You are on page 1of 2

DESEJO

Se o desejo produz, ele produz real. Se o desejo é produtor, ele só pode sê-lo na
realidade, e de realidade. O desejo é esse conjunto de sínteses passivas que maquinam
os objetos parciais, os fluxos e os corpos, e que funcionam como unidades de produção.
O real decorre disso, é o resultado das sínteses passivas do desejo como autoprodução
do inconsciente. Nada falta ao desejo, não lhe falta o seu objeto. É o sujeito, sobretudo,
que falta ao desejo, ou é ao desejo que falta sujeito fixo; só há sujeito fixo pela repressão”
– Deleuze & Guattari, Anti-Édipo, p. 43

vontade como elemento propulsor da conduta humana. É o desejo de conquista, de


realização e de afirmação que leva o homem a interpretar o mundo segundo a sua
vontade. Ou seja, o mundo passa a ser aquele objetivado segundo um desejo a ser
realizado.
Nos passos do filósofo Aristipo (435 - 366 a. C.), que afirmava ser o mundo uma realidade
em busca do prazer, Nietzsche chega a afirmar que a própria vontade é impotente perante
o que se é desejado. Significa dizer que o homem é refém do que deseja encontrar, e daí
passar a amar e a querer muito mais o fato de desejar ao próprio objeto de desejo. É
como se afirmasse que ter exaure a vontade, por isso ser a busca muito mais
interessante. (Rangel Alves Costa)

Sócrates
Vontade é o apetite racional ou compatível com a razão. Desejo é o apetite sensível,
não-racional e, muitas vezes, segundo Cícero, a concupiscência ou a cupidez
desenfreada. A vontade, como apetite racional, está submetida aos preceitos da razão, à
lógica. Assim é que Kant define a vontade como a faculdade de agir segundo a
representação de regras.
Deve-se principalmente ao ceticismo o desapareceimento da diferença entre esses dois
conceitos, pois tendo colocado várias barreiras à possibilidade do conhecimento e à
origem do conhecimento , a caracterização da vontade como ato racional foi posta em
dúvida.
No entanto, a psicologia moderna veio ratificar o pensamento clássico. Murphy, em sua
Introdução à Psicologia, diz que "a vontade é o nome com o qual se designa um
complexo processo interior que influencia nosso comportamento de tal modo que nos
torna presas menos fácil da pura força bruta dos impulsos[3]".
Socrates disse que a causa do mal é a ignorância. Desta forma, a causa de um mal é
uma ação não pensada ou pensada insuficientemente. Assim, Platão dá um exemplo
muito ilustrativo da diferença entre querer racionalmente (vontade) e querer sem pensar
ou pensando insuficientemente (desejo): "...tiranos não fazem o que querem (vontade,
racional), embora façam o que lhes agrada ou bem lhes parece (desejo), visto que fazer o
que se quer (vontade, racional), significa fazer o que se mostra bom ou útil, isto é, agir
racionalmente".

Determinação racional da vontade,atribui à razão a capacidade de determinar a


vontade.consiste em desvincular a vontade da sensibilidade, tornando-a independente em
relação aos sentidos e colocá-la sob o domínio da razã fundamentação da moralidade na
Grundlegund , na qual, a razão deve determinar a vontade o, Diz Rousseau:
Qual é a causa que determina minha vontade, eu me pergunto qual a causa que
determina meu julgamento: porque é claro que estas duas coisas não são senão uma.
Ao identificar a causa da determinação da vontade com a causa da determinação do
julgamento,seu argumento está autorizando aconclusão de que a vontade é determinada
ou,pelo menos, pode ser determinada pela razão.
Penso, logo existo", disse Descartes, afirmando ser o "pensar" a certeza imediata da
nossa existência. Não sei se Maine de Biran, quando disse "Quero, logo existo",
preocupou-se na diferença entre vontade e desejo[4]. Caso sim, e o seu "Quero"
signifique desejo, então, para ele, nosso apetite sensível é a certeza imediata da nossa
existência; porém se esse "Quero", significa vontade, ele falha e deve descer um degrau e
ficar com Descartes, já que "querer" como vontade é racional, então antes de querer
pensa-se, logo, pensar vem antes, como afirmou Descartes.
Bem, quero almoçar! E esse "querer" é uma mistura de vontade e desejo. Estou com
fome (desejo) e, porque vou praticar um exercício físico, quero me alimentar (vontade).