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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA ____ VARA CÍVEL DA COMARCA

DE.

XXXXXXXXXX, brasileiro(a), casado(a) industriário(a), Carteira de Identidade nº xxxxxx e


CPF nº xxxxxxxx, residente e domiciliado(a), vem à presença de Vossa Excelência, por
seus procuradores, propor:

AÇÃO DE ADIMPLEMENTO CONTRATUAL, PARA COMPLEMENTAÇÃO DA


SUBSCRIÇÃO ACIONÁRIA, DECORRENTE DO CONTRATO “PARTICIPAÇÃO
FINANCEIRA”, contra:

Empresa de telefonia S/A, pessoa jurídica de direito privado, na condição de sucessora


da, endereço, devendo ser citada na pessoa de seu representante legal, pelas razões de
fato e de direito a seguir expostas:

1. DOS FATOS

O(A) Autor(a) é titular da linha telefônica nº 9999999, adquirida antes de 30 de junho de


1997, contrato nº 9999999, pelo qual ficou contratado, além da aquisição da linha telefônica em
questão, a “participação financeira” para a subscrição de ações da empresa Ré, operadora de
telefonia, que serviram para o autofinanciamento da expansão do sistema de telefonia no país, que
perdurou até 30 de junho de 1997.

O contrato de participação financeira, firmado entre o(a) Autor(a) e a empresa operadora


de telefonia, ora Ré, foi uma modalidade de captação de recursos que foi por aproximadamente 30
anos e contribuiu de forma significativa para o financiamento do desenvolvimento das
Telecomunicações no País.

Pelo Contrato de Participação Financeira firmado entre a parte autora e concessionária


de telefonia, a parte autora que aderiu ao plano previamente regrado pela empresa concessionária,

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teria direito à aquisição de linha telefônica, com retribuição do investimento em ações da
concessionária.

Em resumo, as subscrições de capital eram realizadas através de contratos, em que os


recursos capitalizáveis representam os valores recebidos dos promitentes assinantes por via das
participações financeiras contratadas e destinadas a aumento de capital das operadoras, com
retribuição em ações da companhia aos promitentes assinantes.

Destarte, o fato de investir capital em sociedade anônima acarreta duas relevantes


conseqüências legais, sendo a primeira, uma concomitante emissão de ações na quantidade que
corresponder ao quociente da divisão do valor da integralização financeira, pelo valor da ação na
mesma data da integralização do capital aportado através da participação financeira, e a segunda, a
delimitação da data de início da relação societária proporcional ao capital investido.

A quantidade de ações depende do valor integralizado pelo cliente/acionista na data da


comercialização dos contratos de participação financeira.

Contudo, pela inobservância desses procedimentos, vez que a demandada, valendo-se


de prerrogativas estabelecidas por Portarias Ministeriais, vigentes na data da comercialização dos
respectivos contratos de participação financeira, entregaram aos adquirentes uma quantidade menor
de ações do que deveriam receber, causando prejuízos os adquirentes de linhas telefônicas, tendo
em vista que a conversão do valor entregue pelo participante, nunca se dava na data da
comercialização.

2. DA LEGITIMIDADE ATIVA

Os elementos dos contratos juntados comprovam a condição de contratante da parte


autora desincumbindo-lhe, assim, do ônus processual quanto ao fato constitutivo do seu direito (artigo
333, I do CPC).

A parte autora encontra-se legitimada para propor a demanda, pois na época dos fatos
adquiriu as ações da empresa Ré através do contrato de “participação financeira”, conforme pode ser
constatado na documentação anexa.

Vale observar que as ações emitidas encontram-se inscritas no Livro de Registro das
Ações Nominativas, na forma determinada pelo artigo 100 da Lei 6.404/76.

O eg. Superior Tribunal de Justiça, através da sua Segunda Seção, em julgamento


destinado a uniformizar naquela corte tal matéria, entendeu pelo reconhecimento da legitimidade do
cedente para propor ações desta natureza, como se extrai da ementa ora transcrita:

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“SOCIEDADE ANÔNIMA. AÇÕES. CESSÃO. TELECOM. LEGITIMIDADE ATIVA. O
CONTRATANTE QUE TRANSFERIU AÇÕES EMITIDAS PELA SOCIEDADE ANÔNIMA
NÃO PERDE A LEGITIMIDADE PARA REQUERER LHE SEJAM OUTORGADAS AS
REMANESCENTES AÇÕES A QUE SE JULGA COM DIREITO, SALDO ESSE QUE
NÃO FOI OBJETO DO NEGÓCIO DE CESSÃO. RECURSO CONHECIDO EM PARTE E
PROVIDO.” (REsp 453.805/RS, Relator Min. RUY ROSADO DE AGUIAR JÚNIOR)
Grifamos

Por isso, deve ser acatada a orientação do Tribunal Superior, a quem cabe a tarefa de
uniformizar a aplicação do direito federal.

A postulação da complementação da obrigação dá o vínculo de direito material, quanto à


legitimação.

Neste sentido julgou a Colenda 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande
do Sul, assim, em reiteradas oportunidades:

“APELAÇÃO CÍVEL. CRT. AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA. CONTRATO DE


PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA. DIFERENÇA DE AÇÕES SUBSCRITAS PELA CRT.
CONTRATO FIRMADO SOB A ÉGIDE DA PORTARIA N.º 1.361/76. (...) A demandada é
parte legítima a responder a presente demanda, pois foi com ela que a recorrente
firmou o contrato de participação financeira. Ilegitimidade ativa. Alienação das
ações já subscritas em nome do promitente-assinante não implica perda da
legitimidade ativa para reivindicar, em juízo, a diferença de ações que entende fazer
jus. (...) SENTENÇA CONFIRMADA POR SEUS PRÓPRIOS E JURÍDICOS
FUNDAMENTOS. APELAÇÃO DESPROVIDA, AFASTADAS AS PRELIMINARES.”
(APELAÇÃO CÍVEL Nº 599226909, DÉCIMA TERCEIRA CÂMARA CÍVEL, TRIBUNAL DE
JUSTIÇA DO RS, RELATOR: TÚLIO DE OLIVEIRA MARTINS, JULGADO EM
16/11/2004) Grifamos

“AÇÃO PARA SUBSCRIÇÃO DE LOTE COMPLEMENTAR DE AÇÕES COM BASE EM


CONTRATO DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA FIRMADO SOB A ÉGIDE DA
PORTARIA Nº 1361/76. CRT. PRELIMINARES DE ILEGITIMIDADE ATIVA,
ILEGITIMIDADE PASSIVA E IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO AFASTADAS.
PRESCRIÇÃO INCORRENTE. CAPITALIZAÇÃO DO INVESTIMENTO APÓS A
MAJORAÇÃO DO VALOR PATRIMONIAL DA AÇÃO. PREJUÍZO AOS PROMITENTES-
ASSINANTES. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA BOA-FÉ. 1. A mera transferência de
ações a terceiros não veda a possibilidade de postular em juízo o cumprimento das
obrigações decorrentes do contrato, uma vez que não ocorreu a cessão dos
respectivos direitos. (...) DERAM PROVIMENTO AO APELO. UNÂNIME.” (APELAÇÃO
CÍVEL Nº 70001800317, DÉCIMA TERCEIRA CÂMARA CÍVEL, TRIBUNAL DE JUSTIÇA
DO RS, RELATOR: SERGIO LUIZ GRASSI BECK, JULGADO EM 05/10/2004) Grifamos

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“AÇÃO DE ADIMPLEMENTO CONTRATUAL. AÇÕES DA CRT. IMPROCEDÊNCIA.
ILEGITIMIDADE ATIVA. INOCORRÊNCIA. Ainda que tenha ocorrido a venda das
ações por seus primeiros titulares, não houve, entretanto, a cedência de todos os
direitos decorrentes do contrato de participação financeira firmado entre as partes,
limitando-se à operação apenas à transferência do direito do uso da linha
telefônica, o que não torna a parte autora ilegítima para a demanda em tela. (...)
AÇÃO DE CUMPRIMENTO. CONTRATOS DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA COM A
C.R.T. REGIDOS PELA PORTARIA 1.361/76. COMPLEMENTAÇÃO DAS AÇÕES.
VIABILIDADE. PRECEDENTES DA CÂMARA. VOTO VENCIDO. PREFACIAIS
REJEITADAS. UNÂNIME. APELAÇÃO PROVIDA, POR MAIORIA.” (APELAÇÃO CÍVEL
Nº 70003573037, DÉCIMA TERCEIRA CÂMARA CÍVEL, TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO
RS, RELATOR: LAÍS ROGÉRIA ALVES BARBOSA, JULGADO EM 21/10/2003) Grifamos

Além disso, mesmo que o titular das linhas já tenha transferido as ações recebidas, tal
transação tão-somente abrange as ações existentes naquele momento, constante daquelas cautelas
de ações.

Caso contrário, haverá locupletamento sem causa, tendo em vista, que pelo preço pago
por aquele lote de ações, o adquirente não poderá receber ações que sequer se cogitava existirem na
época.

Essa matéria já foi examinada na egrégia Segunda Seção do eg. Superior Tribunal de
Justiça, que proferiu julgamento favorável à tese do(a) Autor(a).

Isso ficou assentado no dia 11/12/2002, no julgamento do RESP nº. 453.805-RS, sob a
relatoria do eminente Ministro Ruy Rosado de Aguiar, publicado no DJ do dia 10/02/2003, em acórdão
assim ementado:

"SOCIEDADE ANÔNIMA. Ações. Cessão. TELECOM. Legitimidade ativa.


O contratante que transferiu ações emitidas pela sociedade anônima não perde a
legitimidade para requerer lhe sejam outorgadas as remanescentes ações a que se
julga com direito, saldo esse que não foi objeto do negócio de cessão.
Recurso conhecido em parte e provido."

Outra do eg. Superior Tribunal de Justiça:

“RECURSO ESPECIAL - PREQUESTIONAMENTO - AUSÊNCIA - SÚMULAS 282 E


356/STF - REVISÃO PROBATÓRIA - INVIABILIDADE - SÚMULA 7/STJ -
LEGITIMIDADE DO ACIONISTA ORIGINÁRIO - PRECEDENTES. (...)
III - A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que
é parte legítima para figurar no pólo ativo da demanda aquele que, acionista

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originário, pleiteia eventual diferença do número de ações subscritas ao tempo do
contrato de participação financeira, mesmo após a alienação das ações.
Precedentes. Agravo interno improvido.” (AgRg no REsp 472741 / RS - AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2002/0135931-9 – Relator Ministro CASTRO
FILHO - T3 - Data da Publicação/Fonte DJ 08.05.2006 p. 195)

“CIVIL. CONTRATO DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA. AÇÕES. ANTIGA CRT.


CESSIONÁRIOS. LEGITIMIDADE ATIVA.
1 - Se os cessionários adquiriram do primitivo proprietário não só as ações, mas
todos os direitos e deveres do contrato de participação financeira, firmado com a
companhia, têm eles legitimidade ativa para postular as diferenças pelo atraso na
integralização das ações.
2 - Essa conclusão não infirma o entendimento pacificado pela Segunda Seção,
tomado em casos onde a venda foi apenas das ações e não dos direitos e deveres
do contrato em si, como ocorre na espécie. As hipóteses fáticas são diferentes.
3 - Agravo regimental não provido.” (AgRg no REsp 687716 / RS - AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2004/0129703-3 – Relator Ministro
FERNANDO GONÇALVES - T4 - Data da Publicação/Fonte DJ 17.10.2005 p. 309)

“PROCESSUAL CIVIL. LEGITIMIDADE ATIVA. CONTRATO. PARTICIPAÇÃO


FINANCEIRA.
1 - Consoante decidido pela Segunda Seção desta Corte, no julgamento do Resp nº
458.053/RS, o "contratante que transferiu ações emitidas pela sociedade anônima
não perde a legitimidade para requerer lhe sejam outorgadas as remanescentes
ações a que se julga com direito, saldo esse que não foi objeto do negócio de
cessão.
2 - Recurso especial conhecido, mas não provido.” (REsp 742393 / RS - RECURSO
ESPECIAL 2005/0060483-4 – Relator Ministro FERNANDO GONÇALVES - T4 - Data da
Publicação/Fonte DJ 05.09.2005 p. 432)

“RECURSO ESPECIAL – AÇÕES DE COMPANHIA TELEFÔNICA – COBRANÇA DE


DIFERENÇA – REJEIÇÃO DA APELAÇÃO MONOCRATICAMENTE PELO RELATOR -
ARTIGO 557, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL – POSSIBILIDADE –
ALIENAÇÃO – LEGITIMIDADE ATIVA – PRECEDENTES - SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES -
PEDIDO JURIDICAMENTE POSSÍVEL – PRECEDENTES. (...)
II - A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que é
parte legítima para figurar no pólo ativo da demanda aquele que pleiteia eventual
diferença do número de ações subscritas ao tempo do contrato de participação
financeira, mesmo após a alienação das ações. (...)
Recurso especial provido.” (REsp 443397 / RS - RECURSO ESPECIAL 2002/0071401-
6 – Relator Ministro CASTRO FILHO - TERCEIRA TURMA - Data da Publicação/Fonte DJ
20.06.2005 p. 266)

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Destarte, por todos os ângulos que se observa, tem-se com legitima a postulação do(a)
Autor(a).

3. DA LEGITIMIDADE PASSIVA DA DEMANDADA

A legitimidade da Brasil Telecom S/A, como companhia demandada, decorre da


celebração do contrato de participação financeira entre o adquirente da linha telefônica e a TELESC,
sucedida pela companhia demandada, gerando efeitos obrigacionais para esta última no tocante ao
lançamento de ações àqueles que integralizaram o capital.

Assim, indiscutível a legitimidade passiva da demandada Brasil Telecom, como sucessora


da companhia extinta. Fica claro que tal pressuposto processual decorre de seu interesse, que se
opõe à pretensão do demandante, e que legitima sua participação na presente demanda.

“PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL E EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.


PREQUESTIONAMENTO. CORRETO. CONTRATO. PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA.
AÇÕES. DIFERENÇA. DIREITO A RECEBIMENTO. VALOR PATRIMONIAL. DATA DA
INTEGRALIZAÇÃO. OMISSÃO INEXISTENTE. AGRAVO REGIMENTAL DA BRASIL
TELECOM S/A. IMPROVIMENTO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA CELULAR
CRT PARTICIPAÇÕES S/A RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL.
PROVIMENTO.
I. Conforme pacificado pela Segunda Seção, o adquirente de linha telefônica, em
contrato de participação financeira firmado com a Brasil Telecom S/A, tem direito a
receber a quantidade de ações correspondente ao valor patrimonial na data da
integralização.
II. Agravo regimental da Brasil Telecom S/A improvido e embargos declaratórios da
CRT Participações S/A recebidos como agravo regimental e provido, para sanar a
dúvida em relação à condenação e a legitimidade passiva da empresa Brasil
Telecom S/A.” (AgRg no Ag 547574 / RS - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE
INSTRUMENTO 2003/0139562-3 – Relator Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR - T4 -
QUARTA TURMA - Data da Publicação/Fonte DJ 30.08.2004 p. 297) Grifamos

4. DA POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO

No que tange à alegada possibilidade jurídica do pedido, é entendimento também


unânime de que perfeitamente viável a determinação judicial de entrega de número de ações, ainda
que daí decorra alterações no capital social da empresa demandada, com a emissão das ações
necessárias, e a decorrente diminuição do valor patrimonial de cada ação, convocando-se a
respectiva assembléia geral para tanto.

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Releva ressaltar a lição do Des. Solon d’Eça Neves, quando assevera que possibilidade
jurídica do pedido não se resume na verificação da previsibilidade legal da pretensão, verbis:

“...a possibilidade jurídica, portanto, não deve ser conceituada, como se tem feito,
com vistas à existência de uma previsão no ordenamento jurídico, que torne o
pedido viável em tese, mas, isto sim, com vistas à inexistência, no ordenamento
jurídico, de uma previsão que o torne inviável. Se a lei contiver um tal veto, será
caso de impossibilidade jurídica do pedido: faltará uma das condições da ação’
(JC 56/262)”. (TJSC - Ap. Cív. n ° 47.118, 1ª Câm. Cív Especial, data da decisão
26/11/97, in banco de dados do TJSC) Grifamos

Por outro lado, merece transcrição trecho do acórdão relatado pelo Des. Carlos Alberto
Alvaro de Oliveira do TJRS:

“As três condições da ação, como sabido, foram incluídas por Alfredo Buzaid,
discípulo fiel de Enrico Tullio Liebman, no anteprojeto de sua autoria, que veio a
redundar no código brasileiro vigente. Por sua vez, o mestre italiano, na célebre
aula inaugural proferida na Universidade de Turim em 24 de novembro de 1949,
L’azione nella teoria de l processo civile (agora, in Problemi del Processo Civile,
Napoli, Morani editore, s/data, p.22-53, esp. 37, 46), definia a possibilidade jurídica
como a “admissibilidade em abstrato do provimento do pedido, segundo as
normas vigentes no ordenamento nacional” e exemplificava com a sentença de
divórcio na Itália e a prisão do devedor inadimplente. Para essa doutrina, o juiz há
de considerar em abstrato a admissibilidade do provimento do pedido, isto é, se
este não se inclui entre os que a autoridade judiciária está expressamente proibida
de emitir.
No caso dos autos, a figura da subscrição pública de ações para aumento de
capital afasta a impossibilidade jurídica do pedido, porque é a própria companhia
que lança os títulos no mercado. A emissão das ações está assim estritamente
vinculada ao capital social. Por sinal, a tendência do direito moderno, tendo em
vista o princípio fundamental da efetividade, inclina-se no sentido de prestigiar a
realização in natura da obrigação.
No plano do direito material, revela-se altamente significativa a lição de Agostinho
Avim (Da compra e venda e da troca, Rio de Janeiro, Forense, 1961, nº 24-B, p. 31),
que vale a pena reproduzir: “As obrigações assumidas devem ser fielmente
executadas. Como conseqüência assiste ao credor o direito de exigir que a
obrigação se cumpra, tal como se convencionou. Alguns Códigos o assinalam, de
modo expresso, ora dizendo que o credor tem o direito de exigir do devedor a
prestação (Cód. Civil alemão, § 241), ora prescrevendo que o devedor está
obrigado a cumprir a obrigação que contraiu (Cód. Civil italiano, de 1865, art.
1.218). O nosso Código não diz, expressamente. Mas ao consignar o princípio
segundo o qual o não cumprimento da obrigação dá ao credor o direito de exigir

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perdas e danos (art. 1.056), não exclui, nem podia excluir o direito que lhe assiste
de exigir, antes de tido, que a obrigação se cumpra tal como se convencionou (cf.
Walter Sterner, in Nuovo Digesto Italiano, v. VIII, p.1.226, nº 73). É que ao legislador
pareceu dispensável exprimir esta regra, uma vez que, segundo a doutrina, ela é
fundamental em matéria de obrigações. (Cf. Beviláquia, Direito das Obrigações, p.
934, Polacco, Il obrigazioni nel direito civile italiano, v. I, nº 56).”
Assim sendo e inexistindo norma no ordenamento jurídico nacional que, em tese,
vede o pedido formulado na inicial, afasto a impossibilidade jurídica do pedido.”
(TJERGS. APELAÇÃO CÍVEL Nº 70006281851. SEXTA CÂMARA CÍVEL. REL.: DES.
CARLOS ALBERTO ALVARO DE OLIVEIRA. JULGADO EM 25.06.2003).”

5. DOS PREJUÍZOS AOS ADQUIRENTES

O fato de investir capital em sociedade anônima acarreta duas relevantes conseqüências


legais, sendo a primeira, uma concomitante emissão de ações na quantidade que corresponder ao
quociente da divisão do valor da integralização financeira, pelo valor da ação na mesma data da
integralização do capital aportado através da participação financeira, e a segunda, a delimitação da
data de início da relação societária proporcional ao capital investido.

A quantidade de ações depende do valor integralizado pelo cliente/acionista na data da


comercialização dos contratos de participação financeira.

Contudo, pela inobservância desses procedimentos, vez que a demandada, valendo-se


de prerrogativas estabelecidas pelas Portarias Ministeriais (Resolução no 18 de 6 de março de 1967
da Contel; Portaria no 643 de 29 de outubro de 1969 do Minicom; Portaria no 415 de 23 de agosto de
1972 do Minicom, Portaria no 1.181 de 25 de outubro de 1974 do Minicom, Portaria no 1.361 do
Minicom; Portaria no 881 de 7 de novembro de 1990 do Minfra; Portaria no 49 de 16 de maio de 1994
do Minfra; Portaria no 86 de 17 de julho de 1991 do Minfra; Portaria no 105 de 5 de agosto de 1991
do Minfra e Portaria no 1.028 de 20 de agosto de 1996 do Minfra), vigentes na data da
comercialização dos respectivos contratos de participação financeira, entregaram aos adquirentes
uma quantidade menor de ações do que deveriam receber, causando prejuízos os adquirentes de
linhas telefônicas, tendo em vista que a conversão do valor entregue pelo participante, nunca se dava
na data da comercialização.

A propósito, vale transcrever:

Portaria nº 1.361, de 15 de dezembro de 1976:

“6.1.1 - Os prazos de capitalização serão fixados pela TELEBRÁS, não podendo


exceder a 12 (doze) meses da integralização do valor da participação financeira ou
da rescisão do contrato.”

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Norma n.º 03/91, aprovada pela Portaria nº 86, de 17 de julho de 1991:

"5.1.1 – A capitalização deverá ser efetuada com base no valor patrimonial da


ação, apurado no primeiro balanço elaborado e auditado após a integralização da
participação financeira."

Noutras palavras, pelas regras estabelecidas pelas referidas portarias, a quantidade de


ações que deveria ser entregue a cada adquirente de linha telefônica, pelo plano de expansão, deve
representar o quociente da divisão do valor daquilo que ele pagou na aquisição da linha, inclusive
juros, atualizado monetariamente, pelo valor patrimonial da ação, no prazo de 12 meses após a
integralização do valor da participação financeira (Portaria nº 1.361, de 15 de dezembro de 1976), ou
apurado no primeiro balanço após a integralização da participação financeira (Portaria nº 86, de 17
de julho de 1991).

Tome-se exemplo aleatório de participante que haja adquirido, à vista, a sua linha
telefônica pelo plano de expansão, no final do ano de 1996, não incidindo, portanto, nesse caso
hipotético, nem juros nem atualização monetária.

Pois bem, como se sabe, o valor da linha telefônica à vista era, naquela época,
aproximadamente R$ 1.117,63 (um mil, cento e dezessete reais e sessenta e três centavos) e os
valores patrimoniais das ações da COMPANHIA na data integralização da participação financeira era
de aproximadamente, de R$ 86,26 para cada lote de 1.000 ações, e de R$ 126,91, para cada lote de
1.000 ações, ao final de 12 meses, ou conforme balanço patrimonial.

Assim, o hipotético adquirente do exemplo dado receberia o total de 12.955 ações se


convertidas na data da integralização da participação financeira.

Porém receberia somente 8.806 ações se convertidas 12 meses após a integralização,


ou se convertidas pelo valor patrimonial apurado após o primeiro balanço seguinte à integralização,
ou seja, número de ações significativamente menor do deveria receber.

No caso dos autos está evidente o prejuízo sofrido pela parte autora. A data da
assinatura do contrato se deu em xxxxxxxx, sendo que a capitalização se deu somente em
xxxxxxxx, donde resultou a quantidade de ações emitidas.

Destarte, revela-se com meridiana clareza o prejuízo sofrido pelo consumidor.

Com esse sofisma a empresa Ré lesou milhares de acionistas, cujos investimentos


somente eram convertidos em capital social, na contabilidade, depois de “12 (doze) meses da
integralização do valor da participação financeira...”, ou “apurado no primeiro balanço
elaborado e auditado após a integralização da participação financeira.", pois somente então
emitia as ações, cujo valor nominal já se encontravam ultrapassado, ocasionando aos acionistas

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duplo prejuízo, pois além de receberem menor quantidade de ações, ainda tinham retardado os
efeitos da relação societária.

Neste sentido, a empresa Ré, descumpriu as regras expressas nos artigos 1º e 12 da lei
6.404/76, bem como afrontou o principio consubstanciado no artigo 115 do CCB ao manobrar, de
forma que os efeitos do ato jurídico de subscrição se sujeitassem ao seu único e exclusivo arbítrio.

Se a parte autora, para obter um direito de uso de um serviço público concedido estava
legalmente obrigada a subscrever capital em uma sociedade anônima (CF § 1º do artigo 173), é justo
que ao menos seja-lhe reservado o direito de receber a quantidade de ações prometidas.

Tendo em vista que a companhia, e seus demais acionistas, dentre eles o Estado, que
era o acionista controlador na época, enriqueceram a custa dos acionistas que receberam um número
muito menor de ações do que aquele que fazia jus, segundo o montante que pagaram (considerando
o valor da ação na data do pagamento da integralização), conseqüentemente, devem ser reparados
mediante o reconhecimento de seu direito.

6. DO DIREITO

A parte autora aderiu a plano previamente regrado pela empresa Ré, no qual teria direito
à aquisição de linha telefônica e retribuição em ações da concessionária.

Esta, valendo-se da qualidade de mandatária da parte autora para realizar a subscrição,


realizou a conversão da pecúnia em ações em momento desfavorável para os adquirentes;
considerando a data do pagamento integral do contrato de participação financeira e os valores das
ações nesta data.

Resta evidente que o mesmo não ocorreria se a Ré agisse observando a boa-fé objetiva,
o que ocasionou à parte autora conseqüente prejuízo quanto ao número de ações subscritas.

Gize-se que o valor pago não acompanhou o valor das ações que ia num crescendo, o
que resultou no enriquecimento indevido por parte da concessionária.

Nesse contexto, é cabível a complementação de ações, porquanto a data da


integralização é que deve ser considerada para o efeito de cálculo do valor da ação para fins de
retribuição.

Consoante jurisprudência hoje predominante no eg. STJ, o adquirente de linha telefônica


tem o direito a receber a quantidade de ações correspondentes ao valor patrimonial destas, na data
da integralização, sob pena de enriquecimento sem causa da companhia:

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“PROCESSUAL CIVIL - AGRAVO REGIMENTAL - BRASIL TELECOM - CONTRATO -
PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA - AÇÕES - CORREÇÃO MONETÁRIA - VALOR
PATRIMONIAL - DATA DA INTEGRALIZAÇÃO.
- O número de ações deve corresponder ao valor patrimonial na data da
integralização do capital.
- A determinação do critério de avaliação patrimonial dessas ações pressupõe o
exame do contrato.” (AgRg no Ag 760701 / RS - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO
DE INSTRUMENTO 2006/0082356-0 - Relator Ministro HUMBERTO GOMES DE
BARROS - T3 - Data da Publicação/Fonte DJ 11.09.2006 p. 271)

“EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRATO DE


PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES. DIREITO À
COMPLEMENTAÇÃO. PORTARIA 86/91.
1. “Consoante entendimento pacificado no âmbito da Segunda Seção, em contrato
de participação financeira, firmado entre a Brasil Telecom S/A e o adquirente de
linha telefônica, este tem direito a receber a quantidade de ações correspondente
ao valor patrimonial na data da integralização, sob pena de sofrer severo prejuízo,
não podendo ficar ao alvedrio da empresa ou de ato normativo de natureza
administrativa o critério para tal, em detrimento do valor efetivamente
integralizado” (REsp 500.236/RS).
2. A alegação de que o contrato se rege pela Portaria 86/91 não altera o
entendimento sobre a questão. Embargos declaratórios recebidos como
regimental. Improvido.” (EDcl no Ag 578428 / RS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO
AGRAVO DE INSTRUMENTO 2004/0000179-8 – Relator Ministro BARROS MONTEIRO -
T4 - Data da Publicação/Fonte DJ 19.12.2005 p. 415)

“AGRAVO REGIMENTAL. CONTRATO DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA.


SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES. DIREITO À COMPLEMENTAÇÃO. PRECEDENTES.
- Consoante entendimento pacificado no âmbito da Segunda Seção, em contrato de
participação financeira, firmado entre a Brasil Telecom S/A e o adquirente de linha
telefônica, este tem direito a receber a quantidade de ações correspondente ao
valor patrimonial na data da integralização, sob pena de sofrer severo prejuízo, não
podendo ficar ao alvedrio da empresa ou de ato normativo de natureza
administrativa o critério para tal, em detrimento do valor efetivamente
integralizado” (REsp 500.236/RS). Precedentes. Agravo regimental improvido.”
(AgRg no Ag 577605 / RS - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO
2003/0231731-2 - T4 - QUARTA TURMA - Relator(a) Ministro BARROS MONTEIRO -
Data da Publicação/Fonte DJ 29.08.2005 p. 351)

“PROCESSUAL CIVIL - AGRAVO REGIMENTAL - BRASIL TELECOM - CONTRATO -


PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA - AÇÕES - CORREÇÃO MONETÁRIA – VALOR
PATRIMONIAL - DATA DA INTEGRALIZAÇÃO.

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- O número de ações deve corresponder ao valor patrimonial na data da
integralização do capital.
- A determinação do critério de avaliação patrimonial dessas ações pressupõe o
exame do contrato. Incidência da Súmula 5.” (AgRg no REsp 713756 / RS - AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2004/0183818-6 – Relator Ministro
HUMBERTO GOMES DE BARROS - T3 - TERCEIRA TURMA - Data da Publicação/Fonte
DJ 20.06.2005 p. 285)

“PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL E EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.


PREQUESTIONAMENTO. CORRETO. CONTRATO DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA.
AÇÕES. DIFERENÇA. PRETENSÃO DE INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA
DO VALOR PATRIMONIAL DA AÇÃO. INOVAÇÃO E DESCABIMENTO. OMISSÃO
INEXISTENTE. CONTRATO DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA. AÇÕES. DIFERENÇA.
DIREITO A RECEBIMENTO. VALOR PATRIMONIAL. DATA DA INTEGRALIZAÇÃO.
EXECUÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DA BRASIL TELECOM S/A. IMPROVIMENTO.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL.
IMPROVIMENTO.
I. Conforme pacificado pela Segunda Seção, o adquirente de linha telefônica, em
contrato de participação financeira firmado com a Brasil Telecom S/A, tem direito a
receber a quantidade de ações correspondente ao valor patrimonial na data da
integralização.
II. Constitui entendimento firmado, à unanimidade, pela 2ª Seção do STJ, em caso
igual, que: "a questão relativa à correção monetária do valor patrimonial da ação
constitui inovação introduzida pela ora agravante, tendo em vista que referida
matéria não foi trazida anteriormente e, por isso, não examinada pelas instâncias
ordinárias, escapando, portanto, à apreciação desta Corte. De toda forma, a
atualização monetária do investimento nada tem a ver com a fixação do valor
patrimonial da ação, apurado com base em critérios totalmente distintos.
Inexistência de relação entre o valor patrimonial da ação e a variação do poder
aquisitivo da moeda" (AgR-AG n. 585.704/RS, Rel. Min. Barros Monteiro, DJU de
29.11.2004).
III. Agravo regimental da Brasil Telecom S/A improvido.
IV. Embargos declaratórios de Mário de Boni CIA Ltda recebidos como agravo
regimental, improvido este.” (AgRg no Ag 621948 / RS - AGRAVO REGIMENTAL NO
AGRAVO DE INSTRUMENTO 2004/0109416-2 – Relator Ministro ALDIR PASSARINHO
JUNIOR (1110) - T3 - TERCEIRA TURMA - Data da Publicação/Fonte DJ 11.04.2005 p.
312)

“PROCESSO CIVIL - AGRAVO DE INSTRUMENTO - NEGATIVA DE PROVIMENTO -


AGRAVO REGIMENTAL - BRASIL TELECOM - CONTRATO – PARTICIPAÇÃO
FINANCEIRA - SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES - VALOR PATRIMONIAL - DATA DA

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INTEGRALIZAÇÃO - CORREÇÃO MONETÁRIA - AUSÊNCIA DE
PREQUESTIONAMENTO - SÚMULA 211/STJ - DESPROVIMENTO.
1 - Conforme entendimento pacificado na Egrégia Segunda Seção desta Corte, em
contrato de participação financeira, firmado entre a Brasil Telecom S/A e o
adquirente de linha telefônica, este tem direito a receber a quantidade de ações
correspondente ao valor patrimonial na data da integralização. Precedentes (REsp
470.443/RS, AgRg Ag nºs 550.531/RS e 576.728/RS).
2 - Não enseja interposição de Recurso Especial matéria (aplicação de correção
monetária ao valor patrimonial da ação) não ventilada no v. julgado atacado,
estando ausente o prequestionamento. Aplicação da Súmula 211/STJ. Precedente
(AgRg Ag 585.704/RS).
3 - Ademais, inexiste qualquer relação entre o valor patrimonial da ação e a
variação do poder aquisitivo da moeda. A atualização monetária do investimento é
apurada com base em critério distinto do da fixação do referido valor patrimonial.
4 - Agravo Regimental desprovido.” (AgRg no Ag 634660 / RS - AGRAVO
REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2004/0145082-5 – Relator Ministro
JORGE SCARTEZZINI - T4 - QUARTA TURMA - Data da Publicação/Fonte DJ
28.03.2005 p. 281)

“AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROVIMENTO PELO RELATOR.


JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA. AGRAVO IMPROVIDO.
"Consoante entendimento pacificado no âmbito da Segunda Seção, em contrato de
participação financeira, firmado entre a Brasil Telecom S/A e o adquirente de linha
telefônica, este tem direito a receber a quantidade de ações correspondente ao
valor patrimonial na data da integralização, sob pena de sofrer severo prejuízo, não
podendo ficar ao alvedrio da empresa ou de ato normativo de natureza
administrativa, o critério para tal, em detrimento do valor efetivamente
integralizado." (Resp n. 500.236/RS, relator para acórdão Ministro Fernando
Gonçalves, DJ de 01.12.02). Subsistente o fundamento da decisão agravada, nega-
se provimento ao agravo.” (AgRg no REsp 650229 / RS - AGRAVO REGIMENTAL NO
RECURSO ESPECIAL 2004/0051177-3 – Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA - T4 -
QUARTA TURMA - Data da Publicação/Fonte DJ 17.12.2004 p. 579)

“Contrato de participação financeira. CRT. Brasil Telecom. Precedentes da Corte.


1. A Segunda Seção já assentou que em casos como o presente, o "contratante tem
direito a receber a quantidade de ações correspondente ao valor patrimonial na
data da integralização, sob pena de sofrer severo prejuízo, não podendo ficar ao
alvedrio da empresa ou de atividade normativa de natureza administrativa, o
critério para tal, em detrimento do valor efetivamente integralizado" (REsp n°
470.443/RS, de minha relatoria. DJ de 22/9/03; REsp n° 489.916/RS, de minha
relatoria, DJ de 20/10/03; REsp n° 469.410/RS, de minha relatoria, DJ de 6/10/03;
REsp n° 460.278/RS, de minha relatoria, DJ de 6/10/03).

13
2. Não existe qualquer violação de dispositivo de lei federal com a imposição da
multa cominatória para o cumprimento da obrigação no processo de
conhecimento, sendo impertinente a alegação de que somente poderia ser imposta
quando da execução.
3. Não existe a prescrição da Lei das Sociedades por Ações quando não se trata de
anulação de ato de assembléia geral.
4. Recurso especial não conhecido.” (REsp 615181 / RS - RECURSO ESPECIAL
2003/0221054-6 – Relator Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO - T3 -
TERCEIRA TURMA - Data da Publicação/Fonte DJ 11.10.2004 p. 322)

“RECURSO ESPECIAL – AÇÕES DE COMPANHIA TELEFÔNICA – COBRANÇA DE


DIFERENÇA – REJEIÇÃO DA APELAÇÃO MONOCRATICAMENTE PELO RELATOR -
ARTIGO 557, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL – POSSIBILIDADE –
ALIENAÇÃO – LEGITIMIDADE ATIVA – PRECEDENTES - SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES -
PEDIDO JURIDICAMENTE POSSÍVEL – PRECEDENTES.
I – Verificando o relator ser dominante a matéria no tribunal, pode,
monocraticamente, negar seguimento ao recurso, à luz do disposto no caput do
artigo 557 do Cód. de Proc. Civil.
II - A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que é
parte legítima para figurar no pólo ativo da demanda aquele que pleiteia eventual
diferença do número de ações subscritas ao tempo do contrato de participação
financeira, mesmo após a alienação das ações.
III - 'O autor, que assinou o contrato de participação financeira e permanece como
titular das ações, não encontra empeço no ordenamento jurídico para buscar o
direito que julga ter; ausente, portanto, a alegada impossibilidade jurídica do
pedido'.(RESP Nº 470.443/RS). Recurso especial provido.” (REsp 443397 / RS -
RECURSO ESPECIAL 2002/0071401-6 – Relator Ministro CASTRO FILHO - T3 -
TERCEIRA TURMA - Data da Publicação/Fonte DJ 20.06.2005 p. 266)

“Contrato de participação financeira. Impossibilidade jurídica do pedido.


Prescrição. Código de Defesa do Consumidor. Súmula nº 05 da Corte.
1. Não há falar em violação dos artigos 165, 458 e 535 do Código de Processo Civil
quando o acórdão recorrido está amplamente fundamentado, decidindo a lide
como posta em Juízo.
2. A impossibilidade jurídica do pedido não tem lugar para florescer neste feito,
porque o que os autores desejam, cobertos pelo ordenamento jurídico, é escapar
do prejuízo em decorrência de contrato para aquisição e utilização de serviços
telefônicos, sob a modalidade de participação financeira.
3. A prescrição não existe, o pedido está fora do alcance dos dispositivos que
cuidam da anulação de atos das assembléias gerais da sociedade.
4. Interpretando o acórdão recorrido o contrato assinado entre as partes, o especial
fica obstruído (Súmula nº 05 da Corte).

14
5. Identificada a incidência do Código de Defesa do Consumidor, diante da própria
natureza do contrato para aquisição e utilização de linha telefônica, não há como
escapar do detalhado exame da abusividade feito pelo acórdão recorrido.
6. Recurso especial não conhecido.” (REsp 489916 / RS - RECURSO ESPECIAL
2002/0155338-5 – Relator Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO - T3 -
TERCEIRA TURMA - Data da Publicação/Fonte DJ 20.10.2003 p. 272)

Ainda do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul:

“APELAÇÃO CÍVEL. BRASIL TELECOM. AÇÃO DE ADIMPLEMENTO CONTRATUAL.


PRELIMINARES AFASTADAS. MÉRITO PROVIDO, CONFORME ORIENTAÇÃO DO
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ILEGITIMIDADE ATIVA. Entendimento do STJ
pelo reconhecimento da legitimidade do cedente para propor ações desta natureza.
Precedentes da 13ª C.C. ILEGITIMIDADE PASSIVA. A companhia apelada é titular do
interesse que se opõe àquele da parte autora, tendo a legitimidade para responder
em juízo o pedido de complementação da subscrição acionária decorrente do
contrato firmado. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. Ao adquirente das
ações, prejudicado por comportamento da sociedade, é indiferente a questão
atinente à proporção entre as espécies de ações e autorizações necessárias à
sociedade. De qualquer sorte, o pedido não é vedado por lei. DO MÉRITO. A
prescrição não ocorreu na espécie, pois não se pretende anular deliberação
assemblear. Busca-se sim, com base nos contratos firmados, diferença de
subscrição de ações, sob alegação de esta não ter se dado em sua integralidade.
Respeitante à questão de fundo, o contratante tem direito a receber a quantidade
de ações correspondentes ao valor patrimonial na data da integralização, conforme
assinala a jurisprudência consolidada do Egrégio Superior Tribunal de Justiça.
PRELIMINARES REJEITADAS. APELO PROVIDO EM PARTE.” (Apelação Cível Nº
70002797827, Décima Terceira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Léo
Romi Pilau Júnior, Julgado em 30/08/2005)

7. DA INDENIZAÇÃO DOS DIVIDENDOS

Desde a subscrição das ações até hoje, foram distribuídos dividendos de acordo com o
número de ações que foram subscritas para cada um dos aderentes pela Brasil Telecom S/A.

A parte autora sofreu um prejuízo que deverá ser ressarcido pela ré, em forma de
indenização, porque recebeu dividendos somente sobre parte das ações que teria direito em face do
contrato firmado.

Os dividendos serão apurados em liquidação de sentença.

8. DO PEDIDO

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ANTE O EXPOSTO, requer:

1) A total procedência do pedido, para, a final, condenar a Ré:

a) no cumprimento integral do contrato de participação financeira, firmado entre parte


autora e a Ré quando da aquisição da linha telefônica titularizada por aquela, consistente em
subscrever em nome do(a) Autor(a) a diferença de ações do mesmo tipo e espécie daquelas já
entregues em número menor, requerendo seja apurado em liquidação de sentença, observando-se o
valor patrimonial do título acionário na data da integralização do capital, tomando por base o balanço
apurado no final do exercício social imediatamente anterior ao da realização do contrato;

a.1) Na hipótese em que a integralização ocorreu em parcelas, somente na data do último


pagamento é que restou aperfeiçoado o direito à subscrição das ações, neste caso, requer que o
valor patrimonial do título acionário seja considerado na data do pagamento da última parcela,
tomando por base o balanço apurado no final do exercício social imediatamente anterior ao da
realização integral do contrato, devendo, contudo, ser observada a correção monetária das parcelas
anteriores, se necessário, procedendo-se às devidas anotações no livro de subscrição do capital
acionário, e a emissão do correspondente certificado de propriedade de ações, ou;

a.2) Não havendo o cumprimento da emissão acionária ordenada, requer que a obrigação
seja convertida em perdas e danos, ao preço do mercado de venda das ações, do dia em que
transitar em julgado a decisão, cuja execução deverá observar os ditames do art. 633 caput e § único
do CPC, devendo incidir atualização monetária e juros legais a partir da data da conversão.

a.3) Indenizar pelo valor dos dividendos que a parte autora tem direito sobre a diferença
de ações da Brasil Telecom S/A, devidamente corrigidos pelo IGPM e acrescido dos juros legais, que
serão apurados em liquidação de sentença, observada a prescrição.

b) no pagamento das custas do processo e a honorários advocatícios arbitrados sobre o


valor da condenação, segundo o justo critério de Vossa Excelência, observando o que dispõe o § 3º
do artigo 20 do CPC e a dignidade profissional.

2) A citação da Ré nos moldes dos artigos 221, I e 223, parágrafo único, no endereço
supra declinado para, querendo, ofereça resposta no prazo facultado em lei, sob pena de revelia e de
serem aceitos, como verdadeiros, os fatos articulados.

3) Permitir, havendo necessidade de instrução, ampla produção de provas, em especial


oitiva testemunhas; realização de perícias junto a Ré; juntada de novos documentos; depoimento
pessoal do representante legal da Ré; e tudo mais que o contraditório dos autos vier a exigir, ou seja,
a apresentação de todas as provas em direito admitidas.

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4) A concessão do benefício da assistência judiciária gratuita, declarando o(a) Autor(a),
para os devidos fins e sob as penas da lei, que não possui condições de arcar com as custas
processuais e honorários advocatícios da presente AÇÃO, que ora move contra a Brasil Telecom,
sem prejuízo de seu próprio sustento e de sua família, pelo que necessita dos benefícios da
Assistência Judiciária Gratuita, por ser pobre na acepção legal do termo.

Dá à causa o valor de R$ 350,00 (trezentos e cinqüenta reais).

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

Local, data.

Advogado
OAB

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