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DIREITO DE FAMÍLIA

O Direito de família é o que mais sofre influência da doutrina e da jurisprudência. Também


sofre influência dos costumes e das mudanças da sociedade. Tem influência de todos os
institutos e dos princípios constitucionais e existe um fenômeno da constitucionalização do
direito civil.

Conceito Direito de Família: É um conjunto de normas jurídicas de ordem privada, ou do


direito social ou misto, que regulam as relações jurídicas (pessoais e patrimoniais), entre as
pessoas unidas pelo parentesco, pelo matrimônio, pela união estável, bem como unidos por
todos os modos de constituição de família. Regula também os institutos da tutela e da
curatela.

Família Monoparental - A família monoparental é aquela “constituída pelo homem ou mulher


e seus descendentes, a qual se caracteriza de múltiplos modos: pela viuvez, pais ou mães
solteiros ou separados e filhos”

Família Anaparental - (...) como basilar o elemento efetividade, que se caracteriza pela
inexistência da figura dos pais, ou seja, constitui-se basicamente pela convivência entre
parentes do vínculo da colateralidade ou pessoas – mesmo que não parentes e sem
conotação sexual – dentro de uma mesma estruturação com identidade de propósitos, que é
o animus de constituir família.

Família Eudenomista - A Família eudenomista é aquela decorrente do convívio de pessoas


por laços afetivos que buscam atingir a felicidade individual.

Família Unipessoal - A família Unipessoal, como a própria nomenclatura já diz, é aquela


formada por uma única pessoa, seja ela solteira, separada, divorciada ou viúva. Com o
objetivo de alcançar a finalidade social da lei, o Supremo Tribunal de Justiça ampliou o
conceito de entidade familiar de modo a incluir a família unipessoal.

Família Homoafetiva - A família homoafetiva é a relação afetiva entre pessoas de mesmo


sexo. Apresenta características similares a de uma união estável.

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Resumo Direito Civil IV – direito de família
1. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE HUMANA (ART. 1º, III, CF 88):
Como sabemos, não podemos aplicar a norma seca sem olharmos para as vontades da
sociedade. O princípio da dignidade humana trouxe a valorização da própria pessoa dentro da
família, protegendo-a por si só; preza o indivíduo pelo ser pessoa, ou seja, deve sempre
proteger a vida e a integridade dos membros de uma família, levando em conta o respeito à
pessoa e assegurando os seus direitos de personalidade.

Sendo esse princípio como fundamento da República, a Constituição Brasileira deu maior
valor à proteção da pessoa humana, garantindo o exercício e o reconhecimento de sua
condição, sem nenhuma discriminação na sociedade em que vive. Ressalta Ingo Sarlet, ao
expressar a noção de pessoa, como sujeito de direito e obrigações:

Com fundamento na própria dignidade da pessoa humana, poder-se-á


falar também em um direito fundamental de toda pessoa humana a ser
titular de direitos fundamentais que reconheçam, assegurem e
promovam justamente a sua condição de pessoa (com dignidade) no
âmbito de uma comunidade. Aproxima-se desta noção – embora com
ela evidentemente não se confunda – o assim denominado princípio da
universalidade dos direitos fundamentais.

2. PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE FAMILIAR (ART. 3º, I, CF 88)

Conforme diz Rolf Madaleno:

A solidariedade é princípio e oxigênio de todas as relações familiares e


afetivas, porque esses vínculos só podem se sustentar e se desenvolver
em ambiente recíproco de compreensão e cooperação, ajudando-se
mutuamente sempre que se fizer necessário.

Dentro da família deve haver solidariedade entre os membros, nos quais se baseiam em
“ajudar e ser ajudado”. Esse princípio informa que, assim como os pais tem o dever de cuidar
dos filhos, os filhos também, pelo princípio da solidariedade, devem cuidar de seus pais na
velhice.

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Resumo Direito Civil IV – direito de família
3. PRINCÍPIO DA IGUALDADE E ISONOMIA DOS FILHOS (ARTIGO 227, PARÁGRAFO 6º, DA CF/88 E
ARTIGO 1596 DO CÓDIGO CIVIL):

No direito de família atual são as pessoas que são protegidas, dando-as o direito de
liberdade, igualdade e preservando o vínculo entre elas.

Rodrigo da Cunha Pereira ressalta que:

A igualdade e o respeito às diferenças constituem um dos princípios-


chave para as organizações jurídicas e especialmente para o Direito de
Família, sem os quais não há dignidade do sujeito de direito.
Consequentemente não há justiça.

O discurso da igualdade está intrinsecamente vinculado à cidadania, uma outra categoria da


contemporaneidade, que pressupõe também o respeito às diferenças. Se todos são iguais
perante a lei, todos devem estar incluídos no laço social.

Dimas Messias de Carvalho diz com base em que escreve Rodrigo da Cunha Pereira, que:

O princípio da igualdade, além da absoluta igualdade entre homem e


mulher, importa no mesmo tratamento e isonomia dos filhos, respeitando
as diferenças, pouco importando a origem, sepultando definitivamente a
velha concepção de ilegitimidade da prole. O princípio da afetividade,
decorrente dos princípios adotados na Constituição, rompeu a
formalidade para constituição do vínculo familiar, tornando-se o afeto o
elemento formador da família e desbiologizando a paternidade.

A solidariedade deve-se dar no auxílio mútuo, material e moral, dando a devida assistência,
amparando e protegendo.

4. PRINCÍPIO DA NÃO-INTERVENÇÃO OU DA LIBERDADE (ART.1513 DO CC):

Prevê o artigo 1513 do CC: “É defeso a qualquer pessoa de direito público ou privado interferir
na comunhão da vida instituída pela família”. Trata-se da consagração do princípio da
liberdade ou da não intervenção na ótica do Direito de Família.

5. PRINCÍPIO DO MAIOR INTERESSE DA CRIANÇA (ART. 227, CAPUT, DA CF/88:

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Resumo Direito Civil IV – direito de família
É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao
adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à
dignidade e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda a forma de
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Essa proteção é regulada pelo ECA.

No Código Civil, esse princípio é reconhecida pelos arts 1583 e 1584 que dispõe sobre a
guarda de filhos.

Rodrigo da Cunha Pereira inclui este princípio juntamente aos outros. Ele é chamado também
como Princípio da Plena Proteção das Crianças e Adolescentes, sendo enraizado nas
mudanças ocorridas na família. Esse princípio busca proteger as pessoas que se encontram
em situações de vulnerabilidades, como na faze de amadurecimento de uma criança a uma
formação da personalidade de um adolescente, sendo praticamente total a sua ligação com
os direitos e garantias fundamentais da criança e do adolescente.

Na Convenção Internacional dos Direitos da Criança, adotada pela Assembleia Geral das
Nações Unidas no dia 20 de novembro de 1989 e ratificada no Brasil em 1990, consagrou no
artigo 3º, I, que: "Todas as ações relativas às crianças, levadas a efeito por instituições
públicas ou privadas de bem-estar social, autoridades administrativas ou órgãos legislativos,
devem considerar, primordialmente, o interesse maior da criança."

Buscamos através deste princípio, dizer que o interesse da criança nas relações familiares é
de extrema importância, devendo dar mais ênfase nas vontades, condições de vida, ambiente
físico e mental do menor, etc., pois se tratando de pessoas em desenvolvimento, possuem
condição prioritária e proteção não apenas da família, mas do Estado e da sociedade.

A proteção à dignidade da criança e do adolescente e a liberdade de expressar sua vontade,


permite a construção pela convivência de relação afetiva do menor com aqueles que se
considera como pais, mesmo não existindo consanguinidade, autorizando o reconhecimento
jurídico da paternidade socioafetiva.

6. PRINCÍPIO DA AFETIVIDADE:

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Resumo Direito Civil IV – direito de família
Atualmente, o afeto é apontado como um dos principais fundamentos das relações familiares,
mesmo não constando no Texto Maior como sendo direito fundamental, decorre da
valorização da dignidade da pessoa humana.

Esse princípio liga as pessoas pela afeição, ou seja, a vontade de querer constituir uma
família com base em uma convivência. O princípio da afetividade não se encontra expresso,
mas está de forma implícita na constituição como um elemento inspirador da família, onde as
pessoas devem ter comunhão de vida e estabilidade nas relações afetivas.

A mulher passa a ser independente do marido, fazendo com que a família se reúna com base
no afeto, na vontade de formar um conjunto, distanciando daquele casamento subordinado,
onde a mulher casava-se por questões econômicas e de sobrevivências.

Para Rolf Madaleno:

O afeto é a mola propulsora dos laços familiares para dar sentido e


dignidade à existência humana. Nos vínculos de filiação e parentesco a
afetividade deve estar sempre presente, pois os vínculos consanguíneos
não se sobrepõem aos liames afetivos, ao contrário, a afetividade pode
sobrepor-se aos laços consanguíneos.

Hoje já não mais se aceita o Direito de Família sem o afeto, diz Daniella Velloso Pereira e
Maria Flávia Cardoso Máximo, pois o mesmo permeou as divisas do direito e rompeu antigos
paradigmas, alicerçando o conceito de família.

A afetividade se faz presente no Código Civil, dispondo no artigo 1511, que o casamento
exige plena comunhão de vida, tanto que cessada a convivência, mesmo que mediante
apenas separação de fato, termine o regime de bens.

A Lei Maria da Penha (artigo 5º, II) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei
12.010/2009, acrescentado parágrafo único ao artigo 25) também acolhem o princípio da
afetividade.

Sendo assim, o princípio da afetividade resulta da convivência familiar, de atos exteriorizados,


de condutas objetivas demonstrando o afeto familiar de seus membros na constituição e
manutenção das famílias, capaz de gerar vínculos jurídicos como a paternidade socioafetiva.

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Resumo Direito Civil IV – direito de família
7. PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DA FAMÍLIA:

As relações familiares devem ser analisadas dentro do contexto social e diante das diferenças
regionais de cada localidade. Sem dúvida que a sociedade também deve ser aplicada aos
institutos do Direito de Família, assim com outros ramos do Direito Civil.

DIREITO À BUSCA DA FELICIDADE –

No Brasil, foi erigido ao predicado de princípio por força de julgamento do Colendo STF, no
caso emblemático do julgado concernente àunião homoafetiva (ADPF 132, Relator (a): Min.
AYRES BRITTO, Tribunal Pleno, julgado em 5/5/2011), ao se reconhecer a
constitucionalidade da união estável entre pessoas do mesmo sexo. De acordo com o
entendimento do STF, o princípio constitucional da busca da felicidade decorreria
implicitamente do sistema constitucional vigente e, em especial, do princípio da dignidade da
pessoa humana.

O STF construiu as vigas mestres para o julgamento em favor da união homoafetiva ao


considerar que “se mostra arbitrário e inaceitável qualquer estatuto que puna, que exclua, que
discrimine, que fomente a intolerância, que estimule o desrespeito e que desiguale as
pessoas em razão de sua orientação sexual”.

O STF construiu as vigas mestres para o julgamento em favor da união homoafetiva ao


considerar que “se mostra arbitrário e inaceitável qualquer estatuto que puna, que exclua, que
discrimine, que fomente a intolerância, que estimule o desrespeito e que desiguale as
pessoas em razão de sua orientação sexual”.

Casamento

Natureza jurídica
Teoria Clássica ou Contratualista
Para os adeptos de tal teoria, o Casamento se resume a um contrato de Natureza Civil, onde
predomina a Autonomia da Vontade, tendo como única premissa necessária para sua
validade e eficácia a vontade em comum das partes.

Tal teoria encontra oposição ao salientar-se que caso o Casamento tivesse a Natureza

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Resumo Direito Civil IV – direito de família
Jurídica de um contrato, as partes poderiam dispor de todas as regras nele contidas, fato que
nos permite descartar tal doutrina, pois para a eficácia do Vínculo Conjugal são necessários
cumprimentos de certos procedimentos especiais impostos pelo Estado, o que torna o
Casamento um Ato Jurídico Solene.

Teoria Institucionalista
Pode-se dizer que tal teoria, majoritária no Brasil, é a completa oposição a doutrina anterior,
pois apresenta o Casamento como uma Instituição Social que se restringe aos ditames legais
para sua existência, ou seja, trata-se basicamente de um Vínculo Conjugal como “contrato de
adesão”, onde os cônjuges só apresentam sua vontade para fazer surgir a relação, e quando
efetivado o Casamento vinculam-se a um regime imutável de Direito, não podendo alterar a
disciplina tratada pelo Estado.

Igualmente a teoria anterior, tal doutrina encontra obstáculo ao nos questionarmos a respeito
da faculdade dos cônjuges na escolha do regime de bens, se a Vinculação a Instituição Social
torna a Situação Jurídica imutável, tal possibilidade de alteração faz questionar a validade
dessa doutrina.

Teoria Mista, Eclética ou Híbrida (adotada)


Tal teoria não possui caráter majoritário, talvez por ser a mais recente, pois atrai cada vez
mais adeptos ao passar do tempo, uma teoria ligeiramente menos tradicional, uma mescla
entre a Teoria Clássica e a Institucionalista, trata o Casamento como um ato Complexo, que
une o elemento contratual, que decorre da manifestação da vontade que gera a celebração do
contrato e surge a assim a Instituição Social de que trata a Teoria Institucionalista, ficando os
cônjuges após a celebração do contrato, vinculados a normas imutáveis de Direito.

Basicamente divide o casamento em 2 etapas:

1. Autonomia da vontade – escolha do cônjuge – opção pelo Vínculo Conjugal - celebração de


contrato - Teoria Clássica

2. Após a celebração do contrato - Casados – vinculados a normas imutáveis do Direito –


impossibilidade de modificar as regras que ditam o Vínculo Conjugal - Teoria Institucionalista

Encontra certa oposição pelos Juristas tradicionais, que afirmam não haver a possibilidade de
uma Instituição Jurídica suportar 2 fases com naturezas diversas, excluindo a possibilidade de
tal doutrina a Instituição do Casamento.
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Resumo Direito Civil IV – direito de família
PRINCÍPIOS

Três são os princípios que regem o casamento:


a) Liberdade da união: o casamento nto só se justifica e legitima quando decorre da livre
manifestação de vontade dos parceiros;

b) Monogamia: decorre da mais tradicional e inquebrantável postura do mundo


ocidental; quem é casado está proibido de contrair novas núpcias (art. 1.521, VI);

c) Comunhão de vida: os nubentes comungam os mesmos ideias, renunciando os


instintos egoísticos ou personalistas, em função de um bem maior, que é a família

Casamento do portador de deficiência: impropriedades do novo


regramento trazido pela Lei 13.146/2015

A lei visa à proteção da dignidade do portador de deficiência e, com essa finalidade, a mesma
promove alterações de artigos do Código Civil que refletem diretamente em alguns institutos
do direito de família, notadamente o casamento do incapaz.

O matrimônio contraído pelo enfermo mental passa a ser válido. Mantêm-se, tão somente, a
anulabilidade do conúbio daquele que for considerado incapaz de manifestar, de modo
inequívoco, o seu consentimento. Percebe-se que o novo Estatuto impõe barreiras para a
anulação do casamento do portador de deficiência, independentemente do seu grau de
discernimento. Em outras palavras, o agente, por mais severa que seja a sua deficiência
mental, poderá se casar, transformando, ipso facto, o cônjuge, em seu herdeiro necessário e
meeiro.

Sem ignorar que o casamento é, via de regra, salutar ao portador de deficiência e contribui
para a sua inclusão social, este tema deveria ter sido tratado com maior zelo pelo legislador,
considerando o risco de tornar-se lesivo ao próprio deficiente, o que, de fato, aconteceu.

A título de ilustração, o matrimônio contraído por um indivíduo maior de dezoito anos, com a
idade mental equivalente a uma criança de nove anos e capaz de manifestar sua vontade de
forma clara, não será passível de anulação. Percebe-se aí uma porta aberta para um
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Resumo Direito Civil IV – direito de família
casamento no qual o outro nubente tenha interesses diversos do estabelecimento de um laço
afetivo com o deficiente, como por exemplo, a obtenção de vantagens financeiras. Por óbvio,
a realidade pode ser facilmente deturpada perante um enfermo mental e o mesmo se tornará
deveras susceptível à dilapidação do seu patrimônio.

Como se percebe, uma alteração como esta, ainda que bem intencionada, pode acarretar
prejuízos à segurança do incapaz que precisa ser rigorosamente protegido em todos os
aspectos. Não há como desconsiderar a vulnerabilidade de um indivíduo que, por variadas
causas, não têm discernimento pleno.

O art. 1550 do Código Civil, por sua vez, também ganhou um novo parágrafo, preceituando
que a pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbil poderá contrair matrimônio,
expressando sua vontade diretamente ou por meio de seu responsável ou curador. Eis aí uma
outra grave impropriedade da referida Lei.

Cumpre elucidar que a vontade é elemento essencial ao casamento que detém uma natureza
personalíssima. Admitir que a vontade do nubente possa ser expressada mediante o seu
responsável ou curador contraria a pessoalidade do instituto, além de, igualmente, escancarar
possibilidades para fraudes perpetradas pelo matrimônio decorrente apenas da pretensão dos
responsáveis e curadores. Ora, não parece lógico que deficientes interditados por
incapacidade de manifestar sua vontade possam expressa-la através de seus curadores. Se
não há como conhecer a vontade do deficiente, também não há como garantir que o curador
atuará no interesse daquele.

Ainda sobre esse parágrafo, não se pode deixar de aludir a fulgente contradição entre ele e o
art. 85 do Estatuto aqui analisado. Segundo preceito deste último, a curatela afetará tão
somente os atos relacionados aos direitos de natureza patrimonial e negocial, não alcançando
o “direito ao próprio corpo, à sexualidade, ao matrimônio, à privacidade, à educação, à saúde,
ao trabalho e ao voto”. Percebe-se aí que o enlace matrimonial não está dentre os atos
afetados pela curatela, o que torna ainda mais inconcebível e contraditório a hipótese de
expressão da vontade do curatelado através de seu curador no que tange às núpcias.

Percebe-se, portanto, que a Lei 13.146/2015 buscou a inclusão do deficiente trilhando por um
caminho oposto ao adotado anteriormente pelo Código Civil. As normas revogadas buscavam
afastar ou, ao menos, minimizar os riscos de lesões a estes indivíduos, especialmente no que
tange ao casamento. O novo Instituto, porém, ao tentar equiparar as condições dos
considerados incapazes à força, retira deles a proteção consubstanciada no sistema das
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Resumo Direito Civil IV – direito de família
incapacidades e desconsidera as suas vulnerabilidades, abandonando-os à própria sorte.

Engessar o poder do juiz de proteger plenamente o indivíduo acometido por uma situação
incapacitante não assegura a dignidade deste. A flexibilidade legislativa garantiria a
adequação dos princípios protetivos a cada caso concreto. O grau de incapacidade do
deficiente deveria ser apurado pelo julgador que, apenas estaria autorizado a afastar as
restrições impostas ao interditado no que tange ao casamento, se este demonstrasse plena
aptidão para compreender a importância e as consequências deste ato. Esta seria a forma
mais correta, segura e eficiente de buscar a igualdade.

As diferenças existem e são fatores biológicos que não serão suprimidos por advento de lei
alguma. Não adianta tentar “negar” as adversidades por meio de um Estatuto que,
formalmente, proclama a igualdade. Infelizmente, este não é o caminho. O fato é que essas
mudanças trarão consequências negativas para aqueles que se tentou proteger, pois suas
fragilidades ficarão expostas e o ordenamento jurídico não mais estará apto a acolhê-los.

IMPEDIMENTOS MATRIMONIAIS

Importante!
O Art. 1521, CC traz um rol taxativo de pessoas que não podem casar, em situações que
envolvem a ordem pública assim, não podem casar.
I- Os ascendentes com os descendentes até o infinito. Ex. Neto com avó. Por duas razões: 1°
Razão moral - evitar incesto, 2° Razão biológica - evitar problemas congênitos a prole.

II-Os colaterais até terceiro grau, pelas mesmas razões acima. Não podem se casar os irmãos
(colaterais e segundo grau), tios e sobrinhas, tias e sobrinhos (colaterais de terceiro grau).
Observação: Segundo o entendimento majoritário, continua em vigor o Decreto-Lei
3.200/1941, que autoriza o casamento entre tios e sobrinhos se uma junta médica apontar
que não há risco biológico (enunciado n° 98 do Conselho da Justiça Federal / STJ: Esse
casamento é denominado avuncular).

III- Os afins em linha reta (impedimento decorrente de parentesco por afinidade).

Doutrina
São fatos que causam a invalidade do casamento, os quais podem ser opostos a fim de
impedir sua realização.
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Resumo Direito Civil IV – direito de família
OBS.: como qualquer pessoa capaz pode opô-los até a conclusão da celebração, o
casamento tem de ser realizado em local público ou, se particular, às portas abertas.

IMPEDIMENTO # INCAPACIDADE

» Impedimento : tem caráter especial, atingindo apenas determinadas pessoas. Há autores


que usam o termo "ilegitimidade", outros "inaptidão" e, ainda, "incapacidade especial".

» Incapacidade : tem caráter geral, atingindo toda a sociedade.

Ex.: pessoa menor de 16 anos.

ART. 1521 : apresenta rol exaustivo de causa de NULIDADE do casamento » eis a razão de
poderem ser opostos por qualquer pessoa - ofensa ao interesse público.

I - ASCENDENTES : parentes os quais são ancestrais (pais, avós, bisavós etc.) - art. 1591.

- NATURAL : consangüíneos

PARENTESCO

- CIVIL : por força de lei (adoção)

II - AFINIDADE : relação nascida do casamento ou da união estável, mantida pelo cônjuge /


companheiro com a família do consorte (art. 1595)

Afinidade em linha reta : análogo aos parentes ascendentes e descendentes (sogros com
genro e nora / enteados com padrastos) » a afinidade não se extingue com a extinção do
casamento ou da união estável (portanto, sogros jamais poderão desposar nora/genro).

AFINS EM LINHA COLATERAL : a lei concede tratamento diverso, na medida em que a


extinção do casamento extingue também a afinidade.

Ex.: como é possível que cunhados venham a contrair matrimônio após a extinção do
casamento... lembrar daquele irmão que perdeu a disputa para o divino maravilhoso » este
era tão porcaria que divorciaram-se » aí surgiu a grande chance OU casos em que o
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Resumo Direito Civil IV – direito de família
cunhado consola a viúva histérica no dia do enterro do seu irmão (para o desespero da sua
mãe, pois matou um, vai matar o outro também) » descobre, meses mais tarde, uma enorme
paixão retraída » melhor ficar com esse mesmo porque se sogra é para a vida inteira, melhor
ter só uma (uma vez sogra, sempre sogra).

III - pela redação, depreende-se que há uma ordem permanente, ou seja, proibição que não
se encerra pelo fim do casamento dos pais com o cônjuge e vice-versa.

OBS.: este inciso seria desnecessário porque se insere na hipótese anterior (fim da
discriminação da filiação).

IV - EXPLICAR : irmão unilaterais e germanos (termo usado pelo cc revogado) / parentesco


colateral e identificação dos seus graus

OBS.: casamento entre primos "1º grau" pode ser anulado pelas normas do Direito Canônico,
mas não pelo Direito Civil brasileiro.

V - absurda a manutenção deste inciso, na medida em que é claro resquício da discriminação


entre filhos » filho do adotante e adotado são irmãos (parentes colaterais em 2º grau).

VI - no Brasil, somente se admite casamento somente monogâmico, sob pena de bigamia


(ainda é crime) » daí a necessidade de se provar o estado civil ao tempo da habilitação para
o casamento.

VII - não é preciso co-autoria ou participação, pois é entendido que a cumplicidade é implícita.

OBS.: prevalece o entendimento de que o crime tem de ser doloso, tendo havido condenação
transitada em julgado (Princípio de Presunção da Inocência).

IMPORTANTE : nem mesmo a adoção, que extingue todos os vínculo com os parentes da
família antiga, desliga o adotado dos impedimento matrimoniais.

CAUSAS SUSPENSIVAS

Nos termos do Art. 1595, CC há parentesco por afinidade entre um conjuge (ou companheiro)
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Resumo Direito Civil IV – direito de família
e ous parentes do outro consorte ou convivente. O impedimento, por razão moral, existe
apenas na afinidade em linha reta até o infinito (sogra, ex-genro, padrasto e enteada e assim
sucessivamente). Os cunhados podem se casar, depois de terminado o casamento, pois são
parentes afins colaterais.

O adotante com quem foi cônjuge com o adotado, e o adotado com quem o foi do adotante;
os ascendentes e descendentes em casos envolvendo a adoção; o adotado com o filho do
adotante (impedimentos em decorrência do parentesco civil formado pela adoção).
V - As pessoas casadas (princípio da monogamia).
VI - O Cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra
o seu consorte.
Tal impedimento somente nos casos de crime doloso e havendo trânsito em julgado da
sentença penal condenatória.
Observação: Há discussão doutrinária acerca do assunto. O casamento permanece válido,
mesmo no caso de sentença penal transitada em julgado superveniente ao matrimônio.

Caso o casamento seja celebrado com quaisquer dos impedimentos acima, será ele, nulo de
pleno direito (Art. 1248, II)

Não são causas de impedimento porque as pessoas relacionadas no art. 1523 podem se
casar livremente, desde que ultrapassada a situação temporária que lhe gera embaraços.

IMPORTANTE : ao contrário das causas impeditivas, não podem ser argüidas por qualquer
pessoa, e sim somente pelos parentes em linha reta ou colaterais até o 2º grau.

SANÇÃO : o regime de bens será, obrigatoriamente, separação de bens (art. 1641, I). NESTE
CASO, o novo cônjuge não será seu herdeiro em 1ª vocação (regime da separação
obrigatória de bens) - art. 1829, I.

I - a razão é evitar que ocorram prejuízos dos bens dos filhos em decorrência do novo
patrimônio » cônjuge é herdeiro concorrente com os descendentes.

II - o fim é evitar a confusão quanto à filiação, haja vista a presunção do art. 1597, I e II »
impede-se que o filho do casamento anterior seja reconhecido pelo cônjuge atual

OBS.: se a mulher provar que não está grávida ou que já nascera o filho da relação anterior,
poderá ser pleiteado ao juiz que o afastamento da causa suspensiva.
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Resumo Direito Civil IV – direito de família
III - o casamento somente é extinto pela morte ou pelo divórcio : como o morto não pode
casar, enquanto não for decretado o divórcio, não se pode casar, sob pena de bigamia.

ART. 1523, III, parte final : impedir a confusão de bens de sociedades conjugais distintos, ou
seja, confusão patrimonial do casamento anterior com o atual.

IV : enquanto não...

- encerrada a tutela : o tutelado é menor ! Ainda que púbere, somente os pais poderiam
autorizar o casamento e estes não mais existem ou foram destituídos do poder familiar.

- encerrada a curatela : até então, o curatelado é interdito por ser incapaz.

OBS.: a lei determina que tenha sido encerrada a prestação de contas para que não exista
qualquer prejuízo patrimonial ao tutelado ou curatelado » sua proteção é de interesse
público.

Para relembrar
Linha reta - infinito
Ascendentes

1° Grau: Pai e Mãe


2° Grau: Avô e Avó
3° Grau: Bisavô e Bisavó
4° Grau: Trisavô

Descendentes
1° Grau: Filho e Filha
2° Grau: Neto e Neta
3° Grau: Bisneto e Bisneta
4° Grau: Trineto

Em Linha Colateral - até 4 grau

1° Grau: Ninguém pois para "chegar" aos irmãos e necessário, antes, passar pelos, que
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Resumo Direito Civil IV – direito de família
são parentes em linha reta.
2° Grau: Irmão e Irmã
3° Grau: Tios, Tias (Maternos e Paternos), Sobrinhos e Sobrinhas.
4° Grau: Primos, Primas, Tios, Tias, Avós, Sobrinhos-netos e Sobrinhas-netas.

PROCESSO DE HABILITAÇÃO DE CASAMENTO

 É o processo que vai habilitar os nubentes ao casamento.


 É apresentado um requerimento pelos noivos solicitando o processo.
 Documentos que devem acompanhar o requerimento:

Art. 1.525. O requerimento de habilitação para o casamento será firmado por ambos os
nubentes, de próprio punho, ou, a seu pedido, por procurador, e deve ser instruído com os
seguintes documentos:

I - certidão de nascimento ou documento equivalente;


II - autorização por escrito das pessoas sob cuja dependência legal estiverem, ou ato
judicial que a supra;
III - declaração de duas testemunhas maiores, parentes ou não, que atestem conhecê-los
e afirmem não existir impedimento que os iniba de casar;
IV - declaração do estado civil, do domicílio e da residência atual dos contraentes e de
seus pais, se forem conhecidos;
V - certidão de óbito do cônjuge falecido, de sentença declaratória de nulidade ou de
anulação de casamento, transitada em julgado, ou do registro da sentença de divórcio.

Art. 1.526. A habilitação será feita pessoalmente perante o oficial do Registro Civil, com
a audiência do Ministério Público.

Parágrafo único. Caso haja impugnação do oficial, do Ministério Público ou de terceiro, a


habilitação será submetida ao juiz.

*Certidão atualizada (no máximo 60 dias);


*Um documento com foto;
*Autorização dos pais, se necessário;
*Declaração de 2 testemunhas; art. 68 do provimento 32/06-CGJ.

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Resumo Direito Civil IV – direito de família
*Aos pobres é assegurado o casamento e a certidão gratuitos.
*Se houver pacto este será juntado à habilitação;
*Pronta a habilitação será afixado um edital de proclamas por 15 dias no cartório que moram
os nubentes;
*Se o noivo ou a noiva estiver doente, o juiz pode dispensar os proclamas;

Art. 1.527. Estando em ordem a documentação, o oficial extrairá o edital, que se afixará
durante quinze dias nas circunscrições do Registro Civil de ambos os nubentes, e,
obrigatoriamente, se publicará na imprensa local, se houver.
Parágrafo único. A autoridade competente (o juiz), havendo urgência, poderá dispensar a
publicação.

Art. 1.528. É dever do oficial do registro esclarecer os nubentes a respeito dos fatos que
podem ocasionar a invalidade do casamento, bem como sobre os diversos regimes de bens.

Art. 1.529. Tanto os impedimentos quanto as causas suspensivas serão opostos em


declaração escrita e assinada, instruída com as provas do fato alegado, ou com a indicação
do lugar onde possam ser obtidas.

Art. 1.530. O oficial do registro dará aos nubentes ou a seus representantes nota da oposição,
indicando os fundamentos, as provas e o nome de quem a ofereceu.

Parágrafo único. Podem os nubentes requerer prazo razoável para fazer prova contrária aos
fatos alegados, e promover as ações civis e criminais contra o oponente de má-fé.

Art. 1.531. Cumpridas as formalidades dos arts. 1.526 e 1.527 e verificada a inexistência de
fato obstativo, o oficial do registro extrairá o certificado de habilitação.

Art. 1.532. A eficácia da habilitação será de noventa dias, a contar da data em que foi extraído
o certificado.

*Após o prazo de 15 dias, será dado vistas ao MP para o parecer;


*Depois do MP, o cartório expedirá a certidão de habilitação;

Art. 1.531. Cumpridas as formalidades dos arts. 1.526 e 1.527 e verificada a inexistência
de fato obstativo, o oficial do registro extrairá o certificado de habilitação.

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Resumo Direito Civil IV – direito de família
Art. 1.532. A eficácia da habilitação será de noventa dias, a contar da data em que foi
extraído o certificado.

NOME

§ 1o Qualquer dos nubentes, querendo, poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro.


(Art.1565)
Art. 55. Quando o declarante não indicar o nome completo, o oficial lançará adiante do
prenome escolhido o nome do pai, e na falta, o da mãe, se forem conhecidos e não o impedir
a condição de ilegitimidade, salvo reconhecimento no ato.
Parágrafo único. Os oficiais do registro civil não registrarão prenomes suscetíveis de
expor ao ridículo os seus portadores. Quando os pais não se conformarem com a recusa do
oficial, este submeterá por escrito o caso, independente da cobrança de quaisquer
emolumentos, à decisão do Juiz competente.

CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO

O casamento se realiza no momento que o juiz os declara casados (1514). A solenidade


deve ter portas abertas e duas testemunhas, se alguém não souber assinar, serão 4. Se em
prédio particular serão 4 testemunhas.

1514, 1534 e 1535.


Art. 1.534.A solenidade realizar-se-á na sede do cartório, com toda publicidade, a portas
abertas, presentes pelo menos duas testemunhas, parentes ou não dos contraentes, ou,
querendo as partes e consentindo a autoridade celebrante, noutro edifício público ou
particular.
§ 1o Quando o casamento for em edifício particular, ficará este de portas abertas durante
o ato.
§ 2o Serão quatro as testemunhas na hipótese do parágrafo anterior e se algum dos
contraentes não souber ou não puder escrever.
Art. 1.535. Presentes os contraentes, em pessoa ou por procurador especial, juntamente
com as testemunhas e o oficial do registro, o presidente do ato, ouvida aos nubentes a
afirmação de que pretendem casar por livre e espontânea vontade, declarará efetuado o
casamento, nestes termos: "De acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar perante
mim, de vos receberdes por marido e mulher, eu, em nome da lei, vos declaro casados."

SUSPENSÃO DO CASAMENTO
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Resumo Direito Civil IV – direito de família
O casamento será suspenso se algum dos contraentes recusar, manifestar-se
arrependido ou declarar que não é de sua livre e espontânea vontade. Não pode se retratar
no mesmo dia.

Art. 1.538. A celebração do casamento será imediatamente suspensa se algum dos


contraentes:
I - recusar a solene afirmação da sua vontade;
II - declarar que esta não é livre e espontânea;
III - manifestar-se arrependido.
Parágrafo único. O nubente que, por algum dos fatos mencionados neste artigo, der
causa à suspensão do ato, não será admitido a retratar-se no mesmo dia.

CASAMENTO EM CASO DE MOLÉSTIA GRAVE


Art. 1.539. No caso de moléstia grave de um dos nubentes, o presidente do ato irá
celebrá-lo onde se encontrar o impedido, sendo urgente, ainda que à noite, perante duas
testemunhas que saibam ler e escrever.
§ 1o A falta ou impedimento da autoridade competente para presidir o casamento suprir-
se-á por qualquer dos seus substitutos legais, e a do oficial do Registro Civil por outro ad hoc
(=PARA O ATO), nomeado pelo presidente do ato.
§ 2o O termo avulso, lavrado pelo oficial ad hoc, será registrado no respectivo registro
dentro em cinco dias, perante duas testemunhas, ficando arquivado.
A pessoa deve estar consciente (não importa se estiver no hospital).

CASAMENTO NUNCUPATIVO / IN EXTREMIS / IN ARTICULO MORTIS


Quando a pessoa está morrendo
Art. 1.540. Quando algum dos contraentes estiver em iminente risco de vida, não obtendo
a presença da autoridade à qual incumba presidir o ato, nem a de seu substituto, poderá o
casamento ser celebrado na presença de seis testemunhas, que com os nubentes não
tenham parentesco em linha reta, ou, na colateral, até segundo grau.
Art. 1.541. Realizado o casamento, devem as testemunhas comparecer perante a
autoridade judicial mais próxima, dentro em dez dias, pedindo que lhes tome por termo a
declaração de:
I - que foram convocadas por parte do enfermo;
II - que este parecia em perigo de vida, mas em seu juízo;
III - que, em sua presença, declararam os contraentes, livre e espontaneamente, receber-
se por marido e mulher.
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Resumo Direito Civil IV – direito de família
§ 1o Autuado o pedido e tomadas as declarações, o juiz procederá às diligências
necessárias para verificar se os contraentes podiam ter-se habilitado, na forma ordinária,
ouvidos os interessados que o requererem, dentro em quinze dias. (vai ser mandado pro
cartório para verificar se ele poderia casar – ver estado civil, idade, para ver o regime de bens
que poderá ser adotado)
§ 2o Verificada a idoneidade dos cônjuges para o casamento, assim o decidirá a
autoridade competente, com recurso voluntário às partes.
§ 3o Se da decisão não se tiver recorrido, ou se ela passar em julgado, apesar dos
recursos interpostos, o juiz mandará registrá-la no livro do Registro dos Casamentos.
§ 4o O assento assim lavrado retrotrairá os efeitos do casamento, quanto ao estado dos
cônjuges, à data da celebração.
§ 5o Serão dispensadas as formalidades deste e do artigo antecedente, se o enfermo
convalescer e puder ratificar o casamento na presença da autoridade competente e do oficial
do registro.

CASAMENTO POR PROCURAÇÃO


Art. 1542 – é possível fazer uma procuração pública para nomear uma pessoa à casar no
meu lugar.
Art. 1.542. O casamento pode celebrar-se mediante procuração, por instrumento público,
com poderes especiais.
§ 1o A revogação do mandato não necessita chegar ao conhecimento do mandatário;
mas, celebrado o casamento sem que o mandatário ou o outro contraente tivessem ciência da
revogação, responderá o mandante por perdas e danos.
§ 2o O nubente que não estiver em iminente risco de vida poderá fazer-se representar no
casamento nuncupativo.
§ 3o A eficácia do mandato não ultrapassará noventa dias.
§ 4o Só por instrumento público se poderá revogar o mandato.

CASAMENTO CONSULAR – é o casamento realizado por brasileiros no exterior, perante


autoridade consular brasileira.

CASAMENTO DE ESTRANGEIROS – é permitido no Brasil.Se possuir permanência legal no


país, pode casar aqui, com uma brasileira, ou com outra estrangeira. Continuam solteiros no
exterior/na cidade natal deles e casados aqui no Brasil.

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Resumo Direito Civil IV – direito de família
CASAMENTO DE PESSOAS DO MESMO SEXO – Não existe legislação específica, porém
existe a resolução 175 do CNJ de 14-05-2013, que proíbe os cartórios de recusarem pedidos
de casamento de homossexuais.

CASAMENTO RELIGIOSO COM EFEITOS CIVIS


Art. 1.515. O casamento religioso, que atender às exigências da lei para a validade do
casamento civil, equipara-se a este, desde que registrado no registro próprio, produzindo
efeitos a partir da data de sua celebração.
Há duas maneiras de fazerisso.
Após casamento na igreja, há o prazo de 90 dias para casar no civil. Levo a certidão de
casamento religioso no civil e declaro qual regime quero.
Se eu fiz habilitação mas casei na Igreja antes. Devo apresentar dentro dos 90 dias a contar
da data da certidão de habilitação a certidão de casamento da Igreja.

O casamento pode ser de várias espécies:

 Civil – ato de celebração oficializado perante o oficial do Cartório de Registro


Civil. O matrimônio civil é um ato solene e gratuito. Esta gratuidade, contudo,
somente se estende ao processo de habilitação, ao registro e à primeira certidão
de casamento quando os nubentes firmarem declaração de pobreza, na forma do
art. 1.512, parágrafo único do Código Civil.

 Religioso com Efeitos Civis – aqui, o casamento celebrado por qualquer credo
religioso pode ter efeitos civis, desde que haja o processo de habilitação e o
devido registro. Ainda que estes sejam posteriores a cerimônia religiosa, pois
podem ocorrer a qualquer tempo, os seus efeitos retroagem a data da cerimônia.
A anulação de casamento religioso, por sua vez, não afeta o casamento civil.

 Nuncupativo ou In Extremis – celebra-se quando um dos nubentes (noivos)


está em iminente risco de morte, conforme expressão legal, autorizando-se a
celebração sem cumprimento de qualquer das formalidades legais. O único
requisito é a presença de seis testemunhas que deverão confirmar o ato perante
a autoridade competente no prazo de dez dias.

 Putativo – casamento nulo ou anulável contraído de boa-fé por um ou ambos os


cônjuges, pelo que produz efeitos apenas em relação ao cônjuge de boa-fé, da
data da celebração ao trânsito em julgado de sentença desconstitutiva do ato (ou
seja, sentença que declara a nulidade do casamento).
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Resumo Direito Civil IV – direito de família
 Homoafetivo – entre pessoas de mesmo sexo.

 Consular – casamento realizado no exterior, perante autoridade consular


brasileira, admissível para cidadão brasileiro que pretenda a submissão do
enlace à legislação brasileira. Além dos requisitos do casamento civil, o ato deve
ser levado a registro em 180 dias do retorno do(s) cônjuge(s) ao território
nacional.

 Casamento por Conversão de União Estável – neste casamento, com o


atendimento das formalidades legais para a celebração do casamento, a união
estável converte-se em casamento, retroagindo os seus efeitos ao início da união
estável.

O casamento por procuração, por sua vez, não se configura espécie de casamento, mas
forma de casamento. Acontece quando um ou ambos os noivos, por estarem ausentes,
outorgam procuração por instrumento público a um mandatário que participará da celebração,
representando o mandante.

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Resumo Direito Civil IV – direito de família
REGIME DE BENS
É o Estatuto que regula as relações patrimoniais entre os cônjuges e 3ºs. Se os cônjuges
optarem por nenhum regime, será atribuído o regime Legal (Parcial).
Características:
1- VARIEDADE DE REGIMES PRÉ-ESTABELECIDOS (a lei oferece alguns regimes de
bens);
2- LIBERDADE CONVENCIONAL;
3- MUTABILIDADE CONTROLADA (hoje os cônjuges podem pedir para o Juiz, para durante
o casamento, mudar o regime de bens do casamento);

Enunciado 113 do CEJ (Centro de Estudos Judiciários da Justiça Federal)“Exige-se


ampla publicidade e necessária apuração de existência de dívidas para alteração do regime
de bens”;
Enunciado 260 do CEJ “É possível alterar o regime de bens de casamentos realizados
durante a legislação anterior”;
Art. 1.639. É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos
seus bens, o que lhes aprouver.
§ 1o O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento.
§ 2o É admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em
pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e
ressalvados os direitos de terceiros.
Art. 1.640.Não havendo convenção, ou sendo ela nula ou ineficaz, vigorará, quanto aos
bens entre os cônjuges, o regime da comunhão parcial.
Parágrafo único. Poderão os nubentes, no processo de habilitação, optar por qualquer
dos regimes que este código regula. Quanto à forma, reduzir-se-á a termo a opção pela
comunhão parcial, fazendo-se o pacto antenupcial por escritura pública, nas demais escolhas.

SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE BENS


Não há pacto.
Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento:
I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas (1523) da
celebração do casamento;
II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos;
III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial. (VER 1519, 1517 E
1520).

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Resumo Direito Civil IV – direito de família
Enunciado 262 do CEJ “Pode alterar o regime da separação obrigatória de bens, nas
hipóteses do inciso I e III, desde que superada a causa”.
É permitido um cônjuge realizar doações ao outro.
Enunciado 261 do CEJ “A obrigatoriedade do regime de separação de bens não se
aplica à pessoa maior de 70 anos quando o casamento for precedido de união estável,
iniciada antes desta idade”.
Súmula 377 do STF “No regime de separação legal de bens, comunicam-se os
adquiridos na constância do casamento”.
INTERPRETAÇÃO DA SÚMULA: comunicam-se os adquiridos pelo esforço comum
(conjugação de esforços do casal).
INTERPRET. DO ESFORÇO COMUM: presume-se o esforço comum independente de
prova, ocorrendo naturalmente pelo casamento.

PACTO ANTENUPCIAL
É realizado por escritura pública e seus efeitos começam a valer depois do
casamento.
Art. 1.653. É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública, e ineficaz se
não lhe seguir o casamento.
No pacto permite fazer doações ao outro cônjuge. Tornando este bem incomunicável.
Art. 1.668. São excluídos da comunhão:
IV - as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de
incomunicabilidade;
11-09-2013
PROIBIÇÃO DO PACTO ANTENUPCIAL
CLÁUSULAS QUE AFRONTAM A LEI
A única vedação de cláusulas do Pacto é quando existe afronta à lei (artigo 1655).
Art. 1.655. É nula a convenção ou cláusula dela que contravenha disposição absoluta de
lei.
Art. 167 e 244 da lei de registros públicos

COMUNHÃO PARCIAL DE BENS


É o regime de bens onde são incomunicáveis os bens anteriores à união e qualquer bem
recebido por um dos consortes, mesmo durante o casamento, por doação ou herança, ou tão
pouco, se comunicam os bens que nestes se sub-rogarem.
Art. 1.658. No regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao
casal, na constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes.
Art. 1.659. Excluem-se da comunhão:
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Resumo Direito Civil IV – direito de família
I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância
do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar;
II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em
sub-rogação dos bens particulares;
III - as obrigações anteriores ao casamento;
IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal;
V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão;
VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge;
VII - as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes.
Súmula 251 – STJ “A meação só responde pelo ato ilícito quando o credor, na execução
fiscal, provar que o enriquecimento dele resultante, aproveitou o casal”
Art. 1659 , Inciso V - Para Aspiri tratam-se de bens de caráter personalíssimo ou
atributos da própria pessoa, como a sua roupa, correspondência, títulos, recordações de
família e aqueles utilizados em sua atividade profissional, desde que não tenham um valor
considerável.
AQUISIÇÃO COM CAUSA ANTERIOR – ART. 1661 CC
Art. 1.661. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa
anterior ao casamento.
Se você recebe uma quantia advinda de um processo com data anterior ao casamento,
o valor recebido por esta causa não se comunica.

SOBRE BENS MÓVEIS


Art. 1.662. No regime da comunhão parcial, presumem-se adquiridos na constância do
casamento os bens móveis, quando não se provar que o foram em data anterior.

ADMINISTRAÇÃO DO PATRIMÔNIO E DÍVIDAS DOS CÔNJUGES


Ambos os consortes são responsáveis pelos débitos destinados á manutenção
da família, independente do regime de bens.
Art. 1.643. Podem os cônjuges, independentemente de autorização um do outro:
I - comprar, ainda a crédito, as coisas necessárias à economia doméstica;
II - obter, por empréstimo, as quantias que a aquisição dessas coisas possa exigir.
Art. 1.644. As dívidas contraídas para os fins do artigo antecedente obrigam
solidariamente ambos os cônjuges.

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Resumo Direito Civil IV – direito de família