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AULA 09 – Coesão textual (Prof. Esp. Me. João Crepschi – joao.crepschi@gmail.

com)

1. Coesão textual - Definição

* Um texto não é constituído por uma soma de sentenças, mas pelo encadeamento semântico
delas;
* Coesão textual: estabelecimento de referências e relações articulando entre si as várias partes
do texto;

2. Tipos de coesão

* Coesão referencial: um componente da superfície textual faz remissão a outro(s) elemento(s)


[referentes] nela presentes ou inferíveis a partir do universo textual.
* Coesão sequencial: cria condições para que o discurso avance, através das:
- diferentes flexões verbais de tempo e modo;
- conjunções;

3. Coesão referencial

3.1. Retomada anafórica do referente

Em seu livro “Modernidade Líquida”, o sociólogo Zygmunt Bauman disserta acerca dos efeitos
da excessiva velocidade de propagação de informações, logrado pelo advento das mídias
sociais, nas diversas sociedades. Para ele, tal conjuntura torna os sentimentos humanos cada
vez mais “líquidos”: todas as emoções, incluindo aquelas oriundas de profunda indignação
perante as mazelas do mundo, são efêmeras e passíveis de substituição assim que novas
sensações forem despertadas mediante novas notícias.

[1º§ de redação nota 10, UNESP 2016 – “Publicação de imagens trágicas: banalização ou
sensibilização?”]

3.2. Retomada catafórica do referente

O racismo não existe no Brasil. Essa é a frase que ecoa em uma sociedade que crê cegamente
na harmonia entre as etnias de um país multirracial. Porém, embora não haja placas que
determinem onde brancos e negros podem se sentar – como houvera outrora nos Estados unidos
e na África do Sul – existe aqui uma linha invisível que segrega cores e se torna tão mais visível
quanto mais escura é a cor da pele. É isso que o Mito da Democracia Racial reserva aos negros:
um racismo velado, que eles próprios sentem, mas a sociedade insiste em não enxergar.

[1º§ de redação nota 10, UNESP 2015 – “O legado da escravidão e o preconceito contra negros
no Brasil”]

3.3. Formas de progressão referencial

* Para a continuidade de um texto, equilíbrio entre repetição e progressão;


* Elementos linguísticos: pronomes, numerais, advérbios locativos, elipses, formas nominais;

- Exemplo 1

Nenhum problema social é fácil de resolver, principalmente no Brasil, um país extremamente


burocrático, que se caracteriza pela morosidade na solução de problemas. Dessa forma, não se
pode criticar aqueles que instalam estruturas antimoradores de rua na frente de suas casas ou
estabelecimentos comerciais. É uma medida extrema, para que o problema não perdure, pelo
menos ali.

[1º§ de redação nota 10, PUC-RS 2015 – “Moradores de rua x Circulação pública”]

- Exemplo 2
A repressão da mulher está presente desde os tempos mais remotos da civilização. Na antiga
Grécia, as famosas mulheres de Atenas já eram vistas como elementos inferiores, por serem
supostamente destituídas de qualquer capacidade humana valiosa e, portanto, deveriam ser
submetidas ao poder do homem, além de serem privadas de seus direitos como cidadãs. A
difusão da ideologia da supremacia masculina foi profundamente incorporada, e a inferiorização
da capacidade feminina atingiu um caráter extremo: a coisificação do seu corpo. A mulher é vista
como um objeto de satisfação sexual do homem, um ser que deve ter um espaço de atuação
restrito ao ambiente doméstico, distante do mercado de trabalho, por ser este privilégio apenas
da participação masculina. Nesse contexto, o movimento feminista, com passeatas como a
“Marcha das vadias”, emergiu como reação à subvaloração da mulher, e suas conquistas foram
determinantes para sua integração social quase plena. Porém, em certos momentos, essa
evolução sofre um verdadeiro retrocesso e, novamente a postura machista prevalece. É o caso
da criação do “vagão rosa” no metrô. É incontestável a essência positiva do objetivo de proteger
a mulher contra os possíveis constrangimentos ou abusos, mas tal postura apenas reafirma sua
fragilidade perante o homem, pois não promove um embate a fim de que os crimes sofridos por
ela sejam discutidos ou exterminados. Pelo contrário, separá-la em um ambiente público é uma
maneira “eufêmica” de reafirmar que essa postura do homem é natural e, portanto, cabe à
mulher ser punida e não, o agressor.

[2º§ de redação nota 10, PUCCAMP 2015 – “Vagão rosa”]

- Exemplo 3

É esse o contexto denominado pelo filósofo Zigmund Bauman de “mundo líquido”. Nele,
os relacionamentos e os anseios pessoais constituem-se por superficialidade e imediatismo, com
um caráter egoísta que, por fim, tende a frustrar o indivíduo. Nunca foi tão fácil consumir produtos
e conhecer pessoas novas; contudo, jamais o ser humano viveu tão angustiado e intimamente
solitário.
Nessa conjuntura insustentável, faz-se necessária a contra-ideologia, que tem, de
acordo com Alfredo Bosi, a finalidade de contestar as convicções hegemônicas, dando ênfase
ao espírito de coletividade e a projetos duradouros.(...)

[3º§ e parte do 4º§ de redação nota 10, FUVEST 2011 – “Altruísmo e pensamento de longo
prazo no mundo contemporâneo”]

- Exemplo 4

O individualismo impera no mundo contemporâneo. Contudo, todo imperador possui ascensão e


queda. Se o capitalismo fixou o egocentrismo e a sede pelo lucro; a Natureza instituirá o
altruísmo. É em sua solidariedade e em seu sacrifício ao próximo que a Natureza ensina ao
homem qual é a chave para a felicidade.

[1º§ de redação nota 10, FUVEST 2011 – “Altruísmo e pensamento de longo prazo no mundo
contemporâneo”]

- Exemplo 5

A floresta Amazônica vem sofrendo há muito tempo com o desmatamento, problema que
compromete a realização natural do ciclo da água, prejudicando, assim, o funcionamento pleno
deste bioma. Desse modo, é necessário preservar tal ambiente; e uma das maneiras de fazê-
lo é a efetivação de pagamentos a proprietários de terra a fim de que parem de desmatar a
floresta. Contudo, não se deve executar apenas esta ação.

[1º§ de redação ENEM 2008 – “Como preservar a floresta Amazônica.”]

- Exemplo 6

Contudo, é nesse momento que nos deparamos com a chave do problema: quais são esses
princípios verdadeiros de julgamento? Será que eles sequer existem? Deve-se notar que essa
idéia de crítica imparcial suscita duas questões. Primeira: é possível uma pessoa ser totalmente
imparcial, isto é, deixar de lado todos os seus pré-conceitos e julgar algo de forma totalmente
isenta? Segundo: se tudo isso for possível, esse julgamento isento seria fundado exatamente
em quê?

[3º§ de redação nota 10, PUCCAMP 2010 – “Quem, ao julgar, baseia-se numa vivência ou numa
experiência pessoal, dificilmente confunde crítica com preconceito.”]

4. Coesão sequencial
4.1. Sequenciação parafrástica – recursos de recorrência

A imagem do menino sírio encontrado morto em uma praia na Turquia, após o naufrágio de um
barco com refugiados, percorreu o mundo e provocou choque. A polêmica questão dos
refugiados estava, então, estampada em todos os jornais, mostrando a sua face cruel, mesmo
para aqueles que a desconheciam ou insistiam em negar a sua importância e urgência. Logo,
o mundo teve de encarar a realidade, em sua forma mais cruel, para promover a reflexão a
respeito de uma questão ainda negligenciada. Isso revela a importância das imagens na
sensibilização e mobilização dos indivíduos mundialmente, promovendo conscientização e
possibilidade de mudança.

[2º§ de redação nota 10, UNESP 2016 – “Publicação de imagens trágicas: banalização ou
sensibilização?”]

4.2. Sequenciação frástica – relações entre segmentos maiores ou menores do texto

Sabe-se que, durante a expansão marítima do século XVI e o neocolonialismo do século


XIX, teses racistas, como o darwinismo social, que pregava a superioridade do branco europeu
e via o negro como uma raça inferior e destinada à escravidão, foram amplamente difundidas.
Essas teorias mascaravam o real objetivo das potências europeias, que era dominar e explorar
os povos africanos. Contudo, mesmo com a abolição da escravidão, percebe-se que resquícios
desse pensamento discriminatório e infundado estão presentes no mundo, em especial na
sociedade brasileira. Assim, nota-se que os negros no Brasil convivem com uma difícil realidade,
permeada pelo preconceito e opressão velados.
Nesse contexto, deve-se recordar que milhares de negros foram trazidos da África para
o Brasil na condição de escravos, desde as primeiras décadas de colonização do país. Dessa
forma, observa-se que os negros africanos trabalharam arduamente para a sociedade brasileira
por mais de trezentos anos. Além disso, o processo de miscigenação fez dos africanos uma das
bases da etnia brasileira. No entanto, após a abolição da escravatura, nenhum amparo foi dado
aos escravos libertos, que foram substituídos na lavoura e, posteriormente, na indústria, pelos
imigrantes europeus. Assim, os negros, sem formação, sem emprego e abandonados pelo
Estado passaram a viver numa situação de miséria e ausência de direitos básicos e, atualmente,
representam a grande parte da classe baixa brasileira.

[1º e 2º §s de redação nota 10, UNESP 2015 – “O legado da escravidão e o preconceito contra
negros no Brasil”]

EXERCÍCIOS – Reescreva com coesão textual.

1) Todos os anos dezenas de baleias encalham nas praias do mundo e até há pouco nenhum
oceanógrafo ou biólogo era capaz de explicar por que as baleias encalham. Segundo uma
hipótese corrente, as baleias se suicidariam ao pressentir a morte, em razão de uma doença
grave ou da própria idade, ou seja, as baleias praticariam uma espécie de eutanásia instintiva.
Segundo outra hipótese, as baleias se desorientariam por influência de tempestades magnéticas
ou de correntes marinhas. Agora, dois pesquisadores do Departamento de História Natural do
Museu Britânico, com sede em Londres, encontraram uma resposta científica para o suicídio das
baleias. De acordo com os pesquisadores, as baleias são desorientadas de suas rotas em alto-
mar para as águas rasas do litoral por ação de um minúsculo verme.
2) O governo de muitos países tem decidido liberar a maconha para uso doméstico. A Inglaterra
agora faz vistas grossas ao seu consumo. Ela deixará, a partir de agora, de efetuar prisões por
seu porte para consumo próprio. Ela segue a tendência européia de maior tolerância com os
usuários de drogas leves.