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Qualidade de vida e sustentabilidade: vieses que se (entre) cruzam no

cotidiano de populações quilombolas que vivem na caatinga.


Josilda Batista Lima1.
Universidade do Estado da Bahia - UNEB

RESUMO

Este texto trata das concepções de qualidade de vida e sustentabilidade, e seu uso no
contexto da caatinga, em comunidades rurais, especificamente em comunidades
tradicionais quilombolas. Pretende ampliar a discussão sobre a implementação de
instrumentos que viabilize a convivência dessas populações com o semiárido de forma a
serem valorizados como administradores dos recursos de que dependem a vida no planeta
(água, solo, floresta, clima etc.). Discute as questões paradoxais que envolvem a relação
do ser humano com o sertão nordestino, desde a política de comiseração ainda praticada
pelos governos, e a riqueza natural (fauna e flora) e imaterial (saberes tradicionais) que
se interrelacionam nesse contexto, dando a dimensão do nível de complexidade que
envolve a temática. Com o auxílio de vários teóricos (FERNANDES, 2008; LEFF, 2009;
TOLEDO, 2009; SACHS, 2010; CONTI; SCHROEDER, 2013) foi trazido para o campo
analítico/reflexivo, novas abordagens sobre a essencialidade de ser efetivado um novo
paradigma, no qual a população rural, especificamente as tradicionais, sejam respeitadas
nas questões que promovam o aumento no nível de sua qualidade de vida, bem como
enquanto detentoras de saberes essenciais para a sedimentação de sociedades
sustentáveis.

Palavras-chaves: qualidade de vida, sustentabilidade, população quilombola, caatinga

1. Introdução

Quando se pensa ou fala sobre qualidade de vida, o imaginário desloca-se de


imediato, a ambientes paradisíacos, casas confortáveis, alimentos em fartura, viagens
turísticas … etc. Nesse aspecto, haverá sempre algo que nos remeta ao locus de prazer
seja ele no campo da materialidade ou no campo da subjetividade. Mantendo a mesma
lógica / linha de raciocínio, é veiculado na mídia televisiva um modelo de qualidade de

1 Doutoranda em Educação e Contemporaneidade, Lp3 – Educação, Gestão e Desenvolvimento Local e Sustentável

(PPGEduC-UNEB); Mestra em Educação; Bióloga; Professora do Curso Licenciatura em Ciências Biológicas –

Campus VIII-Paulo Afonsop/UNEB. E-mail: jjollimaa@gmail.com

1
vida que só tem lugar em centros urbanos, de preferência na “capital”, onde as pessoas
tem acesso a centros de excelência em medicina, moram em condomínios fechados,
possuem automóvel, estão conectados à Internet 24 horas por dia, vão ao supermercado,
tem acesso com regularidade a cinema, teatro, casas de shows, etc.

Em um outro contexto, de forma paradoxal, essa mesma mídia veicula


informações sobre índices alarmantes de assassinatos, suicídios, infartos fulminantes,
casos de depressão, aumentos do uso de psicotrópicos, stress, seca ou enchentes em
diversas regiões do planeta, aumento da pobreza e falta de alimento, tráfico e escravização
humana …, exigindo uma reflexão sobre a estrutura societária vigente em relação aos
diversos seus contextos de desenvolvimento: social, econômico e ambiental.

Considerando a discussão sobre desenvolvimento sustentável, que tem sido


utilizado desde 1987, com a elaboração do Relatório Brundtland - Comissão Mundial
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no qual a supressão das necessidades da atual
geração deve ocorrer sem que seja comprometida a capacidade de atender as necessidades
das gerações futuras, está longe de corresponder ao objetivo estabelecido, já que “o
modelo de desenvolvimento perseguido por governos, empresas e diversos setores da
sociedade” (RAMOS, 2008, p.383), inclusive no Brasil, revela uma suposta
incompatibilidade entre o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental; entre
o avanço tecnológico e a melhoria da qualidade de vida da população.

Nessa conjuntura encontram-se, também, as populações tradicionais (indígenas,


quilombolas, ribeirinhos, pescadores etc.), cuja cultura enfrenta distorções e ações
controversas no que se refere à sua valorização/conservação por parte dos sistemas
governamentais e econômicos brasileiros. Se por um lado, as populações quilombolas
(sujeitos da reflexão crítica proposta por esse artigo), têm por parte do governo garantido
o seu reconhecimento, através do artigo 68 da Constituição Federal, instituído no Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT2, no qual se afirma: “Aos
Remanescentes das Comunidades dos Quilombos que estejam ocupando suas terras é
reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado, emitir-lhes os respectivos
títulos”; garantindo os direitos culturais, definindo como responsabilidade do estado a
preparação das “manifestações das culturas populares, indígenas e afrodescendentes”; por
outro o que se vê são políticas públicas ineficientes, principalmente para as populações

2 Mensagem nº 370, de 13 de maio de 2002.


http://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/128855/mensagem-370-02

2
quilombolas que vivem no semiárido nordestino, no bioma caatinga, no que se refere aos
incentivos para o desenvolvimento da agricultura familiar, a preservação da cultura de
manejo da fauna e flora sertaneja, à construção de moradias com estruturas sanitárias que
viabilizem o sistema de saneamento básico, a efetivação de um projeto pedagógico que
valorize os saberes tradicionais da população in foco, em “um processo de reapropriação
social da natureza dentro dos princípios e valores de uma racionalidade ambiental e de
uma política da diversidade e da diferença” (LEFF, 2009, p. 12).

Assim, a inquietação sobre a necessidade de responder a alguns questionamentos


que talvez possibilite um novo “olhar” sobre o modo de vida humano, no que se refere ao
significado de qualidade de vida se faz mister: Só é possível ter qualidade de vida em
centros urbanos? Os indicadores usados para avaliar a qualidade de vida de populações
humanas contemplam a realidade do contexto rural? Em que medida o tipo de relação que
o homem tem com o ambiente onde vive determina sua qualidade de vida? Certos de que
o ambiente contribui e/ou interfere na relação sócio-cultural de uma população, como se
caracteriza a relação qualidade de vida - sustentabilidade de comunidades quilombolas
que vivem nos diversos biomas, e em especial no bioma caatinga?

Através das discussões sobre qualidade de vida e sustentabilidade, acessados via


estado da arte desses conceitos, busca-se responder às questões suscitadas acima,
conceitos esses aqui tratados como sendo da maior relevância para possível mudança de
paradigma. Considera-se nessa análise os elementos étnicos e sócio-territoriais que dão
visibilidade à identidade e sua relação com a territorialidade rural na busca da reinvenção
do ser quilombola, cujo território onde vive, o bioma caatinga, que trás consigo a
representação de inospitalidade amplamente divulgada.

2. (Re) visitando os conceitos de qualidade de vida e sustentabilidade na


interface com povos tradicionais

2.1. Qualidade de vida: (pré) concepção e (pré) conceito.

Hoje, o termo qualidade de vida é quase um “chavão”. Tem sido utilizado como
se dispensasse qualquer explicação. Entretanto, como veremos, o seu significado não está
entre as definições consideradas simples e consensuais.

3
Para o Grupo de Qualidade de Vida da divisão de Saúde Mental da OMS,
“qualidade de vida é a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da
cultura e sistemas de valores nos quais ele vive em relação aos seus objetivos,
expectativas, padrões e preocupações” (WHOQOL GROUP, 19943), nos dando uma
percepção mais ampliada no que diz respeito a esse conceito, o que nos reporta às diversas
dimensões da vida humana: social, cultural, psicológica, profissional, biológica etc.
Assim, a preocupação com o conceito de "qualidade de vida" refere-se a um “movimento
dentro das ciências humanas e biológicas no sentido de valorizar parâmetros mais amplos
que o controle de sintomas, a diminuição da mortalidade ou o aumento da expectativa de
vida” (idem) (grifo nosso).

As acentuadas diferenças sociais, evidenciam os contrastes nos modos de vida


entre os seres humanos nas diversas regiões planetárias, reificando o caráter servil do
trabalho, seja na indústria (automobilística, vestuário, alimentícia etc.), na produção
agrícola em grande escala (monoculturas da cana de açúcar, soja etc.), na infindável
variedade de prestações de serviços, hoje sob o jugo da “burguesia enobrecida” 4:
empresários, banqueiros, especuladores financeiros etc. Assim, o trabalho deixou de ser
reconhecido através de uma concepção de sobrevivência, em busca de meios para
satisfazer as necessidades básicas, até chegar, nos dias de hoje, como sendo vital e
fundamental para o sujeito, essencial à vida. Nessa perspectiva Fernandes (2008, p.1)
ressalta que “a ética do trabalho, tanto capitalista como socialista, contribui para a
valorização da atividade laboral, mas terá favorecido igualmente às mais pesadas
servidões.”

Na tentativa de universalizar os parâmetros, nos mais diversos contextos do


humano, levando em consideração as premissas que estabelecem a busca do
“desenvolvimento e do bem-estar, do ponto de vista ético, ambiental, de plenitude
humana, a fim de sugerir elementos para a elaboração de um novo conjunto de indicadores
que mensurem, a um só tempo e de forma integradora, o bem-estar individual, o equilíbrio
ambiental e o desenvolvimento econômico” (HERCULANO,2006, p. 1), a OMS
estabeleceu indicadores para verificação do nível de qualidade de vida da população

3 Organização Mundial de Saúde - OMS/ Divisão de Saúde Mental -Grupo Whoqol; Instrumentos de Avaliação de
Qualidade de Vida (WHOQOL) 1998 ; http://www.ufrgs.br/psiquiatria/psiq/whoqol1.html. Acesso em 24/05/2014.
4 Burguesia constituída de investidores pouco estimulados e avessos à riscos, que sucede à burguesia comerciante

européia do Sec. XVIII. (BOBBIO, Noberto. Estado, governo e sociedade: por uma teoria geral da política. 14ª ed.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2007.

4
humana em seu locus vital. Tendo o conceito de qualidade de vida como fundamento
desses indicadores, enquanto um direito de cidadania, no qual, segundo a OMS, “a noção
de qualidade de vida deve servir de base para um compromisso ético de uma sociedade
garantidora da vida, onde as potencialidades humanas não sejam brutalizadas nem a
natureza destruída” (ibid).

Ainda nesse contexto, Fernandes provoca uma reflexão em relação ao modus


vivendi da humanidade na atualidade, quando alerta para o fato que discorre na sua fala:

(…) desde que a sociedade actual passou a viver, não sob o signo da História,
mas sob o signo da Natureza, em simultâneo o trabalho deixa de ser, como no
passado mais recente, fonte de fortes identidades. Estes tendem a construir-se em
espaços mais alargados. As lutas sociais transferem- se também para outros
campos, constituídos em múltiplos domínios de afirmação de identidades. (…) À
medida que se multiplicam os factores de desagregação da natureza e aumentam
os condicionalismos da existência humana, estende-se e alarga-se igualmente a
concepção da qualidade de vida. (2008, p.2)
Nessa perspectiva a visibilidade das mudanças no estilo de vida das pessoas em
seu locus vital (relações sociais, culturais, parentais, trabalhistas, religiosa, ambiental)
mediante as mudanças e ameaças que a humanidade sofre desde o enfrentamento do
transito com seu excesso de ruídos, toxidade da atmosfera, violencias verbal e físicas; as
ameaças da alimentação que consome no corre-corre diário; a insegurança constante de
ser vítima dos mais diversos tipos de abuso: sexual, preconceito racial, homofobia,
xenofobia, roubo/furto, assassinato etc, envolvendo todos os povos qualquer que seja o
seu nível de desenvolvimento, revelando que a humanidade vive talvez o maior drama
ecológico5 de sua história. Portanto, se houver o entendimento sobre qualidade de vida
enquanto melhores condições de existencia do ser humano em qualquer região do planeta
onde se viva, necessário se faz levar em consideração os variados impactos culturais,
sociais e ambientais nas diversas populações provocados pelo estilo de vida vigente, o
qual é proposto/definido pela mídia, “braço” instrumental do sistema econômico
hegemônico.

2.2. Sustentabilidade: paradigmas e paradoxo.

Em um país – Brasil -, onde 16,2 milhões de pessoas vivem em condição de


miséria socioeconomica, com 59% dessas pessoas concentradas no Nordeste (9,6

5Estamos considerando o conceito de ecologia na vertente da Ecologia Humana, onde há “uma consciencia ecológica,
pelo amor, pelo respeito, pela admiração e pelo conhecimento do ecosssitema total do qual fazemos parte; por uma
ética que assegure a sobrevivencia da espeécie humana com qualidade, dignidade e integridade” ( KORMONDY;
BROWN, 2002, p, 444).

5
milhões), onde uma em cada quatro vive na zona rural (52%), sem nenhum tipo de
saneamento básico (53%), sem água potável (48%), população negra (71%), sendo que
“os menores municípios com população de até 50 000 habitantes da Região Nordeste são
aqueles cujos resultados são mais desfavoráveis, apresentando uma média de
analfabetismo para população de 15 anos e mais de idade em torno de 28%”. (Fonte
IBGE, 20106), leva à reflexão sobre a qualidade de vida de populações quilombolas que
vivem/interagem no e com o bioma caatinga, considerando que qualidade de vida não é
um conceito com identico alcance para a população das diferentes regiões brasileiras e
dos diversos estratos socioambientais.

Especificamente, no que se refere à ecorregião do Raso da Catarina (30.800km2),


uma dentre as oito propostas para o bioma caatinga, locus territorial de comunidades
quilombolas, na parte sul (Bahia), as altitudes variam de 400 a 600 m, com predominancia
de solos arenosos (profundos, excessivamente drenados, ácidos e de fertilidade muito
baixa), e latossolos (profundos, bem drenados, ácidos e de fertilidade baixa), com
precipitação média de 650 mm/ano e preríodo chuvosos de dezembro a julho (VELLOSO
et al., 2002, In: CONCEIÇÃO, 2012, p. 48).

Os padrões dos solos que ocorrem na área determinam a distribuição da cobertura


vegetal mais frequente (Leguminosae, 30,5%; Euphorbiaceae, 19%; Bignoniaceae,
15,5%; Sapindaceae, 6,9%; Asteraceae, 6,9%; Boraginaceae, 6%; Malvaceae, 5,6%;
Apocuýnaceae, 4,5%; Anacardiaceae, 4,5%; Convolvulaceae, 3,4%; Malpighiaceae,
3,4%). (Ibid, p. 50). No que se refere à diversidade animal, Veloso volta a nos lembrar
das

cerca de 44 espécies para a Ictiofauna no rio Vaza Barris (Astyanax bimaculatus


[Lambari]; Tilapia redalli [Tilápia]; Hoplias malabaricus [Traíra]; Geophagus
brasiliensis [Acará]; Serrasalmus branditii [Pirambeba]; Leporellus vittatus
[Piau]; Prochilodus vimboides [Curumatá]; entre outros, e cerca de 30 espécies
para a Avifauna (Hemitriccus margaritaceiventer [Sebitinho]; Megaxenops
paraguae [Bico-virado-da-caatinga]; Myiodynastes maculatus [Bem-te-vi-
rajado]; Pseudoseisura cristata [Casaca-de-couro]; Propyrhurra maracana
[Maracana-verdadeira]; Sarcorhamphus papa [Urubu-rei]; Penelope jacucaca
[Jacu-verdadeiro]; Gyalophylax hellmayri [João-chichi]; Sakesphorus cristatus
[Choro-prateado]; Artinga cactorum [Periquito-do-sertão]; Anodorhynchus leari
[Arara-azul-de-Lear]; Piccummus pygmeus [Pica-pau-arruivado]; Chloroceryle
amazona [Martim-pescador], entre outros. (ibid, p. 50-51)

6
Divulga estudos descritivos e análises de resultados de tabulações especiais de uma ou mais pesquisas, de autoria
Institucional. A série Estudos e pesquisas está subdividida em: Informação Demográfica e Socioeconômica, Informação
Econômica, Informação Geográfica e Documentação e Disseminação de Informações.
http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv54598.pdf. Acesso em 25 de maio de 2014.

6
revelando, de forma surpreendente a riquíssima diversidade biológica (vegetal e animal)
da caatinga, riqueza essa amplamente reconhecida pelos povos tradicionais ali existentes
(indígenas, quilombolas), através do uso da fauna e flora da caatinga enquanto alimento,
remédio, construção etc. Esses recursos, para Santilli (2008), devem ser merecedores de

uma proteção legal mais eficaz aos conhecimentos, inovações e práticas dos
povos tradicionais, que incluem desde propriedades medicinais de espécies
animais (e vegetais) até técnicas de manejo de recursos naturais, métodos de caça
e pesca, conhecimentos sobre os diversos ecossitemas e até as próprias
categorizações e classificação de flora e fauna. (p. 168)
O reconhecimento legal dos saberes tradicionais, especificamente no que diz
respeito ao uso secular dos recursos naturais da caatinga, como condição para a
reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica das práticas utilizadas por
comundiades quilombolas que vivem nesse bioma, garantirá sua valorização enquanto
conhecimento que viabiliza metodologias sustentáveis que remetem a uma identidade
cultural (usos, costumes e tradições) coletivamente elaborada, reproduzida e
compartilhada.

Nesse lugar, busca-se compreender a relação paradoxal entre toda a


riqueza/potencialidade de um bioma que tem uma representação de inospitalidade,
disseminada pelos livros didáticos, matérias televisivas e em jornais/revistas, reafirmando
o aspecto da difícil convivencia do ser humano com o semiárido. O discurso sobre a
problemática da “seca” no nordeste tem sido trabalhada pelos governos brasileiros,
reforçando a justificativa secular de que os “governo se esforça”, mas é a “natureza que
não permite” o desenvolvimento da região. No contraditório desse discurso, Schistek
(2013), chama a atenção:

Os anos de mais baixa precipitação não devem assustar a ninguém, ao


contrário, devem ser considerados como fatores de produção. Quando um ano de
baixa precipitação assusta a sociedade, os governos dos estados e em Brasília,
isto é unicamente um sinal de que somos até hoje uma região mal compreendida.
Para a natureza, os seus animais e plantas, um ano como o de agora, não é
nenhuma catástrofe. Em milhares de anos estes souberam se adaptar e criar
resistência. Uma catástrofe, isto sim, é a falta de preparo dos nossos governos.
Tiveram três décadas, desde a última grande seca, para não, mais uma vez, serem
apanhados de surpresa. Assim, mais uma vez precisam tomar medidas de
emergência, gastar somas vultuosas para evitar maiores prejuízos econômicos e
mortes na população (p. 32).
Conviver com a zona climática da região onde mora, é fator preponderante para a
fixação/relação do homem ao ecossistema do qual retirará seu sustento, um dos elementos
que contribui para a definição do nível de qualidade de vida desejado. Ao mesmo tempo,

7
o contexto histórico da relação “enviesada” que o sistema político-econômico brasileiro
vem tendo com o semiárido, possibilita uma análise/reflexão mais crítica sobre o que de
fato interessa a esse artigo: a relação entre qualidade de vida e sustentabilidade de
populações quilombolas na caatinga. Assim, saber que:

(…) a vida da população indígena integrada ao ambiente Semiárido foi


brutalmente interrompida pela invasão dos portugueses. Assim, o grande mal que
se fez ao Semiárido não vem de agora ou do século passado. Vem desde a
primeira invasão pelos portugueses e tem tudo a ver com a monocultura de cana
de açúcar no litoral nordestino. O gado, indispensável para o manejo da cana de
açúcar e para a alimentação da população humana, num certo momento, numa
época em que não existia o arame farpado, não podia mais fi car próximo às
plantações e foi, por decreto governamental, empurrado para o interior. E já em
1640 se estabeleceu o primeiro curral para o gado bovino no médio São
Francisco, dando assim início a uma sequência até hoje mantida: uma política
concebida fora da região, introduzindo algo não adaptado ao clima, servindo a
interesses estranhos. Não demorou e se formaram dois imensos latifúndios que
ocuparam toda a região desde o Maranhão até Minas Gerais: os morgados da Casa
da Torre e da Casa da Ponte. Para o povo só existia lugar com o vaqueiro, que
mantinha sua rocinha para alimentar a família, mas ele nunca poderia ser dono
daquele pedaço de chão. Essa é a origem da agricultura familiar na região.
Estamos numa fase de nova invasão do SAB7, que é mais devastadora que a dos
portugueses. São os grandes projetos que expulsam a população, destroem a
caatinga, exploram os bens naturais, sem maiores benefícios para as populações
locais, causando desertificação. A exemplo das mineradoras, grandes projetos
energéticos e de irrigação se instalam na região e ampliam a concentração de
renda e o êxodo rural. Para os grandes fica o lucro e para o povo as “bolsas”, a
perda das terras e o subemprego. Prometem “emprego” para um povo que não
necessita de emprego, pois já tem seu ganho de vida, como homem livre na
agricultura e na criação de animais, mas ele necessita de segurança na terra e a
terra, em tamanho adequado para as condições de semiaridez (SCHISTEK, 2013,
p. 34).
O que Schistek retrata historicamente, refere-se à exclusão das condições
ecológicas necessárias para a presenvação de bases produtivas dos ecossistemas naturais,
sem considerar os saberes das populações tradicionais locais, resultantes de uma
“racionalidade econômica que não incorpora facilmente suas externalidades ambientais
nem os princípios de um desenvolvimento sustentável” (LEFF, 2009, p. 170-171), não
levando em conta os “princípios ambientais do desenvolvimento que promovem a
conservação e a ampliação da capacidade produtiva dos ecossitemas, baseados na
produtividade primária dos mesmos, na inovação de tecnologias ecologicamante
sustentáveis e nos valores culturais das comunidades locais”. (ibid p. 171-172).

7 Semiárido brasileiro – SAB (CONTI, I.L.; SCHROEDER, E.O. (Orgs.) CONVIVÊNCIA COM O SEMIÁRIDO
BRASILEIRO: Autonomia e Protagonismo Social. Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul – FAURGS/REDEgenteSAN / Instituto Ambiental Brasil Sustentável – IABS / Agência Espanhola de Cooperação
Internacional para o Desenvolvimento – AECID / Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome - MDS /
Editora IABS, Brasília-DF, Brasil - 2013.)

8
2.3. Populações tradicionais e a interface entre qualidade de vida e
sustentabilidade

Em um país – Brasil - onde a distribuição de terras é considerada como a menos


equitativa do planeta (TOLEDO, 2003, p. 128), comunidades quilombolas, constituídas
de uma população de 11.946 famílias com títulos emitidos pelo Governo Federal
(Relatório-MDA, 2012, p. 16), distribuídas por todas as regiões do país, para as quais,
segundo relatórios técnicos, um território quilombola é um locus de diversos usos
simultaneos – moradia, produção e cultivo, extrativismo, criação de animais, caça, pesca,
patrimonio cultural - , empreende condutas territorias que provem a proteção do espaço
territorial, afastando invasores e exploradores de recursos naturais, resguardando a
integridade ambiental dessas áreas, exemplificando de forma prática a articulação entre
bem-estar humano e bem-estar das matas, das florestas, das águas (Relatório-MDA, 2012,
p. 20). Nessa mesma perspectiva, as comunidades tradicionais (quilombolas e indígenas)
da ecorregião do Raso da Catarina (Jeremoabo, Bahia), fazem uso frequente de plantas
da caatinga na alimentação humana e animal, como também para fins medicinais, para a
confecção de utencílios, lenha, etc.

A defesa da valorização das áreas rurais, ocupadas em grande parte por povos
tradicionais, principalmente indígenas e quilombolas, tem sido feitas por estudiosos de
ponta, entre os quais o pesquisador mexicano Víctor M. Toledo (2003, p. 173-174),
quando afirma que há necessidade de que seja reconhecida a importancia dessa população
pelos habitantes das áreas urbanas, as quais se expressam na seguinte assertiva:

Debe convertirse en un ser consciente de que los benefícios de los que disfruta:
oxígeno, agua, alimentos, materias primas, poaibilidades de recreación y
esparcimiento, se deben en buena medida a sus contrapartes rurales y naturales.
A transmissão de geração a geração dos saberes tradicionais acerca do uso e
preparo de plantas ou partes delas, conservando um vasto conhecimento acerca de
princípios ativos (para se fazer medicamentos, corantes, defensivos agrícolas, comésticos
etc.), coloca o Brasil entre os países megabiodiverso (juntamente com a China e a Índia)8,
o que lhe dá uma posição estratégica no cenário mundial nas mais diversas áreas
(Medicina/Farmaceutica, Agricultura/Alimentícia etc.), possibilitando maior visibilidade

8 Atualmente, fazem parte do grupo de megabiodiversos os seguintes países: África do Sul, Bolívia, Brasil, China,
Colômbia, Congo, Costa Rica, Equador, Filipinas, Índia, Indonésia, Madagascar, Malásia, México, Peru, Quênia e
Venezuela. Essas nações reúnem mais de 70% de toda a biodiversidade do planeta e representam 45% da população
mundial. (Fonte: Ministério do Meio Ambiente do Brasil. http://www.mma.gov.br/informma/item/5315-lucros-com-
biodiversidade-tem-que-ser-divididos-com-populacoes-tradicionais). Acesso em 25 de maio de 2014.

9
da importancia dessas comunidades no contexto da sustentabilidade planetária. As
comunidades tradicionais são, portanto, exemplos vivos daquilo que Toledo (2003, p.
175-176) defende enquanto sociedade verdadeiramente democrática, na qual aja uma
economia ecológica, com “mercados alternativos, verdes e justos”, onde o “trabalho
coletivo tem a ver com a sustentabilidade da autonomia dos territórios e o fortalecimento
dos laços afetivos entre familiares, vizinhos e vizinhas, comadres e compadres”
(Relatório-MDA, 2013, p. 22).

Desse modo, toma-se como referencia conceitual de sustentabilidade, aquele que


leva em consideração os saberes materiais e imateriais de comunidade tradicionais, no
caso específico, comunidades quilombolas, valorização do patrimonio cultural imaterial
da população das comunidades in foco (expressões e celebrações culturais tradiconais,
saberes ancestrais no que diz respeito ao cuidado com a saúde, o uso de alimentos, o
modos de fazer, as formas de ver e pensar a vida etc.), e o patrimonio cultural material
(implementação de técnicas e procedimentos) que as comunidades quilombolas utilizam
em seu cotidiano no sentido de atender às suas necessidades. Nesse sentido Pelegrini
(2008, p. 149-150) corrobora o debate ao falar sobre a necessidade de

(…)estar atentos para não inocorremos no equívoco de subestimar a capacidade


e a vontade de grupos e comunidades de defender seus próprios interesses, seus
modos de viver e pensar o mundo – um olhar que sugere a compreensão de si e
do outro. Mas do que isso, cumpre aprendermos os significados de posturas,
crenças, celebrações, festas, músicas, danças, e de até mesmo nos rendermos à
fruição de histórias, contos e lendas – para não mencionarmos as surpresas da
degustação de inusitados sabores resultantes de maneiras singulares de cozinhar
e o prazer da retomada de brincadeiras não raro renegadas ou esquecidas. Assim,
enfatizamos que as “tradições populares” devem ser respeitadas nas suas
especificidades tanto pelos poderes públicos instituídos como pelos
pesquisadores.
No que diz respeito à relação das populações quilombolas com o seu território,
alguns indicadores que são considerados fundamentais para a especificação do nível da
qualidade de vida de uma população no seu lugar de pertencimento, tais como a falta de
sanemento básico e de água potável, moradias insalubres, difícil acesso á assistencia
médica, alto índice de analfabetismo etc., colocam a maioria das populações que vivem
no interior da caatinga, no limiar da condição de miserabilidade que ainda assola milhares
de brasileiros que vivem no sertão nordestino, nos remetendo ao interlugar em que
qualidade de vida e sustentabilidade (entre)cruzam-se numa perspectiva em que necessita
ser visitado.

10
Ainda considerando as contradições existentes no que se refere às questões
relacionadas à sustentabilidade e qualidade de vida na caatinga, especificamente das
comunidades quilombolas, considerando-se também as discussões, ainda incipientes, no
que se refere a convivencia com o semiárido9 por parte da população ali residente, Leff
(2009), provoca a necessária reflexão desses conceitos quando trás a concepção de
racionalidade ambiental fundamentando-se na concepção do ambiente enquanto potencial
produtivo e sistemico, em um processo de articulação entre recursos naturais, processos
de transformação e produtividade sociocultural das comunidades envolvidas, no qual o
autor ressalta que

(…) a racionalidade ambiental abre a possibilidade de mobilizar o


potencial dos processos ecológicos, da inovação cientifíco-tecnológica, assim
como da criatividade cultural e a participação social, para construir as bases e os
meios ecotecnológicos de produção para um desenvolvimento sustentável:
igualitário, descentralizado, autogestionário e ecologicamente equilibrado, capaz
de satisfazer as necessidades básicas da população, respeitando a sua diversidade
cultural e melhorando a sua qualidade de vida. (p. 287)
Os aspectos aqui ressaltados por Leff (2009), quanto as reflexões trazidas por
Conti e Schroder (2013) permitem destacar a relevancia implícita e impricada da
elaboração/implementação de um currículo para a convivencia com o semiárido,
enquanto

modo de vida e produção que respeita os saberes e a cultura local , utilizando


tecnologias e procedimentos apropriadas ao contexto ambiental e climático,
constrói processos de vivência na diversidade e harmonia entre as comunidades,
seus membros e o ambiente, possibilitando assim, uma ótima qualidade de vida e
permanência na terra, apesar das variações climáticas (Fonte: IRPAA10 ),
promovendo uma educação comprometida com ações direcionadas para uma nova forma
de produção ecotecnológica, unindo escola e comunidade, tomando como parâmetros os
saberes tradiconais e as necessidades da população, o que poderá fomentar uma relação
assentada no conhecimento/desenvolvimento, e provocar mudanças significativas na
realidade.

9 Entre outras ver discussões sobre o tema em:


Convivência com o Semiárido Brasileiro: Autonomia e Protagonismo
Social (CONTI,Irio Luiz; SCHRODER, Edni Oscar, 2013); Entre o Combate a Seca e a Convivência com o
Semiárido: transições paradigmáticas e sustentabilidade do desenvolvimento. (SILVA, Roberto Marinho Alves.
Tese de Doutorado, 2006); Educação com o Pé no Chão do Sertão – Proposta Político-pedagógica para as Escolas
Municipais de Curaçá.( MARTINS, Josemar da Silva ; LIMA, Aurilene Rodrigues. Curaçá: Seme/Irpaa/DCH III,
2000).
10 Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada – IRPAA. http://www.irpaa.org/modulo/convivencia-com-

o-semiarido. Acesso em 25 de maio de 2014.

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A relação qualidade de vida-sustentabilidade evidencia-se na acertiva de Sachs
(2010, p. 28) quando ressalta a importancia da população rural em serem “capazes de
fazer serviços ambientais essenciais”, e de serem “os guardiões das paisagens”, bem como
administrarem “os recursos de que depende nossa existência – solos, águas, florestas e,
por extensão, climas”, evidenciando a incoerência conceitual de se trabalhar com o
conceito de qualidade de vida apenas no contexto urbano, e de desassocia-lo ao conceito
de sustentabilidade.

3. Algumas considerações

As questões propostas na parte introdutória desse texto, permitiu iniciar um


“mergulho” consciente, em conceitos e concepções que estão representados de forma a
gerarem ações que só têm cristalizado o status quo vigente, no qual o modo de vida rural
do sertão nordestino, é tratado com um “olhar” de comiseração e desqualificação.

Entretanto, é possível verificar que conceitos como qualidade de vida e


sustentabilidade estão sendo tratados por pesquisadores nacionais e internacionais, como
conceitos fundamentais para a implementação de uma sociedade sustentável, na qual
homens e mulheres de comunidades tradicionais, inseridos no bioma caatinga, tenham
seus saberes valorizados e inseridos nos currículos escolares, contribuindo para o
fortalecimento da auto-estima da comunidade, e da necessidade de uma busca constante
da melhoria da qualidade de vida e de uma concepção de sustentabilidade que contemple
as necessárias relações bio-socioambientais, que envolvem a espécie humana e o
ecossistema no qual está inserido.

Apesar do conceito de qualidade de vida estar mais comumente relacionado às


populações urbanas, estudiosos respeitados como Enrique Leff e Victor M. Toledo,
ambos da Universidade Autônoma do México – UAM, trazem uma nova abordagem
sobre esse conceito, desconstruindo as representações preconceituosas, e descortinando
um novo paradigma, o qual tem a possibilidade de dar o real significado que os saberes
tradicionais tem, na perspectiva de contribuir para a efetivação de uma relação homem-
natureza sustentada em “pilares” que respeite o ciclo de vida de cada bioma, valorize a
diversidade biológica e cultural, viabilize os “sistemas tradicionais de relação com a
natureza e os intercâmbios comunitários” (LEFF, 2009, p. 288), compartilhando de forma
ética as competencias que interferem na promoção da tão desejada sustentabilidade

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societária: manejo dos recursos naturais, realização de serviços ambientais, preservação
de manaciais ecossitemicos, transmissão e proteção dos bens imateriais (saberes
tradicionais/populares).

REFERENCIAS

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