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O DIREITO DOS IDOSOS À CONVIVÊNCIA FAMILIAR

THE RIGHTS OF THE ELDER IN FAMILY LIFE

Jordanna de Souza Cirino da Cruz1


Ieda Maria Lima Nicácio de Souza2

RESUMO

Este artigo trata sobre o direito da pessoa idosa à convivência familiar, das responsabilidades e
deveres da família para com o idoso. Através de pesquisa bibliográfica e pesquisa exploratória foram
analisadas leis, decretos e dissertações acerca do tema, com o objetivo de discursar sobre a realidade
do idoso perante seus direitos. Os resultados apontaram que o envelhecimento deveria ser visto com
naturalidade e cordialidade, no entanto, o idoso passa por vários desafios emocionais e econômicos,
onde a família se torna responsável pelo bem-estar e pela dignidade daquele. Apresenta-se a
necessidade de trabalho constante na divulgação de materiais que informem a sociedade dos direitos
dos idosos e deveres da família.

Palavras-chave: Idoso. Família. Direito.

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo é requisito para a obtenção do título de Bacharel em Serviço Social e tem
como finalidade abordar sobre a garantia do direito dos idosos à convivência familiar. A pesquisa
empreendida neste é bibliográfica e baseada também nas impressões obtidas em campo, ao longo da
vida acadêmica.
O tema “O direito dos idosos à convivência familiar” objetiva discutir sobre a realidade da
qualidade de vida da população idosa no âmbito familiar, cujos direitos devem ser garantidos. A
escolha do tema supracitado justifica-se pela necessidade de a sociedade passar a se atentar mais para
o processo de envelhecimento, visto que os idosos são pessoas vulneráveis que precisam de atenção
para que as necessidades básicas sejam atendidas, além do que o número de pessoas na terceira idade
vem aumentando no país.

1
Autora. Estudante do 8º semestre do curso de Bacharelado em Serviço Social da Faculdade ESBAM. Endereço
eletrônico: jordanna.cruz@hotmail.com;
2
Orientadora. Mestre em Ciência da Educação pela ISEL. Endereço eletrônico: msc.iedanicacio@hotmail.com.
2

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2011), o número de


idosos dobrou nos últimos 20 anos no Brasil. Em 1991, a faixa etária contabilizava 10,7 milhões de
pessoas e em 2011, o número subiu para 23,5 milhões de brasileiros.

Percebe-se que o envelhecimento populacional do Brasil ocorre em razão de alguns aspectos:


o aumento da expectativa de vida, a diminuição da taxa de fecundidade, atribuída em grande
parte aos avanços da medicina, e a busca de oferecer melhores condições de vida à população
em termos de moradia, saneamento básico, alimentação, transporte, embora ainda exista
muito o que fazer (OLIVEIRA, 1999, p. 131).

Com essa realidade, verificamos que os idosos são submetidos a alguns desafios, como a
instabilidade do mercado de trabalho, doenças, invalidez, etc. Muitas vezes a população da terceira
idade se vê descartada do movimento social, seja pelo mercado de trabalho ou pela família. Ao
pensarmos em família, notamos que esta torna-se mediadora do convívio entre a pessoa idosa e a
realidade que a cerca. De acordo com a Política Nacional da Assistência Social – PNAS (2004, p.
35):

São funções básicas da família: prover a proteção e a socialização de seus membros;


constituir-se de referências morais, de vínculos afetivos e sociais; de identidade grupal, além
de ser mediadora das relações dos membros com outras instituições sociais e com o Estado.

O ambiente familiar representa um papel importante na vida do idoso. Por meio dele que se
dão interações, vínculos e respeito e são esses fatores que proporcionam um envelhecimento
emocional saudável. Este trabalho visa discutir sobre os direitos e fazer entender a realidade e
importância dos idosos perante a família.
Assim, neste artigo se fará uma breve análise do histórico da regulamentação dos direitos dos
idosos e discutiremos sobre o direito à convivência familiar bem como sua importância. A seguir,
apresenta-se os métodos para a realização deste e os resultados obtidos com tal pesquisa.

2 CONCEITUAÇÃO

Para melhor compreensão, este artigo será iniciado com levantamento sobre as definições que
serão utilizadas ao longo do mesmo, começando a abordagem com o foco do tema: idosos.
O conceito de idoso é diferente de países em desenvolvimento e países desenvolvidos – para
países em desenvolvimento são consideradas idosas pessoas cuja idade é de 60 anos ou mais; para
países desenvolvidos, pessoas com 65 anos ou mais são consideradas idosas (Organização das Nações
3

Unidas, 1982). No Brasil, a base é cronológica, ou seja, considera-se idoso quem tem 60 anos ou
mais.
Ao pensarmos no termo “idosos”, é comum pensar também no envelhecimento, que é o
processo gradual natural que leva o indivíduo à fase de velhice. A Organização Pan-americana de
Saúde (OPAS) define “envelhecimento” como:

[...] um processo sequencial, individual, acumulativo, irreversível, universal, não patológico,


de deterioração de um organismo maduro, próprio a todos os membros de uma espécie de
maneira que o tempo torne capaz de fazer frente ao estresse do meio-ambiente e, portanto,
aumente sua possibilidade de morte. (BRASIL, 2006, p. 8).

Siqueira et al. (2002) complementa o raciocínio com a definição de velhice por um fenômeno
natural, social e único, no qual o ser terá problemas e limitações biológicas, econômicas e
socioculturais pertinentes a essa fase. A família se insere nesse contexto, a fim de apoiar o idoso com
suas dificuldades e necessidades.
Por isso, se torna importante conceituar ‘família’. Família pode ser considerada um conjunto
de pessoas que se encontram por laços de parentesco, seja de vínculos por afinidade (como o casal),
seja por vínculos consanguíneos, como a filiação entre pais e filhos.
Segundo Minuchin (1985), a família é um complexo sistema de organização, com crenças,
valores e práticas desenvolvidas ligadas diretamente às transformações da sociedade, em busca da
melhor adaptação possível para a sobrevivência de seus membros e da instituição como um todo.
Com o passar do tempo, o modelo familiar vem se alterando, onde todos os membros devem ter suas
necessidades atendidas – o que inclui idosos, se for o caso.
Já sobre conceito de ‘Direito’, temos: “Direito é o conjunto de condições por meio das quais
o arbítrio de um pode estar em acordo com o arbítrio de um outro, segundo a lei universal da
liberdade” (KANT, 2003, p. 407), este autor acredita que o Direito é o que regula as relações entre
indivíduos.
Deste modo, com alguns termos definidos, podemos seguir adiante com o raciocínio referente
ao tema deste artigo.

3 BREVE HISTÓRICO DA REGULAMENTAÇÃO DOS DIREITOS DOS IDOSOS

Começaremos em 1923, quando houve a aprovação do Decreto 4.682, conhecido como lei
Elóy-Chaves, cuja é considerada o início legal da previdência e proteção social do idoso por
4

implementar as Caixas de Pensão e Aposentadoria (CAP’s). A seguir, a explicação de como isso


funcionava:

A lei previa que cada empresa deveria instituir a sua CAP através da mobilização e
organização dos próprios trabalhadores. Funcionavam como um fundo econômico mantido
pelos trabalhadores, empresas e consumidores, sem a participação do governo e financiava
pensões, aposentadorias, assistência funerária e médica. (UNASUS, 2016).

Alguns anos depois, de acordo com Debert (2004), em 1961 foi criada a Sociedade Brasileira
de Geriatria e Gerontologia, com a finalidade de apoiar obras, organizações e pesquisas relacionadas
a velhice.
Em 1967, foi criado o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Sobre este instituto,
temos:

Autarquia vinculada ao Ministério da Previdência e Assistência Social, o INPS integrava o


Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social (Sinpas), encarregando-se da
concessão e da manutenção de benefícios aos empregados e empregadores urbanos e rurais
e a seus dependentes. Esses benefícios consistiam em aposentadorias (por invalidez, velhice
ou tempo de serviço), pensões, auxílios (natalidade, doença, funeral etc.), abonos, pecúlios,
salários-família, salários-maternidade e seguros por acidente de trabalho. (ABREU, [200-?])

Em 1974 o Governo Federal iniciou a assistência ao idoso através do INPS. Em 1975, havia
surgido o Programa de Assistência ao Idoso (PAI). (CABRAL, 2000).
Nos anos de 1970, a Lei nº 6.119/74 instituiu a Renda Mensal Vitalícia no valor de 50% do
salário mínimo para os maiores de 70 anos que houvessem contribuído para a Previdência ao menos
por um ano. (OTTONI, 2012).
No ano de 1976 ocorreram três seminários regionais (São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza)
e um seminário nacional em Brasília. Desses seminários, obteve-se várias informações sobre os
idosos na sociedade brasileira, resultando em documento chamado “Políticas para a 3ª idade –
Diretrizes Básicas”. (ESCOBAR; MÔURA, 2016)
Em 1977, através da Lei no 6.439/1977, foi criado o Sistema Nacional de Previdência e
Assistência Social (SINPAS), o Programa de Assistência ao Idoso passou a ser dirigido pela Fundação
Legião Brasileira de Assistência (LBA), cuja tornou-se responsável pelo atendimento ao idoso em
todo o Brasil. À LBA competia “prestar assistência social à população carente, mediante programas
de desenvolvimento social e de atendimento às pessoas, independentemente da vinculação destas a
outra entidade do SINPAS” (BRASIL, 1977).
O SINPAS tinha como função a concessão e manutenção de benefícios e prestação de
serviços, assim como o custeio de atividades e programas e também a gestão administrativa,
financeira e patrimonial. (BRASIL, 1977).
5

Em 1985 foi fundada a Associação Nacional de Gerontologia (ANG), cuja finalidade era de
contribuir para a melhoria das condições de vida da população idosa brasileira. (FRAGOSO, 2017).
Em 1987 houve a fusão da LBA e o PAI, tornando-se o Programa de Apoio à Pessoa Idosa
(PAPI). Então, pouco depois surgiu o Projeto Conviver, onde a LBA passou a pagar um per capita
pelos idosos participantes desses novos grupos – dessa forma, reduzia o atendimento direto ao idoso
e ampliava o atendimento indireto. (RODRIGUES, 2001).
Até então, as atividades da LBA eram as de órgão executor da Política para idosos, em nível
nacional. Ainda na década de 80, o Ministério da Saúde criou o Programa da Saúde do Idoso.
Em 1990, o então Presidente Fernando Collor lançou o Projeto Vivência “para desenvolver
ações na área da saúde, educação, cultura, lazer, promoção e assistência social do idoso e preparação
para a aposentadoria”. (ALVES, 2014).

Para implementar esse Projeto foi publicada no dia 16 de outubro a Portaria Interministerial
nº 252 dos Ministros de Ação Social, da Justiça, da Educação, do Trabalho e da Previdência
Social, da Marinha, Exército e Aeronáutica e os Secretários de Governo dos Desportos e da
Cultura, instituindo um grupo de trabalho com representantes desses órgãos, que no prazo de
60 dias deveriam apresentar propostas de “política e programas para a 3ª Idade”. Esse prazo
foi prorrogado para fevereiro de 1991, quando a comissão apresentou o documento
preliminar Política Nacional do Idoso, com o seguinte objetivo geral: “Promover a
autonomia, integração e participação efetiva dos idosos na sociedade, para que sejam co-
partícipes da consecução dos objetivos e princípios fundamentais da Nação”. (RODRIGUES,
2001, p. 152).

Em 1991 foi apresentado por um grupo de trabalho representado por órgãos governamentais
e não governamentais o Plano Preliminar para a Política Nacional do Idoso, baseado em um
documento elaborado pela ANG. (ALCÂNTARA; CAMARANO; GIACOMIM, 2016, p. 25)
Em 1994 foi promulgada a Lei no 8.842, regulamentada pelo Decreto 1948 de 1996 que dispõe
sobre a Política Nacional do Idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso e dá outras providências.
(BRASIL, 1994).
De acordo com Rodrigues (2001), foi elaborado o Plano Integrado de ação governamental
para o desenvolvimento da Política Nacional do Idoso, por representantes dos Ministérios e da
sociedade Civil, cujo prevê ações dos Ministérios de Saúde, Educação, Previdência, Trabalho,
Cultura, Planejamento, Esporte e Lazer, Justiça, Indústria, Comércio e Turismo.
Em 1995 e 1996, tivemos os Decretos no 1.605/95 e no 1.948/96 cujos regulamentaram o
Fundo Nacional de Assistência Social (BRASIL, 1995) e a Política Nacional do Idoso e a criação do
Conselho Nacional do Idoso. (BRASIL, 1996).
Em 2003, conforme supracitado, foi aprovado o Estatuto do Idoso – que regulamentou os
direitos das pessoas com idade igual ou superior a 60 anos – e em 2006 a Política Nacional de Saúde
da Pessoa Idosa e o Pacto pela Saúde.
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Em 2006, o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional da Saúde do Idoso, cujos


objetivos são:

Permitir um envelhecimento saudável, o que significa preservar a sua capacidade funcional,


sua autonomia e manter o nível de qualidade de vida, em consonância com os princípios e
diretrizes do Sistema Único de Saúde — SUS que direcionam medidas individuais e coletivas
em todos os níveis de atenção à saúde. (FERNANDES; SOARES, 2012).

Mediante tais informações, os direitos dos idosos passaram por vários estágios, começando
de forma mais efetiva a partir da Lei no 8.842/94, cuja dispõe sobre a Política Nacional do Idoso.
Somente após alguns anos, foi implementada a Lei de no 10.741/2003. No Brasil, atualmente, os
idosos são amparados por essa Lei, cuja dispõe sobre o Estatuto do Idoso.

4 DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E SUA IMPORTÂNCIA

O Estatuto do Idoso diz: “É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos


assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. ” (BRASIL, 2003). Tal Lei
visa garantir maior dignidade e qualidade de vida às pessoas que se encontram na melhor idade.
Para cada família, o envelhecimento tem seu significado e seu valor. Há famílias que não se
preocupam com o bem-estar da pessoa idosa que convive no âmbito e também há famílias que zelam
excessivamente pelo idoso, incapacitando-o de tomar as próprias decisões, tornando-o cada vez mais
dependente. Percebemos, então, que é fundamental que os idosos tenham atenção especial por parte
dos familiares, porém sem ter sua autonomia prejudicada.
Já foi constatado a realidade de que entre os idosos cujos possuem boa renda e proporcionam
estabilidade econômica aos seus familiares, há melhor relação entre os mesmos. Por outro lado, entre
os idosos cujos possuem nível econômico baixo, geralmente são abandonados.

Art. 3o É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao


idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade,
ao respeito e à convivência familiar e comunitária. (BRASIL, 2003)

A família é, sem dúvidas, fator fundamental para um bom envelhecimento: influencia


diretamente no comportamento e temperamento do idoso, onde quanto mais harmoniosa, mais
saudável psicologicamente o idoso será. O suporte familiar produz efeitos positivos na saúde. Esse
suporte tende a reduzir os efeitos negativos do estresse na saúde mental, possibilitando assim, uma
influência positiva no bem-estar psicológico do idoso. (ASSIS; AMARAL, 2010)
7

No Art. 3º, parágrafo 1º das Disposições Preliminares da Lei no 10.741/2003: “priorização do


atendimento do idoso por sua própria família, em detrimento do atendimento asilar, exceto dos que
não a possuam ou careçam de condições de manutenção da própria sobrevivência; ” (BRASIL, 2003).
O idoso saudável precisa sentir-se engajado com as atividades do cotidiano, jamais sendo
deixado de lado ou sendo visto como incapaz – e tudo isso depende do bom convívio com seus
familiares. Em pesquisa feita com idosos que convivem com suas respectivas famílias, foi constatado
que quando a qualidade afetiva em relação à família foi ótima e boa, os idosos tiveram um menor
grau de dependência emocional e atividades de lazer, em contraposição aos idosos que avaliaram
como regular e péssima a qualidade afetiva em relação à família, os quais tiveram aumento substancial
no grau de dependência emocional. (MENDES, et al., 2005). Ao sofrer rejeição ou ter um
relacionamento ruim com a família, o idoso passa a ter mais chances de adoecer e a envelhecer mais
rápido.
Sobre o abandono, este pode ser caracterizado também pelo fato de o idoso estar em más
condições e não somente em largar o idoso sozinho fora do imóvel.
O Estatuto do Idoso assegura também o direito à liberdade, o respeito e a dignidade. Sendo o
direito à liberdade compreendido, entre outras alternativas, à participação na vida familiar e
comunitária. A família também tem dever de

6 MATERIAL E MÉTODOS

O processo de construção do presente artigo se deu através de pesquisa bibliográfica, em três


etapas.
A primeira etapa consistiu em pesquisa exploratória, ao fazer levantamento de dados, reunindo
livros, artigos, teses e dissertações que serviram de base para o desenvolvimento deste. Com o
objetivo de obter maior domínio sobre o tema escolhido, as buscas foram feitas por meio eletrônico
e físicos, ao procurar livros que embasassem o referencial teórico.
A segunda etapa foi de resumir e selecionar os textos que melhor caberiam no contexto deste
e foram adicionadas as impressões e pesquisar em jornais, revistas e noticiários por atualizações
acerca do tema.
A terceira etapa foi de leitura analítica, onde foi possível analisar as fontes, de forma a
possibilitar o levantamento de questões para a problemática da pesquisa. Foram reunidas as leis que
dispõem sobre os direitos dos idosos relacionados principalmente à convivência familiar, além da
elaboração de notas, considerando a vivência em campo no período do curso por meio dos estágios.
8

A metodologia revelou-se adequada e mostrou que podem haver também outras fontes de
consulta, como visitas aos órgãos responsáveis pela seguridade do idoso.

7 RESULTADOS E DISCUSSÕES

O envelhecimento é um fenômeno irreversível e as tratativas sobre esse tema tem sido cada
vez mais discutidas. A vulnerabilidade presente traz inúmeras limitações, como doenças físicas ou
psicológicas, cujas podem resultar em preconceito contra a pessoa idosa, atingindo seu emocional.
A dependência da pessoa idosa influencia diretamente na qualidade de vida desta, onde a
família deve se responsabilizar pelo conforto e dignidade do idoso. Sabemos que o grau de
necessidade de cuidados vai influenciar na dinâmica, economia e tempo dos familiares, sendo o
planejamento e zelo peças fundamentais no bom funcionamento da casa para um cuidado de
excelência ao idoso necessitado.
O cuidado de forma inadequada ou ineficiente é observado quando membros da família não
estão disponíveis ou despreparados para tal – então, episódios de maus tratos e abuso podem aparecer.
(JEDE; SPULDARO, 2009). Observa-se a necessidade de os programas para idosos informarem e
instruírem a sociedade e preparando-a para esta situação. De acordo com Silva et al. [2014]:

A responsabilidade entre pais e filhos vai além da obrigação legal de natureza material
(pecuniária). Há inúmeros casos de filhos que deixam seus pais em asilos com a promessa de
que irão retornar, mas nunca mais o fazem. Esses idosos acabam sendo privados da
convivência familiar, tudo a consubstanciar uma afronta ao dever de assistência afetiva (art.
3º do Estatuto do Idoso).

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA apud Pinheiro (2006),
27% dos idosos brasileiros precisam de ajuda diária. Entre os que passaram dos 80 anos, cerca de
90.000 mulheres e 184.000 homens são incapazes de andar ou subir poucos degraus de uma escada.
A consequência disso é que cada vez mais famílias terão de lidar com a difícil tarefa de assumir seus
doentes.
A falta de orientação das famílias pode gerar situações constrangedoras tanto para o ente
quanto para o idoso, pois a pessoa responsável poderá não saber como agir em situações emergenciais,
causando (mesmo que inconscientemente) agressões, como apertar os braços do idoso, gritar e/ou
descontar de alguma forma a tensão.
O idoso deve ser tratado com respeito e consideração, sem ter suas vontades ignoradas, afinal,
ele possui identidade e vontade de tomar suas próprias decisões.
9

8 CONCLUSÃO

Na terceira idade ocorrem várias mutações com o indivíduo: seja física, emocional e/ou
financeira. Há a troca de papéis sociais e, consequentemente, a mudança de comportamento mediante
tantas alterações.
O Estado pode agir, sugestivamente, por meio de políticas públicas para apoiar tais
necessidades, seja por meio de leis, decretos, programas, etc.
Assim sendo, o Estado, a sociedade e a família devem estimular o envolvimento social do
idoso para evitar sentimentos de solidão e depressão. Nota-se que sentimentos negativos influenciam
diretamente da saúde do idoso, onde a solidariedade familiar é essencial para uma boa qualidade de
vida.
Em determinados casos, a família torna-se ausente e faz o idoso entrar em processo auto
anulação, por meio de negligência. Na maioria das vezes, os familiares culpam a falta de tempo por
não cumprir com os horários dos remédios, não comprar os materiais necessários para a higiene do
idoso ou não os alimentar na hora correta.
Atualmente, os idosos são amparados pelo Estatuto do Idoso, na Lei 10.741/2003, que amplia
os direitos dos cidadãos com idade acima de 60 anos. É mais abrangente que a Política Nacional do
Idoso, de 1994. A Constituição de 1988, no art. 230, afirma também que a família tem o dever de
amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade
e bem-estar, garantindo-lhes o direito à vida.
A família é tida como a célula principal da organização social e cabe a ela se reorganizar de
forma que atenda às necessidades do idoso para que ele possa adaptar-se às novas mudanças
biológicas naturais.
Portanto, além de ser amparado pela lei, com direito à convivência familiar, o idoso tem papel
relevante pois pode contribuir com suas experiências de vida, apresentando soluções de problemas
aos que o rodeiam e com o sustento.

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