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O Caso dos Denunciantes Invejosos

O contexto social anterior ao cenário do caso dos denunciantes invejosos é um país


com regime democrático, constitucional e pacífico, porém se iniciaram crises de
cunho econômico. A partir daí surgiram conflitos de ordem ideológica, político,
econômico e religioso.Nesse cenário, ganhou destaque um líder de um partido
político (os “Camisas-Púrpuras”), que venceu as eleições em decorrência de suas
promessas improváveis, falsificações engenhosas e intimidação da população.
Porém, quando chegaram ao poder, não se interessaram por modificar
a Constituição do país. Entretanto, o país estava sob regime de terror, em que as
garantias fundamentais foram abolidas e quem contrariava o governo era torturado e
morto. Os partidos de oposição foram desmantelados. As pessoas que burlavam a
lei com o intuito de proteger a pátria contra a subversão eram anistiadas. Esses
denunciantes passaram a ser chamados de Denunciantes Invejosos.Após o
completo caos e negligência quanto aos direitos fundamentais, retornou-se a um
governo democrático e constitucional e formou-se um movimento que exigia a
punição dos Denunciantes Invejosos. Porém as opiniões sobre o assunto são
controversas.

Primeiro Deputado

O primeiro deputado deixa claro sua posição contrária à punição dos


Denunciantes Invejosos visto que estes agiam em conformidade com os princípios
legais vigentes na época. Embora fossem princípios divergentes do atual, eram
vigentes.Apesar de o deputado os considerar repugnantes, nos convida a pensar na
diferença entre a filosofia do partido anterior e de seu atual, e, segundo ele, a
diferença consiste no fato deles tolerarem expressões de pensamento divergentes,
enquanto o partido dos “Camisas-Púrpuras” não o faziam. Enfatiza que o sistema de
governo de seu tempo considera o direito flexível e com variadas finalidades.Assim,
conclui que, caso façam um julgamento dos atos praticados durante aquele regime,
estariam burlando seus próprios princípios e fazendo exatamente o que criticam no
governo dos “Camisas-Púrpuras”.

Segundo Deputado

Apesar de ter chego à mesma conclusão do primeiro deputado, este


raciocinou de uma forma inteiramente diferente, pois pensa ser absurdo considerar
aquele regime como um governo legal. Isso porque um governo legal pressupõe leis
que sejam conhecidas, certa uniformidade na atuação do governo, ausência de
poderes atuando fora da lei. Assim, quando os “camisas-púrpuras” assumiram o
poder, deixou de existir o direito, ou seja, houve uma suspensão do Estado de
Direito. Durante aquele período houve, na verdade, uma guerra de todos contra
todos. Portanto os atos dos “Denunciantes Invejosos” era mais uma fase dessa
guerra. Segundo este deputado, julgar os “Denunciantes Invejosos” seria como
tentar julgar atos de sobrevivência na selva. Dessa forma, conclui que esses
acontecimentos devem ser esquecidos, pois não foram legais nem ilegais, apenas
não estavam sob um Estado de Direito.

Terceiro Deputado
O terceiro deputado acha absurdo as conclusões dos dois primeiros
deputados, isso porque ambos partem de pressuposições equivocadas.Segundo
este deputado, os “Camisas-Púrpuras” não estavam completamente fora da lei (não
havia uma guerra de todos contra todos), nem completamente de acordo com ela.
Muitos casos da vida cotidiana civil mantiveram-se os mesmo. Contudo, não pode-se
dizer que os atos de tortura e execução cometidos pelos agentes do partido foram
atos legais. Assim, o terceiro deputado pensa ser prudente fazer as devidas
distinções entre os envolvidos, mas essa discussão deve seguir à justiça.Em sua
opinião, o caso do homem que denunciou o marido de sua amada foi um ato
perverso que deve ser punido pelos meios legais, pois este homem utilizou-se do
regime vigente para atingir suas intenções criminosas. Existem outros casos
igualmente claros quanto aos homicídios, outros, porém, não tão claros, pois muito
denunciantes não atuavam com a finalidade de atingir um objetivo pessoal e sim de
contribuir com o sistema político opressor.

Quarto Deputado

Para este deputado, se fosse aplicado o que propõe o deputado anterior,


estaríamos diante dos mesmos atos e pensamentos do governo dos Camisas-
Púrpuras, pois estariam escolhendo o que lhes interessa do Direito. Ou seja, certo
direito seria implementado, outro não, isso sem dedução lógica, apenas por
arbitrariedade. A única solução vislumbrada pelo quarto deputado é a criação de
uma lei especial para estudar os casos de forma detalhada e abrangente. Assim não
tratariam os denunciantes invejosos como homicidas comuns, afinal a vítima era
julgada em uma ação criminal.

Quinto Deputado

Este deputado critica o anterior, pois acredita que criar uma legislação
específica para esse caso instabiliza as relações jurídicas, além disso, ao criarem
uma lei penal retroativa, estariam agindo da mesma forma que os Camisas-
Púrpuras. Observando o contexto, o deputado julga normal a conduta desse
partido.O quinto deputado acredita que o problema dos Denunciantes Invejosos está
se resolvendo sem a intervenção estatal, pois a população já esta tratando do
assunto. Ele admite que haverá algumas confusões, mas, pelo menos, o Estado não
estará envolvido.

Professor Goldenage

Em seu parecer, o professor Goldenage faz uma menção histórica à


transferência do poder de produzir as leis do judiciário para o legislativo. Segundo
ele, o operador do direito ficou escravizado pelos ditames do legislativo após essa
transferência. Contudo, os operadores do Direito, não sendo “caixas de ressonância
que reproduzem a vontade do legislativo”, não devem se prender ao
conservadorismo legislativo. Não devemos respeitar leis cínicas, injustas e que
violam princípios fundamentais do Direito por causa da frívola vontade do legislador.

Sobre o caso dos Denunciantes Invejosos, Goldenage diz se tratar de crimes


hediondos que merecem severa punição, sendo que o mesmo tratamento deve ser
estendido àqueles que contribuíram para as injustiças deste governo (inclusive os
que aplicaram essa legislação, pois se submeteram a tal imoralidade).Este professor
enfatiza para o fato de que o Direito é necessariamente justo, se houver injustiça,
não se trata de Direito. Assim sendo, quem participou da criação daquela legislação
criminosa deve sofrer sanções judiciais como destruidor do sentimento de justiça e
do sagrado direito à vida. Mesmo aqueles que denunciaram para agradar o governo
devem ser punidos, pois não aplicaram o Direito.

Professor Wendelin

O professor Wendelin critica Goldenage, dizendo ter este um pensamento


medieval em que se distingue com clareza os conceitos de justo e injusto, quando,
para ele, estes são conceitos extremamente relativos. Esse professor lembra que a
linguagem dos juristas tem múltiplos significados, com palavras instáveis e mutáveis,
e que não existe justiça nem certeza na aplicação do Direito. A decisão do juiz será
considerada a verdade, pois é ele que dará sentido às palavras do legislador.

Wendelin acredita ser mais adequada a proposta que prevê a impunidade dos
Denunciantes Invejosos. Isso porque o aquele regime foi eleito por voto popular e
tinha grande apoio social. Contudo, ao perderem o poder foram taxados como
traidores e criminosos, sendo que aplicavam a lei que não só estava em vigor, como
também era legítima.

Diante de sua convicção de que o Direito é extremamente maleável, de que


não há verdade absoluta e nem indiscutível, Wendelin concluiu que punir os
Denunciantes Invejosos seria acreditar no mito da justiça e que o governo atual seria
o detentor da verdade absoluta. Segundo Wendelin, “esse episódio mostra
simplesmente que o direito é um instrumento que cada grupo social utiliza para
alcançar suas finalidades”.

Professora Sting

Essa professora faz constantes questionamentos sobre aposição da mulher nesse


cenário da sociedade machista. Ela lembra que durante toda essa discussão a
respeito dos denunciantes invejosos, apenas uma vez uma mulher foi citada (no
caso da disputa dos dois homens pela “mulher-objeto”).

Se o homem que denunciou o marido de sua amante não for punido, os homens, ao
se sentirem inseguros quanto seu direito de propriedade sobre as mulheres,
reivindicarão. Com a punição do denunciante a ordem social voltaria ao normal.
Assim, estaríamos agindo como o criminoso que se aproveitou das normas vigentes
para se apoderar da mulher. Em um novo regime de governo que promete ser mais
democrático, igualitário e libertador, a professora sugere que devemos tratar de
temas mais urgentes e importantes do que dos denunciantes invejosos, como, por
exemplo, a desigualdade de gênero, tão latente na nossa sociedade.

Dessa forma, duas medidas devem ser tomadas: governo deve fazer declarações
que condenem a utilização do direito para fins opressores e convocar uma comissão
para fazer uma reforma completa no ordenamento jurídico (com isso, expurgar
normas que legitimam a dominação masculina).

Professor Satene

O professor Satene lembra de um caso na época da Alemanha Nazista, no qual a


mulher, com intuito de se livrar do marido, o denuncia para o governo. Após o fim do
regime, no tribunal, a mulher foi condenada, pois sua denuncia contrariava o
sentimento de justiça. Na Alemanha, os denunciantes invejosos foram condenados
sob a justificativa de que não se pode utilizar o ordenamento jurídico em vigor para
satisfazer sentimentos vingativos e ódio.

Para esse professor, aos denunciantes invejosos devem ser impostas severas
sanções, pois eles contrariaram a lei moral, além disso, estavam em pleno controle
da situação, o Estado foi apenas o meio para o crime. Contudo ele discorda da
decisão alemã em não condenar os juízes que aplicavam tal direito injusto; para
Satene, quem aplica leis amorais também devem ser punidos.

Professora Bernadotti

A professora Bernadotti critica severamente a opinião de Goldenage e Satene, pois


vê o direito como a vontade dos poderosos uma vez que é produto das lutas
políticas. Até porque, segundo ela, em nossa sociedade existem interesses e valores
contraditórios. Sendo assim o direito seria meio de beneficiar os poderosos (brancos,
ricos e homens).

Bernadotti questiona a punição dos denunciantes invejosos e lembra que eles


apenas seguiram o direito em vigor. Enfatiza ainda que o nosso direito é um direito
formal, ou seja, avalia o que a pessoa faz e não o porquê faz, não avalia a
moralidade de cada um. Apesar de os Camisas-Púrpuras terem aplicado um direito
que pode ser considerado imoral, não significa que o direito deles não era válido.
Porém isso não significa que não podemos tomar providências a respeito a esse
governo. O que Bernadotti propõe a elaboração de uma nova constituição para que o
direito anterior seja esquecido e anulado. Todos os colaboradores do antigo regime
devem sofrer sanções de ordem política (suspensão de direitos políticos), assim
haverá uma possibilidade de rompimento com o passado e pacificará a sociedade
que está revoltada com os abusos do período anterior.