Вы находитесь на странице: 1из 12

Karla Holanda

marina Cavalcanti Tedesco


(orgs.)

feminino e plural

mulHereS no Cinema BraSileiro

P A P I R U S E D I T O R A
Capa Fernando Cornacchia
Imagem de capa **************************************
(*************************)
************ © **************
Coordenação Ana Carolina Freitas
Copidesque Mônica Saddy Martins
Diagramação DPG Editora
Revisão **************

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Feminino e plural: Mulheres no cinema brasileiro/Karla Holanda;


Marina Cavalcanti Tedesco (orgs.). – Campinas, SP: Papirus, 2017.
– (Coleção Campo Imagético)

Bibliografia.
ISBN 978-85-449-****-*

1. ***************** 2. *********************** 3. ******************* *****


4. *********************** I. Holanda, Karla. II. Tedesco, Marina
Cavalcanti. III Título. IV. Série.

17-***** CDD-***.***

Índice para catálogo sistemático:


1. ************** ***.***

1ª Edição – 2017

Exceto no caso Proibida a reprodução total ou parcial da obra de acordo com a lei 9.610/98.
de citações, a Editora afiliada à Associação Brasileira dos Direitos Reprográficos (ABDR).
grafia deste livro
está atualizada
segundo o Acordo DIREITOS RESERVADOS PARA A LÍNGUA PORTUGUESA:
Ortográfico da © M.R. Cornacchia Livraria e Editora Ltda. – Papirus Editora
Língua Portuguesa R. Dr. Gabriel Penteado, 253 – CEP 13041-305 – Vila João Jorge
adotado no Brasil Fone/fax: (19) 3790-1300 – Campinas – São Paulo – Brasil
a partir de 2009. E-mail: editora@papirus.com.br – www.papirus.com.br
Sumário

PREFÁCIO xx
Heloísa Buarque de Hollanda

APRESENTAÇÃO: A PLURALIDADE DO FEMININO


NO CINEMA BRASILEIRO xx
Karla Holanda e marina Cavalcanti Tedesco

1. CLÉO DE VERBERENA E O TRABALHO DA MULHER


NO CINEMA SILENCIOSO BRASILEIRO xx
luciana Corrêa de araújo

2. GILDA BOJUNGA: CAMINHOS E PERCALÇOS DE UMA AFIRMAÇÃO xx


Sheila Schvarzman

3. CINEMA BRASILEIRO [MODERNO] DE AUTORIA FEMININA xx


Karla Holanda

4. CINEASTAS BRASILEIRAS (FEMINISTAS) DURANTE A DITADURA


CIVIL-MILITAR xx
alcilene Cavalcante

5. ESTÉTICAS E POLÍTICAS DE RESISTÊNCIA NO “CINEMA DE


MULHERES” BRASILEIRO (ANOS 1970 E 1980) xx
ana maria Veiga

6. HELENA SOLBERG: MILITÂNCIA FEMINISTA E POLÍTICA


NAS AMÉRICAS xx
mariana ribeiro Tavares

7. O DISCURSO HISTORIOGRÁFICO EM mulHereS De Cinema xx


luís alberto rocha melo
8. ARTICULAÇÕES FEMINISTAS NO CINEMA BRASILEIRO
NAS DÉCADAS DE 1970 E 1980 xx
Érica Sarmet e marina Cavalcanti Tedesco

9. CASSANDRA RIOS E O CINEMA ERÓTICO BRASILEIRO:


AUTORIA E PERFORMATIVIDADE xx
alessandra Soares Brandão e ramayana lira de Sousa

10. PROTAGONISMOS ExPERIMENTAIS FEMININOS NO SURTO


SUPEROITISTA DOS ANOS 1970 xx
rubens machado Jr. e marina da Costa Campos

11. IDENTIDADE, RESISTÊNCIA E PODER: MULHERES NEGRAS


E A REALIZAÇÃO DE DOCUMENTÁRIOS xx
Gilberto alexandre Sobrinho

12. FORMAS DE VISIBILIDADE E RE(ExISTÊNCIA) NO CINEMA


DE MULHERES NEGRAS xx
Ceiça ferreira e edileuza penha de Souza

13. AMOR, PLÁSTICO E BARULHO: PROTAGONISMO E RIVALIDADE


FEMININA COMO ELEMENTOS ESTÉTICOS E NARRATIVOS
NO CINEMA PERNAMBUCANO xx
Daiany ferreira Dantas, isaiana Carla pereira dos Santos e
renata izabel de freitas nolasco

14. DOCUMENTÁRIO BIOGRÁFICO E O PROTAGONISMO FEMININO xx


Denise Tavares

15. DO PAI AO PAÍS: O DOCUMENTÁRIO AUTOBIOGRÁFICO


EM FACE DO FRACASSO DAS ESQUERDAS NO BRASIL xx
ilana feldman

16. DORA E A LUTA HISTÓRICA CONTRA OS FASCISMOS:


SUBVERSÃO E LIMIAR EM reTraToS De iDenTifiCaÇÃo xx
roberta Veiga
prefáCio

Hoje os movimentos feministas jovens, o feminismo negro, o feminismo


trans e tantos outros estão ganhando a cena e a visibilidade merecida. O momento
é quente, as ruas já mostraram a que vêm as mulheres, a internet é um imenso
laboratório para a criação de um ativismo agregador, alerta, solidário.
Não poderia haver contexto melhor para o lançamento de um livro como este,
organizado por Karla Holanda e Marina Cavalcanti Tedesco, o qual traz histórias e
reflexões sobre mulheres cineastas no sentido de agregar massa crítica e reforçar a
presença artística da ação das mulheres em momentos marcantes do audiovisual em
nosso país.
O cinema feito por mulheres, atrizes, diretoras e produtoras, no Brasil, vem
de longa data e percorre uma trajetória invulgar na história de nossa cinematografia.
Entretanto, historicamente, o trabalho das mulheres tende a ser silenciado ou, de
alguma forma minimizado, procedimento que, no campo do cinema, não tem se
mostrado muito diferente.
Não é de hoje que, na literatura, as pensadoras e pesquisadoras feministas
vêm trabalhando arduamente no resgate de escritoras invisibilizadas por um
cânone majoritariamente masculino. No campo da linguagem, vemos também
uma conhecida mecânica de ocultamento sistemático. Definida como arte e/ou
linguagem feminina marcada por sensibilidades e qualidades específicas – no dizer
de Ana Cristina César, como uma “palavra de luxo” e, portanto, dispensável –, nossas
artistas e produtoras culturais são, inevitavelmente, segregadas num nicho menor e
avesso aos critérios de valor da série histórica da grande arte.
Creio que existe, sim, uma expressão feminina. Entretanto, ela é, antes de
tudo, uma expressão libertária de resistência, de formulação política, de expressão

Feminino e plural 7
transformadora e de construção de novas percepções críticas e projetos políticos.
Está precisamente aí a importância e a urgência do belo trabalho de Karla e Marina.
Feminino e plural: Mulheres no cinema brasileiro é um panorama impecável
do cinema feito por mulheres no Brasil. Passando pelo período inaugural do cinema
silencioso e chegando até hoje, o livro discute a fala feminista durante a ditadura
militar, o discurso historiográfico sobre mulheres, o cinema de mulheres negras, o
cinema feminino pernambucano, o cinema erótico, o momento Super-8, a discussão
sobre as engrenagens do poder, as lutas políticas, os coletivos de mulheres no cinema
e no vídeo.
Ainda que muito bem-vinda nesse sentido, tal obra não se resume ao resgate
histórico do cinema brasileiro feito por mulheres. É, antes de tudo, uma abertura
estratégica do pensamento crítico feminista no campo do cinema. Uma publicação
que dá voz às mulheres para pensar e debater sua criação artística audiovisual,
divulgar novas formas e caminhos de pesquisa e reflexão e, consequentemente,
potencializar seu poder de interpelação na criação e na política.
Volto ao início. Um livro urgente e indispensável, que vai agregar novos
instrumentos críticos e historiográficos essenciais à Primavera das Mulheres, que,
esperamos, não termine tão cedo.

Heloisa Buarque de Hollanda

8 Papirus Editora
apreSenTaÇÃo
a pluraliDaDe Do feminino
no Cinema BraSileiro

No Brasil, nos últimos anos, é notória a insurgência das mulheres contra


situações de retrocesso que elas já não aceitam como “naturais” e, em consequência,
gera perplexidade em alguns e põe em xeque certos comportamentos e discursos,
fazendo crescer o interesse por questões ligadas à condição da mulher. Tais reações
ficam mais visíveis quando em resposta a crimes de elevado grau de barbaridade
contra o gênero feminino, o que motiva fortes campanhas, sobretudo nas redes
sociais. A capacidade da internet de potencializar a ação dessas manifestações deixa
exposta a ferida da enorme desigualdade das relações na sociedade. O efeito colateral
disso resulta em se olhar para o lado e perceber que desequilíbrios nessa relação há
por toda parte. No cinema, inclusive.
Especificamente no cinema, percebe-se um aumento na demanda por
estudos sobre a participação da mulher no audiovisual brasileiro, e a subsequente
constatação de que o que foi publicado até agora é mínimo se comparado ao papel
desempenhado por ela, em diversas funções, na cinematografia nacional. A história
das produções dirigidas1 por mulheres no Brasil é registrada por duas obras da
década de 1980. As musas da matinê, de Elice Munerato e Maria Helena Darcy de
Oliveira (1982), foi a primeira pesquisa de fôlego sobre a participação feminina
na direção de filmes no Brasil a ser transformada em livro. As autoras discutem a
representação das personagens femininas na filmografia do país, baseando-se na
constatação de que, ao longo da história do cinema, as mulheres assumiram pouco
a direção. O resultado é que na tela quase sempre eram vistas como apêndice dos

1. Se há pouco sobre as mulheres diretoras, sobre as que atuavam/atuam em outras funções, encontram-se
ainda menos vestígios.

Feminino e plural 9
homens, subordinando suas funções dramáticas às necessidades deles. Além disso,
as personagens eram subjugadas por estereótipos que as aprisionavam ao lugar de
mães e donas de casa, valorizadas pela juventude, beleza e habilidade de sedução, que
deveriam ser eternas. De acordo com Munerato e Oliveira, as personagens que fogem
a esse quadro, como as solteiras, as intelectuais e as que exerciam alguma profissão,
“ou são feias e/ou más, ou abandonam suas convicções em troca do amor de um
homem” (1982, p. 23).
A segunda publicação a que nos referimos é Quase Catálogo 1: Realizadoras
de cinema no Brasil (1930-1988), organizada por Heloísa Buarque de Hollanda, em
1989. Nela, é feito um inventário de todos os filmes dirigidos por mulheres no país
até 1988, independentemente da duração ou se é ficção, documentário, animação
ou cinema experimental. Nas poucas páginas da introdução do livro, assinada pelas
coordenadoras da pesquisa, Ana Pessoa e Ana Rita Mendonça, somos absorvidas
pelo contexto que resultou nos significativos números que o mapeamento revela –
195 realizadoras e cerca de 500 obras no período abordado.
A importância desses livros parece aumentar com o passar dos anos. Por
conta deles, estão preservados nomes de diretoras que, muito possivelmente,
estariam perdidos por terem dirigido uma só produção ou por terem se afastado
da área precocemente. E, embora não se tenha acesso à maioria desses filmes, por
não terem sido telecinados, o que dificulta seu visionamento, ou por estarem se
deteriorando em depósitos não apropriados, é inestimável a riqueza dos dados neles
resguardados. O trabalho de registro foi exaustivo e já trazia nítida a consciência da
urgência de sua preservação, sobretudo para uma parte da história do cinema que
não parecia interessar à outra, que é a história do cinema feito por mulheres.
As pesquisas acadêmicas sobre o audiovisual de autoria feminina no Brasil,
que aumentaram consideravelmente, seja na iniciação científica, na monografia de
conclusão de curso, seja mestrado ou no doutorado, muitas vezes, têm nessas duas
fontes seu ponto de partida. A importância basilar de tais obras pode ser verificada
também neste livro que organizamos.
Todos os fatores citados – maior interesse da sociedade pelas questões ligadas
às mulheres, a quantidade ínfima de publicações dedicadas à participação feminina
na construção do cinema nacional, o incremento dos estudos sobre o tema – vêm
mudando o desenho de muitas disciplinas dos cursos de graduação em cinema
e audiovisual. Se até pouquíssimos anos praticamente se ignorava a atuação das
mulheres na história, na teoria e na crítica do cinema, essa indiferença foi ficando
insustentável – o caso mais emblemático na história mundial e que causou embaraço
incontornável foi a revelação da grandiosidade de Alice Guy Blaché, cineasta francesa
que realizou centenas de filmes desde 1896 e que, apesar de todo pioneirismo de sua
extensa obra, praticamente não existia para a história do cinema até ontem. No caso

10 Papirus Editora
brasileiro, há um número crescente de pesquisadoras e pesquisadores interessados
em reconhecer nossas “Alices” e desvendá-las no nosso contexto.
Dessa forma, os textos aqui reunidos podem contribuir para o desmembramento
de novas investigações, atender a uma demanda por mais conhecimento sob esse viés
e, igualmente, ser instrumento de discussões em cursos na área do audiovisual. No
desenho que estrutura o livro, buscamos abranger diversos períodos da história
do cinema brasileiro de pontos de vista e com tons variados, de acordo com a
perspectiva de cada autora e autor, demonstrando a pluralidade do feminino.
No Capítulo 1, “Cléo de Verberena e o trabalho da mulher no cinema
silencioso brasileiro”, Luciana Corrêa de Araújo aborda o trabalho da mulher
como atriz, mas também os casos isolados na direção e produção, e os personagens
femininos no cinema silencioso. Confere-se atenção especial a Cléo de Verberena,
comumente tida como a primeira cineasta do cinema brasileiro por O mistério do
dominó preto (do qual ela também é a estrela), produzido pela Epica-Film, em 1930.
Também começando seu texto no período silencioso, Sheila Schvarzman é a
autora do Capítulo 2, “Gilda Bojunga: Caminhos e percalços de uma afirmação”. Esse
capítulo procura examinar a carreira e a produção de Gilda Bojunga, cuja filmografia
esparsa – sete documentários entre 1967 e 2005 e um longa-metragem em 1982 – diz
bastante sobre os caminhos possíveis de afirmação da mulher como cineasta.
Tais possibilidades de afirmação são exploradas por Karla Holanda no
Capítulo 3, “Cinema brasileiro [moderno] de autoria feminina”. Segundo a autora,
o cinema dos anos 1960 e 1970 realizado por diretoras pode revelar aspectos
próprios de um período muito estudado pela história, mas pouco considerado da
perspectiva feminina. Ao se debruçar sobre a produção delas nessas duas décadas, é
possível perceber nuanças próprias – desde a aproximação com temáticas feministas
à interferência direta de assuntos domésticos na trajetória de suas carreiras – que
merecem ser mais bem compreendidas.
A aproximação com temáticas feministas é o tema do Capítulo 4, “Cineastas
brasileiras (feministas) durante a ditadura civil-militar”, de Alcilene Cavalcante, que
analisa os longas-metragens de ficção realizados pelas cineastas Vera de Figueiredo,
Maria do Rosário e Adélia Sampaio durante a ditadura civil-militar no país. Tais
cineastas levaram para as telas “modos de vida”, personagens “marginais” e aspectos
dos gêneros e das sexualidades em conexão com repertórios da contracultura e dos
feminismos.
Tematizar tais questões, no entanto, não era fácil e, ante as dificuldades,
as mulheres deram diferentes respostas. Algumas delas são vistas no Capítulo 5,
“Estéticas e políticas de resistências no ‘cinema de mulheres’ brasileiro (anos 1970
e 1980)”, de Ana Maria Veiga. Empreende-se, nesse capítulo, uma investigação das

Feminino e plural 11
trajetórias de duas cineastas – Ana Carolina e Tereza Trautman –, abordando suas
estratégias estéticas e políticas para fazer cinema e falar da “condição feminina” em
tempos marcados pelo feminismo e pela ditadura.
Ainda dentro da temática feminista nos filmes feitos por diretoras brasileiras,
Mariana Tavares, no Capítulo 6, “Helena Solberg: Militância feminista e política nas
Américas”, estuda The emerging woman (A nova mulher, 1974); The double day (A
dupla jornada, 1975) e Simplesmente Jenny (1977), que se tornaram referência para
os estudos e debates sobre o feminismo nos Estados Unidos e na América Latina.
O crescimento da participação das mulheres no cinema brasileiro nos anos
1960 e 1970 não passa despercebido, sendo também tema de filme. No Capítulo 7, “O
discurso historiográfico em Mulheres de cinema”, Luís Alberto Rocha Melo analisa
o discurso historiográfico sobre a participação feminina no cinema brasileiro com
base no média-metragem documental Mulheres de cinema, coproduzido em 1976
pela Embrafilme e pelo Departamento de Assuntos Culturais do MEC, e realizado
pela atriz e cineasta Ana Maria Magalhães.
No Capítulo 8, “Articulações feministas no cinema brasileiro nas décadas
de 1970 e 1980”, Érica Sarmet e Marina Cavalcanti Tedesco mapeiam os esforços
associativos de todas essas diretoras que emergem a partir da década de 1960 e,
principalmente, nos anos 1970. Em uma pesquisa que tem como foco o Coletivo
de Mulheres de Cinema e Vídeo do Rio de Janeiro, abordam, também, outras
articulações de mulheres do cinema brasileiro ocorridas no período.
Se ainda são poucas as investigações voltadas para o cinema erótico brasileiro
dos anos 1970, em relação às mulheres que fizeram parte dele não se encontra
praticamente nada. É a essa lacuna que se dedicam Alessandra Soares Brandão
e Ramayana Lira de Sousa no Capítulo 9, “Cassandra Rios e o cinema erótico
brasileiro: autoria e performatividade”. Valendo-se da atuação da escritora Cassandra
Rios como roteirista adaptadora de dois de seus romances, Sousa e Brandão discutem
a ampliação do que tradicionalmente se considera autoria cinematográfica.
À margem da produção voltada para as salas de cinema, mas extremamente
importante no período, está o Super-8, analisado por Rubens Machado Júnior e
Marina da Costa Campos no Capítulo 10, “Protagonismos experimentais femininos
no surto superoitista dos anos 1970”. Esse capítulo procura identificar, em algumas
produções, como se configura o olhar feminino superoitista, na frente e atrás das
câmeras, à luz do contexto histórico, cultural e social ao qual as obras estavam
atreladas.
Igualmente debruçando-se sobre um suporte (dos anos 1980 para cá cada
vez menos) alternativo, Gilberto Sobrinho, no Capítulo 11, “Identidade, resistência
e poder: mulheres negras e a realização de documentários”, empreende uma revisão

12 Papirus Editora
de documentários realizados por homens e mulheres e que têm como protagonistas
as mulheres negras brasileiras. Aborda três momentos: curtas-metragens feitos em
vídeo nos anos 1980, o longa-metragem Orí (Raquel Gerber, 1989) e a produção
digital a partir dos anos 2000.
As mulheres negras realizadoras na contemporaneidade são estudadas por
Ceiça Ferreira e Edileuza Penha de Souza no Capítulo 12, “Formas de visibilidade e
re(existência) no cinema feito por mulheres negras”. Por meio dos curtas-metragens
Aquém das nuvens (Renata Martins, 2012) e O dia de Jerusa (Viviane Ferreira,
2014), abordam como, ao assumir a posição de sujeito na construção de narrativas
audiovisuais, as mulheres negras têm construído novas configurações de visibilidade
e de re(existência).
O Capítulo 13, “Amor, plástico e barulho: Protagonismo e rivalidade feminina
como elementos estéticos e narrativos no cinema pernambucano”, é resultado de
pesquisa coordenada por Daiany Ferreira Dantas, realizada em parceria com Isaiana
Carla Pereira dos Santos e Renata Izabel de Freitas Nolasco, bolsistas de iniciação
científica. Esse capítulo aborda a questão da autoria, ao investigar a presença
feminina destacada por trás e diante das câmeras no filme Amor, plástico e barulho
(Renata Pinheiro, 2013), primeiro longa-metragem de ficção realizado por uma
cineasta pernambucana. Para tanto, partem de duas questões: o protagonismo
feminino e o posicionamento estético da obra em seu contexto histórico e cultural.
Baseada em entrevistas realizadas com cinco diretoras de documentários
biográficos feitos nos últimos anos, Denise Tavares, no Capítulo 14, “Documentário
biográfico e o protagonismo feminino”, tece relações sobre biografia com questões
discutidas por diferentes autores. A proposta de entrelaçamento dos depoimentos
das cineastas Flávia Castro, Karla Holanda, Malu De Martino, Petra Costa e
Sandra Kogut é mobilizada, especialmente, pela percepção de que, no desenho do
protagonismo feminino do cinema brasileiro, há interstícios ávidos por falas diretas
de quem vivencia o embate do fazer fílmico.
No campo da autobiografia e de seu cruzamento com o cinema, Ilana
Feldman investiga certos modos políticos de enunciação e subjetivação no contexto
da experiência legada pela ditadura civil-militar brasileira. Para estruturar o Capítulo
15, “Do pai ao país: O documentário autobiográfico em face do fracasso das
esquerdas no Brasil”, põe em cena os documentários autobiográficos Os dias com ele
(Maria Clara Escobar, 2012) e Diários de uma busca (Flávia Castro, 2011).
Dedicando-se a um documentário que traz experiências vividas durante
a ditadura civil-militar brasileira, Roberta Veiga, no Capítulo 16, “Dora e a luta
histórica contra os fascismos: Subversão e limiar em Retratos de identificação”,
discute a relação entre as formas de engajamento feminino nas lutas políticas no
Brasil, com ênfase em Dora, personagem central de Retratos de identificação (Anita

Feminino e plural 13
Leandro, 2014). De acordo com a autora, ao conceder o protagonismo de uma luta
histórica a uma mulher, a diretora faz um cinema feminista, mesmo sem alardear o
feminismo como ideologia.
O que nos propusemos com este livro foi reunir pesquisas desenvolvidas
nos últimos anos que têm iluminado realizadoras e obras pouco conhecidas e
estimular outras, convocando mais pessoas a transferir seus repertórios teóricos
e metodológicos ao recorte de autoria feminina, o que certamente resultará em
investigações inéditas e estabelecerá relações e associações pouco exploradas. A
verdade é que há toda uma história a ser construída, se considerarmos que a história
do cinema contemplou, praticamente, apenas a parte masculina, o que tem feito
emergir muitas mulheres do cinema, não somente diretoras. O terreno é muito vasto,
ainda há muito a ser ocupado, a ser compreendido. A tarefa é enorme e, certamente,
não se esgota nesta coletânea.

Karla Holanda
Marina Cavalcanti Tedesco

referências bibliográficas

HOLLANDA, Heloísa Buarque de (org.) (1989). Quase Catálogo 1: Realizadoras de cinema


no Brasil (1930-1988). Rio de Janeiro: Ciec/UFRJ/MIS/Secretaria do Estado de Cultura/
Funarj.
MUNERATO, Elice e OLIVEIRA, Maria Helena Darcy (1982). As musas da matinê. Rio de
Janeiro: RioArte.

14 Papirus Editora