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GUSMÃO MTA; GUSMÃO SAL; ARAÚJO JAC. 2006.

Produtividade de tomate tipo cereja cultivado em ambiente protegido e em diferentes substratos.


Horticultura Brasileira 24: 431-436

Produtividade de tomate tipo cereja cultivado em ambiente protegido e


em diferentes substratos
Mônica T A de Gusmão1; Sérgio A L de Gusmão1; Jairo A C de Araújo2
1
UFRA-ICA, Av. Presidente Tancredo Neves, 2501, 66077-530, Belém-PA; 2UNESP-FCAV-Depto. Engenharia Rural, Via de Acesso Prof.
Paulo Donato Castellane, s/n°, 14884-900 Jaboticabal-SP; E-mail: monica.gusmao@ufra.edu.br

RESUMO ABSTRACT
O experimento foi realizado em Jaboticabal-SP, sob ambiente Productivity of cherry tomato cultivated in a protected
protegido, objetivando avaliar quatro substratos (Rendimax-Estu- environment and in different substrates
fa®, areia, solo coberto com filme de polietileno preto e solo desco- The experiment was carry out in Jaboticabal-SP, under a protected
berto) e quatro híbridos de tomateiro tipo cereja (‘Mascot’, ‘Gisela’, environment, aiming to evaluate four substrates of root development
‘Cheri’ e ‘Sweet Million’), sendo os substratos comercial e areia (substrates Rendimax®, sand, soil with mulch of black polyethylene
acondicionados em sacos plásticos. O delineamento experimental film and soil without mulch) and four hybrids of cherry tomato
foi em blocos casualizados, em esquema fatorial 4 x 4, com quatro (‘Mascot’, ‘Gisela’, ‘Cheri’ and ‘Sweet Million’). The experimental
repetições. Utilizou-se irrigação por gotejamento, sendo a dotação design was a randomized complete blocks, in a factorial array (4 x
hídrica realizada em função dos dados obtidos em um tanque Classe 4), with four replications. The irrigation/fertigation was done with a
A. A solução nutritiva utilizada foi a recomendada por Castellane & trickle system, being the hydric dotation established based upon the
Araújo (1995) para a cultura do tomateiro. Os frutos foram colhidos measurements of the class A pan. The nutritious solution was
semanalmente, durante o período de 24/11/2000 a 24/01/2001, sen- recommended by Castellane & Araújo (1995) for tomato cropping.
do avaliados o número e produtividade diária de frutos. Os cultivos The fruits were harvested from 24/11 to 24/01, the number and daily
em solo proporcionaram maior produção diária que no substrato co- productivity of fruits being appraised. The cultivations in soil
mercial e em areia, para os híbridos Gisele e ‘Mascot’. O híbrido provided higher production than in the commercial and sand
‘Gisela’ mostrou-se mais produtivo nos cultivos em solo, enquanto substrates. The hybrid ‘Gisela’ was shown to be more productive in
o híbrido ‘Cheri’, embora tenha proporcionado menores produções the cultivations in soil, while the hybrid ‘Cheri’, although it provided
em peso, produziu maior número de frutos por planta. A produtivi- smaller productions in weight, produced larger number of fruits for
dade dos tratamentos mais produtivos foi satisfatória, estando de plant. The productivity, of the most productive treatments was
acordo com os padrões de produção para a cultura no Brasil. satisfactory, being in agreement with the production for the culture
in Brazil.

Palavras-chave: Lycopersicon esculentum Mill., cultivo protegido, Keywords: Lycopersicon esculentum Mill., protected cultivation,
tomate cereja, híbridos, nutrição. cherry tomato, hybrids, nutrition.

(Recebido para publicação em 24 de outubro de 2005; aceito em 18 de dezembro de 2006)

O cultivo de tomateiro em ambiente


protegido expandiu-se muito na
região Sudeste, principalmente no Es-
plitude térmica e a umidade relativa,
favorecendo ainda o metabolismo da
planta e a precocidade do ciclo
associado à fertirrigação, tais como: alta
capacidade de retenção de água, aeração
satisfatória, boa capacidade de
tado de São Paulo, atualmente o tercei- vegetativo (Lopes, 1997; Martins et al., tamponamento, ausência de pragas e
ro centro produtor do Brasil, superado 1999). Por outro lado, de acordo com agentes fitopatogênicos, ausência de
apenas por Goiás e Minas Gerais, nesta Moraes & Furlani (1999), o uso inten- inibidores de crescimento e pouca ati-
ordem (Fontes et al., 1997). A utiliza- sivo do solo em condições de ambiente vidade biológica (Martinez & Barbosa,
ção do tomate tipo cereja como adorno, protegido, promove sua contaminação 1999). É ainda fundamental que as pro-
aperitivo e na confecção de pratos di- por bactérias, fungos e nematóides priedades físicas, químicas e biológicas
versos é uma opção a mais de consumo fitopatogênicos, além da salinização do permaneçam as mesmas por longo pe-
dessa hortaliça (Gusmão et al., 2000a). mesmo. Esses problemas, em algumas ríodo de tempo, para que os processos
De acordo com Lopes & Stripari (1998), regiões, têm limitado a produção nesse do sistema de cultivo possam ser padro-
o tomateiro é uma planta muito sensí- sistema e, os produtores nem sempre nizados (Abad Berjon & Noguera
vel às condições climáticas e estas, dominam técnicas para solucioná-los. Murray, 1998; Röber, 2000).
quando desfavoráveis e aliadas a outros Entretanto, uma alternativa para contor- De acordo com Norrie et al. (1994)
fatores, contribuem para que seu culti- nar esses problemas em cultivo prote- e Marouelli et al. (2002b), o sucesso do
vo, em condições protegidas, aumente gido é a utilização de substratos remo- cultivo em substrato depende da
rapidamente nos últimos anos. víveis associados com a fertirrigação por otimização de diversas variáveis, den-
O uso de filme plástico como cober- gotejamento. tre as quais as práticas de irrigação e
tura (“mulch”), conserva a umidade e a Vários requisitos são importantes nutrição. O volume explorado pelo sis-
temperatura do solo, diminuindo a am- para o uso de um substrato hortícola tema radicular da cultura é reduzido,

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MTA Gusmão et al.

assim como a retenção de água pelo Existem citações sobre a possibili- Os híbridos foram escolhidos a par-
substrato. Assim, as irrigações devem dade de crescimento das plantas por até tir de consultas feitas às empresas pro-
ser realizadas em regime de alta freqüên- dez metros de comprimento (Lopes & dutoras de sementes ou seus represen-
cia (até 20 por dia) e baixo volume, o Stripari, 1998). Entretanto, há poucas tantes no Brasil, sendo todos indicados
que torna o manejo de água um fator pesquisas com esse tipo de tomateiro no para plantio em ambiente protegido ou
limitante para a obtenção de altos ren- Brasil, em termos de cultivares, a campo, possuindo boa produtividade
dimentos e a racionalização no uso de substratos e sistemas de cultivo. e coloração vermelha de fruto, com re-
água e nutrientes. O presente trabalho teve por objeti- sistência ao vírus do mosaico-do-taba-
O uso de substratos está relaciona- vo avaliar o cultivo de híbridos de to- co (TMV), Fusarium raças 1 e 2 e
do, em geral, com o cultivo em recipien- mateiros tipo cereja em substratos de Verticillium, a exceção do híbrido
tes, seja em sacos plásticos, latas, vasos cultivo e em solo coberto com filme de ‘Sweet Million’ que é resistente ao ví-
ou bandejas. Em comparação com o polietileno preto e em descoberto, nas rus do mosaico do tomate (ToMV),
cultivo em solo, onde as plantas dispõem condições de primavera-verão, em Fusarium raça 1 e Stemphylium.
de um volume ilimitado para o cresci- Jaboticabal-SP. A semeadura foi realizada no dia 06/
mento de suas raízes, no cultivo em re- 09/2000, em bandejas de poliestireno
cipientes esse volume é bastante redu- MATERIAL E MÉTODOS expandido, com 128 células, distribuin-
zido, o que diminui a drenagem e a su- do-se uma semente por célula e utilizan-
perfície de contato com a atmosfera, O experimento foi conduzido em do-se o substrato comercial Plantimax®.
essencial para as trocas gasosas (Kämpf, Jaboticabal-SP, latitude de 21o15’22"S, As mudas foram produzidas em siste-
2000). longitude de 48o18’58"W e altitude de ma de nebulização e sombreamento com
O sistema de cultivo em substratos, 595 m, com médias anuais de precipita- redução em 30% da luminosidade. Neste
especialmente sob irrigação por ção de 1552 mm, temperatura de 22oC e período, foi efetuada uma aplicação com
gotejamento, limita, portanto, o cresci- umidade relativa do ar de 70% (Volpe Thiametoxam, para controle de mosca
mento das raízes a um volume menor, et al., 1989). branca (Bemisia argentifolli).
cujas condições de contorno são deter- O ambiente protegido, do tipo cape- O transplantio foi realizado em 02/
minadas pelos limites físicos do la, com pé direito de quatro metros, 30 10/2000, quando as plantas apresenta-
contentor, disponibilidade de água e m de comprimento e 10 m de largura, vam quatro a cinco folhas definitivas.
nutrientes, nível de salinidade e aeração foi coberto com filme de polietileno Para o preparo do solo realizou-se
no substrato (Marfá & Guri, 1999). Es- transparente aditivado contra raios aração e gradagem. Após estas opera-
tudando a distribuição do sistema ultravioleta, com 150 mm de espessura ções, incorporou-se 150 g m-2 de calcário
radicular do tomateiro, em substratos e laterais protegidas com telas de dolomítico à profundidade mínima de
acondicionados em sacos de cultivo, polipropileno preto (sombrite®) com 20 cm (60 dias antes do transplantio das
Marouelli et al. (2002a) observaram que 30% de sombreamento. Os tratamentos mudas) e, levantou-se canteiros com lar-
a maior concentração de raízes se deu consistiram de quatro substratos gura de 0,80 m e altura de 0,20 m. No
nas proximidades do gotejador. Obser- (Rendimax-Estufa®, areia, solo coberto tratamento de solo com cobertura, foi
varam ainda, que o crescimento das com filme de polietileno preto e a teste- utilizado o mesmo procedimento, sen-
raízes foi determinado principalmente munha constituída pelo solo descober- do que a seguir os canteiros foram co-
pela salinidade ao longo do contentor to) e de quatro híbridos de tomateiro tipo bertos com o filme de polietileno preto,
de substrato, que variou de 2,0 a 8,3 dS cereja (‘Mascot’, ‘Gisela’, ‘Cheri’ e com espessura de 0,05 mm.
m-1, dependendo do tipo de substrato e ‘Sweet Million’). O solo utilizado é As características químicas do
da posição do gotejador no contentor: aquele da própria área do experimento substrato comercial, solo e areia podem
quanto mais afastado do gotejador maior e foi classificado como LATOSSOLO ser observados nas Tabelas 1, 2 e 3.
a salinidade. VERMELHO ESCURO Embrapa O substrato comercial utilizado já se
Gualberto et al. (2000), observaram (1999). encontrava acondicionado em sacos de
que híbridos de tomateiro apresentam O experimento foi conduzido em cultivo, com dimensões de 0,40 m de
diferentes padrões de estabilidade e delineamento blocos casualizados, es- largura, 0,15 m de altura e 0,90 m de
adaptabilidade. Portanto, é esperado que quema fatorial 4 x, com quatro repeti- comprimento, produzido pela Empresa
tenham comportamento diferenciado, já ções. A parcela experimental constituiu Eucatex, com nome comercial de
que são provenientes de diferentes pro- de fileiras duplas, espaçadas de 1,00 x Rendimax-Estufa®. Cada saco de culti-
dutores de sementes, utilizando 0,60 x 0,30 m, com densidade aproxi- vo comportou 15 kg de substrato comer-
genótipos bem distintos na formação dos mada de quatro plantas m-2, totalizando cial, constituído de casca de pinus
híbridos. Pádua et al. (2002 a,b), com- 12 plantas, tendo como área útil, as oito compostada, vermiculita expandida,
parando dois híbridos de tomateiro tipo plantas centrais de cada parcela. No cul- perlita expandida e turfa. Esses sacos de
cereja (‘Cheri’ e ‘Sindy’) em cultivo sob tivo em substrato comercial e em areia, cultivo apresentavam microperfurações
ambiente protegido não obtiveram di- foram utilizadas três plantas por saco, para facilitar a drenagem do excesso de
ferenças em produtividade por planta, mantendo-se a densidade aproximada de água e aeração do meio. Em vista disso,
em função da temperatura. quatro plantas m-2. tornou-se necessário a cobertura do solo,

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Produtividade de tomate tipo cereja cultivado em ambiente protegido e em diferentes substratos

sob os sacos de cultivo com filme de altura do solo. Também foram trou-se mais produtivo do que os de-
polietileno, para evitar possível conta- registrados os dados das temperaturas mais híbridos no cultivo em solo co-
minação por fitopatógenos e desenvol- dos substratos, sendo para isto, instala- berto e descoberto. O híbrido ‘Cheri’
vimento de raízes fora do recipiente. A dos termômetros de solo a 0,05 m de foi o que apresentou menores produ-
areia utilizada também foi acondiciona- profundidade. tividades em todos os substratos (Ta-
da em sacos plásticos de dimensões As plantas foram conduzidas verti- bela 4), demonstrando que, embora
iguais às do saco com substrato comer- calmente em haste única, utilizando-se produza inflorescências com elevado
cial, sendo essa areia lavada de rio com fita plástica para tutoramento, sendo número de frutos (Tabela 5), apresen-
predominância granulométrica entre cultivada uma planta por cova, fazen- ta maior sensibilidade às altas tem-
0,10 mm e 0,5 mm. do-se a eliminação de todos os ramos peraturas ou a fatores nutricionais,
A irrigação foi feita diariamente, laterais. Não foi feito o raleio dos fru- levando à redução no tamanho dos
fracionada em duas ou três aplicações tos. frutos formados.
diárias, de acordo com o substrato, Os frutos foram colhidos semanal- Ao analisar o número de frutos pro-
sendo controlada por 16 tensiômetros mente, durante o período de 24/11/2000 duzidos (Tabela 5), verifica-se que, o
de mercúrio, instalados um em cada a 24/01/2001, procurando-se colher os fator genético teve grande influência na
tratamento, na profundidade de 0,2 m. frutos que já haviam iniciado a mudan- formação de frutos. ‘Cheri’ e ‘Sweet
Acionava-se o sistema de irrigação ça de coloração, de verde para verme- Million’ são híbridos mais característi-
quando os tensiômetros atingiam 40 a lho, sendo avaliados o número total de cos dos tomates tipo cereja, uma vez que
60 kPa nos substratos com solo cober- frutos, a produtividade total de frutos e apresentam inflorescência com elevado
to com filme de polietileno preto e na a produtividade de frutos por dia. número de frutos, enquanto ‘Gisela’ e
testemunha; no substrato comercial, Os resultados foram analisados por ‘Mascot’ formam frutos maiores (mini)
de 40 a 50 kPa, e no substrato areia, meio de análise de variância pelo teste com inflorescências menores e pouco
de 5 a 20 kPa, dependendo do estádio F e as médias comparadas pelo teste de ramificadas. Por isso, embora tenham
de desenvolvimento da cultura e das Tukey, a 5% de probabilidade. havido menores produções, em peso, do
condições ambientais (Marouelli et híbrido ‘Cheri’, ainda assim, este, obte-
al.,1996). O sistema de irrigação uti- RESULTADOS E DISCUSSÃO ve maiores valores em número de fru-
lizado foi o gotejamento, sendo insta- tos formados. Esse fato pode ser positi-
lado um gotejador flecha por planta li- vo em regiões quentes, onde é signifi-
O período no qual o trabalho foi de-
gado a um conector com quatro saí- cativa a queda de flores, podendo haver
senvolvido apresentou elevação de tem-
das, com vazão de 2,0 L h-1. A dotação alguma compensação pela quantidade
peratura e intensas chuvas, que são fa-
hídrica foi realizada em função dos remanescente na planta originando os
tores limitantes à produção de tomate.
dados obtidos em um tanque Classe A, frutos.
Conforme pode ser observado na Figu-
instalado no interior do ambiente pro- As maiores produtividades obtidas
ra 1, neste período a temperatura máxi-
tegido. neste trabalho pelo híbrido ‘Gisela’, em
ma no ambiente protegido atingiu valo-
A fertirrigação foi realizada duas res médios semanais superiores a 350 C, condições de cultivo em solo, são equi-
vezes por semana, utilizando-se siste- permanecendo quase que durante todo valentes às obtidas por Gusmão et al.
ma aberto, onde a solução nutritiva era o período, superiores a 300 C. Esses va- (2000a; 2000b), em cultivo em condi-
bombeada do reservatório para os diver- lores de temperatura são considerados ções de campo, com solo coberto com
sos tratamentos, sem recirculação. A limitantes à produção do tomateiro filme de polietileno preto, enquanto que
quantidade de nutrientes para 1.000 L (Martins et al., 1999). Por outro lado, a os tratamentos com menores produtivi-
de solução nutritiva, fornecida através umidade relativa do ar, manteve-se em dades tiveram valores semelhantes
de fertirrigação, foi calculada conforme valores aceitáveis durante o dia, elevan- àqueles obtidos por Pádua et al. (2002a,
recomendação de Castellane & Araújo do-se durante a noite. O que reflete os 2002b) em cultivos em ambiente prote-
(1995) para a cultura do tomate, sendo efeitos do sistema de irrigação por gido. Esses resultados evidenciam com-
de: 184; 21; 248; 153; 43; 47,5; 0,31; gotejamento, mantendo o ambiente mais portamento diferencial de cultivares e
0,06; 4,5; 0,06; 0,4 e 0,4 mg L-1 de N, P, seco, diminuindo a probabilidade de de sistemas de cultivo do tomateiro tipo
K, Ca, Mg, S, B, Cu, Fe, Mo, Zn e Mn, ocorrência de doenças. cereja.
respectivamente. A expectativa de aumento em pro-
A produtividade de frutos foi in-
Foi feito o monitoramento da tem- fluenciada tanto pelos híbridos como dutividade com o uso de substratos em
peratura e da umidade relativa do ar pelos substratos, sendo as interações recipientes não foi confirmada. Esse tipo
durante o desenvolvimento da cultura, significativas (Tabela 4). O cultivo de resposta também foi obtido por ou-
utilizando-se um termohigrógrafo ins- em sacos com substrato proporcionou tros autores quando o tomateiro foi cul-
talado no interior do ambiente protegi- menor produtividade do que o culti- tivado em recipientes (Andriolo et al.
do sob um abrigo de madeira a 1,0 m de vo em solo. O híbrido ‘Gisela’ mos- 1997; Andriolo et al. 1999; Fernandes

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MTA Gusmão et al.

Tabela 1. Análises químicas do substrato comercial Rendimax-Estufa®, do solo e da areia. Jaboticabal-SP, UNESP-FCAV, 2000-2001.

*AÑS: Análise não significativa

Tabela 2. Produtividade de frutos de híbridos de tomateiro tipo cereja, em kg m-2, cultivados com substratos compostos por areia,
em ambiente protegido e em diferentes substratos. Jaboticabal-SP, UNESP-FCAV, 2000-2001. bagaço de cana e casca de amendoim
moída. Marouelli et al. (2002b),
fracionaram a irrigação, com ou sem
fertilizantes, seis a 18 vezes ao dia, in-
dicando ser essa prática, ponto chave
para o sucesso do cultivo em substrato.
No presente trabalho, a freqüência de
reposição de água variou de duas a três
vezes ao dia, o que pode ter influencia-
do na produção em sistema de sacos de
*Médias seguidas de mesma letra maiúscula na horizontal ou minúscula na vertical, não cultivo.
diferem entre si, pelo teste de Tukey (P>0,05).
Outro aspecto que merece atenção é
a forma de determinar a reposição de
Tabela 3. Número de frutos por planta produzidos por híbridos de tomateiro tipo cereja, água, via tensiômetros e tanque classe
cultivados em ambiente protegido e em diferentes substratos. Jaboticabal-SP, UNESP-FCAV, A. Fernandes et al. (2002), ressaltam as
2000-2001. dificuldades em se determinar a quanti-
dade de água a aplicar em diferentes
substratos, quando se usa tensiômetros
e tanque classe A. Neste trabalho, pode-
se adicionar os efeitos dos sacos de cul-
tivo e da cobertura do solo com filme
de polietileno, que funcionam como
*Médias seguidas de mesma letra, na vertical, não diferem entre si, pelo teste de Tukey uma barreira à evaporação. Portanto, o
(P>0,05). uso de tanque classe A em trabalhos
dessa natureza não é recomendável.
Andriolo et al. (1997), citam que, no
et al., 2002; Pádua et al. 2002a). Prova- clima, composição da solução nutritiva, manejo da água devem ser evitadas va-
velmente a baixa qualidade dos freqüência de irrigação e fertirrigação, riações bruscas do potencial matricial do
substratos utilizados no Brasil seja uma estado fitossanitário da cultura e seu substrato, especialmente nos períodos de
das razões, por não reunirem um con- potencial genético, os quais certamente forte demanda evaporativa pela atmos-
junto de características físicas, quími- interagem com os substratos utilizados. fera. As condições de temperatura e de
cas e biológicas adequadas. Além dis- Fernandes et al. (2002), concluíram umidade relativa do ar, no período de
so, vários outros fatores influenciaram que o fracionamento da irrigação favo- realização do experimento, foram favo-
o comportamento das plantas, tais como receu a produção de tomate em cultivo ráveis a esses efeitos.

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Produtividade de tomate tipo cereja cultivado em ambiente protegido e em diferentes substratos

Em condições de cultivo em solo, a


distribuição de água ao longo do perfil
é mais abrangente e reduz a possibili-
dade de altas concentrações salinas em
primeiro cultivo, permitindo um maior
desenvolvimento de raízes comparati-
vamente ao sistema de recipientes. Es-
pera-se também, que as concentrações
de CO2 e O2 no ambiente radicular se-
jam favorecidas, enquanto em condições
de sacos de cultivos, deverão haver
adaptações que reduzam esses proble-
mas, o que pode ser obtido por maior
fracionamento da irrigação. Há ainda o
efeito positivo de nutrientes no solo, os
quais também facilitam o desenvolvi-
mento das plantas.
Uma das formas de avaliar a produ-
tividade das culturas é considerando o
seu ciclo, sobretudo sob condições de
ambiente protegido, em razão do eleva-
do custo da área. Fontes (1997), ressal-
ta a importância de analisar o compor-
tamento produtivo do tomateiro, por
meio da produção por hectare ao dia. Em Figura 1. Variações das médias diurnas (A) e noturnas (B) de temperaturas semanais máxi-
tomateiros tipo cereja, em que são cita- mas, médias e mínimas e da umidade relativa do ar, medidas no interior do ambiente prote-
gido. Jaboticabal-SP, UNESP-FCAV, 2000-2001.
das extensões de hastes de até dez
metros e em que o tamanho dos frutos
assume menor importância comercial Tabela 4. Produtividade de frutos de híbridos de tomateiro tipo cereja, em g m-2dia-1, culti-
que os tomates tipo salada, a avaliação vados em ambiente protegido e em diferentes substratos. Jaboticabal-SP, UNESP-FCAV,
da produção em relação não só ao espa- 2000-2001.
ço, mas considerando também o tempo,
permite melhor visualização do cultivo.
Na Tabela 6 pode-se observar que a pro-
dutividade diária manteve as mesmas
tendências comportamentais da produ-
tividade total. Entretanto, os híbridos
‘Sweet Million’ e ‘Cheri’, não diferiram
significativamente quando cultivados
nos diversos substratos avaliados, en-
quanto que ‘Gisela’ e ‘Mascot’ apresen- *Médias seguidas de mesma letra maiúscula na horizontal ou minúscula na vertical, não
taram maior produção em g m-1 dia-1 diferem entre si, pelo teste de Tukey (P>0,05).
cultivados em solos coberto e descober-
to. É possível se observar que os valo-
res de produtividade diária, dos trata- tados com os de outros trabalhos, pode- tomateiro requer temperaturas noturnas
mentos mais produtivos são se observar que são semelhantes aos de entre 15oC e 20oC. A queda de flores em
satisfatórios, estando de acordo com os Pádua et al. (2002a), com cultivo de to- tomateiro pode ser provocada por tem-
padrões de produção no Brasil mate cereja em substrato, e superiores peraturas excessivamente elevadas du-
(Agrianual, 2003). aos de Gusmão et al. (2000a) e Pádua et rante o dia, principalmente acima de 32o
al. (2002b), que trabalharam respecti- C e com mais de três horas. Além de
Quanto ao sistema de cultivo, os
vamente em campo e em casa de vege- provocar a queda de flores, devido a
substratos que possibilitaram maior pro-
tação, avaliando os efeitos da cobertura inviabilidade do pólen e/ou não fertili-
dução em peso, também favoreceram a
do solo com filme de polietileno preto. zação dos óvulos, as temperaturas ele-
formação de frutos por planta em que o
De acordo com Goto (1995), a ca- vadas também prejudicam a fixação dos
solo descoberto foi superior aos demais
pacidade ótima de fixação de frutos em frutos.
(Tabela 5). Comparando-se estes resul-

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MTA Gusmão et al.

O fator genético pode ter interferido FERNANDES C; ARAÚJO JAC; CORÁ JE. MAROUELLI WA; SILVA WLC; SILVA HR.
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