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O patriarcado

José Eustáquio Diniz Alves1

O patriarcado é um sistema social no qual o homem (no papel de marido ou de pai) é o


ator fundamental da organização social, e exerge a autoridade sobre as mulheres, os
filhos e os bens materiais e culturais. Historicamente, o patriarcado pode ser encontrado,
com algumas diferenças, nas civilizações hebraica, grega, romana, indiana, chinesa, etc.
Mesmo vindo de longe, o patriarco teve uma profunda influência sobre a maioria dos
aspectos da civilização moderna.

O patriarcado puro, isto é, em todas as suas dimensões, nunca existiu em sua totalidade
em uma mesma sociedade. Algumas dimensões do patriarcado predominam sobre as
outras conforme o tipo de organização social e cultural, estabelecidas historicamente.
Mas em geral, o patriarcado se caracteriza por ser um sistema onde há o predomínio dos
pais e dos maridos (pater families) sobre as mulheres e os filhos, no âmbito da família e
da sociedade.

Na antiguidade, segundo a Lei das Doze Tábuas, o pater familias tinha o "poder da vida e
da morte" sobre a cônjuge, os descendentes e os escravos. Vem desta época o poder, pela
linhagem masculina do: Pai, Patrão, Pastor, Padre, Padrinho, Patrono unidos em um
espaço chamado Pátria (terra dos pais).

No patriarcado tradicional existe uma rigida divisão sexual do trabalho e uma grande
segregação social, com as mulheres ficando confinadas ao mundo doméstico e os homens
monopolizando o mundo público. O patriarcado, em termos materiais, possibilita ao
homem o controle da propriedade e da renda da família, o controle do trabalho e da
mobilidade da mulher e o destino dos filhos.

A ausência de autonomia feminina e o desempoderamento da mulher é maior no sistema


que, além de patriarcal, é também patrilocal e patrilenar. No sistema patrilocal a
mulher recém-casada segue o marido, passando a morar no local onde ele mora, tendo a
obrigação adicional de cuidar dos sogros. Ao casar, geralmente o marido exige um dote e
busca romper os laços da esposa com sua família e comunidade de origem. Quanto mais
segregada for a mulher casada, maior será o controle masculino sobre a vida e o trabalho
da esposa e dos filhos. No sistema patrilenear, a sucessão geracional é definida pela linha
paterna e, geralmente, só os filhos possuem direito à herança.

Nos países patriarcais, patrilocais e patrilineares existe uma forte preferência pelo filho
homem e, em geral, a razão de sexo (relação entre homens e mulheres em cada grupo
etário) favorece os homens. No Afeganistão, até hoje, mas principalmente no período do
governo Taleban, as mulheres não podiam dirigir carros, entrar na universidade e sair
desacompanhada na rua. A segregação da mulher ao espaço doméstico é completado pelo
uso da burca (que é uma vestimenta que cobre todo o corpo, até o rosto e os olhos) nos

1
Professor titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE. Expressa seus pontos de vista
em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br. Artigo publicado em 26/09/2010.
espaços públicos. O patriarcado controla o corpo da mulher e determina os modos de
vestimenta e de comportamento feminino em público.

As concubinas e os filhos “ilegítimos” não possuem os mesmos direitos das esposas e dos
filhos “legítimos”, constituindo-se uma das parcelas mais pobres e discriminadas da
sociedade. Alguns países patriarcais ou permitem ou toleram a poligamia, mas condenam
e punem a poliandria. Alguns países criminalizam a infidelidade feminina, no casamento.
Recentemente, o mundo todo se mobilizou contra as autoridades do Irã que condenaram à
morte por apedrejamento, a viúva Sakhine Ashtiani, por um suposto crime ter mantido
relacões sexuais fora do casamento.

O controle da sexualidade feminina é uma forte característica da sociedade patriarcal.


Além da obrigação da mulher casar virgem, existe um rigoroso esquema de controle da
sexualidade das esposas e filhas. Em alguns países da África e da Ásia, o costume da
Mutilação Genital Feminina (MGF), ou excisão feminina é uma pratica que consiste na
amputação do clitóris da mulher de modo a que esta não possa sentir prazer durante o ato
sexual. Há ainda a mutilação genital chamada de infibulação, que consiste na costura dos
lábios vaginais ou do clítoris.

As organizações de direitos humanos consideram que este costume sócio-cultural causa


danos físicos e psicológicos irreversíveis, e além de ser considerado um ato de tortura e
abuso sexual, é responsável por inúmeras mortes de meninas e mulheres.

O patriarcado também considera a sexualidade apenas do ponto de vista das relações


heterossexuais. O modelo do homem macho e viril é ensinado como tipo ideal para
garantir a continuidade da dominação masculina sobre as mulheres, preservar as relações
sexuais generativas e a continuidade da sucessão das gerações. Neste sentido, a
homossexualidade é condenada e a homofobia é incentivada. Muitos países ainda hoje
condenam à prisão ou a morte as pessoas que aderem à homossexualidade. Outros países,
mais tolerantes, simplesmente proibem a união sexual do mesmo sexo e a
homoparentalidade.

Em seus aspectos mais dogmáticos, o patriarcado é um sistema que vem perdendo espaço
no mundo e tende a ser superado pelas novas dinâmicas familiares e sociais do mundo e
por uma sociedade com maior igualdade de direitos entre homens e mulheres, assim
como pela difusão de novas formas de família e de relacionamentos sexuais entre as
pessoas. O patriarco está em declínio no mundo. Mas não é dificil encontrar, em maior ou
menor grau, as suas marcas no dia a dia das pessoas e nas condições materiais e
manifestações culturais dos diversos países do mundo.