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Súmulas e Jurisprudências Comentadas

Disciplina: Legislação Penal Especial


Prof. Sílvio Macial

MATERIAL DE APOIO – MONITORIA

I – ANOTAÇÕES DE AULA

1. ECA

1.1. O menor como infrator

O ECA trata da proteção a crianças (com até 12 anos incompletos) e a adolescentes (até 18 anos imcom-
pletos).

Ambos praticam ato infracional. A diferença é que a criança não responde por ele. Só responde o adoles-
cente.

1.2. Aplicação Excepcional do ECA ao maior de 18 anos (art. 2º, § único)

O ECA será aplicado ao maior de idade quando o ato infracional for praticado ainda na menoridade. A pes-
soa fica sujeita ao ECA até os 21 anos, para que a infração não fique sem resposta estatal.

Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de
idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade.

Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Es-
tatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade.

Em 2002 o atual Código Civil entrou em vigor e reduziu a menoridade de 21 para 18 anos. Parte da dou-
trina passou a sustentar que essa norma do ECA estaria tacitamente revogado pelo Código Civil.
O STJ, contudo, decidiu que o p. único do art. 2º do ECA não está tacitamente revogado pelo Código Civil,
sendo possível a aplicação do ECA (REsp 777.130 – item 9.1).

Uma parte da doutrina e da jurisprudência entende que essa aplicação excepcional do ECA tem essa natu-
reza porque só pode ser aplicada a medida socioeducativa de internação. Tese também já refutada pelo
STJ, ao decidir que qualquer medida socioeducativa pode ser aplicada nesses casos (STJ/HC 99.481 –
item 9.2).

2. Ato infracional (art. 103 do ECA)1

Nós sabemos que para os crimes e para as contravenções penais é cabível o princípio da insignificância. O
que se pergunta é se é possível a aplicação do princípio ao ato infrcional, já que não se trata de crime ou
contravenção, mas a ele equiparado.

O STF já se manifestou e decidiu ser cabível a aplicação do princípio ao ato infracional (STJ HC 67.905 e
STF HC 98.381 – itens 9.3 e 9.4).

1
Art. 103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal.

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3. Ato infracional e Extradição

O Estatuto do Estrabgeiro determina que o estrangeiro que comete crime está sujeito à extradição. O que
se pergunta é quanto ao menor estrangeiro que comete ato infracional. Poderá ser extraditado?

O STF decidiu que não é cabível extradição em razão de ato infracional. Sob o argumento de que o esta-
tuto do estrangeiro só menciona crime, impossibilitando a inclulsão de ato infracional para fins de extradi-
ção; impossível, portanto, a interpretação extensiva (STF Extr. 1.135 – item 9.5).

4. Apuração do ato infracional

A apuração do ato infracional se dá em duas etapas:

i) Policial: na fase policial é feito Boletim de Ocorrência Circunstanciada, ou o Auto de Apreensão


de Adolescente, ou Relatório das Investigações;

ii) Judicial: encerrada a fase policial, o promotor recebe os documentos policiais e, junto com e-
les, o menor deverá ser apresentado ao promotor, seja pelos pais, pela polícia ou instituição de
menores, iniciando-se à chamada “oitiva informal”, para que o promotor possa formar seu con-
vencimento.

O STJ entende que essa audiência tem natureza de procedimento administrativo, que antecede a fase
judicial, ou seja, inaplicáveis os princípios do contraditório e da ampla defesa, posto inexistir ação judicial
contra o menor. Portanto, a falta de de defensor técnico nessa audiência de oitiva informal não gera a
nulidade. Nem mesmo o juiz participa desse ato.

Finda a audiência, o promotor tem 3 opções:

a) Requerer o arquivamento dos autos do ato infracional, quando não houver elementos de prova
do ato ou para providências quanto ao ato infracional;
b) Conceder remissão (perdão): que pode se dar de duas formas.
b.1) Remissão-perdão: não é aplicada nenhuma medida socieducativa;
b.2) Remissão-Transação: remissão com aplicação de uma medida socieducativa.
O STJ entendeu que a remissão não funciona como maus antecedentes quando o menor eventualmente
responder a processo-crime na maioridade;

c) Oferecer representação contra o menor, equivalente à denúncia no Processo Penal. Iniciando-se


a ação socieducativa quando o juiz receber a representação.

Do mesmo modo que no processo penal, em que a denúncia pode ser rejeitada, a representação oferecida
contra adolescente infrator também pode ser rejeitada por falta de justa causa. Ex.: ausência de indícios
de materialidade (HC 153.088 do STJ – item 9.6).

Recebida a representação pelo Judiciário, inicia-se a ação de medida socieducativa contra apenas o ado-
lescente.
No procedimento do ECA não existe assitente de acusação por inexistência de previsão legal, não podendo
ser aplicado o CPP por anolgia (REsp 1.044.203 – item 9.7).

Iniciado o procedimento, o juiz marca uma audiência para ouvir o adolescente. Nessa audiência o ECA diz
que devem estar presentes o pais ou responsáveis do adolescente. Porém, na prática, é comum que essas
figuras estejam ausentes, aparecendo apenas o advogado, de modo que o STJ já pacificou inexistir nuli-
dade se os pais estiverem ausentes da audiência, mas houver a presença de um defensor técnico. Isto
quer dizer que o defensor técnico acumulará a função de advogado e curador.

Se o adolescente confessar o crime, a acusão e a defesa não podem desistir das demais provas, conforme
consta da súmula nº 342 do STJ, vejamos:

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No procedimento para aplicação de medida sócio-educativa, é nula a desistência de
outras provas em face da confissão do adolescente. (Súmula 342, TERCEIRA SE-
ÇÃO, julgado em 27/06/2007, DJ 13/08/2007 p. 581)

Além disso, se o adolescente confessa o ato infracional não se aplica o instituto da confissão espontânea,
por falta de previsão legal e, segundo o princípio de que a lei especial prevalece sobre a geral, inamissí-
vel, para o STJ, a analogia (STJ HC 101.739 – item 9.8).

A remissão pode ser concedida pelo MP antes de se inciar a ação socieducativa. Após iniciado o processo,
poderá o juiz concedê-la.

Segundo o entendimento no HC 99.565 (item 9.9) do STJ, o juiz poderá cumular medidas socieducativas.

Encerrado o procedimento, a sentença pode ser de duas espécies:

a) Improcedência do pedido – equivalente à absolutória no Processo Penal;


b) Procedênciado pedido – equivalente à condenatória no Processo Penal. Neste caso o juiz aplicará
uma ou várias medidas socieducativas, previstas no art. 112 do EC.

5. Semi-liberdade e a Internação

São medidas que restringem ou limitam completamente a liberdade do menor. Regidas pelo princípio da
excepcionalidade, sendo já pacificada essa idéia pelo próprio STJ, o que significa dizer:

I) A medida de semi-liberdade só pode ser aplicada como regime inicial ao menor, se devidamen-
te fundamentada, em razão do princípio da excepcionalidade. Devendo ser a decisão funda-
mentada, demonstrando-se a necessidade da medida e a inviabilidade de medidas “mais le-
ves”;
II) A medida de internação (art. 122 do ECA). É absolutamente pacífico no STJ e no STF que a in-
ternação só pode ser aplicada nessas três hipóteses taxativas do art. 122 do ECA. Ex. clássico
– tráfico de drogas – não pode o adolescente sofrer medida de internação, em razão do princí-
pio da excepcionalidade. Ademais, para o STJ, a reiteração do inciso III do 122 ocorre com a
prática de 3 atos infracionais (STJ HC 234.067 – item 9.10).

O prazo máximo da internacção é de 3 anos ou até completar 21 anos. O STJ entende, contudo, que o
prazo é para cada ato infracional, devendo ser contado isolada e cumulativamente.

6. Execuçao da medida socieducativa: progessão e regressão

A progressão é a transferência da mais grave para a mais leve e a regressão da mais leve à mais grave
(súmula 265)2. Para o juiz decretar a regressão da medida é precisso ouvir o menor. É impossível a re-
gressão sem o contraditório sob pena de nulidade da decisão que a decretar.

7. Medida Cautelar de Internação ou Internação Provisória

A internação provisória equivale à prisão preventiva do Processo Penal. A internação provisória só pode
durar pelo prazo de até 45 dias, absolutamente improrrogável segundo o entendimento do STJ.

8. Prescrição de ato infracional

O ECA é silente. Existindo duas correntes:

Primeira Corrente: não existe porque o ECA não prevê e porque medida socieducativa não é pena;

2
É necessária a oitiva do menor infrator antes de decretar-se a regressão da medida sócio-educativa.(Súmula 265,
TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 22/05/2002, DJ 29/05/2002 p. 135) – STJ.

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Segunda Corrente: prescreve porque medida socieoeducativa tem natureza de sanção, podendo restrin-
gir a liberdade do menor, aplicando-se por analogia as regras de prescrição do CP. Esta é a que prevalece
(súmula 338 do STJ)3. A prescrição é calculada da mesma forma que se calcula para o crime equivalente
ao ato infracional sob análise. Ex. se a prescrição se dá em 8 anos, a prescrição do ato infracional se dá
em 8 anos. O mesmo serve para a pretensão executória.

Existem algumas medidas socieducativa de prazo indeterminado. Se ela for assim aplicada,a precrição da
pretensão executória será de 3 anos. Esses prazos serão sempre reduzidos à metade, tendo em vista que
o aodlescente será menor na prática do crime, por disposição expressa do CP.

9. Jurisprudência comentada em aula

9.1. RECURSO ESPECIAL Nº 777.130 - RJ (2005/0142139-3) RELATOR : MINISTRO FELIX FISCHER


RECORRENTE : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO RECORRIDO : M M DA
R ADVOGADO : ROSANE MARIA REIS LAVIGNE - DEFENSORA PÚBLICA E OUTROS EMENTA RE-
CURSO ESPECIAL. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. MEDIDA SÓCIO-EDUCATIVA.
SEMILIBERDADE. MAIORIDADE CIVIL. LIBERAÇÃO COMPULSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. Não
houve qualquer modificação na interpretação do art. 121, § 5º, da Lei nº 8.069/90, frente à
nova maioridade civil tratada no art. 5º da Lei nº 10.406/2002. Assim, deve permanecer a ida-
de de 21 (vinte e um) anos como limite para a concessão da liberdade compulsória àqueles que
estejam cumprindo as medidas sócio-educativas aplicadas com base no Estatuto da Criança e
do Adolescente (Precedentes). Recurso provido.

9.2. HABEAS CORPUS Nº 99.481 - RJ (2008/0019501-6) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES


MAIA FILHO IMPETRANTE : ROSANE REIS LAVIGNE - DEFENSORA PÚBLICA IMPETRADO : TRI-
BUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO PACIENTE : L C DE S B EMENTA HABEAS
CORPUS. ATO INFRACIONAL EQUIPARADO A TENTATIVA DE FURTO QUALIFICADO. MEDIDA
SÓCIO-EDUCATIVA DE INTERNAÇÃO POR PRAZO INDETERMINADO. EVASÃO DO MENOR O-
CORRIDA EM 25.05.05. SUSPENSÃO DO PROCESSO. IMPLEMENTO DA MAIORIDADE CIVIL. IR-
RELEVÂNCIA. ALEGAÇÃO DE PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. SÚMULA 338/STJ. PRAZO
PRESCRICIONAL DE 4 ANOS. NÃO APERFEIÇOAMENTO DO LAPSO TEMPORAL EXIGIDO. ORDEM
DENEGADA. 1. O próprio Estatuto da Criança e do Adolescente traz a previsão, no § 5o. do art.
121, de que a medida pode ser estendida até os 21 anos de idade, abarcando, portanto, aque-
las hipóteses nas quais o menor cometeu o ato infracional na iminência de completar 18 anos;
caso contrário, a medida tornar-se-ia inócua, impossibilitando a norma de alcançar seu objetivo
precípuo de recuperação e ressocialização do menor. 2. Considerando a interpretação sistêmica
da legislação menorista, tem-se que, para efeitos da aplicação da medida sócio-educativa,
qualquer que seja, deve ser considerada a idade do autor ao tempo do fato, sendo irrelevante a
implementação da maioridade civil ou penal no decorrer de seu cumprimento, já que, como
visto, o limite para sua execução é 21 anos de idade. 3. A diretriz jurisprudencial desta Corte
assentou a orientação de que, para o cálculo do prazo prescricional da pretensão sócio-
educativa, caso a medida tenha sido aplicada sem termo final, far-se-á uso do prazo máximo
em abstrato de duração da medida de internação, que, à luz do disposto no art. 121, § 3o. do
ECA, é de 3 anos; ao passo que, na hipótese de ter sido fixado um prazo final, terá como pa-
râmetro a sua duração determinada na sentença. Uma vez fixado o prazo, este deve ser redu-
zido pela metade, em decorrência do disposto no art. 115 do CPB. 4. Como o paciente se eva-
diu do estabelecimento em 25.05.05, tem-se que a prescrição da medida imposta por prazo in-
determinado somente ocorreria em 25.05.09, isto é, decorridos 4 anos. 5. Parecer do MPF pela
denegação da ordem. 6. Ordem denegada.

9.3. HABEAS CORPUS Nº 67.905 - SP (2006/0220897-4) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTEVES


LIMA IMPETRANTE : RAFAEL AUGUSTO FREIRE FRANCO - PROCURADORIA DA ASSISTÊNCIA
JUDICIÁRIA IMPETRADO : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO PACIENTE : L

3
A prescrição penal é aplicável nas medidas sócio-educativas. (Súmula 338, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
09/05/2007, DJ 16/05/2007 p. 201)

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DOS S DA S (MENOR) PACIENTE : E DE O (MENOR) PACIENTE : M C S (MENOR) PACIENTE : R
DOS S R (MENOR) PACIENTE : B F DA S (MENOR) PACIENTE : F V DA C S (MENOR) EMENTA
HABEAS CORPUS. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ATO INFRACIONAL EQUIPA-
RADO AO CRIME DE FURTO QUALIFICADO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INCIDÊNCIA.
AUSÊNCIA DE TIPICIDADE MATERIAL. TEORIA CONSTITUCIONALISTA DO DELITO. INEXPRES-
SIVA LESÃO AO BEM JURÍDICO TUTELADO. ORDEM CONCEDIDA. 1. O princípio da insignificân-
cia surge como instrumento de interpretação restritiva do tipo penal que, de acordo com a
dogmática moderna, não deve ser considerado apenas em seu aspecto formal, de subsunção
do fato à norma, mas, primordialmente, em seu conteúdo material, de cunho valorativo, no
sentido da sua efetiva lesividade ao bem jurídico tutelado pela norma penal, consagrando os
postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima. 2. Indiscutível a sua relevância, na
medida em que exclui da incidência da norma penal aquelas condutas cujo desvalor da ação
e/ou do resultado (dependendo do tipo de injusto a ser considerado) impliquem uma ínfima a-
fetação ao bem jurídico. 3. A subtração de um par de chinelos, um frasco de shampoo e um
frasco de VEJA, avaliados em R$ 19,00 (dezenove reais), por seis adolescentes, embora se
amolde à definição jurídica do crime de furto, não ultrapassa o exame da tipicidade material,
mostrando-se desproporcional a sanção penal, uma vez que a ofensividade das condutas se
mostrou mínima; não houve nenhuma periculosidade social da ação; a reprovabilidade dos
comportamentos foram de grau reduzidíssimo e a lesão ao bem jurídico se revelou inexpressi-
va. 4. Ordem concedida para determinar o restabelecimento da sentença.

9.4. EMENTA: HABEAS CORPUS. ATO INFRACIONAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILI-


DADE. ASPECTOS RELEVANTES DO CASO CONCRETO. CARÁTER EDUCATIVO DAS MEDIDAS
PREVISTAS NO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ORDEM DENEGADA. I - O princí-
pio da insignificância é aplicável aos atos infracionais, desde que verificados os requisitos ne-
cessários para a configuração do delito de bagatela. Precedente. II - O caso sob exame, todavi-
a, apresenta aspectos particulares que impedem a aplicação do referido princípio. III - As me-
didas previstas no ECA têm caráter educativo, preventivo e protetor, não podendo o Estado fi-
car impedido de aplicá-las. IV - Ordem denegada. (HC 98381, Relator(a): Min. RICARDO LE-
WANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 20/10/2009, DJe-218 DIVULG 19-11-2009 PUBLIC
20-11-2009 EMENT VOL-02383-02 PP-00352 RTJ VOL-00213- PP-00583 LEXSTF v. 32, n. 373,
2010, p. 389-395)

9.5. EMENTA: EXTRADIÇÃO. PROMESSA DE RECIPROCIDADE. CRIMES DE EXTORSÃO GRAVE COM


CARÁTER DE ROUBO E LESÃO CORPORAL. EXTRADITANDO MENOR DE DEZOITO ANOS À ÉPO-
CA DO FATO. INIMPUTABILIDADE. EQUIPARAÇÃO A ATOS INFRACIONAIS. AUSÊNCIA DE DU-
PLA TIPICIDADE 1. Crimes de extorsão grave com caráter de roubo e lesão corporal. Paciente
menor de dezoito anos à época dos fatos. Inimputabilidade segundo a lei brasileira. 2. A Lei n.
6.815/80 impede a extradição quando o fato motivador do pedido não for tipificado como crime
no Brasil. Considerada sua menoridade, as condutas imputadas ao extraditando são tidas como
atos infracionais pela Lei n. 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente). Ausente o requi-
sito da dupla tipicidade prevista no art. 77, inc. II da Lei n. 6.815/80. Extradição indeferi-
da.(Ext 1135, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 01/10/2009, DJe-223
DIVULG 26-11-2009 PUBLIC 27-11-2009 EMENT VOL-02384-01 PP-00042 LEXSTF v. 31, n.
372, 2009, p. 316-319)

9.6. HABEAS CORPUS Nº 153.088 - SP (2009/0220447-8) RELATOR : MINISTRO JORGE MUSSI IM-
PETRANTE : CAROLINA RANGEL NOGUEIRA - DEFENSORA PÚBLICA IMPETRADO : TRIBUNAL
DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO PACIENTE : D T B EMENTA HABEAS CORPUS. ESTA-
TUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. REPRESENTAÇÃO RE-
JEITADA. AUSÊNCIA DO LAUDO DE CONSTATAÇÃO PRELIMINAR. APELAÇÃO PROVIDA PARA
DETERMINAR O PROSSEGUIMENTO DO FEITO. MATERIALIDADE DO ATO INFRACIONAL. NE-
CESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. ORDEM CONCEDIDA. 1. Na esteira da jurisprudência desta
Corte Superior, afirmar a desnecessidade do laudo de constatação preliminar quando do ofere-
cimento da representação contra o menor implicaria admitir a sujeição do adolescente a proce-
dimento voltado à apuração da prática de ato infracional sem que seja demonstrada, ao menos
em juízo inicial, a materialidade da conduta, o que, a teor do art. 50, § 1º da Lei n.

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11.343/2006, não se permite sequer em relação à lavratura do auto de prisão em flagrante e o
recebimento da denúncia nos crimes praticados por adultos, visto que o referido atestado con-
figura condição de procedibilidade para apuração do ilícito de tráfico de entorpecente. 2. Ordem
concedida para reformar o aresto impetrado e restabelecer a sentença de primeiro grau que re-
jeitou a representação.

9.7. RECURSO ESPECIAL Nº 1.044.203 - RS (2008/0069408-2) RELATOR : MINISTRO ARNALDO


ESTEVES LIMA RECORRENTE : L L REPR. POR : P O R L E OUTRO ADVOGADO : LUIZ CARLOS
FERREIRA RECORRIDO : C V M ADVOGADO : CINARA DE OLIVEIRA VIEIRA INTERES. : MINIS-
TÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL EMENTA ATO INFRACIONAL. ESTATUTO
DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO.
IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. APLICAÇÃO DAS REGRAS DO CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL. PRECEDENTE DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A Lei 8.069/90,
em seu art. 198 (capítulo referente aos recursos), prevê a aplicação subsidiária das regras do
Código de Processo Civil, motivo pelo qual não cabe estender a aplicação dos arts. 268 a 273
do Código de Processo Penal, que trata da figura do assistente da acusação, ao procedimento
contido no ECA. 2. "Considerando o caráter de lei especial do Estatuto da Criança e do Adoles-
cente, na qual não há qualquer referência à figura do assistente da acusação, ele é parte ilegí-
tima para interpor recurso de apelação, por falta de previsão legal" (REsp 605.025/MG, Rel.
Min. GILSON DIPP, Quinta Turma, DJ de 21/11/05). 3. Recurso especial desprovido.

9.8. HABEAS CORPUS Nº 101.739 - DF (2008/0052669-9) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTE-


VES LIMA IMPETRANTE : RAFAELA CUNHA BARBOSA CAVALCANTI E CYSNE E OUTRO IMPE-
TRADO : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS PACIENTE : J DE
Q C PACIENTE : A O DO N (MENOR) EMENTA ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE –
ECA. HABEAS CORPUS . ATOS INFRACIONAIS EQUIPARADOS A LATROCÍNIO TENTADO E POR-
TE DE ARMA DE FOGO. CONFISSÃO ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO DE CIRCUNSTÂNCIA
ATENUANTE. IMPOSSIBLIDADE EM SEDE DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA. ORDEM DENEGADA.
1. A aplicação da circunstância atenuante de confissão, prevista no art. 65, III, d, do Código
Penal, é impossível em sede de procedimento relativo a ato infracional submetido ao Estatuto
da Criança e do Adolescente. 2. Ordem denegada.

9.9. HABEAS CORPUS Nº 99.565 - RJ (2008/0020707-4) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES


MAIA FILHO IMPETRANTE : LUIZ GUSTAVO CARNEIRO DE CARVALHO LIMA - DEFENSOR PÚ-
BLICO IMPETRADO : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO PACIENTE : D W
DA C A EMENTA HABEAS CORPUS . ECA. REPRESENTAÇÃO PELA PRÁTICA DE ATOS INFRACIO-
NAIS EQUIPARADOS AOS DELITOS DE USO E TRÁFICO DE ENTORPECENTES, RECEPTAÇÃO
SIMPLES, RECEPTAÇÃO QUALIFICADA E TENTATIVA DE ROUBO DUPLAMENTE QUALIFICADO.
IMPOSIÇÃO DE 4 MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS DE INTERNAÇÃO. INADMISSIBILIDADE DO
PLEITO DE UNIFICAÇÃO. PRECEDENTES DO STJ. PARECER DO MPF PELA DENEGAÇÃO DA OR-
DEM. ORDEM DENEGADA. 1. A pretensão de unificação das medidas socioeducativas impostas,
como decorrência da pratica de diversos atos infracionais, é contrária aos arts. 99 e 113 do
ECA, que autorizam a aplicação de medidas cumulativamente. 2. O entendimento deste STJ
firmou-se no sentido de que o prazo de 3 anos previsto no art. 121, § 3o. da Lei 8.069/90 é
contado separadamente para cada medida socioeducativa de internação aplicada por fatos dis-
tintos (RHC 12.187/RS, Rel. Min. FELIX FISCHER, DJU 04.03.02). 3. Parecer do MPF pela dene-
gação da ordem. 4. Ordem denegada.

9.10. Superior Tribunal de JustiçaHABEAS CORPUS Nº 234.067 - SP (2012/0035148-4) RELATOR :


MINISTRO GILSON DIPP IMPETRANTE : BRUNA G LOUREIRO DE A BARROS - DEFENSORA PÚ-
BLICA IMPETRADO : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO PACIENTE : P H DE O
S (INTERNADO) EMENTA CRIMINAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL.
ECA. ATO ANÁLOGO AO DELITO DE TRÁFICO DE ENTORPECENTES. INTERNAÇÃO POR TEMPO
INDETERMINADO. DECRETO CONDENATÓRIO TRANSITADO EM JULGADO. IMPETRAÇÃO QUE
DEVE SER COMPREENDIDA DENTRO DOS LIMITES RECURSAIS. MEDIDA SOCIOEDUCATIVA
MAIS SEVERA APLICADA COM MOTIVAÇÃO IDÔNEA. REITERAÇÃO NA PRÁTICA DE ATOS IN-
FRACIONAIS. ART. 122 DO ECA. ORDEM DENEGADA. I. Conquanto o uso do habeas

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corpus em substituição aos recursos cabíveis -- ou incidentalmente como salvaguarda de possí-
veis liberdades em perigo – crescentemente fora de sua inspiração originária tenha sido muito
alargado pelos Tribunais, há certos limites a serem respeitados, em homenagem à própria
Constituição, devendo a impetração ser compreendida dentro dos limites da racionalidade re-
cursal preexistente e coexistente para que não se perca a razão lógica e sistemática dos recur-
sos ordinários, e mesmo dos excepcionais, por uma irrefletida banalização e vulgarização do
habeas corpus. II. Precedentes do Supremo Tribunal Federal (Medida Cautelar no Mandado de
Segurança n.º 28.524/DF (decisão de 22/12/2009, DJE n.º 19, divulgado em 01/02/2010, Rel.
Ministro Gilmar Mendes e HC n.º 104.767/BA, DJ 17/08/2011, Rel. Min. Luiz Fux), nos quais se
firmou o entendimento da “inadequação da via do habeas corpus para revolvimento de matéria
de fato já decidida por sentença e acórdão de mérito e para servir como sucedâneo recursal ”.
III. Na hipótese, a condenação transitou em julgado e a impetrante não se insurgiu quanto à
eventual ofensa aos dispositivos da legislação federal, em sede de recurso especial, buscando o
revolvimento dos fundamentos exarados nas instâncias ordinárias na via do writ, em substitui-
ção aos recursos ordinariamente previstos no ordenamento jurídico. IV. A medida extrema de
internação só está autorizada nas hipóteses previstas taxativamente nos incisos do art. 122 do
ECA, pois a segregação do menor é medida de exceção, devendo ser aplicada e mantida so-
mente quando evidenciada sua necessidade, em observância ao espírito do Estatuto, que visa à
reintegração do menor à sociedade. V. Nos termos do entendimento pacífico desta Corte, a rei-
teração não se confunde com a reincidência, sendo necessária a prática de, ao menos, três atos
graves anteriores para a aplicação da medida de internação, o que na hipótese restou demons-
trado. VI. Hipótese na qual, antes da prática da conduta infracional apurada nos autos, o paci-
ente ostentava passagens pela Vara da Infância e da Juventude, em virtude do cometimento de
ato análogo ao crime de lesão corporal, pelo qual lhe foi aplicada medida socioeducativa de li-
berdade assistida, bem como duas práticas infracinais símiles ao delito de tráfico de drogas,
sendo-lhe imposta medida de liberdade assistida e duas prestações de serviços à comunidade.
VII. Medidas socioeducativas anteriormente impostas que não foram bastantes para a reinte-
gração do menor à sociedade, tendo esse voltado a praticar atos infracionais, estando a inter-
nação devidamente motivada por se tratar de menor em situação de risco, nos moldes do art.
122 do ECA. VIII. Ordem denegada, nos termos do voto do Relator.

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