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BOBÓ SEM MANDIOCA

Aos domingos, freqüentemente, eu e minha mãe vamos para a cozinha. Gosto de


cozinhar assim sem compromisso. Experimentamos novos pratos ou repetimos
os que mais gostamos. Somos disciplinadas e sempre seguimos à risca as
receitas. De modo que, é quase impossível não ficar gostoso. Acontece que para
tudo dar certo é necessário ter todos os ingredientes disponíveis. Não somos
muito favoráveis às improvisações.

Certo domingo estava tudo programado para fazermos um bobó de camarão.


Depois de tudo organizado, camarões limpinhos e temperos cortados, percebi
que faltava um ingrediente indispensável, a mandioca. Corri para o mercado e lá
não tinha a mandioca. Mas como?! Não posso fazer bobó sem mandioca! O
vendedor vendo minha aflição ofereceu-me outros legumes. Por que não leva a
batata? Ou o chuchu? Ou a cenoura? Estão fresquinhos! Ora, ora, seu moço, se
eu trocar a mandioca por quaisquer desses outros legumes, não será mais um
bobó. A mandioca é inerente ao bobó. Pode ser tudo, um ensopado, uma sopa,
um cozido, mas NUNCA será um bobó! E eu quero comer bobó. Pois é, parece
bobinha esta cena, mas é assim que eu me sinto ao ver na vitrine da TV, a
variedade de candidatos que se apresentam nesta eleição. Tem de tudo!

Nesta eleição com certeza, temos em nossas mãos a oportunidade de mudar a


configuração política desse país, porque vamos poder escolher (decidir) quem
será o nosso presidente, o nosso governador, os nossos senadores, os nossos
deputados federais e estaduais. Serão estes que darão o norte de toda a política
social e econômica que afetará a nossa vidinha dentro de casa. E isso, é uma
responsabilidade muito grande. Principalmente para nós que temos vivido
tempos de tormentas. Estamos nos acostumando com o mal feito, porque
anestesiados, descrentes e até insensíveis, esfregam em nossa cara, toda sorte
de falcatruas e corrupção. E então eu vejo que para escolher o meu candidato,
preciso saber primeiro o que eu quero (igual ao bobó).

Eu quero um país decente, que garanta a vida digna de todo seu povo. Que
tenha como prioridade a educação, em que a infância seja respeitada desde o
momento de sua concepção, com mães nutridas e com saúde, antes, durante e
após o parto. Quero um país que resolva de vez o problema do analfabetismo,
das filas nos postos de saúde, da falta de remédios, da violência contra a criança,
a mulher e o idoso. Quero todas as crianças com a garantia de poder freqüentar
uma creche, com professores capacitados e respeitados como em outras
profissões, e com salários dignos. Quero jovens saudáveis e livres da droga, com
escolas em tempo integral.

Portanto, o momento é de extrema seriedade. É preciso votar nos candidatos


certos. Naqueles que comunguem, pelo menos, com os nossos valores e sonhos.
Aqui também não dá pra improvisar. É nesta pessoa que vamos depositar toda a
nossa esperança. Não pode ser qualquer um, por falta de opção (lembra da
mandioca?). Porque se for qualquer um, estaremos apenas garantindo a este
cidadão, ou cidadã, quatro ou oito anos de vida boa para si e para os chegados
(cupinchas?!) e não para trabalhar em prol do que acreditamos. Não para
resolver os problemas que consideramos prioritários.

Nesta eleição estou de orelhas em pé e olhos bem abertos, porque se após as


minhas pesquisas, não encontrar um candidato de acordo com os meus
princípios, vou fazer igual ao que fiz com o vendedor do mercado. NÃO ME
SERVE. DESSA VEZ NÃO VOU LEVAR NADA. PORQUE O QUE EU QUERO NÃO ESTÁ
DISPONÍVEL. NÃO ME APETECE.

Tenho convicção de que se fizermos assim, talvez, quem sabe, poderemos estar
contribuindo para melhorar o nível dos candidatos e porque não dizer, dos
partidos políticos, para as próximas eleições.

Não dá mesmo para fazer um bobó com jiló! É indispensável a MANDIOCA.


Capite?!

Ângela Maria Costa


Professora da UFMS/CCHS/DED
lamarc@terra.com.br

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