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Espacialidades (in) comuns

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RESUMO

PALAVRAS-CHAVE

ABSTRACT / RESUMEN / SOMMAIRE

KEYWORDS / PALAVRAS CLAVE / MOTS-CLÉS

Apresentação

O Corpecendo é um projeto de pesquisa que investe nas experiências


multidimensionais do cotidiano, pelo viés do vestir; o pensamento da arte,
alinha as estratégias do design e da educação somática.

O projeto corpecendo se constitui da produção de vestíveis confeccionados


com materiais que evocam as texturas e qualidades da pele (maior órgão
sensível do corpo) e dos espaços internos de alguns sistemas corporais - tais
como, o sistema fascial e o sistema esquelético – tendo em vista a geometria
da tensegridade. A partir dos vestíveis, os espaços internos são
transbordados nos espaços externos, gerando uma linha de continuidade; um
“entre” a partir do qual não existe mais dentro e fora, interno e externo,
invisível e visível, para a construção de espacialidades incomuns.
Tensegridade

A palavra tensegridade é uma invenção: é uma contração dos termos


integridade e tensão. Segundo Fuller (1975, p 641), o termo descreve um
princípio de relação estrutural em que a forma estrutural é garantida pelos
comportamentos tencionais finamente fechados, compreensivamente
contínuos do sistema e não pelos comportamentos de membros
compressionais descontínuos e exclusivamente locais: a tensegridade define
a capacidade de um sistema se produzir, cada vez mais, sem no entanto se
quebrar ou se romper. (Fuller, 640)

Em termos operacionais, a produção de estruturas de tensegridade parte da


proposição de sistemas capazes de se estabilizarem mecanicamente -
devido à maneira pela qual as forças tensionais são distribuídas e
equilibradas dentro de uma estrutura, como afirma Conelly, R e Back, A.
(1998). Sendo que esta estrutura se mantem coesa pelo viés de dois tipos de
elementos, que podem ser chamados de cabos e escoras, o quais
desempenham papéis complementares: os cabos mantêm os vértices juntos;
as escoras os mantêm separados.

Essas estruturas, segundo (1) poderiam ser distinguidas pela maneira como
as forças são distribuídas dentro delas; ou seja, os membros de uma
estrutura de tensegridade estão sempre em tensão ou sempre em
compressão ; os membros de tensão formam uma rede contínua, desta
maneira, as forças de tração são transmitidas por toda a estrutura;
produzindo estabilidade (1)
O termo tensegridade tem sido empregado para a descrição de uma
infinidade de estruturas - do sistema solar ao átomo, passando pelas forças
da natureza , as tramas sociais e os sistemas corporais – bem como aplicado
como conceito e principio de edificação de formas, pela arte, design e
arquitetura.
Saracena
Buckminister Fuller's Geodesic Dome

Sebastian Huth (2015) ‘FORM FOLLOWS TENSION’ combines the benefits of active bending
with a tensegrity and membrane system. It is using elastically bent glass fiber composites in
combination with polyester membranes and belts, to form a modular, pretentioned and self-
stabilizing structure. https://eikeschling.wordpress.com/2015/08/20/bending-activated-
tensegrity/
O artista Kenneth Snelson articua os princípios da tensegridade partido de
estudos sobre as forças físicas no nível macroscópico (com base nas leis da
mecânica clássica newtoniana), a natureza do equilíbrio e os modos de
articulação dos espaços, a partir de esculturas que refletem a integridade
estrutural das formas conectando os tubos rígidos de compressão e cabos
de tração flexível no sentido de produzir estabilidade para além da força da
gravidade, no vácuo do espaço exterior.

Fig. 1.1. Cantilever de Snelson (1967). Imagen por cortesía del artista.

Segundo Borrows, o processo conectivo proposto pelo artista apontaria


para uma visão da criação como conexão de forças e produção de
estabilidade, para ele, as estruturas produzidas pelo artista aproximam-se
da lógica do sistema solar e das dinâmicas universais que mantém tudo
unido.
.
Easy-K de Kenneth Snelson. Imagen tomada de Snelson (2004). 


Peter Sloterdijk, emprega o termo tensegridade em um estudo no qual


apresenta o mundo moderno como construção de esferas: estruturas
geométricas capazes de explicar metaforicamente os processos de
construção da modernidade.

Em Esferas III apresenta o neologismo de antroposfera para propor uma


definição de humano (modern) como um ser inserido em uma construção a
qual chamamos mundo. De acordo com Sloterdijk este ser humano se
relacionaria com o mundo através de nove dimensões, as quais ele define
como topoi; os quais descrevem como os humanos interagem consigo
mesmo, entre si e com o mundo: desde sua fisicalidade ás dimensões
psicológicas, desde a sua individualidade até o coletivo, desde a relação com
o meio ambiente até as construções políticas. (esferas III, 669)

O conceito de tensegridade é aplicado pelo autor ao descrever a sociedade


moderna como construção que não dependeria de quaisquer princípios
transcendentes, estruturas abstratas ou qualquer contexto metafísico, antes
disso, pelas relações mútuas de partilha e conexão de espaços (ref. Livro
669).

O modo como os humanos construíram e constroem seus espaços opera-se


pelo viés das aberturas e conexões (simultâneas), que definem os principio
de coexistência entre os seres humanos e todas a demais dimensões do
mundo, em um todo comum; Ou seja o autor fala de um mundo
constantemente produzido, pela tensão mútua entre os seus componentes.

O nomotopo, topoi relacionado aos sistemas de regulação do social, é


definido por ele como uma arquitetura normativa da coexistência, um éter
moral engendrado no cotidiano como um sistema de tensões imanentes em
ação permanente sobre o corpo; definido pelos costumes, cultura, objetos,
direitos, regulações, relações de produção, jogos de linguagem, formas de
vida, instituições, habitos. (esferas III, pag. ) Sendo as sociedades, definidas
por ele, como tensegridades de expectativas, ou seja, multiplicidade de
condiçoes de vivências e ações reguladas, que se consolidam por meio de
intimidações e ameaças1. 2

As tensões produzidas pelas intimidações e ameaças seriam reguladas, pela


da pressão de expectativas de coletivos, para produzir a estabilidade da
sociedade. As expectativas de coletivos, por sua vez, não se manifestariam
pelo viés de pressão, mas pelo vies de trações; representadas pelas
construções que reforçam ambições e auto estima por uma regularidade
temporal de açoes pautadas por regras definidas pelo próprio grupo.

Ou seja, as construçoes sociais (cultura) - que condicionam os corpos pelos


preceitos de regras – quando tocam os corpos, geram tensões cuja resposta é
um esforço de tração – as múltiplas ações dos individuos que se reconhecem

1 Relacionadas ao conceito de Biopoder por Foucault


2
O autor oferece a noçao de antropotécnica para ampliar o conceito de biopoder (Foucault)
Foucault se concentrou principalmente nos fenômenos da disciplina e da biopolítica da idade clássica.
A meu ver, seria preciso dirigir a atenção à volta do Renascimento e do Estado moderno. É neste
preciso momento que todos os grupos na posse dos “saberes" se interrogam sobre como se poderiam
produzir, anular, suprimir os futuros sujeitos do Estado. A preocupação é, no entanto, a de garantir um
número de sujeitos suficiente para o funcionamento da máquina. O sujeito moderno é, antes de tudo, o
sujeito da superprodução “populacionista". Ser sujeito significa, portanto, ser esperado sobre a terra por
um Estado que quer consumir-te em sua nova política da força. (arrumar)

Entrevista Sloterdijk https://www.fronteiras.com/entrevistas/a-antropotecnica-de-peter-sloterdijk-


seres-humanos-sensiveis-ao-seu-apelo-deveriam-trabalhar-sobre-si-mesmos
como parte de um coletivo que possuem regras e temporalidades próprias.

Educação somática

A Educação Somática é um campo vasto composto por diferentes


abordagens e técnicas. Cada qual com suas especificidades, possui em
comum uma metodologia de investigação corpórea pautada pelo trabalho
sobre a senso-percepção. Podemos citar algumas como a Eutonia, o Método
Feldenkrais, a Técnica de Alexander, os Bartenieff Fundamentals, o Body
Mind Centering, entre outras.

A partir de um exercício de alargamento dos sentidos, estas práticas


somáticas atuam como propositoras de uma experiência de abertura à
criação de um corpo “outro”, expandindo os limites de suas organizações
demasiadamente condicionadas em automatismos cristalizantes. De um
modo geral, as práticas somáticas convidam o corpo a exercitar os sentidos
fora do regime restrito da representação.

Criado pela norte americana Bonnie Bainbridge Cohen, o Body Mind


Centering consiste numa anatomo-fisiologia experimental do corpo. Tal
abordagem tem como proposição metodológica a experimentação dos
sistemas corporais (sistema esquelético, muscular, endócrino, nervoso,
sistema dos ligamentos e fáscias, sistemas dos órgãos, sistema dos fluidos, e
os órgãos dos sentidos e a percepção) por meio da visualização, toque,
movimento e sonorização.

Diferente de outras abordagens somáticas, o Body Mind Centering não


propõe um método centrado em exercícios corporais codificados, através dos
quais se operaria uma reorganização do corpo na direção de um uso
sensório-motor mais adequado previamente estabelecido. Trata-se aqui de
uma aprendizagem eminentemente experimental através da qual o corpo
compreendido em sua ontogênese perpétua explora os seus próprios meios
de constituição tanto materiais e energéticos, quanto formais. Esta
aprendizagem ocorre por meio da focalização senso-perceptiva sobre uma ou
várias estruturas anátomo-fisiológicas (regiões teciduais constitutivas da
matéria-corpo em sua pluralidade) implicadas num movimento determinado e
em relação com o meio circundante. Por meio desta focalização, solicita-se
fazer emergir uma paisagem de qualidades táteis e cinestésicas, de texturas
diferenciadas em suas intensidades, assim como diversificados limiares
energéticos. A partir de então, redesenha-se tanto o território corpóreo
sentido pelo experimentador, como o espaço de projeção da cinesfera. O
espaço ao redor é modificado por meio da reverberação entre dentro e fora
somente possível pela ativação de uma qualidade porosa e vibrátil da pele e
demais membranas do corpo. A partir desta ativação, as qualidades vibráteis
do corpo e do ambiente podem se contagiar mutuamente.

Nesta pesquisa o termo tensegridade é empregado para investigar o


Sistema Fascial:, sistema corporal formado por células do tecido conjuntivo
formam um invólucro membranoso que conecta e integra todos os ossos,
músculos e órgãos do corpo. O tecido fascial forma uma rede fibrosa que
envelopa todas as partes do corpo fazendo com que, quando uma parte se
movimenta, o corpo responde como um todo. Seu aspecto geométrico e
arranjo espacial dentro do corpo se aproxima da imagem da rede, uma rede
lubrificante e deslizante que oferece uma superfície macia para todas as
outras estruturas do corpo.

Processo

(i) O nosso processo produtivo parte de uma lógica de espaço ativada pelas
tensões dos movimentos dos corpos; pela compressão dos espaços e por
uma gramática modular, para a composição de vestíveis;

(ii) Descrição do vestível


(iii) Cada uma das unidades do vestível , alinhadas lado a lado não tem uma relação
aparente entre si nem com os lugares, no entanto. Pelo ato de vestir as tensões produzidas
pelo movimento dos corpos e pelos alinhavos do nó da rede de pescar e o crochê;

(iv) A compressão é produzida pela resistência dos lugares – onde os vestíveis são
instalados;

(v) Cada peça da roupa (módulo) pode ser vista como um “ícone de relação”,
um diagrama que associa a ideia de tecer em movimento, de fazer
crescer o espaço de dentro e pra fora, para ligar as dinâmicas do corpo ás
dinâmicas dos espaços;

(vi) Os movimentos dos corpos estão condicionados pelas configuraçoes


dos vestíveis - definidos pela elasticidade e flexibilidade

(vii) A produção dos vestíveis esta condicionada pelos movimentos dos


corpos;

1. exercico 1

Pesquisas materiais a partir do uso de tecidos flexíveis (elastano) para


ampliar os espaços do corpo pelo sentido da dobra, da torção, da
sobreposição, da tensão.
Registro

O uso do diagrama para definir em formas de simbolização das tensões


produzidas pelos corpos sobre o espaço
Desenvolvimentos : Modularização

Os vestíveis foram desenvolvidos em tamanho absoluto, tendo como


medida o movimento dos corpos. A produção parte das escalas do corpo,
para construir os espaços.

Trabalhamos com protótipo sem redução de escala; isso significa que cada
fase investigativa apresenta-se como produto do processo; buscamos a
reciprocidade entre os módulos que compõem as roupas e a modularização
das ações dos perfomers.

Não buscamos modelos para produzir os vestíveis – eles não são modelos
para ser vestidos. Queremos que eles se apresentem como produto das
ações, explicitem as tensões e as compressões entre corpos e lugares.
Linhas e nos
Rede de pescadores
Croche

Referência Bibliográfica

1. Burkhardt, Robert William, Jr. A Practical Guide to Tensegrity Design 2nd


editionCopyright 2004-2008 by. P.O. Box 426164, Cambridge, USA.

2 Valentín, Gómez Jáuregui . Tensegridad estruturas tensegríticas em


ciência.

3. Myers, Thomas W.
 Trilhos anatômicos / Thomas W. Myers; - Rio de


Janeiro : Elsevier, 2010.

4. Slotedjik, Peter, Esferas III. Trad. Isidoro Reguera. Madri: Siruela, 2009.

5. Burrows, Joelle. Kenneth Snelson Exhibition: The Nature of Structure The


New York Academy of Sciences, January – April 1989, Catalog Introduction

6. Avoni, Andrea. The Intersection of Space and Law. edited by Sarah


Marusek, John Brigham. Street-Level Sovereignty:, 2017

7. Fuller, R. Buckminster. SYNERGETICS Explorations in the Geometry of


Thinking Published by Macmillan Publishing Co. Inc. 1975.