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Carreira

Com desaquecimento do mercado imobiliário, cresce a responsabilidade e as

cobranças sobre os engenheiros de obras

Cumprimento de metas de custos, prazos e qualidade, além de visão global do


negócio, são os desafios diários desses profissionais

Juliana Nakamura Revista Techne Edição 215 - Fevereiro/2015

Com o encolhimento da margem de lucro


das construtoras, os olhos da empresa se
voltam à gestão do canteiro, com metas de
redução de desperdício de materiais, de
retrabalhos, de atrasos de cronograma e
de patologias pós-obra

O controle mais rigoroso sobre todas as etapas de produção dos empreendimentos é uma das
consequências do desaquecimento do mercado imobiliário e do encolhimento da margem de
lucro das construtoras. É natural que, nesse contexto mais adverso, a tolerância com desperdício
de materiais, com retrabalhos, atrasos de cronograma e patologias pós-obra diminua, assim
como aumente a preocupação com a racionalização de processos, com a inovação tecnológica e
com o aumento da produtividade. Se o desempenho dos engenheiros coordenadores já era
importante para o sucesso das obras, agora se tornou ainda mais crítico. Aos profissionais que
atuam nos canteiros, são cada vez mais exigidos conhecimento técnico, visão gerencial,
liderança e responsabilidade.

A valorização da gestão da produção e da qualidade requer do engenheiro civil um perfil


diferente do clássico estilo tocador de obras ou burocrático/administrativo, argumenta Roberto de
Souza, diretor do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE). "Na nossa cultura, o gestor da
obra é um empresário, cuidando de sua empresa como seu negócio. Ele é o responsável final
por todo o ciclo", diz Márcio Pellegrini, diretor de Engenharia da Odebrecht Realizações
Imobiliárias (OR).

"Esperamos que nossos engenheiros e coordenadores de obras sejam pessoas aglutinadoras,


que tenham habilidade para gerenciar equipes com foco em um objetivo comum", acrescenta
José Roberto Pereira de Lima, gestor-executivo de obras da MRV Regional São Paulo. Ele conta
que também são exigências imprescindíveis ética, pontualidade, energia e humildade.
"Esperamos que os profissionais despertem respeito na equipe e que sejam essencialmente
humanos", sintetiza Lima.

Visão sistêmica e liderança


Desde o início dos anos 2000, o perfil do engenheiro de obra vem mudando. "Antes disso, o
engenheiro de canteiro tinha um caráter muito prático. Hoje, de modo geral, eles são mais
teóricos, sabem trabalhar com planilhas de controle e com certificações de qualidade", compara
Milton Bigucci Júnior, diretor da MBigucci.

Ele conta que, atualmente, a dificuldade dos diretores de construtoras é justamente fazer com
que os engenheiros mais jovens saiam do escritório para rodar as obras. "O profissional ideal é
aquele que consegue conciliar a teoria e as metodologias para gerir processos com a visão
prática e a disposição para vivenciar a obra", diz Bigucci.

Encontrar esse perfil nem sempre é fácil. Primeiro porque muitos dos profissionais que se
formam nas universidades não se interessam pelo trabalho em campo e acabam seguindo para
outras áreas, como o mercado financeiro. Depois, porque a faculdade é apenas uma parte da
formação e nem sempre contempla disciplinas importantes para os tempos atuais, sobretudo
relacionadas à gestão empresarial, de pessoas e de empreendimentos. "De modo geral, a
abordagem das universidades tem sido extremamente tecnicista, propiciando uma formação
segmentada com pequena visão sistêmica e com pouca ênfase à formação do engenheiro
enquanto gestor", comenta Souza.

"Os valores e práticas da construtora são um componente importante na formação de um


engenheiro de obras. Por tudo isso, procuramos formar os nossos engenheiros em casa, de
modo que hoje a maior parte dos profissionais que compõem os nossos quadros ingressaram na
empresa como estagiários", relata Bigucci. "Valorizamos o engenheiro que conheceu ou
vivenciou um pouco das várias especialidades técnicas e funcionais da obra e que seja capaz de
educar e formar pessoas", acrescenta Pellegrini, da OR. Segundo ele, não à toa a construtora
investe na formação continuada dos profissionais por meio do aprendizado na prática e por meio
de cursos e seminários.
O gestor da obra é uma figura essencial na
motivação, capacitação de pessoas e
preparação do ambiente da obra para a
introdução de novas tecnologias

Desafios cotidianos

A responsabilidade do engenheiro sobre a execução da obra é ampla e intransferível, comenta a


engenheira da Método Engenharia, Thais Pires. Ela conta que, no começo de sua carreira,
costumava pensar que se o projeto havia sido concebido e entregue pelo cliente somente para a
construção, a sua responsabilidade se restringia a reproduzir fielmente o que estava no papel.
"Mas quando algo depois de pronto não funciona corretamente ou quando causamos algum
dano durante a construção por uma falha no projeto, não podemos simplesmente responsabilizar
o projetista ou o cliente. Sempre que algo do gênero ocorre, a construtora é diretamente
envolvida na solução do problema", comenta Thais.

Para os engenheiros de canteiro, lidar com toda essa responsabilidade torna-se ainda mais
complicado diante da escassez de mão de obra qualificada e da demanda por encurtar os prazos
de execução e por atender a orçamentos limitados. "Há também a necessidade de quebra de
paradigmas relacionada à cultura construtiva, o que traz barreiras e dificuldades na implantação
de novos processos", pontua Hugo Graziani de Oliveira Zauli, engenheiro da Patrimar
Engenharia. Cabe ressaltar que o gestor da obra é uma figura essencial na motivação,
capacitação de pessoas e preparação do ambiente da obra para a introdução de novas
tecnologias.

Zauli destaca que outro grande desafio do dia a dia é a necessidade de adequação às
exigências de sustentabilidade e de saúde e segurança do trabalho, que fazem com que os
processos sejam feitos sob forte exigência documental e de equipamentos. Não deixa de ser um
fator de pressão sobre os engenheiros a grande expectativa dos clientes, que adquirem cada vez
mais conhecimento e exigem um trabalho de melhor qualidade.

"Quando desvios são detectados, a tendência é responsabilizar o engenheiro da obra. Ainda que
de forma injusta, esse é um fator cultural com os quais os engenheiros precisam saber lidar", diz
Milton Bigucci Júnior. Mas, se por um lado a cobrança é enorme e crescente, por outro lado, hoje
já se dispõe de instrumentos de controle capazes de rastrear erros, sejam de planejamento, de
orçamento ou da obra. "Desse modo há mais transparência e fica mais fácil identificar se o
problema da obra é decorrente única e exclusivamente de falha do engenheiro ou se é resultado
de um planejamento mal-elaborado, de falhas no orçamento, ou mesmo de uma compra mal
realizada", continua Bigucci.

Avaliação de desempenho

As construtoras costumam analisar o desempenho de seus


colaboradores sob o aspecto técnico e gerencial. De modo
geral, três pontos se sobressaem na avaliação: obediência aos
prazos, atendimento ao orçamento preestabelecido, e garantia
de execução condizente com o padrão de qualidade da
construtora.

"Avaliamos se o profissional seguiu o planejamento da obra


que ele gerencia. Também consideramos questões como
liderança, caráter e ética", resume José Roberto Pereira de
Engenheiros de obra tendem a
Lima, gestor- executivo de obras da Regional São Paulo da ser responsabilizados por desvios
MRV. As metas com relação a custos e prazos são claramente de prazo e custo, ainda que a
estabelecidas em orçamentos e planejamentos. Já a qualidade falha seja de projeto,
planejamento ou outros fatores
do trabalho é conferida por inspeções rotineiras na obra e na externos. Para ter sucesso, o
conferência do checklist de satisfação do cliente. profissional deve ter
flexibilidade para lidar com essa
cultura, presente em muitas
Em todas as obras da Método, por exemplo, mensalmente se construtoras
realiza uma análise do que foi produzido ao longo do mês por
um profissional especializado e não subordinado à obra, que avalia e qualifica a produção dentro
dos procedimentos de qualidade desenvolvidos pelo núcleo de desenvolvimento tecnológico. A
construtora também realiza avaliações de desempenho 360º semanais. Nessas reuniões, os
ocupantes dos cargos de liderança são avaliados não apenas por seus superiores, mas também
por seus subordinados e pares.

A OR, por sua vez, utiliza uma ferramenta de planejamento chamada Programa de Ação, onde
são pactuados os desafios e metas de cada integrante para o decorrer do ano. "Ao fim de cada
ciclo, temos a avaliação de desempenho desse Programa, além de uma avaliação de
alinhamento à cultura da empresa", conta Márcio Pellegrini, diretor de Engenharia da
construtora.

Plano de carreira

Estagiários ou trainees

Enquanto ainda está na universidade ou quando é recém-formado, o profissional ingressa na


construtora após passar por um rigoroso processo de seleção. Na Gafisa, por exemplo, cerca de
70% dos atuais coordenadores de obras, gerentes e diretores começaram suas carreiras como
estagiários ou trainees.

Engenheiros residentes

Desses profissionais exige-se, essencialmente, controle sobre as atividades realizadas no


canteiro, liderança, obediência ao cronograma e respeito ao orçamento.

Coordenadores de obras

Podem administrar mais de uma obra simultaneamente. Devem dispor de conhecimentos sobre
gestão mais aprofundados. Recomenda-se que o profissional possua cursos de especialização,
como MBA em gerenciamento de projetos e pós-graduação.

Gerentes ou superintendentes

Mais comum em empresas de maior porte, esse posto requer, além das habilidades já citadas e
do conhecimento técnico e gerencial, um profundo conhecimento sobre valores, práticas e
objetivos da construtora. Normalmente atinge-se essa função quando se tem bastante tempo de
casa. Atua mais próximo das diretorias, auxiliando em ações estratégicas.

Diretor técnico

É o responsável técnico pelas obras de uma construtora. Com auxílio dos gerentes sob seu
comando - planejamento, orçamento, projetos etc. -, toma decisões de maior relevância para a
execução dos empreendimentos, como, por exemplo, escolha de sistemas construtivos, partidos
arquitetônicos e estruturais, tecnologias inovadoras, equipamentos de grande porte. Falando
estritamente em engenharia, esse é o topo da carreira, uma vez que os profissionais de níveis
hierárquicos superiores se ocupam mais da gestão estratégica da empresa e de suas relações
institucionais.
Critérios de avaliação

Os engenheiros de obras são responsáveis por executar os serviços conforme o cronograma e o


orçamento elaborados pela equipe de planejamento da construtora. Em reuniões semanais, ele
comunica o andamento dos serviços e justifica eventuais desvios de planejamento, que devem
ser analisados pelos supervisores. Veja alguns itens normalmente usados para monitorar o
desempenho do profissional.

Prazos Custos Qualidade


- Índices de desvio de - Avanço financeiro da obra - Índice de manutenções
prazo - Perdas de concreto/espessura ou patologias
- Ciclos de concretagem de revestimentos - Geração de resíduo
- Avanço físico (unidades - Horas extras - Índices de acidentes no
ou atividades concluídas) trabalho

A voz do profissional

Aprendizagem na prática

"A obra Classic MBigucci entregue no final de 2014 nos trouxe


muitos ensinamentos. Na fase da estrutura enfrentamos cerca
de quatro meses de atraso, mas conseguimos recuperar isso
por meio do replanejamento dos serviços. Fizemos um
planejamento específico só para a logística de entrega de Wendel Nello, 36 anos,
engenheiro da MBigucci, em São
materiais na obra, uma vez que o acesso à obra era um ponto
Bernardo do Campo (SP)
crítico. Ao final, entregamos a obra com três meses de
antecedência. Isso não seria possível sem o acompanhamento da produtividade, de uma análise
diária dos serviços e dos funcionários das empreiteiras. Analisamos nossas metas mensais,
quinzenalmente, antes do fechamento do mês, a fim de prevenir e agir rapidamente caso haja
algum imprevisto no caminho."
Comunicação adaptável

"Uma lição que aprendi ao longo dos anos é a importância da


comunicação eficaz em diversos níveis. Na obra, esta é uma
situação cotidiana e extrema. Num determinado momento você
está esclarecendo ou conduzindo as atividades em campo,
atuando diretamente com as equipes de base. Minutos depois Thais Pires, 33 anos, engenheira
está sentada em uma reunião com clientes e projetistas de obras da Método Engenharia,
em São Paulo
estrangeiros. Saber navegar nestas diferentes camadas,
adequando seu discurso ao interlocutor é algo que pode ser decisivo para o sucesso na carreira
de um engenheiro de obras."

Antecipando riscos

"Nos anos de experiência atuando em canteiros, percebi a


importância de o engenheiro atuar como formador, seja da sua
própria equipe, seja dos terceirizados. O ideal é que se crie
uma fidelidade entre os profissionais e a empresa. O
Hugo Graziani de Oliveira Zauli,
desenvolvimento das equipes pelos treinamentos e métodos 30 anos, engenheiro da Patrimar
práticos faz parte desse processo. Hoje, busco constantemente Engenharia, em Belo Horizonte
a integração da minha equipe e dos demais envolvidos na
construção, visando a tornar a comunicação cada vez mais eficaz. Também busco antecipar o
máximo de atividades possíveis, como levantamentos, contratação de mão de obra, pedidos de
materiais e análise de projetos, para ter tempo de lidar com os problemas conhecidos e até
mesmo os desconhecidos."

Lidando com imprevistos

"Vivenciei diferentes desafios em obras de empreendimentos logísticos e


quase todos eles mostraram a importância de haver empenho e sintonia
de todos os setores da construtora. Em uma das obras, por exemplo,
durante a execução das fundações, verificou-se que a solução
Paulo Faria, 38 anos,
inicialmente prevista era inviável e que a amostragem de sondagens não
engenheiro da
havia sido suficiente para caracterizar todo o terreno. Ainda que o projeto Libercon Engenharia
de fundações não fosse um escopo da construtora, fizemos um grande em São Paulo

esforço para execução de outro tipo de solução. Isso exigiu contratações imediatas,
apresentação de orçamentos, e ações para minimizar os impactos no cronograma."
Desafios do engenheiro de obras
Gestão de recursos humanos

O engenheiro é o gestor de muitas pessoas, por isso ele deve desenvolver


habilidades como liderança, comunicação, negociação, trabalho em equipe,
treinamento e motivação.

Controle de processos

O profissional deve acompanhar de perto todos os processos de execução,


seguindo normas técnicas e as melhores práticas. O desafio se torna maior por
ele ter que lidar com a escassez de mão de obra qualificada e com a alta
rotatividade.

Orçamentos mais enxutos

O engenheiro tem de lidar, hoje, com margens de manobra limitadas. Vale


lembrar que estouros nos orçamentos foram problemas sérios que
comprometeram a lucratividade das empresas construtoras nos últimos anos.

Cronogramas mais apertados

O atraso na entrega das obras é um dos fatores com maior impacto na


rentabilidade do negócio imobiliário. Por isso, o profissional deve ser capaz de
lidar com a pressão do tempo e agir rápido, caso surjam problemas.
Cobrança por produtividade

São mais valorizados os profissionais que pensem e proponham soluções que


incrementem a produtividade da obra, respeitando, claro, as normas de
segurança no trabalho, que vêm se tornando mais rígidas.