelo Pai. Porque a doutrina da expiação “limitada” é uma verdade escriturística, achamo-la expressa também nas confissões das igrejas reformadas. O Catecismo de Heidelberg, por exemplo, diz isto na Pergunta e Resposta 40: “Por que Cristo devia sofrer a morte? Porque a justiça e a verdade de Deus exigiam a morte do Filho de Deus; não houve outro meio de pagar nossos pecados”. E a Confissão de Westminster, capítulo 8, parágrafo 5, diz, “O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que pelo Eterno Espírito, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente à justiça do Pai e para todos aqueles que o Pai lhe deu adquiriu não só a reconciliação, como também uma herança perdurável no Reino dos Céus”.

A Importância da Expiação Limitada

Esta verdade é significante e importante na vida da igreja e nas vidas de seus membros individuais. Em primeiro lugar, ela dá ao filho de Deus a plena certeza de sua salvação. Se Cristo morreu deveras por todo homem que já viveu, eu nunca poderei estar certo de minha própria salvação. Se Cristo morreu por todos, e mesmo assim muitos perecem, que certeza eu posso ter de que serei salvo? Veja que tal visão, que além de tudo é antiescriturística, pode levar somente alguém a duvidar sobre sua salvação. Mas agora, à luz do testemunho da própria Escritura, alguém pode saber com certeza se ele é salvo e se entrará na glória celestial. Jesus morreu pelos pecados do Seu povo — aqueles dados a Ele pelo Pai. Quando Jesus morreu por eles, eles também receberam o Seu Espírito, que opera nos seus corações aquela vida que Cristo mereceu por eles. Tais pessoas são convertidas, confessando diante de Deus e dos homens que pertencem a Cristo. Estes são aqueles que clamam em arrependimento sincero, “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lucas 18.13). E estes têm a certeza do perdão dos pecados e a certeza da vida eterna no céu. Ninguém pode tomar esta certeza deles. Ninguém pode destruir a fé deles. Estes não cairão da graça de Deus uma vez lhes dada. Estes encontrarão conforto e segurança em sua confissão, “Jesus morreu por mim”. Mas ainda mais importante, esta verdade da Escritura de que Jesus morreu somente pelos pecados do Seu povo, é a única verdade que exalta o poder e a glória do Nome de Deus. Qualquer outra visão divergente detrata a glória do Seu Nome. Qualquer visão da expiação que sugira que a decisão final com respeito à salvação de alguém descansa no homem, detrata o poder e glória de Deus. Deus não compartilha Seu poder e glória com ninguém! Somente Ele é Deus! Ele tem poder absoluto. Ele determina do princípio ao fim. Ele determina o destino final de toda criatura — e Ele assim o faz em harmonia com Sua perfeita justiça.

Quando alguém considera apropriadamente o fato da expiação; quando alguém entende que aquele por quem Cristo morreu será certamente salvo — ele não pode fazer nada, senão glorificar o Nome de Deus que opera tais maravilhas!

[Não deixe de ler os excelentes artigos abaixo: 1João 2.2 - Arthur W. Pink O Significado da Palavra “Kosmos” em João 3.16 - Arthur W. Pink ].

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto. Cuiabá-MT, 31 de Maio de 2005.

A palavra expiação:

A DOUTRINA DA EXPIAÇÃO T. P. Simmons

A palavra “expiação” ocorre só uma vez na versão do Rei Tiago em o Novo Testamento. Vide

Romanos 5.11. Aqui está uma tradução de “katallage - καταλλαγή”. Este substantivo grego ocorre em três outras passagens: uma vez em Romanos 11.15, onde está traduzido “reconciliando”; uma vez em 2 Coríntios 5.18, onde está traduzido “reconciliação” e uma vez no verso seguinte, onde outra vez está traduzido “reconciliação”. [καταλλαγή: Rm 5.11,15; 2Co 5.18,19. κατάλλασσω: Rm 5.10; 1Co 7.11; 2Co 5.18-20].

O verbo grego “katállassō - κατάλλασσω”, correspondente ao nome “katallage”, acha-se também

em 2 Coríntios 5.18,19; em Romanos 5.10 e 1Coríntios 7.11. Em cada um destes casos está traduzido para significar “reconciliar”.

Segundo o uso do grego, a palavra “expiação” pode ser usada tanto da provisão da base objetiva de salvação, na qual temos uma expiação potencial, como da realização atual da salvação, na qual temos uma expiação atual na aplicação dos benefícios da morte de Cristo e a oferenda do Seu sangue no templo celestial.

O verbo grego “katállassō” está usado no primeiro sentido em 2 Coríntios 5.19, onde lemos:

“Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo, não lhes imputando os seus pecados”. O sentido aqui é que Deus estava reconciliando o mundo Consigo mesmo por lançar os seus pecados sobre Cristo. Refere-se, pois, a passagem ao que se realizou na morte de Cristo e não ao que se realizou através do Seu ministério Profético, predicante.

É neste sentido que a palavra “expiação” é ordinariamente empregada nas discussões teológicas,

sentido em que a usamos neste capítulo.

I. A IMPORTÂNCIA DA EXPIAÇÃO

A expiação é o tema central do cristianismo. Tudo que a precede, olha para frente e tudo que a

segue olha para ela atrás. Pode-se ver sua importância revendo os fatos seguintes:

1. ELA É O TRAÇO DISTINTIVO DO CRISTIANISMO

O cristianismo é a única religião com uma expiação. Conta-se que há alguns anos passados, quando se

reuniu uma Parlamento de Religião na Exposição de Chicago, Joseph Cook, de Boston, o orador escolhido do cristianismo, levantou-se, depois de terem sido apresentadas outras religiões, e disse: “Eis aqui Lady MacBeth com as suas mãos manchadas com a morte infame do Rei Duncan. Vede-a como perambula pelas salas e corredores de sua casa palacial, detendo-se para gritar. “Fora, mancha danada! Nunca mais estas mãos ficarão limpas?” O representante do cristianismo virou-se para os adeptos de

outras religiões e os desafiou triunfantemente: “Pode alguém de vós que estais tão ansiosos de propagar vossos sistemas religiosos proporcionar qualquer eficácia purificadora para o pecado e a culpa do crime

de Lady MacBeth? Emudeceram, porque nenhum deles teve uma expiação a oferecer.

2. ELA VINDICA A SANTIDADE E A JUSTIÇA DE DEUS

Não podia haver em Deus verdadeira santidade e justiça se Ele permitisse ao pecado passar impune. A santidade proíbe semelhante encorajamento do pecado. A justiça requer retribuição.

3.

ELA ESTABELECE A LEI DE DEUS

Sem expiação a salvação dos crentes deixaria a lei vã, letra morta. Vide Romanos 3.31 e Hebreus 2.2.

4. ELA MANIFESTA A GRANDEZA DO SEU AMOR

De nenhum outro modo podia Deus ter manifestado maior amor pelo Seu povo do que por dar o Seu único Filho unigênito para morrer em lugar dele povo. Vide João 3.16, 15.13; Romanos 5.8; I João 4.9.

5. ELA

PROVA

A

TESTAMENTO

AUTORIDADE

DIVINA

DOS

SACRIFÍCIOS

DO

VELHO

Vemos na expiação de Cristo o antítipo mais belo dos sacrifícios do Velho Testamento. E vemos nesses sacrifícios um método efetivo de apontar à necessidade de expiação e um tal quadro da expiação real como guiaria o iluminamento a espiritualmente inculcar através do véu de sombra à verdadeira luz. A divina autoridade dos sacrifícios do Velho Testamento não apresenta dificuldades ao que crê que a morte de Cristo foi substitucionária; mas, os que desejam negar este último fato também sabem que Deus instituiu os sacrifícios de animais do Velho Testamento.

6. ELA FORNECE A PROVA DEFINITIVA DOS SISTEMAS TEOLÓGICOS

Por sua atitude para com a expiação, os sistemas teológicos classificam-se em pagãos ou cristãos. A oposição deles quanto à expiação também reflete sua ideia da natureza de Deus, de Sua Lei e do pecado.

II. A NATUREZA DA EXPIAÇÃO

1. IDEIAS FALSAS DA EXPIAÇÃO

(1). A ideia governamental.

Esta ideia sustenta que o propósito da expiação foi impedir que o perdão dos pecadores por Deus encorajasse o pecado. A salvação dos pecadores não exige que eles levem a penalidade dos seus pecados. O seu virar do pecado para Deus é suficiente para justificar Deus em salvá-los; mas o perdão dos culpados, sem alguma exibição do ódio de Deus contra o pecado e de Sua consideração pela Lei, licenciaria o pecado e roubaria qualquer autoridade sobre as consciências dos homens.

(2). A ideia de exemplo

Esta ideia sustenta em comum com a governamental que a morte de Cristo não foi substitucionária:

sustenta que Deus não precisou de ser propiciado em benefício do pecador; que o único empecilho à salvação dos pecadores jaz na prática contínua do pecado pelo pecador. Reforma, portanto, é o remédio adequado e isto pode ser efetuado pela própria vontade do homem. Para encorajar-nos nisto Jesus morreu como um nobre mártir, exemplificando uma devoção abnegada que escolheu a morte antes que falhasse do Seu dever a Deus e ao homem. Somos salvos, não por confiar nEle como nosso porta-pecado senão por confiar em Deus segundo Seu exemplo e assim devotando-nos à justiça.

(3). A ideia de Influência Moral.

Esta ideia sustenta em comum com ambas as primeiras que o pecado não traz culpa que deva ser removida: não é a culpa senão a prática do pecado que impede a salvação. A morte de Cristo foi somente uma exibição de amor para abrandar o coração do homem e leva-lo ao arrependimento. “Os sofrimentos

foram necessários, não para remover um obstáculo ao perdão de pecadores que existe na mente de Deus senão para convencer os pecadores de que não existe tal obstáculo” (Strong).

(4). A ideia de depravação gradualmente extirpada.

Esta ideia está definida por Strong como segue:

“Cristo tomou a natureza humana como ela estava em Adão, não antes mas depois da queda, – a natureza humana, portanto, com a corrupção nata e predisposta para o mal moral; que, não obstante a possessão desta natureza inquinada e depravada, Cristo, pelo poder do Espírito Santo, ou de Sua divina natureza, não só guardou Sua natureza humana de se manifestar em pecado atual ou pessoal, mas purificou-a gradualmente, por meio de luta e sofrimento até que na Sua morte Ele extirpou completamente sua depravação original e a reuniu com Deus. Esta purificação subjetiva da natureza humana na pessoa de Jesus constitui Sua expiação e os homens não são salvos por qualquer propiciação objetiva senão somente por se tornarem através da fé participantes da nova humanidade de Cristo”.

Há outras duas ideias da expiação que os teólogos comumente discutem sob teorias falsas ou inadequadas da expiação aqui não daremos tratamento especial. Referimo-nos a ideia de acidentes e à comercial. A primeira sustenta que a morte de Cristo foi um acidente imprevisto e não antecipado por Cristo. Esta ideia é tão manifestamente absurda que não merece aqui o espaço que ela tomaria para refutá-la. Não damos aqui atenção especial à ideia comercial da expiação porque ela envolve tanta verdade que achará exame sob a epígrafe da ideia correta da expiação.

2. A IDEIA CORRETA DA EXPIAÇÃO.

A ideia correta da expiação, que concebemos como sendo a correta, reconhece o elemento de verdade em cada uma das seguintes teorias que tem recebido especial menção e também combina o que são costumeiramente chamadas ideias comercial e ética, mas esta vai mais longe do que qualquer delas.

(1). Verdades reconhecidas noutras ideias.

A. Uma falha em punir o pecado derrubaria o governo divino.

Este é o elemento de verdade na ideia governamental, mas isto é só um dos muitos elementos de verdade envolvidos na expiação. Uma simples exibição do ódio de Deus contra o pecado sem medir uma justa penalidade, portanto, não consegue e não conserva inteiramente os interesses do governo divino. Qualquer exibição do ódio divino para com o pecado agirá como um óbice ao pecado e assim tenderá a manter governo, mas, até ao ponto em que essa exibição do ódio divino se fruste da justa penalidade, ela fracassa em fornecer um empecilho ao pecado que honre completamente o governo divino.

B. Na morte de Cristo temos um exemplo inspirador.

É um exemplo de abnegada devoção a Deus e ao homem. E o povo salvo (não os perdidos) são mandados seguir este exemplo. Vide Mateus 16.24; Romanos 8.17; 1Pedro 2.21; 3.17 e 18; 4.1 e 2. Mas, que Cristo não morreu meramente como um nobre mártir, evidente é de Sua própria atitude para com a Sua morte. Se Ele morreu apenas como exemplo, então Ele supriu exemplo muito pobre. Muitos mártires humanos tem ido para a fogueira sem um sinal de angustia; todavia, o Senhor Jesus Cristo suou como se fossem grandes gotas de sangue no horto. Muitos mártires desfrutaram um vívido senso da presença de Deus na hora da morte, mas o Senhor Jesus Cristo foi desertado pelo Pai na hora da morte. Contrastai a atitude de Cristo perante a morte com a de Paulo.

C.

Na morte de Cristo temos uma exibição de amor de Deus.

Vide João 3.16; Romanos 5.8; 15.13; 1João 4.9. E esta exibição deveria mover os homens ao arrependimento. Este é o elemento de verdade na ideia de influência moral da expiação; mas, que a expiação foi mais do que uma simples exibição de amor far-se-á manifesta ao passo que avançamos.

D. Através da morte de Cristo somos feitos participantes da vida de Cristo.

Vide 2Coríntios 4.11; 5.14-17; 12.9 e 10; Gálatas 2.20; 2Pedro 1.4. Este é o elemento de verdade na ideia de depravação gradualmente extirpada da expiação; mas, atingimos esta nova vida em Cristo em conjunção com a fé nEle como nosso porta-pecado. Esta ideia recém mencionada nega:

(2). Outras verdades reconhecidas.

A verdadeira ideia da expiação reconhece todas as verdades das outras ideias, mas reconhece mais. Erram os que acentuam um elemento de verdade com exclusão de outros.

Outras verdades reconhecidas pela verdadeira ideia da expiação, são:

A. A verdade quanto à natureza de Deus.

Tudo das falsas ideias a que temos dado especial atenção nega que haja qualquer obstáculo que seja em a natureza de Deus ao perdão dos pecadores. O entrave supõe-se ser todo ele de parte do pecador. O sofrimento de Cristo não foi em nenhum sentido uma satisfação de qualquer princípio em a natureza

divina.

Assim estas ideias negam, logicamente, a santidade e justiça de Deus. Elas representam Deus como sendo somente amor. A ira retribuitiva contra o pecado não é elemento da natureza divina.

Que essa ideias são falsas em respeito à ideia da natureza divina suprida por elas é evidente de Romanos 3.25,26. Aqui se nos diz que Deus estabeleceu a Jesus Cristo não simplesmente como uma exibição cênica do seu ódio contra o pecado para servir às exigências do Seu governo; nem como um exemplo de abnegada devoção ao dever; nem como simples manifestação de amor através do sofrimento do Criador com a criatura; nem ainda como o meio de purificação subjetiva da natureza humana senão como cobertura do pecado (pela expiação), que Sua justiça não fosse impugnada na justificação de homens

pecadores.

B. A verdade quanto à natureza da Lei.

Tudo das falsas ideias de expiação a que temos dado especial atenção representa a Lei de Deus como uma indicação puramente arbitrária que pode ser relaxada parcial ou totalmente à vontade em vez de uma revelação da natureza de Deus com nenhuma possibilidade mais de mudança nos seus requisitos do que há de mudanças em a natureza de Deus. Ela requer um olho por um olho e um dente por um dente; requer que toda transgressão e desobediência deve receber uma justa recompensa de prêmio. Hebreus 2.2. Toda ideia da expiação que for correta deve reconhecer isto.

C. A verdade quanto à culpa do pecado.

Que essas falsas ideias sob consideração negam que o pecado nos envolve em culpa objetiva que exige expiação. As passagens seguintes ensinam que ele envolve: João 3.36; Romanos 1.18; 2.5,6; 3.19; 6.23; Gálatas 3.10; Efésios 5.5,6; Colossenses 3.5,6; Apocalipse 20.13.

D.

A verdade quanto à natureza substitucionária da expiação.

As passagens seguintes mostram que o sofrimento de Cristo foi um substituto do sofrimento que os crentes suportariam no inferno:

“Seguramente Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre Si; nós O reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho. Porém o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53.4-6).

“… sendo justificados livremente pela Sua graça, pela redenção que está em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para ser uma propiciação, pela fé no Seu sangue, para demonstração da Sua justiça, pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para a demonstração da Sua justiça, pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para a demonstração, digo, da Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Romanos 3.24-25). Propiciação é um sinônimo de expiação, que significa “aturar a penalidade toda de um erro ou crime”. A propiciação aplaca o legislador por satisfazer a Lei na “cessão de um equivalente legal completo pelo mal causado”.

“… Cristo morreu por nós. Muito mais então, sendo justificados pelo Seu sangue seremos salvos da ira de Deus por meio dele.” (Romanos 5.8,9).

“Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus” (Romanos 8.33). A resposta implicada é:

Ninguém! E a implícita razão é: Porque Cristo pagou sua dívida de pecado padecendo a penalidade da Lei em seu lugar.

“Cristo é o fim da Lei para justiça de todo aquele que crê.” (Romanos 10.4).

“… nossa páscoa também foi sacrificada, mesmo Cristo.” (1 Coríntios 5.7).

“… Cristo morreu por nossos pecados, segundo a Escritura” (I Coríntios 15.3).

“Aquele que não conheceu pecado. Fê-lo pecado por nós, para que nEle fossemos feitos justiça de Deus” (2Coríntios 5.21). Nós nos tornamos justiça de Deus em Cristo, não por meio de qualquer influência moral da morte de Cristo sobre nós, mas pela imputação a nós da justiça através da fé sem as obras.

“… Cristo entregou-Se por nós, em oferta e sacrifício a Deus …” (Efésios 5.2)

“… ofereceu para sempre um sacrifício pelos pecados” (Hebreus 10.12).

“Porque Cristo também sofreu pelos pecados uma vez, o justo pelos injustos, para que nos trouxesse a Deus …” (1Pedro 3.18).

E. A verdade quanto aos aspectos redentores e resgatadores da expiação.

Notai as seguintes passagens:

“O Filho do homem não veio para ser ministrado, mas a ministrar e dar Sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20.28).

“Mas dEle sois vós em Cristo Jesus, que nos foi feito sabedoria de Deus, justiça e santificação e redenção.” (1 Coríntios 1.30).

“Cristo nos redimiu da maldição da Lei, fazendo-Se maldição por nós” (Gálatas 3.13).

“Deus propôs Seu Filho … para que redimisse os que estavam sob a Lei ” (Gálatas 4.4,5).

“… em Quem temos redenção por Seu sangue, o perdão de nossos delitos, segundo as riquezas de Sua graça” (Efésios 1.7).

“… que Se deu em resgate por todos” (1Timóteo 2.6).

“… que Se deu a Si mesmo por nós para que nos redimisse de toda a iniquidade” (Tito 2.14).

“… pelo Seu próprio sangue entrou uma vez por todas no lugar santo, tendo obtido redenção eterna” (Hebreus 9.12).

“Fostes redimidos … com sangue precioso… mesmo o de Cristo” (1 Pedro 1.18-19).

“… foste morto e remiste para Deus com o Teu sangue homens de toda a tribo, língua, povo e nação” (Apocalipse. 5.9).

Nas passagens supra, nas quais “redimir” ou uma de suas cognatas aparece, temos quatro palavras gregas ou suas cognatas: “agorazō”, significando “adquirir no fórum”; “exagorazō”, “adquirir do fórum”; “lutroō”, “soltar por um preço”; “apolutrosis”, “libertar”. As palavras gregas nas passagens em que “resgate” aparece são, respectivamente, “Lutron”, “um preço” e “antilutron”, “um preço correspondente”. O sentido claro dessas passagens, à luz do resto do Novo Testamento, especialmente Romanos 3.25-26, é que a morte de Cristo foi o preço de nosso livramento da penalidade do pecado. Vide mais além Romanos 8.33,34; 10.4; Gálatas 3.13 descreve exatamente como somos redimidos quando nos diz que somos remidos da maldição da Lei por meio de Cristo, que se fez uma maldição por nós. Ele pagou a penalidade que nós devíamos. Por essa razão vamos livres.

Notai que “resgate”em 1Timóteo 2.6 significa “um preço correspondente”. Isto quer dizer que o preço saldado por Cristo correspondeu à dívida que devíamos. Em outras palavras, Cristo sofreu o equivalente exato daquilo que teriam de sofrer no inferno aqueles por quem Ele padeceu. Se a justiça de Deus exigiu que Cristo morresse para que Deus justificasse pecadores, a mesma justiça exigiu que Ele pague a penalidade toda devida pelos pecadores. A justiça tanto pode arcar com toda a penalidade como tão facilmente arcar com a mínima parte dela.

“Porque Deus tomar como satisfação o que realmente não é tal é dizer que não há verdade em nada. Deus pode tomar a parte pelo todo; o erro pela verdade, o erro pelo acertado … Se toda a coisa criada oferecida a Deus vale justamente tanto como Deus a aceita, então o sangue de touros e bodes podia tirar pecados e Cristo está morto em vão” (Hodge, Syst. Theol. 2.573-81; 3:188-9).

“Deus não mandou Cristo ao inferno (Hades) para sempre, mas Ele pôs na punição de Cristo o equivalente disso. Ainda que Ele não deu a Cristo beber o inferno atual de crentes, contudo deu-Lhe um quid pro quo – algo equivalente disso. Ele tomou o copo da agonia de Cristo e nele botou sofrimento, miséria e angústia … o que foi o equivalente exato de todo o sofrimento, toda a desgraça e todas as torturas eternas de todo aquele que por fim estará no céu, comprado com o sangue de Cristo” (Spurgeon, Sermões, Vol. 4, pág. 217).

“A penalidade paga por Cristo é estrita e literalmente equivalente à que o pecador teria de levar, conquanto não seja idêntica. O porte vicário dela exclui a última” (Shedd, Discourses and Essays, pág.

307).

“A substituição exclui identidade de sofrimento; não exclui equivalência” (Strong, Systematic Theology, pág. 420).

Algumas vezes os oponentes à natureza resgatadora e redentora da morte de Cristo perguntam a quem foi pago o preço. E eles um tanto sarcasticamente lembram-nos que alguns se apressaram em dizer que foi pago ao diabo. Não, não foi pago ao diabo; como uma transação comercial, não foi pago a ninguém. Os termos são figurativos. Mas o resultado é o mesmo como se a transação fora de natureza comercial. O preço é a penalidade exigida pela justiça de Deus.

Adotamos, portanto, como a verdadeira ideia da natureza da expiação, uma ideia que combina as teorias comercial e ética como estão descritas por Strong. Da teoria comercial aceitamos a ideia expressa em 1Timóteo 2.6 – o pagamento de um preço correspondente ou equivalente. E, da teoria ética, aceitamos o fato que não foram a honra e a majestade divinas que exigiram a expiação, segundo afirma a ideia comercial, mas os princípios éticos da santidade e justiça de Deus.

III. A EXPIAÇÃO E A DEIDADE DE CRISTO

Objeta-se algumas vezes que Cristo não podia ter sofrido (no Hades) em poucas horas o equivalente do sofrimento eterno do pecador no inferno (no Lago de Fogo), mas esta objeção deixa de tomar em consideração o fato que Cristo era divino e, portanto, infinito em habilidade para sofrer. Ele disse que nenhum homem podia tomar-Lhe a vida; que dEle mesmo a daria. Tendo o poder, portanto de reter Sua vida, à vontade, Ele a reteve através de tamanha intensidade de sofrimento que Ele tragou as últimas feses do veneno do inferno por todos aqueles a serem salvos por Ele. O que pecadores crentes teriam sofrido extensivamente, por serem finitos, Cristo sofreu intensivamente, por ser infinito. Um homem com uma constituição dez vezes tão forte como a que o homem médio pode sofrer em um segundo o equivalente de tudo que o homem mediano pode sofrer em dez. Correspondentemente um ser infinito pode suportar qualquer porção de sofrimento num tempo tão breve quanto lhe apraza fazê-lo.

IV. A EXPIAÇÃO E A HUMANIDADE DE CRISTO

Enquanto foi necessário que Cristo seja divino para suportar numas poucas horas o sofrimento eterno devido a pecadores crentes, também foi necessário que Ele seja humano para suportar o equivalente daquilo que os seres humanos são para aturar no inferno (Lago de Fogo).

Talvez foi necessário também que Cristo seja organicamente um com o homem para fazê-lo perfeitamente apropriado para Deus aceitar o Seu sofrimento como um substituto para o do homem. Somos responsáveis pela apostasia de Adão porque fomos organicamente um com Adão, da qual os anjos não participaram e em cuja queda não nos envolvemos. Assim parece claro que não teria sido segundo a filosofia divina colocar nossa responsabilidade sobre Cristo sem Ele tornar-se organicamente um conosco.

V.

A EXTENSÃO DA EXPIAÇÃO

Há três teorias quanto à extensão da expiação.

1. A TEORIA DE UMA EXPIAÇÃO GERAL PARCIAL

Referimo-nos aqui à noção que Cristo pagou a penalidade pelo pecado de Adão na raça inteira. Esta ideia é sustentada em conjunção, usualmente, com a ideia de uma suposta base provisional para a salvação de todos os homens, mas sua natureza necessita de que a tratemos separadamente.

Pensa-se, por alguns, que esta teoria é necessária para explicar a salvação daqueles que morrem na infância e imbecilidade nata, mas mostramos uma base escriturística para a salvação dos tais sem esta teoria.

João 1.29 é o passo principal citado como uma base para esta teoria. A forma singular de “pecado” acentua-se como se referindo ao pecado de Adão; mas o argumento não tem força, porque há outras numerosas passagens em que se usa o singular em referência aos pecados pessoais de homens num sentido coletivo. Vide Romanos 3.20; 4.8; 6.1; Hebreus 9.26.

Esta teoria supõe que o efeito do pecado de Adão sobre a raça é duplo: (1) imputação de culpa pelo ato ostensivo de Adão em participar do fruto proibido e (2) corrupção da natureza. E implica que a culpa pode ser imputada à parte da corrupção. Isto nós negamos redondamente. Nós tornamos culpados por meio de sua prioridade natural e da qual herdamos uma natureza corrupta. Estamos sob a penalidade do pecado porque pecamos em Adão, sendo nossa natureza uma com ele. Romanos 5.12. Se a culpa fosse imputada sem corrupção, então a Lei exigiu a morte de Cristo, porque Ele teve uma natureza humana; mas a ideia que Ele morreu em qualquer sentido para Si mesmo é totalmente estranha à Escritura. Ele em toda a parte se descreve e se apresenta sem nenhuma culpa de Si mesmo, mas como levando a culpa dos outros. Se Lhe foi imputada culpa pelo pecado adâmico, como necessariamente era o caso se esta culpa é imputada a todo descendente de Adão à parte de corrupção, então Ele conheceu pecado, mas a Escritura diz que Ele não conheceu pecado.

2. A TEORIA DE UMA EXPIAÇÃO GERAL.

(1) A teoria apresentada.

A teoria de uma expiação geral é que Cristo morreu para cada filho de Adão – para um tanto como para outros (* ), removendo do caminho da salvação de todos os homens impedimentos legais e fazendo-a objetivamente possível a cada ouvinte do Evangelho salvar-se. Diz Strong: “As Escrituras representam a expiação como tendo sido feita para todos os homens e como suficiente para a salvação de todos. A expiação, portanto, não está limitada senão a aplicação da expiação.” E outra vez: “A expiação de Cristo fez provisão objetiva para a salvação de todos, por remover da mente divina todo obstáculo ao perdão e restauração dos pecadores, exceto sua contumaz oposição a Deus e recusa de virar-se para Ele.” Diz Andrew Fuller que, se a expiação é vista meramente quanto “ao que ela é suficiente em si mesma e declarada no Evangelho estar adaptada para, … foi para pecadores como pecadores”; mas que, em “respeito ao propósito do Pai em dar Seu Filho para morrer e ao designo de Cristo em ceder Sua vida, foi para os eleitos só.”

Esta teoria da expiação é algumas vezes sumarizada pelo dito que a expiação foi suficiente para todos, mas suficiente somente para os eleitos ou, como alguns prefeririam, para aqueles que creem. Ou, para pô-lo de outra maneira, diz-se muitas vezes que Cristo é o Salvador de todos os homens provisional e especial ou efetivamente de crentes.

Outros têm imaginado que o sacrifício no Calvário foi para todos, mas que a oferenda do sangue de Cristo no céu foi para os eleitos.

Tudo dessas afirmações dá na mesma coisa – uma expiação geral com uma aplicação ou desígnio limitados. Isto cremos e esperamos provar que é uma contradição em termos, contrária à razão, repugnamente à natureza de Deus e não segundo uma interpretação homogênea da Escritura.

(2). A teoria desaprovada.

A. Esta teoria não provê satisfação real da justiça de Deus, ou ela envolve a Deus na injustiça de punir aqueles para quem a justiça foi satisfeita. Eis, aqui um dilema e cada advogado de uma expiação geral escolha a ponta em que se pendure. Uma dessas proposições deve ser verdadeira.

A primeira proposição é, provavelmente, a que mais advogados de uma expiação geral são logicamente

forçados a aceitar. Nenhuma dúvida que os mais deles subscreveriam a declaração que, se tivesse havido só um pecador para salvar, teria sido necessário a Cristo ter sofrido exata e identicamente o que Ele padeceu. Diz Boyce: “O que Cristo precisou fazer por um homem teria sido suficiente para todos” (Abstract of Theology, pág. 314). Diz Strong: “Cristo não precisaria de sofrer mais, se todos fossem salvos” (Sytematic Theology, pág. 422).

Esta noção quanto ao sofrimento de Cristo é totalmente inconsistente com a justiça. Mil pecadores no inferno, merecendo todos o mesmo grau de punição, sofrerão mil vezes tanto como sofrerá cada um

deles individualmente. Tomará isto para satisfazer a justiça. Ficará a justiça satisfeita agora em Cristo por todos os mil, se Cristo sofre apenas tanto como sofreria um pecador? Em outras palavras, a justiça exige uma coisa dos pecadores mesmos e outra de Cristo como substituto deles? É isto exatamente o que

a teoria de uma expiação geral envolve.

A teoria de uma expiação geral não satisfaz a justiça mais do que a teoria governamental. Na morte de

Cristo, segundo a teoria de uma expiação geral, temos apenas uma exibição cênica da ira de Deus contra

o pecado; então Deus aplica, à vontade, os benefícios disto a quem queira. Noutras palavras, em vista do

que Cristo fez, Deus relaxa a justiça rigorosa e salva uma multidão incontável de pecadores que mereciam o inferno, para os quais a justiça não foi atualmente satisfeita. De modo que, em vez de a morte de Cristo proporcionar a Deus o meio de ser justo e ao mesmo tempo salvar pecadores crentes, O habilita a relaxar Sua justiça.

A única maneira de escapar desta última proposição é considerar o arrependimento, a fé e a obediência

dos que se salvam como completando o que está faltando na morte de Cristo. Os arminianos podem dizer isto (contudo alguns deles não consideram arrependimento, fé e obediência como sendo meritórios na salvação), mas outros não podem sem render sua crença na salvação como sendo inteiramente da graça de Deus.

Alguns podem tentar escapar ao dilema estabelecido no primeiro parágrafo sob esta epígrafe por afirmarem que Cristo sofreu atualmente pelos pecados de todos os homens e que os perdidos no inferno sofrerão apenas pelo pecado de incredulidade continuada. Diversas coisas podiam ser ditas em refutação desta ideia. (1) Deixa o pagão que não ouviu o Evangelho sem sofrer nada no inferno, porque nenhum homem pode ser acusado justamente por não crer em um de quem nunca ouviu falar. Romanos 10.14. Que Deus não acusará aqueles que nunca ouvem o Evangelho do pecado de incredulidade está claro em Romanos 2.12, que nos informa que Deus não julgará pela Lei os que nunca ouviram a Lei. Deus os julgará somente à luz de suas próprias consciências. Romanos 2.14,15. Alguém deve pecar contra a luz antes de poder ser justamente punido por desobediência. Daí, se ninguém sofrerá no inferno por qualquer pecado, exceto o pecado de incredulidade continuada, os que nunca ouvem o Evangelho nada terão por que pagar. (2) Todo crente era culpado do pecado de incredulidade desde o tempo de ouvir o

Evangelho até ao tempo de o aceitar. Este pecado de incredulidade, sem dúvida, teve de ser expiado como qualquer outro pecado. Assim Cristo sofreu pelo pecado de incredulidade por aqueles que estão salvos. Agora, se Ele morreu por todos, por um tanto como por outro, o que é necessário se a salvação era para ser feita possível a todos, então Ele morreu pelo pecado de incredulidade por todos os homens. Isto deixa a qualquer que for para o inferno absolutamente sem pecado algum por que sofrer. Se Cristo não morreu pelo pecado de incredulidade de todos que o cometeram, então Ele não morreu suficientemente para a salvação de todos. (3) A Bíblia claramente ensina que os perdidos no inferno sofrerão por todos os seus pecados. Romanos 2.5,6; 2 Coríntios 5.10; Efésios 5.5,6; 2 Pedro 2.9-13; A. S. V.; Apocalipse 20.13.

B.

Esta teoria é fútil, naquilo em que ela não é necessária como uma base de qualquer fato escriturístico, dever, ou resultado, ou como prova de qualquer verdade revelada.

(a). Não se discute que Deus estava sob a obrigação de prover redenção por todos os homens, sem exceção, porque um argumento tal excluiria a graça da expiação. A graça quer dizer não somente favor imerecido senão também favor não devido. Graça e obrigação excluem-se mutuamente. Ainda mais, se Deus foi obrigado a prover redenção por todo filho de Adão, da mesma maneira Ele seria obrigado a dar

a cada um a habilidade de receber essa redenção pela fé. Isto Deus não fez, segundo mostramos no prévio capítulo sobre a eleição (*).

(b). Ademais, não era necessário que Deus provesse uma expiação geral para fazer os homens responsáveis pela rejeição de Cristo. Os homens rejeitam a Cristo, não por causa de uma falta de expiação para eles, mas por causa de amarem as trevas mais do que a luz (João 3.19); por causa de não quererem que Ele reine sobre eles (Lucas 19.14).

(c). Nem foi necessário que Cristo morresse por toda a raça adâmica para que Deus fizesse sincera Sua chamada geral. É da noção de alguns que a chamada geral de Deus requer de todos os homens crerem que Cristo morreu por eles. Isto não é verdade. Os vinte e oito capítulos de Atos, “ainda que repletos de informações sobre relações apostólicas com as almas, não arquivam precedente algum que seja desse discurso agora popular aos inconvertidos – Cristo morreu por vós (Sanger, Os Redimidos)”. “Todos os homens são chamados na Escritura a crerem no Evangelho, mas não há um caso na Escritura em que os homens são intimados a crer que Cristo morreu por eles.” (Carson, “The Doctrine of the Atonement and Other Treatises”, Pag. 146).

A ilustração seguinte de “O sangue de Jesus”, por William Reid, pág. 37, também mostra a compatibilidade de uma expiação limitada e os convites gerais do Evangelho. Após descrever passageiros tomando um trem na Estação de Aberdeen, Estrada de Ferro Nordeste, diz ele:

“Nem eu vi qualquer um recusando-se entrar porque o carro proveu só um número limitado de seguir por aquele trem. Podia haver oitenta mil habitantes na cidade e nos seus arredores, mas não haver ainda assim alguém que falasse disso como absurdo prover acomodação só para umas vinte pessoas porque, praticamente, descobriu-se ser suficiente…”

“Deus, na sua infinita sabedoria, fez provisão de uma espécie semelhante para todo o nosso mundo perdido. Proveu um trem de graça para levar ao céu tantos dos seus habitantes, a grande metrópole do universo, quantos estão dispostos a se aproveitarem das provisões graciosas”.

Supondo que Deus tivesse esperado até o fim antes de mandar Cristo morrer (como Ele podia ter feito só tão facilmente como Ele esperou quatro mil anos depois que o pecado entrou no mundo antes de mandar

a Cristo), e o tivesse então mandado para morrer por todos que tivessem crido. Teria então sido

manifesto que uma expiação limitada não oferece obstáculo a salvação de qualquer homem que não existe já por causa da perversidade da natureza do homem. Está claro, seguramente, a toda pessoa

pensante, que a ocorrência da morte de Cristo há dois mil anos não altera o caso, porque Ele morreu por todos que crerem, estes tendo sido conhecidos de Deus desde a eternidade tão completamente como serão no fim.

Insinuamos que Deus está tanto sob a obrigação de remover a inabilidade espiritual do homem para vir a Cristo como está para prover-lhe uma expiação. Em outras palavras, a perversidade da natureza do homem faz sua salvação tão impossível de um ponto de vista como faz a ausência de uma expiação.

Mas alguns podem abrir uma exceção a isto, dizendo que, enquanto a perversidade de natureza do homem cria uma impossibilidade moral, a falta de expiação fornece uma impossibilidade natural. Respondemos que isto está correto, mas a impossibilidade moral é primária e é absoluta; portanto, a impossibilidade natural não pode fornecer nenhum entrave mais.

(d). Também não é necessário uma expiação geral à manifestação do amor de Deus. A provisão de uma expiação sem efeito não revelaria nada senão um amor cego e fútil. É desta espécie de amor de Deus? Não, na verdade, o amor de Deus é inteligente, intencionado, soberano, efetivo. O amor redentivo de Deus está totalmente fundado dentro dEle mesmo e não procede de modo algum de os objetos dele serem amorosos, nem porque mereçam qualquer coisa boa de Suas mãos; logo, este amor está inteiramente sujeito à Sua soberana vontade (Deuteronômio 10.15 ; Romanos 9.13). Dispensar Seu favor a objetos eleitos é do seu prazer gracioso, imanente e particular.

(e). Uma expiação universal, finalmente, não é necessária para a manutenção do zelo evangelístico e do espírito missionário. Admite-se livremente que tem havido quem sustentou uma expiação limitada cujo zelo evangelístico esteve longe do que devera ter sido. Todavia, a falta não estava nessa doutrina senão na sua falta em ver e crer outras verdades. Com muitos, incluindo os nobres valdenses e albingenses, bem como Spurgeon e muitos outros de grande marca, transbordante zelo evangelístico e forte crença numa expiação limitada, tem morado lado a lado na mais gloriosa harmonia. De fato, a crença numa expiação limitada, em razões que aqui não dispomos de espaço para discutir, deveria fazer homens mais evangelísticos do que a crença numa expiação geral, guardando-os, entrementes, de excessos dolorosos.

3. A TEORIA DE UMA EXPIAÇÃO LIMITADA

(1). A teoria apresentada.

A teoria de uma expiação limitada sustenta que Cristo morreu para os eleitos e só para eles; que o valor e desígnio ou aplicação, a suficiência e a deficiência dela são as mesmas; que Cristo, em nenhum sentido que seja, morreu por qualquer que perece no inferno (Geena). A isto damos o nosso endosso feliz e incondicional.

(2). A teoria prova

A. Argumentos de outros homens.

“Todos aqueles por quem Cristo deu a sua vida em resgate ou estão por ela resgatados, ou não estão; que todos não estão resgatados ou remidos do pecado, da Lei, de Satã e da segunda morte, é evidente … Agora, se alguns por quem Cristo deu Sua vida em resgate, não estão resgatados, então essa absurdidade chocante … segue … a saber, que Cristo está morto em vão, ou que, em última análise, Ele deu Sua vida como um resgate em vão; pelo que será retamente concluído que Ele não deu sua vida em resgate por todo homem individualmente” (John Gill, The Cause of God and Truth, pág. 98).

“As provas da Escritura assim chamadas de Redenção Universal dependem de suposição humana, não da simples Palavra. Assim, quanto ao que concerne à “propiciação pelos pecados de todo mundo”, é-nos

dito que a palavra “mundo” deve significar toda pessoa no mundo. Mas, porque deve significar isto? Essa é a pergunta sem resposta. A palavra “mundo” quer dizer muitas coisas diferentes na Palavra de Deus, sobre as quais vide Crudens Concordance. Só a relação textual é o seu verdadeiro intérprete. Decretar que ela deve significar isto ou aquilo não é senão indulgir em prosa temerária e ociosa” (Sanger, The Redeemed, pág. 7).

“Indubitavelmente, ‘universal’ e ‘redenção’ (aqui usadas como sinônimos com ‘expiação’: no sentido de ‘agorazō’), onde grandíssima parte dos homens perece, são tão irreconciliáveis como ‘Romano’ e ‘Católico’” (John Owen, como citado aprovadamente por C. H. Spurgeon, Sermões, Vol. 4, pág. 220).

“Fosse o todo da humanidade igualmente amado de Deus e promiscuamente remido por Cristo, o cântico que a Deus os crentes são mandados cantar custosamente correria nestas admiráveis toadas: “Ao que nos amou e lavou de nossos pecados no seu próprio sangue e nos fez reis e sacerdotes para Deus”, etc. (Apocalipse 1.5,6). Um hino de louvor como este parece proceder, evidentemente, na hipótese de eleição particular da parte de Deus e de uma redenção limitada da parte de Cristo, a qual achamos declarada mais explicitamente (Apocalipse 5.9), onde temos um transcrito desse hino que os espíritos dos justos aperfeiçoados cantam agora diante do trono e do Cordeiro: Tu foste morto e nos remiste para Deus pelo Teu sangue de toda a raça e língua e povo e nação. Donde se diz que os eleitos foram remidos dentre os homens (Apocalipse 19.4)” (Augustus M. Toplady, autor de “Rocha dos Séculos”, no prefácio a Absolute Predestination, por Zanchius).

“Que Cristo é nossa vida, verdade, paz e justiça – nosso pastor e advogado, sacrifício e sacerdote, que morreu para a salvação de todos que cressem e de novo surgiu para sua justificação” (Artigo 7 da Confissão de Fé adotada em 1.120 pelos valdenses, o grupo mais em evidência de progenitores batistas. Vide Jones Church History, pag. 276).

A doutrina da expiação tem sido entendida diferentemente. As igrejas antigas bem uniformes sustentaram que era particular; isto é, que Cristo morreu só pelos eleitos e que nos Seus estupendos sofrimentos “não se teve respeito nem se fez provisão por quaisquer outros da raça arruinada de Adão” (Benedict, General History of the Baptist Denomination, pág. 456).

“Se há qualquer coisa claramente ensinada na Escritura é que o sacrifício de Cristo foi feito somente para aqueles que forem eventualmente salvos por ela” (Alexander Carson, The Doctrine of the Atonement and Other Treaties, pág. 196).

“Não pode ser que uma alma por quem Ele (Cristo) deu Sua vida e derramou Seu sangue; cujos pecados Ele levou e cuja maldição Ele susteve, deva perecer finalmente. Porque, se esse fosse o caso, a divina justiça, depois de ter cobrado e satisfeito à mão do Abonador, requereria o principal; em outras palavras, exigiria pagamento em dobro” (Booth, The Reign of Grace, pág. 235).

“Pode um Deus de perfeição ética infinita, que com a Sua própria mão lançou a tremenda carga da culpa do pecador sobre o adorável Abonador, repudiar os tratos do Seu próprio concerto e sonegar-Lhe a recompensa comprada pelo custo do Seu preciosíssimo sangue? Dizer assim equivale e uma contestação à verdade e à justiça de nosso Deus guardador do pacto”. (Prof. Robert Watts, Sovereignty of God, ajuntando artigos de Pres. G. W. Northrup, publcados no Standard of Chicago, e as respostas de Prof. Watts, quais artigos foram escritos pela sugestão de T. T. Eaton e publicados no Western Recorder enquanto Eaton foi editor).

“Eles (certos teólogos) creem que Judas foi expiado tanto como Pedro; creem que os réprobos no inferno foram tão objetos da satisfação de Jesus Cristo como os salvos no céu; e conquanto eles o não digam nos devidos termos, contudo o devem pensar, porque é uma bela inferência que, no caso de multidões, Cristo morreu em vão, pois morreu por todos eles, dizem; e ainda tão ineficiente foi Sua morte por eles que,

conquanto morreu, eles são condenados subsequentemente. Agora, uma tal expiação eu a desprezo, rejeitou-a. Posso ser chamado antinominiano ou calvinista por pregar uma expiação limitada; mas eu antes crera numa expiação limitada que é eficaz para todos os homens para quem foi intencionada do que uma expiação universal ineficaz, salvo quando com ela se ajuntou a vontade do homem.” (Spurgeon, Sermons, Vol. 4, pág. 218).

“Creio que a eleição elegeu os eleitos, que a presciência os pré-conheceu; que foram “ordenados para a vida eterna” e “pré-ordenados para serem conforme a imagem do Seu Filho”; que a redenção os remiu; que a regeneração os regenerou; que a santificação os santifica; que a justificação os justifica; que a conservação os conserva; que a providência provê por eles e assim por diante até à glorificação. Daí, aqueles a serem glorificados são aqueles pré-conhecidos e remidos. Não creio numa redenção geral e numa glorificação especial” (J. B. Moody, Sin, Salvation, and Service), pág. 40).

“Eis aqui os cinco pontos do calvinismo: eleição incondicional ou predestinação, expiação limitada ou redenção particular, depravação total necessitando graça proveniente chamada eficaz ou graça irresistível, conservação e perseverança dos santos. E o escritor não hesita em subscrever todos os cinco pontos” (C. D. Cole, Definitions of Doctrines, Vol. 1, pag. 131).

O autor dá um entusiástico “Amém” a todos destes. Ele não se envergonha de se achar na sua companhia

como na de muitos outros eminentes santos de Deus que sustentaram os mesmos sentimentos. Ele está pronto a achar-se contendendo pela fé histórica dos batistas, a fé das antigas igrejas; a fé dos valdenses, “essas eminentes e honradas testemunhas da verdade durante o longo período em que a igreja e o mundo foram assaltados por torpe erro e imoralidade” (Rice, Deus Soberano e o Homem Livre).

B. Argumento da razão

É a única teoria que faz a morte de Cristo verdadeiramente substitucionária. Se Cristo morreu por um

homem tanto como por outro, o que Ele deve ter feito se Ele fez a salvação possível a todos os homens,

então Ele morreu por alguns que sofrerão eternamente no inferno. Sua morte, portanto, não foi verdadeiramente substitucionária.

(b). É a única teoria compatível com a justiça de Deus. A justiça de Deus exigiu que Cristo pagasse a penalidade exata dos pecados daqueles que se salvam. Sua justiça (de Deus) também exige que Ele salve todos cuja penalidade Cristo pagou. Isto é uma proposição axiomática. É também uma proposição escriturística. Qual é o significado de 1 João 1.9 em estabelecer que Deus é “justo para perdoar os nossos pecados”, se não quer dizer que o perdão de nossos pecados é um ato de justiça para com Cristo? A teoria de uma expiação limitada sozinha deixa qualquer razão justa para a condenação de pecadores impenitentes. Se fez-se uma expiação geral, então não há justiça em mandar qualquer pecador para o inferno. Se for suficiente para todos os homens, então exige quitação para todos. Desde que a expiação foi exigida como uma satisfação à justiça de Deus, sua eficiência deve igualizar sua suficiência. A mesma justiça que requer a penalidade do pecado seja paga, assim tão enfaticamente requer que o pecado seja libertado quando o pagamento se tenha feito. Não há absolutamente fundamento na Escritura ou na razão para se fazer uma distinção entre a expiação e a redenção ou reconciliação, quanto ao seu alcance ou valor. Expiação, redenção e reconciliação, todas se aplicam à base objetiva do perdão e todas por igual se aplicam ao perdão atual.

(c). É a única teoria que dá à morte de Cristo qualquer valor argumentativo em provar a segurança do crente. A seguinte afirmação será reconhecida, sem dúvida, como um forte argumento da segurança do crente por todos que creem essa doutrina:

“Cristo, na Sua morte sobre a cruz, sofreu por todos dos pecados de todo crente. Se o crente deverá ir para o inferno, ele sofreria pelos mesmos pecados pelos quais Cristo sofreu. Crente e Cristo estariam

então pagando pelos mesmos pecados, e Deus, ao punir dois homens pelos pecados de um, seria o tirano mais injusto do universo. Pereça o pensamento! O juiz de toda a terra deve fazer justiça”

Mas este argumento não tem força se Cristo morreu por todos, que tanto um como outro, que Ele deve ter feito se fez a salvação possível para todos, removendo todos os obstáculos do caminho de sua salvação. Ademais, segundo este argumento e também segundo a verdade e a lógica, todos aqueles que afirmam que Cristo sofreu a penalidade da Lei por todo homem fazem Deus “o tirano mais injusto do universo”.

C. Argumentos da Escritura

Isaías 53.11: "Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará a iniquidade deles". (a) Isaías 53.11. Nesta passagem, o profeta, ao falar do sacrifício de Cristo, diz que Deus “verá o trabalho da sua alma e ficará satisfeito”. Tomamos isto para significar que as justas exigências de Deus, a penalidade da Lei transgredida, foram satisfeitas na morte de Cristo. Mas, por quem? Se por todo o filho de Adão, então Deus não pode com justiça condenar qualquer deles. A justiça satisfeita não pode exigir nada mais. Se o leitor está pensando de arguir que o perdido no inferno sofrerá, não pelos seus pecados em geral senão somente pelos pecados de rejeitar a Cristo, nós o devolvemos à nossa discussão da teoria de uma expiação sob “(2). A teoria desaprovada”.

Mais ainda, esta mesma passagem representa a Deus como dizendo: “Pelo seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos: porque as suas iniquidades levará sobre Si”. Isto ensina como Cristo justifica os homens, isto é, levando suas iniquidades. E notai que esta justificação não é feita para depender de qualquer outra coisa mais. Se Cristo tivesse que levar as iniquidades dos homens para justificá-los, então segue, como o dia à noite, que aqueles cujas iniquidades Ele levou devem receber justificação. Por aceitar esta satisfação às mãos de Cristo, Deus põe-se a Si mesmo sob a obrigação a Cristo (não ao pecador) de comunicar justificação a cada um por quem a satisfação se faz, a qual Ele faz pela operação do arrependimento e da fé no coração.

(b). João 15.13: “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”. Se Cristo depôs Sua vida por todo homem sem exceção, então Ele tem o maior amor por todo homem; e, portanto, ama os que perecem no inferno tanto como aqueles a quem Ele salva. Podia Cristo porventura estar satisfeito com alguns dos objetivos do Seu maior amor no inferno?

Mais ainda, se fosse verdade que Cristo ama aqueles que perecem tanto como os que se salvam, teriam de atribuir nossa salvação a nós mesmos antes ao amor de Cristo.

(c). Romanos 8.32. “O que não poupou Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós, como não nos dará com Ele também todas as coisas?” Esta passagem argui que o amor dom de Deus, o Seu Filho, garante todos os dons menores. Daí se segue que Deus entregou Seu Filho a ninguém exceto aqueles a quem Ele livremente da todas as outras bênçãos espirituais, isto é, aqueles que creem. Vide Efésios 1.3.

Romanos 8.33,34: 33. Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. 34. Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós. (d). Romanos 8.33,34. Estes versos dizem-nos que acusação ou condenação não podem ser trazidos contra os eleitos; que Deus não os acusará, porque é Ele que justifica e que Cristo não condenará, porque por eles morreu. Esta passagem estaria privada de toda a força lógica se Cristo tivesse morrido por qualquer que Ele algum dia condenará em juízo. Daí Ele não morreu por ninguém exceto aqueles que escapam ao juízo.

(e). 2 Coríntios 5.14 “Porque o amor de Cristo nos constrange que assim julgamos, que um morreu por todos, logo todos morreram”. Eis aqui a inegável asserção que todos por quem Cristo morreu, morreram representativamente nEle. Daí a morte não tem poder sobre eles e nenhum deles a sofrerá, mas todos receberão a justificação e a vida eterna pela fé. Ao comentar as três últimas palavras desta passagem, diz A. T. Robertson: “Conclusão lógica … o um morreu pelo todo e assim o todo morreu quando ele morreu. TODA A MORTE ESPIRITUAL POSSÍVEL PARA OS A QUEM CRISTO MORREU” (Ênfase nosso – Word Pictures in the New Testament). Não deixe de notar o uso de “todo” nesta passagem.

(f). 2 Coríntios 5.19 “Deus estava em Cristo, reconciliando (Katalassō) o mundo consigo mesmo, NÃO LHES IMPUTANDO OS SEUS PECADOS …” Isto ensina o que Deus estava fazendo na morte de Cristo e como Ele o estava fazendo: Ele estava reconciliando os homens consigo e Ele o estava fazendo por lançar os seus pecados sobre Cristo e, portanto, não imputando, reconhecendo e acusando aqueles por quem Cristo morreu. Cristo, na Sua morte, executou completa reconciliação objetiva para os objetivos de Sua morte, o que necessita serem eles trazidos à experiência da reconciliação subjetiva. A única conclusão correta disso é que Cristo morreu por aqueles e só aqueles que recebem reconciliação eventualmente. Note o uso da palavra “mundo” nesta passagem.

(g). João 10.15; Atos 20.28; Efésios 5.25. Nestas passagens se diz ter Cristo comprado a igreja, ter-Se dado por ela, ter dado Sua vida pelas ovelhas. “Sei que termos universais estão algumas vezes ligados nas Escrituras com a expiação; mas, se os mesmos são para ser interpretados no seu sentido mais lato, por que os escritores sagrados deveriam ter empregado apenas o restritivo? Os termos universais … podem ser harmonizados prontamente com os restritivos, mas homem algum pode fazer o restritivo harmonizar-se com o ilimitado” Parks, The Five Points of Calvinism)

(3). As Escrituras explicadas

Tomamos aqui as passagens tomadas por alguns como ensinando a expiação geral.

A. João 3.16; 1João 2.2. Em ambas as passagens a palavra “mundo” é usada em conexão com a obra salvadora de Cristo. Uma fala de Deus como amando o “mundo” e a outra fala de Cristo como sendo uma propiciação pelos pecados de todo o “mundo”.

Contra a interpretação dada a essas passagens pelos advogados de uma expiação geral, respondemos:

(a). Um amor que causasse Deus dar a Cristo para morrer em lugar de cada homem individual da raça de Adão também causaria Deus salvar a todos (* ). Por que deveria Deus discriminar entre os homens em salvá-los se Ele os amou a todos com o amor de todos os amores? Vide Romanos 8.32.

(b). Não haveria expressão real de amor em mandar um salvador a morrer vãmente pelos homens. Que espécie de amor é aquele que realiza um ato que não pode beneficiar realmente? Haveria qualquer amor real mostrado por um pai em comprar belo quadro para um filho que está totalmente cego?

(c). Deus não ama todos os homens sem exceção está provado, como já citado, pela declaração: “Amei a Jacó mas aborreci Esaú” (Romanos 9.13).

(d). A palavra “mundo”, finalmente, de nenhum modo alude a todos os homens sem exceção em cada caso da Escritura e, portanto, fica para ser provado que ela tem essa acepção nessas passagens. “Mundo” é usado de incrédulos em distinção de crentes (João 7.7, 12.31, 14.17, 15.18,19, 16.20, 17.14; I Coríntios 4.9, 11.32; Efésios 2.2; Hebreus 11.7; 1 João 3.1; 3.13; 5.19. Está usada para gentios em distinção de judeus (Romanos 11.12,15). Está para a generalidade do povo conhecido (João 12.19). Cremos que a palavra alude, nas duas passagens sob consideração, não a todos os homens sem exceção,

mas a todos os homens sem distinção; isto é, a homens de todas as nações, tribos e línguas (da qual temos uma paralela em Apocalipse 7.9); revelando que Cristo não morreu só para os judeus senão para os gentios também, mesmo até aos confins da terra. A razão lógica do emprego desta palavra neste sentido é dada por John Gill, como segue: “Foi uma controvérsia agitada entre os doutores judeus se, quando o Messias vier, os gentios, o mundo, terão qualquer benefício por ele; a maioria estava excedendo de muito na negativa da resposta e determinou que não teriam … que os juízos mais severos e tremendas calamidades lhes aconteceriam; sim, que seriam lançados no inferno no lugar dos israelitas. Esta noção recebeu a oposição de João Batista, Cristo e seus apóstolos e é a verdadeira razão do uso

desta frase nas passagens que falam da redenção de Cristo” (The Cause of God and Truth, pág. 66) (* ). Como um judeu típico Nicodemos pensou que Deus não amava a ninguém fora dos judeus, mas nosso Senhor lhe disse que Deus de tal maneira amou o mundo (gentios bem como judeus), que lhe deu o Seu Filho unigênito, para que quem crer nEle (gentios ou judeus) não pereça, mas tenha a vida eterna” (Cole, Definitions of Doctrines, Vol. 1, pág. 120). Notai outra vez o uso de “mundo” em 2 Coríntios 5.19, onde

o “mundo” por quem Cristo morreu foi potencialmente reconciliado por Sua morte, não é para ter imputado seus pecados. Noutras palavras, deve receber o perdão que Ele lhe comprou.

1Tm 2.6: O qual se entregou a si mesmo como resgate por todos. Esse foi o testemunho dado em seu próprio tempo.

Tt

2.11: Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens.

B.

1 Timóteo 2.6; Tito 2.11. A palavra “todos” aparece em ambas estas passagens, mas esta palavra é

usada na Escritura numa variedade de sentidos e de nenhum modo é usada na Escritura numa variedade de sentidos e de nenhum modo é sempre usada no absoluto. Notai uns poucos de seus usos limitados:

(1). Um grande número (Mateus 3.5; 4.24; 14.35). (2). Todas espécies e classes (Mateus 23.47; Lucas 2.10; João 12.32; Atos 13.10; Romanos 1.29; 15.14; 2 Tessalonicenses 2.9; 1 Timóteo 6.10). (3). Tudo com exceções manifestas (Marcos 11.30; Atos 2.46-47; 1 Coríntios 6.18; 8.32; 9.22; 10.33; Tito 1.15). (4). Todos ou cada um de uma certa classe (Lucas 3.21; Romanos 5.18, última parte; 1 Coríntios 8.2 comparado com os vs. 7 e 11; 15.22, última parte; 1 Coríntios 8.2 comparado com os vs. 7 e 11; 15.22, última parte; Colossenses 1.28). Assim podemos ver facilmente que o significado de “paz” deve ser determinado segundo o contexto e o ensino da Escritura em geral. Portanto, em vista do que se tem dito sobre as inferências inescriturísticas dá ideia que Cristo morreu por todos os homens sem exceção, afirmamos que “paz”, nas passagens pré-citadas, é usada no segundo sentido acima listados e que o significado é homens de “toda a nação, de todas as tribos e povos e línguas”, da qual achamos uma paralela descrita em Apocalipse 7.9. O “todos” pelo qual Cristo morreu é exatamente cotérmino com o “todos” que Ele atrai a Si (João 12.32) (*).

“Está observado (1Tm 2.6) que se diz que Cristo dar-se em resgate por todos, o que está entendido de todos os homens em particular; mas devera ser observado também que este resgate é “antilutron huper

panton”, um resgate vicário, substituído no lugar de todos, pelo que, um preço inteiro foi pago por todos

e satisfação plenária feita pelos pecados de todos, o que não pode ser verdadeiro de todo homem

individual, porque então nem um homem podia ser condenado e punido justamente … É melhor entender-se por todos os homens alguns de toda espécie …” (John Gill, Cause of God and Truth, pag.

51).

Hebreus 2.9: Vemos, todavia, aquele que por um pouco foi feito menor do que os anjos, Jesus, coroado de honra e de glória por ter sofrido a morte, para que, pela graça de Deus, em favor de todos, experimentasse a morte.

C. Hebreus 2.9. Não há aqui palavra para “homem” no grego. A expressão é simplesmente “todos” ou

“cada um”. No grego: “pás”. E o contexto supre explanação quanto àqueles incluídos nesta passagem, a

saber, todo filho que Ele traz à glória. Assim, “todos” é usado aqui no quarto sentido listado acima, isto

é, todo ou cada um de uma certa classe.

1Tm 4.10: Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo, o Salvador de todos os homens, especialmente dos que creem. D. 1Tm 4.10. A mera provisão de salvação por todos os homens não faz de Deus seu Salvador qualquer coisa mais do que salvá-los. Isto não satisfaz o significado de salvador se é aplicado à salvação da alma. No grego é “soter”, que quer dizer “livrador” e “conservador”, bem como salvador. Estamos persuadidos que este é o significado aqui. Deus livra a todos os homens (tanto quanto Lhe apraz fazer assim) de perigos tanto visíveis como invisíveis e os conserva em suas vidas. É assim que Ele exibe “as riquezas de Sua bondade e paciência e longanimidade” que deveriam levar os homens ao arrependimento (Romanos 2.4). O que Deus faz por todos os homens em geral, Ele faz de uma maneira especial pelos crentes.

2Pe 2.1: No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E. 2Pe 2.1. A palavra desta passagem para o Senhor não é “Kurios”, a qual é usada tanto de Deus ou de Cristo; mas é “despotēs”, a qual nunca se usa de Cristo. Daí ser a referência a Deus. Pedro escreveu especialmente aos judeus. Sem duvida os falsos mestres também eram judeus. E em Deuteronômio 32.6 explica como o Senhor os comprara. Aqui se diz ter Deus comprado toda a nação judaica porque Ele os livrou do Egito.

Autor: Thomas Paul Simmons, D.Th. Digitalização: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos, 2004 Revisão: Charity D. Gardner e Calvin G Gardner, 05/04 Fonte: www.PalavraPrudente.com.br

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