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World of Metal
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Director
Fernando Ferreira

Colaboradores EDITORIAL
Fábio Pereira
David Carreto
Artur Castanha
Filipe Ferreira
União
Ana Filipa Nunes Já muitas vezes abordei neste espaço a questão de como os sonhos se realizam sem
Tiago Fidalgo estarmos à espera disso. O facto de estar a escrever estas palavras é um exemplo. Vamos
João Coutinho falar de outro. Quantas bandas não gostaríamos de ver reunidas? Bandas que fizeram
Sónia Molarinho Carmo parte do nosso crescimento musical ou que simplesmente tiveram impacto em nós.
João Pedro Freitas Alguns são impossíveis de acontecer, outros sendo impossíveis acabaram por acontecer
Daniel Laureano mesmo. Dave Lombardo voltar para os Slayer (sol de pouca dura), os Big 4 reunirem-se
Jaime Nôro para concertos, ainda que esporádicos; Nicholas Barker voltar a colaborar com Cradle
Miguel Correia Of Filth, Metallica colaborar com Dave Mustaine. A lista é longa e os exemplos mais
Sónia Ferreira que muitos.
Pedro Madeira
Fátima Inácio Quando recebemos a notícia o ano passado que os Helloween se iam reunir com Michael
Nuno Bacharel Kiske e Kai Hansen, não deixámos de ficar surpreendidos e maravilhados ao mesmo
tempo. Apesar de Andy Deris ter recuperado uma banda que parecia irremediavelmente
Jhoni Vieceli
perdida, os tempos em que Michael Kiske e Kai Hansen são representativos daquilo que
Inês Faria
a banda conseguiu fazer quando o power metal ainda estava em formação. As regras
João Pedro Silva
e fórmulas para o género foram estabelecidas naqueles três primeiros álbuns (mas
principalmente a dupla "Keepers).

Garage World A união em volta de um objectivo maior. Podemos falar de nostalgia ou de tentativa
de capitalizar sobre o passado, no entanto, e analisadas bem as coisas, nenhuma das
Miguel Correia carreiras das pessoas envolvidas estava propriamente a precisar de uma medida que
mcinbox@gmail.com poderia parecer de outra forma desesperada. Não, é tudo genuíno, é tudo honesto. E é
para os fãs, uma prenda que julgavam não ser vivos acontecer.
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Por vezes só temos que continuar a sonhar. O sonhos podem surpreender-nos ao realizar-
Tiago Fidalgo se. E por falar em sonhos, temos uma edição riquíssima, onde além de entrevistas com o
tiagofidalgo.wom@gmail.com melhor do underground nacional e internacional, também temos um guia musical para o
Moita Metal Fest, que se vai realizar no início do próximo mês. 2018 é um ano concorrido
em termos de eventos e o compromisso que fazemos é tentar trazer-vos o máximo que
pudermos. Este mundo do metal é grande e esta é a nossa missão, apresentá-lo todos os
Design meses, página após página.

Dina Barbosa
Tiago Fidalgo
Fernando Ferreira – Fevereiro 2018

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Indice

5 - Sempre A Partir 42 - Garage world - fall from


6 - Fu Manchu perfection
8 - Get Your Gun 48 - guia musical - moita metal
10 - Second Lash fest
12 - Perihelion 50 - Artwork Insights
14 - collapse under empire 52 - Top 20 1961
16 - Novareign 55 - Reviews
20 - perpetrator 71 - ÁAlbum do Mêes
24 - Necrophobic 72 - Máaquina do Tempo
28 - Hooded Menace 76 - WOM Live Report
30 - Oceans Of Slumber 92 - agenda
36 - Helloween
Foto na4Contracapa
por Sónia Ferreira
Sempre A Partir

Por Conan, o Barbeiro

Sinto que este ponto é um que tenho que voltar de vez em quando. Se esta posição de andar por aqui a
distribuir bordoada, mês após mês, poderá parecer que me coloco num ponto acima de todos os outros
comuns mortais, isso não passa mesmo de impressão. Sou bastante exigente. Demasiado. Principalmente
comigo próprio. E normalmente estas sessões de violência escrita são exercícios de exorcismo de
coisas que vejo e faço, a par daqueles a quem aponto o dedo. E por vezes sou incompreensível e até,
provavelmente, injusto. No entanto, por forças de razão maior, não consigo evitar. A vida também ajuda
a que isso aconteça, colocando-me frente a frente com essas mesmas situações. Se calhar é uma forma do
Universo me mostrar o quão errado estou. Ou se calhar sou um enviado cósmico que desceu a este calhau
terreno para despejar a minha raiva.
Para mostrar a algumas pessoas que aquilo que fazem é parvo. Ou então - sabendo que provavelmente
não chegarei a essas pessoas - mostrar aos outros daquilo que é parvo fazer. Como por exemplo, sei lá...
ir para a primeira fila de um concerto tirar selfies. Já aqui falámos do quão é parvo termos o pessoal
todo armados em jornalistas e gravarem concertos no telemóvel com qualidade de imagem e de som
merdosas, para mais tarde apagar ou então para colocar no Facebook na vã glória de recolher mais uns
minutos (segundos?) de fama para as suas vidas patéticas. E de certa forma compreendemos. Existem
pessoas que o fazem porque é uma banda importante para eles, porque as bandas ou as músicas têm um
significado especial. Agora... a questão que deixamos é... será que estar a gravar ou a tirar fotografias
com o telemóvel é a forma correcta de viver esses momentos? Temos dúvidas, mas damos o benefício da
dúvida para quem possa sentir de forma diferente.
Voltando à vaca fria, e o pessoal que vai para a linha da frente e que está a fazer autênticas produções de
moda com selfies que visam aparecer nas redes sociais apenas a provar que são "in" e que estão na linha
da frente no que diz respeito aos eventos? Não, não estamos a falar do Rock In Rio ou do Nos Alive.
Estamos a falar de pequenos clubes, salas, onde o propósito é a celebração do nosso underground. Não
quero parecer fascista ou intransigente, ainda vivemos num país livre mas... não será falta de educação?
Falta de educação para com a banda que vê reduzida a sua importância a nada, quando vê uma cena destas
mesmo à sua frente. Não será falta de educação para os verdadeiros fãs, que gostariam estar mais perto
da banda, naquela posição - muitas vezes ganha passando à frente de outras pessoas?
Vale tudo para ganhar um pouco de notoriedade, mesmo num meio pequeno - neste caso apenas em
dimensão comparando com discotecas e outros eventos não tão dignos de interese, felizmente a cena está
cada vez mais forte - onde supostamente o interesse é apoiar a música e as bandas nacionais? Não serão
as bandas nacionais mais importantes ou o que interessa é apoiar-se nelas para fingir protagonismo ou
para impingí-lo já que o desespero é óbvio?
Não tenho resposta de momento, talvez para o próximo mês.
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eNTREVISTA

Os Fu Machu são um dos mais incontestáveis nomes do stoner rock que continuou de
forma muito própria a tradição deixada por Kyuss. A propósito do excelente novo álbum
“Clone Of The Universe” apanhámos Scott Hill, guitarrista e vocalista da banda norte-
americana, para uma rápida mas interessante conversa.
Fernando Ferreira
Foto por John Gilhooley

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Bem vindos de volta! Calculo música. uma capacidade incrível de
que estejam bastante excita- transmitir o groove ao ouvinte.
dos com o lançamento do Calculo que esta experiência Temos um ditado em Portugal
novo álbum “Clone Of The não seja uma que possa ser que diz “é como o vinho do
Universe”. Já têm tido algum tocada ao vivo... mas seria Porto, quanto mais velho
feedback acerca dele? excelente se isso acontecesse. melhor”. Sentes a mesma
Achas que alguma vez poderá paixão hoje em dia tal como
Sim, estamos todos muito acontecer? no início da vossa carreira.
felizes com o novo disco.
Apenas agora começámos a ter Por acaso tocámos uma série Sim. Eu adoro tocar ao vivo.
algum feedback das reviews que de concertos de lançamento Adoro o som e o feeling de
têm sido feitas e até agora, “so do disco e tocámos a música uma guitarra com o volume no
far, so good”... de dezoito minutos. O público máximo.
aderiu à coisa...
“Clone Of The Universe” Já têm alguma coisa planeada
é um álbum surpreendente O vosso som sempre soou em termos de digressões aqui
sem o ser realmente. Temos natural e eu imagino-vos a para os nosso lados?
todo groove do fuzz rock que tocar numa sala de ensaios e
é contagiante e depois temos gravações e depois passado Vamos começar uma digressão
uma autêntica viagem com “Il algumas jams, “aqui está, aqui pela Europa no dia 1 de Março
Mostro Atomico”, que me fez está o nosso álbum”. Mesmo
olhar para o leitor após sete não sendo o vosso processo Os Fu Manchu foram uma
minutos e pensar “Isto ainda exactamente, não deverá estar das primeiras bandas que
é Fu Manchu?” Não que não muito longe disto, pois não? ouvi no género stoner (quando
fosse reconhecível, apenas foi o rótulo ainda nem era
inesperado. Como surgiu a É isso mesmo! popular) e a primeira que me
ideia para esta música épica recordo de capturar aquele
e, especialmente, como é que “Clone Of The Universe” não feeling da década de setenta
a participação de Alex Lifeson só soa a rock clássico como da do bom e velho rock. Hoje
dos Rush se sucedeu? década de setenta como o seu em dia é uma moda – com o
próprio alinhamento é pensado rótulo retro – ter um feeling
Bem, tivemos cerca de quinze como se fosse um vinil, com da década de sessenta ou
canções escritas para o álbum e “Il Mostro Atomico” a ocupar setenta na música. Continuas
continuámos a surgir com riffs o segundo lado todo como a manter-te actualizado nas
que gostávamos. Em vez de referiste. É uma preocupação novas coisas que vão surgindo,
escrever mais algumas canções, que têm em cada álbum no novas bandas, novos álbuns?
apenas guardámos os melhores que diz respeito a escolher o Alguma coisa que tenha
riffs que gostámos mais. alinhamento, pensar como se capturado a tua atenção?
Decidimos mais ou menos que fosse um vinil?
iríamos encaixar todos os riffs Obrigado... eu tento realmente
juntos e que iríamos fazer uma Normalmente tentamos criar ouvir novas coisas. Acabo
canção longa com eles de forma algum tipo de fluidez de sempre por estar mais
a ocupar todo o segundo lado do música para música. Queremos concentrado nas minhas
disco. Não fazemos realmente assegurar-nos que as músicas bandas favoritas como Clutch,
músicas de amor então esta foi no lado A do disco poderiam ou Monster Magnet, Corrosion Of
uma ideia fresca e nova para quereríamos tocá-las todas as Conformitu, Melvins... Gosto
nós. O nosso agente contactou o noites. realmente de uma banda nova
agente do Alex, fez a sua magia chamada Wrong.
e o Alex concordou em tocar na Doze álbuns e ainda têm
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eNTREVISTA

GET YOUR GUN

Os Get Your Gun são um bom exemplo da riqueza do rock alternativo que é bem mais
vasto do que aquilo que o termo grunge encerra. Com o seu segundo álbum de originais,
”Doubt Is My Rope Back To You“, o duo ascende a novos níveis de qualidade e obrigam-
nos a apresentá-los aos nossos leitores. Andreas Westmark, metade dos Get Your Gun
ajudou-nos na tarefa.
Fernando Ferreira

Olá e bem vindo à World vezes” com esta banda. que continua até a estar
Of Metal! Mesmo antes de Gravar, escrever a nossa Sendo um duo, como é que terminado. No entanto, neste
mergulharmos no “Doubt Is própria música, digressões foi o processo criativo e de disco especificamente eu quis
Rope Back To You”, o vosso prolongadas e para mim - a composição para “Doubt Is assumir a responsabilidade e
segundo álbum, apresenta- primeira vez que comecei a Rope Back To You? Houve trabalhar no som, melodias e
nos os Get Your Gun – e, usar a minha voz. Não penso um de vós que teve mais letras.
já agora, tenho reparado que algumas vez tenhamos participação no álbum?
que é um bocado difícil imaginado ou sonhado Este álbum soa mesmo de
de arranjar consenso em acerca de todas as coisas que Sempre fui aquele que trouxe forma poderosa e sobretudo
relação á definição do vosso já vivemos com a banda. No algo, uma pequena ideia dinâmica. Era esse um dos
som, gostaria também de ter princípio era apenas algo ou o quer que seja, para vossos objectivos?
a tua opinião sobre isso. para fazer. Começámos a explorarmos em conjunto. É
tocar juntos em 2008 mas não uma coisa “andar para trás e As dinâmicas são
Olá e obrigado pela entrevista. consigo apontar exactamente para a frente”, eu a trazer algo provavelmente uma marca
Os Get Your Gun são o momento exacto que a para cima da mesa e depois regrostada nossa e eu não
Simon e eu, dois irmãos que banda tomou forma. Em ambos a explorarmos juntos estou certo porquê – acho
começaram a banda quando termos de estilo, não penso ou o Simon a comentar por que é simplesmente algo que
eramos bastante novos. Não que estejamos interessados cima e eu a ir a trabalhar gostamos de fazer. Não penso
tínhamos muita experiência e em definir o que fazemos, tendo esses mesmos que nenhum de nós tenha
a banda abriu-nos realmente além de dizer que é uma comentários em consideração ouvido assim tanto música
os olhos ao mundo da música espécie de rock alternativo. E e depois voltar com o que clássica mas sinto que há de
e tivemos muitas “primeiras boa música, espero. quer que resultou daí – algo alguma forma uma associação
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a ela, em termos às dinâmicas incorporada na música ou outras A vossa música tem uma forte
extremas, à parte mais física. Mas artes. Nunca tive a mentalidade de fã componente cinematográfica,
ainda em termos de dinâmicas, – sou muito teimoso e egoísta. Para criando imediatamente imagens na
definitivamente não quisemos usar mim a maior inspiração é abordagem mente do ouvinte. Se alguém vos
essa ferramenta da mesma forma que diferente ao instrumento. Comecei propusesse fazer uma banda sonora
fizemos no nosso primeiro álbum a brincar com os sintetizadores e para um filme, concordarias? Achas
“The Worrying Kind”, que tinha esta orgãos e depois tentei aplicar esse que isso mudaria a abordagem que
espécie de dinâmica de homem das som à gutiarra, a aprender novas tens à música?
cavernas – ao ir dos 0 aos 100 em técnicas para o meu instrumento
meio segundo. Sentia-se que era um principaç. Podes dizer que te traz Pessoalmente adoraria fazer bandas
murro na cara. Eu queria fazer algo de volta o sentimento de estares a sonordas e é algo que quero mesmo
que se desenvolve-se lentamente e aprender a tocar, o que faz as coisas fazer no fuuro. Não penso que a
fosse rodeando o ouvinte. Penso que tornarem-se frescas e as novas ideias minha abordagem seria muito
o novo álbum é épico e poderoso vão acabar por surgir. diferente, além do facto de agora ter
mas ao mesmo tempo as letras são uma moldura ou um mundo que já
algo reveladoras e na maior parte do está formado. Imagino que isso iria
tempo estou a cantar como se fosse
apenas para uma pessoa. Pensando "Pessoalmente tornar as coisas mais fáceis.

agora nisso, sinto que a música


representa a vida interior que uma
pessoa tem a espalhar-se. É grande e
penso que este Aonde esperas levar “Doubt Is
Rope Back To You” em digressão?
Já tens alguma coisa planeada que
vasta mas ao mesmo tempo fechada e
íntima. É um espaço ou sala esquista
álbum é bem melhor possas partilhar connosco?

para falar sobre porque se sente que


nega ou excede as regras da física. e tem muitas mais Já andámos um bocado em digressão
pela Europa no Outono de 2017 e
No geral, penso que estamos mais
conscientes daquilo que estamos a
fazer e do que queremos fazer do
camadas que a ainda temos uma segunda ronda
pela Primavera de 2018. Assim
de cabeça lembro-me de Bélgica,
que estavamos antes mas eu gosto
de desligar a parte lógica do cérebro
estreia mas também França e Alemanha como países que
vamos visitar. Não tivemos ainda em
enquanto me surgem as ideias para
as músicas. Não ter objectivos ou me apercebo que é Portugal mas adoraria!

planos e apenas deixas as coisas


acontecerem. Não é sempre fácil
desligar a parte “que está sempre a
capaz de não ser tão Sentes que a vossa música é a
resposta à melancolia ou achas
que vai ainda mais fundo no
julgar” do teu cérebro mas é isso que
tento fazer.
acessível. " sentimento? E pergunto de uma
perspectiva de músico e de ouvinte,
se és capaz de te distanciar a ti
O que é mais notável, pelo menos Sente-se que este álbum tem a próprio da tua música de forma a
para mim, é a atmosfera e o capacidade de vos levar mais longe estares do outro lado da barreira.
ambiente que são capazes de criar e que a estreia. Concordas? E é algo
a tua voz que é bastante melancólica que vai ao encontro das reacções Penso que é muito diferente de
e até enigmática. E apenas parece que tens tido a ele por parte da pessoa para pessoa. Sempre tirei mais
natural mas de qualquer forma imprensa e dos fãs? da música quando a mesma expressa
deverás ter algumas influências que ou toca acerca de “sentimentos
levaram a ela. Se sim, podes dizer Pessoalmente penso que este álbum proibidos” que temos. Tanto como
qual a mais importante. é bem melhor e tem muitas mais músico como ouvinte. Poderá ser
camadas que a estreia mas também música instrumental também.
É uma coisa estranha. Quanto me apercebo que é capaz de não Não sei porquê, apenas me parece
tocámos os nosso primeiros ser tão acessível. Demora algum natural – não tenho qualquer tipo
concertos, as pessoas vinham ter tempo a interiorizar. Também é de razão profunda. Com receio de
connosco e diziam que soávamos capaz de ser mais difícil de rotular soar pretensioso, penso que tens
como os The Birthday Party e 16 para a imprensa e isso parece ser um que ir fundo ou até mesmo passar
Horsepower e nós nunca tínhamos problema. A imprensa parece adorar pelo sentimento para encontrar
ouvido falar destas bandas antes – as suas caixas. Ainda não estou a “resposta à melancolia”, indo de
naquela idade não tínhamos ouvido muito certo do que é que este álbum encontro ao que perguntaste. Se
praticamente nada. Então vais ouvir vai fazer por nós. Tenho tendência a a nossa música conseguir ajudar
e depois sentes que há realmente esperar e acreditar que este álbum vai alguém dessa forma, é excelente. Mas
uma relação e parece que o que ser bom a longo prazo. Vamos ver. não vamos fazê-la mais pesada do
estás a fazer é aceite de certa forma. Pessoalmente eu sei que fui bem mais que já é. Uma das coisas excelentes
Validação encontrada na música dos longe e mais profundo no processo acerca da música é que podes fazer o
outros. Então penso que é mais uma de fazer este álbum do que alguma que quiseres sem realmente magoares
coisa colectiva, partilhada por muitas vez fiz antes. quem quer que seja, excepto talvez os
pessoas à volta do mundo, e depois seus ouvidos.
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eNTREVISTA
eNTREVISTA

O rock nacional vive um dos seus melhores momentos de sempre. Talvez


longe das atenções mediáticas dos mass media, mas sempre perto
daqueles que acompanham o underground nacional. Representativo “Tabula Rasa”? Sendo
desse mesmo bom momento temos os Second Lash, que lançaram o o primeiro álbum, este
seu álbum de estreia “Tabula Rasa” que deixou muito boa impressão.
Fomos falar com Ricardo Dourado, guitarra solo dos Second Lash. é um ponto de partida
Fernando Ferreira
ou a representação da
Foto por João Fitas vossa identidade já
estabelecida? O nome
do álbum sugere mesmo
Olá pessoal e bem vindos as tínhamos tido ao vivo sonoridade com a qual a primeira…
à World Of Metal. O e é bom ver que elas nós nos identifiquemos.
vosso álbum de estreia continuam a ser assim em Dado os diferentes gostos Este trabalho surge como
tem conseguido boas relação ao trabalho que de cada pessoa nunca é o ponto de partida de um
reacções um pouco por editamos. uma tarefa fácil mas com caminho que queremos
toda a parte. Como tem trabalho lá chegamos. seguir, sem nunca nos
sido até agora? Como é que foi o restringirmos a uma
percurso até “Tabula O vosso som é bem das várias facetas do
Olá e muito obrigado! Rasa”? dinâmico conseguindo Rock. Tanto gostamos
Tem sido óptimo ver abranger várias de riffs pesados e com
boas reacções ao nosso Com muita procura e sonoridades dentro groove como de vertentes
trabalho e sentimo-nos experiência à mistura para do rock. Como é que o mais leves e tentamos
realizados com isso. Já conseguirmos criar uma encaram, o que fizeram dar espaço a tudo isso
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de forma equilibrada neste isso poderá pesar no facto de a nossa primeira data de 2018 a
primeiro trabalho. cantar mais (ou menos) temas acompanhar The Insane Slave e
em português? Red Line no Hard Club e mais
Não poderemos deixar de umas quantas datas marcadas
notar a importância de Sempre! O que mais queremos pelo país que iremos anunciar
Evelyn Filipe no vosso som, é levar o nosso trabalho a todo nos próximos tempos.
quer pelo seu talento evidente, o lado, seja em Portugal ou no
quer pelas suas participações estrangeiro e já o conseguimos Acabo com uma pequena
no Festival da Canção. Sendo fazer de certa forma através de provocação. Semanas atrás
que ela foi uma das últimas algumas rádios e blogs, agora foi publicado um artigo
peças a encaixar nos Second só falta fisicamente, mas não onde falava de como o rock
Lash, como é que chegaram vemos isso como restrição para estava a morrer em termos
até ela? Ou vice-versa? (risos) a língua que escolhemos na comparativos de vendas e foi
composição. levantada quase uma revolta
O contacto com a Evelyne popular. E isto levanta
surgiu um pouco por acaso. várias questões que vamos
Ela começou a trabalhar na tentar resumir às principais.
"Este trabalho
mesma empresa que o Ricardo Primeiro, como banda de
numa altura que coincidiu com rock assumida, o que é que
a procura de uma voz para este tipo de constatação vos
os Second Lash e, como lhe
tinham falado muito bem da surge como faz sentir? Depois, será que
nos podemos realmente reger
Evelyne, decidimos ver se ela
tinha interesse em fazer uns
ensaios connosco para ver se
o ponto de por vendas para ditar a vida
ou morte de estilos musicais?
nos encaixavamos bem e cá
estamos!
partida de um Hoje em dia, com tantos meios à
disposição para partilha online
Estão associados à Raising
Legends Records, como é que
caminho que é natural que se veja uma quebra
nas vendas de todos os estilos,
não só do rock e não podemos
essa ligação surgiu?
Estávamos à procura dum
queremos seguir, de forma alguma associar isso
ao desaparecimento de um
estudio para gravar o nosso
primeiro álbum e surge aí o sem nunca nos estilo que marcou a história.
Estes mesmos meios de

restringirmos a
primeiro contacto com o André partilha online permitem às
Matos da Raising Legends bandas de hoje em dia terem
Records. Foi lá que gravamos ferramentas de promoção que
e pudemos contar com a ajuda
dele na produção do álbum.
uma das várias eram impensáveis há 20 anos e
ajudar a dar a conhecer o seu
Também contamos com a ajuda
e talento do Manuel Bernardo
(Equaleft) para a produção
facetas do Rock." trabalho, portanto onde se vê
um declínio de vendas pode-
se ver um aumento de pessoas
do artwork deste primeiro nos festivais e concertos
trabalho. Findas as gravações, porque se tornou mais fácil
a Raising Legends Records conhecer novas bandas e novas
decidiu apostar em nós e sonoridades. Continuam a
Vamos conseguir ver-vos a haver muitos projectos que
incluir-nos no seu “rooster” tocar pelo país durante este
já extenso de bandas e editar/ carregam a bandeira do rock,
ano de 2018? mesmo dentro do panorama
promover o “Tabula Rasa”.
Ficamos extremamente felizes Sim, sem dúvida! Esse é o nacional com bandas como
por ter este apoio que é muitonosso objectivo principal Low Torque, Dollar LLama,
importante para qualquerpara 2018, ir para a estrada e Killimanjaro entre outras, e
banda. promover o máximo possível muito dificilmente alguma vez
este nosso primeiro trabalho. há de desaparecer porque o
A internacionalização é algo Temos já no dia 10 de Fevereiro rock é uma cultura.
que está nas vossas mentes? E
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eNTREVISTA
eNTREVISTA

A Hungria, não sendo uma potência do metal, já é sinónimo de boa


música. Pelo menos desde que tomámos conhecimento dos Perihelion,
que nos têm surpreendido, álbum após álbum com excelentes trabalhos esmagados pelas reacções
de pós metal, sempre com uma nuance black metal. “Örvény” é o aos álbuns. “Örvény
terceiro trabalho da banda e reforça não só a opinião que já tínhamos foi analisado num bom
deles como os coloca definitivamente no mapa das grandes bandas número de revistas e
europeias. Gyula Vasvári, vocalista e guitarrista dos Périhelion abriu o webzines um pouco por
mundo da banda um pouco mais.
Fernando Ferreira
todo o mundo e as reviews
foram todas positivas,
algumas de uma forma
Olá e bem vindo à World de questões, i.e. como o conhecimento geral da que nunca pensariamos
O Metal! E parabéns um certo lançamento, banda e eventualmente que fossem. O mesmo
por um grande álbum. concerto ou acção por ajudar-nos a seguir em vale para os ouvintes,
“Örvény” é um daqueles parte da banda poderia frente será sempre bom felizmente.
trabalhos que atrai afectar a nossa carreira mas isto nunca aconteceu
os amantes da música música ou a nossa posíção e nunca será o nosso Eu sei que a velha
quanto está a tocar, onde no negócio da música. Só objectivo primordial. questão “como é que
quer que eles estejam. há um único propósito defines o vosso som” é
Sentes que poderá levar para esta banda e esse Em termos de reacções, uma daquelas que mais
a vossa carreira a um propósito é criar a música como tem sido até te perguntam numa
novo nível? mais honesta e vinda do agora? Têm tido bom entrevista mas o facto é
coração que nós formos feedback por parte da que o vosso som é bem
Obrigado pelas capazes. Claro que se a imprensa e fãs? difícil de definir – na
palabras gentis acerca
do nosso novo álbum.
nossa música encontrar o Estou feliz por dizer minha opinião é mesmo
Normalmente não nos
seu caminho para pessoas que estamos totalmente o que o torna especial.
debatemos com esse tipo
suficientes para aumentar e completamente Têm algum tipo de
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cuidado especial quando para o qual nos queríamos Quando escrevem, qual o
estão a escrever em relação dirigir em vez daquele onde os foco? A melodia, as letras
à direcção das músicas e Neokhrome estavam activos. ou o aspecto emocional
consequentemente do álbum Quisemos separar-nos por geral daquilo que queres
ou apenas deixam-se ir na completo do passado no que diz transmitir? E é um trabalho
corrente? respeito à actividade musical de equipa, certo?
da banda anterior. Esta é uma
Temos sempre uma imagem banda completamente nova. Está a tornar-se cada vez mais
vaga nas nossas mentes quando um trabalho de equipa, desde que
as novas músicas estão a tomar A vossa música é bem experienciámos o verdadeiro
forma. Esta imagem é um esboço emocional e eu penso que as valor de trabalhar nas músicas
primitivo de sentimentos, emoções são sempre mais juntos. Quando uma canção
emoções, disposições e difíceis de capturar em nasce na sala de ensaios, como
atmosferas que esperamos estúdio. Emoções verdadeiras, o resultado do input genuíno
que o novo álbum represente, quero dizer. O lado emocional de quatro pessoas diferentes
baseado na nossa perspectiva da música é importante no cujas mentes combinam bem,
do momento. Como as nossas resultado final? é algo tão magnífico que não
vidas mudam constantemente poderá ser explicado por meras

"Por acaso até


assim e nós próprios mudamos palavras. Este é o aspecto mais
como pessoas, estas atmosferas valioso de fazer música. Desta
e imaginações também estão forma, o processo de compôr
sujeitas à evolução do nosso
background emocional.
temos muitas música é menos consciente e
muito mais instintivo.
Especialmente por esta razão,
preferimos estabelecer um bandas aqui no O que estão a planear para
promover o álbum? Alguns
prazo mais ou menos rigoroso
para acabar o processo de
composição das músicas para
Luxemburgo e planos de andar em digressão
pela Europa?
um álbum específico, porque
caso contrário a coerência que
por acaso muitas A promoção é feita inteiramente
pela nossa editora. A Apathia
achamos que deveria dominar
o álbum poderia facilmente bandas de metal" Records está a fazer um
grande trabalho já que eles são
estragar-se devido a ter muito totalmente entusiastas das suas
eclectismo. bandas e isto é aquilo que nós
Antes eram conhecidos Para ser mais preciso, o como uma banda e eles como
como Neokhrome mas lado emocional é o único uma editora têm em comum:
decidiram mudar para aspecto importante. Ludwig estarem totalmente empenhados
Perihelion precisamente Van Beethoven disse uma no que fazemos. Sim, temos
quando lançaram o álbum vez “tocar uma nota errada planos específicos de digressão
“Perihelion”. A mudança é insignificante; tocar sem pela Europa mas ainda é muito
suponho que tenha sido paixão é indesculpável” Sempre cedo para falar nisso. Estamos a
principalmente pela mudança fizemos gravações na nossa sala trabalhar no assunto.
no vosso som. Sentes que vão de ensaios quando estamos a Como é que se encaixam
continuar a mudar até que trabalhar numa nova canção. na cena de metal húngara?
tenham de mudar de nome A desvantagem deste método é Consegues identificar-te
novamente? Isto é, quando é que sempre que um momento com algumas das bandas
que vão parar de evoluir? que tenha verdadeira paixão seja compatriotas?
capturada, é quase impossível
(Risos) Não, essa opção está de reproduzir em estúdio. De Temos muitas bandas
afastada definitivamente. qualquer forma, tentamos dar o interessantes na Hungria e
Quisemos mudar o nosso nome nosso melhor mas chegámos à damo-nos bem com muitas
principalmente por sempre conclusão que não vale a pena delas. Aqueles interessados
termos sentido que existia um tentar recapturar a paixão do deveram averiguar os VHK,
mundo musical completamente momento porque nunca vai ser Pozwakovsky, Thy Catafalque
diferente e muito mais honesto a mesma. ou os Svoid.
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eNTREVISTA
eNTREVISTA

Os Collapse Under The Empire são um dos grandes com a passagem do tempo,
nomes do pós-rock europeu, com uma twist electrónico já que aquilo que o alimenta
muito próprio. Acabados de lançar o excelente “The Fallen raramente muda e os
ingredientes musicais são
Ones”, conseguimos falar com a dupla Chris e Martin quase sempre os mesmos.
para sabermos mais deste bom momento que a banda Poucas bandas se atrevem
a atravessar as fronteiras
atravessa. do género. O nosso som
Fernando Ferreira encaia muito bem no nicho
do “syntie elektronik” e é
ua mistura de banda-sonora,
Bem vindos à World Of direcção do som electrónico apontadas ao género pós showgaze, gótico, música
Metal! E parabéns pelo e encaramo-lo como um rock em termos gerais é clássica, triphop e, claro,
vosso último álbum “The trabalho de transição para de não haver inovação, pós rock. Além de que o
Fallen Ones”, que parece uma mudança fundamental apenas a repetição da facto de nos últimos anos
que tem vindo a ganhar no nosso som. Neste Verão fórmula de cada um ou termos sido considerados
boas críticas um pouco celebramos dez anos de a do próprio género. em revistas diferentes como
por todo o lado. Como tem jubílio e gostaria de concluir No entanto, no vosso “Sonis Seducer” ou “Zilo”
sido até agora? esta secção com uma espécie caso, e como acabaste de álbum do mês mostra que
de retrospectiva, um álbum confirmar, há essa intenção andámos sempre nos limites
Sim, obrigado! Estamos duplo com três novas faixas de introduzir algo novo no do pós-rock. Eu diria que
extasiados pela forma como e várias raridades. O timing seu som. Concordas com podem ver-nos como uma
o novo álbum estar a ser tãonão poderia ser melhor, dar todas estas opiniões? banda principiante no
bem recebido pelos nossos um passo arriscado numa género pós rock. Também é
ouvintes e pela crítica. Nãodirecção diferente sem Sim, é exactamente isso que assim que muitos dos nossos
é algo que seja evidente deixar as raízes pós rock por eu também queria dizer. É ouvintes que não tiveram
para nós quando acabamos completo. Esperamos poder importante reiventarmo-nos acesso ao género antes,
um trabalho, já que se tornacontinuar a levar os nossos passo a passo e continuar a nos descrevem. Claro que
cada vez mais difícil com fãs numa viagem. Vai evoluir. Foi o que tentámos ficamos muito satisfeitos
o tempo para satisfazer as continuar definitivamente fazer com cada álbum e por ouvir isso.
nossas próprias intenções instrumental porque é essa a cada EP. Conseguimos fazê-
sem nos repetirmos.nossa força. lo com bastante sucesso na Todo o álbum flui em
Levamos este álbum um minha opinião. O pós rock harmonia... existe algum
pouco mais além em Uma das críticas pode tornar-se monótono tipo de conceito? Quem
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são os “caídos”? Às vezes parece muitos escrevem-nos a contar desligar a parte de vós que diz
que é a raça humana que caiu de que ouvem a nossa música em “nesta parte, fiz isto, naquela
graça e está a caminhar para a caminhadas, expedições ou apenas fiz aquilo”. Alguns músicos não
extinção... em trabalho criativo. conseguem simplesmente ouvir
o que fizeram após terminar
As músicas em “The Fallen Ones” um álbum. É o que acontece
têm a intenção de evocar uma
viagem distópica que tem como "As músicas em “The convosco?
objectivo inpirar a exploração das
paisagens de um futuro pessimista. Fallen Ones” têm a Gostamos de ouvir a nossas
músicas quando elas estão
Em termos temáticos, na minha
opinião, o álbum enquadra-se nos intenção de evocar uma acabadas. Por vezes achamos
que elas ainda são melhores com
dias de hoje. Apesar de todo o
medo do futuro, o álbum deverá viagem distópica que alguma distância.
“The Fallen Ones” foi lançado,
oferecer um quadro de esperança.
Muitas das músicas e conceitos tem como objectivo tal como já falámos, através da
vossa própria editora, Finaltune.
reflectem as nossas perspectivas
pessoais, emoções e pensamentos inpirar a exploração Apreciam ter este tipo de
controlo sobre o vosso trabalho,
mas o pós rock sempre deu aos
ouvintes a hipótese de associar das paisagens de um para além da liberdade que já
falámos?
as suas próprias imagens e
sentimentos à canção devido a não futuro pessimista." Recebemos alguns pedidos de
ter letras. Nunca sabemos onde é outras editoras no passado. Por
que a viagem nos leva. O que faz um lado, as coisas não foram
com que seja excitante para nós O vosso primeiro concerto
foi apenas poucos anos avante porque não eram assim
também. Se mergulhares na nossa tão vantajosos, por outro, outras
música, a maior parte das ideias atrás e sempre disseram que
apenas tocariam em ocasiões editoras não nos podem oferecer
vêm por si só, então continuamos valor acrescentado. Construímos
a insistir e dar ao álbum uma específicas e especiais. É algo
que se manterá com “The Fallen uma boa rede de vendas e de
uniformidade. Na realidade, todos promoção com a nossa própria
os nosso álbuns e EPs são trabalhos Ones”? Têm alguns planos de
andar pela Europa. editora Finaltune e somos
conceptuais de alguma forma, completamente independentes.
porque todos contamos histórias Apesar de muito do trabalho da
que cada um poderá interpretar Desde 2009 que lançámos seis
álbuns de estúdio e cinco EPs. editora que temos de investir além
de forma diferente. É importante da composição e escrita, penso
para nós também. Não há limites Recentemente publicámos a
nossa discografia completa que vamos continuar a lançar
musicalmente ou tematicamente todos os nossos lançamentos pela
se, como nós, estás num nível no nosso site (N. E. https://
collapseundertheempire.com/ Finaltune no futuro.
emocional. Sempre tivemos um
fraquinho pelos sons e disposições discography/). Fazemos muito
DIY e esta regularidade de O que é que pensam do impacto
melancólicas. Não interessa o que da música (não só a vossa) tem
façamos, vai soar sempre de forma lançamentos não seria possível
com concertos por cima. Ambos no mundo de hoje? Acham que
sobria e triste mas ao mesmo tem poder suficiente para mudar
tempo, iluminadora. Não é possível não somos músicos profissionais,
a verdade é essa. Por outro lado, o mundo, mudar o estado das
de descrever que, de alguma forma, coisas como “The Fallen Ones”
és levado numa viagem. isso cria-nos muita liberdade
em termos artísticos. Isto faz sugere?
Vocês estão sempre ocupados, com que seja difícil trabalhar Penso que a música tem uma
com os vossos projectos e outras num projecto que toque ao vivo. influência indirecta no estado
ocupações... será Collapse Under Depois de muito tempo e de das coisas. Decisões importantes
The Empire um escape de tudo muitos pedidos para tocarmos ao podem ser influenciadas pela
isso? Eu pergunto isto porque vivo, decidimos tocar “C.U.T.E. -
música. Especialmente com
parece a música perfeita para Live” com a ajuda de amigos que as letras das músicas poderão
nos ajudar a fugir da realidade. se identificam com a banda e comtransmitir-se mensagens ou tomar
a música que fazemos. Tivemos determinadas posisções. Muitas
Para nós ainda é um dos sorte e conseguimos tocar o ano vezes o intérprete é aquele que
melhores hobbies que possas passado no Dunk! Festival na usa a música como uma forma
imaginar. Trabalhamos de forma Bélgica. Estamos a trabalhar em de chegar a mais pessoas. Música
completamente independente sem fazer mais concertos e esperamosinstrumental, como a fazemos
edições na nossa própria editora. tocar alguns novamente no final é um pouco mais difícil. Para
Isto é, claro, muito libertador e do ano. transportar a nossa mensagem,
assegura-nos muita criatividade no
estúdio. A nossa música é de certa São capazes de se colocarem na usamos de forma crescente
forma muito próxima da natureza. perspectiva do ouvinte e sentir imagens e videos.
Também notámos isso porque a música ou não conseguem
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eNTREVISTA
eNTREVISTA

Por vezes é assim. Do nada surgem bandas com um álbum de estreia que nos deixam rendidos.
Foi o que aconteceu com os Novareign e “Legends”. O espectro do power metal de orientações
mais progressivas não é pobre mas ainda assim a estreia dos californianos teve um grande
impacto aqui na redacção da World Of Metal e acreditamos que assim será um pouco por todo o
lado. Apresentando em exclusivo a banda a Portugal, tivemos Balmore Lemos, guitarrista dos
Novareign
Fernando Ferreira
16
Olá e bem vindos à World disso, eu juntei-me à banda e que o álbum estava finalizado,
Of Metal! E bem vindos começámos a compôr o nosso tivemos uma reunião com
com realmente um excelente EP “Reign Of The Infinite Sun” M-Theory para vermos como
e impressionante álbum! e usámos esse EP para ajudar a poderíamos trabalhar juntos e
“Legends” é um grande encontrar músicos que levavam levar o álbum mais longe. Tudo
trabalho que nos traz o melhor a sério a sua arte. Foi quando correu bem e M-Theory estava
do power metal mas com um o baixista Moizilla Galvez e o de mente aberta e sempre nos
feeling progressivo sem que se Paul “The Beast” Contreras se apoiou desde o início naquilo
tenha a sensação de estarmos juntaram e solidificaram o que é que queríamos fazer então não
perante uma proposta comum Novareign. houve dificuldade nenhuma em
de metal progressivo. Temos decidir colaborarmos com eles
velocidade, temos o aspecto para promover “Legends” e
técnico, músicas complexas e
longas, mas principalmente,
"Considerando que material futuro.

um grande conjunto de temas! sempre adorámos Ouvir “Legends” faz-nos


pensar nos Dragonforce como
Suponho que... estejas um
bocado orgulhoso, não? guitarristas virtuosos uma das influências. São eles

Olá! E obrigado por nos e vocalistas sonantes realmente uma influência?


Qual é a banda que possas
convidares! Estamos realmente
orgulhosos de “Legends”.
nas outras bandas, acho indicar como influência
principal para o vosso som?
Tivemos tanto trabalho nele e que os Dragonforce são Dragonforce é uma enorme
o resultado foi mesmo muito
perto da visão que tínhamos
uma daquelas bandas influência no que fazemos.
para o nosso álbum de estreia. arquétipas que realmente Considerando que sempre
adorámos guitarristas virtuosos
Sem falar sequer que tem
sido recebido de maneira representam a bateria e vocalistas sonantes nas
muito superior do que o que
poderíamos prever! Estamos
agressiva e o trabalho de outras bandas, acho que os
Dragonforce são uma daquelas
muito gratos e excitados por guitarra a alta velocidade bandas arquétipas que realmente
representam a bateria agressiva
receber mais feedback positivo.
que queríamos, como e o trabalho de guitarra a alta
Voltando atrás no tempo, vocês
estão a viver uma segunda banda, fazer." velocidade que queríamos,
como banda, fazer. Esperamos
vida. O que aconteceu em de qualquer forma que no futuro
2011 que vos fez pendurar as tenhamos menos “Dragonforce”
botas? Há quanto tempo é que estas e mais “Novareign”. Mas ainda
estamos muito sensibilizados
Bem, a encarnação anterior da músicas, do álbum, têm estado por sermos comparados a uma
banda era liderada na altura por a ser aperfeiçoadas? O álbum banda desse calibre. Outra banda
outra pessoa e estava na realidade já estava pronto quando foram que possamos considerar como
a funcionar com outro nome. O assinados pela M-Theory uma influência quintessencial...
nosso cantor, Icarus Marquez, Audio? será complicado decidir já que
surgiu com o nome enquanto Bem, durante a jornada de todos vimos de backgrounds
estava nessa banda e decidiram encontrar os membros certos, diferentes dentro da cena dos
mudar o nome para Novareign. tivemos muito tempo para polir vários subgéneros de heavy
Como muitas bandas nos seus o novo material. “Reign Of The metal. Nós adoramos tudo desde
primeiros tempos, nem todos Infinite Sun” foi lançado em Behemoth, Iron Maiden, Angra,
eram dedicados e foi difícil Janeiro de 2014. Começámos Black Dahlia Murder, Periphery,
encontrar pessoas que tivessem a montar o novo álbum no Hibria, Gamma Ray, Iced Earth,
a mesma mentalidade então a Outono de 2016. Tudo isto Megadeth, Adagio e são apenas
banda acabou por separar-se. durante um período de dois algumas dentro do metal.
Depois de alguns momentos, anos para termos a certeza de
Icarus e o guitarrista, Danny que estávamos prontos para Expectativas em relação à
Nobel, começaram a trabalhar gravar. Quanto ao álbum estar recepção do “Legends”?
num novo projecto e decidiram pronto, tivemos alguns meses de Já disseste que tens tido
que iriam manter o nome conversações com a M-Theory boas reacções mas podes
Novareign já que não tinham antes de começarmos a gravar. aprofundar?
feito nada com a encarnação O plano era fazermos tudo nós
anterior. Pouco tempo depois próprios desde o início e assim Não temos necessariamente
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expectativas, para além de desenhou estas estátuas no entanto, têm grandes
apenas esperarmos que todos fantásticas com edifícios das bandas no género. Todavia,
os que o ouçam tenham a suas culturas nas suas costas. Califórnia não é um sítio
mente aberta. É bom ouvir e ler É um grande retrato de como onde pudessemos encontrar
reviews do ouvinte que aborda estes guerreiros desconhecidos uma banda excelente como
o álbum como uma única peça, que “carregam nos ombros os Novareign. Como é que é a cena
em vez de comparar com as suas seus países e compatriotas nos power metal na California?
próprias preferências pessoais e seus ombros” ao lutar e dar tudo
ficar desapontado por não ser o que podiam para ver os seus A cena power metal é um
um álbum thrash ou algo do sonhos serem tornados reais. pouco escassa na Califórnia
género. Temos tido bastantes Apenas por fazerem o que estes mas existem muitas bandas
reviews positivas e aquio que heróis pensaram ser o correcto de metal tradicional e outras
parece ser feedback honesto de a fazer pelo seu povo, ajudaram bandas que partilham a mesma
coisas que as pessoas gostam, e a criar impérios que têm a sua lineagem do power metal que
coisas que as pessoas gostariam história e conhecimento que ajuda a comunidade a crescer e
de ter mais. O que é fantástico ultrapassou as suas próprias a fazer com que existam grandes
considerando que commo banda, civilizações. Isso, eu penso ser concertos aqui. Sem mencionar
sempre tentámos nos lembrar a essência daquilo que o álbum que grandes bandas através dos
para continuar a escrever apenas retrata. Lutar por uma causa E.U.A. têm feito ondas na cena
aquilo que adoramos. Se as justa e nobre e deixar um legado power metal. Seven Kingdoms,
pessoas gostam, é fantástico! que vale a pena relembrar. Helion Prime, Dire Peril, Nobel
Se não, esperamos que possam Beast, A Sound Of Thunder,
ouvir novamente no futuro. Mind Maze, Immortal Guardian

"A ideia de
e Avant Guardian apenas para
Podemos dizer que há nomear algumas.
um ceonceito geral para
“Legends”? Ao olhar para a
capa e ouvir as lestras, estas heróis a superar Quando vemos os nossos idolos
a desaparecer e as nossas
lendas parecem ser todos
heróis históricos... foram eles adversividades bandas clássicas a tornarem-
se cada vez mais velhas e a
que vos inspiraram ou querem
inspirar os vossos fãs com os é um conceito reformarem-se, é bom ver
que temos uma banda nova a
feitos de tais lendas?
universal que é surgir com tanta força e com
um álbum tão potente. Sentes
que a música pesada vai de
apelativo a quase
A ideia de heróis a superar
adversividades é um conceito alguma forma renovar-se a ela
universal que é apelativo a quase própria?
todos. Uma das razões que eu
penso que o power metal ressoa
todos." Absolutamente! Seria uma
em todos nós é por causa das suas verdadeira pena que os nosso
ideias animadoras e poderosas heróis que construíram os
que a maior parte das pessoas Têm alguns planos de caminhos para se ser bem
adoram ouvir de uma maneira ou promover o “Legends” aí sucedido num género de música
forma. Apesar de não haver um nos E.U.A. ou até mesmo na como o heavy metal, que não
conceito que atravesse cada um Europa? é parte do mainstream, apenas
dos temas, a maior parte deles para vê-lo desaparecer com
Temos aspirações para ir e eles. Quase que se sente como
são inspirados pela ideia de promover o álbum em qualquer
nos erguermos e empenharmos uma responsabilidade manter
sítio e em todos os sítios onde estas ideias e música viva!
o melhor que conseguirmos. houver procura pelo o que
Além de que a ideia de que Desde que a nova geração de
estamos a fazer. Mas por agora, músicos mantenham a mesma
se lutas por uma causa justa e estamos a focar-nos em publicar
nobre que é verdadeira para o mentalidade de escrever música
o álbum aqui nos E.U.A até que é genuína e verdadeira a eles
teu coração, independentemente que a oportunidade certa para
de conseguires ou não, o próprios, vai continuar a ressoar
ir para além mar se apresente. com um público e vai continuar
simples facto de lutares bem Assim que essas oportunidades
deveria ser considerado sempre a carregar a bandeira do heavy
se revelem, podemos então a metal através dos anos e vai com
como uma vitória. Em relação planear de acordo com elas.
ao artwork, atirámos algumas esperança continuar a resistir e
ideias para cima da mesa como Os E.U.A. não é o país mais superar o teste do tempo.
a capa deveria ser, e o Moizilla conhecido para o power metal
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eNTREVISTA
eNTREVISTA
eNTREVISTA

de thrash metal vai


Os Earth Drive são uma das bandas que acompanhamos desde o início conseguir perceber isso,
deste projecto da World Of Metal e como tal temos um carinho especial
pela banda do Montijo. O que ajuda a este sentimento é por ser sem dúvida porque é algo que vai
uma das grandes bandas de rock/alternativo, onde os géneros stoner, beber à raiz do género.
psicadélico e progressivo fluem todos em harmonia. E quando temos Nesse aspecto acho que
um grande álbum de estreia na forma de “Stellar Drone” é óbvia que não o vosso som na nossa
poderíamos perder oportunidade de falar com eles, mais concretamente cena nacional é um
com Hermano Marques, guitarrista da banda. pouco único. Em termos
Fernando Ferreira
de thrash metal não há
ninguém a soar assim tão
puro e potente ao mesmo
Começava por dar os a adolescencia... muitos queremos é tocar Thrash tempo, concordas?
parabéns pelo poder anos se passaram, o tal como achamos que ele
deste "Altered Beast" Metal alterou-se, sofreu deve ser. Nessa medida, Em relação à cena
que está mesmo uma muitas novas influências, creio que o álbum cumpre nacional, tem aparecido
besta de todo o tamanho muitas deformacões, etc., os objectivos, pelo menos tanta coisa que temo
- no bom sentido claro. mas para nós, oldschool no que concerne os estar muito pouco
Presumo que estejam Thrashers, o que nos nossos critérios, as nossas actualizado. No entanto,
satisfeitos com o move é o que existia nos referencias, o nosso gosto dentro do que conheço,
resultado final não? momentos de definição pessoal. as bandas de Thrash no
do movimento. Nada se geral sofrem uma série
Ora bem, eu diria compara aqueles tempos Por acaso esse foi um de influências posteriores
que estamos bastante e ao que então se vivia. dos pontos pelo qual que já escapam bastante
satisfeitos, na medida Por isso, o que queremos acho que o álbum está aos meus gostos pessoais.
em que o objectivo não é de modo algum ser fantástico. Não há Ou seja, a presenca
desta banda acaba por originais; nao queremos qualquer intenção de do groove a Pantera é
ser tocar a música que inventar nada de novo, tentar reinventar o quer amiúde muito forte, já
nos acompanhou desde pelo contrário. O que que seja. Qualquer fã sem falar nos muitos
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casos de fusão com Metalcores porque a maior parte deste da Notredame de tal maneira
e afins que, para mim, estão álbum já estava gravada mesmo insistiu connosco que acabou
totalmente fora do espectro antes de sair o anterior. Como por fazer com que acontecesse
que considero realmente Metal. tem igualmente impacto o facto Perpetratör em palco. Foi o
Há algumas bandas de que de, desde o princípio esta banda único concerto que tocámos e é
realmente gosto, infelizmente ser sobretudo um projecto... uma grata memória. Eu adoraria
pouco activas, como é o caso o Paulão nao tem vida que lhe que voltasse a acontecer, mas
de Motörpenis, que espero que permita ter uma coisa destas é um cenário cada vez mais
regressem, Atomik Destruktor, a funcionar a sério, e essa difícil até porque o Marouco foi
com um som muito bom, e prerrogativa ficou explícita viver para o Algarve há algum
Alcoholocaust... presumo que desde o princípio. Por isso, a tempo... ou seja, não garanto
de certa maneira Perpetratör questão das prioridades não de forma alguma que não possa
tenha um som um pouco mais se põe realmente... No meu porventura vir a acontecer, e até
polido que estas bandas, mas caso tenho duas bandas que o muito prazer me daria, mas a
espero que não menos agressivo. são de facto, Ravensire, que é perspectiva de tocarmos ao vivo
Para nós as referências últimas neste momento a mais activa e nesta fase é muito improvável.
são a trindade alemã, Sodom, a que mais tempo me ocupa, e
Kreator e Destruction, mais os Filii Nigrantium Infernalium, Vamos recuar no tempo e
deuses Slayer e uma grande que tem estado numa fase de para as pessoas que só estejam
número de bandas da época, actividade crescente e que se a tomar contacto com os
mais conhecidas ou menos, prevê que continue, por haver Perpetratör agora, conta-nos
como Coroner, Living Death, coisas a acontecer (álbum novo como é que a banda nasceu. Já
Protector, Necronomicon, para breve, etc.). Perpetratör sabemos que foi para explorar
Annihilator, Artillery... e um é algo que me é muito, muito o amor que têm ao thrash
grande etc. próximo, porque é mesmo o metal tradicional, agora como
meu tipo de som e tenho uma se nasceu mesmo?
Como já disse o vosso som está grande amplitude de expressão
mesmo poderoso. Onde é que Eu tive uma banda de Thrash
nas letras e não só, portanto Metal chamada Axe Murderers
“Altered Beast foi gravado”? não a vejo como secundária em em 2002. Durou apenas tres
Temos a sorte de o Paulão, relacao as outras... mas é uma meses, gravámos uma demo e
nosso guitarrista e compositor, coisa que é menos exigente acabámos. Desde essa altura,
ser um profissional do som... porque gravamos quando dá e pelo menos, que me apetecia
o seu trabalho é gravar bandas quando nos apetece... não há voltar a ter algo assim. Um dia,
e portanto é a sua perícia grande compromisso. depois de um ensaio de Filii em
que devemos a produção dos minha casa, em que tinha sacado
álbuns. Outra grande vantagem
é que não gastamos dinheiro "Para nós as referências software de gravação, e como
o Belathauzer tinha lá deixado
em estúdio! (risos) Para mim
é perfeito, porque ele ouve
últimas são a trindade a guitarra dele, resolvi gravar,
mais no gozo que outra coisa,
Metal há tanto tempo como eu,
se não mais, e as referências
alemã, Sodom, Kreator um tema inteiramente feito
por mim, literalmente em cima
são exactamente as mesmas e
sobejamente familiares a ambos.
e Destruction, mais os do joelho. Foi divertidíssimo.
Uns dias depois gravei outro.
Quando ele compõe tem uma deuses Slayer" Mostrei-os a alguns amigos
visão exactamente coincidente como brincadeira, e o Paulão
com a minha e a do Marouco, propos-me fazermos algo com
atrevo-me a dizer, portanto a Então é um projecto aquilo. Depois de um par de
sintonia é completa. unicamente de estúdio? anos, de vai não vai, a coisa foi,
e ele compôs e gravou o álbum
O vosso álbum de estreia Ou podemos contar com de estreia. Claro que ficou a
foi lançado há quatro anos. alguns concertos, ainda que anos-luz daquela gravação
O facto de todos vós terem esporádicos? amadora e merdosa que eu tinha
outras bandas teve impacto É complicado responder a feito em casa... mas o que se
nesta demora? No teu caso, isso pelo seguinte... desde o perdeu em javardeira ganhou-se
entre as bandas que tens, e em princípio que se decidiu que em qualidade, acho eu.
termos de prioridade, qual a sim, que não havia condições
posição dos Perpetratör? para fazer uma banda para levar Eu diria certamente que
sim. (risos)Há pouco falaste
Terá tido algum impacto, até para a estrada... a verdade é que em Slayer e não resisto em
quando saiu o álbum, o Carlos
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perguntar-te duas coisas em metálico, chamado Paolo ideia e ele criou a visão dele. A
relação a eles. Primeiro o que Girardi, e de novo, creio que propósito, e como muita gente
achas de uma banda como cada lancamento de Filii tem apanhou, "Altered Beast" é de
Slayer ir se reformar e em a sua personalidade própria. certa maneira uma homenagem
segundo se achas que eles já Quando ouco aquilo o que me a um jogo de arcade, do tempo
não têm mais a oferecer e que vem a mente sao coisas como o em que andávamos no liceu e nos
é portanto sair em grande do '666' dos Kat... mas isso depois baldávamos às aulas para ir para
arrastar o cadáver pelas ruas. cada ouvinte que julgue. Há mais as saudosas casas de jogos. Mas
coisas a passar-se... No fim-de- não é apenas isso. É uma alusao
Slayer para mim são deuses semana que vem, mesmo, devo a bestialidade do verdadeiro
desde que eu tinha 15 anos. ir para estúdio com Filii. Mas Thrash Metal oldschool!
Antes de mais duvido imenso isso é que ainda é informação
que seja o fim. Está bem que exclusivamente underground. Por acaso também me veio
o Tom Araya se sente velhote, (risos) o jogo à mente quando ouvi
quer é estar com a família e tem o nome e principalmente
dinheiro para viver confortável, vi a capa. Antes de falar de
mas aquilo ainda é uma grande
máquina e portanto eu presumo "Para se viver da Ravensire, tenho de fazer A
pergunta, é possível viver da
que seja apenas a primeira
tournée de despedida, como está
música em Portugal é música em Portugal? E por
música entenda-se metal,
sempre a acontecer com outras
bandas grandes. Na verdade,
necessário fazer uma claro

depois dos inesquecíveis,


épicos concertos de Slayer no
série de compromissos Para se viver da música em
Portugal é necessário fazer
Dramático de Cascais já me
apela bastante menos vê-los
artísticos ou então uma série de compromissos
artísticos ou então tocar estilos
em palco sem Hanneman e
sem Lombardo, depois de uma
tocar estilos que que movam multidões... cujo
gosto geralmente anda ao sabor
grande quantidade de álbuns
fracos. Tudo até ao "South of
movam multidões.. da corrente. Os verdadeiros
fãs de Metal são poucos, mas
Heaven" é incrível, e mesmo cujo gosto geralmente são militantes, são acérrimos
defensores da fé no som
o "Seasons In The Abyss"
é bastante bom, mas depois anda ao sabor da sagrado... e é assim que deve
ser.
andaram sempre por águas
mais ou menos lamacentas. corrente." E Ravensire? Estão a
Mas espero, mesmo assim, trabalhar em música nova?
ainda os poder ver em palco
algumas vezes... até a espécie Excelente! (risos) Já agora Estamos, temos neste momento
de comunicado do fim é posta tinha-me esquecido de material novo já em adiantado
de maneira muito ambígua... perguntar mas já que falaste estado de composicao, e posso
eles ainda hão-de andar por aí na capa, lembrei-me. A capa dizer que são temas que me
uns anos, de certeza. do álbum dos Perpetratör foi apetece imenso experimentar
em estúdio... a evolução não
Disseste-nos que os Filii têm feita pelo André Coelho. Foi a tem sido tao rápida como
álbum para breve, podes dar- vossa primeira escolha? desejaríamos porque o tempo é
nos mais detalhes e levantar O Nuno da Caverna Abismal limitado e temos tido uma certa
um pouco o véu? costuma trabalhar com ele e actividade ao vivo, o que nos
Posso dizer que em algum quando o sugeriu dissemos logo impede de nos dedicarmos tanto
momento do primeiro semestre que sim, até porque ele tinha ao processo de criação do futuro
deste ano há-de ser lancado feito um excelente trabalho com álbum como gostaríamos...
o novo álbum pela Osmose a edicao em cassete do primeiro temos alguns concertos
Productions, e que está álbum. Creio que voltou a marcados até o verão, e depois
altamente! (risos) Está muito fazer um excelente trabalho... talvez seja boa ideia fechar
Black Metal dentro daquilo que Gosto muito do layout do CD temporariamente a loja só para
para nós é o Black Metal (mais e aguardo por tê-lo nas maos compor. Gostaria de chegar ao
uma vez... como Perpetratör daqui a uns poucos dias. Eu fim do ano com o álbum gravado
e o Thrash), vai ter uma capa sugeri o conceito com base no ou pronto a gravar, pelo menos.
super blasfema feita por um título que tínhamos escolhido
pintor italiano que é um grande fiz um esboço para transmitir a
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Lendas do death metal sueco blasfemo na sua deliciosa mistura com o black metal, os Necrophobic
é um daqueles que nomes que não interessa quanto tempo passe, não interessa o que aconteça, vão
sempre garantir o nosso interesse. Foi o que aconteceu com “Mark Of The Necrogram”, o último
álbum de originais dos Necrophobic. Foi sobre ele, sobre a recente instabilidade no alinhamento da
banda e muito mais que nos metemos à conversa com Sebastian Ramstedt, guitarrista e compositor
dos Necrophobic.

Fernando Ferreira
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Cinco longos anos sem que o meu interesse para com encaixar numa mistura na era
Necrophobic, bem vindos de Necrophobic estava a crescer. dos “Hrimthursum” e “Death To
volta! Como é ter o álbum Falei com o Johan acerca disto All”. Quando mostrei as minhas
cá fora depois de tudo o que e ele sentia o mesmo. Era como demos à banda, começámos
aconteceu? se a “nossa” banda andasse de a trabalhar na estrutura geral
concertos em concertos sem dos temas e no som. Tentámos
Obrigado! É muito bom estar nós. Estranhamente, Joakim arranjar uma base death metal
de volta com um álbum forte Sterner contactou-nos por esta muito sólida e poderosa para as
depois de toda a turbolência! altura. Ele também sentiu o músicas. Um navio de guerra de
Mais uma vez nos erguemos! mesmo. Que o nosso lugar era onde pudessemos lançar mísseis
A primeira mudança no vosso nos Necrophobic e noutro lado de black metal. E eu penso que
alinhamento foi o regresso do qualquer. Assim a energia dada é o segredo do nosso som de
Anders Strokirk. Como foi pelas forças das trevas estavam blackned death metal. Temos
tê-lo de volta na banda após a apontar todas na mesma uma secção rítmica death
quase vinte anos? direcção. Eu e o Johan não metal e uma guitarra lead black
tivemos que pensar sobre isso metal com a secção vocal. Dá
Fantástico! É sempre duas vezes. Largámos o que à música um grande contraste.
complicado subsituir membros estavamos a fazer e juntámo-nos Black metal normalmente tem
e especialmente com vocalistas. à banda novamente. E foi como uma base frágil para se manter
Felizmente o Anders estava se o tempo não tivesse passado e o death metal puro por vezes
disposto a isso. E também e nunca tivessemos saído. falta-lhe nuances. Nós tentamos
ele manteve-se fiel à cena Excepto aquela energia má do ter os dois.
durante todos estes anos, o que passado que tinha desaparecido.
é importante. Não queres um As canções têm aquela perfeita
gajo que já não gosta de metal atmosfera do som clássico do
como frontman, certo? Eu vejo "Não queres um gajo metal extremo sem sacrificar
nenhum poder. Onde é que foi
isso muitas vezes em bandas
que se reúnem. Para mim, como que já não gosta de gravado e como é que foi todo
o processo de gravação?
compositor, estava ansioso para
ver o que conseguíamos fazer metal como frontman, Este álbum foi gravado no
juntos. E resultou perfeitamente.
Mas apesar de tudo, ele é o
certo? Eu vejo isso estídio do Fredrik Folkare aqui
em Estocolmo. Foi fantástico
cantor do primeiro álbum e não
deveria surpresa nenhuma que
muitas vezes em bandas que ele tenha escolhido continar
ele seria perfeito para liderar
este navio de guerra.
que se reúnem." a trabalhar com esta banda.
Mesmo tendo que passar o
trabalho de guitarras para mim
Outra mudança no e para o Johan. Como ele tinha
Focando “Mark Of The produzido todos os álbuns
alinhamento foi o regresso de Necrogram” especificamente,
dois dos vossos guitarristas, desde o “Hrimthursum”, não
soa mesmo poderoso e mantém queriamos perdê-lo. É uma
tu, Sebastian e também o o vosso som característico de
Johan Berge. Quais foram os parte muito importante dos
fusão entre o death e o black Necrophobic. Trabalhámos
motivos para regressares aos metal. Tiveram algum tipo de
Necrophobic? arduamente com as demos antes
objectivo antes de começarem de entrar em estúdio. Então tudo
Necrophobic é a banda onde eu a compôr para aquilo que ficou arranjado e preparado
mais investi e trabalhei durante queriam fazer? antes das gravações. Tivemos
a minha carreira. Tenho escrito Na realidade eu tinha escrito cada um cerca de dois dias no
mais canções para esta banda três músicas antes da minha estúdio. Eu gravei todas as
do que qualquer outra. Eu e o saída em 2011. Não eram minhas guitarras, duas guitarras
Joakim trabalhámos para deixar adequadas na altura para entrar ritmo masi harmonias e solos
esta besta cescer desde 1996, no “Death To All”. Eu guardei- para cada música em menos de
então é eufemismo dizer que as para mais tarde. Quando dez horas. É menos de uma hora
grande parte da minha vida voltei à banda, eu peguei onde total por música. Mas o trabalho
musical reside nas fronteiras tinha parado. O processo e preparação foram enormes. Os
que encerram os Necophobic. de composição fluiu muito outros fizeram o mesmo.
Desde que eu saí em 2011, eu livremente. Eu estava a apontar
senti que algo importante estava para as estruturas de músicas A música “Pesta” destaca-
a faltar. No Outono de 2016 e atmosferas que pudessem se por ser mais lenta, com
senti duma maneira muito forte um feeling doom, algo que
26
mas acho que desde
o nosso primeiro
álbum que sempre
tivemos partes que
eram mais lentas e
atmosféricas.
Sempre adorámos
as vossas covers,
têm algo planeado
para este ábum,
como faixas
bónus?
Não, desta vez não.
Não há material
extra que tenha
sido gravado.
Mas também,
conseguimos gravar
um álbum inteiro
em menos de um
ano depois da
reunião da banda.
Os Necrophobic
são uma das
poucas bandas que
se mantiveram
fieis ao seu som e
ao mesmo tempo
capazes de evoluir.
Olhando para
trás, todas as
mudanças, todas
as dificuldades,
todos os sacrifícios,
“Mark Of The
Necrogram”
sente-se como uma
espécie de triunfo,
certo?
Yeah! É um triunfo
d e fi n i t iva m e n t e .
Vivemos com es-
tas dificuldades
desde o início.
Nunca ascendemos
acima da cena do
normalmente não fazem. Foi The Necrogram”. O EP era um underground, nunca
por esta razão que decidiram vinil muito limitado e seria um tivemos as atenções principais.
usá-la novamente depois de desperdício deixar que aquela Mas isto faz com que as bases
ter estado no EP? Parece que canção desaparecesse numa sejam fortes. O Joakim nunca
foi regravada, é correcto? edição tão limitada. Foi escrita desistiu, uma única vez. Ele
com um tempo mais lento do que continuou com todo o poder,
A bateria foi regravada e o resto das canções o que lhe dá
teve uma linha de guitarra não interessa o quê. É fantástico
um feeling diferente. Até pode mesmo! Ele deveria ter um
adicionada. O resto é o mesmo. ser que não tenhamos usado
Esta música é importante na relógio de ouro pela resistência.
antes esse feeling mais doom
estrutura do todo que é “Mark Of de uma forma tão acentuada
27
eNTREVISTA

O facto de “Ossuarium Silhouettes Unhallowed” ter sido o se ofereceram para os


nosso álbum do mês na passada edição deveria ser introdução lugares vagos?
suficiente para uma banda que não precisa qualquer tipo de Fomos nós que os
apresentação. Death/doom metal de classe superior vindo da abordámos. Um amigo
Finlândia que nos faz pensar que o género é intemporal. E é, comum ligou-nos ao Otso.
conforme o líder Lasse Pyykkö (guitarrista) explicou à World Claro que eu já conhecia
Of Metal a sua banda Krypts mas
Fernando Ferreira
não o conheciamos
pessoalmente. Assim
que o Otso entrou, ele
Parabéns pelo mais mudanças de à banda antes do novo sugeriu o seu amigo Antti
“Ossuarium Silhouettes alinhamento entre álbum estar gravado. O dos Devenial Verdict e
Unhallowed” que está a “Darkness Brings alinhamento do álbum Church Of The Dead para
ser aclamado um pouco Forth” e este álbum... fui eu, Lasse (guiarras e o baixo. Harri já se tinha
por todo o lado e foi o o pessoal novo que baixo), Teemu (guitarra), juntado em 2016 depois
nosso álbum do Mês entrou teve alguma Harri (voz) e Pekka de eu me fartar de fazer
em Fevereiro. É mesmo contribuição no disco? (bateria). a voz e de lhe ter pedido
a melhor maneira de se ele queria o lugar. Nós
celebrar a primeira Harri juntou-se à banda Novo baterista, novo tínhamos feito um split
década na música, não como vocalista entre baixista e novo cantor. com a sua banda Horse
concordas? “Darkness Drips Forth” As dias primeiras Latitudes uns anos atrás
e “Ossuarium Silhouettes posições parecem então eu já o conhecia
Obrigado! Sim, não é Unhallowed” e ele estar amaldiçoadas mas não assi tão bem.
definitivamente a pior contribuiu com algumas nos Hooded Menace!
forma de começar uma letras para o novo ábum. Como é que surgiram Daquilo que sabemos, tu
nova década da banda. Os membros mais novos, os novos músicos? Foste escrever toda a música,
Antti (baixo) e Otso tu que goste ter com fazes as demos e depois
Tiveste que lidar com (bateria), não se juntaram eles ou foram eles que apresentas ao resto
28
da banda. Nunca aconteceu um álbum dinâmico como era responsável pelo trabalho.
surgir uma ideia que ativesse também não se repetiram. Logo estava a falar com o
aparecido por parte dos outros Ainda é doom, ainda é pesado Adam Burke acerca das linhas
membros que tenha acabado por vezes arrastado mas ainda de orientação para o artwork
por ser usada? Alguém que soa... fresco. Faz sentido? do novo álbum dos Hooded
tenha dito “hey, tenho uma Menace. Demos-lhe algumas
ideia fixe”? Sim, eu penso que entendo o que ideias e ele pegou a partir daí,
estás a dizer. Gostaria de pensar construiu em cima disso e fez
Eu estou aberto a ouvir qualquer que a nossa abordagem no death/ um trabalho sem falhas.
ideias que eles tenham mas doom tem diversas tonalidades
ninguém apresentou algum mas nunca é aquele romântico Uma das vossas inspirações
riff ou melodias até agora. azeiteiro ou pesado apenas por líricas é o cinema de terror.
Tens que te lembrar que os ser pesado. Boa composição Além dos óbvios filmes da saga
outros membros já têm os seus significa mais para nós do que “Blind Dead” que focaram no
escapes criativos nas outras o tamanho dos amplificadores. passado, foram inspirados
bandas em que eles tocam. Existem elementos no death/ por outros? Neste álbum
Mas como eu disse, eu não sou doom que eu acho um pouco tiveram alguma inspiração em
definitivamente contra a ideia. E embaraçosos e pretensiosos e eu particular.
daí, eu não penso que as coisas gostaria de pensar que passámos
deveriam necessariamente por cima de tudo disso na nossa Sim tivemos mas a partir do
mudar desde que eu seja capaz música. O que sobra é aquilo que momento em que as letras no
de aparecer com a música que algumas pessoas consideram novo álbum assim como aquelas
vai de encontro aos nossos refinado ou “fresco” como tu no “Darkness Drips Forth” não
parâmetros de qualidade e disseste. são baseadas em filmes mas
isso é provavelmente como o sim inspiradas por eles – uma
pessoal se sente em relação a grande diferença – decidimos
apresentar ideias musicais da "Gostaria de pensar não revelar os filmes por trás de
algumas das canções. As letras
parte deles. Talvez um dia...
seria interessante. que a nossa abordagem são abertas a interpretações
e não queremos arruinar isso
O doom metal ou death/doom
metal não é o género mais
no death/doom tem por apontar alguns filmes. Um
filme, ou qualquer que seja a
fácil de vender. Disposição diversas tonalidades fonte de inspiração, é apenas o
soturna, melancólica, lento ponto de partida para dar ignição
e por vezes visto como tendo mas nunca é aquele ao processo, assim por dizer.
poucas ou mesmo nenhumas
dinâmicas de todo. Existem romântico azeiteiro ou As coisas mais recentes são
mais abstractas mais oníricas e
muitos que pensam que o
doom é aborrecido devido a pesado apenas por ser espontâneas mas ainda com as
raízes em tudo o que é soturno e
esse preconceito. O que este
álbum prova como errado, pesado." horripilante.
mostrando muitas dinâmicas Onde é que esperas ir em
de música para música. digressão como apoio ao
Tiveram algum cuidado Outra coisa que me álbum? Adoraríamos receber-
especial a fazer “Ossuarium deslumbrou foi a capa. Grande vos novamente em Portugal.
Silhouettes Unhallowed” o pintura que nos obriga a Vamos tocar o “Fulfill The
mais diverso possível? procurar o disco em vinil Curse” como comemoração do
porque é uma daquelas coisas décimo aniversário no Roadburn
Não diria que tenha forçado que faz com que olhemos para (Holanda) e no Kill-Town Death
propriamente a composição ela em maravilha. Se estou Fest (Dinamarca). No final de
numa direcção específica correcto, trabalhaste com o Abril vamos deslocar-nos para
mas eu saberia que ficaria Adam Burke. Podes dizer- Glasgow para tocar no North
feliz se houvesse mais groove nos como foi que chegaste Of The Wall Festival e há ainda
compassado e um pouco mais a ele e se tinhas uma ideia mais mas que não posso falar
de feeling intenso no novo do que querias ou se lhe para já. A digressão europeia
material. Sei que isto poderá ser deste liberdade total para o poderá acontecer no Verão mas
bastante aborrecido de ouvir em resultado final?
resposta à tua pergunta mas as não há nada sólido conforme
músicas realmente saíram da O trabalho da capa de estamos agora a falar. Tocar
forma que saíram naturalmente. “Horizonless” dos Loss em Portugal seria excelente,
chamou-me à atenção e eu definitivamente.
O que eu admiro mais não perguntei à banda quem é que
é só a forma como fizeram
29
30
Os Oceans Of Slumber foram uma grande surpresa, apesar de
“Banished Heart” ser o terceiro álbum da banda norte-americana.
Trazendo uma nova alma ao metal progressivo mais extremo e com
um sentido emocional sem comparação. O resultado fantástico
obrigou a que os procurássemos para sabermos mais sobre este
oceano infindável de emoções. Fomos recebidos por Dobber Beverly
(bateria e pianos) e Cammie Gilbert (vocalist)
Fernando Ferreira
Fotos por Daniel Calvin

31
Normalmente o terceiro
álbum é sempre visto como
aquele que estabelece o tom
da carreira de uma banda.
Tiveram algum tipo de
pressão quando começaram
a trabalhar no “The Banished
Heart”?

Dobber - Na verdade não.


Tivemos tanto a dizer e uma
necessidade de criar este disco
que surgiu muito facilmente.
A criação do mesmo isto é. A
finalização e a ornamentação
do mesmo veio com um preço
definitivamente. Foi difícil
afastar-nos dele e dizer que já
chegava. Como numa discussão
que não consegues evitar de
falar ou afastar-te da mesma.

O vosso som é hipnótico e, devo


dizer, muito inteligente. Não
só têm um feeling progressivo
como também dão muito mais
profundidade, principalmente
através da abordagem vocal
da Cammie e o contraste
pelos guturais do Sean.
Sentem que têm algo único
para mostrar à comunicade
metal e até mesmo para além
dela, sentem que o vosso som
poderá apelar ao público for a
do género metal?

Dobber - Até um certo ponto, familiar mas ainda assim nova. tentamos) interiormente. É
sentimos que há um cruzar de Combinando o poder e o amor pessoal? A música, o conceito
capacidades com a nossa música. por Katatonia, Anathema e My e as letras?
É cinemática e a voz da Cammie Dying Bride antigos com música
faz com que se infiltre de forma extrema moderna e pelo nosso Dobber - Muito pessoal. Vem
sedutora, definitivamente. Antes amor pelo velho jazz, blues e de um lugar que normalmente
que te apercebas, temos pessoas R&B. É apenas uma combinação está Escondido, definitivamente.
que não gostam de metal a de influências e das nossas Tão poderoso que não tem
ouvir a música muito pesada por interpretações depois de tudo. hipótese senão ser canalizado
causa de um único cantar de Um lugar divertido para nós através disto. Nada pára a sua
sereia. A encalhar com os seus estarmos e para criarmos a partir concepção de todo. Quando
barcos nas rochas. Sentimos dele. fomos abordados pela editora
realmente que temos algo de para um novo álbum foi um
único para oferecer. Música do “The Banished Heart”, como doce alívio. Estar debruçados
coração de um lugar muito real, álbum, lida com sentimentos, na história ou conto e depois
embrulhado de uma maneira a maior parte deles aqueles sermos chamados para contá-
com os quais lidamos (ou la. É, de qualquer forma muito
32
“Antes que te apercebas, temos
pessoas que não gostam de metal
a ouvir a música muito pesada por
causa de um único cantar de sereia.”
íntimo. Nu. emocionalmente?

A arte imita a vida e a vida imta Dobber – Pessoalmente


arte. Pensas que sem todos os vivo neste espaço mental
problemas que enfrentaram constantemente. Então é se não sabes se as pessoas vão
no passado, este álbum soaria fácil manter-nos criativos aqui. gostar. Podes abrir-te e mostrar
tão bem? Lembro-me sempre Maior parte das coisas que algo a alguém como és soturno,
do Dan Swäno dizer, quando fizemos neste álbum foi feito sentires-te logo desenquadrado
tinha os Pan.Thy.Monium e musicalmente de um lugar muito e corres o risco de afungentá-
acabou com a banda, que semelhante. O nosso primeiro los. (risos) Para mim a alternativa
teve de o fazer porque álbum era mais netro com as é a música violenta e agressiva.
simplesmente não se sentia trevas mas foi apenas porque A razão pela qual eu posso
deprimido ao ponto de fazer a estavamos a começar a conhecer- saltar dos Insect Warfare para os
música que o projecto exigia. nos mutuamente em termos Oceans Of Slumber. Nos últimos
Sentes que algum dia terão musicais. Não poderás lidar o vinte anos não tenho sentido a
de fazer algo menos exigente caminho desta ou daquela forma necessidade deixar isso. A vida
33
“Foi um momento verdadeiramente surreal ter
alguém (Tom Englund) que eu admirava tanto e cuja
voz eu reverencio, cantar uma canção que eu tenha
escrito.”

é uma viagem séria e não temos É a minha natureza e a minha produtor, como foi?
tempo suficiente nesta terra para catarse. Em termos de som, “The
brincadeiras e ser apenas um Banished Heart” é esmagador, Dobber - Sendo este disco tão
coração tonto e mesmo assim mesmo poderoso. pessoal, especialmente para a
ainda conseguir atingir ou criar Cammie e para mim próprio,
as coisas que quero ou preciso. Podes dizer-nos mais acerca quis supervisionar todo o
A minha visão pessoal, claro. E do processo de produção. Sei processo no estúdio. Precisava
vejo as trevas a serem expulses. que ficaste com a cadeira do de ter as mãos em tudo. O
34
pessoal e eu escrevemos a a sequenciação ao vivo disso surreal ter alguém que eu
música e eu vou montando mudou o nosso mundo todo. admirava tanto e cuja voz eu
conforme avançamos. Escolher Sentimos como se estivessemos reverencio, cantar uma canção
o que temos e a direcção que no meio de tudo. Fantástico e eu que eu tenha escrito. Para mim
quero ir. No passado usámos um recomendo-o verdadeiramente. “No Color, No Light” é uma das
engenheiro de som fantástico Fizemos demos de pré-produção. músicas mais tristes do álbum.
e também meu amigo Russ Sequenciámos as guitarras com Surgiu de um lugar muito
Russel para misturar os álbuns Positive Grid e depois voltámos vulnerável e realmente sabíamos
mas desta vez eu precisava de a amplificar no estúdio. Apesar que só poderíamos confiar numa
tempo. Tempo para me sentar de guardarmos algumas coisas pessoa para nos ajudar com o
com ele e fazer com que as do Positive Grid no disco para impacto da sua mensagem e para
cenas resultassem. A bateria reforço. Excelente programa. manter a sua integridade em
acústica foi sequenciada numa O baixo teve o tratamento termos de alma. A voz do Tom
sala excelente. Usámos Neve complete também. Da tom adicionou uma profundidade
e API (N.E. pré-amplificadores natural do Keegan para os tons que a minha sozinha não
de microfones para bateria) de refrão distorcidos à la Type conseguiria atingir. Deu à canção
em tudo! Com ecos naturais O’Negative e Acid Bath que um poder tal que não poderia
por todo o disco. Voltámos a se pode ouvir durante todo o ficar mais agradecida pela forma
aplificar a bateria, teclados e disco. Vocalizações através de como resultou.
cordas através de um eco Big um diafragma largo Charter Oak
Sky e foi tudo alimentado para para a Cammie e SM7 para as Parece-nos que o vosso som
uma sala através de uma série de cenas de coros e vocalizações é bem mais aceite aqui na
microfones mono e stereo. Com masculinas. A cammie através Europa do que no vosso
pouco ou quase sem plugins de Neve 1073 para um LA2A próprio país. É correcto?
de eco. Tem um som específico e Distressor para suavizar tudo
e todos hoje em dia andam no final. Muitos parabens aos Dobber – Definitivamente temos
pelos Valhalla/Echoboy/Altiverb. ouvidos brilhantes de Craig tido essa sensação até agora.
Usámos também Copperphones Douglas (engenheiro de mistura)
Realmente sentimos que os
port udo lado (microfones retro e co-engenheiro Chris Kritikos!
E.U.A. vão andar atrás de nós
que dão uma cor e distorção com este disco. O que seria
a tudo – ouçam à voz de Cammie, tens um dueto com fantástico! Mas na maior parte
Cammie no tema título para se Tom Englund dos Evergrey na das vezes, as coisas mais épicas
aperceberem da cor deles). Assim bonita “No Color, No Light”. e melódicas servem na Europa
que conseguimos adicionar todo Como é que surgiu? A sua voz como uma luva e adoramo-la.
o peso, sente-se como algo muito soa perfeita e eleva o poder
diferente de tudo aquilo que já da música a um outro nível. Sendo dos E.U.A., calculo que
tínhamos feito. Usei bastante as venham à Europa quando
coisas da Spitfire Audio no disco Cammie – Concordo têm ofertas sólidas para uma
para as cordas e orquestrações. completamente. Foi um digressão. Têm algo planeado?
Voltar a amplificar e a fazer momento verdadeiramente Seria exvcelente ter-vos na
Europa.

Dobber – Vamos andar pela


Europa com os Epica e Myrkur
mas é apenas no Reino Unido e
Irlanda e um festival em Tilburg.
Para além disso não temos planos
europeus por agora. Talvez isso
mude e adoraríamos festivar
Portugal e ver as suas fantásticas
costas e arquitectura. E, claro,
tocar alguns concertos…

35
Foto por Franz Schepers
36
Para muitos fãs, a realização de um sonho que julgavam ser
impossível. A reunião dos Helloween com Kai Hansen (Membro
fundador da banda e primeiro vocalista) e Michael Kiske (associado
ao que é considerado a fase mais clássica da banda, do "Keeper Of
The Seven Keys", dividido em duas partes/dois álbuns. O sonho é
real, conforme vamos mostrar nas próximas páginas.
por Miguel Correia e Fernando Ferreira

37
Tudo começou na década 1970. numa sonoridade diferente em “7 Sinners”, (2010), “Straight
Kai Hansen e Piet Sielck (Iron relação ao passado. Kiske segue Out Of Hell, (2013) 3 “My God-
Savior) formaram os Gentry o o curso de uma carreira a solo Given Right”, (2915), foram os
que seria o embrião para aquilo após uma saída nada pacifica e lançamentos seguintes e os fãs,
que seria anos mais tarde os Ingo, por motivos de saúde, saiu esses, sempre fiéis, enchiam
Helloween. Mais tarde, 1980, no meio da tour de “Chameleon” os espaços por onde a banda
Markus Grossokopf (baixo) e e mais tarde a noticia de sua passava, em sucessivas digressões,
Ingo Schwichtenberg (bateria), morte, por suicídio, viria a mas no pensamento de todos
juntaram-se ao grupo, então, marcar fortemente os seus estava e sempre estiveram
sobre a sigla de Second Hell, antigos colegas. presentes os primeiros anos, a
nome este que duraria apenas época dos “Keeper”! Os rumores
dois meses, dando o lugar a 1993, viu chegar Andi Deris de uma possível reunião iam-se
Iron First. Michael Weikath, (ex-Pink Cream 69) e em 1994 sucedendo, desmentidos de um
entrou para o lugar de Piet, que Uli Kusch, (ex-Gamma Ray). lado, sem comentários do outro,
decidiu dedicar-se a produções Começou aqui quele que seria o mas o certo é que os média iam
e engenharia de som e surgem período mais estável da história deitando para a fogueira muita
os Helloween, corria o ano da banda alemã e “The Time lenha nesse sentido, até que a
de 1984. “Oernst of Life” e Of The Oath”, foi a estreia de mesma ateou e, finalmente, em
“Metal Invaders” seriam os nova formação, que ansiava Novembro de 2016, é anunciado
primeiros lançamentos incluídos desde então por estabilidade. ao mundo que os ex-membros-
na colectânea “Death Metal” O álbum foi dedicado a Ingo membros Kai Hansen e Michael
e foi o abrir de caminho para e a tour que viria a seguir deu Kiske se iriam juntar novamente
o EP “Helloween”, em 1985. origem a “High Live”, em 1996, ao grupo e a interrogação surge
As mudanças não paravam e segundo álbum ao vivo gravado no pensamento de todos, então
após o lançamento de “Walls em Espanha e Itália. “Keeper Of e Deris, que tanto deu de si
Of Jericho”, Kai Hansen decide The Seven Keys – The legacy” ao grupo de forma brilhante?
deixar a viz e concentra-se nas vê a luz do dia em 2004 e Como tudo iria acontecer?
seis cordas e surge o jovem embalados pela gigantesca tour
Michael Kiske, então com 18 e pela vontade de compor, os O posterior anúncio da
anos de idade. Helloween lançam logo no ano “Pumpkins United World Tour”
seguinte “Gambling With The logo dissipou todas as dúvidas,
Com essa formação os Devil” e saem novamente numa Kai, Deris e Michael iriam
Helloween lançaram-se ao tour mundial acompanhados partilhar o palco num formato
sucesso e “Keeper Of The Seven pela primeira vez pelos Gamma único e que muito prometia.
Keys Part I” e Kepper Of The Ray, banda de Kai Hansen. Daí em diante a euforia tomou
Seven Keys Part II” tornaram a conta de todos aqueles que
perspectiva de o sonho poder Estavam criadas as fundações durante anos a fim seguiam e
ser uma realidade. Por todo o para a tão ansiada estabilidade. acompanhavam todos os passos,
mundo o nome Helloween viu Deris estava integradíssimo e e como disse anteriormente,
o seu reconhecimento de uma assim Michael Weikath e os seus sempre fiéis, os fãs da “abóbora”
banda de sucesso e que começou restantes pares sentiam nisso e naturalmente todos os fãs
a arrastar um sem número de a força para uma inspiração de metal sem exceção, teriam
fãs... o futuro estava ali! inesgotável, que serviria para a motivos ver algo único.
realização de outros lançamentos
Foi o começou de uma caminhada discográficos marcantes, caso Sinal de que tudo estava a rolar
que viu alguns percalços ao nível de “Unarmed – Best Of 25Th e que as turbulências passadas
da estabilidade da formação. Anniversary”, que foi com toda estavam arrumadas, em outubro
Depois tempos de afirmação a certeza o registo mais arrojado de 2017 é lançado em formato
e com o lançamento de do de sempre. Comemorando os 25 digital, aquela que seria a
primeiro registo ao vivo, “Live In anos de carreira, os Helloween forma escolhida de celebrar a
The UK” e em 1989 Kai Hansen lançavam uma seleção de dez reunião dos Helloween, o EP
deixa a banda. Roland Grapow temas regravados acusticamente “Pumpkins United” encantava
(ex- Rampage) é o senhor que acompanhado de uma edição e fazia recordar os primórdios.
se segue, mas, havia muito mais limitada onde surge um novo A World Of Metal, “juntou-
para acontecer. “Pink Bubbles videoclip de “Dr. Stein” e até aos se” ao grupo e não quis deixar
Go Ape” (1991) é o primeiro dias de hoje a faixa de qualidade passar ao lado esta marca
trabalho sem Hansen e o seu dos seus trabalhos esteve sempre importante da história do heavy
sucessor “Chameleon” surge presente em tudo o que faziam. metal, aproveitando também a
38 Foto por Martin Häusler
Foto por Franz Schepers

gentileza e disponibilidade de passos para este Helloween Não houve nada de difícil,
Michael Weikath tentou numa United? finalmente, tudo surgiu tão
oportuna entrevista saber todos naturalmente. Tivemos que
os pormenores possíveis desta Bem, como disse, estava nos conhecer um pouco
reunião.
longe e foi algo que foi mais nesta configuração de
começando a ganhar forma tantas pessoas, mas foi bom
Olá e bem-vindo à World Of
recentemente, apesar do Kai é uma atmosfera até muito
Metal. Provavelmente esta é
Hansen estar sempre a falar tranquila.
a pergunta mais ouvida no
sobre nessa possibilidade e
ano passado pela imprensa e
vontade, ele queria muito. Sabemos que vocês iniciaram
fãs, mas não podemos evitá-
Acho que foi ele o grande toda esta fase "Helloween
lo ... Algum vez te passou pela
responsável pelos primeiros United" sem saber como
cabeça voltar a partilhar o
passos. Em 2013 reencontrei seria, mas os shows estão
mesmo palco com Kai Hansen
o Michael Kiske no backstage esgotados e até conseguiram
e Michael Kiske?
de um show, finalmente escrever uma nova música
conversamos e arrumamos juntos, podemos supor que
Olá, obrigado pela
todas as nossas diferenças e tudo tem funcionado muito
entrevista... não, nunca tinha
claro essa hipótese também bem. Como tem sido esta tour
pensado nisso antes, estava
começou a ser falada. No final até ao momento?
longe – era mesmo algo que...
de tudo, defina a pedra final
não imaginava poder voltar a
aqui estamos! Até agora, foram além da
acontecer!
crença e todos eles fantásticos.
O que foi mais fácil ou difícil Nem nos nossos sonhos mais
Como foi que tudo aconteceu?
em todo o processo? selvagens, pensávamos que
De onde vieram os primeiros
seria assim. Uma viagem

"Acho que foi ele (Kai Hansen) o grande responsável pelos


primeiros passos." 39
“Acima de tudo estamos muito felizes por termos pelo que
já podemos fazer e também pelos fãs que tanto nos queriam
ver neste ponto.”

maravilhosa até agora e estamos felizes que o Pumpkin pergunta.


obrigado, graças a todos os United Tour esteja a funcionar
nossos fãs tão bem e estaremos a tocar Os concertos dos Helloween
juntos pelo menos até o final são todos eles incríveis, de
Sobre a música, "Pumpkins deste ano. Tocando em locais maneira a que qualquer
United", como foi voltar a imensos, tendo milhares de fan de heavy goste sempre
compor novamente com Kai fans por onde passamos, acho do que está a ver e ouvir.
e Michael? E toda a banda se que posso orgulhosamente É impossível não! Sinto
envolveu? dizer que ainda estamos a que isso não mudou com
correr na liga superior! Kai e Michael. Quais são as
Sim, a banda trabalhou de principais mudanças que os
corpo e alma nisso. Foi um Disseste em outras entrevistas fans, que ainda não viram
processo de escrita normal, que esta não é uma reunião, Helloween United, podem
todos tinham sua opinião e que é uma união e essa é a esperar? Será que eles podem
contribuições. sensação que temos quando ver todos vocês 7 no palco o
vos ouvimos. Não é uma banda tempo todo ou há alguma
Sentes que a banda está onde que tenta viver seu passado, espécie de rotatividade?
devia estar? mas uma banda em paz com
o passado e que a paz traz Sim, estamos todos no palco.
Essa é uma pergunta difícil! material novo, material que Andi e Michael partilham o
Acima de tudo estamos muito é inegavelmente Helloween. microfone, temos duetos,
felizes por termos pelo que Concordas e sentes também Michael canta as músicas
já podemos fazer e também isso? de Andi e vice-versa. Kai
pelos fãs que tanto nos está assumindo a liderança
queriam ver neste ponto. Sim, Um simples sim para a tua numa determinada fase. Há
40
Foto por Tom Lichtenwalter
algumas "duelos" de guitarra, Esta tour dá-nos, a nós fãs, ativa e achas também que a
muita guitarra. É divertido e a oportunidade de uma geração mais nova poderá
emocionante. vida, para ver o que nunca apanhar este legado?
pensamos ser possível. Achas
Quanto às músicas, vocês que vamos ter um álbum Tu sabes quando vais deixar de
tocam algumas músicas novas inteiro da Helloween United? trabalhar? Nós também não!
com Kai e Michael? Eu adoraria Isso é algo para continuar? Eu não acho que qualquer
ouvir uma música como banda possa pegar o legado
"Midnight Sun" tocada por O tempo o dirá, nada há de outra banda. Todo mundo
todos os sete magníficos ... planos. Temos de terminar tem seu próprio estilo e tem
a tour primeiro e será até o que encontrar o caminho para
Nós tocamos músicas antigas, final deste ano. Não teremos ficar no topo e ser recebido e
clássicas, novas. É muito difícil tempo para mais nada. Tudo recordado pelos fãs.
organizar a lista definida, pois o que nos importa é realizar
temos tantas músicas para excelentes shows para que os Muito obrigado por esta
escolher. Podemos mudar a fans gostem... entrevista e espero vê-lo em
lista estabelecida este ano e Portugal em breve!
ter que mudar para festivais Cada vez mais vamos
de qualquer maneira, pois vendo os nossos ídolos Obrigado pela vossa atenção
será mais curto, mas não desaparecerem de repente, para com os Helloween e
tenho a certeza se Midnight a pararem de tocar, o que espero que Portugal esteja na
Sun será uma das músicas. nos deixa a sensação de que nossa lista de concertos. Seria
Vamos voltar à sala de ensaios a vida é muito curta para ótimo tocar num país tão
antes de sair novamente e a desperdiçar. Por quanto maravilhoso. Obrigado por
veremos o que surge. tempo achas que uma banda todo o vosso apoio! Obrigado!
como os Helloween estará
41
Garage World
Esta nova rúbrica visa em divulgar bandas que lutam no nosso underground e que estão a lançar os seus primeiros
trabalhos. este mÊs Temos os far from perfection.
Por Miguel Correia

Somos uns privilegiados e temos tido a honra de todos com ideias. Uma coisa que ficou definida
divulgar aqui bandas lusas e honestamente todas elas logo no inicio, foi quando Mary entrou na banda
de enorme qualidade. Nesta edição a WOM encontra dizendo que não iria ser a típica vocalista feminina
Nuno Ramalho, português radicado no Reino Unido, de metal sinfónico/ gótico. “
“Para já só de ferias! A minha vida é por aqui no
Reino Unido mas nunca se sabe o dia de amanhã! “Borderline” é a primeira de doze faixas que marca o
Gostaria de um dia poder voltar a tocar aí! Já inicio do arremesso sonoro a que banda nos sujeita.
ouve um contacto para um concerto, mas o ideal Um desfile fantástico de riffs marcado pela voz
seria fazer uma mini tournée para compensar a brilhante e elástica de Mary. O som da banda é feito
deslocação a Portugal.” e que nos apresenta os Fall de “Muitas e diversas” influências “Eu ouço vários
From Perfection, “Os Fall From Perfection são géneros musicais, mas o metal é a minha maior
formados por mim, Nuno Ramalho, na bateria, o influencia! Eu, o Tim e o Les somos os que ouvem a
Tim na guitarra, a Mary na voz e o Les no baixo. vertente mais pesada do metal desde bandas como
O projecto surgiu depois da formação anterior Napalm Death, Carcass, Cannibal Corpse até aos
com diferente baixista e nome ter terminado.” tradicionais Judas Priest ou Iron Maiden. Mary
ouve bandas tipo Volbeat, Rammstein, Disturbed,
Com eles é nos dado a ouvir, ”Metamorph”, primeiro Limp Bizkit entre outras.” E que liricamente “As
trabalho oficial da banda “É algo difícil definir, letras têm muito de pessoal, sendo Mary a principal
principalmente visto de dentro mas penso que letrista. Têm a ver com a tentativa de entender o
é uma mistura de groove metal com melodic nosso lugar no mundo e tentar entender nossos
metal. Nós não temos uma fórmula especifica. relacionamentos com os outros. Muitas vezes, há
Nós tentamos fazer a nossa cena, ter o nosso som! uma referência aos problemas de saúde mental
Geralmente o Tim escreve uma carrada de riffs e a esperança de uma mudança que melhorará
e depois a Mary consoante a ideia que tem em as coisas, daí "Metamorph". Problemas mentais,
mente para a letra/ musica, edita os riffs e depois supressão e fuga estão no cerne da escrita e o próximo
trabalhamos á volta dessa ideia contribuindo álbum trará mais do mesmo, já que Mary ainda não
42
se resolveu com a vida sendo o seu mantra… “Não
assuma nada - questione tudo!“
A estreia não podia ser melhor, “Metamorph” tem
obtido excelentes reações “Até ver tem sido muito
boas tanto a nível da critica escrita como em
atuações ao vivo.“ Ao ouvir este fantástico registo,
sinto-me perante algo bem pensado, bem elaborado
e com uma produção muito acima da média...”A
gravação em geral correu bem. Gravámos num
bom estúdio e com pessoal que sabia o que estava a
fazer. O desafio foi durante a mistura. Dedicamos
bastante tempo para ter a certeza que todos nós
estávamos satisfeitos com o produto final! E
estamos!”
Desta feita estou perante algo em que tenho alguma
Como qualquer banda que se preze, o futuro está dificuldade em destacar um momento deste álbum
ai ao virar da esquina e projetos não faltam, “Para porque sinto nele muita entrega e empenho num
já, continuar a divulgar o álbum, tocar ao vivo conjunto muito sólido de musicas e até Nuno
e a compor novo material.” Prometendo um 2018 Ramalho afirma: “Eu diria que foi o álbum em si
cheio de sonhos e ambições “Será um ano em que que nos marcou em vez de uma faixa ou faixas. Foi
continuaremos a crescer como banda. Será um ano o culminar de um processo que começou quando o
em o Les pode dar o seu total contributo para o novo Les se juntou á banda até ao produto final.”
material, algo que não aconteceu muito no ultimo
álbum porque quando Les entrou para a banda,
metade do álbum já estava escrito.”
43
44
Guia
Musical

45
Não deixa de ser impres- Exemplo da riqueza do nosso
sionante a forma como o Moita underground, os Dark Oath
Metal Fest tem vindo a crescer tocam um death metal melódico
de ano para ano. Apesar da a pender para sinfónico e para
o épico, não se deixando limitar
oferta em termos de concertos
propriamente por fronteiras
e festivais crescer todos os
estilísticas. Liderados pela voz
anos, o Moita Metal Fest acabou potente de Sara Leitão e com
por conseguir encontrar o seu um bom álbum de estreia, "When
espaço fora do período mais Fire Engulfs The Earth" a servir de
concorrido para as maratonas apoio, é esperado um início em
e romarias aos mais diversos grande para mais uma edição do
pontos do país. Não será alheio Moita Metal Fest.
os K2O3) e apresentam uma
a esse crescimento o facto dos
cartazes apresentarem o melhor Sacred Sin nova vitalidade que é muito
bem vinda. Com dois álbuns
do que é feito cá em Portugal
editados e a cantar em
e sempre com grandes nomes
português, o que se espera é
internacionais a reforçar o
simplesmente boa diversão,
impacto dos cartazes. A edição
bom humor e rock. Razões mais
de 2018 não foi excepção, com
que suficientes para tornar a
um dos cartazes mais ricos
sua actuação imperdível.
e interessantes de sempre,
ecléctico e capaz de agradar Filii Nigrantium
a todos os que gostam de
rock, punk, hardcore e, claro, Infernalium
metal nas suas mais variadas
vertentes. No segundo ano
a realizar-se para o Largo
do Pavilhão Municipal de Nome clássico e incontornável
Exposições, esta edição será do metal nacional. A banda
certamente uma das melhores. de José Costa regressou aos
É essa a nossa expectativa, álbuns no ano passado com
apoiada nos nomes do cartaz, "Grotesque Destructo Art" (um
os quais vamos passar em dos melhores do ano, de acordo
revista nas próximas páginas. com os nossos tops) e esse
Fica apenas a certeza de que regresso também se verificou
este já é um ponto obrigatório um aumento de intensidade
para qualquer fã de música em cima dos palcos que os
tem levado a percorrer os Para os que gostam de
pesada que se preze.
palcos de todo o país. Energia sonoridades mais negras,
Dia 1: 06/04/18 e death metal clássico é algo definitivamente Filii Nigrantium
Infernaliumé um nome
que pelo qual se antecipa da
sua actuação, que, conforme obrigatório. Não só a banda
Dark Oath têm provado constantemente, liderada por Belathauzer é um
apenas vai ficando melhor de dos nomes clássicos do black
ano para ano. metal português como soube
evoluir ao longo dos anos,
Viralata tornando-se uma proposta
Um dos nomes mais cativantes híbrida de metal tradicional
da cena punk rock lusitana onde o heavy e thrash metal
recente, que pegam nas já fazem parte do seu ADN
influências mais do rock e do assim como um certo humor
punk nacionais e nos projectos desconcertante que tornam as
e bandas anteriores dos seus suas actuações tanto únicas
membros (onde se incluem como obrigatórias.
46
Suicidal Angels thrash/crossover como últimos
álbuns ("Beat The Bastards" e
fugir à norma e ainda assim
não perder o poder que se lhe
"Fuck The System"), espera- espera. Um pensamento que
se muito caos e muito bailarico podemos associar aos Wells
movido ao declamar de Valley, uma das bandas mais
palavras de ordem como "Fuck originais da música extrema.
The U.S.A." que continuam Sonoridade densa e complexa
a fazer sentido mais de três mas com peso abundante, este
décadas após a sua criação. power trio lisboeta é o ideal
para quem gosta de algo mais
Dia 2: 07/04/18 que óbvio. O EP "The Orphic"
é o seu último lançamento e
deverá estar em destaque na
sua actuação.

A primeira banda estrangeira


Low Torque
do primeiro dia vem da Grécia
e são uma das grandes
atracções de um cartaz por si
só bastante forte. Os Suicidal
Angels têm um thrash metal
viciante e capaz de se instalar
sem grandes dificuldades,
sendo que a energia que
deixaram em disco, mesmo Os Toxikull são um dos novos
sendo muita, é incomparável valores do heavy/thrash metal
à devastação que deixam em que vale a pena ter debaixo
cima do palco. Devastação de olho. Com um novo EP
que tem que ser presenciada a ser lançado neste mesmo Os Low Torque são tanto
pelo menos uma vez na vida. mês pelas mãos da Firecum prova de que o rock não está
e da Mosher Records, "The morto (apesar da insistência
The Exploited Nightraiser" junta-se assim a de alguns no assunto) como o
"Black Sheep" na garantia de Moita Metal Fest é escola para
malhas de qualidade e energia cartazes ecléticos. A banda
inesgotáveis, características já está a atravessar um excelente
esperadas do concerto desta momento, com um grande
jovem banda. terceiro álbum editado em
Wells Valley 2017 na forma de "Chapter III:
Songs From The Vault" e com
o seu rock a misturar-se nos
campos do metal (e vice-versa)
e sempre com um espírito de
groove southern inconfundível.

A segunda banda estrangeira


do primeiro dia é também
Dead Meat
um nome incontornável do Apesar de mais de duas
punk/hardcore/crossover décadas de carreira, apenas
internacional. Com dois álbuns o ano passado os Dead Meat
definidores de género no início chegaram ao álbum de estreia.
de carreira ("Punks Not Dead" Toda a potência e peso em
e "Troops Of Tomorrow") e A música extrema é quanto mais de vinte anos fizeram
com duas autênticas bujardas mais rica quanto consegue com que "Preachers Of Gore"
47
será surpresa, mas será sem
dúvida uma boa surpresa.
For The Glory

tenha estado entre o grupo


de lançamentos que mais
se distinguiram em 2017 na Empire são uma excelente
vertente death metal brutal. representação. "Obscurity
Brutalidade que vai garantir Rising" foi o segundo álbum
certamente muita animação da banda e também um dos
em frente ao palco. grandes destaques para o
género durante o ano passado. A cena hardcore nacional (como
Equaleft Em cima do palco já lhe é de muitos outros géneros) está
conhecida a sua energia e bem saudável e é impossível
principalmente a energia que não associar a ela um nome
conseguem contagiar ao como os For The Glory. Não só
público e é precisamente isso têm lançado excelentes álbuns
que se espera no Moita Metal sem falhar na sua qualidade
Fest. como também são garantia
absoluta de diversão nos
Malevolence concertos que dão. Energia
a rodos e um sentimento de
família e pertença a algo maior
que nós, algo que impele à
acção. Hardcore do melhor
que se tem feito nos últimos
anos.
A cena nacional poderá dividir-
se entre os que já viram os Switchtense
Equaleft e os que não viram.
Os primeiros ficam marcados
e fazem com que os segundos
lhes queiram seguir. Apesar
não lançar um álbum há já
algum tempo, isso não reduz Os Malevolence podem ser
o impacto de uma actuação uma banda nova quando
repleta de energia bombástica comparados com a grande
onde o death/thrash é revestido maioria dos nomes neste
de um groove que torna cartaz mas sem dúvida que
impossível manter-se quieto com dois álbuns lançados,
por muito tempo. principalmente "Self Suprema-
cy" do ano passado, a banda
A banda da casa mas que
Terror Empire britânica promete agitação
já conquistou o seu lugar
A cena thrash metal nacional é e intensidade com o seu
com justiça, seja neste ou
de uma riqueza ímpar, mais em metalcore pujante. Capaz de
noutro qualquer cartaz. Os
qualidade do que em número agradar tanto a fãs de death
Switchtense são para o thrash
(comparando com outros metal, como de thrash metal
nacional aquilo que os For
países) e os coimbrenses Terror e, claro, hardcore. Para muitos
48
The Glory são para o hardcore Só quem não nos conhece é que
- uma das bandas mais não sabe que consideramos
batalhadoras e que esbanja os Benighted como uma das
energia em cima de um palco. melhores propostas do grind/
Três álbuns editados e muito death metal bruto vindo de
por onde escolher para meter França. Algo que não nos
o povo a mexer, sendo que o cansamos de dizer e repetir.
mais recente "Flesh & Bones" "Necrobreed" foi um dos
de 2016 deverá ser o destaque. melhores trabalhos de 2017 e é
uma daquelas bujardas épicas
Iberia e memoráveis que promete
que este seja um dos grandes clássico) do death metal
concertos do Moita Metal Fest. polaco que sempre foi muito
Quando a música extrema é bem recebido no nosso país.
absurdamente boa, o resultado Os seus trabalhos de estúdio
só poderá ser um grande provaram que é possível o
espectáculo. death metal evoluir sem trair
as suas raízes e por falar em
Bizarra Locomotiva raízes, deverá estar no foco o
mais recente álbum editado,
a regravação do clássico
"Ultimate Incantation",
rebaptizado como "Dark Age".
Um dos nomes mais clássicos Também não deverão faltar
do hard'n'heavy nacional que incursões pelo excelente "The
provou que nunca é tarde Empire" de 2016.
para voltar e que o que é bom
perdura. Dois álbuns editados
no século passado e dois Mais informaçõcoes
editados no presente são prova
da sua longevidade e evolução
mas é "Much Higher Than A
Hope" que deverá constituir
o centro da sua actuação, o Outra banda que dispensa Passes de 2 dias à venda até
excelente álbum lançado pela apresentações são os Bizarra dia 26 Março.
banda no ano passado e que Locomotiva. A máquina
foi considerado por nós como industrial e fria de guerras Lojas online:
um dos melhores lançamentos interiores que põe a nu as wwwmoitametalfest.com e
de 2017. feridas de uma sociedade tão Unkind.pt.
ou mais fria que ela com a
Benighted sua música abrasiva e ainda Bilhetes fisicos nas lojas
assim contagiante. As suas Clockwork Store e Glamorama
actuações são lendárias, a Rockshop em Lisboa e na
energia do seu frontman, Rui Carbono Amadora.
Sidónio, também. Apesar de
já se saber o que se esperar, Camping Indoor gratuito.
este é um daqueles casos
que depois de provar, não se Bilhetes diários apenas à
consegue parar. venda nos dias do festival.

vader
O expoente máximo (e mais
49
Artworks Insights

Este mês vamos focar um artista em específico, algumas bandas de metal, uma delas, como já
alguém que já falámos no passado aquando das dissemos, Sepultura.
nossas incursões pelos artworks dos Sepultura:
Michael Whelan. Ilustrador de carreira que durante Vamos passar aqui revista algumas das suas
mais de trinta anos trabalhou sobre a temática de capas mais emblemáticas, na nossa perspectiva.
ficção cientifica e fantasia e o seu trabalho está Sem dúvida, teremos que destacar as capas que
espalhado um pouco por toda a parte tanto em fez para os Cirith Ungol, que trazem toda uma
revistas como em livros e cartas de Magic:The mística Conan, o Bárbaro que num vinil ficavam
Gathering. E claro, como não podia deixar de ser, simplesmente arrasadoras. Como não temos
o seu talento serviu para abrilhantar as capas de acesso ao vinil, teremos que nos contentar com

50
as representações nestas duas páginas. Em grande destaque temos o
seu último trabalho, já com alguns anos, "Infected Nations" dos Evile, uma
capa de detalhe fantástico - onde mais uma vez implora para que se arranje
em vinil. Mas falar de Michael Whelan é falar obrigatoriamente das capas
dos Cirith Ungol. Quando falamos da mística do heavy metal, da imagem
de marca da fantasia, guerreiros, espadas e feiticeiros, obviamente que
pensamos em nomes como Manilla Road, Saxon, mas em termos de
imaginário, foram as capas de Whelan que ajudaram a que se criasse
uma mística muito própria. Ao lado temos algumas das sua capas mais
clássicas para a banda norte-americana.

Em termos de impacto e além das já mencionadas capas de Sepultura,


teremos que referir obrigatoriamente uma das mais clássicas de sempre,
a de "Cause Of Death" dos Obituary. Se as capas que fez para os Cirith
Ungol eram representativas do espírito do heavy metal, aquelas que fez
para bandas death metal, sem dúvida que ajudaram a dissiminar o impacto
do género no final da década de oitenta e inícios da de noventa. "Cause Of
Death" é um bom exemplo disso mesmo.

Mais recente, temos uma capa absolutamente fantástica feita para os


Soulfly, no "Dark Ages". Apesar de ser de 2005, uma altura em que o CD
ainda reinava supremo e o vinil ainda não estava tão presente outra vez
nos hábitos dos coleccionadores, este é mais um trabalho que implora
ser visto em formato XL. Infelizmente, também foi uma das últimas
colaborações de Whelan no espectro do metal, em conjunto com a já
mencionada capa de "Infected Nations" na página ao lado. No entanto,
o artista não está propriamente parado e para conferir e acompanhar as
suas últimas novidades, poderão ir ao seu web site - http:// http://www.
michaelwhelan.com

51
Top 20 1961
ROBERT JOHNSON ROY ORBINSON
“King Of The Delta Blues” "Lonely And Blue"
Vanguard Monument Records

A P rimeiro álbum de originais de Roy


pesar de
não sermos
muito adeptos
Orbinson, um dos nomes grandes
de dar relevo do rock'n'roll que cedo se distinguiu
a compilações devindo ao seu característico timbre de
quando falamos
de tops, este
voz e ao carácter complexo e profundo
é sem dúvida das suas músicas. Nesta estreia
um caso muito temos "Only The Lonely" como grande
especial. Robert Johnson é uma autêntica
lenda do blues e este foi o primeiro álbum
destaque, mas todo o álbum é uma
lançado. Tal como era comum na altura, proposta refrescante para o rock'n'roll.
Johnson só tinha editado singles na
década de trinta e este álbum é o primeiro
a compilar todos os singles anteriormente
lançados e ainda traz três temas inéditos.
Foi a reapresentação do mestre do blues a
toda uma nova geração.

BOBBY BLAND THE SHADOWS


"Two Steps From The Blues" "The Shadows"
Duke Columbia Records

P O s The Shadows são um caso único.


r i m e i r o
álbum de
Bobby Bland,
Não só eram a banda de apoio de
a voz do blues Cliff Richard como também lançavam
que expandiu trabalhos em nome próprio sendo este
o género para
outros campos,
álbum auto-intitulado a sua estreia. Não
nomeadamente só atingiu o primeiro lugar nas vendas
o gospel e R como também é um dos trabalhos
& B. Este álbum foi um sucesso quer
em termos comerciais, quer em termos
mais influentes, citados por grandes
de crítica, sendo considerado como uma guitarristas - não esqueçamos que a música era instrumental.
evolução muito bem recebida ao género.
Quer a voz de Bland, quer o instrumental,
este é um dos álbuns clássicos do género.

52
ELVIS PRESLEY JOAN BAEZ
"Something For Everybody" "Vol. 2"
RCA Victor Vanguard

O
r e i
ainda
estava no bum
Osegun-
do ál-
de
seu auge Joan Baez
e "Some- traz-nos
thing For mais uma
Every- vez, tal
body" foi como o
mais um primeiro,
suces- uma das
so de principais
uma carreira que não sofreu com o razões para o impacto do revivalismo folk
tempo em que esteve afastado a cumprir na década de sessenta. Um álbum que
JIMMY REED
serviço militar. Apesar das dúvidas sobreviveu muito bem à passagem do
"At Carnegie Hall"
que haviam, Elvis conseguiu retirar o tempo e que ainda hoje continua a ter uma
Vee-Jay
máximo de proveito quer da sua carreira classe impressionante.
cinematográfica quer da sua carreira
musical. Proveito justificado. E ste álbum é a prova de que na
década de sessenta valia tudo para
lançar um disco. Em vez de termos
um álbum ao vivo como sugere o
ELVIS PRESLEY SUN RA AND HIS ARKESTRA título, o que temos é a gravação dos
“Blue Hawaai” “The Futuristic Sounds Of Sun Ra temas que foram tocados ao vivo na
RCA Victor Savoy Records dita sala. E é duplo mas o segundo LP
era composto por um best of. Parece
E lvis
o
agente de
e
seu
f
S un
sempre
o
Ra

i
parvo, não é? Poderão pensar porque
raio está aqui... bem, a qualidade é
s e m p r e conhecido
Coronel pelo seu
inegável e Jimmy Reed é um dos
P a r k e r s o m mestres do blues que é obrigatório
aperceben- complexo e, conhecer, pelo que poderão começar
do-se que para muitos, por aqui.
as bandas- intragável,
sonoras contudo
tinham mais houve um
sucesso álbum que
que os álbuns normais, focaram-se ainda mais apresentou o seu som mais acessível e que
na carreira cinematográfica do cantor norte- conseguiu conquistar a crítica da altura. Mais
americano, algo que Blue Hawaii reafirmou, de cinquenta anos depois, continua a ter um
conseguindo um sucesso estrondoso e de onde igual impacto, sendo uma boa introdução ao
ficaram imortalizados temas como "Can't Help som deste enigmático projecto.
Falling In Love".

FREDDY KING SAM LARNER


"Freddy King Sings” “Now Is The Time For Fishing”
King Records Folkways Records

P rimeiro
álbum
de Freddy era
a
S
Larner
m

pes-
FREDDY KING
K i n g , “Let's Hide Away And Dance Away ”
cador. Era
guitarrista King Records
também

N
que reunia
o estilo de cantor das ão só este é um dos primeiros
Chicago e tradições álbuns conceptuais, como
do Texas e norte-ame- também uma boa representação
que foi uma ricanas.
influência daquilo que é o verdadeiro folk
Este álbum
p a r a reúne as norte-americano, cheio de mitos
gerações vindouras. Consta que Eric Clapton e tendo muito apoio na tradição
suas paixões. Sendo o primeiro e um
ficou fã do seu estilo após ouvir a "I Love The
Woman" que está neste álbum, voltando a ele
dos poucos trabalhos, não deixa de ser do country. Não sendo o trabalho
para fazer mais versões no futuro. Um nome a impressionante o impacto que as suas mais popular de Cash, sem dúvida
conhecer no blues. músicas tiveram na cena folk revivalista
que ainda hoje em dia continua a fazer
que é um dos mais peculiares.
versões da sua música.

53
GARY U.S. BONDS THE SHADOWS
“I Dance 'Til Quarter To Three With U. S. Bonds” “Dance With The Shadows”
Legrand Records Columbia Records

O
s anos
s e s -
s e n t a ,
O regres-
so dos
The Sha-
principal- dows para
mente o o seu se-
seu início, g u n d o
f o r a m
álbum e
funda-
mentais, uma so-
não só noridade
para a a p a i -
afirmação da comunidade negra norte- xonante.
americana mas também para a divulgação Para nós que somos fãs de música
LIGHTNIN' HOPKINS do seu talento e a forma como iriam instrumental, é interessante vermos aqui
influenciar toda uma geração e também as bases de como tornar uma música,
“Blues In My Bottle” levar os géneros para novas patamares de com base rock (ou seja guitarras, baixo e
Prestige Bluesville excelência. E aqui, um nome praticamente bateria), sem voz, bem interessante. Não

É representativo o facto de desconhecido, que lançou dois álbuns na foram por acaso uma das mais resistentes
salientarmos tantos álbuns blues. década de sessenta e depois só voltaria do género.
duas décadas mais tarde. A fusão perfeita
Mostra que o estilo conseguia entre rock'n'roll e R&B.
sobreviver enquanto o rock'n'roll já
estava a demonstrar sinais de cansaço BO DIDDLEY THE MIRACLES
e ideias - tal como todas as modas. “Bo Diddley Is A Lover” “Hi, We're The Miracles”
"Blues In My Bottle" é um dos grandes Checker Records Tamia Records
álbuns da carreira de Lightnin' Hopkins
que é recomendado para quem quer
aprofundar-se no género.
Vi s t o
como
muitos
O s The
Mira-
c l e s ,
como o apesar
melhor de serem
trabalho um nome
de Bo desco-
D i d d l e y, nhecido
" B o
Diddley Is para a
A Lover" grande
não tem nem um filler. Do início ao maioria
fim, é o melhor de dois mundos. dos fãs da música moderna, foram um dos
De um lado o rock'n'roll, do outro o mais importantes para estabelecer e definir
blues. No meio, grandes temas como aquilo que ficou conhecido como o som da
"Hong Kong Mississippi" e "Not Guilty" Motown, sendo este álbum efectivamente
o primeiro a ser lançado pela Motown
Corporation. Soul, Blues, Rock'n'Roll e
funk. Histórico.

CHET ATKINS JOHNNY HALLIDAY


“Workshop” “Salut Les Copains!”
SAM COOKE RCA Victor Philips
“My Kind Of Blues”
RCA Victor C h e t
Atkins
poderá ser
C onhe-
c i d o

S am Cooke volta a este top com no mundo


conside-
seu nono álbum. A sua toada R rado como a n g l o
um dos saxónico
& B (que quer dizer Rhythm & Blues
músicos como "o
para quem pense que é significado (se não o m a i o r
automático de hip hop) e soul fazem principal) rocker
com que este trabalho seja daqueles que ajudou
a criar o que nunca
que dificilmente sejam esquecidos, chamado ouviram
não interessa quanto tempo é que som de Nashville, ou seja ajudou a redefinir falar",
passa. a música country e retirou-a do beco sem Johnny Halliday foi sem dúvida o maior
saída onde estava enfiada. Guitarrista nome que a França teve no rock'n'roll,
exímio (um dos melhores de sempre)
deitou a abaixo as barreiras do género, sempre a cantar em inglês, tendo como
entrando algumas vezes no domínio da referência Elvis e conseguindo imortalidade
pop e do jazz. Algo que podemos notar em mais de cinquenta anos de carreira. Este
aqui neste álbum, que curiosamente tem álbum é o seu primeiro grande êxito.
muito pouco ou mesmo nada de country.

54
Reviews do mes

AMMUNITION ANGANTYR ARMS AND SLEEP


“Ammunition” “Ulykke” “Find The Right Place”
Frontiers Music Northern Silence Productions Pelagic Records
A antiga voz dos Wig "Angantyr é uma one- Se há algum tipo de
Wam, Age Sten Nilsen man-band norueguesa música electrónica
e Erik Mårtensson cujo mastermind de seu que gostamos,
(Eclipse, W.E.T. e Nordic nome Ynleborgaz iniciou definitivamente o trip
Union) fundaram os há coisa de vinte anos e hop está no topo.
Ammunition em 2014. que tem lançado alguns Logo uma razão para
A estreia "Shanghaied" trabalhos de interesse gostarmos à partida
acrescentando dentro
viu a luz do dia em 2015 da vertente mais épica e dos Arms And Sleep.
e foi uma surpresa primitiva do black metal. No entanto, nem só de
muito positiva. Agora, Como já devem saber, este género não é aquele trip hop vive "Find The
passados três anos a banda dispara rock’n’roll a procurar quando se quer algo novo e fresco Right Place", já que as sonoridades urbanas que
em todas as direções com este trabalho, que - basta olhar para o lettering da banda para ficar aqui despontam têm muito de hip hop, o que faz
considero fantástico. Cada uma das músicas logo ciente do que queremos dizer. No entanto... com que a nossa atenção disperse um pouco
vem com uma grande dose de melodia, o será isso algo mau? Poderemos acusar algumas por vezes em alguns temas. Ainda assim, tem
que torna tudo muito mais acessível logo na bandas de não apresentar nada de novo e isso é aqui boas indicações e boas músicas para quem
primeira audição. Linhas vocais atraentes e visível nalguns géneros, mas no black metal, por gosta deste tipo de sonoridade. Não fossem
ganchos fantásticos levam a uma sonoridade muito que tenhamos tremolo picking com fartura e aqueles detalhes que fazem com que o seu
de hard rock muito bem elaborado. Grandes tenhamos (quase) sempre os mesmos elementos, som se torne algo banal aos nossos ouvidos,
riffs, grandes coros mas acima de tudo uma o ambiente quase nunca se repete e faz com que e teríamos algo que se destasse. Para outros
abordagem muito direta e simples tornam tudo soe sempre bem, como é o caso aqui em "Ulykke". ouvidos, mais habituados a estas andanças
único! Bora lá...não deixem passar! Com quase uma hora, este é um álbum que poderá mais urbanas, não haverão razões para não
tornar-se cansativo para os que não apreciam agradar.
este género de coisa mas para os que realmente
apreciam... grande álbum!

[10/10] Miguel Correia [9/10] Fernando Ferreira [6/10] Fernando Ferreira

ASCENSION AVI ROSENFELD AZZIARD


“Under Ether” “Shushine” “Metempsychose”
W.T.C. Productions Edição de Autor Malpermesita Records
Existem várias for- Mais uma vez o O black metal
mas de black me- israelita não deixa francês não perdeu
tal e normalmente os seus créditos o encanto que nos
somos fãs de todas. por mãos alheias. revelou na década
A dos Ascension é Já aqui fiz reviews a passada, mesmo
bastante dinâmica. vários trabalhos de quando imbuído
Compassado na Avi e mesmo sem ter de uma saudável
maior parte de uma composição ao costela death
tempo, contamos meu gosto musical, metal. É o que os
com explosões ocasionais e com uma não posso deixar de lhe dar o mérito de Azziard nos provaram no final do ano
rispidez constante que ajuda a estabelecer conseguir, lançamento após lançamento, passado com este terceiro álbum. Aquele
o ambiente. Se a banda já tinha chamado a um equilíbrio e solidez em tudo o que faz ambiente desagradável (no bom sentido)
atenção do underground com os seus dois sem se desviar das suas ideias musicais, do black metal hermético, junta-se a uma
álbuns anteriores, definitivamente agora sem comprometer aquilo que são os brutalidade instrumental que nunca chega
darão um passo em frente. Apesar de todos seus ideias, bebidos em Uriah Heep e a ser vulgar, nem deturpar esse ambiente
os elementos que poderiam ser tidos em Deep Purple. “Shushine” é algo mais do tão habilmente. Uma mistura dos dois
conta como sinais de acessibilidade (os que isso, é a demonstração de que este mundos que resulta de forma harmoniosa
bons solos são um exemplo) este trabalho guitarrista multi talentoso merece outra (isto tendo em conta que o que se pretende
evidencia os Ascension tão herméticos atenção. é a falta de harmonia) e com grande
como antes. Um álbum bem denso e ao violência, daquelas que memoráveis. Para
qual temos muito prazer em desbravar. quem só chegou aqui agora... é um bel
sítio de se começar.
[8.6/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Miguel Correia [8.9/10] Fernando Ferreira 55
BELENOS BEORN'S HALL BLACK MOTH
“Best Of Live - 22nd Anniversary” “Estuary” “Anatomical Venus”
Northern Silence Productions Naturmach Productions Candlelight/Spinefarm Records
Ora aqui está uma ideia Somos fãs da música Grande surpresa que
que não se vê todos os dos E.U.A. que foram estes Black
dias, principalmente no parece que vem do Moth. Poderemos
mundo do black metal. outro lado qualquer. deixar aqui alguns
A one-man-band de adjectivos, nomes
Loïc Cellier comemora Não é por termos e estilos para dar
os seus vinte e dois alguma coisa contra uma ideia do que se
anos de carreira a música do país em trata mas garantimos
com uma escolha de questão... apenas que os mesmos não
temas feita pelos fãs e porque achamos servem para ilustrar
tocando as mesmas ao vivo como se estivesse piada numa altura em que todo o lixo que "Anatomical Venus". Se falarmos numa vocalista
num concerto - algo que sinceramente não se anda no mainstream parece ter origem à frente de uma banda que rocka como já não
nota no som geral deste trabalho. É uma forma de lá, continuar a aparecer álbuns como se faz hoje em dia, poderão pensar que se trata
de fazer uma compilação dando-lhe um pouco de algo retro... e não é que seja errado. Também
mais de dedicação que torna sem dúvida num este "Estuary", que são (black) metal as não é certo. Temos a força e irreverência do rock
produto mais interessante quer se fosse uma fuck, apesar de serem melódicos (de uma da década de setenta, o espírito do rock indie
simples decoração quer se fosse captado ao maneira folk pagã) e que nos lembra dos da década de noventa, junta a um certo espírito
vivo onde provavelmente não teria acesso a primórdios dos géneros. Produção crua, fuzz e andamentos stoner que nos apontam
este tipo de qualidade sonora. Recomendado eco com fartura, rispidez na voz e nas noutra direcção completamente díspare. E antes
não só aos fãs como também aos curiosos. É guitarras, sentido épico nas composições que digam que confusão que para aqui vai, só
uma forma de conhecer melhor este projecto já e o resultado é vício. Tão simples como temos a dizer que musicalmente resulta. Tudo
histórico no underground europeu. isto. Quem precisa do mainstream com resulta da melhor forma. Um grande álbum de
rock (fiquemos por este rótulo à falta de melhor
música assim? discernimento).
[8/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira

CABRAKAAN CÂN BARDD CANDLE


“Songs From Anahuac” “When The Spirit Finally Opens” “The Keeper’s Curse”
Edição de Autor Northern Silence Productions Fighter Records
EP de 6 temas oriundo EP de 6 temas oriundo Claro, da Suécia,
do México, onde do México, onde
começamos por receber começamos por receber só podia, mais
uma composição uma composição um produto cheio
muito centradas nas muito centradas nas de qualidade com
vocalizações operáticos vocalizações operáticos
femininos, o que lhe dão femininos, o que lhe dão rumo do bom e
um certo brilho, porque um certo brilho, porque “velho” heavy
a voz é verdadeiramente a voz é verdadeiramente
fantástica, com fantástica, com metal tradicional...
ocasionais presenças corais ou vozes sussurrantes ocasionais presenças corais ou vozes sussurrantes imperdível! Músicas com entusiasmo,
ouguturais masculinas, a classificação indicaria ouguturais masculinas, a classificação indicaria
Folk Death Metal, com muito folk, mas com Folk Death Metal, com muito folk, mas com paixão e claro pedrada na cabeça! Com
guitarras mais Death, uma mistura interessante guitarras mais Death, uma mistura interessante saída prevista para 21 de fevereiro, “The
de influências, que tirando alguns pormenores de de influências, que tirando alguns pormenores de
gosto questionável e que ficará ao ouvido de cada gosto questionável e que ficará ao ouvido de cada Keeper’s Curse” é composto por nove
um avaliar, apresenta boa qualidade de produção, um avaliar, apresenta boa qualidade de produção, temas com uma excelente produção, numa
um desequilíbrio aqui e ali, na minha opinião, mas um desequilíbrio aqui e ali, na minha opinião, mas evolução muito natural, depois do Demo
de resto muito agradável quer pelo trabalho de de resto muito agradável quer pelo trabalho de
vozes, instrumentos estão com opima sonoridade, vozes, instrumentos estão com opima sonoridade, Ep de estreia “Demo 2016”. Não percam
o som da bateria está excelente também, uma o som da bateria está excelente também, uma de vista...old school!
tarola com um som que se ouve pouco, mas que tarola com um som que se ouve pouco, mas que
soa muito bem na minha opinião, com excelentes soa muito bem na minha opinião, com excelentes
pormenores dos vários instrumentos utilizados. pormenores dos vários instrumentos utilizados.

[7.1/10] David Carreto [9.4/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Miguel Correia

CHRIS BAY CIST CORROSIVE


“Chasing The Sun” “The Frozen Casket”
“Lucifer Gave The Faith”
Steamhammer / SPV Camo Pants Records
Black Sunset / MDD Records
Quem não conhece Segundo EP da
Chris Bay? Ok, trata- banda russa Cist As segundas
se do fundador e foi-nos apresentado vindas nem sempre
líder da banda alemã pela editora Camo correspondem às
de nome Freedom Pants, que vai expectativas. Ainda
Call. Agora já vos reeditá-lo (o EP foi por cima quando
diz alguma coisa? lançado em CD no passa muito tempo
“Chasing Sun”... início do ano e agora desde a primeira. Os
que álbum, que em Março é lançado Corrosive voltaram
trabalho extraordinário... não podia ser em cassete) e podemos dizer que é uma em 2012 depois
melhor a estreia solo de Chris. Musicas excelente forma de começar. Temos de terem estado parados quatro anos e
cheias de harmonia, muito directas e death/thrash metal bem old school que lançaram o ano passado o seu segundo
claro com um fantástico desempenho não temos grandes dificuldades em trabalho, mais de treze anos após a estreia.
do vocalista, cheio de inspiração. ficar fãs, pela sua abordagem honesta e Não sendo propriamente um dos grandes
Contudo, não esperem os fãs de Freedom muito bem conseguida. É aquele tipo de nomes do death metal, é fácil não ter
Call que este álbum soe inspirado na proposta que poderá passar despercebido qualquer expectativa para este segundo
mesma sonoridade, possivelmente dos olhares dos aficionados mas que trabalho mas efectivamente se tivessemos
aqui se entende o porquê de algumas não tem como falhar em agradar para e se esperássemos algo extraordinário,
opções sonoras da banda germânica. E quem gosta de metal. Simplesmente isto. provavelmente a desilusão seria iminente.
como isto hoje não está para grandes Sem ser um mau trabalho de death metal,
palavras, vamos lá colocar a “bolacha” simplesmente não consegue sacudir a
no leitor e deliciar-nos com esta estreia! sensação de banalidade, mesmo que por
alguns momentos tenhamos boas ideias.
56 [10/10] Miguel Correia [8/10] Fernando Ferreira
[610] Fernando Ferreira
CRIMSON DEVILS DARK HOUND DEAD OF NIGHT
“A Taste For Blood” “Dawning” “The Evolving Science Of Self”
Edição de Autor Edição de Autor Pride & Joy Music
“A Taste For Blood” é O quarteto do Formados em 2013, os
um álbum muito stoner Tennessee apresenta Dead Of Night é uma
rock, doom e é assim banda metal sinfónica
que podemos definir os aqui um álbum de
heavy metal com oriunda do Reino
Crimson Devils enquanto Unido. Se a aclamada
banda. Uns amam, outros sonoridade sulista e estreia com "The Dead
odeiam! Eu fico ali no com toques de thrash Shall Rise" em 2014,
meio, até porque não metal. “Dawning”
posso dizer que odeio um permitiu à banda o
trabalho de uma banda, dificilmente vai reconhecimento da
mesmo que esta não produza o meu estilo, ou esteja incendiar o mundo critica, ao ouvir este
dentro dos meus padrões de eleição, porque, temos do metal, o estilo e as musicas não têm quarto álbum estou perante um som dentro de
de reconhecer e ter a capacidade de nos abstrair muito de original ou que as eleve além um género já referido a ligação é automática,
disso tudo ao fazermos reviews de forma a podermos do normal. Ainda assim ouvir o segundo não só pela presenta da interessante temática
“avaliar” o que nos é dado a ouvir. Há mérito, há abordada, sobre a relação entre a ciência e a
esforço há entrega aqui em todo o trabalho isso é álbum dos americanos está longe de ser espiritualidade, mas também pela estrutura
inegável e os Crimson Devils são uma banda de alma uma experiencia aborrecida, a produção é musical criada. A genialidade criativa deste
e coração na sua musica... nas suas composições. boa, a banda é competente e temas como disco é algo bem evidente, fugindo aquilo que
Deles já vi os mais rasgados elogios de quem os viu “The Ashes of Your Worth”, “Carnival of são os padrões sinfónicos que para mim se
ao vivo, e como me posso ficar só por aqui, por esta Youth” ou a mais thrasheira“Thrashgasm” tornam por vezes algo cansativos de ouvir.
audição, posso adiantar que num género onde muitas Não consigo destacar um único momento
das vezes a melodia não prolifera, o álbum é algo que destacam-se no álbum e darão
oportunidade para um bom headbang. aqui, porque todos eles são fantásticos e muito
foge as caraterísticas do género...duro, mas rasgado e enérgicos. Que lufada de ar fresco vem os Dead
com momentos rápidos! Sim, sim é para ouvir e voltar
a fazê-lo! Of Night dar ao mundo do metal sinfónico!

[8.5/10] Miguel Correia [6.5/10] Filipe Ferreira [10/10] Miguel Correia


DEATH ON FIRE DEATHMARCH DEEPER DOWN
“Witch Hunter” “Dismember” “The Last Dream Arms”
Edição de Autor Black Lion Records Edição de Autor
Estranho. De uma O primeiro EP dos Nada mais gratificante
forma boa. Mais Deathmarch foi que receber para
ou menos. Ainda editado no final de análise o primeiro
estamos confusos. É 2017 mas se não trabalho da banda,
um trabalho que vai através da própria.
exigir alguma claridade soubessemos mais, É sempre com um
por parte do ouvinte. juraríamos que seria misto de curiosidade,
Por um lado temos do final da década e apesar de ser algo
vocalizações que não de oitenta. Death bastante frequente,
estariam desfasadas do metal cavernoso, continuamos a ter o
tipo de música profícua na década de noventa the brutal style. Algo que poderíamos dizer mesmo entusiasmo. Entusiasmo esse que é
onde o hardcore andava de mãos dadas com que soa datado, mas o datado também reforçado quando temos som mágico como é
um espírito crossover, intercalada com algo pode ser encarado como old school. É o caso. Este EP de estreia apresenta uma banda
mais rasgado e mais... metal. Por outro, temos com uma energia e até, porque não, inocência,
melodia instrumental que aponta numa direcção sempre uma questão de perspectiva. como se tivessemos na década de noventa. O
completamente diferente - embora não aponte A nossa, ao ouvir a sua proposta, não som, mesmo não sendo perfeito, não atrapalha
na direcção do death metal melódico, rótulo que deixamos de gostar embora também na construção destes temas que andam pelo
serve para categorizar este trabalho. Seja como ficamos com a certeza de que se trata de metal gótico e doom, e onde a combinação de
for, é algo que resulta, conseguindo captar-nos algo que resulta bem num EP mas que voz feminina e masculina com o violino e as
a atenção e crescer. pode não ter o mesmo impacto no álbum. guitarras, sem esquecer os arranjos de teclados
Por agora tudo bem. fazem com que queiramos repetir a dose várias
vezes. Uma excelente surpresa e uma grande
promessa para o futuro.

[7/10] Fernando Ferreira [6.5/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira

DELTA DEEP DEMONICAL DESALMADO


“East Coast Live” “Chaos Manifesto” “Save Us From Ourselves”
Frontiers Music Agonia Records Edição de Autor
Ver Phil Collen O disco está A magia da Nuclear Blast
(Def Leppard) definitivamente riscado. é apresentar algo que já
Por esta altura, quem existe para um público
num projecto nos acompanha, já sabe
deste género não mais vasto. Umas vezes
o respeito e profunda ainda bem, outras nem por
me espanta, e admiração que temos isso. No caso dos Bleeding
digo isto porque pelo death metal sueco. E Gods, com o seu segundo
a versatilidade do esta admiração estende- álbum, podemos incluir
se a um tipo de som no primeiro grupo. Com
fantástico guitarrista que vai para além da
é conhecida por o death metal na linha
década de noventa. Vai até para além das próprias da frente sem esquecer as raízes thrash metal e com
demais até nas composições da banda fronteiras do próprio país em questão. Não é o caso alguns arranjos sinfónicos, "Dodekathlon" poderá não
inglesa. Mas não é dos Def Leppard que dos Demonical, banda sueca de death metal bruto surpreender porque na realidade não apresenta nada de
estamos a falar, mas sim dos Delta Deep, mas com aquele som característico e até levemente novo, mas o que sobressai é mesmo a sua consistência
blasfemo. Com cinco anos desde o último trabalho e conceito - um álbum conceptual sobre as doze tarefas
uma sonoridade blues-rock que neste de originais, este quinto álbum não tem grandes
Live nos traz muita magia sonora num de Hércules, com cada faixa a representar um desses
dificuldades em apanhar-nos pelos ouvidos e trabalhos. Uma produção bem poderosa faz com
cruzamento estimulante entre Aretha impôr-se onde a violência vê-se imiscuída de um que deslizemos muito bem por estes temas e a força
Franklin e os Led Zeppelin. Os Delta sentido melódico muito bem caçado. O segredo deste trabalho está precisamente não na forma mas no
Deep, são Phil Collin (guitarra), Debbie desta fórmula poderá parecer simples mas é muito conteúdo. Na forma como temos temas com melodias
mais do que a simples soma das suas partes. memoráveis ("Saviour Of Crete" é um dos grandes
Blackwell-Cook (voz), Robert Deleo Talvez seja da água que corre na Suécia ou talvez
(baixo) e Forreste Robinson (bateria). Uma destaques neste aspecto) que ficam. Por outro lado,
seja algo inexplicável. Algo mágico. Algo que nos à primeira poderemos ficar um pouco impacientes, já
experiência diferente mas muito boa! faz soar clássico, e que nos faz sentir como se que a dita forma poderá parecer pouca dinâmica em
fosse um álbum que já andamos a ouvir há mais de relação ao que já foi feito e em relação ao álbum em si.
quinze anos e ainda soa fresco. Algo que temos a certeza que o tempo poderá mudar e
ajudar a que "Dodekathlon" cresça interiormente.
[9/10] Miguel Correia [9/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira 57
DEVILSPEAK DISEQUILIBRIUM DOGMA
“See Evil Hear Evil Speak Evil” “Fallen Utopia” “Reditum”
Edição de Autor Cursed Records Edição de Autor
Mesmo sem grande A insuspeita Áustria Poderão achar
tradição na música parece estar em altas estranho o facto de
pesada, a África no mundo do Metal.
do Sul consegue No mesmo dia em termos considerado
apresentar-nos que tenho o prazer este como um dos
algumas surpresas de ouvir o mais
recente lançamento álbuns do ano de
de tempos a tempos. 2017 sem fazer a
E desta vez foram dos Irdorath, o
extremamente sólido review primeiro, mas
os DevilSpeak que Denial of Creation,
com uma sonoridade death/thrash metal sai-me na rifa mais um trabalho vindo daquele foi como as coisas fluíram. Poderíamos
trazem-nos três temas que revelam não só país, desta feita da banda de Death Metal considerar que as palavras que tivemos
a capacidade para escrever grandes temas Desiquilibrium. Este é um trabalho muito para com a banda seriam suficientes no
do género como também de contagiar diferente, mas igualmente bom. As razões? São
sem grandes dificuldades, o que acontece várias e de naturezas diversas... Mas aquela entanto queremos mesmo salientar a
facilmente. Um EP muito interessante que que se impõe como estrutural é a forma como qualidade deste álbum de estreia da banda
não só nos deixa muitas promessas para o estes austríacos conseguem estabelecer pontes portuguesa Dogma. A banda está a viver
futuro como já entrega a certeza de que está estilísticas entre diferentes tempos e latitudes.
aqui um dos grandes nomes do país. Só têm Aprofundando, encontramos aqui as inticracías a sua segunda encarnação e encontra-
que continuar assim. de flavour catchy mais ao jeito do Death se num excelente momento de forma.
moderno, mas igualmente aquela crueza in your Temos uma óbvia sensibilidade gótica e
face do Death dos anos 90 que todos gostamos
e respeitamos. Não estranhemos portanto se andamentos doom clássicos. Se a costela
num momento assistimos a uma bujarda nua gótica se remete mais para o rock (os
e crua de influências americanas (a própria voz leads de "Rosa" soam mesmo clássicos
podia muito bem ter vindo de uma qualquer
[9/10] Fernando Ferreira banda dos tempos gloriosos da Florida) ou, nesse sentido), o peso, andamento e a
num outro momento, nos envolvermos numa melancolia são doom metal chapados.
CATAPULT THE DEAD riffage mais profunda no seu sentido melódico Não é no entanto isso que importa. O
á là Gothemburg school. Apesar desta aparente
“A Universal Emptiness” disparidade no que toca a influências, existe que importa mais neste trabalho é a
Doom Stew Records aqui uma coerência que se pauta pelo constante forma como a música (potenciados pela
sentido de pura agressividade, seja ela mais
Sem grande surpresa, contida e reflexiva ou simplesmente libertada dicotomia de vozes onde Isabel (dos
este segundo álbum por todos os poros (ainda que haja aqui espaço Insaniae, um dos maiores valores do
dos Catapult The Dead para introduções de piano e acústicas), que doom nacional que curiosamente nasceu
bateu-nos forte. O mesmo alternando entre momentos de palm
mutings e de tremolo picking (com momentos após o fim da primeira encarnação dos
nosso fraquinho por
doom metal já é bem reminescentes de Black Metal a apimentar a Dogma) contraste de forma fantástica com
coisa sem que este se torne, de jeito algum, Gonçalo, que tem o seu quê de Fernando
conhecido e quando predominante), mid tempo ou blastbeats,
nos é apresentado com nunca deixa de tingir com uma identidade muito Ribeiro) nos consegue agarrar e como as
esta dinâmica, não própria um corpo de músicas extremamente letras em português resultam. Resultam
há como resistir. Quatro longos temas mas violentas e bem executadas, sempre dinâmicas de forma bela e póetica e mesmo que
que conseguem ser bastante diferentes entre e cativantes. A tudo isto ajuda ainda a produção
si e ao mesmo tempo complementarem-se, que, embora bem cheia e potente, não deixa de isso sacrifique em termos de projecção
fazendo com que este álbum se ouça muito ter uma certa sujidade que encaixa que nem internacional - algo que hoje em dia não
bem, sem praticamente darmos conta - o que uma luva neste tipo de composições. Em suma, é significativo e taxativo - e tornam a sua
um bom álbum para apreciadores do velho e
é sempre algo que possa ser mal entendido, do novo Death Metal, do lado de lá ou de cá do música algo única. Sem dúvida um dos
poderá levar a pensar em indiferença, mas não Atlântico. grandes álbuns de 2017.
é de todo o caso. Trata-se de doom metal de
qualidade, próximo do death algumas vezes, e
com a duração ideal (não chega aos quarenta
minutos) para que ouçamos várias vezes sem
nos apercebermos.
[8.5/10] Fernando Ferreira [7.7/10] Jaime Nôro [9.5/10] Fernando Ferreira

DOMGÅRD DON BROCO DUSTIN BEHM


“Ödelagt” “Technology” “The Beyond”
Carnal Records SharpTone Records Rockshots Records
Os Domgård são um dos É inevitável, quando “The Beyond” é o
nomes míticos da cena de estamos a escrever álbum de estreia do
black metal escandinava Don Broco, acabamos americano Dustin Behm.
(especificamente da por acrescentar sempre O guitarrista dos Increate
Suécia), que apesar um "n" quando não lança-se aqui num álbum
de surgir já depois do devemos. Algo que instrumental onde toca
boom da segunda vaga, nos diz algo acerca do todos os instrumentos
tiveram um bom impacto e em que o destaque
na cena sobretudo pela nosso inconsciente. vai todo para a guitarra.
demo "Blodskald" de Antes que pensemos Behm pratica uma
2004. Claro que por outras questões mais infâmias muito nisso, passemos mistura entre metal progressivo e death metal com
também serviram para ganhar notoriedade - antes ao terceiro álbum dos Don Broco que deixa momentos de peso e solos rápidos. A temática
sequer de lançar o quer que seja, a banda viu três bem evidente o porquê do sucesso com de ficção científica com referencias a alienígenas
dos seus quatro membros a serem presos. Vamos anterior álbum de 2015, "Automatic". Com uma acaba por transparecer para a música ajudado
à música. Apesar de chegar muito mais tarde que abordagem pop ao seu rock, é impressionante pelos teclados que dão um tom futurista á musica.
o já citado boom da segunda vaga, este som vai como a banda consegue cativar-nos sem A qualidade técnica de Dustin Behm é bem visível
buscar muito do que foi estabelecido na altura, grandes esforços. Faz-nos lembrar um pouco ao longo do álbum, bem como a sua capacidade
com uma produção bem crua e primitiva. Por outro a música pop da década de oitenta, com a para criar um ambiente e sonoridade interessantes,
lado, encontra uma série de soluções melódicas diferença do uso de guitarras que os torna mas onde “The Beyond” tem a sua maior fraqueza
que acabam por surpreender. A "Kynjagaldr" e o mais atractivos aos nossos ouvidos. Embora é no facto de se tornar repetitivo. Alguns temas
tema título são bons exemplos da forma como o pop seja sinónimo de música descartável, poderão ser facilmente confundidos e não é raro
conseguem manter-se crus, violentos e mesmo temos uma amostra dos tempos em que tal não ao longo do álbum existir pouca diferença entre
assim com melodias épicas. Conquista aos poucos, acontecia. Uma boa surpresa. solos. Ainda assim um bom esforço, um álbum
mas conquista. interessante onde a técnica se destaca.

58 [8.7/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira


EMPIRESFALL ENOID ENOQUIAN
“A Piece To The Blind” “Livssyklus & Dodssyklus” “Llamas De Gloria Primera”
Pure Steel Records GrimmDistribution Satanath Records
Get set, ready! Let’s One-man-band Álbum de estreia dos
thrash...é assim que suiça que foi ao argentinos Enoquian
baú para recuperar que se apresentam
se pode introduzir com um black metal
estes dois trabalhos
os Empirefall, que de "Livssykus" e cru e de sonoridades
mansinho começam "Dodssyklus" que, algo dissonantes. O
como que a preparar ao que tudo indica, equilíbrio dinâmico
estavam guardados entre os momentos
os ouvidos de quem mais compassados
vai digerir “A Piece To The Blind”, com uma na gaveta há mais e os mais uptempos está bem conseguido
de uma década. Black metal cru, primitivo e não há grandes motivos para qualquer fã
intro muito típica do género, depois pé no e ríspido que se revela bem interessante
pedal e vão por ai fora e...que saudades de de black metal não se sentir atraído pelo o
mesmo sem acrescentar absolutamente que se passa aqui. No entanto, e sendo um
ouvir algo do género, fazendo lembrar os nada ao género. No entanto, o ambiente pouco mais minucioso, parece que a mistura
míticos anos 80 e a quantidade de bandas criado (o ambiente, sempre o ambiente) é algo desequilibrada, com as guitarras a
que ali “vi” nascer! Os germânicos, são é fantástico e até o som mecanizado não terem a definição adequada e a voz a
da bateria (que nos parece programada dominar o som todo, enterrando a bateria
bons, sem dúvida. Oito faixas de som mas não temos nenhuma confirmação lá no fundo. Nos tempos actuais onde
puro, cru e directo, duro e rasgado! Assim, disso) encaixa bem. Tendo sido gravados temos muita oferta, damos por nós a ser
vão longe! em momentos diferentes, os dois EPs particularmente exigentes. Nada que impeça
combinam muito bem. É uma boa de sermos surpreendidos no futuro.ficaram.
introdução ao som da banda assim como Não queremos mais que isso.
uma excelente prenda para os fãs.
[10/10] Miguel Correia [8.2/10] Fernando Ferreira [6.5/10] Fernando Ferreira
ERDVE EVIL NERFAL EVOLUCIA
“Vaitojimas” “Bellum Est Pater Omnium” “Hunt”
Season Of Mist GrimmDistribution/Morbid Skull Records Pure Steel Records

Os Erdve são um Apesar de tentador, na “Hunt” é o terceiro


bom exemplo de nossa opinião não se trabalho dos Evolucia.
como a atmosfera deverá usar trechos de Dez faixas com
música clássica como grandes momentos
é fundamental intros e outros álbum. musicais, com
para elevar (ou Não só dá ideia de falta excelentes solos,
não) um trabalho. de ideias, como perde grandes melodias
Independentemente um pouco o sentido, numa sonoridade
de se tratar de black principalmente quando muito sinfónica,
metal, embora, é tão diferente do som onde a voz melodiosa de Llana completa
claro, neste género, a atmosfera seja da banda em questão. Mesmo que se pretenda uma estrutura musical muito interessante
fundamental. Atmosfera é o forte deste usar depois a mesma intro e outro nos concertos. deixando no ar a ideia de que os Evolucia
álbum de estreia dos lituanos Erdve, que E considerando o poder destes colombianos,
nem seria necessário. Ao segundo trabalho, procuram firmemente o seu espaço num
além do toque black metal, também lhe a banda apresenta uma sonoridade forte género onde proliferam grandes nomes e
junta o peso do pós metal, uma mistura (muito bem produzida) e alguns pormenores naturalmente vão surgindo a espaço outras
explosiva que resulta de forma sublime e de melodia nas guitarras que nos fazem olhar bandas com o mesmo objetivo. Os suíço-
faz com que este seja um dos álbuns mais para eles de maneira diferente daquela que servios tem qualidade para chegar longe,
impressionantes deste início de ano. Difícil olharíamos normalmente para uma banda de não obstante de não conhecer os álbuns
de categorizar mas mais ainda difícil de black metal. Bons riffs, bons solos e um bom anteriores, deixo o conselho firme para os
ignorar, "Vaitojimas", arriscamos a dizer, álbum que apesar de alguns pormenores que fans do género que este disco vai certamente
é o expoente máximo da música pesada não existiriam com mais alguma maturidade corresponder aos vossos anseios, são quase
(como citado no início desta missiva) consegue quarenta minutos de pura diversão sonora.
lituana. impressionar pela positiva.
[9/10] Fernando Ferreira [7.8/10] Fernando Ferreira [9/10] Miguel Correia

GARHELENTH GNAW THEIR TONGUES GONE BY SUNDOWN


“About Pessimistic Elements & Rebirth Of Tragedy”
“Genocidal Majesty” “The Endless Path”
Satanath Records Consouling Sounds Edição de Autor
Gostamos de Gnaw Their Tongues “The Endless Path”
apoiar bandas que (que é o mesmo que é o single extraído
têm origem de dizer Maurice Je Jong) do vindouro EP dos
sítios inóspitos em estão de regresso e suecos Gone By
isso é sempre motivo
termos de metalada, de interesse para Sundown. A banda
como é o caso dos quem acompanha o define-se como uma
Garhelenth que mundo da música mistura de estilos
nos chegam do experimental em geral e inspiração de
Irão (embora agora e do noise/industrial metal modernos e
estejam estabelecidos na Arménia, mas em particular. Sempre com uma capacidade esta faixa oferece harmonias épicas com
nem sempre a qualidade acompanha o para juntar brutalidade do som mais abrasivo vocalizações femininas numa atmosfera
entusiasmo que temos por ver o metal da música experimetal com o desconforto de bem limpa e quase...celestial! Vamos
estar perante música que mais que representar
a espalhar-se. Nem a própria energia da o fim do mundo, representa a falência do aguardar para ver o que se segue, e digo isto
banda por vezes chega a salvar a coisa. mundo que tão cuidadosamente foi sendo porque pelo mercado já proliferam bandas
Felizmente não é o que temos com este construído ao longo dos anos. É um álbum que inspiradas nesta fonte musical e umas
segundo álbum. Não só o black metal é não se absorve de uma vez só, nem se tenta conseguem apesar de tudo ter um toque
interessante, como consegue apresentar explicar. Não é, definitivamente para todos, de originalidade nas suas composições,
dinâmicas (principalmente em termos porque o desconforto, nos dias de hoje, chega vamos ver se estes Gone By Sundown
de fórmula) que abonam em muito a seu a ser subversivo. Esse é (sempre foi!) o grande também o fazem.
favor - aquela "Self-Humiliation" é sem triunfo dos Gnaw Their Tongues.
dúvida um ponto alto - e que tornam este
álbum mais interessante do que poderia
supor-se ao início.
[7.6/10] Fernando Ferreira [8.7/10] Fernando Ferreira [7/10] Miguel Correia 59
GRIMTONE GRINDING REACTION GUILLOTINE
“Memento Mori” “Tempo, Persistência e Fúria” “Guillotine”
Edição de Autor Edição de Autor Edição de Autor
Trabalho de estreia dos Uma das grandes Os Guillotine chegam-
Grimtone, duo sueco gratificações que temos nos dos E.U.A. com
que aposta num black é quando as bandas nos este álbum de estreia
metal cru e sem qualquer procuram com um álbum auto-intitulado e onde
contemplações. Há duas ou EP debaixo do braço.
formas de encarar este Maior gratificação é o death metal reina
trabalho, ou até este tipo quando o dito trabalho e de forma suprema,
de trabalho. Olhando para a própria banda mostram apesar de um certo
ele de forma céptica, algo que consideramos toque thrash metal
sabendo que o black de valor. Neste caso em aqui e ali. Um power-
metal primitivo tem muito pouco a oferecer, ou concreto temos os brasileiros Grinding Reaction trio que consegue imprimir grande energia
então, encarando esta proposta sem fazer qualquer que reúnem tudo o que gravaram neste "Tempo, à sua música mesmo que esta se torne um
tipo de comparação com algo que já tenhamos Persistência e Fúria" e apresentam-no com uma
ouvido antes. A primeira é provável, a segunda é nova roupagem. Temos então hardcore metalizado, pouco derivativa em relação à concorrência
quase impossível. Mesmo que estejam aqui todos bem bruto e contagiante, numa produção que sem mesmo que não tenha propriamente maus
os lugares comuns expectáveis, não deixamos de ser propriamente extraordinária, não compromete temas. É a ausência de temas fortes e da
ficar agradados com os riffs e potência. Mesmo em nada os intentos da banda. Além dos capacidade de conseguir ir para além do óbvio
sem trazer nada de novo. No entanto, o problema temas originalmente gravados em "Oppression, que faz com que no final não permaneçam na
nem é bem esse. O problema é a falta de dinâmicas Negligence, Tears And Blood", temos ainda a memória do ouvinte. O facto de ser o álbum
quer em termos de composição, quer em termos recuperação da "Foda-se" da demotape de 2001 de estreia, no entanto, deixa-nos a esperança
produção. A bateria também não ajuda as coisas e um tema novo, "Verdades E Utopiaas". É um de que no futuro apresentem algo mais
a tornarem-se diferentes. Se estivessemos em trabalho que serve para comemorar os quinze anos
1996, este seria um trabalho que nos iria agarrar à da banda e que nos mostra que continuam bem poderoso e, sobretudo, convincente.
primeira. Hoje em dia... é complicado ter o mesmo vivos e cheios de vitalidade.
impacto, mesmo que seja agradável para os fãs do
género. E é.
[6/10] Fernando Ferreira [7.2/10] Fernando Ferreira [5.5/10] Fernando Ferreira

HAK-ED DAMM HAWKMOTH HEADLESS CROWN


“Holocaust Over Dresden” “Godless Summit” “Century Of Decay”
Satanath Records Black Bow Records Massacre Records
O segundo álbum É impressionante A banda de Heavy
de originais dos como ainda em Metal suiça lança
canadianos Hak- Março ainda este seu segundo
Ed Damm dá uma encontramos e novo trabalho no
nova imagem para o álbuns de 2017 presente mês de
termo cair de noite. que poderiam ter Março. "Century
Tendo em conta que concorrido ao Of Decay" é um
estamos a falar de top dos melhores álbum conceptual
black metal, dá ideia álbuns de 2017. É o mais agressivo
que se o cair da noite fosse representado caso deste quarteto australiano que com e complexo na sua sonoridade que
por eles, seria como o cair de um martelo "Godless Summit" traz-nos quatro longos o anterior trabalho. As influências de
no alto da pinha. Com uma violência épica, temas de pós-metal instrumental que bandas clássicas como Judas Priest,
"Holocaust Over Dresden" é uma autêntica se insurge e insinua de forma hipnótica Iron Maiden, Saxon e Accept entre outros
debulhadora de black metal que nos atinge perante o ouvinte que não tem outra acaba por marcar um pouco a sonoridade
no meio das fuças e nos faz, em espírito alternativa senão deixar-se engolir pelo da banda. É um álbum muito interessante
masoquista, querer mais. Apesar de ser torrente de emoções que as suas músicas e equilibrado, forte na sua audição e a
unidimensional, não é desprovido de escavam. Fica a ideia de que teremos muito antever que os Headless podem ir longe,
dinâmica e o que lhe falta é compensado mais impacto nestes temas ao vivo mas a ver vamos o que lhes reserva o futuro,
pelos níveis absurdos de energia. Enorme em estúdio os mesmos não se deixam ficar pois a qualidade está bem presente.
surpresa, maior vício. e causam igualmente uma boa impressão.
Um grande álbum instrumental.

[9.1/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira [9/10] Miguel Correia

HELL BENT HELLISH GOD HELSLAVE


“Hell Bent” “The Evil Emanations” “Divination”
Edição de Autor Everlasting Spew Records Black Market Metal Label
O primeiro dos norte- Por vezes gostamos Os italianos Helslave
americanos Hell Bent de começar a ouvir estão de volta com
tresanda a sujidade. os trabalhos sem este EP "Divination"
saber nada sobre que é mesmo o que
Daquela primitiva, que o que estamos a
nos faz lembrar os ouvir. É uma forma o pessoal que gosta
primórdios do género de ter uma primeira de death metal
às mãos de entidades reacção pura e livre sueco procura.
como Sodom e, porque de preconceitos que a Poderá parecer algo
não, Carnivore. A produção ajuda a que esse
informação, ainda que confuso, uma banda
ínfima, poderia ajudar a estabelecer. Então italiana a tocar death metal tipicamente
ambiente se estabeleça e faz com que a coisa quando na primeira audição ouvimos a intro sueco mas este tipo de som já pertence
tenha ainda um gosto mais especial, sendo, "Kelim Shattering Illumination" movida a piano
com atmosfera para trás, não estávamos
ao mundo. Distorção cheia de gravilha e
provavelmente, o seu atributo mais forte. Em as estruturas que favorecem a melodia e
termos de dinâmica e do impacto duradouro minimamente preparados para a potência death
metal que viria a cair em cima de nós. Uma também a agressividade, onde estes quatro
destes temas, a conversa já é outro e fazia potência que nos cativou por conseguir mostrar temas saem como principais beneficiados.
falta aqui mais alguns elementos que nos muito mais que apenas violência sónica. Bons Os temas e os fãs de death metal clássico.
conseguissem prender para além da sujidade e riffs, um grande vozeirão e grandes temas. Algo Mesmo sem ser particularmente brilhante,
velocidade. Ainda assim, vamos aguardar pelos que ajudou a que nas consequentes audições o o seu entusiasmo garante muita diversão.
próximos capítulos. material ainda se aprofundasse mais em nós.
Sem dúvida que um grrande álbum de estreia.

60 [6/10] Fernando Ferreira [8.6/10] Fernando Ferreira [7.2/10] Fernando Ferreira


HORIZON ABLAZE HYPNO5E IAMSIN
“The Weight Of A Thousand Suns” “Alba - Les Ombres Errantes” “Kings & Queens”
Leviatan/Diger Pelagic Records Inverse Records
Os Horizon Ablaze são Por vezes temos Por cada proposta old
uma boa representação propostas que nos school temos uma
de como a música desafiam mesmo moderna. Pensando
extrema é tudo menos que à primeira tal bem, se calhar não é
conformada. Como não pareça. Por assim tão equilibrado
apesar de ter uma exemplo os franceses mas é também prova
facção que cumpre as Hypno5e surgem- e testemunho da
regras, temos outros nos com o rótulo variedade e riqueza que
que não se importam de pós metal acústico a música pesada tem
romper com barreiras. mas ao que indica é hoje em dia. "Kings &
Sempre foram uma banda que usaram apenas para este álbum que é banda sonora Queens" traz-nos aquilo que qualquer álbum de
elementos de black e death metal (e porque não do filme "Alba - Les Ombres Errantes" que é estreia tem obrigação de trazer: entusiasmo e
doom) sem qualquer tipo de restrições e sem realizado por Emmanuel Jessua, o vocalista e energia a rodos. É pena é que esse entusiasmo
que a sua música soasse fluída. E ao terceiro guitarrista dos Hypno5e. Em termos musicais, e energia não se converta em temas que
álbum, dizermos que temos mais do mesmo fica-se esmagado. O sentimento e a forma espantem para longe tudo o que seja genérico.
poderá dar a ideia errada, porque "The Weight como o espaço vazio deixado pela distorção Que neste caso se traduz em temas que tanto
Of A Thousand Suns" não soa a déjà vú. Temos é preenchido pela emoção é fantástico e as nos metem no metalcore como no death metal
um trabalho que nos desafia, que nos projecta músicas, ora cantadas em inglês, francês ou melódico, passando pelo hardcore. No entanto,
para outras paragens. Talvez paragens mais castelhano, são memoráveis e definitivamente o entusiasmo indicam-nos que há potencial
progressivas, mais contemplativas, paragens voltaremos a pegar neles. Compulsivamente, para trazer algo mais... diferenciado em relação
não habituais para o trabalho comum de death/ acrescentaria. ao que já vimos. Vamos ter essa esperança.
black metal. Sem grandes surpresas é por isso
que ficamos facilmente fãs e viciados.

[9.1/10] Fernando Ferreira [8.9/10] Fernando Ferreira [6/10] Fernando Ferreira

IGNORE THE SIGN ILSA INHIBITIONS


“A Line To Cross” “Corpse Fortress” “La Danse Macabre”
Steamhammer / SPV Relapse Records Satanath Records
A melhor preparação O nome Ilsa remete- Muitas vezes falámos
que poderíamos ter nos para os filmes de como a Grécia
para este segundo erótico-badalhocos que nos trazia um som
álbum dos Good Tiger falavam das aventuras característico na sua
é mesmo o título. e desventuras da música extrema.
"We Will All Be Gone" Ilsa, tigresa das Aqui temos uma
remete-nos para a SS que gostava de boa representação
urgência que temos sadomasoques. Tal disso mesmo. Com
não tem nada a ver uma base sinfónica
em viver e como por com o que podemos (mais assente em
vezes desperdiçamos a vida com coisas ver aqui mas achámos por bem situar a coisa. sintetizadores tradicionais do que propriamente
que não interessam. Pois bem, ouvir este Com uma caminhada fulgurante, a banda norte- em samples orquestrais) esta é uma proposta
álbum não é de todo uma perda de tempo. americana conseguiu conquistar o underground mais tradicional no que diz respeito ao black
O equilíbrio entre a melodia contagiante de do death/doom metal com uma sonoridade metal não sendo tão melódico quanto os
um rock moderno e um certo sentimento primitiva mas muito verdadeira. Ao quinto sintetizadores poderiam supor. O duo helénico
progressivo é perfeito causando apenas álbum é o que continuamos a ter. "Corpse consegue capturar um pouco da inocência do
dificuldade na hora de o rotular - nenhuma Fortress" é uma autêntica fortaleza do som género tal como se estivessemos em 1996
na hora do ouvir. É um álbum ligeiro na sujo e arrastado mas ainda assim dinâmico, novamente e o resultado, apesar de não ser tão
forma como se entranha e intenso da forma apesar da sua unidimensionalidade. Um álbum impactante como se estivessemos realmente
que cresce. Não será consensual, talvez até que nos mostra que a simplicidade poderá em 1996, não deixa de ser interessante. Tem
dentro de nós próprios, mas ainda assim (e ser recompensada quando a paixão está por ainda uma versão da "K.I.N.G." dos Satyricon.
talvez por isso mesmo) é um vício de todo o trás. Honesto, desconfortavelmente pesado e
tamanho. viciante.

[9.5/10] Miguel Correia [8.8/10] Fernando Ferreira [8.6/10] Fernando Ferreira

INSANITY ALERT IRDORATH são cruzados com (e entram em contacto


com) os aspectos que reportam ao interior
“Insanity Alert” “Denial of Creation” do ser humano e à sua acção no mundo,
Season Of Mist WormholeDeath numa visão cabalística e apocalíptica
O crossover, tal como Os austríacos onde a própria Humanidade é o elemento
tudo na vida, pode Irdorath, que já catalisador de um processo de destruição.
ser viciante como andam nestas Em termos musicais, à já mencionada
aborrecido. No caso andanças desde dimensão thrash old school que está
dos Insanity Alert já constantemente à espreita, temos
esperávamos que este 2005, trazem-
nos aqui um belo elementos orquestrais (inclusive
terceiro álbum fosse acústicos) e riffs mais atmosféricos,
uma desbunda do início trabalho de Black
ao fim. Efectivamente Metal "thrashado". melódicos e épicos, carregados por uma
assim o é. O segredo é Aliás, é engraçado secção rítmica extremamente competente
mesmo a costela thrash metal que surge mais constatar que, se há um sub-género ligado que faz destes Irdorath um nome a ter
acentuada que nunca e que nos remete para o ao Black Metal que parece não se esgotar definitivamente em conta no enorme
lado mais festivo (e não tão groove) do género nem sair de voga, é precisamente aquele universo de bandas de Black Metal
onde as referências do antigamente continuam existentes na actualidade. Mencionemos
a ser os D.R.I. e os mais recentes Municipal que é imbuído em riffs que se podem
considerar Thrash na sua veia tradicional. uns Necrophobic ou uns Thyrane como
Waste. São esses dois mundos que continuam termo de comparação, sendo que neste
a ser a inspiração maior mas não é algo que Estes austríacos incluem-se precisamente
perturbe a audição, porque continua a soar nessa veia musical. Mas não caiamos no caso temos um pouco mais de tudo -
fresco e até de certa forma, único, onde até se erro de parecermos redutores: existem inclusive de destreza composicional,
temdireito a uma alucinante versão para a "Run aqui momentos de grande ecletismo variedade melódica e rítmica e ecletismo
To The Hills" dos Iron Maiden. Um daqueles composicional e artístico que trazem ambiental. Para abrilhantar tudo isto, uma
álbuns que nos conquista pela sua energia e camadas bastante eloquentes à música produção sonora irrepreensível, onde
simplicidade. Dentro do panorama crossover, todos os instrumentos são dotados de
está definitivamente candidato a ser um dos dos Irdorath. Em termos líricos, os
temas relacionados com o satanismo força e clareza. Uma muito boa surpresa
trabalhos do ano. vinda de além-Alpes.
[9/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Jaime Nôro 61
IRON REAGAN / GATECREEPER JOHAN KIHLBERG'S IMPERA JONAS ALASKA
“Iron Reagan / Gatecreeper” “Age Of Discovery” “Fear Is A Demon”
Relapse Records Age Of Discovery Braveheart Records
O que é que os Depois de três álbuns Consta que ao seu
Iron Reagan têm com a sua banda quarto álbum, Jonas
em comum com os Impera, o baterista Alaska decidiu fazer
Gatecreeper? Bem, Johan Kihlberg decidiu um tributo a duas
além de partilharem ir para outros voos.
este split e editora, Claro, da Suécia, de das suas grandes
diria que muito pouco. onde mais poderia inspirações David
Ainda assim, esta joint ser? Johan, cujas as Bowir e Karl Ove
venture resultou de influências musicais são Knausgård. No
forma bem agradável e as mais variadas, Kiss, entanto, "Fear Is A
poderá levar a expandir a base de fãs de ambas Queen, Abba e The Beatles entre outros tem em Demon" não se encosta a ninguém e vive
as bandas. De um lado temos os Iron Reagan “Age Of Discovery” algo feito com muito coração por si só. Com uma sonoridade meio indie,
e o seu crossover contagiante e corrosivo e cheio de uma grande variedade dessas e de meio dream pop, o resultado é um álbum
que já nos conquistou há muito tempo. Do outras influências musicais, num trabalho muito
outro, o death metal a puxar ao sueco dos forte, melódico e poderoso. Posso afirmar que de sonoridade relaxada mas que engana
também norte-americanos Gatecreeper, não estamos perante algo com muita, muita qualidade para quem acha que é aborrecido. Arranjos
tão conhecidos mas com igual mérito. Com e que todos os fans de hard rock devem agarrar e de luxo que nos remetem para o melhor da
apenas cinco anos de carreira, os Gatecreeper juntar à vossa coleção. Grandes arranjos, grandes década de setenta e que fazem com que
têm se evidenciado irrequietos no underground convidados, que deixo para vocês certificarem, e este "Fear Is A Demon" se entranhe com
com bons lançamentos e este split não só nos musicas incríveis! Um must! uma facilidade impressionante.
apresenta ao seu som mas como também nos
faz ansiar pelo segundo álbum. Portanto, só se
tem a ganhar aqui.

[8/10] Fernando Ferreira [10/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira

JORDSJØ KAAK LABYRINTH


“Jord” “Litanies Of Pain” “Return To Live”
Karisma Records RUMF Productions Frontiers Music
Quando temos um Raramente nos surge Gravado no Frontiers
projecto que se inspira propostas de metal Metal Festival e
em filmes de terror, a industrial que nos marcado pelo primeiro
nossa atenção está logo surpreendam. Não é concerto após a reunião
focada. No entanto, não que seja um género da banda italiana,
é preciso muito daquilo aborrecido, apenas também com uma nova
que podemos ouvir em porque existem line-up, completada
"Jord" para chegarmos algumas fórmulas com o baterista John
que já estão bem Macaluso (TNT, RIOT,
à conclusão que há estabelecidas. No caso ARK), Oleg Smirnoff
muito mais a influência-los. A completar a lista destes austríacos, temos vários elementos (Vision Divine, Eldritch) nos teclados, e Nik
temos o rock progressivo sueco (que é algo elementos díspares que até resultam. Uma voz Mazzucconi no baixo. Este registo contêm
que se sente mais nesta colecção de temas), que poderia estar num álbum de black metal, a totalidade das faixas do álbum “Return To
a música de sintetizadores alemã da década um instrumental que nos remete para o uso de Heaven Denied”, o mais rotulado da carreira.
de setenta, romances de fantasia e a natureza electrónica de bandas como Samael e/ou The Para eles uma experiência marcante pois, deste
norueguesa (outro ponto bastante forte na Kovenant enquanto as guitarras claramente disco diz Olaf Thorsen "Foi uma verdadeira
música). O resultado é algo que acerta em seguem as linhas mais metalcore. Neste EP mistura de sentimentos tocar 'Return To Heaven
cheio no coração dos fãs de rock progressivo temos uma série de temas originais e depois Neied' na sua totalidade, pois era algo que
escandinavo. Este duo norueguês consegue uma série de covers e remisturas. Apesar nunca fizemos antes, nem mesmo durante a
transportar-nos no tempo de uma forma bem da surpresa, o efeito positivo rapidamente tour que fizemos em98-99. É ainda mais louco
natural e faz com que apreciemos a viagem. De se dilui enquanto esperamos ser novamente quando este foi o nosso primeiro show ao vivo
uma classe impressionante, este é um trabalho surpreendidos. Talvez se os temas fossem mais com a nossa nova formação, mas quando vimos
que se instala sem qualquer tipo de problema. curtos e algumas gorduras fossem cortadas que tantas pessoas de diferentes países cantando
Parafraseando Windows do ano passado, é isso não acontecesse. cada música, sentimos que tudo valeu a pena.
"plug and play". Inesquecível.
[8.5/10] Fernando Ferreira [6/10] Fernando Ferreira [9/10] Miguel Correia

LETTERS FROM THE COLONY é algo que já ouvimos muitas vezes. LIONE & CONTI
“Vignette” Até que... enter progressive! Com uma
secção instrumental que se prolonga até
“Lione & Conti”
Nuclear Blast Frontiers Music
ao final da música, fica-se surpreendido
Meshuggah. É e para não dizer rendido. Ligeiramente Esta dupla que
inevitável mas é o não necessita de
rendido, ainda falta muito terreno para apresentações
primeiro nome que percorrer. E foi uma luta interessante. Por uniu-se para este
nos ocorre quando um lado a questão dos lugares-comuns já projeto bem a
"Vignette" começa. mencionados, por outro temos um lado exemplos de outros
O que poderá ser técnico que tem razão de ser e que por muito idênticos. Ao
mau, afinal estamos contrário do que se
vezes até se afasta daquilo que ouvimos poderia esperar, até
a falar de falta de originalidade e/ou por parte dos Meshuggah e entra mais pela no que nos é dado a conhecer das
identidade. Talvez seja um pouco mais nos domínios do death metal progressivo bandas de origem, estamos perante um
complicado. O estilo chamado djent que e é aí que a coisa realmente domina. E foi som mais metal, mais pesado não tão
se convencionou chamar a todos os precisamente aí que fomos conquistados. melódico, mas também muito directo e
seguidores de Meshuggah mas não aos poderoso sem grandes rodeios. São dez
Ainda existe por aqui algumas coisas que faixas cheias de riffs e solos brilhantes,
próprios porque estes detestam o termo não entram (como os inícios déjá vú de onde as vozes de Conti e Lione se
é limitado na medida em que tem as suas temas como "Terminus" e "Glass Palaces") destacam de forma natural com um
fronteiras e o seu estilo de som muito mas a apreciação global é positiva. desempenho muito acima da média! Uma
definido. E os primeiros momentos de grande aposta!
"Galax" quase que foram os suficiente para
desistirmos. Não que seja mau, apenas
62 [7/10] Fernando Ferreira [10/10] Miguel Correia
MAMMOTH WEED WIZARD BASTARD /
LOATHE / HOLDING ABSENCE MACHINE HEAD SLOMATICS

“This Is As One” “Catharsis” “Totems”


Sharptone Records Nuclear Blast Records Black Bow Records

Splits não é algo Sabemos que as coisas Parece que a cena Doom/
são cíclicas. E que Sludge/Stoner é um
bastante comum na arte mais cíclicas daqueles géneros em
no mundo do se tornam. Pegar grande efervescência,
no que já foi feito, independentemente
metalcore e por do "onde" se trata. No
baralhar e voltar a dar
isso até recebemos com mudanças aqui
Reino Unido, tanto
os Mammoth Weed
com curiosidade e ali. "Catharsis" tem Wizrd Bastard como
este encontro levado uma autêntica os Slomatics se têm
sova pela crítica e por afirmado nos últimos anos como nomes
entre os Loathe e os Holding Absence. alguns fãs. Muito se tem falado dos Machine respeitados numa cena Doom sempre crescente.
Se os primeiros são mais abrasivos e Head se terem vendido... e não vamos falar Este split vem confirmar o enorme talento destas
violentos, os segundos acabam por ser disso, embora a própria conversa de Robb Flynn duas bandas, que aqui decidiram colaborar num
dando a indicação de que este seria o álbum esforço conjunto que tem muito para oferecer a
mais melódicos. Curiosamente ambos que elevaria todo o género a um novo nível de qualquer apreciador de um bom som Doomish.
conseguiram ter um bom impacto e este popularidade nos tenha dado algumas pistas. Com duas das cinco faixas presentes neste trabalho,
O que temos a dizer sobre tudo isto é que os os MWWB destacam-se, acima de tudo, pela voz
split rodou algumas consideráveis vezes, da vocalista Jessica Ball. Não tiremos mérito, no
sucessos esmagadores nunca são anunciados,
onde ficámos fãs sobretudo da abordagem muito menos quando anunciados pelos próprios entanto, à qualidade das composições - estamos
dos Holding Absence. Recomendado para criadores. No entanto deixa bem clara a posição perante uma primeira metade de split repleta de
da banda e do entusiasmo em relação o trabalho riffs pesadões e viciantes, aqui e ali ornamentados
os fãs de sonoridades mais modernas e com sons de samples espaciais e acompanhados
que estão a promover. "Catharsis" é um álbum por uma Jessica Ball cuja voz, emersa em reverbs,
amigas do metalcore. mais acessível. Em muitos aspectos apontam nos embala os sentidos até nos elevar a um estado
na direcção de "The Burning Red" (bom álbum) etéreo de hipnose, num compasso que varia entre
e de "Supercharger" (sofrível e desinspirado) e o lento e o mexido, onde o trabalho de bateria é
[7.5/10] Fernando Ferreira mistura com a vertente mais thrash metal que a extremamente dinâmico e variado, recorrendo
banda norte-americana tem feito nos trabalhos constantemente às rajadas de tarola e ao uso de
ABINCHOVA consequentes. E tal não é mau por assim dizer. todo o kit para preencher as linhas rítmicas. A
Não temos aqui má música. O tema-título vai segunda metade do split, a cargo dos Slomatics,
“Weltenwanderer” buscar definitivamente a energia e fórmula dos ainda que não diferindo demasiado no estilo, traz-
Massacre Records primeiros trabalhos, não esquece o virtuosismo nos um pouco mais de vários elementos estilísticos
mais tradicional, e é uma boa representação que, porventura, são um pouco mais tímidos na
Este mundo do metal daquilo que, como um todo, podemos encontrar metade a cargo dos MWWB, ligeiramente mais
é tão vasto que é fácil aqui. Não sendo má música, também não nos simplista. Aqui, o ambiente é claramente mais
termos uma banda a faz esquecer todos os álbuns que a banda editou prog, imprevisível, mas extremamente impactante.
lançar o terceiro álbum entre 2003 e 2014, o que será sintomático em Existe um maior recurso à variedade de riffs
sem que o seu nome e de momentos próprios, dando um aspecto
relação ao impacto deste conjunto de músicas. mais facetado e experimental às músicas, nunca
nos fosse conhecido. Mais de setenta minutos de música que soa
Servido pela mão da abandonando o tom épico, decadente e ameaçador
cansativo e nalguns momentos derivativo. digno de um filme de terror sci-fi, graças ao uso
Massacre Records, Duvidamos que este trabalho traga ao metal
"Weltenwanderer" é a abundante de synths e samples que se juntam
a projecção anunciada por Flynn (nem tão aos riffs de fuzz lamacento para formarem
nossa apresentação ao pouco à banda) e apesar de termos algumas um ambiente absolutamente colossal de teor
mundo dos Abinchova, banda suiça que tanto boas músicas (uma delas, sim, é a "Bastards"), quase cinematográfico. Extremamente intenso.
lhe dá forte no death metal melódico como algumas boas ideias, como um álbum não temos Comparando as contribuições, as duas faixas de
tem deliciosos pormenores de folk metal que um trabalho sólido. E sobretudo não temos um MWWB são talvez de audição mais acessível, onde
se conjugam muito bem neste contexto. Aliás, álbbum que supere os trabalhos já lançados grande parte do prazer dessa audição provém,
há muito pouco a correr mal aqui, para ser anteriormente, tirando, claro "Supercharger", precisamente, da qualidade da prestação da sua
sincero. Mesmo que alguns dos temas não mas se assim não fosse... também estaríamos vocalista. Por sua vez, o trabalho de Slomatics,
entrem à primeira, não existem dúvidas em muito mal. Fica a curiosidade para o próximo mais complexo e profundo, talvez seja mais
relação à forma como posteriormente crescem. passo mas para já, e podendo ser contrariado incomodativo para os sentidos do comum mortal...
Um enorme potencial e uma banda que nos pelo tempo, não convence. Mas o apreciador de Doom, com o ouvido treinado,
conseguiu surpreender quando tínhamos a perceberá que existem aqui camadas de verdadeira
certeza que não iria acontecer. É quando sabe genialidade, quando o que se trata é de qualidade de
melhor. composição e de construção de ambientes fortes e
cheios de camadas. No global, no entanto, e por
razões particulares, estamos perante contribuições
bastante boas e equilibradas.

[8.8/10] Fernando Ferreira [6/10] Fernando Ferreira [8.1/10] Jaime Nôro

MEGAHERZ MONOLITH CULT MOONPEDRO & THE SINKING SHIP


“Komet” “Gospel Of Despair” “Let's Pig”
Napalm Records Transcending Records Apollon Records
Sempre tivemos um Que enorme som. De vez em quando
problema grande Enormíssimo. somos apanhados de
desprevenidos por
com os Megaherz e Ficámos facilmente algumas propostas e sem
não é a primeira vez rendido ao poder dos dúvida que este "Let's
que vamos dizer isto britânicos Monolith Pig" é uma delas. Desde
mas os Megaherz Cult que com este o nome desta entidade
sempre nos soaram segundo álbum até ao nome do álbum,
sem esquecer o som
a uns Rammstein definitivamente vão em si, tudo é bastante...
com melodias mais ascender (terão peculiar. Apesar de não parecer, Pedro Carmona
orelhudas e com caras pintadas. Não é obrigatoriamente) uns degraus na escada Alvorez é um músico multi-instrumentista
ser totalmente justo porque não podemos do reconhecimento. Não só temos os norueguês, além de ser escritor, poeta e tradutor
reduzir tudo o que cante em alemão e tiques habituais do doom metal mais (consta que a PJ Harvey escolheu-o para traduzir
o seu livro de poesia tanto para norueguês como
tenha elementos electrónicos como sendo clássico, como se nota um incremento para espanhol) e os Moonpedro & The Sinking
rip off de Rammstein, até porque não há de peso que lhe assenta muito bem. Com Ship são a sua expressão musical, desconcertante
nada aqui que mostre um rip off a não ser a voz de BryOutlaw, ainda melhor. Sem que na maioria do tempo deambula pelo dream
mesmo terem estes elementos em comum. dúvida daqueles álbuns que já aquando do pop mas também nos traz um pouco daquele
Ainda assim, é impossível não sentirmos seu lançamento (no final do ano passado) espírito mais pop do rock'n'roll da década de
sessenta (que David Lynch tanta gosta) sem se
déjà vú em temas como "Trau Dich" que é um clássico. Quer-se dizer... podemos esquecer do feeling indie. Talvez esta descrição
apesar de fortes, não acrescentam nada estar enganados mas soa a clássico não seja suficiente para que tenham uma ideia mas
ao que já ouvimos anteriormente pelos mesmo! efectivamente ouvindo terão uma boa ideia. Sem
Megaherz. Está engraçado mas ainda não dúvida será uma boa surpresa para quem nãom
é desta que nos convertemos. tem limites nos seus horizontes musicais.

[6/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira [7.5/10] Fernando Ferreira 63


MOURNFUL CONGREGATION NADIR NAPALM DEATH
“The Incubus Of Karma” “The Sixth Extinction” “Coded Smears And More Uncommon Slurs”
Osmose Productions NGC Prod Century Media Records
O regresso, muito O Metal Archives Mais de trinta anos
aguardado dos tem por vezes coisas
australianos, não se de história na música
do diabo. Sendo um
poderia dar de melhor nome novo para nós, extrema por parte
forma. O quinto álbum dos procurámos saber mais de uma das bandas
Mournful Congregation sobre os húngaros
surge sete anos após o mais fundamentais
último e promete ser um
Nadir, que já têm uma
carreira bem longa - para a mesma,
autêntico desafio para
todos os que não são esta sexta extinção é na vertente death
fãs do género. Com um alto teor depressivo nalguns o seu sétimo álbum. metal/grindcore. A riqueza é tanta que até
dos seus temas, este é um álbum torna-se de difícil Procurando o local de referência em termos
absorção. E para quem não sabe ao que vem, o assunto de informação metálica, eis que nos é revelado temos material suficiente para encher dois
é funeral doom. Com apenas dois temas abaixo dos que a banda toca um misto de death metal e discos (sem ser na totalidade é certo mas
seis minutos e com os restantes na casa dos quinze deathcore. Nada mais longe da verdade, já que a
e dos vinte, este é um trabalho que deve ser apreciado sua sonoridade assenta num death/doom metal mesmo assim dois discos) de material
de forma lenta e ponderada. Não é o espaço indicado levemente melódico como mandam as regras raro coleccionado no período de dez
para procurarmos por riffs ou por ganchos. O forte é da década de noventa. E o género é muito bem anos (ficamos na dúvida se não existirá
mesmo o ambiente solene e soturno e o peso que vai tratado, com melodias cativantes e temas que
sendo descarregado, batida após batida. E poderá ser mesmo sem ser imediatamente interiorizados, muito mais material na gaveta registado
incompreensível gostar tanto dum álbum ao qual não definitivamente nos faz querer voltar para mais. anteriormente a 2004). E poderíamos
vamos conseguir dedicar tanta atenção - o suicídio é Não só ficámos com um grande álbum nas
assegurado se assim for - mas para nós é impossível pensar, se estivessemos a falar de outra
mãos como ficamos com vontade de conferir o
não ficarmos fãs da beleza melancólica que daqui
que a banda já fez. banda qualquer, que seria material de
transpira. Uma autêntica obra-de-arte.
refugo, os tão chamados lados-b na época
[9/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira em que os singles em vinil eram uma
potência comercial. Definitivamente não.
SCHWARZACH ABKEHR É impressionante como este trabalho,
“Sieben Seelen” “In Asche” uma autêntica de retalhos composta por
Kristallblut Records Sentient Ruin Laboratories temas lançados em EPs, edições de vinil
ou disponíveis apenas no Japão, consegue
Schwarzach é uma Black metal cru e algo
banda alemã que épico, é o que nos soar tão forte e igualmente válido como se
com "Sieben Seelen" trazem o duo alemão um novo trabalho da banda se tratasse.
chega ao seu terceiro Abkehr com este seu E é isso mesmo que nos soa, a um novo
álbum. Tocam uma EP de estreia. Por trabalho, fresco como tal. Só mesmo
espécie de black/ muito que o factor uma banda como os Napalm Death para
death melódico e da produção seja um
podemos dizer que o dos mais importantes conseguir tornar uma compilação de faixas
fazem bastante bem. quando analisaos a raras tão interessante como um álbum de
Foi o primeiro contacto que tivemos com a música - algo que nem toda a gente tem originais.
banda e definitivamente ficámos curiosos em consideração - o black metal é sempre
em conhecer mais. Mas vamos focar- o nosso ponto fraco. Consideramos que
nos no que temos aqui, uma abordagem se tivermos em detrimento da produção,
melódico mas sem perder a agressividade um ambiente único, que o impacto é igual
característica do black metal. Poderá se não superior. É precisamente o que
não ser propriamente indicado para os temos aqui, black metal ríspido, com uma
amantes do black metal puro mas todos produção primitiva mas que o resultado
os que gostam de melodia e agressividade final não deixa de ser eficaz. Este é um
bem equilibradas, este é um álbum que EP que é superior a muitos álbuns, quatro
recomendamos. faixas longas que nos deixam a querer
mais.

[7/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira

NEW YEAR'S DAY tal que soa como um original da banda, a NOTURNALL
“Diary Of A Creep” "Fucking Hostile" dos Pantera (sim, essa “9”
mesmo) surge reinventada com elementos Rockshots Records
Century Media Records
electrónicos e mais lenta mas ainda assim
Este foi um EP que Sendo o primeiro
bem cativante (embora entendamos que
nos surpreendeu. contacto com os
seja vista como uma heresia mas como
Não propriamente Noturnall este terceiro
fazer a versão de um tema clássico se álbum "9" acabou por
pelo género musical - não for para apresentar algo diferente?). ser uma agradável
rock/metal moderno A "Crawling" dos Linkin Park é a que surpresa para mim. Os
a puxar à fórmula surge mais próxima do original, talvez brasileiros praticam
do metalcore. Temos um pouco mais pop da década de oitenta, um metal progressivo
uma voz feminina bem cativante, produção mas bem conseguida. Para terminar temos bastante melódico e directo com toques de
moderna e potente e ainda aquelas melodias "Only Happy When It Rains" dos Garbage power metal como se nota em particular em
infecciosas que se instalam muitas vezes que surge mais moderna e conta com a Mysterious͟, e com uma boa dose de peso. Os
contra a nossa própria vontade típicas participação de Lzzy Hale dos Halestorm momentos mais pesados lembram algum do
do punk rock a puxar ao pop (punkeka). e a "Don't Speak" dos No Doubt aparece material mais recente dos Symphony X ou em
Tudo coisas que normalmente nos passam alguns casos Adrenaline Mob (curiosamente
grandiosa. É bom vermos as influências da
ao lado mas que por uma razão bem Mike Orlando toca guitarra em Wake Up!). 9 é
banda e esta nova abordagem em temas
específica resulta desta vez. Começam um álbum equilibrado em termos de qualidade,
tão conhecidos. Poderá ser visto como com uma boa produção que tem o seu momento
com o tema novo "Disgust Me", que é mau gosto, mas na nossa opinião é uma mais calmo e ͟radio friendly͟ na balada ͟Hearts
exactamente como referi atrás e depois boa forma de chamar novos fãs. As One͟. A destacar também as malhas Hey!
começa a diversão. "Bizarre Love Triangle"
Change! Um trabalho bem interessante.
dos New Order leva uma transformação
64 [7.6/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Filipe Ferreira
NOVAREIGN OBSCENE OCEANS OF SLUMBER
“Legends” “Sermon to the Snake” “The Banished Heart”
M-Theory Audio Horror Pain Gore Death Productions Century Media Records
Lembram-se de quando Este trabalho Este é um dos
os Dragonforce surgiram,
quando ainda se de estreia dos trabalhos para o
chamavam Dragonheart? americanos Obscene qual aguardávamos
Do impacto que tivemos traz-nos um Death ansiosamente. Os
ao ver todas aquelas
melodias e todo aquele Metal repleto de riffs Oceans Of Slumber
poder metálico a de tónica visceral, são uma banda
quinhentos mil km/h?
É a sensação que nos que embora aqui e norte-americana
assalta logo na primeira audição deste álbum de ali se paute por ritmos mais violentos, se que tem impressionado no campo do
estreia dos norte-americanos NovaReign. Não é
a sonoridade mais típica do estado da Califórnia - acarreta através de compassos mid-tempo death metal progressivo. Death/doom, já
nem sequer do próprio país - mas definitivamente onde a decadência e a angústia imperam - que os movimentos lentos e a melancolia
são tudo questões que ficam de parte com a
qualidade da música. Com uma saudável costela ponto no qual as linhas vocais contribuem da sua música aponta nessa direcção.
progressiva, este é um daqueles álbuns bem ricos com um timbre repleto de amargura e "The Banished Heart" é um testemunho
que praticamente se tornam inesgotáveis. E fazem- sofrimento, fugindo aos típicos guturais dramático de dor e perda. De emoções
no não por apresentarem algo de novo - pelo
contrário - e sim por apresentarem entusiasmo e profundos e ao high-pitch scream. que por vezes tentamos suprimir mas
grandes malhas que fazem com que o entusiasmo Infelizmente é um estilo vocal que tende a que nunca desaparecem. É algo que
se mantenha e nos faça voltar para mais findada a
audição. Temas longos, grandes solos de guitarra, tornar-se cansativo após alguns minutos sentimos muito bem neste conjunto
a voz melódica, é todo um conjunto de coisas que de audição, salvaguardando-se aqui a de temas onde tudo isto, todas estas
fazem com que este seja um dos grandes trabalhos
de metal progressivo de 2018. opinião de que há quem, efectivamente, emoções, todo o peso da música extrema
[9/10] Fernando Ferreira aprecie este estilo vocal. É um trabalho e toda a sensibilidade melódica acabam
sólido, que embora não impressione por convergir num conjunto bem forte
completamente, carrega a promessa de de temas. É um álbum que não bonito
ODYSSEUS REBORN um futuro auspicioso para uma banda já mas é belo. Poderá parecer um paradoxo
“Divine Inclination” capaz de imprimir com grande eficácia o mas é a maneira que consideramos mais
Edição de Autor sentimento de desespero em forma de riffs correcta de encará-lo. Temos melodias de
Incrível como o Metal e descargas vocais, num estilo particular uma beleza rara (onde a voz de Cammie
Archives por vezes de Death Metal bastante negro (não se dê se enquadra perfeitamente) e letras
manda umas gaffes o caso de o leitor, pelo vocabulário usado, profundas e pujantes, o que resulta na
olímpicas. Classicar
os Odysseus Reborn julgar estarmos perante uma banda de própria potência do trabalho e essa
tocam heavy/thrash Doom e não de Death Metal) . Não nos traz força toda torna-o um trabalho difícil
metal é o mesmo que nada de novo, mas o que traz é bastante de absorver, principalmente para quem
dizer que os Metallica decente. A produção, não particularmente se consegue rever em toda a dor aqui
tocam covers dos Yes.
Sim, é parvo. É mesmo para terem noção. cheia, é também ela visceral e bastante exposta. O que é precisamente o tipo de
A banda apresenta um leque de opções e equilibrada, e a composição denota já uma trabalho que adoramos. E sim, também
de sonoridades que vão bem mais longe reconhecida maturidade. A ver vamos o temos muito peso metálico, não se trata
do que aquilo que um rótulo como heavy que o futuro destes Obscene nos reserva. apenas de algo para os mais emotivos.
ou thrash metal poderiam supor. Quer nos
temas mais curtos, quer nos temas mais Há um pouco de tudo para todos, o que
épicos, o foco é mesmo o rock/hard rock torna este trabalho mais completo do que
psicadélico e progressivo, embora o peso à partida (ou ouvindo isoladamente esta
leve muitas vezes as coisas para o campo do
metal. Atmosférico, denso e profundo, este é ou aquela faixa) se poderia supor.
um segundo álbum que fará com que os fãs
da música exigente fique irremediavelmente
agarrado e até queira voltar atrás para
conferir o primeiro trabalho. Recomendado.

[8.1/10] Fernando Ferreira [7/10] Jaime Nôro [9.5/10] Fernando Ferreira

OSSIAN SMYTH OVERHUNG PERFECT BEINGS


“Sleepless Town” “Moving Ahead” “Vier”
Secret Entertainment Test Your Metal Records InsideOut Music
Um nome que Ouvir um refrão onde Assim que começamos
se canta “She’s a sex a ouvir "Vier" vem-
desconhecia machine, machine with nos logo à mente tudo
totalmente e quando a mind...”, num ritmo aquilo que entendemos
ouvi este “Sleepless bem rockeiro onde por rock progressivo
durante o solo se ouve clássico. De Genesis a
Town”senti algo a tal sex machine em Yes, dos Pink Floyd a
diferente no seu som. Alan Parsons. Até os The
ação é algo que não Beatles surgem graças
Ok, malhas rockeiras sendo inovador é sem a toda uma série de
dúvida bem arrojado de instrumentação diferente e dos vários arranjos
mas muito originais, sem colagens a se fazer. “Sex Machine” é a faixa de abertura e onde se incluem além dos óbvios teclados vintage,
outras sonoridades, uma nova perspectiva o aperitivo para o restante álbum, que tirando a flauta e saxofone. E não, os Perfect Beings não
daquilo que se poderá fazer com as “Waste”, tema muito mais calmo, é totalmente são contemporâneos de todos esses nomes. Na
rock, rock, rock, rock! “Moving Ahead” é a realidade são mesmo o oposto - este é apenas
bases rock’n’roll dos anos 70 e 80. Boas semente de um hard rock oriundo da India, ya o seu terceiro álbum. A banda norte-americana
melodias em 5 temas, num som muito isso mesmo, da India e em bom tempo surgem mostra estar no sítio certo em relação às suas
fluido, num produto made in Filândia, num porque a musica deve unir aquilo que a politica referências mas apresentam um som que se torna
e a religião separa, e os Overhung merecem próprio apesar das reminiscências dos clássicos.
trabalho impressionante. Para quando o sem dúvida que a porta se abra para além Dividindo este álbum em quatro movimentos
álbum completo? Pois parece, que neste de Mumbai. Influenciados por nomes como (cada qual composto por umas quantas faixas
Poison, AC/DC, Motley Crue entre outros do que até funcionam bem separadas), este trabalho
caso, que 17 minutos de musica é muito é o sonho molhado para qualquer fã de rock
género, os Overhung arrasam com um som progressivo clássico que se preze. Com uma classe
pouco. rockeiro bem divertido e que eles chamam de impressionante e com uma eficácia ainda maior,
“devolução e não evolução!” musical. temos a certeza que com trabalhos e bandas assim,
este género vai perdurar.
[9/10] Miguel Correia [9/10] Miguel Correia [9.3/10] Fernando Ferreira 65
PHIL CAMPBELL AND THE
BASTARDS SONS PRELUDIO ANCESTRAL PROFANE BURIAL
"The Age Of Absurdity" “Oblivion" “The Rosewater Park Legend"
Nuclear Blast Records Fighter Records Apathia Records
Com o fim dos Oriunda da Argentina, Os Profane Burial
Motörhead era de os Preludio Ancestral iniciam a sua
esperar que o duo são uma banda power discografia com
sobrevivente seguisse metal que já partilhou "The Rosewater Park
em frente, ou não o palco com suporte Legend", um trabalho
fosse o seu talento tão de nomes como os que vai exigir um
evidente que obrigasse Stratovarious e os pouco do ouvinte. Para
a isso. Enquanto Rhapsody Of Fire, já, não é um trabalho
Mickey Dee juntou- e trazem-nos agora fácil de definir, apesar
se aos Scorpions que “Oblivion” com suporte do rótulo black metal
apesar do fim anunciado continuam a mexer, da espanhola Fighter Rocks. Bom, falando deste sinfónico atribuído no press release até faça
Phil Campbell juntou-se aos filhos e ao vocalista álbum não é algo de extraordinário. É sólido, algum sentido. No entanto sentimos que seria
Neil Starr e trazem-nos um bom álbum de hard equilibrado do primeiro ao ultimo segundo, simplificar em demasia aquilo que não é para
rock ao qual parece faltar um pouco mais de mas não fica no ouvido assim com muita simplificar. Temos alguns toques de death
sujidade. Ou então o problema é nosso por facilidade. Tem faixas que se destacam, mas metal bruto, arranjos orquestrais e groove.
estarmos demasiado habituados a Motörhead. como disse anteriormente não deslumbram, Tudo isto movido a combustível do século
Não é que este seja um seguimento da seminal contudo, este trio, que conta com um sem passado, só para não haver confusões para
banda. O foco aqui é totalmente outro. Temos número de convidados tem agora caminho quem já está farto da tendência sinfónica mais
bons temas e é um bom início de discografia, no aberto para outros voos, pois a qualidade recente - nada contra ela. No final temos um
entanto, esperamos por algo mais num futuro individual está presente ao longo de todo o álbum denso e intenso que não sendo imediato,
próximo porque acaba por nos soar a pouco, trabalho e acredito com outra experiência o acaba por ir crescendo aos poucos de forma até
apesar da qualidade inegável. futuro poderá ser diferente. Não deixem de lhe surpreendente.
dar uma oportunidade, claro, pois eles merecem
ser ouvidos!

[7/10] Fernando Ferreira [8/10] Miguel Correia [8.5/10] Fernando Ferreira

RHINO PROOF RICK SPRINGFIELD RIVERS OF NIHIL


“Rhino Proof" “The Snake King” “Where Owls Know My Name”
Tee Pee Records Frontiers Music Metal Blade Records
Directo, é um Um músico que O death metal técnico,
álbum cheio de riffs anda em constante correndo o risco de
mudança, mas ao se tornar aborrecido,
clássicos de Hard mesmo tempo sente- encontrou uma série
Rock, as letras, se no que faz uma de veiculos bem
acompanhados evolução musical bem capazes de transportar
patente. Rick, vive para o género até às
pela excelente voz a musica e aproveita da massas. Poderá soar
inacreditável de mesma cada parte da mal (quer literalmente
sua aventura musical. ou não) mas a verdade
Jukka Nummi. Mais uma banda finlandesa, “The Snake King” é mais uma vez o resultado é que a música, quando é boa, é supost chegar
num outro cenário musical, de entre muitas de uma abordagem que o cantor australiano faz ao máximo de pessoas possível. Depois de
variantes que tem sido a oferta nórdica não deixando a sua criatividade e capacidade "Monarchy", foi isso que desejámos para a banda
de arriscar de lado. Ouvi há tempos alguém norte-americana. Com uma abordagem tão rica
para o mundo da musica. Os Rhino Proof, dizer, “Rick Springfield pode transformar em onde o peso não fica esquecido nem a técnica
fazem a sua estreia, numa dose equilibrada arte tudo o que faz!”, sem dúvida percorrendo a mas sobretudo, a capacidade de escrever
de rock’n’roll ao demonstrado ao longo de sua carreira sou obrigado a partilhar da mesma grandes músicas, nem possível seria desejar
opinião.Tenho de admitir que este trabalho é outra coisa. E "Where Owls Know My Name"
todo o trabalho e se és um fan deste bom brilhante e inteligentemente vibrante. Muito evidenciam isso mesmo. A banda mantém as
e velho género deita-lhe a mão, pois é um orientado para um som pop rock mas ao suas capacidades de composição afinadas para
item obrigatório na tua coleção. mesmo tempo sempre preenchido por guitarras o melhor, expande a sonoridade (aquele sax no
em abordagem blue, muito agitadas. Não tema título...) e o resultado é tão simplesmente
vou alongar mais a review ao camaleão Rick um grande álbum, provavelmente (ainda será
Springfield, deixo o conselho...ouçam! cedo para isso) o melhor da sua carreira.
[8.5/10] Miguel Correia [10/10] Miguel Correia [9.5/10] Fernando Ferreira

ROTTING CHRIST RUMAHOY RÛR


“Their Greatest Spells" “The Triumph Of Piracy” “Rûr”
Season Of Mist Napalm Records Northern Silence Productions
Trinta anos de Rotting Será que o mundo Gostamos de bandas
Christ. Sem dúvida que precisava de mais misteriosas que nos
um marco histórico para uma banda a tocar folk surpreendem. Também
a banda de metal extremo metal de piratas? É uma temos um fraquinho
grega, que encontrou questão difícil... não por por one-man-bands.
muitos altos e baixos ao ser complicada mas por Também, como já
long da sua carreira mas se ter logo uma resposta é mais que sabido,
manteve um linearidade na ponta da língua que
em termos criativos, poderá parecer injusta. gostamos de black
nunca ficando refém quer Os Rumahoy (nome que metal épico e/ou
de correntos exteriores quer dos caminhos para revela logo ao que vêm) são norte-americanos, atmosférico. E quando
onde se dirigiram. E torna-se compreensível e até apresentam-se com máscaras (uma espécie de temos isso tudo junto... obviamente que
merecido esta compilação embora se formos a ter Brujeria pirata) e tocam um folk metal que nos gostamos. Principalmente quando a qualidade
em consideração o recente álbum ao vivo, acaba por aponta directamente para nomes como Alestorm, é elevadissima. Apesar da Noruega ser vista
não ter tanto impacto. Ainda assim, esta compilação embora sem contar com tanto power metal e como a meca do black metal, a verdade é que
revela-se como obrigatória para quem gosta da banda voltando-se mais para o folk festivo. Mesmo que não é propriamente profícua em projectos
mas não tem todos os seus álbuns ou até mesmo em termos de tendências possa haver um certo one-man-band mas é precisamente de lá que
para quem tem alguma curiosidade pelos gregos. A cansaço deste tipo de proposta, este conjunto de nos chega Rûr e o seu álbum de estreia auto-
colecção de temas é bastante equilibrada, embora temas não falha em conseguir atrair-nos e manter o intitulado - que desconfiamos que seja o EP
talvez, na nossa opinião, faria mais sentido colocar interesse. Também prevemos que ao vivo provoque auto-intitulado lançado no final do ano passado
os temas por ordem cronológica, principalmente grandes doses de festa e bailaricos - aliás, este tipo e com mais uma faixa. Seja como for, o que é
pela diferença de sonoridades e produções, criando de sonoridade tem sempre mais impacto ao vivo certo é que não só este é um trabalho que puxa
alguns desequilíbrios desnecessários. Para finalizar, do que em disco, mas este é um álbum que se ouve à contemplação como é pesado como tudo e
vale a pena referir que temos aqui um tema novo, "I muito bem. Será que o mundo precisava de mais
Will Not Serve", que serve como boa representação uma banda a tocar folk metal? Provavelmente não, bem épico com riffs em tremolo picking a criar
daquilo que a banda foi e do que a banda é. E até mas com este grau de diversão não haverá algum a atmosfera mágica. Sem dúvida uma grande
talvez dê algumas boas indicações daquilo que ela tipo de queixas da nossa parte. Principalmente pelo estreia que nos deixou esmagados.
vai ser. enorme solo escondido na "Triumph Of Piracy"!

66 [7.5/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira [9.4/10] Fernando Ferreira


SAMMAL SHADOWKEEP SOMALI YACHT CLUB
“Suuliekki” “Shadowkeep” “The Sea”
Svart Records Pure Steel Records Robustfellow Productions/Kozmik Artifactz
"Biophagous" entra Não sou propriamente Que excelente surpresa
a matar. A forma um fã da banda, mas que foi este "The Sea".
como "Parasitic" soa sei que valeu a pena O segundo álbum por
não deixa margens este hiato de 10 na parte dos power trio
para dúvidas. Temos carreira deles, pois ucraniano Somali Yacht
death metal ultra- 2018 vem com um Club traz-nos numa
técnico, ligeiramente novo trabalho, um novo espécie de mistura entre
djenty e a transpirar vocalista, James Rivera rock/metal progressivo
por todos os poros dos Helstar juntou-se ao grupo inglês e traz algo e stoner/doom metal. "Vero", a primeira faixa
ambiências progressivas. Agora há algo a
de novo ao seu som, que no passado chegou a (de onze minutos) é a introdução perfeita já
dizer em relação a este som. Pode tornar-
se cansativo se não apresentar verdadeiras ser comparada a nomes como os Queensryche e que após a mesma não há volta a dar: fica-se
canções ou pelo menos algo que agarre o os Crimson Glory, numa onda mais progressiva. irremediavelmente agarrado. Com um saudável
ouvinte e nesse sentido os Protosequence Agora, vejo e sinto os Shadwokeep numa onda espírito psicadélico, definitivamente tocam em
são uma resposta às nossas preces e que mais anos 80 e certamente da minha parte irei todos os botões certos para nos cativar e tal
nos dão grandes esperanças em relação estar mais atento ao caminho que eles vão é feito com uma sobriedade e naturalidade tal
ao futuro, deixando-nos a aguardar percorrer, pois este som agrada-me com toda que fica-se desarmado. Sem dúvida não só uma
ansiosamente por um álbum. a certeza irá agradar aos fans. Grandes riffs, surpresa mas um vício, mesmo que consigamos
grandes solos e claro a voz de James arrasa! admitir que não se trata de som que entre na
cabeça de todos à primeira.

[8.5/10] Fernando Ferreira [9/10] Miguel Correia [8.8/10] Fernando Ferreira

SPARTAN WARRIOR STEVE HACKETT STONE BROKEN


“Hell To Pay” “Wuthering Nights: Live in Birmingham” “Ain't Always Easy”
Pure Steel Records InsideOut Music Spinefarm Records

“Hell To Pay” marca Para assinalar os Com tanta


quarenta anos desde brutalidade a
o regresso em que foi lançado "Wind penetrar-nos à bruta
força dos Spartan & Wuthering", o último os nossos ouvidos,
Warrior, banda com álbum em que Steve
Hackett gravou com os sabe bem de vez
fortes influências Genesis, temos aqui em quando lavar os
da NWOBHM, este álbum duplo (e ouvidos com uma
produzindo um metal duplo DVD e/ou Blu Ray) rockada energética
que é um verdadeiro e moderna, no
clássico e muito sólido. Depois de em 2009 luxo. Pelo o que pudemos testemunhar, quer caso daquilo que os britânicos Stone
se terem reunido e lançado o tão aclamado em termos audio quer em termos visuais, este Broken nos apresentam. Com um pé nas
pela imprensa mundial “Behind Closed é um álbum ao vivo recomendado a qualquer sonoridades mais modernas do novo
fã de rock progressivo, independentemnte
Eyes”, agora marcam mais um ponto de serem fãs de Genesis ou não. O músico milénio e outro nas sonoridades mais
numa carreira que se quer longa e dentro aparece rodeado por uma banda de músicos alternativas, o resultado é perfeito já que
fantásticos que nos trazem música imaculada, este é um álbum que se consome muito
das pretensões que “Hel...” nos deixa não só dos Genesis como da sua carreira a solo bem e pelo qual se quer voltar a repetir a
sentir. Dez faixas com uma performance e ambos os mundos se misturam muito bem, dose. Abrindo de forma muito forte com
muito acima da média. Não deixem passar principalmente pelos novos arranjos que fazem "Worth Fighting For", nunca mais desce de
com que as músicas ainda nos surjam com eficácia e até ao final mostra-se que nem
ao lado este lançamento marcado para mais qualidade. Sem dúvida que é um álbum ao
Fevereiro. sempre é fácil... mas por vezes parece.
vivo (e DVD/Blu Ray) obrigatório.

[8.5/10] Miguel Correia [9.1/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira

SUSPERIA SYSTEMIK VIØLENCE TAIGA


“The Lyricist” “Anarquia Violência” “Cosmos”
Agonia Records Raw'N'Roll Rex/Ring Leader/Regulator/Raging Planet Symbol of Domination Prod.
Parece que foi numa Sou o primeiro a O black metal russo tem
outra vida que o super- a capacidade de conter
grupo Susperia tomava admitir que estamos pequenas preciosidades.
de assalto os amantes da viciados no poderio E de certa forma é o que
música extrema. Numa anarquista dos os Taiga têm vindo a
altura em que ainda apresentar ao longo da
não era moda os super- Systemik Viølence. sua carreira. Movendo-
grupos, os Susperia A capacidade caótica se pelos terrenos do
apareciam com uma black metal depressivo
sonoridade bem atractiva da banda de nos e melancólico, a banda
que devia tanto ao thrash metal como ao black. Com conseguir puxar para o mundo do punk, encaixa-se e ao mesmo tempo não se encaixa nos
alguma estabilidade de na sua formação, a banda pârametros do género, tornando o seu som ainda
foi lançando álbuns que apesar de competentes, hardcore, crost, crossover e thrash javardo mais interessante do que seria suposto. Com
não chegaram a ter o impacto de "Predominance" a é impressionante e sem mostrar o mínimo uma camada forte de teclados em cima mas sem
estreia. Podemos dizer que agora, nove anos após sinal de cansaço, ela mantém-se intacta, permitir que tal lhe retire o poder das guitarras,
o último trabalho de originais, a banda mostra-se com uma voz que mete medo à bruxa má do oeste
bem mais coesa e dinâmica. Não será alheio o lançamento após lançamento. E "Anarquia- e com, e este é ponto forte de todo o trabalho, com
facto de contar também com um novo vocalista Violência" é a prova que ninguém precisava melodias marcantes, este trabalho surpreende pela
que garante uma maior diversividade nas linhas sua inteligência. Quando se trabalha neste tipo de
vocais. Não podemos dizer que é um regresso ao e o som que todos queríamos. A melhor género, poderá haver a tentação de fazer músicas
passado... é mais um renascer de peito feito para o banda-sonora possível para um bom longas, mas felizmente isso não acontece assim e há
futuro, com grandes malhas onde a melodia anda uma sobriedade que se torna cativante. O resultado
de mãos dadas com o peso e o resultado é de bailarico, cru e negro. Tal como gostamos. é um bom álbum que apesar de algumas limitações
qualidade bem assinalável. em termos de produção consegue cativar-nos.

[8.7/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira 67


TENGGER CAVALRY THE CLEARING PATH THE NIKA RIOTS
“Cian Bi” “Watershed Between Firmament And The Realm Of
Hyperborea”
“Set Fire”
Napalm Records I, Voidhanger Records Negative Vibe Records
Somos fãs do pessoal da Falar em The Clearing Uma das críticas
Mongólia. E não é só pela Path é o mesmo que mais comuns de
série do Netflix, Marco Polo.
Já conhecíamos os Tengger falar em Gabriele encontrar em relação
Cavalry anteriormente, Gramaglia, o "man" à enchente hardcore
nomeadamente por uma
nesta one-man-band
que vivemos na
compilação/split chamada última década é da
"Mongol Metal" que nos (que tem o mesmo falta de imaginação
dava a conhecer o seu papel nos Summit)
som - eles que foram a e de uma certa
nossa banda favorita desse mesmo split. Com uma que nos traz black uniformização das
regularidade editorial impressionante (este é o décimo metal hermético e bem dissonante, como propostas. Felizmente que nem sempre
quarto álbbum em menos de dez anos de história), que nos chegou há uns tempos de França. é assim. Os The Nika Riots por exemplo
seria de desconfiar pela qualidade e efectivamente há fazem a diferenciação com um incremento
por aqui uma diversividade que lhes desconhecíamos, Não sendo de fácil absorção, não deixa de ser
principalmente no uso de música electrónica que na um trabalho que nos puxa a cada audição, na melodia que tornam os seus temas
nossa honesta opinião não resulta tão bem. Músicas bem infecciosos e mais urgentes. Algo
principalmente pela forma como constrói que resulta e que faz com que não nos
como "Electric Shaman" soam quase a experiências
sonoras que se tornam corriqueiras pela forma como e descontrói e até surpreende o ouvinte a importemos de voltar mais vezes no
misturam a batida com as sonoridades mongóis e as cada tema. Temos a noção que poderá não futuro. Sendo este um projecto novo
guitarras à la nu metal. E o que temos é uma viagem
constante entre estes três mundos, uma viagem nem
ser a proposta mais popular mas isso não de membros de bandas como Man The
sempre harmoniosa mas que acaba por se entranhar com lhe retira nem um pingo de valor. Sem dúvida Machetes, esperamos ouvir falar mais da
alguma paciência e dedicação, até porque a sonoridade que um álbum que vamos querer aprofundar. banda para além deste EP.
começa a tornar-se algo cansativa (demasiadas faixas,
ainda que pequenas). Uma estranheza... interessante.

[6.5/10] Fernando Ferreira [8.3/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira

THE RAZ THECODONTION THY ANTICHRIST


“The Raz” “Thecodontia” “Wrath Of The Beast”
Rockshots Records Gravplass Propaganda Napalm Records
Rock, rock e mais Os Thecodontion - Gostamos de boas
rock e agora de este não é um nome surpresas. Quando
fácil de dizer - são um temos uma banda
origem columbiana. duo de black/death colombiana com duas
“The Raz” é o álbum metal que com esta décadas (completadas
estreia desta banda demo chegam ao seu neste presente ano)
primeiro trabalho. que lançaram o álbum
su- americana. Ok, E como muitos em 2004 e regressa
ouvi e não desgostei, primeiros trabalhos, catorze anos depois
e ao pesquisar algo mais sobre eles, percebi é possível notar as para o segundo
suas limitações, neste caso sendo que a maior álbum - não me entendam mal, a banda não
que estes quatro indivíduos fazem musica é mesmo a produção. Tratando-se de black esve inactiva, tendo lançado nesse período de
por amor à arte rockeira e produzem algo metal, até poderia não ser muito grave. E não tempo uma demos, dois splits, um single e uma
a que genuinamente e orgulhosamente é, é apenas frustrante. Em termos sonoros compilação - poderíamos esperar muita coisa
temos voz, bateria e baixo, que acaba por menos a potência deste "Wrath Of The Beast".
chamam Raz’n’Roll, porque será? Batidas ser o principal problema. O baixo domina Um título mesmo apropriado ao que podenos
bem fortes, ritmos marcados por tempos tudo na mistura - o que até é compreensível ouvir nestes dez temas, onde o black metal nos
tendo em conta a falta de guitarra - e ofusca a surge com uma produção mesmo potente e com
blues e rock’n’roll e honestamente com bateria quase por completo e deixa a mistura uma sonoridade que não é alheia à melodia,
um par de riffs bem grudentos aos nossos desequilibrada. Embora as músicas em si sejam entrando por campos do death metal sobretudo
ouvidos, numa estreia bem sólida e forte! cruas e primitivas, este pormenor da mistura a nível instrumental - de extremo bom gosto os
tornam estes quatro temas algo cansativos. momentos acústicos. O resultado é mais viciante
Ficam boas indicações mas é urgente outro tipo do que esperaríamos o que comprova a nossa
de soluções em termos de mistura. teoria que a boa música está por todo o lado.
[8/10] Miguel Correia [5.9/10] Fernando Ferreira [8.6/10] Fernando Ferreira
THY FEEBLE SAVIOUR TREVOR AND THE WOLVES TRIBULATION
“And Darkness Fell” “Road To Nowhere” “Down Below”
Hells Headbangers Plastic Head Century Media Records
O Black Metal no Trevor And The Os Tribulation têm o toque
Texas não se limita Wolves não querem de Midas. Pelo menos é
essa a sensação que se tem
aos Absu e a provar enganar ninguém. quando se olha com um
isso mesmo temos Logo no press release pouco mais de cuidado para
este trabalho bem indicam que têm a carreira da banda sueca.
podre por parte dos influências claras de Afinal que outra forma se
Thy Feeble Saviour bandas como AC/DC, pode explicar a maneira
como eles conseguem
que é a sua estreia Motörhead e Saxon. mudar de sonoridade de
depois de alguns Na nossa opinião álbum para álbum sem
demos e splits, alguns na sua primeira ficamos logo por AC/DC, já que o que temos falhar o alvo. Inevitavelmente, como bons humanos que
encarnação (meados da década passada), aqui transpira sem margem de dúvida à banda somos, a pergunta é sempre... até quando? Até quando
vão mudar de sonoridade e continuar a acertar no alvo?
e outros na presente década. Black Metal de Angus Young. Ligeiramente metalizado, Bem, em parte podemos dizer que nada dura para sempre.
cru, bruto, sem grandes adornos mas ainda é certo, mas sem deixar o reino do hard A evolução de "Down Below" em relação ao anterior álbum
assim com capacidade para evidenciar rock. E o resultado é bem satisfatório. Mais é mínima. Talvez a frase anterior não tenha sido a mais
algumas dinâmicas que fazem com que o que satisfatório, é excelente. Hard rock de clara para explicar. Não é que a banda não tenha evoluído,
som não se torne aborrecido e não se esgote qualidade inegável onde a maior surpresa apenas não mudou radicalmente como tinha sido o caso
anteriormente. E era esperado. Sinceramente, depois
rapidamente, embora fosse muito mais eficaz acaba por ser a voz de Trevor que, para de "The Children of the Night" não esperávamos que
com menos umas quatro faixas. De qualquer quem não sabe, é o vocalista da banda de houvesse outra metamorfose intensa. No entanto, isso
forma, para quem procura algo mais primitivo Death Metal Sadist. E o título é perfeito, esta não é indicação de haver falta de qualidade. Muito pelo
e violento dentro do black metal, este é um "estrada para nenhures" é a encarnação do contrário. Todas as teclas que foram bem pressionadas
ponto de paragem obrigatória. espírito do rock'n'roll clássico. Excelente anteriormente, continuam a ser aqui. Contnuamos a ter a
voz ríspida, os leads melódicos viciantes, o feeling meio
surpresa. gótico meio heavy metal tradicional e progressivo e,
claro, o melhor e mais importante acima de tudo, grandes
temas. Apesar de não mudar de estilo, o toque de Midas
continua aqui, porque este disco é ouro.

68 [7.4/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira


TWITCHING TONGUES USURPRESS VALLENDUSK
“Gaining Purpose Through Passionate “Interregnum” “Fortress Of Primal Grace”
Metal Blade Records Agonia Records Northern Silence Productions
Haverá algo mais metal Após o excelente EPs destes são um
do que começar uma "The Regal Tribe", verdadeiro luxo.
música com a "Marcha demorou apenas Os Thantifaxath
Fúnebre" de Chopin? dois anos até quebram o silêncio
Poucas, provavelmente voltarmos a ter de três anos com
mas por parte de uma notícias dos "Void Masquerading
banda que mistura Usurpress. A As Matter" que tem
metal e hardcore sem proposta dos suecos o poder de muitos
soar propriamente é sempre refrescante álbuns que por aí
a metalcore é um na forma como andam. Quatro longas faixas de black metal
excelente indicador. Imaginem uns Corrosion consegue juntar death metal cavernoso
Of Conformity vitaminados e a tocar com aquela e doom (há quem lhe chame sludge mas mas bem dinâmicas, de tal forma que nos
energia dos Biohazard e dos Agnostic Front da pronto, é uma questão de opinião) de custa a apelidar apenas de black metal
década de noventa. Já está? Não tem nada a uma forma bem interessante. Na nossa porque isto não é "apenas" nada. É um
ver, mas é um bom começo. Mas mais do que opinião ainda conseguem ir mais longe, trabalho de uma riqueza impressionante
ir buscar coisa aqui e ali, o que impressiona transcender os limites dos géneros e e que é a introdução perfeita ao som da
é mesmo o poder e a honestidade que este servir aquilo que as músicas pedem. banda, apesar de haver muitas coisas que
conjunto de músicas consegue trazer para o "Interregnum" pede algo mais, pede não são propriamente atractivas neles, a
ouvinte. Um grande vício que se instala sem um ambiente mais especial. E ao pedir começar pelo nome pouco usual e pelas
grandes dificuldades e que nos faz até esquecer recebeu. E recebemos todos nós. Sem que músicas de difícil absorção. Tudo junto, só
toda a história dos rótulos. É o quê? É bom! tenhamos as expectativas muito longe do faz com que gostemos ainda mais deles.
que já ouvimos, este álbum dá-nos algo
bem memorável e dinâmico.

[9/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira [9.5/10] Fernando Ferreira

VINIDE VISIONS OF ATLANTIS VISIONS OF THE NIGHT


“Reveal” “The Deep & The Dark” “Supreme Act Of War”
Inverse Records Napalm Records Edição de Autor
Mais metal sinfónico Os Visions Of Atlantis, Os Visions Of The
melódico em análise e apesar de alguma Night são uma
“Reveal” dos filandeses irregularidade em
Vinide é um produto termos de alinhamento, proposta estranha
que começa de forma entrada e saída de de black metal. Com
firme numa intro de 90 músicos, são um dos a temática da guerra
segundos arrepiantes, nomes mais sólidos bem presente, o
seguida por “The do power metal seu metal extremo
Beginning Scene”, uma sinfónico europeu e apresenta-se de
faixa muito forte, com este "The Deep & The
riffs bem tirados e com momentos atmosféricos Dark" comprova exactamente isso, com um forma atabalhoada e
onde surge a presença de vocais femininos dos trabalhos mais sólidos da banda austríaca sem grande finesse. Nada que nos choque
num conjunto todo ele muito equilibrado e e que marca também o regresso aos álbuns até porque com a brutalidade, há sempre
interessante. Tudo o que se segue pauta-se pelo após cinco anos de ausência. É um álbum com algo que tem que ceder. No entanto neste
mesmo registo sonoro, mas quebrados por vezes grandes temas, grandiosos e ao mesmo tempo caso específico, o principal problema é a
por ritmos mais rápidos e a presença também contagiantes que não demoram tempo nenhum forma como apesar de termos elementos
de coros melódicos e alguma orquestração a instalar-se, mesmo que soem um pouco a déjà que nos são familiares e que noutras
completam a ementa destes “Reveal”, que no vú - consequências do género onde se inserem.
global não se afirma ainda como um álbum Apesar das críticas que possam fazer, temas situações até resultam, aqui sente-se
de destaque, mas que nos dá a ouvir bons como "Return To Lemuria" e "Book Of Nature" que falta qualquer coisa. O que está algo
momentos musicais onde a qualidade técnica são representativos da qualidade que é possível a mais. Seja pelos leads que nalguns
dos integrantes é bem constatada. Contudo sinto encontrar aqui, onde a melodia, os arranjos casos não acrescentam nada, seja pela
que o álbum necessitava de outra força, de outra orquestrais e a voz fantástica de Clémentine redundância de alguns temas. Ainda não
energia e sem tanto “make up” de estúdio. Delauney se unem para nos trazer um grande foi desta que nos conquistaram.
álbum.
[8/10] Miguel Correia [8.5/10] Fernando Ferreira [5/10] Fernando Ferreira

VOIDHANGER WORSTENEMY WRATH SINS


“Dark Days Of The Soul” “Deception” “The Awakening”
Agonia Records WormHoleDeath Raising Legends Records
Parece que 2018 é O formato de power trio Impressionante. É só
um ano de regresso costuma resultar de o que temos a dizer.
para bandas que já forma particularmente Não, a verdade é que
não lançavam álbuns entusiasmante no death temos mais a dizer,
há já algum tempo. Os metal, principalmente mas apetece não
polacos Voidhanger em estúdio - somos estragar o que a palavra
descansam todos da opinião que ao "impressionante"
aqueles que temiam vivo, principalmente deixa ficar no ar. O
que a banda se tivesse em géneros onde thrash metal é um
perdido e cinco anos gostamos de ter uma género que veneramos
após "Working Class Misanthropy", temos em guitarra ritmo e uma guitarra solo, fica-se particularmente (e é por isso que continuamos
"Dark Days Of The Soul" uma excelente proposta sempre com a sensação de que falta sempre a gritar "thraaaaaaaaaash" com satisfação)
de música extrema como o power trio já nos qualquer coisa. Felizmente que ao ouvir e tal não é por acaso, porque continua a ser
tem vindo a habituar na presente década. E não "Deception" não parece faltar nada. Ritmo um género que se consegue renovar a cada
é propriamente física quântica. Manter as coisas pulsante e bem forte - a bateria está com uma lançamento que surge. Dentro desse âmbito
simples na música também não significa que ela energia fantástica - acompanhada pela guitarra de frescura, "The Awakening" surpreende pela
tem que ser básica. Com foco na brutalidade e ritmo e pelo baixo depois adornada com forma não só é um grande trabalho de thrash
na conjugação do death e black metal com os grandes solos, com o gutural por cima. É um metal mas como também consegue atirar para o
ritmos mais thrash, o resultado é um trabalho grande trabalho de death metal, lançado no final meio outros elementos sem que isso desvirtue
que nos conquista sem grandes dificuldades. do ano passado e que teria tudo para chegar a sua identidade. Temos peso (com fartura),
Porque não é preciso muito para isso para quem aos melhores do ano... se tivessemos chegado temos grandes refrães e temos uma produção
tem metal a correr nas veias. É poético de uma lá mais cedo. que faz com que tudo isso e tudo o resto soe de
forma parva mas descreve bem o ambiente da forma perfeita. Um álbum de enorme qualidade
coisa. e a confirmação do talento dos Wrath Sins.
[9/10] Fernando Ferreira [9/10] Fernando Ferreira [9.3/10] Fernando Ferreira 69
70
album do mêes
20 Johan Kihlberg's Impera 14 Perfect Beings 08 Usurpress
“Age Of Discovery” “Vier" “Interregnum”
AOR Heaven InsideOut Music Agonia Records
Tribulation
19 EmpiresFall 13 Angantyr 07
“A Piece To The Blind” “Ulykke” “Down Below”
Pure Steel Records Northern Silence Productions Century Media Records

18 Voidhanger 12 Demonical 06 Insanity Alert


“Dark Days Of The Soul” “Chaos Manifesto” “Insanity Alert”
Agonia Records Agonia Records Season Of Mist

17 Dead Of Night 11 Ammunition 05 Horizon Ablaze


“The Evolving Science Of Self” “Ammunition” “The Weight Of A Thousand Suns”
Pride & Joy Music Frontiers Music Leviatan/Diger

16 Erdve 10 Desalmado 04 Cân Bardd


“Vaitojimas” “"Save Us From Ourselves” “When The Spirit Finally Opens”
Season Of Mist Edição de Autort t Northern Silence Productions

15 Mournful Congregation 09 Novareign


“The Incubus Of Karma” “Legends”
Osmose Productions M-Theory Audio

03 Vallendusk 02 Rivers Of Nihil 01 Oceans Of Slumber


“Fortress Of Primal Grace” “Where Owls Know My Name” “The Banished Heart“
Northern Silence Productions Metal Blade Records Century Media Records 71
,
Maquina do tempo

ACHERON BASTARDÖS BETWEEN THE PLANETS


“The Rites Of The Black Mass” “Bastardös” “Of Inner Sight”
Vic Records GrimmDistribution Edição de Autor
Confesso que os Reedição do álbum Já falámos da nossa
Acheron sempre me de estreia dos cena com a música
pareceram uma banda argentinos Bastardös instrumental, não já?
de muita parra e pouca Por esta altura não é
uva. Apenas por terem que trouxeram este
mundo do metal em preciso bater mais no
a particularidade de ceguinho mas também
serem considerados ou 2015 uma rajada temos que pensar
reconhecidos pela Igreja de thrash metal naqueles que chegaram
Satânica como banda impiedoso e até algo
"oficial do satanás", em apenas agora. Bem...
termos sonoros (que é isso que interessa, certo? old school. Seja pela resumindo, adoramos
Continuamos todos a falar de música), nunca produção, seja pelas músicas em si, parece música instrumental. Procuramos activamente
apresentaram nada propriamente sólido. No que somos transportados para o final da por ela e muitas vezes, ela vem ter connosco,
entanto, este "The Rites Of The Black Mass" acaba década de oitenta quando havia thrash como os Between The Planets que fazem um
por ser um dos melhores trabalhos da banda, metal a surgir um pouco por todo o lado. excelente uso de atmosfera e que com tiques
mais violentos e mais sólidos. Ainda por cima djent, conseguem apresentar um belo álbum
reapresentado com um som remasterizado e com Para os saudosistas, este é definitivamente cheio de dinâmicas. Poderá ser algo difícil de
um livreto expandido com notas - uma boa mania um trabalho a conferir. O power trio sente- memorizar até porque este seria um trabalho
por parte da Vic Records, não basta só lançar cá se como genuíno na sua paixão ao género excelente para servir de banda sonora, mas
para fora o que já foi editado décadas antes, um e é esse sentimento que temos ao longo não há praticamente defeitos aqui. Produção
pouco de cuidado também não faz mal a ninguém. deste trabalho, com bons momentos por cristalina, bons arranjos e, claro, as guitarras
Para quem quer conhecer um pouco da música pós rock/metal a conduzir o leitor por uma
extrema norte-americana, este é um bom sítio para todo o lado (aquela "Fábrica Del Terror" soa
mesmo clássica. viagem que vale a pena fazer.
começar.

[6.5/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira [8.5/10] Fernando Ferreira

CORRUPT MORAL ALTAR DANCING SCRAP DESOLATE PATHWAY


“Eunoia” “This Is Sexy Sonic Alternative Iron Punk” “Valley Of The King”
Edição de Autor Agoge Records WormholeDeath

Não foi por acaso Ora aqui está um Não, não se trata
que Corrupt Moral álbum à antiga. do regresso da
Altar fez furor no Não é retro, é banda de doom
final do ano passado metal britânica. É na
quando editou de descomprometido. realidade a reedição
forma independente Faz-nos lembrar do álbum de estreia,
no bandcamp - e dos tempos em que originalmente
disponível numa o rock era assim editado em 2014.
modalidade de mesmo, sem pretensões de ser sofisticado. Quando analisámos
"pay what you want". O sucesso foi tal o segundo álbum da banda, "Of Gods
que houve uma procura por "Eunoia" em Podemos dizer que não temos aqui rock And Heroes" uns anos atrás, não ficámos
formato físico, procura agora satisfeita puro e que temos algumas piscadelas ao particularmente impressionados e
pela edição limitada em formato vinil. lado mais indie mas no final tudo resulta podemos dizer agora que não foi um
De uma qualidade surpreendente, esta muito bem. O melhor elogio que podemos caso isolado. A voz de Simon Stanton não
é uma boa representação de como fazer fazer é como nos soa de forma relaxada. tem o punch necessário para nos agarrar
grindcore inventivo mas ao mesmo tempo pelos ouvidos e prender-nos e as músicas
tradicional, capaz de partir a louça toda. Como consegue encaixar a sensação de também não compensam essa lacuna.
Ah, e não é MESMO por acaso que foi estarmos presos entre o mundo de uns Não é dizer que é um mau álbum (aliás,
considerado um dos álbuns do ano de Smashing Pumpkins, AC/DC e as L7 e "Of Gods And Heroes" também não o era)...
2017 no nosso top da edição passada. Só melhor, fazer com que resulte. Uma boa apenas que num tempo onde temos muita
naquela... surpresa que vai-se revelando viciante. música disponível, que não vale a pena
investir tempo nele.
72 [9/10] Fernando Ferreira [8.3/10] Fernando Ferreira [5/10] Fernando Ferreira
GAME ZERO HEILUNG HELLOWEEN
“Rise” “Ofnir” “The Time Of The Oath“
Agoge Records Season Of Mist Castle Music
Os Game Zero Reza a lenda que o Nada mais a
chegaram-nos de Itália impacto desta estreia propósito do que
há pouco tempo. Mais auto-financiada
concretamente em numa edição onde
do colectivo
2013. "Rise" é o álbum
dinamarquês Heilung os Helloween
de estreia editado são capa do que
dois anos depois e teve tal impacto,
que nos apresenta sobretudo no meio revermos um dos
um hard'n'heavy de da editora Season grandes momentos
excelente qualidade, Of Mist, que eles da sua história. Estavamos em 1996 e
ainda que algo datado. O que nos coloca algumas tiveram que assegurar a contratação da
questões. Será um problema tão grande termos mesma e a reedição deste álbum de estreia. os Helloween tinham regressado para
toda esta questão do retro? E será que o retro Poderíamos dizer que temos uma espécie com o segundo álbum com um novo
é melhor ou pior do que bandas que apenas
não são retro, apenas fazem as coisas de forma de folk mas isso seria levar os ouvintes para vocalista, Andi Deris, dos Pink Cream
datada. E sim, há uma diferença entre os dois. paragens que não são as mais correctas. 69. Os "Keepers" tinham sido na década
Bem, não é aqui que vamos encontrar todas Neofolk é mesmo o mais correcto, com passada e os efeitos e desconfiança
as respostas, mas "Rise" mostra-nos um amor algumas abordagens mais industriais,
genuíno ao heavy metal e é algo que se sente muito leves aqui e ali. É um trabalho que dos álbuns "Pink Bubbles Go Ape" e,
ao longo deste trabalho. Flui naturalmente, com assenta na exploração da cultura nórdica sobretudo, "Chameleon" ainda estavam
bons temas, boas melodias e leads. E no final é antes do aparecimento do cristianismo por bastante vivos. "Master Of The Rings" foi o
só isso que importa. aquelas paragens e que cativa exactamente álbum que voltou a apresentar a banda no
pela atmosfer que consegue estabelecer. caminho do heavy/power metal de sempre.
No entanto, foi com "Time Of The Oath" que
[8/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira
a banda voltou a conhecer um sucesso
quase ao nível daquele da década passada.
HEXX JINGER Claro que o momento era diferente e que
“Quest For Sanity & Watery Graves” “Cloud Factory” o metal já não estava propriamente na mó
Vic Records Napalm Records de cima. Mas foi também devido a este
A Vic Records resolveu Tenho que confessar trabalho que a banda liderou um renovado
ir ao baú norte- que os Jinjer nunca me
americano e trouxe-nos fascinaram. E agora interesse no power metal. Nem sempre
esta preciosidade que ao ouvir este segundo acerta, mas temos aqui grandes malhas
junta os EPs "Quest álbum, reeditado pela que soam hoje em dia de forma tão pujante
For Sanity" e "Watery Napalm Records em
Graves" de 1988 e Fevereiro, consigo (ou mais) como na altura: "We Burn", "Steel
1990. Não sendo perceber que tal se deveu Tormentor", "Power", "Before The War", e
um dos nomes mais sobretudo a preconceito.
reconhecidos do metal Este segundo álbum é as épicas "Mission Motherland" e o tema
americano, os Hexx têm uma história interessante. tão diverso quanto potente mas consegue sê-lo e título que encerra o álbum. E como se não
Começaram nas sonoridades mais tradicionais ainda soar como um trabalho completo. Sem ser
do power/thrash tipicamente americano e foi a uma manta de retalhos, conseguimos perceber as bastasse, esta reedição é de luxo já que
partir precisamente de "Quest For Sanity" que raízes nu-metal e metalcore, mas também um ar conta com um CD cheio de faixas raras
começaram as suas experimentações com o death. bastante técnico que faz com que o seu som não
Com uma abordagem mesmo crua ao género soe como mais uma proposta. E depois a voz de lançadas nos singles do álbum e faixas
(e com som a condizer) esta reedição vem com Tatiana Shmailyuk faz com que toda a música seja bónus exclusivas ao mercado japonês.
uma livreto expandido, cheio de notas por parte elevada a um patamar completamente novo. Sem Obrigatório.
de Dan Watson, um dos membros originais, dúvida que um álbum que vale a pena conhecer
além de fotos da época que fazem com se tenha ou a voltar a ouvir caso já conhecessem. Diverso,
um artigo muito apetecível. Consta que a banda pesado e melódico. Temos ainda dois temas ao vivo
voltou ao seu som mais tradicional com o álbum que acabam por não ter a potência do álbum mas
editado o ano passado, "Wrath Of The Reaper", mas mesmo assim são interessantes, um interessante
este documento não deixa de ser interessante o complemento.
suficiente para justificar a compra.

[7/10] Fernando Ferreira [8/10] Miguel Correia [9/10] Fernando Ferreira

MANIPULATION MECALIMB MELECHESH


“The Future Of Immortality” “XIII” “As Jerusalem Burns... Al'Intisar”
GrimmDistribution Wormholedeath Vic Records
Reedição do A capa deste "XIII" Reedição de luxo
trabalho de estreia parece que tem uma para os fãs dos
dos deathsters série de elementos Melechesh. Este
Manipulation. aleatórios que foram primeiro álbum em
Apesar dos três juntos apenas por muitos aspectos
álbuns lançados, acaso. Felizmente ainda é apenas
confessamos que que o som não é um vislumbre da
nunca tínhamos assim deixado ao sonoridade potente
ouvido falar deste acaso. Temos um que a banda formada
nome mas a sua proposta definitivamente death metal melódico modernaço mas que em Israel mas ainda assim não deixa de
que nos conquistou, sem grandes não se aproxima dos campos do metalcore, ser um trabalho interessante a conhecer
dificuldades acrescente-se. Com uma lançado há três anos atrás. É um álbum (para quem ainda não o conhece, claro),
energia e pujança invejáveis e com que apresenta boas malhas, capazes sobretudo para os fãs do black metal mais
aquele toque polaco de blasfémia tão de cativar sem grandes problemas e de puro, se é que lhe podemos chamar assim.
característico, este "The Future Of conseguir imprimir dinâmicas no ouvinte, Além do dito álbum, temos também a
Immortality" vale a pena ser redescoberto. com alguns momentos compassados demo de 1995 "As Jerusalem Burns..." e o
Dinâmica e intensidade que nos faz pensar bem conseguidos. Talvez não seja dos EP de 1996 "The Siege of Lachish", além de
se os dois trabalhos lançados mantiveram trabalhos mais memoráveis mas é uma um livrto com notas por parte do senhor
a alta fasquia aquie estabelecida. boa indicação para aquilo que vamos Ashmedi em pessoa. Para quem não tem
ter no futuro próximo já que a banda ainda, é uma excelente adição à audioteca.
encontrar-se a trabalhar no seu sucessor.

[8/10] Fernando Ferreira [6.8/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira73


NEW DISORDER OBTRUNCATION SATANIC
“Deception” “The Callous Concept” “Architecture Of Chaos“
Agoge Records Vic Records Brutal Records
Os New Disorder Até nos admiraríamos Poderíamos jurar
poderão ser um se a Vic Records que os Satanic eram
novo nome para a este mês não fosse sul-americanos. O
maioria dos nossos à arca holandesa ver seu som tresanda
leitores mas esta o que haveria para
recuperar. De lá retirar àquele thrash/
banda italiana já black/death metal
anda a navegar pelos o álbum de estreia dos
Obtruncation, banda blasfemo que nos
mares do rock/metal que já anda nesta vida chegava anos atrás
alternativo há já quase desde 1990 mas não exclusivamente
dez anos. "Deception" é o seu terceiro álbum é exactamente activa. De 1997, "The Callous
e é possível encontrarmos aqui muitas boas daquela parte do continente americano
Concept é tão podre como se tivesse sido mas não, a banda é mesmo canadina e
referências cuja principal parece ser Coheed registado no dia em que a banda nasceu mas
And Cambria. Ainda assim conseguem este é o seu álbum de estreia lançado
não é, de todo, básico. Com o olho para os
apresentar uma identidade já formada e que ambientes, a brutalidade que a banda espalha originalmente em 2016 e recuperado agora
assenta principalmente em temas que nos seria mais eficaz caso houvesse uma produção pela Brutal Records. O que temos é mesmo
contagiam facilmente. O nosso preferido mais cuidada. Interessante mesmo sem aquela abordagem mais primitiva ao metal
é mesmo o dueto com Eleonora Buono na acrescentar nada, serve como curiosidade para extremo e que nos faz lembrar nomes tão
"Straight To The Pain", que resulta muito bem. quem gosta e está interessado em death metal díspares como Sarcófago e Pentagram (os
Entre a melodia e um peso mais acentuado vintage - mesmo tendo sido lançado numa chilenos). O resultado é música extrema
- que nos remete para as sonoridades altura em que já não tinha obrigação de o ser. descomprometida e eficaz, principalmente
modernas do metalcore - esta foi uma boa pelos bons solos de guitarra que contém.
surpresa. Interessante estreia.

[7/10] Fernando Ferreira [6.7/10] Fernando Ferreira [6.9/10] Fernando Ferreira

SAXON SILVER DUST SKYFORGER


“Wheels Of Steel” “The Age Of Decadence” “Semigalls' Warchant”
EMI Fastball Music Folter Records
Segundo álbum de uma Os Silver Dust Reedição da demo
da principais bandas da representam a evolução dos Skyforger, que
NWOBHM, os Saxon. Um do rock. Na nossa
dos primeiros nomes a opinião, por muito que além da demo em
ganhar notoriedade pelo gostemos (adoramos!) questão lançada
ataque inglês de heavy do rock tradicional, originalmente em
metal que viria a mudar parece-nos inevitável que 1997 também temos
o mundo da música surjam propostas mais em exclusivo o EP
pesada. E para muitos modernas e neste caso
este é considerado o até bem conseguidas. “Asinslauks” de
primeiro álbum da banda. Não de uma forma oficial Com o recurso de elementos electrónicos - numas 2005. É uma boa
mas porque os primeiros clássicos da banda vêm faixas mais acentuadas que noutras - percebemos forma de apreciar a evolução da banda, já
todos daqui. “Motorcycle Man”, “Stand Up And Be o porquê do fãs mais tradicionais torçam o nariz a que os primeiros temas deste lançamento
Counted”, 474 (Strangers In The Night”, o tema- músicas como "My Hear Is My Savior" que soam foram também os primeiros registados
título estão entre esse grupo, e todos eles também bem pop. A questão é que resulta, dentro deste
estão na primeira metade do programa. Isso contexto, mesmo não sendo (de todo) dos nossos e editados, enquanto os últimos quatros
poderia ser o código postal para não termos um momentos favoritos. Intercalando o inglês e o evidenciam toda a experência da banda
álbum forte, mas a segunda metade é igualmente francês, o pop pelos momentos brutais (a "Shame adquirida nos quatro trabalhos já lançados
forte e uma boa representação de como o heavy On You!" até guturais tem) este é um trabalho e o refinar do seu folk/black metal. Para
metal deveria soar. Como a edição original já há que acaba por surprender pela sua eficácia. Não os fãs die hard da banda, pelo seu valor
muito que estava esgotada, conseguimos deitar as consideremos que seja a salvação do rock (até
mãos a esta reedição de 2009, onde temos demos porque ele está muito como está, obrigado) mas histórico e sobretudo pelas últimas quatro
de ensaios e temas ao vivo no mítico Monsters Of não deixa de ser um bom álbum. faixas, este é uma pequena preciosidade
Rock de Donington em 1980. Um clássico. do underground.

[9/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira [7/10] Fernando Ferreira

TANKARD THE GATHERING TURMA


“Disco Destroyer” “Downfall - The Early Years” “Kraken”
AFM Records Hammerheart Records Edição de Autor
Este poderá nem ser o Este lançamento é uma Da Itália chegaram-
disco mais inspirado preciosidade. Por vários
motivos. Primeiro, é nos Turma, com este
dos Tankard. Aliás,
faz parte do conjunto uma compilação que trabalho vitaminado
junta os primeiros de thrash metal que
de trabalhos que registos da banda
saíram na transição holandesa, quando em muitos aspectos
de milénio e que tocavam death metal. se aproximam
simplesmente Temos temas inéditos e
não conseguiram da as demos "Moonlight do death metal,
impressionar as novas gerações nem Archer" e "An Imaginary Symphony" e ainda um principalmente pela voz poderosa de
transmitir a mesma magia que tinham segundo cd (CD-ROM, ora aí estão um termo que
aposto que não é usado há já algum tempo) com Raffaele Berisio, que é de impor respeito,
transmitido na década anterior. No entanto, um registo ao vivo da banda em 1991. Poderá não aliás, como toda a sonoridade da banda no
também teremos que considerar que Tankard ser um álbum que nos vá dar prazer ao ponto de
nunca apresentou thrash metal complexo e ouvirmos muitas vezes, mas não restam dúvidas geral. Poderia ser ainda mais eficaz não
intrincado. Com aquela costela mais punk da importância histórica que este trabalho tem. O tivesse uma sonoridade que se sente por
bem assente, ainda é possível gostar de ponto de partida de uma banda que iria evoluir bem vezes algo digital ou artificial mas este é
temas como "Serial Killer" ou "Hard Rock para além das fronteiras do death/doom inicial,
Dinosaur", mas realmente quando o tema uma génese interessante e que retratava bem como apenas um detalhe já que a potência está
mais memorável é uma versão de Manowar a cena da altura efervescia. A quem conseguiu toda aqui. Apesar de alguma mudança de
apanhar esta edição, como eu, será sempre um
- "Fast Taker" - então temos um indicativo de prazer de vez em quando pegar neste pedaço de orientação e de alguns pormenores que
algo. Este tema faz parte apenas da reedição história. podem ser melhorados, está aqui um belo
masterizada.
trabalho de death/thrash metal.

74 [6/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira [8/10] Fernando Ferreira


VENOM PRISON W.A.S.P. temos som melhorado - principalmente
“Animus” “ReIdolized (The Soundtrack To The Crimson Idol)” a bateria que está com uma potência
Prosthetic Records Napalm Records
impressionante - como temos o filme
que era para ser lançado na altura mas
Reedição dessa A nostalgia é acabou por ficar na gaveta. Tratam-se de
bujarda que é tramada. Deixa-nos
"Animus", o álbum cerca de uma hora de imagens que servem
sempre vulneráveis para acompanhar o álbum original (isto é,
de estreia dos
britânicos Venom a certas coisas. E sem as faixas indicadas atrás) e que tem a
Prison é motivo ainda bem, porque narração feita pelo próprio Blackie Lawless
mais que suficiente há coisas que e que na altura foi lançada como lado B
para que falemos nunca devem ser
aqui dele. Não só o em singles. Para quem já tem, obrigatório.
esquecidas. "The Crimson Idol" um dos Para quem não tem, ainda mais obrigatório
álbum em questão é um festival de porrada
do melhor que pode haver como também melhores álbuns dos W.A.S.P. e uma das que se trata. Um dos grandes álbuns de
esta reedição traz-nos um segundo CD melhores opera rock de todos os tempos. sempre que surge melhor que nunca!
com uma série de temas registados ao Poderá parecer exagero mas como disse,
vivo e que constitui uma boa segunda a nostalgia é tramada. No entanto, não
oportunidade para apanhar este álbum temos aqui uma simples reedição do
que é uma boa mistura entre o death metal
mais agreste e um pouco o espírito próprio álbum editado vinte e cinco anos atrás.
do crust/hardcore britânico e que resultou Não só temos músicas que na altura não
num álbum a guardar na colecção pessoal foram editadas no álbum ("Michael's
de brutalidade. Song", "Miss You", "Hey Mama", "The Lost
Boy", "The Peace" e "Show Time), não só
[8/10] Fernando Ferreira [9.5/10] Fernando Ferreira

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para mais informações contacta-nos:
Tiagofidalgo.wom@gmail.com
75
WOM Live Report

Steven Wilson
31/01 - Altice Arena, Sala Tejo, Lisboa
Texto por Filipe Ferreira

Depois de se estrear a solo em solo português na tour ordem do álbum a banda prosseguiu com “Nowhere
do álbum “Hand. Cannot. Erase.” em 2015, no ultimo Now”e “Pariah” que infelizmente não contou com a
dia 31 de Janeiro a capital voltou a ter oportunidade participação de Ninet Tayeb que só estará presente
para ver Steven Wilson ao vivo, desta vez para em alguns concertos desta tour. Depois da primeira
promover o novo “To the Bone”. Com abertura de incursão pelo novo álbum uma pequena viagem pelo
portas as 20 horas e sem banda de abertura, a Sala anterior “Hand. Cannot. Erase.” com “Home Invasion”e
Tejo foi-se compondo de gente que ia bebendo umas “Regret #9”, que como há dois anos funcionaram na
cervejas e trocando uns dedos de conversa. perfeição.

Por fim à hora marcada as luzes apagaram-se e uma Na primeira oportunidade para falar com o publico
voz através das colunas fazia um anuncio que o Steven Wilson referiu o facto de esta ser a primeira
espectáculo estava prestes a começar mas que antes noite da tour e que portanto tudo o que houvesse
disso iria ser mostrado um pequeno vídeo destinado para acontecer de mal iria acontecer nessa noite
a testar a reacção do publico em relação a vários (mantenham isso em mente até ao fim do texto), e que
temas. Na tela colocada a frente do palco eram não só seria o publico lisboeta um género de cobaia a
projectadas imagens com uma legenda associada com ouvir pela primeira vez as novas musicas ao vivo, mas
essa imagem que fazia sentido, conforme as mesmas também os primeiros a ouvir material de Porcupine
imagens foram sendo repetidas as legendas foram Tree que não só não era tocado há muitos anos como
trocadas dando origem a conjunções cada vez mais nunca tinha sido tocado a solo. O primeiro exemplo
sorriais como Ciência associada a Cientologia, Morte disto foi “The Creator Has A Mastertape”que não era
com a foto de uma família etc. tocada ao vivo desde 2003 e foi recebida pelo público
com entusiasmo.
Enquanto as últimas imagens passaram a banda foi
entrando em palco e iniciou o concerto com a música Antes do intervalo da primeira set, houve ainda tempo
titulo do novo álbum “To The Bone”. Seguindo a para mais duas músicas do novo álbum “Refuge” com
76
a primeira coisa a correr mal quando Steven Wilson Tempo ainda para mais um momento calmo e ao
ficou sem som na guitarra durante uma boa parte álbum “In Absentia” dos Porcupine Tree com “Heart
da música, e “People Who Eat Darkness”. Por fim a attack in a Layby” uma musica emotiva que deu lugar a
primeira parte do concerto terminou com “Ancestral” risos quando após o fim da musica, Wilson confessou
ao que se seguiram um pouco mais de 15 minutos de que só cantou "dah dah" no fim da musica porque se
intervalo. esqueceu da letra. Mais uma vez os percalços da noite
de estreia da tour.
A segunda parte iniciou com mais uma música
que Wilson nunca tinha tocado a solo. “Arriving Com Wilson a dizer que nos aproximávamos do fim
Somewhere but Not Here” cantada em uníssono do espectáculo e com o publico a exprimir a sua pena
pelo público presente na Sala Tejo. De seguida veio no facto de estarmos a acabar, Steven Wilson lembrou
a música mais divisiva deste novo álbum, a mais pop com piada que na realidade eles só iam fingir que se
“Permanating” que mesmo tendo provocado muitas iam embora mas depois voltavam. Assim o último
reticências por parte dos fãs quando saiu como tema do novo álbum foi “Detonation” seguido pela
singles, ao vivo foi bastante bem recebida enquanto música que já em 2016 acabou o set principal, “Sleep
luzes coloridas iluminavam o palco, que teve inclusive Together”seguida da despedida da banda.
direito a uma bola de espelhos.
O regresso para o encore fez-se com Wilson a entrar
Existiu mais um momento leve no concerto quando sozinho em palco, com um pequeno amplificador
Steven Wilson ao falar sobre música pop afirmava que na mão a que ligou a guitarra e num momento mais
quem nunca gostou de nenhuma musica dos Beatles, intimista depois de falar um pouco da guitarra que
Queen ou Abba claramente era um mentiroso. A trazia, o público foi brindado com uma versão de
maioria das músicas tiveram direito a vídeo a passar “Even Less” tocada apenas por ele á guitarra e com
no ecrã atrás do palco, mas numa outra ocasião foi o seu pequeno amplificador, cantada também pelo
usada a tela a frente da banda onde eram projectadas público. Simples mas bastante poderoso, um dos
imagens. Em “Song of I” foi feita talvez a melhor momentos da noite. Antes do fim do concerto ainda
utilização da tela com uma dançarina em formato existiria oportunidade para as regulares “Harmony
“holograma” a dançar a frente da banda durante Korine”e “The Raven That Refused to Sing”.
a musica começando do tamanho de uma pessoa
normal e vindo a crescer até no clímax da musica se Um excelente concerto (como seria de esperar) que com
multiplicar em varias silhuetas que fizeram um efeito cerca de duas horas e meia de duração foi mais longo
bastante interessante. que o de 2015, e com uma setlist bastante equilibrada
entre o novo material e o “resgate” de musicas mais
Ainda a usar a tela mas agora para passar fotografias antigas de Porcupine Tree. As músicas do novo “To
de família seguiu-se “Lazarus” já habitual nos The Bone” (que foi tocado quase na totalidade),
concertos do músico inglês. Depois deste momento funcionaram bastante bem ao vivo e misturam-se
mais calmo, regresso a “To the Bone” com a minha bem com a restante discografia do músico inglês.
música preferida do novo álbum “The Same Asylum É quase escusado falar da qualidade da banda que
As Before” desta vez já sem a tela, mas com um vídeo acompanha Steven Wilson que já é bem conhecida.
a passar no ecrã.

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Comeback Kid, Nasty, Backflip
04/02 - RCA Club, Lisboa
Texto por Fernando Ferreira | Fotos Sónia Ferreira | Agradecimentos: Hell Xis Records / Emanuel Silva

A noite de véspera de véspera de ano novo foi de festa. bem preenchido pelo bailarico que esteve incansável.
Fomos surpreendidos quando chegámos ao RCA Club Energia que era enviada de volta para o palco e da qual
por encontrarmos uma fila que quase contornava a banda se alimentava. Segundo as palavras deles, além
o quarteirão - já algum tempo de estarmos na fila, de ser sempre um prazer partilhar novamente o palco
isso efectivamente aconteceu. Não era uma surpresa com os Comeback Kid, este foi o segundo concerto
estar tanta gente para esta noite de hardcore mas dos Backflip este ano (o primeiro foi no LVHC Fest) e
sobretudo por aparecerem antes das portas abrirem estabeleceu a fasquia bem alta. Ainda nos confessaram
- normalmente o público português não dá tanta que 2018 será um ano bem activo para a banda
importância às primeiras bandas. O que neste caso (que já conta com dez anos de carreira) quer cá em
seria verdadeiramente criminoso, principalmente Portugal quer lá fora. Se forem todos metade daquilo
quando a banda de abertura era nada mais nada que deram no RCA Club, temos a certeza de que vão
menos que os Backflip. conseguir arrasar. "Born Head First" fechou de forma
apoteótica um grande aquecimento (literalmente!)
A intensidade da banda lisboeta foi digna de se ver. para as bandas que seguiriam.
Comandados pelo vozeirão de Inês Oliveira, tivemos
um passeio por toda a carreira discográfica da banda, O que viria de seguida foi algo que poderia ser
onde o foco maior foi o mais recente "The Brainstorm surpreendente para quem não conhecia todo o poderia
Vol.2" (e um dos melhores EPs 2017 segundo o nosso dos Nasty. A banda belga é a portadora da realização
Top). Ajudados por um som bem poderoso e definido das profecias dos livros da Bíblia, Revelações. Foi o
era impossível impedir o corpo de se contagiar por toda apocalipse traduzido em mosh, murros, pontapés
a energia que era debitada em cima da palco. Energia rotativos e muita diversão. E curiosamente tudo
essa que também se espalhava para o público apesar de começou com uma intro de música electrónica. Ou
alguma separação entre os que estavam junto às grades como costumamos dizer, "Enter Martelada". Quando
e os que estavam mais atrás, junto ao bar. O fosso ficou acabou a intro, não demorou muito para que passasse

Backflip Backflip
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a ser "Enter Porrada". Os breakdowns gigantescos iriam acabar o concerto até que todos os membros dos
apelavam à energia e ao chamado "good violent fun". Nasty fizessem stage diving. Imperava um ambiente de
Matthi, o vocalista dos Nasty e Berri, o baixista, bem família muito bom e único, ao qual Neufeld se referiu
insistiam que o público se chegasse mais à frente do algumas vezes, colocando esta actuação e o público
palco, mas essa era uma tarefa apenas indicada para do RCA entre dos melhores da sua digressão. Esse
os mais destemidos e para quem tinha um bom seguro ambiente foi criado principalmente devido à rendição
de saúde. Temas como "Fire", "Forgiveness" e "Zero de temas emblemáticos como "Somewhere Somehow"
Tolerance" instituíram o RCA Clun como a sucursal e "Absolute".
oficial do U.F.C. neste que foi o último concerto
da digressão dos Comeback Kid. Com os Nasty a
sentirem toda a intensidade e todo o sentimento de
irmandade que imperava apesar da violência, temos
a certeza que consideraram este concerto como um
final em grande da tour.

Comeback Kid
A intensidade era tanta que até o monitor do vocalista
canadiano foi à vida - com tanta actividade naquela
zona, provavelmente terão que arranjar material
reforçado a titânio. A dinâmica é a grande força da sua
energia e o segredo do sucesso. Conseguir conciliar
Nasty o lado mais bruto com o mais melódico do hardcore
sem que existam quebras de energia (nomeadamente
Quando foi a altura da banda que todos queriam ver nos temas mais acessíveis "Broadcasting..." e "Don't
subir ao palco, já não havia espaço para fugir: o RCA Even Mind") não é para todos mas a mestria já é algo
estava completamente lotado para ver os Comeback que os Comeback Kid nos habituaram.
Kid. Com "Do Yourself A Favor" a iniciar logo as
hostilidades, pairava no ar a certeza de que este iria
ser um grande concerto. E efectivamente foi. Uma
festa hardcore onde todos estavam unidos numa
única só voz. A voz que cantavam do início ao fim
temas como "Surrender Control", "G.M. Vincent
And I" e "False Idols Fall" - esta última que causou
o rebuliço geral onde até não faltaram chaves a
serem atiradas para cima do palco - provavelmente
alguém que teve dificuldades em entrar em casa...
A animação não se confinava à frente do palco.

Comeback Kid
Uma noite de energia pura, onde todos saíram de
barriga e alma cheia. Banda incluída, que confidenciou
que ao longo destes anos de carreira tiveram momentos
muito bons e momentos em que apenas lhes apeteceu
desistir mas que aquela noite lhes ficou gravada no
coração como sendo um dos momentos mais altos.
"Wake The Dead" terminou com chave de ouro uma
noite onde até as paredes do RCA escorreram suor e
Nasty onde nem sabemos como é que toda a casa não veio
abaixo. Sem dúvida um concerto memorável para
De cima do mesmo, os membros dos Nasty iam todos os presentes.
aperfeiçoando a arte do stage diving - algo que o
próprio Andrew Neufeld, vocalista, referiu que não
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Primal Attack, Ho-Chi-Minh
03/02 - Stairway Club, Cascais
Texto por Luís Almeida | Fotos por Hélio Cristóvão | Agradecimentos: Stairway Club

O Stairway Club é garantia de boa música e como não


poderia deixar de ser, a World Of Metal não faltou a mais
uma noite de peso. E que peso! Tudo made in Alentejo,
com os Primal Attack e Ho-Chi-Minh. Uma noite com
umas temperaturas que só tornavam difícil sair de
casa mas mesmo assim a moldura humana estava bem
composta e na expectativa.
 
Os Ho-Chi-Minh não brincam em serviço e a sua
intro abriu portas para uma intensidade sonora bruta e
poderosa. A apresentarem o seu mais recente EP "Shout
It Out", a banda percorreu todo o seu reportório desde
o seu longínquo álbum de estreia, "It Has Begun" (de
2009) até aos temas mais recentes. O público não se
fez rogado e com os riffs pesadões a encaixar sempre
de forma impecável nos samples bem esgalhados, o
headbang estava garantido. Um grande aplauso para HO-Chi-Minh
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arredando pé nem desacelerarando na intensidade.

Com riffs ecléticos, fruto da diversividade do já


mencionado "Heartless Oppressor" e solos tocados
ao detalhe, não sendo esquecido o álbum de estreia
"Humans", nada foi deixado ao acaso. Uma banda que
merece ser apoiada, não só pela aquisição dos dois
álbuns já mencionados mas principalmente pela forma
como transportam essas músicas para cima do palco.
Conseguem cativar, empolgar e deixar o queixo caído
qualquer um na plateia. Parabéns por uma noite cem por
cento memorável, como já tem sido hábito no Stairway
Club.

Primal Attack
a cover de "Enjoy the silence" dos Depeche Mode,
muito bem trabalhada com um toque pessoal. Com
novidades in loco, ficámos a saber pelos próprios que
vem a caminho mais um EP. É para ficarmos atentos.
Para que o frio de fora não dominasse o interior do
Stairway Club, tivemos mais uma descarga energética
de puro e bom thrash. A promover o seu mais recente
álbum, "Heartless Opressor", os Primal Attack
brindaram-nos com um som digno do melhor thrash,
que não se fica atrás daquilo que se faz lá fora. O seu
registo não nos deu tréguas, sempre em escalada, com
uma energia contagiante, muito pela presença e incentivo
do seu vocalista, Pica, sempre a puxar pelo público, não Primal Attack
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Rotting Christ, Carach Angren, Svart Crown
09/02 - Hard Club, Porto
Texto por Jhoni Vieceli | Fotos por Sónia Molarinho Carmo | Agradecimentos: Ritos Nocturnos

Envolto num clima de blasfémia e horror, o Hard Club


abriu as portas para receber um concerto memorável. Os clássicos deram espaço para as novas músicas do
A Ritos Nocturnos trouxe ao Porto a digressão Rituals novo álbum, "Transsubstantiation", "Khimba Rites",
Amongst The Rotten Tour, tendo como bandas "Orgasmic Spiritual Ecstasy". Músicas que trouxeram
principais os gregos Rotting Christ da Season of Mist, uma feeling mais original ao estilo, com uma temática
os holandeses Carach Angren e como convidados os mais primitiva e tribal, e representa uma viragem no
franceses Svart Crown da Century Media Records. seu estilo musical, combinando elementos de Death,
Black e também de com uma leve influência de Doom
metal. O público recebeu muito bem a banda que
pela primeira vez se apresentou em Portugal e que
agradeceu efusivamente as calorosa recepção.

Svart Crown
A noite de música começou com os Svart Crown
que trouxeram com eles o seu mais novo álbum,
"Abreaction" que os viu a regressar dum hiato de Carach Angren
quatro anos desde "Profane", o anterior trabalho. Para
o concerto no Porto, não só trouxeram o "Abreaction" Com os motores devidamente aquecidos, os  Carach
como também os álbuns posteriores. O concerto Angren entraram em cena com uma abertura cheia de
começou com profunda escuridão, com riffs crescentes dramaticidade, com um som de piano envolto num
até ser interrompido pela voz de JB Le Bail, que trouxe clima arrepiante. Clima que cresceu de proporções
um Black/Death Metal brutal e demonstrou muita com o primeiro tema graças ao coros de grutos e
energia em palco com clássicos do já mencionado sussurros, que fazia passar a impressão de se estar
"Profane", verdadeiros hinos à brutalidade e ao ódio, rodeado por presenças sombrias, envoltos numa
aos quais o público respondeu com headbang. Não densa atmosfera de horror. Uma entrada aplaudida
faltaram clássicos, com o tema-título de "Profane" a com destaque para os teclados de Ardek, que por si
surgir de seguida a "Colosseum" do "Witnessing the intensificaram ainda mais a apresentação. Assim com
Fall" sem interrupções. uma guitarra e bateria destruidoras e explosivas de
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profundidades diabólicas é apresentada "Charlie", Algo que se prolonga para a "Elthe Kyrie" e "Apage
acompanhada de um sussurro aterrador de crianças Satana" do último "Rituals", excelentemente recebidas.
que repete de forma macabra o título da música.
Após uma pequena pausa, são trazidos os clássicos
Fica claro desde o primeiro minuto que a performance absolutos dos primórdios de "Thy Mighty Contract"
e os arranjos da banda são magníficos e muito bem com "The Sign of Evil Existence" e "Transform
ensaiados, com os teclados sempre a movimentar- All Suffering Into Plagues" a serem as escolhidas
se autonomamente em todas as direcções. O e com o primeiro mosh a ter lugar. E não foi dos
clima sinfónico aumenta e a brutalidade também pequenos, com a metade da frente dos fãs a seren
com a "The Carriage Wheel Murder" do álbum brutalizados perante uma execução perfeita, ao
"Lammendam". A atmosfera de terror orquestrada rodar de cabeças de Themis e George. Aproveitando
e combinada com sons infantis é interrompida o ambiente nostálgico recuaram até ao primeiro EP
brutalmente por uma voz rasgada e poderosa e de 1991, "Passage to Arcturo", não muito conhecida
guitarras e bateria angustiantes com a "When Crows pelo público em geral, "The Forest of N'Gai" mas
Tick On Windows" do álbum "This Is No Fairytale". ainda assim não deixando de ser bem recebida.
Voltando ao clima de terror inicial foi apresentada
a "Pitch Black Box, Blood Queen" do seu mais
recente trabalho, muito bem recebido pelo público.

Durante as pausas entre a apresentação das músicas


é projectada sempre um fantasma misterioso,
intensificando ainda mais a teatralidade do ambiente.
Houve espaço também para os clássicos do álbum
"Where the Corpses Sink Forever", "Bitte Tötet Mich,
Lingering in an Imprint Haunting" e "Sir John"
que deixaram o público claramente entusiasmado.
A terminar e sempre com a atmosfera intensa de
fantasia e fábulas de horror vieram as músicas "In De
Naam Van De Duivel", "Charles Francis Coghlan" e
"Bloodstains On the Captain's Log" que colocaram
um ponto final numa actuação diferente mas muito Rotting Christ
bem recebida por parte da assistência.
Foi a vez de Sakis convocar o público a se separar
pela metade para formar um intenso mosh, ainda
mais brutal ao som de um clássico de 1993, "Societas
Satanas", cover da banda Thou Art Lord. Uma
bandeira da Grécia foi levantada pelos fãs da frente ao
palco e um mosh assombroso foi criado. O ambiente
escureceu e "In Yumen-Xibalba" levou-nos novamente
ao "Kata Ton Daimona Eaytoy", envolvendo o público
quase que um transe até a aos brados de Sakis e Riffs
de George e um bateria devastadora interromper,
tendo sendo prontamente formado um novo mosh. O
concerto entra em sua fase final, com outro clássico.
"Grandis Spiritus Diavolos" do já mencionado "Kata
Ton Daimona Eaytoy" meteu todos em coro a cantar e
Rotting Christ a sentir as batidas de Van Ace e aos chamados de Sakis.

Por fim, a atracção principal da noite, a presença A banda retirou-se do palco por alguns momentos
helénica dos Rotting Christ que começaram mas não demoraram muito a voltar para o encore,
"Devadevam", cantada em sânscrito, e levaram o atendendo aos chamados insistentes do público
público a sentir a crescente presença sombria satânica tripeiro, ao som de "666" do mesmo álbum, e fazendo
num clima de rebelião e questionamento contra todos todos cantarem em coro o refrão. E para fechar
os deuses, e a começar pela faixa cantada em sânscrito. e atendendendo ao chamado de “Portugal Non
Sem parar é iniciado o tema título do álbum "Kata ton Serviam”, é executado o que pode ser considerado
Demona Eautou", já clássico e que provoca bater de o hino da banda, "Non Serviam" do trabalho com
cabeças automático. A energia no palco era poderosa, o mesmo nome. Todos fazem headbang, curtindo
e o público correspondia de igual maneira, aos brados e cantando a música do início ao fim onde Sakis
de Sakis Tolis e convocações de George Emmanuel bradou “No Fucking Serviam” com qual o concerto
e Themis Tolis, que agradeceram pela recepção no terminou. O quarteto saiu sobre uma enorme salva de
Porto pela primeira vez na sua carreira. O ambiente palmas e o público retirou-se com a certeza de terem
tornou-se ainda mais negro para a apresentação da visto um concerto memorável em todos os sentidos.
"Demonon Vrosis" do álbum "Aealo", com as luzes
e fumo a corresponder ao entusiasmo do público.
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Frantic Amber, Toxikull, Expel The Grace
10/02 - Stairway Club, Cascais
Texto e Fotos por Hélio Cristovão | Agradecimentos: Stairway Club e Amazing Events

O Stairway Club recebeu no Sábado 10 de Fevereiro É  uma banda muito jovem com imenso talento.
a banda internacional Frantic Amber (Suécia), Uns tipos dark, simpáticos. Na bagagem trouxeram
com o suporte dos Expel The Grace (Espanha), e os todos os temas do seu recente EP "Disharmony", que
portugueses Toxikull. Esta é a passagem por Portugal, gravaram em 2016 e lançaram a título independente.
assinalando a sua última data, da Tour Ibérica ‘Burning
Insight’. O ambiente estava ainda tímido à entrada no
Stairway na hora da primeira actuação. A presença
nessa mesma data de Rotting Christ em Lisboa,
acompanhados de Carach Angren e Svart Crown,
sentiu-se nessa noite, toda uma romaria se dirigira
ao RCA. Mas isso não abalou nenhuma das atuações
destas bandas que deram tudo. Mas já lá vamos. Viajem
connosco na história desta noite, fotografada com a
luz ambiente do Stairway Club, e sobre uma enorme
descarga do mais puro metal. Espírito Underground!

Toxikull
O som na casa estava incrível, mesmo no ponto, e
ao abrirem pela ordem de ’Now I Can Hate You’,
’Famine’ e ‘Disharmony’, rockaram a casinha toda.
Seguiram-se os temas mais antigos "Under" (EP de
2015), e ‘Stolen’, uma malha retirada da primeira demo
de 2011, com uma introdução mais groovy ao estilo
Thrash, mas que avança para uma vocalização e ritmo
insanos, passando por um refrão apocalíptico. Que
poder! Nas duas malhas seguintes, "Severed Hope" e
"Finale" regressaram ao disco "Disharmony", e por esta
Expel The Grace altura, já é irreversível o mais metaleiro headbanging
de primeira categoria e saudação à música de peso da
A noite foi iniciada com a actuação os Expel The banda! Inclusivamente, muito apoio de primeira fila
Grace. Vindos de Barcelona, primeira passagem vem da investida dos Frantic Amber, a banda sueca
por território nacional, e já rodados pelas datas por sempre a curtir em verdadeira tribo metaleira só
Espanha nesta tour, esta banda apresentou-nos um alternando entre dois modos: Mosh e head banging.
Death metal melódico técnico, consistence. Poderoso. O som deles tem passagens confiantes, bateria
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avassaladora e solos bem conseguidos, alternados a criação de um ambiente muito dark, ao som do
entre os dois guitarristas Marc Palomar e Ernie instrumental de entrada para a canção ‘Burning Insight’.
Gonzalez. Contagiaram a audiência com o seu som E naquele instante em que se abriram luzes, todo o
brutal e não tão infrequente na sua prestação, vieram peso foi revelado nas guitarras gritantes, riffs intensos,
tocar e cantar pelo meio da sala. A fantástica actuação guturais frenéticos, por vezes solos e melodias que
terminou com o tema "(Miss)Erable" novamente do rapidamente contrastam com mais peso. Muito peso.
EP de 2015. Para os fãs de Death Metal europeu, que
ainda não conhecem esta banda, sugiro que verifiquem
os Expel The Grace: a sua página de Soundcloud tem
os trabalhos que gravaram.

Literalmente a tocar em casa, chega o momento dos


Toxikull, nativos de Cascais, que nos apresentaram o
aço clássico Heavy/Thrash Metal. Em conversa com o
Alex a.k.a Lex Thunder (guitarra / voz), ficámos a saber
que esta banda tem o manifesto de dar ao mundo o que
se está a sentir, e isso é uma expressão de arte. Fiquem
atentos, pois eles prometem muitas novidades ao
vivo! Neste concerto, a banda tocou quase na íntegra
o álbum "Black Sheep", que lançaram em Fevereiro de
2016 pela editora Non Nobis Productions. Iniciaram a
actuação com ‘Little Piece of Hell’, e rapidamente somos Frantic Amber
convidados a viajar pelo som de heavy metal clássico.
Frantic Amber agarraram a audiência para
Após a primeira música aconteceram alguns headbabging de primeira fila, a banda contagia todos
problemas técnicos na amplificação, mas o bom os presentes. Ali. Sem rendição possível.  Elizabeth
espírito de ajuda nos presentes e a boa disposição Andrews (Lisa) é dona de um gutural poderoso. A
nada abalaram o ambiente de convívio, e em menos performance foi marcada por vários momentos em que
de nada, Toxikull live. Continuação! Daí em diante, comunicou com o público, e entre apresentar temas,
seria sempre a rasgar. Sem interrupções, continuaram saiu uma mensagem inspiradora, de quem vive para
pela ordem de ‘Vicious Life’, ‘Manipulator’, ‘Kill criar a sua música e isso, meus amigos, é identidade. É
Me Now’ e ‘Soulbound’. Espaço para a nova malha, paixão. E essa é notável em cada débito de energia e a
‘Surrender or Die’, um tema a ser lançado com o viver aquele momento. A banda tocou a grande parte
novo EP ‘The Nightraiser’, com data de lançamento dos temas que compõem o seu primeiro álbum de
anunciada para Março. Em momento algum, esta longa duração, o aclamado ’Burning Insight’, lançado
banda deixou arrefecer o ambiente na noite gelada em 2014. Nota à parte, há uma edição belíssima em
de Inverno. No seu puro débito de Thrash com vinil, penso que será este disco no seu melhor, editado
uma presença em palco electrizante, terminam pela GMR Music Group na Suécia.
com ’The Shepherd’ e ‘Black Sheep’ debaixo de
muitos aplausos dos presentes. Poderão verificar A intensidade continua pelos temas ‘Bleeding Sanity’,
os trabalhos de Toxikull na sua página de Youtube. com uma entrada de melodia épica, logo seguida
de ’Soar’, ‘Self Destruction’, ‘Entwined’ e ‘Grainne
Mhaol’, por esta ordem. Somos brindados com
uma canção nova ‘Lagertha’. Atitude. Poder. Som
devastador. Sentimo-nos numa viagem ao universo
do peso mais extremo. E que viagem, com o talento
desta banda. Brutalmente mágico…  O banquete
continua ao som de ‘Ghost’, levando a banda a
terminar esta primeira parte da sua atuação. Não
pôde parar por muito tempo, as pessoas chamavam.

Para o Encore, trouxeram ‘Hammer Smashed Face’,


uma cover de Cannibal Corpse, que não deixou
ninguém indiferente, e terminaram o concerto com
a magistral canção ‘Wrath of Judgement’ do EP
Frantic Amber homónimo, lançado em 2010. Em jeito de conclusão,
foi grande a pegada da banda sueca. É notável a
A 30 Minutos de distância, chegou a hora: Frantic experiência e a capacidade desta banda a virar 10
Amber, finest Death Metal vindo da Suécia, mas com anos de existência. Para fãs do género, imprescindível
músicos vindos um pouco por todo o mundo. Quatro descobrir o recente disco ‘Burning Insight’. Cerca da
metaleiras, um baterista, uma presença explosiva em 1h da noite, continuação da festa, daí em diante com
palco ao som do mais puro extremo heavy. O Death o especial convidado para animar em DJ Set, o nosso
Metal nunca pareceu tão bonito. Uma mistura entre mestre António Freitas.
a beleza e a brutalidade. A actuação começou com
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Nile, Terrorizer, Exarsis, No More Fear
16/02 - RCA Club, Lisboa
Texto e Fotos por Hélio Cristovão | Agradecimentos: Notredame Productions

Lisboa, 16 de Fevereiro. Embora cedo e ainda antes da fazem sentir numa viagem a Itália. Basta ouvir ‘Malamente’
abertura, à porta do RCA Clube já se juntava boa multidão para facilmente perceber que é um disco lindo, maduro,
compondo uma longa fila de entrada. O bom presságio que consistente, e que traz nele raízes da cultura italiana que a
esta data antecipava uma grande afluência com um cartaz banda emana.
de peso. Muito peso. A ocasião é a tour Europeia “What
Should Not Be Unearthed - Part III”, trazida a Portugal Toda a axtuação girou em torno dos temas ora do
pelas mãos da produtora Notredame Productions. Os mais recente ‘Malamente’, ora do álbum ‘Mad(E) in
veteranos Nile (EUA), produzem Brutal Death Metal Italy’ de 2012, seguindo-se ’Ass’e’Mazz ’, ‘Tre Cavalieri’,
combinando influências do médio Oriente, inspirado na ‘Cemento Armato’, ‘Lady ‘Ndragheta’, ‘Don Gaetano’ e
civilização egípcia. Desde 1993. Na bagagem, trazem o ‘Taranthell’. O pessoal demonstra o seu apoio e aplaude
seu mais recente disco “What Should Not Be Unearthed” a prestação da banda. Pessoalmente, adorei vê-los tocar,
(Nuclear Blast, 2015). Não é de admirar o sucesso deste têm o espírito de uma banda underground e fizeram boa
disco e as sucessivas digressões pela América latina, justiça à sonoridade complexa e técnica, harmoniosa.
Austrália, EUA, Europa… só no nosso velho continente,
em menos de 3 anos, já vão nesta terceira digressão, com
cerca de 30 datas por cada uma. E têm marcado presença
nos melhores festivais. É muito andamento.

Neste regresso a Portugal, os Nile vêem em muito boa


companhia, com o suporte dos No More Fear (Itália), Exarsis
(Grécia) e os míticos Terrorizer (USA), que tocam pela
primeira vez no nosso país. Sinais que a cena do metal tem
a chama mais viva que sempre, e trazemos grandes bandas
a fazer as delícias da irmandade do metal. Almas danadas.

O ambiente na casa estava fantástico, sentia-se aquele espírito


de celebração e convívio. São 20h00; impecavelmente na
hora prevista, rebentou a actuação dos No More Fear.
Vindos de Itália, a banda juntou-se como acto de suporte
aos Nile nas datas da digressão ibérica. Abrem o concerto Exarsis
com temas do novo disco ‘Malamente’ (Memorial Records,
2016), com a introdução ‘Morte e Orazione’ e 'Mare Mortum'. É a hora de Exarsis. Começaram de forma completamente
arrebatadora. Um momento… começaram?! Toda a
actuação foi uma completa e avassaladora descarga
de brutalidade, energia e peso. Abrem a rasgar com
‘Surveillance Society’, ‘Toxic Terror’ e ‘Addicting Life
Waste’, temas retirados do álbum ‘The Brutal State’ (2013).
Poucas conversas, muita acção, rapidamente avançam
para o mais recente disco ’New War Order’ (2017), com
a descarga violenta de metal puro e duro com os temas
’The Underground’, ’Chaos Creation’ e ’General Guidance’.

Nas breves comunicações nos intervalos das músicas,


afirmaram ser a sua segunda vez a actuar em Portugal. Muitas
saudações, malta a saltar, os Exarsis, muito agitadores da
audiência com o seu som Speed / Thrash Metal imperdoável.
Foi de facto ver para crer. A terminar, lançaram o tema ‘Under
Destruction’, frenético, rápido, um rasganço monumental!
No More Fear
A pulsação da noite está no ponto. Deixaram a multidão
Esta banda que fez já mais de 20 anos de carreira, traz-nos bem aquecida, o grande ritmo das bandas anteriores,
um som diversificado neste disco, alternando entre Death Exarsis e No More Fear, mas o que teríamos a seguir…
Metal melódico com guturais graves, ora riffs ao estilo abalaria todos os alicerces à casa. Por esta altura o RCA
Doom, e muitas passagens acústicas e tradicionais que nos está muito composto já tem a casa cheia. A contar, 300
86
pessoas, lotação esgotada. Os Terrorizer entram em nesta noite. A sua atuação foi crescendo, até um ponto em
palco e não estão para brincadeiras. O power trio Pete que era Impossível estar parado. Sam Molina agradeceu aos
"Commando" Sandoval, Lee Harrison e Sam Molina, vão fãs presentes em Lisboa por suportarem a música da banda.
abrir com uma malha que tanto tem de rápido como de
possante: ‘Need to Live’, regresso às origens do Death Metal Karl Sanders diria a meio do espectáculo, visivelmente
em 1989. Em menos de um minuto e meio da duração a adorar a calorosa receção dos fãs: “Man I love heavy
da canção, mostram logo a matéria de que são feitos. metal, but being here in this club full of metalheads
makes it all even more special”. A actuação de Nile foi
Seguem-se dois temas do álbum de 2012 ‘Hordes Of Zombies’, épica e emocionante. Abriram o espectáculo com a malha
que editaram com a Season Of Mist; tocam os temas ‘State ‘Ramses Bringer of War’, uma canção com 20 anos, com
of Mind’ e ‘Hordes of Zombies’. Os Terrorizer encheram- introdução instrumental onde as guitarras dilacerantes
se dos seus super poderes e devastaram a sala inteira. não tardaram a chegar. Estava lançado o ambiente de
Sem piedade, todos os fãs à mercê do metal puro Heavy, Brutal Death Metal que vai tomar de assalto esta noite.
brutal! Apresentam-nos o que creio ser dois temas novos,
possivelmente a gravar num futuro disco, que têm tocado Continuámos a viajar por temas mais antigos de
nesta digressão pela Europa: ’Sharp Knives’ e ‘Conflict’. variados álbuns, pela ordem de ’Sacrifice Unto Sebek’,
The Black Flame’, ‘Smashing The Antiu’ e ´Defiling the
gates of Ishtar’. Nile tem uma característica interessante,
todos na linha da frente cantam guturais profanos, ora
à vez, ora em conjunto, e isso desponta ainda mais a
energia da banda e a presença em palco. Momento para
os batuques de entrada do tema ‘Kafir!’, e as guitarras
não tardaram, o ritmo estava arrebatador. Abriram as
portas do submundo e deixaram largar o demónio!

Terrorizer
Sem tréguas, segue-se ‘Crematorium’, do disco ‘Darker
Days Ahead’ (2006), com aquela entrada groovy, mas que
em breve flui a um ritmo frenético! O poder deste trio do
mais extremo Grindcore varreu todos os cantinhos à casa.
Eles cantaram a missa com todos os rituais à Lá Carte, Stage
diving, Wall of Death, Mosh à moda antiga, heandbang em
piloto automático.
Nile
É altura de regressar ao passado com o som apocalíptico do
álbum ‘World Downfall’ (1989), e tocam a malha que abre o É a sétima música do set, e do novo disco, vem a
álbum: ‘After World Obliteration’. Foi aqui que eu acreditei apresentação do tema ’In The Name Of Amun’. Sempre
que tinham aberto as portas do Inferno, e haviam soltado a muito comunicativos com o público, anunciaram um
besta! Pete Sandoval, sem desprimor para nenhum ilustre novo álbum! E deixaram o convite a todos os presentes
presente, é uma lenda viva. Dito com todo o carinho de um para voltarem aquando os seu regresso. A meio, lugar para
fã da sua sonoridade única em Morbid Angel. Terminam homenagear os companheiros de digressão, que lá do cimo
ao som deste disco de culto, por esta ordem: ‘Injustice’, oposto ao palco apreciavam o concerto. Seguiram-se os
’Whirlwind Struggle’, ‘Dead Shall Rise’ e ‘World Downfall’. temas ’The Fiends Who Come to Steal the Magick of the
Deceased’, ‘The Howling of the Jinn’, ‘Kheftiu Asar Butchiu’,
‘Unas Slayer Of The Gods’.

A sublinhar o novo guitarrista da banda Brian Kingsland,


que veio substituir desde fevereiro de 2017, o ex-membro
Dallas Toler-Wade (presente desde 1996), uma autêntica
máquina de destruição, com direito a momento bonito entre
este e Karl, em que fazem barulho ao tocar os braços das
guitarras, num estilo muito heavy. Uma extensa setlist que
viajou muito por discos mais antigos, e que conferiu aos Nile
uma atuação de uma hora e dez minutos, terminando com
os temas ’Sarcophagus’ e ’Black Seeds Of Vengeance’, qual
final apoteótico, em que Karl segurava a guitarra por cima
do público para tocarem e fazerem um bocado de barulho!

Terminadas as atuações, só resta o sentimento e a memória


Nile que se viveu aqui uma grande espetáculo de metal. Esta foi
uma noite de músicos lendários. Antigos e novos.
Os Terrorizer receberam a maior agitação por parte do público
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Nine O Nine, Dogma, Corvos
17/02 - RCA Club, Lisboa
Texto Fernando Ferreira | Fotos por Sónia Ferreira | Agradecimentos: Raising Legends Records

Sentimento. Poderá parecer uma forma estranha de


começar uma reportagem mas é a palavra que reflecte na
perfeição a noite de apresentação do álbum de estreia dos
Nine O Nine ao público que compareceu no RCA Club em
Lisboa. Da nossa parte tínhamos muita curiosidade por
este espectáculo já que não só reunia três nomes bastante
diferentes da música portuguesa como também seria a
primeira oportunidade que teríamos para ver ao vivo dois
desses três nomes.

Apesar da noite ser da nova banda de Tó Pica e Sérgio


Duarte, não faltou entusiasmo para receber os Corvos
que aterraram na sala de Alvalade com algum atraso em
relação à hora prevista. Com um som muito forte, a roçar
a perfeição, a banda provou se enquadra bem em qualquer
cartaz. Criaram uma atmosfera única e misturaram de
Corvos
88
forma natural a sonoridade da música clássica com a do música extrema nacional  e onde o sentimento é abundante.
rock/metal, onde a "Smells Like Teen Spirit" dos Nirvana A perfeição virá com mais rodagem e experiência em
puxou para o lado mais rock mas os temas originais cima dos palcos, já que a mesma em disco é evidente.
como "The Cave Of Plot" puxaram numa direcção mais
própria do metal mais negro e pesado mas ambas com Tanto os Dogma como os Corvos não deixaram de
muito sentimento e feeling. Uma actuação que serviu agradecer o convite encetado pelos Nine O Nine, nesta
definitivamente para demonstrar a versatilidade da banda que era a sua noite de apresentação oficial, depois de terem
e o seu grande momento de forma que atravessam. Apesar tido alguns avanços ao álbum sob a forma de vídeos. No
de curta, teve um impacto bastante considerável e aqueceu entanto, a expectativa ainda reinava em relação ao que
o público. iríamos ver e em relação a esta nova força da música pesada
nacional. A primeira coisa que confirmámos foi algo que o
próprio Sérgio Duarte viria a afirmar num dos intervalos
entre as canções: o som desta banda é um bocado difícil
de catalogar. É pesado, as guitarras estão bem presentes,
voz bem melódica mas sem deixar de ser poderosa e
uma atmosfera muito própria - que por vezes até nos faz
lembrar alguns dos trabalhos de Devin Townsend. Um
equilíbrio muito bem conseguido entre o rock e o metal.

Segundo Sérgio, o grande objectivo, o grande móbil


deste projecto é fazer o que se quer fazer, sem limitações.
Seguir o coração. Não só é uma máxima que poderá ser
expandida a vários campos da vida - independentemente
de se ser músico ou não. E o sentimento, tal como avisámos
no início desta missiva, dominou por completo a actuação
e transportou-nos por várias paisagens sonoras que apesar
Dogma de algo díspares, não deixaram de serem sentidas unidas
entre si. Outro ponto de convergência foi a qualidade dos
Os Dogma seriam os senhores que seguiriam e quem músicos envolvidos, onde todos estiveram imaculados na
tínhamos uma grande expectativa para os ver em cima sua prestação, desde Arlindo Cardoso na bateria, passando
do palco depois do seu álbum de estreia, "Reditum" ter por Gonçalo Agostinho na guitarra ritmo até, claro
sido uma das revelações de 2017 (considerado como um Sérgio Duarte na voz e baixo e Tó Pica na guitarra solo.
dos melhores trabalhos no género Doom Metal, como
podem verificar aqui).  As expectativas foram (mais ou
menos) correspondidas mas de falta de sentimento não
poderemos acusá-los. O problema talvez até tenha sido
o inverso. Começaram com a intro "Jabal Tariq" que foi
a apresentação para a "Sangue & Frio", que foi portadora
de uma grande qualidade de som e onde as vozes de
Isabel Cristina e Gonçalo Nascimento combinaram
bem, embora mais nos momentos de voz limpa do que
propriamente naqueles em que o gutural era ensaiado.

Nine O Nine
Sérgio Duarte brincou com o facto de ser sempre uma
situação estranha estar num concerto de apresentação
do álbum em que todos têm o álbum mas na sua grande
maioria não tiveram oportunidade para ouvi-lo. Foi algo
que não prejudicou em nada a envolvência do público e
a forma como as músicas foram recebidas. Grandes solos
de guitarra (aquela "Big Event" foi qualquer coisa de
fantástica), grandes melodias e poder ("The Rush" poderia
Nine O Nine estar num álbum de thrash metal moderno que não soaria
desfasada) e sempre a constatação de que fazer o que
Para a sonoridade dos Dogma, esperávamos uma sente em busca da felicidade é sempre o melhor lema para
performance mais solene e sóbria, principalmente por qualquer projecto na vida mas sobretudo para a música. É
parte dos vocalistas e se Isabel esteve irreprensível, sentimos algo que se sente e foi esse o sentimento geral que o público
que Gonçalo por vezes saía fora do que a música pedia em do RCA Club viveu, um sentimento puro.
termos visuais. Sendo uma questão de opinião pessoal,
vale o que vale, mas o que é importante salientar é que a
representação dos temas como "Anjo Caído" e "Criação"
confirmaram aquilo que "Reditum" já nos tinha provado:
que os Dogma são um dos grandes "novos" valores da
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The Haunted, Norunda, The Descent,
Revolution Within
18/02 - RCA Club, Lisboa
Texto e Fotos por Hélio Cristovão | Agradecimentos: Notredame Productions

A Trilogia. Noites de Metal em Lisboa no RCA Club: Na Seguem-se os temas ‘Silence’, ‘From Madness To Sanity’,
anterior sexta, sábado e este domingo, o clube acolheu ‘Until I See The Devil Dies’ e ‘Pull the Trigger’ (este último
três eventos seguidos de grande metal, com a passagem de com a participação de Hugo Andrade dos Switchtense).
11 bandas pelas três noites. A World Of Metal reportou a Mais uma vez o som do RCA estava muito bom, e sem
trilogia, neste fim-de-semana intenso (reportagem aqui e dúvida que a banda deixou a sua marca ao agitar o pessoal.
aqui), a prova que a cena Underground está muito viva! Ao apresentarem a canção ‘Pure Hate’, que seria a sua
penúltima para a noite, convocaram uma Wall of Death,
Com o seu mais recente trabalho ‘Strength In Numbers’, e ao chegar ao último tema, ‘Stand Tall’, que regressa ao
editado pela Century Media em 2017, a banda mítica de primeiro disco da banda, 'Collision' (Rastilho Records,
Thrash / Death Metal da Suécia The Haunted regressa a 2009), despedem-se cheios de groove nos compassos finais
Portugal, no âmbito de uma digressão Ibérica com uma desta última malha. Agradecem e despedem-se com um
dezena de datas. O dia 18 de Fevereiro é a data exclusiva até breve, sob os aplausos dos presentes.
de passagem da banda pelo nosso país, trazida pela mão da
Notredame Productions, com sala marcada no RCA Club,
Lisboa. Com eles trazem a companhia e todo o peso de
Norunda (Portugal / Espanha), The Descent (Espanha) e
Revolution Within, os convidados especiais para abrir o
concerto em Portugal.

The Descent
The Descent vieram de Espanha, e esta é a sua primeira
vez a tocar em Lisboa. Com eles trazem Death / Thrash
Metal técnico, agressivo, muito a rasgar, e cheio de atitude,
com assumidas influências de Death Metal da Suécia, em
Revolution Within bandas como At the Gates, Dimension Zero, e os próprios
The Haunted. Após introdução instrumental, abrem
Rui ‘Raça’ Alves bem anunciou que esta seria a ‘A’ noite com grande poder, ao som de ‘The Warrior Within’, com
do thrash. Os Revolution Within foram a nossa banda possantes batidas de bateria, guitarras brutais e guturais
portuguesa, vindos do Porto, os convidados especiais para profundos. O som estava forte, pesado, do melhor.
abrir as hostilidades da noite. Após uma introdução, abrem Eles trazem uns acessórios porreiros, duas grades com
a rasgar ao som de ‘Suicide Inheritance’, uma malha retirada o logotipo da banda cravado, que colocam na frontal do
do último disco ‘Annihilation’ (Rastilho Records, 2016). palco. Por vezes sobem-nas e essa pose confere ainda mais
Como banda de abertura, e devido à hora, temos ainda uma agressividade, atitude e rebeldia no manifesto da banda.
sala tímida, mas as pessoas vão chegando e simplesmente é Neste concerto, tocaram quase na totalidade o último disco
impossível ficar indiferente ao som agressivo e consistente ‘The Coven Of Rats’, lançado em Novembro de 2016 pela
dos Revolution Within, eles marcam grande presença no Suspiria Records. Seguem-se os temas ‘Falling From Grace’,
palco, com dignas descargas de energia e atitude de thrash ‘New Millennium Spawn’, ‘Dead City Gospel’ e ‘Seeds of
metal, e estão sempre a puxar pelo pessoal. Madness’.

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A prestação ao vivo de The Descent, só veio reforçar ‘Preachers of Death’, seguem-se temas dos discos
a capacidade técnica desta banda formada em 2006, ‘Exit Wounds’ (2014) e ‘Revolver’ (2004), pela ordem
em Bilbao, Espanha, assim como a brutalidade que de ’Trendkiller’, ‘Time (Will Not Heal)’, ‘All Against
emana deste recente álbum. A adesão do público foi
boa na linha da frente, já se notando uma casa bem
composta. Seguem-se os temas ‘Ten Times Stronger’, ‘At
the Foot of the Monolith’, e a fechar, ‘The Coven of Rats’,
que dá o título ao disco. A sublinhar o poder que nos
apresentaram nesta noite, The Descent, uma experiência
que a própria banda adorou, e referiu, após uma breve
troca de palavras: “The first time in Lisbon was a Blast,
hope we can make it to your beautiful country again”.
A festa continua, ao som dos Norunda, que começam
a atuar ainda 5 minutos antes do horário previsto.
Planeamento impecável entre trocas das bandas. Durante
uma atuação de cerca de 50 minutos, tiveram o tempo para
deixar a marca do disco ‘Irruption’, editado pela Suspiria
Records, 2017.
The Haunted
All’, ’No Compromise’. A banda estava imparável, e a
prestação foi crescendo de tal modo que assistimos a
um banquete do metal extremo Death / Thrash técnico,
por vezes melódico, servido pelos veteranos da Suécia.

Nova viagem ao passado, com uma remessa de temas


que percorrem os álbuns da época de 2000 a 2006, com
‘Hollow Ground’, ‘D.O.A.’, ‘The Guilt Trip’, ‘Dark Intentions’
e ‘Bury Your Dead’. É um autêntico e extenso portefólio,
que conferiu à banda cerca de uma hora e meia de atuação,
que no mais puro espírito de celebração underground
tornaram esta noite um espectáculo memorável, que
tão cedo não será esquecido. As palavras que Marco
Norunda Aro dirigia ao público diziam tudo, fruto da emoção:
“Portugal this is so f*cking amazing! Thanks!! Here's the
Apesar de ser uma banda recém-formada com apenas deal, one more song and you lift the f*cking roof out of this
dois anos, os seus membros, músicos experientes colocam room tonight. We're in this together!!
um bom show em palco, ao trazer o som de thrash metal
clássico com melodias eficientes e influências old-school. Neste momento, já ele tinha saltado para cima
Muito divertidos, sempre muito comunicativos com o do público e cantado a fazer crowdsurfing pelas
público e sem nenhumas asneiras a conversar ora em mãos dos fãs de uma ponta à outra da sala, a banda
português, ora espanhol… a destacar o momento em que simplesmente estava fortíssima, e a audiência no auge.
o vocalista/guitarrista Rubén Cuerdo sai do palco e vem Tocaram ‘Hate Song’ do seu álbum de estreia, (Earache
tocar para junto do público, e o solo do baterista Marcelo Records, 1998), e quando por momentos saíram do
Aires (também em The Ominous Circle, W.A.K.O) que palco, Nem os fãs os deixavam ir embora, nem eles
cativou toda a audiência. queriam. Para o Encore, guardaram ‘Eye Of The Storm’, e
a finalizar, momento de culto com ‘Bullet Hole’ de 1998.
A casa prepara-se ao seu melhor nível esta noite para receber
The Haunted. Não estando casa cheia, estava ainda assim
bem composta com mais de metade da lotação numa noite
de Domingo. A banda entra em palco a abrir com dois temas
do novo álbum 'Strength In Numbers' (Century Media,
2017), com a introdução do tema ‘Fill The Darkness With
Black’, logo seguido de ‘Brute Force’, que tem uma entrada
de peso monumental, e logo aí, a banda solta de imediato
toda a sua fúria e não há alma parada na casa. O vocalista
Marco Aro canta furiosamente e percorre todos os cantos
do palco. Sim, ele vem cantar junto aos pilares nas laterais
para lançar o caos. É tempo de Mosh. Mosh, mosh! Logo
nos primeiros minutos, qual bomba a detonar, a sala está no
auge e é impossível ficar quieto ao som dos The Haunted!

O som está no ponto, típica qualidade da casa, e a banda


avança para temas de álbuns mais antigos entre 2000 The Haunted
e 2006, pela ordem de ’99’, ‘Trespass’, ‘The Flood’ e ’The
Medication’. A plateia é neste momento uma zona de Em conclusão: RCA totalmente possuído pelo som dos The
guerra! Com Wall of Death, Stagediving, por altura Haunted, que trouxeram o seu imenso poder para deixar
destas canções… é tempo de todas as hostilidades! todos os presentes ao rubro, numa atuação memorável,
Após um breve regresso ao novo álbum com o tema furiosa, brutal.
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Agenda
Março Chotzä, Surge Assault - Nirvana Studios, Barcarena 04 - August Burns Red, Voynich Code, Borderlands -
RCA Club, Lisboa
02 - Chapa Zero, Hermosa Beach - Texas Bar, Leiria 17 - Simbiose, Konad, Bad! - A062, Caldas da Rainha
17 - Vurmo, Veneno Califórnia, Suspeitos do 06 e 07- Lazy Cat Rock Fest II - Blame Zeus, Host,
02 - Analepsy, Biolence  - Cave Avenida, Castelo Branco Scream Of The Soul, Living Tales, Stonerust, You
02 - Lançamento Oficial "Exhaust" - Infraktor, Revolution Costume - Disgraça, Lisboa
Dog!, Dogma, The Fuzz Dogs - Metalpoint, Porto
Within, Final Mercy - Metalpoint, Porto 17 - Hills Have Eyes, For The Glory, Dont Disturb My
Circles - MusicBox, Lisboa 06 e 07- Moita Metal Fest 2018 - The Exploited, Vader,
02 - Anarchicks - Bang Venue, Torres Vedras Benighted, Suicidal Angels, Bizarra Locomotiva, Filii
02 - Switchtense, Karbonsoul - Stairway Club, Cascais 17 - Alkateya, Shivan, Parforce - Stairway Club, Cascais
Nigrantium Infernalium, Iberia, Switchtense, For The
03 - Thirdsphere Release Show - Thirdsphere, Purusha, 22 - Immolation, Full of Hell, Monument of Glory, Malevolence, Vira Lata, Terror Empire, Sacred
Don't Fall Asleep - Metalpoint, Porto Misanthropy - Hard Club, Porto Sin, Equaleft, Dead Meat, Low Torque, Wells Valley,
22 - Profanatica, Rites of Thy Degringolade; Toxikull, Dark Oath - Largo do Pavilhão Municipal de
03 - Deathmania III - Pestilence, Sacred Sin, Pestifer -
Necrobode - Le Baron Rouge, Barcarena Exposições, Moita
RCA Club, Lisboa
23 - Profanatica, Rites of Thy Degringolade, 09 - Insomnium, Tribulation - Hard Club, Lisboa
03 - Feijó Rock Celebration 1987-2017 - A Kausa,
Battalion, Vodka Pedra, Pestox, Veinless e tributo aos Necrobode - Metalpoint, Porto 10 - Insomnium, Tribulation - RCA Club, Lisboa
Tropa de Choque - "Tributo de Choque" - Cine Incrível 23 - Cartaxo Sessions - Bell Witch, Löbo - Centro Cultural 10 - 30 Seconds To Mars - Campo Pequeno, Lisboa
- Alma Danada, Almada do Cartaxo, Cartaxo
13 - Dark Tranquillity, Equilibrium  - Lisboa Ao Vivo,
03 - Anarchicks - Espaço Contrafacção, Pinhal Novo 23 - Rasgo, Lâmina - Cine Incrível - Alma Danada, Almada Lisboa
03 - Apresentação Oficial de "Exhaust" - Infraktor, 23 - Apresentação CD - Toxikull, Shadowmare - Rrustyk 18 - Havok, Darkest Hour, Cephalic Carnage, Harlott -
Revolution Within - Cave Avenida, Viana Do Castelo Bar, Olhão Lisboa Ao Vivo, Lisboa
03 - Fuzzil, Jesus The Snake - A9, Santarém 24 - Apresentação CD - Toxikull, Terror Empire, Prayers 21 - Apresentação Oficial de "Exhaust" - Infraktor, Analepsy
03 - 12º Aniversário - Dalai Lume  - Popular de Alvalade, Of Sanity - Another Place, Almada - Stairway Club, Cascais
Lisboa 24 - Bell Witch, Oak - Capela de Santiago da Barra, Viana 21 - Warm Up Almada Metal Keeper Fest II - Dawnrider,
03 - Dollar Llama - Estudantino Café, Viseu do Castelo Shivan, Lizzärd - Another Place, Almada
03 - Hunted Sessions #3 - Analepsy, Capela Mortuária - 24 - Immolation, Full of Hell, Monument of 27 a 29 - SWR Barroselas Metal Fest -
Sé La Vie, Braga Misanthropy - RCA Club, Lisboa Suffocation,  Carpathian Forest,  Exhorder,  Master's
29 - Angra, Geoff Tate’s Operation Mindcrime, Hammer, Nifelheim,  Cock And Ball Torture, Church
03 - Scarmind, Cold Steel Device - Chopper Bar, Vala
Halcyon, Avelion - Hard Club, Porto Of Misery, Mortiis, Agathocles, Mortuary Drape, Filii
do Carregado
Nigrantium Infernalium, Suma,  Obliteration, Evil
03 - Dapunksportif - Bang Venue, Torres Vedras 30 - Angra, Geoff Tate’s Operation Mindcrime,
Invaders, Interment, Looking For An Answer, Inferno,
Halcyon, Avelion - RCA Club, Lisboa
04 - Thirdsphere Release Show - Thirdsphere, Purusha, Vulvodynia, Sourvein,  Process Of Guilt,  Dyscarnate
Impera - Popular de Alvalade, Lisboa 30 - Machine Head - Coliseu dos Recreios, Lisboa ,  Hexis,  Nekromantheon,  Teethgrinder, Irae,  Black
30 - Comendatio Metal Fest II - Paço da Comenda, Tomar Panda,  Altarage,  Flageladör, Andralls, Départe -
08 - All The Way To Venus, Then They Flew - Sabotage,
30 - Apresentação CD - Toxikull, Toxi Attack, Sadistic Barroselas
Lisboa
09 - Apresentação Black Earth - Process Of Guilt - Caneças Overkill - Metalpoint, Porto
Bar, Porto 31 - Milagre Metaleiro - Ressurreição do Metal 2018 -
09 - F.P.M. - A9, Santarém Gwydion, Blame Zeus, Tones Of Rock, Godark, Rotten Maio
Rights, Darewolf, Mind Over Body - Pindelo dos Milagres,
10 - 5º Aniversário Fora de Rebanho - Bizarra Locomotiva, 05 - Clash of the Slashers - Basement Torture Killings,
S. Pedro do Sul
Avulsed, The Grave Dolls, Dr. Frankenstein, Ravensire, Foetal Juice - Metalpoint, Porto
Astrodome - Fora de Rebanho - Associação Cultural, Viseu 31 - Mira Fest - Attick Demons,For The Glory, Don't Disturb
11 - Degial, Taphos, Pestifer - Metalpoint, Porto
My Circles, Systemik Violence, Challenge, Suspeitos
10 - Terror Empire, Primal Attack - Cabra Negra, Marinha do Costume,  Contra Corrente,  Pull The Trigger, 12 -   Oceans Ate Alaska, Hills Have Eyes, The Year -
Grande ThrashWall - Pavilhão dos B.V.O., Odemira Hard Club, Porto
10 - Fear The Lord, Beneath Shortcuts, Don't Fall 31 - Machine Head - Coliseu do Porto, Porto 13 -   Oceans Ate Alaska, Hills Have Eyes, Void - RCA
Asleep - Nirvana Studios, Oeiras Club, Lisboa
31 - Fields Of The Nephilim - Hard Club, Porto
10 - Apresentação "Time Is Now" - Nine O Nine, Blame 19 - Metal Keeper Fest II - Tank, Killer, Witchtower, Attick
Zeus, Shutter Down - Hard Club, Porto 31 - Simbiose, Alien Squad, Urubu - ARCM Faro
Demons, Alkateya, Wanderer - Another Place, Almada
10 - Moonspell - Centro Cultural e Congressos, Caldas da 31 - Disaffected - Monolith Moon - Revenge of the
26 - O Último Concerto - Inverno Eterno, Black Howling -
Rainha Fallen - Stairway Club, Cascais
RCA Club, Lisboa
10 - Apresentação "As árvores estão secas e não têm folhas" - 31 - Apresentação Oficial de "Exhaust" - Infraktor - Cabra
Urze de Lume - Auditório Carlos Paredes, Lisboa Negra, Marinha Grande

10 - Hourswill, The Chapter, Monolith Moon - Stairway Junho


27 - Marilyn Manson - Campo Pequeno, Lisboa
Club, Cascais
Abril
14 - Anciients, Black Wizard - Texas Bar, Leiria 30 - Pain Of Salvation - RCA Club, Lisboa
03 - August Burns Red, Voynich Code, Borderlands -
16- Extreme Metal Attack ANNO XV 2018 - Blackevil, Hard Club, Porto

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