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Prémio Camões

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O Prémio Camões (português europeu) ou Prêmio Camões (português brasileiro),
Prémio Camões
instituído pelos governos do Brasil e de Portugal em 1988, é atribuído aos autores
que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da
língua portuguesa.[1]

Índice
História
Premiados
Vencedores por país
Polémicas e críticas
Referências
Ligações externas
Luís de Camões por François Gérard

Descrição Enriquecimento do
património literário e
História cultural da língua
portuguesa
Este prémio é considerado o mais importante da literatura a premiar um autor de
Organização Protocolo Adicional ao
língua portuguesa pelo conjunto da sua obra. Acordo Cultural entre
o Governo da
O Prémio Camões é atribuído anualmente, alternadamente no território de cada um República Portuguesa
dos dois países, cabendo a decisão a um júri especialmente constituído para o e o Governo da
República Federativa
efeito. O prémio consiste numa quantia pecuniária resultante das contribuições dos
do Brasil
dois Estados, fixada anualmente de comum acordo.
País Portugal
Brasil
O Prémio Camões foi instituído inicialmente pelo Protocolo Adicional ao Acordo
Cultural entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da República Primeira 1989
cerimónia
Federativa do Brasil, de 7 de Setembro de 1966, que cria o Prémio Camões,
assinado em Brasília, em 22 de junho de 1988, aprovado por Portugal através do
Última 2018
cerimónia
Decreto n.º 43/88, de 30 de Novembro.[2]
Detentor Germano Almeida
Este protocolo foi substituído pelo Protocolo Modificativo do Protocolo Que
Institui o Prémio Camões, celebrado entre a República Portuguesa e a República Federativa do Brasil, assinado em Lisboa, em 17 de
[3]
abril de 1999, aprovado por Portugal através do Decreto n.º 47/99, de 5 de Novembro.

Premiados
Local/Data de
Ano Autor galardoado País Área de atuação
atribuição

Lisboa, Miguel Torga poesia, conto, romance, teatro,


1989[4] Portugal
junho de 1989 (1907–1995) novela, memórias, ensaio

Lisboa, João Cabral de


1990[5] outubro de Melo Neto Brasil poesia, ensaio
1990 (1920–1999)

Rio de
José Craveirinha
1991[6] Janeiro, junho
(1922–2003)
poesia, jornalismo
de 1991 Moçambique

Rio de
Janeiro, Vergílio Ferreira
1992[6] Portugal romance, conto, memórias, ensaio
setembro de (1916–1996)
1992

Lisboa, Rachel de romance, crônica, tradução,


1993[6] junho/julho de Queiroz Brasil jornalismo, teatro, memórias,
1993 (1910–2003) literatura infantojuvenil

Rio de romance, crônica, novela, poesia,


Jorge Amado
1994[6] Janeiro, março Brasil literatura infantojuvenil, biografia,
(1912–2001)
de 1995 jornalismo, memórias

romance, crônica, conto, novela,


Lisboa,
José Saramago teatro, poesia, memórias,
1995[6] novembro de Portugal
(1922–2010) jornalismo, literatura
1995
infantojuvenil, roteiro de cinema

Rio de Eduardo
filosofia, crítica literária, estudos
1996[6] Janeiro, abril Lourenço Portugal
literários, ensaio
de 1996 (1923–)

Pepetela - Artur
Carlos Maurício
Lisboa,
1997[6] Pestana dos Angola romance, teatro
abril de 1997
Santos
(1941–)

Lisboa, Antonio Candido crítica literária, estudos literários,


1998[6] Brasil
julho de 1998 (1918–2017) ensaio, sociologia

1999[6] Salvador, Sophia de Mello Portugal poesia, conto, teatro, literatura


junho de 1999 Breyner infantojuvenil, tradução, ensaio
Andresen
(1919–2004)[6]

Rio de
Janeiro, Autran Dourado
2000[6] Brasil romance, conto, ensaio, memórias
agosto de (1926–2012)
2000

Eugénio de
Lisboa, poesia, literatura infantojuvenil,
2001[6] julho de 2001
Andrade Portugal
tradução, crônica
(1923–2005)

Maria Velho da
Lisboa, romance, conto, teatro, ensaio,
2002[6] Costa Portugal
maio de 2002 roteiro de cinema
(1938–)

Rio de
Rubem Fonseca romance, conto, crônica, novela,
2003[6] Janeiro, maio
(1925–)
Brasil
roteiro de cinema
de 2003
romance, novela, conto, crônica,
Agustina Bessa-
Lisboa, teatro, ensaio, literatura
2004[6] Luís Portugal
maio de 2004 infantojuvenil, roteiro de cinema,
(1922–)
biografia, memórias

Rio de Lygia Fagundes


2005[6] Janeiro, maio Telles Brasil romance, conto
de 2005 (1923–)

José Luandino Portugal/ romance, conto, novela,


Lisboa, Vieira
2006[7] Angola jornalismo, literatura
maio de 2006 (1935–) [8] infantojuvenil, tradução
recusou

António Lobo
Lisboa,
2007[6] Antunes Portugal romance, crónica
julho de 2007
(1942–)

Lisboa, 26 João Ubaldo romance, conto, crônica, novela,


2008[6] de julho de Ribeiro Brasil literatura infantojuvenil, ensaio,
2008 (1941–2014) jornalismo

Rio de
Arménio Vieira Cabo
2009[6] Janeiro, 2 de poesia, jornalismo, ensaio
(1941–) Verde
junho de 2009

Lisboa, 31
Ferreira Gullar poesia, conto, crônica, ensaio,
2010[6] de maio de
(1930–2016)
Brasil
crítica de arte, biografia
2010

2011[9] Rio de Manuel António Portugal poesia, jornalismo


Janeiro, 12 de Pina
maio de 2011 (1943–2012)
Lisboa, 21
Dalton Trevisan
2012[10] de maio de
(1925–)
Brasil conto, romance, novela
2012

Rio de
Mia Couto
2013[11] Janeiro, 27 de
(1955–)
romance, novela, conto, poesia
maio de 2013 Moçambique

Lisboa, 30 Alberto da Costa


história, poesia, memórias,
2014[12] de maio de e Silva Brasil
ensaio, biografia
2014 (1931–)
Rio de
Hélia Correia romance, poesia, teatro, conto,
2015[13] Janeiro, 17 de
(1949–)
Portugal
literatura infantojuvenil
junho de 2015

Lisboa, 30
Raduan Nassar
2016[14] de maio de Brasil romance, novela, conto
(1935–)
2016

Rio de
Manuel Alegre poesia, romance, novela, conto,
2017[15] Janeiro, 7 de Portugal
(1936–) escritos políticos
junho de 2017

Lisboa, 21 Germano
Cabo
2018[16] de maio de Almeida romance, conto, crônica
2018 (1945–) Verde

Vencedores por país


Portugal - 13
Brasil - 12
Angola - 2
Moçambique - 2
Cabo Verde - 2

Polémicas e críticas
Em um artigo publicado em 2000, Jorge Henrique Bastos assinalou que embora o prêmio tenha sido concedido a "vários autores
incontornáveis" da literatura lusófona, a predominância de vencedores portugueses e brasileiros contrastava com a baixa quantidade
de escritores africanos. Referindo-se à produção literária dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, o autor assinalou que a
diferença poderia ser explicada "pelo facto destas literatura [sic] serem ainda jovens, e muitas das obras estão ainda em curso para se
inserir nos pressupostos que norteiam a atribuição do prémio"[17]. Até então, apenas dois autores africanos haviam sido premiados. A
assimetria ainda hoje é notável.

A escolha da escritora brasileira Rachel de Queiróz, em 1993, gerou polémica. Segundo uma reportagem assinada por Norma Couri
veiculada no Jornal do Brasil, os membros portugueses do júri ficaram desconfortáveis com o fato de que os representantes
brasileiros - Arnaldo Niskier, Oscar Dias Correia e João de Scantimburgo - chegaram à Lisboa com o nome da escritora já
previamente escolhido. Os portugueses procuraram sugerir outras opções, como Jorge Amado e Haroldo de Campos, porém, não
obtiveram sucesso em mudar a opinião dos votantes brasileiros. Ainda segundo a reportagem, Niskier, Correia e Scantimburgo teriam
Academia Brasileira de Letras[18].
defendido o prêmio para Queirós após a autora ter apoiado o ingresso dos mesmos na

O suposto 'acerto' entre os membros brasileiros do júri e Queirós repercutiu negativamente na imprensa e na intelectualidade
portuguesas. O escritor José Cardoso Pires foi bastante duro com a escolha da romancista brasileira, afirmando que "a sua obra não
avaliza a exigência que caracteriza o prêmio". Queirós classificou as acusações como caluniosas, enquanto Jorge Amado e Arnaldo
Niskier saíram em defesa da escritora[18]. Amado foi agraciado com o Camões no ano seguinte. Tanto Cardoso Pires, quanto Haroldo
de Campos faleceram sem receber a distinção.

Segundo o Jornal do Brasil, em 1998 alguns especialistas em literatura portuguesa acreditavam que o premiado seria José Cardoso
Pires, que se encontrava em coma após sofrer um derrame. O premiado, contudo, foi o professor, crítico literário e poeta brasileiro
Antonio Candido. Segundo o periódico, a decisão dos jurados não foi unânime, porém, estes evitaram qualquer tipo de comentário a
respeito de outros prováveis homenageados[19].

Premiado em 2006, o escritor José Luandino Vieira recusou o prémio alegando "razões pessoais". Posteriormente, revelou que o
motivo da recusa era o hiato de três décadas entre a publicação de seu (então) último livro e a atribuição do galardão. "Quando me
vêm atribuir o prémio eu estava há 30 anos sem escrever um livro e essa minha escolha tem um preço… Considerei que era uma
[20]
injustiça para com os colegas que trabalharam e se esforçaram ao longo desses anos", afirmou em uma entrevista.

Por ocasião da escolha de Arménio Vieira em 2009, o linguista Manuel Veiga afirmou que "já era mais que tempo" para o
reconhecimento de um autor cabo-verdiano. Veiga citou o poeta Manuel Lopes, falecido em 2005, como um dos grandes nomes que
não recebeu o galardão[21].

Em 2010, o júri escolheu o poeta brasileiro Ferreira Gullar, porém, tornou público que o nome da escritora portuguesa Hélia Correia
também fora cogitado. A idade dos concorrentes serviu como critério de desempate: Gullar completaria 80 anos naquele ano,
enquanto os votantes consideraram que Correia ainda "teria tempo" para ser premiada [22]. O reconhecimento da autora ocorreu em
2015.

Poucas mulheres receberam a honraria até hoje. Das seis premiadas até os dias atuais, nenhuma é de origem africana.

Além dos já mencionados Haroldo de Campos, Manuel Lopes e José Cardoso Pires, podem ser citados entre os autores lusófonos que
faleceram sem receber a honraria: os portugueses Augusto Abelaira, Fiama Hasse Pais Brandão, Herberto Helder, Mário Cesariny,
Natália Correia, Maria Gabriela Llanasol, Vasco Graça Moura David Mourão-Ferreira e Urbano Tavares Rodrigues; os brasileiros
Manoel de Barros, Maria Clara Machado, Décio Pignatari, Mário Quintana, Ariano Suassuna e José J. Veiga; as são-tomenses Alda
do Espírito Santo e Manuela Margarido; o angolano David Mestre; os moçambicanos Rui Knopfli, Albino Magaia e Noémia de
Sousa; e os cabo-verdianos Corsino Fortes e Gabriel Mariano.

Apesar das críticas, o Prêmio Camões foi saudado por intelectuais como Antônio Carlos Secchin por conferir reconhecimento a
autores de renome que transitam por diferentes gêneros e estilos, além de proporcionar uma maior circularidade das obras dos
mesmos entre os países lusófonos[23].

Referências
2. «Decreto n.º 43/88» (https://dre.pt/application/dir/pdf1s/
1. «Prémio Camões» (https://www.infopedia.pt/%24premi 1988/11/27700/47474748.pdf)(PDF). Diário da
o-camoes). Dicionários Porto Editora. Infopédia República (277). 30 de novembro de 1988
República (277). 30 de novembro de 1988 Correia vence Prémio Camões 2015»(http://observad
3. «Decreto n.º 47/99» (https://dre.pt/application/dir/pdf1s/ or.pt/2015/06/17/helia-correia-vence-premio-camoes-2
1999/11/258A00/76677669.pdf)(PDF). Diário da 015/). Observador
República (258). 5 de novembro de 1999 14. Ana Cristina Marques (30 de maio de 2016).«Raduan
4. «É entregue a Miguel Torga o Prémio Camões» (http:// Nassar vence Prémio Camões de 2016»(http://observ
www.fmsoares.pt/aeb/crono/id?id=038647). Fundação ador.pt/2016/05/30/raduan-nassar-vence-premio-camo
Mário Soares. Consultado em 22 de abril de 2016. es-de-2016/). Observador
5. «João Cabral de Melo Neto, poeta marginal»(http://en 15. Luís Miguel Queirós (7 de junho de 2017).«Manuel
sina.rtp.pt/artigo/joao-cabral-de-melo-neto-poeta-margi Alegre é o vencedor do Prémio Camões»(https://www.
nal/). Antena 1. Rádio e Televisão de Portugal. publico.pt/2017/06/08/culturaipsilon/noticia/-e-o-venced
Consultado em 22 de abril de 2016. or-do-premio-camoes-1775076/). Público
6. «Prémio Camões. A lista dos vencedores»(http://www. 16. Cipriano, Rita (21 de maio de 2018).«Cabo-verdiano
ionline.pt/397796). i. 17 de junho de 2015 Germano Almeida vence Prémio Camões 2018»(http
s://observador.pt/2018/05/21/cabo-verdiano-germano-a
7. Lucas, Isabel (25 de maio de 2006).«Luandino Vieira
lmeida-vence-premio-camoes-2018/). Observador
recusa Camões por "razões pessoais" » (http://www.d
n.pt/arquivo/2006/interior/luandino-vieira-recusa-camo 17. BASTOS, Jorge Henrique. Prémio Camões.As vias e
es-por-razoes-pessoais-641087.html). Diário de as vidas de um prémio. Revista Camões nº11, 2000
Notícias 18. COURI, Norma. Prêmio Camões gera polêmica. Jornal
8. Nascido em Vila Nova de Ourém (atualOurém), do Brasil. Rio de Janeiro: 07 de junho de 1993, p. 7.
Portugal. 19. ANONIMO. Consagração de Antonio Candido. Jornal
9. «Prémio Camões para Manuel António Pina»(http://w do Brasil. Rio de Janeiro, 16 de julho de 1998, p. 24.
ww.jn.pt/cultura/interior/premio-camoes-para-manuel-a 20. «Luandino Vieira admite que recusou PrémioCamões
ntonio-pina-1850619.html). Jornal de Notícias. 12 de 2006 por ter estado 30 anos sem escrever um livro e
maio de 2011 não gostar de dinheiro»(http://noticias.sapo.ao/info/arti
10. Alexandra Lucas Coelhoe Isabel Coutinho (21 de go/1021091.html). Sapo Notícias. 1 de outubro de
maio de 2012). «Dalton Trevisan distinguido com o 2009. Consultado em 23 de outubro de 2016.
Prémio Camões» (https://www.publico.pt/culturaipsilon/ 21. «Prémio Camões atribuído ao poeta Arménio V ieira»
noticia/dalton-trevisan-distinguido-com-o-premio-camo (http://expresso.sapo.pt/actualidade/premio-camoes-at
es--1546977). Público ribuido-ao-poeta-armenio-vieira=f518489). Expresso. 6
11. «Mia Couto "surpreendido" venceu o Prémio Camões» de junho de 2009
(http://www.jn.pt/cultura/interior/mia-couto-surpreendid 22. «Prémio Camões distingue Ferreira Gullar para quem
o-venceu-o-premio-camoes-3242525.html). Jornal de a poesia é uma aventura»(http://blogues.publico.pt/cib
Notícias. 27 de maio de 2013 erescritas/2010/06/01/premio-camoes-distingue-ferreir
12. «Alberto da Costa e Silva vence Prémio Camões a-gullar-para-quem-a-poesia-e-uma-aventura/) .
2014» (http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=1 Público. 1 de junho de 2010
&did=150568). Rádio Renascença. 30 de maio de 23. SECCHIN, Antonio Carlos. Os prêmios e o
2014 reconhecimento do escritor. Jornal do Brasil. Rio de
13. Coelho, Sara Otto (17 de junho de 2015).«Hélia Janeiro, 13 de março de 2005, p. B2.
Correia vence Prémio Camões 2015»(http://observad
or.pt/2015/06/17/helia-correia-vence-premio-camoes-2

Ligações externas
Prémio Camões (em português) na Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB)
Prémio Luís de Camões– O prémio da literatura mundial em português, no blogue CAMONIANA.

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