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Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

XXXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – São Paulo - SP – 05 a 09/09/2016

Convergência e conteúdo multimídia em pauta: um estudo sobre a produção


jornalística do Jornalismo NIC1
Wanessa Goes LUCAS2
Adriana Santiago ARAÚJO3
Claudia Pimentel RIELLO4
Eduardo Nunes FREIRE5
Jordan Elziandro Brito ALCÂNTARA6
Raissa Karen Leitinho SALES7
Universidade de Fortaleza, Fortaleza, CE

RESUMO
A produção de conteúdos jornalísticos convergentes faz parte do cotidiano das redações
dos grandes veículos de comunicação e na academia cabe aos laboratórios
experimentais suprir as necessidades e tendências para formação teórica e prática. Nesse
contexto, o presente trabalho tem como objetivo analisar o processo de convergência
para a publicação de conteúdos digitais produzidos por uma agência experimental em
jornalismo. Nesse sentido, buscou-se compreender sua rotina jornalística e descrever os
recursos e formatos utilizados para a produção das publicações digitais multimidiáticas.

PALAVRAS-CHAVE: Jornalismo; Convergência; Conteúdo multimídia; NIC; Portal.

INTRODUÇÃO
O jornalismo se apropria das tecnologias e inovações nas formas de
comunicação na intenção de se adaptar a uma nova maneira de comunicar, levando em
conta, entre outras coisas, os processos multidirecionais de comunicação, a
interatividade com o público e, principalmente, a linguagem hipermidiática. Para tal, o
jornalista precisa se mostrar cada vez mais completo no sentido de conhecer não apenas
o seu trabalho e como o fazer, mas também as ferramentas e artifícios os quais podem
ser usados para incrementar a sua matéria escrita. É necessário publicar

1
Trabalho submetido ao XXIII Prêmio Expocom 2016, na categoria Jornalismo, modalidade JO07 - Produção em
Jornalismo Digital.
2
Aluna líder do grupo e estudante do 6º. Semestre do Curso de Comunicação Social – Jornalismo, email:
wanessalugoe@gmail.com.
3
Professora do Curso de Comunicação Social da Universidade de Fortaleza (Unifor), email:
adrisantiago@gmail.com.
4
Estudante do 5º. Semestre do Curso de Comunicação Social – Jornalismo, email: claudiariello@gmail.com.
5
Professor do Curso de Comunicação Social da Unifor, email: eduardonfreire@unifor.br.
6
Estudante do 5º. Semestre do Curso de Comunicação Social – Jornalismo, email: jd.alcantara@hotmail.com.
7
Orientadora do trabalho. Professora do Curso de Jornalismo, email: raikarenls@gmail.com.

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um conteúdo completo, atraente e oferecer ao leitor uma nova experiência, – nova no


sentido de que essa prática se distancia do jornalismo com características de seu
surgimento, quando os recursos se resumiam a texto e fotografia.
Com a popularização da internet e o leque de recursos disponibilizados, os
jornalistas encontraram nas possibilidades virtuais uma oportunidade de enriquecer as
produções, e, assim, visando conteúdos multimídias, multiplataformas para captar
multilinguagens. Entre as ferramentas on-line apropriadas estão os blogues.
A adesão a novos formatos, linguagens e plataformas modificam as rotinas
jornalísticas, as redações e a prática de produzir matérias isoladas, como era feito e vem
perdendo cada vez mais espaço com o fortalecimento da convergência midiática.
Diante do cenário, este trabalho se propõe a analisar o processo de convergência
para a produção e publicação de conteúdos digitais produzidos por uma agência
experimental em jornalismo. O objeto de análise trata-se do JornalismoNIC, um grupo
de trabalho que faz parte do Núcleo Integrado de Comunicação (NIC) da Universidade
de Fortaleza. Para alcançar o objetivo geral, têm-se como específicos: compreender a
rotina jornalística dessa agência experimental; e descrever os recursos e formatos
utilizados para as publicações digitais.
Para a pesquisa, cabe destacar, além do estudo de caso, a análise de conteúdo das
publicações divulgadas em plataforma digital, fonte para coletas das matérias
produzidas e publicadas pelo JornalismoNIC. Além disso, foram realizadas entrevistas
com três alunos estagiários que participaram e vivenciaram a transição para a nova
proposta de produção de conteúdo, assim como a implementação de uma nova
plataforma: o Portal do NIC.
Evidencia-se também, o embasamento teórico a partir dos conceitos de
convergência e multimidialidade para fundamentação das observações sobre a rotina de
trabalho dos estagiários, desde o planejamento das pautas até a publicação das matérias.
Nessa perspectiva, entre os principais autores deste trabalho estão Recuero (2003) e
Malini (2008), para abordar a história e as utilidades do formato blogue; Deuze (2006) e
Jenkins (2009) com contribuições sobre o modo de fazer jornalismo e a convergência.

REFERENCIAL TEÓRICO
Blogs, ou blogues em português, podem ser definidos de várias maneiras, mas
um ponto em comum em todas as definições é que são um formato de publicação criado

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na web e para web, funcionando como ferramenta virtual de publicação digital. Além
disso o blogue tem uma série de características que o diferencia facilmente dentro da
internet, dentre elas uma das mais marcantes são as atualizações frequentes, feitas em
curtos intervalos de tempo. Para gerir essas atualizações, também chamadas de posts,
pode-se ter um ou mais autores e o conteúdo é variado.
Segundo Recuero (2003) os blogues são espaços pessoais e individuais. Por isso
– e pelas frequentes atualizações –, os blogues se apresentam de forma dinâmica e
utilizando uma linguagem próxima do seu público-alvo, podendo variar, portanto da
linguagem familiar à culta, dependendo do assunto principal do blog ou da publicação
específica já que o formato permite uma infinidade de assuntos e abordagens.
Também por essa abrangência, os blogues se apresentam em “categorias”
principais. Ainda de acordo com Recuero, os blogues podem ser 1) Diários; 2) De
Publicações; 3) Literários; 4) Clippings; e 5) Mistos.
O primeiro objetiva publicar fatos da vida pessoal do(s) autor(res), funcionando
como um diário virtual. O segundo visa trazer informações através do ponto de vista
do(s) autor(res) abrindo espaço para a discussão e o comentário. O terceiro é voltado
para a literatura em todos os âmbitos do assunto, desde a publicação de textos autorais
até análises de obras literárias. O quarto funciona como um filtro de informações, onde
o(s) autor(res) posta(m) links de outros endereços virtuais e faz(em) comentários sobre o
conteúdo encontrado. O último tipo são livres no sentido de pertencer a uma categoria,
misturam publicações pessoais do(s) autor(res) com informações de outros lugares, com
links, ou simplesmente publicam enunciados.
Além de tudo, as publicações ficam em ordem cronológica inversa, e essa é uma
das características mais marcantes desse formato. Os posts mais atuais empurram os
antigos para baixo, deixando os novos em destaque e as primeiras publicações embaixo
ou em páginas posteriores.
O termo página é o mais correto porque em certo momento da história de
evolução dos blogues, os posts viraram páginas independentes e acessíveis através de
um link próprio. Cada publicação ganhou mais autonomia e um endereço virtual só seu,
o que junto com outra ferramenta da Web – a caixa de comentários e respostas – trouxe
mais dinamicidade para os formatos da Web, e, principalmente para os blogues. A partir
dessa ferramenta de diálogos, pôde-se discutir sobre as implicações de alguma
publicação na própria página da publicação.

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Todas essas características deram ao formato blogue a popularidade que ele tem
hoje mas nem sempre foi assim. No começo da Web 2.0, quando os formatos da Web,
principalmente os sites passaram a ser feitos com um conteúdo mais dinâmico e as
páginas virtuais passaram a ter mais interatividade com as pessoas e a facilitar a relação
entre os usuários (Zago, 2008), começaram a aparecer os blogues.
A nomenclatura ficou por conta de Jorn Barger, que em 1997 disse que o novo
formato que aparecia era chamado weblog, mas dois anos mais tarde Peter Merholz
corrigiu o nome para wee-blog e com a popularização do formato, o nome passou a ser
apenas blog (Blood, 2000).
Segundo Malini (2008), no começo da era dos blogues, final dos anos de 1990,
início da Web 2.0 os blogues ficaram caracterizados inicialmente por usarem links:

O código narrativo predominante nos blogs era uma espécie de dicas


sobre o que há de interessante na internet. O post-link foi o primeiro
gênero narrativo dos weblogs [...] Os weblogs eram uma espécie de
filtro. Seu editor preocupava-se em conduzir o usuário sempre a outros
sítios de informação, sem o desejo ainda de tornar o veículo em um
instrumento formação de opinião. (Malini, p.3, 2008)

Depois disso, algumas ferramentas online de manutenção de sites foram


lançadas e isso facilitou bastante, pois agora os “blogueiros” já não precisariam mais
dominar a complexa linguagem HTML. Foi nesse tempo também que surgiram as
primeiras caixas de comentários e a comunicação passou a ser multidirecional (Recuero,
2008). Nessa fase, um grande número de blogues passou a ser utilizado como diário
pessoal, tendo seu conteúdo voltado para as impressões do autor sobre fatos do
cotidiano, relatos pessoais e experiências. De acordo com Bostelman (2012), “Os blogs
fazem parte de um fenômeno virtual que democratizou a comunicação, isto é, tornou a
produção de informações aberta e livre para os usuários da internet.” Por isso esse foi o
período que os blogues ganharam mais visibilidade e popularidade no mundo da web.
Assim, o formato vem evoluindo e se reinventado com suas velhas ferramentas e
criando novas para facilitar ainda mais o uso dessa ferramenta digital. Atualmente,
como já se esclareceu aqui, os blogues abordam um leque muito diverso de temas e
apesar da popularização do blogue como diário, ele é usado para variados fins e de
diversas maneiras, como por exemplo para uso empresarial, institucional ou para a
prática jornalística.

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Os termos “jornalismo digital”, “webjornalismo” ou ainda “jornalismo online”


foram utilizados no campo da comunicação para definir o fazer jornalístico nos espaços
dispostos com o surgimento da web. De acordo com Deuze (2006), esse “novo”
jornalismo produz exclusivamente para a World Wide Web, ou simplesmente Web.
Sobre a prática jornalística para web acredita-se que o campo do jornalismo está
legitimado por profissionais acadêmicos, pelas instituições e empresas de comunicação
e, acerca da prática ou gênero da profissão de jornalista, pode-se dizer que por meio da
convergência dos diferentes tipos de mídia, alcançada pela digitalização, “todo o
Jornalismo terá uma componente ou essência multimídia, na medida em que será
possível recolher, editar e divulgar notícias através de todos os tipos de plataformas”
(DEUZE, 2006, p. 18).
Mesmo assim, a linguagem jornalística precisou abranger formatos para atrair os
leitores. Para Gosciola (2003), a leitura passou de uma experiência visual, indo além do
conteúdo puramente escrito. Isso acontece devido ao conceito de “mídias estendidas”,
ou a união dos meios, permitindo ao público um acesso simultâneo de texto, som e
imagem.
O jornalista elabora ou recebe a pauta, pesquisa as informações para a produção
do texto, grava áudios e vídeos para serem inseridos na matéria, produz infográficos
para ilustrar melhor o conteúdo a ser discutido, e finaliza com o trabalho de
diagramação. O conteúdo é publicado online e visualizado por milhares de pessoas em
tempo real. Segundo Jenkins (2006):
Por convergência, refiro-me ao fluxo de conteúdos através de múltiplas
plataformas de mídia, a cooperação entre múltiplos mercados
midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos, dos meios de
comunicação que vão a qualquer parte em busca das experiências de
entretenimento que desejam. Convergência é uma palavra que consegue
definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e
sociais, dependendo de quem está falando e do que imaginam estar
falando (JENKINS, p. 29, 2006).

De acordo com Rocha (2011), o Jornalismo digital em comparação com o


Jornalismo convencional, contém inúmeras vantagens, desde a produção até a leitura
final. Benefícios como: baixo custo de produção e distribuição, manter um blogue, por
exemplo, é bem mais barato do que um programa de televisão; maior interatividade com
o leitor, que tem maior possibilidade de contato com o jornalista, sugerindo pautas,
possíveis correções, elogios, críticas, entre outros; acréscimo ou complemento de

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informações, pois não há limite de tempo/espaço, podendo ser atualizado a qualquer


momento, o que gera um imediatismo característico da internet; serviços diferenciados
para os usuários como: busca avançada, chats, fóruns para discussões,
compartilhamento de material para mídias sociais, banco de dados; leitura não-linear,
onde o leitor não precisa ler do início ao fim, mas fica livre para praticar novas formas
de leitura; acesso à informação em diferentes formatos, como texto, áudio, vídeo,
infográficos, fotos, em um único noticiário; e maior cobertura, abrangência da
informação.
Tanta diversidade e modos também impactam na formação profissional, no
exercício do jornalismo e na mudança da rotina dos veículos. Steganha (2010), afirma
que o jornalista, na era digital, precisa realizar diversas tarefas, das mais comuns à
profissão como digitar, apurar, fotografar, como também atividades advindas com a
tecnologia, como, compartilhar matérias nas redes sociais, responder comentários dos
leitores. O campo começa a exigir outras habilidades e conhecimento dos profissionais,
o momento da atenção ao “crossmedia” requer “capacidade para trabalhar com várias
mídias de maneira integrada. Ele não pode mais ser especialista em uma única área ou
tipo de mídia, mas sim estar pronto para veicular sua apuração em diversos formatos e
linguagens” (STEGANHA, 2010, p.35).
Com a apropriação, por parte do jornalismo, de recursos da web, do movimento
de convergência e multimeios, a atuação profissional tem suas possibilidades ampliadas,
e os meios de comunicação podem flexibilizar o fazer jornalístico, sem esquecer o
compromisso social e a relevância da atuação em um contexto em que os indivíduos
estão “rodeados de informações”, mas carecem de interpretação e referência.

METODOLOGIA
O presente trabalho decidiu por se utilizar de três métodos de pesquisa:
qualitativa, observação participante e estudo de caso.
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, pois investigou o fenômeno social que
ocorreu dentro do laboratório e agência experimental em Jornalismo durante o período
observado, tendo o próprio pesquisador como principal ferramenta de realização da
pesquisa. como asseguram Ludke e André (1986) que classificam a pesquisa
qualitativa:

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São cinco as características básicas da pesquisa qualitativa,


chamada, às vezes, também de naturalística: a) A pesquisa
qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de
dados e o pesquisador como seu principal instrumento; b) os
dados coletados são predominantemente descritivos; c) a
preocupação com o processo é muito maior do que com o
produto; d) o significado que as pessoas dão às coisas e à sua
vida são focos de atenção especial pelo pesquisador; e, e) a
análise dos dados tende a seguir um processo indutivo (LUDKE;
ANDRÉ, p. 99, 1986).

Com isso em mente, foi observada a transição natural pela qual o laboratório
passou, ao sair do formato mais convencional da produção jornalística (onde os
formatos impresso, blogue, fotojornalismo, etc., não, necessariamente, se integravam)
para a adaptação ao ritmo ditado pela atual globalização mundial, que exige uma maior
rapidez na produção da notícia e um maior nível de convergência das mídias para uma
boa absorção do consumidor e utilização na web.
Foi realizada observação participante, por se tratar de pesquisa realizada por
alunos da Universidade que atuam também como estagiários no local em questão. Os
pesquisadores acompanharam de perto e internamente o processo de adaptação pela
qual o laboratório passou, deixando de existir como Blog do Labjor e passando a atuar
por meio do atual Portal do NIC. A equipe de pesquisa, formada por três professores
orientadores, e três alunos, estagiários internos do laboratório, pôde observar com maior
propriedade e detalhamento o cotidiano do Núcleo se modificar e adaptar ao novo
formato. Para isso, a equipe contou com o depoimento de três outros estagiários que
estiveram presentes durante, especificamente, o momento de transição do laboratório de
práticas jornalísticas ao que pretende ser uma agência experimental de notícias. Dessa
forma, o método seguiu exatamente como definido por Gil (2010):
A observação participante, ou observação ativa, consiste na
participação real do conhecimento na vida da comunidade, do
grupo ou de uma situação determinada. Neste caso, o observador
assume, pelo menos até certo ponto, o papel de um membro do
grupo. Daí por que se pode definir observação participante como
a técnica pela qual se chega ao conhecimento da vida de um
grupo a partir do interior dele mesmo (GIL. p. 103, 2010).

A utilização do método de estudo de caso, ocorreu por se deter apenas a uma


única fonte de investigação: a célula de Jornalismo do Núcleo Integrado de
Comunicação da Universidade de Fortaleza. O método foi eleito pelo fato da pesquisa
se concentrar unicamente no Núcleo Integrado de Comunicação da Unifor, não havendo

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ampliação ou comparação de dados de qualquer outro espaço que exerça a mesma


função. Sobre o método, Gil (2010) acredita que:
(...) é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou
de poucos objetos, de maneira a permitir o seu conhecimento
amplo e detalhado, tarefa praticamente impossível mediante os
outros tipos de delineamentos considerados (GIL, p. 57-58,
2010).

RESULTADOS
O projeto de convergência proposto por Araújo, Freire e Sales (2016), no
trabalho Projeto JornalismoNIC convergente: Uma proposta de ensino laboratorial, feito
no momento inicial de implantação da nova fase do Núcleo Integrado de Comunicação,
se mostra cada vez mais presente e palpável, já que, com a atualização da plataforma de
publicações, um novo portal foi hospedado em um endereço diferente. Apesar de os
formatos serem similares e ambos se enquadrarem nas características cronológicas e de
apresentação que se assemelham a um blog e possuírem o mesmo formato digital, as
mudanças no conteúdo, na forma de construção dos textos, e na imersão dos estagiários
durante o planejamento e a produção das matérias foram modificadas para melhor se
adaptar às novas práticas jornalísticas.

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Figura 1: Matéria no blog do Labjor

Fonte: https://blogdolabjor.wordpress.com

No novo formato, por exemplo, o Portal se aproximou mais do que acontece em


instituições profissionais de comunicação, produzindo com recursos jornalísticos que
facilitam a leitura, organizam melhor as ideias e ilustram as matérias, como intertítulos,
olhos, boxes, galerias de fotos e demais recursos multimídia em parceria com outras
células do Núcleo.

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Figura 2: Matéria no Portal do NIC

Fonte: http://portaldonic.com.br/jornalismo/

Esse diálogo com os outros grupos de trabalho do NIC também foi uma
mudança a se considerar, tendo em vista que o grupo de trabalho do web jornalismo
pôde dinamizar as suas produções com ajuda das outras equipes, como, por exemplo,
FotoNIC, RádioNIC, WebTV e Mídia Interativa, implantando nas matérias fotografias,
áudios, vídeos, ilustrações e infográficos para melhor explicar um assunto e/ou facilitar
o entendimento do leitor. Essas “parcerias” trouxeram um novo hábito para o
JornalismoNIC, o que modificou a rotina de trabalho e criou uma nova mentalidade nos
estagiários, tornando-os mais proativos, independentes, completos profissionalmente e
adaptáveis a produções em diferentes meios.

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Figura 3: Organograma do Núcleo Integrado de Comunicação (NIC) relacionado


ao Jornalismo NIC e as células que colaboram diretamente para proporcionar a
convergência.

Fonte: Ilustração
Em relação a isso, um repórter estagiário comentou, em entrevista, sobre essa
nova roupagem e a mudança do pensar jornalístico do Núcleo:
“Durante alguns anos, o Blog do Labjor manteve um layout antigo,
sem muitas tonalidades de cor, sem estruturas mais novas onde
ficassem mais acessíveis menus, vídeos, fotos, entre outros. A
mudança, organizada pelos professores gestores da época, buscou
transformar não só a "cara" do blog, mas o conteúdo também.
Aumentou-se o número de matérias a serem produzidas, as fotos não
seguiam mais um padrão de local para serem colocadas, algumas falas
ganhavam destaque em uma cor diferente do corpo do texto, matérias
possuíam infográfico, vídeos produzidos pela WebTV [...] entre
muitas outras mudanças. Na minha opinião, com certeza a
transformação do blog trouxe mais empenho, dedicação e
principalmente, experiência para quem participou do processo e para
quem participa hoje do portal.” (Entrevistado 1)

Agora, em contraponto ao sistema anterior, os estagiários pensam pautas


multimídias, e estas são sugeridas em reuniões compostas não apenas pelos repórteres
do JornalismoNIC, mas, também, por representantes de outras células que sugerem
novas e ajudam a aprimorar as ideias já expostas, de acordo com sua especialidade. Por
exemplo, uma pauta sobre uma exposição artística ganha um ensaio fotográfico feito em
parceria com a FotoNIC e ajuda a construir a matéria jornalística no sentido de imergir
o leitor no ambiente da exposição e divulgar o trabalho do artista; uma matéria do

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gênero perfil geralmente tem um ou mais trechos sonoros com o próprio entrevistado
contando sua história, geralmente gravados e editados com ajuda da RádioNIC; um
novo passeio de barco em uma Área de Preservação Ambiental na cidade ganhou um
vídeo mostrando o trajeto e a paisagem encontrada, contando com a assinatura da
WebTV.
Essa transformação na forma de fazer e de pensar o jornalismo digital do NIC é
(lembrada) por um dos repórteres estagiários que viveu a mudança. Em entrevista, ele
observa que a migração para outro endereço eletrônico foi mais que puramente visual
ou por praticidade:

Não foi só uma mudança de plataforma ou algo assim, foi uma


mudança de postura que aconteceu dentro do Jornalismo NIC, porque
a forma como passamos a trabalhar mudou. Por exemplo, na época do
blog, a gente não procurava fazer algumas extensões que, hoje, o
Portal começa a fazer que é buscar interatividade, buscar a integração
entre as células do núcleo e tudo isso foi o Portal que trouxe [...] foi
uma mudança que os próprios professores orientadores buscaram fazer
com os alunos que estagiavam lá no NIC (Entrevistado 2)

A convergência, portanto, se mostra mais presente e cada vez mais naturalizada


no ambiente de trabalho, sendo pensada desde o momento do planejamento da pauta,
quando as reuniões são feitas com representantes de outras células, até o momento final
com a publicação da matéria. Algo que exemplifica de maneira clara o sucesso da
convergência é o podcast esportivo semanal que o JornalismoNIC realiza em parceria
com a RádioNIC, onde os redatores do jornal digital dão notícias esportivas e traduzem
suas impressões para a linguagem falada do rádio. Para tanto, vão até o estúdio de rádio,
na presença de algum representante desta célula, que os acompanha e ajuda em termos
de locução, texto e gravação de seu programa. A rádio edita e as duas células ganham
um programa completo e explicativo. Para a divulgação, são utilizadas fotos de autoria
da FotoNIC e vídeos assinados pela WebTV, além da assinatura visual do programa,
feita em conjunto com a Mídia Interativa.
Várias células foram mobilizadas e fizeram parte da produção do podcast Ultimo
Lance. Os repórteres-redatores que antes se limitavam somente a escrever, agora
precisam, além disso, conhecer as peculiaridades da produção e da locução em rádio,
além dos outros conhecimentos, já citados, para o bom aproveitamento dos recursos
típicos de outros meios.

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Esse tipo de produto produzido pelo NIC propicia aos estudantes envolvidos
uma maior chance de competir por igual no mercado de trabalho, considerando-se que
deste modo desenvolvem melhor sua capacidade de multidisciplinaridade na prática,
como vem sendo exigido dos profissionais que atuam nos grandes órgãos de
comunicação. Esse pensamento é confirmado e compartilhado também pelos estagiários
que viveram o momento de transição do portal antigo para o novo:
“A vivência no NIC é muito importante, principalmente por estarmos
em um mundo onde o mercado de trabalho exige cada vez mais
experiência de pessoas com cada vez menos anos de vida.[...] O tempo
de estágio no Núcleo Integrado de Comunicação é uma ótima
oportunidade para "sentir um gosto do mercado", e como as redações
funcionam. Apesar do ritmo não ser o mesmo das grandes redações, a
experiência no NIC é extremamente válida, principalmente para
aqueles que nunca viveram o dia-a-dia de uma redação de um blog ou
de um jornal impresso. A mudança do Labjor para o Jornalismo NIC
foi um acontecimento muito importante. Os veículos de mídia
precisam estar em constante renovação, seguindo as tendências do
mercado. E essa mudança não foi diferente”. (Entrevistado 3)

CONSIDERAÇÕES
O “projeto” Último Lance mostra como o diálogo entre as células, a
convergência, a multimidialidade e o conhecimento de várias linguagens, por parte do
jornalista, é importante e engrandecedor, e, nesse sentido, o laboratório experimental em
jornalismo do NIC consegue ser eficiente oferecendo experiências cada vez mais
próximas da realidade do mercado, trabalhando uma redação integrada e utilizando
recursos e produtos das áreas de impresso, rádio, fotografia, mídias interativas e webtv.
Percebeu-se, com as práticas de convergência e multimidialidade, que os estudantes se
sentem mais preparados para serem inseridos no mercado de trabalho, ao vivenciar a
rotina e as atividades de uma redação jornalística integrada e multidisciplinar.
O formato de trabalho com foco na produção de jornalismo convergente teve
início em agosto de 2015, e acumulou um total de 405 matérias até maio deste ano. A
produtividade semanal tem em média quinze publicações e rendeu até maio deste ano
mais de 15 mil acessos. Nas redes sociais as matérias são publicadas diariamente e,
somente no Facebook, chegou-se a 248.228 alcances desde o lançamento do Portal.
Como proposta para possível prosseguimento da pesquisa, foi observado durante
o presente levantamento de natureza qualitativa, que a contribuição de uma pesquisa
quantitativa mostra-se interessante para melhor compreender a evolução do Portal de

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Notícias. Onde um levantamento numérico envolvendo quantidade de material


produzido, quantidade de acessos quantidade de comentários e afins, com certeza deve
contribuir bastante em uma aferição mais detalhada no que diz respeito ao entendimento
mais dogmático da investigação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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