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Aula 01

Jurisprudências STF e STJ: Leis Penais, Direito Penal e Processo Penal p/ Carreiras
Policiais

Professores: Alexandre Herculano, Vinicius Silva


Jurisprudências (STF e STJ) L. Penais, D. Penal e D. Processual Penal p/ Carreiras Policiais.
Teoria e Exercícios
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Aula 01 - Princípios do Direito Penal (parte 2), Ação

Penal e Lei nº 11.340/06 (Lei Maria da Penha).

SUMÁRIO PÁGINA

1. Apresentação 1

2. Princípios do Direito Penal (parte 2) 2

3. Ação Penal 8

4. Lei nº 11.340/06 (Lei Maria da Penha) 13

5. Questões propostas 21

6. Questões comentadas 27

7. Gabarito 40

Apresentação

Olá, meus amigos!

Dando continuidade ao nosso curso, hoje, vamos abordar os seguintes

pontos:

 Princípios do Direito Penal (parte 2);

 Ação Penal;

 Lei nº 11.340/06 (Lei Maria da Penha).

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1. Princípios do Direito Penal (parte 2)

1.1. Princípio da Legalidade

O princípio acima é um dos mais comuns não só no Direito Penal,

mas também em vários ramos do Direito Público, como no Direito

Administrativo, no qual o administrador público somente pode fazer aquilo

que a lei permite.

No Direito Penal, esse princípio está estampado no art. 1°, do CP,

que na verdade repete a redação de um dispositivo constitucional, que é o

art. 5°, XXXIX, da CF/88.

XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem

prévia cominação legal;

Que é idêntico ao art. 1°, do CP:

Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena

sem prévia cominação legal.

Veja que se trata de um princípio positivamente previsto na carta

maior e também no código penal.

Entendendo melhor o significado do princípio, ele nos remete à ideia

de que não haverá nenhuma figura típica, se esta não estiver prevista em

Lei.

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Sem entrar em detalhes sobre o princípio, que não é o objetivo desse

curso, podemos ir logo para um interessante entendimento

jurisprudencial, mas antes deixe que eu lhe faça uma pergunta:

É POSSÍVEL MEDIDA PROVISÓRIA VERSANDO SOBRE DIREITO

PENAL?

A pergunta parece simples, mas surgiu muita discussão na doutrina e

ainda existe, mas na verdade o que você deve saber é o que o STF

entende para poder responder às questões de prova.

De acordo com o STF, embora não possa criar nenhuma figura típica

(criar crimes), as medidas provisórias podem versar sobre Direito Penal,

desde que crie normas mais benéficas, que contenham algum tipo de

benefício para o réu.

Assim, de acordo com o STF, a vedação contida no art. 62, §1°, I, b,

da CF/88 não abrange as normas penais mais benéficas, ou seja, as que

abolem crimes ou lhes restrinjam o alcance, extingam ou abrandem

penas ou ampliam casos de isenção ou de extinção de punibilidade.

O exemplo clássico do tema acima são as MPs (253, 379, 390, 394,

417) que versavam sobre o Estatuto do Desarmamento regulamentando o

prazo para regularização daquele que possuía arma de fogo

irregularmente.

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Assim, a conclusão, para concursos, notadamente os da área policial,

é que é possível MP versando sobre direito penal e isso não viola o

princípio da legalidade, desde que o conteúdo da MP seja benéfico ao réu.

O princípio da legalidade ainda possui o viés da lei escrita, ou seja,

existe uma vedação à analogia em matéria penal, em tese.

O STF manifestou-se no HC 97261 em 02/05/2011 que a conduta de

furtar sinal de TV a cabo não pode ser equiparada ao delito previsto no

art. 155, §3°, do CP, pois estar-se-ia praticando a analogia in malam

partem, ou seja a analogia em malefício do réu.

A analogia violaria o princípio da legalidade sob o aspecto da lei

escrita, uma vez que que a analogia é uma técnica que adequa uma

figura prevista para a situação A em uma situação B.

Assim, a analogia in bonam partem é perfeitamente possível como

resultado anteriormente, encontrando justificativa no princípio da

equidade.

Há de se ressaltar que o entendimento do STJ sobre o tema diverge

daquele do pretório excelso, pois, no entender do Tribunal da Cidadania,

“O sinal de televisão propaga-se através de ondas, o que na definição

técnica se enquadra como energia radiante, que é uma forma de energia

associada à radiação eletromagnética.”.

Assim, de acordo com o STJ teríamos a tipicidade caracterizada pelo

delito previsto no art. 155, §3°, do CP.

Mais uma vez o nosso curso traz até você um tema em que temos

controvérsia jurisprudencial entre o STJ e o STF, assim, sugiro que ao

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resolver alguma questão sobre o assunto você preste atenção ao

enunciado, e responda de acordo com o quadro abaixo:

STF STJ

Furto ou desvio de sinal de TV Furto ou desvio de sinal de TV

a cabo: a cabo:

Atípico, pois estar-se-ia Típico, pois o sinal de TV a cabo

praticando a analogia “in equipara-se à energia radiante,

malam partam”, violando assim pois é composto de radiação

o princípio da legalidade. eletromagnética.

1.2. Princípio da Não Culpabilidade ou presunção de inocência

Esse princípio passou por uma grande mudança recentemente, pois

ele foi objeto de uma decisão emblemática do STF, na qual o supremo

admitiu a possibilidade de execução provisória de pena em processos

criminais com condenação em segunda instância e isso será o nosso

objeto de estudo nesse ponto.

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O princípio acima está insculpido na CF/88 e significa que ninguém

será considerado culpado até que sobrevenha uma sentença penal

condenatória transitada em julgado, ou seja, da qual não caiba mais

recurso.

Assim, diante desse princípio, conhecido como da presunção de

inocência, o condenado em segundo grau de jurisdição, que ainda tivesse

como recorrer e assim o fizesse aos tribunais superiores, ainda não era

considerado culpado e por via de consequência não poderia ser preso nem

iniciar o cumprimento de pena.

No entanto isso mudou recentemente com um julgamento

emblemático no STF, da relatoria do Ministro Teori Zavascki (STF.

Plenário. HC 126292/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em

17/02/2016).

De acordo com o julgado, é possível o início da execução da pena

condenatória após a prolação de acórdão condenatório em 2º grau e isso

não ofende o princípio constitucional da presunção da inocência.

O recurso especial e o recurso extraordinário não possuem efeito

suspensivo (art. 637 do CPP e art. 27, § 2º da Lei nº 8.038/90). Isso

significa que, mesmo o réu tendo interposto algum desses recursos, a

decisão recorrida continua produzindo efeitos. Logo, é possível a execução

provisória da decisão recorrida enquanto se aguarda o julgamento do

recurso.

O Min. Teori Zavascki defendeu que, até que seja prolatada a

sentença penal, confirmada em 2º grau, deve-se presumir a inocência do

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réu. Mas, após esse momento, exaure-se o princípio da não culpabilidade,

até porque os recursos cabíveis da decisão de segundo grau ao STJ ou

STF não se prestam a discutir fatos e provas, mas apenas matéria de

direito.

Para o Relator, “a presunção da inocência não impede que, mesmo

antes do trânsito em julgado, o acórdão condenatório produza efeitos

contra o acusado”.

"A execução da pena na pendência de recursos de natureza

extraordinária não compromete o núcleo essencial do pressuposto da não

culpabilidade, na medida em que o acusado foi tratado como inocente no

curso de todo o processo ordinário criminal, observados os direitos e as

garantias a ele inerentes, bem como respeitadas as regras probatórias e o

modelo acusatório atual. Não é incompatível com a garantia constitucional

autorizar, a partir daí, ainda que cabíveis ou pendentes de julgamento de

recursos extraordinários, a produção dos efeitos próprios da

responsabilização criminal reconhecida pelas instâncias ordinárias".

O Ministro Teori, citando a ex-Ministra Ellen Gracie (HC 85.886)

afirmou que “em país nenhum do mundo, depois de observado o duplo

grau de jurisdição, a execução de uma condenação fica suspensa

aguardando referendo da Suprema Corte”.

Diante desse novo entendimento, podemos afirmar, então que é

válida a execução provisória de sentença penal condenatória em segundo

grau de jurisdição.

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2. Ação Penal

Princípio da Indivisibilidade

Conceito:

Quando estudamos o assunto “ação penal” um tema muito

importante é o princípio da indivisibilidade. O princípio da indivisibilidade

significa que a ação penal deve ser proposta contra todos os autores e

partícipes do delito.

Exemplo: se o crime foi cometido por João e por José, a ação penal

deverá ser ajuizada contra ambos, não podendo, em regra, ser proposta

apenas contra José, a não ser que haja algum motivo jurídico que

autorize (um deles já morreu, é doente mental, é menor de 18 anos, não

há provas contra ele etc.). Ou seja, em tese, não é possível que seja

denunciado apenas um deles.

Previsão normativa

O princípio da indivisibilidade está insculpido no art. 48 do CPP:

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Art. 48. A queixa contra qualquer dos autores do crime obrigará

ao processo de todos, e o Ministério Público velará pela sua

indivisibilidade

Assim, de acordo com a própria lei, o princípio da indivisibilidade

significa que a ação penal deve ser proposta contra todos os autores e

partícipes do delito.

De acordo com a jurisprudência, o princípio da indivisibilidade só é

aplicável à ação pena privada (art. 48 do CPP), por conta do próprio

termo que o legislador utiliza: “queixa”, que é o nome da peça inaugural

da ação penal privada.

Três perguntas podem ser feitas de acordo com o que foi dito até

agora:

a) O que acontece se a ação penal privada não for proposta contra

todos?

b) O que ocorre se um dos autores ou partícipes, podendo ser

processado pelo querelante, ficar de fora?

c) Qual é a consequência do desrespeito ao princípio da

indivisibilidade?

As respostas para as perguntas estão nos pontos seguintes:

 Se a omissão foi VOLUNTÁRIA (DELIBERADA, DECIDIDA):

se o querelante deixou, deliberadamente, de oferecer queixa

contra um dos autores ou partícipes, o juiz deverá rejeitar a

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queixa e declarar a extinção da punibilidade para todos (arts.

104 e 109, V, do CP). Todos ficarão livres do processo.

 Se a omissão foi INVOLUNTÁRIA: o MP deverá requerer a

intimação do querelante para que ele faça o aditamento da

queixa-crime e inclua os demais coautores ou partícipes que

ficaram de fora.

Portanto, conclui-se que a não inclusão de eventuais suspeitos na

queixa-crime não configura, por si só, renúncia tácita ao direito

de queixa. Para o reconhecimento da renúncia tácita ao direito de

queixa, exige-se a demonstração de que a não inclusão de

determinados autores ou partícipes na queixa-crime se deu de forma

deliberada pelo querelante. STJ. 5ª Turma. RHC 55.142-MG, Rel.

Min. Felix Fischer, julgado em 12/5/2015.

De acordo com o STJ:

(...) O reconhecimento da renúncia tácita ao direito de queixa exige a

demonstração de que a não inclusão de determinados autores ou

partícipes na queixa-crime se deu de forma deliberada pelo

querelante.

STJ. 5ª Turma. HC 186.405/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em

02/12/2014.

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Por outro lado, na ação penal pública não vigora o princípio da

indivisibilidade.

Assim, o MP não está obrigado a denunciar todos os envolvidos no

fato tido por delituoso, não se podendo falar em arquivamento

implícito em relação a quem não foi denunciado. Isso porque o MP é

livre para formar sua convicção, incluindo na denúncia as pessoas que ele

entenda terem praticado o crime, mediante a constatação de indícios de

autoria e materialidade. STJ. 6ª Turma. RHC 34.233-SP, Rel. Min. Maria

Thereza de Assis Moura, julgado em 6/5/2014.

O Ministério Público não é obrigado a denunciar todos os envolvidos

nos fatos tidos por delituosos, dado que não vigora, na ação penal pública

incondicionada, o princípio da indivisibilidade.

O princípio da indivisibilidade preconiza que a ação penal deve ser

proposta contra todos os autores do delito.

O princípio da indivisibilidade é aplicado à ação penal privada, mas

não incide no caso de ações penais públicas.

O MP pode intentar a ação penal contra um autor, enquanto investiga

o outro, por exemplo. Assim, o Parquet é livre para formar sua convicção,

incluindo na denúncia as pessoas que ele entenda que praticaram os

crimes, não se podendo falar em arquivamento implícito em relação a

quem não foi denunciado.

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Denúncia com base em inquérito civil

Outro entendimento jurisprudencial importante para você ficar ligado

é que é possível o oferecimento de ação penal (denúncia) com base em

provas colhidas no âmbito de inquérito civil conduzido por membro do

Ministério Público.

Esse é também o entendimento do STJ:

O inquérito civil público, previsto como função institucional do

Ministério Público, nos termos do art. 129, inciso III, da

Constituição de República, pode ser utilizado como elemento

probatório hábil para embasar a propositura de ação penal.

”Muito embora não possa o membro do Parquet presidir o

inquérito policial, é conferido, ao Ministério Público, o poder

de investigar, como já fora decidido em habeas corpus

julgados pelo Supremo Tribunal Federal e por esta Quinta

Turma. (...) (HC 179.223/MG, Rel. Min. Laurita Vaz, Quinta

Turma, julgado em 20/08/2013)”

PROCURAÇÃO PARA QUEIXA-CRIME

Outro assunto importante dentro do tema de ação penal é o que

versa sobre os poderes de que deve gozar o advogado do ofendido para

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que seja possível a propositura da ação penal privada, ou seja, o

advogado da parte ofendida deve possuir procuração com poderes

específicos para ajuizar a ação penal privada.

A procuração deve conter o nome do querelado, e a menção ao fato

delituoso, para o STJ, a menção ao fato delituoso deve ser entendida

como a capitulação penal ou o “nomen iuris”, não necessitando ser

identificada a conduta.

Por outro lado, para o STF, a menção ao fato delituoso engloba a

individualização do evento delituoso, não bastando apenas que seja

mencionado o nomen iuris.

3. Lei nº 11.340/06 (Lei Maria da Penha).

Outro tema importante para os estudos, focando carreiras policiais, é

a Lei Maria da Penha. Um dos temas que é enfrentado com frequência

pelo STJ.

Para começarmos, é preciso saber o sujeito ativo e o sujeito passivo

da violência doméstica. O sujeito passivo da violência doméstica

obrigatoriamente deve ser uma pessoa do sexo feminino (criança, adulta,

idosa, desde que do sexo feminino). Já, o sujeito ativo pode ser pessoa

do sexo masculino ou feminino. Mas professor, não se aplica contra o

homem? Não é inconstitucional isso?

Não, pois o próprio STF já se manifestou. Vejamos:

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Não há violação do princípio constitucional da igualdade no fato de a

Lei nº 11.340/06 ser voltada apenas à proteção das mulheres (STF).

Assim, são os requisitos para que ocorra a violência doméstica.

Vejamos:

 Sujeito passivo (vítima) deve ser pessoa do sexo feminino

(não importa se criança, adulta ou idosa, desde que seja do

sexo feminino);

 Sujeito ativo pode ser pessoa do sexo masculino ou feminino;

 Violência baseada em relação íntima de afeto, motivação de

gênero ou situação de vulnerabilidade, nos termos do art. 5º

da Lei.

Outro detalhe importante, a norma deixa evidente que é possível a

aplicação da Lei Maria da Penha mesmo que agressor e vítima não

vivam sob o mesmo teto. Pois, o art. 5º, III, da Lei afirma que há

violência doméstica em qualquer relação íntima de afeto, na qual o

agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente

de coabitação.

Possibilidades de aplicação da Lei Maria da Penha

(decisões do STJ)

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Filho contra a mãe

Filha contra mãe

Pai contra filha

Irmão contra irmã

Genro contra sogra

Nora contra sogra

Padrasto (ou companheiro) contra enteada

Tia contra sobrinha

Ex-namorado contra ex-namorada

Seguindo, os tribunais já mencionaram em vários julgados que a Lei

nº 11.340/2006, denominada Lei Maria da Penha, objetiva proteger a

mulher da violência doméstica e familiar, até aqui tudo bem, mas quais

são essas violências. Vejamos:

 cause morte;

 lesão corporal;

 sofrimento físico;

 sexual ou psicológico;

 e dano moral ou patrimonial.

Cabe lembrar que o crime tem que ser cometido no âmbito da

unidade doméstica, da família ou em qualquer relação íntima de afeto.

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Outra coisa, a violência doméstica, segundo o STJ, abrange qualquer

relação íntima de afeto, dispensada a coabitação. Assim, para o mesmo

tribunal, para a aplicação da Lei n. 11.340/2006, há necessidade de

demonstração da situação de vulnerabilidade ou hipossuficiência da

mulher, numa perspectiva de gênero. A vulnerabilidade, hipossuficiência

ou fragilidade da mulher têm-se como presumidas nas circunstâncias

descritas na Lei n. 11.340/2006.

Não esqueçam que, segundo o STJ, a agressão do namorado contra a

namorada, mesmo cessado o relacionamento, mas que ocorra em

decorrência da relação está inserida na hipótese do art. 5º, III, da Lei n.

11.340/06, caracterizando a violência doméstica.

Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher têm

competência cumulativa para o julgamento e a execução das causas

decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher,

nos termos do art. 14, da Lei n. 11.340/2006.

Pessoal, a Lei traz medidas protetivas, assim o STJ deixou evidente

que o descumprimento de medida protetiva de urgência não configura o

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crime de desobediência, em face da existência de outras sanções

previstas no ordenamento jurídico para a hipótese.

Outra decisão muito importante, e que provavelmente será exigida

na sua prova, é que não é possível a aplicação dos princípios da

insignificância e da bagatela imprópria (estudamos na aula anterior)

nos delitos praticados com violência ou grave ameaça no âmbito das

relações domésticas e familiares.

Além dessas decisões as quais mencionamos acima, vamos destacar

outras importantes para a prova de vocês. Vejamos:

 É cabível a decretação de prisão preventiva para garantir a

execução de medidas de urgência nas hipóteses em que o

delito envolver violência doméstica;

 Nos crimes praticados no âmbito doméstico e familiar, a

palavra da vítima tem especial relevância para fundamentar o

recebimento da denúncia ou a condenação, pois normalmente

são cometidos sem testemunhas;

 A suspensão condicional do processo e a transação penal não

se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria

da Penha;

 É inviável a substituição da pena privativa de liberdade por

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restritiva de direitos nos casos de violência doméstica, uma

vez que não preenchidos os requisitos do art. 44 do CP;

 O habeas corpus não constitui meio idôneo para se pleitear

a revogação de medidas protetivas previstas no art. 22 da Lei

n. 11.340/2006 que não implicam constrangimento ao direito

de ir e vir do paciente;

 A audiência de retratação prevista no art. 16 da Lei n.

11.340/06 apenas será designada no caso de manifestação

expressa ou tácita da vítima e desde que ocorrida antes do

recebimento da denúncia.

Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a

mulher não se aplica a Lei dos Juizados Especiais (Lei n.° 9.099/95),

mesmo que a pena seja menor que 2 anos.

O STF decidiu que este art. 41 é constitucional e que, para a efetiva

proteção das mulheres vítimas de violência doméstica, foi legítima a

opção do legislador de excluir tais crimes do âmbito de incidência da Lei

n.° 9.099/95. Cabe ressaltar que a Lei n.° 9.099/95 não se aplica nunca e

para nada que se refira à Lei Maria da Penha.

O STJ afirmava que a inaplicabilidade da Lei n.° 9.099/95 significava

apenas que os institutos despenalizadores da Lei dos Juizados é que

não poderiam ser utilizados na Lei Maria da Penha, ou seja, transação

penal e suspensão condicional do processo.

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O STF foi além e disse que, além dos institutos despenalizadores,

nenhum dispositivo da Lei n.° 9.099/95 pode ser aplicado aos crimes

protegidos pela Lei Maria da Penha.

Dessa forma, a Lei n.° 11.340/06 exclui de forma absoluta a

aplicação da Lei n.° 9.099/95 aos delitos praticados contra a mulher no

âmbito das relações domésticas e familiares.

Segundo os tribunais, o crime de lesão corporal contra mulher, ainda

que leve ou culposo, se praticado contra a mulher no âmbito das relações

domésticas e familiares, deve ser processado mediante ação penal

pública incondicionada. Assim, em caso de lesões corporais leves ou

culposas que a mulher for vítima, em violência doméstica, o

procedimento de apuração na fase pré-processual é o inquérito policial e

não o termo circunstanciado.

Outra coisa, a mulher que sofreu lesões corporais leves de seu

marido, arrependida e reconciliada com o cônjuge, procura o delegado, o

promotor ou o juiz dizendo que gostaria que o inquérito ou o processo

não tivesse prosseguimento, esta manifestação não terá nenhum efeito

jurídico, devendo a tramitação continuar normalmente. E ainda, se um

vizinho, por exemplo, presencia a mulher apanhando do seu marido e

comunica ao delegado de polícia, este é obrigado a instaurar um

inquérito policial para apurar o fato, ainda que contra a vontade da

mulher. A vontade da mulher ofendida passa a ser absolutamente

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irrelevante.

Pessoal, para fecharmos esta aula, é preciso saber que a Lei Maria da

Penha não traz um rol de crimes em seu texto. Esse não foi seu objetivo.

A Lei n.° 11.340/2006 trouxe regras processuais instituídas para proteger

a mulher vítima de violência doméstica, mas sem tipificar novas condutas,

salvo uma pequena alteração feita no art. 129 do CP.

Vimos que recentemente foi incluído o crime de feminicídio no art.

121 do CP, assim, muito cuidado na sua prova, pois a Lei não faz menção

ao crime. Entretanto, vale ressaltar que as medidas protetivas da Lei

Maria da Penha poderão ser aplicadas à vítima de tentativa do feminicídio.

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Questões propostas

01. (CESPE – Juiz Federal - TRF5 – 2015) No que tange aos

princípios básicos do direito penal e à interpretação da lei penal,

Julgue o item abaixo.

Embora o princípio da legalidade proíba o juiz de criar figura típica

não prevista na lei, por analogia ou interpretação extensiva, o

julgador pode, para benefício do réu, combinar dispositivos de

uma mesma lei penal para encontrar pena mais proporcional ao

caso concreto.

02. (CESPE – Promotor de Justiça - MPAC – 2014)

Prevalece na doutrina o entendimento de que constitui ofensa ao

princípio da legalidade a existência de leis penais em branco

heterogêneas, ou seja, daquelas cujos complementos provenham

de fonte diversa da que tenha editado a norma que deva ser

complementada.

03. (CESPE – PRF – Policial Rodoviário Federal – 2013) O princípio

da legalidade é parâmetro fixador do conteúdo das normas penais

incriminadoras, ou seja, os tipos penais de tal natureza somente

podem ser criados por meio de lei em sentido estrito.

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04. (CESPE – DPE-DF – Defensor Público – 2013) Com relação aos

conceitos, objetivos e princípios do direito penal, às penas

restritivas de direitos, ao livramento condicional e à reincidência,

julgue os itens subsecutivos.

A versão clássica do modelo penal garantista ideal se funda sob os

princípios da legalidade estrita, da materialidade e lesividade dos

delitos, da responsabilidade pessoal, do contraditório entre as

partes e da presunção de inocência.

05. (CESPE – TRE-MS – Analista Judiciário – 2013) Julgue o item a

seguir.

O princípio da legalidade ou princípio da reserva legal não se

estende às consequências jurídicas da infração penal, em especial

aos efeitos da condenação, nem abarca as medidas de segurança.

06. (CESPE – DPE-TO – Defensor Público – 2013) Julgue o item a

seguir.

Os princípios da legalidade e da irretroatividade da lei penal são

aplicáveis à pena cominada pelo legislador, aplicada pelo juiz e

executada pela administração, não sendo, todavia, esses

princípios extensíveis às medidas de segurança, dotadas de

escopo curativo e não punitivo.

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07. (CESPE – TJAC – Técnico Judiciário – 2012) Julgue o item a

seguir.

Dado o princípio da legalidade, o Poder Executivo não pode

majorar as penas cominadas aos crimes cometidos contra a

administração pública por meio de decreto.

08. (CESPE – PCAL – Agente de Polícia) Julgue o item a seguir.

Em caso de urgência, a definição do que é crime pode ser

realizada por meio de medida provisória.

09. (CESPE – DETRAN-DF – Analista Advocacia – 2009) Julgue o

item a seguir.

O princípio da legalidade veda o uso da analogia in malam partem,

e a criação de crimes e penas pelos costumes.

10. (CESPE – TJDFT – ANALISTA JUDICIÁRIO – 2013) Se o titular

da ação penal deixa, sem expressa manifestação ou justificação

do motivo, de incluir na denúncia algum fato investigado ou algum

dos indiciados e o juiz recebe a denúncia, ocorre arquivamento

indireto.

11. (2016 – CESPE – DPU - Assistente Social) Com referência às

disposições da legislação específica relativa aos idosos e às

mulheres, julgue o item que se segue.

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A violência doméstica e familiar contra a mulher é caracterizada

pela ação ou omissão que ocasione morte, lesão, sofrimento físico,

sexual ou psicológico, além de dano moral ou patrimonial,

ocorrido em espaço de convívio permanente ou esporádico de

pessoas, com ou sem vínculo familiar.

(2015 – FCC - DPE-RR - Assistente Social) Em relação à

assistência judiciária prevista na Lei n° 11.340/2006 (Lei Maria da

Penha), julgue os itens abaixo.

12. As medidas protetivas de urgência devem ser concedidas e

aplicadas pelo advogado que compõe a equipe multidisciplinar da

Defensoria Pública, a requerimento do Ministério Público ou a

pedido da ofendida.

13. Na aplicação de medidas protetivas de urgência concedidas

pelo juiz, é obrigatório que a mulher em situação de violência

doméstica e familiar seja acompanhada de advogado.

(2015 – FUNCAB - PC-AC - Perito Criminal) Com base na Lei nº

11.340/2006 (Lei Maria da Penha), julgue os itens abaixo.

14. A competência para o processo e julgamento dos delitos

decorrentes de violência doméstica é determinada exclusivamente

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pelo domicílio ou pela residência da ofendida por economia

processual e objetivando facilitar a prática dos atos processuais.

15. Após registrar a ocorrência de violência doméstica e familiar

em uma Unidade de Polícia Judiciária e, em consequência, ter sido

instaurado inquérito policial, a vítima, desejando impedir o

prosseguimento da investigação criminal, deve manifestar

expressamente o seu desejo de renúncia diretamente à autoridade

policial.

16. (UEG - 2013 - PC-GO - Escrivão de Polícia Civil) Sobre o crime

de ameaça praticado no contexto de violência doméstica (Lei n.

11.340/2006), julgue os itens.

Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, verifica-se

que a ação penal é condicionada a representação da ofendida.

17. (Cespe - 2008 – Analista Judiciário – STF) Em caso de

violência doméstica e familiar contra a mulher, caberão medidas

protetivas de urgência, que poderão ser concedidas pelo juiz, a

requerimento do MP ou a pedido da ofendida, devendo

necessariamente o juiz ouvir as partes e o MP antes da decisão

sobre as medidas.

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18. (Cespe – 2012 - PC-AL – Escrivão de Polícia) Conforme a

referida lei, consideram-se violência sexual as ações ou omissões

que impeçam a mulher de usar qualquer método contraceptivo ou

que a forcem à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante

coação, chantagem, suborno ou manipulação.

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Questões comentadas

01. (CESPE – Juiz Federal - TRF5 – 2015) No que tange aos

princípios básicos do direito penal e à interpretação da lei penal,

Julgue o item abaixo.

Embora o princípio da legalidade proíba o juiz de criar figura típica

não prevista na lei, por analogia ou interpretação extensiva, o

julgador pode, para benefício do réu, combinar dispositivos de

uma mesma lei penal para encontrar pena mais proporcional ao

caso concreto.

Comentários:

O juiz não pode se valer de tal técnica, pois isso violaria o princípio da

legalidade, na medida em que o juiz, membro do Poder Judiciário, estaria

criando uma lex tertia, ou seja, estaria criando uma terceira lei,

combinando dois dispositivos legais, mesmo que para benefício do réu

essa conduta viola o princípio da legalidade e, portanto, é vedada pelo

nosso ordenamento jurídico.

Gabarito: E.

02. (CESPE – Promotor de Justiça - MPAC – 2014)

Prevalece na doutrina o entendimento de que constitui ofensa ao

princípio da legalidade a existência de leis penais em branco

heterogêneas, ou seja, daquelas cujos complementos provenham

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de fonte diversa da que tenha editado a norma que deva ser

complementada.

Comentários:

O item está incorreto, pois é totalmente valida a existência de leis penais

em branco, sejam elas heterogêneas ou homogêneas.

Um exemplo é a lei de drogas (11.343/06) no bojo da qual temos que o

conceito de droga está estampado em uma norma infralegal, ou seja, em

uma portaria do Ministério da Saúde. Prevalece na doutrina que isso não

viola o princípio da legalidade.

Gabarito: E.

03. (CESPE – PRF – Policial Rodoviário Federal – 2013) O princípio

da legalidade é parâmetro fixador do conteúdo das normas penais

incriminadoras, ou seja, os tipos penais de tal natureza somente

podem ser criados por meio de lei em sentido estrito.

Comentários:

É esse o conceito do princípio da legalidade, ou seja, apenas por lei em

sentido estrito, ou seja, lei ordinária ou complementar é que podem ser

criadas condutas criminosas. Os fatos típicos devem ser criados a partir

de Leis e isso é um princípio limitador do direito de punir, pois é através

dele que as pessoas não podem ser punidas por condutas que podem ser,

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a princípio, imorais, mas não criminosas do ponto de vista formal, pois

não são incriminadas pela lei penal.

Gabarito: C.

04. (CESPE – DPE-DF – Defensor Público – 2013) Com relação aos

conceitos, objetivos e princípios do direito penal, às penas

restritivas de direitos, ao livramento condicional e à reincidência,

julgue os itens subsecutivos.

A versão clássica do modelo penal garantista ideal se funda sob os

princípios da legalidade estrita, da materialidade e lesividade dos

delitos, da responsabilidade pessoal, do contraditório entre as

partes e da presunção de inocência.

Comentários:

O modelo penal garantista é um modelo que tenta sempre garantir ao

acusado por uma conduta delituosa a maior parte das benesses.

Ou seja, legalidade estrita (são crime apenas aqueles previstos em lei em

sentido estrito), materialidade e lesividade (princípio da insignificância),

responsabilidade pessoal, contraditório e presunção de inocência são os

pilares de um modelo garantista, pois todos esses princípios trazem

garantias para os acusados de crimes.

Gabarito: C.

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05. (CESPE – TRE-MS – Analista Judiciário – 2013) Julgue o item a

seguir.

O princípio da legalidade ou princípio da reserva legal não se

estende às consequências jurídicas da infração penal, em especial

aos efeitos da condenação, nem abarca as medidas de segurança.

Comentários:

O princípio da legalidade estende seus efeitos às consequências jurídicas

do delito, principalmente em relação aos efeitos da condenação e abarca

as medidas de segurança sim.

O princípio estampado no art. 1°, do CP menciona que não há crime sem

lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal, ou seja,

para que haja crime, devemos ter uma lei anterior definindo a conduta

como delituosa. Quanto à pena, o princípio também abrange as medidas

de segurança e não apenas as penas privativas de liberdade, ou

restritivas de direito.

Gabarito: E.

06. (CESPE – DPE-TO – Defensor Público – 2013) Julgue o item a

seguir.

Os princípios da legalidade e da irretroatividade da lei penal são

aplicáveis à pena cominada pelo legislador, aplicada pelo juiz e

executada pela administração, não sendo, todavia, esses

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princípios extensíveis às medidas de segurança, dotadas de

escopo curativo e não punitivo.

Comentários:

Mais uma vez o item restringiu a aplicação do princípio da legalidade

apenas às penas e não às medidas de segurança, o que está incorreto, de

acordo com o comentário da questão anterior.

Gabarito: E.

07. (CESPE – TJAC – Técnico Judiciário – 2012) Julgue o item a

seguir.

Dado o princípio da legalidade, o Poder Executivo não pode

majorar as penas cominadas aos crimes cometidos contra a

administração pública por meio de decreto.

Comentários:

Tal medida violaria o princípio da legalidade, pois a quem compete

majorar penas é à Lei, que é produzida pelo Congresso Nacional, uma vez

que compete à União legislar sobre direito penal.

Gabarito: C.

08. (CESPE – PCAL – Agente de Polícia) Julgue o item a seguir.

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Em caso de urgência, a definição do que é crime pode ser

realizada por meio de medida provisória.

Comentários:

Medida provisória não pode definir conduta criminosa. À Lei é reservada

tal função. Ainda que exista urgência, a definição daquilo que é crime não

pode ser feita por medida provisória. Mesmo assim, de acordo com o STF

pode haver medida provisória versando sobre Direito Penal, desde que

seja uma medida provisória que traga uma vantagem ou benefício para o

réu.

Gabarito: E.

09. (CESPE – DETRAN-DF – Analista Advocacia – 2009) Julgue o

item a seguir.

O princípio da legalidade veda o uso da analogia in malam partem,

e a criação de crimes e penas pelos costumes.

Comentários:

Nesse caso, de acordo com o princípio da legalidade, é vedada a analogia

em prejuízo do réu. Na mesma toada, a criação de crimes por meio de

costumes é totalmente vedada pelo princípio estampado no art. 1°, do

CP.

Gabarito: C.

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10. (CESPE – TJDFT – ANALISTA JUDICIÁRIO – 2013) Se o titular

da ação penal deixa, sem expressa manifestação ou justificação

do motivo, de incluir na denúncia algum fato investigado ou algum

dos indiciados e o juiz recebe a denúncia, ocorre arquivamento

indireto.

Comentários:

O que ocorre quando o titular da ação penal deixa de incluir em sua

denúncia um fato ou então algum indiciado, ocorre o chamado

arquivamento implícito, que é vedado pelo nosso ordenamento jurídico.

Gabarito: E.

11. (2016 – CESPE – DPU - Assistente Social) Com referência às

disposições da legislação específica relativa aos idosos e às

mulheres, julgue o item que se segue.

A violência doméstica e familiar contra a mulher é caracterizada pela ação

ou omissão que ocasione morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou

psicológico, além de dano moral ou patrimonial, ocorrido em espaço de

convívio permanente ou esporádico de pessoas, com ou sem vínculo

familiar.

Comentários:

Primeira coisa que vocês têm que saber! Quem pode ser sujeito ativo e

sujeito passivo da violência doméstica?

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 O sujeito passivo da violência doméstica deve ser uma pessoa do

sexo feminino (criança, adulta, idosa, desde que do sexo feminino);

 O sujeito ativo pode ser pessoa do sexo masculino ou feminino.

O STJ vem entendendo ser aplicada somente para as mulheres. Outra

coisa, é possível que haja violência doméstica mesmo que agressor e

vítima não convivam sob o mesmo teto (não morem juntos). Isso porque

o art. 5º, III, da Lei afirma que há violência doméstica em qualquer

relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido

com a ofendida, independentemente de coabitação.

Gabarito: C.

(2015 – FCC - DPE-RR - Assistente Social) Em relação à

assistência judiciária prevista na Lei n° 11.340/2006 (Lei Maria da

Penha), julgue os itens abaixo.

12. As medidas protetivas de urgência devem ser concedidas e aplicadas

pelo advogado que compõe a equipe multidisciplinar da Defensoria

Pública, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida.

Comentários:

As medidas protetivas de urgência:

 poderão ser concedidas de imediato, independentemente de

audiência das partes e de manifestação do Ministério Público,

devendo este ser prontamente comunicado;

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 serão aplicadas isolada ou cumulativamente, e poderão ser

substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia,

sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados

ou violados;

 poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da

ofendida, conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever

aquelas já concedidas, se entender necessário à proteção da

ofendida, de seus familiares e de seu patrimônio, ouvido o

Ministério Público.

O STJ deixou evidente que o descumprimento de medida protetiva de

urgência não configura o crime de desobediência, em face da

existência de outras sanções previstas no ordenamento jurídico para a

hipótese.

Gabarito: E.

13. Na aplicação de medidas protetivas de urgência concedidas pelo juiz,

é obrigatório que a mulher em situação de violência doméstica e familiar

seja acompanhada de advogado.

Comentários:

Questão muito batida! Não é obrigatório!

Gabarito: E.

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(2015 – FUNCAB - PC-AC - Perito Criminal) Com base na Lei nº

11.340/2006 (Lei Maria da Penha), julgue os itens abaixo.

14. A competência para o processo e julgamento dos delitos decorrentes

de violência doméstica é determinada exclusivamente pelo domicílio ou

pela residência da ofendida por economia processual e objetivando

facilitar a prática dos atos processuais.

Comentários:

Segundo a norma, é competente, por opção da ofendida, para os

processos cíveis regidos pela Lei Maria da Penha, o Juizado:

 do seu domicílio ou de sua residência;

 do lugar do fato em que se baseou a demanda;

 do domicílio do agressor.

Outra informação importante, é que, segundo o STJ, os Juizados de

Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher têm competência

cumulativa para o julgamento e a execução das causas decorrentes da

prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do

art. 14, da Lei n. 11.340/2006.

Gabarito: E.

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15. Após registrar a ocorrência de violência doméstica e familiar em uma

Unidade de Polícia Judiciária e, em consequência, ter sido instaurado

inquérito policial, a vítima, desejando impedir o prosseguimento da

investigação criminal, deve manifestar expressamente o seu desejo de

renúncia diretamente à autoridade policial.

Comentários:

Segundo o Superior Tribunal de Justiça a violência doméstica contra a

mulher constitui delito de ação penal pública incondicionada.

Gabarito: E.

16. (UEG - 2013 - PC-GO - Escrivão de Polícia Civil) Sobre o crime

de ameaça praticado no contexto de violência doméstica (Lei n.

11.340/2006), julgue os itens.

Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, verifica-se que a

ação penal é condicionada a representação da ofendida.

Comentários:

O STF declarou a constitucionalidade da Lei nº 11.340/06, conferindo

interpretação conforme à Constituição aos artigos 12, I, 16 e 41 da Lei nº

11.340/2006, no sentido de que não se aplica a Lei nº 9.099/95 aos

crimes cometidos no âmbito da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06).

Com efeito, os crimes de lesão corporal, ainda que de natureza leve,

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cometidos com “violência doméstica”, serão de ação penal pública

incondicionada, aplicando-se, portanto, a norma geral do código penal. Da

mesma forma, aplica-se a disciplina disposta no código penal quanto à

modalidade de ação penal nos crimes de ameaça, ou seja, ação penal

pública condicionada à representação, nos termos do parágrafo único do

artigo 147 do Código Penal.

Gabarito: C.

17. (Cespe - 2008 – Analista Judiciário – STF) Em caso de violência

doméstica e familiar contra a mulher, caberão medidas protetivas de

urgência, que poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimento do MP ou

a pedido da ofendida, devendo necessariamente o juiz ouvir as partes e o

MP antes da decisão sobre as medidas.

Comentários:

Independe de audiência das partes e de manifestação do Ministério

Público. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de

imediato, devendo aquele ser prontamente comunicado.

Gabarito: E.

18. (Cespe – 2012 - PC-AL – Escrivão de Polícia) Conforme a referida

lei, consideram-se violência sexual as ações ou omissões que impeçam a

mulher de usar qualquer método contraceptivo ou que a forcem à

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gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem,

suborno ou manipulação.

Comentários:

Isso mesmo pessoal, segundo a Lei é violência sexual:

Art. 7 (...) “III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que

a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não

desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a

induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade,

que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao

matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação,

chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício

de seus direitos sexuais e reprodutivos.”

Gabarito: C.

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01.E 02.E 03.C 04.C 05.E 06.E 07.C 08.E 09.C 10.E

11.C 12.E 13.E 14.E 15.E 16.C 17.E 18.C

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